Orientador: Prof. Ana Alice Miranda Duarte
Florianópolis 2017
UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA
INGRID DE OLIVEIRA GESSER
Este Trabalho Final de Graduação I foi julgado adequado à obtenção do título parcial de Arquiteto e Urbanista e aprovado em sua forma parcial pelo Curso de Graduação em Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Sul de Santa Catarina.
Florianópolis, 23 de novembro de 2017.
Professor e orientador Ana Alice Miranda Duarte Universidade do Sul de Santa Catarina
Avaliador 1
Avaliador 2
INGRID DE OLIVEIRA GESSER
AGRADECIMENTOS
Em especial a minha mãe e minha avó, Silvana e Helena, por estarem presentes em todas as etapas da minha vida, pelo apoio, confiança e ensinamentos.
A minha família e amigos, pela motivação.
A Prof. Ana Alice Miranda Duarte, minha orientadora, por todo apoio, paciência e papel decisivo na construção deste trabalho.
Aos professores, Silas Matias Azevedo e Cristiano Fontes de Oliveira. Por toda experiência e aprendizado, motivos da minha admiração, atenção e palavra amiga no decorrer do curso.
RESUMO
Este trabalho teve como objetivo a n a l i s a r e d i a g n o s t i c a r p r o b l e m a s desfavoráveis para o campus universitário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). O trabalho expõe o resultado de pesquisas e estudos desenvolvidos para elaboração de um projeto de qualificação urbana.
Ponto nodal de grande importância para o município e seu entorno o campus foi sendo construído conforme as necessidades e crescimento da Universidade caracterizando-se como uma área caracterizando-sem relação com o entorno e comunidade além da implantação de edificações dispersas e sem conexões qualificadas em meio a tantas áreas de estacionamentos.
Propondo integração do entorno e permeabilidade qualificada, a proposta visa que a área em estudo se torne um espaço de macro encontro, tornando possível o equilíbrio entre as necessidades do homem e natureza.
Palavras-chave: Espaço público, Cidade viva, Requalificação, Renaturalização, Estacionamentos
ABSTRACT
This study aimed to analyze and diagnose unfavorable problems for the university campus of the Federal University of Santa Catarina (UFSC). The paper presents the results of researches and studies developed to elaborate an urban qualification project.
Nodal point of great importance for the municipality and its surroundings, the campus was built according to the needs and growth of the University, characterizing itself as an area that is not related to the environment and community, besides the establishment of d i s p e r s e d b u i l d i n g s w i t h o u t q u a l i fi e d connections in the middle of so many parking areas.
By proposing environmental integration and qualified permeability, the proposal aims to make the area under study a space of macro encounter, making possible the balance between the needs of man and nature.
K e y w o r d s : P u b l i c s p a c e , L i v i n g c i t y, Requalification, Renaturalization, Parking lots
LISTA DE FIGURAS
Figura 1.0 - Convivência e apropriação...8
Figura 2.0 - Vista do morro da Serrinha...12
Figura 2.1 - Convívio nas ruas - RJ 1890...13
Figura 2.2 - Pedestrianismo...13
Figura 2.3 - Ciclovias em Copenhague ...13
Figura 2.4 - Percepção visual e vida na cidade...14
Figura 2.5 - Integração público e privado...14
Figura 2.6 - Troca convivência, segurança e conexões...15
Figura 2.7 - Cidade em equilíbrio...16
Figura 2.8 - Mata ciliar...17
Figura 2.9 - Alterações sob funções naturais dos rios...17
Figura 2.10 - Pavimentação - High Line - Nova York...18
Figura 2.11 - Desníveis e traçado...19
Figura 2.12 - Variedade de espécies...19
Figura 2.13 - Diversidade de usos x cidade viva...19
Figura 3.0 - Conexão e convicência...20
Figura 3.1 - Diagrama e conexões The Goods Line Project...21
Figura 3.2 -Diagrama proposta geral The Goods Line Project...21
Figura 3.3 -The Goods Line...21
Figura 3.4 - Proposta com entorno - Dockside Green ...22
Figura 3.5 - Estacionamento, áreas verdes e ciclovia ...22
Figura 3.6 - Conexões Dockside Green...22
Figura 3.7 - Espaços urbanos ...22
Figura 3.8 - Uso do solo misto e áreas verdes...22
Figura 4.0 - UFSC e entorno...23
Figura 4.1 - Mapa de localização...24
Figura 4.2 - Florianópolis déc. 70...24
Figura 4.3 - Florianópolis atualmente 2017...24
Figura 4.4 - Fazenda Assis Brasil...25
Figura 4.5 - Igrejinha Matriz déc. 70...25
Figura 4.6 - Vista Trindade e Serrinha.. ...25
Figura 4.7 - Vista área Serrinha/ Córrego Grande...25
Figura 4.8 - Inicio da ocupação entorno...26
Figura 4.9 - Hospital Universitário...26
Figura 4.10 - Prédio Reitoria em obra 1970...26
Figura 4.11 - Foto anterior prédio das Humanas...26
Figura 4.12 - Mapa campus UFSC...27
Figura 4.13 - Mapa morfologia...28
Figura 4.14 - Mapa uso do solo...29
Figura 4.15 - Proposta anel viário...30
Figura 4.16 - Quadro de mobilidade urbana entorno UFSC...30
Figura 4.17 - Conflito bairro Trindade...31
Figura 4.18 - Mapa hierarquia viária x conflitos...31
Figura 4.19 - Vista fluxo do bairro Serrinha...32
Figura 4.20 - Localização percepções urbanas...32
Figura 4.21 - Vista campus p/ Serrinha...32
Figura 4.22 - Vista do campus p/ Serrinha...32
Figura 4.23 - Vista do campus p/ Pantanal...32
Figura 4.24 - R. Prof. Maria Pausewang...32
Figura 4.25 - Via principal bairro Pantanal...32
Figura 4.26 - Via principal bairro Carvoeira...33
Figura 4.27 - Mapa condicionantes naturais...33
Figura 4.28 - Análise bioclimática...33
Figura 4.30- Mapa Plano Diretor UFSC...35
Figura 4.31 - Mapa Revisão Plano Diretor (2010)...36
Figura 5.0 - UFSC e entorno...37
Figura 5.1 - Esquema de permeabilidade e conexões...38
Figura 5.2 - Esquema proposta de edifícios...39
Figura 5.3 - Esquema cinturão de mobilidade...39
Figura 5.4 - Proposta harmonização da paisagem...40
Figura 5.5 - Diretrizes...41
Figura 5.6 - Diagrama programa de necessidades...42
Figura 5.7 - Proposta esquemática de ed. garagem...43
Figura 5.8 - Mapa proposta sistema viário...43
Figura 5.9 - Proposta rua compartilhada e binários...44
Figura 5.10 - Proposta corte esquemático BRT...44
Figura 5.11 - Anel viário x qualificação do campus...44
Figura 5.12 - Mapa proposta sistema de mobilidade integrado...45
Figura 5.13 - Croqui perspectivado proposta binários e rua compartilhada...45
Figura 5.14 - Croqui proposta de horta...46
Figura 5.15 - Mapa consciência ambiental...46
F i g u r a 5 . 1 6 - C o r t e e s q u e m á t i c o r e n a t u r a l i z a ç ã o c u r s o s d’água...46
Figura 5.17 - Esquema para área de banhado...46
Figura 5.18 - Esquema proposta edifício garagem...47
Figura 5.19 - Volumetria e partidos...47
Figura 5.20 - Volumetria setor Desportes...47
Figura 5.21 - Mapa proposta de uso do solo e relações entre edifícios ...47
Figura 5.22 - Proposta de zoneamento usos...47
SUMÁRIO
1. INTRODUÇÃO...9 1.2 Justificativa/Problematização...10 1.3 Objetivos...11 1.3.1 Objetivo Geral...11 1.3.2 Objetivos Específicos...11 1.4 Metodológia...11 2. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA...13 2.1 Cidade viva...132.2 Moldando a cidade para reconquista-la...15
2.2.1 Calçadas...15
2.2.2 Escala e densidade...15
2.2.3 Permeabilidade do solo ...16
2.2.4 Áreas verdes e lazer...18
3. REFERENCIAIS PROJETUAIS...20
3.1 The Goods Line Project...21
3.2 Dockside Green...22
4. DIAGNÓSTICO DA ÁREA...24
4.1 Localização... ...24
4.2 Contextualização... ...24
4.3 Universidade Federal de Santa Catarina...26
4.4 Morfologia urbana...28
4.5 Uso do solo...29
4.6 Sistema viário...30
4.6.1 Sitema viário macro...30
4.6.2 Hierarquia viário e conflitos...31
4.7 Percepções urbanas...32
4.8 Condicionantes naturais...33
4.8.1 Fragmentos verdes...33
4.8.2 Analise bioclimática...33
4.9 Legislação...34
4.9.1 Plano diretor de Florianópolis...34
4.9.2 Plano diretor UFSC...35
4.10 Sintese...37
5. PARTIDO GERAL...39
5.1 Diretrizes...39
5.1.1 Permeabilidade...39
5.1.2 Fortalecimento das centralidades...39
5.1.3 Integração dos modais de mobilidade...39
5.1.4 Harmonização da paisagem...40
5.1.5 Consciência ambiental...41
5.1.6 Sintese...41
5.2 Programa de necessidades...42
5.3 Proposta sistema viário e mobilidade...42
5.4 Proposta de uso do solo...47
5.5 Implantação...48
6. CONSIDERAÇÕES FINAIS...51
CAPÍTULO 1
INTRODUÇÃO
FONTE: INSTAGRAM UFSC, AUTOR: LUISA BIAVA (2017) Figura 1.0 - Convivência e apropriação dos espaços
1.
INTRODUÇÃO
A cidade, por conta de ideologias dominantes na década de 60, – em especial, o modernismo – acabou salientando ainda mais o esquecimento e a falta de tratamento do espaço urbano. O pensamento modernista gradativamente influenciou na construção de vias, por conta da “cidade dispersa”, devido ao zoneamento das áreas e sua monofun - cionalidade. Surgiram assim, edifícios isolados e dispersos, cidades sem conexões e com carência de espaços públicos.
Atualmente a ausência de áreas verdes e d e l a z e r q u a l i fi c a d o s r e fl e t e n o comportamento das pessoas, na saúde e, educação. Esta falta de convívio entre as pessoas, dá origem a uma sociedade cada vez mais indiviualista e sem vida urbana. Novos empreendimentos visam suprir esta carência dentro de condomínios fechados prometendo maior segurança e bem-estar o que expõe ainda mais a negligência e falta de espaços
públicos.
Esta carência, demonstra a falta de investimentos e descaso para com estes na cidade de Florianópolis, muito semelhante ao restante do país. Partindo desta análise, optou-se por trabalhar na qualificação do campus da Universidade Federal de Santa Catarina – g r a n d e t r a n s f o r m a d o r d a l o c a l i d a d e , principalmente por ter se tornado um instrumento da especulação imobiliária, para a expansão do bairro e seu entorno.
Desta forma, o projeto final de graduação terá como foco, propor a quali - ficação do campus, dando ênfase no resgate da paisagem como meio de reforma urbana, destruindo as diversas barreiras invisíveis construídas pela falta de integração entre os edifícios. Propondo qualificar os espaços de transição com a cidade e seu entorno imediato, fortificando a identidade cultural do bairro para com o campus, permitindo que este se torne um grande espaço tanto de lazer como espaço de transição.
1.1
JUSTIFICATIVA/
PROBLEMATIZAÇÃO
No decorrer dos anos a vinda do campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) para o bairro da Santíssima Tr i n d a d e s e g r e g o u g r a d a t i v a m e n t e a comunidade formada pelas primeiras levas de imigrantes açorianos e madeirenses. Esta expansão gradativa ao longo dos anos gerou como consequência a falta de identidade e enraizamento que a comunidade deveria possuir com a sua localidade, não usufruindo dos equipamentos oferecidos pela própria UFSC. No decorrer dos anos, a área em estudo perdeu seu caráter familiar frente aos problemas de insegurança onde o próprio uso de cercas contribuiu para que o espaço perdesse a sua acessibilidade. Atualmente, em períodos de férias, ou nos finais de semana, a UFSC se encontra em completo estado de abandono diante da falta de atrativos culturais e esportivos nestes períodos.
A segregação entre os cursos, barreiras invisíveis, acabam se formando por conta da falta de integração entre os edifícios e diversidade como um todo. Existem poucas áreas de lazer, contemplação e convívio na UFSC. Muitos espaços do campus encontram- se saturados, mal ocupados ou até vazios, embora seja importante que existam áreas abertas não edificadas que configurem espaços calmos e de contemplação.
Desta forma, o tema a ser abordado se dá pela necessidade de conexões qualificadas entre o campus e seu entorno, visto que a Universidade Federal tem grande potencial para ser um instrumente de qualificação urbana para a Trindade e bairros vizinhos, além de já possuir caráter de centralidade perante seus usos e funcionalidades. Sendo assim, busca-se ter maior integração entre as pessoas, segurança e saúde, além de recuperar a idéia de enraizamento para com seus usuários e comunidade.
1.2
OBJETIVOS
1.2.1 Objetivo geral
Desenvolver uma proposta de projeto urbano de qualificação do campus da Universidade Federal de Santa Catarina no bairro Trindade da cidade de Florianópolis/SC.
1.2.2 Objetivo específico
* Estudar referenciais teóricos
* B u s c a r r e f e r e n c i a i s p r o j e t u a i s compatíveis com a proposta;
*Compreender e analisar a área a partir de pesquisas de campo, dados fotográficos, entrevistas e teses. Abordando mapas e analises conforme estudos e diagnósticos.
*Propor diretrizes conceituais e urbanísticas para o recorte.
1.3
METODOLOGIA
O desenvolvimento deste trabalho se dá a partir do levantamento de dados através de levantamento bibliográfico em livros, teses e dissertações, amadurecendo argumentos
para a proposta da área. Seguindo esta ideia, referenciais projetuais serão abordados, os quais demonstram e refletem na proposta servindo de base para um bom planejamento perante a ideias de urbanismo sustentável e os a s p e c t o s p o s i t i v o s à f r e n t e d e u s o s diversificados.
A etapa de diagnóstico da área, ocorre através de estudos em acervos: Casa da M e m ó r i a , A c e r v o U F S C , E T U S C e Planejamento da UFSC (SEPLAN). Também será desenvolvida baseada em visitas de campo, levantamentos e registros fotográficos, verificando e analisando condicionantes físico naturais, estudo e avaliação de atributos referentes ao espaço público que influenciam positiva ou negativamente a vitalidade urbana, identidades locais, compreensão de usos e conexões com o entorno, realização de mapas conforme características da área, além de análise e consultas no Plano Diretor de Florianópolis e UFSC.
A proposta do partido geral se baseará em todas as informações recolhidas, análise de dados coletados, interpretações dos referenciais projetuais, ilustrações em mapas, desenhos esquemáticos e perspectivas.
CAPÍTULO 2
LEVANTAMENTO TEÓRICO
FONTE: INSTAGRAM UFSC, AUTOR: ADRIANO (2017) Figura 2.0 - Vista do Morro da Serrinha
2.
FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA
2.1 CIDADE VIVA
Ao longo tempo as pessoas se apropriavam das cidades sem nem mesmo ter conhecimento desta ideologia. Conforme Gehl (2015) as cidades eram vivas sem ter ciência do quão saudáveis eram. As pessoas iam para a s r u a s f a z e r c o m p r a s e t r o c a s d e mercadorias, apreciar artistas de rua, fazer manifestações e comemorações.
A p a r t i r d e 1 9 6 0 , o s i d e a i s d e planejamento do modernismo repercutiram no modo de viver e na saúde das cidades. Conseqüente a ele, vieram cidades dispersas e zoneadas de acordo com a funcionalidade do trabalhar, morar e lazer em lugares distintos. A criação de vias para suportar o aumento gradativo de automóveis – necessários para percorrer as distâncias – pareceu se tornar a melhor maneira de resolver os “problemas” de tráfego. Logo construindo mais vias, maior o incentivo à aquisição e ao uso de automóveis.
As cidades mudaram seu foco de espaços comuns e encontros sociais para cidades com edifícios individuais que, ao serem planejados, onde não se consideravam
as condicionantes naturais do terreno e região. Foi passando por esta crise com a s a t u r a ç ã o d e a u t o m ó v e i s e c i d a d e s negligenciadas que algumas localidades iniciaram medidas que convidassem as pessoas a exercer o caminhar. Fechando ruas – com apenas o fechamento da rua mais movimentada de Copenhague, documentou-se um aumento de 35% de pedestres no primeiro ano conforme Gehl (2015) – criação e aumento de calçadas, revitalizando rios canalizados, aplicação de impostos para automóveis, ruas compartilhadas priorizando o pedestre, o que resultou em um novo padrão urbano. Segundo Rocha (2016), este novo padrão urbano, pedestrianismo, provoca novos usos na cidade e maior vitalidade.
Estudos afirmam que a atração do homem por observar as atividades alheias como, pessoas trabalhando em um canteiro de obras, um artista de rua cantando entre outros são mais convincentes do que apenas uma rua de galeria comercial. A velocidade no caminhar consegue facilitar esta percepção, além de facilitar a interação entre as pessoas, com frases rotineiras, encontros casuais ou até mesmo o início de uma amizade.
Espaços livres muito grandes e sem FONTE: ARCHDAILY (2017)
Figura 2.3 - Ciclovias em Copenhague FONTE: ARCHDAILY (2017)
Figura 2.2 - Pedestrianismo
FONTE: RIODEJANEIROAQUI (2016) Figura 2.1 - Convívio nas ruas - RJ 1890
conectividade são esquecidos e negli - genciados pela própria sociedade. Para que estes mantenham-se vivos é necessário haver uma demanda correta de pessoas, além de qualidade na infraestrutura do espaço e de conexão com a vida urbana. Sendo assim, é necessário um planejamento urbano que proporcione rotas diretas, onde os usos mais comuns devem estar dentro desta malha hierárquica, conectando os principais pontos focais da cidade. Conforme Gehl (2015), e x i s t e m t r ê s t i p o s d e a t i v i d a d e s : a s necessárias, opcionais e sociais. Estas atividades movem a cidade e, para isto, devem estar interligadas umas às outras, de tal forma que o fluxo de passagem também faça parte desse sistema – a vida urbana dentro da malha hierárquica – onde praças maiores e menores, boulevards, áreas comerciais e espaços culturais, são vinculados por ruas, que atuam como grandes conectores da centralidade.
Em subúrbios, lugares distantes da periferia, afastados pelas altas estradas n o r m a l m e n t e o s m e i o s d e t r a n s p o r t e individuais são os mais usados, até para atividades diárias, afinal os usos acabam sendo encaixados na cidade de maneira isolada e desconexa. Além disto, novos
Figura 2.5 - Interação público x privado
FONTE: ARCHDAILY (2017)
14
FONTE: Imagem desenvolvida pela autora Figura 2.4 - Percepção visual e vida na cidade
edifícios, por mais bem localizados que sejam dentro da malha viária, são construídos isoladamente dentro da cidade por serem influenciados pelo ideal de que quanto mais muros e cercas mais seguro o espaço. Este isolamento e resguardo dentro de edificações fortificadas resulta em maiores problemas além da segregação individual, o que torna o entorno e território inseguros para o pedestre visto que paredes tornam-se barreiras antissociais.
2.2 MOLDANDO A CIDADE PARA RECONQUISTA-LA
2.2.1 Dimensões adequadas
Segundo Farr (2013) e Gehl (2015), calçadas são espaços interessantes quando utilizadas por uma grande variedade de usos, com larguras avantajadas, entrâncias entre suas edificações saindo do alinhamento continuo da fileira idêntica do conjunto. Para
apropriação se torna convidativa pelo movimento de outras pessoas, como Cullen (1971) menciona em seu livro a cidade se torna mais humana e vitalícia juntamente com a pavimentação, postes de iluminação, recintos e pontos focais.
Ao mesmo tempo em que podem se tornar tão vivas – as calçadas – conforme o t r a d i c i o n a l i s m o , “ c o n t i n u a m a s e r desconsideradas e desprezadas na condição de únicos elementos vitais e imprescindíveis da segurança, da vida pública e da criação de crianças nas cidades”. JACOBS; Jane (2011, pg.95, grifo do autor).
2.2.2 Escala e densidade
Farr (2013) menciona em seu livro um raio de 400 m para um bairro integro com paradas de ônibus de usos diários – visto que o m o r a r, t r a b a l h a r e l a z e r d e v e e s t a r implantando nas proximidades . Neste mesmo raio, ônibus/linhas menores devem alimentar o bairro. Portanto um raio de raio de 800 m deve ser alimentado por transportes coletivos de maior escala (ex: BRT, VLT, TREM, METRÔ).
Já a variedade de densidade que além de aumentar a permeabilidade do solo, Cullen (1970), o desvio do olhar, as variações
entre as saliências, despertam a curiosidade. São estas – as calçadas – que possibilitam o ir e vir, a recreação das crianças informalmente, a convivência e a vida pública.
Portanto, atividades diárias devem ser feitas preferencialmente, a pé. O senso de l u g a r , c o m p r e e n d e n d o m ú l t i p l o s empreendimentos e usos, acessibilidade, prioridade para o pedestre, transporte público de qualidade e de fácil acesso devem ser planejados,conectados e interligados.
Outras estratégias são a redução de estacionamentos, estreitamento de caixas de vias para automóveis priorizando o pedestre com calçadas largas e acessíveis. Pesquisas, mencionadas no livro Urbanismo Sustentável de Farr (2013), afirmam que o melhoramento de vias que presam o pedestrianismo aumenta o nível de atividades físicas, diminuindo assim os gastos com saúde anualmente. Juntamente a isto, é necessário que a rua possua elementos que estimulem a cidade ao nível dos olhos, como mesas inseridas nas calçadas, convidando o cliente a apreciar a vida na rua e suas perspicácias. Um abrigo, uma sombra, tornam a convivência possível. A partir de um conjunto de elementos que a
FONTE: DOWNTOWN SEATTLE (2009)
16
estimula o caráter da comunidade, atividades diárias e a segurança do espaço. Logo havendo variedade de densidade em algum momento terá a transição destes gabaritos, sendo assim Cullen (1971) e Farr (2013) sustentam o argumento de que, a paisagem deve ser agradável e as ruas homogêneas, portanto, a transição deve ser sutil, logo, fundos de lotes são apropriados para esta mudança de gabaritos.
O fato de possuir densidade média reflete em diversos fatores para uma cidade
viva, afinal a percepção do homem se dá no máximo até cinco andares. Desta forma, é possível haver contato visual e menores distâncias a se percorrer, ao entrar e sair de um edifício, facilitando assim a interação do público e privado, necessário para se manter uma cidade vitalícia.
2.2.3 Permeabilidade do solo
A alta impermeabilidades dos novos cenários das cidades geram alguns problemas
de catástrofes naturais as quais podem ser solucionadas com um bom planejamento ur - bano, que deve considerar e entender as condicionantes ambientais e naturais da região, para assim definir funcionalidade e zoneamentos do uso do solo.
Baixas densidades geram menor escoamento de águas pluviais devido à pouca absorção do solo. Já densidades mais altas consomem menos área de solo, conseguindo suprir, ainda assim mesma quantidade de m o r a d i a s , m a s d i m i n u i n d o a á r e a
Figura 1.6 - Cidade em equilíbrio
FONTE: ARCHDAILY (2017) Figura 2.7 - Cidade em equilíbrio
FONTE: PLANETA ORGÂNICO (2017) FONTE: PLANETA ORGÂNICO (2017) Figura 2.8 - Mata ciliar
impermeabilizada, utilizando as mesmas para usos de lazer e áreas verdes. Estas áreas livres são necessárias para um bairro com vida urbana saudável, visto que as áreas antes de serem urbanizadas tinham fatores ambientais e históricos que são esquecidos e rejeitados com influência da especulação imobiliária juntamente com ocupações irregulares em encostas que na maioria das vezes são áreas de preservação e área de nascentes das bacias hidrográficas – por serem território de declividades que abastecem rios e córregos a uma área central. Devido a estas ocupações, distúrbios ambientais e desmoronamentos são recorrentes. Visto que rios e córregos desde dos primórdios funcionavam como importantes catalisadores e fontes de riquezas para o desenvolvimento de bairros e cidades, possuindo na maioria das vezes valor histórico e de enraizamento com a localidade. Logo também, sendo usados como escoamento para esgotos se transformavam em locais mal cheirosos e fundos de lote, sendo solucionados com a canalização e deterioração gradativa, a t o q u e t a m b é m s e j u s t i fi c a v a p e l o adensamento de vias rodoviárias. Seguindo o propósito de que a água possui muitos potenciais a serem valorizados e preservados -
como a vivacidade, harmonia, diversidade de espécies, simbolismo, textura, valorização econômica e da paisagem, deve-se repensar no território, onde a ocupação e expansão da cidade se molde às condicionantes naturais, extinguindo a densificação em cima das nascentes e afluentes de cursos de água.
Gorski (2010) menciona em sua obra que no Brasil é comum o estrangulamento de
Figura 2.9 - Alterações sob funções naturais dos rios
cursos de água, ou ainda, o embutimento de dutos, contribuindo para a descaracterização d o s v a l e s , d e s t r u i ç ã o d e h a b i t a t s e biodiversidade de espécies, inundações, chuvas contaminadas pela poluição de metais pesados e lixo que, além de contaminarem ao se solidificarem, transportam conforme sua intensidade lixo para tubulações de esgoto diminuindo ou impossibilitando o escoamento já precário .
O habitat natural de rios e córregos possuem características próprias que se justificam conforme suas necessidades. Exemplo disto é a biodiversidade existente nestes territórios e entorno, a diversidade de espécies árboreas da mata ciliar – vegetação presente em espaços próximos a cursos d’água – que previnem inundações por conta da sua alta capilaridade e infiltração.
O relevo do entorno de rios e córregos também se enquadra no sistema natural. Os desníveis auxiliam no escomanento lento da água dos banhados que servem de área para escape.
De acordo com Farr (2013, p. 175):
(...) Coberturas verdes, sistemas de pavimentação porosos, biogestores e outras estratégias de biorretenção, coleta e reúso da água da chuva, como o simples reservatórios e a inclusão de sistemas de paisagismo com vegetação nativa com raízes profundas e alta absorção da água ( . . . ) Ta i s m e d i d a s s ã o e l e m e n t o s importantes para a recarga dos lençóis freáticos, redução de enchentes, melhoria da qualidade da água do terreno e região e r e s t a u r a ç ã o d a v i a b i l i d a d e d o s ecossistemas terrestres e aquáticos.
2.2.4
Áreas verdes e lazer
A cidade possui muitos potenciais, às quais, podem ser explorados para manter um meio vivo, sendo o fluxo de pessoas o principal componente – visto que se torna pouco q u e s t i o n á v e l e m m u i t o s p r o j e t o s d e urbanização atualmente.
Um parque conforme Jacobs (2011) só terá vida urbana quando possuir usos diversificados no seu entorno e iluminação externa apropriada, proporcionando uma variedade de horários e usuários, seja no perído de almoço, ao levar o filho ou o cachorro para passear, ler um livro, ou apenas utilizar-se
d o p a r q u e c o m o m e i o d e p a s s a g e m . FONTE: ARCHDAILY (2014)
Figura 2.10 - Pavimentação - High Line, Nova York.
urbano ele este é fruto da sua vizinhança e da maneira como a mesma gera essa sutentação mútua por meio de usos diferentes ou, deixa de gerar essa sustentação.
A quantidade de áreas de lazer e livres em um bairro devem ser planejadas conforme sua demanda. Quanto maior for a diversidade de áreas com as mesmas características, mais dissipada será sua população de usuários.
Outro fato que influência no contin -gente de um parque são os traços do seu desenho, a pavimentação que segue da rua articulando os espaços, surgindo uma sequência coerente que propicie ao longo desses caminhos diversos usos, insolação adequada, diversidade de espécies e, o mais importante o relacionamento do conjunto harmônico.
Os desníveis, além de serem usados para separarem atividades podem ser ótimos causadores de sensações no pedestre, como menciona Cullen (1971). Logo o estreitamento e alargamento tem o poder de contrastar. Já a água e a vegetação se tornam meios vivos que se relacionam sutilmente com o entorno podendo ser utilizados como meio de controle e barreiras visuais tirando partido da paisagem. afinal, conforme Jacobs (2011) e Gehl (2015)
as pessoas são os olhos das ruas e sem elas o espaço não se torna convidativo.
U m e x e m p l o d i s t o é o p a r q u e Washington Square na Filadélfia. O bairro em que este parque se localiza sofreu influência da especulação imobiliária direta e se tornou alvo de propostas de compra e venda para edificações de luxo. A localidade era atrativa e possuía enraizamento da comunidade que ali residia, os antigos proprietários aos poucos foram cobiçados a venda. Os usos que se deram a estas edificações se tornaram basicamente corporativo para uso de escritórios. O parque que possuía vida por conta da diversidade de usos, onde o interior se voltava para o exterior e saia da monotonia, acabou se tornando ocioso por conta das altas construções, além do pouco contato visual com a rua devido aos altos gabaritos e sua monofuncionalidade – apenas escritórios. Seguindo o raciocínio de que possuem hora de almoço entrada e saída muito parecidos, o parque se limitou a poucos horários. Desta forma, a nova comunidade não conseguiu suprir a demanda que o parque deveria ter, para manter-se vivo, pois os hábitos não eram diversificados. Sendo assim, Jacobs (2011) afirma que como todo parque
FONTE: REDE SOCIAL UFSC (2016) Figura 2.12 - Diversidade de espécies FONTE: ARCHDAILY (2016)
Figura 2.11 - Desníveis e traçado
Figura 2.13 - Diversidade de usos x Cidade viva
CAPÍTULO 3
REFERENCIAIS PROJETUAIS
FONTE: SASAKI ASSOCIETES (2017) Figura 3.0 - Conexão e convivência
3.0
REFEFENCIAIS PROJETUAIS
3.1 THE GOODS LINE PROJECT:
O NOVO CENTRO URBANO DE
SIDNEY
Inspirado no famoso projeto do High Line em Nova York, e projetado pelo escritório ASPECT Studios - com colaboração dos Designs CHROFI, toma partido do mesmo e grande objetivo do High Line: conectar a cidade. O projeto de parque elevado situa-se no centro de Sidney e, propõe conectar Zonas Norte e Sul do centro da cidade a partir de um eixo em cima de uma antiga via férrea, conectando o entorno rico em edificações de uso cultural e educativo, abrindo e conectando ruas de Leste a Oeste.
O eixo verde conserva o passado da Linha, criando e revelando ao mesmo tempo uma nova identidade para o local, abordando iniciativas sustentáveis nos materiais e sistemas construtivos empregados para construir e por em prática o novo posto de coração da cidade.
A visão do Governo de Nova Gales do Sul para uma Sydney conectada ganhou vida, ao ver potencial em um espaço urbano isolado em um destino público de qualidade que estabeleça oportunidades de convivência e troca cultural.
SETOR SUL
SETOR NORTE
FONTE: thegoodsline.aspect.net.au (2017)
Figura 3.2 - Diagrama proposta geral The Goods Line
FONTE: thegoodsline.aspect.net.au (2017) Figura 3.1 - Diagrama conexões The Goods Line
Figura 3.3 - The Goods Line
FONTE: ARCHDAILY (2017)
Projeto: THE GOODS LINE PROJECT Equipe: ASPECT Studios - com
colaboração dos Designs CHROFI
Local: Ul mo, Sydney, NSW, Austrália Ano:2015
3.2
DOCKSIDE GREEN
Localizado na Colúmbia Britânica, Canadá, realizado pelos escritórios Bubsy Perkins e Will Architectes o projeto se carac -teriza por um condomínio sustentável de 15 hectares realizado para um concurso para o novo plano diretor de redesenvolvimento para uma antiga área industrial abandonada. O mesmo presar por um Urbanismo Sustentável, fazendo tratamento da água para um riacho
22
A partir de pontuações de caráter sustentável o projeto recebeu o prêmio LEED Platinum - empreendimento com carbono zero. Portanto o projeto conta com uma grande área verde no seu centro onde se concentra toda c a p i t a ç ã o e s i s t e m a d e e s g o t o e gerenciamento de águas pluvial. Logo no entorno da área livre, encontraram os diversificados usos que mantém o condomínio ativo.
artificial, tanto para a descarga de vaso sanitário e outras utilidades. O riacho implantado no projeto tem como finalidade trazer maior vivacidade para a localidade oferecendo refúgio para uma diversidade de espécies. O emprego da sustentabilidade no planejamento do condomínio aparece na convivência entre a comunidade, integração do transporte limpo como no uso do solo e tecnologias, favorecendo o ambiente a se tornar um lugar agradável e seguro.
FONTE: thegoodsline.aspect.net.au (2017)
Figura 3.4 - Proposta com entorno - Dockside Green
FONTE: CITERURBANDESIGN (2017)
Figura 3.5 - Estacionamento/ áreas verdes e ciclovia
FONTE: CITERURBANDESIGN (2017) Figura 3.6 - Conexões em Dockside Green
De acordo com Farr (2013, p. 268):
(...) O núcleo do projeto é uma filosofia de ‘resultado final triplo’ que valoriza não somente os lucros econômicos, mas também o desempenho ambiental e social.
FONTE: DOCKSIDEGREEN (2017) Figura 3.7 - Espaço Urbanos.
Figura 3.8 - Uso do solo misto e áreas verdes
FONTE: DOCKSIDEGREEN (2017)
Projeto: DOCKSIDE GREEN Equipe: Busby Perkins +
Will Architects Local: Vitória, Colúmbia
CAPÍTULO 4
DIAGNÓSTICO DA ÁREA
4.0
DIAGNÓSTICO DA ÁREA
4.1 LOCALIZAÇÃO
A área de estudo situa-se no município de Florianópolis, no bairro Trindade, em ponto estratégico dentro da cidade, devido a sua localização abranger um contingente de trajetórias e rotas para diversos bairros. O campus da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) setor Trindade ocupa uma área superior a 20 milhões de metros quadrados, com uma população universitária de 50 mil pessoas. 24 CÓRREGO GRANDE LAGOA DA CONC. CAMPECHE CENTRO TRINDADE AEROPORTO INGLESES
4.2 CONTEXTUALIZAÇÃO
Entre 1748 e 1756, chegam cerca de 4.929 imigrantes açorianos à Ilha de Santa Catarina através do porto da Vila de Desterro. (CABRAL, 1970:35). Os imigrantes açorianos recrutados eram na sua ampla maioria camponeses ou pescadores pobres. Os lotes coloniais, que receberam ao chegar, além de muito pequenos, foram mal distribuídos. (FACCIO, 1997, pg. 19). A partir desta i m i g r a ç ã o , f o r m o u - s e a f r e g u e s i a d a Santíssima Trindade, formada por açorianos e madeirenses. Juntamente com acomodação dos mesmos nas ruas atual R. Ilhéus no Centro
UFSC TRINDADE CÓRREGO GRANDE CARVOEIRA PANTANAL
da cidade e 'Atrás do Morro' – atual bairro Trindade e Lagoa da Conceição. Logo como consequência, ruas precisaram ser abertas à chão batido pela necessidade de locomoção de carros de boi e fluxos de mercadorias locais.
A capela da Santíssima Trindade serviria de matriz a freguesia com 1811 habitantes em 1855, sendo conectada com o centro da cidade pela Carvoeira – Serrinha, chegando ao centro pela atual R. General Bittencurt. Desta forma, a igreja tem grande valor histórico e cultural para a vila visto que
Figura 4.2 - Florianópolis déc. 70.
Figura 4.3 - Florianópolis atualmente (2017)
Figura 4.1 - Mapa de localização.
FONTE: GOOGLE EARTH, manipulado pela autora.
FONTE: FOLHADOESTADO (2017) FONTE: G1 GLOBO (2017)
a partir desta aconteciam diversos eventos e momentos de encontro da comunidade sem distinção de cor e idade, todos eram bem-vindos. Com o passar do tempo, o crescimento do bairro foi dando abertura para a apropriação de um novo público e novas culturas abrindo espaço para insegurança perdendo o olhar da própria comunidade.
C o n f o r m e T E I X E I R A , Y U N E S E SOUZA (2015), a cidade em 1920 era baseada por ativibaseadades econômicas de subsistên -cia, em seu pequeno porto localizado na região insular central e no serviço público. Logo o interesse em transferir o centro administrativo p a r a o u t r o s m u n i c í p i o s , t r o u x e p a r a Florianópolis em primeira mão o fortaleci - mento, para conseguir se inserir nacional -mente. Sendo assim, o processo inicia-se
com a construção da Ponte Hercílio Luz em 1926 juntamente com o sistema sanitarista na Avenida Hercílio Luz. O crescimento da população e de veículos motorizados não estava sendo suportado pelo isolamento existente entre os bairros, sendo necessário a ampliação da malha viária, segundo Teixeira (2009). Segundo Campos (2009), esta ampliação da malha se dá na década de 60 a partir da construção da Avenida Rubens de Arruda Ramos (Avenida Beira-mar Norte), integrando mais bairros com centro da cidade e valorizando as localidades anteriormente isoladas como o bairro Trindade. Além disto, ainda na déc. de 60, a instalação da UFSC e empresas estatal federal ELETROSUL, e estaduais Telecomunicações de Santa Catarina (TELESC) e Companhia Catarinense
de Águas e Saneamento (CASAN) na região fomentou o fluxo migratório para a Ilha, após para os municípios vizinhos. Com este fato, i n i c i o u - s e a s e g r e g a ç ã o d o s m e n o s f a v o r e c i d o s , v e n d e n d o s e u s l o t e s e adensando a ocupação nas encostas, neste c a s o M o r r o d a S e r r i n h a e C a e i r a , desmembrados pelos primeiros imigrantes açorianos, em seguida por moradores pressionados pela especulação imobiliária. Sendo assim, na metade da déc. de 60 loteamentos de moradias unifamiliares no bairro Santa Mônica, iniciaram a ocupação visando o interesse imobiliário sob a localidade e arredores.
Portanto com a doação de terras da fazenda Fazenda Assis Brasil localizada no bairro Trindade pelo Governo Federal para a
Figura 4.5 - Igrejinha matriz déc. 70.
FONTE: ACERVO UFSC Figura 4.4 - Fazenda Assis Brasil.
FONTE: ACERVO UFSC
1950
1970
Figura 4.6 - Vista Trindade/ Serrinha
FONTE: CASA DA MEMÓRIA
déc.
90
2011
Figura 4.7 - Vista área Serrinha/ Córrego
Figura 4.8 - Inicio da ocupação entorno
FONTE: fotos antigasufsc.wordpress.com (2017)
a construção e implantação do campus da UFSC, que devido a influências econômicas, políticas e capital que seria investido haviam questionamentos se esta localidade seria a melhor opção para implantação do projeto do campus.
Ta m a n h a i n d e c i s ã o s o b r e a implantação da faculdade em um terreno alagadiço, agravava-se com a falta de verba para solucionar tantos desafios, fazendo com que mudança fosse gradativa e receosa. A partir da década de 70 com a Reforma Universitária – estudantes foram as ruas se manifestar a favor da necessidade de concentração das faculdades em um campus. Anterior a mudança a universidade se dividia e m p r é d i o s d i s p e r s o s n o c e n t r o d e Florianópolis. Fato que culminou com o
Figura 4.9 - Hospital Universitário.
FONTE: fotosantigasdaufsc.wordpress.com (2017) FONTE: cotidiano.sites.ufsc.br (2017)
Figura 4.10 - Prédio Reitoria em obra 1970. Figura 4.11 - Foto anterior a ed. Humanas
FONTE: fotosantigasdaufsc.wordpress.com (2017)
universitária em 1969 adquirindo a estrutura administrativa atual. Em meados de 1977 o campus já contava com a presença de todas as faculdades, algumas edificações ainda provisórias que por fim acabaram se tornando prédios até hoje usados apesar da má qualidade e outros já determinantes para a história do campus como a Biblioteca, Reitoria e Restaurante Universitário, entre tantos outros. Estando entre uma das 15 melhores universidades da América Latina, o campus atende educação infantil, ensino fundamental e médio a partir do Colégio Aplicação e Núcleo de Desenvolvimento Infantil (NDI). Além de atividades de pesquisa e extensão, 91 cursos de graduação, 74 pós-graduações e especializações. A Universidade conta também com projetos de incentivo e preservação da surgimento do campus.
Sendo assim, com a construção e conexões estabelecidas tirando o caráter antigo de isolamento dos bairros do entorno da UFSC, inicia-se o processo de transformação n a s u a p a i s a g e m e m d e c o r r ê n c i a d a s i s t e m á t i c a e s p e c u l a ç ã o i m o b i l i á r i a substituindo moradias de um pavimento para edificações multifamiliares – processo de verticalização durante a década de 70 conforme Campos (2009).
4.3 UNIVERSIDADE FEDERAL
DE SANTA CATARINA
Instituição pública e gratuita de Ensino Pesquisa e Extensão, recebeu em 1965 o nome de Universidade Federal, com a reforma
BIBLIOTECA MORRO PANTANAL
cultura como a Secretaria de Cultura (Secult) e Departamento Artístico de Cultura (DAC). Segundo o Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) (2015), a Secretaria através de suas ações, busca sensibilizar a comunidade universitária, externa e seus gestores da importância da cultura na f o r m a ç ã o d e u m a s o c i e d a d e m a i s humanizada.
A partir do ano 2000 iniciouse a pro posta de programas de extensão para a co -munidade com o objetivo de aumentar as relações de pertencimento e vínculos afetivos entre a UFSC e comunidade externa, a partir de Laboratórios de Dança, Ginástica, Hidroginástica e Voleibol para terceira idade, aulas de natação para pessoas com deficiência, atletismo, judô e capoeira para crianças, meditação para maiores de 15 anos
além de outras atividades sem fins lucrativos. FONTE: estrutura.ufsc.br/mapa/
Figura 4.12 - Mapa campus UFSC - Trindade
4.11 4.10 4.9 4.5 TRINDADE CÓRREGO GRANDE PANTANAL SERRINHA SANTA MÔNICA CARVOEIRA
1
3
1 24.4
MORFOLOGIA
A m o r f o l o g i a d o s b a i r r o s é conseqüência da expansão e ocupação da cidade. Conforme diagnosticado no mapa de Público e Privado (FIGURA Nº 4.13) nota-se na a configuração morfológica de cada bairro a partir do traçado ‘espinha de peixe’ pertinente na área devido à configuração do relevo que delimita o espaço, o que justifica algumas características marcantes na estrutura da cidade.Os bairros distinguem-se por possuir traçado ortogonal rígido no bairro Santa M ô n i c a , m a n c h a 2 – o r a p o r p o s s u i r interrupções no decorrer de suas vias (ruas sem saída), proporcionando grandes quadras e sem conexões – bairro Trindade, Carvoeira e Pantanal, mancha 1 – já o traçado irregular sem nenhuma margem de regularidade se estabelece no bairro Serrinha (mancha 3).
Lotes como o campus da Universidade Federal de Santa Catarina entre outros espaços instucionais como representados no mapa são de caráter público de uso limitado – onde o terreno considera-se público sem barreiras para o uso e edificações limitadas em decorrência de horários e segurança.
1
MANCHA 1 MANCHA 2 MANCHA 3 USO PÚBLICO USO PRIVADO PÚBLICO DE USO LIMITADOFigura 4.13 - Mapa morfologia
0 50 400 m 200 LEGENDA 28
4.5
USO DO SOLO
A ocupação do solo se dá de maneira homogênea em grande parte do recorte em análise. A diversidade de usos aparece com maior foco no eixo principal de cada bairro – caracterizados pelo chamado espinha de peixe – onde a centralidade dos bairros se tornam lineares devido à morfologia existente. Os b a i r r o s s e c a r a c t e r i z a m p e l o u s o d e r e s i d e n c i a i s u n i f a m i l i a r e s c o m m a i o r intensidade e, multifamiliares no bairro Trindade e Carvoeira, o que atualmente vem se intensificando na região da Serrinha devido ao intenso interesse imobiliário em lucrar com a população universitária.
D e s t a f o r m a , o b s e r v a - s e a predominância residencial nos bairros vizinhos ao campus, possuindo no eixo principal de cada bairro intenso comércio e poucas e d i fi c a ç õ e s d e u s o m i s t o . A l é m d a predominância residencial, o centro do recorte é abastecido por uma grande mancha de edificações institucionais de grande importân -cia como Universidade, Celesc, Casan, Escolas, Policia Militar, Creches e em maior quantidade igrejas que se estendem para as
vias locais dos bairros. Sendo assim, a demanda de serviços tem potencial para atender o recorte, mas não atende um raio de 400 metros – como questiona Farr (2013) – para suprir os serviços necessários da centralidade essencial de cada bairro, instigando o uso de veículo.
O u t r o q u e s t i o n a m e n t o s e r i a a percepção do uso de comércio não explorando fachadas vivas, o que torna a via pouco atrativa e sem estimulo para o pedestre.
Analisando a mancha de áreas verdes observa-se poucos espaços apropriados e de qualidade para o lazer, mas ainda assim em decorrência dos aspectos ambientais do recorte – encostas, área de banhado e hidrografia intensa – ainda preserva-se alguns caracteres naturais, mas grande parte influenciado pela ocupação. Algumas áreas de maior importância e de qualidade para o lazer são: o Centro comunitário no Santa Mônica (ACOJAR)(1), Horto Florestal no Córrego Grande (2), Praça Santos Dumond na Trindade (3). 0 50 400 m 200 RECORTE USO COMERCIAL USO MISTO USO RESIDENCIAL USO INSTITUCIONAL ÁREAS VERDES/ LIVRES CENTRALIDADES
LEGENDA
Figura 4.14 - Mapa uso do solo
2
4.6
SISTEMA VIÁRIO
4.6.1 SISTEMA VIÁRIO MACRO
A construção do anel viário iniciada em Março de 2017 introduzirá um eixo próprio para BRT (Bus Rapid Transit), passando por duas vias dentro do recorte, sendo a Rod. Professor Henrique da Silva Fontes (arterial) 1 e R. Dep. Antônio Edu Vieira (principal do Pantanal) 2 .
Atualmente o transporte público no recorte é abastecido por 21 linhas de ônibus, entre executivos e azul, mas não supre as necessidades de ciclovia e conexões.
30
PAV. FLEXIVEL
PAV. FLEXIVEL
PAV. FLEXIVEL PAV. FLEXIVEL
PAV.FLEXIVEL PAV. RÍGIDO
PAV. RÍGIDO PAV. RÍGIDO CICLO.
CICLO.
Figura 4.15 - Proposta anel viário
TICEN
2017
TICEN
LINHA TITRI
CÓRREGO GRANDE CÓRREGO GRANDE - POÇÃO SACO DOS LIMÕES - TRINDADE SACO GRANDE VIA HU SANTA MÔNICA TITRI - UFSC
LINHA TRONCAL
TICAN - TITRI VIA UFSC TILAG - TITRI VIA UFSC
LINHAS EXECUTIVOS
HÓRARIOS DE 10 A 20 MIN
LINHA VOLTA AO MORRO E UFSC - SEMIDIRETO
HORÁRIOS DE MOVIMENTO DE 15 EM 15 MIN
ROTAS DE ÔNIBUS PRÓXIMAS DA ÁREA
Figura 4.16 - Quadro de mobilidade urbana entorno UFSCD E M A N DA D E V E Í C U LO S E M ESTACIONAMENTOS OFICIAIS E NÃO OFICIAIS NA UFSC EM
1997
E X I S T E E N T R E O S B A I R R O S V I Z I N H O S . A P E N A S 1 K M D E CICLOVIA DENTRO DO RECORTEABASTECEM O BAIRRO FONTE: GOOGLEMAPS E PMF.SC
21
LINHAS DE
ÔNIBUS
1
KM
DE CICLOVIA
3.230
VAGAS
DE VEÍCULOS
FONTE: GOOGLEMAPS , CONSORCIOFENIX, CEPANTITRI TITRI
1
4.6.2 H I E R A R Q U I A V I Á R I A E
CONFLITOS
A classificação das vias pela porção Norte do recorte se dá pela R. Lauro Linhares localizada no bairro Trindade (rua classificada como via coletora, a qual exerce a função de captar o fluxo de vias locais), que conecta o campus da Universidade Federal ao bairro Agronômica e pela Av. Prof. Henrique da Silva Fontes – classificada como via arterial por possibilitar o trânsito entre as regiões da cidade, controlada por semáforos. Nesta mesma porção, norte do recorte, analisou-se conflitos na rotúla da R. Lauro Linhares com a Av. Madre Benveuta – ruas classificadas como principal (por conectar bairros). Desta forma, o fluxo vindo desta porção Nordeste pode ter acesso à Universidade pela Via arterial e sendo captado pela via coletora R. Prof. Maria Pausewang ou continuando seu trajeto pela via arterial até encontrar-se com a R. Dep. Antônio Edu Vieira – via principal do bairro Pantanal que secciona-o e conecta os bairros Trindade e Saco dos Limões. Além disto, a via principal do Pantanal comporta a segunda entrada ao campus seguida por uma rótula que gera conflitos em horários de pico, entre pedestres,
ciclistas e automóveis.
Outro nó ocorre no ponto em meio ao cruzamento de 3 vias - Av. Prof. Henrique da Silva, R. Dep Antônio Edu Vieira e R. João Pio Duarte Silva – rua coletora e principal do bairro Córrego Grande. Logo a R. Delfino Conti se classifica como coletora por captar apenas o fluxo dos bolsões de estacionamento inseridos dentro da universidade e guiar o fluxo vindo do bairro Pantanal e, Córrego Grande para o bairro Trindade, onde o maior e mais relevante conflito se concentra. Neste mesmo ponto encontra-se a entrada principal do campus.
O terceiro eixo - vindo da porção Sudoeste, mais especificamente passando pela R. Capitão Romualdo de Barros provinda do bairro Carvoeira classificada também como via principal devido à conectar o bairro Trindade ao Saco dos Limões - este não foge t a m b é m d e p o s s u i r t r a n s t o r n o s n o escoamento.
FONTE: ONDONLINE
Figura 4.17 - Conflito bairro Trindade
AV. MADRE BENVENUTA
AV. PROF
. HENRIQUE DA SIL
VA
R. DEP. ANTÕNIO EDU VIEIRA R. CAP. ROM. DE BARROS
AV . LAURO LINHARES R. PROF . MARIA PAUSEW ANG
R. JOÃO PIU DUAR TE SIL
VA
Figura 4.18 - Mapa hierarquia viária x conflitos.
CICLOVIA VIA ARTERIAL VIA PRINCIPAL VIA COLETORA VIA LOCAL CONFLITOS ESTACIONAMENTOS LEGENDA 0 50 400 m 200
4.7
PERCEPÇÕES URBANAS
Apoiado na captura de imagem do olhar cotiadiano do pedestre, diagnosticou-se algumas contrariedades no entorno da área em estudo como a distinção entre o público x público acentuado pelo uso de cercas/ muros e e s t a c i o n a m e n t o s ( v i d e i m a g e m 0 5 ) , zoneamento marcado, ocasionado pela falta de diversidade de usos (vide imagem 02, 03, 04, 05 e 06), favorecimento ao espaço de automóveis reforçado pela falta de ciclovias, falta de qualidade e acessibilidade nas calçadas (vide imagem 02,03,04, 05, 06 e 07), altos gabaritos periféricos ao campus (vide imagem 01, 05, 06, e 07), relevo acentuado, o que contribui o pedestre na orientação espacial (imagem 02, 03 e 04). Além de edificações dispersas, sem conexões entre elas e entorno.
4 01 02 03 04 05 06 06 32
Figura 4.19 - Vista do fluxo do bairro Serrinha
01
FONTE: GOOGLE MAPS FONTE: AUTORA
FONTE: AUTORA
FONTE: AUTORA
Figura 4.21 - Vista do campus p/ Serrinha Figura 4.20 - Localização percepções urbanas
02
Figura 4.22 - Vista do campus p/ Serrinha Figura 4.25 - Via principal do bairro Carvoeira
Figura 4.24 - Via principal do bairro Pantanal
06
07
Figura 4.24 - R. Prof. Maria Pausewang05
Figura 4.23 - Vista do campus p/ o Pantanal04
03
400 m 200 50
0
FONTE: GOOGLE MAPS FONTE: GOOGLE MAPS
4.8
CONDICIONANTES
NATURAIS
4.8.1 FRAGMENTOS VERDES E
HIDROGRAFIA
O recorte possui uma abrangente diversidade de espécies e condicionantes ambientais por situar-se entre morros de 46% a 50% de declividade onde a vegetação da Mata Atlântica vem sendo devastada devido a ocupações irregulares. Desta forma, o campus encontra-se implantado entre as encostas do bairro Serrinha e Pantanal, locais de nascentes d’água que percorrem a UFSC. A Mata Atlântica pesar da devastação pode ainda ser
de diminui sua incidência devido à topografia dos morros que servem como barreira natural. Com relação ao vento Norte, sua incidência é minimizada pelos altos gabaritos das edificações existentes na área.
ÁREAS VERDES/ LIVRES HIDROGRAFIA LEGENDA SERRINHA HORTO PANTANAL CARVOEIRA
encontrada em pequena parcela disseminada e em grande proporção no Horto Florestal no bairro Córrego Grande. Já áreas de mangue, banhado e áreas inundáveis concentram-se no bairro Santa Mônica.
4.8.2 ANÁLISE BIOCLIMÁTICA
Florianópolis é um arquipelágo e por conta da sua maritimidade possui clima tropical temperado e super úmido, apresentando verão quente e inverno ameno com chuvas bem distribuídas durante o ano. Sendo os ventos predominantes Norte, mas possuindo grandes velocidades vindos no hemisfério Sul.
O vento Sul que possui maior velocida
-L
O
FONTE: SINTER.UFSC.BR
Figura 4.28 - Foto área campus Trindade UFSC.
Figura 4.26 - Mapa condicionantes naturais
SANTA MÔNICA
TRINDADE Figura 4.27 - Analise bioclimática
VENTO SUL VENTO NORTE 400 m 200 50 0
4.9
LEGISLAÇÃO
4.9.1 PLANO DIRETOR DE
FLORIANÓPOLIS
Conforme o Plano Diretor de 2014 de Florianópolis a área se caracteriza por ser uma Á r e a C o m u n i t á r i a / I n s t i t u c i o n a l ( A C I ) agregando uma APC (Área de Preservação Cultural.
Outras classificações são agregadas dentro do recorte, possuindo maior densidade de ARM (Área Residencial Mista) nas vias principais de cada bairro estendendo-se para dentro do bairro com índice nas bordas do entorno da área do campus de 2.5 à 6.5. Assim como, Área Mista Central (AMC) definindo as centralidades dos bairros, com pontuação de 6.5 no bairro Pantanal, 10.5 no bairro Trindade e 6.5 à 4.5 no Santa Mônica. Área Residencial Predominante (ARP) 2.5 e Áreas Verdes de Lazer (AVL), APL nas encontas dos morros e área de ZEIS no bairro da Serrinha/ Caeira.
O Plano Diretor vigente possui algumas áreas destinadas a resolver usos diagnosticados com limites indesejáveis que não se adaptam aos fatores já existentes. Um exemplo seria a AMC implantada no bairro Pantanal pontualmente em uma única área
que não possui potencial para tal zonea -mento devido a não conversar com as condicionantes morfológicas característica da apropriação e ocupação da cidade. Além de aprofundar seu zoneamento a ruas locais direcionada a encosta de morros.
AMC ARM ARP ZEIS LEGENDA COM./INST. AVL APL 34
Figura 4.29 - Mapa Plano Diretor de Florianópolis
FONTE: GOV.PMF.SC modificado pela Autora.
4.9.2 PLANO DIRETOR UFSC
Vigente desde 2005, realizado pela Comissão Permanente de Planejamento Físico (CPPF) do Campus da UFSC nomeada em 1994, o plano diretor foi planejado buscando solucionar os espaços e usos já existentes, além de novas propostas que buscam suprir as necessidades.
O Plano vigente, apesar de constatar a necessidade de preferência ao pedestre, propondo potencializar os espaços sem conexão entre os edifícios, prever a demolição de prédios precários construídos com a finalidade de serem temporários na época, prever a preservação de imóveis, propor a solução de conflitos entre automóveis, bicicletas e pedestres, propõe diversos pontos essenciais para o campus mas se contrária provocando sensações ao usuário de falta de acolhimento, não instigando o campus há ter uma permeabilidade qualificada ao pedestre, visto que vagas de estacionamentos são encontradas em áreas que são caracterizadas por APP (mata ciliar) e propostas de canalização de trechos de cursos de água para a construção de mais território viável a construção e estacionamentos no campus.
EXISTENTE À DEMOLIR EM CONSTRUÇÃO À IMPLANTAR LEGENDA PANTANAL TRINDADE CARVOEIRA SERRINHA SANTA MÔNICA
Figura 4.30 - Mapa Plano Diretor UFSC
FONTE: ETUSC (2017) CCB RU CCE CC BÁSICOBÁSICO REITORIA ASSOCIAÇÃO DO PROFESORES PROPOSTA DE ÁREA DE ESTACIONAMENTO X APP PROPOSTA DE PRAÇA ESTACIONAMENTOS NÃO PERIFÉRICOS 0 50 400 m 200
O plano diretor da UFSC contou com algumas contribuições e revisão conceitual abrangendo o meio ambiente e traçados urbanisticos em 2010 a partir do DPAE (Departamento de Planejamento).
A revisão conta com pontuações e propostas para o campus seguindo um pensamento semelhante ao embasamento teórico dado em todo trabalho, visto que permite e cria novo traçado para a implantação de estacionamentos periféricos aos limites e entradas do campus, propõe a criação de um Parque Universitário abrangendo quase toda a extensão lateral do campus com o bairro Carvoeira instigando o fluxo e relação do pedestres para com o espaço qualificado e harmônico, atualmente local isolado do campus, configurando com maior clareza o eixo cultural já proposto no Plano de 2005. A revisão do ano de 2010, propõe não somente apropriação da população universitária, mas da comunidade e entorno também.
Quanto a demolições e novos projetos de edificações, algumas já eram previstas pelo plano, outras se tornaram pertinentes devido a propostas apresentadas pela revisão como o eixo cultural. SISTEMA VIÁRIO CURSOS D’ÁGUA PRÉDIOS EXISTENTES PRÉDIOS BAIXOS PRÉDIOS ALTOS JARDINS PLANEJADOS APA APP PASSEIOS PASSEIOS COBERTOS LEGENDA 0 50 400 m 200 FONTE: ETUSC (2017)
Figura 4.31 - Mapa Revisão Plano Diretor 2010.
36 PANTANAL TRINDADE CARVOEIRA SERRINHA SANTA MÔNICA
4.10 SÍNTESE
A área possui uma demanda de qualidade relacionada a diversidade de usos, fato que não se potencializa pela má distribuição destes, fortificando a insegurança nos bairros.
A falta de boas conexões é fortemente marcada por conflitos nas entradas de cada bairro, caráter reforçado por uma mancha institucional - caracterizada por espaços subutilizados entre suas edificações. A mancha se concentra no centro de cinco bairros, se tornando uma barreira, sem as d e v i d a s c o n e x õ e s q u a l i fi c a d a s , o n d e automóveis possuem preferência frente a tantas áreas de estacionamento. Portanto, a demanda de conexões entre áreas verdes e convívio entre as edificações também carece dentro do campus quanto no seu entorno. Seria conveniente qualificar e conectá-las juntamente com a proposta de integração entre os modais de mobilidade. Conseguindo abastecer não somente a população universi -tária, mas a comunidade externa também.
A partir do Plano Diretor vigente da UFSC também foi possível absorver com relevância,o setor central do campus,
SERRINHA CARVOEIRA SANTA MÔNICA TRINDADE CÓRREGO GRANDE 0 50 400 m 200 CONFLITOS ÁREAS VERDES CENTRALIDADES CURSOS D’ÁGUA LEGENDA SETOR HISTÓRICO USO INSTITUCIONAL USO RESIDENCIAL ÁREA P/ AUTOMÓVEIS
qual, poderia se apropriar destes cursos para á r e a s d e l a z e r e c o n v ív i o ta n to p a r a aprendizado e consciência ambiental.
PANTANAL
denominado patrimônio histórico. Desta forma, este fato instiga a preservação do setor e qualificação sendo um ambiente cultural de relações afetivas e enraizamento com a comunidade.
Outro problema diagnosticado seria os cursos de água que apresentam alto índice de poluição em meio a um campus universitário, o
CAPÍTULO 5
PARTIDO GERAL
FONTE: INSTAGRAM UFSC, AUTOR: CARMINATTI (2017) Figura 5.0 - UFSC e entorno
5.
PARTIDO GERAL
A proposta a ser estudada para a região visa valorizar e requalificar o campus da Universidade Federal a partir de potenciais e caracteristicas já existentes com o intuito de expandir o uso do campus não somente a horários determinados. O objetivo é propor a criação de espaços agradáveis e conectados com o entorno que estimulem a vivência universitária e apropriação da comunidade como um todo, visando a necessidade de densificar harmonicamente criando conexões e adequando usos.
5.1 DIRETRIZES
5.1.1 PERMEABILIDADE
A permeabilidade desqualificada exige a necessidade de um planejamento urbano com a contribuição de acessos e conexões com a comunidade, entre edificios e interação do campus com os diversos centros de educação, reforçando sua função e criação de novos caminhos que apropriem-se e dêem vida a áreas subutilizadas por conta de barreiras como estacionamentos, cercas, massas vegetais e áreas inseguras. Criando e
reordenando espaços e locais de convivência conforme a escala, permitindo a comunidade universitária e externa usufruir de todas as oportunidades que um campus pode oferecer estimulando a vivência, aprendizado e troca.
5.1.2 FORTALECIMENTO DAS
CENTRALIDADES
A proposta visa a remodelação do Plano Diretor da UFSC e entorno instigando o fortalecimento das centralidades e vivacidade da vizinhança, permitindo o fluxo em horários diversificados, influenciando na segurança do local diante a apropriação dos usos em horários não determinados e a necessidade de um projeto qualificado de iluminação
5.2.3 INTEGRAÇÃO DOS
MODAIS DE MOBILIDADE
Frente a grande área de estaciona -mentos dentro do campus, carência de c i c l o v i a s , c o n e x õ e s e c a i x a s d e r u a permitinentes ao carro, desfavoráveis ao pedestre, a proposta visa incorporar conexão entre todos os modais de transporte: o novo sistema de mobilidade iniciado no recorte (anel
Figura 5.3 - Esquema cinturão de mobilidade Figura 5.1 - Esquema de permeabilidade e conexões
FONTE: GOOGLEMAPS adaptado pela Autora. Eixo existente Malha existente Caminhos
convergentes Figura 5.2 - Esquema proposta de edifícios
adensamento disperso e horizontal, novos edifícios propostos pelo setor de planejamento da UFSC, salas de aula, serviços e/ou edificações antigas de baixa qualidade. Desta forma, o objetivo é a harmonização da paisagem junto a implantação de novos edifícios que levem em consideração as condicionantes bioclimáticas, entorno e escala humana contribuindo assim para uma maior permeabilidade do solo, espaços convivência e troca cultural.
Além disto, propõe-se a valorização e integração do setor dado como patrimônio
histórico da UFSC ao projeto visando o e n r a i z a m e n t o q u e a c o m u n i d a d e d universitária e da área possui com as a edifica -ções e recorte histórico.
Outro ponto, seria a valorização de ponto nodais e focais conforme a analise de Lynch (1960) e a incorporação a proposta de projeto de qualificação a composição de áreas livres que já possuem potencial para uso de lazer e recreação, como: o setor de esportes, praça central e APP.
viário), diminuição da caixa de rua a partir da criação de binários, ruas compartilhada, faixa elevada, mesa elevada em cruzamentos, baias para ônibus e aumento de calçadas permitindo o ir e vir de ciclista sem a devida demarcação dentro do campus, logo a criação de ciclovia conectando o entorno com o mesmo.
5.1.4 HARMONIZAÇÃO DA
PAISAGEM
A falta de planejamento frente a mobilidade influencia na demanda de vagas de estacionamento que além de serem barreiras para a permeabilidade desconfiguram o visual tornando-se indesejado a harmonização do conjunto. Desta forma, a criação de edifícios garagem que além de abastecerem a necessidade de estacionamento do campus, ao adensarem verticalmente aumentam a permeabilidade do solo. Logo a proposta visa implanta-los de preferência perifericamente aos limites do campus minimizando os conflitos entre automóveis x pedestres x ciclistas. Os edifícios garagem configuram-se junto a outros usos, unindo a proposta de edifícos a serem demolidos pelo alto índice de .
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FONTE: GOOGLE MAPS modificado pela Autora. Figura 5.4 - Proposta harmonização da paisagem
5.1.5 CONSCIÊNCIA
AMBIENTAL
Implantação de técnicas sustentáveis, c o m o c a p t a ç ã o d e á g u a d a c h u v a , reconstrução de áreas de APP juntamente com a adequação do paisagismo à vegetação nativa para que ocorra menor manutenção e r i s c o s d e i n c o m p a t i b i l i d a d e c o m condicionantes climáticas.
O objetivo inicial da proposta se baseia na recuperação de áreas de APP demarcadas pelos cursos de água e suas margens (mata ciliar, juntamente com a biodiversidade adquirida como conseqüência. Sendo um cinturão verde se estende e espalha-se pelo campus seguindo o fluxo de água até as margens do mar - cinturão que permite a circulação de habitats da fauna.
5.1.6 SÍNTESE
O mapa síntese visa unir as cinco principais diretrizes. Através da proposta de cinturão verde, anel viário, conexões e permeabilidade com o entorno, harmonização da paisagem e centralidades. Juntamente com a proposta de edifícios garagem.
Figura 5.5 - Diretrizes
FONTE: GOOGLE MAPS modificado pela Autora. CENTRALIDADES
Áreas com potenciais subu lizadas atualmente, qualifica-las e propor novos usos, possibilitando segurança do local
HARMONIZAÇÃO
Á r e a s c o m p o t e n c i a i s p a r a a comunidade que visa a conexão entre o existente e proposta.
PERMEABILIDADE Q u a l i fi c a ç ã o d e caminhos já existentes e proposta de um novo traçado que permita a c o n e x ã o e n t r e o campus e o entorno. P r o p o s t a d e
estacionamento rando par do
da topográfia CONSCIÊNCIA AMBIENTAL Renaturalização dos córregos através de um cinturão de biodiversidade, vegetação na va e fru feras.
CINTURÃO DE MOBILIDADE A p r o p r i a ç ã o d o projeto anel viário e conexão com outras a l t e r n a v a s d e mobilidade.
MOBILIDADE
Proposta de edi cio garagem deixando o ambiente mais harmônico e solo permeável.