Controlo de Qualidade
na Ind´
ustria Alimentar e em Finan¸
cas
Manuel Cabral Morais
[email protected]Departamento de Matem´atica — CEMAT
Instituto Superior T´ecnico — Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa — Portugal
Nota final
Qualidade
Significa adequa¸c˜ao do produto ao consumidor: satisfa¸c˜ao de requisitos considerados essenciais para o consumidor (fitness for use).
Quando se compra umautom´ovelespera-se que n˜ao tenha defeitos e que constitua um meio detransporte fi´avele
econ´omico.
Um retalhista espera que o empacotamento dosprodutos
que adquire permita umarmazenamento seguroe umaboa exposi¸c˜aodos mesmos.
A melhoria da Qualidade e a Estat´ıstica
N˜ao h´a processos de produ¸c˜ao sem variabilidadepor mais cuidado que tenhamos no seu planeamento e na sua manuten¸c˜ao... Um esfor¸co bem sucedido de melhoria da qualidade conduz a:
menorescustosde produ¸c˜ao; maiorprodutividade;
maiorsatisfa¸c˜aopor parte dos consumidores; maiorreputa¸c˜aodo produto/marca/empresa.
Nota final
Plano da apresenta¸c˜ao 1. Controlo de qualidade
1.1 Um pouco de hist´oria
1.2 Cartas de controlo dos tipos Shewhart e EWMA
2. Aplica¸c˜oes
2.1 Ind´ustria alimentar
2.2 Finan¸cas
3. Nota final
1. Controlo de qualidade
1.1 Um pouco de hist´oria
O in´ıcio do sec. XX
´
E marcado pela inclus˜ao dano¸c˜ao de processonas pr´aticas de qualidade.
Um processo ´e definido por um grupo de actividades que, tendo como ponto de partida mat´eria-prima (input), valoriza-a e transforma-a num produto acabado (output).
Walter A. Shewhart,um estat´ıstico dosBell Laboratories,
reconhece que os processos industriais produzem dados. Shewhart entende que estesdadospodem ser analisados usando
t´ecnicas de Estat´ısticade modo a averiguar se oprocessoest´a
sob controlo ou, se pelo contr´ario, est´afora de controlopor estar a ser afectado por causas assinal´aveis.
Ao fazˆe-lo, Shewhart criou acarta de controlo,uma ferramenta ainda hoje essencial para o controlo de qualidade.
Nota final
O pai do controlo estat´ıstico de qualidade
Walter A. Shewhart(1891–1967)
Ao propor um dispositivo gr´afico, acarta de controlo,num famoso memorandum, no dia 16 Maio de1924,Shewhart
alterou o curso hist´oria da ind´ustria,
ao celebrar aquilo que se pode considerar umcasamento
perfeitoentreEstat´ıstica, Engenharia e Economiae
tornou-se o pai do controlo de qualidade moderno.
1.2 Cartas de controlo dos tipos Shewhart e EWMA
Qualquer produto possui pelo menos umacaracter´ıstica de qualidade
que descreve a sua adequa¸c˜ao ao consumidor. Pode ser, por exemplo, do tipo:
f´ısico — voltagem, viscosidade, peso e diˆametro;
sensorial — gosto, cor e aparˆencia;
temporal — fiabilidade.
Nota final
O acompanhamento de processos de produ¸c˜ao pressup˜oe de um modo geral:
a escolha de caracter´ıstica de qualidade→ no. de defeitos por amostra aleat´oria;
a selec¸c˜ao deparˆametro(s) a controlar → no. esperado de defeitos por amostra aleat´oria;
a recolha regular deamostras→ de hora em hora;
o registo sequencialdo no. de defeitos por amostra, em gr´afico
comlimites apropriados — um limite inferior de controlo (LCL) e
um limite superior de controlo (UCL).
O dispositivo (gr´afico) resultante denomina-se carta de controlo.
Emiss˜ao e tipos de sinal
Somos alertados para a poss´ıvel perda de controlo do processo assim que se registar observa¸c˜ao para al´em dos limites de controlo. Podem ocorrer:
falsos alarmes
emiss˜ao de sinal na ausˆencia de desvio num parˆametro da caracter´ıstica de qualidade;
sinais v´alidos
emiss˜ao de sinal na presen¸ca de desvio (shift, drift, etc.) no parˆametro.
Os limites de controlo (LCL e UCL) devem ser escolhidos de modo que:
osfalsos alarmes sejam emitidos compouca frequˆencia;
a emiss˜ao desinal v´alidoocorra com amaior brevidade.
Analogia com testes de hip´oteses repetidos...
Nota final
Exemplo 1
Foram registadas 70 observa¸c˜oes don´umero de artigos defeituosos em
amostras de dimens˜aon = 100 numa carta de controlo−np.
Asprimeiras 50 observa¸c˜oes foram recolhidas enquanto o
processo de produ¸c˜ao operavasob controloao n´ıvel alvo/nominal np0= 100 × 0.05.
As20 observa¸c˜oes seguintesforam recolhidas do processoap´os a ocorrˆenciade umshiftpara n(p0+ θ) = 100 × (0.05 + 0.006).
Oslimites inferioresuperior de controlodacarta Shewhart s˜ao
iguais a LCL = max{0, np0− 3 p np0(1 − p0)} = 0 UCL = np0+ 3 p np0(1 − p0) ' 11.53. 10 / 36
Exemplo 1 (cont.)
Table: No. observado de defeituosos tN com: n = 100; p = p0= 0.05,
para N = 1, . . . , 50; e p = p0+ θ = 0.056, para N = 51, . . . , 70. N tN N tN N tN N tN N tN N tN N tN 1 2 11 7 21 7 31 4 41 4 51 7 61 5 2 1 12 2 22 4 32 2 42 9 52 12* 62 9 3 3 13 5 23 1 33 2 43 8 53 8 63 18* 4 6 14 6 24 5 34 9 44 6 54 7 64 10 5 7 15 7 25 8 35 9 45 7 55 6 65 11 6 4 16 2 26 4 36 3 46 6 56 15* 66 9 7 3 17 7 27 1 37 2 47 3 57 12* 67 9 8 2 18 5 28 4 38 8 48 6 58 11 68 7 9 5 19 4 29 7 39 3 49 1 59 11 69 14* 10 15† 20 4 30 6 40 5 50 3 60 12* 70 12*
† 1o. falso alarme; * 1o.–7o. sinais v´alidos
Nota final
Exemplo 1 (cont.)
A carta−np foi respons´avel porum falso alarme(sinal emitido antes da ocorrˆencia do shift) e porsete sinais v´alidos (sinais emitidos ap´os a ocorrˆencia do shift), sendo que o primeiro sinal v´alido foi emitido pela 52a. amostra, i.e. 2 observa¸c˜oes ap´os a ocorrˆencia do shift no
parˆametro np. ! ! ! !! ! ! ! ! ! ! ! !! ! ! ! ! !! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !! !! !! ! ! ! ! ! ! ! ! !!! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !!! ! ! ! !! !! ! ! ! 10 20 30 40 50 60 70 N 5 10 15 20 tN 12 / 36
Carta Shewhart padr˜ao para µ
A carta Shewhart (padr˜ao) — para o valor esperado (µ) de uma caracter´ıstica de qualidade normalmente distribu´ıda com variˆancia constante, conhecida e igual a σ2
0 — faz uso da estat´ıstica
¯ XN = 1 n n X i =1 XiN, N ∈ IN
e dos limites de controlo
LCL = µ0− γ × r σ2 0 n UCL = µ0+ γ × r σ2 0 n, onde:
µ0representa o valor alvo de µ;
γ ´e uma constante real positiva, escolhida tendo em vista o desempenho que se pretende para carta sob e fora de controlo; n a dimens˜ao comum das amostras aleat´orias.
Nota final
Cartas EWMA
Uma forma de aumentar a capacidade de detec¸c˜ao de shifts passa pela acumula¸c˜ao de informa¸c˜ao relativa `as amostras sucessivas.
As cartas de controlo do tipoEWMA (exponentially weighted moving average) s˜ao disso exemplo.
Shewhart vs. EWMA
Shewhart EWMA
Walter A. Shewhart, 1924 Roberts, 1959
Estat´ıstica dependente da Estat´ısticadependentede amostra mais recente todas as amostras recolhidas
Simplicidade Car´acter recursivo
WN = g (WN−1, λ, XN)
Popularidade inquestion´avel Popularidade crescente
Carta EWMA padr˜ao para µ
A carta EWMA (padr˜ao) — para o valor esperado (µ) de uma caracter´ıstica de qualidade normalmente distribu´ıda com variˆancia constante, conhecida e igual a σ2
0 — possui estat´ıstica dada por WN= µ0, N = 0 (1 − λ) × WN−1+ λ × ¯XN, N ∈ IN, (1) onde:
o alvo da carta µ0´e usualmente ovalor inicialatribu´ıdo `a
estat´ıstica;
λ ∈ (0, 1] ´e umaconstante de amortecimentoque representa o peso dado `a informa¸c˜ao mais recente acerca do processo condensada em ¯XN;
¯
XN =1nP n
i =1XiN am´edia da N−´esima amostra aleat´oriae n
a respectiva dimens˜ao.
Nota final
Limites da carta EWMA padr˜ao para µ (cont.)
Ao recorrer-se ao esquema EWMA padr˜ao ´e costume usar-se os limites de controlo assint´oticos, calculados com base em
momentos sob controlo de WN, w0= µ0e considerando N → +∞,
LCLa = lim N→+∞ h E (WN) − γa p V (WN) i = µ0− γa s λ σ2 0 (2 − λ) n UCLa = lim N→+∞ h E (WN) + γa p V (WN) i = µ0+ γa s λ σ2 0 (2 − λ) n.
onde γ ´e uma constante real positiva que, cuja selec¸c˜ao ´e feita a par da de λ, tendo sempre em vista o desempenho que se pretende para carta sob e fora de controlo.
Exemplo 2
Suspeita-se que um processo de enchimento de saquetas de produto qu´ımico, que conduziu ao conjunto de resultados (em gramas), esteja fora de controlo.
a) Confirme os valores obs. da estat´ıstica de uma carta EWMA padr˜ao para o controlo do valor esperado do peso de cada saqueta, para µ0= 10.0, σ0/√n = 2, w0= µ0, λ = 0.134 e γa' 2.8891. N M´edia (¯xN) EWMA (wN) N ¯xN wN 1 10.7 10.0938 11 12.8 11.3904 2 9.2 9.97403 12 14.0 11.7401 3 13.0 10.3795 13 9.7 11.4668 4 8.7 10.1545 14 13.3 11.7124 5 12.4 10.4554 15 14.3 12.0591 6 14.4 10.9839 16 12.6 12.1316 7 11.8 11.0933 17 11.0 11.9800 8 11.8 11.1880 18 11.4 11.9023 9 10.0 11.0288 19 11.8 11.8886 10 12.1 11.1723 20 10.5 11.7025
b) Ap´os ter verificado que os limites das cartas Shewhart (γ = 3.09) e EWMA s˜ao LCL = 3.82, UCL = 16.18 e LCLa' 8.45, UCLa' 11.55, averigue se haver´a alguma observa¸c˜ao respons´avel por um sinal.
Nota final
Exemplo 2 (cont.)
Carta ¯X Carta EWMA
! ! ! ! ! ! ! ! ! !! ! ! ! ! ! ! !! ! 0 5 10 15 20 N 5 10 15 20 tN ! ! ! ! ! ! ! ! ! !! ! ! !! ! ! ! ! ! 5 10 15 20 N 8 10 12 14 wN
Acarta EWMAemitiuoito sinais (v´alidos)ao passo que acarta Shewhart n˜ao emitiu qualquer sinal.
Desempenho das cartas EWMA Run Length (RL)
RL ´e um tempo de primeira passagem, cuja distribui¸c˜ao depende da magnitude do desvio (θ) no parˆametro a controlar.
Shewhart EWMA
Estat´ısticas Estat´ısticas regidas por
i.i.d. Cadeia de Markov
RL(θ) =st Geom´etrica RL(θ) 'st Phase-type uestado inicial e
p(θ) = Pθ(TN 6∈ [LCL, UCL]) Q(θ)matriz sub-estoc´astica
Detec¸c˜ao lenta de desvios Detec¸c˜ao eficiente de desvios
pequenos ou moderados pequenos ou moderados
Nota final
Shewhart vs. EWMA para µ
Ao substituir-se a carta do tipo Shewhart pela carta do tipo EWMA, descrita anteriormente e com o mesmo ARL sob controlo, obt´em-se a seguintealtera¸c˜ao percentual em ARL,h1 −ARLE(θ)
ARLS(θ) i × 100%: 2 4 6 8 10 Θ "50 50 Redução percentual
Confirma-se que, em m´edia, a cartaEWMA´emais r´apida queacarta Shewhart a detectar shifts de pequena e m´edia magnitude em µ, deixando o seu uso de ser vantajoso caso tenham ocorrido shifts de grande magnitude (e.g. θ > 2.2).
2. Aplica¸c˜oes
2.1 Ind´ustria alimentar
Ocontrolo de qualidadesurgiu no contexto da engenharia industrial
mas ´e tamb´emvital na ind´ustria alimentar,nomeadamente na:
especifica¸c˜ao do processo,entendida como uma descric˜ao da forma como deve ser fabricado o produto alimentar;
especifica¸c˜ao do produto alimentar,que consiste numa descri¸c˜ao do que @ cliente pretende.
Exemplo 3(http://www.fao.org/wairdocs/tan/x5934e/x5934e01.htm)
Na especifica¸c˜ao de um produto alimentar como opeixe,´e poss´ıvel identificarcaracter´ısticas de qualidadedistribu´ıdas em 7 categorias:
aparˆencia; odor e sabor; textura; ingredientes e composi¸c˜ao; empacotamento;
tamanho e peso; impurezas.
Estas duas ´ultimas categorias s˜ao sujeitas a controlo rigoroso.
Nota final
Exemplo 3 (cont.)
Acontagem bacterianainsere-se na ´ultima categoria e ´e um indicador
de qualidade importante dado que:
a presen¸ca demicroorganismos nocivoscomo o Staphylococcus aureus, Coliforms e Salmonella no peixe e seus derivados ´e respons´avel porintoxica¸c˜oes/doen¸cas graves;
a presen¸ca de grandes n´umeros de microorganismos ´e um indicador de contamina¸c˜ao (e.g. durante o processamento do peixe) e resulta em grandedesperd´ıcioda produ¸c˜ao.
A utiliza¸c˜ao de umacarta de controlo paraacontagem bacteriana´e pertinente epoder´a resultaremreajuste das condi¸c˜oes de
processamento do produto,caso os seus limites de controlo seja
excedidos, e, consequentemente, contribuir para a diminui¸c˜ao do fabrico de produtos alimentares impr´oprios para consumo.
Exemplo 4 ( ¨Ozilgen et al., 1997)
Acordaspassase dosfigos secos´e:
n˜ao uniforme;
umapropriedade sensorial importantequeafectaa suaprocura
pel@s consumidor@s;
umindicadordoestado de conserva¸c˜aodestes produtos
alimentares.
Asaltera¸c˜oesdacordaspassase dosfigos secos
s˜ao respons´aveis poraltera¸c˜oes do seusabore
devem-se `a transferˆencia n˜ao uniforme de massa e calor durante o processo de secagem/armazenamento.
Nota final
Exemplo 4 (cont.)
A cor destes produtos alimentares reflecte a contribui¸c˜ao do
preto/banco, verde/vermelho e azul/amarelo e pode ser avaliada de acordo com aescala de cores Hunter L, a, b
(www.hunterlab.com/appnotes/an08 96a.pdf1):
eixo L— valor m´ınimo L = 0 (preto), valor m´aximo L = 100
(branco);
eixo a— sem limites num´ericos, valores negativos (verde), valores positivos (vermelho);
eixo b — sem limites num´ericos, valores negativos (azul), valores positivos (amarelo).
Uma vez que asaltera¸c˜oes significativas da cordas passas e dos figos secos podem ser indicadoras dadeteriora¸c˜ao irrevers´ıveldestes produtos, afigura-se relevante recorrer acartas de controlopara controlar a cor.
Exemplo 4 (cont.)
¨
Ozilgen et al. (1997) prop˜oem o recurso acartas de controlopara o
valor esperadoe odesvio-padr˜aode cada uma das trˆes medi¸c˜oesna
escala Hunter L, a, b(no total 6 cartas).
Asestat´ısticass˜ao am´edia ( ¯X )e
aamplitude (R)
da amostra aleat´oria.
Oslimites de controlodas cartas ¯X e R dependemdo
produto(passas ou figos secos)
mas tamb´em do
tipo dearmazenamento/embalagem (atmosfera modificada, v´acuo ou sacos de nylon).
Nota final
Exemplo 4 (cont.)
Aviola¸c˜aodoslimites de controlode uma carta nafase inicial do
armazenamentodestes produtos alimentares:
sugerem que as reac¸c˜oes enzim´aticas e n˜ao enzim´aticas causaram
altera¸c˜oes significativas de cor/sabor/estado de conserva¸c˜ao
antes do estabelecimento de um quase-equil´ıbrio da distribui¸c˜ao de ´
agua e de deposi¸c˜ao de cristais de a¸c´ucar `a superf´ıcie;
alertam@soperador@s paraa eventualdeteriora¸c˜ao dos
produtos alimentares, caso n˜ao seja efectuadoreajuste das
condi¸c˜oesdearmazenamentoou osprodutos n˜ao sejam
colocados imediatamente no mercado evendidos com a maior brevidade poss´ıvel.
Exemplo 4 (cont.)
Dois reparos em rela¸c˜ao `as cartas propostas por ¨Ozilgen et al. (1997) para controlar ovalor esperadoe odesvio-padr˜aode cada uma das
trˆes medi¸c˜oesnaescala Hunter L, a, b.
1 Acarta R para o controlo do desvio-padr˜ao de cada medi¸c˜ao deve
ser substitu´ıda pela carta S2pois este estimador ´e mais eficiente
que a amplitude da amostra aleat´oria na estima¸c˜ao da dispers˜ao de uma v.a.
2 Parece mais razo´avel considerar que astrˆes medi¸c˜oesna escala
Hunter L, a, b s˜aov.a. dependentes, pelo que se afigura mais razo´avel
considerar que se lida comvector aleat´oriocomdistribui¸c˜ao multivariadaNormal3(µ, Σ) e
recorrer a duascartas multivariadaspara o controlo do
vector de valores esperados µe amatriz de covariˆancia Σ
(ver Mason e Young, 1987).
Nota final
2. Aplica¸c˜oes (cont.)
A utiliza¸c˜ao dascartas de controlon˜ao se confina `a ind´ustria: a administra¸c˜ao (Hawkins e Olwell, 1998, p. v — preenchimento incorrecto de documentos),
a epidemiologia (Blacksell et al., 1994 — diagn´ostico de doen¸cas veterin´arias),
a detec¸c˜ao de fraudes (Johnson, 1984 — roubo sistem´atico pelos caixas de supermercado),
gest˜ao de pessoal (Olwell, 1997 — avalia¸c˜ao do n´umero de casos de ass´edio sexual em ambiente laboral),
e tamb´em o atletismo, a biologia, as ciˆencias do ambiente, a gen´etica (Hawkins e Olwell, 1998, e Stoumbos et al., 2000) — e, mais recentemente, asfinan¸cas— s˜ao algumas das´areas de aplica¸c˜ao
corrente das cartas de controlo de qualidade.
2.2 Finan¸cas
Durante a´ultimas d´ecadas o volume dastransac¸c˜oes de t´ıtulos
aumentou dramaticamente.
Uma vez que asaltera¸c˜oes estruturaisa que est˜ao sujeitos os pre¸cos dos t´ıtulosinfluenciam
asestrat´egias de investimento,ascartas
de controlorevelam-se fulcrais em finan¸cas,
em particular nadetec¸c˜ao de altera¸c˜oesno/s: vector de valores esperados (Bodnar e Schmid, 2007) e matrizes de covariˆancia da distribui¸c˜ao do vector de pre¸cos futuros de v´arios t´ıtulos (Roso lowski e Schmid, 2006);
optimal portfolio weights
— pesos ´optimos dos diversos t´ıtulos de uma carteira (e.g. Golosnoy e Schmid, 2007).
Nota final
Exemplo 5 (Golosnoy e Schmid, 2007; Golosnoy et al., 2007)
Markowitz (1952) recomenda a aquisi¸c˜ao de uma carteira com
k (k > 1)t´ıtulos(assets), cujospre¸cos futuros(asset returns) constituem vector aleat´orioX = (X1, . . . , Xk)com vector de valores
esperadosµe matriz de covariˆanciasΣ.
Ovector de pesos w = (w1, . . . , wk)dos diversost´ıtuloscondensa
as k frac¸c˜oes da fortuna do investidor investidas nos k t´ıtulos. Opre¸co futurodestacarteirade t´ıtulos ´e representado por
XP =P
k
i =1wiXi = w>X .
O vector de pesosw deve serrevistoeajustadode forma sistem´atica e de modo areflectir a situa¸c˜ao do mercado financeiro.
Exemplo 5 (cont.)
´
E comum considerar umacarteira de t´ıtulos ´optimase resultar de
umcompromisso entreum valor esperado elevado
E (XP) = w>µe uma variˆancia pequenaV (XP) = w>Σw do pre¸co
futuro da carteira. ´
E usualescolherospesosdo t´ıtulos por minimiza¸c˜aoda variˆancia
w>Σw sujeita `arestri¸c˜aoPk
i =1wi = w >1 = 1.
A carteira resultante designa-se deglobal minimum variance
portfolio (GMVP) e os pesos associados s˜ao denominados de
GMVP weightse dados por
w∗= Σ
−11 1>Σ1.
Contudo a matriz de covariˆanciaΣ´edesconhecida,pelo que deve ser estimada de modo a obter-se umaestimativa dos GMVP weights w∗.
Nota final
Exemplo 5 (cont.)
Assuma-se queXt= (X1 t, . . . , Xk t)representa ovector de pre¸cos
dos k t´ıtulos no instante t.
Os parˆametros µ e Σ podem alterar-se ao longo do tempo, pelo que no instante t ´e razo´avel recorrer arolling window estimatorsdeµ
eΣbaseados nos n ´ultimos vectores de pre¸cos Xt−n+1, . . . , Xt:
ˆ µ t,n = 1 n t X j =t−n+1 Xj ˆ Σt,n = 1 n − 1 t X j =t−n+1 (Xj− ˆµ j ,n)(Xj− ˆµt,n) >.
Substituindo Σ pelo seu estimador na express˜ao de w∗, obt´em-se
umestimadordosGMVP weightsnoinstante t:
ˆ w∗t,n= ˆ Σ−1t,n1 1>Σˆt,n1. 32 / 36
Exemplo 5 (cont.)
SeXt = (X1 t, . . . , Xk t) i .i .d .
∼ Nk(µ, Σ),podemos adiantar que:
E ( ˆw∗t,n) = w∗ Cov ( ˆw∗t,n) = Ω = 1 n − k − 1 Σ−1−Σ111>>Σ1Σ−1 1>Σ1 ˆ w∗t,n ∼ tk−1(w , Ω).
Pode usar-se, por exemplo, umacarta multivariadado tipo
EWMAcom estat´ıstica baseada em w∗t,nparadetectar desvios do
GMVP weightsem rela¸c˜ao ao seu valor-alvo w∗0= Σ
−1
0 1
1>Σ 01
,onde Σ0´e valor-alvo da matriz de covariˆancia Σ.
OARL sob controlodeve ser igual a120 (dias),que
correspondem aproximadamente a seis meses deobserva¸c˜oes di´arias (em dias ´uteis!) detrading no mercado financeiro. Caso a carta emita um sinale seja detectado um desvio, deve
reajustar-se os GMVP weights com base nas ´ultimas obs.
Nota final
3. Nota final
Acarta de controlo´e uma das maisimportantesferramentas em
Controlo de Qualidade.
Neste semin´ario debru¸c´amo-nos sobre aaplica¸c˜aodas cartas de controlo de qualidade em ´areas t˜ao distintas como aInd´ustria Alimentare asFinan¸cas.
Se por um lado n˜ao se tem inovado muito desde os anos 50 do s´eculo passado no que diz respeito ao controlo de qualidade de processos i.i.d., por outro lado o controlo de s´eries financeiras
cont´ınuastrouxedesafios enormes ao Controlo de Qualidade
enquanto ´area da Estat´ıstica Aplicada.
Esperamos que estaapresenta¸c˜ao desperteo vossointeressepara
o Controlo de Qualidade epara as suas imensasaplica¸c˜oes,
nomeadamente na Ind´ustria Alimentar e em Finan¸cas.
Bibliografia — Aplica¸c˜oes do Controlo de Qualidade
Blacksell, S.D., Gleeson, L.J., Lunt, R.A. e Chamnanpood, C. (1994). Use of combined Shewhart-CUSUM control charts in internal quality control of enzyme-linked immunosorbent assays for the typing of foot and mouth disease virus antigen. Revue Scientifique et Technique 13, 687–699.
Bodnar, O. e Schmid, W. (2007). Surveillance of the mean behavior of multivariate time series. Statistica Neerlandica 61, 383–406.
Fris´en, M. ed. (2008). Financial Surveillance. John Wiley & Sons Ltd.
Golosnoy, V. (2007). Sequential monitoring of minimum variance portfolio. AStA Advances in Statistical Analysis 91, 39–55.
Golosnoy, V. Okhrin, I., Ragulin, S. e Schmid, W. (2007). On the application of SPC in Finance. Em Frontiers in Statistical Quality Control 9, 119–130. Lenz, H.-J., Wilrich, P.-Th. e Schmid, W. (eds.). Physica-Verlag, Heidelberg.
Golosnoy, V. e Schmid, W. (2007). EWMA control charts for monitoring optimal portfolio weights. Sequential Analysis 26, 195–224.
Hubbard, M.R. (2003). Statistical quality control for the food industry (3rd. edition). Springer-Verlag, New York.
Johnson, D.G. (1984). Trial by computer — A case study of the use of simple statistical techniques in the detection of a fraud. Journal of the Operational Research Society 35, 811–820.
Olwell, D.H. (1997). Managing misconduct: statistical process control applied to sexual harassment. 1997 Proceedings of the Section on Quality and Productivity. Alexandria, VA: American Statistical Association. ¨
Ozilgen, M., S¸umnu, G., Emir, H. e Emir, F. (1997). Quality control charts for storage of raisins and dried figs. Zeitschrift f¨ur Lebensmitteluntersuchung und - Forschung A 204, 56–59.
Roso lowski, M. e Schmid, W. (2006). EWMA charts for monitoring the mean and the autocovariances of stationary processes Statistical Papers 47, 595–630.
Web — Quality Control in the Fish Industry: http://www.fao.org/wairdocs/tan/x5934e/x5934e01.htm
Nota final
Bibliografia — Controlo de Qualidade
Brook, D. and Evans, D.A. (1972). An approach to the probability distribution of CUSUM run length. Biometrika 59, 539–549.
Hawkins, D.M. e Olwell, D.H. (1998). Cumulative Sum Charts and Charting for Quality Improvement. Springer-Verlag, New York.
Mason, R.L. e Young, J.C. (1987). Multivariate Statistical Process Control with Industrial Applications. ASA-SIAM Series on Statistics and Applied Probability.
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