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Política pública educacional: a perspectiva de universalização implemetantada pela meta 1 do plano Municipal de educação em Tucuruí / Public educational policy: the perspective of universalization implemented by goal 1 of the Municipal education plan in T

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Academic year: 2020

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Política pública educacional: a perspectiva de universalização implemetantada

pela meta 1 do plano Municipal de educação em Tucuruí

Public educational policy: the perspective of universalization implemented by

goal 1 of the Municipal education plan in Tucuruí

DOI:10.34117/bjdv6n10-644

Recebimento dos originais: 28/09/2020 Aceitação para publicação: 28/10/2020

Edilberto Guimarães Rodrigues

Universidade Federal do Pará / Brasil [email protected]

Giselle Damasceno da Silva de Souza

Universidade Federal do Pará / Brasil [email protected]

José Bittencourt da Silva

Prof. Dr

Universidade Federal do Pará / Brasil [email protected]

RESUMO

O presente trabalho se pauta na indagação acerca da perspectiva de universalização que vem sendo implementada em Tucuruí-PA, conforme preconiza o plano educacional do município em relação à meta da Educação Infantil. Com o objetivo de verificar tal perspectiva, nos ancoramos na abordagem qualitativa e na pesquisa documental, tendo como documento norteador o Plano Municipal de Educação do referido município, além de dados oriundos do site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais (INEP). Os resultados demonstraram que a universalização em Tucuruí, para a Educação Infantil, apresenta uma tendência de estar sendo compreendida como uma ação de ampliação no número de vagas para o ensino, a despeito de todas as dimensões que envolvem este conceito, considerado mais amplo.

Palavras-chave: Plano Municipal de Educação, Universalização da Educação Infantil, Qualidade da

Educação.

ABSTRACT

The present work is based on the question about the perspective of universalization that has been implemented in Tucuruí-PA, as recommended by the municipality's educational plan in relation to the goal of Early Childhood Education. In order to verify this perspective, we are anchored in the qualitative approach and in documentary research, having as a guiding document the Municipal Education Plan of that municipality, in addition to data from the website of the National Institute of Educational Studies and Research (INEP). The results showed that universalization in Tucuruí, for Early Childhood Education, has a tendency to be understood as an action to expand the number of places for teaching, despite all the dimensions that involve this concept, considered broader.

Keywords: Municipal Education Plan, Universalization of Early Childhood Education, Quality of

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1 INTRODUÇÃO

Este trabalho apresenta uma discussão que envolve a temática das políticas públicas para a área educacional, e em particular o enfoque recai sobre a política de universalização na cidade de

Tucuruí-PA. O debate acerca deste tema tem se intensificado nos últimos anos, dada sua relevância

para o desenvolvimento crítico dos sujeitos. Flash (2009) afirma que o ideário da universalização remete à Revolução Francesa, que trouxe consigo a discussão sobre o aparato jurídico de igualdade e, no âmbito brasileiro, destaca-se a luta dos pioneiros em 1932, que defendiam uma organização sistêmica para a área educacional, intentando garantir o direito à educação.

A Constituição de 1988 determinou aos municípios a criação de seus próprios sistemas de ensino, incumbindo-os de proporem normas para a educação infantil e, neste sentido, a elaboração de seus planos educacionais deveria convergir à proposta dos Planos Nacionais de Educação. Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – Lei n. 9.394/96, a Educação Infantil constitui a educação básica, cuja obrigatoriedade dos 4 aos 17 foi conferida por meio da EC n. 59/09, sendo a primeira etapa deste nível de ensino. Sua oferta contempla crianças de até 3 anos, em creches ou entidades equivalentes, e as pré-escolas destinam-se para as crianças de 4 a 5 anos.

Vieira (2011, p. 257) afirma que a universalização da pré-escola, abrangidas as crianças das cidades e do campo, inclusive às de origem indígena e quilombola, deve significar “um meio de oportunizar experiências enriquecedoras e emancipadoras no percurso escolar de todas as crianças pequenas brasileiras”. Mas alerta para “o risco de deixar de priorizar o aumento de matrículas na etapa da creche em favor da expansão das matrículas na pré-escola, tendo em vista a extensão da obrigatoriedade escolar para crianças a partir de 4 anos de idade” (VIEIRA, 2010, p. 812).

Na mesma linha, Carvalho (2004, p. 5) afirma que o direito cuja universalização se reivindica não restringe-se à matrícula em uma unidade escolar, mas refere-se “ao acesso aos bens culturais públicos que nela se deveriam difundir: conhecimentos, linguagens, expressões artísticas, práticas sociais e morais”, em outras palavras, “o direito a um legado de realizações históricas às quais conferimos valor e das quais esperamos que as novas gerações se apoderem”. Depreende-se que apenas atender quantitativamente não denota universalização, mas uma educação emancipadora transcende esse parâmetro, apontando para o caráter qualitativo do aprendizado.

Neste sentido, Dourado e Oliveira (2009), baseados nos estudos de Dourado, Oliveira e Santos (2007), refletem que a qualidade da educação envolve dimensões extra e intraescolares, devendo ser considerados os diferentes atores envolvidos, assim como os fatores extraescolares, que interferem direta ou indiretamente nos resultados educativos, e a dinâmica pedagógica, por meio dos processos de ensino-aprendizagem, dos currículos e das expectativas de aprendizagem.

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Como lócus para a realização deste trabalho, o município de Tucuruí-PA aprovou seu Plano Municipal de Educação (PME) por meio da Lei n. 9.748, alterado pela Lei n. 9.807, de 2015, instituindo como meta 01 a universalização do atendimento das crianças de 0 a 05 anos. A referida meta, bem como suas estratégias, não sofreu alteração com o advento da Lei 9.708/15, permanecendo com a mesma redação que lhe foi conferida no texto original, e assim previu ampliar a oferta da Educação Infantil para as crianças de 0 a 3 anos (30% em 3 anos, 60% em 6 anos, 80% em 10 anos), e de 4 a 5 anos (80% em 3 anos, e 100% em 5 anos), estabelecendo como estratégias, ampliar a oferta em 10 anos atendendo todas as crianças de 4 a 5 anos, além de outras voltadas para a construção e/ou ampliação de prédios (TUCURUI, 2012; 2015). Por sua vez, o PNE/2014 previu universalizar até 2016, a educação infantil na pré-escola, e ampliar a oferta em creches, atendendo no mínimo 50% das crianças até o final de sua vigência.

Considerando o posicionamento dos autores acerca da temática discutida neste trabalho, a indagação que nos motivou para a realização do mesmo refletiu nossa preocupação em saber que perspectiva de universalização vem sendo implementada em Tucuruí, em relação à Educação Infantil, conforme preconiza o plano educacional do município. Desse modo, para que pudéssemos conhecer as respostas a esse questionamento, perseguimos o objetivo de verificar tal perspectiva a partir de dados coletados.

2 METODOLOGIA

A abordagem qualitativa ancorou este trabalho, por meio das considerações de Esteban (2010), e nos ajudou a alcançar o objetivo pretendido. Tomamos como base para subsidiar a pesquisa documental, que norteou este estudo, o PME de Tucuruí, apoiados nas reflexões de Laville e Dionne (1999), e recorreremos ainda à utilização de dados estatísticos decorrentes do site do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (INEP), no que se refere aos resultados de matrículas registrados no município. À luz da literatura que trata da temática, foi possível analisar os dados coletados e chegar aos resultados pretendidos e, por fim, o estudo nos permitiu a construção de algumas conclusões que consideramos pertinentes ao tema e objetivo escolhido.

3 DISCUSSÃO DOS DADOS

O PME de Tucuruí só foi aprovado em 2012, quando a vigência do PNE de 2001 já havia se exaurido e, observando o PNE de 2014, o prazo para a universalização da Educação Infantil na escola foi até 2016. No entanto, os percentuais propostos no PME previram ampliar a oferta na pré-escola em 80%, em 3 anos, e em 100% em 5 anos, incorrendo em um prazo superior ao estimado pelo

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PNE. Notamos que tampouco a evolução de matrículas na rede pública ocorreu conforme o esperado, de acordo com o que apresenta a Tabela 1, exposta abaixo.

Tabela 1: Evolução de matrículas de Pré-Escola em Tucuruí.

Ano 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018 Localização Urban a 3513 3504 3353 3097 3195 3148 3148 3104 Rural 77 62 51 50 39 56 107 Total 3590 3566 3404 3147 3234 3204 3201 Fonte: Elaborada pelos autores a partir de dados obtidos no site do Inep.

Como se vê, houve um decréscimo seguido no número de matrículas no município durante os 3 primeiros anos de vigência do PME, assim como nos posteriores, e verificamos uma disparidade entre o número de alunos da zona rural e da cidade, a despeito do que aponta Vieira (2011), ao afirmar que universalização da pré-escola deve abranger as crianças das cidades e do campo, incluindo origens diversas. Essa discrepância enseja um estudo para verificar em que medida a universalização desta etapa contemplou as crianças da zona rural, atentando-se, assim, para o direito de todos à educação escolar, conforme destaca Flash (2009). De acordo com dados do Inep, a evolução de matrículas para a Educação Infantil, referente ao atendimento em creches, ocorreu conforme demonstra a Tabela 2.

Tabela 2: Evolução de matrículas nas Creches em Tucuruí.

Ano 2012 2013 2014 2015 2016 2017 2018

Matrículas Realizadas - 436 475 484 534 883 875 Fonte: Elaborada pelos autores a partir de dados obtidos no site do Inep.

Notamos que os percentuais estipulados para as creches (30% em três anos, 60% em seis anos, 80% em dez anos) não foram alcançados, mesmo considerado as matrículas do ano de 2013 como base para o incremento. É observável que não existiu uma linha de base para que essa quantificação se pautasse, visto que em 2012 não havia oferta de vagas em creches na rede pública. Por sinal as matrículas nessas unidades apresentaram um número bem inferior ao quantitativo da pré-escola na zona urbana, e, a esse respeito, Vieira (2010) alerta para o cuidado na priorização das matrículas na pré-escola em detrimento da expansão das vagas em creches, visto que a obrigatoriedade escolar não inclui as crianças de até 3 anos.

Do ponto de vista qualitativo, a oferta do ensino apresentou uma disposição desfavorável, visto que as estratégias referentes à meta do PME se constituíram em ações voltadas para a infraestrutura física e predial, visando o atendimento quantitativo dos alunos, e em nenhuma ação pedagógica ou de outra natureza. Conforme enfatiza Carvalho (2004, p.5), a universalização está para

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além da vaga em um estabelecimento escolar, mas inclui o acesso aos bens culturais públicos como os conhecimentos, as linguagens, as expressões artísticas, as práticas sociais e morais, que se traduzem em “um legado de realizações históricas às quais conferimos valor e das quais esperamos que as novas gerações se apoderem”.

Considerando os dados obtidos, a universalização, no contexto do município de Tucuruí, para a Educação Infantil, apresenta uma tendência de vir sendo compreendida como uma ação de ampliação no número de vagas para o ensino, a despeito de todas as dimensões que envolvem este conceito, considerado mais amplo.

4 CONCLUSÕES

Consideramos que existem algumas deficiências quanto à positivação do direito à universalização no PME, como o descompasso entre sua meta e a meta nacional, devido à discrepância na vigência dos dois planos. Um outro apontamento enseja que a oferta do ensino seja abrangente, o que torna imperativo que as políticas públicas se estendam até as comunidades mais longínquas, para que o direito de todos à educação escolar não seja cerceado. A política de universalização no município ainda apresenta lacunas no aspecto qualitativo, necessitando apresentar traços mais consistentes, considerando que não apresentou nenhuma proposta pedagógica em suas estratégias. A fragilidade no aspecto quantitativo pode ser atestada, por exemplo, pela ausência de adensamento das matrículas em creches, que por sua vez nos leva a refletir acerca da obrigatoriedade para esta etapa.

Pelo exposto, compreendemos que o direito à educação é fundamental para o aprimoramento do ser humano, tendo em vista situá-lo no contexto em que se dão suas relações em sociedade.

REFERÊNCIAS

CARVALHO, J. S. F. "Democratização do ensino" revisitado. Educação e Pesquisa, São Paulo, v. 30, n. 2, p. 327-334, maio/ago. 2004.

DOURADO, L.F.; OLIVEIRA, J.F.; SANTOS, C.A. A qualidade da

educação: conceitos e definições. Série Documental: Textos para Discussão, Brasília, DF, v. 24, n. 22, p. 5-34, 2007.

DOURADO, L. F; OLIVEIRA, J. F. A qualidade da educação: perspectivas e desafios. Cadernos Cedes, Campinas, v. 29, n. 78, maio/ago., 2009, p. 201-215.

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ESTEBAN, M. P. S. Pesquisa qualitativa em educação: fundamentos e traduções; tradução: Miguel Cabrera. - Porto Alegre: AMGH, 2010.

FLASH, S. de F.. O direito à educação e sua relação com a ampliação de escolaridade obrigatória

no Brasil. Ensaio, v.17, n.64, p.495-520, 2009.

LAVILLE, C.; DIONNE, J. A construção do saber: manual de metodologia da pesquisa em

ciências humanas. Tradução Heloisa Monteiro e Francisco Settineri. — Porto Alegre: Artmed; Belo

Horizonte: Editora UFMQ 1999.

VIEIRA, L. M. F. A Educação Infantil e o Plano Nacional de Educação: As propostas da

CONAE 2010. Educação & Sociedade, Campinas, v. 3, n. 112, p. 809-831, jul./set. 2010.

VIEIRA, L. M. F. Obrigatoriedade escolar na educação infantil. In: Revista Retratos da Escola, Brasília, v. 5, p. 245- 262, jul./dez. 2011.

TUCURUÍ. Lei nº 9.748, de 10 de dezembro de 2012. Dispõe sobre o Plano Municipal de Educação e dá outras providências. Tucuruí: Câmara Municipal, 2012.

TUCURUÍ. Lei nº 9.807, de 24 de junho de 2015. Modifica a redação das metas e estratégias, do anexo II da Lei nº 9.748/12, inclusive com a inclusão das metas 22, 23 e 24 e suas estratégias e dá outras providências. Tucuruí: Câmara Municipal, 2015.

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Tabela 1: Evolução de matrículas de Pré-Escola em Tucuruí.

Referências

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