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INTRODUÇÃO
Para a obtenção do grau de Mestre em Gestão do Território - Área de Desenvolvimento Regional e Local, considerei que seria uma mais – valia, para a minha carreira profissional, a realização dum Estágio numa entidade que fosse capaz de, além de exigir a minha atenção num tema de tanto interesse e interdisciplinar como o da Migração, dar-me também uma primeira apresentação ao que se pode definir como a “realidade do mundo laboral”.
Assim, sempre manifestei a vontade de encontrar um estágio numa entidade que maioritariamente dedicasse à resolução de problemas Sociais e que, no caso presente, se interligasse com o Território. A Dra. Marta Bronzin, chefe da Missão da OIM em Portugal (Organização não-governamental), desde logo se prontificou em aceitar a minha proposta de estágio e a orientar-me, dando-me pois essa oportunidade.
A OIM baseia-se na afirmação: “A Migração cuidadosamente gerida pode ser uma poderosa força para o crescimento económico e a inovação nos países de destino e redução da pobreza e desenvolvimento nos países mais pobres de origem.”
O estágio desenvolveu-se durante o período de 28 Fevereiro a 15 de Julho de 2011, respeitando assim o período, exigido pelo Protocolo, de realização de 800 h.
O relatório que ora aqui se apresenta encontra-se estruturado em cinco capítulos começando por esta breve introdução.
No primeiro capítulo faz-se a contextualização do tema da Migração, sendo por isso apresentados dados relativos à Migração quer numa primeira abordagem de carácter Internacional quer numa segunda parte mais virada para o aspecto Nacional.
2 desempenho sempre se manteve fiel ao seu objectivo principal que é a gestão ordenada e humana das migrações, promovendo a cooperação internacional; são também apresentados os objectivos e as características fundamentais da OIM, para em seguida serem relatadas as actividades desenvolvidas durante 2010-2011, período do meu estágio.
No capítulo III pretendende-se relatar, duma forma sucinta, as actividades em que participei; duma forma mais exaustiva são especificados as metodologias e os instrumentos utilizados para a realização das referidas actividades.
O capítulo IV pretende proporcionar a descrição do projecto de investigação por inquérito analisando a correlação entre Migração-Território e Mobilidade; a parte final dedica-se a uma análise reflexiva de todo o trabalho desenvolvido, associada a sugestões futuras.
Por fim, no capítulo V, são apresentadas algumas considerações e recomendações futuras sobre o futuro da investigação.
O Estágio permitiu a aplicação dos conhecimentos teóricos adquiridos durante o Mestrado; permitiu-me também, observar, analisar e executar, as diferentes etapas para realização de projectos de investigação.
Foi um processo de grande aprendizagem e crescimento, devidamente acompanhado pelos Orientadores.
Citando uma das figuras mais importantes neste contexto, o Alto-Comissário para a imigração e minorias étnicas Pe. António Vaz Pinto: “Realidade complexa, com vertentes sociais, culturais, religiosas, profundamente humana, um desafio e uma oportunidade”1
3
CAPÍTULO I
–
IDENTIFICAÇÃO DA PROBLEMATIZAÇÃO DO
TEMA -A MIGRAÇÃO
Neste capítulo serão expostos alguns dos dados mais significativos relativamente ao tema da migração internacional, referindo ao aumento deste fenómeno, às características dos stocks 2 e
dos fluxos.
Em particular, serão reproduzidos dados relativos à migração em Portugal, tentando delinear um perfil que considere não só o número de migrantes presentes no território, mas também, a distribuição territorial, a nacionalidade e a qualificação dando ênfase à situação laboral dos mesmos; a seguir faz-se uma descrição das políticas de migração implementadas em Portugal referindo-se principalmente no que diz respeito ao plano para a integração dos imigrantes (2010-2013) que tenta resolver uma situação que cada vez mais se está a transformar num problema de carácter mundial, mas que necessita duma resolução de carácter local.
É importante, no âmbito europeu, avaliar as práticas até agora implementadas e, por este motivo, será introduzido o MIPEX que pretende classificar as práticas e as experiências das políticas de integração nos países analisados pelo organismo.
I.1 - A Migração Internacional
A migração, segundo a OIM (relatório 2010), “é um evento constante e ao mesmo tempo dinâmico e é por este motivo que as intervenções feitas neste campo devem ser eficientes e flexíveis considerando que o presente quero futuro”.
O total de migrantes internacionais referidos no relatório acima citado é de 214 milhões.
4 Considerando o mapa 1, onde estão reproduzidas as percentagens de crescimento de imigrantes ao longo de 5 anos, podemos notar que no período de 2005 - 2010 se verificou-se um aumento de 10% que é ligeiramente superior ao período de 2000 – 2005, cujo incremento foi de 9%. A comparação destas duas percentagens induz-nos a pensar num leve recomeço da migração, dado que o cálculo é realizado com base no stock de migrantes internacionais.
Mapa 1 - Taxas de crescimento de imigrantes (2005-2010)
Fonte: UNDESA, Divisão de População (2009), Tendências de migrantes Internacional: A Revisão de 2008
Apesar da crise económica estar a influenciar negativamente o crescimento das economias nacionais e, por este motivo a comprometer a vida de milhões de pessoas entre as quais a dos migrantes internacionais e as respectivas famílias, os países considerados de grande imigração continuam a registar um número elevado ou, na pior das hipóteses, a estagnação dos quantitativos registados na década de noventa.
A crise económica e financeira, iniciada em 2008, parece não ter desestabilizado a retoma do crescimento médio de migrantes; considerando o período de 2005 – 2010 até se verificou um aumento considerável do fluxo migratório.
5 Uma das variáveis mais sensíveis ao choque económico, mesmo se de uma forma leve, é o fluxo migratório, que representa a transferência permanente ou temporária de grupos de pessoas em países diferentes dos de origem. Nestes últimos anos verificou-se uma variação em relação ao passado: enquanto que no Séc. XX a migração mais usual era quase e unicamente Sul-Norte no Séc. XXI verifica-se cada vez mais uma inversão deste dado.
Examinando a migração do ponto de vista de género, é facilmente negado, principalmente nos últimos anos, o paradigma que indica o género masculino como o que mais empreendem a migração. De facto, na última década, a migração, considerando o género, sofreu grandes variações devido ao facto de se ter verificado uma mudança no tipo de actividade laboral nos países de acolhimento.
Assim, em 2010, nota-se uma divisão que atinge quase o equilíbrio de 50% - 50%, de acordo com o mapa 2 onde a migração feminina está estimada em 49% relativamente à migração internacional; em todo o caso, está a aumentar se se considerar unicamente os dados da migração europeia onde, proporcionalmente, a imigração é maioritariamente feminina (53,3%) (ver mapa 2).
Mapa 2 - As mulheres migrantes em percentagem, 2010
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I.2 - O Caso Português
Quando se considera especificamente uma Nação como Portugal, País que até meados do século passado era de emigração, é importante analisar historicamente alguns dados que indicam ou pelo menos tentam dar a ordem cronológica dos eventos.
Até 1970 o fluxo emigratório constituía a dinâmica predominante para Portugal. Os últimos 50 anos podem ser considerados como uma fase transitória da migração uma vez que apresenta um grande crescimento no número de imigrantes; apesar do saldo migratório apresentar um valor positivo só durante os recenseamentos de 1970 – 1981 e de 1991 - 2001 (tabela 1) o número de saídas do País é ainda superior ao número de entradas.
PERÍODOS
CENSITÁRIOS
SALDO
NATURAL
SALDO
MIGRATÓRIO
SALDO
TOTAL
1950 – 1960 1.090.795 -711.643 379.152
1960 – 1970 1.072.620 -1.298.760 -226.140
1970 – 1981 791.925 377.837 1.169.762
1981 – 1991 351.279 -317.146 34.133
1991 – 2001 84.451 404.519 488.970 Tabela 1 - Saldos natural, migratório e total, por décadas, em Portugal (1950 a 2001) Fontes: IXº a XIVº Recenseamentos Gerais da População e Estatísticas Demográficas, INE
Examinando os valores absolutos para a imigração, é importante referir que nestes últimos anos, esses valores duplicaram (ver tabela 2).
7 mais tarde, em 2004, o número de imigrantes era bastante importante na ordem dos 4,3% (este dado representa o pico dos últimos 30 anos).
Este aumento é devido sobretudo ao crescimento económico que se verificou no país, em especial em dois sectores: o do turismo e o da construção civil, sectores esses que requerem uma grande mão-de-obra não qualificada (ver gráfico 1); concomitantemente ocorre o mesmo noutros países do Sul da Europa, nomeadamente, Espanha e Itália.
. Gráfico 1 Imigrantes Empregados segundo a Profissão e Nacionalidades, Fonte: INE, Recenseamento Geral da População 2001
Comparativamente com os outros países do Sul da Europa, o caso português apresenta uma grande interdependência entre o aumento dos fluxos migratórios e o aumento dos fundos comunitários, em particular, os designados fundos do QCA (Quadro Comunitário de Apoio).
Citando uma afirmação de Pedro Góis “se não é seguro que Portugal tenha deixado de ser país emissor de emigrantes, também não é inteiramente seguro que a designação de «país de imigração” seja imediata e directamente aplicável a Portugal”3
3 Emigração Cabo-verdiana para e na Europa e a sua inserção em Mercados de trabalho locais: Lisboa,
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ANO RESIDENTES AUTORIZAÇÕES DE
PERMANÊNCIA E PRORROGAÇÕES DE AUTORIZAÇÕES DE PERMANÊNCIA (2001-2007) PRORROGAÇÕES DE VISTOS DE LONGA DURAÇÃO (2005-2009) TOTAL POPULAÇÃO ESTRANGEIRA CRESCIMENTO (%)
1980 50.750 50.750
1981 54.414 54.414 7,21
1982 58.764 58.764 7,82
1983 67.484 67.484 15,01
1984 73.365 73.365 8,71
1985 79.594 79.594 8,49
1986 86.982 86.982 9,28
1987 89.778 89.778 3,21
1988 94.694 94.694 5,47
1989 101.011 101.011 6,67
1990 107.767 107.767 6,68
1991 113.978 113.978 5,76
1992 123.612 123.612 8,46
1993 136.932 136.932 10,77
1994 157.073 157.073 14,70
1995 168.316 168.316 7,15
1996 172.912 172.912 2,73
1997 175.263 175.263 1,35
1998 178.137 178.137 1,63
1999 191.143 191.143 7,30
2000 207.587 207.587 8,61
2001 223.997 126.901 350.898 69,02
2002 238.929 174.558 413.487 17,84
2003 249.995 183.655 433.650 4,87
2004 263.322 183.833 447.155 3,11
2005 274.631 93.391 46.637 414.659 -7,27
2006 332.137 32.661 55.391 420.189 1,33
2007 401.612 5.741 28.383 436.736 3,70
2008 436.020 4.257 440.277 1,04
2009* 451.742 2.449 454.191 3,16
9 Os dados estatísticos reproduzidos, concentram-se, na sua maioria, no censo feito em Portugal, de 2001; apesar do recenseamento da população ser feito com a cadência de 10 anos, os dados sobre a imigração são actualizados anualmente pelo SEF, que também é responsável pelas estatísticas oficiais no que diz respeito à imigração em Portugal.
Segundo a relação do SEF de 2010, o número de estrangeiros residentes em Portugal era de 445.262 (dos quais 64% são provenientes de países extra-europeus). Isto permite-nos afirmar que a imigração em Portugal tem uma dinâmica que apresenta um crescimento constante; para identificar a proporção relativa à população autóctone devemos ter em conta os dados oficiais do recenseamento de 2001 onde a percentagem era de 3%.
Examinando a distribuição geográfica, é interessante notar que a concentração do imigrante não difere com a da população portuguesa; de facto, são referidas grandes concentrações nas regiões costeiras, principalmente na capital, Lisboa, com a percentagem mais alta e que corresponde a quase metade do total dos dados analisados, 49%. A seguir encontra-se Setúbal com 12% e depois Faro com 10%.
Entre o recenseamento de 1990 e o de 2001, realça-se uma variação geográfica devida exclusivamente ao novo fluxo de imigrantes do Leste europeu (pressupondo como motivação a entrada destes países na União Europeia onde existe livre circulação de pessoas) que se concentram também no interior do país.
Depois dos anos ‘90 a distribuição geográfica da imigração em Portugal sofreu uma grande mudança tendo o Sul do país, sobretudo Faro, registado um aumento substancial do número de estrangeiros, caracterizado por uma população não activa, de idade compreendida entre os 65 e os 85 anos de idade, oriundos, principalmente, de países do Norte da Europa como o Reino Unido, a França e a Alemanha.
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POPULAÇÃO TOTAL POPULAÇÃO IMIGRANTE PROPORÇÃO DE IMIGRANTES NO
Nº % Nº % TOTAL DA POPULAÇÃO
DA REGIÃO (%)
Região Norte
Região Centro
Região de Lisboa
Região do Alentejo
Região do Algarve
R. A. da Madeira
R. A. Dos Açores
3.687.293 2.348.397 2.661.850 776.585 396.218 241.763 245.011 35,6 22,7 25,7 7,5 3,8 2,3 2,4 32.395 27.774 119.317 8.850 22.931 2.132 3.431 14,9 12,8 56,0 4,1 10,6 1,0 1,6 0,9 0,2 4,5 1,1 5,8 0,9 1,4
Total 10.356.117 100,0 216.830 100,0 2,1
Tabela 3 - População Total e Imigrante Residente nas Regiões e Proporção de Imigrantes no Total da População de cada Região em 2001
As nacionalidades que têm um maior peso nos dados estatísticos são: a comunidade brasileira, com uma população de 119.363 indivíduos, a ucraniana com 49.505 indivíduos e, na terceira posição, a comunidade cabo-verdiana (que já ocupou a 2ª posição) com 43.979 indivíduos. As outras posições de relevo são ocupadas por outras duas comunidades dos PALOP, Angola e Guiné-Bissau com 23.494 e 19.817 indivíduos, respectivamente.
É importante sublinhar que o motivo para a presença de uma determinada comunidade nasce de uma estreita relação entre Portugal e os países de origem dos imigrantes; acordos importantes foram celebrados, principalmente nos últimos 10 anos, entre Portugal e Brasil, Portugal e Cabo Verde e também com Angola, visando não só a facilitar a circulação de pessoas mas também a fortalecer a cooperação nas áreas de maior fragilidade na situação migratória como a saúde, educação, etc.
É importante também considerar e analisar uma das áreas de integração do imigrado: a situação laboral que estes encontram em Portugal.
11 a qual constitui uma espécie de primeira integração no país de acolhimento. Esta é uma situação que se verifica não só em Portugal mas em grande parte da Europa como por exemplo em França, Itália, Reino Unido e Espanha.
Para citar alguns dados sobre o sector de ocupação dos imigrantes em Portugal pode-se dar crédito aos dados produzidos pelo INE (recenseamento 2001), que confirmam que nos últimos anos os imigrantes no território português trabalham principalmente no sector da construção civil com um número total de 42.021 trabalhadores, sector onde se concentram geralmente os naturais dos PALOP e que nos últimos anos aumentou com a agregação das comunidades oriundas da Europa de Leste (Gráfico 1).
Gráfico 2 - Imigrantes Empregados por Nacionalidades, segundo a CAE , em 2001
12 Uma das etnias que está fora dos parâmetros das outras pela presença no território português, mas que ao mesmo tempo está em linha com os parâmetros europeus, é a comunidade chinesa que está inserida principalmente no terciário, na área comercial4.
Relativamente à qualificação e ao nível de escolaridade dos imigrantes verificou-se, nos últimos anos, um grande crescimento neste aspecto devido sobretudo à qualificação superior dos imigrantes do Leste da Europa e também ao contributo das segundas gerações de imigrantes.
Em 2001 houve, em relação a 1991, um grande aumento do número de imigrantes que completaram a formação académica do 2º ciclo e uma diminuição (cerca de 10%) dos que não possuíam nenhuma formação (gráfico 2).
Gráfico 3 - População Total e Imigrante Residente em Portugal segundo o Grau de Habilitação Académica (1991 e 2001)
Fonte: INE, Recenseamentos Gerais da População 1991 e 2001.
No caso Português verifica-se que foram estabelecidas, principalmente nos últimos dez anos políticas sociais viradas ao melhoramento da situação dos imigrantes.
4Imigração, Desenvolvimento Regional e Mercado de Trabalho - O Caso Português
, Alexandra
13
I.3 - Políticas Sociais para a Imigração
Tomando como referência o contexto europeu, não encontramos, relativamente a políticas de integração, uma frente comum entre os vários países; cada um dos Estados-Membros é responsável pela definição e a aplicação das próprias políticas de integração.
Embora não exista uma verdadeira e própria demarcação de políticas comuns, a União Europeia tem competências específicas na inclusão de cidadãos de países terceiros, como por exemplo, a regularização do direito à reunificação familiar5.
Na sequência do Conselho Europeu realizado em 2003 em Salónica, onde se afirmou que a responsabilidade de projectos de integração pertence a cada um dos Estados-Membros, considera-se fundamental que toda a política de integração deveria enquadrar-se num princípio comum na União Europeia tendo em conta as diversidades legais, políticas, económicas, sociais e culturais de cada um dos países. Um dos objectivos mais destacados no Conselho é a necessidade de um estudo/contacto/acesso transversal do problema e que é fundamental um aumento da cooperação entre as autoridades nacionais, regionais e locais considerando uma estratégia positiva, aumentando colaborações entre os entes sociais, as ONG e as associações fundadas pelos próprios imigrantes.
Portugal nos últimos anos tem registado um grande desenvolvimento em matéria de integração, principalmente no que diz respeito à criação de colaborações; é um dos poucos países, no grupo da União Europeia, que adoptou uma orientação global para as políticas de integração considerando importante uma estreita colaboração entre os vários ministérios.
Entre as diversas acções definidas pelo Governo Português, uma das mais importantes e que constitui uma resposta concreta à problemática dos estrangeiros presentes no território nacional, é o Plano para a Integração dos Imigrados (I Plano 2007-2009 e II Plano 2010-2013) que já se encontra no seu segundo ano de implementação.
14 Este plano reúne 99 acções para melhorar o acolhimento dos recém-chegados e prevê uma intervenção em várias áreas: acesso ao trabalho, à educação, à formação profissional, à habitação, à assistência sanitária e, por último mas não menos importante, o auxílio financeiro e/ou institucional às várias associações de imigrantes; neste último Plano destacam-se ainda duas novas áreas de intervenção: a promoção da diversidade e interculturalidade. Para permitir uma avaliação final de execução das acções propostas no Plano, o ACIDI (Alto Comissariado para a Imigração e Diálogo Intercultural) empenha-se na realização anual dum relatório cuja cópia é remetida à COCAI (Conselho Consultivo para os Assuntos da Imigração).
I.4 - Avaliação das Políticas “MIPEX”
Os vários esforços feitos por Portugal para a integração dos imigrantes, tornam o país, a nível internacional, numa referência positiva para os Estados-Membros e não só, conforme a avaliação feita pelo MIPEX (Index de Políticas de Integração de Migrantes); Portugal nas duas edições, realizadas em 2007 e 2011, ocupa a segunda posição do quadro geral de classificações dos estados membros abrangidos.
O MIPEX, utilizando mais de 200 indicadores, avalia as políticas de integração em todos os Estados Membros, baseadas nas melhores práticas e considerando seis vertentes principais: acesso ao trabalho, reagrupamento familiar, autorização de residência de longa duração, participação política, concessão de nacionalidade e política antidiscriminação; recentemente agrupou-se uma nova vertente política sobre a educação de alunos migrantes.
Participam nesta avaliação 28 países nomeadamente a Noruega, a Suíça e o Canadá para além de outros 25 pertencentes à União Europeia. As classificações são atribuídas, para cada indicador, por académicos e profissionais nas áreas das leis de migração, educação e antidiscriminação;
15 O reconhecimento internacional representa um incentivo adicional na execução e na monitorização das políticas ligadas à mitigação e à resolução de problemas ligados com a Migração.
São muitas as ONGs, as Associações e entidades geridas pelo Estado Português que colaboram na mitigação e resolução de problemas ligados com a Migração; entre as diversas entidades destaca-se o papel desempenhado pela OIM, organização presente em Portugal desde 1994.
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PORTUGAL - QUADRO INFORMATIVO
CAPITAL: Lisboa
ÁREA: 92.345 Km2
2008 2009 2010
POPULAÇÃO
PIB per Capita
POSIÇÃO DO IDH
REMESSAS
TAXA DE MIGRAÇÃO LÍQUIDA
IMIGRANTES
MULHERES EM % DE IMIGRANTES
POPULAÇÃO MENOR DE 15 ANOS
POPULAÇÃO ESTRANGEIRA
% POP. ESTRANGEIRA FEMININA
FAIXA ETÁRIA 0-19
REPARTIÇÃO TERRITORIAL Região Norte Região Centro Lisboa Alentejo Algarve Ilhas 440.277 48 76.809 41.857 49.305 182.319 83.699 72.165 10.941 24.569 USD
3.585 Milhões USD
454.191 48 76.412 44.926 52.424 196.798 76.127 73.277 10.639 10,7 Milhões
40 de 169
2,3 Migrantes/1000 hab
8,6 % 50,3 % 15,2 % 445.262 49 72.710 46.087 53.022 189.220 205.787 71.818 10.226
17
CAPÍTULO II
–
CARACTERIZAÇÃO DA OIM
II.1 - Características da Organização
II.1.1 - Apresentação
A Organização Internacional para as Migrações (OIM) foi criada em 1951, constituindo-se actualmente como a principal organização intergovernamental dedicada à área das migrações.Conta actualmente com 146 Estados-Membros, 77 ONG´s e 19 Estados Observadores por todo o mundo; tem em curso mais de 2700 programas, uma equipa de 7800 indivíduos e 280 escritórios em mais de 100 países. A sua Constituição reconhece a relação existente entre a migração e o desenvolvimento económico, social e cultural, assim como o direito à liberdade de movimento.
Analisando em ordem cronológica o percurso histórico da organização, realça-se a importância que esta tem vindo a ter ao longo desses anos devido ao peso e à dinâmica das migrações. A OIM tem uma História bastante longa, que teve início em 1951; nesse mesmo ano realizou-se, em Bruxelas, a primeira Conferência Internacional sobre a Migração e o resultado deste primeiro encontro foi a criação de uma Comissão Intergovernamental Provisória (PICMEE) que mais tarde se transformou na ICEM (Comissão Intergovernamental para a Migração Europeia).
A criação da Comissão trouxe como consequências e estreitamento de relações entre os Estados que na época apresentavam grandes fluxos imigratórios entre Europa e os Estado Unidos da América.
18 Nos anos 80, a organização passou a ser conhecida por ICM (Comité Intergovernamental para as Migrações) e tornou-se globalmente reconhecida e só em 1989 passou a ter a designação actual, OIM (Organização Internacional para as Migrações).
Durante os anos ‘90 a OIM incrementou a ajuda aos imigrantes que se encontravam na condição de refugiados; contribuiu para isso o facto da organização ter recebido financiamentos dos Governos dos países com consideráveis fluxos de imigração que tentavam, desta forma, dar uma resposta inicial a um problema cada vez maior nos próprios territórios.
No século XXI a OIM já disponibilizou ajuda a mais de 13 milhões de migrantes, continuando a criar parcerias com os continentes que apresentam uma elevada taxa de migração como África, Ásia e América Latina.
II.1.2 - Missão/Visão/Valores
A OIM, como a principal organização internacional para a migração, actua com os seus parceiros da comunidade internacional de modo a ajudar a: enfrentar os crescentes desafios de gestão da migração, fomentar a compreensão das questões migratórias, promover o desenvolvimento social e económico através da migração e, principalmente, garantir o respeito pela dignidade humana e bem-estar dos migrantes.
Sendo a OIM uma organização Internacional, colabora com numerosos parceiros não só a nível Governamental mas também com associações que se ocupam de questões migratórias, para além das associações fundadas pelos imigrantes que cada vez mais se propõem como intermediárias entre as comunidades que representam e o país de acolhimento.
19 indispensável o respeito dos direitos humanos dos migrantes em conformidade com o direito internacional. Assim a OIM gere e colabora na realização de pesquisas especializadas nesse âmbito, fornece assistência técnica e operacional aos Estados, mas também as organizações intergovernamentais e não-governamentais.
O propósito da realização de pesquisas especializadas está assente na construção de capacidades nacionais na resolução do problema migratório e facilitar a cooperação internacional, regional e bilateral em matéria de migração; neste aspecto, a organização desempenha um papel importante na cooperação internacional, regional, etc., na definição de políticas bilaterais em matéria de migração, tentando fazer a mediação entre os países de acolhimento e os países de origem dos migrantes.
Nos últimos anos a OIM tornou-se num verdadeiro ponto de referência principalmente no que diz respeito às suas informações sobre a migração6; os dados produzidos pela organização estão
disponíveis em bases de dados actualizadas com visão partilhada que permite a troca de informações e práticas entre os vários Estados.
Para a organização é de relevante importância promover, facilitar e apoiar o debate nacional e global, delineando assim políticas eficazes para lidar com os desafios migratórios permitindo o avanço na cooperação internacional, reconhecendo também a importância das iniciativas de carácter local.
No contexto dos acordos inter-agências a colaboração e a coordenação são as respostas humanitárias que permitem o fornecimento de serviços de migração em situações de emergência ou pós-crise, de uma forma apropriada, ajudando nas necessidades dos indivíduos, contribuindo assim para a protecção dos mesmos.
Considerando uma abordagem prática, a OIM empreende programas de ajuda tanto para os migrantes quanto para os Estados: para os migrantes elabora programas que facilitem o regresso voluntário e programas para a reintegração de refugiados e deslocados; relativamente aos
20 Estados, organiza programas, estudos e conhecimentos técnicos para combater o tráfico de pessoas, em particular, das mulheres e crianças.
Enfim, citando outras áreas transversais que a OIM opera, temos as operações e programas de ajudas humanitárias, programas de qualificação nos países em vias de desenvolvimento, programas de capacitação e reforço às organizações não-governamentais e programas sobre a saúde pública que, para os países subdesenvolvidos, representa uma das áreas de maior interesse.
II.1.3 - Objectivo estratégico
Objectivo primordial da OIM é contribuir para o desenvolvimento económico e social dos Estados por meio de pesquisas, do diálogo, da concepção e da implementação de programas ligados à migração e destinados a maximizar os benefícios da migração sempre com o apoio dos vários Estados.
Outro tópico abordado é a facilitação da integração dos Imigrantes no país de acolhimento e ao mesmo tempo envolvendo as diásporas, a participação no desenvolvimento dos países de origem.
II.1.4 - Estrutura Orgânica
O órgão supremo da OIM é o Conselho, composto por todos os membros que define as políticas da Organização; o Comité Executivo, composto de nove membros eleitos pelo Concelho, executa e analisa as políticas, programas e actividades da Organização; um secretariado, composto por um director-geral e o pessoal de apoio
21
II.2 - A OIM em Portugal
A OIM é uma das ONG’s que trabalha em conjunto com o Governo Português de uma forma estável e virada para a resolução de problemas do tipo imigratório. A Organização trabalha em contacto directo com o seu público-alvo, ou seja, os imigrantes, pessoas que saem do país de origem à procura de uma situação económica estável ou que, em casos extremos, foram sujeitos à imigração forçada procurando novas oportunidades que, muitas vezes, nem sempre encontram no país de acolhimento.
A OIM colabora também com entidades dos países de maior fluxo de imigração para Portugal como por exemplo: Brasil, Cabo Verde, Angola e recentemente, os países do Leste Europeu, tais como Ucrânia, Roménia, Moldávia, entre outros. A organização também tenta criar maiores laços entre a diáspora desses países, incrementando assim o contributo directo destas diásporas induzindo-as a serem mais activas no desenvolvimento dos respectivos países de origem.
A OIM fundou o seu único escritório em Lisboa apenas em 1993; a escolha desta data está estritamente ligada ao grande crescimento da dinâmica imigratória no país e este âmbito representa o maior campo de actuação da sede OIM em Portugal. No entanto, na última década, a questão da emigração tem vindo a realçar a sua importância.
A sede da OIM encontra-se no centro de Lisboa, é constituída por uma equipa de oito funcionários com tarefas definidas que trabalham com uma grande interacção entre eles devido ao carácter transversal das áreas de actuação.
A chefe da Missão em Portugal é a Doutora Marta Bronzin cuja incumbência é, entre outras, a de coordenar as actividades da organização no país bem como participar nas actividades organizadas pela mesma ou por outras entidades.
22 Entre as várias actividades desenvolvidas pela OIM em Portugal podemos apontar quatro eixos fundamentais:
• Migração e Desenvolvimento;
• Regulação da Migração;
• Facilitação da Migração;
• Políticas de Migração e Pesquisa.
Estes objectivos não só se enquadram no que são os objectivos da OIM internacional mas estão directamente virados à resolução dos problemas inerentes ao território português; uma exigência que sobressai tendo em vista a relação e ligação económica e cultural que Portugal mantém ainda hoje com as ex-colónias, países de proveniência do maior fluxo migratório.
II.2.1 - Migração e Desenvolvimento
A relação entre migração e desenvolvimento foi justamente caracterizada como "instável"7.
A migração tem duas dimensões que incidem no desenvolvimento do país de origem e podem ser simplificadas em duas fases principais: remessas e retorno.
A primeira é a ajuda económica que o imigrante manda à própria família que se encontra no país de origem e que é utilizada para despesas de habitação, alimentação e educação, etc.
Quanto ao retorno, este pode ser considerado como o "produto final" natural do ciclo de migração; teoricamente os imigrantes deverão ter poupado capital que pode ser produtivamente investido no país de origem.
Neste aspecto, a OIM focaliza muito o seu trabalho no contributo do migrante no seu regresso ao país de origem, mesmo que seja temporariamente e é neste âmbito que nasce o projecto
23 “Dias de Cabo Verde”, programa realizado com a coordenação da OIM (de Portugal, Holanda e Itália) que põe em evidência o contributo que a diáspora cabo-verdiana pode dar ao próprio país.
Neste caso, as áreas de formação seleccionadas são as que se consideram como as mais necessárias ao país, nomeadamente: a saúde, a educação e o desenvolvimento infra-estrutural.
Principais Projectos:
• DIAS DE Cabo Verde - Diáspora para o Desenvolvimento de Cabo Verde
O reforço da capacidade de Cabo Verde para Gerenciar Trabalho e Migração de retorno no âmbito do quadro da Parceria para a Mobilidade.
• Guiné-Bissau - O envolvimento dos quadros Guineenses no desenvolvimento do país de origem.
II.2.2 - Regulação da Migração
Em relação à regulação da migração a OIM apoia o desenvolvimento e a implementação de políticas migratórias, legislativas e mecanismos administrativos que melhorem a gestão das migrações; considera-se importante apoiar os migrantes de forma a contribuir à sua protecção tendo em conta o género e a dimensão da aquisição de poder.
24 Estes dois objectivos são garantidos através a cooperação Técnica para a Gestão das Migrações entre a OIM (Portuguesa) e o Estado Português, onde o ponto fulcral é o reforço de capacidades de interagir entre a comunidade migrante e o Estado.
Principais Projectos
• Retorno Voluntário Assistido;
• Programa de Reintegração;
• Difusão do Programa, graças à rede SuRRIA.
II.2.3 – Facilitação da Migração
Governos e migrantes procuram cada vez mais a OIM, para a obtenção de apoio especializado e facilitação de movimentos migratórios laborais regulados e assistência. O objectivo da OIM, no domínio da migração laboral, é o de facilitar o desenvolvimento de políticas e programas que podem beneficiar os governos, migrantes e sociedades envolvidas.
Nos últimos anos a migração circular tem assumido uma posição relevante porque tem comprovado o seu elevado potencial apesar dos resultados serem pouco expressivos. Cada vez mais vê-se, na migração circular, uma forma de resolução à gestão dos fluxos migratórios, dificuldades ligadas à escassez da mão-de-obra e, ao mesmo tempo, uma forma de protecção ao migrante.
25 governos permitindo a formulação de pedidos facilitados que visem a regulação da mão-de-obra migrante, bem como outros movimentos migratórios em particular: o programa de apoio aos governos e a migrantes com recrutamento, formação linguística, orientação cultural pré-partida, serviços de apoio pré-consulares, recepção à chegada e apoio à integração.
O projecto visa apoiar os empregadores portugueses interessados num recrutamento na Ucrânia; neste caso a OIM Portugal intervém conjuntamente com a OIM Ucrânia seguindo todo o processo que vai desde a recolha da oferta de emprego em Portugal, à recolha dos trabalhadores na Ucrânia, passando pela selecção dos candidatos e à emissão de vistos, com um acompanhamento constante dos candidatos desde a preparação até à chegada dos mesmos em Portugal com as instalações na empresa e o regresso para o país de origem.
Principais Projectos
• Temporária e Circular Migração Laboral entre Portugal e Ucrânia.
II.2.4 - Políticas de Migração e Pesquisas
A OIM dá a oportunidade, aos governos, às organizações intergovernamentais, às ONG’s e a outros, de discutirem e compartilharem assuntos relacionados com as migrações, de explorarem/estudarem e cooperarem sobre assuntos políticos de interesse comum; no que respeita à abordagem aos assuntos políticos, são estabelecidos pontos de domínio tais como o comércio, o desenvolvimento, a saúde, o ambiente, etc.
26 Estes estudos têm como objectivo o de trazer e levantar interesses nos debates políticos, estimulando a realização de actividades inovadoras; considera-se importante a partilha de “práticas eficientes”, permitindo assim, à OIM a realização de um grande número de publicações.
Projectos:
• Empreendedorismo das mulheres migrantes em Portugal;
• Avaliação dos CNAI (Centro Nacional de Apoio ao Imigrante);
• Banco de Dados de Especialização Migrantes para a Televisão e a Rádio Programas em Portugal;
• Participação Eleitoral dos Estrangeiros em Portugal – emigrantes e imigrantes;
• Várias visitas das delegações de representantes do governo em específico (Arménia, Montenegro e Rússia);
• Capacitação sobre Saúde e Migração –workshop e programa nacional.
27
CAPÍTULO III
–
DESENVOLVIMENTO DO ESTÁGIO
A realização dum estágio nasce da intenção em adquirir formação e competências adicionais ao percurso de estudo teórico-universitário.
O percurso empreendido na OIM foi programado mediante um plano de actividade cuja cópia foi entregue ao Departamento de Geografia.
No plano, acompanhado dum cronograma, foram fixados vários objectivos e actividades a serem realizados, seguindo as disposições da Chefe da Missão (ver cronograma de Estágio em anexo II).
O objectivo primário era acompanhar o PRV, que é um programa da OIM com duração anual; os objectivos secundários eram acompanhar e colaborar, durante a permanência, com os funcionários da organização, na realização dos vários projectos em execução.
Para além do plano pré-estabelecido, é de ressalvar a minha participação, na qualidade de estagiária, na correcção do regulamento do concurso Internacional PLURAL+.
Este estágio permitiu-me alargar os meus horizontes e testar as minhas limitações.
As dificuldades em aplicar a teoria adquirida aos casos reais que foram surgindo, durante a minha “estadia” na organização, permitiram o meu crescimento profissional e humano.
Graças aos ensinamentos e experiências que me foram transmitidos, pelos vários funcionários com quem estive em contacto, pude aperceber de muitos pormenores importantes na elaboração de projectos e na importância na criação e manutenção de trabalho em redes.
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III.1 – DESCRIÇÃO DAS ACTIVIDADES DO ESTÁGIO
Seguindo as indicações do protocolo, o estágio teve uma duração de 800 horas repartidas em 40 horas semanais, com início, como referido anteriormente, no dia 28 de Fevereiro de 2010.
As actividades realizadas ao longo dos seis meses foram de vária natureza e diversificadas.
Durante a minha permanência na OIM, ajudei na inscrição de imigrantes no PRV e participei como membro activo do grupo em várias reuniões de equipa, nas quais se estabeleciam as linhas-guia das actividades a serem realizadas. Nas reuniões participavam a Chefe da Missão, os técnicos da organização e também colaboradores externos.
De destacar as entrevistas feitas aos imigrantes que se inscreviam no PRV; permitiram-me conhecer o aspecto “mais humano” da organização pelo que esta actividade foi desenvolvida com melhor empenho possível.
Em termos metodológicos, as tarefas desenvolvidas, durante o estágio curricular, baseavam-se, grosso modo, em pesquisas que se concentravam, como é óbvio, na migração como elemento fulcral considerando, em particular, a repercussão que ela provoca quer no país de acolhimento quer no país de origem; foram feitas muitas pesquisas, a níveis estatísticos e bibliográficos, nos testes e relatórios de programas realizados pelas ONG’s em geral e pela OIM internacional e nacional.
Nos seis meses, trabalhando em estreita colaboração com os técnicos da OIM tive a oportunidade de aprofundar os meus conhecimentos sobre a migração e o tráfico de seres humanos.
29
III.1.1 - Formação de Quadros Cabo-verdianos
A formação profissional em Cabo Verde, resultado do trabalho conjunto entre a OIM Portugal e o Campo, chegou, em 2010, à sua terceira e última edição.
O Campo é um projecto que tem por objectivo geral a promoção da mobilidade legal entre a União Europeia e Cabo Verde; é um projecto cujo promotor é o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento – IPAD e que conta também com os apoios do Alto Comissariado para a Imigração e o Diálogo Intercultural (ACIDI), da Organização Internacional para as Migrações, OIM Portugal, do Instituto de Emprego e Formação Profissional de Cabo Verde (IEFP) e do Instituto das Comunidades de Cabo Verde (IC). A União Europeia, Portugal e Espanha, são co-financiadoras do Projecto.
Quando cheguei à OIM tinha-se já iniciado o Programa das Apresentações da Formação Profissional; um primeiro esboço do programa de formação tinha como temas: Migração e Desenvolvimento, da Política à Prática, Contexto Migratório Nacional e Elaboração de Projectos.
Apesar do programa de formação já ter sido estabelecido, faltava completar algumas apresentações e foi neste âmbito que consegui enquadrar-me no projecto ajudando a Dr.ª Frederica Rodrigues que se ocupou do programa de Migração e Desenvolvimento.
Durante a realização das várias apresentações, participei na coordenação dos pedidos do Campo, que realçavam a importância de dar espaço a políticas e práticas, embora fosse de interesse primário conseguir também manter dentro das linhas-guia da Chefe da Missão Marta Bronzin.
30 Neste caso foram feitas diversas pesquisas de projectos internacionais sobre as remessas e fui incumbida de realizar MÓDULOS de contexto de modo a permitir um acesso mais rápido à informação; as informações exigidas foram aquelas consideradas mais relevantes e mais próximas do contexto cabo-verdiano.
Foi feito o mesmo em Campo Nacional; dos projectos realizados foi definido como o mais representativo o do Fast Ferry8.
O tema principalmente referido foi o das remessas, seja no contexto internacional seja no contexto nacional, reconhecendo a importância delas, pelo peso que têm, na economia cabo-verdiana.
Os beneficiários da formação da OIM foram os Mediadores do CAMPO e os Técnicos dos Centros de Emprego, perfazendo um grupo de 13 formandos.
Criaram-se mapas e gráficos actualizados mediante contactos quer com o Banco de Cabo Verde quer com o INE - Cabo Verde; as duas instituições prontamente responderam aos pedidos permitindo assim actualizar os dados para as apresentações.
III.1.2 - Avaliação da Formação Profissional
Para concluir o trabalho de 3 anos da OIM em colaboração com o Campo, realizou-se uma avaliação dos formadores e da formação. Para isso os participantes na formação preencheram fichas de avaliação; os dados recolhidos foram introduzidos numa base de dados (programa SPSS) e de seguida foram elaborados gráficos que contribuíram para a realização do relatório final apresentado ao Campo.
Criação de uma base dados com a SPSS.
Criação de gráficos para a realização do relatório final da formação do campo.
8 Empresa de transporte marítimo, dedicada a conexão por via mar entre as ilhas do arquipélago de Cabo
31 Neste caso, foi interessante ter acompanhado a fase de elaboração dos temas apresentados e depois ter conhecido as posições doa formandos respostas às mesmas, graças à avaliação final.
Os Mediadores do CAMPO e os Técnicos dos Centros de Emprego, que participaram na formação, deram opinião positiva no que diz respeito à formação, pois 90% dos inquiridos assinalaram estarem satisfeitos.
Um dos itens no inquérito era uma pergunta aberta onde se pedia que fossem sugeridos outros temas que poderiam ter sido abordados; a maioria respondeu, desenvolvimento do país e remessas, pois é reconhecido que Cabo Verde beneficia enormemente das remessas, principalmente depois dos investimentos dos emigrantes serem apoiados por um maior envolvimento do Estado. Foram também apontados outros três temas: a elaboração de projectos, a importância das remessas e a gestão dos seus fluxos e o empreendedorismo migrante.
Concluindo, foi uma avaliação muito positiva da formação, quer em termos de conteúdo quer em termos do nível e do empenho dos formadores (Dr. Hugo Tavares e Dr.ª. Frederica Rodrigues, técnicos da OIM).
III.1.3 - Migração Laboral Temporária e Circular entre Portugal e Ucrânia
O projecto «Migração Laboral Temporária e Circular», tem por objectivo fomentar a migração legal, mas também fornecer mão-de-obra em sectores que sentem dificuldades para contratar trabalhadores.
Pretende-se com o projecto promover a vinda de estrangeiros para trabalhar em Portugal, com visto de três a seis meses, mas com o compromisso de regressar à pátria no fim do contrato. A ideia é repetir anualmente a experiência, com os mesmos trabalhadores, para tornar o conceito sustentável, até porque os imigrantes temporários adquirem conhecimentos; a OIM é a organização que serve de elo de ligação entre empregador e país que envia os trabalhadores.
32 Uma das actividades que me foi incumbida, pela Chefe da Missão, foi a realização de uma apresentação do projecto “Temporary and Circular Labour Migration between Portugal and Ukraine” que decorreu em 2010.
Para tal, foram feitas pesquisas sobre o sector agrícola, em especial sobre o mercado do trabalho sublinhando o do imigrante; neste caso foi tomado, como referência, o relatório da situação da agricultura em Portugal9. Para adquirir maior conhecimento sobre as motivações do
projecto-piloto, analisei todos os relatórios sobre o programa realizado pela OIM (Lisboa-Ucrânia) em colaboração com o SEF e entidades Ucranianas. Tive acesso aos seguintes documentos: a apresentação do projecto inicial, os relatórios entregues à UE, o relatório sobre “lesson learn”, os inquéritos feitos aos participantes desta iniciativa, etc.
O estudo desses documentos permitiram-me identificar quais eram os argumentos de maior importância a inserir na apresentação, que deveria ser de forma sucinta e, ao mesmo tempo, representadora da estratégia e motivações do referido programa.
A apresentação acima referida foi realizada em duas versões: uma em língua portuguesa e outra em língua inglesa. O texto elaborado continha três partes principais:
(i) No caso específico português: dados e gráficos do sector agrícola a expressão que a empregabilidade imigrante representa no projecto;
(ii) Descrição das fases do projecto-piloto, mostrando o impacto obtido;
(iii) Demonstração da sustentabilidade do projecto que tem como base os bons resultados para os Imigrantes.
Este projecto apresenta resultados e benefícios que podem ser referidos como boas-práticas e como linhas-guia para um projecto futuro.
33
III.1.4 - Plural +
Plural+ é um vídeo – festival que incentiva os jovens a explorarem os temas da inclusão e da diversidade, tendo como finalidade compartilharem a sua visão criativa com o mundo; este desafio enquadra-se no concurso, de âmbito mundial desenvolvido pela Organização das Nações Unidas - Aliança das Civilizações e pela OIM e será acompanhado igualmente por um concurso nacional promovido pelo Programa Escolhas com a colaboração da Missão OIM em Portugal.
A sua primeira realização remonta ao ano de 2009; deste então tém sido recebidas mais de 400 inscrições por ano com a participação de mais 63 países.
A iniciativa Plural + visa envolver os jovens nas questões-chave das próprias comunidades como: a integração dos imigrantes, a identidade, a diversidade, os direitos humanos bem como a coesão social. Os contributos concretos dos jovens - sejam eles imigrantes de segunda geração ou não-migrantes - podem ser dados para identificar as dificuldades encontradas, assim como para promover um clima de respeito e reconhecimento recíproco, contribuindo assim para a definição das bases de um mundo mais equilibrado e justo que respeite os direitos humanos.
Para a realização do concurso foi-me pedido para rever o regulamento do projecto em Portugal que deveria estar de acordo com o concurso internacional; por este motivo, foi feito uma análise cruzada entre o regulamento em inglês, existente na página oficial do concurso e o esboço do regulamento nacional feito pelo Programa Escolha.
34
III.1.5 - Programa de Retorno Voluntário e Reintegração
Durante o estágio participei em dois programas, denominados: Programa de Retorno Voluntário (PRV) e o da Reintegração (PR). O Programa de Retorno Voluntário surge da cooperação do Governo Português e a OIM, Missão em Portugal, com a finalidade de pôr em prática uma política efectiva, digna e humana, de retorno voluntário de cidadãos estrangeiros aos seus países de origem ou a Estados terceiros de acolhimento dispostos a recebê-los.
Portanto, todo o estrangeiro que se encontra em Portugal em situação vulnerável e pretende regressar voluntariamente ao país de origem, mas não possui meios financeiros para suportar os custos da viagem de regresso, a OIM ajuda-o a regressar ao país de origem.
O programa teve a sua primeira aplicação em 1997 como programa piloto; em Dezembro de 2001 o Governo e a OIM renovaram o Protocolo com duração anual e automaticamente renovável.
Em Dezembro de 2006, devido a vários factores como o problema de proximidade com a comunidade de imigrantes no território (a OIM conta com uma única sede em território Português) e também devido a um constante aumento na procura do programa, por parte de imigrantes que se encontram a residir em áreas não centrais, registou-se uma sobrecarga de trabalho para o escritório da OIM, pelo que o PRV passou a ser implementado através do Projecto SuRRIA “Sustentação do Retorno – Rede de Informação e Aconselhamento”. As melhorias assim conseguidas foram todas a favor dos imigrantes que beneficiaram com um melhor conhecimento da realidade local, um aconselhamento e acompanhamento ao longo do processo que se tornou de maior proximidade e com um maior envolvimento dos actores a nível local.
Os dados obtidos pela OIM ou pelas várias entidades da rede SURRIA permitem delinear o chamado Perfil do candidato principal.
Os dados recolhidos estão assim subdivididos: situação pessoal, dados pessoais, composição familiar, percurso migratório, situação laboral, história psicológica/médica, vida em Portugal e expectativa após o retorno.
35 Se o candidato preencher os requisitos de elegibilidade a entrevista efectuada é inserida na base de dados da OIM para permitir uma espécie de triagem dos casos; no entanto, devido a um orçamento reduzido, é impossível integrar no programa todos os elegíveis.
Cerca de 30 entrevistas directas foram seguidas por mim; cada caso apresenta, de facto, situações de extrema fragilidade económica em que a maioria não tem trabalho ou apresenta problemas com a renovação da autorização de residência ou, numa percentagem menor, não tem autorização de residência.
As inscrições no programa foram enviadas também por outros parceiros da organização (ver em anexo I
)
; o maior número de dados foi enviado pelas várias CNAI presentes no território português (com destaque pela CNAI Lisboa com o 24% das inscrições).Durante o estágio participei na introdução dessas novas informações na base de dados, permitindo assim que a triagem fosse feita de forma actualizada, respeitando a ordem das urgências entre os casos “antigos” e os mais recentes.
Constituíram factores de exclusão, os seguintes: cidadãos que adquiriram a nacionalidade de qualquer outro país europeu, cidadãos que beneficiaram anteriormente da mesma ajuda e por fim, impedimento de ordem judicial em que o cidadão não pode ausentar-se do país.
Importantíssimo foi também conhecer os factores de prioridade de modo a assinalar os casos de maiores urgências: menores não acompanhados, indivíduos sem morada certa, pessoas sem documentos, idosos (mais de 65 anos), pessoas com problemas de saúde (neste caso para a inscrição o indivíduo tinha de anexar o relatório médico que declarasse este facto) e, sobretudo, casos de abusos (de violência doméstica, tráfico de seres humanos, etc.).
36 Brasil, onde não existe uma missão OIM, o migrante é acompanhado pela rede de associações presentes no país criadas para esse efeito10.
No decurso do estágio, com o apoio da Dr.ª Isabela Salim, pude seguir dois casos de PR, dado que o programa tem uma duração que depende dos fundos do PRV e como houve um aumento dos casos urgentes, isso levou a uma diminuição das ajudas dadas ao PR11.
Depois duma primeira entrevista, onde são fixados as prioridades e os objectivos, tenta-se definir, com a pessoa interessada, o valor necessário para iniciar a actividade (máximo €1.100,00); se o negócio não for viável, alerta-se para o facto e sugere-se outros tipos de actividades similares evitando duplicar iniciativas do mesmo tipo. Tanto nesta fase como na fase da pós-chegada é importante a rede de ajudas criadas pelas OIM de Portugal, de Buenos Aires, da Angola, etc., e da rede das associações do Brasil.
III.1.6 – Políticas de Migração e Pesquisas
A criação de material de suporte para a pesquisa europeia, no que diz respeito à educação e ao mercado de trabalho, foi um trabalho elaborado por mim a pedido da Dr.ª Frederica Rodrigues através duma solicitação da OIM de Bruxelas sobre a realização de uma pesquisa comparada entre diferentes países europeus, incluindo Portugal.
Para tal, foram solicitadas a elaboração e extrapolação dos dados do Eurostat relativamente ao mercado do trabalho; contrariamente, para a realização de um quadro resumido sobre a educação dos imigrantes em Portugal foram elaborados os dados fornecidos directamente pelo Ministério da Educação, realizando, com base numa tabela pré-existente, os valores pedidos pela pesquisa que é gerida pela OIM de Bruxelas.
Nos dois casos foram usados os Programas Word e Excel e os dados recolhidos foram seguidamente ordenados em campos pré-estabelecidos.
10 Parceiros activos no Brasil: Ciaat (MG) ASBRAD (SP) Projecto Resgate (GO)
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III.1.7 – Conferências
Por forma a poder estar actualizada e poder ter uma nova visão das propostas apresentadas pelos investigadores e peritos em matérias de migração, assisti a algumas Conferências interessantes, das quais se destacam:
Diversidade Cultural e Religiosa em Contexto Escolar - 25 de Março
A Cidade e a Saúde Pública - 1 de Abril
Mediação de Conflitos e Comunidade Imigrante - 13 Abril
Migrant Internacional pilot índex - 27 de Abril.
É interessante sublinhar que todas as iniciativas foram propostas por entidades de referência em Portugal, nomeadamente, Gulbenkian, CNAI, Câmara Municipal de Lisboa, etc.
38
CAPÍTULO IV
–
PROJECTO
IV.1 – ENQUADRAMENTO, FASE HISTÓRICA E DISTRIBUIÇÃO
TERRITORIAL DA COMUNIDADE CABO-VERDIANA
IV.1.1 - Enquadramento
O presente projecto foi realizado, contemporaneamente ao estágio feito, e nasce por um interesse para maior aprofundar o tema que se interliga: “ Migração e Território”, a fim de encontrar qual é a conexão entre a mobilidade e um bom resultado do fenómeno migratório.
O objectivo de base é influenciar as novas políticas de desenvolvimento específicas da imigração, diferenciando-as em base aos problemas territoriais, considerando as diferentes etnias de origem como fontes de informação.
Pretende-se ainda analisar o fluxo migratório e sobretudo a relevância das informações existentes à partida nos países de origem.
O universo analisado será a comunidade cabo-verdiana, escolhida pela sua grande presença no território nacional, e pela sua característica étnica de maior permanência nas áreas metropolitanas de Lisboa, (AML)12. A comunidade cabo-verdiana foi seleccionada até mesmo
por ser uma das mais antigas em Portugal.
A dimensão dos fluxos migratórios para Portugal, como já analisamos no primeiro capítulo, é associada a uma difícil condição de inserção e a sua concentração territorial cria novas situações de vulnerabilidade e de exclusão social.
12 Inserção Territorial – Urbanismo, Desenvolvimento Regional e Políticas Locais de Atracção Maria
39 Normalmente as etnias apresentam uma repartição geográfica diferente da dos anos anteriores, causa principal da afluência da Migração do Este Europa e dos pedidos de mercado do trabalho que não estão exclusivamente concentrados nos grandes centros urbanos.
Esta investigação será realizada mediante um questionário que tem como base o formulário de inscrição da OIM no PRV, em formato tal que permita estabelecer uma comparação entre ele e os dados obtidos pelos inscritos no PRV desde 2007 até hoje.
Segundo os dados do relatório anual (2011) da OIM, o perfil dos inscritos no PRV é liderado pelos Brasileiros com 84,2% dos pedidos. Na lista dos inscritos seguem-se os Angolanos que representam 4,2% e em menor percentagem regressam, ao abrigo do programa, os emigrantes Cabo-Verdianos (2,5%), Santomenses (2,5%), Guineenses (1,3%), Ucranianos (1,3%), e Moçambicanos (1,2%); outras nacionalidades (2,8%).
IV.1.2 – Fase Históricae Distribuição Territorial
Da análise feita constata-se que a comunidade cabo-verdiana é uma representação importante entre as outras presentes no território Português e apresenta permanências fixas territoriais (como as restantes comunidades dos PALOP); como padrão têm como escolha as grandes cidades Portuguesas como referência de chegada. (Lisboa, Porto e Faro)
Fazendo referência aos trabalhos executados pelo Dr. Pedro Gois, podemos distinguir três fases distintas da imigração cabo-verdiana.
Nos anos 60 há uma predominância de Cabo-verdianos Trabalhadores Convidados – nesta primeira fase os trabalhadores cabo-verdianos inseriram-se nos sectores da economia que, à época, estavam mais carentes de mão-de-obra, designadamente, nos sectores da construção civil e obras públicas e, de forma maioritária, concentraram-se na Área Metropolitana de Lisboa (AML)
40 A fase da imigração laboral teve início nos anos 80 e, de certa forma, deu início a uma nova fase na imigração para Portugal; esta fase, que ainda decorre, é marcada por um forte predomínio de fluxos internacionais de trabalho e por um processo de reagrupamento familiar13.
Relativamente aos dados existentes, as fontes estatísticas são divergentes; tentando fazer referência ao número de imigrantes cabo-verdianos residentes em Portugal, constatamos que existem indicações diferentes de acordo com as diferentes entidades consultadas.
Seguindo os dados do censo 2001 o número é de cidadãos de naturalidade cabo-verdiana residentes em Portugal é de 44.964,numero este que difere do indicado pelo SEF que é de 49.845;maior divergência existe ainda consultando o número o número indicado pela Embaixada de Cabo Verde em Lisboa:83.000 indivíduos.
Considerando os dados do SEF, a distribuição pela cidades Portuguesas nos confirma a forte presença da imigração cabo-verdiana nas cidades de Lisboa e Setúbal, devido às melhores oportunidade de trabalho e também a uma forte concentração da imigração nesta cidades nos anos anteriores.
IV.2 – Questões de Partida e Formulação de Hipótese de Investigação
A minha participação ao PRV e até as várias pesquisas que ligavam o tema território à migração, levaram-me a decidir que seria de grande interesse analisar as características étnicas fazendo referência ao tipo de percurso migratório escolhido.
O projecto inicial era a contraposição entre a Migração Ucraniana e a Cabo-verdiana, nas cidades de Lisboa e Faro, com o pretexto de verificar as diferenças entre grupos étnicos aí existentes; no entanto, durante a elaboração do esboço da pesquisa, ponderei e concluí que seria mais proveitoso a análise de uma só comunidade.
A hipótese geral de trabalho nasce da necessidade de analisar os factores e as relações existentes entre os dois grupos analisados, procurando responder às perguntas iniciais “ existe uma conexão chave entre Mobilidade durante o percurso migratório nos países de acolhimento, para
13 Comunidade (s) cabo-verdiana (s):As múltiplas faces da Imigração cabo-verdiana-Organizado por
41 um bom sucesso da mesma? E no caso especifico quais são as condições de partida que possam favorecer esse “ sucesso”? Neste caso há que ter em conta não só a escolha da área de residência, mas ao mesmo tempo a melhoria de gestão dos fluxos.
Esta pesquisa nasceu com a intenção de perceber os motivos que levam os migrantes a terem uma grande flexibilidade de movimento no território nacional e também no âmbito Europeu, à procura das áreas que apresentam maiores e melhores possibilidades de trabalho.
A possibilidade de utilizar o questionário da OIM como padrão permite comparação entre dois grupos contrapostos: cabo-verdianos inquiridos que “in data hodierna” do questionário encontravam-se em situação activa de trabalho, podendo-se considerar um dos factores iniciais para a inserção e a adaptação dos imigrantes na comunidade de acolhimento a inserção no mundo laboral.
e os migrantes cabo-verdianos que com pena encontravam-se inscritos no PRV ou mesmo já regressados ou na fase de regresso ao país de origem14, devido ao facto de não terem encontrado boas condições de trabalho e não só; esta última situação vai ajudar na criação de conclusões mais específicas e, ao mesmo tempo, incluí-las nas análises de dados.
Para a realização deste projecto estabeleceu-se um cronograma que pré-definia as etapas para a concretização da investigação: foi definido primeiramente o problema, seguida da investigação e a Formulação de hipóteses; assim tive a possibilidade de planificar previamente a duração do projecto, definir as relações e o padrão que esperava receber, tendo em conta os resultados esperados mas também prováveis divergências com a hipótese inicial.
Os objectivos do estudo pré definidos foram:
À análise do perfil da comunidade cabo-verdiana que respeita os traços caracterizadores do percurso pessoal e principalmente a escolha de mobilidade;
Sistema educativo e/ou formação profissional;
Caracterização do percurso profissional;
Inserção no mercado de trabalho português;
42
À identificação da existência de relações com as entidades viradas principalmente a este tema e à caracterização da situação discriminatória da população;
Relacionar os resultados dos inquéritos feitos a comunidade activa, com os dos elementos inscritos no PRV;
Identificar as características que aumentam a possibilidade do sucesso da migração.
IV.2.1 - Metodologia
Pré estabelecida a duração do projecto em 12 meses, foram feitos todos os possíveis para respeitar a duração agendada; as dificuldades maiores encontradas na realização dos questionários, mas estas problemáticas serão melhormente reportadas posteriormente.
Em termos de método, começou-se pela elaboração dum guia do projecto e fez-se uma pesquisa a nível bibliográfico e documental, um levantamento que pudesse permitir a concentração no tema escolhido e que permitisse a originalidade do mesmo, evitando assim a sobreposição com outros projectos realizados. Assim, foram analisados, principalmente, estudos realizados entre parceria de entidades especializadas (CNAI, Observatório da Imigração e a mesma OIM) sobre o tema “imigração” e de Cientistas, das diferentes áreas (Economistas, Sociólogos, Geógrafos etc), que realizam estudos relevantes sobre o mesmo tema.
Posteriormente deu-se importância aos estudos feitos sobre a comunidade cabo-verdiana, seguindo também as fontes como “Recolha de dados estatísticos”, destacando os dados provenientes do INE, com o objectivo de aferir o quantitativo de imigrantes nas Regiões do país, bem como as principais nacionalidades; estes aspectos foram determinantes para a escolha da utilização dum questionário, que permitisse criar uma perspectiva com dados reais. Também foram recolhidas informações importantes através do Relatório Anual do SEF.
43 exige um número elevado de inquéritos que, infelizmente, por questão de tempo e de meios financeiros não foi possível efectuar, foram, neste caso, recolhidos 120 inquéritos.
Os inquéritos individuais da Comunidade Cabo-verdianas foram recolhidos directamente por mim (administração indirecta) e a entrevista padronizada permitiu-me encontrar resultados uniformes entre os entrevistados facilitando assim a comparação imediata entre os vários dados recolhidos.
O tipo de aplicação seleccionado foi uma amostra não aleatória, mesmo na contingência de o erro poder ser elevado. A escolha do lugar de aplicação recaiu no Consulado de Cabo Verde; este local permitiu-me abranger uma faixa da comunidade que pudesse representar o Universo em estudo.
O questionário utilizado foi adaptado por mim mantendo as repartições iniciais do questionário da OIM.
Este questionário foi projectado e desenhado de modo a ser acessível e fácil ao entrevistador e aos entrevistados; depois do primeiro dia de teste o questionário sofreu transformações que facilitaram depois a sua execução.
Antes do início da sua aplicação, delinearam-se as etapas do questionário, o tempo de recolha de dados e preparação/análise/produção do Relatório.
IV.2.2 - Técnica de Investigação
Após a recolha dos dados (em formato papel) foram reportados em material informático, utilizando o software Microsoft Office em específico Excel, que permitia uma maior e melhor facilidade na gestão e na realização de gráficos.