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A relação entre o desenvolvimento

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Academic year: 2019

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(1)

A relação entre o desenvolvimento

do otólito e o crescimento do peixe como auxílio na

distinção de populações de Pescada (

Plagioscion squamosissimus)

Resumo

Os otólitos de "Pescada branca" (Piagioscion squa-mosissimus) de 4 diferentes lagos e rios (lago do Ja-naucá, lago do Jari, rio Negro e rio Branco) foram In-vestigados, considerando as relações de suas dimen-sões de otólitos e o comprimento do peixe. Estas re-lações dos vários lugares mostram-se significativamen-te diferensignificativamen-tes, donde se pode deduzir que diferensignificativamen-tes po. pulações habitam as áreas estudadas.

INTRODUÇÃO

Otólitos são estruturas ósseas no órgão auditivo de peixes, e, de acordo com interpre-tações anteriores, servem para orientação es-pacial. Cada peixe tem três pares destes

stato/itos : O Asteriscus,

o

Lapillus

e o

Sagit-ta. Por causa do seu tamanho, o

Sagit-ta, em peixes marinhos, são freqüentemente

usados em pesquisas. Entre os peixes de

água doce o Sagitta, às vezes, é o menor dos

otólitos, enquanto o Asteriscus ou o Lapillus

podem crescer enormemente. Na pescada

branca (Piagioscion squamosissimus) o

Sa-gitta,

por causa do seu tamanho,

é

o mais conveniente para exames.

Muitos problemas em biologia de peixes podem ser resolvidos com o estudo dos otó-litos. A determinação da idade por contagem

estacionais ou outras estruturas periódicas

dos otólitos, é a base das dinâmicas de

popu-lação. Os otólitos são importantes como um auxílio sistemático na distinção de gêneros, espécies e mesmo de raças (Adams, 1940; Schmidt, 1968). Por exames do conteúdo es-tomacal de peixes, pássaros e mamíferos que são piscívoros, as espécies e o tamanho dos peixes digeridos podem ser deduzidos com base nos otólitos. A reconstrução de hábitos

Heino Worthmann (")

alimentares de peixes marinhos por Vauck &

Grafe (1961) e Martini (1964) foi executada com base em otólitos. A idéia que o desen-volvimento dos otólitos é correlacionado com o desenvolvimento do peixe não é nova. Hic-kling (1933) encontrou estreita relação entre o comprimento de otólitos e o comprimento do peixe. Trout (1954) correlacionou o peso do otõlito com o comprimento e a idade do bacalhau do mar Barents, e Mina (1967) en-controu uma relação entre o peso do otólito e o comprimento do bacalhau do mar Barents e

do mar Branco. Templeman & Squires (1956)

descobriram que em um grupo com o mesmo comprimento, os peixes mais velhos tinham otólitos maiores e mais pesados. Em outras palavras : peixe com desenvolvimento mais lento tem os maiores otólitos.

Como a pescada, após informações pré-vias, parece ser não migratória, existe a pos-sibilidade de determinarem-se diferentes po-pulações pelas relações das dimensões e pe-so dos otólitos com o comprimento do peixe. O objetivo deste estudo foi descobrir se real-mente existem diferentes populações em dife-rentes rios da Amazônia. Além disso, os cál-culos seguintes podem servir como ajuda na investigação do conteúdo estomacal em pei-xes comendo animais.

MATERIAL E MÉTODOS

Os exemplares de Plagioscion

squamosis-simus (Pescada) foram capturados com ma-lhadeiras de diferentes tamanhos de malhas e pequenos arrastões em 4 diferentes lagos e rios conectados com eles, que os alimenta, pelo menos, uma vez por ano. Os lugares de coleta foram :

(•J - Instituto Nacional de Pesquisas da Amazõnia, Ma naus .

(2)

- lago de Janauacá, um lago de água bran-ca, conectado por um canal com o rio Soli· mões;

- lago do Jari, alimentado na estação

úmida com águas do rio Purus;

- arquipélago Anavilhanas, um grupo de

ilhas no rio Negro; e em diferentes lugares do rio Branco.

Os seguintes números de "Pescada bran-ca", das várias procedências, foram examina-das:

Lago de Janauacá lago do Jari rio Negro rio Branco

224 213 185 200

Os comprimentos total e "standard" de todos os peixes foram medidos e a relação

50 8

6

4 2

40

8

6

3 0

8

6

2 0

8

6

4

2

lO

8

6

4

2

8 2 4 6 8 2 4 6 8 2 4

10 20 30

entre eles foi plotada para o recálculo de um

deles no outro (Fig. 1). Os otól i tos dos pei·

>.es foram retirados, estocados à temperatu

r a ambiente e depois medidos e pesados . O

peso foi determinado em uma balança analí-tica Mettler com intervalos de 1 mg, e o com-primento com um paquímetro com intervalos

de 0,1 mm . A medida da espessura foi

difi-cultada porque muitos otólitos tinham

gran-des protuberâncias nodosas externas. A raiz

cúbica do peso do otólito foi tomada como uma expressão da espessura .

Para todas as dimensões dos otólitos em relação ao comprimento padrão do peixe, a re-gressão iinear foi calculada. assim como os intervalos de confiança da ordem de 95%. Como mencionado por Ricker, (1973) a linha de regressão para o retro-cálculo do

compri-cst= 0,9026

c, -

1, 3639

C1 : I, I 050 C51

+

I, 5885

6 8 2 4 6 8

4 0 50 60 C1 (em)

Flg. 1 - Relação de comprimento total e comprimento standard de Pescada branca

(3)

rnento do peixe a partir da dimensão do otó-lito não é conveniente para calcular os dados do otólito a partir do comprimento do peixe, portanto, a linha de regressão inversa foi tam· bém calculada . Com a finalidade de perma-necer no mesmo sistema, o comprimento do peixe foi sempre tomado como uma variável independente. Os coeficientes de regressão das curvas dos diferentes locais e dimensões foram comparados. A hipótese b= bo foi

tes-tada contra a alternativa b

>

bo (Kreyszig,

1970).

RESULTADOS

RELAÇÃO ENTRE COMPRIMENTO DOS PEIXES E COMPRIMENTO DOS OTÓLITOS

O conceito de que por disposição de anéis

estacionais os otólitos também mostram

au-mento, levou a muitos autores a idéia de ve-rificarem a relação entre o otólito e as propor-ções dos peixes. A dificuldade foi, que as dimensões dos otólitos variaram grandemente dentro de um grupo de comprimento dos

pei-TABELA 1 - Relações entre as dimensões dos otóli tos e comprimento dos peixes de diferentes locais Relação compr. peixef compr. otólito

Intervalo

Função ele r

confiança

Jan·auacá y

=

0,465~ X + 2,7353 + 0.0651 0.98

y

=

0,4845 X t 2,2481

lago Jarí y

=

0,4293 X + 3.3302 + 0,0114 0,98

y

=

0,4459 X + 2,8722

Anavilhanas y

=

0,3532 X

+

5.6946

+

0,0788 0,94

y

=

0,3976 X + 4,4452

Rio Branco y

=

0.3757 X + 5.0561

+

0,0629 0.26

y

=

0,4077 X + 4,0293

Relação compr. peixe/ altura otólito

Intervalo

Função de r

confiança

Janauacá y

=

0,0316 X + 0,1001

+

0,006 0,97

y

=

0,0338 X

+

0,0432

lago Jarí y

=

0,0311 X t 0,1086

+

0,0012 0,96

y

=

0,03 "7 X -t 0,0358

Anavilhanas y

=

0,0195 X ;- 0,4355

+

0,0056 0.91

y

=

0,0236 X

+

0,3144

Rio Branco y

=

0,023l:S X -1- 0,2929

+

0,0010 0.96

Y

=

0,0260 X + 0,2231

A relação entre ...

n

224

213

185

200

n

224

213

185

200

Relação compr. peixe/ largura otólíto

Função

y 0,251 X+ 2,4055

y

=

0,2689 X + 1.9433

y

=

0,2305 X -1. 2.6355

y

=

0,2450 X

+

2,2365

y 0,1745 X + 4,0511

y - 0,2149 X

+

2.8895

Y

=

0.1825 X+ 3,9558

y

=

0,2156 X

+

2,8908

Relação compr .

Função

y

=

1.4479 10·4x2,638S

y

=

8,5447 1 0-5x2,8019

y

=

1.0000 10-4x2,7462

y

=

4,6380 1 O-Sx2,9798

y

=

3.1721 10-3x1,7102

y

=

8,8460 1C-4x2.0915

y

=

7,7000 10-4x2,1162

y

=

4,1000 10-4x2,2962

Intervalo

de

confiança

n

+

o,o495 o.q1 224

+

0,008 o 37 213

+

0.0533 0,90 185

+

0.0444 0,92 200

peixe/ peso otólito

Intervalo

de r n

confiança

+

0,0183 0,97 224

+

0,1006 0,96 213

+

0,0175 ::1.90 184

+

0,0112 0.96 200

(4)

xes quando a idade do peixe era um fator

im-portante (Rauck, 1965; Lamp, 1965). Todos os

autores, contudo, descobriram que as dimen-sões do otólito aumentam linearmente em re-lação ao crescimento do peixe .

Em todas as investigações com

Plagios-cion squamosissimus foi verificado que a

va-riação do comprimento do otólito dentro de um grupo de comprimento de peixes foi pe-quena, assim como os dados foram bem cor-relacionados (Tab. 1).

As funções para o cálculo do comprimen-to do peixe foram computadas como :

lago de Janauacá lago do Jari Anavilhanas rio Branco

y

=

0 . 4656 X

+

2 . 7353

y

=

0 . 4293 X

+

3. 3302 y

=

0.3542 X

+

5.6946 y

=

0.3757 X

+

5.0561

y = comprimento do otólito

x = comprimento do peixe

Para o recálculo do comprimento do pei-xe, a partir do comprimento do otólito, as se-guintes funções foram encontradas :

25

4

3

2

E

E 20

o

-

9

o

-

o 8

o 7

"O

o 6

-

c

.,

15

E

~

o. E

o

o

lago de Janauacá y= 0.4845 X

+

2.2481

lago do Jari y= 0.4459 X

+

2.8722

Anavilhanas Y= 0.3976 X

+

4.4452

rio Branco Y = 0 .4077 X

+

4.0293

Com o intuito de perma,necer no mesmo

sistema de coordenadas y novamente

signifi-ca comprimento do otólito e x comprimento do

peixe (Tab. 1, Fig . 2-5).

Um teste dos coeficientes de regressão provou que as curvas de todas as áreas foram significativamente diferentes (Tab. 2).

RELAÇÃO ENTRE LARGURA DOS OTÓLITOS E COMPRIMENTO DOS PEIXES

Os dados de largura dos otólitos e com-primento dos peixes foram também bem

cor-relacionados (Tab. 1). Encontraram, como

tunções para o cálculo da largura, a partir do comprimento do peixe os seguintes valores :

lago de Janauacá y = 0.2510 X

+

2.4055

lago do Jari y = 0.2305 X

+

2.6355

Anavilhanas y = 0.1745 X

+

4.0511

rio Branco Y= 0.1825 X

+

3.9558

Y : 0,4656 X - 2,7353

Y : 0,4845 X • 2,2481

20 I 2 3 4 25 6 7 8 9 30 I 2 3 4 35 6 7 8 9 4Q I 2 3 4 45 6 7 8 9 SQ

comprimento do peixe (em)

Fig . 2 - Relação entre comprimento dos peixes e comprimento dos otólitos de Pescada branca do lago Janauacá (rio Solimões)

(5)

25 4

3

2

E E

20

o 9

..

õ 8 ~

..

~

o ....

o 7

...,

2 c 6

15 G>

E

...

4

o.

E 5

o

Y

=

0,4293 X

+

3, 3302 o

2 _.. ~~ Y

=

0,4459X

+

2,8722

lO

20 J 2 3 4 25 6 7 8 9 30 J 2 4 35 6 7 8 9 40 I 2 4 45 6 7 8 9 50

eompn mento do peixe (em)

Fig . 3 - Relação entre comprimento dos peixes e comprimento dos otólitos da Pescada branca do lago do Jari (rio Purus)

25 4

3

E 2

E

o 20

..

9

o

..

o 8

o

...,

7

2 15

c

G> 15

E

-...

o. 4

E 3

o Y : 0,3542 X

+

5,6946

(.)

2 Y

=

0,3976 X

+

4,4452

lO

~.-~~.-.--r-.-. · ~,_,~,r- r-.-.-~.-.l_, ,_,,-.-.- ,l-. --r- .-~•J _,,--.-.-

.-~r--20 2 3 ~ 25 6 8 9 30 2 3 4 35 6 7 8 9 40 2 3 4 45 6 T 8 9 50

eompri mento do peixe (em)

Fig. 4 - Relação entre comprimento dos peixes e comprimento dos otólitos de Pesct.da branca das Anavllhanas

(6)

25 4

"3

E 2

E

o 20

...

õ 9

...

o

8

o

...,

7

o

...

6

c;

.,

15

E

;:: 4 a.

E

o "3 Y .: 0,3757 X

+

5,0561

o

2

Y : 0,4077 X

+

4,0293

lO

20 I 2 4 25 6 7 8 9 30 I 2 3 4

I

35 6 7 8 9 40 I 2 4 45 6 7 8 9 50 comprimento do pe1xe (em)

Fig. 5 - Relação entre comprimento dos peixes e comprimento dos otólitos de Pescada branca do rio Branco

TABELA 2

Comparação entre Compr. Peixe - Comp. Otólito Comparação entre Compr. Peixe Largura Otólito

(/) o

•;;:

"'

<..>

'"'

<..> c: c:

"'

"'

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<U -,

=

....

::J co

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o ·:.;:

c: Ol <O o

"'

"'

c:

....,

....J <( a:

Janauacá

-

+

+ +

Janauacá

+

+

+

Lago Jari

-

+

+

Lago Jarí

+

+

Anavi lhanas

-

+

Anavílhana!;

Rio Branco

-

Rio Branco

Comparação entre Comp;·. Peixe - Al~urd Otólito Comparação entre Compr. Peixe - Peso Otólito

Ul o

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Janauacá

-

-

+

+

Janauacá

--

+

+ +

Lago Jarí

-

-+

+

Lago Jarí

-

+ +

Anavilhanas

-

+

Anavilhanas

-

+

Rio Branco

-

Rio Branco

..

-

(7)

Verificou-se novamente, que os otólitos da região do rio Negro/ rio Branco são maiores em comprimento de peixes acima de 25-30 do que os da região do Solimões/Purus. Os otó-litos da região do Solimões/Purus, no entan-to, mostraram um aumento mais rápido.

Para o cálculo do comprimento do peixe a partir da largura do otólito as funções foram :

lago de Janauacá lago do Jari Anavilhanas rio Branco

15

14 E 13

E

o I 2

-

o li

õ

o lO

..,

o

...

::>

OI

...

.5!

5

y

=

0 . 2689 X

+

1 . 9433

y

=

0 . 2450 X

+

2 . 2365

y

=

0.2149 X

+

2.8895

y

=

0.2156 X

+

2.8908

(Fig . 6-9)

O teste de significação mostrou que den-tro de uma faixa de segurança de 95% a re-lação do Janauacá, rio Branco e Anavilhanas foi expressivamente diferente. Os coeficien-tes de regressão da Anavilhanas e rio Branco não diferem significativamente (Tab . 2) .

RELAÇÃO ENTRE A ESPESSURA DOS OTÓLITOS E O COMPRIMENTO DOS PEIXES

Como já exposto, a medida da espessura dos otólitos, como a terceira dimensão, veri-ficou-se ser difícil, desde que alguns otólitos

Y =O, 2510 X

+ ~.4055

Y

=

0,2689 X

+

I ,943 3

20 I 2 ~ 4 25 S 7 I 9 30 I 2 ~ 4 35 t\ 7 I I 4 0 I

compr imento do peixe ( em I

z , 4

I

45 • 7 •

I

I

9

5 0

Flg . 6 - Relação entrtl comprimento dos peixes e largura dos otólitos de Pescada branca do lago de Janauacá (rio Sollmões)

E

E

o

-

...

o

o

o

..,

o

...

:::> OI '-2

15

4

3

2

lO 9

8

;

6

5

~

2 ;) 4

20 25 I ~

7

~ ~ 310

i i 3 4

35

co mpn mento Go pei x e (r. m)

---Y = 0,2305 X • 2 ,5355

Y = 0,2450 X • 2 .2365

~ ~ I

45

i i

6 7

é

~

I

5C'

Fig . 7 - Relação entre comprimento dos peixes e largura dos otólitos de Pescada branca do lago do Jari (rio Purus)

(8)

15

E 14 E ' 3

o 12

+-o 11

+-o o lO

..,

9

o

'-~ 8

O> y

'

0,1745 X - 4,0'51 I

'-?

---o

y

6 : 0,2149 X- 2,88'15

5

20 I 2 3 4 25 E' 7 8 9 30 I 3 4 35 6 7 8 9 40 I 3 4 45 6 7 8 9 50

compnmento d o pe1xe (em )

Flg. 8 - Relação entre comprimento dos peixes e largura dos otólitos de Pescada branco das Anavilhanas

15

Ê 4

.s

3

"'

2 2

=

o

+-o lO

"'

o 9

..,

o 8

'-~

O> 7

....

.!: 6

s

---20

I

2 3 j 4 I 35 I 6 i ' i 8 i 9 i 40

I

-

---Y : 0,1825 X - ,,~58

Y : 0.2156 X - 2,8908

compr1mento do peixe (em)

Fig. 9 - Relação entre comprimento dos peixes e largura dos otólítos de Pescada branca do rio Branco

têm grandes protuberâncias nodosas exterio-res . Apesar disso, a espessura deve ter tam-bém um crescimento similar ao do

compri-mento e largura . Rauck

(1965)

usou como

expressão para o crescimento da espessura o peso do otólito. Portanto, na raiz cúbica do peso contra o comprimento dos peixes, ele encontrou uma relação linear. Somente é pos-sível tomar a raiz cúbica se o crescimento

ocorre isom~tricamente. Para descobrir-se

isso, a relação comprimento-peso dos otólitos foram plotadas. Os coeficientes de

regres-

580-são das curvas de comprimento-peso foram calculados como :

lago de Janauacá lago do Jari Anavi lhanas rio Branco

3.0775

3.0113

2.5831

2.8226

Os valores dos lagos de Janauacá e do Jari não diferem significativamente de três, o que indica que o crescimento dos otólítos é isométrico . Os coeficientes das funções das ilhas Anavilhanas e do rio Branco foram

(9)

ficativamente di ferente de 3 em uma faixa de confiança de 95%. Com o intuito de compa-rar as quatro curvas do crescimento da espes-sura, em todos os casos, foi suposto o cresci· menta isométrico e conseqüentemente a raiz cúbica do peso do otólito foi plotada contra o comprimen1o dos peixes. Para o cálculo da espessura do efeito a partir do comprimento do peixe as seguintes relações foram encon-tradas :

lago de Janauacá lago do Jari Anavi lhanas rio Branco

y

=

0,0316 X

+

0,1001

Y= 0,0311

X+

0,1086

y

=

0,0195 X

+

0,4355

y

=

0,0238 X

+

0,2929

(Tab. 1, Fig. 10-13)

y

=

espessura. x = comprimento do peixe.

Todos os coeficientes de regressão dife-rem significativamente de zero.

As funções do lago de Janauacá e as do lago Jari não foram significativamente diferen-tes, todas as outras foram significativamente diferentes (Tab. 2).

1,5

~~

o

E

o

(.)

o

...

1.0

o

...

o

o

'O

o

....

::J

....

o

0,5 0.4

o.~

0,2

0,1

Para o retro-cálculo do comprimento do peixe a partir da espessura do otólito, os ~;e­ yuintes valores servem como funções

lago de Janauacá Y= 0,0338 X

+

0,04:J2

lago do Jari Y = 0,0337 X

+

0,0358

Anavilhanas )'= 0,0236 X

+

0,3144

rio Branco y = 0,0260 X

+

0,2231

RELAÇÃO ENTRE O PESO DOS OTÓLITOS

Y.. O COMPRIMENTO DOS PF.IXES

A relação entre o comprimento dos peixes

e a espessura dos otólitos demonstrou que

o

peso dos otólitos e o comprimento dos peixes devem ser igualmente relacionados . Estes dados dariam melhores resultados porque o erro individual, que poderia acontecer medin-do com o paquímetro está eliminamedin-do .

Como mostrado por Arntz (1972) as cur-vas do peso do otólito são relacionadas às do comprimento do peixe. Elas não são lineares, mas, crescem espontaneamente. Templeman

Y : 0,0~16 X : 0,1001 Y : 0.0~'56 X . 0,0432

2 3 4 25 6 7 8 . I 9 30 . , • 1

-r--r-,.

1

2 3 4 35 6 7 o 9 40

, , , I , , , , 1

2 :1 4

45 C. 7 B 9 SO

20

compr1mento do pe1x e ( cml

Fig. 10 - Relação entre comprimento dos peixes e altura do otólito - como ~ peso - de Pescoda branca do lago de Janauacá (rio Solimões)

(10)

1,7

1,6

1,5 1, 4

~~

1,5

1,2

1,1

----

::_;;..:-___

~

--

----.::.---~

---

-~

---o +- 1,0

()

...

o 0,9

o 0,1

'O

o

L 0,7

:J o,s

-

o

0,5

0,4

Y : 0,0511 X + O, 108& 0,5

0,2 Y : '),0 557 X + 0,05158

O, I

f

20 I 2 4 25 I 8 7

2 4 35 • I 1

Jo

2 1

comp r im ~nt o do p~ i xe (e m)

Fig. 11 - Relação entre comprimento dos peixe>: e altura dos otólltos - como

f!

peso - de Pescada branca do lago do Jari (rio Purus)

1,5

1, 4

---~

1,5

1,2·

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o 1,1

E

o 1,0

o

o 0,9

...

õ 0,1

---

<-o 0,7

o

'O 0,6

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:J 0,5

...

Y

=

0,0195 X

+

O, 4355

-o 0,4

0,5 Y

=

0,0237 X

+

O, 3 I 44

0,2

0,1

20 I 2 3 4 25 6 7 I 9 30 I 2 4 35 6 8 9 40 I 2 4 45 6 1 I 9

50

comprt m~nto do pe ixe (em)

3---Fig. 12 - Refãção entre comprimento do peixe e altura do otólito - como

v

peso - de Pescada branca das Anavilhanas

(11)

I,

1,5

~~

I, I,

o

(

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1.0

2 o,

o

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o

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o

"'

o

'· 0,5 y:: 0,0238X

+

0,2929

E

o Y

=

0,0260X

+

0,2231

0,2

0,1

20 I 2 ~ 4 25 6 7 0 9 30 2 ~ 4 '3S 6 7 8 9 40 I 2 ~ 4 45 6 7 8 9 SQ

com primento do pe1xe (em)

Fig. 13 - Relação entre comprimento dos peixes e altura dos otõlitos - como

v

peso - de Pescada branca do rio Branco

8. Squires (1956) mostram caráter sigmoidal,

dada a forte disposição de material nos otóli· tos de peixes com crescimento lento.

Para o cálculo do peso dos otólitos, a par tir do comprimento dos peixes, as seguintes funções foram investigadas :

lago de Janauacá y

=

lago do Jari y =

Anavilhanas y

=

rio Branco y

=

(Tab. 1, Fig . 14-17)

1 ,44 79 . 1 0-4 X 2. 6385

1,0000.10-4 X 2. 7462

3,1721 .10·3 X 1.7020

7,7000 .10·4 X 2.1162

Em peixes, cujo comprimento seja menos de 20-25 em, os otólitos das pescadas das ilhas Anavilhanas são muito mais pesados que os de outras áreas, porém mostram um cres-cimento consideravelmente mais lento.

Com o intuito de determinar o comprimen-to dos peixes, a partir do peso dos otólicomprimen-tos. as seguintes funções foram calculadas : lago de Janauacá

lago do Jari Anavilhanas rio Branco

A relação entre ...

y = 8.5447. 10-5x2.8019

y

=

4. 6380 . 1 0·5 X 2. 9798

y

=

8.8460. 10·5x2.0915

y

=

4 . 1 000 . 1 0·4 X 2. 2962

Os coeficientes de regressão foram todos significativamente diferentes (Tab. 2).

4.5

4,0 3,5

3,0

u

...

...

...

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1,5

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0.5

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- - . Y: 1.44711 JÕ\ 2,5585

Y : &.5447JÕ5x 2'80 15

c:o mpruntfllo do P•••~ (cMI

Fig. 14 - Relação entre comprimento dos peixes e pe-so dos otólitos de Pescada branca do lago de Janaua-cá (rio Solimões)

(12)

o

2

õ

õ

o

...

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3,5

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2(! 25 30

-• ?."••z

Y : 1.0000. 10 X

3 5 4 0 45 50

Fig . 15 - Relação entre comprimento dos peixes e pe-so dos otólitos de Pescada branca do lago do Jari (rio Purus)

3,0

...

21!!

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I , S

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' ' - - y: 3,1721 'ió'.'·"··

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, ,

...

, , ,

,

0,5 , ,

20 2'5 35 40 45 50

com pnmen1o do P ftt.t (em)

Fig. 16 - Relação entre comprimento dos peixes e peso dos otólltos de Pescada branca das Anavilhanas

DiscussÃo

''Pescada branca" ocorre em quase todos os grandes rios e lagos da Amazônia, tanto em águas pretas como em águas brancas, isto

e,

em habitats completamente diferentes.

584--

..

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õ

4, 0

3.5

3,0 u

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'f I 4.t000 • iõ4lii:2.29U

~~~~~T,-TI~'I(~'~'''-''I(~'~'~'~'(~I~I~II~(TI~If~, .-1

20 l~ 30 35 40 45 50

Fig. 17 - Relação entre comprimento dos peixes e peso dos otólitos de Pescada branca do rio Branco

Comparando-se a relação das proporções dos otólitos com o comprimento dos peixes, das diversas áreas da captura, ela é significa-tivamente diferente em quase todas as dimen-sões dos otólitos. Nota-se particularmente, que os otólitos do rio Negro e do rio Branco, em peixes até um comprimento de 20-25 em, são maiores, mais largos, mais pesados que os dos rios Solimões e Purus .

Investigações preliminares de crescimen-to, através de anéis diários nos otólitos, tem mostrado que as pescadas do rio Negro são de crescimento consideravelmente mais lento

que os do rio Solimões. Templeman &

Squi-res (1956) confirmaram que peixes com cSqui-res- cres-cimento lento têm mais pesados otólitos que os com crescimento rápido, porque eles têm mais tempo para depositar o material de cons · trução dos otólitos. Isto, no entanto,

geral-mente só pode ser válido para peixes de uma

população em uma certa área. O peso do

otó-lito é preponderantemente dependente do con-teúdo de carbono de cálcio, o qual atinge 60-70% e o depósito de material orgânico. O conteúdo de cálcio e material orgânico nova-mente é dependente da provisão alimentar e do meio nos quais o peixe vive. Chacon

(13)

(1972) em sua publicação sobre a composição

alimentar da "Pescada cacunda" (P/agioscion

surinamensis) mostrou que a quota de crustá·

ceos era de 32,2%, a de insetos 39,7%, e de peixe 12,4%. Ele não especificou as percen· tagens de diferentes alimentos nos vários gru-pos de comprimento, mas admite-se que pes· cadas jovens são principalmente comedoras de bentos e crustáceos, enquanto que pesca-das maiores adaptam-se como piscívoras.

Como a população de peixes e crustáceos é muito maior em águas brancas que em águas pretas, as pescadas de águas brancas são fa-vorecidas por um melhor suprimento de ali· mentos e exibem um melhor crescimento.

Análises químicas revelam que o conteú-do em cálcio, material orgânico e água. de otó-litos de águas brancas e pretas, não são

mui-to diferentes. E foram encontrados os

se-guintes valores médios expressos em %.

.Á.gua branca Agua preta

C

aO 54.0 54.5

Mat. Org . 2.10 1.89

Geisler & Schneider (1976) mostrou, em

sua publicação sobre o conteúdo mineral de é.lguas e peixes amazônicos, que há uma rela-çi'io entre o conteúdo de cálcio da água e o peixe. Há 14 vezes mais cálcio nas águas brancas que em águas pretas e nas ossadas de

Symphysodon de águas claras com baixo

con-teúdo de cálcio ele encontrou 6,8% de Ca e em águas brancas 13,4% de C a. Nos

otóli-tos, no entanto, o conteúdo de cálcio é igual,

mas, como o crescimento de pescadas de águas pretas é muito mais lento que o de águas brancas, as distâncias entre as camadas são muito menores. Assim que, o conteúdo de cálcio nos otólitos de águas brancas e pre-tas é somente um fator de tempo para que pescadas de águas pretas possam armazenar o mesmo conteúdo de cálcio.

Pode-se concluir, portanto, que pescadas de águas pretas têm, por causa de seus mais lentos desenvolvimentos, até comprimentos de 20-25 em, otólitos maiores e mais pesados mas não agarrados de pescada de água bran-ca que pode estobran-car mais material para

cons-A relação entre ..

crução de otólitos por causa de oferta de ali· mentação.

Tabela 1 mostra que os dados das dimen-sões dos otólitos em relação ao comprimento do peixe foram bem correlacionados, e que um recálculo, a partir das proporções dos otólitos para determinar se o comprimento do peixe é possível. Com investigações do conteúdo es-tomacal, pode-se agora não somente determi-nar as espécies e número de peixes consumi-dos, mas também seu tamanho.

Comparações das relações das proporções dos otólitos e do comprimento do peixe das diferentes áreas mostraram significativas di-ferenças em quase todas as dimensões. So· mente a largura dos otólitos dos rios Negro e Branco e a espessura dos otólitos dos lagos de Janauacá e do Jari não foram significativa-mente diferentes. O desenvolvimento do otó-lito em relação ao crescimento do corpo pode

Rervir, com Templeman & Squires (1956)

de-clararam, para distinguir diferentes popula-ções. Pode-se deduzir, com base nos resul-tados desta pesquisa com pescadas, que dife-rentes populações, tendo difedife-rentes velocida-des de crescimento, habitam as áreas estuda· das. Comparação das populações mostraram que os estoques dos rios Purus e Solimões. assim como os dos rios Negro e Branco,

dife-rem menos que os dos rios Solimões e Negro.

Os presentes dados fornecem suporte adicio-nal para a teoria, geralmente aceita, de que a pescada não é um peixe migratório. Mistu-ra de populações desta espécie deve ocorrer, todavia, por meio de deslocamento de peixes jovens e ''post larval" diferentes áreas rio abaixo, as quais podem explicar as menores significativas de diferenças entre as popula-ções dos rios Solimões e Purus, assim como as dos rios Negro e Branco.

SUMMARY

The otoliths of "Pescada branca • (Piagioscion squa. mosissimus) of four different lake:s and rivers, lago Ja. nauacá. lago Jari, rio Negro and rio Branco, were investigated with regardato their relationshios of the otolith dimcnsions and the fish length . Thesc relation-ships of the various sites turned out to be sigr.lficantly differcnt, so that one can oresume that different popu-latlons live in the study arcos .

(14)

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(Aceito para publicação em 25/04/79)

Imagem

Fig .  2 - Relação  entre  comprimento  dos  peixes  e  comprimento  dos  otólitos  de  Pescada  branca  do  lago  Janauacá  (rio  Solimões)
Fig .  3  - Relação  entre  comprimento  dos  peixes  e  comprimento  dos  otólitos  da  Pescada  branca  do  lago  do  Jari  (rio  Purus)  25  4  3  E  2  E  o  20  .
Fig.  5  - Relação  entre  comprimento  dos  peixes  e  comprimento  dos  otólitos  de  Pescada  branca  do  rio  Branco
Fig .  7  - Relação  entre  comprimento  dos  peixes  e  largura  dos  otólitos  de  Pescada  branca  do  lago  do  Jari  (rio  Purus)
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