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ESTRESSE OCUPACIONAL: estudo com gestores de um hospital público regional do estado de Minas Gerais

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(1)

CENTRO UNIVERSITÁRIO UNIHORIZONTES

Programa de Pós-Graduação em Administração Mestrado

Ana Paula Lara de Vasconcelos Ramos

ESTRESSE OCUPACIONAL: estudo com gestores de um hospital

público regional do estado de Minas Gerais

(2)

Ana Paula Lara de Vasconcelos Ramos

ESTRESSE OCUPACIONAL: estudo com gestores de um hospital

público regional do estado de Minas Gerais - MG.

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado Acadêmico em Administração do Centro Universitário Unihorizontes, como requisito parcial para obtenção do título de Mestre em Administração.

Orientador: Prof. Dr. Luciano Zille Pereira Área de concentração: Organização e estratégia

Linha de pesquisa: Relações de poder e dinâmicas nas organizações

(3)

Ficha elaborada pela Bibliotecária do Centro Universitário Unihorizontes. – Viviane Pereira CRB6 1663

-RAMOS, Ana Paula Lara de Vasconcelos Ramos. R176e

Estresse ocupacional: estudo com gestores de um hospital público regional do Estado de Minas Gerais. Belo Horizonte: Centro Universitário Unihorizontes, 2017.

160p.

Orientador: Dr. Luciano Zille Pereira

Dissertação (Mestrado) – Programa de Mestrado em Administração – Centro Universitário Unihorizontes.

1. Estresse ocupacional – gestão pública - hospital I. Ana Paula Lara de V. Ramos II. Centro Universitário Unihorizontes Programa de Mestrado em Administração. III.

Título.

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DECLARAÇÃO DE REVISÃO DE DISSERTAÇÃO DE MESTRADO

Declaro ter procedido à revisão da dissertação de mestrado “ESTRESSE OCUPACIONAL: estudo com gestores de um hospital público regional de Minas Gerais”, de autoria de Ana Paula Lara de Vasconcelos Ramos, sob a orientação do Professor Doutor Luciano Zille Pereira, apresentada ao Curso de Mestrado Acadêmico em Administração do Centro Universitário Unihorizontes - Área de Concentração; “Organização e Estratégia”.

Dados da revisão:

 Correção gramatical

 Adequação do vocabulário

 Inteligibilidade do texto

Belo Horizonte, 12 de novembro de 2017.

Registro LP9602853/DEMEC/MG

(6)

AGRADECIMENTOS

A “DEUS”, que é a minha fonte de energia, estando presente em todos os momentos da minha vida, proporcionando-me saúde, força e entendimento para conseguir chegar ao final deste Mestrado.

Aos meus Pais, exemplos da minha vida, que plantaram em seus filhos a semente da persistência, da autoconfiança e da ética. Obrigada pelo apoio incondicional e pelas palavras de amor, carinho e incentivo.

Ao meu amado marido, que foi, muitas vezes, companheiro de viagem. Obrigada por compreender os meus sonhos e sonhá-los comigo, deixando a minha jornada mais leve com seu amor e apoio.

Aos meus filhos, por entenderem a minha ausência, pelas palavras de carinho e amor e, principalmente, por serem a maior fonte de força no meu dia a dia, meus maiores incentivadores e o sentido da minha vida.

Aos meus irmãos, que sempre torceram por mim, acreditando no meu potencial. Em especial, à Tânia e ao Tullio, por me apoiarem incondicionalmente.

A família Ramos, especialmente D. Irony e Sr. Jaime, por me ajudarem incondicionalmente, acolhendo meus filhos na minha ausência, sendo um suporte para que eu conseguisse chegar nesse final.

Aos colegas de mestrado, turma alegre e divertida, que fizeram meus finais de semanas mais leves e descontraídos. Em especial, a Lilian, Catarina, Andressa, Nair e Cida. Levo comigo a amizade que construímos, que não tem preço e será eterna.

Aos meus amigos e companheiros de estrada, Cláudia, Heraída, Oswaldo e Gustavo, pelas horas compartilhadas e pelos momentos de alegria e incentivo.

(7)

Aos meus gestores diretos, grandes colegas e amigos, que, com palavras simples e sinceras, me ajudaram a continuar, não medindo esforços para que chegasse a essa conquista. Em especial, à Dra. Adriana pelos seu apoio e amizade,

A FHEMIG e ao Hospital Regional, por intermédio de seus funcionários, que, mesmo com as limitações de tempo, propuseram-se a participar da pesquisa, permitindo que conseguisse realizar este estudo.

A todos os professores e funcionários do Centro Universitário Unihorizontes, pelo conhecimento dispendido e pelo direcionamento. Em especial, a Vãnia e Raquel, que, com carinho, muitas vezes me ajudou para que o trajeto percorrido durante todo o mestrado fosse mais sereno e tranquilo.

(8)

“Por vezes sentimos que aquilo que fazemos não é senão uma gota de água no mar. Mas o mar seria menor se lhe faltasse uma gota”

(9)

RESUMO

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mecanismo de regulação não ingressou no modelo, indicando que, em termos multidimensionais, ela não é necessária para a predição dos níveis de estresse ocupacional. Assim, a Hipótese 1, deste estudo foi parcialmente confirmada, uma vez que o modelo proposto não contou com a variável mecanismos de regulação.

Os resultados Também apontaram que os gestores que apresentaram maiores níveis de estresse têm, em média, maiores escores de indicadores de impacto no trabalho, confirmando a Hipótese 2 proposta por este estudo.

(11)

ABSTRACT

The performance of health managers presents as an expressive source of tension, causing manifestations of stress as a result of the occupational activity they perform, compromising their emotional and physical health. In this context, it is very important to carry out studies in environments where service delivery is the health of society.

(12)

of stress have, on average, higher scores of indicators of work impact, confirming Hypothesis 2 proposed by this study.

(13)

LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1 - Modelo básico de origem do estresse ... 54

Figura 2 - Modelo dinâmico de estresse ocupacional ... 55

Figura 3 - Modelo demanda-controle de Karasek ... 56

Figura 4 - Modelo teórico que explica o estresse ocupacional em gerentes ... 58

Figura 5 - Hipótese 1 ... 59

Figura 6 - Hipótese 2 ... 59

Figura 7 - Esquema explicativo do gráfico Box Plot ... 66

Quadro 1 - Fatores de estresse e fontes de pressão no trabalho ... 38

(14)

LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Distribuição dos pesquisados por gênero ... 75

Gráfico 2 - Distribuição dos pesquisados por idade ... 75

Gráfico 3 - Distribuição dos pesquisados por estado civil ... 76

Gráfico 4 - Distribuição dos sujeitos pesquisados por nível de escolaridade ... 76

Gráfico 5 - Distribuição dos pesquisados por nível hierárquico ... 77

Gráfico 6 - Distribuição dos pesquisados por tempo de atuação no cargo ... 78

Gráfico 7 - Distribuição dos pesquisados por carga horária semanal ... 80

Gráfico 8 - Distribuição dos pesquisados por trabalho em outro local ... 81

Gráfico 9 - Distribuição dos pesquisados por hábitos de fumar ... 82

Gráfico 10 - Distribuição dos pesquisados por frequência com que os pesuisados têm fumado ... 83

Gráfico 11 - Distribuição dos pesquisados por consumo de bebida alcoólica ... 84

Gráfico12- Distribuição dos pesquisados por unidades de bebida alcoólica consumida em média por semana ... 85

Gráfico 13 - Distribuição dos pesquisados por frequência com que os pesquisados têm bebido nos últimos três meses ... 86

Gráfico 14 - Distribuição dos pesquisados por prática de hobbie. ... 87

Gráfico 15 - Distribuição dos pesquisados por tipos de hobbie mais praticados pelos sujeitos da pesquisa ... 87

Gráfico 16 - Distribuição dos pesquisados por ocorrência de problema de saúde .... 88

Gráfico 17 - Análise descritiva do estresse ocupacional por nível hierárquico – Box Plot ... 93

Gráfico 18 - Análise descritiva das fontes de tensão no trabalho por nível hierárquico Box Plot ... 98

Gráfico 19 - Análise descritiva do fontes de tensão do indivíduo por nível hierárquico Box Plot ... 104

Gráfico 20 - Análise descritiva das fontes de tensão específica do trabalho do gerente por nível hierárquico Box Plot ... 108

Gráfico 21 - Análise descritiva dos indicadores de impacto no trabalho por nível hierárquico –Box Plot ... 113

(15)

LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Distribuição da população e da amostra por nível hierárquico ... 62

Tabela 2 - Critérios para a análise do estudo ... 65

Tabela 3 - Unidades funcionais dos gestores... 72

Tabela 4 - Distribuição dos gestores por setor de trabalho ... 79

Tabela 5 - Distribuição dos pesquisados por tipos de problema de saúde ... 88

Tabela 6 - Análise do nível de estresse ... 90

Tabela 7 - Análise do nível de estresse por nível gerencial ... 91

Tabela 8 - Frequência dos sintomas relacionados ao estresse ocupacional ... 94

Tabela 9 - Análise das fontes de tensão no trabalho ... 96

Tabela 10 - Análise do nível de tensão no trabalho por nível gerencial ... 97

Tabela 11 - Frequência dos indicadores de fontes de tensão no trabalho ... 99

Tabela 12 - Análise das fontes de tensão do indivíduo ... 101

Tabela 13 - Análise do nível de tensão do indivíduo por nível hierarquico ... 102

Tabela 14 - Indicadores de fontes de tensão e manifestação de estresse ... 104

Tabela 15 - Análise das fontes de tensão específica do trabalho do gestor ... 105

Tabela 16 - Análise das fontes de tensão específica do trabalho do gestor por ... 106

Tabela 17 - Indicadores de fontes de tensão específica do trabalho do gestor ... 109

Tabela 18 - Análise dos indicadores de impacto no trabalho ... 110

Tabela 19 - Análise descritiva dos indicadores de impacto no trabalho por nível gerencial ... 111

Tabela 20 - Frequência dos indicadores de impacto no trabalho ... 113

Tabela 21 - Análise descritiva do nível de atuação dos mecanismos de regulação 115 Tabela 22 - Análise descritiva do nível de atuação dos mecanismos de regulação por nível gerencial ... 116

Tabela 23 - Frequência dos indicadores de mecanismos de regulação ... 118

Tabela 24 - Teste de comparação de tendência central (Mann Whitney) ... 120

Tabela 25 - Sumário do modelo de regressão (b) entre estresse ocupacional e fontes de tensão no trabalho, fontes de tensão do indivíduo, fontes de tensão específicos do trabalho de gestor e mecanismos de regulação ... 122

(16)

LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

ANPAD - Associação Nacional de Pós-Graduação e Pesquisa em Administração CTI - Centro de Terapia Intensiva

CV - Coeficiente de variação DP - Desvio padrão

FHEMIG - Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais FREQ - Frequência

FTI - Fontes de Tensão do Indivíduo FTT - Fontes de Tensão no Trabalho

IMPACTOS - Indicadores de impactos na produtividade MÁX. - Máximo

MECREGUL - Mecanismos de regulação MED. - Média

MÍN. - Mínimo

MTGE - Modelo Teórico de Explicação do Estresse Ocupacional em Gerentes OCDE - Organização para Cooperação e o Desenvolvimento Econômico OIT - Organização Internacional do Trabalho

OMS - Organização Mundial da Saúde SCIELO - Scientific Electronic Library Online

SINTOMAS Sintomas de estresse SUS - Sistema Único de Saúde

(17)

SUMÁRIO

1

INTRODUÇÃO... 15

1.1 Problema de pesquisa ... 19

1.2 Objetivos da pesquisa ... 22

1.2.1 Objetivo geral ... 22

1.2.2 Objetivos específicos ... 22

1.3 Justificativas ... 22

2

REFERENCIAL TEÓRICO ... 25

2.1 Gestão pública na área de saúde ... 25

2.1.1 A gestão hospitalar ... 27

2.1.2 A gestão hospitalar em instituições públicas ... 28

2.2 O estresse e seu contexto geral ... 31

2.2.1 Tipologias de estresse ... 35

2.2.2 Estresse ocupacional ... 36

2.2.3 Fontes de tensão no trabalho ... 38

2.2.4 Sintomas de estresse ... 40

2.2.5 Estratégias de enfrentamento do estresse ... 41

2.2.6 Estresse ocupacional em gestores ... 43

2.2.7 Pesquisas relacionadas ao estresse ocupacional em gestores e profissionais da área da saúde ... 44

2.2.8 Modelos teóricos explicativos do estresse ocupacional ... 53

3

METODOLOGIA DA PESQUISA ... 60

3.1 Tipo, abordagem de pesquisa e método ... 60

3.2 População, amostras e sujeitos ... 61

3.3 Coleta de dados ... 62

3.4 Análise dos dados ... 64

4

AMBIÊNCIA DA PESQUISA ... 69

4.1 Fundação Hospitalar de Minas Gerais – FHEMIG ... 69

4.2 Hospital Público Regional ... 70

4.2.1 Estrutura física e unidade funcional ... 72

5

APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS RESULTADOS ... 74

5.1 Variáveis demográficas e funcionais e hábitos de vida e de saúde dos gestores... 74

5.1.1 Variáveis demográficas ... 74

5.1.2 Variáveis funcionais ... 77

5.1.3 Hábitos de vida e saúde ... 82

5.2 Análise das variáveis inerentes ao estresse ... 90

5.2.1 Sintomas de estresse ... 93

5.2.2 Fontes de tensão ... 95

5.2.2.1 Fontes de tensão no trabalho ... 96

5.2.2.2 Fontes de tensão do indivíduo ... 100

5.2.2.3 Fontes de tensão específica do trabalho do gestor ... 105

(18)

5.2.4 Mecanismos de regulação ... 115 5.3 Relação entre estresse ocupacional e variáveis demográficas, funcionais,

hábitos de vida e saúde ... 119 5.4 Relação do estresse ocupacional com fontes de tensão do trabalho, fontes

de tensão do indivíduo, fontes de tensão específica do gerente,

mecanismos de regulação e indicadores de impacto no trabalho ... 121 5.4.1 Análise da relação entre estresse ocupacional e fontes de tensão no

trabalho, fontes de tensão do indivíduo, fontes de tensão específica do trabalho do gerente e mecanismos de regulação ... 122 5.6 Análise da relação entre estresse ocupacional e indicadores de impacto no

trabalho... 124

6

CONCLUSÕES ... 127

REFERÊNCIAS ... 133

ANEXO A ... 144

(19)

1 INTRODUÇÃO

É por meio do trabalho que o homem constrói sua identidade, estabelecendo relações sociais e criando paradigmas de poder e propriedade. Determinando, assim, a própria sociedade (ZANELLI; SILVA; SOARES, 2010; HELOANI; LANCMAN, 2004). Para Lukács (1979) dessa maneira que se cria a essência do ser social. O trabalho pode, então, ser considerado uma forma de existência social.

O trabalho conserva um lugar importante na vida do indivíduo. Em diferentes pesquisas realizadas pelo Meaning of Work International Research Team (MOW) em

oito países, questionou-se: Sevocê tivesse dinheiro suficiente, para viver o resto de sua vida confortavelmente sem trabalhar, qual seria a sua postura em relação ao trabalho? Os resultados apontaram que 80% continuariam trabalhando, porém em condições diferentes. Os principais motivos levantados apontados foram: a importância do relacionamento com outras pessoas, sentimento de pertencimento, sentir-se útil, evitar o vazio existencial e dar sentido e objetivo de vida (MOW, 1987; MORIN, 2001).

O trabalho é percebido e sentido como uma contribuição para a auto realização e o desenvolvimento humano. Nele-se projeta a felicidade, por meio de um sentimento estável de satisfação (SILVA; TOLFO, 2012). Dessa forma, “o trabalho tem um papel importante na vida do homem, relacionando-se à sua dinâmica psíquica e consolidação de sua identidade” (HOFFMAN; ZILLE, 2017, p. 88).

O trabalho está relacionado ao poder do trabalhador de sentir, pensar, inventar, criar e recriar seu fazer cotidiano nas organizações de trabalho (DEJOURS, 2004).

(20)

O trabalho torna-se uma referência para o indivíduo, não só pela dinâmica do trabalho em si, mas também pelas relações existentes (ZANELLI; SILVA; SOARES, 2010).

Para Metzker, Moraes e Zille (2012), o trabalho é fonte de muitas realizações e de diversas necessidades humanas, como: manutenção das relações, realização pessoal e necessidades de sobrevivência. Porém, pode ser considerado também como fonte de sofrimento e adoecimento, quando extrapola limites que comprometem a saúde do trabalhador eles não conseguem se adaptar ou, até mesmo, se desvencilhar de tais riscos, mediante a utilização de mecanismos de enfrentamentos.

O trabalho também pode construir ou desconstruir uma identidade positiva, pois o indivíduo passa uma imagem do que é, influenciado por aquilo que faz e por aquilo que sente, por meio de sua satisfação ou insatisfação (SILVA; TOLFO, 2012).

As organizações definem que os profissionais devem estar aptos a trabalhar em equipe e ser capazes de executar ações flexíveis em prol do trabalho, com iniciativa e orientadas para resultados (MELO; CASSINI; LOPES, 2011).

Essa realidade condiciona os trabalhadores a estarem prontos para enfrentar os elevados desafios, que permeiam as mudanças constantes do ambiente de trabalho, com exigência de adaptação rápida, impondo ao trabalhador o aumento da capacidade de assimilar conhecimentos de diversas áreas e habilidades para analisar com rapidez os problemas, tomando decisões para solucionar em sistemas complexos, ocupados por pessoas e máquinas (ROTTA, 2008).

(21)

Há de considerar que a dinâmica do trabalho, diante das transformações na natureza do trabalho provocadas pelas exigências de obter o melhor desempenho, projeta tensões no ambiente laboral, impactando o trabalhador. Daí é que pode surgir o estresse (ULHÕA et al., 2011).

O estresse ocupacional é definido por Couto (1987; 2014) como um desgaste anormal do indivíduo, com redução da efetivação do trabalho em detrimento do elevado grau de tensões prolongadas vivenciadas e de sua capacidade de tolerar, superar e/ou se adaptar às exigências do ambiente laboral.

De acordo com a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o estresse é um conjunto de fenômenos orgânicos e psíquicos manifestados no trabalhador, e que pode prejudicar sua vida pessoal e profissional (BRASIL, 2001). O estresse intenso ou prolongado pode gerar vulnerabilidade para doenças emocionais e orgânicas do indivíduo (COOPER et al., 2001).

Ainda segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o estresse, é caracterizado como uma epidemia global. Apenas no Brasil 70% da população apresenta estresse, sendo que 30% dela chega a ter níveis elevados. Isso é consequência da vida acelerada que as pessoas levam, gerando elevados gastos para o sistema público de saúde (SANTANA, 2012).

O estresse ocupacional se desenvolve a partir da ocorrência do desequilíbrio psíquico entre as exigências das práticas diárias e a estrutura psíquica do indivíduo na atividade laboral. Tem relação com a forma como o profissional equilibra as tensões diárias vividas em sua função e sua capacidade psicológica de resistência (BRAGA; ZILLE; MARQUES, 2014).

(22)

No âmbito das organizações públicas de saúde no Brasil, o movimento da Reforma Sanitária fomentou o princípio da democratização, adotando propostas quanto aos modelos assistenciais e de gestão estratégica. Os desafios encontrados nas instituições públicas de saúde, prende-se à gestão do compromisso com o atendimento à saúde e a participação e aprovação de seus funcionários em projetos institucionais o que eleva a responsabilidade deles perante os resultados e, consequentemente, desecandeia mudanças no processo assistencial (AZEVEDO, 2002).

O setor de prestação de serviços de saúde envolve um conjunto de atividades voltadas para o consumo coletivo, sofrendo impactos consideráveis, devido às transformações tecnológicas e institucionais. Ele é intenso no consumo de mão de obra, empregando profissionais com qualificações especializadas. Esses profissionais são atingidos pela precarização do trabalho em ambientes competitivos e individualizados (SARRETA, 2012).

Quando se analisa a realidade do ambiente ocupacional vivenciada pelos trabalhadores da saúde pública, salientam-se más condições de trabalho, recursos insuficientes, ineficiência na comunicação com os superiores, elevada carga de trabalho, falta de recursos materiais e humanos e conflito de trabalho em equipe e inter-relações humanas (SANTOS; CARDOSO, 2010; OLIVEIRA; CUNHA, 2014).

Pesquisa realizada por Santana et al. (2016) com 1050 trabalhadores de um hospital

(23)

1.1 Problema de pesquisa

Considera-se que o estresse ocupacional é uma reação do indivíduo ao seu ambiente de trabalho, que, de alguma forma, o atinge, produzindo reflexos direto em seu desempenho (PERES et al., 2016).

Ao abordar o estresse ocupacional, evidenciam-se fatores psicológicos inerentes à atividade laboral e suas principais consequências prejudiciais à qualidade de vida do empregado, assim como os efeitos negativos, refletidos na eficiência do seu trabalho, com reflexos na instituição (GONÇALVES, 2015).

De acordo com Zaneeli (2010), a causa do desgaste dos trabalhadores localizada no ambiente de trabalho tem origem em: sobrecarga de trabalho, remuneração insuficiente ou falta de controle financeiro, conflitos de relacionamento, ausência de equidade e valores conflitantes. Os trabalhadores que se submetem a essas condições desfavoráveis poderão ter consequências no longo prazo, causando ou acelerando o desencadeamento de sintomas psíquicos e/ou orgânicos.

Entre as ocupações com alta carga de tensão diária estão os gestores, pois as constantes mudanças organizacionais estão contribuindo para a insegurança desses profissionais na atividade laboral. Essa insegurança, decorre de: instabilidade em relação ao futuro, baixo reconhecimento, aumento das exigências por resultados, novos processos e responsabilidades, extensão da jornada de trabalho e novas funções, com a eliminação de outras. Além disso, os gestores têm de administrar conflitos, com muitas demandas de comando (MAFFIA; ZILLE, 2013).

Para Melo, Cassini e Lopes, (2011) um fator que aumenta bastante o estresse nesses trabalhadores é a sobrecarga de trabalho, uma vez que os gestores quase sempre desenvolvem atividades ambíguas, pela cobrança eminente de melhores resultados.

(24)

O profissional de nível gerencial está envolvido em uma cultura empresarial, na qual as mudanças acontecem de forma acelerada, exigindo árduas horas de trabalho, com a percepção de que é necessário empenho total para o sucesso profissional e a obtenção de recompensas materiais. Assim, o gestor passa a lidar com tensões intensificadas e constantes no ambiente de trabalho (BRAGA; ZILLE, 2010; ZILLE; ZILLE, 2010).

Torna-se inconstentável, portanto, a relevância de aprofundar estudos sobre esta categoria de trabalhadores, direcionando as reflexões para o excesso de demandas laborais, aspecto que, diante da incapacidade de realização por parte desses profissionais, pode-se gerar um conjunto de fenômenos no organismo, afetando saúde e o bem-estar (VALERETTO; ALVES, 2013).

O interesse deste estudo centra-se no estresse ocupacional de gestores na área da saúde que prestam seus serviços em instituição hospitalar. Para esses profissionais, existem exigências em relação às competências, mas também ao equilíbrio emocional, pois na prestação de serviço à saúde há uma ligação estreita entre trabalho e trabalhador, com práticas laborais diretas, interruptas e interligadas à fragilidade diante da dor, sofrimento, infelicidade, nervosismo e outros sentimentos desencadeados pelo processo da doença (BATISTA, 2011).

A principal ação do trabalho em saúde é o cuidado ao paciente. Isso vai além dos procedimentos técnicos e dos conhecimentos teóricos, pois envolve constantes cargas emocionais por parte dos profissionais para aliviar o sofrimento e manter a dignidade e o controle em situações de crises, principalmente diante da morte (ZANATTA; LUCCA, 2015).

(25)

É importante que os gestores da saúde estejam cada vez mais capacitados, preparados e qualificados, com competências para tomarem decisões, administrarem problemas e enfrentarem novos desafios, utilizando-se de instrumentos administrativos, como, planejamento, organização, coordenação e controle (MARTINS; WACLAWOVSKY, 2015).

Essas condições no trabalho, todavia podem gerar nesses profissionais o estado de estresse e, consequentemente, comprometer a produtividade, causando desconforto aos usuários do sistema (CARVALHO, 2013).

Pesquisa realizada por Santos (2017) com oito gestores dos níveis estratégicos e intermediários de um hospital filantrópico identificou que no ambiente de trabalho dos gestores existem importantes fontes de tensão, relacionadas a: situação financeira da instituição, mudanças organizacionais, pressão e cobrança em diversos contextos, sobrecarga de trabalho e administração de situações imprevisíveis e/ou complexas. A pesquisa revelou, também, que essas fonte de tensão promovem alterações físicas e psíquicas relacionadas a: insônia, fadiga, dores no estomago, ansiedade, nervosismo e irritabilidade. Foram indetificadas também, alterações orgânicas, que podem estar relacionadas ao estresse, como, gastrite, psoríase, pressão alta e síndrome do pânico. Evidencia-se a vista do exposto que a atuação dos gestores no ambiente hospitalar configura uma fonte de estresse para esses indivíduos. Pesquisa desenvolvida por Gonçalves (2015) com 52 gestores de um hospital público universitário encontrou resultados semelhantes aos de Santos (2017).

(26)

Nesse sentido, o estudo buscará responder à seguinte questão que direcionará a pesquisa: Quais são os níveis de estresse e suas manifestações em gestores de um hospital público?

1.2 Objetivos da pesquisa

Na busca de responder à questão da pesquisa apresentada, foram estabelecidos os seguintes objetivos:

1.2.1 Objetivo geral

Descrever e explicar as manifestações de estresse em gestores que atuam em um hospital público localizado na Macrorregião Noroeste do estado de Minas Gerais.

1.2.2 Objetivos específicos

Para se chegar ao objetivo geral, os seguintes objetivos específicos foram definidos.

a) Identificar e descrever os níveis de estresse, estratificando-os de acordo com a intensidade e o nível hierárquico;

b) Identificar os sintomas prevalentes relacionados ao estresse ocupacional; c) Identificar e descrever as fontes de tensões relacionadas ao trabalho, ao

indivíduo e à função gerencial;

d) Identificar os indicadores de impacto no trabalho decorrentes das manifestações de estresse;

e) Identificar e descrever os mecanismos de regulação (Coping), capazes de

minimizar ou eliminar as fontes de tensão;

f) Explicar as relações entre as manifestações de estresse e as variáveis do estudo.

1.3 Justificativas

(27)

de problemas de sáude, que exigem da gestão hospitalar ser eficaz no atendimento e no direcionamento do tratamento. Essa realidade acaba por impor ao gestor hospitalar reponsabilidades, exigidas pelo Poder Público e pela própria sociedade, requerendo dele a necessidade de administrar os recursos de forma estratégica, além do envolvimento e do sentimento de pertencimento em suas funções, para que melhore os resultados efetivos dos atendimentos prestados no hospital público.

Para o meio acadêmico, acredita-se que o estudo poderá possibilitar a discussão das manifestações de estresse ocupacional em gestores de hospitais públicos, abordando: fontes de tensão encontradas no ambiente laboral, sintomas de doenças físicas e psíquicas, mecanismos de regulação utilizados por esses profissionais e, principalmente, impactos na vida pessoal e profissional.

A percepção da contribuição ao meio acadêmico deu-se a partir do levantamento de publicações nos últimos cinco anos sobre tema “Estresse ocupacional em gestores de hospitais públicos” nas bases de dados: Scielo (Scientic Eletronic Library), Spell (Scientic Periodicals Eletronic Library), Anpad (Associação Nacional dos Programas de Pós Graduação), Singep (Simpósio Internacional de Gestão de Projetos, Inovação e Sustentabilidade, da Uninove) e banco de teses e dissertações da CAPES. Foram utilizadas as palavras chave: gestores hospitalares, estresse em gestores hospitalares, estresse em hospitais públicos, e gestão hospitalar, poucas publicações acerca do tema específico “Estresse em gestores hospitalares”, forma encontradas.

Percebeu-se que a maioria das publicações direcionou suas pesquisas ao profissional de saúde na função técnica no ambiente ocupacional (PAULA et al.,

2010; GUIDO et al., 2011; SELEGHIM et al, 2012; BARBOZA, 2013; OLIVEIRA;

CUNHA, 2014; SANTOS; 2015; FERREIRA et al., 2016). Além, disso, muitas dessas

publicações limitararam-se ao diagnóstico de estresse, a suas causas e aos mecanismos de regulação, não apresentando indentificações de possíveis impactos gerados na produtividade e na vida do indivíduo.

(28)

Para a instituição hospitalar, este estudo fornece informações para subsidiar redefinições futuras na área de Gestão de Pessoas, com informações que indicam manifestações de estresse em gestores, estado que pode proporcionar perdas consideráveis em relação ao contexto laboral. Por meio deste estudo, foi possível identificar fatores estressantes no ambiente de trabalho e manifestações de sintomas físicos e psíquicos, que muitas vezes, são tratadas sem a percepção da causa, mas que afetam a vida profissional e a pessoal dos gestores.

Do ponto de vista social, o estudo sobre estresse no trabalho orienta-se para visões voltadas à responsabilidade social por parte da instituição, podendo significar ganhos na vida do profissional, por meio de qualidade de vida e satisfação no desempenho da função de gestão, como também elevação da qualidade dos serviços públicos de saúde, para atender aos direitos sociais com dignidade e eficácia, desenvolvendo planos sociais.

(29)

2 REFERENCIAL TEÓRICO

Apresenta-se neste capítulo, o referencial teórico, construído para embasar a proposta de pesquisa, contemplando, incialmente, aspectos relativos à gestão pública na área de saúde, gestão hospitalar e gestão hospitalar em instituições públicas. Em seguida aborda-se estresse e seu contexto geral: tipologias de estresse, estresse ocupacional, fontes de tensão no trabalho, sintomas de estresse, estratégias de enfrentamento do estresse, estresse ocupacional em gestores, pesquisa relacionadas ao estresse ocupacional em gestores e profissionais de saúde e modelos teóricos explicativos sobre o estresse no trabalho, com destaque para o MTGE, base de análise do estresse utilizados neste estudo para definições das hipóteses.

2.1 Gestão pública na área de saúde

A Constituição Federal de 1988, em seu art. 196, define a saúde como direito de todos e dever do Estado, que garante, por meio de políticas sociais e econômicas, a redução de doenças e o acesso da sociedade de forma universal e igualitário, por meio de políticas inclusivas (MELLO, 2012).

Em 1990, por intermédio da Lei 8080, foi instituído o Sistema Único de Saúde (SUS), definido no art. 4º da referida lei como “o conjunto de ações e serviços de saúde, prestados por órgãos e instituições públicas federais, estaduais e municipais, da administração direta e indireta e das fundações mantidas pelo Poder Público” (SOUZA; COSTA, 2010).

O sistema Único de Saúde – SUS possibilita o acesso básico da saúde, mediante ações e serviços relativos à promoção da saúde, com controle da qualidade de vida, proteção, com ações preventivas relacionadas a possíveis riscos à saúde e recuperação da saúde, cuidando de pessoas que já estejam doentes ou tenham sido submetidos a qualquer agravo à saúde (OLIVEIRA et al., 2007; CARVALHO, 2013).

(30)

compromisso do Estado brasileiro com os direitos de seus cidadãos (SOUZA; COSTA, 2010).

Por meio de ações assistenciais para a sociedade, as diretrizes do SUS reforçam que todos os cidadãos têm direito à saúde, seja ela disponibilizada nas estâncias públicas nas esferas municipais, estaduais e federal ou em instituições privadas (SOUZA; COSTA, 2010).

“A organização do SUS é regida por cinco princípios, sendo eles: a regionalização e a hierarquização, a resolutividade, a descentralização, a complementariedade e a participação dos cidadãos” (GOMES; OLIVEIRA; SÁ, 2008, p. 3).

Gomes, Oliveira e Sá (2008) e Souza e Costa (2010) apontam que a regionalização e hierarquização voltam-se à disponibilidade dos serviços do SUS para todas as regiões nacionais, com diferentes níveis de atenção, articulando-se a partir da descentralização de responsabilidades pelo conhecimento dos problemas da saúde em áreas delimitadas, de modo a favorecer ações de vigilância epidemiológica, sanitária, controle de vetores e educação em saúde, além de ações voltadas a atenção ambulatorial e hospitalar em todos os níveis de complexidade.

A descentralização representa a distribuição das responsabilidades perante as ações de serviços de saúde em vários níveis governamentais, desde o federal até o municipal, com a participação dos cidadãos, por meio do Conselho Municipal de Saúde (GOMES; OLIVEIRA; SÁ, 2008; SOUZA; COSTA, 2010). Trata-se, assim, de um processo de gestão amplo, em “que cada ator tem o seu papel”, com diretrizes públicas delimitadas e definidas.

Víncula-se ao Sistema Único de Saúde (SUS), Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais públicos, serviços de vigilância sanitária, epidemiológica e ambiental, fundações e instituições de pesquisa acadêmica e cientifica (OLIVEIRA et al., 2007;

CARVALHO, 2013).

(31)

capacidade operacional, alcançando, assim, maior eficiência e efetividade em relação à saúde (CALVO, 1998; BRESSER-PEREIRA, 1998, 2009). O sistema visa obter menores custos e alta qualidade dos serviços pagos pelo Estado, tendo-se em vista a administração dos custos e a otimização do atendimento (BRESSER - PEREIRA, 2009).

2.1.1 A gestão hospitalar

O termo hospital refere-se a estabelecimentos de saúde, com diferentes dimensões de tamanho, que oferecem variadas gamas de serviços, atividades e funções distintas ligadas ao atendimento à saúde. Segundo a Organização Mundial de Saúde, os hospitais são estabelecimentos que garantem atendimentos básicos de diagnósticos e tratamentos, com clínicas organizadas e assistência permanente por profissionais de saúde (BRASIL, 2011).

De acordo com o Ministério da Saúde do Brasil, o hospital

[...] é parte integrante de uma organização médica e social, cuja função básica consiste em proporcionar à população assistência médica integral, curativa e preventiva, sob quaisquer regimes de atendimento, inclusive domiciliar, constituindo-se também em centro de educação, capacitação de recursos humanos e de pesquisas em saúde, bem como de encaminhamento de pacientes, cabendo-lhe supervisionar e orientar estabelecimentos de saúde a ele vinculados tecnicamente (ZANON, 2001, p. 23).

Os hospitais não são percebidos apenas como uma organização, mas também, como uma instituição voltada ao assistencialismo (MELO; SEIXAS, 2004). Trata-se de instituições complexas, que necessitam de intervenções técnicas e específicas para o tratamento e a prevenção no âmbito da saúde com boas práticas de gestão voltadas ao aprimoramento de sua eficiência e eficácia em sua atividade-fim (FARIAS; ARAUJO, 2016).

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importância da aplicação de modelos de gestão democráticos e participativos, pois a divisão de processos e a fixação do profissional em cada processo tendem a produzir alienação e resistência a novos procedimentos (CARVALHO, 2013; FARIAS; ARAUJO, 2016).

Os gestores da instituição hospitalar deverão ter um olhar sistêmico, aproximando os profissionais do resultado de seu trabalho, mediante a adoção de mecanismos que envolvam os profissionais nas decisões, promovendo o sentimento de pertencimento, aproximando-os dos resultados do trabalho e resguardando a valorização e o orgulho profissional (MATOS; PIRES, 2006; FARIAS; ARAUJO, 2016).

Esse cenário não é compartilhado por todas as instituições hospitalares. Estudos publicados entre 2004 e 2015 com gestores públicos e privados mostram que não existe harmonia envolvendo áreas técnicas e gestores, devido à falta de gestão participativa, comunicação horizontalizada, de melhores definições relacionadas aos processos de trabalho e de técnicas para contornar problemas envolvendo relações interpessoais, poucas ferramentas tecnológicas modernas para o processo gerencial e não aplicação de metodologias de gerenciamento (FARIAS; ARAUJO, 2016).

Tais arcabouços de gestão acabam por elevar fragilidades gerenciais no que se refere às estratégias resolutivas e adequadas para a qualidade dos serviços ofertados (LORENZETTI et al., 2014).

2.1.2 A gestão hospitalar em instituições públicas

As instituições públicas hospitalares são coordenadas pelo sistema púbico de saúde, que dita as diretrizes e os processos de atuação, em resposta à demanda da sociedade (SILVA, 2012).

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Legislativo, de acordo com as diretrizes da politica pública de saúde, na busca de atender aos anseios sociais (CALVO, 1998).

Integrados ao sistema único de saúde, os hospitais públicos são fundamentais para o atendimento da sociedade, demandando praticas estratégicas que envolvam planejamentos, com o estabelecimento de objetivos e a mobilização da instituição, em sua totalidade para assegurar a qualidade dos serviços prestados à saúde (CORREIA; BARBOSA; QUINTILIANO, 2008).

As demandas de hospitais públicos são semelhantes às de outras instituições hospitalares atuantes no setor privado, como: solicitação de recursos humanos com diversas habilidades, elevado volume de recursos materiais, investimento em tecnologias modernas, padronização de normas e condutas éticas, planejamento dos procedimentos a serem aplicados e exigência de qualidade aos serviços prestados. Porém, o hospital público é financiado por recursos públicos de saúde, por meio do sistema único de saúde, que, muitas vezes, mostram-se insuficientes para esses investimentos, por estarem atrelados às arrecadações públicas (OLIVEIRA et al., 2007).

Os gestores que trabalham em hospitais públicos utilizam poucos controles relativos a preços e serviços oferecidos, com estruturas e ferramentas básicas de gestão (PAULA et al., 2010; DENHARDT, 2012; SILVA, 2012).

Essa realidade agrava-se quando, culturalmente, a gestão hospitalar pública fixa-se em estratégias e métodos das teorias administrativas tradicionais, clássicas e burocráticas, com estruturas hierarquizadas verticalmente, formalizando as relações de autoridade e de trabalho com base na legalidade (CARVALHO, 2013).

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Neste cenário, a atuação do gestor em um hospital público passa a ser complexa e instável, tendo em vista as fragilidades vivenciadas, como: lentidão na adoção de novas tecnologias de informação e gerenciais, capazes de impactar os processos rudimentares de gestão e de organização de trabalho; barreiras de legislações que restringem a agilidade necessária; e elevada instabilidade na ocupação da função, devido a indicações politicas e partidárias, gerando descontinuidades de processos e, consequentemente, desmotivação profissional (LORENZETTI et al., 2014).

A função de gestão em hospital público requer habilidades de liderança, principalmente na gestão de equipe, de forma a participar, incentivar e ampliar competências do grupo, para gerar compartilhamento, desenvolvimento e sinergia continua, além, de gerir conflitos e administrar discordâncias de opiniões, o que pode promover instabilidades no ambiente organizacional. Nessa perspectiva, pressupõe-se que o gestor deve ter uma visão sistêmica da área de saúde, que priorize as necessidades demandadas pelos profissionais atuantes na frente de trabalho. Isso consequentemente, impactará as demandas dos usuários, em favor de um modelo participativo e integral (SILVA; ROQUETE, 2013).

Silva e Roquete (2013) argumentam que ampliar os conhecimentos e as habilidades, promover o desenvolvimento e a sinergia entre a equipe e lidar com adversidades e instabilidades fazem parte do cotidiano do trabalho do gestor hospitalar. Assim, presume-se que o gestor deve ser um intermediador entre as necessidades demandadas pela sociedade e a execução de um modelo gerencial participativo. Entretanto, para que isso aconteça, cabe aos gestores a função de motivar e sensibilizar as equipes para atingir os resultados, direcionando os profissionais para o trabalho de forma proativa e proporcionando autonomia na execução das funções e iniciativa. Quando esses aspectos não são efetivamente concretizados, os resultados não acontecem de forma satisfatória, causando sentimentos de ineficiência (VILAS BOAS, 2015).

(35)

sedentos por melhores condições de atendimento e profissionais que buscam melhores condições de trabalho e serviços (TAJRA, 2009).

Ressalta-se que os gestores são pessoas e profissionais que estão sujeitos a inseguranças comuns. Considerando a natureza do trabalho, o contexto atual de exigência de resultados e a instabilidade relacionada à ocupação da função, se não houver equilíbrio emocional por parte dos gestores, eles poderão estar vulneráveis ao surgimento do estresse (GONÇALVES, 2015;SANTOS, 2017).

2.2 O estresse e seu contexto geral

O termo estresse tem sido muito discutido no cotidiano das pessoas em ambientes

pessoais e profissionais. Para Zanelli (2010), os conflitos entre as necessidades e as expectativas pessoais e profissionais, diante das mudanças rápidas no contexto social e econômico, podem gerar o desgaste físico e emocional.

De acordo com Zille (2005, p. 61):

[...] as sociedades estão passando por um processo de intensificação do ritmo em que as mudanças acontecem. Aliado a essa conjuntura verifica-se uma deterioração da qualidade de vida dos indivíduos. Dessa forma, o estresse apresenta-se como uma variável importante, que vem atingindo as pessoas de forma geral. Cada período da história contribui de maneira positiva para o desenvolvimento global, mas cobra um preço por esse benefício, sendo o estresse um dos preços mais habituais da atual época de turbulência sócio-cultural por que passa a humanidade (ZILLE, 2005, p.61).

Para Filgueiras e Hippert (1999), o estresse passou a ser responsável por quase todos os males que afligem os indivíduos atualmente, principalmente em decorrência da vida moderna, com as constantes pressões vividas.

De acordo com Limongi-França e Rodrigues (2005, p. 36), o estresse pode ser entendido como

(36)

Explica Couto (1987, p.16), sobre o estresse:

Um estado em que ocorre um desgaste anormal da máquina humana e/ou uma diminuição da capacidade de trabalho, ocasionados basicamente por uma incapacidade prolongada do indivíduo tolerar, superar ou adaptar às exigências da natureza psíquica existentes no seu ambiente de vida (COUTO, 1987, p. 16).

Pode-se definir estresse como uma reação do organismo a uma situação ameaçadora diante de agentes estressantes.

Desta forma, seriam então, entendidos como eventos estressantes tanto os episódios coletivos, como guerra ou terremoto [...], como os eventos ambientais de caráter pessoal como a perda de um amigo ou a troca de emprego (SARDA JUNIOR; LEGAL; JABLONSKI JUNIOR, 2004, p. 111).

O estresse é uma reação específica do organismo dinate das exigências que ameaçam seu equilíbrio, fazendo com que as respostas do organismo provoquem uma síndrome que independe da natureza e do estímulo vivenciado (MARQUES; ABREU, 2004).

O estresse surge a partir de vivências de fenômenos que provocam desequilíbrios psíquicos e fisiológicos, fazendo com que o organismo manifeste reações que ameacem sua homeostase interna (LIPP, 2003). As experiências emocionais estressoras provocam mudanças bioquímicas, psicológicas, cognitivas e comportamentais (TAYLOR, 2003).

Um dos primeiros autores a estudar as manifestações de estresse foi Selye (1959), que, por meio de uma pesquisa experimental e laboratorial com animais em dimensões biológicas, relatou os sintomas do estresse como a causa de distúrbios fisiológicos graves. Depois de submeter os animais a estímulos estressores diversos, percebeu que o organismo respondia especificamente da mesma forma.

(37)

Selye (1965) compreendia o estresse como uma perturbação da capacidade do organismo de apresentar reações físicas e químicas diante de situações nocivas. Em seus estudos, descobriu que o organismo tinha um conjunto de reações não específicas que invalida questões específicas de lesões, causadas por agentes de doença. Essas reações não configuram um mecanismo de resposta natural, que provoca lesões no organismo. Esse conjunto de respostas ou modificações não específicas que ocorre no organismo diante de estímulos prejudiciais foi denominado de “Síndrome de adaptação geral” (SELYE, 1965; LIMONGI-FRANÇA; RODRIGUES, 2005; DOLAN, 2006).

A síndrome de adaptação geral constitui-se de três fases distintas (trifásico), pelas quais o indivíduo passa por fases de alarme, de resistência e de exaustão (SELYE, 1965; LIPP; MALAGRIS, 2001):

a) Fase de alarme, visando à proteção do indivíduo. Ocorre quando o indivíduo exposto a fatores estressores que ameaçam a sua integridade, de forma consciente ou não, demanda adaptação ou fuga. Verifica-se descarga hormonal intensa. A partir desse momento, o indivíduo apresenta algumas sensações típicas, como, sudorese excessiva, taquicardia e respiração ofegante. (SELYE, 1965). As reações diante desse processo induzem o organismo a algumas reações orgânicas de tensão, como aumento da adrenalina com o consequente aceleramento do fluxo sanguíneo e dos batimentos cardíacos; aumento da frequência respiratória; e dilatação das pupilas, elevando a capacidade do indivíduo de reagir diante das ameaças. Do ponto de vista comportamental, o indivíduo fica mais excitado, agressivo e sensível (MARGIS et al., 2003)

(38)

c) Fase de exaustão, ocorre quando o indivíduo não resolve a ameaça ou a adaptação prolongada diante da ação do agente estressor. Alguns sintomas da primeira fase voltam a aparecer, porém mais agravados, acarretando o esgotamento das reservas de energia física e psicológica, havendo maior comprometimento físico, na forma de doenças que podem, inclusive, causar incapacidades e, em alguns casos, até ser fatais (SELYE, 1965; LIPP; NOVAES, 2003).

Para Lipp (2001), a fase de exaustão é aquela na qual as doenças graves podem ocorrer, como, enfarte, úlceras e psoríase dentre outras (LIPP, 2001), chegando a desencadear a síndrome de Burnout.

Esclarecem Santos e Santos (2015):

[...] a expressão síndrome de Burnout provém da língua inglesa e deriva do

verbo to burn out, que significa queimar-se, apagar-se, extinguir-se, o que

se demonstra perfeitamente adequado para caracterizar a síndrome, uma vez que ela descreve uma série de alterações relacionadas à exposição crônica do trabalhador a eventos estressores associados ao exercício de determinadas profissões (SANTOS; SANTOS, 2015, p. 439).

A síndrome de burnout pode ser considerada como o resultado de uma soma

frequente de tensões emocionais diante de atividades do trabalho em algumas categorias profissionais. “Quem sofre de burnout apresenta quadros de exaustão

física e mental, com sintomas direcionados ao cansaço, alteração da pressão arterial e batimentos cardíacos, insônia ou ganho ou perda de peso” (ZILLE, 2005, p. 68).

(39)

2.2.1 Tipologias de estresse

Para Simonton, Matthews-Simonton e Creighton (1987), o estresse está ligado aos estados emocionais, de acordo com a reação pessoal dos indivíduos diante de mudanças significativas em suas vidas. É a reação do indivíduo aos agentes estressores e às circunstâncias que o cercam, sendo avaliadas pela pessoa como uma ameaça ou um estímulo.

O estresse se manifesta de duas formas: eustresse, ou estresse positivo, e distresse, ou estresse negativo. O eustresse é a superação dos desafios, sendo visto como algo voltado à realização e ao triunfo, que provoca o bem estar, a superação dos desafios e a satisfação das necessidades. Já o distresse é o lado negativo do estresse e refere-se a derrota, resultante de desafios não vencidos diante da pressão psicológica por resultados, podendo provocar doenças físicas e emocionais (COUTO, 1987).

O estresse é negativo quando ultrapassa o limite das pessoas, dificultando ou até mesmo, esgotando sua capacidade de adaptação, demostrando exaustão. O estresse pode ser percebido como positivo quando o indivíduo está na fase de alerta, em que organismo produz adrenalina, fazendo com que surja um estado de ânimo, energia e vigor no ápice da produtividade e da criativa e produtividade. Porém, se houver maior permanência do estado de estresse, provavelmente, passará a ser negativo para o indivíduo, levando-o à exaustão (LIPP, 2001).

A análise do estresse, negativo ou positivo, é utilizada, para identificar separadamente as consequências e reações dos indivíduo diante do estado de estresse. Entretanto no fator fisiológico não são apresentadas diferenças diante das reações mostradas pelo organismo (COUTO, 1987; ZILLE, 2005).

(40)

intensidades de conflitos. Já o estresse de monotonia é o inverso do estresse de sobrecarga. O indivíduo apresenta dificuldades de adaptar-se ao ambiente vivenciado, por exigir uma quantidade bem menor de estímulos que sua capacidade psíquica demanda ou suporta (SELYE, 1965; COUTO, 1987: 2014).

Para Couto (1987), enfrentar o estresse de sobrecarga é mais fácil do que o de monotonia, pois o indivíduo poderá ter um controle sobre ele, situação inversa no estresse de monotonia, pois depende do contexto.

Ressalta-se que os efeitos na saúde e no bem-estar dos indivíduos são semelhantes nestes dois tipos de estresse. São comuns no contexto de trabalho intercorrências desses dois tipos de estresse. Existem profissões que demandam tensões que o indivíduo pode suportar, surgindo daí um quadro de estresse de sobrecarga. Já outras profissões exigem bem menos da capacidade do indivíduo, gerando, assim, um quadro de estresse de monotomia (SANT’ANNA; KILIMNIK, 2011).

O estresse também, pode ser caracterizado como crônico e agudo. Quando o estado de estresse perdura por um período maior, é caracterizado como crônico, podendo causar um efeito maior sobre a saúde do indivíduo. O indivíduo fica em estado de alerta contínuo. Com isso, não se permite dar pausas suficientes para o descanso e a recuperação do desgaste psíquico. Por outro lado, quando o estado de estresse se apresenta em um período breve, caracteriza-se como estresse agudo, que desaparece rapidamente após a situação vivenciada (COUTO, 1987).

2.2.2 Estresse ocupacional

O estresse ocupacional é considerado como, um conjunto de fenômenos que se sucedem no organismo do indivíduo por meio de intercorrência dos agentes estressantes, derivados do trabalho, podendo afetar sua saúde do trabalhador (COOPER; SLOAN; WILLIAMS,1988).

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as características individuais, vivências passadas experimentados, fatores genéticos e condições de vida vão influenciar o modo como os indivíduos experimentam e interpretam o seu dia a dia no trabalho (REIS; FERNANDES; GOMES, 2010).

De acordo com Limongi-França e Rodrigues (2005, p. 36), o estresse ocupacional é decorrente de

[...] situações em que a pessoa percebe seu ambiente de trabalho como ameaçador a suas necessidades de realização pessoal e profissional e/ou a sua saúde física ou mental, prejudicando a interação desta com o trabalho e com o ambiente de trabalho, à medida que esse ambiente contém demandas excessivas a ela, ou que não contém recursos adequados para enfrentar tais situações(LIMONGI-FRANÇA; RODRIGUES, 2005, p. 36).

Quando a demanda no ambiente laboral é intensa, ao ponto do trabalhador não conseguir suportar, a capacidade psíquica pode ficar comprometida e, assim, surgir o estado de estresse (GUERRER; BIANCHI, 2008).

As fontes de tensões são as geradoras dos sintomas de estresse, que, por sua vez, podem causar doenças orgânicas e psíquicas, interferindo na vida pessoal dos gestores e no desempenho profissional (COOPER et al., 2001).

Para Cooper, Sloan e Williams (1988), o estresse ocupacional está relacionado à incapacidade de entender, articular e lidar com as fontes de pressão encontradas no ambiente organizacional, podendo gerar doenças ocupacionais, psíquicas e físicas, prejudicando a vida profissional e pessoal dos trabalhadores.

(42)

Impactos negativos produzidos pelo estresse ocupacional na saúde dos trabalhadores, na qualidade de vida e, consequentemente, nas organizações reduzem a produtividade laboral e elevam despesas e custos organizacionais, principalmente na área assistencial (PASCHOAL; TAMAYO, 2004). Os custos econômicos do estresse no trabalho, em geral, são difíceis de serem calculados, podendo ser elevados, principalmente quanto à perda de produtividade e, consequentemente, perda de competitividade (KARASEK, 2000).

2.2.3 Fontes de tensão no trabalho

Estudo desenvolvido por Cooper, Sloan e Williams (1988) aponta que fontes estressoras, ou fatores de pressão, estão presentes em qualquer ambiente de trabalho. As fontes de tensões existentes no contexto organizacional subdividem-se em seis fatores de análise: intrínsecos ao trabalho, papel do indivíduo na organização, relacionamento interpessoal, perspectivas futuras e satisfação do indivíduo acerca da sua carreira, estrutura e clima organizacional e, por fim, a interface casa/trabalho (COOPER; SLOAN; WILLIAM, 1988).

O Quadro 1 representa os fatores e as respectivas fontes de tensões no trabalho.

Quadro 1 - Fatores de estresse e fontes de pressão no trabalho

Fatores de estresse Fontes de pressão

Intrínsecos ao trabalho  Condições de trabalho, jornada diária, divisão de tarefas, viagens, riscos, adoção de novas tecnologias, sobrecarga e jornada diária de trabalho

Individuo na organização  conflitos de papeis do individuo na efetivação do trabalho, responsabilidades e personalidade. Relacionamento interpessoal  refere-se ao inter-relacionamento na hierarquia organizacional Perspectivas futuras e satisfação do

indivíduo acerca da sua carreira  avaliação de desempenho, segurança no trabalho e aposentadoria Estrutura e clima organizacional  satisfação interna, sentimento de pertencimento,

participação, liberdade e autonomia.

Interface casa/trabalho  dedicação despendida a família e o impacto do trabalho nos relacionamentos familiares e sociais Fonte: Cooper, Sloan e Williams (1988).

(43)

experiências de vida e estratégias escolhidas para o enfrentamento do estresse. Isso significa, que indivíduos reagem de formas diferentes a fontes potencialmente causadores de pressão no trabalho (COUTO, 1987).

O estresse não atinge todos os indivíduos, já que sua ocorrência relaciona-se com características comportamentais, ocupacionais e organizacionais. As caraterísticas comportamentais e ocupacionais e os elementos estressores se encontram por meio de intercorrências relativas ao relacionamento interpessoal e social, principalmente na ausência de critérios para a tomada de decisões e grau de responsabilidade atribuído aos funcionários. Na característica organizacional, destacam-se os sistemas de compensação e de progressão de carreira definidos pela organização. Para que as fontes de tensão sejam consideradas estressoras, precisam ser percebidas como tal pelo trabalhador (COUTO, 1987; PASCHOAL; TAMAYO, 2004).

As fontes de tensões podem ser externas ou internas ao indivíduo. As externas estão relacionadas ao cotidiano da vida das pessoas e podem afetar o organismo diante de características ou comportamento do indivíduo, em virtude de acontecimentos que surgem, por exemplo, mudança de chefias, transformações politicas e crise econômica. Além das condições sociais e psicológicas do trabalho, como, sobrecarga de trabalho, assédio moral e falta de autonomia, juntamente com as tensões das demandas familiares e sociais (LIPP; ROCHA, 2007).

Já as fontes de tensões internas estão direcionadas a forma como o indivíduo se comporta e pensa diante das situações. Refletem o modo de ser do indivíduo e suas características pessoais, por meio do estado de timidez, ansiedade, nervosismo e raiva, como também da imposição de sua percepção, da firmeza em dizer “não” quando necessário, de sua expansividade e de seu pessimismo e perfeccionismo (LIPP; ROCHA, 2007).

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poder e baixa autonomia para a tomada de decisões sobre suas próprias atividades, entre outras (FERREIRA; ASSMAR,2008).

Alterações de valores, como competitividade, pressão do tempo, ética do lucro e consumo exacerbado, podem também se tornar agentes estressores intensos no trabalho (BRAGA ; ZILLE, 2010; BRAGA; ZILLE; MARQUES, 2013).

O sucesso de qualquer esforço para minimizar o estresse e provocar a satisfação no trabalho, requer a identificação correta de estressores vivenciados no ambiente laboral (BALASSIANO; TAVARES; PIMENTA, 2011).

2.2.4 Sintomas de estresse

As fontes de tensões podem gerar sintomas de estresse, interferindo na vida pessoal e na eficácia profissional. O trabalho, bem como suas condições, pode ocasionar consequências negativas ou positivas para a saúde e a qualidade de vida das pessoas, nos âmbitos social e psicológico (LEVI, 2008).

Os sintomas causados pelo estresse podem ser de natureza física e emocional, com interferência no comportamento do indivíduo, uma vez que a reação hormonal provoca muitas alterações físicas e emocionais, podendo, inclusive, ocasionar várias doenças nos âmbitos individual e grupal (LIPP, 2001).

A ocorrência dos sintomas depende das diferenças individuais de personalidade e de características particulares de cada indivíduo, referindo-se ao nível de controle e à alta ou baixa vulnerabilidade diante de fontes estressoras (COOPER; SLOAN; WILLIAM, 1988).

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passividade, distúrbios alimentares e mudanças de libido (COUTO, 1987; PAFARO; MARTINO, 2004; LIPP, 2001).

Alguns estudos aplicados a gestores de diferentes níveis hierárquicos e a segmentos diversos de organizações públicas e privadas, inclusive dois em hospitais públicos, mostram que o efeito do estresse provocam sintomas semelhantes nos níveis físico, emocional e comportamental. No nível emocional, citam-se ansiedade, nervosismo, fadiga, angústia, síndrome do pânico, insônia períodos de depressão. No nível físico os sintomas são: dores nos músculos do pescoço e ombros, indisposição gástrico e/ou dor no estomago diante de exigências emocionais, gastrite, psoríase e pressão alta. Na interferência comportamental, os resultados mostram: irritabilidade sem motivo aparente, autoestima baixa, perda e/ou oscilação do sendo de humor e falta ou excesso de apetite (BRAGA; ZILLE; MARQUES, 2008; ZILLE; ZILLE, 2010; ZILLE et al., 2011; MAFFIA, 2013; GONÇALVES, 2015;

SANTOS, 2017).

Os fatores de tensões causadores de estresse estão inseridos na maioria dos trabalhos e das funções, no ambiente ocupacional, porém, variam na intensidade, na vulnerabilidade e na forma como os indivíduos reagem a esses fatores (COSTA; HONÓRIO, 2009).

2.2.5 Estratégias de enfrentamento do estresse

Para Cooper, Cooper e Eaker (1988), a forma como os indivíduos vivenciam e lidam com fatores estressores é que determina a intensidade com que são afetados, logo, eles podem se tornar vulneráveis se não tiver habilidades de enfrentamento.

Quando se descreve o enfrentamento de estresse, relaciona-se o processo pelo qual os indivíduos lidam com demandas internas e/ou externas que pressionam e sobrecarregam sua vida, sendo vistas como ameaçadoras para a saúde psicológica e física do indivíduo (GERRIG; ZIMBARDO, 2005).

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tipo de personalidade que o indivíduo tem, compreendendo e refletindo sobre as possíveis ações para o enfrentamento dos estressores potenciais (STRAUB, 2005).

A avaliação cognitiva da situação estressante define as estratégias de enfrentamento escolhidas e a autoavaliação própria do indivíduo, sendo uma pessoa capaz para lidar com os estressores. Aqueles indivíduos que reconhecem suas potencialidades e confiam em suas habilidades para executar tarefas podem se sair melhor nas estratégias para lidar com estressores (FONTES; NERI; YASSUDA, 2010).

O enfrentamento do estresse no ambiente de trabalho é pautado em três tipos de estratégias: primeira, as reavaliações cognitivas de resoluções de problema, com ações voltadas à discussão com outras pessoas acerca dos problemas encontrados; segunda, as reavaliações cognitivas de esquiva e de fuga, diante de situações ameaçadoras; e na terceira, o manejo de sintomas, em que o indivíduo procura alternativas que minimizem os sintomas de estresse como, exercícios físicos, esporte e relaxamento (LATAK, 1986).

Pesquisas demostram que os gestores também usam estratégias de enfrentamento. Estudos desenvolvidos por Gonçalves (2015) e Santos (2017) em hospitais públicos, apontaram que férias regulares, descansos semanais, equilíbrio entre a vida profissional e pessoal, experiência profissional para solucionar problemas e cooperação de equipe e pares, equilíbrio entre trabalho e vida privada, busca do autocontrole, centralidade do trabalho e prática de atividades físicas são mecanismos de regulação ao estresse. O enfrentamento do estresse tem caráter individualizado, fazendo com que o indivíduo reaja de forma particular em detrimento da situação encontrada, visto como uma ameaça a seu equilíbrio psíquico e orgânico.

(47)

2.2.6 Estresse ocupacional em gestores

No caso de gestores organizacionais, o estresse ocupacional está presente, se considerada a natureza do trabalho na perspectiva de serem o elo de diversos níveis organizacionais e de estarem sujeitos a inseguranças comuns, como, falta de perspectiva de futuro, imprevisibilidade dos negócios, definições ofuscadas das responsabilidades e tarefas, integração de novas tarefas, exigência de adaptação psicológica a novos arranjos organizacionais e altos índices de sobrecarga de trabalho. Tais características partem do contexto das organizações. Assim, ressalta-se a possibilidade do deressalta-sencadeamento do estresressalta-se no exercício da função (MELO; CASSINI; LOPES, 2011; ZILLE et al., 2011).

Estudo desenvolvido com gerentes ressaltou os fatores principais de tensão relativos à função, como, sobrecarga de trabalho e ambiguidade das funções gerenciais, cobrança por resultados diante de um mercado global pautado na competitividade, insegurança no emprego, recursos humanos ineficientes e atualização constantes entre outras tensões (MELO; CASSINI; LOPES, 2011).

Estudos sobre estresse em gestores desenvolvidos por Zille (2005), Zanelli (2010) e Gonçalves (2015) identificaram fontes de tensão decorrentes da função gerencial, como também em relação ao estilo de vida destes profissionais. Observou-se que realização de várias atividades ao mesmo tempo, prazos em sua maioria apertados para a execução das atividades, exigência de produção elevada, complexidade do trabalho, cultura voltada à obsessão e compulsão por resultados são aspectos vivenciados na execução do papel gerencial.

(48)

MAFFIA; ZILLE, 2013; GONÇALVES, 2015). Esses estudos apontam também que as tensões excessivas geram consequências para a vida profissional e pessoal desses profissionais.

Essa disfunção leva ao estresse, influenciando negativamente o indivíduo em sua vida pessoal e profissional. Em relação à vida pessoal, o impacto poder provocar hábitos alimentares desregrados, consumo excessivo de álcool, outras drogas e tabagismo, geração de dores musculares, surgimento de problemas relacionados a doenças gástricas, desequilíbrio emocional com excesso de nervosismo, agitação, insônia e ansiedade, elevada preocupação e sensação de alerta contínua e falta do controle sobre os eventos da vida pessoal (COUTO, 1987; COOPER et al., 2001;

ZILLE, 2005; LANNA, 2010).

Em relação ao lado profissional, os impactos estão direcionados a: falta de concentração e memória na execução do trabalho, desmotivação, constante queda na produtividade, desgaste nos relacionamentos interpessoais, desejo de trocar de trabalho, dificuldades na tomada de decisões, fuga das responsabilidades, desgaste nos relacionamentos interpessoais no trabalho e/ou fora dele, dificuldades relacionadas a concentração e/ou a memória e interface casa/trabalho (GONÇALVES, 2015; SANTOS, 2015; SANTOS, 2017).

2.2.7 Pesquisas relacionadas ao estresse ocupacional em gestores e profissionais da área da saúde

(49)

CAPES e ANPAD. O Quadro 2 mostra as pesquisas encontradas no período de 2010 a 2017, destacando apenas aquelas que apresentaram relação com o estudo ora realizado. Vale ressaltar que procurou-se evidenciar o objetivo, a metodologia e

Imagem

Figura 1 - Modelo básico de origem do estresse
Figura 2 - Modelo dinâmico de estresse ocupacional
Figura 3 - Modelo  demanda-controle de Karasek
Figura 4 - Modelo teórico que explica o estresse ocupacional em gerentes
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