A C O N V E N Ç Ã O N. 132 D A OIT E A FALTA DE SEU M A N E J O PEL O S
A P L I C A D O R E S D O DIREITO
O L G A A I D A J O A Q U I M G O M I E R I 1'1
O b e d e c i d a s a s formalidades legais, a p ó s publicação pela imprensa oficial d o Decreto n. 3.197/991'1, e m 5.10.1999, a C o n v e n ç ã o n. 132, d a O r g a n i z a ç ã o internacional d o Trabalho, ratificada pelo Brasil, incorporou- s e a o o r d e n a m e n t o jurídico nacional, trazendo modificações legislativas p e q u e n a s m a s, e m determinados pontos, expressivas, n o capítulo celetário destinado à s férias anuais.
C o m relação à d u ra ç ã o d a s férias, n e n h u m reparo significativo se perpetrou, haja vista o caráter m a i s benéfico d a legislação vigente: cuidou a C o n v e n ç ã o d e estabelecer, e m s e u artigo 3 9, item lll(2), q u e a d u r a ç ã o d a s férias anuais deveria observar o prazo m í n i m o d e três s e m a n a s , lapso t e m poral inferior àquele já estabelecido pelo artigo 1 3 0 (3), d a Consolidação. *123**
(') Juíza d o Tribunal Regional d o Trabalho d a 15 a Região.
(1) Decreto n. 3.197, d e 5.10.99 ( D O U 6.10.99) " O Presidente d a República, n o u s o d a atribuição q u e lhe confere o art. 84, Inciso viu, d a Constituição, Consi de ran do q u e a C o n v e n ç ã o 1 3 2 da Or gan iz açã o Internacional d o Trabalho — O I T sobre Férias Anuais R e m u n e r a d a s (revista e m 1970) foi concluída e m Genebra, e m 24.6.70: Considerando q u e o C o n g r e s s o Nacional aprovou o Ato multilateral e m epígrafe por m e i o d o Decreto Legislativo 47, d e 23.9.81; Consi de ran do q u e o Ato e m tela entrou e m vigor Internacional e m 30,6.73; Consi de ran do q u e o G o v e r n o brasileiro depositou o Instrumento d e Ratificação d a referida C o n v e n ç ã o e m 23.9,98, p a s s a n d o a m e s m a a vigorar, para o Brasil, e m 23.9.99; decreta:
Artigo 1 a — A C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a Or gan iz açã o internacional d o Trabalho — OIT, sobre Férias Anuais R e m u n e r a d a s (revista e m 1970), concluída e m Ge nebra, e m 24.6.70, a p e n s a por cópia a este Decreto, deverá ser executada e cu mprida tão Inteiramente c o m o nela s e contém.
Artigo 2a — Este Decreto entra e m vigor n a data d e s u a publicação.
Brasília, 5.10.99. F e r n a n d o Henrique C a r d o s o
(2) Artigo 3 a — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — (...); 3. A du ra ç ã o da s férias n ã o deverá e m c a s o al g u m ser inferior a 3 (três) s e m a n a s d e trabalho, por 1 (um) a n o d e serviço;.
(3) Artigo 1 3 0 — C L T — A p ó s c a da período d e 1 2 (doze) m e s e s d e vigência d o contrato d e trabalho, o e m p r e g a d o terá direito a férias, na seguinte proporção:
l — 3 0 (trinta) dias corridos, q u a n d o n ã o houver taltado a o serviço ma i s d e 5 (cinco) vezes;
D O U T R I N A N A C I O N A L 103
Tal caráter benéfico, por óbvio, inviabiliza a aplicação d a n o r m a inter
nacional n o q u e pertine à exclusão d o s feriados existentes n o curso d a s férias (item I, d o artigo 6 2I4), d a Convenção), u m a v e z que, para q u e se atingisse o período d e 3 0 dias corridos, seria necessária a ocorrência d e n o ve feriados durante a fruição, hipótese ainda inexistente n o calendário nacional.
N e st e s termos, a única inovação relativa à d u ra ç ã o d a s férias teria consistido n a unificação d o período m í n i m o d e trinta dias para todas as categorias profissionais (exceção a o s marítimos, por força d o artigo 2S(5Í, d a C o nv e n ç ã o) , o q u e significou tratamento igualitário t a m b é m para os domésticos, c o m a c o n s e q ü e n t e desconsideração d o s t e rm o s d o artigo 3 2(6), d a Lei n. 5.859/72.
T a m p o u c o q u an t o à prática d e faltas injustificadas s e p o d e c o nc e b e r a existência d e inovação o u conflito, por haver sintonia entre o m e n c i o n a d o artigo 130, d a CLT, q u e reduz proporcionalmente a d u ra ç ã o d a s férias e m função d a s ausências injustificadas d o trabalhador, e o s artigos 4 2(,> e 5 2<í>, d a C o n v e n ç ã o n. 132, d a OIT.
N e s s e sentido, a c o n c e s s ã o d o período m í n i m o (no c a s o brasileiro, d e trinta dias) faz-se obrigatória a p e n a s para o trabalhador q u e efetiva- *45678
I! — 2 4 (vinte e quatro) dias corridos, q u a n d o houver tido d e 6 (seis) a 1 4 (quatorze) faltas;
III — 1 8 (dezoito) dias corridos, q u a n d o houver tido d e 1 5 (quinze) a 2 3 (vinte e três) taltas;
IV — 12 (doze) dias corridos, q u a n d o houver tido d e 24 (vinte e quatro) a 3 2 (trinta e duas) faltas.
§ 1' É v e d a d o descontar, d o período d e férias, a s faltas d o e m p r e g a d o a o serviço.
§ 2' O período d a s férias será co mpu ta do, para todos o s efeitos, c o m o t e m p o d e serviço.
(4) Artigo 6e — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — 1. O s dias feriados oficiais o u costumeiros, q u er se situem o u n ã o dentro d o período d e férias anuais, n ã o serão c o m p u t a d o s c o m o parte d o período m í n i m o d e férias anuais r e m u n e r a d a s previsto n o parágrafo 3 d o Artigo 3 acima;
(5) Artigo 2 5 — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — 1. A presente C o n v e n ç ã o aplicar-se-á a todas a s p e s s o as e m p r e g a d a s , à e x ceç ão d o s marítimos;
(6) Artigo 3' — Lei n. 5.859/72 — O e m p r e g a d o doméstico terá direito a férias anuais r e m u n e r a d a s d e 20 (vinte) dias úteis, a p ó s c a d a período d e 12 (doze) m e s e s d e trabalho, prestado à m e s m a p e s s o a o u família.
(7) Artigo 4 ! — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — I.Toda p e s s o a q u e lenha completado, n o curso d e 1 (um) a n o determinado, u m período d e serviço d e duração Inferior a o período necessário à obten
ç ã o d e direito à totalidade d a s férias prescritas n o Artigo terceiro a c i m a terá direito, n e s s e ano, a férias d e duração proporcionalmente reduzidas; 2. Para os fins deste Artigo o te r m o «a n o » signi
fica a n o civil o u qualquer outro período d e igual duração fixado pela autoridade o u órgão apro
priado d o país interessado.
(8) Artigo 55 — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — 1. U m período m í n i m o d e serviço p o der á ser exigido para a ob tenção d e direito a u m período d e férias r e m u n e r a d a s anuais; 2. C a b e à autoridade c o m p e t e n t e e a o ór g ã o apropriado d o país interessado fixar a du ra ç ã o m í n i m a d e tal período de serviço, q u e n ã o deverá e m c a so a l g u m ultrapassar 6 (seis) m e ses ; 3. O m o d o d e calcular o período d e serviço para determinar o direito a férias será fixado pela autoridade c o mpe te nte ou pelo ór g ã o apropriado d e c a d a país; 4. N a s condições a s e r e m determinadas pela autoridade compe te nte o u pelo órgão apropriado d e c a d a país, as faltas a o trabalho por motivos i n dep en den
tes d a vontade individual d a p e s s o a e m p r e g a d a interessada tais c o m o faltas devidas a doenças, a acidente, o u a licença para gestante, n ã o po de r ã o ser c o m p u t a d a s c o m o parte d a s férias r e m u neradas anuais m í n i m a s previstas n o parágrafo 3 d o Arligo 3 d a presente Convenção.
m e n t e c u m p r i u s u a s obrigações durante o a n o (não seria razoável dis
p e n s a r tratamento equivalente a o e m p r e g a d o assíduo e a o e m p r e g a d o desidioso).
Q u a n t o a o direito d o trabalhador contratado s o b o regime d e t e m p o parcial, n e n h u m a alteração s e perpetrou, seja p o rq u e compatíveis o s dis
positivos (consíderando-se q u e o direito à totalidade d a s férias s e encontra vinculado a o c u m p r i m e n t o d e u m período mínimo, c o m p l e t a m e n t e h a r m ô nicos o s artigos 4 2 e 5 9, d a C o n v e n ç ã o e o artigo 1 3 0 - A (9), d a CLT), seja p o r q u e o artigo 1 3 0 - A foi acrescentado à C L T pela M e d i d a Provisória n.
2.164-41, d e 24.8.2001 (posteriormente à publicação d o decreto presiden
cial, portanto, o q u e provocaria, d e qualquer forma, a derrogação d o dispo
sitivo internacional — critério d a cronologia).
Q u a n t o a o fracionamento d a s férias, previsto pelo artigo 8 S(’01, d a C o n v e n ç ã o n. 132, d a OIT, estabeieceu-se q u e u m d o s períodos, salvo acor
d o individual o u coletivo, deverá contar c o m n o m í n i m o d u a s s e m a n a s inin
terruptas, alterando-se, desta maneira, o lapso temporal previsto n o § 1®, d o artigo 1 3 4 (" \ d a CLT. E, por inexistir estipulação q u an t o a o n ú m e r o d e frações para o d e s c a n s o e m férias, subsiste a limitação a dois períodos (§
1S, d o artigo 134, d a CLT).
A l é m disso, quanto a o s e g u n d o período d e fruição, elasteceu-se o prazo d o artigo 134, d a CLT, d e v e n d o este ser concedido n o prazo d e 18 m e s e s s u b s e q ü e n t e s à data e m q u e o e m p r e g a d o houver adquirido o direi
to; o u seja, s e o período ininterrupto d e d u a s s e m a n a s d e v e ser c oncedido *I*IIIIVVVI
(9) Artigo 1 3 0 - A — C L T — N a m o dal id ade d o regime d e t e m p o parcial, a p ó s c a d a período d e d o z e m e s e s d e vigência d o contrato d e trabalho, o e m p r e g a d o terá direito a férias, n a seguinte proporção:
I — dezoito dias, para a duração d o trabalho s e m a n a l superior a vinte e d u a s horas, até vinte e cinco horas;
li — dezesseis dias, para a duração d o trabalho s e m a n a l superiora vinte horas, até vinte e d u as horas;
III — quatorze dias, para a duração d o trabalho s e m a n a l superior a quinze horas, até vinte horas;
IV — d o z e dias, para a du ra ç ã o d o trabalho s e m a n a l superior a d e z horas, até quinze horas;
V — d e z dias, para a duração d o trabalho s e m a n a l superior a cinco horas, até d e z horas;
VI — oito dias, para a duração d o trabalho s e m a n a l igual ou inferior a cinco horas.
Parágrafo único. O e m p r e g a d o contratado s o b o r e gim e d e t e m p o parcial q u e tiver m a i s d e sete lallas injustificadas a o longo d o período aquisitivo terá o se u período d e férias reduzido à metade.
(10) Artigo — C o n v e n ç ã o 132, d a O I T — 1 . 0 fracionamento d o período d e férias anuais r e m u neradas p o d e ser autorizado pela autoridade c o mpe te nte o u pelo órgão apropriado d e c a d a país;
2. Salvo estipulação e m contrário contida e m acordo q u e vincule o e m p r e g a d o r e a p e s s o a e m pr eg a d a e m questão, e d e s d e q u e a du ra ç ã o d o serviço desta p e s s o a lhe d ê direito a tal perfodo d e férias, u m a da s frações d o referido período deverá corresponder pelo m e n o s a d u a s s e m a n a s d e trabalho ininterruptos.
(11) Artigo 1 3 4 — C L T — A s férias serão concedidas por ato d o empregador, e m u m só período, no s 12 (doze) m e s e s s u bse qu ent es à data e m q u e o e m p r e g a d o tiver adquirido o direito.
§ 1“. S o m e n t e e m ca s o s excepcionais serão as férias concedidas e m dois períodos, u m d o s quais n ã o p o der á ser inferior a 10 (dez) dias corridos.
D O U T R I N A N A C I O N A L 105
n o s d o z e m e s e s s u b s e q u e n t e s a o período aquisitivo (item I, d o artigo 9 8('21, d a C o nvenção), o restante d a fração p o d e r á ser concedido até seis m e s e s depois d o término deste.
Ressalve-se, por importante que, s e g u n d o o item II d e referido dispo
sitivo, p o de r á a outorga d o s e g u n d o período, s e e xcedente a 1 4 dias, ser postergada, extrapolando tal prazo, s e m p r e q u e tal a d ia m e n t o conte c o m o consentimento d o e m p r e g a d o . Redefinem-se, assim, o s prazos cujo des- c u m p r i m e n t o autoriza a imposição d a multa prevista pelo artigo 1 3 7 (,3>, d a CLT, a p e n a m e n t o q u e fica abolido n a hipótese d e haver interesse d o e m p r e g a d o e m postergar o s e g u n d o período superior a d u a s s e m a n a s .
P a r e c e - m e , outrossim, q u e e s s a c o n d e s c e n d ê n c i a d e tratamento q u an t o a o s e g u n d o período p o d e levar a jurisprudência a padronizar e s sa liberalidade, e s te n d e n do - a t a m b é m a o primeiro período, s e m p r e q u e restar provado q u e tal elastecimento tenha ocorrido por inequívoco interesse d o e m p r e g a d o .
Outro ponto a salientar é a subsistência d o s dispositivos tendentes a orientar o e m p r e g a d o r n a c o n c e s s ã o d a s férias (parágrafos d o artigo 1 3 6 (,4>, d a CLT): considera-se i n a d e q u a d o o posicionamento s e g u n d o o quai a nor
m a internacional teria transformado o p o de r potestativo d o e m p r e g a d o r d e estabelecer o período d e c o n c e s s ã o d e férias {caput d e referido artigo), e m ato negociai, u m a v e z q u e o artigo 1 0 1,5> d a C o n v e n ç ã o resguardou a d e t e r m i n a ç ã o d o e m pr e g a d or , limitando-se a instituir a n e c e s s i d a d e d e consulta, o q u e faz prevalecer, ainda, as n e ce s sidades d a e m p r e s a sobre a possibilidade d e repouso e diversão d o e m p r e g a d o . S e m e s q u e c e r q u e o tratamento ideal será s e m p r e aquele q u e consiga conciliar o s interesses d e a m b a s a s partes. 12131415
(12) Arlígo 9* — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — 1. A parle ininterrupta d o período d e férias anuais r e m u n e r a d a s m e n c i o n a d a n o parágrafo 2 d o Artigo 8 d a presente C o n v e n ç ã o deverá ser outorga
d a e g o z a d a dentro d e n o m á x i m o 1 (um) ano. e o resto d o período d e férias anuais r e m u n e r a d a s dentro d o s pr óximos 18 (dezoito) m e ses , n o má xi m o , a contar d o término d o a n o e m q u e foi adquirido o direito d e g o z o d e térias; 2. Qu alquer parte d o período d e férias anuais q u e exceder o m í n i m o previsto p o der á ser postergada c o m o consentimento d a p e s s o a e m p r e g a d a e m questão, por u m período limitado a l é m daquele fixado n o parágrafo 1 deste Artigo;
(13) Artigo 1 3 7 — C L T — S e m p r e q u e a s férias forem concedidas a p d s o prazo d e q u e (rata o artigo 134, o e m p r e g a d o r p a gar á e m dobro a respectiva remuneração.
(14) Artigo 1 3 6 — C L T — A é p o c a d a c o n c e s s ã o d a s férias será a q u e melhor consulte os interes
s e s d o empregador.
§ 15 O s m e m b r o s d e u m a família, q u e trabalharem n o m e s m o estabelecimento o u em presa, terão direito a gozar térias n o m e s m o periodo, s e as s i m o d e sej ar em e s e disto n ã o resultar prejuízo para o serviço.
§ 2S O e m p r e g a d o estudante m e n o r d e 18 (dezoito) a n o s terá direito a fazer coincidir s u as férias c o m a s térias escolares.
(15) Arfígo í 0 — C o n v e n ç ã o 13 2 d a O i T — f. A ocasião e m q u e a s lérias serão g o z a d a s será determinada pelo empregador, a p ó s consulta à p e s s o a e m p r e g a d a interessada e m questão o u s e us representantes, a m e n o s q u e seja lixada por regulamento, acordo coletivo, sentença arbitrai o u qualquer outra maneira contorme à prática nacional; 2. Para lixar a ocasião d o periodo d e g o zo d a s férias serão levadas e m conta a s necessidades d o trabalho e a s possibilidades d e repouso e diversão a o alcance d a p e s s o a em pre ga da.
Q u a n t o a o período aquisitivo, n ã o representou o n o v o o r d e n a m e n t o jurídico qualquer avanço, u m a v e z q u e a legislação nacional já reconhecia a aquisição d o direito à s férias d e s d e o primeiro m ê s d o contrato laborai (a partir d o 1 5 9 dia trabalhado).
Importância especial h á d e ser atribuída à ligação existente entre as férias proporcionais e o motivo d a rescisão contratual havida antes do cum
primento de um ano de prestação de serviços.
E m q u e p e s e m respeitáveis posicionamentos n o sentido d e q u e teria ocorrido unificação d e tratamento1'6*, garantindo-se o direito à proporciona
lidade para o e m p r e g a d o dispensado por justa c a u s a e para o demissionário, c o m p a c t u o d a tese defendida pelo Excelentíssimo Juiz M a n o e l Carlos T o ledo Filho, q u e e m s e u artigo " O direito a férias e a s C o n v e n ç õ e s 1 3 2 e 1 4 6 d a O I T ”, publicado pela Revista Síntese Trabalhista n. 150, e m d e z e m b r o d e 2001, a d u z q u e a r e m u n e r a ç ã o reduzida d o período d e férias n ã o é devida a o e m p r e g a d o d i spensado por justa causa, u m a v e z q u e “a nin
g u é m é d a d o tirar proveito d e s u a própria torpeza".
N ã o s e olvide a reiterada jurisprudência n o sentido d e q u e a justa c a u s a s o m e n t e p o d e ser aplicada e m c a so s extremos, o q u e reforça a n e cessidade d e subsistência d e m e c a n i s m o s d e retaliação d o direito contra o e m p r e g a d o faltoso.
N e st e s termos, n e n h u m a modificação s e perpetrou q u an t o a o s arti
g o s 1 4 6 1'71 e 1 4 7 « a», d a C L T .
T a m p o u c o s e p o d e falar e m alterações quanto à r e m u n e r a ç ã o d o p e ríodo d e férias, u m a vez q u e a legislação brasileira é m a is favorável q u e o dispositivo internacional. D e s s e m o d o , quanto a o p a g a m e n t o antecipado, 1617
(16) Cite-se o brilhante artigo d o Excelentíssimo Juiz H o m e r o Batista Mateus. “A discreta vi
gência d a C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T sobre férias anuais remuneradas", publicado pela Revista LTr, S u p l e m e n t o Trabalhista 111/01, n o qual a d u z " A novidade legislativa consiste e m unificar o tratamento: todos o s e m p r e g a d o s farão jus à s térias proporcionais q u a n d o d a c e s s a ç ã o do contrato d e trabalho, a partir d a vigência d a C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O r gan iz açã o Internacional do Trabalho. Desne ce ssá rio g r and e esforço para s e concluir q u e o ato faltoso n a d a t e m a ver c o m a s térias: e n q u a n t o o primeiro tolhe o direito a indenizações legais pela rescisão contratual, as s e g u n d a s r e pre se nta m m e t a c o m p e n s a ç ã o pelo estorço tísico continuado a o tongo d e aiguns m e s e s , s e n d o altamente salutar, para a produtividade e para a higidez tfsica, q u e o e m p r e g a d o recobre s u a s energias e libere s u a s toxinas, ainda q u e n ã o se trate e x a t a m e n t e d e u m operário padrão. B u s c a - s e evitar a associação entre o direito às térias e o caráter punitivo d o po d e r diretivo patronal".
(17) Artigo 1 4 6 — C L T — N a c e s s a ç ã o d o contrato d e trabalho, qualquer q u e seja a s u a causa, será devida a o e m p r e g a d o a r e m u n e r a ç ã o simpies o u e m dobro, corrtormeocaso, corre sp ond en
te a o período d e férias cujo direito tenha adquirido.
Parágrafo único. N a ce ssa çã o d o contrato de trabalho, a p ós 1 2 (doze) m e s e s d e serviço, o e m p r e gado, d e s d e q u e n ã o haja sido demitido por justa causa, terá direito à r e m u n e r a ç ã o relativa ao período incompleto d e térias, d e acordo c o m o artigo 130, na proporção d e 1/12 ( u m d o z e avos) por m ê s d e serviço o u fração superior a 14 (quatorze) dias.
(1&) Artigo 1 4 7 — C L T — O e m p r e g a d o q u e íor despedido s e m justa causa, o u cujo contrato d e trabalho s e extinguir e m prazo predeterminado, antes d e completar 12 (doze) m e s e s d e serviço, terá direito à r e m u n e r a ç ã o relativa a o período incompleto d e férias, d e conformidade c o m o dis
posto n o artigo anterior.
D O U T R I N A N A C I O N A L 107
c o m o já existente n o r m a d e o r d e m pública prevista pelo artigo 145*19 2021>, d a CLT, tal afasta a possibilidade d e acordo entre patrão e e m p r e g a d o para q u e tal p a g a m e n t o p o s s a ser feito a p ó s a c o n c e s s ã o d e férias, c o m o m e n cionado n o item 2, d o artigo 7 a(2w, d a C o nv e n ç ã o.
Indispensável mencionar, por fim, q u e a C o n v e n ç ã o n. 132, d a OIT, n o item II d o artigo 6 2(21>, inova a o estabelecer q u e n ã o serão c o m p u t a d o s n o período d e férias o s dias d e incapacidade para o trabalho resultantes d e d o e n ç a o u d e acidentes.
D e s s e inciso p o d e - s e extrair d u a s ilações:
1. s e o e m p r e g a d o for a c om e t i d o por d o e n ç a o u s e sofrer acidente durante a fruição das férias, o período d e licença m é d i c a será excluído d e s e u c ô m p u t o e n ã o p o d e r á ser considerado c o m o parte d o período m í n i m o d e férias anuais remuneradas;
2. s e sofrer d o e n ç a o u acidente fora d o período d e fruição d e férias, o interregno d e afastamento n ã o será c o m p u t a d o para diminuir o u cancelar parte d o período m í n i m o m e nc i o n a do . M a s veja-se q u e existe determina
ç ã o d e q u e tal condição seja prevista pela autoridade c o m p e t e n t e o u órgão apropriado. Carece, pois, d e regulamentação e m c a d a país.
N O S S A S C O N C L U S Õ E S
1. O prazo d e trinta dias corridos para a d u ra ç ã o d a s férias, m a is favorável, inviabiliza a aplicação d a n o r m a internacional n o q u e pertine à exclusão d o s feriados existentes n o curso d a s férias;
2. O c or r e a unificação do período mínimo de trinta dias para todas a s categorias profissionais (exceção a o s marítimos, por força d o artigo 2 a d a C o nv enção), c o m a c o n s e q ü e n t e desconsideração d o s t e rm o s d o artigo 3 a, d a Lei n. 5.859/72.
(19) Arligo 1 4 5 — C L T — O p a g a m e n t o d a r e m u n e r a ç ã o d a s lérias e, s e for o caso, o a b o n o relerido n o artigo 1 4 3 serão efetuados até 2 (dois) dias antes d o inicio d o respectivo período.
Parágrafo único. O e m p r e g a d o dará quitação d o pa gam en to, c o m indicação d o início e d o término d a s férias.
(20) Arligo 7 8 — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — 1. Qu alquer p e s s o a q u e entre e m g o zo d o período d e férias previsto n a presente C o n v e n ç ã o deverá receber, e m relação a o período global, pelo m e n o s a s u a r e m u n e r a ç ã o m é d i a o u normal (incluindo-se a quantia equivalente a qualquer parte de s s a r e m u n e r a ç ã o e m espécie, e q u e n ã o seja d e natureza permanente, o u seja concedida quer o indivíduo esteja e m g o z o d e térias o u não), calculada d e acordo c o m a forma a ser determinada pela autoridade c o m p e t e n t e o u órgão responsável d e c a d a país; 2. A s quantias devidas e m d e corrência d o parágrafo 1 ac i m a deverão ser p a g a s à p e s s o a e m questão antes d o período d e férias, salvo eslipulação em contrário contida e m acordo q u e vincule a referida p e s s o a e seu empregador.
(21) Artigo 6" — C o n v e n ç ã o 1 3 2 d a O I T — (...) 2. E m condições a s e r e m determinadas pela autoridade co mpe te nte ou pelo órgão apropriado d e c a d a pafs, os períodos de incapacidade para o trabalho resultantes d e d o e n ç a o u d e acidentes n ã o poderão ser c o m p u t a d o s c o m o parte d o período m í n i m o d e férias anuais r e m u n e r a d a s previsto n o parágrafo 3, d o Artigo 3 d a presente Convenção.
3. O período m í n i m o sofre r e du ç ã o proporcional n a s hipóteses d e prática d e faltas injustificadas e d e contrato s o b o regime d e t e m p o parcial.
4. Subsiste a possibilidade d e fracionamento d a s férias, ressalvando- s e a ímpossibi/idade d e Q u e u m d o s períodos soja inferior a duas semanas ininterruptas.
5. A c o n c e s s ã o d e ferias d e v e ocorrer até 1 2 m e s e s c o nt a d o s a partir d a aquisição d o direito para o primeiro período, e até 1 8 m e s e s para o restante d a fração.
6. S e superior a 1 4 días o s e g u n d o período, h á possibilidade d e q u e s u a c o n c e s s ã o seja p o stergada m e di a n t e consentimento d o e m p r e g a d o .
7. R e de f i n e m- s e o s prazos cujo d e s c u m p r i m e n t o autoriza a imposi
ç ã o d a multa prevista pelo artigo 137, d a CLT, a p e n a m e n t o q u e fica abolido n a hipótese d e haver interesse do empregado em postergar o segundo período superior a duas semanas.
8. O estabelecimento d o período d e c o n c e s s ã o d e férias, considera
d a s a s n e ce s sidades d a e m pr e s a , a s possibilidades d e r e po u s o e diversão e a consulta a o e m p r e g a d o , continua a s e inserir dentre o s p o d e r e s potes
tativos d o empregador.
9. P e r m a n e c e a vinculação entre o direito à s férias proporcionais e o motivo d a rescisão contratual havida antes d o c u m p r i m e n t o d e u m a n o d e prestação d e serviços.
10. A inovação quanto a o não-cômputo, para efeitos d e fruição n o s p e ríodos d e férias, d o s dias d e incapacidade para o trabalho resultantes d e d o en ç a o u d e acidente, carece d e regulamentação pela autoridade competente.
Finalizando, n ã o h á c o m o deixar d e observar que, mesmo passados quase três anos da data de entrada em vigor, n o Brasil, d a C o n v e n ç ã o n.
132, d a OIT, ainda n ã o s e t e m notícia, e m s e d e d e recurso e m n o s s o s Tribunais, d e qualquer apelo referente à s férias, q u e faça m e n ç ã o expressa a e s s a C o n v e n ç ã o .
O q u e s e p e rc e b e é que, tanto o s apelos c o m o a s respectivas deci
sões, c o nt i n u a m a s e pautar pelas n o r m a s celetistas q u e antes regiam a matéria, s e m qualquer alusão a o n o vo ordenamento.
É q u e a C o n v e n ç ã o n. 132, d a OIT, talvez por ter sido acolhida n o Brasil a p ó s decorridos q u a s e 3 0 (trinta) a n o s d e s u a conclusão e m G e n e bra, n o s c h e g a n d o c o m bastante atraso e q u a n d o n o s s o país já possuía legislação b e m formulada a respeito d e férias, a qual, e m s u a maior parte, é m a i s benéfica a o trabalhador d o q u e a n o r m a internacional, n ã o c a u s o u qualquer impacto, gerando, até, u m a certa estranheza.
Isso explicaria, a m e u ver, o fato incontestável d e ser ela m a i s u m a daquelas leis q u e n ã o " e m p l a c a r a m ”, p e r m a n e c e n d o n o olvido d o s aplica- dores d o Direito1221.
(22) N e s s e m e s m o sentido, a s opiniões d o s ilustres juristas J o s é Luiz Ferreira P r une s e Estevão Maliet, q u e proferiram palestras n o II C o n g r e s s o d e Direito Material e Processual d o Trabalho, e m junho/2001, e m C a mpi na s, SP, tendo esta articulista atuado c o m o C o o r d e n a d o r a d e s s e Painel, q u e se intitulou Alterações n o capítulo d a s férias, d a CLT, pela C o n v e n ç ã o n. 1 3 2 d a OIT.