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Pão e vinho no <i>Filoctetes</i> de Sófocles

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PÃO E VINHO NO F1L0CTETES DE SÕFOCLES

FeAnando Mandão doA SANTOS*

"MISÉRIA É MISÉRIA EM QUALQUER CANTO

RIQUEZAS SÃO D I F E R E N T E S "

( A r n a l d o A n t u n e s , Sérgio B r i t o e

P a u l o M i k l o s )

O FitocteXzò de Sófocles, numa p r i m e i r a l e i . t u r a , i m p r e s s i o n a p e l a subcondição de v i d a de seu herói p r i n c i p a l . Não é m u i t o comum na tragé d i a ática do século V a.C. a aparição de p e r s o n a gens f a m i n t a s , s e d e n t a s ou mal v e s t i d a s . F i l o c t e t e s , um dos g u e r r e i r o s que comanda uma f r o t a c o n t r a Tróia sob o poder do " r e i dos homens"

(ánax ándron), Agamemnon, é d e i x a d o em Lemnos,

uma i l h a d e s e r t a , porque no caminho da expedi_ ção, t e n d o s i d o p i c a d o p o r uma s e r p e n t e homici. da, e n c h i a o acampamento com seus i n s u l t o s s e i vagens e gemidos**. Mas, de t o d o o drama compôs

* Departamento de Lingüística - F a c u l d a d e de Ciên c i a s e L e t r a s - UNESP - 14800 - A r a r a q u a r a - SP **12; 5,vv.717-725; 6, vv.188-190; 7, v v .

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t o p o r Sófocles, a p r e s e n t a d o em 409 a.C. em A t e n a s , queremos a q u i apenas chamar a atenção pa r a uma p a r t e do p r i m e i r o e único estásimo da pe ça. Na segunda e s t r o f e d e s t e c a n t o c o r a l lemos:

" ( . . . ) nao c o l h i a da sagrada t e r r a o grão p a r a s u s t e n t o nem o u t r a s c o i s a s das que nos a l i m e n t a m o s , homens comedores de

pão,

a nno s e r quando alguma vez o a r c o

de a l a d a s s e t a s a t i n g i s s e o s u s t e n t o p a r a o v e n t r e .

o t r i s t e s e r !

que com taça de v i n h o não se c o m p r a z i a há dez anos,

c buscando em l u g a r e s que c o n h e c i a , até de água e s t a g n a d a

sempre se a p r o x i m a v a ( . . . ) "

( 1 , v v . 706-718)

P i e r r e V i d a l - N a q u e t vê n e s t a e s t r o f e que " F i l o c t e t e s aparece como i n t e i r a m e n t e e s t r a n h o ao mundo dos campos c u l t i v a d o s " ( 1 3 , p. 1 7 8 ) . Ao

invés de e s t r a n h e z a p r e f e r i m o s o t e r m o "carên c i a " . A peça, desde o cenário p r o p o s t o p e l o t e x t o até o r e c u r s o f i n a l , com a v i n d a de Héracles como um deus ex-machina, a c e n t u a o modo de v i d a precário do herói. Sem dúvida, F i l o c t e t e s está em Lemnos, m o r t o p a r a a s o c i e d a d e cívica. Lemnos, no t e x t o de Sófocles, é um espaço marcado p e l o i s o l a m e n t o : "não p i s a d o nem h a b i t a d o p o r m o r t a i s

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ou i m o r t a i s . " ( 1 , v v . 1-2, v v . 220-221) F i l o c t e t e s f i c a só p o r dez anos e sua solidão, em d i v e r s o s momentos da peça, é a c e n t u a d a * . Mas que solidão é essa a de F i l o c t e t e s ? Sob que i m a g i n a r i o está construída? Obviamente a r e s p o s t a p a r a essas p e r g u n t a s pode s e r m u i t o mais a b r a n g e n t e e pode também c o n d u z i r - n o s a d i f e r e n t e s aborda gens da peça. Poderíamos a b o r d a r a solidão do he rói trágico, como o f e z , p o r exemplo, B.M. Knox

em The Henoic Tempe.fi (8) , ou o exílio cívico

como o f e z P i e r r e V i d a l - N a q u e t ao a c e n t u a r que Odisseu f a z d e l e um m o r t o s o c i a l , lembrando que F i l o c t e t e s é e x i l a d o j u s t a m e n t e p o r i n t e r r o m p e r as libações e sacrifícios com seus g r i t o s e i n s u l t o s ( 1 3 , p. 1 7 8 ) . Assim, s e r i a e s t e seu e s t a do d o e n t i o o c e n t r o p r o p u l s o r da decisão dos A t r i d a s , p e l a s mãos do hábil (sophós) O d i s s e u , em r e t i r a r do acampamento a f i g u r a p e r t u r b a d o r a de F i l o c t e t e s ? E s t e a f a s t a m e n t o de F i l o c t e t e s se r i a mais i m p o r t a n t e que sua ação d e s a s t r o s a (sua hamartía) p r e c i p i t a d a ao se a p r o x i m a r do a l t a r de C r i s a , na i l h a de C r i s a ? A versão que Sófocles

* 1 , v v . 169-190; v v . 224-29; v v . 269-69; v v . 278-82; v v . 691-716; v v . 951-60 e t o d o o kommõs, v v . 1081-1218.

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nos a p r e s e n t a não f o r n e c e m a i o r e s d e t a l h e s s o b r e a razão de F i l o c t e t e s t e r s i d o p i c a d o p e l a s e r p e n t e guardiã do a l t a r de C r i s a * . O que Sófocles r e s s a l t a em seu t e x t o é que a presença de F i l o c t e t e s no acampamento g r e g o em território t r o i a n o impede que os r i t o s propociatórios se r e a l i z e m d e v i d a m e n t e . E ao s e r a f a s t a d o do convívio de seus i g u a i s , os ándres, homens-cidadãos-guerrei. r o s , é a f a s t a d o da v i d a cívica e de t u d o o que e l a a c a r r e t a . Munido apenas com o a r c o que h e r d a r a de Héracles (e o t e x t o s i l e n c i a também s o b r e como se d e r a e s t e episódio) l e v a p o r dez anos uma v i d a semelhante a de um caçador p r i m i t i v o .

A caracterização, então, da v i d a de F i l o c t e t e s d u r a n t e esses dez anos está r e s u m i d a n e s t e único d i a em que a expedição de O d i s s e u chega t r a z e n d o Neoptólemo, o f i l h o de A q u i l e s , p a r a capturá-lo j u n t o com sua arma poderossíssima. A p r i m i t i v i d a d e do modo de v i d a l e v a d o p o r F i l o c t e t e s tem como c o n t r a p o n t o a própria concepção de um modo de v i d a político, i s t o ê, tem como r e

ferência a v i d a de um cidadão na p o l i s do século

* 1 , v v . 7, 41-42, 44, 162-68, 191-200, 265-70 e vv. 1326-40.

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V a.c. Há, sem dúvida, como em quase t o d a a t r a gédia ática, o que P.E. E a s t e r l i n g chama de "ana c r o n i s m o da tragédia g r e g a " ( 4 , p. 1-10). Am p l i a m o s essa idéia de P.E. E a s t e r l i n g d i z e n d o que, na v e r d a d e , o que se tem na tragédia é j u s tamente a projeção no p a l c o do imaginário do pró p r i o século V, c a l c a d o , sem dúvida, na tradição de um passado "heróico" e p o r t a n t o a r c a i c o . Mas e s t e passado, na tragédia g r e g a , passa p e l o c r i vo contemporâneo dos a u t o r e s trágicos, i n c l u i n do a f i l o s o f i a sofística que tomava c o r p o na c i dade.* Assim, Sófocles, ao nos a p r e s e n t a r a um dos heróis lendários da tradição, c o l o c a - n o s d i a n t e de um homem c u j a s carências, c u j a s neces s i d a d e s são as carências de um cidadão de sua

* Vimos que a tragédia, enquanto permanece v i v a , busca seus temas nas l e n d a s dos heróis. Esse e n r a i z a m e n t o na tradição das n a r r a t i v a s míti_ cas e x p l i c a , que sob m u i t o s a s p e c t o s , se encon trem mais arcaísmos nos grandes Trágicos que em Homero. A tragédia, no e n t a n t o , assume um d i s t a n c i a m e n t o em relação aos m i t o s de heróis em que se i n s p i r a e que transpõe com m u i t a l i b e r dade" ( 1 3 , p. 16)

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época. E p o r a c e n t u a r o seu modo de v i d a p r e c a r i o , sua m a r g i n a l i d a d e d i a n t e da comunidade guer r e i r a , e x p l i c i t a q u a l s e r i a o seu o p o s t o . R e s s a l t e - s e a q u i o termo que t r a d u z i m o s p o r " s u s t e n t o " , phorbes ( 1 , v . 162, v. 708) é em sua p r i m e i , r a acepção, não o a l i m e n t o de forma g e r a l , que se s e r v e aos homens, mas a alimentação que se dá a a n i m a i s : p a s t o , p o r assim d i z e r . Então, quan do o c o r o e n t o a que " e l e não c o l h e o grão de sus t e n t o ( v . 708) da sagrada t e r r a " , põe-nos d i a n t e do c o n t r a s t e mais e v i d e n t e em relação àqueles que, através do t r a b a l h o , obtêm o mínimo p a r a sua sobrevivência. A imagem de "homens comedores de pão" (áneres alphestaí), t i r a d a de Homero, reforça a idéia de uma oposição e n t r e uma v i d a c i v i l i z a d a , que pressupõe um mínimo de domínio tecnológico, e uma v i d a a n i m a l e s c a .

A e t i m o l o g i a de a l p h e s t e s a p o n t a p a r a duas acepções. Uma v i n d a , do v e r b o alphano, ganhar, o b t e r e daí f o r n e c e r , a s s o c i a d o ao termo l a t i n o

l a b o r . A o u t r a , v i n d a de álphi, pão ( f a r i n h a de

cevada álphiton) mais o v e r b o édo, comer (da mes ma r a i z do v e r b o l a t i n o edo, c o m e r ) . * V e j a - s e as duas acepções p a r a o termo a l p h e s t e s não p r e

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j u d i c a m o c o n j u n t o semântico dos v e r s o s , porque em ambas há idéia de t r a b a l h o e a l i m e n t o .

C h a r l e s P a u l S e g a l , em seu G/ieefe Tfiagedy and CÁvJJLLzatÁon, an \nt<WpHítaXÀ.on un Sofiocleò, a f i r m a :

" c a r e n t e de pão, e l e está d e s p o j a d o do i t e m mais d i s t i n t i v o da d i e t a c i v i l i z a d a e do s i g n o básico da g e n e r o s i d a d e da t e r r a , em s i mesmo d i v i n a ou

'sagrada'. C a r e n t e de v i n h o , e l e não tem os meios de r e a l i z a r a mais s i m p l e s o f e r e n d a dos deuses" (10, p. 2 9 2 ) . Sabemos m u i t o bem o que o homem grego e n t e n d i a p e l a g e n e r o s i d a d e da t e r r a , deusa mãe, "mão do próprio Zeus", segundo uma ode do ¥ilocteXíi>. * Além da c o m p l e x i d a d e do s i g n i _

f i c a d o do v i n h o na c u l t u r a g r e g a ( 2 ) , há a i n d a que se c o n s i d e r a r a c o m p l e x i d a d e da participação do cidadão nos r i t u a i s públicos da c i d a d e ( 1 1 , p. 175 e p a s s i m ) . É a participação nos r i t u a i s públicos que, de c e r t a f o r m a , c o n f e r e ao cidadão t o d a a sua i d e n t i d a d e .

* " T e r r a montanhosa n u t r i z de t o d o s ,

mãe do próprio Zeus (...) ( 1 , v v . 3 9 1 -93) . A q u i , como n o t o u C P . S e g a l , é um dos r a r o s momentos em que T e r r a não está a s s o c i a d a ã produção d a d i v o s a . ( 1 0 , p. 3 2 4 ) . Ver em D a i n a expressão biódoros a i a . ( 1 , v. 1162)

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j u d i c a m o c o n j u n t o semântico dos v e r s o s , porque em ambas há idéia de t r a b a l h o e a l i m e n t o .

C h a r l e s P a u l S e g a l , em seu Gfie.uk Ttiagedy and

Ziv-ULi.zatA.on, an IntetipnetatLon on SofiocleA, a f i r m a :

" c a r e n t e de pão, e l e está d e s p o j a d o do i t e m mais d i s t i n t i v o da d i e t a c i v i l i z a d a e do s i g n o básico da g e n e r o s i d a d e da t e r r a , em s i mesmo d i v i n a ou

'sagrada'. C a r e n t e de v i n h o , e l e não tem os meios de r e a l i z a r a mais s i m p l e s o f e r e n d a aos deuses" ( 1 0 , p. 2 9 2 ) . Sabemos m u i t o bem o que o homem g r e g o e n t e n d i a p e l a g e n e r o s i d a d e da t e r r a , deusa mãe, "mão do próprio Zeus", segundo uma ode do FitocteteA. * Além da c o m p l e x i d a d e do s i g n i _

f i c a d o do v i n h o na c u l t u r a g r e g a ( 2 ) , há a i n d a que se c o n s i d e r a r a c o m p l e x i d a d e da participação do cidadão nos r i t u a i s públicos da c i d a d e ( 1 1 , p. 175 e p a s s i m ) . É a participação nos r i t u a i s públicos que, de c e r t a forma, c o n f e r e ao c i d a dão t o d a sua i d e n t i d a d e .

* " T e r r a montanhosa n u t r i z de t o d o s ,

mãe do próprio Zeus (...) ( 1 , v v . 3 9 1 -93) . A q u i , como n o t o u C P . S e g a l , é um dos r a r o s momentos em que T e r r a não está a s s o c i a d a ã produção d a d i v o s a . ( 1 0 , p. 3 2 4 ) . Ver em Dain a expressão biódoros a i a . ( 1 , v . 1162)

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Ao contrário do h o p l i t a , F i l o c t e t e s , em Lemnos, não tem p o s t o nenhum, nenhuma função m i l i t a r na h i e r a r q u i a dos g u e r r e i r o s . De posse do a r c o de um deus, Héracles, usa-o apenas p a r a ca çar a n i m a i s s e l v a g e n s que l h e saciam a fome. Des

t a f o r m a , o a r c o , que, a princípio d e v e r i a s e r usado como o seu p r i m e i r o dono u s o u , liga-sè a n e c e s s i d a d e v i t a l de F i l o c t e t e s . P r i v a d o d e l e , F i l o c t e t e s vê-se p r i v a d o da própria v i d a . * Nada mais l h e r e s t a senão m o r r e r ( 1 , v . 1085, 1105 e

1158) e s e r d e v o r a d o p o r a q u e l e s de quem um d i a se a l i m e n t o u :

"6 a l a d a s p r e s a s e r a ç a s de f e r a s

de olhos b r i l h a n t e s , que e s t e lugar m a n t é m alimentadas nos montes,

jamais vos aproximareis de minha caverna fugindo de mim, p o i s n ã o tenho nas m ã o s a força das f l e c h a s como a n t e s ,

a i , como sou i n f e l i z a g o r a ,

* "Despoja-me da v i d a ao r o u b a r e s minhas armas" ( 1 , v . 9 3 1 ) . V e r o a r t i g o de P i e r r e V i d a l -Naquet p a r a a comparação d e s t e t r e c h o com o pensamento de Heráclito. ( 1 3 , p. 180)

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mas l i v r e e s t e lugar se e n c o n t r a , nao mais devo s e r temido por v ó s . A v a n ç a i , agora o belo

b i c o vingador s a c i a i gra ça s ã minha carne descorada,

p o i s em breve d e i x a r e i a v i d a . "

( 1 , v v . 1146-5-8)

Com o r o u b o das armas, F i l o c t e t e s é p o s t o p a r a além da sua já m a r g i n a l i d a d e . Neoptólemo, o jovem f i l h o de A q u i l e s , em seu p e r s u r s o i n i c i a t i c o , d e v o l v e - a s a F i l o c t e t e s ; d e v o l v e - l h e , as sim, no mínimo, o seu modo precário de v i d a . Es t a resolução r e v e l a a n a t u r e z a de seu caráter. Ao invés de c o n d u z i - l o a Tróia, como já se com p r o m e t e r a com O d i s s e u no prólogo, promete

levá-l o de v o levá-l t a p a r a c a s a , c o n t r a r i a n d o a d e t e r m i n a ção dos mandantes e o desígnio do oráculo de Heleno. Todos esses a c o n t e c i m e n t o s , já quase no f i n a l da peça, provocam um d e s c o n f o r t o porque o público, conhecedor do m i t o de F i l o c t e t e s , s a b i a que e l e v o l t o u a Tróia e, com as armas sagradas de Héracles, matou P a r i s , dando a vitória aos g r e g o s , v i n g a n d o a m o r t e de A q u i l e s . Mas é somen t e a voz do deus Héracles, deus ex-machina, que r e v e r t e a situação de F i l o c t e t e s , na peça de

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sófocles, r e i n t e g r a n d o - o ã comunidade dos guer r e i r o s . Mas i s t o já eum o u t r o p r o b l e m a p r o p o s t o p e l a l e i t u r a do T-ÁJLoctzctti, de Sôfocles. Ao mer gulharmos na miséria de F i l o c t e t e s , somos c o n v i dados a r e f l e t i r nas r i q u e z a s de p o l i s . Como es tá d i t o na canção da epígrafe, miséria é miséria em q u a l q u e r c a n t o , r i q u e z a s são d i f e r e n t e s .

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Referências

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