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Rev. Bras. Psiquiatr. vol.29 número3

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Academic year: 2018

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Rev Bras Psiquiatr. 2007;29(3):298-9

Esquizofrenia: integração clínico-terapêutica

Malta SM, Attux C, Bressan RA, organizadores. São Paulo: Atheneu; 2007.

Ainda que não representasse uma contribuição ímpar para a abordagem da esquizofrenia sob o enfoque multidisciplinar, o livro Esquizofrenia: integração clínico-terapêutica já corresponderia a uma obra de extremo interesse. Elaborado pe-los integrantes do Programa de Esquizofrenia do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (PROESQ), o livro traduz, ao longo de suas quase 190 páginas, a experiên-cia de 17 anos no tratamento de pacientes esquizofrênicos e na constante formação e aperfeiçoamento de profissionais da área de saúde mental.

A obra é composta por 16 capítulos e intercala aspectos clíni-co-psiquiátricos da esquizofrenia com diversas estratégias de tra-tamento psicossocial. Dessa forma, há tópicos voltados especifi-camente para o tratamento medicamentoso da esquizofrenia, como o capítulo três, contendo princípios gerais do tratamento farmacológico, e o de número 14, que foca o tratamento do paciente esquizofrênico refratário. O atendimento em terapia ocupacional é abordado em capítulo específico, bem como o tratamento psicoterápico grupal, a psicoterapia individual de orientação dinâmica e a de orientação cognitivo-comportamental. Já no capítulo sete, o papel dos profissionais da área de serviço social no tratamento da esquizofrenia é esmiuçado em suas di-versas facetas, incluindo a de intervenções terapêuticas com enfoque familiar.

Adicionalmente, alguns capítulos versam sobre temas pouco encontrados na literatura científica em nosso meio, tais como grupos operativos, grupos de convivência e reabilitação cognitiva. O capítulo 15 (“Bem Estar - Grupo Pró-Saúde”) expõe com maestria a preocupação da equipe do PROESQ com um aspecto por vezes negligenciado no tratamento da esquizofrenia: a saúde física. Nele, são discutidas diversas questões relativas à promo-ção da saúde entre pacientes esquizofrênicos, com destaque para o assim denominado “Grupo Bem-estar”, voltado para o combate ao sedentarismo, a reeducação alimentar e a melhoria da auto-estima dos pacientes.

A maioria dos capítulos se encontra estruturada de maneira semelhante: na primeira parte, são tecidas considerações gerais referentes ao tema em foco. A seguir, são expostas as principais metas de cada tipo de intervenção terapêutica e sua inserção na proposta terapêutica do paciente (item “Objetivos do trabalho”). Finalmente, os autores descrevem em detalhes aspectos práticos referentes à implementação e à aplicação das respectivas pro-postas terapêuticas, em um item intitulado “Como trabalhamos”. Em razão desta estrutura, Esquizofrenia: integração clínico-te-rapêutica caracteriza-se como um excelente guia, não apenas para o leitor que busca atualizar-se no tratamento da esquizofrenia como para aqueles que buscam bases para a estruturação de serviços de saúde mental voltados para o tratamento de pacien-tes psiquiátricos em graus variados de gravidade.

Merece particular destaque o capítulo de número 16, de auto-ria de Jorge Cândido de Assis e Cecília Cruz Villares. Nele, a proposta do assim denominado S.O.eSq. (Serviço de Orientação à Esquizofrenia) é descrita em detalhes. O S.O.eSq integra o programa mundial de combate ao estigma da esquizofrenia

de-nominado “Open the Doors”, promovido pela Associação Mundial de Psiquiatria e desenvolvido, no Brasil, pelo PROESQ e pela Associação Brasileira de Psiquiatria. Trata-se de um excelente fechamento para um livro escrito por pessoas que sempre priorizaram o cuidado do paciente com esquizofrenia em sua totalidade.

Marsal Sanches

Departamento de Psiquiatria e Psicologia Médica, Faculdade de Ciências Médicas, Santa Casa de São Paulo, São Paulo (SP), Brasil

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