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Rev. esc. enferm. USP vol.22 número3

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CONSIDERAÇÕES SOB&E A SONDAGEM GÁSTRICA NO

RECÉM-NASCIDO

Miriam Aparecida Barbosa Merighi* Zaida Aurora Sperli Gerades Soler**

MERIGHI, M.A.B. & SOLER, Z.A.S.G. Considerações atuais sobre a sondagem gástrica no recém-nascido. Rev. Esc. Enf. USP, São Paulo, 22(3): 289-297, dez. 1988.

Neste trabalho destaca-se a importância da assistência criteriosa ao recém-nascido submetido a son-dagem gástrica. Para isso, com base na experiência das autoras e nas recomendações de diversos pesqui-sadores, descrevem-se os procedimentos necessários para a realização dessa conduta terapêutica.

UNITERMOS: Intubação gastro-intestinal. Recém-nascido.

I N T R O D U Ç Ã O

A utilização da sondagem gástrica, contínua ou-intermitente, é conduta comum nas unidades de neonatologia de alto risco. Este procedimento consiste na introdu-ção de um catéter através das fossas nasais ou da boca, passando pela faringe e pelo esófago até o estômago, alguns centímetros além do esfíncter do cárdia.

A finalidade da sondagem gástrica é proporcionar um m é t o d o de alimentação ou de administração de medicamentos que exija um mínimo de esforço do neonato (quando existe incoordenação da sucção-deglutição, imaturidade, desconforto res-piratório leve e nas malformações congênitas que dificultam a sucção e / o u a degluti-ção).

D a d a a importância e a responsabilidade da execução desta técnica, a sondagem deve ser realizada pelo médico ou pela enfermeira, já que a não observação correta da mesma pode trazer problemas sérios ao n e o n a t o , c o m o , por exemplo, aspiração d o alimento. Não se pode admitir que pessoas não qualificadas executem este cuida-do e, no e n t a n t o , muitas vezes, é ela delegada ao pessoal auxiliar de enfermagem, in-clusive às atendentes, c o m o constatou M E R I G H I1 0

.

Parece que nos berçários existe muita dificuldade q u a n t o a pessoal, tanto em quantidade c o m o em qualidade. Sabe-se que o ideal seria manter no cuidado ao recém-nascido apenas enfermeiros, técnicos e auxiliares de enfermagem. C o n t u d o , isso é difícil em nosso meio, por haver escassez desses profissionais e por serem estes considerados muito onerosos pelas instituições hospitalares.

Tal dificuldade obriga, geralmente, à utilização de pessoas que não possuem

co-* Enfermeira. Professor Assistente do Departamento de Enfermagem Materno-Infantil e Psiquiátri-ca da EEUSP, disciplina Enfermagem GinecológiPsiquiátri-ca, ObstétriPsiquiátri-ca e Neonatal.

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nhecimenios cieniíficos básicos para essa assistência e para a compreensão de deter-minadas situações que requerem atendimento imediato.

Convém ressaltar q u e , apesar da evolução dos conhecimentos em neonatologia e do progresso com a utilização de equipamentos eletrônicos, foram pequenas as mudanças nos procedimentos técnicos de atendimento ao recém-nascido.

No presente trabalho consideramos somente a técnica da sondagem gástrica. Pelo que observamos, geralmente este procedimento é aprendido no dia-a-dia do t r a b a l h o , com orientação recebida, a n o após a n o , baseada nas normas e rotinas da unidade de berçário. Poucas são as ocasiões em que é realizada pesquisa ou são leva-dos em consideração estuleva-dos atuais, q u a n d o da elaboração para o serviço, normas mais a p r i m o r a d a s de execução desse procedimento.

Acresce que, na revisão da literatura sobre os procedimentos para intubação gástrica, constatamos que os autores divergem q u a n t o ao que é preconizado sobre tal técnica, principalmente no que se refere à medida da sonda e ao uso de lubrificante.

N o t o c a n t e a o t a m a n h o d a s o n d a , os a u t o r e s D I S O N4

, H O W A R D7

, O R L A N D I " , W A T A N A B E et alii1 4

e Z I E G E L & C R A N L E Y1 6

, entre o u t r p s , reco-m e n d a reco-m , c o reco-m o reco-medida, a distância da glabela ao apêndice xifóide; B A T E S2

mede do apêndice xifóide à glabela e acrescenta 6 centímetros; H U G H E S & BUESCHER* t o m a m c o m o referência a extremidade distai da sonda 5 a 8 centímetros abaixo do apêndice xifóide, medindo até as narinas do recém-nascido; W A E C H T E R & B A L L A R D1 3

acham que a extensão necessária da sonda para atingir o estômago de-ve ser a medida da ponta do nariz a o lóbulo da orelha e daí à extremidade do ester-n o ; C O X & FANAROFF*1

e KLAUSS & T H R I F T3

usam c o m o medida a distância entre o apêndice xifóde e o lóbulo da orelha e acrescentam a distância da orelha até o nariz; W I L L E T et alii1 5

, Z I E M E R & C A R R O L1 7

acham que as medidas convencio-nais são curtas e recomendam a medida determinada pela distância da p o n t a d o na-riz ao lóbulo da orelha e, deste local até o p o n t o médio entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical; para D U G A S5

, a sonda deve ser medida do nariz a o lóbulo da orelha e desta à cicatriz umbilical.

Q u a n t o a o uso de lubrificantes A V E R Y1

, B A T E S2

, D I S O N4

, D U G A S5

, H U G H E S & B U E S C H E R9

, P H I L I P1 2

, W A E C H T E R & B A L L A R D1 3

, Z I E G E L & C R A N L E Y1 6

esclarecem que n ã o se pode usar material oleoso por causa do risco da p n e u m o n i a lipídica se o t u b o lubrificado penetra inadvertidamente na traquéia; acrescentam q u e , n o e n t a n t o , muitas vezes, a lubrificação da sonda é necessária p a r a diminuir o atrito entre a mucosa nasal e o catéter e, q u e , nestes casos, a lubrificação deve ser feita com água, soro fisiológico ou substância hidrossolúvel; G O U L A R T7

indica c o m o lubrificantes da sonda gástrica, o soro fisiológico, a vaselina ou a gliceri-n a . J á Z I E M E R & C A R R O L1 7

acham desnecessário o uso de lubrificantes para a s o n d a , pois a mucosa gastrointestinal possui lubrificação a d e q u a d a .

Na nossa atividade diária, o que temos observado sobre a assistência prestada ao recém-nascido com gavagem nos p r e o c u p a . P o r t a n t o , nossos objetivos neste tra-balho são:

1. alertar a enfermeira responsável pela unidade de neonatologia p a r a : — orientar, treinar e supervisionar os técnicos e auxiliares de enfermagem que executam essa atividade;

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2. descrever os procedimentos necessários à assistência criteriosa d o recém-nascido submetido à sondagem gástrica, baseando-se em estudos recentes.

De a c o r d o com nossa experiência e com base no estudo da literatura sobre o as-s u n t o , a aas-sas-sias-stência de enfermagem que recomendamoas-s para oas-s recém-naas-scidoas-s com prescrição de gavagem pode ser descrita c o m o segue:

1. Verificar, na prescrição médica, o tipo de intubação gástrica (oral ou nasal) e a fórmula láctea a ser administrada.

2. P r e p a r a r o material a ser u s a d o : — seringa esterilizada de 10 ou 20 ml;

— sondas gástricas infantis de polietileno, de n ú m e r o 4, 5 e 6, de p o n t a arre-d o n arre-d a arre-d a e furos na p o n t a terminal. Escolher a sonarre-da arre-de arre-diâmetro a arre-d e q u a arre-d o p a r a o n e o n a t o , a fim de evitar dificuldades t a n t o na sua colocação c o m o no seu funciona-m e n t o ; p a r a a sondagefunciona-m orogástrica pode-se utilizar ufunciona-m catéter de funciona-maior calibre (número 8); a passagem de sonda nasogástrica implica em escolher um catéter de ca-libre berri fino, l e m b r a n d o q u e , se o t u b o passar sem dificuldades pela narina, chega-rá facilmente a o estômago, j á que o orifício nasal é o menor canal para se inserir um t u b o .

A permeabilidade da sonda deve ser previamente testada com soro fisiológico ou água destilada; por diversas vezes encontramos sondas com u m a película nos lo-cais dos orifícios, sinal de que estavam obstruídas.

— e s p a r a d r a p o o u , se possível, adesivo n ã o alérgico p a r a fixação da sonda; — fórmula láctea ou medicamento prescrito;

— cuba com água, se necessário, p a r a testar a localização da s o n d a .

3. * Lavar as m ã o s , antes de manipular o recém-nascido;

4. C o m t o d o o material previamente colocado j u n t o ao n e o n a t o , examinar o local de inserção da sonda; se for a boca, limpá-la e, se necessário aspirar as secre-ções da orofaringe; se for realizada intubação nasogástrica, examinar as narinas, es-colhendo a mais larga; se estiverem muito ressecadas, lubrificá-las com soro fisioló-gico.

5. Medir o catéter, d e t e r m i n a n d o a distância necessária p a r a a i n t r o d u ç ã o até o terço médio d o e s t ô m a g o . C o m o j á foi visto, os autores r e c o m e n d a m medidas di-ferentes t a n t o para a sondagem oral c o m o p a r a a sondagem gástrica, a distância deve ser previamente m a r c a d a com e s p a r a d r a p o , p a r a se saber até onde introduzir a son-d a , evitanson-do-se colocar sua extremison-dason-de antes son-d o estômago (risco son-de aspiração) ou na parte gástrica final (diminuição ou falta de absorção d o alimento no estômago). A medida que a d o t a m o s p a r a sondagem gástrica, por via oral ou nasal, é a preconi-zada p o r Z I E M E R & C A R R O L1 7

, que basearam seus estudos na verificação da loca-lização da sonda no estômago de n e o m o r t o s , d u r a n t e o processo de necropsia. As autoras constataram que, u s a n d o medidas convencionais c o m o aquela da distância da p o n t a d o nariz ao lóbulo da orelha e daí a o apêndice xifóide o u , da raiz d o nariz à extremidade inferior d o apêndice xifóide, o catéter ficava quase j u n t o ao esfíncter d o cárdia, ou p o u c o além, sendo, p o r t a n t o , medidas curtas. Utilizando a medida da p o n t a d o nariz a o lóbulo da orelha e daí até.o p o n t o médio entre o apêndice xifóide e a cicatriz umbilical (sondagem nasogástrica), Z I E M E R & C A R R O L "7

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que a sonda ficava localizada no terço médio do estômago, o que possibilita melho-res condições para avaliação do conteúdo gástrico, assim c o m o para a administração de líquidos. P a r a a intubação oro-gástrica, essas autoras recomendam medir da pon-ta d o nariz ao lóbulo da orelha e daí até a parte inferior do apêndice xifóide.

6. Verificar se há necessidade de lubrificar a sonda, para permitir a sua passa-gem mais suavemente, e diminuir o atrito entre o catéter e a mucosa nasal; se preci-so, umedecer a extremidade distai da sonda com água, soro fisiológico ou substância hidrossolúvel; não usar lubrificante de base oleosa, pelo perigo de provocar um foco de irritação e p n e u m o n i a lipídica, se a sonda for inserida inadvertidamente na tra-q u é i a , c o n f o r m e a d v e r t e m B A T E S2

, D I S O N4

, D U G A S5

, H U G H E S & B U E S C H E R9

, W A E C H T E R & B A L L A R D1 3

, e Z I E G E L & C R A N L E Y1 6

.

7. Colocar o recém-nascido em decúbito lateral (de preferência), ou dorsal, com a cabeça elevada e o corpo levemente inclinado p a r a a direita.

8. Iniciar a i n t r o d u ç ã o da sonda nasogástrica segurando com a m ã o a cabeça d o neonato m a n t e n d o - a firme, e deixando o polegar livre p a r a elevar a p o n t a d o na-riz, com o intuito de a u m e n t a r o orifício nasal externo.

Se for realizada sondagem oro-gástrica, inserir a sonda sobre a língua do neo-n a t o curvaneo-ndo-a neo-no funeo-ndo da g a r g a neo-n t a .

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¿3'

¿ 3 resistência, pois isto pode provocar lesões na mucosa nasal e, possivelmente,

infec-ções. A flexão da cabeça d u r a n t e a inserção da sonda ajudará a guiá-la através do esófago. Caso o t u b o se enrole na boca ou o recém-nascido engasgue ou comece a tossir, retire-o da nasofaringe, espere alguns segundos e recoloque-o. É prudente, ul-trapassada a faringe, esperar cerca de 1 minuto antes de continuar a introduzir a s o n d a , observando sinais de tosse ou cianose, p a r a certificar-se de que a sonda está realmente no estômago.

E n q u a n t o se introduz a sonda deve-se observar qualquer sinal de estimulação vagal (bradicardia e apnéia). O trajeto d o vago atravessa o pescoço, o tórax e o a b -d o m e . Acima -d o estômago, as ramificações -da esquer-da e -da -direita unem-se para formar o plexo esofágico. A estimulação dessas ramificações nervosas com o catéter afetará diretamente o plexo cardíaco e p u l m o n a r . Se acontecer o estímulo vagai deve-se fazer u m a pausa de alguns minutos, e n q u a n t o se manipula o neonato para reanimá-lo.

9. Fixar a sonda com adesivo na face do recém-nascido, após a introdução do catéter até a medida pré-determinada; (Fig.4) isso evita que o catéter saia da medida previamente especificada. A o fixar a sonda na região nasogeniana, deve-se evitar que ela faça pressão sobre a asa do nariz, o que pode resultar em necrose deste local. T a m b é m , deve-se ter o cuidado de não ocluir a narina oposta a o se fixar a sonda, pois no recém-nascido a respiração é essencialmente nasal; aliás, esse é o principal motivo de se eleger a intubação gástrica por via oral no recém-nascido muito peque-n o .

10. Verificar se o catéter está no estômago. O estômago nunca está completa-mente vazio, ele sempre contém pelo menos um pouco de suco gástrico. A obtenção de elementos d o conteúd o gástrico, por aspiração comprova que a sonda está no es-t ô m a g o . Segundo D I S O N4

, o m é t o d o mais a c u r a d o p a r a se determinar a exata loca-lização d o catéter é usar t u b o r a d i o p a c o e procurar vê-lo com f l u o r o s c o p i c

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recém-nascido ou avançando-se a sonda, pode-se colocar o catéter em c o n t a t o com o con-teúdo estomacal.

P o d e m ser realizados os seguintes testes se, a o aspirar a sonda n ã o se puder con-seguir suco gástrico ou resíduo de fórmula láctea:

a) colocar a parte terminal da sonda, aberta, em um recipiente com água. A ausência de bolhas indica que a sonda tem localização gástrica, bolhas rítmicas indi-cam que a sonda está na traquéia — neste caso, retira-se a sonda r a p i d a m e n t e .

b) injetar 1 a 2 mililitros de ar no e s t ô m a g o . Simultaneamente, colocar o este-toscopio na região epigástrica p a r a escutar o ruído d o ar n o estômago (escuta-se som de " e s t o u r o " q u a n d o o ar penetra no estômago). Depois, aspirar o ar injetado, para evitar a distensão a b d o m i n a l .

11. Realizar a aspiração do conteúdo gástrico ou a introdução de líquidos. Se a sondagem gástrica for feita para a administração de líquidos, deve-se proceder, inicialmente, a retirada do resíduo gástrico; os resíduos de fórmula láctea obtidos devem ser reintroduzidos e subtraído o volume coletado do total que foi prescrito para ser administrado.

Os autores recomendam que os líquidos sejam administrados por gravidade. Nesse caso, retira-se o embolo da seringa, adaptando-se o corpo da mesma à sonda; levando-se o catéter 10 a 15 centímetros acima da cabeça d o recém-nascido, despeja-se o líquido na despeja-seringa, retira-despeja-se o " c l a m p e a m e n t o " da sonda, feito inicialmente pa-ra evitar a entpa-rada de ar no estômago, e deixa-se o líquido escoar lentamente até que seja administrado todo o volume prescrito. Deve-se lembrar que o calibre d o catéter controla a velocidade d o fluxo ( q u a n t o menor o calibre mais lento s e r á ' o fluxo); também a altura do reservatório do líquido pode determinar alterações na velocida-de da infusão, já que, se ficar muito a l t o , a pressão do líquido, por si só, aumenta a velocidade do fluxo.

N ã o se recomenda a administração de líquidos por intermédio de seringa com embolo pelo perigo de injetar a solução por pressão positiva e com maior velocida-de. N o e n t a n t o , na prática utiliza-se mais esse m é t o d o , desde que o líquido seja ad-ministrado lentamente, com pausas, para que sejam avaliadas as condições d o neo-n a t o , determineo-naneo-ndo u m a ineo-nfusão mais leneo-nta que a verificada por ação da gravidade.

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12. Injetar de 0,5 a 1 mililitro de água ou soro glicosado a 597o na sonda, para lavá-la e evitar que o b s t r u a , após administração da fórmula láctea prescrita. Fechar a sonda r a p i d a m e n t e , para que n ã o penetre ar no e s t ô m a g o , que cause distensão a b -d o m i n a l . Se a son-da for retira-da na alimentação intermitente por gavagem, -deve-se pinçá-la e retirá-la r a p i d a m e n t e , antes que o líquido pinge na faringe, e que o neona-to o aspire.

13. Fazer o n e o n a t o eructar, se possível; para isso, sua cabeça e seu tronco de-vem ser levantados, sustentados pela m ã o d o funcionário. A expulsão a d e q u a d a de ar engolido d u r a n t e a sondagem gástrica reduzirá a distensão gástrica e possibilitará melhor tolerância à alimentação por gavagem.

14. Colocar o recém-nascido em decúbido ventral ou lateral direito, por 45 a 60 m i n u t o s , p a r a reduzir a regurgitação e evitar a aspiração d o líquido regurgitado.

15. Observar, com freqüência, o estado d o n e o n a t o , pois ainda podem ocor-rer bradicardia e apnéia, devido à estimulação vagai. Verifica-se, t a m b é m , se há si-nais de v ô m i t o , regurgitação, distensão a b d o m i n a l , episódios freqüentemente causa-dos pela alimentação m u i t o rápida ou em q u a n t i d a d e excessiva.

16. A n o t a r o processo no relatório de enfermagem, registrando com exatidão: via de sondagem; d u r a ç ã o da a d m i n i s t r a ç ã o ; tipo e volume de líquido a d m i n i s t r a d o ; q u a n t i d a d e retida e expelida; resíduo gástrico; c o m o o recémnascido tolerou o p r o -cedimento; atividade d o n e o n a t o posterior a o processo e intercorrências (regurgita-ção, vômitos, distensão a b d o m i n a l , desconforto respiratório, bradicardia, cia-nose, e t c ) .

O B S E R V A Ç Õ E S C O M P L E M E N T A R E S

Se a sonda for m a n t i d a no estômago d o n e o n a t o , deve-se aspirá-la sempre, an-tes de se iniciar a alimentação nos horários subseqüenan-tes. Isto visa controlar a inges-tão a d e q u a d a de líquidos, o t e m p o da digesinges-tão e a superalimentação que possa cau-sar distensão, além de evitar a infusão d o líquido fora d o e s t ô m a g o .

Q u a n d o se obtém resíduo da fórmula láctea, devolve-se o líquido a o estômago e subtrai-se essa q u a n t i d a d e d o total a ser a d m i n i s t r a d o . Se for obtido resíduo em vo-lume igual ou superior à metade d o líquido prescrito e administrado no h o r á r i o ante-rior, solicita-se avaliação médica antes de se injetar o leite. Geralmente, q u a n d o o resíduo gástrico é de volume g r a n d e , suspende-se a alimentação daquele horário e suspeita-se da possibilidade da superalimentação.

A administração m u i t o rápida d o líquido, por gavagem, interferirá na peristal-se, c a u s a n d o distensão a b d o m i n a l e regurgitação ou vômitos. O período da infusão deve corresponder a o da d u r a ç ã o da alimentação por m a m a d e i r a , considerando-se as peculiaridades d o recém-nascido pré-termo ou débil.

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co-locar sonda gástrica de d e m o r a , deve-se trocar o catéter a cada 48 a 72 horas, alter-n a alter-n d o as alter-narialter-nas, assim c o m o usaalter-ndo a via oral, alter-nas substituições.

A o retirar a sonda, lembrar sempre de fechá-la, mediante p i n ç a m e n t o , para que n ã o goteje na faringe o líquido retirado na sonda, o que poderia causar a sua aspi-r a ç ã o .

Aventar as complicações que podem ocorrer no processo de sondagem gástrica: t r a u m a t i s m o d o septo nasal; das coanas e adenoides; enrolamento d o catéter na cavi-dade bucal; penetração da sonda na traquéia (causando tosse e dispnéia); retorno da sonda ao nível do cárdia; incompetência cárdio-esofágica; lesão de asa do nariz por compressão, pela fixação inadequada da s o n d a .

Sonda com orifício de n ú m e r o e t a m a n h o insuficientes não permitem drenagem a d e q u a d a ; orifícios grandes levam a o " a c o t o v e l a m e n t o " da sonda; a sonda pouco introduzida deixa os furos acima do esfíncter d o cárdia levando o conteúdo gástrico ao esófago e diminuindo a drenagem (esse erro é indicado pela oscilação de líquido na sonda, durante a respiração); sondas introduzidas além do p o n t o ideal podem pe-netrar no d u o d e n o e enovelar-se no e s t ô m a g o .

C O N S I D E R A Ç Õ E S F I N A I S

Pelo exposto, percebe-se que a realização da sondagem gástrica requer a utiliza-ção de procedimentos específicos para que essa c o n d u t a terapêutica seja feita com precisão e n ã o acarrete complicações graves para o n e o n a t o .

Acreditamos que este atendimento deveria ser prestado pela enfermeira ou pelo médico, ou senão, pelo técnico ou auxiliar de enfermagem a d e q u a d a m e n t e orienta-dos, treinados e supervisionadas por enfermeiras, ao realizarem este p r o c e d i m e n t o .

Voltamos a alertar as enfermeiras responsáveis por unidade de neonatologia pa-ra que se atualizem p e r m a n e n t e m e n t e , e s t u d a n d o a litepa-ratupa-ra referente à sondagem gástrica e que reflitam sobre o fato de delegar essa atividade ao pessoal auxiliar, que p o d e não estar capacitado para tal.

MERIGHI, M.A.B. & SOLER, A.A.S.G. Recent considerations on gastric gauvage in the newborn. Rev. Esc. Enf. USP, São Paulo, 22(3): 289-297, Dec. 1988.

This paper shows the importance of a criterious management of the newborn when rendering gastric gauvage. The description of this therapeutic procedure is based on the experience of the author* and on the recommendations of several researches.

UNITERMS: Intubation gastrointestinal. Newborn infant.

R E F E R Ê N C I A S B I B L I O G R Á F I C A S

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Referências

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