• Nenhum resultado encontrado

DOUTORADO EM EDUCAÇÃO: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2019

Share "DOUTORADO EM EDUCAÇÃO: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO"

Copied!
264
0
0

Texto

(1)

DANIELA LEAL

COMPENSAÇÃO E CEGUEIRA:

um estudo historiográfico

DOUTORADO EM EDUCAÇÃO: PSICOLOGIA DA EDUCAÇÃO

(2)

DANIELA LEAL

COMPENSAÇÃO E CEGUEIRA:

um estudo historiográfico

2013

(3)

Banca Examinadora

___________________________

___________________________

___________________________

___________________________

(4)

Assim termina A história de uma viagem Que vocês viram e ouviram. E viram o que é comum O que está sempre ocorrendo. Mas a você nós pedimos: No que não é de estranhar Descubram o que há de estranho! No que parece normal Vejam o que há de anormal! No que parece explicado Vejam quanto não se explica! E o que parece comum Vejam como é de espantar! Na regra, vejam o abuso E, onde o abuso apontar Procurem remediar.

(5)
(6)

Não há nada como o sonho para criar o futuro. Victor Hugo

À Professora Dra. Mitsuko Aparecida Makino Antunes que ao longo desses oito anos – mestrado e doutorado – me acolheu com toda a sua atenção e sabedoria, mostrando-me que no caminho das pedras sempre há uma semente a ser descoberta e cultivada. Cada momento de conversa e orientação foram fundamentais para o meu crescimento pessoal e profissional.

À Professora Dra. Claudia Leme Ferreira Davis que, com suas palavras amigas, sempre me levaram a grandes reflexões e incentivaram-me no desafio de querer ser pesquisadora. Um especial agradecimento pela sementinha colocada durante a qualificação e que mudou alguns dos passos tomados para a conclusão desta tese.

À Professora Dra. Maria do Carmo Guedes pelas contribuições dadas para o delineamento da pesquisa e pela oportunidade, ao longo desses anos, de participação no NEHPSI.

Ao Amigo, Professor Dr. Nilson Berenchtein Netto, que ao longo desses quatro anos compartilhou de seus conhecimentos, pesquisas, referências e interesses pela educação das pessoas surdo-cegas com minha pessoa e que prontamente aceitou fazer parte da banca de defesa, meu profundo agradecimento.

À Professora Dra. Aliciene Fusca Machado Cordeiro pela atenção, disposição e por todas as contribuições dadas para a pesquisa.

(7)

nas traduções fidedignas citadas nesta tese.

Um agradecimento em especial à Rosana Portela que além de tradutora, professora de espanhol e amiga, auxiliou-me significativamente durante os dois meses de curso e pesquisa na Espanha.

À minha mãe e avó, meus pilares de vida e ensinamento por toda a vida, pois sem elas não seria nem a metade do que sou, nem alçaria tantos voos como alcei ao longo desses anos de ensinamento, carinho, dedicação e muito amor.

À minha família como um todo, pois sem o apoio incondicional dessas pessoas, esta longa jornada seria muito árdua e difícil de ser cumprida.

Aos Amigos e amigas que fizeram parte deste longo processo e que carinhosamente compreenderam meus desafios, minhas indagações, minhas angústias e alegrias, meu crescimento pessoal e profissional e, principalmente, minhas ausências.

Um agradecimento em especial aos amigos do grupo “No Limite” – Andrea Wuo, Carla Andréa Silva, Henrique Castro, Magna Celi Mendes da Rocha, Marcelo Gianini, Mariana Vieira, Nilson Berenchtein Netto e Vivian Carla B. Rachman –, que me ensinaram, ao longo desses anos, que ao lidar com grandes situações de risco, que nos colocam em situações limite, podemos construir grandes laços de amizade, independente dos momentos que vivemos ou da distância que a vida nos impõem. Se esqueci alguém, me desculpe.

À amigas Chris Mazzotta e Amanda Tojal que me instigaram no desafio de dar um curso na Itália durante o período de elaboração desta tese, permitindo-me, assim, conhecer o Instituto Francesco Cavazza, em Bologna, e o Instituto para Cegos de Milão, ambos referência na história da cegueira.

(8)

Ao CNPq que, pelo auxílio financeiro concedido, possibilitou o desenvolvimento desta pesquisa.

(9)

LEAL, Daniela. Compensação e Cegueira: um estudo historiográfico. 2013. 264p. Tese (Doutorado). Programa de Estudos Pós-Graduados em Educação: Psicologia da Educação, PUC-SP, São Paulo.

Esta pesquisa teve por objetivo compreender o conceito e o processo de compensação no desenvolvimento da pessoa cega, ao longo da história, bem como a compreensão dos antecedentes da formulação de Vigotski. O interesse específico pelo processo de compensação das pessoas cegas encontra-se relacionado à prática profissional da pesquisadora (docência para alunos com cegueira em espaços regulares de ensino, mais especificamente no ensino superior), bem como dar seguimento à pesquisa de mestrado realizada entre os anos 2006/2008. Para tanto, optou-se por uma pesquisa de cunho histórico, buscando o conceito de compensação desde as origens mais remotas, até chegar às discussões propostas por Vigotski, como um processo que valoriza as capacidades das pessoas com deficiência, em vez de priorizar suas limitações, suas incapacidades ou seus “defeitos”. Busca-se, assim, a compreensão da ciência como produção humana que visa satisfazer suas necessidades, por elas determinadas e nelas interferindo, pois acredita-se que ao compreender um dado, um fato, um momento ou um conceito por intermédio da pesquisa histórica encontra-se na própria informação histórica o que tornará possível a compreensão de um conjunto de produções nas quais ela própria é um efeito. Com isso, chegamos à conclusão de que, ao compreender o processo de compensação como um recurso, como um instrumento que nos auxilia no desenvolvimento das pessoas cegas e, não somente como um meio de compensação do órgão – na ausência da visão, da audição ou do tato se encarregam de dar suporte à função –, conseguiremos encontrar um dos fundamentos para o que hoje denominamos de inclusão ou educação para todos.

(10)

LEAL, Daniela. Compensation and Blindness: a historigraphic study. 2013. 264p. PhD Thesis. Graduate Program of Educational Studies: Educational Psychology, PUC-SP, São Paulo.

This research aims to comprehend the concept and the process of compensation in the blind person´s development throughout history, as well as the comprehension of the background in Vigotski´s formulation. The specific interest in the compensation process of blind people is related to the researcher´s professional practice (teaching of blind students in regular teaching spaces, specifically in higher education), as well as proceeding with the Master´s research conducted between the years 2006/2008. In order to do so, a historical point of view has been chosen, searching for the concept of compensation from its most remote origins, until we get to the discussions proposed by Vigotski, as a process that values the abilities of the impaired person, instead of prioritizing their limitations, their incapacities or their “flaws”. This way, we seek to comprehend science as a human production that aims to fulfill its needs, determined by them and interfering on them, for it is believed that when comprehending a data, a fact, a moment or a concept through historical research, it is found in the historical information itself what makes the comprehension of a set of productions possible, in which it is an effect itself. Therewith, we get to the conclusion that, when comprehending the process of compensation as a resource, as an instrument that helps us in the development of blind people and, not only as a means of organ compensation – in the absence of vision, hearing or touch becomes in charge of supporting its function -, we will be able to find one of the fundamentals for what we now refer to as inclusion or education for all.

(11)

LEAL, Daniela. Compensación y Ceguera: un estudio historiográfico. 2013. 264p. Tese (Doctorado). Programa de Estudios Pos-Graduados en Educación: Psicología de la Educación, PUC-SP, São Paulo.

Esta investigación tuvo por objetivo comprender el concepto y el proceso de compensación en el desarrollo de la persona ciega, a lo largo de la historia, así como comprender los antecedentes de la formulación de Vygotsky. El interés específico por el proceso de compensación de las personas ciegas se encuentra relacionado a la práctica profesional de la investigadora (docencia para alumnos con ceguera en espacios regulares de enseñanza, más específicamente en la enseñanza superior), además de dar continuidad a la investigación de maestría realizada entre los años 2006/2008. Para tanto, se optó por una investigación de carácter histórico, buscando el concepto de compensación desde los orígenes más remotos, hasta llegar a las discusiones formuladas por Vygotsky, como un proceso que valora las capacidades de las personas con deficiencia, al contrario de priorizar sus limitaciones, sus incapacidades o sus “defectos”. De ese modo, se busca la comprensión de la ciencia como producción humana que visa satisfacer sus necesidades, por ellas determinadas y en ellas interfiriendo, pues se cree que al comprender un dado, un hecho, un momento o un concepto por intermedio de la investigación histórica se encuentra en la propia información histórica lo que volverá posible la comprensión de un conjunto de producciones en las cuales ella propia es un efecto. De esa manera, llegamos a la conclusión de que, al comprender el proceso de compensación como un recurso, como un instrumento que nos ayuda en el desarrollo de las personas ciegas y, no solo como un medio de compensación del órgano – en la ausencia de la visión, de la audición o del tacto se encargan de dar suporte a la función –, conseguiremos encontrar uno de los fundamentos para lo que hoy denominamos de inclusión o educación para todos.

(12)

LEAL, Daniela. Compensation et cécité: une étude historiographique. 2013. 264p. Thèse (Doctorat). Programme d´Études Supérieures en Éducation: Psychologie de l´Éducation, PUC-SP, Sao Paulo.

Cette recherche a voulu comprendre le concept et le processus de compensation dans le développement de la personne aveugle, tout au long de l´histoire, aussi bien qu´à comprendre la compilation des donnés qui Vygotsky a utilisé comme formule de sa théorie. L´intérêt spécifique pour le processus de compensation des personnes aveugles est liée à la pratique professionnelle du chercheur (comme enseignant des élèves atteints par la cécité en milieu ordinaire d´enseignement et, plus spécifiquement, dans l´enseignement supérieur), ainsi que celle de donner suite à la recherche d´étude supérieure (Pos Master) en psychologie de l´éducation réalisée entre les années 2006/2008. De cette façon, nous avons opté pour une recherche de caractère historique, en cherchant le concept de compensation dès les origines les plus éloignées, jusqu´à arriver aux discussions proposées par Vygotsky, comme un processus que reconsidère de façon évaluative les capacités des personnes handicapées, au lieu de prioriser leurs limitations, leurs incapacités or leurs « défauts ».L´objectif est donc comprendre la science comme production humaine que vise répondre leurs propres besoins, déterminées par elles et en interférant en eux, une fois la possibilité, grâce à la recherche historique, de découvrir à partir des données, des faits, des moments ou d´un concept, l´information souhaitée comme possible d´emmener à la compréhension d´un ensemble de productions dans lesquelles, elle est le propre effet. De cette façon, nous pouvons conclure que, au moment que nous comprenons le processus de compensation comme un recours, comme un instrument qui nous soutient dans le développement des personnes aveugles et, pas simplement comme un moyen de compensation de l´organe – dans l´absence de la vision, de l´ouïe ou du toucheur ils se chargent de donner supporter à la fonction -, nous trouverons l´un des fondements pour ce qu´aujourd´hui nous désignons d´inclusion ou de l´éducation pour tous.

(13)

Lista de Tabelas ... 15  

Lista de Ilustrações ... 16  

Prefácio – “Eu”, os “outros” e a “deficiência”: um caminhar nessa longa jornada ...   17   Referências Bibliográficas ... 22  

Introdução – Da escolha inicial aos passos trilhados: a trajetória de uma pesquisa ...   23   Separar, reunir, transformar: os procedimentos metodológicos da pesquisa em cena ...   25   Separado, reunido: transformando informações em referências .... 35  

Referências Bibliográficas ... 40  

Capítulo I – Olhares sobre à cegueira: as palavras e os conceitos na história ...   41   A cegueira na história ... 44  

Pré-História ... 45  

Idade Antiga ... 48  

Idade Média ... 50  

Idade Moderna ... 56  

(14)

Capítulo II – Compensação – da palavra ao conceito: um caminhar

por sua etimologia ... 71  

Referências Bibliográficas ... 83  

Capítulo III – Do conceito ao processo: os avanços na teoria da compensação ...   85   Compreendendo o sentido da visão ... 98  

Compreendendo a compensação ... 107  

Compensação e deficiência: a cegueira em evidência ... 123  

Referências Bibliográficas ... 137  

Considerações Finais – Algumas construções, algumas ideias nessa longa jornada ...   140   Referências Bibliográficas ... 151  

Bibliografia Consultada ... 152  

Anexos – Algumas ideias, alguns constructos: uma síntese do conhecimento ...   157   Anexo I: Los Ciegos en la Historia – Tomo I ... 158  

Anexo II: Los Ciegos en la Historia – Tomo II ... 172  

Anexo III: Los Ciegos en la Historia – Tomo III ... 191  

(15)

Tabela 1: O defeito e a compensação – alguns teóricos ... 26  

Tabela 2: Os teóricos e suas obras I ... 29  

Tabela 3: A criança cega – outros teóricos ... 30  

Tabela 4: Os teóricos e suas obras II ... 32  

Tabela 5: Os sentidos e a visão – teóricos que se destacaram ... 34  

(16)

Foto 1: Hope, de George Frederic Watts ... 17  

Foto 2: La parabola dei ciechi, de Pieter Bruegel ... 23  

Foto 3: Le mendiant aveugle, de Bastien Lepage Jules ... 41  

Foto 4: O cego rabequista, de José Rodrigues de Carvalho ... 71  

Foto 5: Il Cieco, Albano Vitturi,... 85  

Foto 6: El ciego músico, Ramón Bayeu ... 140  

(17)

PREFÁCIO

Eu, os outros e a deficiência: um caminhar nessa longa jornada

Figura  1:  Hope1,  1885,  George  Frederic  Watts,  Óleo  sobre  tela,  142,2  x  111,8,  Tate  National  Gallery,  Londres.

Tenho apenas uma preocupação: que o leitor não adote apressadamente minhas conclusões, porque nesse caso sua leitura ser-lhe-ia prejudicial. Por isso quero preveni-los: o caminho que escolhi para atingir a minha finalidade não é nem o mais curto, nem o mais cômodo, entretanto, ele é o melhor para mim, porque

é o meu caminho. Eu o encontrei com o trabalho e com o sofrimento e somente depois de ter compreendido que todos os livros, experiências e opiniões alheias não expressam a verdade.

Januzs  Korkzac2  (s/r)  

                                                                                                                         

(18)

Escrever não é uma tarefa das mais fáceis, mas ao colocar no papel o que

pensamos, sentimos ou mesmo o que queremos concretizar (sonhos,

expectativas, objetivos etc.) parece-nos que fica mais fácil alcançar o que se

almeja. Sinal disso é a tese que aqui se inicia: um dia ela já foi sonho, expectativa

e objetivo, mas hoje ela se concretiza ao expor a trajetória em busca da origem do

conceito de compensação ao longo da história, principalmente na história da

cegueira.

Cabe alertar que essa jornada não é de hoje, de ontem e nem tem

pretensão de findar. É uma jornada que envolve o “eu”, que vem se

metamorfoseando a cada nova descoberta, os “outros”, que de uma forma ou

outra (pessoal ou impessoal) contribuíram para a discussão do tema em várias

áreas do conhecimento (medicina, filosofia, história, psicologia e educação) e,

finalmente, a “deficiência”, que me apresentou grandes pessoas, que me fizeram

enxergar uma luz no fim do túnel quando eu não a conseguia ver ou,

parafraseando Korkzac (s/r), me ajudaram a escolher um caminho nessa longa

jornada da qual não poderia voltar atrás.

Revelando-me que, ao deixar de lado tudo o que me era familiar e

confortável há alguns anos atrás – a educação somente das pessoas ditas

normais –, pude embarcar em uma jornada que me revela a cada dia novas pistas

para se chegar a conhecimentos sobre um processo que considere mais as

pessoas por suas possibilidades do que por suas deficiências.

Cabe aqui fazermos um pequeno parênteses, até mesmo para entender

porque optamos por utilizar nesta tese as terminologias cegueira/cego. A

preocupação com a forma de se referir às pessoas cegas de forma não pejorativa

deu-se, mais precisamente, entre os séculos XIX e XX, quando estas passaram a

ser vistas como parte da sociedade e, portanto, com direitos iguais aos demais.

Se antes essas pessoas eram chamadas de inválidos, pessoas com limitações,

pessoas com restrições para o desenvolvimento e/ou para participar, enfim,

“modos diferentes para referir-se àqueles seres humanos que possuem um                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                   2

(19)

defeito, uma enfermidade ou um déficit”3 (GONZÁLEZ, BENITO E VEIGA, 2003, p.27, grifos do autor)4, em seguida passam a ser conhecidas, em um primeiro

momento, como pessoas portadoras de deficiência visual ou portadoras de

necessidades especiais, deficiente visual e, atualmente, pessoas com deficiência

visual5, com baixa visão, pessoa com cegueira ou cega. No entanto, tais

modificações de nomenclatura ou de consideração à pessoa cega suscitam,

ainda, breve questionamento:

[...] [se] as palavras que usamos para designá-las, a maneira perversa de ver o significado utilizado, carregando-o de conotações pejorativas que se desprendem de atitudes e crenças profundamente arraigadas na sociedade, fazendo com que devam ser substituídos periodicamente por outros, inicialmente neutros,

para referir-se ao mesmo significado6, [será que as nomenclaturas

que adotamos atualmente deixam de lado todas essas conotações para de fato ver quem é essa pessoa cega?]. (GONZÁLEZ, BENITO E VEIGA, 2003, p.27).

No momento, acreditamos e queremos crer que a utilização de termos

como pessoas com cegueira ou cegas, pessoas com deficiência visual ou

pessoas com baixa visão venham imbuídos de uma preocupação baseada no

respeito, tendo como princípio que cada pessoa é um ser único e diferente e que,

independentemente de seu déficit de visão ou perda, este não deverá perder sua

identidade como pessoa e de sua condição humana, pertencente a uma dada

sociedade.

Esta tese resultou, portanto, do encontro entre o objetivo inicial da

pesquisadora – conhecer as concepções de Lev S. Vigotski que dão base a sua

teoria sobre os fundamentos de defectologia7, principalmente no que se refere ao

                                                                                                                         

3  “[...]  modos  diferentes  para  referirse  a  aquellos  seres  humanos  que  tienen  un  defecto,  una  enfermedad  o  un  déficit”   (GONZÁLES,  BENITO  E  VEIGA,  2003,  p.27).  

4  As  traduções  realizadas  são  de  responsabilidade  da  autora.  

5  De  acordo  com  o  Ministério  da  Educação  (MEC)  no  conceito  de  deficiência  visual  encontra-­‐se  o  espectro  que  vai  da   cegueira   até   a   visão   subnormal   (GIL,   2000);   por   esse   motivo   respeitaremos   a   grafia   dos   autores   e/ou   legislações   consultados,  apesar  de  mantermos  os  termos  cegueira,  cego  (a).  

6   “[...]   las   palabras   que   usamos   para   designarlas,   vean   pervertido   el   significante   usado,   cargándolo   de   connotaciones   peyorativas  que  se  desprenden  de  actitudes  y  creencias  profundamente  arraigadas  en  la  sociedad  haciendo  que  deban   ser  sustituidos  periódicamente,  por  otros  inicialmente  neutros  para  referirse  al  mismo  significado”  (GONZÁLES,  BENITO   E  VEIGA,  2003,  p.27).  

(20)

processo de compensação8 nas relações de aprendizagem das pessoas com

cegueira – e o processo que levou a outro objetivo que se espera ter sido atingido

neste trabalho.

Pretendia-se inicialmente realizar um estudo histórico sobre a obra de

Vigotski, especificamente dos fundamentos de defectologia, que se encontra em

um único tomo de suas Obras Escolhidas. Todavia, a partir desse estudo, surgiu o

interesse pela análise do conceito e do processo de compensação na história,

contribuindo para a compreensão dos antecedentes da formulação de Vigotski.

O interesse específico pelo processo de compensação das pessoas cegas

encontra-se relacionado à prática profissional da pesquisadora (docência para

alunos com cegueira em espaços regulares de ensino, mais especificamente no

ensino superior), bem como em dar seguimento à pesquisa de mestrado realizada

entre os anos de 2006/20089.

Para tanto, optou-se por uma pesquisa de cunho histórico, buscando o

conceito de compensação desde as origens mais remotas, até chegar às

discussões propostas por Vigotski, como um processo que valoriza as

capacidades das pessoas com deficiência, em vez de priorizar suas limitações,

suas incapacidades ou, como descreve o próprio autor, seus defeitos10. Busca-se,

assim, a compreensão da ciência como produção humana que visa satisfazer

suas necessidades, por elas determinadas e nelas interferindo, pois acredita-se

que ao compreender um dado, um fato, um momento ou um conceito por

                                                                                                                         

8   De   acordo   com   Vigotski   (1983/1997),   a   partir   da   segunda   metade   do   século   XVIII,   em   decorrência   de   concepções   biológicas   sobre   a   deficiência,   acreditava-­‐se   que   quando   da   carência   de   um   órgão,   compensava-­‐se   o   mesmo   com   o   funcionamento  e  o  desenvolvimento  acentuado  de  outros  órgãos.  O  autor  coloca,  no  entanto,  que  ao  contrário  do  que   se  pensava,  a  experiência  social  é  a  ferramenta  que  ajudará  no  processo  de  compensação,  superando  as  consequências   da   deficiência,   ou   seja,   a   compensação   não   ocorre   de   forma   mecânica   e   automática,   mas   nas   relações   que   o   sujeito   estabelece  com  seu  meio  e  os  estímulos  que  lhe  são  dados  para  o  desenvolvimento  de  outros  sentidos.  Mencionamos   aqui  somente  uma  ideia  do  que  vem  a  ser  o  processo  de  compensação,  pois  este  será  discutido  ao  longo  desta  tese.   9

 A  pesquisa  em  questão  resultou  na  dissertação  “A  constituição  da  identidade  de  uma  aluna  com  deficiência  visual:  um   estudo   sobre   o   processo   de   inclusão   escolar”,  defendida  no  Programa  de  Pós-­‐graduandos  em  Educação:  Psicologia  da   Educação  da  PUC-­‐SP,  que  teve  por  objetivo  pesquisar  a  trajetória  de  uma  aluna  com  deficiência  visual,  que  passou  pelos   processos   de   exclusão,   segregação,   integração   e   inclusão,   e   a   constituição   de   sua   identidade   frente   ao   processo   de   inclusão  escolar,  tendo  Vigotski  e  sua  teoria  sobre  os  fundamentos  de  defectologia  como  um  dos  principais  referenciais   teóricos   para   explicar   os   processos   de   desenvolvimento   e   aprendizagem,   bem   como   de   inclusão   ou   não   da   aluna   em   questão.  

10

(21)

intermédio da pesquisa histórica encontra-se na própria informação histórica o

que tornará possível a compreensão de um conjunto de produções nas quais ela

própria é um efeito (CERTEAU, 1975/201011).

Para a exposição desta tese, organizou-se o trabalho em quatro partes.

Na introdução serão apresentados a definição do problema, objetivos,

método e procedimentos metodológicos que constituem esta pesquisa.

O primeiro capítulo trará uma breve discussão histórica sobre a cegueira e

a visão que se construiu ao longo da história, sobre quem é essa pessoa, como

se dá seu desenvolvimento e as crendices que rondam essa condição até hoje.

No segundo capítulo apresentam-se as origens etimológicas da palavra

compensação e algumas áreas de conhecimento nas quais o conceito é utilizado.

O terceiro capítulo trará os antecedentes históricos do conceito de

compensação até chegarmos à compreensão do conceito como processo de

desenvolvimento das pessoas cegas e a criação de recursos para superar a

deficiência do órgão/sentido ausente, como proposto por Vigotski.

Nas considerações finais tecer-se-ão algumas conclusões sobre o conceito

pesquisado ao longo desta tese relacionando-o às possíveis implicações no

desenvolvimento das pessoas cegas.

                                                                                                                          11

(22)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 

 

CERTEAU, M. A Escrita da História. 2ª ed. Trad. Maria de Lourdes Menezes. Rio de

Janeiro: Forense Universitária, 2010.

GIL, M. (org.). Deficiência Visual. Brasília: MEC – Secretaria de Educação a Distância,

2000.

GONZÁLEZ, R. P.; BENITO, J. C.; VEIGA, P. D. Deficiencia visual. Aspectos conceptuales y repercusiones funcionales. In: BENITO, J. C.; VEIGA, P. D.; GONZÁLEZ,

R. P. (coord.). Psicología y Ceguera – Manual para la intervención psicológica en el

ajuste a la deficiencia visual. 1ª ed. Madrid: ONCE, 2003.

LEWOWICKI, T.; SINGER, H.; MURAHOVSCHI, J. Janusz Korczak – Perfil Lições “O

Bom Doutor”. São Paulo: Edusp, 1998.

VYGOTSKI, L.S. Fundamentos de defectología. Obras Escogidas. Tomo V. Madrid: Visor,

(23)

INTRODUÇÃO

Da escolha inicial aos passos trilhados: a trajetória de uma pesquisa

 

Figura  2:  La  parabola  dei  ciechi12,  1568,  Pieter  Bruegel,  Tempera,  86  x  154  cm,  Museo  di  Capodimonte,  Napoli.

O passado se apresenta ao historiador como uma trama desmedida de textos da mais

diversificada natureza, textos esses que são desmontados e decifrados pelo historiador, a partir de

uma pergunta que ele coloca a partir do seu presente.

Pietro  Costa  (2010,  s/p)13  

                                                                                                                         

12  A  tela,  assinada  e  datada  de  1568,  ilustra  a  parábola  do  Novo  Testamento,  retirada  do  Evangelho  segundo  Mateus   (XV  14)  e  Lucas  (VI  39):  "E  se  um  cego  conduz  outro,  ambos  cairão  no  buraco”.  Bruegel,  triplicando  o  número  de  pessoas   mencionadas  nas  Escrituras,  representa  as  várias  fases  de  queda,  acentuando  o  sentido  da  narrativa  bíblica.  

(24)

Quando “desmontamos” e “deciframos” textos para descrever como se

consolidaram as diversas formas de conceber a pessoa cega e seu

desenvolvimento ao longo da história, o conceito de compensação sempre se fez

presente: seja este interpretado como um dom divino concedido pelos deuses ou

divindades; seja como um processo natural, quase que automático – na falta de

um sentido, outro compensa –, seja como ponto de partida e principal força para

criar possibilidades e estímulos para a supercompensação (Adler, 1898, 1930),

seja, ainda, como um processo de reestruturação de todas as forças do

organismo e da personalidade, além de meios e instrumentos diferenciados para

a pessoa cega alcançar suas metas e desenvolvimento (Vygotski, 1983/1997).

Pode-se dizer, assim, que conhecer a realidade histórico-social em que o

conceito foi criado e seu impacto sobre a pessoa com cegueira nos tiram “da cega

aceitação da sutil, insidiosa e muitas vezes poderosa Selbstverständlichkeiten14 que compõe o Zeitgeist dentro do qual nós trabalhamos” (WERTHEIMER, 1998, p.39). Afinal, de acordo com Certeau (1975/2010, p.123), quando se busca

compreender algum dado, fato ou momento por intermédio da pesquisa histórica,

não se quer com isto “fugir para a ideologia, nem dar um pseudônimo ao que

permanece oculto. [Mas] encontrar na própria informação histórica o que a tornará

possível”, pois, segundo o autor,

[...] a história não é uma crítica epistemológica. Ela permanece um

relato. Conta seu próprio trabalho e, simultaneamente, o trabalho

legível num passado. [...] compreende-se a si mesma no conjunto e na sucessão de produções das quais ela própria é um efeito (CERTEAU, 1975/2010, p.53).

Ou, como descreve Engels, citado por Vigotski (1934/1982/2001, p.200)15,

O processo histórico de pensamento começa onde começa a história, e o seu ulterior desenvolvimento não é senão um reflexo, em forma abstrata e teoricamente coerente, do processo histórico, um reflexo realizado porém corrigido segundo as leis que a própria realidade historicamente nos ensina, pois o método histórico de

investigação permite estudar qualquer momento do

desenvolvimento em sua fase mais madura, em sua forma mais clássica.

                                                                                                                          14

 De  acordo  com  The  Language  Portal  –  PONS.eu  (http://en.pons.eu/german-­‐english/Selbstverst%C3%A4ndlichkeiten)   a  palavra  Selbstverständlichkeiten  significa  “evidente  por  si  mesmo”.  

15

(25)

No que se refere aos procedimentos metodológicos a serem adotados,

concordamos com Massimi (2010, p.103), quando afirma que,

[...] a utilização de uma determinada terminologia e de determinados rótulos deveria ser especificada a cada vez no âmbito do específico projeto de pesquisa a realizar, de modo que os conceitos abordados possam ser analisados conforme a complexidade que assumiram no período histórico estudado.

No nosso caso, adotaremos o que Certeau denomina, no universo da

investigação histórica e do material historiográfico, de documentos-vestígios do

nível do que é pensável em determinado período histórico. Nas palavras do autor,

esse tipo de material

[...] leva o historiador às hipóteses metodológicas de seu trabalho, à sua revisão através de intercâmbios pluridisciplinares, aos princípios de inteligibilidade suscetíveis de instaurar pertinências e de produzir “fatos” e, finalmente, à sua situação epistemológica presente no conjunto das pesquisas características da sociedade onde trabalha. (CERTEAU, 1975/2010, p.46).

Nesse sentido, toda pesquisa histórica começa com o gesto de separar,

reunir, transformar em documentos os materiais que são encontrados.

Separar, reunir, transformar: os procedimentos metodológicos da pesquisa

em cena

Para começar a descrever o estudo dos materiais, documentos que

serviram de base a esta pesquisa, utilizo-me dos termos separar, reunir e

transformar, citados por Certeau (1975/2010) para descrever a ação de ir em

busca dos documentos, de extrair da prateleira os livros e/ou documentos

preciosos para o estudo, bem como de dar um tratamento aos mesmos, com base

no objetivo central da pesquisa, e que serviram de inspiração em cada encontro

com um novo livro, com um novo documento ou artigo, ou, ainda, com cada novo

teórico e sua forma de retratar o conceito de compensação. A cada nova

separação, reunião e transformação novas possibilidades se abriam para seguir

um ou outro caminho, para dar o fio da meada que se pretendia, mas também

apresentar outras possibilidades que aqui não poderiam ser contempladas –

tempo de conclusão da tese e objetivo –, mas que não serão deixadas de lado

(26)

Antes de contar como foi o processo, faz-se necessário um breve

comentário sobre o documento que motivou esta pesquisa. Como anunciado no

prefácio, a pesquisadora, em sua dissertação de mestrado, utilizou-se como

referência para a análise de um sujeito – história de vida de uma aluna de

pós-graduação lato sensu com deficiência visual – o Tomo V das Obras Completas de Lev S. Vigotski, Fundamentos de Defectologia, porque, em muitas passagens da

história de vida da entrevistada, ao relatar como se deu seu desenvolvimento e

sua aprendizagem, encontramos a explicação na teoria em questão,

principalmente no que se refere ao processo de compensação. Levando-nos,

assim, no primeiro momento, a uma leitura geral da obra para estabelecimento de

relações com os dados da pesquisa que estava sendo realizada, mas, em um

segundo momento, ao questionamento, especificamente, do processo de

compensação, que é amplamente citado na história das pessoas cegas ao longo

dos séculos.

Nesse sentido, a primeira etapa consistiu na releitura do Tomo V para um

melhor tratamento das informações que se referiam exclusivamente ao conceito

de compensação e, depois, em uma segunda etapa, o conceito de compensação

relacionado à cegueira. Buscando, assim, realizar um levantamento das

concepções do autor, mas também informações que nos levassem à busca de

autores e obras que levaram Vigotski à discussão do processo de compensação e

indícios ou pistas da origem do conceito.

A primeira etapa foi realizada, especificamente, com base na leitura do

artigo “O defeito e a compensação” (1927), no qual Vigotski descreve o conceito de compensação, pautando-se inicialmente na conceituação dada por alguns

autores para depois apresentar sua concepção. Encontramos menções a onze

autores como fonte de referência, como vemos na tabela a seguir.

Tabela  1:  O  defeito  e  a  compensação  –  alguns  teóricos   Teóricos/Pensadores   Ano  Citação   Citações  

William  Stern   1921,  1923  

“Aquilo   que   não   mata,   me   fortalece”,   implicando   que   a   força   surge   da   fraqueza,   das   habilidades   da   deficiência  (p.41).  

(27)

organismo   completo,   enquanto   que   as   anormalidades  singulares  são  valorizadas  somente   na   medida   em   que   se   compensem   normalmente   ou   não,   através   de   outras   funções   do   organismo”   (p.46).  16  

Alfred  Adler   1927   Otto  Rühle  (1926)  

“[...]  os  órgãos  deficientes,  cujo  funcionamento  se   encontra   dificultado   ou   perturbado   por   causa   de   defeitos,   necessariamente   entram   em   luta,   em   conflito   com   o   mundo   exterior,   devendo   adaptar-­‐ se”  (p.42).  

“A   sensação   de   insuficiência   dos   órgãos   é   para   o   indivíduo   um   constante   estímulo   no   desenvolvimento  de  sua  psique”  (p.43).  17  

Charles  Darwin   não  mencionado   (n/m.)  

“Charles   Darwin   nos   mostrava   que   a   adaptação   surge   da   inadaptação,   da   luta,   da   morte   e   da   seleção”  (p.44).  18  

Kretschmer   n/m.  

“[...]  a  constituição  inata  determina  a  estrutura  do   corpo,  a  personalidade  e  ‘todo  o  desenvolvimento   ulterior  personalidade  humana  nada  mais  é  que  do   que   o   desdobrar   passivo   do   tipo   biológico   básico   que   congenitamente   é   inerente   ao   homem’”   (p.44).  19  

Wittels   n/m.  

“Wittels   denomina   a   pedagogia   como   o   terreno   fundamental  de  aplicação  da  psicologia  adleriana”   (p.45).  20  

Theodor  Lipps   1907  

“T.   Lipps   via   nisso  

[compensação/supercompensação]   uma   lei   geral   da  atividade  psíquica  que  denominou  lei  de  dique.   ‘Se   um   fato   psíquico   interrompe   ou   é   inibido   em   seu   curso   natural   [...]   ocorre   uma   inundação’.   [...]   No   lugar   do   dique,   é   inerente   à   energia,   à   tendência  a  desviar-­‐se.  O  objetivo  que  não  se  pode   alcançar  pelo  caminho  direto,  se  consegue  graças  à   força   da   inundação,   por   um   desses   circuitos’”  

                                                                                                                         

16  “Aquello  que  no  mata,  me  hace  más  fuerte”  (VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  p.41)./  “En  medicina  se  fortalece  cada  vez   más   la   opinión   de   que   el   único   criterio   de   salud   o   enfermedad   es   el   funcionamiento   adecuado   o   inadecuado   del   organismo   íntegro,   mientras   que   las   anormalidades   singulares   se   valoran   sólo   en   la   medida   en   que   se   compensen   normalmente  o  no,  a  través  de  otras  funciones  del  organismo”  (VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  p.46).  

17   “[...]   los   órganos   deficientes,   cuyo   funcionamiento   se   ve   dificultado   o   perturbado   a   consecuencia   de   defectos,   necesariamente   entran   en   lucha,   en   conflicto   con   el   mundo   exterior,   al   que   deben   adaptarse”   (VYGOTSKI,   1927/1983/1997,  p.42)./  “La  sensación  de  la  insuficiencia  de  los  órganos  es  para  el  individuo  un  estímulo  constante  al   desarrollo  de  su  psique”  (VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  p.43).  

18

  “Charles   Darwin   enseñaba   que   la   adaptación   surge   de   la   inadaptación,   de   la   lucha,   la   muerte   y   la   selección”   (VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  p.44).  

19

 “[...]  la  constitución  innata  determina  la  estructura  del  cuerpo,  el  carácter  y  ‘todo  el  desarrollo  ulterior  del  carácter   humano  es  nada  más  que  el  despliegue  pasivo  del  tipo  biológico  básico  que  congénitamente  es  inherente  al  hombre’   [...]”(VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  p.44).  

(28)

(pp.46-­‐47).  21  

K.  Bürklen   1924  

“Uma   investigação   factual   demonstrou   que   a   criança   cega   não   experimenta   uma   elevação   automática   do   tato   ou   da   audição,   no   lugar   da   visão   faltante   (K.   Bürklen,   1924).   Pelo   contrário,   não   é   a   visão   em   si   que   se   recola,   mas   são   as   dificuldades   derivadas   de   sua   ausência   que   são   resolvidas   mediante   o   desenvolvimento   de   uma   superestrutura  psíquica”  (p.49).  22  

A.  Petzeld   1925  

“A   característica   mais   marcante   da   personalidade   do   cego,   em   sua   opinião,   é   a   possibilidade   de   assimilar   a   experiência   social   dos   videntes   com   a   ajuda  da  linguagem”  (p.  50).  23  

L.  L.  Vasíliev   1926  

“L.   L.   Vasíliev   e   eu   descrevemos   esses   fenômenos   [supercompensação]   com   o   nome   de   processos   dominantes  [...]”  (p.51).  24  

Iván  Afanásievich  

Sokoliánski   1926  

Crê  que  é  ingênuo  pensar  que  qualquer  defeito  se   compensa;  antes  é  necessário  lucidez  de  critério  e   conhecer  a  direção  a  seguir.  

Helen  Keller   1910  

“A  própria  Keller  escreve  que  se  houvesse  nascido   em   um   meio   diferente,   haveria   estado   eternamente   nas   trevas   e   sua   vida   teria   sido   um   deserto,   separada   de   toda   comunicação   com   o   mundo  exterior  (1910)”  (p.54-­‐55).  

A  vida  de  Helen  Keller  mostra  que  “o  processo  de   supercompensação   está   inteiramente   determinado  por  duas  forças:  as  exigências  sociais   que   são   apresentadas   ao   desenvolvimento   e   à   educação,  e  as  forças  intactas  da  psique”  (p.55).  25  

Todavia, como observado na tabela anterior, o levantamento realizado não

se fez suficiente, pois na maioria das citações não encontrávamos a referência

                                                                                                                         

21  “T.  Lipps  veía  en  esto  una  ley  general  de  la  actividad  psíquica  que  denominó  ley  del  dique.  ‘Si  un  hecho  psíquico  se   interrumpe   o   se   inhibe   en   su   curso   natural   [...]   ocurre   una   inundación’.   [...]   En   el   sitio   del   dique,   es   inherente   a   la   energía  ‘la  tendencia  a  desviarse...  El  objetivo  que  no  se  pudo  alcanzar  por  el  camino  directo,  se  logra  gracias  a  la  fuerza   de  la  inundación,  por  uno  de  esos  rodeos’”  (VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  pp.46-­‐47).  

22   “Una   investigación   fáctica   demostró   que   le   niño   ciego   no   experimenta   una   elevación   automática   del   tacto   o   de   la   audición,  en  remplazo  de  la  vista  faltante  (K.  Bürklen,  1924).  Por  el  contrario,  no  es  la  vista  en  sí  lo  que  se  remplaza,  sino   que   se   resuelven   las   dificultades   derivadas   de   su   ausencia   mediante   el   desarrollo   de   una   sobreestructura   psíquica”   (VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  p.49).  

23   “Lo   más   característico   de   la   personalidad   del   ciego,   opina,   es   la   posibilidad   de   asimilar   la   experiencia   social   de   los   videntes  con  ayuda  del  lenguaje”  (VYGOTSKI,  1927/1983/1997,  p.50).  

24

  L.   L.   Vasíliev   y   yo   describimos   estos   fenómenos   con   el   nombre   de   procesos   dominantes   [...]”(VYGOTSKI,   1927/1983/1997,  p.51).  

25

(29)

específica à obra dos autores; isso levou-nos a uma pesquisa nos meios

eletrônicos/digitais (sites de periódicos, Google Acadêmico, sites voltados à

psicologia, educação e deficiência visual) e na biblioteca da PUC-SP26, em busca

de obras dos referidos autores, que mencionassem o conceito de compensação e

em quais de suas obras encontraríamos possível menção à temática,

originando-se, assim, uma segunda tabela.

Tabela  2:  Os  teóricos  e  suas  obras  I  

Teóricos/Pensadores   Obras  

William  Stern  

Referências  Internet:  

1. The  Psychology  Methods  of  Intelligence  Testing  (1914)   2. General  Psychology  from  the  Personalistic  Standpoint  (1938)   Referência  Biblioteca:  

1. Psicología  General  –  Desde  el  punto  de  vista  personalítico  (1938)  

Alfred  Adler  

Referências  Internet:  

1. Study   of   Organ   Inferiority   and   Its   Psychical   Compensation:   A   Contribution  to  Clinical  Medicine  (1917)  

2. The  Education  of  Children  (1930)  

3. La  psicología  individual  y  la  escuela  (1930)  

4. La   Compensation   Psychique   de   L’état   D’Infériorité   des   Organes   suivi  de  Le  problem  de  l’homosexualité  (1956)  

Referências  Biblioteca:  

1. A  ciência  da  natureza  (1967)  

2. Practica  y  teoría  de  la  psicología  del  individuo  (1927)  

Charles  Darwin   Referência  Internet:  

1. A  origem  das  espécies  (1859)  

Ernst  Kretschmer  

Referências  Internet:  

-­‐ Considerado   um   dois   mais   importantes   psiquiatras   da   primeira   metade  do  século  XX.  Seu  interesse  focava-­‐se  nas  relações  entre   o   físico,   o   psicológico   e   os   transtornos   mentais,   propondo   uma   dicotomia  entre  demência  precoce  e  doença  maníaco  depressiva,   além   de   introduzir   novos   métodos   psicoterapêuticos,   como   a   hipnose  ativa  (GIL,  WERBE  e  BURGMAIR,  2002).  

1. Der  sensitive  Beziehungswahn  (1918)   2. Körperbau  und  Charakter  (1921)   Referências  Biblioteca:  

1. Psicologia  medica  (1922)  

2. Estudios  psicoterapeuticos  (1949)  

Wittels   Referências  Internet:  

-­‐ Não  há  menção  ao  nome  completo  e/ou  referências.  

Theodor  Lipps   Referências  Internet:  

1. O  conceito  de  inconsciente  na  psicologia  (1897)  

                                                                                                                         

(30)

Karl  Bürklen   Referências  Internet:  

1. Touch  Lesung  des  Blinden  (1932)  

A.  Petzeld  

Referências  Internet:  

-­‐ Não   foram   encontradas   referências   que   informassem   o   nome   completo  do  teórico.  

1. Vorschläge  zur  Erweiterung  der  Gymnasien  (1830)  

L.  L.  Vasíliev   Referências  Internet:  

-­‐ Não  há  menção  ao  nome  completo  e/ou  referências.  

Iván  Afanásievich   Sokoliánski  

Referências  Internet:  

-­‐ O   único   registro   encontrado   sobre   Sokoliánski   é   um   verbete   do   Dicionário  de  Defectologia.  

-­‐ Sokoliánski   era   um   defectólogo   soviético,   especialista   em   surdopedagogia   e   tiflopedagogia.   Criou   um   sistema   próprio   para   o   ensino   e   educação   dos   surdos-­‐cegos,   além   de   organizar   em   1923   uma   das   primeiras   instituições   científico-­‐pedagógicas   para   surdocegueria.  

-­‐ “As   pesquisas   de   Sokoliánski   não   compreendem   somente   o   problema  do  ensino  e  da  educação  dos  cegos-­‐surdos-­‐mudos,  mas   também  estão  direcionadas  à  solução  de  questões  fundamentais   da   pedagogia   para   surdos   e   da   pedagogia   para   cegos”   (DIACHKOV,  1982,  p.193)27.  

Helen  Keller   Referências  Internet:  

1. A  história  de  minha  vida  (1902)  

De posse do levantamento realizado e antes de nos dedicarmos à leitura

de cada uma das obras e/ou materiais elencados anteriormente, na segunda

etapa realizamos o levantamento dos teóricos e suas concepções no artigo “A criança cega” (s/d), no qual Vigotski retrata especificamente a relação entre o processo de compensação e a pessoa cega. Nesse artigo encontramos menção a

nove autores, alguns já elencados anteriormente e outros que ainda não haviam

sido mencionados.

Tabela  3:  A  criança  cega  –  outros  teóricos   Teóricos/Pensadores   Ano  Citação   Citações  

K.  Bürklen   1924  

Nos   cegos   “são   desenvolvidas   peculiaridades   que   não   podemos   notar   nos   videntes,   e   deve-­‐se   supor   que   no   caso   de   uma   comunicação   exclusiva   entre   cegos,   sem   intervenção   alguma   dos   videntes,  

                                                                                                                          27

(31)

poderia   nascer   uma   categoria   especial   de   pessoas”   (p.99).  28  

E.  Binder   n/m.  

“[...]   demonstrou   que   as   funções   dos   órgãos   dos   sentidos   não   se   trasladam   de   um   órgão   para   outro   [...]”  (p.102).  29  

Ernst  Meumann   1911  

“Afirmou   que   na   realidade   existe   uma   espécie   de   substituição   das   funções   perceptivas   (E.   Meumann,   1911)”  (p.102).  30  

Wilhelm  Wundt   n/m.  

“W.   Wundt   chegou   à   conclusão   de   que   a   substituição  no  âmbito  das  funções  fisiológicas  é  um   caso  particular  do  exercício  e  da  adaptação”  (p.102).  

31

 

A.  Adler   1927  

“[...]  sinalizou  a  importância  e  o  papel  psicológico  do   defeito  orgânico  no  processo  de  desenvolvimento  e   formação  da  personalidade”  (p.103).  32  

A.  V.  Biriliov   n/m.  

“A.  V.  Biriliov,  um  cego  extremamente  culto,  o  cego   não  vê  o  mundo  da  mesma  maneira  que  um  vidente   com   olhos   vendados.   Um   cego   não   vê   a   luz   do   mesmo  modo  que  o  vidente  não  a  vê  com  sua  mão,   ou  seja,  não  sente  nem  percebe  diretamente  o  fato   que  está  privado  da  visão”  (p.104).  33  

A.  Petzeld   1925  

“O   que   é   mais   característico   na   personalidade   do   cego  é  a  contradição  entre  a  relativa  impotência  na   relação   com   o   espaço   e   a   possibilidade   através   da   linguagem   de   uma   comunicação   completa   e   absolutamente   adequada   e   de   uma   compreensão   mútua  com  os  videntes  (A.  Petzeld,  1925),  que  cabe   plenamente   no   esquema   psicológico   do   defeito   e   a   compensação”  (p.107).  34  

W.  Stern   1921  

“A  teoria  admitiu  sobre  a  compensação  e  esclareceu   como   da   debilidade   nasce   a   força,   das   deficiências,   os  méritos.  Em  compensação,  é  acentuada  no  cego   a   capacidade   de   diferenciar   o   tato,   não   através   de                                                                                                                            

28  “[...]  se  desarrollan  peculiaridades  que  no  podemos  notar  en  los  videntes,  y  se  debe  suponer  que  en  el  caso  de  una   comunicación   exclusiva   entre   ciegos,   sin   intervención   alguna   de   videntes,   podría   nacer   una   categoría   especial   de   personas”  (VYGOTSKI,  s.d/1983/1997,  p.99).  

29  “[...]  demostró  que  las  funciones  de  los  órganos  de  los  sentidos  no  se  trasladan  de  un  órgano  al  otro  [...]”(VYGOTSKI,   s.d/1983/1997,  p.102).  

30   “Afirmó   que   en   realidad   existe   una   especie   de   sustitución   de   las   funciones   perceptivas   (E.   Meumann,   1911)”   (VYGOTSKI,  s.d/1983/1997,  p.102).  

31  “W.  Wundt  llegó  a  la  conclusión  de  que  la  sustitución  en  el  ámbito  de  las  funciones  fisiológicas  es  un  caso  particular   del  ejercicio  y  la  adaptación”  (VYGOTSKI,  s.d/1983/1997,  p.102).  

32  “[...]  señalo  la  importancia  y  el  papel  psicológico  del  defecto  orgánico  en  el  proceso  de  desarrollo  y  formación  de  la   personalidad”  (VYGOTSKI,  s.d/1983/1997,  p.103).  

33

 “A.  V.  Biriliov,  un  ciego  sumamente  culto,  el  ciego  no  ve  el  mundo  igual  que  un  vidente  con  los  ojos  vendados.  El  ciego   no  ve  la  luz  tal  como  el  vidente  no  l  ave  con  su  mano,  es  decir,  no  siente  ni  percibe  directamente  el  hecho  de  que  está   privado  de  la  vista”  (VYGOTSKI,  s.d/1983/1997,  p.104).  

(32)

uma   real   elevação   da   excitabilidade   nervosa,   mas   sim   através   do   exercício   de   observação,   a   valorização   e   a   compreensão   das   diferenças”   (p.110).  35  

Scherbina   1916  

“Em   alguns   cegos,   como   descrevia   notavelmente   Scherbina,  o  defeito  é  compensado  organicamente,   ‘é   criada   uma   espécie   de   segunda   natureza’   (1916,   pág.10),   e   encontram   na   vida,   apesar   de   todas   as   dificuldades   vinculadas   à   cegueira,   um   encanto   particular,   que   não   renunciariam   em   troca   de   nenhum  tipo  de  bens”  (p.111).  36  

Assim como na primeira etapa, sentimos a necessidade de realizar um

novo levantamento em meios eletrônicos e na biblioteca em busca de referências

para conhecimento dos demais teóricos e obras, como observamos a seguir.

Tabela  4:  Os  teóricos  e  suas  obras  II  

Teóricos/Pensadores   Obras  

E.  Binder   Referências  Internet:  

-­‐ Não  há  menção  ao  nome  completo  e/ou  referências.  

Ernst  Meumann  

Referências  Internet:  

-­‐ Psicólogo   alemão   considerado   o   fundador   da   psicologia   educacional  e  da  pedagogia  experimental.  

1. Vorlesungen  zur  Einführung  in  die  Experimentelle  Pädagogik  und   ihre  psychologischen  Grundlagen  (1907)  

2. Bibliographie   Ernst   Meumann,   de   Paul   Probst   (Berzberg,   Germany:  Traugott  Bautz,  1991.  

Referências  Biblioteca:  

1. Pedagogía  Experimental  (1907)  

Wilhelm  Maximilian   Wundt  

Referências  Internet:  

-­‐ Seu   livro   mais   importante   foi   “Principles   of   physiological   psychology”  (Princípios  da  Psicologia  Fisiológica).  

Referências  Biblioteca:  

1. The  language  of  gestures  (1921)  

A.  V.  Biriliov  

Referências  Internet:  

-­‐ A   pesquisa   nos   meios   eletrônicos   de   busca   apontam   para   a   mesma   citação   descrita   por   Vigotski,   em   seu   artigo,   conforme   pode  ser  observada  na  tabela  anterior.  

                                                                                                                         

35   “Admitió   la   teoría   sobre   la   compensación   y   esclareció   cómo   de   la   debilidad   nace   la   fuerza,   de   las   deficiencias,   los   méritos.  Por  compensación  se  afina  en  el  ciego  la  capacidad  de  diferenciar  al  tacto,  no  a  través  de  una  real  elevación  de   la  excitabilidad  nerviosa,  sino  a  través  del  ejercicio  en  la  observación,  la  valoración  y  la  comprensión  de  las  diferencias”   (VYGOTSKI,  s.d/1983/1997,  p.110).  

(33)

Scherbina   Referências  Internet:  

-­‐ Não  há  menção  ao  nome  completo  e/ou  referências.  

Paralelamente às duas anteriores, realizamos uma terceira etapa com

levantamento de teóricos que, em suas obras, dedicaram-se à discussão da

importância dos sentidos para o desenvolvimento, ora focando-se

especificamente nos sentidos das pessoas ditas normais, ora nas pessoas cegas

ou com algum tipo de deficiência visual. Fez se a busca nos meios eletrônicos,

posteriormente na biblioteca da PUC-SP, a qual nos levou, inicialmente, ao nome

de vinte e três teóricos, como mencionados na tabela a seguir, bem como menção

ao conceito de compensação nas áreas do direito, fisiologia, neurologia,

sociologia, física, além da psicologia.

Cabe salientar que muitos são os teóricos que se dedicam a falar sobre os

sentidos de uma forma ampla ao explicar como a alma, o humano se desenvolve.

Devido à vastidão de teóricos que encontraríamos, nos restringimos aos teóricos

que se dedicassem a falar sobre a importância do sentido da visão para o

desenvolvimento humano e, no caso de sua falta, quais as implicações expostas,

bem como aos que referiam ao processo de compensação – que ao longo da tese

se observará que alguns teóricos utilizavam-se de outra nomenclatura para se

referir ao processo de compensação.

Com base no conhecimento prévio de algumas obras anteriormente

estudadas, os teóricos inicialmente elencados foram: Aristóteles (paralelo entre a

percepção e o conhecimento – faculdade perceptiva), Avicena (estudo dos cinco

sentidos), Diderot (estudos sobre a cegueira e a compensação), Rousseau (ser

pensante e sensível – expressão pelos sentidos), Müller (teoria das energias

nervosas específicas – nervos sensoriais) e Luria (estudo das funções corticais e

do comportamento); no entanto, como toda pesquisa em história, durante a leitura

inicial das obras selecionadas, outros teóricos e outras obras foram sendo

descobertos, possibilitando a ampliação do conjunto de estudos e teóricos que se

(34)

Tabela  5:  Os  sentidos  e  a  visão  –  teóricos  que  se  destacaram   Teóricos/Pensadores   Obra/Ano  

Aristóteles  (384-­‐322  a.C.)   De  Anima  (?  a.C.)   Avicena  (980-­‐1037)   Livro  da  Alma  (+  1027)  

John  Locke  (1632-­‐1704)   Ensaio  sobre  o  entendimento  humano  (1690)   George  Berkeley  (1685-­‐

1753)  

Ensaio  para  uma  nova  teoria  da  visão  (1709)   A  teoria  da  visão,  confirmada  e  explicada  (1728)   Voltaire  (1694-­‐1778)   Elementos  da  filosofia  de  Newton  (1738)   Diderot  (1713-­‐1784)   Carta  aos  Cegos  (1749)  

Jean  Le  Rond  D’Alambert   (1717-­‐1783)  

Discurso  Preliminar  (1751)  

Rousseau  (1712-­‐1778)   Emile  (1762)   Johannes  Peter  Müller  

(1801-­‐1858)  

Handbuch  des  Physiologie  des  Menschen  (1833)   Ce  qui  fait  obstacle  a  la  vie  (1914)  

Sigmund  Freud  (1856-­‐ 1939)  

Conceito   psicanalítico   das   perturbações   psicogênicas   da   visão   (1910)  

Henry  Ford  (1863-­‐1947)   My  life  and  work  (1923)  

C.  G.  Jung  (1875-­‐1961)   Psicologia  do  inconsciente  (1912)   O  eu  e  o  inconsciente  (1928)  

Jean  Piaget  (1896-­‐1980)   O  nascimento  da  inteligência  na  criança  (1936)   Anna  Freud  (1895-­‐1982)   O  ego  e  os  mecanismo  de  defesa  (1936)  

Gordon  Willard  Allport   (1897-­‐1967)  

Personalidade  (1937)  

Arthur  Ramos  (1903-­‐1949)   A  criança-­‐problema:  a  higiene  mental  na  escola  primária  (1939)   Philipp  Lersch  (1898-­‐1972)   Aufbau  der  Person  (1954)  

Psicología  Social  –  el  hombre  como  ser  social  (1967)   Oliver  Luis  Zangwill  (1913-­‐

1987)  

Introducción  a  la  psicología  moderna  (1950)  

Alexander  Luria  (1902-­‐ 1977)  

Las  funciones  corticales  superiores  del  hombre  (1973-­‐1977)   Psicologia  Geral  (1979)  

Estudos  sobre  a  história  do  comportamento:  o  macaco,  o  primata  e   a  criança  (1930)  

Albert  Collete  (1915-­‐1962)   Introdução   à   psicologia   dinâmica:   das   teorias   psicanalíticas   à   psicologia  moderna  (1963)  

Gérard  Lebrun  (1930-­‐ 1999)  

O  cego  e  o  filósofo  ou  o  nascimento  da  antropologia  (1972)  

Adam  Schaff  (1913-­‐2006)   Linguagem  e  conhecimento  (1974)   Paul  B.  Baltes  (1939-­‐2006)   Successful  Aging  (1990)  

Há ainda a quarta etapa, na qual nos dedicamos à busca de referências

que revelassem a história da pessoa cega ao longo dos séculos. Esta se deu,

principalmente, durante os estudos da pesquisadora na Universidade de

(35)

precisamente na Biblioteca da Organización Nacional de Ciegos de España,

conhecida como ONCE. Durante visita e conversa com alguns profissionais da

organização tomamos conhecimento da obra “Los ciegos en la historia”, escrita

por Jesús Montoro Martínez37.

A obra em questão está dividida em cinco tomos, sendo esses: Tomo I, da

Pré-história à Idade Média; Tomo II, da Idade Moderna à Idade Contemporânea

(aspectos gerais, América, Espanha, França e Suíça); Tomo III, Idade

Contemporânea (Áustria, Hungria, Alemanha, Checoslováquia, Iugoslávia, Itália,

Bélgica, Luxemburgo, Holanda, Reino Unido, Irlanda, Dinamarca, Islândia,

Noruega, Suécia, Finlândia, União Soviética, Polônia, Romênia, Bulgária, Grécia,

Albânia e Portugal); Tomo IV, Idade Contemporânea (Espanha, de 1808 até

1939); Tomo V, História e Evolução da ONCE (1938 até 1998). Para esta tese

utilizamos apenas os três primeiros tomos como fonte específica para a

construção do capítulo teórico sobre a história da cegueira; os dois últimos tomos

por se aterem especificamente à Espanha e à história da ONCE, foram

estudados, mas não incorporados a este trabalho.

Posto isso e mediante as inúmeras referências encontradas em cada uma

das etapas, nos detivemos à quinta, mas não necessariamente a última etapa: a

leitura de cada uma das obras em busca de indícios sobre o conceito de

compensação que poderiam nos levar à compreensão do mesmo, bem como

servir de referencial para esta tese.

Separado, reunido: transformando informações em referências

Como bem colocado na epígrafe deste capítulo, “O passado se apresenta

ao historiador como uma trama desmedida de textos da mais diversificada

natureza, textos esses que são desmontados e decifrados pelo historiador, a

partir de uma pergunta que ele coloca a partir do seu presente” (COSTA, 2010,

s/p.), ou como diz Certeau (1975/2010), que em história tudo começa com o gesto

de separar, reunir, transformar em documentos certos objetos distribuídos de                                                                                                                          

Imagem

Figura   1:   Hope 1 ,   1885,   George   Frederic   Watts,   Óleo   sobre   tela,   142,2   x   111,8,   Tate   National   Gallery,   Londres.
Figura   2:   La   parabola   dei   ciechi 12 ,   1568,   Pieter   Bruegel,   Tempera,   86   x   154   cm,   Museo   di   Capodimonte,   Napoli.
Tabela   1:   O   defeito   e   a   compensação   –   alguns   teóricos   
Tabela   2:   Os   teóricos   e   suas   obras   I   
+7

Referências

Documentos relacionados

2. Foi o ponto 3.2 da Ordem de Trabalhos “Proposta da Câmara Municipal quanto à Revisão da Estrutura Organizacional dos Serviços Municipais”, aprovado por

Coloque os ovos inteiros na batedeira, junte ½ copo americano de leite temperatu- ra ambiente, bata muito bem até dobrar de volume, acrescente o açúcar, continue batendo, misture

Parte 2: Procedimentos para execução de alvenaria - ABNT NBR 12118: Errata 1- Blocos vazados de concreto simples para alvenaria - Métodos de ensaio. - ABNT NBR 12118:

O candidato e seu responsável legalmente investido (no caso de candidato menor de 18 (dezoito) anos não emancipado), são os ÚNICOS responsáveis pelo correto

Não obstante o progresso nos estudos das relações intraorganizacionais desde os pensadores clássicos, como Wernefelt (1984), Barney (1991) e Peteraf (1993), tem muito trabalho a ser

Apesar da maior perda de massa observada no produto embalado com quatro camadas de filme PVC em relação aos embalados com filme PEBD, aquelas apresentaram-se como as mais

Mas antes de observar-se esta importância que os supermercados têm na comercialização de FLV convencional e/ou orgânico e como são as relações entre estes varejistas e

As aplicações mais importantes que oferece este modo são: a medição de isolamento acústico por terços de oitava, a avaliação de ruído am- biental incluindo correções