PLANEJAMENTO E IMPLANTAÇÃO
DE CURSOS EAD
Para citar este texto:
BENEDETTI, Cláudia. A educação a distância como opção: os aspectos da gestão. Diretoria de Extensão e
Pós-Graduação. Anhanguera Educacional, 2012.
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Publicação: Abril de 2012
© DIREITOS RESERVADOS - Proibida a reprodução total ou parcial desta publicação sem o prévio consentimento, por escrito, da Anhanguera Educacional.
DIRETORIA DE EXTENSÃO E PÓS-GRADUAÇÃO
Silvio Cecchi
Correspondência/Contato
Alameda Maria Tereza, 2000, Valinhos, São Paulo, CEP. 13.278-181.
PREPARAÇÃO GRÁFICA
Lusana Veríssimo
AULA 2
–
IMPLANTAÇÃO DE CURSOS EAD
OBJETIVO
•
Compreender os processos que envolvem a implantação de
cursos EaD.
•
Entender o processo de implantação de cursos EaD como um
projeto.
1. IMPLANTAÇÃO DE CURSOS EAD: ESTRATÉGIA
DAS IES
É inegável o processo de consolidação da Educação a Distância, que cada vez mais ganha espaço nas instituições de ensino superior. Esse fato se explica justamente por essa modalidade de ensino possuir grande capacidade de atender as demandas sociais de modernização. Outros fatores também justificam a ampliação da EaD, como a otimização dos processos de formação continuada de profissionais, que precisam qualificar-se com rapidez e eficiência e as políticas governamentais que também corroboram com a expansão da EaD, investindo cada vez mais nesta metodologia por entender seu potencial de democratização do ensino. A Educação a Distância é, então, uma estratégia de ensino/aprendizagem tanto para instituições de ensino públicas e privadas, quanto para empresas que pretendem qualificar seus profissionais.
Você já imaginou o que é preparar um curso para trinta alunos? Exige bastante esforço do corpo gestor, dos professores, da secretaria acadêmica, não é? Imagine o
que é preparar um curso para uma “sala” de três mil alunos? Essas proporções
gigantescas imprimem à Educação a Distância uma característica que vai além da simples transferência de modelos do ensino presencial readequados para um Ambiente Virtual de Aprendizagem. Planejar um curso a distância implica conhecer e desenvolver processos de ensino que envolve, necessariamente, o uso de tecnologias da informação. Parece simples utilizar um Ambiente Virtual, mas quem criará este ambiente? Quem fará o gerenciamento? Quem fornecerá o suporte técnico? Quem cuidará dos dados?
A implantação de um modelo de EaD exige inicialmente uma visão sistêmica do processo, compreendendo que as etapas e núcleos de produção agem de maneira integrada e que é fundamental a formação de uma equipe qualificada. Em Educação a Distância, todos os processos estão vinculados, cada etapa ou procedimento implica em planejamento e decisão em equipe. Imagine o impacto em alterar um simples procedimento acadêmico? Isso significa ter que informar todos os envolvidos (tutores, secretaria, professores, coordenadores etc.), além de avaliar se a mudança afeta a importação de dados, se causa impacto no ambiente virtual de aprendizagem ou no sistema acadêmico.
Na EaD há uma profunda interdependência entre os processos, além da execução integrada, o planejamento envolve a antecipação dos impactos e o contingenciamento e mitigação dos riscos que podem surgir. Isso quer dizer que cada passo previsto deve ser avaliado e projetado. Ao planejar a implantação de um curso EaD, o cenário deve estar montado, os contextos precisam ser expostos, assim como as estratégias pedagógicas e os recursos técnicos e tecnológicos. Cada uma dessas etapas devem ser previstas no planejamento, pois contextos diferentes produzem estratégias diferenciadas.
A falta de recursos, por exemplo, exige a implantação de estratégias pedagógicas que possam suprir as demandas de ensino/aprendizagem, uma limitação de recursos para equipe técnica, cria necessidade de um sistema mais simplificado. E como compensar isso? Uma solução seria o desenvolvimento de um design instrucional que garantisse maior autonomia ao aluno.
a) Que tipo de curso quero implantar? Para que público? – Com esses questionamentos consigo definir os caracteres do curso, o nível de ensino e a abrangência do curso. Significa a definição do objeto do projeto: o curso.
b) Diante do objeto, quem eu preciso contratar? Que tipo de profissionais serão necessários para atuar no curso? – Essas respostas definem e estruturam a equipe responsável pela organização, implantação e execução do projeto.
c) Como será o curso? – Essa é uma pergunta fundamental, pois sua resposta implica em decisões que envolvem desde o sistema acadêmico, até a infra-estrutura física. É a elaboração do projeto pedagógico do curso.
d) Quem vai escrever os materiais? Quem vai desenvolver o design instrucional? – A EaD exige a produção de materiais didáticos e o desenvolvimento de instrumentos de aprendizagem, por isso, as perguntas são de grande importância. Não é possível planejar um curso de EaD sem uma equipe de produção.
e) Quem vai organizar o curso? Quem vai solicitar as autorizações legais para funcionamento? – Cumpridas as etapas de planejamento, segue-se então à implementação. Executar o que foi planejado corresponde à última etapa do projeto e, certamente, a mais trabalhosa.
2. O
PROJETO:
CONSIDERAÇÕES
SOBRE
IMPLANTAÇÃO DE CURSOS EAD
Algumas questões são fundamentais para iniciar um projeto de implantação de cursos EaD, já que respondem com antecedência problemas muito simples como, por exemplo, entregar um trabalho, que poderiam significar uma grande dificuldade logística. Sendo a EaD um modelo que trabalha em escala, a entrega de um trabalho por quatro mil alunos é bem mais complexa se imaginarmos a correção e lançamento de notas, o processo torna-se mais complicado ainda.
O primeiro passo é diagnosticar as necessidades reais de implantação de um curso, a comunidade, a sociedade ou o mercado realmente precisam desse curso? Há demanda suficiente a médio e longo prazo? A Educação a Distância permite ganhos operacionais e financeiros em grande escala, no entanto, a implantação de um curso não é barata, por isso estas análises preliminares fornecem um panorama que pretende responder se o investimento e os recursos humanos dispensados são realmente válidos.
Dado o primeiro passo, o seguinte corresponde efetivamente ao projeto, ou seja, ao curso em si, as definições de matriz, justificativas, objetivos, organização pedagógica e administrativa. Projetar um currículo significa dizer o tipo de aluno que se busca e qual o corpo docente desejado. Parece muito simples definir um conteúdo programático, mas suas implicações podem resultar no fracasso da oferta do curso. Uma matriz atualizada e um corpo docente qualificado são fundamentais para um projeto de curso. Outro fator que deve ser contemplado pelo projeto são os recursos educacionais: design instrucional, ambiente de aprendizagem, corpo docente e de tutores. Esta segunda etapa corresponde à definição daquilo que será produzido, implantado e avaliado.
O terceiro passo é o início da execução do projeto: a produção. Iniciamos neste momento o processo operacional, prazos, planilhas e acompanhamentos imperam nesta fase. Para que tudo ocorra como esperado, é necessário planejar cada processo, estabelecer um cronograma de produção, utilizar softwares de execução de projetos e ter na equipe um gerente de projetos é de fundamental importância.
Este planejamento deve, inclusive, apontar a necessidade e disponibilidade de recursos para o desenvolvimento das atividades. Vale dizer que na EaD tais atividades são essencialmente colaborativas e, por isso, exigem uma rede de comunicação eficiente. Treinar a equipe gestora, tutores e professores é uma necessidade, para isso pode-se implementar a comunicação por grupos, permitindo que uma informação seja compartilhada ao mesmo tempo com todos os envolvidos e que os comentários e observações também o sejam. Para superar a dificuldade de reunir um grande grupo presencialmente, é possível utilizar os recursos tecnológicos, as ferramentas de interação, para capacitação de tutores e coordenadores.
tecnologia da informação, com gestores capazes de executar as atividades didáticas e administrativas. Além da competência, as equipes precisam de integração.
Vale dizer que os processos previstos acima não se encerram na execução das etapas, eles são cíclicos, ou seja, o diagnóstico precisa ser revisto com frequência, o projeto readequado, a produção atualizada e a implementação replanejada, para tanto, a avaliação é um passo essencial. Conhecer os processos, saber se o que foi planejado concretizou-se, se houve problemas, quais foram. Conhecer o corpo discente, suas expectativas, os resultados acadêmicos, saber se os materiais produzidos alcançaram os objetivos de aprendizagem, se os professores e tutores utilizaram as ferramentas disponíveis, se o ensino foi eficaz. Por fim, é necessário saber se o investimento financeiro e humano gerou benefícios.
3. IMPLANTAÇÃO:
OBSERVAÇÕES
SOBRE
OS
PROCESSOS DE EXECUÇÃO
Ao delimitar o perfil do aluno ingressante e do público-alvo já na primeira etapa de implantação de um curso EaD, temos a definição do tipo de curso que se pretende oferecer, definição importante para o planejamento estratégico da instituição de ensino. A instituição, ao escolher o tipo de curso que deseja criar, deve considerar algumas informações essenciais, como a localização dos alunos (onde moram, qual a distância dos grandes centros etc.), a faixa etária do corpo, o acesso à tecnologias de comunicação (qual a estrutura de internet, a que tipo de conexão eles têm acesso), isso auxilia, por exemplo, a equipe de produção optar por alternativas como fornecer materiais para download, que não necessitem de leitura síncrona.
Este levantamento preliminar auxilia a tomada de decisões sobre o projeto do curso, permeiam as atividades de planejamento e implantação. Um diagnóstico que preveja um grande número de alunos em com faixa etária entre 30 e 35 anos, por exemplo, implica em desenvolver um curso para adultos, associando essa informação ao contexto social, é possível ainda definir qual o tipo de linguagem e qual o conteúdo programático mais adequado.
disciplinas de um curso, significa elaborar um sistema com elementos pedagógicos diferenciados, prever a utilização de recursos tecnológicos, definir um conteúdo programático contextualizado, projetar os impactos sociais e econômicos na comunidade.
Por isso é muito importante que a gestão de um curso EaD tenha em mente estas perspectivas, pois decisões pautadas em projeções equivocadas podem trazer prejuízos para a organização e para o processo de ensino-aprendizagem.
3.1.
DESIGN
Para garantir o bom desempenho dos alunos e fornecer ferramentas que sustentem sua autonomia de aprendizagem, as estratégias pedagógicas correspondem a um elemento fundamental. Atualmente, muitos estudos no campo do design instrucional vêm se desenvolvendo, podemos afirmar que uma didática da Educação a Distância está em construção, seu papel é sistematizar os conhecimentos da área e organizar técnicas e metodologias de ensino estruturadas, além de consolidar teorias de aprendizagem na educação a distância.
Dessa forma, o design instrucional é um dos principais elementos pedagógicos em um curso a distância, qualquer processo de implementação deve prever uma equipe responsável por planejar táticas pedagógicas, instrumentos de aprendizagem que estejam de acordo com as expectativas dos alunos e que também atendam as necessidades de qualificação profissional. A EaD fornece situações de aprendizagem novas e diferenciadas, e é comum ouvir um estudante, em seu primeiro contato com a
EaD, dizer que achava que seria “mais fácil”, isso não está relacionado somente ao
preconceito inerente à modalidade de ensino (preconceito esse que vem sendo superado), relaciona-se também ao fato da educação a distância colocar o estudante mais próximo do conhecimento. Ao se deparar com um modelo que exige do aluno maior autonomia, o estudante percebe que possui também maior responsabilidade por sua aprendizagem.
Por isso, desenvolver um material e um ambiente de aprendizagem que motivem a interação, a colaboração e a autonomia constitui-se em uma tarefa prioritária da EaD.
3.2.
FERRAMENTAS DE INTERAÇÃO
A Aprendizagem autônoma exige o desenvolvimento de ferramentas que auxiliem para que ela ocorra. Ao planejar um projeto de curso EaD, os gestores precisam prever a implantação de ferramentas de interação, como chats, mensagens, recursos multimídia, hiperlinks etc.
Essas ferramentas valem também para o atendimento administrativo. O aluno EaD precisa da facilidade para resolver suas pendências acadêmicas, recursos de comunicação com a secretaria e a equipe gestora são fundamentais para centralizar os processos e as informações, evitando ruídos de comunicação e garantir o bom funcionamento do curso.
Além dos objetivos operacionais, a ferramentas de interação devem estar voltadas para o atendimento pedagógico, professores, tutores e coordenadores precisam de comunicação direta e facilitada com os alunos.
3.3.
AVA
Qualquer projeto de implantação de cursos EaD prevê a criação de um Ambiente de Aprendizagem, ou AVA. Ao planejar o desenvolvimento do AVA, os responsáveis pelo projeto precisam ter em mente dois aspectos: os recursos disponíveis (tecnológicos e humanos) e as necessidades de aprendizagem dos alunos.
Outro aspecto importante é a motivação à colaboração e interação, a
facilidade em se comunicar com o corpo de professores e tutores corresponde
a uma parte importante do desenvolvimento do AVA. Assim como a interação,
os mecanismos de avaliação como testes eletrônicos e entregas de trabalhos,
devem ser previstos e seus resultados registrados. Relatórios de participação
são fundamentais para a avaliação futura e a definição de novas estratégias.
4. VAMOS PENSAR?
Reflita sobre a realidade da cidade em que mora. Qual o tipo de curso
que a região necessita? Pense em um projeto simples de implantação de
acordo com a realidade avaliada.
5. PONTUANDO
Nesta aula foi visto:
6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
DOURADO, Luiz Fernandes. Políticas e gestão da educação superior a distância: novos marcos regulatórios?. Educ. Soc., Campinas, v. 29, n. 104, out. 2008.
Disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-73302008000300012&lng=pt&nrm=iso
CASTRO, J. M e LADEIRA, E. S. Gestão e planejamento de cursos a distância (EAD) no Brasil: um estudo de casos múltiplos em três instituições de ensino superior. In.: Revista Gestão e Planejamento. Salvador, v.10, nº 2, jul-dez, 2009.
MILL, D. et. al Gestão da educação a distância (EaD): noções sobre planejamento, organização, direção e controle da EaD. Universidade Federal de São João Del Rei. In: Vertentes, nº 35, março, 2010, UFSJ. Disponível em:
http://www.ufsj.edu.br/portal2-repositorio/File/vertentes/Vertentes_35/daniel_mill_e_outros.pdf
RUMBLE, Greville. A gestão dos sistemas de ensino a distância. Brasília: UnB: