Disponívelnawww.sciencedirect.com
REGE
-
Revista
de
Gestão
http://www.regeusp.com.br/ REGE-RevistadeGestão24(2017)224–234
Financ¸as
Perda
máxima
aceitável
para
investimento
de
risco
em
commodity
brasileira
Maximum
loss
acceptable
to
risk
investment
in
Brazilian
commodity
Israel
José
dos
Santos
Felipe
a,∗e
Guillermo
Badía
Fraile
b,∗aUniversidadeFederaldeOuroPreto,OuroPreto,MG,Brasil bUniversidaddeZaragoza,Zaragoza,Espanha
Recebidoem15deabrilde2015;aceitoem3deoutubrode2016 Disponívelnainternetem 16demaiode2017
Resumo
Opresentetrabalhotevecomoobjetivosimularaperdamáximaaceitávelparaoriscodeinvestimentoemumadasprincipaiscommodities agrícolasdoBrasil,otrigo.Paraocumprimentodetalobjetivo,oestudousouamodelagemdesériestemporaiscomprocessosautorregressivosde médiasmóveis(Arma),heterocedasticidadecondicional(Garch)evaloremrisco(V@R),aplicadossobreumasériehistóricadeprec¸osdoativo numintervalodedezanos.ObancodedadosinvestigadofoicoletadonositedoCepea/Esalq/USPeamotivac¸ãoparaescolhadessasériehistórica sedeuemfunc¸ãodaimportânciaprodutivaeeconômicadoEstadodoParanáparatodooBrasil,porqueéomaiorprodutorecomercianteda commodity.Osresultadosdiscutidosnestepaperrevelamqueaumníveldesignificânciaestatísticade1%,oprodutordetrigoadmiteumaperda deR$228,40sobreoinvestimentofeitoe,a5%,R$174,19.Emgeral,essasinformac¸õessugeremqueacadatoneladadetrigovendida,oprodutor podeperderemseuinvestimentoatéR$228,40.Estaseoutrasinformac¸õesabordadasnapesquisapodemservirdeferramentasestratégicasde apoioparaoprocessodecisóriodeinvestimentoemcommodities.Adinâmicadosprec¸osexpressapelavolatilidadedomercadopoderevelar algumpadrãodecomportamentodoativo,oquepodeserútilparaaformac¸ãodepolíticashedge,nasquaisváriosprodutoresassumemoriscodo investimentoefetivado,minorandoassimoimpactodomesmosobreosprodutores.
©2017DepartamentodeAdministrac¸˜ao,FaculdadedeEconomia,Administrac¸˜aoeContabilidadedaUniversidadedeS˜aoPaulo–FEA/USP. PublicadoporElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Palavras-chave: Perdamáxima;Investimentoderisco;Commodityagrícola;Volatilidade
Abstract
ThisstudyaimedtosimulatethemaximumacceptablelossfortheriskofinvestinginamajoragriculturalcommoditiesinBrazil,wheat.Tofulfill thisobjective,thestudyusedthemodelingoftimeserieswithautoregressiveprocessesmovingaverage(ARMA),conditionalheteroskedasticity (GARCH)andvalueatrisk(V@R),appliedonahistoricalseriesofassetpricesinatenyearperiod.Theinvestigationdatabasewascollected inthesiteCEPEA/ESALQ/USPandthemotivationforchoosingthishistoricalserieswasduetotheproductiveandeconomicimportanceofthe StateofParanáthroughoutBrazil,thelargestproducerandcommoditytrader.Theresultsdiscussedinthispapershowthatalevelofstatistical significanceof1%,wheatproduceradmitsalossofR$228.40undertheinvestmentand5%R$174.19.Overall,thesedatasuggestthateverytonne ofwheatsold,theproducercanloseonyourinvestmentuptoR$228.40.Theseandotherinformationcoveredinthesurveymayprovidesupport strategictoolsfordecision-makinginvestmentincommodities.Thedynamicsofpricesexpressedbythemarketvolatilitymayrevealsomeactive behaviorpattern,whichcanbeusefulfortheformationofhedgingpolicies,inwhichvariousproducersassumetheriskoftheeffectedinvestment, thusminimizingtheimpactofthesameonproducers.
©2017DepartamentodeAdministrac¸˜ao,FaculdadedeEconomia,Administrac¸˜aoeContabilidadedaUniversidadedeS˜aoPaulo–FEA/USP. PublishedbyElsevierEditoraLtda.ThisisanopenaccessarticleundertheCCBY-NC-NDlicense( http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Keywords: Maximumloss;Riskinvestment;Agriculturalcommodity;Volatility
∗Autorparacorrespondência.
E-mails:[email protected](I.J.Felipe),[email protected](G.B.Fraile).
ArevisãoporparesédaresponsabilidadedoDepartamentodeAdministrac¸ão,FaculdadedeEconomia,Administrac¸ãoeContabilidadedaUniversidade deSãoPaulo–FEA/USP.
http://dx.doi.org/10.1016/j.rege.2017.05.002
1809-2276/©2017DepartamentodeAdministrac¸˜ao,FaculdadedeEconomia,Administrac¸˜aoeContabilidadedaUniversidadedeS˜aoPaulo–FEA/USP.Publicado porElsevierEditoraLtda.Este ´eumartigoOpenAccesssobumalicenc¸aCCBY-NC-ND(http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/).
Introduc¸ãoemotivac¸ão
Aproduc¸ãodetrigonomundotemapresentadorelevante des-taquenocenáriointernacional.Porseroprincipalcomponente
nadietaalimentar damaioriadospaíses,essacommoditytem
importantepapeleconômico.China,ÍndiaeEUAsãoos
princi-paisprodutoresdetrigoeapresentamproduc¸ãoanualsuperiora
60milhõesdetoneladas(FAO,2010).Hubner(2010)indicaque
aChinaéamaiorprodutoraequesuaproduc¸ãoimpacta
direta-mentenaescalamundial,comcercade20%detodaproduc¸ão.
OBrasilocupaapenasavigésimacolocac¸ãoentreosmaiores
produtores,eissojustificaofatodopaísimportarquase90%de
todotrigo consumidointernamentedaArgentina,comprec¸os
cotadosemdólares(DeLima,2012).
No Brasil, os maiores produtores desse cereal
encontram--se concentradosnas regiõesSul eSudeste. Na atualidade, o
maiorprodutordetrigoéoEstadodoParaná,seguidoporRio
Grandedo SuleSanta Catarina. Essestrêsprodutores
repre-sentam92%daproduc¸ãobrasileiradegrãosnoBrasil(Conab, 2010).Poroutrolado,deacordocomHubner,oBrasilparticipou
comapenas0,7%daproduc¸ãomundial.
Faostat(2012),aproduc¸ãonacionaldesse cerealem2011
foide6milhões detoneladas, valornãosuficientepara
aten-deràdemandainterna.Complementaestainformac¸ãoaConab
(2010),relevandoqueo consumo interno detrigo éde
apro-ximadamente de 10 milhões de toneladas/ano. Além destas
informac¸õesiniciais,destaca-se ofatodeo Brasilser umdos
maiores importadores de trigo no mundo, inclusive, importa
cinquentavezesmaisqueosEstadosUnidos(Arbitrigo,2013).
Emrelac¸ãoaoEstadodoParaná,seusdiversosmunicípios
destacam-seemtermosprodutivos,porcausa,principalmente,
dainserc¸ãodenovastecnologiasprodutivasparaessecereal.O
usoeaplicac¸ãodessastecnologiaspermiteoacompanhamento
significativo das variac¸ões anuais de produtividade, prec¸os e áreasplantadas(Santiago,Camargo&Margarido,1996).Essas informac¸õesfornecemmaioresaparatosprodutivosparao
acom-panhamentoagrícoladaspropriedades produtoras,reforc¸ando
aindamaisanecessidadedoaprimoramentodeestratégias finan-ceiraseficientesparaogerenciamentodeinvestimentosemrisco
(Campos,2007).
Aliadoaoaspectoprodutivorelevante,otrigoapresentauma característicadignadeinvestigac¸ãoeatenc¸ãodepesquisa:sua
exposic¸ãoaoriscocambial.OtrigoconsumidonoBrasiléde
origemexterna,ouseja,seuprec¸odependedacotac¸ãodemoeda estrangeira(dólar).Fortesoscilac¸õesnomercadoexterno reper-cutemnoBrasileessarelac¸ãopodesersuavizadacomacriac¸ão depolíticasmais eficientesdehedgeparareduzir oueliminar
os efeitosdas flutuac¸ões cambiais.A importância de estudar
os aspectos produtivos e os prec¸os de commodities revela a
preocupac¸ãodeproduc¸ãodeconhecimentomaisespecializado
emtemasqueajudamnagestãodoriscooperacionalefinanceiro queestãoenvolvidosnomercadodeativos(Limaetal.,2007).
Estepaperfoielaboradoparafornecermaiorescontribuic¸ões
produtivas em relac¸ão ao prec¸o e àdinâmica de volatilidade
parainvestimentos feitosna commoditytrigo.O estudo
reve-louqueem2004,2008e2013,oprec¸odotrigotevesuamaior valorizac¸ãoduranteosanospesquisados(2004-2013).Poroutro
lado, em2005e2008osprec¸osdoativo tiveramumabrusca
desvalorizac¸ão em um curto intervalo de tempo. A série de
prec¸osapresentoumédiamensaldeR$478,32,porém
destaca--seque,aolongodosanos,oprec¸odacommodityvarioudeR$
400,00aquaseR$1.000,00.Apartirdamensurac¸ãodaV@R,
estimou-se aperda máxima aceitável parao investimento no
trigo emR$ 228,40 aumníveldesignificânciaestatística de
1%.Paracadatoneladavendidadetrigo,oprodutor/comerciante
podeadmitirumaperdanessaordem.Essesachadosilustramas
flutuac¸õesdosprec¸osdotrigoepodemajudaroentendimentoda
rentabilidadeobservadanoinvestimentoemativosque
depen-dem de previsões mais precisas sobre seus comportamentos
(Lamounier,2007).
Espera-seque,pormeiodasinformac¸õesaquidiscutidas,
pro-dutoresecomerciantesdetrigo,conhec¸ammaisprofundamente
aspectosfinanceiroseestatísticosdosprec¸osdotrigovendido
noParaná.Amanipulac¸ãoeaposteriorimplantac¸ãode
mode-loseconométricosnamodelagememitigac¸ãoderiscopodem
convergirparaumaformulac¸ãomaiscoerentedeestratégiasde
comercializac¸ão de commodities. O objetivo desteestudo foi
investigarqualovaloremrisco(V@R)aumníveldeconfianc¸a
de 1%, parao mercado físico de trigo noEstado do Paraná,
incorporandoàliteraturacorrenteosaspectosdaestrutura
tem-poraldosprec¸osdessacommodity,os quaisainda sãopoucos
exploradosemestudosjápublicados.
Oartigoestáestruturadoemcincosec¸ões.Aprimeira apre-sentaaintroduc¸ãoeasmotivac¸õesdapesquisa.Emseguida,é feitaumarevisãodaliteraturadostemasabordados.Aterceira
sec¸ãocontemplaosaspectosmetodológicosgeraisemodelagem
usada.Naquartasec¸ão,osachadosdoestudosãoapresentados ediscutidose, por último,sãoapresentadas as considerac¸ões finaisnaquintasec¸ão.
Literaturarelacionada
Sériesdetempo
Nelson (1973),BoxeJenkins(1976),GrangereNewbold
(1977) e Morettin eTolói (2006) definem uma série
tempo-ral como uma sequência de dados obtidos em intervalos de
temporegularduranteumperíodoespecífico,queapresentam
umadependênciaseriadaentreasobservac¸ões.Aideiadesérie
temporalestárelacionadaaumconjuntodeinformac¸õessobre
umavariável,ordenadasemumdeterminadointervalodetempo.
DeacordocomPindyckeRubinfeld(2004),pode-seusaresse
comportamentopassadoparaseterbasedeumaprevisãopara
ofuturo.
AndersoneHendry(1971)relataramqueanaturezadeuma
série temporal ea estrutura deseu mecanismo geradorestão
relacionadascomointervalodeocorrênciadasobservac¸õesno tempo.Casoolevantamentodasobservac¸õesdasériepossaser
feito aqualquer momento dotempo, asérie temporalé
clas-sificadacomo contínua, éexpressa porX(t) (Granger,1977).
Entretanto,deacordocomGrangereNelson(1973),namaioria dasséries,asobservac¸õessãotomadasemintervalosdetempo discretoseequidistantes.
Conforme sugerem Morettin e Tolói (2006), uma série
temporal pode ser decomposta nas componentes: tendência,
sazonalidade,cicloecomponentealeatória.Osautoresalegam
quetendência(Tt)éummovimentoregularecontínuodelongo
prazo,quepodeser crescente, decrescenteouconstante,
fun-cionariacomo a“direc¸ão”da série.Asazonalidade (St)seria
a oscilac¸ão que ocorre em um determinado período. Ciclos
(Ct)sãoas oscilac¸ões periódicasdelongo prazoem tornoda
tendência eaComponente Aleatória(at) representaos
movi-mentosaleatóriosexistentesnassériesdetempoequenãosão previstos. Assim, asérie pode ser escrita através da equac¸ão Xt=Tt+St+Ct+at.
Apresenc¸adetaistendênciascaracterizaequilíbrioinstável,
ouseja,asériepossuialgumaformadenãoestacionariedade.
Faz-se necessário então, transformar os dados originais para
encontraromodelomaisrobustoqueseajusteàsérie.Deacordo
comPindyckeRubinfeld(2004),se oprocesso énão
estaci-onário, ou seja, o processo estocásticonão éfixo notempo,
será difícil representar a série em intervalos de tempo
pas-sado.Paraumestudomaisacuradosobresériestemporais,De
Souza(2008)recomendaousodetécnicasespecíficasealgumas
considerac¸õespontuais.Paraesseautor,devemserlevadasem considerac¸ão:
1) Acorrelac¸ãodasobservac¸ões;
2) Aordemtemporaldasobservac¸ões;
3) Fatorescomplicadores(tendênciaseavariac¸ãosazonalou
cíclicapodemserdifíceisdeestimarouremover); 4) Aselec¸ãodemodelos;
5) Saberlidarcomasobservac¸õesperdidasecomdados
dis-crepantesdevidoànaturezasequencial.
Da Silveira Bueno (2011) acrescenta que, além de
técni-cas, éimportante também parao estudo de sériesde tempo,
oconhecimentopréviodosconceitos:
a) Processosestocásticos–processosaleatóriosquedependem
dotempo.
b) Autocovariância e Autocorrelac¸ão – dada uma feitura
particular,s,deumprocessoestocástico,afunc¸ãode Auto-covariânciaédefinidapor:
γjt ≡E(yt−μt)yt−j−μt−j =plim s→∞ 1 s S S=1 (y(s)t −μt)(yt−j(s) −μt−j), se εt∼i.i.N0,σ2 e yt=μ+εt, então: γjt = E (yt−μt)yt−j−μt−j= Eεtεt−j= σ2,j=0 0,j =/ 0 .
(AdaptadodeDaSilveiraBueno,2011).
Coma Autocovariânciaconhecida, aAutocorrelac¸ão pode
serestimadaporpjt= yyotjt Considerandoqueavariânciaédada
porγoteasvariânciasnãocondicionaisdeyt=μ+εteyt=δt+εt
sãoiguais.
c) Estacionariedade–ideiamaisimportanteparaestimac¸ãode umasérietemporal.Atravésdelaépossívelfazerinferências estatísticassobreosparâmetrosestimados.
d) Ergodicidade – a propriedade que permiteque a série de
tempomensureasmédiasemcadaintervalodetempo.
e) Ruídobranco–umasequênciaεtéumruídobrancosepara
cadavalornelativermédiazero,variânciaconstanteenão existirrelacionamentocomqualquerfeituradaprópriasérie (autocorrelac¸ãoigualazero).
Depois de conhecidosos elementosanteriormentecitados,
emdiversassituac¸ões,oobjetivodaanálisedesériestemporais poderáserafeituradeprevisãodevaloresfuturosourelacionar estruturasdeumasérieemrelac¸ãoàoutra.
Volatilidadedepre¸cos
DeacordocomDeOliveiraRibeiroetal.(2010),nosúltimos
20 anos, ocorreuumforte interesse nadinâmica deprec¸o de
commoditiesemfunc¸ãodasalterac¸õesdopadrãodademanda
mundialeocrescimentodosmercadosfuturosdeativos,como
ferramenta degestão deinvestimentos naindústria. Oestudo
davolatilidadeéumadasferramentasestatísticasmais
impor-tantes paraosagenteseconômicos queatuamnomercado de
compraevendadecommodities.Empiricamente,avolatilidade
deumativorepresentaasalterac¸õesocorridasnosseusprec¸os
em razão de diversosfatoresrelacionadosao desempenhoda
empresa emitenteeda conjunturaeconômica. Ainvestigac¸ão
sobreavolatilidadedeprec¸ospermitequeasorganizac¸ões
pro-dutivasconsigamtomardecisõesdeinvestimentoemcontextos
deincerteza,demaneiramaisclaraeeficiente(Bignottoetal.,
2004).
SegundoSwaray(2002),aorigemdavolatilidadeédiferente
deacordocomogrupodecommodity.Nocasodascommodities
agrícolas, avolatilidadeorigina-se, principalmente, de distúr-biosdaoferta.Asflutuac¸õesdedemanda,deumanoparaoutro,
porexemplo,sofremsomentemodificac¸õesmoderadas,aopasso
que a oferta flutua consideravelmente, de acordo com
variá-veis climáticasetécnicas dacultura, além dasexpectativase
dosmovimentosespeculativos.Assim,essesdistúrbios,
combi-nadoscomaelasticidadedeofertaedemandadecurtoprazo,
ocasionamflutuac¸õesdeprec¸osacentuadas.
Avolatilidadedosmercadosfinanceirostemsidoumassunto
degrandeinteressenomeioacadêmicoemfacedaincessante
buscadeanteciparseucomportamento.Asuaprevisãomostra-se importantenaelaborac¸ãodeestratégiasdeinvestimento,análise deriscoeaprec¸amentodeativos.Entretanto,aindanãoháum consensosobreomodelomaisrobustoaseraplicadopara esti-maravolatilidade(Otukietal.,2008).Amaioriadosmodelos
de volatilidade tem propósito de descrever o comportamento
da volatilidadepassada e, pormeiodisto,fazeraprevisão da
volatilidade futura (Arêdes, 2009). Esses modelossão muito
usadosnosmercadosfinanceirosparainvestigaraexistênciade
Emtodaatividadefinanceira,praticamente,sefaz necessá-riaaprevisãodevolatilidade,sejaelaparaagestãoderiscos, precificac¸ão de derivativos, selec¸ão de carteiras, etc. Desse modo,evidencia-seaimportânciadetalprevisão,jáquequando setratacominvestimento,espera-sequeaperdaassumidaseja
amenorpossívelequesetenhaummaiorretornopelo
inves-timentofeito.Porfim,entende-sequeavolatilidade,portanto, estárelacionadaàquantidadedeinformac¸ãoquechegaao mer-cado,que,porsuavez,determinaaatuac¸ãodosnegociadorese, porconsequência,asflutuac¸õesdeprec¸o.Semumaestimativa davolatilidade, é difícilparaos negociadores aidentificac¸ão
dassituac¸ões em queos prec¸os realmenteestejam estimados
corretamente(Campos,2007).
Método
Basededados
Apresentepesquisatemnaturezaexploratóriaecunho quan-titativo.Elausacomobasededadosassériesdeprec¸osdotrigo
doEstadodoParaná.Asériehistóricacompreendeperíodosde
safraseentressafrasde2004a2013.Abasededadosoferecida
peloCepea/Esalq/USPrepresentaosprec¸osmédiosmensaisdo
trigo,emqueoprec¸o médioédadoemtoneladaparao
mer-cadodisponíveleàvista(ovaloraprazoédescontadopelataxa NPR).Osetortritícolafoiescolhidoemvirtudedasua impor-tânciaparaomercadoagrícolabrasileiro,principalmentenoque dizrespeitoàsimportac¸ões(Maggian&Felipe,2009;Brum&
Muller,2010).
Modelagem
ModeloArma(p,q)
OsmodelosArmapodemserentendidoscomoextensõesdos
modelosAReMA.DeacordocomNelson(1973),umasimples
representac¸ãodesseprocessoéexpressaem:
zt =φ1zt−1+...+φpzt−p+δ+ut−θ1ut−1−...−θqut−2
Depoisdajunc¸ãodosmodelosAReMA,tem-seonovo
pro-cesso,cujanomenclaturapassaaserprocessoautorregressivode
médiasmóveisdeordempeq,ouArma(p,q).Geralmente,esse
tipodeprocessooumodelo,éusadoparapoucosparâmetros,
emqueatémesmoumARouMApurosatisfac¸aasexigências
dassériesinvestigadas.
Nelson (1973) afirma que o modelo Arma (1,1) pode ser
expressopelafunc¸ão:
zt =φ1zt−1+δ+ut−θ1ut−1 ou zt=φ21zt−2+(δ+φ1δ)+ut+(φ1−θ1)ut−1−φ1θ1ut−2=φ31zt−3+ (δ+φ1δ+φ21δ)+ut+(φ1−θ1)ut−1+φ1(φ1−θ1)ut−2−φ21θ1ut−3 = δ 1−φ1 + ut+(φ1−θ1)ut−1+φ1(φ1−θ1)ut−2+φ21(φ1−θ1)ut−3+...
Se o processo for estacionário, a soma dos coeficientes
∞
i=0
φi
1(φ1−θ1) deve convergir, então se exige que|φ1| >1,
comonocasodoprocessoAR(1) (Nelson,1973).Porfim,a
func¸ãodeautocorrelac¸ãodoprocessoArma(1,1)édadapor: ρ1=
(1−φ1θ1)(φ1−θ1)
1+θ21+2φ1θ1
;ρj=φ1ρ−1 paraj>1.
Afunc¸ãodeautocorrelac¸ãodoArma(p,q)apresenta aspec-tosdafunc¸ãoMA(q)paraasdefasagensj<q,emdecorrência
da memória do componente de médias móveis durar apenas
q períodos. Já, se as defasagens forem maiores que j+1, os
aspectossãoidênticosaosdeummodeloAR(p)1.Portanto,o
Arma(1,1)éumprocessodemédiamóvelcomordeminfinita.
Noentanto,Nelson(1973)recomendaquesedevaaproximá-lo
comumprocessoMAdeordemfinita,acrescentando
coefici-entespontuaisemqueotermoφ1i (φ1−θ1) torna-semenorque
algumasquantidadesarbitradas.
ModeloGarch
OmodeloGarchbaseia-senaespecificac¸ãodomodeloArch
deordeminfinitaegtpodesermatematizadocomo:
gt =k+ q i=1 αt−iu2 t−1+ p j=1 βt−jg2 t−j (adaptadodeEngle,1982)
DomesmomodoqueomodeloArchdependederestric¸ões
paragt serpositivo paratodot,osmodelosGarchnecessitam
dasrestric¸õesk>0,αi≥0eβj≥0.
Porsuavez,NelsoneCao(1992)notaramqueascondic¸ões
αi≥0eβj≥0 eram suficientemente satisfatórias, mas não
necessárias, e o que acontece muitas vezes na práticaé que
esse modelo é estimado sem essas restric¸ões. É importante
destacar que os modelos Garch são heterocedásticos
condi-cionais, porém apresentam variância incondicional constante.
Paraespecificac¸ãodessafamíliademodelosénecessárioquese admitaadistribuic¸ãocondicionaldostermosdeerro.A litera-turasugere,comcertaconstância,paraousodasdistribuic¸ões normal,tdeStudente/oudistribuic¸ãodoserrosgeneralizados. Valoremrisco(V@R)
OV@Rmedeapiorperda esperadaao longode
determi-nadointervalodetempo,sobcondic¸õesnormaisdemercadoe
emumcertoníveldeconfianc¸a.Adiretrizderiscodeum port-fóliopodeestarassociadaaofatodequeseuretornonumdado
intervalodetemponãoseráconhecidoantecipadamente,
toda-via,existeumconjuntoderetornospossíveisemensuráveis.As
probabilidadesdeocorrênciadecadaumdoselementosdesse
conjuntodeterminarão,emúltimainstância,opotencialdeperda dacarteira.
1 Paramaisinformac¸õessobreprocessos queincorporamtendências
esto-cásticasver:Bollerslev(1986),Enders(1995),HamiltoneSusmel(1994)e
1.000 900 800 700 600 500 400 300 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Figura1.Tendênciadosprec¸osdotrigo(Trigopr) Fonte:Dadosdapesquisa.
Jorion(1999)definiuoV@Remumaposic¸ãocompradaem
um ativo S numhorizonte de tempo j, comprobabilidade p,
em que0<p<1: p=PΔPj≤V@R=Fj(V@R),em que
Pj representa o ganho ou a perda da posic¸ão P, dada por
ΔPj=Pt+j−Pt; Fj(.). Morettin e Tolói (2006) estimam esse
quantil a partir da distribuic¸ão empírica dos retornos. Se o
V@Rcalculado temvalor negativo, éporquequem tem uma
posic¸ãocompradaquesofreperdase Pj < 0.Formalmente,
o V@Rdeum portfóliodeum únicoativocujosretornos(y)
apresentammédia0eVariância2[y∼N(0,σ2)]édadopor:
V@R=Vc.σ.P. Nessa func¸ão, P é o valor de mercado do
portfólio eVc o valor crítico da normal,a umdado nívelde
significância.
Emsuma,oV@Réummétododemensurac¸ãoderiscoque
usatécnicasestatísticaspadrões.Pode-sedizerqueeleapresenta umapredic¸ãodaperdapotencialdeumportfólio,com
determi-nado níveldeconfianc¸a,com baseem umperíodoespecífico
detempodevidoamovimentosdeprec¸osadversosdosativos.
Segundo Jorion (2007), HulleWhite (2004)e Crouhyet al.
(2004),oValue-at-Riskéamedidamaisprecisaparaavaliac¸ão
deriscodemercado.
Resultadosempíricos
Afigura1evidenciaapresenc¸adeumafortevariabilidade
nosprec¸osdacommoditytrigo.Esseelementoépercebidotanto nosciclosquantonassazonalidadesnosprec¸os.Destaca-se
tam-bém o comportamento cíclico dos prec¸os,o que indicauma
imperfeic¸ãonaformac¸ãotemporal,istoé,umagrande variabi-lidadenasinformac¸õesdoativo.Numaúltimainspec¸ãovisual, percebe-seanecessidadedaaplicac¸ãodotestedaraizunitária, paraverificaracondic¸ãodeestacionariedadedasérie.
Afigura2apresentaasériesemdiferenciac¸ãoestatísticado
trigo eevidenciafortessinaisconglomerados devolatilidades
nosprec¸os.Entende-sequetalfenômenopodetersidogerado
pelapresenc¸adeautocorrelac¸ãoserialoriginadada dependên-ciatemporaldasobservac¸ões,indicandoqueasériedeprec¸os dehojeéparcialmenteafetadapelosdiasanteriores.Os
coefici-entesdeautocorrelac¸ãoapresentadosnasequênciaconfirmam
umpadrãoprevisívelparaamédiadeprec¸osdotrigodoParaná. Esteaspectodeformac¸ãodeprec¸opodeestarligadoaofatode queosagentese,principalmente,omercadofísiconão
incorpo-ramtotalmenteasinformac¸õesdemercadonodiaemquesão
divulgadas.
Figura2.ACFePACFdasérieinicialdeprec¸os Fonte:Dadosdapesquisa.
Tabela1
Testedaraizunitária
Hipótesenula:Precotrigoprtemuma raizunitária
Estatísticat Prob. TesteestatísticoADF(Augmented
Dickey-Fuller)
−1.954233 0.6195 Valorescríticosdoteste: 1%level −4.039797
5%level −3.449365 10%level −3.149922 Fonte:Dadosdapesquisa.
ApósafeituradotesteADF(vertabela1),ovalor da pro-babilidadedaexistênciadeumaraizunitáriafoide61,95%.Os valorescríticosdotestesãoinferioresaodaestatísticat,istoé,
assumir-se-áqueahipótesenulasejaválidaouquehajapelo
menosumaraizunitárianasériedeprec¸os.Sabendoquearaiz unitáriaviolaosprincípiosdaestimac¸ãoemsériestemporais,foi implantadaaprimeiradiferenciac¸ãonasérieoriginaldeprec¸os. Pressupostoevidenciado,portanto,aplicou-seadiferenc¸adeum nívelnasériedeprec¸osparacontornarosefeitosindesejadosde autocorrelac¸ãoecicloscomoficouevidenciadonafigura2.
100 50 0 –50 –100 –150 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Figura3.Sériediferenciada(Trigoprd) Fonte:Dadosdapesquisa.
Na figura3,asériediferenciada,queagoraéestacionária,
não apresenta tendência, padrão ou nenhum comportamento
cíclico.Pode-sevisualizartambémumaaltavolatilidadenasérie defasadacomapresenc¸adefortesoutliers.Logo,aexpectativa presentedasériedeprec¸osparaacommoditytrigodifere-seda
expectativadamesmacommodityparaofuturo.
Ao analisar as func¸ões de autocorrelac¸ão (Acf) e
autocorrelac¸ão parcial para a série diferenciada (Pacf) na
figura 4,verifica-se queo processo da defasagemcontorna a
Figura4.ACFePACFdasériediferenciada Fonte:Dadosdapesquisa.
Tabela2
Característicageraldasériedeprec¸osdotrigo
Parâmetros Trigopra Trigoprdb
Média 478,32 −0,61
Assimetria 1,29 −0,19
Curtose 4,37 5,06
Desviopadrãonãocondicional 138,91 33,99 Jarque-Bera 41,88 21,53 p-valorJ-B 0,00 0,00 Fonte:Dadosdapesquisa.
aSérieinicialdeprec¸os.
b Sériedefasadaemumadiferenc¸a.
Tabela3
Testederaizunitária
Critérios Trigoprd
DickeyeFuller(ADF) −5,99
Phillips-Perron(PP) −4,63
Nota:Ovalorcríticoa1%designificânciaé−4,03. Fonte:Dadosdapesquisa.
grandepartedaautocorrelac¸ão apresentada,torna-a umruído
branco e aprimora, portanto, as principais características da
série.Ditoisso,ainda éprecisomodelá-laporalgum método
autorregressivoe/oudemédiasmóveis.
Asérie, nestemomento, assemelha-seaum ruídobranco,
ouseja,aumasériealeatória.Emseguida,foramimplantados
os modelosArma (p,q)eGarch,paramodelaravariância. A
modelagempermitequeaestruturadoscomponentesdasérie
temporalsejadecompostaeinvestigada,conformeilustramas
tabelas2e3.
Comoobservadonatabela2,ascaracterísticasgeraisdasérie deprec¸osinformamqueamédiamensaldosprec¸osdotrigoéde R$478,32.Aassimetriaésignificativaeindicaqueadistribuic¸ão nãoésimétrica.Porconvenc¸ão,quantomaispróximaestiverde zero,aassimetriatendeaserperfeitamentenormal.Ograude curtoseindicaqueadistribuic¸ãoéleptocúrtica, ouseja,mais puntiformedoqueanormal.Oscoeficientesdeassimetriae cur-tosesãoimportantesporqueajudamnaquantificac¸ãodosdesvios dadistribuic¸ãonormal,conformesugereZhou(2002).Otestede
normalidadepropostoporJarqueeBera(1987)demonstrouque
ahipótesenuladadistribuic¸ãonormaldasériedeveserrejeitada,
considerandoump-valorde5%designificância.
Atabela3apresentaoscritériosqueinformamapresenc¸aou
ausênciaderaizunitáriaemsériesdetempo.Odesejávelparaa modelagemdesériestemporaiséqueasériesejaestacionária, istoé,nãocontenharaízesunitárias.Aotomarumadiferenc¸ana sérieoriginaldeprec¸os,oproblemadasraízesunitáriasfoi
resol-vido,conformeindicamosresultadosapresentadosporDickey
eFuller(1979)ePhillipsePerron(1988).
Os testes de Dickey-Fuller Aumentado (ADF) e
Phillips--Perron(PP)reforc¸amoajustedasérieapósaprimeiradiferenc¸a, ouseja,1lag.Apartirdessadiferenciac¸ãoasériepodeser mode-ladaporprocessosmaiscompletos,logo,dentreassimulac¸ões demodelosparasériestemporais,omodeloautorregressivoede
médiasmóveisArma(1,2)conseguiucaptarcommaisrobustez
osefeitosdotemponasériesobreasuamédia.Todavia,é neces-sárioinvestigaravariânciadosresíduos,dessemodo,foifeita
umainspec¸ãovisualnoCorrelogramadasériemodelada(ACF
ePACF),oqueconfirmouoajustedomodeloArmaetambém
revelouanecessidadedechecagemdosresíduos.
OmodeloArma(1,2)resolveuparcialmenteadiferenciac¸ão e estacionariedadedasérie. Entretanto,percebe-seatravés da
figura5,umindicativodeinstabilidadenavariância.Dessemodo
foifeitootestedeheterocedasticidadedeLagrange.Esseteste admitequeahipótesenulaafirma(H0)nãohaver
heterocedasti-cidadecondicionalnavolatilidadedomodelousado.Conforme
indicaatabela4,asériemodeladapeloArma(1,2)apresenta p-valores quesugerem arejeic¸ão de H0 ao longo do tempo.
Todavia,apartirdolag25osp-valoresindicamanãorejeic¸ão
de H0, revelando assim a necessidade de aprimoramento da
sériedeprec¸osmodelada.Dessemodo,implantou-seoprocesso
GARCHparaamédiacondicionaldosresíduos.figura6.
Aoadmitirahipótesedenormalidadedosresíduosdos mode-losajustadosparaamédiacondicionaldabasenaestimac¸ãodos
modelos, adotou-seamatrizdevariância-covariânciaajustada
apresentada por Bollerslev e Wooldridge (1992) no
proce-dimento de estimac¸ão dos modelos da classe Arch. Assim,
combinaram-seváriosmodelosparaamédiadasérie.O
ajusta-mentomaisrobustoponderadopeloscritériosdeinformac¸ãode
Akaike,SchwarzeQuadradodosresíduosfoiobtidopelo
pro-cesso Arma(1,2)paraumGarch(1,1),ajustadosaosresíduos
domodeloArmaparaamédiacondicionaldosretornos.
Asmedidasdosmodelosforamestimadaspeloprocedimento
de NeweyeWest(1987), queostornou substanciais à
Hete-rocedasticidade eAutocorrelac¸ão noprocesso doresíduo.Os
resultadosdaestimac¸ãoparaamédiacondicionaleavolatilidade dosprec¸osdotrigosãoapresentadosnatabela5.
Os critérios de informac¸ão escolhidos para as análises da
estimac¸ãodosmodelosdatabela5foramoAIC,comvalorde
9,36;oSchwarzcom9,48;aestatísticaDurbin-Watson,1,79e
asomadosquadradosdosresíduos.Asfiguras6e7
apresen-tamocomportamentovolátilparaasériedefasadadeprec¸osdo trigoparanaenseeocomparativodaprevisãocomoajusteatual. Destaca-seopicodevolatilidadeentreoanode2008e2009e
oajustepontualdaprevisãoviamodelagemArma(1,2)-Garch
(1,1).
ParaocálculodoV@R,foiestimadaavolatilidade condicio-nalσt/t−1pormeiodoprocessoGarch,descritonatabela5.Em
seguida,foidesenvolvidoointervalodeconfianc¸acom referên-cianadistribuic¸ãocondicionaldasbases.Ousodavolatilidade
condicionalsuavizaproblemasnaestimac¸ão,atribuindomaior
pesoàsobservac¸õesmaisnovas.Foiusadaamédiadosúltimos 10diasdacotac¸ãodasériedeprec¸osdotrigocomoelemento
dereferênciaparacálculodoV@Rhistórico.Dessemodo,foi
consideradaamédia(P)comovalordeR$827,21para
parâ-metroinicialdoprec¸o.Admitiu-seumavariânciade0,11para todooperíodoemanáliseafimdeidentificarovaloremriscoa 1%e5%designificânciaestatística.
Aoimplantaraformulac¸ãodoV@Rpelométododa
variân-ciacondicional(Arma/Garch),épossívelencontrarumpadrão
instávelparaasériedovaloremrisco.Deacordocomos valo-resapresentadosnatabela6,pode-seobservarqueaumnívelde
Figura5.ACFePACFdasériemodeladapeloArma(1,2) Fonte:Dadosdapesquisa.
Tabela4
TestedeHeterocedasticidade
ResíduosArma(1,2)incompletoparaasériedefasada ResíduosGarch(1,1)paraArma(1,2)incompleto
Lag p-valor Lag p-valor
1 0,0000 1 0,0000
5 0,0220 5 0,0000
10 0,0220 10 0,0000
15 0,0084 15 0,0001
25 0,2020 25 0,0000
Fonte:Dadosdapesquisa.
significânciade1%oprodutordetrigotemumaperdamáxima
admitidanaordemdeR$228,40paracadatoneladadetrigo ven-dido.Seguindoomesmoraciocínio,aumníveldesignificância
de5%, o produtor admiteumaperda máxima deR$ 174,19.
figura7.
Afigura8apresentaocomportamentodoV@Raosníveisde
significânciaestatísticade1%e5%,respectivamente.
Percebe--sequeemambososcasosassériesapresentamcomportamentos
similares,porémdemagnitudediferenciada.Essasinformac¸ões
visuaispermitemumamaiorclarezasobreadinâmicadoV@R,
davariabilidadedosprec¸osedavisualizac¸ãodeumvalor em
risco para cada previsão de volatilidade de prec¸os do trigo,
mudandoapenasointervalodeconfianc¸aentreosdoisníveis.
Destaca-sequeoV@Ra1%deconfianc¸aapresentaumstress
maiornasúltimasreferências,jáquenelesobservam-semaiores outliers.
Nafigura9,pode-sevisualizarohistogramadoV@Raum
nívelde1%deconfianc¸a,emqueamédiaédeR$268,97para
cadatoneladadetrigovendido.Aumnívelde5%deconfianc¸a,
conside-200 100 0 –100 –200 –300 3.500 3.000 2.500 2.000 1.500 1.000 500 0 04 05 06 07 08 Forecast of variance 09 10 11 12 13 04 05 06 07 PRECOTRIGOF ± 2 S.E. 08 09 10 11 12 13
Figura6.Previsãoparaasériedeprec¸osdefasada Fonte:Dadosdapesquisa.
radonormal,poiscomoaumentodoníveldeconfianc¸ade1%
para5%,eleva-setambémamargemdoserros.Porfim,
nota--setambémqueosdoisníveisdeconfianc¸a(V@R1%e5%)
apresentamumadistribuic¸ãoassimétricapositivaecurtosesque indicamdistribuic¸ãomaispuntiformequeanormal.
Considerac¸õesfinais
Aindaqueasprevisõesnãotenhamqualidadepreditivamuito
expressivaparaosvalorespontuais,apresentamboaaderência
Tabela6
EstimativasdoValoremrisco(V@R) V@R
1% 5%
R$228,40 R$174,19
Fonte:Dadosdapesquisa.
–150 –100 –50 0 50 100 –150 –100 –50 0 50 100 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013
Residual Actual Fitted
Figura7.Comparativoentreosresíduosdaprevisãoeosvaloresatuais Fonte:Dadosdapesquisa.
quandousadasparaestimativasdocá[email protected]
acon-tece porque a série modelada exibiuboas condic¸õesda série
empírica. Pode-se afirmar, contudo, que os prec¸os do trigo,
mostram umpadrãoassimétricoaoschoquesdeinformac¸ões,
o que revela uma persistência nesses choques, é necessário
algum tempo para dissipar-sepor inteiro.Isso sugere quehá
certaimperfeic¸ãonosmercadosreveladospelaprevisibilidade dastendênciasdeformaforte,emboraerrática,paraosvalores pontuaisdosprec¸os.
A partir do uso das técnicas econométricas aplicadas foi
possívelprecificar avolatilidade doativo e,posteriormente,a
determinac¸ãodovaloremrisco.Asperdasemvaloresmáximos
admitidospelosprodutoresdetrigoaosníveisdeconfianc¸a,de
1%a5%,sãodeR$228,40eR$174,19,respectivamente.Como
nesteestudoofocofoiamensurac¸ãodaperdamáximaaceitável
Tabela5
Estimac¸ãodomodeloArma(1,2)paraGarch(1,1)
Variável Coeficientes Erro-Padrão EstatísticaZ Prob
AR(1) 0,714543 0,118064 6,052184 0,0000 MA(2) −0,369922 0,171928 −2,151610 0,0314 Equac¸ão: c 61,71983 29,30880 2,105505 0,0353 ε2 t−1 0,212219 0,094483 2,246105 0,0247 σ2 t−1 0,727628 0,100608 7,232310 0,0000
R-squared 0,377551 Meandependentvar 3,255690
AdjustedR-squared 0,372091 S.D.dependentvar 34,08025
S.E.ofregression 27,00542 Akaikeinfocriterion 9,367468
Sumsquaredresid 83139,37 Schwarzcriterion 9,486157
Loglikelihood −538,3131 Hannan-Quinncriter 9,415649
Durbin-Watsonstat 1,795987 sa.
VAR1 800 700 600 500 400 300 200 100 800 700 600 500 400 300 200 100 0 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 2004 2005 2006 2007 2008 2009 2010 2011 2012 2013 VAR5 Figura8.V@Ra1%e5% Fonte:Dadosdapesquisa.
24 40 35 30 25 20 15 10 5 0 20 16 12 8 4 0 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 Series: VAR1 Sample 2004M02 2013M11 Observations 115 Series: VAR5 Sample 2004M02 2013M11 Observations 115 Mean 268,9743 Median 215,3600 Maximum 715,1600 Minimum 114,3200 Std. Dev. 136,2710 Skewness 1,156838 Kurtosis 3,952523 Jarque-Bera 29,99771 Probability 0,000000 Mean 157,4843 Median 125,4000 Maximum 732,5800 Minimum 65,72000 Std. Dev. 94,92040 Skewness 2,491843 Kurtosis 13,60965 Jarque-Bera 658,3838 Probability 0,000000 50 100 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700 750 Figura9.HistogramadoV@Ra1%ea5% Fonte:Dadosdapesquisa.
aumníveldesignificânciaestatísticade1%,adotou-se,portanto,
ovalordeR$228,40comoperdamáximanacomercializac¸ão
decadatoneladadetrigoparaosprodutores.
Asinformac¸õesaquiapresentadasediscutidaspodem
for-necer insights exploratórios aos produtores no âmbito da
reduc¸ão de custos produtivos ou no aumento da margem de
comercializac¸ão.Ousodetécnicaseconométricaspodeajudar
namitigac¸ãoderiscoeapoionoprocessodecisóriodo
investi-mentoemcommodities(DosSantosFelipeetal.,2012).Como
sugestão de estudos futuros, indica-se elaborar comparativos
entreprec¸osinternacionaisenacionais, comousodasbolsas deChicago,Londres,dentreoutras.Apartirdessecomparativo pode-setestaraeficiênciadosmercadoseapontar característi-casestruturaisqueatuamexplicitamentenaformac¸ãodeprec¸os decommodities.
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