UNIVERSIDADE FEDERAL DE RONDONÓPOLIS - UFR INSTITUTO DE CIÊNCIAS EXATAS E NATURAIS - ICEN
CURSO DE GRADUAÇÃO EM ENFERMAGEM
BRUNA ESTEVÃO ARAÚJO
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS USUÁRIOS COM HEPATITE C NO MUNICÍPIO DE RONDONÓPOLIS-MT, 2008-2018
RONDONÓPOLIS, MT 2020
BRUNA ESTEVÃO ARAÚJO
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS USUÁRIOS COM HEPATITE C NO MUNICÍPIO DE RONDONÓPOLIS-MT, 2008-2018
Trabalho de Conclusão apresentado ao curso de graduação em Enfermagem, da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), como requisito para finalização da disciplina Trabalho de Curso II, para obtenção do título de Bacharel em Enfermagem, pela Universidade Federal de Mato Grosso.
RONDONÓPOLIS, MT 2020
AGRADECIMENTO
Sou grata, primeiramente, a Deus, por me guiar na caminhada da graduação, dando força, paciência e um motivo maior: fazer o bem ao próximo.
Sou grata aos meus pais, Maira e Francisco, que me motivaram de diversas maneiras para a realização desse sonho que não é só meu, mas deles também. Ao meu irmão, André, que sempre confiou em mim, fazendo questão de ser meu paciente.
Também agradeço aos meus colegas da universidade, pela parceria nos estágios, por tornarem tudo mais leve. Agradeço ao Marcos e ao Filipe, por estarem sempre prontos a me ajudar, dando apoio emocional quando precisei e auxiliando nos trabalhos acadêmicos.
Agradeço ao meu orientador, enfermeiro e mestre, Sidnei Anastácio Sampaio, por compartilhar seus conhecimentos durante todo o processo da pesquisa. Aos meus professores, majoritariamente enfermeiros, que me inspiraram durante a graduação.
Quero agradecer aos profissionais que tive contato durante campo prático e estágios, que me ensinaram características de ótimos líderes e profissionais.
Também agradeço à Universidade Federal de Rondonópolis, onde aprendi muito além das disciplinas do curso, através de eventos, participação no Centro Acadêmico Mary Seacole, participação em projetos de pesquisa e extensão, realização de trabalhos sociais e voluntários.
Muito obrigada!
LISTA DE FIGURAS
Figura 1. Total de notificações por sexo e ano de diagnóstico. Rondonópolis, MT, Brasil, 2008 a 2018...12 Figura 2. Frequência de infectados com hepatite C relacionada à escolaridade dos usuários, no período de 2008 a 2018. Rondonópolis, Mato Grosso, Brasil...13 Figura 3. Total de infectados com Hepatite C por fonte/mecanismo de infecção. Rondonópolis, MT, Brasil, 2008 a 2018...14 Figura 4. Casos de Hepatite C confirmados por ano de diagnóstico. Rondonópolis, MT, Brasil, 2008-2018...14 Figura 5. Maior frequência por variável relacionada a hepatite C, Rondonópolis, Mato Grosso, no período de 2008 a 2018...15
LISTA DE ABREVIATURAS
CEP – Comitê de Ética em Pesquisa EF – Ensino Fundamental
HCV – Vírus da Hepatite C
IST – Infecção Sexualmente Transmissível MS – Ministério da Saúde
SIM – Sistema de Informação de Mortalidade
SINAN – Sistema de Informação de Agravos de Notificação SUS – Sistema Único de Saúde
TR – Teste Rápido
TV – Transmissão Vertical
SUMÁRIO
1 INTRODUÇÃO...9
2 OBJETIVO...10
3 MÉTODO...10
4 RESULTADOS...12
5 CONCLUSÃO...16
REFERÊNCIAS...20
8
PERFIL EPIDEMIOLÓGICO DOS USUÁRIOS COM HEPATITE C NO MUNICÍPIO DE RONDONÓPOLIS-MT, 2008-2018
Bruna Estevão Araújo1, Sidnei Anastácio Sampaio2 RESUMO
Objetivo: caracterizar o perfil epidemiológico dos usuários com hepatite C no município de Rondonópolis, Mato Grosso, no período de 2008 a 2018.
Método: estudo quantitativo, descritivo e retrospectivo, que analisou dados de notificações de hepatite C do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN). O tratamento estatístico foi mediante análise descritiva, pelo cálculo dos valores absolutos e percentuais. As variáveis analisadas foram sexo, faixa etária, etnia, escolaridade, forma clínica, mecanismo de infecção, trimestre gestacional e ano de diagnóstico. Resultados: foram notificados 291 casos de hepatites C. As variáveis com maior frequência foram: forma clínica de hepatite aguda, 59,11%;
sexo masculino, 56,70%; mecanismo de infecção pessoa/pessoa, 77,66%; faixa etária entre 40 e 59 anos, 58,08%; escolaridade 5ª a 8ª série incompleta, 31,27%;
etnia parda, 46,05%; gestantes no 2º trimestre gestacional, ano de notificação 2012, 16,15%. Conclusão: o estudo permitiu caracterizar o perfil epidemiológico proposto. A caracterização do perfil dos usuários possibilita a realização de atividades educativas, planejamento e implementação de ações que visam a melhoria da assistência dos serviços de saúde e, consequentemente, diminuição da frequência desse agravo.
Descritores: Hepatite C; Hepatite Viral Humana; Perfil de Saúde; Medidas em Epidemiologia; Atenção Primária à Saúde; Enfermagem em Saúde Pública.
1 Discente do curso de enfermagem da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Mato Grosso, Brasil. E-mail:
[email protected] Orcid: https://orcid.org/0000-0001-7380-8957 Lattes:
http://lattes.cnpq.br/9518648794427824
2 Docente do curso de enfermagem da Universidade Federal de Rondonópolis (UFR), Mato Grosso, Brasil. E-mail:
[email protected] Lattes: http://lattes.cnpq.br/3262014513052547
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1 INTRODUÇÃO
A hepatite C é causada pelo Vírus da Hepatite C (HCV). Esse vírus foi o primeiro membro do gênero Hepacivirus, da família Flaviridae. O HCV foi identificado por Choo e colaboradores, em 1989, nos Estados Unidos, sendo o principal agente etiológico da hepatite crônica, anteriormente denominada “hepatite Não A Não B”.1
A Hepatite C é caracterizada por ser uma doença silenciosa e por se apresentar na forma aguda leve ou progredir à fase crônica, quando as complicações se estabelecem em um nível grave.2 As hepatites virais têm natureza passiva, apresentam poucas manifestações clínicas, podendo ser assintomáticas, o que as tornam um desafio para grande parte dos profissionais de saúde. O HCV dá origem a outros tipos de vírus, denominados genótipos e subtipos, ou subgenótipos.3
A detecção da hepatite C acontece, principalmente, nas unidades básicas de saúde, por meio do teste rápido (TR). Os TR são fundamentais para a ampliação do acesso ao diagnóstico e aumentam a resolutividade do sistema.1 Estes exames detectam o anticorpo ANTI-HCV e apresentam reagente se positivo. A carga viral é quantificada posteriormente, pelo teste molecular de HCV-RNA.
De acordo com o Boletim Epidemiológico de Hepatites Virais, publicado pelo Ministério da Saúde (MS), nos últimos anos, as taxas de hepatite C apresentaram tendência de aumento no Brasil.4
As hepatites virais estão ligadas a taxas de internação hospitalar e mortalidade. No mundo, somente em 2015, houveram 1,34 milhões de mortes por hepatites virais, sendo 30% causadas por hepatite C.5 De 2000 a 2017, foram identificados, no Brasil, pelo Sistema de Informação de Mortalidade (SIM), 70.671 óbitos por causas básicas e associadas às hepatites virais. Desses, 1,6% foram
10
associados à hepatite A; 21,3% à hepatite B; 76,0% à hepatite C e 1,1% à hepatite D. 4
O tratamento das hepatites virais deve ser realizado em ambulatório especializado, devido à complexidade dos casos, os usuários precisam de orientações de profissionais capacitados, seguindo os protocolos de tratamento disponíveis.3
A realização da pesquisa justifica-se pelas altas taxas de mortalidade associadas às hepatites virais nos últimos anos, apresentando taxa de mortalidade de aproximadamente 399.000 pessoas a cada ano por hepatite C, principalmente por carcinoma hepatocelular e cirrose, tornando a hepatite C um grave problema de saúde pública.2
Com a caracterização do perfil epidemiológico dos usuários com hepatite C, é possível identificar um “grupo de risco”, fornecendo aos gestores e profissionais de saúde locais, dados atualizados para que haja planejamento e implementação de ações preventivas, ampliação e agilidade do diagnóstico, buscando a diminuição da transmissão da doença e, consequentemente, diminuição da morbimortalidade causada por ela.
2 OBJETIVO
Caracterizar o perfil epidemiológico dos usuários com hepatite C no município de Rondonópolis – MT, no período de 2008 a 2018.
3 MÉTODO
Trata-se de um estudo quantitativo, descritivo e retrospectivo, dos casos confirmados e notificados de hepatite C no município de Rondonópolis, Mato
11
Grosso, no período de 2008 a 2018. Foram registradas 291 notificações de hepatite C.
Os dados utilizados no estudo foram obtidos a partir do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), disponibilizado pelo Ministério da Saúde, através do DataSUS. Os dados de 2015 a 2018 foram atualizados em 31 da janeiro de 2019 e estão sujeitos à revisão.
O critério de seleção foi a completude dos registros no que se referem as variáveis selecionadas para a caracterização do perfil epidemiológico dos usuários, sendo elas: sexo, faixa etária, etnia, escolaridade, forma clínica, mecanismo de infecção, trimestre gestacional e ano de notificação.
O critério de exclusão foi pelos dados em que as variáveis que não estavam relacionadas à caracterização do perfil epidemiológico dos usuários, como aspectos geográficos e organizacionais do município, por exemplo.
A análise das planilhas e a confecção dos gráficos foram realizadas com o programa Microsoft Excel® 2013. O tratamento estatístico foi mediante análise descritiva, pelo cálculo dos valores absolutos e percentuais do período analisado.
Os resultados foram obtidos a partir de dados secundários e, em virtude da coleta ocorrer por meio de um sistema de informação de domínio público, foi dispensada a necessidade de apreciação do estudo pelo Comitê de Ética em Pesquisa (CEP), de acordo com a Resolução nº 466/2012 do Conselho Nacional de Saúde. No que se refere ao sigilo e anonimato, ressalta-se que os pesquisadores não tiveram acesso à identidade dos usuários das notificações.
O estudo foi realizado na cidade de Rondonópolis, fundada em 10 de agosto de 1915. A cidade está localizada na região sul de Mato Grosso, a 210 quilômetros da capital Cuiabá. Em 2019, a população estimada era de 232.491 habitantes e área
12
territorial de 4.686,622 km².A taxa de escolarização de 6 a 14 anos de idade é cerca de 98,4%.6
4 RESULTADOS
A partir dos dados analisados, do período de 2008 a 2018, em Rondonópolis, Mato Grosso, foram notificados 291 casos de hepatites C.
Relacionado ao sexo, no período analisado, foram 165 (56,70%) casos em usuários do sexo masculino e 126 (43,30%) do sexo feminino.
Figura 1. Total de notificações por sexo e ano de diagnóstico.
Rondonópolis, MT, Brasil, 2008 a 2018. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Em relação a faixa etária, no período analisado, foram notificados 169 casos (58,08%) em usuários 40 a 59 anos, 68 de 20 a 39 anos (23,37%), 21 (7,22%) de 60 a 64 anos, 16 (5,50%) de 65 a 69 anos, 6 (2,06%) de 70 a 79 anos, 4 (1,37%) de 15 a 19 anos, 4 (1,37%) de 80 anos ou mais, 2 casos (0,69%) em menores de 1 ano e 1 (0,34%) caso de 1 a 4 anos.
4,85% 2,42% 4,24% 4,85% 15,15% 13,94% 10,30% 12,12% 8,48% 14,55% 9,09%
2,38% 6,35% 0,00% 10,32% 17,46% 7,14% 13,49% 14,29% 15,08% 8,73% 4,76%
2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8
Sexo Masculino Sexo Feminino
13
Analisando a variável etnia, foram notificados 134 autodeclarações pardas (46,05%), 115 brancas (39,52%), 18 pretas (6,19%), 16 ignoradas/em branco (5,50%), 6 amarelas (2,06%) e 2 indígenas (0,69%).
Figura 2. Frequência de infectados com hepatite C relacionada à escolaridade dos usuários, no período de 2008 a 2018. Rondonópolis, Mato Grosso, Brasil. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Analisando a variável forma clínica, foram 172 (59,11% do total) casos de hepatite aguda, sendo 91 (52,91%) do sexo masculino e 81 (47,09%) do sexo feminino. Foram 110 (37,80% do total) casos de hepatite crônica, sendo 68 (61,82%) casos em usuários do sexo masculino e 42 (38,18%) casos do sexo feminino. Foram 6 (2,02%) casos por forma inconclusiva, sendo 5 (83,33%) casos em usuários do sexo masculino e 1 (16,67%) caso do sexo feminino, em 2014. No total, 4 (1,37%) notificações não foram preenchidas, ficando como ignorado/branco.
16,49%
2,41%
16,84%
1,37%
31,27%
6,53%
4,12%
16,15%
1,37%
2,41%
1,03%
Ign/Branco Analfabeto 1ª a 4ª série incompleta do EF 4ª série completa do EF 5ª a 8ª série incompleta do EF Ensino fundamental completo Ensino médio incompleto Ensino médio completo Educação superior incompleta Educação superior completa Não se aplica
14
Figura 3. Total de infectados com Hepatite C por fonte/mecanismo de infecção. Rondonópolis, MT, Brasil, 2008 a 2018. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Figura 4. Casos de Hepatite C confirmados por ano de diagnóstico.
Rondonópolis, MT, Brasil, 2008-2018. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
Em gestantes, foram notificados 10 casos no período analisado. De acordo com a idade gestacional, foram notificados 6 (60%) casos no segundo trimestre, 2 (20%) casos no primeiro trimestre e 2 (20%) casos no terceiro trimestre. O percentual
14%
3%2%
1%1%
77%
2%
Ign/Branco Sexual
Transfusional Uso de Drogas Injetáveis
Acidente de Trabalho Tratamento Dentário
Pessoa/pessoa Outros
3,78% 4,12% 2,41% 7,22% 16,15% 11,00% 11,68% 13,06% 11,34% 12,03% 7,22%
2 0 0 8 2 0 0 9 2 0 1 0 2 0 1 1 2 0 1 2 2 0 1 3 2 0 1 4 2 0 1 5 2 0 1 6 2 0 1 7 2 0 1 8
15
foi calculado com as notificações em que foi definido o semestre gestacional. Foram 5 notificações ignoradas/em branco, 45 “não” e 231 “não se aplica”.
VARIÁVEL n %
Sexo
Masculino 165 56,70
Faixa Etária
40-59 anos 169 58,08
Raça
Parda 134 46,05
Escolaridade
5ª a 8ª série incompleta do EF 91 31,27
Forma Clínica
Hepatite Aguda 172 59,11
Mecanismo de Infecção
Pessoa para Pessoa 226 77,66
Gestante
2º Trimestre 6 60
Ano de Notificação
2012 47 16,15
Figura 5. Maior frequência por variável relacionada a hepatite C, Rondonópolis, Mato Grosso, no período de 2008 a 2018. Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN).
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DISCUSSÃO
No período analisado, segundo o ano de notificação, 2012 foi o ano que apresentou a maior frequência de casos, com 47 (16,15%) notificações. Estudos mostram o aumento dos casos nos últimos anos e, consequentemente aumento dos gastos públicos, como mostra um estudo realizado no nordeste brasileiro, que apresentou o impacto financeiro, decorrente de internações para o tratamento das hepatites virais no período de 2013 a 2017. A pesquisa demonstra que foram registradas 4.317 internações, gerando um impacto financeiro superior a R$1,3 milhões aos cofres públicos dos 9 estados da região.7
De acordo com a forma clínica, a hepatite aguda apresentou 172 casos, representando 59,11% das notificações do presente estudo. Um artigo de revisão mostrou que, cerca de 80 a 85% dos infectados agudamente, não conseguem se curar completamente da infecção, progredindo para infecção crônica.3 Outro estudo sobre o perfil epidemiológico da hepatite C no Brasil ressaltou, no período de 2016 a 2018, os índices de rastreamento da hepatite C na fase aguda são baixos, provavelmente por conta do difícil diagnóstico e ausência de exames imunológicos mais precisos.
Por esses fatores, a hepatite C é a mais letal dentre os cinco tipos de hepatites, com altos índices de desenvolvimento de hepatocarcinoma e cirrose, que em sua maioria evoluem para transplante ou óbito.8
Em relação à variável sexo, predominou o masculino, com 165 casos (56,70%).
Segundo publicações de anos anteriores do MS, entre os 228.695 casos confirmados de hepatite C, desde 1999, 131.955 (57,7%) ocorreram em indivíduos do sexo masculino e 96.657 (42,3%) em indivíduos do sexo feminino.4 Um estudo que estudou
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a atuação da enfermagem na saúde do homem, concluiu que existe resistência masculina na procura de cuidados e acesso à saúde.9
Relacionado à fonte/mecanismo de infecção, a maior frequência 226 (77,66%), foi de pessoa para pessoa. Esse resultado contrapõe estudos nacionais, que evidenciaram como principais fontes de infecção o compartilhamento de agulhas durante o uso de drogas (12,6%), seguido de transfusão sanguínea (10,8%) e de relação sexual desprotegida (8,9%).4
Em 2018, a proporção de infecções por via sexual (8,9%) foi superior ao percentual de infecções relacionadas ao uso de drogas (7,9%), e a proporção de infecções por via transfusional foi de 6,8%.4 Um estudo de literatura realizado em Anápolis-GO no período de 2013 a 2014, ressaltou a importância dos profissionais de saúde, pois, podem intervir na cadeia de transmissibilidade, através de atividades preventivas e assistenciais, para minimizar o problema.10
Em relação à faixa etária, foram 169 casos entre 40 e 59 anos (58,08%). Um estudo realizado em Minas Gerais apresentou resultado semelhante, com ocorrência mais frequente nesta faixa etária.11 Por outro lado, encontra-se estudo de literatura em que foi aplicada a análise multivariada nos dados das hepatites B e C, com resultados divergentes do presente estudo, onde a maior variabilidade foi na categoria 25 anos para hepatite C.12
De acordo com a variável escolaridade, 5ª a 8ª série incompleta foi a maior frequência, com 91 casos (31,27%). Um estudo realizado em Minas Gerais, no período de 2005 a 2014, mostrou que, a partir de 2007, os mais acometidos foram aqueles com quinta a oitava série incompletas do ensino fundamental.11 Esse dado se torna relevante porque, à medida que há um aumento no nível de escolaridade, o percentual de usuários que utilizam preservativo é maior.13
18
No presente estudo, os usuários autodeclarados pardos representou 134 dos casos (46,05%). Publicações do Ministério da Saúde mostram que, em 2018, 58,1% dos casos notificados no Brasil foram referidos como brancos e 30,9% como pardos, seguidos por 9,9% como pretos, 0,9% como amarelos e 0,3% como indígenas.4 Um estudo sobre as vulnerabilidades dos jovens brasileiros às Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), mostrou que os jovens indígenas estão em maior vulnerabilidade.14
Em relação às gestantes, ocorreu o maior número de casos no segundo trimestre gestacional, com 6 casos, representando 60% do total de gestantes. Um estudo com 58 gestantes portadoras do HCV, identificou uma taxa de Transmissão Vertical (TV) de 13%, havendo associação significativa entre a TV do VHC e alta viremia materna.15
5 CONCLUSÃO
Pode-se concluir que o perfil epidemiológico dos usuários com hepatite C, no município de Rondonópolis-MT caracterizou-se por usuários do sexo masculino, com faixa etária entre 40 e 59 anos, etnia parda, escolaridade de 5ª a 8ª série incompleta, infectados pelo mecanismo de transmissão pessoa/pessoa com apresentação da forma clínica aguda. Foi encontrada maior frequência no ano de 2012.
O estudo permitiu caracterizar o perfil epidemiológico proposto, dentro das limitações de dados disponíveis no SINAN. As características encontradas se assemelham aos de perfis caracterizados pela maioria de outros estudos aqui mencionados e possibilitam a realização de futuras atividades educativas direcionadas à população. Ressalta-se que os achados desta investigação
19
possibilitam aos gestores e profissionais de saúde locais, o planejamento e implementação de ações que visam a melhoria da assistência dos serviços de saúde prestada aos usuários e, consequentemente, diminuição da frequência desse agravo.
Destaca-se o papel fundamental da equipe multiprofissional na Atenção Básica como porta de entrada do usuário ao SUS, principalmente o papel dos profissionais enfermeiros, que são capacitados para realização dos testes rápidos e orientações acerca da hepatite C, sendo imprescindíveis no processo de diagnóstico das hepatites virais no Brasil.
Também foi possível observar possíveis falhas no preenchimento das fichas de notificação, resultando na ausência de dados, citados no estudo como ignorados/em branco.
Torna-se necessária a melhoria na qualidade dos programas de saúde do homem/trabalhador, com o intuito de aumentar o acesso dos usuários aos serviços de saúde.
Faz-se necessária a realização de novas pesquisas para compreender melhor esse agravo e avaliar as características epidemiológicas da região, para que os conhecimentos gerados possam contribuir com a qualidade de uma assistência humanizada e qualificada.
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