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iCatch - Sistema de Intelligence para Caracteriza¸ c˜ ao de Ciberataques

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INSTITUTO POLIT ´ ECNICO DE BEJA Escola Superior de Tecnologia e Gest˜ ao Mestrado em Engenharia de Seguran¸ ca

Inform´ atica

iCatch - Sistema de Intelligence para Caracteriza¸ c˜ ao de Ciberataques

Multi-Etapa

Jo˜ ao Pedro P´ ascoa Mendes Orvalho

2019

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(3)

INSTITUTO POLIT ´ ECNICO DE BEJA Escola Superior de Tecnologia e Gest˜ ao Mestrado em Engenharia de Seguran¸ ca Inform´ atica

iCatch - Sistema de Intelligence para Caracteriza¸ c˜ ao de Ciberataques

Multi-Etapa

Elaborado por:

Jo˜ ao Pedro P´ ascoa Mendes Orvalho

Orientado por:

Professor Doutor Rui Miguel Soares Silva

2019

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Resumo

iCatch - Sistema de Intelligence para

Caracteriza¸ c˜ ao de Ciberataques Multi-Etapa

Ataques inform´ aticos tˆ em amea¸cado utilizadores e organiza¸c˜ oes, e tˆ em ficado cada vez mais complexos e sofisticados.

Os NIDSs (Network Intrusion Detection Systems) s˜ ao das ferramentas mais im- portantes utilizadas para monitorizar redes de computadores. Estes sistemas for- necem informa¸c˜ oes importantes, na forma de alertas, quando atividades potenci- almente indesejadas s˜ ao identificadas. Contudo, cada alerta isolado ´ e baseado na observa¸c˜ ao de uma atividade de ataque individual, levando ` a ausˆ encia de um modelo adequado para detetar ataques multi-etapa.

A presente disserta¸c˜ ao, com o intuito de melhorar a seguran¸ca em redes in- form´ aticas, aborda aspetos importantes relacionados com a correla¸c˜ ao de alertas de intrus˜ ao, prop˜ oe um sistema autom´ atico capaz de identificar e reconhecer ataques de rede multi-etapa com base em alertas provenientes de NIDSs, e descreve a im- plementa¸c˜ ao realizada de uma prova de conceito com a finalidade de demonstrar a potencialidade do sistema proposto.

Os resultados dos testes realizados ao sistema revelaram-se bastante promisso- res, mostrando atrav´ es do uso do CPM (Clique Percolation Method) a possibilidade de separar ataques potencialmente n˜ ao relacionados, mostrando que os algoritmos de machine learning n˜ ao supervisionados s˜ ao uma mais valia na identifica¸c˜ ao de passos de ataque, e que o reconhecimento de cen´ arios de ataque com base na seme- lhan¸ca de passos de ataque individuais permite oferecer uma abordagem flex´ıvel no reconhecimento de ataques multi-etapa.

Palavras-chave: Correla¸ c˜ ao de Alertas, Ataque Multi-Etapa, Seguran¸ ca em

Redes, Reconhecimento de Ataques, Identifica¸ c˜ ao de Ataques.

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Abstract

iCatch - Intelligence System to Characterize Multi-Stage Cyber Attacks

Cyberattacks have threatened users and organizations and are becoming more com- plex and sophisticated.

NIDSs (Network Intrusion Detection Systems) are one of the most important tools used to monitor computer networks. These systems provide important infor- mation, in the form of alerts, when potentially unwanted activities are identified.

However, each isolated alert is based on the observation of an individual attack activity, leading to the absence of a suitable model to detect multi-stage attacks.

This master’s thesis, in order to improve security in computer networks, ad- dresses important aspects related to the correlation of intrusion alerts, proposes an automatic system capable of detecting and recognizing multi-stage network attacks based on alerts from NIDSs, and describes the implementation of a proof of concept to demonstrate the potential of the proposed system.

The results of the system tests were quite promising, showing through the use of CPM (Click Percolation Method) the possibility to split potentially unrelated attacks, showing that unsupervised machine learning algorithms provide added value to identify attack steps, and recognizing attack scenarios based on the similarity of individual attack steps provides a flexible approach to multi-stage attack recognition.

Keywords: Alert Correlation, Multi-Stage Attack, Network Security, Attack

Recognition, Intrusion Detection.

(8)
(9)

Agradecimentos

O presente trabalho n˜ ao poderia chegar a bom porto sem o precioso apoio de diversas pessoas. Correndo o risco de injustamente n˜ ao mencionar algu´ em, quero dei- xar expresso os meus profundos agradecimentos, sem qualquer ordem de importˆ ancia definida:

• Ao Professor Doutor Rui Silva, por ter aceite ser o orientador, pela orienta¸c˜ ao prestada, pelo seu incentivo, paciˆ encia, disponibilidade e apoio que sempre demonstrou;

• A todos os docentes do Mestrado em Engenharia de Seguran¸ca Inform´ atica por tudo o que me ensinaram;

• A todos os colegas de Mestrado que permitiram a partilha de valores e conhe- cimentos, ajudando na conclus˜ ao desta etapa;

• Por ´ ultimo, quero agradecer ` a minha fam´ılia pelo apoio incondicional que deram, pela compreens˜ ao e incessante incentivo que sempre demonstraram.

Enfim, quero demonstrar o meu agradecimento, a todos aqueles que, de um modo

ou de outro, tornaram poss´ıvel a realiza¸c˜ ao desta disserta¸c˜ ao.

(10)
(11)

´ Indice

Resumo i

Abstract iii

Agradecimentos v

´ Indice vii

´ Indice de Figuras xi

Abreviaturas e Siglas xiii

1 Introdu¸ c˜ ao 1

2 Fundamenta¸ c˜ ao Te´ orica 5

2.1 Termos e Express˜ oes de Seguran¸ca . . . . 5

2.1.1 Seguran¸ca de Computadores . . . . 5

2.1.2 Atacante . . . . 6

2.1.3 Vulnerabilidade . . . . 6

2.1.4 Vetor de Ataque . . . . 6

2.1.5 Ataque Inform´ atico . . . . 6

2.1.6 Intrus˜ ao em Sistema Inform´ atico . . . . 6

2.1.7 Incidente de Seguran¸ca . . . . 6

2.1.8 Evento . . . . 7

2.1.9 Amea¸ca . . . . 7

2.1.10 Risco . . . . 7

2.1.11 Alerta . . . . 7

2.1.12 Estrat´ egia de Ataque . . . . 8

2.1.13 Exploit . . . 11

2.2 Dete¸c˜ ao e Preven¸c˜ ao de Intrus˜ oes . . . 12

(12)

2.2.1 Firewall . . . 12

2.2.2 IDS . . . 12

2.2.3 IDPS . . . 15

2.2.4 Localiza¸c˜ ao . . . 15

2.2.5 Formato IDMEF . . . 17

2.3 An´ alise de Alertas . . . 18

2.3.1 Correla¸c˜ ao de Alertas . . . 19

2.3.2 Origem do Conhecimento sobre Ataques . . . 23

2.4 Considera¸c˜ oes Finais . . . 24

3 Estado da Arte e Hip´ otese de Investiga¸ c˜ ao 25 3.1 Trabalhos Relacionados . . . 25

3.2 Contexto do Problema e Hip´ otese de Investiga¸c˜ ao . . . 33

3.2.1 Contexto do Problema . . . 33

3.2.2 Hip´ otese de Investiga¸c˜ ao . . . 35

3.3 Considera¸c˜ oes Finais . . . 35

4 Sistema Proposto 39 4.1 Requisitos do Sistema . . . 39

4.2 Arquitetura do Sistema . . . 40

4.2.1 Rece¸c˜ ao de Alertas . . . 42

4.2.2 Normaliza¸c˜ ao de Alertas . . . 44

4.2.3 Divisor de Ataques . . . 45

4.2.4 Pr´ e-processamento de Alertas . . . 48

4.2.5 Clustering de Alertas . . . 50

4.2.6 Redu¸c˜ ao de Alertas . . . 56

4.2.7 Reconhecimento de Cen´ arios de Ataque . . . 57

4.2.8 Prot´ otipo de Prova de Conceito . . . 62

4.2.9 Considera¸c˜ oes Finais . . . 64

5 Avalia¸ c˜ ao Experimental 65 5.1 Experiˆ encia 1 . . . 66

5.1.1 Resultados da Identifica¸c˜ ao de Clusters . . . 68

5.1.2 Resultados do Reconhecimento de Cen´ arios de Ataque . . . . 68

5.2 Experiˆ encia 2 . . . 69

5.2.1 Resultados da Identifica¸c˜ ao de Clusters . . . 70

5.2.2 Resultados do Reconhecimento de Cen´ arios de Ataque . . . . 71

5.2.3 Resultados da Divis˜ ao de Ataques . . . 71

(13)

´Indice 5.3 Considera¸c˜ oes Finais . . . 72

6 Considera¸ c˜ oes e Trabalho Futuro 73

7 Conclus˜ oes 77

Bibliografia 81

Apˆ endices 93

I Imagens relativas ` a aplica¸ c˜ ao web 95

(14)
(15)

´ Indice de Figuras

2.1 Estrutura de cen´ ario de ataque em rede . . . . 9

2.2 Tipos de estrat´ egias de ataque . . . 11

2.3 Arquitetura t´ıpica de rede . . . 16

4.1 Arquitetura de software do sistema . . . 41

4.2 Arquitetura de hardware do sistema . . . 41

4.3 Arquitetura de message broker . . . 43

4.4 Ilustra¸c˜ ao de comunidades k-clique com k=3 . . . 47

4.5 M´ etodos single, complete e centroid . . . 52

4.6 Exemplo de dendrograma . . . 53

4.7 Arquitetura de sistema para o armazenamento de cen´ arios conhecidos . . 61

4.8 Diagrama de classes utilizado para a base de dados . . . 62

I.1 P´ agina principal da aplica¸c˜ ao web . . . 95

I.2 Excerto de relat´ orio exemplo com an´ alise de correla¸c˜ ao de alertas . . . . 96

(16)
(17)

Abreviaturas e Siglas

AA Autoassociador

CPM Clique Percolation Method

CSV Comma Separated Values

CVE Common Vulnerabilities and Exposures

DDoS Distributed Denial-of-Service

DMZ Demilitarized Zone

EM Expectation-Maximization

GAC Graph-based Alert Correlation

HAC Hierarchical Agglomerative Clustering

IDMEF Intrusion Detection Message Exchange Format IDPS Intrusion Detection and Prevention System

IDS Intrusion Detection System

IPS Intrusion Prevention System

JSON JavaScript Object Notation

NIDS Network Intrusion Detection System NIPS Network Intrusion Prevention System

OSI Open System Interconnection

SO Sistema Operativo

SOM Self-Organizing Map

TCP Transmission Control Protocol

TLS Transport Layer Security

(18)
(19)

Cap´ıtulo 1 Introdu¸ c˜ ao

Ataques inform´ aticos tˆ em amea¸cado utilizadores e organiza¸c˜ oes desde o in´ıcio da Internet, sendo que estes ataques s˜ ao caracterizados por serem cada vez mais com- plexos e sofisticados, causando consider´ aveis preju´ızos financeiros [1]. Os atacantes s˜ ao movidos pelas mais variadas raz˜ oes, desde motiva¸c˜ oes econ´ omicas, pol´ıticas, t´ aticas ou competitivas, pela destrui¸c˜ ao ou dano, e fama ou vingan¸ca [2].

Os NIDSs s˜ ao frequentemente implementados para monitorizar tr´ afego em redes de computadores. Todavia, tais sistemas s˜ ao conhecidos pelos seus alertas de baixa qualidade, levando a que a revela¸c˜ ao da estrat´ egica dum ataque diretamente (sem processamento posterior) a partir de alertas seja impratic´ avel [3].

Extrair informa¸c˜ ao ´ util de alertas isolados n˜ ao ´ e uma tarefa simples, visto que pode ser emitido um elevado n´ umero de alertas seja, por exemplo, devido a pro- blemas de configura¸c˜ ao em equipamentos na rede, porque se pretende obter melhor cobertura de monitoriza¸c˜ ao de ataques inform´ aticos levando a incluir diversos sen- sores, ou at´ e devido ` a natureza do tipo de ataque. Podem tamb´ em ser misturados alertas falsos positivos (resultantes, a t´ıtulo de exemplo, de regras gen´ ericas) com verdadeiros positivos.

Os mecanismos de seguran¸ca podem reportar de forma redundante aspetos rela- tivos ao mesmo evento de seguran¸ca, e as rela¸c˜ oes causais entre alertas podem n˜ ao ser identificadas [4].

Al´ em disso, os mecanismos de seguran¸ca geram frequentemente alertas de baixo

n´ıvel (ex.: apenas informa¸c˜ oes como endere¸co IP de origem e destino, natureza da

anomalia e timestamp, n˜ ao descrevendo um problema por completo) ou alertas com

informa¸c˜ ao incompleta (levando a que ataques individuais possam ser representados

por v´ arios alertas), e pode n˜ ao ser poss´ıvel detectar todas as tentativas de ataque

(e consequentemente n˜ ao serem emitidos alertas) [4, 5].

(20)

Tipicamente, os atacantes necessitam de realizar diversas etapas de intrus˜ ao su- cessivamente para alcan¸car um objetivo final. O conjunto dessas etapas ´ e conhecido por ataque multi-etapa, ou at´ e cen´ ario de ataque [1]. Num ataque multi-etapa, a¸c˜ oes pr´ evias alteram e/ou fornecem conhecimento a um atacante com vista a rea- lizar a¸c˜ oes posteriores [6, 7]. Na pr´ atica, um cen´ ario de ataque pode consistir em diversas etapas de ataque, onde cada etapa consiste em um ou mais passos de ataque [8].

Uma caracter´ıstica dos IDSs (Intrusion Detection Systems) ´ e que cada alerta (isolado) ´ e baseado na observa¸c˜ ao de uma atividade associada a um passo de ataque individual [9]. De forma geral, este tipo de sistemas de seguran¸ca auxiliam na dete¸c˜ ao de passos de intrus˜ ao individuais, mas n˜ ao na dete¸c˜ ao de ataques com m´ ultiplas etapas. Isto deve-se ` a ausˆ encia de um modelo adequado para detetar ataques multi-etapa e ` a falta de um m´ etodo para ligar as diversas etapas de um ataque ao comportamento de um atacante.

De modo a que seja obtida uma vis˜ ao panorˆ amica (vis˜ ao ampla de um ataque completo), fundamental para identificar as caracter´ısticas de um ataque inform´ atico e consequentemente entender o mesmo, ´ e necess´ ario correlacionar a informa¸c˜ ao as- sociada ao ataque, com vista a que seja poss´ıvel posteriormente reconstruir e carac- terizar cen´ arios de ataques inform´ aticos [10, 11].

O processo de liga¸c˜ ao das etapas de um ataque e a identifica¸c˜ ao de cen´ arios de ataque multi-etapa ´ e usualmente feito de forma manual [9]. Contudo, ataques que perten¸cam ao mesmo cen´ ario de ataque podem estar espacialmente e tempo- ralmente dispersos, podendo levar a que uma an´ alise manual seja morosa e pouco confi´ avel, sendo propensa a erros [9, 11]. Al´ em disso, podem existir alertas que n˜ ao s˜ ao relevantes e que podem ser ignorados [12].

Uma abordagem promissora para analisar automaticamente alertas de intrus˜ ao

´

e chamada de correla¸c˜ ao [13]. As t´ ecnicas de correla¸c˜ ao de alertas de intrus˜ ao per- mitem que essa tarefa seja facilitada, pois a partir delas s˜ ao descobertas as rela¸c˜ oes entre alertas ao serem extra´ıdas caracter´ısticas em comum que os eventos repor- tados possuam. Estas t´ ecnicas facilitam a interpreta¸c˜ ao dos resultados oferecidos pelos IDSs, pois a partir delas ´ e extra´ıda informa¸c˜ ao de alto n´ıvel, permitindo que novos significados sejam atribu´ıdos aos alertas de intrus˜ ao [14].

Tem existido um grande esfor¸co no campo da correla¸c˜ ao de alertas de seguran¸ca, sendo que existem diversas t´ ecnicas propostas ao longo dos anos, cada uma com a sua pr´ opria arquitetura, t´ ecnica, capacidade, filosofia, e o seu pr´ oprio crit´ erio de desempenho [7].

M´ ultiplos procedimentos de correla¸c˜ ao de alertas tˆ em sido adaptados, entre eles:

(21)

agrega¸c˜ ao de alertas; redu¸c˜ ao de alertas; prioriza¸c˜ ao de alertas; remo¸c˜ ao de falsos positivos; descoberta de alertas em falta; previs˜ ao de sequˆ encias e tipos de ataque;

e identifica¸c˜ ao das causas e rela¸c˜ oes entre alertas. No entanto, muitas destas abor- dagens confiam em regras pr´ e-definidas de correla¸c˜ ao de alertas, e/ou requerem um trabalho humano consider´ avel para criar e/ou manter um sistema ao dependerem da defini¸c˜ ao de regras complexas de correla¸c˜ ao e conhecimento pr´ evio (ex.: carac- ter´ısticas de ataques) para a identifica¸c˜ ao dos ataques, o que leva a dificuldades de implementa¸c˜ ao, a uma manuten¸c˜ ao peri´ odica not´ avel, e a capacidades limitadas em detetar novas estrat´ egicas de ataque [15, 16]. Muitas abordagens s˜ ao ainda pouco flex´ıveis no reconhecimento de ataques, e n˜ ao tˆ em a eficiˆ encia que ´ e desej´ avel na an´ alise de alertas, apresentando algumas limita¸c˜ oes.

O objetivo desejado de qualquer sistema de seguran¸ca ´ e ser o mais aut´ onomo poss´ıvel na identifica¸c˜ ao de ataques [1]. Tendo em conta o referido, o presente trabalho surge no contexto da seguran¸ca em redes de computadores com a necessi- dade do desenvolvimento de um sistema autom´ atico que permita, de forma pr´ atica e eficaz, a identifica¸c˜ ao e reconhecimento (sendo o reconhecimento realizado com base em cen´ arios conhecidos) de cen´ arios de ataque em rede multi-etapa, a partir de alertas provenientes de NIDSs com o intuito de melhorar a seguran¸ca nas redes inform´ aticas.

Neste sentido, com base essencialmente em artigos t´ ecnicos e cient´ıficos, a pre- sente disserta¸c˜ ao aborda aspetos importantes relacionados com a correla¸c˜ ao de aler- tas de intrus˜ ao e prop˜ oe um sistema de identifica¸c˜ ao e reconhecimento de ataques de rede multi-etapa. E ainda descrita a implementa¸c˜ ´ ao realizada de uma prova de conceito com a finalidade de demonstrar a potencialidade do sistema proposto, contribu´ıdo assim com uma abordagem inovadora.

Este trabalho encontra-se inclu´ıdo na desafiante ´ area de investiga¸c˜ ao dos sistemas de detec¸c˜ ao de intrus˜ oes, mais especificamente no ˆ ambito da correla¸c˜ ao de alertas que pode ser considerada como uma forma de aprimorar a dete¸c˜ ao de intrus˜ oes realizada pelos IDSs. Tal como mencionado em [1], pesquisas nesta ´ area de investiga¸c˜ ao s˜ ao atualmente ainda bastante ativas, sendo que ainda se est´ a longe de um modelo autom´ atico de dete¸c˜ ao de ataques multi-etapa confi´ avel.

E importante referir que o sistema desenvolvido n˜ ´ ao ´ e um IDS, mas sim uma ferramenta de p´ os-processamento de alertas de intrus˜ ao provenientes de NIDSs.

A abordagem adotada teve em conta as vantagens das diversas abordagens ana- lisadas com o intuito de dar a melhor resposta aos requisitos do presente trabalho.

Neste sentido, para identificar ataques multi-etapa ´ e aplicado o CPM para reu-

nir alertas prov´ aveis de pertencer ao mesmo ataque multi-etapa, evitando desta

(22)

forma misturar alertas provenientes de ataques potencialmente n˜ ao relacionados para an´ alise, e ´ e utilizado o algoritmo de machine learning n˜ ao supervisionado HAC (Hierarchical Agglomerative Clustering) com o intuito de agrupar alertas relativos a um ataque multi-etapa em passos de ataque. Desta forma, n˜ ao ´ e necess´ ario conhe- cimento pr´ evio pelo sistema proposto sobre ataques de forma a identificar ataques multi-etapa.

No que diz respeito ao reconhecimento de ataques multi-etapa, s˜ ao utilizados m´ etodos matem´ aticos relativos ao c´ alculo de distˆ ancias com vista a calcular o grau de semelhan¸ca dos ataques identificados com os cen´ arios de ataque conhecidos (pre- sentes numa base de conhecimento) com base em passos de ataque.

O sistema proposto foi testado com sucesso num sistema controlado com recurso a virtualiza¸c˜ ao, com base em duas experiˆ encias de cen´ arios de ataque distintos, com o IDS Snort 3, onde foram obtidos resultados bastante interessantes, que expressam a viabilidade do sistema proposto, incentivando a continua¸c˜ ao do seu desenvolvimento no futuro.

Nestas experiˆ encias foi avaliado o desempenho do sistema a identificar clusters de alertas e a reconhecer cen´ arios de ataque conhecidos, sendo que na segunda experiˆ encia foi ainda avaliada a fun¸c˜ ao de divis˜ ao de ataques do sistema.

Partindo do princ´ıpio que muitos atacantes tendem a ser met´ odicos nos ataques inform´ aticos que realizam (ao efetuarem procedimentos e ataques semelhantes), o sistema permitir´ a auxiliar na identifica¸c˜ ao de um atacante ou grupo de atacantes (ex.: equipas de crackers ) que tenham um modus operandi /”assinatura” de ata- que conhecido ao serem reconhecidos passos de ataque semelhantes que possam ser caracter´ısticos dos atacantes.

O presente trabalho, al´ em deste cap´ıtulo que serve de introdu¸c˜ ao essencial,

encontra-se dividido em seis cap´ıtulos. No cap´ıtulo 2 ´ e descrita a fundamenta¸c˜ ao

te´ orica dos conceitos envolvidos no trabalho, no cap´ıtulo 3 ´ e feito o estudo do estado

da arte, no cap´ıtulo 4 ´ e descrito o funcionamento do sistema de correla¸c˜ ao de aler-

tas proposto, e no cap´ıtulo 5 s˜ ao apresentados os resultados experimentais obtidos

com base nos testes realizados. Por fim, no cap´ıtulo 6 s˜ ao mencionadas algumas

considera¸c˜ oes e trabalhos a realizar com vista ` a continua¸c˜ ao de futuras evolu¸c˜ oes do

sistema, e no cap´ıtulo 7 s˜ ao referidas as conclus˜ oes do trabalho realizado.

(23)

Cap´ıtulo 2

Fundamenta¸ c˜ ao Te´ orica

Este cap´ıtulo tem como objetivo descrever a fundamenta¸c˜ ao te´ orica dos conceitos envolvidos no presente trabalho. Inicialmente, na sec¸c˜ ao 2.1, s˜ ao referidas defini¸c˜ oes relativas aos diversos termos relacionados com o ˆ ambito do trabalho, na sec¸c˜ ao 2.2 s˜ ao referidas algumas tecnologias de dete¸c˜ ao e preven¸c˜ ao de intrus˜ oes, na sec¸c˜ ao 2.3 s˜ ao abordadas t´ ecnicas de an´ alise de alertas, e a sec¸c˜ ao 2.4 finaliza com as considera¸c˜ oes finais do cap´ıtulo.

2.1 Termos e Express˜ oes de Seguran¸ ca

Existem m´ ultiplos termos, relacionados com os sistemas de correla¸c˜ ao de alertas, que ser˜ ao abordados ao longo deste trabalho e que podem ser interpretados de diferentes formas. Neste sentido, de modo a evitar que tais termos sejam mal interpretados, ´ e importante clarificar os seus significados adotados neste trabalho para que os mesmos fiquem familiares.

2.1.1 Seguran¸ ca de Computadores

Prote¸c˜ ao oferecida a sistema de informa¸c˜ ao com vista a preservar a integridade (as in-

forma¸c˜ oes s˜ ao modificadas apenas de uma maneira especificada e autorizada), a dis-

ponibilidade (acesso quando requisitado, redundˆ ancia e resistˆ encia a falhas) e a confi-

dencialidade (acesso restrito a entidades devidamente autorizadas) dos recursos dum

sistema de informa¸c˜ ao (incluindo hardware, software, firmware, informa¸c˜ oes/dados

e telecomunica¸c˜ oes) [17, 18].

(24)

2.1.2 Atacante

Indiv´ıduo ou sistema singular aut´ onomo que tenta realizar um ou mais ataques para atingir um objetivo [19].

2.1.3 Vulnerabilidade

Fraqueza num sistema, permitido a¸c˜ oes n˜ ao autorizadas [19].

2.1.4 Vetor de Ataque

Meio pelo qual um atacante pode obter acesso n˜ ao autorizado a um dispositivo ou rede para prop´ ositos nefastos (ex.: dispositivo remov´ıvel, anexo de email, p´ agina de Internet) [20].

2.1.5 Ataque Inform´ atico

Qualquer tipo de atividade maliciosa que tenta coletar, perturbar, negar, degradar ou destruir recursos dum sistema de informa¸c˜ ao ou a informa¸c˜ ao em si [21].

De acordo com a ISO/IEC 27000, um ataque no contexto das redes de computa- dores ´ e definido como uma tentativa para destruir, expor, alterar, desativar, roubar ou ganhar acesso n˜ ao autorizado ou fazer uso n˜ ao autorizado de um ativo [1, 22].

2.1.6 Intrus˜ ao em Sistema Inform´ atico

Associado a um ataque bem sucedido, ap´ os o qual o atacante obt´ em acesso ao sistema alvo. No caso da intrus˜ ao explorar uma vulnerabilidade ainda n˜ ao corrigida ou tornada p´ ublica, a mesma designa-se por zero-day [23].

2.1.7 Incidente de Seguran¸ ca

A¸c˜ oes tomadas atrav´ es da utiliza¸c˜ ao de uma rede de computadores que resultam num efeito adverso sobre um sistema de informa¸c˜ ao e/ou a informa¸c˜ ao a´ı armazenada [21].

Um incidente de seguran¸ca corresponde a um ou mais alertas indesejados ou

inesperados que tenham grande probabilidade de comprometer as opera¸c˜ oes de um

neg´ ocio e amea¸car a seguran¸ca da informa¸c˜ ao [24].

(25)

2.1. Termos e Express˜ oes de Seguran¸ca

2.1.8 Evento

Um evento ´ e qualquer ocorrˆ encia observ´ avel num sistema ou rede [20]. Resulta de a¸c˜ oes direcionadas a alvos espec´ıficos. Um ´ unico evento pode n˜ ao gerar qualquer alerta, mas pode tamb´ em gerar m´ ultiplos alertas [19, 14].

2.1.9 Amea¸ ca

Possibilidade de viola¸c˜ ao da seguran¸ca que existe quando h´ a uma circunstˆ ancia, capacidade, a¸c˜ ao ou evento que pode causar a quebra da seguran¸ca e causar danos [18].

2.1.10 Risco

Potencial preju´ızo para uma organiza¸c˜ ao em caso de ataque [17].

2.1.11 Alerta

Tamb´ em conhecido como alarme, ´ e uma mensagem de aviso que pode indicar um ataque ou um evento suspeito [14]. Um ´ unico alerta pode descrever um conjunto ou sequˆ encia de eventos. Todo o alerta ´ e suspeito, mas um evento n˜ ao ´ e necessariamente suspeito [25].

Caracter´ıstica/atributo de alerta

Campo espec´ıfico contido dentro de um alerta. Alguns exemplos s˜ ao: data, nome do alerta, origem, e destino [14].

Tipos de alertas

Uma caracter´ıstica sempre presente num sistema de classifica¸c˜ ao como um IDS ´ e a impossibilidade de obter resultados absolutamente corretos. Desta forma, um alerta pode ser entendido como:

• Verdadeiro positivo: Acontece quando ´ e gerado um alerta e ocorreu uma ten- tativa de ataque;

• Verdadeiro negativo: Quando n˜ ao ´ e gerado qualquer alerta nem ocorreu qual-

quer tentativa de ataque;

(26)

• Falso negativo: Quando n˜ ao ´ e gerado um alerta e ocorreu uma tentativa de ataque;

• Falso positivo: Acontece quando ´ e gerado um alerta mas n˜ ao ocorreu uma tentativa de ataque, tratando-se de a¸c˜ oes leg´ıtimas.

Apesar de ser imposs´ıvel eliminar completamente os falsos positivos e os falsos negativos, um IDS deve ser configurado de forma a reduzir os resultados err´ oneos atrav´ es de um processo de afina¸c˜ ao. Os limiares de rejei¸c˜ ao/aceita¸c˜ ao devem ser escolhidos adequadamente de acordo com as necessidades.

Correla¸ c˜ ao de alertas

Processo de m´ ultiplas etapas que recebe alertas como entrada e atua como uma plataforma para gerir e entender os alertas [3].

Cluster de alertas

Cole¸c˜ ao de alertas que s˜ ao semelhantes entre si e s˜ ao dissemelhantes em rela¸c˜ ao aos alertas pertencentes a outros clusters [26].

Hiper Alerta

Quando dois ou mais alertas s˜ ao fundidos como parte do processo de correla¸c˜ ao de alertas, o resultado ´ e chamado de meta-alerta ou hiper alerta, ou seja, alertas com informa¸c˜ oes generalizadas e que representam os v´ arios alertas que deram origem ao hiper alerta, levando a um maior n´ıvel de abstra¸c˜ ao e consequentemente permitindo facilitar a an´ alise humana [27].

2.1.12 Estrat´ egia de Ataque

Uma estrat´ egia de ataque ´ e definida como sendo um ataque completo lan¸cado pelo atacante, que consiste em passos e etapas de ataque, sendo que cada etapa pode incluir um ou mais passos de ataque.

Ao contr´ ario de alguns trabalhos nesta ´ area, na presente disserta¸c˜ ao ´ e realizada a distin¸c˜ ao do conceito de etapa e passo de ataque.

Na Figura 2.1 ´ e poss´ıvel verificar uma ilustra¸c˜ ao, criada com base num esquema

de [3], que facilita a compreens˜ ao dos distintos termos em quest˜ ao.

(27)

2.1. Termos e Express˜ oes de Seguran¸ca

Figura 2.1: Estrutura de cen´ ario de ataque em rede

Existe um conjunto de j etapas de ataque indicado por S

i

= {S

1

, S

2

, ..., S

j

} num ataque de rede multi-etapa, sendo que S

i

cont´ em q passos de ataque (tendo em conta o objetivo final do atacante).

Cada passo de ataque ´ e indicado por T

p

, onde p = 1, 2, ..., q e T

p

⊆ S

i

, sendo que T

p

contribui com y eventos que s˜ ao avaliados por um NIDS.

Um evento de rede identificado como malicioso ´ e indicado como E

x

, onde x = 1, 2, ..., y e E

x

⊆ T

p

⊆ S

i

.

Para todo o E

x

ocorrido na rede, um NIDS emitir´ a n alertas, sendo que um alerta ´ e indicado por A

m

, onde m = 1, 2, ..., n e A

m

⊆ E

x

⊆ T

p

⊆ S

i

[3].

De forma geral, um ataque lan¸cado por um atacante pode ser descrito em etapas relacionadas entre si, sendo que alguns ataques podem servir de prepara¸c˜ ao para outros ataques [10].

Um famoso exemplo de um ataque multi-etapa ´ e o cen´ ario simulado especificado em [28], que cont´ em cinco etapas, nomeadamente: descoberta de hosts ativos (host scanning ) em sub-redes, com os hosts descobertos s˜ ao localizadas as m´ aquinas Sola- ris com a ferramenta de administra¸c˜ ao remota sadmind em execu¸c˜ ao, invas˜ ao atrav´ es de explora¸c˜ ao de vulnerabilidade de Solaris sadmind, instala¸c˜ ao de daemon DDoS (Distributed Denial-of-Service) respons´ avel por receber e executar os comandos do atacante, e realiza¸c˜ ao de ataque DDoS a partir de hosts comprometidos.

Numa etapa de descoberta de hosts ativos podem ser realizados passos de ataque

(28)

distintos tais como: TCP SYN ping, NetBIOS scan, ARP scan, envio de pacotes ICMP Echo request, ou at´ e de uma forma mais despercebida atrav´ es da an´ alise (passiva) de DHCP requests cada vez que um host se liga ` a rede.

Num ataque podem ser adotadas estrat´ egias de ataque distintas para atingir os objetivos de ataque. As estrat´ egias podem incluir [17]:

• Ataques diretos - O atacante ataca o alvo sem qualquer intermedi´ ario (sem contar com o encaminhamento normal de tr´ afego). Exemplo: ataques de cache poisoning ;

• Ataques progressivos - O atacante usa hosts intermedi´ arios at´ e chegar ao alvo, dificultando o seu bloqueio visto que esta estrat´ egia de ataque sugere que existam v´ arias op¸c˜ oes at´ e chegar ao alvo. De certa forma, esta estrat´ egia pode ser entendida como uma s´ erie de ataques diretos aplicados de forma sucessiva;

• Ataques em massa - O atacante compromete um grupo de hosts e utiliza-os em conjunto contra o alvo. Em alguns casos, o grupo de hosts atacantes (que s˜ ao tamb´ em v´ıtimas) s˜ ao comprometidos num ataque para serem mantidos e usados em ataques posteriores. ´ E utilizado particularmente em ataques de DDoS, ex.: atrav´ es de botnets;

• Ataques de desorienta¸c˜ ao - O atacante gera tr´ afego para confundir ou distrair os defensores da rede de lidarem com os ”verdadeiros” ataques (ex.: ataque direto) atrav´ es de um ataque mascarado (ex.: com recurso a IP spoofing ) e/ou atrav´ es de ”manobras de divers˜ ao” (onde s˜ ao simulados ataques contra recursos que os atacantes sabem que os defensores devem proteger), aumentando assim as hip´ oteses de um ataque de sucesso.

A Figura 2.2, criada com base no trabalho [17], retrata os diversos tipos de

estrat´ egias de ataque mencionadas.

(29)

2.1. Termos e Express˜ oes de Seguran¸ca

Figura 2.2: Tipos de estrat´ egias de ataque

2.1.13 Exploit

Meio pelo qual um atacante tira partido de uma vulnerabilidade, podendo ser desde poucas linhas de c´ odigo a blocos de c´ odigo com maior dimens˜ ao e complexidade.

[29].

Payload

C´ odigo que o atacante quer que a v´ıtima execute (ex.: reverse shell).

(30)

Shellcode

Tradicionalmente ´ e o c´ odigo bin´ ario que executa uma shell (ex.: Meterpreter shell ).

Contudo, pode ser definido como o c´ odigo que ´ e executado assim que um exploit tem sucesso. ´ E uma s´ erie de instru¸c˜ oes usadas como um payload aquando da explora¸c˜ ao de uma vulnerabilidade.

2.2 Dete¸ c˜ ao e Preven¸ c˜ ao de Intrus˜ oes

Alertas de seguran¸ca podem ser provenientes de diversas tecnologias de uma infra- estrutura de sistemas de informa¸c˜ ao. Nesta sec¸c˜ ao s˜ ao referidas algumas tecnologias de dete¸c˜ ao e preven¸c˜ ao de intrus˜ oes.

2.2.1 Firewall

Firewall ´ e um componente ou conjunto de componentes, de software e/ou hardware, utilizados para dividir, controlar, e restringir o acesso entre partes protegidas de uma rede e a Internet, ou entre diferentes grupos de redes [24, 30].

Estes dispositivos s˜ ao dedicados para an´ alise e bloqueio de tr´ afego n˜ ao desejado, tradicionalmente com base no header dos pacotes, sendo adequados para impedir apenas certos tipos de ataques pois, de forma geral (com exce¸c˜ ao, a t´ıtulo de exemplo, de firewalls de n´ıvel 7 do modelo OSI (Open System Interconnection)), n˜ ao tˆ em a capacidade de procurar por anomalias ou padr˜ oes espec´ıficos no conte´ udo dos pacotes, tal como os IDSs tˆ em. Por estas raz˜ oes, as firewalls devem trabalhar em conjunto com os IDSs na prote¸c˜ ao das redes [31, 32].

As firewalls podem ser consideradas com sendo de natureza stateless ou statefull.

O tipo stateless consome menos recursos pois n˜ ao armazena registos das liga¸c˜ oes, lidando com regras explicitamente definidas por um administrador. Por outro lado, o tipo statefull necessita de mais recursos pois armazena os registos das liga¸c˜ oes, sendo poss´ıvel escrever regras mais flex´ıveis, tal como: ”Permitir liga¸c˜ oes originadas de uma m´ aquina local e n˜ ao aceitar liga¸c˜ oes provenientes da Internet, exceto as que sejam respostas ` as liga¸c˜ oes iniciadas pela rede local”[33].

2.2.2 IDS

Visto que ´ e irrealista construir um sistema perfeitamente seguro, os IDSs tˆ em

um papel importante a desempenhar na identifica¸c˜ ao de amea¸cas e a¸c˜ oes mal-

intencionadas.

(31)

2.2. Dete¸c˜ ao e Preven¸c˜ ao de Intrus˜ oes A comunidade de seguran¸ca de computadores desenvolveu diversos IDSs, cada um com o seu foco e com as suas funcionalidades [24]. Estes dispositivos, de hardware e/ou software, tˆ em como fun¸c˜ ao a monitoriza¸c˜ ao de eventos em um ambiente que seja um potencial alvo de um ataque inform´ atico [34].

A an´ alise dos eventos observados pode revelar a existˆ encia de amea¸cas relaciona- das com a explora¸c˜ ao de vulnerabilidades tecnol´ ogicas dos sistemas monitorizados ou de viola¸c˜ oes das pol´ıticas de seguran¸ca de uma organiza¸c˜ ao.

Os dois tipos mais comuns de IDSs s˜ ao os de dete¸c˜ ao por assinaturas (tamb´ em chamados de dete¸c˜ ao por abuso) e de dete¸c˜ ao por anomalia, sendo que ambos tˆ em em comum um resultado: alertas [10, 35]. Os IDSs podem funcionar em ambos os modos, podendo operar, de forma complementar, a n´ıvel de rede (NIDS) ou de hosts (HIDS) [30].

Existem diversos IDSs atualmente, entre eles: Snort, Suricata, Bro e OSSEC.

O Snort [36] ´ e um dos IDSs mais populares, sendo atualmente desenvolvido pela Cisco. Este IDS, de c´ odigo aberto, ´ e baseado em libpcap, e pode atuar como sniffer e/ou logger de pacotes e tamb´ em como NIDS/NIPS (Network Intrusion Prevention System).

Os IDSs do tipo HIDS baseiam o seu funcionamento na monitoriza¸c˜ ao de diferen- tes tipos de entidades dentro de um sistema computacional, tais como: sequˆ encia de chamadas (system calls ) ao SO (Sistema Operativo), altera¸c˜ oes ao sistema de arquivos, arquivos de log, configura¸c˜ ao do SO, entre outros.

No que se refere aos IDSs do tipo NIDS, tipicamente operam sobre a an´ alise de pacotes que trafegam num segmento de rede. A an´ alise pode envolver tanto o header quanto o payload dos pacotes monitorizados.

Os sistemas de dete¸c˜ ao de anomalias estabelecem um padr˜ ao de uso normal (ou perfil), sendo que esse comportamento ´ e descrito atrav´ es de heur´ısticas e estat´ısticas, e ´ e comparado com o comportamento corrente com base em diversos indicadores, tais como o volume de tr´ afego, tipos de acesso, uso do processador e disco, entre outros [10]. Os perfis gerados podem ser est´ aticos (alterados durante o funcionamento do sistema e devem ser reconstruidos periodicamente) ou dinˆ amicos (alterados em tempo real, em fun¸c˜ ao dos eventos observados).

Mudan¸cas percebidas em rela¸c˜ ao ao padr˜ ao s˜ ao traduzidas em alertas de in-

trus˜ ao. Estes sistemas procuram determinar aquilo que foge do comum, ou seja,

do comportamento considerado normal num sistema. Numa etapa inicial devem ser

recolhidos alguns dados capazes de definir certos tipos de comportamentos do am-

biente em an´ alise. Esses dados s˜ ao ent˜ ao submetidos a uma ”fase de treino”. Nesta

fase s˜ ao estabelecidos os limites do comportamento normal e definidos os limiares

(32)

para a dete¸c˜ ao dos eventos [34].

Relativamente aos sistemas baseados em assinaturas, os mesmos codificam sequˆ encias de a¸c˜ oes como assinaturas de ataques que representam o comportamento de ataques j´ a conhecidos. Essas assinaturas s˜ ao ent˜ ao confrontadas com as atividades correntes do sistema: caso a intrus˜ ao previamente modelada ocorra e combine com a assina- tura gerada a dete¸c˜ ao ser´ a realizada [24, 34]. Esta ´ e a t´ ecnica mais utilizada na pr´ atica [37].

Embora os sistemas baseados em assinaturas sejam conhecidos pela sua boa pre- cis˜ ao de dete¸c˜ ao devido ao n´ umero reduzido de falsos positivos que s˜ ao detetados, a grande dificuldade dos mesmos ´ e a dete¸c˜ ao de novos ataques ou implementa¸c˜ oes dis- tintas de um ataque (onde se incluem as amea¸cas polim´ orficas e zero-day [38]), visto que estes sistemas utilizam os comportamentos de ataques previamente conhecidos para realizar a dete¸c˜ ao. Por esta raz˜ ao, este tipo de sistemas devem ser atualizados regularmente.

No que se refere aos IDSs baseados em anomalia, estes tˆ em como principal vanta- gem a capacidade de detetar novos ataques, no entanto, geralmente n˜ ao apresentam informa¸c˜ oes claras sobre os eventos maliciosos, sofrem com a dete¸c˜ ao de altas taxas de falsos positivos e a defini¸c˜ ao do comportamento normal para um sistema pode tornar-se dif´ıcil e extensiva [30, 34].

E importante referir ainda que existem essencialmente dois m´ ´ etodos de an´ alise, que podem ser utilizados em conjunto, adotados pelos NIDSs para a an´ alise dos dados que recebem, nomeadamente [31]:

• An´ alise baseada em pacotes - Tamb´ em conhecido por NIDSs tradicional, pro- cessa cada pacote que recebe. Al´ em dos cabe¸calhos, tamb´ em analisa o payload.

Apesar de produzir menos falsos alertas, exige mais tempo de processamento;

• An´ alise baseada em fluxos de pacotes - Em vez de analisar todos os pacotes, analisa informa¸c˜ ao resumida de pacotes relacionados na forma de fluxo, sendo que a informa¸c˜ ao a ser analisada ´ e reduzida e consequentemente ´ e exigido menos tempo de processamento. ´ E utilizado normalmente em redes de alta velocidade.

Um fator que afeta adversamente a efic´ acia de IDS consiste na utiliza¸c˜ ao, por

parte dos atacantes, de t´ ecnicas evasivas que alteram o formato ou a temporiza¸c˜ ao

das suas mensagens para que estas aparentem ser inofensivas. Alguns IDS possuem

m´ etodos que detetam t´ ecnicas evasivas, realizando um processamento das mensagens

de forma semelhante ao sistema alvo [39].

(33)

2.2. Dete¸c˜ ao e Preven¸c˜ ao de Intrus˜ oes Os IDSs, por si s´ o, n˜ ao s˜ ao confi´ aveis o suficiente, levando a que os alertas necessitem de serem correlacionados com vista a revelar as rela¸c˜ oes entre alertas para que as estrat´ egias de ataque sejam identificadas [40].

Os dados obtidos de um IDS podem ser utilizados para mitigar um ataque no momento em que o mesmo ocorre, ou para uma an´ alise posterior da seguran¸ca da rede, e at´ e como evidˆ encia de um ataque.

Frequentemente as informa¸c˜ oes relativas a atividades maliciosas s˜ ao recolhidas de forma centralizada usando um SIEM (Security Information and Event Management), utilizado para uma melhor organiza¸c˜ ao, auxilio na dete¸c˜ ao, an´ alise, e mitiga¸c˜ ao de incidentes de seguran¸ca, permitindo ter uma vis˜ ao dos eventos de seguran¸ca de toda uma organiza¸c˜ ao.

2.2.3 IDPS

Um IDPS (Intrusion Detection and Prevention System), tamb´ em conhecido como IDS ativo, ´ e uma das formas eficazes de proteger uma rede, oferecendo uma plata- forma unificada que permite monitorizar o estado da mesma (rede), impedindo que ataques causem danos atrav´ es de medidas de resposta apropriadas.

Estes tipos de sistemas consistem em trˆ es dom´ınios: dete¸c˜ ao de intrus˜ oes (relativo aos IDSs), correla¸c˜ ao de alertas (processa e analisa alertas com vista a descobrir as rela¸c˜ oes entre eles), e preven¸c˜ ao de intrus˜ oes (relativo aos IPSs (Intrusion Prevention Systems), sugere um plano de resposta apropriado para a intrus˜ ao detetada, de modo a impedir que a rede seja danificada) [3].

2.2.4 Localiza¸ c˜ ao

A localiza¸c˜ ao dos sistemas de seguran¸ca referidos numa rede de computadores varia consoante a categoria a que pertencem e de acordo com os requisitos de cada sistema.

De forma geral, um NIDS ´ e instalado de forma passiva, capturando as comunica¸c˜ oes num segmento de rede, sem interagir diretamente com o tr´ afego de rede. No que se refere ao IPS, o mesmo deve ser instalado em linha antes do segmento de rede que se pretende monitorizar, de forma a poder bloquear ativamente a comunica¸c˜ ao em caso de dete¸c˜ ao de intrus˜ oes.

Na figura 2.3 encontra-se ilustrado a arquitetura t´ıpica de uma rede.

(34)

Figura 2.3: Arquitetura t´ıpica de rede

E tamb´ ´ em comum a utiliza¸c˜ ao de um dispositivo ”Network TAP” para dividir o tr´ afego de rede com o intuito de criar uma c´ opia do tr´ afego para inspe¸c˜ ao.

Os IDSs e IPSs podem enviar alertas para serem geridos na ”Rede de Gest˜ ao”

com vista a que seja realizada a correla¸c˜ ao de eventos de forma a que sejam reco- nhecidos padr˜ oes de ataque de modo mais abrangente ao inv´ es de serem examinados ataques detetados individualmente por cada um dos IDS/IPS.

Embora a dete¸c˜ ao de intrus˜ oes esteja dispersa por diversos pontos da rede, o controlo e monitoriza¸c˜ ao do seu funcionamento est´ a concentrado num ponto central.

Enquanto que a consola ´ e utilizada para a monitoriza¸c˜ ao e/ou configura¸c˜ ao de

sensores, bem como os v´ arios servidores do sistema, o servidor de gest˜ ao realiza uma

an´ alise mais detalhada da informa¸c˜ ao recolhida pelos sensores e efetua a correla¸c˜ ao

de eventos registados pelos v´ arios sensores. O servidor de base de dados pode, a

(35)

2.2. Dete¸c˜ ao e Preven¸c˜ ao de Intrus˜ oes t´ıtulo de exemplo, armazenar a informa¸c˜ ao gerada pelos sensores.

E importante referir que atualmente existem solu¸c˜ ´ oes que incluem num ´ unico dispositivo v´ arias solu¸c˜ oes de seguran¸ca. Por exemplo, um UTM (Unified Threat Management) inclui fun¸c˜ oes como: antimalware, firewall de rede, dete¸c˜ ao e pre- ven¸c˜ ao de invas˜ oes, entre outras.

DMZ

Uma DMZ (Demilitarized Zone), conhecida tamb´ em como rede de per´ımetro, ´ e uma sub-rede l´ ogica ou f´ısica que cont´ em e exp˜ oe servi¸cos na fronteira externa de uma organiza¸c˜ ao com uma rede maior e n˜ ao confi´ avel (geralmente a Internet). Os dispositivos presentes nesta regi˜ ao, ou seja entre a rede confi´ avel (geralmente a rede local) e a rede n˜ ao confi´ avel est˜ ao na zona desmilitarizada.

A DMZ tem como fun¸c˜ ao manter todos os servi¸cos que possuem acesso externo (tais como servidores HTTP, FTP, E-mail, DNS, entre outros) juntos numa sub- rede, limitando assim, o potencial dano em caso de comprometimento de algum desses servi¸cos por um atacante. De forma a atingir esse objetivo, os computadores presentes numa DMZ n˜ ao devem ter forma de acesso ` a rede privada local (rede confi´ avel).

Esta configura¸c˜ ao ´ e realizada atrav´ es do uso de firewalls, que realizam o controlo de acesso entre a rede local, a Internet, e a DMZ [41].

2.2.5 Formato IDMEF

Para cada tipo de ferramenta de seguran¸ca uma sa´ıda ´ e utilizada visando o prop´ osito de cada ferramenta. Devido ` as in´ umeras formas e focos de dete¸c˜ ao de intrus˜ oes, cada IDS realiza uma an´ alise e emite um alerta num formato particular, focado na sua metodologia de dete¸c˜ ao.

Com vista a alcan¸car o principal objetivo da correla¸c˜ ao de alertas, ´ e recomendado que exista uma padroniza¸c˜ ao desses alertas. A obten¸c˜ ao de uma sa´ıda padronizada

´ e importante para que exista uma independˆ encia no uso dos variados sistemas de defesa de intrus˜ oes [42].

Com o objetivo de viabilizar a intera¸c˜ ao e integra¸c˜ ao de distintas tecnologias

de seguran¸ca, o Internet Engineering Task Force publicou um padr˜ ao orientado a

objetos voltado para alertas de seguran¸ca denominado IDMEF (Intrusion Detection

Message Exchange Format), que se encontra descrito no RFC 4765 [43]. O padr˜ ao

define os formatos dos dados e procedimentos para trocas de informa¸c˜ oes entre

sistemas de dete¸c˜ ao de intrus˜ ao e sistemas de gest˜ ao de seguran¸ca [24].

(36)

Este padr˜ ao ´ e implementado em XML (Extensible Markup Language) e tem sido utilizado em diversos trabalhos de correla¸c˜ ao de alertas como forma de representar os alertas [8, 24].

Este ´ e um padr˜ ao bastante dinˆ amico que pode permitir desde a padroniza¸c˜ ao de um simples alerta, com poucas informa¸c˜ oes, at´ e um alerta mais robusto que contemple informa¸c˜ oes extra [34]. Desta forma, o IDMEF pode exibir informa¸c˜ oes bastante simples ou at´ e mesmo um alerta mais detalhado. Essa flexibilidade deriva da necessidade de atender os mais diversos tipos de alertas que podem ser gerados pelos m´ ultiplos sistemas de seguran¸ca [42].

O IDMEF est´ a principalmente preocupado com as regras de escrita. No entanto,

´

e importante referir que ´ e comum os IDSs escolherem diferentes nomes para clas- sificar os alertas, fornecerem informa¸c˜ ao incompleta para determinados atributos, ou decidirem incluir campos adicionais para guardar dados relevantes [27]. Neste sentido, uma classifica¸c˜ ao comum de ataques pode ser necess´ aria para que exista interoperabilidade entre entidades distintas [44].

2.3 An´ alise de Alertas

Os problemas associados aos IDSs levaram ao surgimento de diversos m´ etodos de processamento de alertas.

O tratamento de alertas de intrus˜ ao pode ser dividido em duas categorias: clas- sifica¸c˜ ao de alertas e correla¸c˜ ao de alertas [10, 25]. No entanto, ´ e importante referir que ´ e utilizado frequentemente o termo de correla¸c˜ ao de alertas como um nome gen´ erico que abrange diversas t´ ecnicas distintas de processamento de alertas, entre as quais: normaliza¸c˜ ao, correla¸c˜ ao, agrega¸c˜ ao e fus˜ ao [7]. Neste sentido, a an´ alise de alertas ´ e popularmente conhecida como correla¸c˜ ao de alertas [40].

A categoria de classifica¸c˜ ao de alertas corresponde aos m´ etodos que manipulam

alertas com base nos seus atributos, geralmente realizando agrupamentos que repre-

sentam categorias de alertas com vista a oferecer resultados mais relevantes. Este

processo tem como objetivo classificar os alertas pelos seus tipos com vista a, por

exemplo, remover falsos positivos, reduzir alertas redundantes, identificar causas

raiz (a raz˜ ao para tal alerta ocorrer), diferenciar entre ataques realizados com su-

cesso e sem sucesso ou priorizar alertas (de modo a avaliar a importˆ ancia dos alertas

gerados pelos sensores, com base em fatores como a criticidade do alvo/origem, a

criticidade do ataque e a certeza do alerta) [10]. Estes m´ etodos s˜ ao utilizados para

pr´ e-processamento de alertas e podem levar ` a perda de informa¸c˜ ao [25].

(37)

2.3. An´ alise de Alertas Em rela¸c˜ ao ` a categoria de correla¸c˜ ao de alertas, a mesma procura entender as rela¸c˜ oes de causalidade entre os alertas, buscando ligar alertas numa sequˆ encia l´ ogica, tentando, a t´ıtulo de exemplo, reconstruir um cen´ ario de ataque multi-etapa ou prever pr´ oximos tipos de alertas.

Ambas as categorias podem recorrer a t´ ecnicas estat´ısticas, machine learning, regras para a cria¸c˜ ao de rela¸c˜ oes entre alertas, entre outros. Os m´ etodos de classi- fica¸c˜ ao e os m´ etodos de correla¸c˜ ao de alertas s˜ ao, geralmente, utilizados em conjunto [10].

A diferen¸ca entre a correla¸c˜ ao de alertas (na sua essˆ encia) e outras t´ ecnicas de an´ alise de alertas, ´ e que a mesma tenta encontrar rela¸c˜ oes entre alertas, mostrando o progresso de ataques [35]. Com o intuito de simplificar, ´ e utilizado no presente trabalho o termo de correla¸c˜ ao de alertas como uma express˜ ao gen´ erica.

2.3.1 Correla¸ c˜ ao de Alertas

Os alertas de seguran¸ca s˜ ao gerados de forma independente, contudo estes alertas podem ter liga¸c˜ oes entre si. A correla¸c˜ ao de alertas pode ser definida como um processo composto por diversos componentes com o prop´ osito de analisar alertas e fornecer uma vis˜ ao de alto n´ıvel sobre o estado de seguran¸ca da rede em observa¸c˜ ao [45].

A correla¸c˜ ao de alertas define o processo autom´ atico que encontra a rela¸c˜ ao entre alertas e os seus atributos, sendo que tais rela¸c˜ oes s˜ ao cruciais para revelar o comportamento de um atacante (em termos de estrat´ egia de ataque) [3].

Um sistema de correla¸c˜ ao de alertas pode, a t´ıtulo de exemplo, receber alertas de sensores distintos e formatar e padronizar alertas de intrus˜ ao, reduzir falsos alertas, eliminar alertas de intrus˜ ao redundantes, detetar padr˜ oes de ataque, priorizar alertas de intrus˜ ao, prever estados de ataques futuros, identificar os objetivos do atacante, descobrir cen´ arios de ataque e reconhecer estrat´ egias de ataque, detetar a raiz do problema em ataques, e reconstruir cen´ arios de ataque a partir dos alertas obtidos, permitindo oferecer uma melhor compreens˜ ao dos incidentes ocorridos. ´ E essencial referir que ´ e poss´ıvel variar na abordagem da correla¸c˜ ao, dependendo dos objetivos de cada sistema [46, 14, 42, 45, 3].

Diversas abordagens tˆ em sido propostas para dar resposta aos desafios da cor-

rela¸c˜ ao de alertas. Os algoritmos de correla¸c˜ ao de alertas, segundo o artigo [46],

podem ser divididos essencialmente em trˆ es categorias, com base nas suas carac-

ter´ısticas. Estes algortimos podem ser baseados em: semelhan¸cas, conhecimento, e

estat´ısticas.

(38)

Baseados em Semelhan¸ cas

Alertas que pertencem ao mesmo ataque individual tˆ em frequentemente atributos semelhantes [47]. Al´ em disso, alertas semelhantes tendem a ter causas semelhantes ou efeitos semelhantes sobre os recursos de uma rede [45].

Esta abordagem correlaciona alertas com base nas semelhan¸cas das caracter´ısticas dos mesmos, tais como o endere¸co de origem, endere¸co de destino, e n´ umero de porta, sendo que alertas com um elevado grau de semelhan¸ca s˜ ao correlacionados [48].

Apesar deste tipo de t´ ecnicas terem a vantagem de conseguirem agrupar alertas sem a defini¸c˜ ao precisa dos tipos de ataque, n˜ ao conseguem encontrar a rela¸c˜ ao casual entre alertas, visto que estes m´ etodos agrupam alertas com base nas semelhan¸cas dos seus atributos [46, 44].

Os trabalhos [49, 27] s˜ ao das referˆ encias mais citadas na literatura.

Baseados em Conhecimento

Os algoritmos existentes nesta categoria s˜ ao divididos em duas principais subcate- gorias, nomeadamente pr´ e-requisitos e consequˆ encias, e cen´ ario de ataque.

Na subcategoria pr´ e-requisitos e consequˆ encias cada incidente ´ e encadeado a outro incidente atrav´ es de uma rede de conjun¸c˜ oes e disjun¸c˜ oes predefinidas gerando uma rede de poss´ıveis ataques.

Visto que os ataques e as suas variantes geram normalmente um elevado n´ umero de poss´ıveis cen´ arios, a utiliza¸c˜ ao de regras (com pr´ e-condi¸c˜ oes e p´ os-condi¸c˜ oes de ataques) tem sido empregada para colmatar este problema, reduzindo o n´ umero de poss´ıveis cen´ arios de ataque armazenados [45].

Embora estes algoritmos n˜ ao necessitem de uma defini¸c˜ ao precisa de cada cen´ ario de ataque como os algoritmos baseados em cen´ arios, ´ e necess´ ario um conhecimento pr´ evio para a defini¸c˜ ao dos pr´ e-requisitos que podem gerar os ataques e dos poss´ıveis resultados desses ataques. Desta forma, n˜ ao ´ e necess´ ario inserir uma grande quan- tidade de regras de correla¸c˜ ao, bastando declarar as condi¸c˜ oes necess´ arias para que um ataque seja realizado com sucesso e as poss´ıveis consequˆ encias do ataque em quest˜ ao. Contudo, diversas abordagens deste tipo, descrevem as pr´ e e p´ os condi¸c˜ oes de forma manual, levando a que seja um processo intensivo e dif´ıcil [25, 50].

Durante o processo de constru¸c˜ ao dos pr´ e-requisitos e consequˆ encias, os mesmos s˜ ao constru´ıdos um por um sem definir a sequˆ encia dum ataque, visto que a mesma

´

e constru´ıda automaticamente atrav´ es da liga¸c˜ ao dos pr´ e-requisitos e consequˆ encias

[1].

(39)

2.3. An´ alise de Alertas Com o conhecimento dos pr´ e-requisitos e consequˆ encias, ´ e poss´ıvel correlacionar alertas relacionados ao identificar as rela¸c˜ oes causais entre eles (ex.: ao realizar a correspondˆ encia entre as consequˆ encias dos alertas anteriores com os pr´ e-requisitos dos alertas posteriores) [25]. A rela¸c˜ ao causal pode ser utilizada para tentar prever os alertas consequentes poss´ıveis [10].

E importante referir que nesta abordagem um novo ataque pode n˜ ´ ao conseguir ser ”emparelhado” com outros ataques caso os seus pr´ e-requisitos e consequˆ encias n˜ ao estejam definidos [51]. Al´ em disso, informa¸c˜ ao sobre o ambiente e o estado do sistema a ser monitorizado pode ser especialmente crucial neste m´ etodo [47].

Esta abordagem pode ser adotada, por exemplo, atrav´ es das linguagens de mo- dela¸c˜ ao de ataques (ex.: LAMBDA [52] e JIGSAW [53]) utilizadas para descrever as pr´ e e p´ os condi¸c˜ oes [47].

Os trabalhos [54, 55] s˜ ao dos mais citados na literatura.

Na subcategoria cen´ ario de ataque os algoritmos s˜ ao baseados na ideia que mui- tas intrus˜ oes incluem diversos passos que devem ser executados um por um, para que um ataque seja realizado com sucesso. Portanto, os alertas emitidos por siste- mas de seguran¸ca podem ser comparados com os passos de intrus˜ ao pr´ e-definidos e correlacionada a sequˆ encia de alertas relativas a cada ataque [46].

Neste m´ etodo a rela¸c˜ ao de causalidade ´ e especificada em termos de cen´ arios, onde os alertas correlacionados podem ser combinados para construir um cen´ ario de ataque [40].

Tipicamente, os trabalhos nesta ´ area tˆ em sido focados em dois m´ etodos: o uso de modelos formais definidos por especialistas humanos para especificar os cen´ arios de ataque ou utilizando machine learning para criar tais cen´ arios [45].

O principal desafio nestes algoritmos ´ e definir cen´ arios de ataque mesmo que existam m´ etodos autom´ aticos de aprendizagem de cen´ arios de ataque (ex.: com machine learning) [46]. Al´ em disso, geralmente este tipo de algoritmos falham na correla¸c˜ ao de alertas de ataques desconhecidos, estando limitados a situa¸c˜ oes conhe- cidas. Destes forma, ´ e necess´ ario uma atualiza¸c˜ ao frequente da base de conhecimento de ataques [56, 14].

Diversas linguagens de correla¸c˜ ao formal para descrever cen´ arios de ataque tˆ em sido desenvolvidas (ex.: LAMBDA, STATL [57] e ADeLe [58]) [47, 44].

O trabalho [57] ´ e uma referˆ encia na literatura.

Baseados em Estat´ıstica

Estes algoritmos seguem o conceito de que ataques relevantes v˜ ao ter dados es-

tat´ısticos semelhantes e como tal podem ser associados.

(40)

Os algoritmos estat´ısticos puros n˜ ao tˆ em conhecimento pr´ evio de cen´ arios de ataque, portanto novos cen´ arios de ataque podem ser identificados [14].

A motiva¸c˜ ao para a realiza¸c˜ ao da an´ alise estat´ıstica ´ e que todos os ataques multi- etapa tˆ em semelhan¸cas estat´ısticas nos seus atributos, e que os passos de ataque tˆ em rela¸c˜ oes causais. Exemplo: se o passo X ´ e a causa do passo Y, ent˜ ao X tem que preceder a Y e muito provavelmente os passos de ataque decorrem juntos num curto espa¸co de tempo. Esta informa¸c˜ ao pode ser ´ util, a t´ıtulo de exemplo, para oferecer n´ıveis de confian¸ca a alertas (com base em repeti¸c˜ oes de alertas equivalentes), para prever a ocorrˆ encia de futuros alertas, e para perceber que tipos de alertas podem causar um alerta do tipo A e como a probabilidade condicional de A est´ a relacionada com as suas causas, podendo at´ e ser poss´ıvel capturar a rela¸c˜ ao temporal entre os alertas [44].

Um exemplo pr´ atico desta abordagem ´ e executar um sistema offline com um con- junto de dados para treino, e analisar e guardar as correla¸c˜ oes para serem utilizadas posteriormente online para a correspondˆ encia de padr˜ oes [47, 25, 46].

Apesar desta abordagem n˜ ao necessitar de conhecimento sobre ataques para operar, n˜ ao funciona em v´ arios dom´ınios e apresenta uma taxa de erro maior [46, 25].

E comum este tipo de m´ ´ etodos utilizarem redes bayesianas, cadeias de Markov e testes de causalidade de Granger.

Os trabalhos [5, 59] s˜ ao uma referˆ encia na literatura.

Considera¸ c˜ oes

A atribui¸c˜ ao de um algoritmo a uma categoria ´ e baseado no facto de o algoritmo ter mais semelhan¸cas com a categoria em quest˜ ao. ´ E importante referir que a catego- riza¸c˜ ao de um algoritmo pode n˜ ao ser completamente precisa, j´ a que pode existir a partilha de caracter´ısticas de categorias distintas. As t´ ecnicas h´ıbridas utilizam ca- racter´ısticas das diferentes t´ ecnicas mencionadas para a correla¸c˜ ao de alertas [46, 14].

Dado que a seguran¸ca inform´ atica se encontra inclu´ıda num contexto bastante dinˆ amico, a abordagem com recurso a regras pr´ e-definidas leva a que exista uma necessidade de melhoria constante das regras de correla¸c˜ ao existentes, ao ajustar os parˆ ametros que devem seguir a evolu¸c˜ ao do sistema. Ao n˜ ao existir uma r´ apida cria¸c˜ ao de novos padr˜ oes de correla¸c˜ ao, at´ e os eventos cr´ıticos que sejam emitidos por uma aplica¸c˜ ao de seguran¸ca com as ´ ultimas atualiza¸c˜ oes podem ser descartados por n˜ ao fazerem parte de nenhum padr˜ ao de correla¸c˜ ao [15].

Os sistemas baseados em conhecimento podem levar a que seja exigido uma

atualiza¸c˜ ao peri´ odica dos padr˜ oes de ataque visto que os mesmos podem mudar

drasticamente [32].

(41)

2.3. An´ alise de Alertas N˜ ao existe uma ´ unica solu¸c˜ ao que seja considerada a ”melhor” em termos de precis˜ ao e/ou complexidade, para resolver um problema gen´ erico de correla¸c˜ ao de alertas. Contudo, existem estudos que indicam uma tendˆ encia na ado¸c˜ ao de dife- rentes abordagens para dar uma melhor resposta aos problemas em redes complexas [14].

2.3.2 Origem do Conhecimento sobre Ataques

Uma forma de diferenciar os trabalhos nesta ´ area de investiga¸c˜ ao ´ e atrav´ es da origem da informa¸c˜ ao no processo de identifica¸c˜ ao de ataques multi-etapa. De acordo com [1], os m´ etodos podem ser classificados em: manuais, supervisionados, ou de extra¸c˜ ao autom´ atica.

Nos m´ etodos manuais o conhecimento sobre um ataque ´ e manualmente codificado por um especialista tendo em conta ataques conhecidos ou varia¸c˜ oes dos mesmos (ex.:

m´ etodos baseados em pr´ e-requisitos e consequˆ encias).

Os m´ etodos supervisionados contam com uma fase preliminar de aprendizagem autom´ atica a partir de um conjunto de dados de treino, extraindo conhecimento atrav´ es de algoritmos de machine learning supervisionados.

No que se refere aos m´ etodos autom´ aticos, os mesmos n˜ ao recorrem a conhe- cimento pr´ evio sobre os ataques, sendo que aprendem sobre o mesmo conjunto de dados onde as dete¸c˜ oes s˜ ao realizadas (em tempo real).

A clara vantagem dos m´ etodos autom´ aticos sobre outros ´ e que os mesmos con- seguem encontrar ataques desconhecidos. Contudo, podem n˜ ao ser t˜ ao confi´ aveis e reportar diversos falsos positivos [1].

E importante referir no entanto que os m´ ´ etodos supervisionados dependem da disponibilidade de um conjunto de dados s´ olido e confi´ avel para a fase de treino.

Todavia, os conjuntos de dados dispon´ıveis est˜ ao longe de refletir as situa¸c˜ oes com- plexas que s˜ ao encontradas no mundo real, devido a problemas de privacidade e seguran¸ca que impedem as organiza¸c˜ oes de tornarem os seus dados de rede p´ ublicos [1].

M´ etodos de Machine Learning

No que se refere aos m´ etodos de utiliza¸c˜ ao de machine learning, os mesmos podem ser caracterizados essencialmente em trˆ es tipos, nomeadamente [60]:

• Supervisionado - Aprendizagem atrav´ es exemplos. Necessita de dados previ-

amente rotulados (representando a resposta certa) para serem utilizados na

(42)

sua execu¸c˜ ao. ´ E utilizado quando existe um n´ umero expressivo de exemplos rotulados;

• N˜ ao-supervisionado - Aprendizagem por observa¸c˜ ao e descoberta, sendo capaz de encontrar automaticamente padr˜ oes a partir de um conjunto de dados.

N˜ ao necessita de exemplos rotulados para a sua execu¸c˜ ao, aprendendo por observa¸c˜ ao em vez de aprender por exemplos;

• Semi-supervisionado - Utilizado em aplica¸c˜ oes semelhantes ` as da aprendiza- gem supervisionada, todavia o perfil dos dados ´ e diferente. De forma geral, ´ e formado por uma pequena quantidade de dados rotulados.

E importante mencionar que os algoritmos de agrupamento, tamb´ ´ em conhecidos como clustering, fazem parte do m´ etodo de machine learning n˜ ao supervisionado.

Algumas abordagens de correla¸c˜ ao de alertas recorrem a algoritmos de machine learning supervisionados, todavia, tal como referido em [13], o trabalho moroso de prepara¸c˜ ao e manuten¸c˜ ao dos sistemas leva a que os sistemas de correla¸c˜ ao baseados em aprendizagem supervisionada sejam menos pr´ aticos.

2.4 Considera¸ c˜ oes Finais

Este cap´ıtulo apresentou os principais conceitos envolvidos neste trabalho, tendo sido tamb´ em importante como forma de contextualiza¸c˜ ao ao presente trabalho.

De forma geral, os componentes envolvidos num processo de correla¸c˜ ao de alertas n˜ ao s˜ ao sempre os mesmos, visto que depende da abordagem de correla¸c˜ ao, sendo que a correla¸c˜ ao de alertas ´ e demasiado complexa para ser abordada numa ´ unica fase. Algumas frameworks tˆ em sido sugeridas para correlacionar alertas [8, 44].

O sistema proposto teve em conta as diferentes t´ ecnicas de an´ alise de alertas que

podem ser adotadas nos sistemas de correla¸c˜ ao de alertas.

(43)

Cap´ıtulo 3

Estado da Arte e Hip´ otese de Investiga¸ c˜ ao

No presente cap´ıtulo ´ e efetuada a descri¸c˜ ao de trabalhos relacionados, com vista a encontrar novas e inspiradoras ideias para o trabalho e para a formula¸c˜ ao da hip´ otese de investiga¸c˜ ao.

Na sec¸c˜ ao 3.1 encontra-se um estudo do estado da arte e na sec¸c˜ ao 3.2 ´ e menci- onado o contexto do problema e hip´ otese de investiga¸c˜ ao. A sec¸c˜ ao 3.3 finaliza com as considera¸c˜ oes finais do cap´ıtulo.

3.1 Trabalhos Relacionados

Em [42] ´ e apresentado uma abordagem para correlacionar alertas de seguran¸ca, onde a metodologia adotada tem como princ´ıpio a utiliza¸c˜ ao de data mining para a obten¸c˜ ao de informa¸c˜ oes constituintes nos alertas provenientes de um NIDS, com vista a classificar, agrupar e correlacionar os alertas visando obter cen´ arios de ataque.

Desta forma, ´ e poss´ıvel listar de forma organizada ataques que foram realizados etapa a etapa numa rede ou num determinado host.

Inicialmente os alertas, provenientes de um NIDS, s˜ ao classificados, ou seja, agrupados por tipo de ataque (ex.: Brute Force, Scan, Dos ) com recurso ao algoritmo de aprendizagem n˜ ao supervisionada AutoClass com base em informa¸c˜ oes fornecidas pelo padr˜ ao IPFIX (utilizado pelo NIDS baseado em anomalia empregue no trabalho em quest˜ ao), que realizava as suas dete¸c˜ oes atrav´ es da an´ alise de fluxos bidirecionais e que n˜ ao fornecia a classe dos alertas emitidos.

Posteriormente, sem ter em conta os resultados obtidos com o Autoclass, e utili-

zando o algoritmo k-means (com o intuito de agrupar os alertas que fazem parte de

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um mesmo cen´ ario de ataque), s˜ ao criados clusters de alertas de forma a agrupar alertas com caracter´ısticas semelhantes entre si, com base no endere¸co de origem, endere¸co de destino e porta de destino.

Assim que os alertas est˜ ao classificados e agrupados ´ e estabelecida uma rela¸c˜ ao entre os dois resultados. A correla¸c˜ ao ´ e realizada procurando pela ocorrˆ encia de alertas com o par <endere¸co de origem, endere¸co de destino> igual, que perten¸cam a classes distintas dentro de um determinado cluster. Os alertas s˜ ao depois organizados de acordo com a data de dete¸c˜ ao e os cen´ arios de ataque s˜ ao encontrados.

E identificado pelo autor que alguns cen´ ´ arios de ataque n˜ ao s˜ ao detetados pela metodologia apresentada, nomeadamente ataques de DDoS.

No artigo [49], muito referenciado na literatura, foi utilizada uma abordagem probabil´ıstica para correlacionar alertas. Cada alerta ´ e correlacionado com o hiper alerta mais semelhante, assumindo que a semelhan¸ca ´ e maior que um limite de semelhan¸ca m´ınimo. No caso dos alertas serem dissimilares, ´ e criado um novo hiper alerta que pode ser composto por alertas de sensores distintos.

Medir a semelhan¸ca das caracter´ısticas de alertas ´ e a principal preocupa¸c˜ ao nesta abordagem. No modelo proposto s˜ ao consideradas quatro m´ etricas distintas para medir a semelhan¸ca entre dois alertas, sendo elas:

• Sobreposi¸c˜ ao de caracter´ısticas - Cada alerta tem algumas caracter´ısticas, e um novo alerta e alertas existentes partilham algumas caracter´ısticas, tais como endere¸co de origem, endere¸co de destino, tempo, e tipo de ataque;

• Semelhan¸ca de caracter´ısticas - Valor da semelhan¸ca baseado em caracter´ısticas comuns dos alertas depende do tipo de informa¸c˜ ao. Por exemplo, a semelhan¸ca entre dois endere¸cos de destino pode ser obtida com base nos bits mais altos de endere¸cos IP (que podem identificar uma sub-rede), enquanto que a seme- lhan¸ca entre classes de ataque ´ e calculada com base numa matriz de similari- dade de classes de incidentes criada pelos autores (que indica a probabilidade de um alerta do tipo X ser seguido de um alerta do tipo Y);

• Expectativa de semelhan¸ca - A expectativa de semelhan¸ca depende de situa¸c˜ ao para situa¸c˜ ao, sendo que esta medida ´ e utilizada para normalizar a semelhan¸ca geral. Por exemplo, num port scan, um atacante, tenta ligar-se a diferentes hosts, e portanto, a semelhan¸ca entre endere¸cos de destino pode ser baixa.

Al´ em disso, em ataques que sejam poss´ıveis realizar com recurso a IP Spoofing,

o peso da semelhan¸ca entre IPs de origem ´ e diferente em compara¸c˜ ao com

ataques onde o IP Spoofing n˜ ao seja poss´ıvel;

Referências

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