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Controlo de Qualidade na Indústria Alimentar e em Finanças

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Controlo de Qualidade

na Ind´

ustria Alimentar e em Finan¸

cas

Manuel Cabral Morais

[email protected]

Departamento de Matem´atica — CEMAT

Instituto Superior T´ecnico — Av. Rovisco Pais, 1049-001 Lisboa — Portugal

(2)

Nota final

Qualidade

Significa adequa¸c˜ao do produto ao consumidor: satisfa¸c˜ao de requisitos considerados essenciais para o consumidor (fitness for use).

Quando se compra umautom´ovelespera-se que n˜ao tenha defeitos e que constitua um meio detransporte fi´avele

econ´omico.

Um retalhista espera que o empacotamento dosprodutos

que adquire permita umarmazenamento seguroe umaboa exposi¸c˜aodos mesmos.

(3)

A melhoria da Qualidade e a Estat´ıstica

N˜ao h´a processos de produ¸c˜ao sem variabilidadepor mais cuidado que tenhamos no seu planeamento e na sua manuten¸c˜ao... Um esfor¸co bem sucedido de melhoria da qualidade conduz a:

menorescustosde produ¸c˜ao; maiorprodutividade;

maiorsatisfa¸c˜aopor parte dos consumidores; maiorreputa¸c˜aodo produto/marca/empresa.

(4)

Nota final

Plano da apresenta¸c˜ao 1. Controlo de qualidade

1.1 Um pouco de hist´oria

1.2 Cartas de controlo dos tipos Shewhart e EWMA

2. Aplica¸c˜oes

2.1 Ind´ustria alimentar

2.2 Finan¸cas

3. Nota final

(5)

1. Controlo de qualidade

1.1 Um pouco de hist´oria

O in´ıcio do sec. XX

´

E marcado pela inclus˜ao dano¸c˜ao de processonas pr´aticas de qualidade.

Um processo ´e definido por um grupo de actividades que, tendo como ponto de partida mat´eria-prima (input), valoriza-a e transforma-a num produto acabado (output).

Walter A. Shewhart,um estat´ıstico dosBell Laboratories,

reconhece que os processos industriais produzem dados. Shewhart entende que estesdadospodem ser analisados usando

t´ecnicas de Estat´ısticade modo a averiguar se oprocessoest´a

sob controlo ou, se pelo contr´ario, est´afora de controlopor estar a ser afectado por causas assinal´aveis.

Ao fazˆe-lo, Shewhart criou acarta de controlo,uma ferramenta ainda hoje essencial para o controlo de qualidade.

(6)

Nota final

O pai do controlo estat´ıstico de qualidade

Walter A. Shewhart(1891–1967)

Ao propor um dispositivo gr´afico, acarta de controlo,num famoso memorandum, no dia 16 Maio de1924,Shewhart

alterou o curso hist´oria da ind´ustria,

ao celebrar aquilo que se pode considerar umcasamento

perfeitoentreEstat´ıstica, Engenharia e Economiae

tornou-se o pai do controlo de qualidade moderno.

(7)

1.2 Cartas de controlo dos tipos Shewhart e EWMA

Qualquer produto possui pelo menos umacaracter´ıstica de qualidade

que descreve a sua adequa¸c˜ao ao consumidor. Pode ser, por exemplo, do tipo:

f´ısico — voltagem, viscosidade, peso e diˆametro;

sensorial — gosto, cor e aparˆencia;

temporal — fiabilidade.

(8)

Nota final

O acompanhamento de processos de produ¸c˜ao pressup˜oe de um modo geral:

a escolha de caracter´ıstica de qualidade→ no. de defeitos por amostra aleat´oria;

a selec¸c˜ao deparˆametro(s) a controlar → no. esperado de defeitos por amostra aleat´oria;

a recolha regular deamostras→ de hora em hora;

o registo sequencialdo no. de defeitos por amostra, em gr´afico

comlimites apropriados — um limite inferior de controlo (LCL) e

um limite superior de controlo (UCL).

O dispositivo (gr´afico) resultante denomina-se carta de controlo.

(9)

Emiss˜ao e tipos de sinal

Somos alertados para a poss´ıvel perda de controlo do processo assim que se registar observa¸c˜ao para al´em dos limites de controlo. Podem ocorrer:

falsos alarmes

emiss˜ao de sinal na ausˆencia de desvio num parˆametro da caracter´ıstica de qualidade;

sinais v´alidos

emiss˜ao de sinal na presen¸ca de desvio (shift, drift, etc.) no parˆametro.

Os limites de controlo (LCL e UCL) devem ser escolhidos de modo que:

osfalsos alarmes sejam emitidos compouca frequˆencia;

a emiss˜ao desinal v´alidoocorra com amaior brevidade.

Analogia com testes de hip´oteses repetidos...

(10)

Nota final

Exemplo 1

Foram registadas 70 observa¸c˜oes don´umero de artigos defeituosos em

amostras de dimens˜aon = 100 numa carta de controlo−np.

Asprimeiras 50 observa¸c˜oes foram recolhidas enquanto o

processo de produ¸c˜ao operavasob controloao n´ıvel alvo/nominal np0= 100 × 0.05.

As20 observa¸c˜oes seguintesforam recolhidas do processoap´os a ocorrˆenciade umshiftpara n(p0+ θ) = 100 × (0.05 + 0.006).

Oslimites inferioresuperior de controlodacarta Shewhart s˜ao

iguais a LCL = max{0, np0− 3 p np0(1 − p0)} = 0 UCL = np0+ 3 p np0(1 − p0) ' 11.53. 10 / 36

(11)

Exemplo 1 (cont.)

Table: No. observado de defeituosos tN com: n = 100; p = p0= 0.05,

para N = 1, . . . , 50; e p = p0+ θ = 0.056, para N = 51, . . . , 70. N tN N tN N tN N tN N tN N tN N tN 1 2 11 7 21 7 31 4 41 4 51 7 61 5 2 1 12 2 22 4 32 2 42 9 52 12* 62 9 3 3 13 5 23 1 33 2 43 8 53 8 63 18* 4 6 14 6 24 5 34 9 44 6 54 7 64 10 5 7 15 7 25 8 35 9 45 7 55 6 65 11 6 4 16 2 26 4 36 3 46 6 56 15* 66 9 7 3 17 7 27 1 37 2 47 3 57 12* 67 9 8 2 18 5 28 4 38 8 48 6 58 11 68 7 9 5 19 4 29 7 39 3 49 1 59 11 69 14* 10 15† 20 4 30 6 40 5 50 3 60 12* 70 12*

† 1o. falso alarme; * 1o.–7o. sinais v´alidos

(12)

Nota final

Exemplo 1 (cont.)

A carta−np foi respons´avel porum falso alarme(sinal emitido antes da ocorrˆencia do shift) e porsete sinais v´alidos (sinais emitidos ap´os a ocorrˆencia do shift), sendo que o primeiro sinal v´alido foi emitido pela 52a. amostra, i.e. 2 observa¸c˜oes ap´os a ocorrˆencia do shift no

parˆametro np. ! ! ! !! ! ! ! ! ! ! ! !! ! ! ! ! !! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !! !! !! ! ! ! ! ! ! ! ! !!! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! ! !!! ! ! ! !! !! ! ! ! 10 20 30 40 50 60 70 N 5 10 15 20 tN 12 / 36

(13)

Carta Shewhart padr˜ao para µ

A carta Shewhart (padr˜ao) — para o valor esperado (µ) de uma caracter´ıstica de qualidade normalmente distribu´ıda com variˆancia constante, conhecida e igual a σ2

0 — faz uso da estat´ıstica

¯ XN = 1 n n X i =1 XiN, N ∈ IN

e dos limites de controlo

LCL = µ0− γ × r σ2 0 n UCL = µ0+ γ × r σ2 0 n, onde:

µ0representa o valor alvo de µ;

γ ´e uma constante real positiva, escolhida tendo em vista o desempenho que se pretende para carta sob e fora de controlo; n a dimens˜ao comum das amostras aleat´orias.

(14)

Nota final

Cartas EWMA

Uma forma de aumentar a capacidade de detec¸c˜ao de shifts passa pela acumula¸c˜ao de informa¸c˜ao relativa `as amostras sucessivas.

As cartas de controlo do tipoEWMA (exponentially weighted moving average) s˜ao disso exemplo.

Shewhart vs. EWMA

Shewhart EWMA

Walter A. Shewhart, 1924 Roberts, 1959

Estat´ıstica dependente da Estat´ısticadependentede amostra mais recente todas as amostras recolhidas

Simplicidade Car´acter recursivo

WN = g (WN−1, λ, XN)

Popularidade inquestion´avel Popularidade crescente

(15)

Carta EWMA padr˜ao para µ

A carta EWMA (padr˜ao) — para o valor esperado (µ) de uma caracter´ıstica de qualidade normalmente distribu´ıda com variˆancia constante, conhecida e igual a σ2

0 — possui estat´ıstica dada por WN=  µ0, N = 0 (1 − λ) × WN−1+ λ × ¯XN, N ∈ IN, (1) onde:

o alvo da carta µ0´e usualmente ovalor inicialatribu´ıdo `a

estat´ıstica;

λ ∈ (0, 1] ´e umaconstante de amortecimentoque representa o peso dado `a informa¸c˜ao mais recente acerca do processo condensada em ¯XN;

¯

XN =1nP n

i =1XiN am´edia da N−´esima amostra aleat´oriae n

a respectiva dimens˜ao.

(16)

Nota final

Limites da carta EWMA padr˜ao para µ (cont.)

Ao recorrer-se ao esquema EWMA padr˜ao ´e costume usar-se os limites de controlo assint´oticos, calculados com base em

momentos sob controlo de WN, w0= µ0e considerando N → +∞,

LCLa = lim N→+∞ h E (WN) − γa p V (WN) i = µ0− γa s λ σ2 0 (2 − λ) n UCLa = lim N→+∞ h E (WN) + γa p V (WN) i = µ0+ γa s λ σ2 0 (2 − λ) n.

onde γ ´e uma constante real positiva que, cuja selec¸c˜ao ´e feita a par da de λ, tendo sempre em vista o desempenho que se pretende para carta sob e fora de controlo.

(17)

Exemplo 2

Suspeita-se que um processo de enchimento de saquetas de produto qu´ımico, que conduziu ao conjunto de resultados (em gramas), esteja fora de controlo.

a) Confirme os valores obs. da estat´ıstica de uma carta EWMA padr˜ao para o controlo do valor esperado do peso de cada saqueta, para µ0= 10.0, σ0/√n = 2, w0= µ0, λ = 0.134 e γa' 2.8891. N M´edia (¯xN) EWMA (wN) N ¯xN wN 1 10.7 10.0938 11 12.8 11.3904 2 9.2 9.97403 12 14.0 11.7401 3 13.0 10.3795 13 9.7 11.4668 4 8.7 10.1545 14 13.3 11.7124 5 12.4 10.4554 15 14.3 12.0591 6 14.4 10.9839 16 12.6 12.1316 7 11.8 11.0933 17 11.0 11.9800 8 11.8 11.1880 18 11.4 11.9023 9 10.0 11.0288 19 11.8 11.8886 10 12.1 11.1723 20 10.5 11.7025

b) Ap´os ter verificado que os limites das cartas Shewhart (γ = 3.09) e EWMA s˜ao LCL = 3.82, UCL = 16.18 e LCLa' 8.45, UCLa' 11.55, averigue se haver´a alguma observa¸c˜ao respons´avel por um sinal.

(18)

Nota final

Exemplo 2 (cont.)

Carta ¯X Carta EWMA

! ! ! ! ! ! ! ! ! !! ! ! ! ! ! ! !! ! 0 5 10 15 20 N 5 10 15 20 tN ! ! ! ! ! ! ! ! ! !! ! ! !! ! ! ! ! ! 5 10 15 20 N 8 10 12 14 wN

Acarta EWMAemitiuoito sinais (v´alidos)ao passo que acarta Shewhart n˜ao emitiu qualquer sinal.

(19)

Desempenho das cartas EWMA Run Length (RL)

RL ´e um tempo de primeira passagem, cuja distribui¸c˜ao depende da magnitude do desvio (θ) no parˆametro a controlar.

Shewhart EWMA

Estat´ısticas Estat´ısticas regidas por

i.i.d. Cadeia de Markov

RL(θ) =st Geom´etrica RL(θ) 'st Phase-type uestado inicial e

p(θ) = Pθ(TN 6∈ [LCL, UCL]) Q(θ)matriz sub-estoc´astica

Detec¸c˜ao lenta de desvios Detec¸c˜ao eficiente de desvios

pequenos ou moderados pequenos ou moderados

(20)

Nota final

Shewhart vs. EWMA para µ

Ao substituir-se a carta do tipo Shewhart pela carta do tipo EWMA, descrita anteriormente e com o mesmo ARL sob controlo, obt´em-se a seguintealtera¸c˜ao percentual em ARL,h1 −ARLE(θ)

ARLS(θ) i × 100%: 2 4 6 8 10 Θ "50 50 Redução percentual

Confirma-se que, em m´edia, a cartaEWMA´emais r´apida queacarta Shewhart a detectar shifts de pequena e m´edia magnitude em µ, deixando o seu uso de ser vantajoso caso tenham ocorrido shifts de grande magnitude (e.g. θ > 2.2).

(21)

2. Aplica¸c˜oes

2.1 Ind´ustria alimentar

Ocontrolo de qualidadesurgiu no contexto da engenharia industrial

mas ´e tamb´emvital na ind´ustria alimentar,nomeadamente na:

especifica¸c˜ao do processo,entendida como uma descric˜ao da forma como deve ser fabricado o produto alimentar;

especifica¸c˜ao do produto alimentar,que consiste numa descri¸c˜ao do que @ cliente pretende.

Exemplo 3(http://www.fao.org/wairdocs/tan/x5934e/x5934e01.htm)

Na especifica¸c˜ao de um produto alimentar como opeixe,´e poss´ıvel identificarcaracter´ısticas de qualidadedistribu´ıdas em 7 categorias:

aparˆencia; odor e sabor; textura; ingredientes e composi¸c˜ao; empacotamento;

tamanho e peso; impurezas.

Estas duas ´ultimas categorias s˜ao sujeitas a controlo rigoroso.

(22)

Nota final

Exemplo 3 (cont.)

Acontagem bacterianainsere-se na ´ultima categoria e ´e um indicador

de qualidade importante dado que:

a presen¸ca demicroorganismos nocivoscomo o Staphylococcus aureus, Coliforms e Salmonella no peixe e seus derivados ´e respons´avel porintoxica¸c˜oes/doen¸cas graves;

a presen¸ca de grandes n´umeros de microorganismos ´e um indicador de contamina¸c˜ao (e.g. durante o processamento do peixe) e resulta em grandedesperd´ıcioda produ¸c˜ao.

A utiliza¸c˜ao de umacarta de controlo paraacontagem bacteriana´e pertinente epoder´a resultaremreajuste das condi¸c˜oes de

processamento do produto,caso os seus limites de controlo seja

excedidos, e, consequentemente, contribuir para a diminui¸c˜ao do fabrico de produtos alimentares impr´oprios para consumo.

(23)

Exemplo 4 ( ¨Ozilgen et al., 1997)

Acordaspassase dosfigos secos´e:

n˜ao uniforme;

umapropriedade sensorial importantequeafectaa suaprocura

pel@s consumidor@s;

umindicadordoestado de conserva¸c˜aodestes produtos

alimentares.

Asaltera¸c˜oesdacordaspassase dosfigos secos

s˜ao respons´aveis poraltera¸c˜oes do seusabore

devem-se `a transferˆencia n˜ao uniforme de massa e calor durante o processo de secagem/armazenamento.

(24)

Nota final

Exemplo 4 (cont.)

A cor destes produtos alimentares reflecte a contribui¸c˜ao do

preto/banco, verde/vermelho e azul/amarelo e pode ser avaliada de acordo com aescala de cores Hunter L, a, b

(www.hunterlab.com/appnotes/an08 96a.pdf1):

eixo L— valor m´ınimo L = 0 (preto), valor m´aximo L = 100

(branco);

eixo a— sem limites num´ericos, valores negativos (verde), valores positivos (vermelho);

eixo b — sem limites num´ericos, valores negativos (azul), valores positivos (amarelo).

Uma vez que asaltera¸c˜oes significativas da cordas passas e dos figos secos podem ser indicadoras dadeteriora¸c˜ao irrevers´ıveldestes produtos, afigura-se relevante recorrer acartas de controlopara controlar a cor.

(25)

Exemplo 4 (cont.)

¨

Ozilgen et al. (1997) prop˜oem o recurso acartas de controlopara o

valor esperadoe odesvio-padr˜aode cada uma das trˆes medi¸c˜oesna

escala Hunter L, a, b(no total 6 cartas).

Asestat´ısticass˜ao am´edia ( ¯X )e

aamplitude (R)

da amostra aleat´oria.

Oslimites de controlodas cartas ¯X e R dependemdo

produto(passas ou figos secos)

mas tamb´em do

tipo dearmazenamento/embalagem (atmosfera modificada, v´acuo ou sacos de nylon).

(26)

Nota final

Exemplo 4 (cont.)

Aviola¸c˜aodoslimites de controlode uma carta nafase inicial do

armazenamentodestes produtos alimentares:

sugerem que as reac¸c˜oes enzim´aticas e n˜ao enzim´aticas causaram

altera¸c˜oes significativas de cor/sabor/estado de conserva¸c˜ao

antes do estabelecimento de um quase-equil´ıbrio da distribui¸c˜ao de ´

agua e de deposi¸c˜ao de cristais de a¸c´ucar `a superf´ıcie;

alertam@soperador@s paraa eventualdeteriora¸c˜ao dos

produtos alimentares, caso n˜ao seja efectuadoreajuste das

condi¸c˜oesdearmazenamentoou osprodutos n˜ao sejam

colocados imediatamente no mercado evendidos com a maior brevidade poss´ıvel.

(27)

Exemplo 4 (cont.)

Dois reparos em rela¸c˜ao `as cartas propostas por ¨Ozilgen et al. (1997) para controlar ovalor esperadoe odesvio-padr˜aode cada uma das

trˆes medi¸c˜oesnaescala Hunter L, a, b.

1 Acarta R para o controlo do desvio-padr˜ao de cada medi¸ao deve

ser substitu´ıda pela carta S2pois este estimador ´e mais eficiente

que a amplitude da amostra aleat´oria na estima¸c˜ao da dispers˜ao de uma v.a.

2 Parece mais razo´avel considerar que astrˆes medi¸oesna escala

Hunter L, a, b s˜aov.a. dependentes, pelo que se afigura mais razo´avel

considerar que se lida comvector aleat´oriocomdistribui¸c˜ao multivariadaNormal3(µ, Σ) e

recorrer a duascartas multivariadaspara o controlo do

vector de valores esperados µe amatriz de covariˆancia Σ

(ver Mason e Young, 1987).

(28)

Nota final

2. Aplica¸c˜oes (cont.)

A utiliza¸c˜ao dascartas de controlon˜ao se confina `a ind´ustria: a administra¸c˜ao (Hawkins e Olwell, 1998, p. v — preenchimento incorrecto de documentos),

a epidemiologia (Blacksell et al., 1994 — diagn´ostico de doen¸cas veterin´arias),

a detec¸c˜ao de fraudes (Johnson, 1984 — roubo sistem´atico pelos caixas de supermercado),

gest˜ao de pessoal (Olwell, 1997 — avalia¸c˜ao do n´umero de casos de ass´edio sexual em ambiente laboral),

e tamb´em o atletismo, a biologia, as ciˆencias do ambiente, a gen´etica (Hawkins e Olwell, 1998, e Stoumbos et al., 2000) — e, mais recentemente, asfinan¸cas— s˜ao algumas das´areas de aplica¸c˜ao

corrente das cartas de controlo de qualidade.

(29)

2.2 Finan¸cas

Durante a´ultimas d´ecadas o volume dastransac¸c˜oes de t´ıtulos

aumentou dramaticamente.

Uma vez que asaltera¸c˜oes estruturaisa que est˜ao sujeitos os pre¸cos dos t´ıtulosinfluenciam

asestrat´egias de investimento,ascartas

de controlorevelam-se fulcrais em finan¸cas,

em particular nadetec¸c˜ao de altera¸c˜oesno/s: vector de valores esperados (Bodnar e Schmid, 2007) e matrizes de covariˆancia da distribui¸c˜ao do vector de pre¸cos futuros de v´arios t´ıtulos (Roso lowski e Schmid, 2006);

optimal portfolio weights

— pesos ´optimos dos diversos t´ıtulos de uma carteira (e.g. Golosnoy e Schmid, 2007).

(30)

Nota final

Exemplo 5 (Golosnoy e Schmid, 2007; Golosnoy et al., 2007)

Markowitz (1952) recomenda a aquisi¸c˜ao de uma carteira com

k (k > 1)t´ıtulos(assets), cujospre¸cos futuros(asset returns) constituem vector aleat´orioX = (X1, . . . , Xk)com vector de valores

esperadosµe matriz de covariˆanciasΣ.

Ovector de pesos w = (w1, . . . , wk)dos diversost´ıtuloscondensa

as k frac¸c˜oes da fortuna do investidor investidas nos k t´ıtulos. Opre¸co futurodestacarteirade t´ıtulos ´e representado por

XP =P

k

i =1wiXi = w>X .

O vector de pesosw deve serrevistoeajustadode forma sistem´atica e de modo areflectir a situa¸c˜ao do mercado financeiro.

(31)

Exemplo 5 (cont.)

´

E comum considerar umacarteira de t´ıtulos ´optimase resultar de

umcompromisso entreum valor esperado elevado

E (XP) = w>µe uma variˆancia pequenaV (XP) = w>Σw do pre¸co

futuro da carteira. ´

E usualescolherospesosdo t´ıtulos por minimiza¸c˜aoda variˆancia

w>Σw sujeita `arestri¸c˜aoPk

i =1wi = w >1 = 1.

A carteira resultante designa-se deglobal minimum variance

portfolio (GMVP) e os pesos associados s˜ao denominados de

GMVP weightse dados por

w∗= Σ

−11 1>Σ1.

Contudo a matriz de covariˆanciaΣ´edesconhecida,pelo que deve ser estimada de modo a obter-se umaestimativa dos GMVP weights w∗.

(32)

Nota final

Exemplo 5 (cont.)

Assuma-se queXt= (X1 t, . . . , Xk t)representa ovector de pre¸cos

dos k t´ıtulos no instante t.

Os parˆametros µ e Σ podem alterar-se ao longo do tempo, pelo que no instante t ´e razo´avel recorrer arolling window estimatorsdeµ

eΣbaseados nos n ´ultimos vectores de pre¸cos Xt−n+1, . . . , Xt:

ˆ µ t,n = 1 n t X j =t−n+1 Xj ˆ Σt,n = 1 n − 1 t X j =t−n+1 (Xj− ˆµ j ,n)(Xj− ˆµt,n) >.

Substituindo Σ pelo seu estimador na express˜ao de w∗, obt´em-se

umestimadordosGMVP weightsnoinstante t:

ˆ w∗t,n= ˆ Σ−1t,n1 1>Σˆt,n1. 32 / 36

(33)

Exemplo 5 (cont.)

SeXt = (X1 t, . . . , Xk t) i .i .d .

∼ Nk(µ, Σ),podemos adiantar que:

E ( ˆw∗t,n) = w∗ Cov ( ˆw∗t,n) = Ω = 1 n − k − 1 Σ−1−Σ111>>Σ1Σ−1 1>Σ1 ˆ w∗t,n ∼ tk−1(w , Ω).

Pode usar-se, por exemplo, umacarta multivariadado tipo

EWMAcom estat´ıstica baseada em w∗t,nparadetectar desvios do

GMVP weightsem rela¸c˜ao ao seu valor-alvo w∗0= Σ

−1

0 1

1>Σ 01

,onde Σ0´e valor-alvo da matriz de covariˆancia Σ.

OARL sob controlodeve ser igual a120 (dias),que

correspondem aproximadamente a seis meses deobserva¸c˜oes di´arias (em dias ´uteis!) detrading no mercado financeiro. Caso a carta emita um sinale seja detectado um desvio, deve

reajustar-se os GMVP weights com base nas ´ultimas obs.

(34)

Nota final

3. Nota final

Acarta de controlo´e uma das maisimportantesferramentas em

Controlo de Qualidade.

Neste semin´ario debru¸c´amo-nos sobre aaplica¸c˜aodas cartas de controlo de qualidade em ´areas t˜ao distintas como aInd´ustria Alimentare asFinan¸cas.

Se por um lado n˜ao se tem inovado muito desde os anos 50 do s´eculo passado no que diz respeito ao controlo de qualidade de processos i.i.d., por outro lado o controlo de s´eries financeiras

cont´ınuastrouxedesafios enormes ao Controlo de Qualidade

enquanto ´area da Estat´ıstica Aplicada.

Esperamos que estaapresenta¸c˜ao desperteo vossointeressepara

o Controlo de Qualidade epara as suas imensasaplica¸c˜oes,

nomeadamente na Ind´ustria Alimentar e em Finan¸cas.

(35)

Bibliografia — Aplica¸c˜oes do Controlo de Qualidade

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(36)

Nota final

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Referências

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