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Academic year: 2021

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(1)

Faculdades Integradas Campograndenses – FIC 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Mini‐Curso: A Matemática na Arte 

 

 

Rodrigo Neves Figueiredo dos Santos 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Março de 2008 

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1) O Número π

O número pi (representado pela letra grega π) é o irracional mais famoso da história, com o qual se  representa a razão constante entre o perímetro de qualquer circunferência e o seu diâmetro.  

Na realidade, como número irracional, pi é expresso por uma dízima infinita não periódica, que nos  dias  de  hoje  com  a  ajuda  dos  computadores  já  é  possível  determinar  com  centenas  de  milhões  de  casa  decimais. 

Aqui aparecem as primeiras cinqüenta: 

 

π = 3,14159 26535 89793 23846 26433 83279 50288 41971 69399 3751 ...   

A  existência  de  uma  relação  constante  entre  a  circunferência  de  um  círculo  e  o  seu  diâmetro  era  conhecido por muitas das civilizações antigas. Tanto os Babilônios como os Egípcios sabiam que esta ra‐ zão era maior que 3. Nas placas de argila dos Babilônios verifica‐se que estes adotavam uma aproximação  grosseira para o valor de π, pois consideravam que a razão do círculo era dada por 3 ou    7 1 3 71 10 3⋅ ≤

π

≤ ⋅   Nos papiros Egípcios escritos antes de 1700 a.c., a área de um círculo é igual à de um quadrado com  8/9 de  diâmetro.  Mas  por exemplo o  papiro  de Ahmes, (cerca  de 1600 a.c.) dá à  relação  existente entre a  circunferência  e  o  seu  diâmetro,  o  valor  3,16,  na  nossa  notação;  o  papiro  contém  uma  fórmula  para  se  calcular a área da esfera, em que é atribuído a π o valor de 3,14. Isto evidência que a medição Egípcia da  circunferência tinha erro menor do que um por cento.  Se tomarmos o diâmetro como 2, a área é p e a regra Egípcia é dada por:    16 , 3 81 256 9 16 9 8 2 2 2 2 ≈ = = ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎝ ⎛ ⋅ =

π

  Tanto Hebreus como Babilônios se satisfizeram ao atribuir a π o valor de 3. Na época em que, em  Tennesse, se realizava o célebre julgamento da idéia evolucionista, um dos estados da União Americana  introduziu na legislação uma lei especial, destinada a restaurar o valor bíblico de π. Lei que acabou por  não ser aceita, pois teria ʺcomo conseqüência lógica, a extinção dos tratores e dos automóveis Ford.ʺ  No ano 400 d.C. o livro indiano ʺPaulisha Siddhântaʺ usa o valor 3177/1250 para π, anos mais tarde,  Tsu Chung‐Chi (430/501 d.C.) descobre que o valor de π se encontra entre 3,1415926 e 3,1415927. Por volta  de  499  d.C.,  aparece,  num  tratado  indiano  sobre  matemática  e  astronomia  intitulado  ʺãryabhataʺ,  dados  para  a  obtenção  de  π:  ʺAdicione‐se  4  a  100,  multiplique‐se  o  resultado  por  8  e  adicione‐se  62.000.  O  resultado é aproximadamente o comprimento da circunferência de diâmetro 20.000ʺ. De onde sai o valor  aproximado 3,1416 para π, que é uma boa aproximação com 3 casas decimais corretas. 

Mais tarde os investigadores obtiveram melhores aproximações para π usando polígonos com mais  lados  do  que  aqueles  que  foram  usados  por  Arquimedes.  Um  impressionante  cálculo  Chinês  com  um  polígono com mais de 3.000 lados deu cinco décimas ao π. Os Chineses também encontraram uma fração  simples 355/113 o que difere do π por menos de 0.0000003. No mesmo século, outro alemão, Adriaen van  Rooman, usou o método de Arquimedes com 230 lados para obter 15 casas decimais para π. 

Viéte  em  1593,  obteve,  pelo  Método  de  Arquimedes,  através  do  limite  da  sucessão  de  polígonos  inscritos no círculo, o valor 3,1415926535. De sua autoria, temos a seguinte forma a partir da qual π pode  ser definido como:   ... 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 1 2 ⎟⎟⋅ ⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎜ ⎝ ⎛ + + ⋅ ⎟ ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎜ ⎝ ⎛ + ⋅ ⎟ ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎜ ⎝ ⎛ ⋅ =

π

   

Embora  seja  conhecido  que  π  não  é  um  número  racional  (isto  é  π  não  é  a  razão  de  inteiros),  há  muitas fórmulas surpreendentes que o relaciona com os inteiros. 

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Em 1656, John Wallis (1616/1703), professor de Geometria da Universidade de Oxford, provou que π  /2  é  igual  ao  produto  infinito  de  números  racionais.  O  numerador  destas  frações  contém  inteiros  pares  cada um repetindo‐se duas vezes, e o denominador contém inteiros ímpares, cada um repetindo‐se duas  vezes (com exceção do 1). O resultado obtido por Wallis pode escrever‐se da seguinte forma:    ... 7 8 7 6 5 6 5 4 3 4 3 2 1 2 2 = ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ ⋅

π

    Wallis provou que o valor do limite dos produtos tende para π /2. Esta é a primeira fórmula para  expressar pi como o limite de seqüência de números racionais. Uma fórmula mais simples, descoberta por  James Gregory (1646/1716) em 1671, expressa π /4 como uma série infinita. Ele provou que:    ... 13 1 11 1 9 1 7 1 5 1 3 1 1 1 2 ) 1 ( 4 0 + = − + − + − + − − =

∞ = n n n

π

 

O  mesmo  resultado  foi  descoberto  independentemente,  por  Leibniz  em  1674,  e  a  série  é  normal‐ mente chamada de série Gregory‐Leibniz. Ele propõe o cálculo de π pelos limites de séries.  Isaac Newton, por volta do ano 1666, através da série:    ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎝ ⎛ ⋅ − ⋅ − ⋅ − ⋅ + = ... 2 72 1 2 28 1 2 5 1 12 1 24 4 3 3 9 7 5

π

    obtém o valor de π com 16 casas decimais.  Embora as pessoas se tenham interessado durante séculos pela razão do círculo, o uso da letra grega  π como um símbolo que designa esta razão é relativamente recente. O inglês William Jones (1675/1749) é  geralmente  reconhecido  como  o  primeiro  a  usar  o  símbolo  π  para  esta  razão.  A  letra  c  (para  circunfe‐ rência) e p (para perímetro) foram muitas vezes usadas para a razão do círculo, mas a letra grega π tornou‐ se bastante aceite depois de Leonhard Euler usá‐la no seu famoso livro Introductio in Analysin Infinito‐ rum,  publicado  em  1748.  Acredita‐se  que  a  letra  π  foi  escolhida  por  ser  a  primeira  letra  das  palavras  gregas para perímetro e periferia.  Em 1736 Leonhard Euler mostrou que o somatório da série:    ... 4 1 3 1 2 1 1 1 1 6 1 2 2 2 2 2 2 + + + + = =

∞ = n n

π

    Ele também mostrou que esta série pode ser expressa como um produto infinito envolvendo todos  os números primos, 2, 3, 5, 7, 11...   Especialmente ele mostrou que:    ... 1 11 11 1 7 7 1 5 5 1 3 3 1 2 2 6 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 2 + − + − + − + − + − =

π

   

As  pessoas  calculavam  mais  e  mais  casas  decimais  para  π,  procurando  encontrar  padrões  que  se  repetissem,  mas  nenhum  foi  encontrado.  Em  1761  um  matemático  Alemão,  Johann  Lambert  usou  uma  fração contínua para a tangente trigonométrica de um ângulo que mostra conclusivamente que π é irracio‐ nal, isto é, π não é razão de dois inteiros. Gauss (1777‐1855) é autor da formula a partir das quais π pode  ser definido:    ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎝ ⎛ + ⋅ − ⋅ + ⋅ − + ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎝ ⎛ + ⋅ − ⋅ + ⋅ − = ... 3 7 1 3 5 1 3 3 1 3 1 ... 2 7 1 2 5 1 2 3 1 2 1 4 3 5 7 3 5 7

π

   

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2) Número de Ouro, Seqüência de Fibonacci e Espiral Logarítmica 

 

2.1) O Número de Ouro 

O  número  de  ouro  não  é  mais  do  que  um  valor  numérico  cujo  valor  aproximado  é  1,618.  Este  número irracional é considerado por muitos o símbolo da harmonia. A escola grega de Pitágoras estudou  e  observou muitas  relações  e  modelos  numéricos  que  apareciam  na  natureza,  beleza, estética,  harmonia  musical e outros, mas provavelmente a mais importante é a razão áurea, razão divina ou proporção divina.  

Se quiséssemos dividir um segmento AB em duas partes, teríamos uma infinidade de maneiras de o  fazer.  Existe  uma,  no  entanto,  que  parece  ser  mais  agradável  à  vista,  como  se  traduzisse  uma  operação  harmoniosa  para  os  nossos  sentidos.  Relativamente  a  esta  divisão,  o  matemático  alemão  Zeizing  formulou, em 1855, o seguinte princípio: 

 

“Para que  um  todo  dividido  em  duas partes  desiguais  pareça  belo  do  ponto de  vista da  forma, deve apresentar à parte menor e a maior a mesma relação que entre esta e o todo.ʺ    A história deste enigmático número perde‐se na antiguidade. No Egito as pirâmides de Gizé foram  construídas tendo em conta a razão áurea: a razão entre a altura de uma face e a metade do lado da base da  grande pirâmide é igual ao número de ouro.      Figura 1: Parthenon Grego.   

Os  pitagóricos  não  conseguiram  exprimir  como  quociente  entre  dois  números  inteiros,  a  razão  existente  entre  o  lado  do  pentágono  estrelado  e  o  lado  do  pentágono  regular  inscritos  numa  circunferência.  Quando  chegaram  a  esta  conclusão  ficaram  muito  espantados,  pois  tudo  isto  era  muito  contrário a toda a lógica que conheciam e defendiam que lhe chamaram irracional. Foi o primeiro número  irracional de que se teve consciência que o era. Este número era a seção de ouro apesar deste nome só lhe  ser atribuído 2000 anos depois. 

Posteriormente,  os  gregos  consideraram  que  o  retângulo  cujos  lados  possuíam  esta  relação  apresentava  uma  especial  harmonia  estética  e  lhe  chamaram  retângulo  áureo  ou  retângulo  de  ouro,  considerando  esta  harmonia  como  uma  virtude  excepcional.  Endoxus  foi  um  matemático  grego  que  se  tornou  conhecido  devido  à  sua  teoria  das  proporções  e  ao  método  da  exaustão,  criou  uma  série  de  teoremas  gerais  de  geometria  e  aplicou  o  método  de  análise  para  estudar  a  seção  que  se  acredita  ser  a  seção de ouro. 

De uma forma mais simplificada podemos chegar ao número de ouro e para isso vamos utilizar o  seguinte  processo:  Considere  o  segmento  de  reta,  cujas  duas  extremidades  se  denominarão  de  A  e  C,  e  colocando um ponto B entre A e C (neste caso o ponto B estará mais perto de A) , de maneira que a razão  do segmento de reta mais pequeno (AB) para o maior (BC) seja igual à razão do maior segmento (BC) para  o segmento todo (AC): 

   

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A razão entre os comprimentos destes segmentos designa‐se habitualmente por seção áurea. Então,  tem‐se que:  (AB)/(BC) = (BC)/(AC)    Pode‐se então definir o número de ouro se fizer: AB = y, BC = x e AC = x + y.  O número de ouro vai ser a razão entre x e y (ou seja, será x/y):    y/x = x/( x + y )    Resolvendo tal igualdade chegamos à equação do segundo grau:    (x/y)² ‐ (x/y) ‐ 1 = 0    Resolvendo esta equação quadrática onde r = x/y, obtêm‐se as soluções:    r1 = ( 1 + 

5

) / 2       e       r2 = ( 1 ‐ 

5

) / 2   

Não  se  irá  considerar  o  segundo  valor  (r2),  tendo  em  conta  que  o  comprimento  de  um  polígono,  nunca  poderá  ser  negativo.  Chega‐se  então,  ao  que  se  pretende,  isto  é,  encontrou‐se  o  tão  esperado  número de ouro Ф (Phi):  Ф = ( 1 + 

5

) / 2 = 1.618033988749895...    Phi tem este nome em homenagem ao arquiteto grego Phidias, construtor do Parthenon e que utili‐ zou o número de ouro em muitas de suas obras. Outras formas de se representar o número Ф é através  das seguintes séries infinitas:    ... 1 1 1 1 1 1 1 1 1 + + + + + = Φ       e     Φ= 1+ 1+ 1+ 1+ 1+...      

2.2) A Seqüência de Fibonacci 

O Matemático Italiano Leonardo de Pisa nasceu na Itália por volta de 1175 e ficou conhecido como  Fibonacci  (filho  de  Bonaccio).  A  partir  da  publicação  do  livro  Líber  Abacci,  (livro  do  Ábaco)  em  1202,  Fibonacci  tornou‐se  famoso,  principalmente  devido  aos  inúmeros  temas  desenvolvidos  nesse  trabalho.  Nele  aparecem  estudos  sobre  o  clássico  problema  envolvendo  populações  de  coelhos,  o  qual  foi  à  base  para o estabelecimento da célebre seqüência (números) de Fibonacci.  Quantos pares de coelhos podem ser gerados de um par de coelhos em um ano? Um homem tem um  par de coelhos em um ambiente inteiramente fechado. Desejamos saber quantos pares de coelhos podem  ser gerados deste par em um ano, se de um modo natural a cada mês ocorre a produção de um par e um  par começa a produzir coelhos quando completa dois meses de vida. Como o par adulto produz um par  novo a cada 30 dias, no início do segundo mês existirão dois pares de coelhos, sendo um par de adultos e  outro de coelhos jovens, assim no início do mês 1 existirão 2 pares: 1 par adulto + 1 par recém nascido.  Esse problema aparece esquematizado na Figura 2.  Tal processo continua através dos diversos meses até completar um ano. Observa‐se esta formação  no  gráfico  com  círculos,  mas  também  se  pode  perceber  que  a  seqüência  numérica,  conhecida  como  a  seqüência de Fibonacci, indica o número de pares ao final de cada mês: 

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Vale à pena notar que os números desta seqüência aparecem na fórmula da diagonal do triângulo  de pascal e em determinar coeficientes do binômio de Newton.    Figura 2: Esquema do problema dos coelhos.    Pode‐se tomar a definição desta seqüência para todo n natural, como:  u(1)=1,  u(2)=1  e u(n+1) = u(n‐1) + u(n). 

Esta  seqüência  não  é  limitada  superiormente,  mas  existe  um  fato  interessante:  tomando  as  razões  (divisões) de cada termo pelo seu antecessor, obtemos uma outra seqüência numérica cujo termo geral é  dado por:  F(n) = u(n+1) / u(n).  que é uma seqüência limitada. Se considerarmos a seqüência de Fibonacci como um conjunto da forma  {1,1,2,3,5,8,13,...} e a divisão de cada número pelo seu antecessor, obteremos outra seqüência:  1/1 = 1, 2/1 = 2, 3/2 = 1.5, 5/3 = 1.666..., 8/5 = 1.6, ...  É fácil perceber o que ocorre quando colocamos estas razões sucessivas (alturas) em um gráfico em  que o eixo horizontal indica os elementos da seqüência de Fibonacci:    As razões vão se aproximando de um valor particular, conhecido como Número de Ouro (Número  Áureo). Ou seja, quando n tende a infinito, o limite é exatamente o número de ouro. 

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Ф = Lim  u(n+1)  = 1.618033988749895...         n   u(n) 

2.3) Spira Mirabilis: A Espiral Logarítmica 

Entre as muitas curvas que já intrigaram os matemáticos, desde que Descartes apresentou a geome‐ tria analítica em 1697, houve uma que obteve um destaque especial: a espiral logarítmica.  

Se  desenharmos  sua  equação,  obteremos  a  curva  mostrada  na  figura  3,  a  espiral  logarítmica.  A  espiral tende a crescer se afastando do centro exponencialmente. Talvez a característica individual mais  importante da espiral logarítmica seja que, sua função inversa é a própria espiral refletida.        Figura 3: Espirais no sentido esquerdo e direito   

Se  seguirmos  a  espiral  para  dentro,  a  partir  de  qualquer ponto fixo P sobre ela, teremos que descrever  um  número  infinito  de  rotações  antes  de  chegarmos  a  origem  O,  mas,  surpreendentemente,  a  distância  total  coberta será finita. Este fato notável foi descoberto por  Evangelista  Torricelli  em  1645,  um  discípulo  de  Gali‐ leu  bastante  conhecido  na  época.  Ele  mostrou  que  o  comprimento do arco de P ao pólo O é igual ao compri‐ mento da linha tangente à espiral em P, isto é, a medi‐ da em linha reta de P ao eixo dos y. Veja a figura 4.               Figura 5: Propriedade Eqüiangular.      Figura 4: Retificação da espiral logarít‐        mica: a distância PT é igual a PO. 

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Algumas  propriedades  mais notáveis da espiral  logarítmica dependem  do  fato  que a  função 

e

x é  igual  a  sua  derivada.  Por  exemplo,  cada  linha  reta  cortando  a  origem  O  atravessa  todas  as  camadas  da  espiral com o mesmo ângulo. Veja a figura 5. Além disso, a espiral logarítmica é a única curva que possui  esta característica; por isto ela também é conhecida como espiral eqüiangular.  

O  que  mais  empolgava  Jakob  Bernoulli  em  relação  à  espiral  logarítmica  era  o  fato  dela  parecer  imutável, invariável, na maioria das transformações da geometria. Considere os seguintes casos:    1. Inversa da espiral logarítmica: Geralmente a forma de uma curva muda muito em uma inversão.  Mas isto não acontece com a espiral logarítmica, pois a mudança de equação é a própria espiral  invertida.  2. Evoluta da espiral logarítmica: a evoluta de uma função envolve o conceito de centro de curva‐ tura da curva original. A curvatura de cada ponto é a medida da taxa com que a curva muda de  direção  naquele  ponto,  sendo,  portanto  função  de  uma  variável  independente.  A  evoluta  de  uma espiral logarítmica é a própria espiral.  3. A curva pedal de uma espiral logarítmica: é o encontro das projeções perpendiculares da origem  às linhas tangentes de uma dada curva. No caso da espiral logarítmica ela é novamente a mesma  espiral.  4. A cáustica de uma espiral logarítmica: é o invólucro formado pelos raios de luz emanados pelo  centro e refletidos pela curva, como se ela fosse espelhada por dentro. Jakob descobriu que ela  continua sendo a mesma espiral.   

Jakob  ficou tão impressionado  com  suas  descobertas  que desenvolveu  uma reverência  mística  em  relação a sua amada curva. Ele a batizou de Spira Mirabilis (a espiral maravilhosa) e expressou seu desejo  de  que  uma  espiral  logarítmica  fosse  esculpida  em  sua  lápide  com  a  inscrição:  Eadem  mutata  resurgo  (Embora mudado, devo me erguer o mesmo). O desejo de Jakob foi quase atendido. Fosse por ignorância  ou para tornar sua tarefa mais fácil, o pedreiro de fato talhou uma espiral na tumba, mas é uma espiral de  Arquimedes e não uma espiral logarítmica (Na espiral de Arquimedes, cada volta sucessiva aumenta sua  distância  em  relação  à  origem  de  forma  constante  ou  linear).  Os  visitantes  do  claustro,  na  catedral  de  Münster, ainda podem ver o resultado (veja a figura 6), que, sem dúvida, teria feito Jakob rolar em sua  tumba.    Figura 6: A lápide de Jakob Bernoulli em Basiléia.   

2.4) Construção da Espiral Logarítmica 

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figuras conhecidas como triângulos áureos, como pode ser visto na figura 7. Note que ambos os triângulos  são isósceles e a razão entre o maior lado e o menor lado é o número de ouro. O primeiro triângulo possui  os lados em proporção áurea com a base, e o segundo, a base em proporção áurea com ambos os lados.    Figura 7: Triângulos áureos formados das diagonais de um pentágono regular.    Se tomarmos um triângulo isósceles cujos lados possuem a relação áurea e bisseccionarmos um dos  ângulos de 72o da base veremos que obteremos outro triângulo com as mesmas características do original.  Se continuarmos o processo com este novo triângulo, e assim consecutivamente, obtemos uma seqüência  de triângulos semelhantes. 

Usando  como  base  os  vértices  desta  seqüência  de  triângulos,  podemos  construir  uma  espiral  logarítmica que converge para o ponto em que a seqüência de triângulos também converge.     Figura 8: Espiral logarítmica construída a partir de triângulos áureos.    Perante um número tão fascinante, a seqüência de Fibonacci não poderia deixar de nos surpreender  novamente. A seqüência de Fibonacci está ligada ao número de ouro, como vimos no texto complementar  do capítulo 4. Porém, com os termos da seqüência de Fibonacci se pode construir uma seqüência de qua‐ drados encaixados, em que os números dentro de cada quadrado correspondem ao comprimento do lado  do respectivo quadrado, sendo simultaneamente termos da sucessão de Fibonacci. Veja na figura 9.  Também a partir deste retângulo pode‐se construir uma espiral eqüiangular, de centro O (ponto de  intersecção das diagonais desenhadas na figura): 

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          Figura 9: Espiral construída através de quadrados de Fibonacci. 

Note, entretanto, que esta espiral não é uma espiral logarítmica e sim a espiral de Fibonacci, porém  possui um comportamento muito semelhante. Para termos suficientemente grandes, quando a espiral está  tendendo  ao  infinito,  tal  semelhança  tende  a  se  acentuar.  Por  outro  lado,  a  espiral  logarítmica  também  pode ser construída por este mesmo critério, em que são usados retângulos de ouro ao invés de quadrados  de Fibonacci.   

2.5) Aplicações na Arte 

  NA NATUREZA  O número de ouro e a espiral logarítmica, aparecem na natureza, no comporta‐mento da refração da  luz, dos átomos, do crescimento das plantas, nas espirais das galáxias, dos marfins de elefantes e chifres  de bodes montanheses, nas ondas no oceano, furacões, etc.         (a)       (b)      (c)                           Figura 10: (a) Foto da Via Láctea, (b) Foto superior tirada via satélite do furação Mirch em 1998 e (c)  Bode Montanhês.    Vegetais 

9 Semente  de  Girassol  –  A  proporção  em  que  aumenta  o  diâmetro  das  espirais  sementes  de  um 

girassol é a razão áurea (Forma espirais logarítmicas).  9 Achillea ptarmica – A razão do crescimento de seus galhos segue a seqüência de Fibonacci, que  possui uma ligação tênue com o número de ouro.  9 Folhas das Árvores – A proporção em que se diminuem as folhas de uma árvore à medida que  subimos de altura.          (a)      (b)             

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              Figura 11: (a) Sementes de Girassol, (b) Razão do crescimento da Achillea ptarmica.    Animais  9 População de Abelhas – A proporção entre abelhas fêmeas e machos em qualquer colméia. 

9 Concha  do  Caramujo  Nautilus  –  A  proporção  em  que  cresce  o  raio  do  interior  da  concha  desta 

espécie de caramujo. Este molusco bombeia gás para dentro de sua concha repleta de câmaras pra  poder regular a profundidade de sua flutuação.  9 Outros – phi estão também nas escamas de peixes, presas de elefantes, listras de tigres, etc...    Figura 12: Moluscos náuticos vistos em seção.   Corpo Humano 

A  excelência  dos  desenhos  de  Leonardo  da  Vinci  revela  os  seus  conhecimentos  matemáticos  bem  como a utilização da razão áurea como garante de uma perfeição, beleza e harmonia únicas. É lembrado  como matemático apesar da sua mente irrequieta não se concentrar na aritmética, álgebra ou geometria o  tempo suficiente para fazer uma contribuição significativa. Representa bem o homem tipo da renascença  que fazia de tudo um pouco sem se fixar em nada. Leonardo era um gênio de pensamento original que  usou exaustivamente os seus conhecimentos de matemática, nomeadamente o número de ouro, nas suas  obras de arte.  

Um  exemplo  é  a  tradicional  representação  do  homem  em  forma  de  estrela  de  cinco  pontas  de  Leonardo, a qual foi inspirada no pentágono regular e estrelado inscrito na circunferência, conforme pode  ser observado na Figura 4.                             Figura 13: Representação do Homem por      Figura 14: Proporção áurea        Leonardo Da Vinci.      em uma mão.    Essas proporções anatômicas foram bem representadas pelo ʺHomem Vitruvianoʺ, obra de Leonar‐ do Da Vinci.    9 A altura do corpo humano e a medida do umbigo até o chão. 

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9 A altura do crânio e a medida da mandíbula até o alto da cabeça.  9 A medida da cintura até a cabeça e o tamanho do tórax.  9 A medida do ombro à ponta do dedo e a medida do cotovelo à ponta do dedo.  9 O tamanho dos dedos e a medida da dobra central até a ponta.  9 A medida da dobra central até a ponta dividida e da segunda dobra até a ponta.  9 A medida do seu quadril ao chão e a medida do seu joelho até o chão.    NA LITERATURA  Na literatura o número de ouro encontra sua aplicação mais notável no poema épico grego Ilíada, de  Homero,  que  narra  os  acontecimentos  dos  últimos  dias  da  Guerra  de  Tróia.  Quem  o  ler  notará  que  a  proporção entre as estrofes maiores e as menores dá um número próximo ao 1.618, o número de ouro. 

Luís de Camões na sua obra Os Lusíadas, colocou a chegada à Índia no ponto que divide a obra na  razão de ouro. 

NA PINTURA 

A  proporção  áurea  foi  muito  usada  na  arte,  em  obras  como  O  Nascimento  de  Vênus,  quadro  de  Botticelli,  em  que  Afrodite  está  na  proporção  áurea.  Esta  proporção  estaria  ali  aplicada  pelo  motivo  do  autor representar a perfeição da beleza. Em O Sacramento da Última Ceia de Salvador Dalí, as dimensões  do  quadro  (aproximadamente  270  cm  ×  167  cm)  estão  numa  Razão  Áurea  entre  si.  Na  história  da  arte  renascentista  a  perfeição  da  beleza  em  quadros  foi  bem  explorada  com  base  nesta  constante.  Vários  pintores  e  escultores  lançaram  mão  das  possibilidades  que  a  proporção  os  dava  de  retratar  a  realidade  com mais perfeição.        (a)       (b)                    Figura 15: Quadros (a) A Monalisa e (b) O Nascimento de Vênus.    A Monalisa de Leonardo da Vinci utiliza o número áureo nas relações entre seu tronco e cabeça, e  também entre os elementos do rosto.     NA ARQUITETURA 

Entre  1942  e  1948,  Le  Corbusier  desenvolveu  um  sistema  de  medição  que  ficou  conhecido  por  “Modulor”.  O  Modulor  está  baseado  na  razão  de  ouro  e  nos  números  de  Fibonacci  e  usa  também  as  dimensões médias humanas (dentro das quais 183 cm é a altura standard). O Modulor é uma seqüência de  medidas que Le Corbusier usou para encontrar harmonia nas suas composições arquiteturais.  

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          Figura 16: O Modulor de Lê Corbusier.    Le Corbusier esforçou‐se por usar a espiral de ouro inscrita no retângulo áureo em alguns dos seus  trabalhos arquitetônicos, mas não obteve um resultado muito brilhante, pelo menos quando comparados  com os de outros arquitetos.           Figura 17: Um exemplo de um edifício      Figura 18: Torre de Tatlin         espiral, por Le Corbusier.     NA MÚSICA 

O  número  de  ouro  está  presente  nas  famosas  sinfonias  como  a  5ª  e  9ª  de  Beethoven  e  em  outras  diversas  obras.  Outro  fato  interessante  registrado  na  Revista  Batera,  em  um  artigo  sobre  o  grande  baterista de Jazz Max Roach é que em seus solos curtos aparece tal número, se considerarmos as relações  que aparecem entre tempos de bumbo e caixa. 

A proporção harmônica pode ser considerada uma subversão da proporção aritmética, trabalhando  o  som  de  uma  oitava  em  uma  quarta  e  uma  quinta.  Na  música,  existem  artigos  que  relacionam  as  composições  de  Mozart,  Bethoveen  (Quinta  Sinfonia),  Schubert  e  outros  com  a  razão  áurea.  Pode‐se  verificar  que  até  mesmo a  construção de  instrumentos,  como exemplo  o violino, está  relacionado  com  a  proporção áurea. Os amantes da música podem ficar a saber que mesmo Stradivarius utilizava o número  de Ouro na construção dos seus famosos violinos. 

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  Figura 19: Violino Stradivarius de Cremonese   

3) A Matemática na Arte 

 

3.1) Arte Litográfica: Escher 

Mauritus Cornelis Escher, nasceu em Leeuwarden na Holanda em 1898, faleceu em 1970 e dedicou  toda a sua vida às artes gráficas. Na sua juventude não foi um aluno brilhante, nem sequer manifestava  grande interesse pelos estudos, mas os seus pais conseguiram convencê‐lo a ingressar na Escola de Belas  Artes  de  Haarlem  para  estudar  arquitetura.  Foi  lá  que  conheceu  o  seu  mestre,  um  professor  de  Artes  Gráficas judeu de origem portuguesa, chamado Jesserum de Mesquita. 

Com  o  professor  Mesquita,  Escher  aprendeu  muito,  conheceu  as  técnicas  de  desenho  e  deixou‐se  fascinar pela arte da gravura. Este fascínio foi tão forte que levou Mauritus a abandonar a Arquitetura e a  seguir as Artes Gráficas.   O contato com a arte árabe está na base do interesse e da paixão de Escher pela divisão regular do  plano em figuras geométricas que se transfiguram, se repetem e refletem, pelas pavimentações. Porém, no  preenchimento de superfícies, Escher substituía as figuras abstrato‐geométricas, usadas pelos árabes, por  figuras concretas, perceptíveis e existentes na natureza, como pássaros, peixes, pessoas, répteis, etc.                      Figura 20: Litografia sobre formas complementares.     Figura 21: Litografia Horse Circles.   

Escher,  sem  conhecimento  matemático  prévio,  mas  através  do  estudo  sistemático  e  da  experimen‐ tação,   descobre  todos  os  diferentes  grupos  de  combinações  isométricas  que  deixam  um  determinado  ornamento invariante. A reflexão é brilhantemente utilizada na xilografia ʺDay and Nightʺ. 

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  Figura 22: Xilografia Day and Night.   

Aos poucos, Escher, vai sendo cada vez mais ousado e para além da “dança” com a geometria, vai  também  ao  encontro  do  infinito.  A  divisão  regular  da  superfície  aparece  misturada  a  formas  tridimen‐ sionais, geralmente num ciclo sem fim, onde uma fase se dilui na outra. A litografia ʺReptilesʺ é um bom  exemplo disso.                        Figura 23: Litografia Reptiles.      Figura 24: Litografia O que Há do Outro Lado.    Fascinado pelos paradoxos visuais, Escher chegou à criação de mundos impossíveis. Nesses traba‐ lhos,  o  artista  joga  com  as  leis  da  perspectiva  para  produzir  surpreendentes  efeitos  de  ilusão  de  óptica.  Nos seus desenhos somos levados a novos universos, a sítios verdadeiramente misteriosos! 

Escher suscitou a atenção por parte de muitos matemáticos, cientistas e cristalógrafos. O mais curio‐ so  é  que  Escher  não  tinha  uma  formação  específica  nestas  áreas,  mas  elas  aparecem  nas  suas  criações!   Cada vez mais assediado pelos matemáticos, Escher acabou muitas vezes por se inspirar em suas novas  descobertas.                         Figura 25: Litografias Ascending, Waterfall Large e Relativy, respectivamente.    Escher utilizou muitos conceitos matemáticos em suas obras como o infinito, cíclico, perspectivas,  geometria, complementaridade, simetria, projeções, elipses, parábolas e etc...   

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3.2) Arte Pictórica: Leonardo da Vinci 

Leonardo  nasceu  a  15  de  Abril  de  1452,  na  pequena  cidade  de  Vinci,  perto  de  Florença,  centro  intelectual e científico da Itália. O seu talento artístico cedo se revelou, mostrando excepcional habilidade  na  geometria,  na  música  e  na  expressão  artística.  Reconhecendo  estas  suas  capacidades,  o  seu  pai,  Ser  Piero  da  Vinci,  mostrou  os  desenhos  do  filho  a  Andrea  del  Verrocchio.  O  grande  mestre  da  renascença  ficou encantado com o talento de Leonardo e tornou‐o seu aprendiz.  

Não  se  sabe  muito  mais  acerca  da  educação  e  formação  do  artista,  no  entanto,  muitos  autores  afirmam que o seu conhecimento não provém de fontes tradicionais, mas sim da observação pessoal e da  aplicação prática das suas idéias.  Pintor, escultor, arquiteto e engenheiro, Leonardo da Vinci foi o talento  mais versátil da Itália do Renascimento. Os seus desenhos, combinando uma precisão científica com um  grande  poder  imaginativo,  refletem  a  enorme  vastidão  dos  seus  interesses,  que  iam  desde  a  biologia,  à  fisiologia, à hidráulica, à aeronáutica e à matemática. 

Durante o apogeu do renascimento, Da Vinci, enquanto anatomista, preocupou‐se  com os sistemas  internos  do  corpo  humano,  e  enquanto  artista  interessou‐se  pelos  detalhes  externos  da  forma  humana,  estudando exaustivamente as suas proporções. As seguintes imagens resultam destes seus interesses.  

             

Figura 26: Auto retrato de Leonardo da Vinci, representação das proporções da face humana e  Homem de Vitrúvio, respectivamente. 

Os pintores do Renascimento, e em particular Da Vinci, recorreram a conceitos de geometria proje‐ tiva  (centro  de  projeção,  linhas  paralelas  representadas  como  linhas  convergentes,  ponto  de  fuga)  para  criar os seus quadros com um aspecto tridimensional.  A obra prima A Última Ceia é um bom exemplo  disso, onde ele domina o primeiro plano. Os seus próprios braços, ao longo das linhas da pirâmide visual,  reforçam a perspectiva.    Figura 27: A Última Ceia, uma breve análise sobre as proporções áureas.    Um dos quadros mais famosos do mundo deve‐se  a este homem das ciências e das artes. A Mona  Lisa é provavelmente o retrato de Madona Lisa Gherardini, mulher do rico cidadão de Veneza Francesco 

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del Giocondo que o encomendou ao pintor. Daí o quadro também ser chamado A Gioconda. Desconfia‐se,  no entanto,  que Leonardo tenha de fato começado a pintura como um retrato da mulher do nobre, mas  que depois a tenha tornado na imagem da idéia que o pintor fazia da beleza perfeita.                   Figura 28: Duas montagens sobre a Monalisa, apontando triângulos e retângulos áureos.   

 No  quadro  Mona  Lisa  pode‐se  observar  a  proporção  áurea  em  várias  situações.  Por  exemplo,  se  construirmos  um  retângulo  em  torno  de  seu  rosto,  veremos  que  este  é  um  retângulo  de  ouro.  Podemos  também subdividir este retângulo usando a linha dos olhos para traçar uma reta horizontal e temos nova‐ mente a razão de ouro. Podemos continuar a explorar esta proporção em várias outras partes do corpo. As  próprias dimensões do quadro formam igualmente um retângulo áureo.  A razão de ouro encontra‐se igualmente presente num trabalho inacabado de Da Vinci, S. Jerônimo,  pintado por volta de 1483.  A figura de S. Jerônimo inscreve‐se perfeitamente num retângulo de ouro que  pode ser sobreposto ao desenho. Admite‐se que tal não tenha acontecido por acaso mas porque Leonardo  construiu a figura deliberadamente de acordo com a secção de ouro, devido ao seu grande interesse pela  matemática e pela utilização desta em muitos dos seus trabalhos e idéias.   Leonardo escreveu em seus apontamentos ʺ... nenhuma investigação humana pode ser considerada  ciência se não abrir o seu caminho por meio da exposição e da demonstração matemáticasʺ.                Figura 29: Pinturas de São Jerônimo e a Madonna de Rochas.    Outros nomes da pintura, conhecidos por usar a matemática em suas obras, são Rafael, Michelan‐ gelo, Piet Mondrian, Albrech Dürer, Salvador Dalí, entre outros.   

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3.3) Arte Arquitetônica: Oscar Niemeyer 

Oscar  Niemeyer  Soares  Filho  é  um  arquiteto  brasileiro  nascido  no  Rio  de  Janeiro.  Formou‐se  na  Universidade  do  Brasil  em  1935.  Trabalhou  com  o  muito  conceituado  arquiteto  Suíço,  Le  Corbusier,  no  revolucionário  desenho  do  edifício  dos  Ministérios  da  Saúde  e  da  Educação  brasileiros,  que  ficou  terminado em 1936.  Entre muitos edifícios que Niemeyer desenhou estão a Igreja de São Francisco que  tem  uma  estrutura  tão  radical  que  a  sua  consagração  foi  atrasada  até  1959,  embora  a  Igreja  tivesse  sido  terminada em 1943. 

  Figura 30: Foto da Construção de Brasília. 

 

A  originalidade  e  a  imaginação  que  Niemeyer  revelou  nos  seus  trabalhos  valeram‐lhe  uma  reputação de líder da arquitetura moderna. Embora altamente variado, o seu trabalho inclui sempre um  enorme  espaço  vazio  integrado  em  formas  muito  invulgares.  Altos  edifícios  suportados  por  pilares  de  betão ou aço caracterizam a obra do arquiteto. Niemeyer foi o mais importante desenhista dos edifícios do  Estado em Brasília, a capital do Brasil. 

 

         

        Figura 31: Foto do Palácio do Planalto.      Figura 32: Foto da Biblioteca Nacional de Brasília.  Os  arquitetos  da  nova  capital,  Oscar  Niemeyer  e  Lúcio  Costa  pretendiam  construir  uma  cidade  utópica. O desejo era ʺconstruir um urbanismo com luz, ar e sol, com a transparência do cristal e a lógica  de uma equaçãoʺ (Goerdeler,2000).  A Catedral Metropolitana, ou Catedral de Brasília, é um dos imensos edifícios públicos desenhados  pelo arquiteto Niemeyer nos anos 60 para a capital brasileira. Esta Catedral foi construída entre os anos  1959 e 1980 e, têm na sua arquitetura técnicas e materiais modernistas misturados com as linhas curvas e a  liberdade da forma, próprias do período barroco brasileiro.          Figura 33: Foto da Catedral Metropolitana de Brasília.    A base do edifício é circular e tem cerca de 60 m de diâmetro, e o seu piso principal situa‐se a 3 m  do chão. O seu telhado de vidro fosco, que tem início ao nível do chão é suportado por 16 colunas curvas,  colunas  estas,  que  vistas  de  fora  do  edifício,  terminam  no  topo  de  forma  pontiaguda,  lembrando  a 

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imagem  de  uma  coroa  de  espinhos,  mas  sem  dúvida  que  a  maior  relação  deve‐se  ao  fato  de,  as  colunas   referidas, serem arcos de hipérbole.                   Figura 34: Museu de Arte Contemporânea de Niterói.      Figura 35: Museu da República.      Figura 36: Obra em Pampulha, MG. Bancada por Juscelino Kubistcheck.   

4) A Matemática e Arte Fractal

  Fractais (do latim fractus, fração, quebrado) são figuras da geometria não‐Euclidiana. A geometria  fractal é o ramo da matemática que estuda as propriedades e comportamento dos fractais. Descreve mui‐ tas situações que não podem ser explicadas facilmente pela geometria clássica, e foram aplicadas em ciên‐ cia, tecnologia e arte gerada por computador. As raízes conceituais dos fractais remontam a tentativas de  medir  o  tamanho  de  objetos  para  os  quais  as  definições  tradicionais  baseadas  na  geometria  euclidiana  falham. 

Um fractal (anteriormente conhecido como “curva monstro”) é um objeto geométrico que pode ser  dividido em partes, cada uma das quais semelhante ao objeto original. Diz‐se que os fractais têm infinitos  detalhes,  são  geralmente  auto‐similares  e  independem  de  escala.  Em  muitos  casos,  um  fractal  pode  ser  gerado por um padrão repetido, tipicamente um processo recorrente ou iterativo. 

O termo foi cunhado em 1975 por Benoît Mandelbrot, matemático francês nascido na Polônia, que  descobriu a geometria fractal na década de 70 do século XX, a partir do adjetivo latino fractus, do verbo  frangere, que significa quebrar. 

Durante  séculos,  os  objetos  e  os  conceitos  da  filosofia  e  da  geometria  euclidiana  foram  conside‐ rados como os que melhor descreviam o mundo em que vivemos. A descoberta de geometrias não‐eucli‐ dianas introduziu novos objetos que representam certos fenômenos do Universo, tal como se passou com  os fractais. Assim, considera‐se hoje que tais objetos retratam formas e fenômenos da Natureza.  Em 1872, Karl Weierstrass encontrou o exemplo de uma função com a propriedade de ser contínua  em todo seu domínio, mas em nenhuma parte diferenciável. O gráfico desta função é chamado atualmen‐ te de fractal.   Em 1904, Helge von Koch, não satisfeito com a definição muito abstrata e analítica de Weierstrass,  deu uma definição mais geométrica de uma função similar, atual‐mente conhecida como Koch snowflake  (ou floco de neve de Koch), que é o resultado de infinitas adições de triângulos ao perímetro de um triân‐ gulo inicial. Cada vez que novos triângulos são adicionados, o perímetro cresce, e fatalmente se aproxima  do infinito. Dessa maneira, o fractal abrange uma área finita dentro de um perímetro infinito.   

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  Figura 37: Floco de neve de Koch 

 

Também houve muitos outros trabalhos relacionados a estas figuras, mas esta ciência só conseguiu  se  desenvolver  plenamente  a  partir  da  década  de  60,  com  o  auxílio  da  computação.  Um  dos  pioneiros  a  usar esta técnica foi Benoît Mandelbrot, um matemático que já vinha estudando tais figuras. Mandelbrot  foi responsável por criar o termo fractal, e responsável pela descoberta de um dos fractais mais conheci‐ dos, o conjunto de Mandelbrot. 

Os  fractais  podem  ser  agrupados  em  três  categorias  principais.  Estas  categorias  são  determinadas  pelo modo como o fractal é formado ou gerado: 

 

 Sistema de funções iteradas — Estas possuem uma regras fixa de substituição geométrica. Com‐ junto de Cantor, tapete de Sierpinski, Sierpinski gasket, curva de Peano, floco de neve de Koch, curva do  dragão de Harter‐Heighway, T‐Square, esponja de Menger, são alguns exemplos deste tipo de fractal.  

 Fractais  definidos  por  uma  relação  de  recorrência  em  cada  ponto  do  espaço  (tal  como  o  plano  complexo). Exemplos deste tipo são o conjunto de Mandelbrot e o fractal de Lyapunov. Estes também são  chamados de fractais de fuga do tempo.  

 Fractais  aleatórios,  gerados  por  processos  estocásticos  ao  invés  de  determinísticos,  por  exemplo,  terrenos fractais e o vôo de Lévy.  

 

      (a)       (b)      (c) 

 

Figura  2:  (a)  fractal  tapete  de  Sierpinski,  (b)  fractal  dragão  de  Harter‐Heighway  e  (c)  fractal  esponja  de  Menger. 

 

Pelo fato do fractal possuir uma granulometria infinita, nenhum objeto natural pode sê‐lo. Os obje‐ tos  naturais  podem  exibir  uma  estrutura  semelhante  ao  fractal,  porém  com  uma  estrutura  de  tamanho  limitado. 

Árvores e samambaias (ou fetos) são fractais naturais que podem ser modelados em computadores  que  usam algoritmos  recursivos.  Esta  propriedade  de  repitividade  está clara  nestes exemplos,  pois num  ramo de uma árvore ou na folhagem de uma samambaia pode ser observada uma réplica em miniatura do  todo. Não idêntico, porém semelhante na estrutura. 

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    Figura 38: Feto fractal.    Os Fractais são normalmente gerados através de computadores com softwares específicos. Através  de seu estudo podemos descrever muitos objetos extremamente irregulares do mundo real. Como exem‐ plo de softwares temos o Xaos:  http://xaos.sourceforge.net/index.php    Os meteorologistas utilizam o cálculo fractal para verificar as turbulências da atmosfera incluindo  dados como nuvens, montanhas, a própria turbulência, os litorais, e árvores. As técnicas fractais também  estão  sendo  empregadas  para  a  compactação  de  imagens  através  da  compressão  fractal,  além  das  mais  diversas disciplinas científicas que utilizam o processo. 

 

 

Referências

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