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- Primeira prova do campeonato Sul Brasileiro 26/11/16

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Academic year: 2021

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- Primeira prova do campeonato Sul Brasileiro 26/11/16

Fui o primeiro sorteado no grid, apesar de ainda não saber que seria eu o próprio piloto do B5, quando montamos ele no sábado, eu esperava o sócio do aeroclube de Bento Gonçalves chegar para voá-lo. Como ele disse que não poderia chegar a tempo, pedi encarecidamente que fosse me dada a oportunidade de voar, e assim feito.

Correria a parte, pesagem, nenhuma preparação de cabine, sem GPS para voar, corre pede emprestado e resolvo usar meu próprio celular com o XCSoar, almoço na corrida e entro no planador.

Primeira decolagem marcada para as 13h, a condição meteorológica no primeiro dia era pouco otimista, sobre a pista ainda não havia cumulus e o vento soprava de Nordeste com

intensidade moderada (pelo menos para o QQ), a prova era Santa Barbara, Chapada e Santo Augusto com 2h de duração feita para acomodar desde o Quero-Quero até um Nimbus 4. Logo após as decolagens, a condição ainda era fraca, poucas térmicas boas e a base variava entre 1200 e 1400 metros, larguei uma hora após. Assim que dei a largada cometi uma série de erros que gostaria de não ter feito, vi que o ciclo tinha virado e que logo iria ficar baixo, então fiz uma maldita curva de quase 90º para buscar uma nuvem. E falhou, segue para próxima, ciclo ainda errado mal, deu 0.5m/s integrado e desisti, segui em frente aonde parecia haver fiapos de nuvens, que seriam minha salvação, ainda andando só pegando descendentes e em 20min de prova já estava abaixo de 600m AGL.

Barbaridade, primeira prova na vida já me saio com uma bananosa desgraçada dessas, ok segue o baile, vi uma nuvem formando rápido e apostei nela, com essa altura já me considerava em sobrevivência, então qualquer coisa seria feita. E não é que a bichinha

funcionou bem? Subi até 1700m com 3m/s integrado e ainda consegui avançar bem dentro da área de Santa Barbara. Minha média no momento era de 73km/h. Entrei uns 7km na área e segui para Chapada, havia uma estrada a ser seguida e quando vi que já estava ficando baixo enrosquei numa termal satisfatória e abasteci, entrei pouco na área pois não queria perder muito tempo.

A próxima perna seria com um vento de componente de proa e de cara para o azul, saindo de Chapada, já com o vento na cara o QQ pagou seu planeio, sentia dificuldade de avançar e comecei a ficar baixo novamente, eis que encontro o Argentino Alfredo com seu Nimbus 2 girando uma termal forte um pouco mais alto que eu, sem dúvida fui até lá e subi novamente. Segui mais umas duas termais com nuvem e depois azulou. Achando que seria ruim o tempo, tirei um pouco o pé, mas as coisas funcionaram bem. Dividi algumas térmicas com o José Olímpio com seu ASW20 e outras com o André Lautert e o DG400 até chegar na área. Como andei pouco, belisquei a área e já voltei para pista.

A chegada era um círculo com 3km de raio com altura limite de 200m, configurei meu XC para o planeio e subi a última térmica até deixar uma margem de 150m acima, afastado 22km a uma altura de 1500m, levando em conta o melhor planeio do QQ sendo 27 e que eu iria vir um pouco mais rápido julguei possível, no momento que fiz o planeio final, o vento seria de través então segui.

Avançando um pouco, ainda no azul peguei algumas ascendentes boas que ingenuamente queimei a sobra botando velocidade. Quando estava há pouco mais de 10km estando ainda a 1000m, senti uma paulada no planador e as coisas começaram a assustar. O vento ainda era o mesmo da decolagem, ou seja, de onde eu viria seria praticamente de proa, além de eu pegar várias descendentes fortes durante o caminho enquanto enxergava a pista a frente ficando cada vez mais alta em relação a linha do horizonte. Droga, vou pousar fora!

Como era minha primeira prova, e pouco havia ouvido dos outros pilotos, minha sede era me atirar logo para cima da pista. Se caso tivesse feito aquele desvio de 90º como fiz no início da

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prova talvez teria saído da descendente e o cenário do planeio final seria outro, mas fui magnetizado pela pista e segui em frente. Meu computador de planeio já estava me dando altura negativa e mesmo assim segui em frente, consegui pegar algumas ascendentes no caminho e mais um erro de não ter subido, afinal, estava a 5km da pista, 2 da linha de chegada e ainda estava 400m. Sem mais buracos, já com a velocidade bem reduzida, fui boiando até completar a prova, 64 metros a baixo da linha de chegada, o que pela média final que havia feito, empataria em 3º, caso não sofresse esses 64 pontos de penalização. Mas ainda havia outro problema, será que eu iria chegar na pista?

Espremendo o planeio do QQ consegui boiar mais para perto da pista. Mas o vento de proa ainda segurava bastante, do meu ponto de vista, talvez eu chegava na pista. Do fim da

cabeceira 06 até a rodovia que cruza no final da coxilha ainda temos uns 650m de lavoura, sem obstáculos, sem fio de luz, curva de nível nem nada, sem falar que recém havia sido plantado soja nela, ou seja, estava absolutamente fofa a terra. Mais próximo da pista, flertando o arado abaixo, ainda tentando chegar, decidi que não iria arriscar, abri todo o spoiler e fiz meu pouso, pouco menos de 100m da cabeceira da pista, deixando o planador são e salvo.

http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?flightId=-1570656908

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- Segunda prova no campeonato Sul Brasileiro 30/11/16 Dia de sofrimento!

Depois de 2 dias de chuva e outro em que a prova foi cancelada, lá vamos nós novamente brincar. O dia seria azul, as térmicas seriam difíceis de voar, sem falar em um vento sudeste muito forte.

Como no dia anterior de provas eu fui o primeiro a decolar, o grid inverteu e eu seria o último. Oba o/ teria mais tempo para me preparar, concentrar e etc. Eis que a comissão resolve decolar da outra cabeceira e o grid vira espelhado, ou seja, seria praticamente o primeiro a decolar novamente.

Segue o baile. As primeiras decolagens foram um pouco mais tardes, tendo a primeira aproximadamente as 13h40. A prova era Pejussara, voltava quase a Palmeira, Condor e Palmeira, mantendo áreas grandes para acomodar do Quero Quer até o Nimbus 4, com 2h de tempo novamente.

Desde a decolagem eu já sabia que seria remado, as térmicas eram muito cisalhadas de intensidade fraca relativamente, onde integrado não passou de 1.5m/s.

Depois da decolagem, ficamos remando sobre a pista por mais de 1h até eu tomar coragem e sair no azul. Primeira perna indo até Pejussara até que não foi tão ruim, a base das térmicas eram em torno de 1400m e as peguei com facilidade até. Chegando em Condor, comecei a ficar baixo, e o terreno naquela região começa a ficar muito ruim em relação as demais, então abri uns 20º a esquerda da rota, encarando bem o vento para evitar o tal terreno, comecei a pensar que estava baixo, chegando a 800m, peguei uma térmica fraca junto com o Jean Dalegrave, que estava com o outro Quero-Quero, mas desisti dela e fui para outra, ficando ainda mais baixo. Comecei a pensar em pouso fora e segui a prova, sobre uma sede de fazenda com bastante galpões e silos, consegui girar uma térmica boa, preferi girar para direita

achando que seria melhor conforme o modo como a achei e deu certo, em 2 voltas estava centrado subindo 2m/s aproximadamente.

Segui até chegar na área, belisquei e voltei para Condor, vindo a girar exatamente na mesma térmica que havia pego antes. E então que começou a remação. As térmicas começaram a ficar menos constantes e difíceis de achar, segui para área de Palmeira com 1200m e rapidamente estava ficando baixo. Como conhecia a região, sabia que ali havia uma excelente pista agrícola que me serviria de apoio para o pouso, podendo ser resgatado de avião caso fosse possível. Chegando sobre essa pista, já a uns 500m peguei a melhor térmica do dia, integrado foi a 3.5m/s, porém felicidade de pobre dura pouco e consegui ir apenas a 1100m, vamos adiante. Duas coxilhas depois já estava nos 500m novamente, altura a qual comecei a me acostumar a ficar.

Outra térmica remada para subir, entro na área, como era a de casa, pensei que seria

interessante entrar um pouco mais para qualquer coisa ficar perto de casa. Defini meu ponto de virada e fui até a área de Condor. Mais uma vez desci para 500m, mais uma vez subi remado para 1100m e belisquei a área. Agora viria o planeio final. O dia já estava bem cansativo, aquela pista agrícola que ainda estava no cone estava bem chamativa, mas segui com a prova.

Estava uns 24km de casa a 900m, querendo encarar o vento que tinha uma boa componente de proa e muito forte, ou seja, ainda estava abaixo do planeio do QQ e ainda com vento. Segui com proa de casa e fui boiando, achei uma térmica relativamente boa e comecei a subir. Estava com uns 1200m e a térmica começou a enfraquecer e vi o Lautert passando com seu DG400 a baixo, e numa velocidade altíssima, droga! Ele estava no planeio já e eu ainda não.

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Aliás, estava, meu computador dava Zero a Zero, não iria seguir com esse planeio, ainda mais estando assustado com o dia anterior.

Segui em frente já sabendo que talvez iria pousar fora mais perto de casa. E no meio do caminho outro buraco forte de descendente, a essa hora estava a uns 450m, afastado ainda 15km de Palmeira e já estava escolhendo a lavoura para pouso. Campo escolhido, vento observado, estrada de acesso vista para facilitar o resgate, tudo brifado, segue a luta. Naquela mesma lavoura, porém na outra face da coxilha estavam plantando soja, havia uns 5 tratores por lá fazendo seu trabalho e soube que seria um bom gatilho, dito e feito. Girei uma térmica de 3m/s integrado até 850m, deixando uma margem enorme para o planeio sabendo que poderia pegar outra buraqueira daquelas.

O resto foi mais tranquilo, cheguei com 250m de margem sobre o ponto, o que seria 450m sobre o nível da pista, então foi só se enquadrar ao circuito e pousar.

Resultado do voo, sofrimento do início ao fim. Dia ruim com um planador de baixa performance é exatamente isso, diz pouco mais de 100km com uma média de 50km/h, pontuação final em torno de 274 pontos.

http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?flightId=-1228329277

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- Terceiro dia de prova no Campeonato Sul Brasileiro 01/12/16 Agora sim, só alegria!

Conforme o dia anterior foi de sofrimento, a previsão era otimista e Palmeira começava a demonstrar a força da região.

A ANAC apareceu de surpresa no aeroclube para fazer a fiscalização da empresa agrícola que ficava na outra cabeceira e acabaram indo até nós sem querer, pega de surpresa, pois não sabia que estava ocorrendo uma competição de voo a vela no momento, e dalhe canetada nos planadores. Até que fomos educadamente conversar com eles e explicar algumas situações a qual fugiria do padrão dito pela ANAC sobre aviação geral.

A meteorologia previa térmicas fortes desde cedo, bases altas, nuvens lindas e consistentes. Tudo o que queria depois de ter passado pela sofrencia do dia anterior. A comissão de provas marcou Pejussara, Roubada, Chapada e Coronel Bicaco, com 3h de duração.

As decolagens ocorreram cedo até, poderíamos ter esperado, mas vamos lá, foi um pouco difícil de subir, mas depois a coisa foi ficando legal, esperei ainda 1h desde minha decolagem para largar. Até então, o índice térmico estava na casa de 1.5m/s e as bases com 1500m, peguei a proa de Panambi, que havia uma boa estrada de nuvens e o tempo começou a melhorar, as bases foram subindo, as térmicas ficando mais fortes, mas ainda não estava a cereja do bolo.

Pouco antes de Panambi, encontrei o Fernando com o Quero-Quero L3, na qual dividimos uma térmica mediana e depois cada um seguiu seu caminho. Vi uma estrada que me levaria até o meu alvo na área, mas deveria fazer um desvio de um pouco mais de 40º e depois voltar 20 para a proa desejada, valia a pena com toda certeza. Vi o Fernando abandonar a térmica com um pouco menos de altura que eu e foi reto ao ponto por um pedaço azul. Tentei chamar no rádio, mas estava em outra frequência e acabamos ficando distantes. Segui pela estrada e funcionou bem, andei uns 15km sem girar e o tempo ficando cada vez melhor.

Passando Panambi, encontrei o Jean novamente, ele já havia batido o ponto e estava indo para o segundo. Eu mal tinha entrado nela e o dia estava explodindo, então voei um pouco, pulando mais duas termais até subir em uma com 3m/s integrado. A coisa está ficando legal!

Entre Panambi e Roubada a coisa foi muito boa, boas estradas, nuvens próximas, sempre fazendo a manutenção de altura próximo aos 1000m e desprezando já algumas térmicas. Então, comecei a girar apenas as boas, coisa de 4m/s pra cima, era lindo ver o meu XCSoar dando a informação de subida, 500m em 2min no máximo. A essa altura estava fazendo 83km/h de média, algo considerável se tratando de um QQ.

A área de Chapada chegava perto de Palmeira, escolhi uma estrada que valia a pena passar por lá e assim fui, a navegação ainda permanecia linda, subia com o vario grudado em 5m/s o altímetro parecia um relógio de segundos, estava muito legal.

Eis que chegando em Palmeira o ciclo vira e eu começo a já não pegar esses canhões e assim minha margem altura caía, passei na vertical do aeroclube com proa de Bicaco, estava a 1000m e descendo, não encontrava mais nada e comecei a perder emoção da prova, tive que girar uma coisa fraca, depois abrir 90º para uma nuvem que estava formando bem, funcionou, consegui voltar para prova.

Andei mais um pouco, com dificuldade até chegar na área, vi os outros planadores voltando e então não arrisquei entrar muito. Ainda tinha uns 15min de prova, faltava 500m para entrar no planeio, atingi a área e avancei por uns 3km até voltar. Ao girar a última térmica, vejo o Lautert novamente me deixando para trás, fazer o que, era o maquinário que eu tinha disponível.

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A coisa voltou a funcionar e eu fiquei levemente irritado, perdi muito tempo com esse ciclo ruim e minha média caiu para 76km/h, terminando a subida, deixando aqueles mesmo 150m de sobra para o QQ e entrei para o planeio. Ai a coisa realmente me deixou triste, o caminho ruim que fiz na ida, era completamente outro que fiz na volta. Eram estradas intermináveis com aqueles mesmo canhões que havia pego 1h antes, acelerei o QQ até sua velocidade máxima em ar turbulento. 129km/h e o coitadinho ia se debatendo, minha sobra começou a subir e subir e cheguei com +300m.

O que foi muito lindo disso tudo, é que quando eu reportei 5 minutos fora, outros 6

planadores também o fizeram, e como eu estava de QQ, sabia que todos iriam me passar, foi a cena mais linda que vi desde que comecei a voar planador, 2 deles indo junto, o Nimbus do Navarro passando do meu lado com aquelas asas gigantes e todos convergindo para pista, fez valer o planeio final só pela boniteza da chegada.

Terminei a prova com 238km voados e 78 de média, ainda sim um voo muito bom para QQ, mas se não tivesse errado a última perna, talvez teria feito algo em torno de 82Km/h o que me deixaria em segundo lugar na prova. Mas situações a parte, de modo geral foi de longe o melhor voo que eu havia feito até então e muito divertido!

http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?flightId=-1141475860

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- Primeiro dia do Campeonato Nacional 04/12/16 Dia ruim, mas de aprendizado.

Sábado havia chovido o dia todo e domingo estava naquela tensão se haveria ou não prova. O dia amanheceu com nevoeiro e foi subindo conforme a temperatura foi aumentando. A comissão de provas marcou uma prova curta, para acompanhar o dia. Era Condor, Sede Pivos, Chapada, Palmeira com 1h30min, começamos a decolar as 14h30.

Como se tratava do Campeonato Brasileiro agora, tínhamos a classe Clube + KW1, que juntou as duas Elfes, Um SZD 51 Junior mais 2 QQ. Apesar dos planadores diferentes, seria o que era a antiga classe olímpica, então seria uma classe competitiva, melhor para mim, que poderia aproveitar isso em meu favor.

Com as classes separadas a Clube foi a última a decolar no dia, com uma fortíssima emoção na decolagem, fui rebocado pelo PA18 do aeroclube, que por meu azar apresentou pane

exatamente na minha decolagem, a primeira corrida o motor não desempenhou potência e eu já com a mão no desligado, pronto abortar a decolagem a qualquer momento, eis que vejo o motor, tossindo fumaça e a velocidade drenando, aborto a decolagem, livro o planador para esquerda do eixo da pista e tiro-o da mesma, pula ligeiro para fora, equipe chega e ajuda a tirar enquanto o rebocador volta pro hangar. Colocamos o planador no Grid novamente e lá vem o PA18 para mais uma tentativa. Apesar de tomar um susto com um rebocador ruim no meu início do curso de planador, e criar um trauma que com isso, me levou a cometer algumas peripécias em um campeonato há muito tempo, eu confiava bastante no piloto rebocador do dia.

Novamente o PA18 entra na minha frente, corda esticada, canopy travado, GPS e XC Soar em gravando o voo dei o ok para decolagem, aí que veio outra emoção. O avião não acelerava, mas o piloto não queria abortar o reboque, saímos tarde de cima da pista e eu já sabia que o avião não iria subir da forma como deveria continuar lá atrás, seguindo o avião. A velocidade estava constante e o avião conseguia manter uma razão de subida de 0.1m/s. chegamos em um ponto em que eu e o rebocador estávamos fora do cone da pista, então o piloto solicitou às Operações para manter o circuito ao invés de seguir o padrão de subida proposto para campeonatos. Com a autorização do operações voltamos para cima da pista, até então já havia passado uns 3min de reboque e ainda estávamos a 100m sobre a pista, quando entrei no cone novamente perguntei ao rebocador que ele queria manter a subida ou se eu deveria abortar o reboque. Ele me respondeu que apesar de não estar com performance de subida, o motor estava se comportando bem, com temperatura e pressão de óleo normais além de sustentar a velocidade, como disse anteriormente, confiava muito no piloto rebocador e prosseguimos. Foram 14min de subida para chegar a 550m onde desliguei em uma térmica. Me senti um Nimbus lastreado sendo rebocado com o spoiler aberto. ‘HAHAHA’

Após o desligamento, subi até 1000m que era a base da nuvem, esperando para dar a largada, como eu sabia que o dia ia ser ruim e a meteoro talvez não fosse ajudar, larguei assim que abriu a faixa. Escolhi uma estrada de nuvens para ir até o ponto, mas não considerei o vento forte me afastando da área e assim fui.

Logo na saída as térmicas falharam e eu fiquei a 300m sobre o terreno, consegui subir uma até 700m e segui para Condor, nesse momento, já havia derivado muito e precisava encarar o vento para entrar na área, girei outra térmica que consegui subir até 1050m. Já dentro da área de Condor, avancei por uns 5km até pegar uma termal por ali, bati o ponto pelo XC Soar e subi, sabia que nessa hora a deriva da térmica iria me ajudar na distância e eu queria aproveitar essa perna, então peguei a proa do segundo ponto e segui meu voo.

Consegui subir mais uma térmica no meio do caminho e depois disso parece que os geradores de térmica foram desligados, ia para uma nuvem e não subia, ia para o sol e não subia,

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comecei a perder altura, e nada, nem um Zerinho, nem descendente, nada. A atmosfera tinha parado naquele momento.

Entrei na segunda área e já bati o ponto ali mesmo seguindo pra Chapada, estava com aproximadamente 45min de prova, então teria uma boa margem para usar na área de Chapada, sem falar que estaria mais próximo a Palmeira. Havia uma fazenda com uma pista agrícola próximo de onde eu estava e adaptei minha perna de navegação para que favorecesse o cone de chegada dessa pista, havia algumas nuvens sobre a sede e tentei subir por lá. Já estava bastante baixo, mas não queria largar o osso, briguei para achar uma bolha consistente para subir e ganhei uns 250m, ficando a uns 600m da pista.

Quando a coisa parecia ficar boa, comecei a notar pingos no canopy, a desgraçada da nuvem instabilizou e começou a garoar, resultado? Termal morta!

Comecei a brigar para achar outra térmica, já totalmente na condição de sobrevivente fui atrás de outras coisas, ia para o sol, nada, voltava para nuvem, nada. 200m AGL, o pouso estava brifado, vento repassado, cabeceira da pista escolhida e aproximação programada. Tentei brigar um pouco mais para subir, mas nada aconteceu. Com 100m AGL desisti, abri o freio e pousei na pista.

Meu voo terminou ali, 1h depois de largar, 55km voado no total, distância mínima pelo meu handcap não atingida, então eu iria pontuar muito pouco.

Liguei para a equipe, nesse momento leia-se Pai Pai, avisando do pouso e para discutir o resgate, havia chovido bastante no sábado, as estradas até essa fazenda eram todas de terra, o planador havia pousado fora com o outro piloto no último dia do campeonato, nos levando a montá-lo na manhã do dia, então bateu a preguiça de desmontar, além das estradas de barro, resolvi chamar o avião para o resgate.

Fazendo as contas, o valor do resgate aéreo, ultrapassou muito pouco o valor de um reboque no dia normal, e levar o planador de volta sem precisar desmontar já valeu o dia!

http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?flightId=-879652402 http://www.soaringspot.com/en_gb/58-campeonato-brasileiro-de-voo-a-vela-2016/tasks/unknown/task-2-on-2016-12-04

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- Segundo dia do Campeonato Brasileiro 05/12/16 Sofrendo em dobro!

A segunda-feira amanheceu com cara boa, porém o dia não foi dos melhores para o voo a vela. A previsão era de dia azul, ainda estava com o "trauma" da semana passada, mas feliz que estaria voando com pouco vento, que ingenuidade a minha, mal sabia o que viria.

Não necessariamente ser um dia azul quer dizer ser um dia ruim. Mas no meu caso eu dei muito azar. Começando que fui selecionado de snifer, ou seja, o tal boi de piranha. Decolei e a atmosfera ainda estava ruim, mas como minha missão pessoal era não pregar, fiz sair térmica de onde não tinha. Brincadeira!

Mapeei a região ruim e fui reportando para o solo, quando peguei uma térmica +/- a comissão de provas liberou a decolagem. Ainda foi muito remado até chegar na altura de largada, e nada de nuvens, 1h depois da decolagem abriu a faixa e eu fui.

A prova era Saldanha Marinho, Pejussara, Cilada, Santo Augusto e Palmeira com 2h30 de duração, as bases chegaram a ir a 1800 com um índice médio de térmicas de 1.7m/s. Depois da largada peguei a proa de Santa Barbara, que ficava na borda da primeira área, foi

relativamente tranquilo, apesar de estar no azul. Descia até 800m abastecia, seguia o voo, fazia os desvios tentando procurar o melhor ponto de reflexão solar da coxilha, alguma sede de fazenda com silos ou outros pontos de calor.

Chegando na primeira área que a coisa começa a ficar ruim, peguei minha primeira bananosa e fui a 550m, estava achando horrível e dei jeito de subir, fui até uns 1200m e a térmica

começou a ficar fraca, larguei e segui em frente, chegando na área, entrei uns 2km e peguei a proa de Panambi, e a coisa ficou preta, 2 buracos seguidos de descendentes e minha altura de conforto se foi, 400m AGL, minha proa acompanhava a BR285, ali estava uns 50km de

Palmeira então o resgate iria demorar, escolhendo o pouso ao lado da estrada de asfalto, seria fácil de me buscar.

Ok, pouso escolhido, segue a luta! 300m nada, 250m ainda nada, droga! A coisa está ficando séria, mas vai ter luta! Ainda mantive a proa de Panambi e nada, 200m nada, vai ter luta ainda, pela honra! 150m, segue o baile o pouso ainda está à frente, achei uma bolha. UFA! Subi até 1250m e segui a prova.

Consegui boiar um pouco até entrar na área e cai em outro buraco, lá se começa a ir minha altura, vira o ponto e segue para Cilada, olhei para baixo e vi uma linda pista agrícola em baixo e já marquei para caso fosse usá-la, com a proa do terceiro ponto, entrei em outra buraqueira e lá se foi mais uma bananosa terrível.

Novamente, escolhe campo de pouso, observa obstáculos, fios de luz, postes, arvores, estrada de acesso e etc., tudo brifado, segue a luta!! Não parava de descer e voltei a ficar

extremamente baixo, parecia até avião agrícola, cheguei a 150m AGL e ainda não tinha nada. Na outra face da coxilha, havia uma plantação de eucalipto em que estava desmatando, e estava bem facetada para o sol, ali teria que subir pensei, fui com a altura que tinha, sem me distanciar do meu ponto de toque para tentar ciscar alguma térmica e continuava sem nada... 100m AGL, num surto de brabeza gritei no planador vários palavrões "Pu... Q... P.... Eu não vou pousar aqui nessa Po..." Então milagrosamente meu vario pulou pra 2m/s e comecei a subir. Chegando a 1100m a térmica começou a perder força e eu já tinha chance de ir atrás de outra melhor, e assim fiz. Andando 2km a frente consegui uma térmica legal de 3m/s que me levou até 1600m, nossa! O mundo parecia pequeno de novo, segui para o ponto Cilada tentando não ficar baixo, mas voando no azul é difícil tu saber aonde irá descer forte, se entre as nuvens que tu sabes que pode ter ou não ter já se surpreende, no azul é tenso.

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Desci a 800 e peguei a melhor térmica do dia na borda da área, foram 4m/s integrado até 1800m, pensei que dali era só manter e seguir. Ah! Se a vida fosse fácil assim. Enfim, com a proa de Santo Augusto, segui minha navegação, fazia os desvios necessários para tentar achar alguma e meu fator sorte estava baixo. Ciscava alguma coisa, mas nada era uma térmica consistente, dava duas voltas e perdia, segui até a microrregião de Campo Santo no interior de Palmeira, que seria meu ponto de virada, lá se foi outra bananosa até 200m, estava com o pouso praticamente acontecendo quando vejo o Bassi e sua linda Elfe alto girando sobre um enorme armazém em que eu já estava mirando para tentar subir.

Chegando lá até que a coisa funcionou, subi a 1200m, precisava ir a 1500 para dar o planeio com sobra e estava estourando o tempo da prova. Peguei a proa de Palmeira e fui procurar alguma coisa para conseguir subir e garantir o planeio, fui boiando, não passava de 90km/h que me dava um planeio de aproximadamente 23/1, o que eu estava afastado 25, então quase que eu estaria empatando com o planeio otimizado, iria adorar pegar uma térmica no caminho e subir para garantir a chegada, começou a flutuar bem, mas ainda assim não havia esbarrado com nenhuma, porém, comecei a ter sobra de planeio e continuei otimista na chegada. Eis que pego outro buraco daqueles lá se vai minha sobra. Bom, eu tinha dito para mim mesmo, iria pousar fora, mas não terminaria com penalização novamente, e assim fui até chegar a 2km da borda do final e a 5 da pista, minha altura nesse momento já era de 100m em relação a pista, aproximadamente 150 AGL. Vamos lá de novo, lavoura escolhida, ponto de toque definido, varredura de obstáculos, rede de luz, postes, estrada de acesso e etc. Pouso brifado, mas vai ter luta! Pela Honra!! Sobre o ponto de toque havia uma bolha segurando um Zerinho, então teoricamente eu não iria afundar estando naquela massa de ar. Sabendo que iria me sustentar ali, sempre ouvi relato que normalmente sai uma térmica de uma bolha assim, e assim fiquei, mais 5 eternos minutos boiando.

Vi o Nimbus 4 do Navarro passado por ali, na mesma altura que eu e me senti sofrendo bullying de um Open. ‘HAHAHA’

Aquele Zero virou meio, depois 1, 1.5, 2, 2.5 e eu consegui subir a 350m, mais que o suficiente para completar a prova sem penalização. Meu voo havia sido horrível, nunca pensei que iria chegar tão baixo em uma prova e me recuperar. Não senti que botei a segurança do voo em risco, pois mesmo estando baixo, todo o pouso estava pronto para ser executado, apenas fiz o gerenciamento do risco para até o ponto eu julgaria o de desistência, poderia ser até 50m AGL, não sei, mas lutei até o fim e consegui chegar em casa.

Talvez um fator que me deixou ir tão baixo foi estar de Quero-Quero, por ser um planador lento e leve, e por já ter uma boa experiência com ele, resolvi ir até próximo ao limite. Mas como disse anteriormente, em nenhum momento eu me senti no aperto, se estivesse com um planador mais pesado e rápido, como um Jantar por exemplo, talvez minha desistência seria algo em torno de 250m, não sei dizer, mas sei que o que fiz estava tranquilo e consciente do que estava fazendo.

http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?flightId=-797028993 http://www.soaringspot.com/en_gb/58-campeonato-brasileiro-de-voo-a-vela-2016/tasks/unknown/task-3-on-2016-12-05

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- Terceiro dia de prova do Campeonato Brasileiro A prova de recuperação

Na terça à prova foi cancelada, pois houve uma super célula sobre a Argentina que

esparramou para cima do RS e trouxe uma camada forte de cirrus sobre Palmeira, mesmo com o grid feito, a prova foi cancelada na pista. A meteorologia para quarta, foi a base do

terrorismo, havia uma previsão forte de instabilidade e arriscamos decolar cedo. Em todos os modelos meteorológicos a coisa parecia que iria virar o capeta, então marcamos uma prova intermediária podendo ser encolhida caso a coisa ficasse feia.

Porém, ao meio dia, no horário de decolagem, as coisas começaram a ficar estáveis, havia poucos cumulus formados e os que estava lá, mal conseguiam se definir. Comecei a acreditar que as coisas iriam ficar boas e esperei minha vez de decolar. Finalmente, fui o último do grid, assim tive muito tempo para me concentrar e pensar na prova, fazer a preparação de cabine com calma e curtir o as decolagens.

12h em ponto decolou o primeiro planador, a prova para a clube seria Almirante Tamandaré, Nova Ramada, Campo Novo e Palmeira com 2h30. A clube decolou às 12h25 e eu aos 35, então a faixa iria abrir 20min depois de mim, o que foi aos 55, achei muito cedo para sair, havia dito para minha equipe que estava pensando em dar a largada próximo as 13h30 que agora seria cedo demais, quando a faixa abriu, pensei em ir vasculhar a área e saí de sangue doce para a proa do primeiro ponto.

Os outros do clube acredito que me viram "largando", e influenciados pela previsão de instabilidade para a tarde largaram imediatamente depois de mim, apesar de pela regra estabelecida que poderia anunciar a largada via rádio até 30min após, eu sempre avisei

exatamente na hora da largada, para não correr o risco do meu rádio não funcionar. Como não havia dito nada, não era a minha intenção realmente sair. Andei uns 10km pesquisando a área e vi que recém estava começando a definir as térmicas por lá, subi e voltei para efetivamente dar a largada.

Era 13h25, quase o horário que eu tinha dito quando anunciei a saída. Não sei o que meus companheiros da classe clube pensaram no momento, mas segui fazendo minha prova. O dia foi fantástico, meus fatores de decisões se basearam em escolher bons caminhos e fazer a melhor média possível, e assim consegui.

Depois de ter virado o primeiro ponto, encaixei uma belíssima estrada de nuvens que fiz uma bela distancia sem girar muito. Apesar de estar funcionando bem, não foi um dia tão bom quanto aquele que voei do Sul Brasileiro, mas estava gostoso de voar. Média de térmicas era em torno de 2.5m/s e realmente tinha bons caminhos. Quase todo o voo fiz flertando 80km/h de média, coisa quase absurda para um dia regular.

Conforme o tempo ia passando administrei a navegação dentro das áreas e definia a proa conforme achava o correto, funcionou bem. Pegando a proa de Campo Novo, o trecho começou a ficar azul, pensei que teria dificuldade em me manter alto, mas o dia estava tranquilo. Passando Santo Augusto novamente vi o Bassi com a Elfe girando para entrar no planeio. Como já havia 20min de diferença no tempo de largada, e era o que me faltava para terminar a prova, resolvi entrar mais na última área para não chegar antes do tempo. Defini o ponto, faltava ainda 400m para entrar no planeio final, e peguei a proa de Palmeira.

Passando sobre Coronel Bicaco peguei a descendente mais forte que vi na minha vida, o vário grudou no -5 e em questão de segundos eu tinha perdido 500m, minha altura necessária para o planeio era de -800 agora e eu estava com 5min para o tempo da prova. O interessante de se voar em condições diferentes é como se condicionamos com o dia, no anterior, eu nem

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vamos, lá o campo já estava sendo escolhido e eu voltei a olhar para cima ver o que eu tinha de nuvem disponível.

Nesse momento minha média era de 80km/h, mas sabia que não seria isso quando terminaria a prova, então segui para subida, encontrei uma térmica aceitável e comecei a girar. Ela ficou boa e subi até 2000m a base mais alta de todo o campeonato. Minha sobra era de 170 e fiz o planeio final tranquilo. Cheguei a pegar um buraco no caminho, minha margem caiu para 50, depois peguei umas nuvens que me fez voltar para 150 e assim continuei até completar a prova.

Sabia que tinha feito um baita voo, mas não sabia como estavam meus companheiros de classe. Eis que o resultado sai, minha primeira vitória! E ainda com uma bela margem sobre o segundo colocado, havia aberto 105 pontos do Bassi que era o primeiro no geral, e diminui minha diferença com ele para 32 pontos, saindo de 4º para segundo lugar no geral.

A previsão era chover até sábado e então achei que o campeonato acabaria ali. Para mim estava ótimo, foi meu primeiro campeonato real, fazia anos que eu não voava em Palmeira, e meu último voo real de navegação foi igualmente em Palmeira. Chegar e ficar em 2º já estava bom para mim, principalmente por quem estar na frente, era um cara com um nível de voo altíssimo, que na qual também me inspirava como piloto. Eis que acontece o último dia de prova!

http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?flightId=-628449333 http://www.soaringspot.com/en_gb/58-campeonato-brasileiro-de-voo-a-vela-2016/tasks/unknown/task-5-on-2016-12-07

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- Quarto dia de prova do Campeonato Brasileiro

A vitória inesperada!

Todos os sites de previsão do tempo em que vi, e pelo que foi conversado com outras pessoas também diziam que a previsão era chuva. Muita chuva! Muitos já queriam desmontar e ir embora mais cedo e os locais fazendo a galera ficar que teria luta! Pela honra!

Sábado amanheceu de sol, o que deixou a galera animada, mas logo uma massa de umidade veio do setor norte e fechou o tempo. Próximo as 11h da manhã, já estava chovendo. Achando que não ia acontecer nada, voltei para casa e fui almoçar cedo, que vai que fosse né...

Terminando de comer minha ideia era ir para o aeroclube logo para cerimônia de

encerramento. O pessoal ainda estava fominha para voar, comissão de prova havia se reunido das 10h, as 11h, as 12h30, as 13 e fizeram o último briefing meteorológico e resolveram fechar tudo e olhar para fora como nos velhos tempos.

A atmosfera ainda estava bem instável e base era de 650m. Seria uma prova marginal só para agradar o pessoal que queria voar. Decolou Grob para um voo local e reportou a altura da base e atividade fraca de térmicas, a comissão resolveu montar o grid as 13h30 e ainda iria ver de montar a prova.

Depois de boas discussões e observação as 3 classes optaram por fazer a mesma prova, com áreas grandes para se ter a opção de escolha de caminho caso pegasse tempo ruim ou chuva. A prova era Nova Ramada, Esquina Scherer, Santo Augusto e Palmeira com 1h30 para a Open e Clube e 1h15 para a Racing que decolaria por último.

Precisavam de outro snifer, e como eu estava na pilha para voar também, me ofereci, mesmo se a prova não saísse eu iria voar no último dia. Foi acordado que se a base não fosse de pelo menos 900m até as 16h30 a prova seria cancelada. Decolei pontualmente as 14h45m que foi estipulado no briefing e comecei a relatar a atmosfera, até o desligamento havia pego alguma coisa de bufada, mas depois não havia achado nada, ainda não acreditava que haveria prova. Estava tudo calmo, mal e mal havia um bafinho que dava mais que um zerinho, e nenhuma térmica consistente.

Já estava a uns 450m quando giro a primeira térmica. Reporto ao solo sobre o início da atividade e o Operações libera as decolagens. Enquanto eu girava aquela termal com 0.8 integrado, consegui ir até a base que estava a 950m. Opa! Vai ter luta!

A partir daí a coisa começou a melhorar de vez! O índice térmico subiu para 1.4m/s e a base subiu para 1050m, a faixa da Clube precisava da liberação da comissão que seria dada em voo, assim que foi aberta, logo fomos largando. O voo seria muito parecido com o do domingo, primeiro dia de prova do nacional. Com base baixa, bastante estradas, porém com pouco vento. Consegui andar bem, entrei um pouco na primeira área que era contra o vento, escolhi uma termal boa para subir e voltei para Esquina Scherer com vento de cauda, boa hora de andar! Porém virou o ciclo novamente e estava com dificuldade de subir, mesmo assim avancei muito na área.

Cheguei em uma nuvem e nada, cheguei na outra e nada. Logo estava a 550m escolhendo lavoura. A frente, havia uma estrada de nuvens que me levariam para a área, mas eu não chegaria nelas da altura que estava. Nessa hora, o vento começou a soprar mais forte e foi para 18km/h de proa, ou seja, eu de QQ, estava ralado. Fui boiando até a área ensolarada e comecei a ciscar alguma coisa de térmica, porém estavam muito fracas e à deriva me faria empatar muito o voo, então optei por subir pouco em cada térmica, mas girar várias, assim conseguia avançar na prova e não prejudicar tanto minha altura. E assim fiz, variava entre 550m e 700m, até conseguir conectar com a estrada e girar uma térmica muito boa que me levou para 900m.

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Ainda em baixo da estrada continuei subindo em linha reta e tive que abrir um pouco mais que o meu XC mandava para escolher o ponto de virada, talvez iria chegar um pouco depois do estimado, mas aí não seria problema, queria era chegar em casa confortável. O que meu Xc não considerou, foi o vento de cauda no planeio final e isso aumentou minha velocidade de solo em 20km/h. belisquei a última área, faltando 10min para terminar a prova ouvi no rádio o Bassi chamando a FBVV acusando 5min fora, pensei "Como assim 5min fora? Ele largou 2min antes de mim e já está indo para casa??"

Bom, isso era vantagem para mim, na busca do planeio final o vento só ajudou dessa vez. Ainda em baixo da estrada sai de -100 pra +150 sem parar, e assim foi só administrar até chegar em casa. Com o planeio garantido, meu emocional atacou, havia me dado conta da grandiosidade que estava fazendo. Voei um campeonato Brasileiro, realizei um dos meus maiores sonhos, e ainda vinha fazendo uma campanha de voos muito bons. Meus olhos se encheram de lágrimas e mal consegui falar no rádio que estava para chegar.

Para um dia fraco, com base baixa, eu acabei fazendo um baita voo. Quando eu pousei que fui olhar para minha velocidade média. 68km/h a mesma que fiz no meu primeiro dia de prova e que abri uma baita distância. Bastava saber como tinha ido os outros da classe. Quando parei para baixar o voo, mandar para fazer pontuação e OLC, o Bassi me ajudou a descobrir minha velocidade média real e comparar com ele. Dizia que eu tinha ganho bem a prova. Fiquei muito feliz, ora, eu um piazinho que estava começando voando nesse nível, já era bom demais para mim!

Mas faltava saber a diferença final e quem seria o campeão. Por ordem da presidente da FBVV, o resultado seria divulgado à noite, após a janta para deixar o suspense. Mas para provocar, ela chegou para mim e para o Bassi dizendo que a diferença seria algo de um ponto para mais ou para menos para um de nós. Nossa, o coração bateu forte nessa hora!

Desmontamos os planadores, cada um foi para sua casa/hotel e nos encontramos na janta. Eu pelo menos estava tão nervoso que mal consegui comer. Sabia que fiz um voo legal, mas. Será que foi suficiente? Será que valeu a pontuação? Quanto valeu a prova? Isso estava me

matando. Aproximadamente as 22h começam a cerimônia de encerramento, e

agradecimentos aqui, reconhecimentos ali, aquele clima lindo de final de campeonato. Mas nada de resultados... Oh God, haja coração!!!

Começam a anunciar o resultado, 3º Fernando Schirmer, entrega troféu, tira foto, sobe no pódio e espera. Nesta hora meu coração pulou... E assim foi anunciado "em segundo lugar, nós vamos chamar aqui o piloto competidor, do planador S1 - Sérgio Bassi."

Meu coração parou na hora... Meu deus!!!! O que é isso??? Eu ganhei??? É sério mesmo??? A prova havia valido 237 pontos e eu fiz, 39 pontos a mais, ou seja, busquei a diferença de 32, e ainda deixei apenas 7 pontos de vantagem. Mal conseguia respirar, entrei em estado de choque, esqueci de tudo que tinha acontecido e estava tentando acreditar naquilo. Eu, com 24 anos, voando o primeiro campeonato já viro Campeão Brasileiro? É isso mesmo produção?

http://www.onlinecontest.org/olc-2.0/gliding/flightinfo.html?flightId=-365507431 http://www.soaringspot.com/en_gb/58-campeonato-brasileiro-de-voo-a-vela-2016/tasks/unknown/task-8-on-2016-12-10

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Referências

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