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PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO DE CURSOS EAD

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Academic year: 2019

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PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO

DE CURSOS EAD

Para citar este texto:

BENEDETTI, Cláudia. A educação a distância como opção: os aspectos da gestão. Diretoria de Extensão e

Pós-Graduação. Anhanguera Educacional, 2012.

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Publicação: Abril de 2012

© DIREITOS RESERVADOS - Proibida a reprodução total ou parcial desta publicação sem o prévio consentimento, por escrito, da Anhanguera Educacional.

DIRETORIA DE EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO

Silvio Cecchi

Correspondência/Contato

Alameda Maria Tereza, 2000, Valinhos, São Paulo, CEP. 13.278-181.

PREPARAÇÃO GRÁFICA

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AULA 4

POLÍTICAS EM EAD

Objetivos

Compreender as políticas institucionais para a EaD.

1. POLÍTICAS EM EAD: DEFININDO ESTRATÉGIAS

Nos últimos quinze anos, o Brasil vem investindo substancialmente na Educação a Distância; como vimos, há uma perspectiva estratégica neste investimento, dada principalmente pelo potencial desta modalidade em sua abrangência. Veremos agora como é possível aproveitar estas políticas para traçar o planejamento em EaD. Sabemos que somente em 1996 o país efetivou sua política governamental em Educação a Distância; desta forma, não temos dados oficiais que antecedem esta data, pelo menos no que diz respeito ao Ministério da Educação. Foi o Artigo 80 da Lei n° 9.394 (LDBN) que deu início ao processo, em seu texto que diz que “o Poder Público incentivará o desenvolvimento e a veiculação de programas de ensino a distância, em todos os níveis e modalidades de ensino e de educação continuada”. A partir daí, podemos falar formalmente em Educação a Distância no Brasil.

Decreto n. 5.622, de 19 de dezembro

de 2005. Regulamenta o art. 80 da Lei nº

9.394, de 20 de dezembro de 1996, que

estabelece as diretrizes e bases da

educação nacional.

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As instituições de ensino viram-se diante de uma novidade e uma grande possibilidade de expansão, já que a lei determinou a necessidade de credenciamento das instituições, fato que limitou às instituições credenciadas a oferta de tais cursos. Estrategicamente, eram privilegiadas as instituições de ensino que já possuíam estrutura e regulamentação, facilitador para a exigência dos requisitos à emissão de diplomas.

No entanto, devemos destacar que, em contrapartida, os controles implementados pelo MEC dificultaram a expansão da EaD; porém, tal controle é compreensível, pois a demanda reprimida fez surgir instituições fraudulentas e com oferta de ensino de baixa qualidade.

A mesma lei citada trouxe na bagagem um aspecto muito positivo para as instituições de ensino, públicas e privadas: a implementação de políticas governamentais que auxiliassem as instituições de ensino. Para tanto, foi criada inicialmente a Secretaria de Educação a Distância (extinta em 2011), e com ela os Referenciais de Qualidade para a Educação a Distância. As experiências de controle fizeram surgir uma rígida política de regulamentação e um sistema de avaliação de cursos a Distância. É notório o resultado destas ações: fechamento de cursos, saneamentos e adequações fizeram parte da realidade de praticamente todas as instituições que implementaram o modelo EaD.

A LDB, no quarto parágrafo do artigo 80, trouxe uma possibilidade ainda pouco aproveitada pelas instituições de ensino privadas a possibilidade de “custos de transmissão reduzidos em canais comerciais de radiodifusão sonora e de sons e imagens” e, mais importante ainda, a “concessão de canais com finalidades exclusivamente educativas”. Estas possibilidades amparadas por lei significam uma grande perspectiva estratégica, o que para as instituições que optaram pelo modelo autônomo de EaD, significaria um baixo investimento inicial e uma probabilidade de retorno em capital social, cultural, marketing de baixo custo e consolidação da imagem educativa, benefícios que se convertem em captação de alunos e credibilidade institucional.

(4)

a abertura de centenas de vagas nos Institutos Federais, ampliando o campo de trabalho para a docência.

Os 20% a distância como estratégia de implantação do modelo EaD

Em 2001, o Ministério da Educação trouxe mais uma novidade para a Educação a Distância e, substancialmente, para os cursos presenciais: a Portaria n° 2.253 (atualizada posteriormente pela portaria nº 4.059/2004). Esta portaria permitiu às instituições de ensino superior que oferecessem, na modalidade a distância, até 20% de sua carga horária de cursos regulares já reconhecidos.

Esta nova determinação não trouxe somente a flexibilidade pedagógica, ampliando as possibilidades de ensino para além da sala de aula, incentivando a autonomia dos alunos e garantindo o desenvolvimento desta competência tão necessária em um mercado cada vez mais competitivo e exigente, ávido por profissionais pró-ativos e independentes. Além deste benefício educacional, a possibilidade de implantação dos 20% permitiu às instituições traçar novas estratégias administrativas e otimizar recursos.

Apesar de no Brasil ainda estarmos limitados aos 20% a distância, esta diretriz significou um enorme avanço; sob o ponto de vista estratégico, vislumbram-se duas grandes políticas: uma voltada para a consolidação do modelo EaD, familiarizando os

Portaria

4.059/2004

que

implementa e regulamenta a oferta dos

20% EaD

http://portal.mec.gov.br/sesu/arquivo

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estudantes dos cursos presenciais com o modelo, quebrando preconceitos e, a longo prazo, “naturalizando” a modalidade; outra, esta mais institucional, voltada para a formação de um público-alvo para cursos de Extensão e Pós-Graduação EaD.

Dito isto, é importante ressaltar que a implantação do modelo 20% não pode ser compreendida como um “remendo” do ensino presencial. Pelo contrário, este modelo deve servir como incentivo à utilização de novas tecnologias e à criação de novos espaços educacionais.

Temos visto duas estratégias de implantação dos 20% EaD; uma se dá pelo planejamento de instituições que pretendem desenvolver cursos em educação a distância e utilizam a experiência dos 20% para adquirir conhecimento e traçar as estratégias para um projeto mais amplo de EaD. Usam o processo para captar profissionais e iniciar a criação de um sistema autônomo de educação a distância. Neste sentido, privilegia-se o planejamento a longo prazo, com investimentos iniciais reduzidos. Algumas instituições preferem, ainda, associar-se a outras para ofertar este modelo, responsabilizando-se, muitas vezes, somente pela tutoria.

Outra estratégia muito adotada é a de otimização de recursos, em instituições que já possuem um sistema autônomo de EaD e aproveitam sua equipe e o conhecimento desenvolvido para implantar em seus cursos presenciais o modelo dos 20% EaD. Aproveita-se não só o capital humano operacional: materiais, professores, tutores que já atuam no ensino a distância, compõem o projeto. Neste sentido, os recursos ampliam seu potencial de produtividade, o que, para a organização, significa redução de custos.

Uma boa estratégia para iniciar a implementação dos 20% a distância é criar um ambiente virtual de disponibilização de materiais, capacitar os professores presenciais para esta prática e, assim, familiarizar os alunos com a utilização de recursos virtuais. O próximo passo seria efetivamente a criação de disciplinas a distância e tutoria.

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prever a simples substituição de uma aula presencial por uma gravada/transmitida em vídeo. É preciso garantir a qualidade de ensino, ou os alunos farão, inevitavelmente, a comparação entre as modalidades.

A vantagem financeira dos 20% EaD se dá, por exemplo, para a instituição, na criação das disciplinas em um núcleo comum. Alguns cursos e áreas compartilham do mesmo conteúdo programático; sendo assim, é possível utilizar materiais, professores e tutores em diversos cursos, reduzindo os custos de produção. Além disso, o espaço físico pode ser aproveitado, a transferência de algumas disciplinas para esta modalidade pode deixar salas ociosas, o que significaria a possibilidade de ampliação de vagas, oferta de cursos extra-curriculares etc.

Às instituições educacionais, o modelo de 20% a distância e a flexibilização curricular apresentam-se como um desafio a ser superado. Em um universo cada vez mais tomado pelas tecnologias da informação, em que o letramento digital é uma prerrogativa para os profissionais que pretendem um lugar ao sol no mercado de trabalho, a qualificação e preparação dos estudantes para esta realidade pode ser vista como um grande diferencial para a instituição de ensino. Por isso, o investimento em recursos de Educação a Distância é o maior desafio para o crescimento organizacional.

2. UAB E PROUNI: ESTRATÉGIAS GOVERNAMENTAIS

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Para efetivar o processo de ampliação da Educação a Distância, em 2005, o Ministério da Educação criou a Universidade Aberta do Brasil (UAB). Regida por um projeto de integração institucional, o modelo adotado pela UAB prevê convênios entre as universidades e institutos federais e os municípios. Os responsáveis pela organização pedagógica são as universidades, que oferecem cursos específicos, materiais, professores, tutores, ambiente virtual etc.; os responsáveis pela infraestrutura física, pela gestão e implantação dos polos presenciais são os municípios; consolidado o convênio, o governo federal realiza os repasses necessários e envia a infraestrutura tecnológica (computadores, televisores, impressoras etc.). As UABs podem receber também incentivos estaduais e privados, mas, essencialmente, são de responsabilidade do município e da Instituição certificadora.

Atualmente, a UAB é um modelo de sucesso, levou ensino superior gratuito a lugares em que antes não era possível, o número de vagas e de alunos matriculados cresce a cada ano, provando que a Educação a Distância veio para ficar e que consolida-se como modalidade.

A Universidade Aberta do Brasil vem ampliando e sistematizando sua atuação. O Ministério da Educação tem, nos últimos anos, dedicado um intensivo controle, com visitas de avaliadores e um projeto de implantação aparentemente cada vez mais rigoroso. Há muitas questões em discussão, principalmente pelos pesquisadores das Universidades envolvidas, problemas como a contextualização dos cursos oferecidos em cada região, por exemplo. Mesmo assim, é possível concluir que o MEC atingiu até o momento um de seus objetivos, que era a interiorização do ensino superior no país.

Decreto n. 5.800, de 8 de junho de 2006, Dispõe sobre o Sistema Universidade Aberta do Brasil.

http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_at

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A UAB, como projeto piloto de ampliação da Educação a Distância, serviu de exemplo para as instituições privadas. Muitas se pautam pelos instrumentos de avaliação utilizados para os polos do ensino público.

Outro programa governamental de incentivo à expansão e ampliação do ensino superior é o Programa Universidade para Todos (ProUni). Criado em 2004 como Medida Provisória e transformado em lei em 2005 (Lei nº 11.096), o ProUni surgiu para permitir aos estudantes o acesso ao ensino superior por meio de bolsas de estudos em instituições de ensino da rede privada, seguindo regras relativas à renda, percurso acadêmico e avaliação no ENEM (exame Nacional do Ensino Médio). Uma das críticas ao ProUni refere-se ao fato de ser um programa paliativo, pela falta de capacidade do governo em oferecer vagas em instituições públicas; realmente, é essa a realidade do programa, e está pautada em uma estratégia de política pública para a educação, que visa garantir as demandas do PNE (Plano Nacional de Educação). De qualquer forma, o ProUni permitiu o avanço e a ampliação dos cursos EaD das instituições privadas, pois os valores dos cursos EaD são mais acessíveis para os alunos que conseguem bolsa parcial.

Título: Fies, Prouni e a democratização do

acesso à universidade

Fonte:

Câmara

Ligada

(

http://www.camaraligada.com.br/

)

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3. VAMOS PENSAR?

Como a implantação do modelo 20% a distância pode auxiliar a implementação de cursos EaD por uma instituição?

4. PONTUANDO

Vimos nesta aula:

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5. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

DOURADO, Luiz Fernandes. Políticas e gestão da educação superior a distância: novos marcos regulatórios?. Educ. Soc., Campinas, v. 29, n. 104, out.

2008. Disponível em

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302008000300012&lng=pt&nrm=iso

CASTRO, J. M e LADEIRA, E. S. Gestão e planejamento de cursos a distância (EAD) no Brasil: um estudo de casos múltiplos em três instituições de ensino superior. In.: Revista Gestão e Planejamento. Salvador, v.10, nº 2, jul-dez, 2009.

MILL, D. et. al Gestão da educação a distância (EaD): noções sobre planejamento, organização, direção e controle da EaD. Universidade Federal de São João Del Rei. In: Vertentes, nº 35, março, 2010, UFSJ. Disponível em:

http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/vertentes/Vertentes_35/daniel_mill_e_outros.pdf

RUMBLE, Greville. A gestão dos sistemas de ensino a distância. Brasília: UnB:

UNESCO, 2003.

Referências

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