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Arq. NeuroPsiquiatr. vol.25 número4

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Academic year: 2018

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I N M E M O R I A M

Nascido em 7 de junho de 1903, diplomado pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo em 1926, professor de Neurologia na Escola Paulista de Medicina desde 1938 e aposentado em 1966, o Prof. Paulino W . Longo faleceu, após agudo acidente vascular cardíaco, em 15 de setembro de 1967.

Suas atividades no âmbito da Neurologia tiveram início em 1926 quando, depois de ter exercido durante dois anos o cargo de estudante-interno da 3ª Enfermaria de Clínica Médica, Serviço do Prof. Ovidio Pires de Campos, passou a auxiliar, como voluntário, nos trabalhos assistenciais e didáticos da então Clínica Neuriátrica e Psiquiátrica dirigida pelo pranteado Prof. En¬ jolras Vampré. Em 1928 Paulino Longo foi nomeado para o cargo de assistente dessa Clínica que, por desdobramento, passara a ser Clínica Neu-rológica, exercendo a função durante 10 anos. Em 1938, em virtude do falecimento do Prof. Fausto Guerner, foi convidado para ocupar, interina-mente, a cátedra de Neurologia da Escola Paulista de Medicina, cátedra que conquistou em 1939 mediante concurso de títulos e provas,

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tinha grande habilidade para ensinar a prática da Neurologia de maneira a facilitar sobremodo o raciocínio diagnóstico. Essa qualidade, aliada a irra-diante simpatia pessoal, a perene bom humor e a ampla tolerância para com as idéias dos que com ele mantinham contacto, era complementada por cons-tante preocupação com o restabelecimento e o bem estar dos pacientes que examinava. Os que tiveram ocasião de ouvi-lo à cabeceira de um doente puderam apreciar que seu maior interesse era focalizado, não tanto nos aspec-tos científicos do caso — aspecaspec-tos que deixava a cargo de seus assistentes que para isso contavam com todo o seu estímulo — mas na análise das pos-sibilidades terapêuticas que, curando, melhorando ou estabilizando o decurso da moléstia, diminuissem o temor e a tensão psicológica do paciente e de seus familiares.

Mais do que por suas qualidades de renomado neurologista, com larga experiência haurida em vultosa clínica particular e hospitalar, e de professor que soube reunir em torno de si uma pleiade de discípulos dedicados, Paulino Longo caracterizou sua trajetória na vida pelo talento em fazer novos ami-gos e conservar velhas amizades. Por onde passou — entre os familiares dos doentes que atendeu, entre os colegas que o chamaram para pedir orientação em casos intrincados, entre os que dele receberam pacientes provindos de sua vasta clientela particular para atendimento clínico-terapêutico ou para a feitura de provas subsidiárias visando a complementação diagnóstica, entre os especialistas com os quais teve ocasião de trocar idéias nas numerosas viagens que fez aos centros neurológicos brasileiros e estrangeiros ou nos vários congressos nacionais e internacionais a que compareceu prestigiando-os com sua presença, sempre forte pelos conhecimentos e sempre simpática pela cordialidade — Paulino Longo deixou círculos de sólidas amizades forjados a custa de atenções pessoais de alto significado social. Esta faceta especial fazia de Paulino Longo um confidente universal, um centralizador de infor-mações preciosas para o julgamento das condições e imperfeições humanas e, ao mesmo tempo, o constituía como um élo poderoso para a união da família neurológica paulista e brasileira.

Conhecendo Paulino Longo desde 1925 ao tempo em que, estudante ainda, fui atraído para o estudo da Neurologia pela figura excelsa de Enjolras Vam¬ pré, e tendo tido o privilégio de conservar sua amizade durante 42 anos, é com profundo sentimento de pesar que registro seu falecimento prematuro. Grande capacidade de trabalho e grande dedicação à especialidade, notável experiência profissional e alta competência como neurologista e como docente, além de invulgares qualidades na manutenção de relações pessoais, foram os alicerces nos quais Paulino Longo fundamentou seus êxitos como médico, como especialista, como professor e como chefe de uma Escola Neurológica de projeção nacional e internacional à qual seu nome ficará perenemente ligado. Todas essas qualificações fazem sentir mais profundamente o vazio deixado pelo desaparecimento desse homem que, simples e lhano no trato, fundamentalmente bom e atenciosamente acessível para todos quantos a êle recorriam, era um dos esteios básicos da Neurologia paulista e, sobretudo, um constante amigo.

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