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XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (XVII ENANCIB) GT 7 – Produção e Comunicação da Informação em CTI OS REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS NO BRASIL: UM ESTUDO DESCRITIVO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

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Academic year: 2018

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XVII Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (XVIIENANCIB)

GT 7 – Produção e Comunicação da Informação em CT&I

OS REPOSITÓRIOS INSTITUCIONAIS NO BRASIL: UM ESTUDO DESCRITIVO DA PRODUÇÃO CIENTÍFICA

THE INSTITUTIONAL REPOSITORIES IN BRAZIL: A DESCRIPTIVE STUDY OF SCIENTIFIC PRODUCTION

josimara dias brumatti1, Simone da Rocha Weitzel2

Modalidade da apresentação: Pôster

Resumo: A pesquisa tem por objetivo caracterizar o Acesso Aberto Verde no Brasil, verificando se os Repositórios Institucionais nacionais estão desempenhando esta estratégia de acordo com a proposta da BOAI (2002) e Harnad e outros (2004). A análise foi baseada na produção científica publicada em periódico e depositada em Repositórios Institucionais. Para isso, foram selecionados três casos típicos: Os Programas de Pós-Graduação em Psicologia, Física e Economia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, da Universidade de Brasília e da Universidade Federal da Bahia. A plataforma Sucupira forneceu os dados dos artigos publicados por cada programa os quais foram verificados se estavam depositados nos respectivos repositórios, a saber, Repositório LUME, Repositório da UNB e Repositório da UFBA. A seleção dos casos foi baseada no ranking Web of Repository em que os repositórios brasileiros estavam nas primeiras colocações em 2014. Os Programas foram selecionados tendo em vista as áreas temáticas dos repositórios pioneiros: Física (arXiv), Psicologia (Cogprint) e Economia (RePEC). Os resultados apresentados nesta pesquisa são preliminares e estão baseados nos dados da Plataforma Sucupira do ano 2013. A produção científica analisada, que somou 525 artigos, foi categorizada de acordo com a nacionalidade dos periódicos, o idioma do artigo e o modelo de negócios dos periódicos conforme as definições de Harnad (2012) e de Weitzel (2014). Dentre os principais resultados foi verificado que 70% dos artigos depositados nos Repositórios LUME, UNB e UFBA são publicados em periódicos de Acesso Aberto Dourado e que cerca de 30% desta produção possui barreiras de acesso como pagamento para publicar ou de assinatura do periódico.

Palavras-chave: Acesso Aberto. Acesso Aberto Verde. Repositório Institucional. Produção Científica. Brasil.

1 Universidade Federal Fluminense

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Abstract: The research aims to characterize the Open Access Green in Brazil, making sure that the national Repositories Institutional are playing this strategy in accordance with the proposal of BOAI (2002) and Harnad et al, (2004). The analysis was based on the scientific production published in journal and deposited in Institutional Repositories. For this, we selected three typical cases: Postgraduate in Psychology, Physics and Economics of the Universitdade Federal of Rio Grande do Sul, the Universidade of Brasilia and the Universidade Federal of Bahia. The Sucupira platform provided the data of articles published by each program which have been checked if they were deposited in their repositories, namely LUME Repository, Repository Unb and Repository UFBA. The selection of cases was based on the ranking of Web Repository in the Brazilian repositories were the first places in 2014. The programs were selected in view of the thematic areas of the pioneers repositories: Physics (arXiv), Psychology (Cogprint) and Economics (RePEc ). The results presented in this study are preliminary and are based on data from Sucupira Platform of the year 2013. The analyzed scientific production, which totaled 525 articles, was categorized according to nationality of journals, article language and the business model of newspapers as the definitions of Harnad (2012) and Weitzel (2014). Among the main results it was found that 70% of the articles deposited in repositories LUME, UNB and UFBA are published in journals Open Access Gold and about 30% of this production has access barriers as payment to publish or subscription of the journal.

Keywords: Open Access. Open Access Green. Institucional Repository. Scientific Production. Brazil.

1 INTRODUÇÃO

Para os autores clássicos da Comunicação Científica (CC), o acesso ao conhecimento científico é a premissa para promover o progresso da ciência na medida em que novas questões são formuladas a partir dos resultados das pesquisas (HURD, 1996; MEADOWS, 1999; MUELLER, 2006).

No entanto, as editoras de periódicos científicos detêm o direito de reprodução do conteúdo da maioria da produção científica com alto fator de impacto e cobram altas taxas para prover o acesso, exercendo grande poder no sistema de publicação científica.

Mas o desejo dos cientistas em restaurar a “antiga tradição” baseada na disposição dos cientistas em publicar sem remuneração (BOAI, 2002) e as novas possibilidades trazidas com a convergência das tecnologias de informação e comunicação (TIC’s) viabilizaram um novo cenário para a CC.

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Científico Comercial, principalmente.

No entanto, em Ortellato (2008) há indicação de um desempenho distinto no desenvolvimento do AA entre a Via Verde e a Via Dourada no Brasil nas Áreas do Conhecimento a saber, Ciências Exatas, Ciências Humanas e Sociais. Para o autor, apesar do sucesso no AA no Brasil, houve um déficit no desempenho em determinadas áreas do conhecimento.

Por meio de estudo descritivo, mapear a produção científica oriunda de IES brasileira publicada em periódico e o respectivo arquivamento dessa produção em Repositórios Institucionais (RIs) com objetivo de caracterizar a Via Verde no Brasil a luz do conceito de AA definido pela BOAI (2002) e Harnad e outros (2004).

Os objetivos específicos permitirão: a) mapear os artigos publicados em periódicos categorizando por tipo de acesso baseado em Harnad (2012) para analisar a via verde no Brasil; b) verificar o grau de nacionalização e internacionalização dos periódicos e c) examinar o modelo de negócio baseado em Harnad (2013) e Weitzel (2014).

Para viabilizar a pesquisa foram selecionados três casos típicos: Os programas de Pós-Graduação em Física, Psicologia e Economia da UFRGS, UNB e UFBA. A plataforma Sucupira forneceu os dados dos artigos publicados por cada programa os quais foram verificados se estavam depositados nos respectivos repositórios, a saber LUME, UNB e UFBA. A seleção dos casos foi baseada no ranking Wef of Repository em que os repositórios brasileiros estavam nas primeiras colocações em 2014. Os Programas foram selecionados tendo em vista as áreas temáticas dos repositórios pioneiros: Física (arXiv), Psicologia (CogPrints) e Economia (RePEC).

Os artigos foram elencados por tipo de acesso nas categorias elaboradas segundo Harnad (2012) que são: Acesso Restrito (Não AA); Acesso Aberto através de RI (Acesso Aberto Verde); Acesso Aberto no site do periódico e/ou em base de dados (Acesso Aberto Dourado). Apesar de o modelo híbrido não ter sido considerado como categoria por tipo de acesso, foi verificado na política editorial dos periódicos se existe a opção AA Híbrido através de article processing charge

(APC) para as submissões de trabalhos. Os dados foram classificados também conforme a nacionalidade dos títulos de periódicos (nacional ou estrangeiro) e segundo o idioma dos artigos publicados (Inglês, Português, Espanhol e Francês).

2 ACESSO ABERTO VERDE NO BRASIL

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Biblioteca Eletrônica SciELO. Autores como Guédon (2010) mencionam a importância desta plataforma para o Acesso Aberto, que garante visibilidade da pesquisa realizada no Brasil e na América Latina.

No entanto, há outros fatores que caracterizam o desenvolvimento da AAVerde no Brasil. Para Ortellado (2008), por exemplo, há desigualdade na produção científica de algumas áreas do conhecimento, como as Ciências Naturais e da Terra e as Ciências Humanas e Sociais. Segundo Ortellado (2008), a diferenciação entre as áreas do conhecimento acima mencionadas gera impacto em

iniciativas no AA.

Segundo Ortellado (2008) “o país descuidou das políticas” governamentais para o desenvolvimento e maior adesão da AA Verde. Portanto embora o país lidere o ranking3 mundial

de artigos periódicos científicos em AA, onde a publicação “nasce” em AA, existem ainda contextos em que a publicação tem o acesso restrito sendo fundamental ao AAVerde para torná-la disponível amplamente.

3 RESULTADOS: APRESENTAÇÃO E DISCUSSÃO

A pesquisa mostrou que a maioria dos artigos de periódicos presentes nos RIs analisados e no período delimitado, são provenientes do AA dourado, totalizando 70%. Por outro lado, 19% da produção dessas áreas não estão disponíveis nos RIs e seu acesso está bloqueado exigindo pagamento (Não AA). Apenas 11% dos artigos são provenientes do AA Verde sinalizando, em linhas gerais, uma baixa adesão a essa estratégia em relação ao AA Dourado.

No gráfico 1 a Física representando a área da CE possui porcentagem equilibrada de artigos sob AA Verde (34%) e sob o AA Dourado (27%). No entanto, demostrou ser a área que mais necessita do AA Verde por possuir a maior proporção de artigos “Não AA” (38%) na produção científica. A Psicologia representando as CH, destacou-se no AA Dourado (89%), com pouco desempenho no AA Verde. Já a Economia, representando as CS, tem seus artigos publicados em 92% em periódicos de AA apesar de não ter praticamente ocorrências no AA Verde. O restante, 16% dos artigos científicos, estão na categoria “Não AA”.

Os gráficos 2 e 3 mostram os títulos de periódicos por áreas do conhecimento classificados segundo as características de nacionalidade e idiomas. Os periódicos nacionais correspondem a

3 O Brasil está em 2º no ranking DOAJ em número de títulos de revistas indexados, atrás apenas dos

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51.5% dos artigos analisados, sendo a Psicologia a área que mais publica em periódicos regionais, no idioma local, aspectos de uma área regionalizada, seguido da Economia. Os periódicos estrangeiros correspondem a 48.5% da coleta de dados, sendo a área da Física com maior predominância e publicando predominantemente em Inglês, se caracterizando como uma área internacionalizada.

Gráfico 1: Tipos de Acesso por Área do Conhecimento

Fonte: O autor (2015).

Gráfico 2: Títulos de artigos por nacionalidade do periódico

Fonte: O Autor (2016).

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Fonte: O Autor (2016).

Abaixo seguem os dados referentes ao modelo de negócio dos títulos de periódicos em que os artigos analisados foram publicados. Podemos observar o predomínio do Acesso Aberto Dourado, cerca de 70%, nas publicações científicas nacionais.

Gráfico 4: Modelo de Negócio por Áreas do Conhecimento

Fonte: O autor (2016).

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

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A partir desses três casos típicos foi possível verificar que: a) predomínio de depósito de artigos de periódicos AA nos repositórios institucionais ao invés de artigos publicados em periódicos comerciais. É preciso destacar que a literatura e os signatários em AA priorizam o depósito de artigos aprovados em periódicos comerciais em RIs (HARNAD, et al, 2004).

b) uma baixa adesão do “AA Verde”, totalizando apenas 11% dos acessos dos artigos. Mesmo com números modestos, este resultado foi impulsionado pela área da Física, levando a acreditar que a característica de disseminação científica de cada área do conhecimento pode influenciar o modo como esta desempenha o AA.

Mesmo com o predomínio do “AA Dourado”, o ideal do acesso aberto, o papel do “AA Verde” em RIs nacionais também traz sua relevância, pois parte da produção científica brasileira ainda possui acesso restrito, aproximadamente 19% “Não AA” além dos pesquisadores brasileiros que publicam em periódicos comerciais.

Esta pesquisa torna premente a necessidade de verificar em novas investigações se essas características estão presentes em outras áreas do conhecimento e em demais instituições de ensino e pesquisa e em seus respectivos RIs, visando um panorama completo do AA Verde no Brasil e se há outras características não contempladas neste estudo.

REFERÊNCIAS

BUDAPESTE OPEN ACCESS INITIATIVE. Iniciativa de Budapeste pelo Acesso Aberto. Budapeste, 2002. Disponível em:

<http://www.budapestopenaccessinitiative.org/translations/portuguese-translation>. Acesso em: Março 2014.

FURNIVAL, Ariadne Chloë. Brasil é referência em acesso aberto, mas faltam políticas integradas. 2015. Entrevistadores: Patrícia Santos e Kátia Kishi. Disponível em:

http://www.oei.es/historico/divulgacioncientifica/?Brasil-e-referencia-em-acesso. Acesso em: Jan. 2016.

GUÉDON, Jean-Claude. Acesso Aberto e divisão entre ciência predominante e ciência periférica. In: Acessibilidade e visibilidade de revistas científicas eletrônicas. FERREIRA, Sueli M. S. Pinto; TARGINO, Maria das Graças (Org.). São Paulo: Senac São Paulo; CENGAGE Learning, 2010. p. 21-73.

HARNAD, Stevan. The green and the gold roads to Open Access. Nature Web Focus, 2004. Disponível em: <http://eprints.soton.ac.uk/259940/1/21.html>. Acesso em: Março 2014.

______. Why the UK should not heed the Finch Report. Impact of Social Sciences blog, 2012. Disponível em: <http://blogs.lse.ac.uk/impactofsocialsciences/2012/07/04/why-the-uk-should-not-heed-the-finch-report/>. Acesso em: Dez. 2014.

MEADOWS, A. J. A comunicação científica. Brasília: Briquet de Lemos, 1999.

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ORTELLADO, Pablo. As políticas nacionais de acesso à informação científica. Liinc em Revista. Rio de Janeiro, v. 4, n. 2, 2008. p. 186-195.

VESSURI, Hebe. Aula inaugural da Fiocruz discute o papel das políticas de publicação. 2015. Disponível em: <https://agencia.fiocruz.br/aula-inaugural-da-fiocruz-discute-o-papel-das-pol%C3%ADticas-de-publica%C3%A7%C3%A3o>. Acesso: Jan. 2016.

WEITZEL, Simone da Rocha. Acesso Aberto: uma década depois. In: BORGES, Jussara;

BARREIRA, Maria Isabel de J. Sousa, CUNHA, Francisco José Aragão Pedroza (Orgs.). Mundo digital: uma sociedade sem fronteiras? João Pessoa: Ideia, 2014. Disponível em:

Imagem

Gráfico 2: Títulos de artigos por nacionalidade do periódico
Gráfico 4: Modelo de Negócio por Áreas do Conhecimento

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