• Nenhum resultado encontrado

Pós Penal e Processo Penal. Legale

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2021

Share "Pós Penal e Processo Penal. Legale"

Copied!
36
0
0

Texto

(1)

Pós – Penal

e Processo Penal

(2)

Princípios Gerais de

Processo Penal

(3)

Princípios

Há princípios no processo penal que são

implícitos e outros que são explícitos

(4)

Princípios

(5)

Princípios

1. Princípio da verdade real

O juiz criminal não fica adstrito às provas

trazidas pelas partes aos autos, podendo ir

atrás de outras provas porque ele não se

convence da verdade formal ou

convencional.

(6)

Doutrina

Julio Fabbrini Mirabete (Processo

penal, p. 44), “com o princípio da verdade

real se procura estabelecer que o jus

puniendi somente seja exercido contra

aquele que praticou a infração penal e nos

exatos limites de sua culpa numa

investigação que não encontra limites na

forma ou na iniciativa das partes. Com ele

se excluem os limites artificiais da forma

ou da iniciativa das partes. (segue)

(7)

Doutrina

Com eles se excluem os limites artificiais da

verdade formal, eventualmente criados por

atos ou omissões das partes, presunções,

ficções, transações etc., tão comuns no

processo civil. Decorre desse princípio o

dever do juiz de dar seguimento à relação

processual quando da inércia da parte e

mesmo de determinar, ex officio, provas

necessárias à instrução do processo, a fim de

que possa, tanto quanto possível, descobrir a

verdade dos fatos objetos da ação penal”

(8)

Princípios

2. Princípio do duplo grau de jurisdição

Por este princípio é assegurado à parte (acusação

e réu) de um processo o direito de uma nova

análise da causa, por intermédio de um recurso,

a ser apreciado por uma categoria de jurisdição

mais alta. Completam os festejados autores que

“embora só implicitamente assegurada pela

Constituição Brasileira, é princípio

constitucional autônomo, decorrente da própria

Lei Maior, que estrutura os órgãos da chamada

jurisdição superior”

(9)

Doutrina

Ada Pellegrini Grinover, Antonio Magalhães Gomes Filho e Antonio Scarance Fernandes

(Recursos no processo penal, p. 23): “o duplo grau,

como garantia fundamental de boa justiça, é

contemplado em diversas constituições estrangeiras e até em documentos internacionais. É o caso do art. 8, n. 2-h, da Convenção Americana dos Direitos

Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), que o Brasil ratificou em 1992 e que se tornou lei interna pelo Decreto 678, de 06.11.1992. Entre nós, a

Constituição do Império consagrava expressamente a garantia do duplo grau (art. 158 da Carta de 1824). Mas hoje o princípio não vem mais expressamente inserido na Lei Maior”

(10)

Princípios

3. Princípio da iniciativa das partes

Uma das características da jurisdição é a

inércia; logo, o juiz não pode iniciar a ação

sem a provocação das partes. O titular da

ação penal pública é o Ministério Público,

segundo o art. 129, I, da CF e art. 257, I, do

CPP. Na ação penal privada (igualmente na

subsidiária da pública) é o ofendido o seu

titular (arts. 29 e 30 da CF)

(11)

Princípios

4. Princípio da oficialidade

Cabe ao Estado a função precípua e obrigatória

de verificar a existência de um delito, e, por via de

consequência, a correta aplicação da punição

cabível. Somente órgãos oficiais estão investidos

deste múnus, tais como MP (promover a ação

penal pública e fiscalizar a aplicação da lei),

polícia judiciária (investigar – art. 144, § 1º, I, II,

IV, § 4º, da CF), Poder Judiciário (deve julgar –

aplicação do direito ao caso concreto).

(12)

Princípios

Os órgãos incumbidos da persecução criminal

serão sempre oficiais. Assim, quem investiga é a

autoridade policial, quem acusa (em regra) é o

Ministério Público e quem julga é o Judiciário. Esse

princípio traz duas regras importantes:

- da oficiosidade (os órgãos incumbidos da

persecução devem agir de ofício, ou seja, sem

aguardar provocação)

- da autoritariedade . (aqueles que estão à

frente da persecução estarão sempre revestidos de

autoridade (com exceção da ação penal privada)

(13)

Princípios

5. Princípio da intranscendência

Por este princípio, a pena não poderá

passar da pessoa do réu, ou seja, da pessoa

a quem foi atribuída a prática delituosa

(14)

Princípios

6. “Favor rei” – princípio favor rei ou favor

libertatis (in dubio pro reo)

A dúvida deve pesar em favor do réu. Se as provas forem dúbias, testemunhas indo em direção

oposta, a ponto de se inviabilizar a verdade real,

deverá o juiz absolver o acusado, pois certamente é melhor absolver um culpado do que condenar um inocente. Por esse princípio, verifica-se que no

processo penal a defesa tem mais recursos e meios à sua disposição (como os Embargos Infringentes, os Embargos de Nulidade, a Revisão Criminal).

(15)

Jurisprudência

“O juiz é quem está mais próximo aos fatos, em

contacto direto com as partes. Se, usando de sua

perspicácia na oitiva do acusado e das

testemunhas, após a aguda observação direta

das pessoas, dos fatos, das provas, sopesando as

razões apresentadas, ainda se sente inseguro

quanto à culpabilidade do réu, impõe-se a sua

absolvição, pois a dúvida não favorece a

sociedade, mas o cidadão, amparado pelo

princípio da presunção de inocência.” (TJBA –

Ap. 3.476 – Rel. Márcio Ribeiro – DJU

21.06.1979, p. 4.861)

(16)

Princípios

7. Impulso oficial

O juiz deve sempre dar movimento à ação

penal (depois iniciada pelos titulares da

ação penal – MP e ofendido) até o seu

término, nunca permitindo que ela pare

de forma ilegal ou gratuita.

(17)

Princípios

8. Princípio da comunhão da prova

A prova pertence somente ao processo (a

prova não é de ninguém); mesmo que

produzida por uma das partes, todos

podem se valer da mesma para a busca da

verdade real.

(18)

Princípios

(19)

Princípios

9. Princípio da ampla defesa e do

contraditório

Os princípios do contraditório e da ampla

defesa têm previsão constitucional (art.

5º, LV, da CF). O contraditório está

irmanado com o princípio da ampla

defesa, eis que a Constituição Federal

visou a dar ao réu todas as possibilidades

de defesa permitidas em direito.

(20)

Princípios

Pelo princípio do contraditório, toda vez que

uma parte apresenta uma alegação sobre os fatos

ou provas, dentro de um processo, tem a parte

contrária o direito de rebater, para que se

mantenha um equilíbrio dentro da relação

acusação e defesa. Para esse exercício, deve o réu

ter conhecimento pleno da acusação que lhe

pesa para que dela possa se defender. Daí a

necessidade da regular denúncia, citação,

intimações, oportunidades de manifestação,

laudos etc., sob pena de nulidade absoluta por

violação aos princípios em apreço.

(21)

Princípios

A ampla defesa garante a todo acusado o

direito de utilizar todos os meios de defesa

em direito admitidos, tais como

autodefesa (se defender pessoalmente),

defesa técnica (por advogado) e o direito

de se manifestar sempre por último,

(22)

Jurisprudência

 “A sociedade tem interesse na apenação dos culpados. Em contrapartida, não se descura da atenção devida ao direito de defesa. Ao contrário, reclama-lhe a

consubstanciação pelos meios legais colocados ao alcance daqueles que, por isto ou aquilo, vêem-se envolvidos em processo criminal. A garantia, de

estatura maior, que impõe ao Estado a defesa jurídica e judiciária dos necessitados tem contornos não

simplesmente formais. Há de se perquirir sobre o

respeito ao princípio da realidade; sobre a concretude da defesa. (segue)

(23)

Jurisprudência

 Para tanto, indaga-se sobre a valia da atuação do

defensor, levando-se em conta os atos por si praticados e a indispensável seriedade do respectivo desempenho. O caso dos autos revela, sob a minha óptica, que a

Paciente foi apenada com doze anos de reclusão sem que tenha ocorrido a defesa considerada esta em sua amplitude maior, ou seja, o objetivo que lhe é próprio. (segue)

(24)

Jurisprudência

 Primária e de bons antecedentes, viu-se condenada, à luz, de um lado, da atuação irrepreensível do Estado-acusador, e, de outro, um defensor que assumiu,

verdadeiramente, postura contemplativa. Por isso,

tenho como nulo o processo, a partir do momento em que deveria ter sido iniciado o patrocínio técnico

efetivo no juízo penal, e não o foi, e, portanto, desde a defesa prévia.” (STF – HC – Rel. Min. Marco Aurélio – RBCCrim 14/404)

(25)

Princípios

10. Princípio da presunção de inocência

(estado de inocência, não culpabilidade)

O princípio da presunção de inocência,

também chamado de princípio da inocência

ou do estado de inocência, é aquele pelo

qual ninguém pode ser considerado culpado

antes do trânsito em julgado da sentença

(26)

Doutrina

Fernando Capez (Curso de processo penal, p. 37) :

“o princípio da presunção de inocência

desdobra-se em três aspectos: a) no momento da instrução

processual, como presunção legal relativa de

não-culpabilidade, invertendo-se o ônus da prova; b)

no momento da avaliação da prova, valorando-a

em favor do acusado quando houver dúvida; c) no

curso do processo penal, como paradigma de

tratamento do imputado, especialmente no que

concerne à análise da necessidade da prisão

processual”, que, aliás, é permitida e tantas vezes

necessária

(27)

Princípios

11. Princípio do juiz natural (art. 5º, LIII, da CF)

 Quando da ocorrência de uma infração penal já existe

toda uma estrutura jurisdicional apta para processar e julgar o infrator. No Brasil é vedado o chamado “Tribunal de Exceção”, em que primeiro ocorre o fato para depois se compor, se escolher o juiz ou o tribunal a julgar o

infrator. Dessa forma, ocorrendo a infração,

naturalmente aquele fato chegará ao conhecimento e tutela do Juiz competente para analisar aquele caso. Juiz natural significa o juízo pre-constituído, ou seja, definido por lei antes da prática do crime. Garantia constitucional que visa a impedir o Estado de direcionar o julgamento, afetando a imparcialidade da decisão.

(28)

Jurisprudência

“Juiz natural significa o juízo

pré-constituído, ou seja, definido por lei antes

da prática do crime. Garantia constitucional

que visa a impedir o Estado de direcionar o

julgamento, afetando a imparcialidade da

decisão.” (STJ – HC 4931/RJ – Órgão

Julgador: 6.ª Turma – Rel. Min. Luiz

Vicente Cernicchiaro – DJU 20.10.1997, p.

53.136)

(29)

Princípios

12. Princípio da publicidade (art. 5º, XXXIII e LX, da CF)

 Os atos processuais em regra geral devem ser públicos, como um corolário do princípio do devido processo

legal, pois quanto mais públicos os atos maior legitimidade eles ganham.

 No Brasil vigora o princípio da publicidade, em que todos os atos processuais, audiências, julgamentos, consulta aos autos, são públicos, salvo os casos que a própria Carta Magna veda a publicidade (os atos que puderem causar escândalo, inconveniente grave ou perigo de perturbação da ordem, processos esses que correrão em sigilo).

(30)

Princípios

13. Princípio da plenitude da defesa (art.

5º, XXXVIII, a,da CF)

No Tribunal do Júri deve ser garantido ao

réu direito a ampla defesa (ela é considerada

a mais completa, absoluta, perfeita).

Plenitude da defesa é muito mais abrangente

do que a própria ampla defesa (significa

“grande”). Ex.: o direito de a defesa (réu)

usar a tréplica no plenário do júri, mesmo

que não haja a réplica do Ministério Público.

(31)

Princípios

14. Princípio do devido processo legal

Ninguém será privado de sua liberdade e de seus

bens, sem que haja o devido processo legal. É o que

reza o art. 5º, LIV, da Constituição Federal.

O princípio do devido processo legal (due processo

of law) assegura que todos os processos serão

desenvolvidos da mesma forma, com as mesmas

garantias, sem inovações personalistas, ou seja, os

processos devem se desenrolar de acordo com as

regras da lei.

(32)

Princípios

 Ele é composto de vários princípios constitucionais, tais

como a ampla defesa e o contraditório. Compreende o direito de ser julgado brevemente e, ainda, com mais celeridade se o acusado estiver preso, ser informado de todos os atos, ter acesso a defesa técnica, de ter a

imutabilidade das decisões que sejam favoráveis ao réu. O Código de Processo Penal concretiza este princípio quando, no art. 261, estabelece que nenhum acusado, ainda que ausente ou foragido, será processado ou

julgado sem defensor, e, no art. 263, que dispõe que, se o acusado não tiver defensor, o juiz lhe nomeará um,

ressalvando o direito do acusado de nomear outro ou de defender-se pessoalmente, caso tenha habilitação

(33)

Jurisprudência (devido processo na

execução)

“É preciso que o processo de execução

possibilite efetivamente ao condenado e ao

Estado a defesa de seus direitos, a

sustentação de suas razões, a produção de

suas provas. A oportunidade de defesa deve

ser realmente plena e o processo deve

desenvolver-se com aquelas garantias, sem

as quais não pode caracterizar-se o devido

processo legal, princípio inserido em toda

(34)

Jurisprudência (devido processo na

execução)

Não é por outra razão que o art. 2.º da LEP se

refere à aplicação do Código de Processo Penal,

pois, como se afirma na exposição de motivos, ‘a

aplicação dos princípios e regras do Direito

Processual Penal constitui corolário lógico de

interação existente entre o direito de execução

das penas e das medidas de segurança e os

demais ramos do ordenamento jurídico,

principalmente os que regulam em caráter

fundamental ou complementar os problemas

postos pela execução.” (STF – HC 67.201-9 – Rel.

(35)

Jurisprudência

 “O processo penal, o ‘devido processo legal’, é garantia do cidadão, que opõe o seu jus libertatis ao

poder-dever de punir do Estado, jus puniendi, no qual pela sua própria estrutura inquisitiva o réu entra em

desvantagem, já que o precede o inquérito policial, que é um procedimento investigatório de natureza

administrativa aonde o réu figura como indiciado, objeto de investigações, e não sujeito de direitos, e só passa a figurar como parte a partir da citação. Ora, se antes do ato citatório, quando o Juízo determina a citação e marca o interrogatório, o réu sofre

diminuição no seu direito de defesa, o processo não será mais uma garantia do cidadão, (segue)

(36)

Jurisprudência

 mas sim um instrumento de inquisitorialidade que

ultrapassa até o poder-dever do Juiz, que é de natureza inquisitiva, para ingressar no puro arbítrio. E mais, não se trata de ‘formalismo estéril’ como a alguns pode

parecer, porque em verdade as formas são garantias do cidadão, que diante da máquina estatal, composta do

aparato policial de um órgão, altamente capacitado como o Ministério Público, que o acusa, e diante do

Magistrado, que age na plenitude de seu livre

convencimento quanto ao sistema probatório (art. 157 do CPP), só tem para se defender a obediência efetiva aos trâmites legais, por parte das autoridades que o

processam e o julgam.” (TJSP – Ap. – Rel. Des. Fortes Barbosa – RT 723/565)

Referências

Documentos relacionados

Classificação dos Organismos Vivos Segundo Whittaker (1969) -Algas multicelulares -Plantas -Animais -Algas unicelulares -Protozoários -Bolores -Leveduras -Todas as bactérias

Não se fala no prejuízo causado, ou doenças psíquicas desencadeadas pela prática como elementos fundamentais para a caracterização do assedio, uma vez que, pode não

Pesquisador do Instituto de Saúde, Secretaria de Estado da Saúde SP, representante da SES no Conselho Estadual da Participação e Desenvolvimento da Comunidade Negra, representante

Neste sentido, o estudo de caso em uma empresa do setor de serviços na área de telecomunicações que utiliza uma unidade de medida denominada UR (Unidade de Rede),

a) Uma operação que consiste em introduzir uma substância desapropriada entre superfícies sólidas que estejam em contato e realizam movimentos relativos. b) Uma

Parágrafo sétimo: Para os empregados estudantes ou empregadas com filho menor de 12 (doze) anos de idade, fica estabelecido que a faculdade outorgada às empresas no “caput”

A rede neural apresentou uma alta eficiência na previsão do conteúdo de gordura sólida e ponto de fusão das formulações propostas para alcançar o perfil

a qual poderia ser modificada, que o Princípio da Presunção de Inocência, traduzido na necessidade de, para haver uma condenação, uma sentença penal condenatória