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1ª PARTE: MÚLTIPLA ESCOLHA

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Academic year: 2021

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1ª PARTE: MÚLTIPLA ESCOLHA

(Marque com um “X” a única opção que atende ao que é solicitado em cada questão.)

TEXTO I

GENTE É BICHO E BICHO É GENTE

01 Querido Diário, não tenho mais dúvida de que este mundo está virado ao avesso!

02 Fui ontem à cidade com minha mãe e você não faz idéia do que eu vi. Uma coisa horrível,

03 horripilante, escabrosa, assustadora, triste, estranha, diferente, desumana... E eu fiquei 04 chateada.

05 Eu vi um homem, um ser humano, igual a nós, remexendo na lata de lixo. E sabe o

06 que ele estava procurando? Ele buscava, no lixo, restos de alimento. Ele procurava

07 comida!

08 Querido Diário, como pode isso? Alguém revirando uma lata cheia de coisas

09 imundas e retirar dela algo para comer? Pois foi assim mesmo, do jeitinho que estou

10 contando. Ele colocou num saco de plástico enorme um montão de comida que um 11 restaurante havia jogado fora. Aarghh!!! Devia estar horrível!

12 Mas o homem parecia bastante satisfeito por ter encontrado aqueles restos. Na 13 mesma hora, querido Diário, olhei assustadíssima para a mamãe. Ela compreendeu o 14 meu assombro. Virei para ela e perguntei: “Mãe, aquele homem vai comer aquilo?”

15 Mamãe fez um “sim” com a cabeça e, em seguida, continuou: “Viu, entende por que eu

16 fico brava quando você reclama da comida?”.

17 É verdade! Muitas vezes, eu me recuso a comer chuchu, quiabo, abobrinha e

18 moranga. E larguei no prato, duas vezes, um montão de repolho, que eu odeio! Puxa vida!

19 Eu me senti muito envergonhada!

20 Vendo aquela cena, ainda me lembrei do Pó, nosso cachorro. Nem ele come uma

21 comida igual àquela que o homem buscou do lixo. Engraçado, querido Diário, o nosso cão

22 vive bem melhor do que aquele homem. Tem alguma coisa errada nessa história, 23

você não acha?

24 Como pode um ser humano comer comida do lixo e o meu cachorro comer comida

25 limpinha? Como pode, querido Diário, bicho tratado como gente e gente vivendo como

26 bicho? Naquela noite eu rezei, pedindo que Deus conserte logo este mundo. Ele nunca 27 falha. E jamais deixa de atender os meus pedidos. Só assim, eu consegui adormecer um

28 pouquinho mais feliz.

(OLIVEIRA, Pedro Antônio. Gente é bicho e bicho é gente. Diário da Tarde. Belo Horizonte, 16 out. 1999).

QUESTÃO 01. Na frase “Querido Diário, não tenho mais dúvida de que este mundo está virado ao avesso!” (linha 1), a expressão destacada quer transmitir a idéia de que o mundo

A ( ) não está em harmonia, uma vez que seus elementos estão coordenados.

B ( ) não está em harmonia, já que seus elementos não estão nos devidos lugares.

C ( ) está em desarmonia, já que seus elementos estão perfeitamente interligados.

D ( ) está organizado harmonicamente, com seus elementos fora dos padrões estabelecidos.

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QUESTÃO 02. No primeiro parágrafo do texto I, há a seguinte estrutura frasal: “Uma coisa horrível, horripilante, escabrosa, assustadora, triste, estranha, diferente, desumana... E eu fiquei chateada”. Quanto ao uso das reticências, levando-se em conta o CONTEXTO, é CORRETO afirmar que

A ( ) foram usadas com o nítido objetivo de dar fim à linha de pensamento da narradora, a qual se mostra indiferente ao que viu.

B ( ) foram usadas com a intenção de demonstrar que a narradora não consegue mais encontrar adjetivos que possam expressar seu choque diante da cena que viu.

C ( ) foram usadas para demonstrar uma interrupção na linha de raciocínio da narradora, que se mostra afetada positivamente com o que viu. D ( ) foram usadas para demonstrar que a narradora está em dúvida, pois

tem a sensação de que o que viu é um sonho.

E ( ) foram usadas para demonstrarem que a narradora encontrou todos os adjetivos possíveis para expressarem suas dúvidas diante do que viu.

QUESTÃO 03. No trecho “Ele colocou num saco de plástico enorme um montão de comida que um restaurante havia jogado fora. Aarghh!!! Devia estar horrível!” (linhas 10 e 11) se estabelecem relações de sentido de

A ( ) fato / conseqüência. B ( ) fato / causa.

C ( ) fato / finalidade. D ( ) fato / oposição

E ( ) fato / opinião.

QUESTÃO 04. O quarto parágrafo do texto é iniciado pela palavra “MAS”, cuja função, nesse contexto, é

A ( ) estabelecer uma relação de oposição entre o que a narradora viu e a atitude do homem em recolher os restos de comida do lixo.

B ( ) estabelecer uma relação de alternância entre a atitude do homem em recolher restos de comida, no terceiro parágrafo, e mostrar-se contente com isso, no quarto parágrafo.

C ( ) estabelecer uma relação de oposição entre o fato de a narradora

achar que a comida do lixo era péssima, e ele demonstrar contentamento com o que encontrou.

D ( ) estabelecer uma relação de oposição entre o fato de a narradora mostrar repugnância com a situação em que se encontra o homem e o assombro dela perante o que presenciou.

E ( ) estabelecer uma relação de alternância entre o fato de o homem revirar a lata de lixo e a mãe da narradora ficar brava com a filha por ela reclamar da comida.

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QUESTÃO 05. Analise as afirmativas abaixo, observando se são falsas (F) ou verdadeiras (V). I – ( ) No trecho “Ele colocou num saco de plástico enorme um montão de

comida que um restaurante havia jogado fora. Aarghh!!!” (linhas 10 e 11), a narradora sente nojo do fato de o homem recolher comida do lixo.

II – ( ) Em “Puxa vida! Eu me senti muito envergonhada!” (linhas 18 e 19), a personagem mostra-se indiferente à situação vivenciada pelo homem. III – ( ) Em “Como pode, querido Diário, bicho tratado como gente e gente

vivendo como bicho?” (linhas 25 e 26), a narradora mostra-se revoltada com o fato de um ser humano ter condições de vida inferiores às condições de vida de um animal.

IV – ( ) Em “Ele nunca falha. E jamais deixa de atender os meus pedidos.” (linhas 26 e 27), a narradora deposita, em um figura divina, sua esperança de mudança para a triste situação que presenciou.

A seqüência CORRETA é A ( ) V – V – V – F. B ( ) V – F – F – V. C ( ) V – V – F – V. D ( ) V – F – V – V. E ( ) V – F – F – F.

QUESTÃO 06. Na frase “Viu, entende por que eu fico brava quando você reclama da comida?” (linhas 15 e 16), se a mãe tivesse usado a segunda pessoa do singular em lugar da terceira pessoa, teríamos:

A ( ) Viste, entendes por que eu fico brava quando tu reclamas da comida?

B ( ) Vistes, entendes por que eu fico brava quando tu reclamas da comida?

C ( ) Viste, entende por que eu fico brava quando tu reclama da comida? D ( ) Viste, entendes por que eu fico brava quando tu reclama da comida? E ( ) Vistes, entende por que eu fico brava quando tu reclamas da comida? QUESTÃO 07. Atentando para os elementos narrativos que constituem o texto I, é CORRETO

afirmar que

A ( ) possui um narrador em 3ª pessoa, o qual participa dos fatos por ele narrado.

B ( ) embora não fique explícito, compreende-se que o espaço em que

a narradora presencia o fato central da história é a rua de uma cidade.

C ( ) as falas dos personagens são marcadas pelo travessão, já que o discurso é direto.

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QUESTÃO 08. Observe a seqüência de fatos, retirada do texto I.

( ) Um homem sente-se satisfeito por encontrar o que comer no lixo. ( ) A narradora se envergonha por presenciar um homem na humilhante

situação de procurar comida no lixo.

( ) A narradora vê um ser humano buscando o que comer no lixo.

( ) A narradora conclui que um animal doméstico tem uma vida bem melhor que a do homem que busca alimento no lixo.

( ) A narradora reza, pedindo a intervenção de Deus.

Ao se enumerar a seqüência de fatos acima, de modo crescente, de forma a estabelecer uma seqüência lógica de ações, tem-se como opção CORRETA a numeração A ( ) 2 – 3 – 1 – 4 – 5. B ( ) 1 – 3 – 2 – 4 – 5. C ( ) 3 – 1 – 4 – 2 – 5. D ( ) 5 – 3 – 4 – 2 – 1. E ( ) 3 – 5 – 4 – 2 – 1.

QUESTÃO 09. Em “Como pode um ser humano comer comida do lixo e o meu cachorro comer comida limpinha?” (linhas 24 e 25), é CORRETO afirmar que

A ( ) a presença do vocábulo “um”, precedendo a expressão “ser humano”, indica que a narradora fala de um elemento já conhecido, determinado.

B ( ) a palavra “um”, no contexto em análise, transmite a idéia de quantidade.

C ( ) a narradora usou o vocábulo “o” antes da palavra “meu” porque

se referia a um elemento já conhecido, específico.

D ( ) tanto a palavra “um”, quanto o vocábulo “o” têm, nesse contexto, valor indefinido.

E ( ) a narradora usou o vocábulo “o”, antes da palavra “meu”, porque ela se refere a um elemento não especificado, desconhecido.

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TEXTO II

O BICHO

01 Vi ontem um bicho 02 Na imundície do pátio

03 Catando comida entre os detritos. 04 Quando achava alguma coisa, 05 Não examinava nem cheirava: 06 Engolia com voracidade. 07 O bicho não era um cão, 08 Não era um gato,

09 Não era um rato.

10 O bicho, meu Deus, era um homem.

(BANDEIRA, Manuel. Poesia completa e prosa. Rio de Janeiro: Companhia José Aguilar Editora, 1974).

QUESTÃO 10. Assim como a narradora do texto I, a voz poética do texto II

A ( ) presencia uma situação de degradação do ser humano, que é rebaixado à condição de “bicho”.

B ( ) presencia um fato isolado socialmente, que era muito comum em sua rotina.

C ( ) presencia um fato comum à sociedade (o homem rebaixado à condição de “bicho”), mostrando-se indiferente a ele.

D ( ) presencia um fato raríssimo na sociedade atual, mostrando-se apavorada com tal situação.

E ( ) presencia uma situação de exaltação do ser humano, que é rebaixado à condição de bicho.

QUESTÃO 11. A idéia principal do texto II está contida na frase:

A ( ) A fome causa estranheza em quem a sente e indiferença em quem presencia alguém passando fome.

B ( ) A fome reduz quem a sente à condição de animal e causa

assombro em quem presencia alguém passando fome.

C ( ) A fome reduz quem a sente e quem presencia alguém passando fome à condição de animal.

D ( ) A fome reduz o homem e o animal a uma condição que causa espanto em quem a presencia.

E ( ) A fome causa indiferença em quem a sente e em quem presencia laguem passando fome.

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QUESTÃO 12. No texto II, há a presença dos vocábulos “imundície”, “detritos” e “voracidade”, cujos sinônimos, de acordo com o contexto, são, RESPECTIVAMENTE:

A ( ) sujeira / dedos / rapidez. B ( ) sujeira / restos / fome. C ( ) sujeira / dedos / fome.

D ( ) sujeira / restos / rapidez.

E ( ) sujeira / rapidez / fome.

QUESTÃO 13. O enunciado em que a palavra destacada é acentuada pelo mesmo motivo que o vocábulo “IMUNDÍCIE” (verso 2) é:

A ( ) Os alimentos a serem doados para o asilo estão no sótão.

B ( ) O problema da fome deve ser debatido. Excluí-lo do debate, não colabora para que se encontrem soluções.

C ( ) As crianças decidiram prestar auxílio à pobre família.

D ( ) É incrível que ainda não se tenha encontrado uma solução viável para o problema da fome.

E ( ) A única saída para o problema da fome é a participação de todos. QUESTÃO 14. Embora o texto II seja um poema, é possível identificar nele uma sucessão de

acontecimentos. Os verbos que demonstram a sucessão cronológica das ações executadas pelo homem que busca o que comer no lixo, são:

A ( ) CATAR / ACHAR / ENGOLIR.

B ( ) VER / CATAR / CHEIRAR. C ( ) CATAR / ACHAR / CHEIRAR. D ( ) VER / CATAR / EXAMINAR. E ( ) CATAR / ACHAR / EXAMINAR.

QUESTÃO 15. Os vocábulos BICHO / ONTEM / CATANDO, quanto à classe de palavras a que pertencem, igualam-se, RESPECTIVAMENTE, a:

A ( ) coisa / imundície / comida. B ( ) achava / examinava / engolia.

C ( ) coisa / não / engolia.

D ( ) cão / deus / engolia. E ( ) examinava / gato / meu.

QUESTÃO 16. Após uma análise gramatical do texto II, é CORRETO afirmar que

A ( ) os verbos destacados nos versos “Vi ontem um bicho” e “Quando achava alguma coisa” encontram-se no mesmo modo e tempo verbal. B ( ) a preposição sublinhada em “Engolia com voracidade” transmite a

idéia de “companhia”.

C ( ) o trecho “Quando achava alguma coisa, / não examinava nem cheirava” permanecerá com o sentido inalterado se a palavra em destaque for substituída pela palavra “porém”.

D ( ) haverá alteração de sentido se a palavra destacada em “Quando

achava alguma coisa” for substituída pelo vocábulo “se”.

E ( ) os verbos destacados nos versos “Vi ontem um bicho” e “Quando achava alguma coisa” encontram-se no mesmo modo e tempo verbal.

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QUESTÃO 17. Observe o seguinte trecho do texto II:

“O bicho não era um cão / Não era um gato, / Não era um rato.”

Os substantivos coletivos dos vocábulos destacados são, RESPECTIVAMENTE: A ( ) alcatéia / ninhada. B ( ) matilha / ninhada. C ( ) matilha / alcatéia. D ( ) ninhada / matilha. E ( ) alcatéia / matilha. TEXTO III

TIRA DE EDGAR VASQUEZ “RANGO”

Edgar Vasques – Rango 30 anos – O gênio Gabiru. Porto Alegre: L&PM, 1998. p. 22.

VOCABULÁRIO:

Feudalismo: sistema político, social e econômico que vigorou na Europa durante a Idade Média. Baseava-se na agricultura e na propriedade da terra.

Ganância: ambição de ganho, de lucro.

QUESTÃO 18. O 2º quadrinho da tira mostra o personagem expondo sua opinião acerca de um assunto. Analisando o CONTEXTO, o ato imediatamente anterior do personagem que permite essa exposição de opinião é

A ( ) o ato de criar uma campanha contra a fome. B ( ) o ato de estar com fome.

C ( ) o ato de ler sobre uma campanha contra a fome.

D ( ) o ato de se envolver em uma campanha contra a fome.

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QUESTÃO 19. Após a análise dos aspectos gramaticais do texto III, é INCORRETO dizer que A ( ) no segundo quadrinho, o conectivo “e” substitui o uso da vírgula. B ( ) em “Campanha Nacional para acabar com a fome”, o vocábulo

destacado transmite a idéia de finalidade.

C ( ) em “... tem que acabar com o feudalismo...” a expressão destacada pode ser substituída, no contexto, pela expressão “É preciso”.

D ( ) no último quadrinho, se substituirmos o vocábulo “mas” pela

palavra “mais” a frase continuará coesa e coerente.

E ( ) em “Campanha Nacional para acabar com a fome”, o vocábulo destacado transmite a idéia de finalidade.

QUESTÃO 20. A relação de analogia entre os textos I, II e III é estabelecida por meio da A ( ) temática abordada. B ( ) crítica irônica. C ( ) sucessão de fatos. D ( ) estrutura formal. E ( ) temática abordada.

2ª PARTE: PRODUÇÃO TEXTUAL

QUESTÃO 21. Durante a leitura dos textos da prova, você teve a oportunidade de refletir sobre a problemática da fome. Sua tarefa é criar uma carta pessoal, cujo remetente é a narradora do texto I (CRIE UM NOME PARA ELA) e cujos destinatários são as “Crianças do Mundo”. Nessa carta, a remetente deve falar sobre a situação dramática que presenciou, por que razão decidiu escrever essa carta, apresentar soluções para o problema da fome e de que modo os destinatários podem ajudá-la. Em seu texto, a cidade de onde a remetente envia a carta deve ser “Brasília”.

Não se esqueça de:

• seguir as características estruturais do gênero textual solicitado; • utilizar o padrão culto da linguagem;

• escrever um texto entre 20 e 25 linhas;

• fazer o alinhamento adequado dos parágrafos, de acordo com o gênero; • assinar com o nome criado para a personagem.

O texto que fugir ao tema e/ou às características estruturais do gênero solicitado receberá nota 0,0 (ZERO).

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Observação: SERÁ ATRIBUÍDO GRAU 0,0 (ZERO) AO CANDIDATO QUE NÃO ATENDER AO TEMA PROPOSTO.

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