UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE - CCS
DEPARTAMENTO DE EDUCAÇÃO FÍSICA - DEF
Pole Dance: Dança ou Esporte?
Rossana Oliveira dos Santos
Natal-RN 2018
ROSSANA OLIVEIRA DOS SANTOS
POLE DANCE: Dança ou Esporte?
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Educação Física, orientado pelo Prof. Me. Patrick Ramon Stafin Coquerel.
Natal-RN 2018
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN Sistema de Bibliotecas - SISBI
Catalogação de Publicação na Fonte. UFRN - Biblioteca Setorial do Centro Ciências da Saúde – CCS
Santos, Rossana Oliveira dos.
Pole dance: dança ou esporte / Rossana Oliveira dos Santos. - 2018. 77f.: il.
Trabalho de Conclusão de Curso - TCC (Graduação) - Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Centro de Ciências da Saúde, Departamento de Educação Física. Natal, RN, 2018. Orientador: Patrick Ramon Stafin Coquerel.
1. Dança - TCC. 2. Pole Dance - TCC. 3. Desporto - TCC. 4. Esporte - TCC. 5. Profissional de Educação Física - TCC. I. Coquerel, Patrick Ramon Stafin. II. Título.
RN/UF/BS-CCS CDU 793.3
ROSSANA OLIVEIRA DOS SANTOS
POLE DANCE: Dança ou Esporte?
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito para a obtenção do título de Bacharel em Educação Física.
Orientador: Prof. Me. Patrick Ramon Stafin Coquerel.
BANCA EXAMINADORA
_________________________________________________________________________________ Patrick Ramon Stafin Coquerel
Prof.° Me. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (orientador) Maria Isabel Brandao De Souza Mendes
Prof.ª Drª. Universidade Federal do Rio Grande do Norte (examinadora) Kalina Veruska Da Silva Bezerra Masset
Profª. Drª Universidade Potiguar (examinadora-convidada)
Aprovado em 14 de Setembro de 2018
Dedicatória
Ao meu pai Arlindo (in memoriam) que infelizmente não pode estar presente neste momento tão feliz da minha vida, mas que não poderia deixar de dedicar a ele, pois, se hoje estou aqui, devo muitas coisas a ele e por seus ensinamentos e valores passados. Obrigada por tudo! Saudades eternas!
Agradecimentos
A Deus por ter me dado saúde e força para superar as dificuldades.
A esta Universidade, seu corpo docente, direção e administração que oportunizaram a janela que hoje vislumbro um horizonte superior, eivado pela acendrada confiança no mérito e ética aqui presentes.
Ao meu orientador pelo suporte no pouco tempo que lhe coube, pelas suas correções e incentivos.
A minha mãe, pelo amor, incentivo e apoio incondicional.
Aos meus amigos, companheiros е irmãos na amizade os quais fizeram parte da minha formação е qυе irão continuar presentes em minha vida.
Resumo
As atividades físicas configuram-se como uma necessidade às doenças da modernidade, tais quais: sedentarismo, obesidade e stress, que vêm galgando patamares epidêmicos, as quais podem ser minimizadas e até prevenidas, por intermédio da prática de exercícios físicos. Nesse contexto, o pole dance se caracteriza como uma alternativa para saída do sedentarismo, isso é comprovado pelo número de praticantes no mundo que só aumenta e no Brasil não é diferente. A prática do Pole Dance exige além dos conhecimentos de suas técnicas, os das áreas de anatomia, cinesiologia, biomecânica também para garantir a segurança de qualquer diletante, pois se mal orientados podem sofrer sérios riscos e danos, sejam esses, físicos, sociais e morais. Desta forma, iremos aqui discutir se o Pole Dance é uma dança, uma atividade recreativa ou uma Esporte (Desporto) o qual necessita da supervisão de um Profissional de Educação Física.
Palavras-Chave: Pole Dance, Dança, Desporto, Esporte, Profissional de Educação Física
ABSTRACT
Physical activities are a necessity for the diseases of modernity, such as: sedentarism, obesity and stress, which have reached epidemic levels, which can be minimized and even prevented through the practice of physical exercises. In this context, pole dance is characterized as an alternative to exit sedentarism, this is proven by the number of practitioners in the world that only increases and in Brazil is no different. The practice of Pole Dance requires beyond the knowledge of their techniques, those of the areas of anatomy, kinesiology, biomechanics also to guarantee the safety of any dilettante, because if misguided can suffer serious risks and damages, whether physical, social and moral . In this way, we will discuss whether the Pole Dance is a dance, a recreational activity or a Sport (Sports) which requires the supervision of Professional of Physical Education.
Lista de Figuras
Figura 01: Dança em arte rupestre
Figura 02: Barra removível com palco e barras removíveis (pressão) Figura 03: Mallakhamb Índia
Figura 04: Mallakhamb Índia
Figura 05: Cartaz do espetáculo Moulin Rouge. Figura 06: Atleta Belle Jangles
Figura 07: Fawnia Mondey-Dietrich
Figura 08: Espetáculo "Michel Jackson - ONE" do Cirque du Soleil, recorte do desempenho em Pole Dance.
Figura 09: Atletas praticando pole street. Figura 10: Grazieli Brugner
Figura 11: Pole Fitness. Figura 12: Pole Fitness. Figura 13: Pole Art Figura 14: Pole Art
Figura 15: Pole Burlesco/ Glamour. Figura 16: Pole Burlesco/ Glamour. Figura: 17: Pole Street
Figura 18: Pole Street
Figura 19: Tabela 01.Esporte de acordo com o CONFEF E Tubino (1999)* e caracterização do Pole Dance como Esporte.
Lista de Siglas
a.C – antes de Cristo
CBPD - Confederação Brasileira de Pole Dance
CDDB - Conselho de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro CND - Conselho Nacional de Desportos
CREF - Conselho Federal de Educação Física d.C – depois de Cristo
ELOS -Associação de Amigas do Pole Dance Cearense FBPOLE – de Pole Sport
FGPD – Federação Gaúcha de Pole Dance
FEPAPD – Federação Paulista de Pole Dance Federação Brasileira de Pole Dance FEBAPOLE – Federação Baiana de Pole Dance
FECAPOLE – Federação Catarinense
FPPD – Federação Pernambucana de Pole Dance
GAISF - Global Association of International Sports Federation INDESP - Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto IPSF - Federação Internacional de Pole Esportes
MEC – Ministério de Educação
PNED - Plano Nacional de Educação Física e Desportos POSA - International Pole Sports and Arts Federation PT – Partido dos Trabalhadores
STJ - Superior Tribunal de Justiça WADA - Agência Mundial Anti-Doping
SUMÁRIO Introdução ________________________________________ 12 Metodologia _______________________________________ 13 Justificativa _______________________________________ 14 Problemática ______________________________________ 14 Objetivos _________________________________________ 16 Objetivo geral _____________________________________ 16 Objetivos específicos _______________________________ 16 Hipóteses _________________________________________ 17 Cap.1) História da Dança ____________________________ 18 Cap.2) Evolução do conceito de Esporte e Marcos
Históricos do Ordenamento Legal do Esporte no Brasil __ 26 Cap.3) História do Pole Dance _______________________ 41 Cap.4) Pole dance: Dança ou Esporte? ________________ 50 4.1) Pole Dance Esporte: o conceito___________________ 57 Cap.5) Pole Dance Reconhecido Como Esporte Olímpico _ 59 Cap.6) O Papel Do Profissional De Educação Física No
Contexto Do Pole Dance E Os Riscos Da Pratica Do Pole Dance Sem A Orientação Do Profissional De Educação
Física ____________________________________________ 63
Conclusão ________________________________________ 67
Referências _______________________________________ 69
Introdução
O Pole Dance no Brasil já possui um número significativo de estúdios, instrutores e praticantes, é muito conhecido como dança e por ter um apelo sensual, porém, atualmente, necessita de reconhecimento de maneira diferenciada enquanto esporte, uma vez que apresenta características inerentes ao desporto.
A prática do Pole Dance exige além dos conhecimentos de suas técnicas, os das áreas de anatomia, cinesiologia, biomecânica, entre outras. O profissional que ministra essas aulas deve ter responsabilidade em relação aos seus alunos/praticantes e isso só se dá através de um profissional de Educação Física. Como? E por quê? Será explicitado a seguir.
Metodologia
Segundo Thomas, Nelson e Silverman (2012), o presente trabalho consiste em uma investigação crítica que caracteriza a pesquisa filosófica, na qual o pesquisador estabelece hipóteses, examina e analisa fatos existentes e sintetiza os indícios em um modelo teórico viável.
De acordo com Thomas, Nelson e Silverman (2012), o método filosófico de pesquisa segue os mesmos passos de outros métodos de solução científica de problemas e a abordagem filosófica utiliza fatos científicos como base para formulação e teste de hipóteses de pesquisa, para tal, as crenças são submetidas a uma crítica rigorosa, à luz de suposições fundamentais. E para esses autores a filosofia tem como objetivo geral:
O objetivo geral da filosofia é examinar a realidade por técnicas reflexivas, tipicamente na ausência de conjuntos de dados empíricos sistemáticos e, em geral, sem interesse em fazer afirmações sobre o que determinadas pessoas estavam realmente pensando, em que elas acreditavam ou sentiam em circunstâncias da vida real. Além disso, a pesquisa filosófica tanto complementa as descobertas da ciência quanto interage com elas” (Thomas, Nelson e Silverman, 2012, p.257)
Ainda de acordo com os autores supracitados, existe três subdivisões ou ramos da investigação reflexiva filosófica e nesse trabalho será utilizado a Axiologia, a qual: Enfoca o valor das coisas descobertas, aquisições ou estados de coisas, como aptidão, saúde, conhecimento e excelência (teorias de valor não moral); o comportamento humano, como a quebra de leis esportivas ou o respeito a elas (teorias sobre ética); e, finalmente, a arte e a beleza, como as qualidades de certas rotinas na ginástica (teorias sobre estética). (Thomas, Nelson e Silverman, 2012, p.258)
Além disso:
“Os mais elevados valores da vida, os modos apropriados de se comportar e as qualidades da arte e da beleza (axiologia, incluindo a ética e a estética).” (THOMAS, NELSON & SILVERMAN, 2012, p. 258)
Ainda segundo Thomas, Nelson e Silverman (2012), o raciocínio crítico é um método filosófico que desconstrói ou desmitifica a análise filosófica de muitos tipos, principalmente aquelas que são especulativas por natureza, e tenta descobrir as tendências que moldam as conclusões filosóficas. Algumas filosofias críticas
respeitam todas as tentativas de descobrir a verdade como fútil ou, de outra forma, equivocada.
Justificativa
No sentido acadêmico, pouco se tem discutido sobre a prática corporal e de cultura de movimento Pole Dance, principalmente sobre seu caráter esportivo e sua legitimação.
Com a sistematização da modalidade como esporte, será possível a profissionalização da modalidade (que não é reconhecida atualmente), piso e teto salarial, além da participação da modalidade em eventos esportivos oficiais como as Olimpíadas.
Fui praticante do pole dance em dois estúdios de Natal, e percebi a fragilidade no que concerne aos conhecimentos do corpo humano nas áreas de anatomia, cinesiologia, biomecânica, alongamento. E muitas vezes, por falta de conhecimento ultrapassavam os limites dos alunos. Outras vezes, até presenciei o exercício ilegal da profissão (Profissional de Educação Física).
Problemática
As atividades físicas configuram-se como uma necessidade, deixaram de ser tratadas como modismo ou culto ao corpo. As doenças da modernidade, tais quais: sedentarismo, obesidade e stress, vêm galgando patamares epidêmicos, as quais podem ser minimizadas e até prevenidas, por intermédio da prática de exercícios físicos, e os praticantes indubitavelmente precisam ser protegidos de qualquer diletante, pois, se mal orientados, podem sofrer sérios riscos e danos, sejam estes físicos, sociais e morais, conforme aponta Vargas (2014).
Nesse sentido, a prática do Pole Dance tornou-se um atrativo para a sair do sedentarismo, porém, devemos pensar e discutir seriamente sobre esse assunto. Ele exige ou não a supervisão de um Profissional de Educação Física? É uma Dança ou um Esporte (desporto)?
Em contrapartida, em uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ), em 2017, a posição da corte foi contrária em relação ao caso requerido pelo Conselho Regional de Educação Física do Rio Grande do Sul, o qual interditou um local que oferecia curso de Pole Dance sem ter profissionais formados em Educação Física. O
estabelecimento foi a Júri e o STJ decidiu que a aulas poderiam continuar, pois entenderam de acordo com as provas apresentadas (vídeo) que o Pole Dance é uma dança, não um esporte – portanto, não exige regulação dos conselhos de educação física.
E a partir dessa decisão, o Pole Dance passa, pela jurisprudência brasileira, a fazer parte da mesma categoria de atividades como balé, ioga e artes marciais.
No entanto, é necessário verificar com qual objetivo o Pole Dance está sendo praticado nesses estabelecimentos, uma vez que é sabido que de acordo com o objetivo a prática pode ser caracterizada como desporto e ou de competência do Profissional de Educação Física, como afirma Vargas (2014)
O NÃO Reconhecimento do Pole Dance como Esporte No Brasil.
De acordo com Madeira (2017), no Brasil, o Pole Dance não foi reconhecido como Esporte. Afinal, em 2017, o Superior Tribunal De Justiça (STJ) decidiu que o Pole Dance não era esporte e negou a exigência de registro em Conselho Federal de Educação Física (CREF).
De acordo com informações de Madeira (2017), em Setembro de 2017, a posição da corte foi relativa a um caso em que o Conselho Regional de Educação Física (CREF- RS) do Rio Grande do Sul interditou um local que oferecia curso de Pole Dance sem ter profissionais formados em Educação Física.
Na origem do processo, profissionais de um estúdio que oferecia aulas de Pole dance no Rio Grande do Sul entraram com mandado de segurança na Justiça Federal depois que o CREF interditou suas atividades por falta de registro.
O CREF argumentou que o Pole Dance, na modalidade fitness, seria uma atividade física que não deveria ser enquadrada no conceito de dança ou das demais categorias que não precisam de registro. Segundo a entidade, um dos objetivos do pole dance é o condicionamento físico, o que explicaria a necessidade de supervisão de Profissional de Educação Física.
Em contrapartida, o estabelecimento entrou na Justiça e o STJ decidiu que a aulas poderiam continuar, pois o Pole Dance é uma dança, não um esporte – portanto, não exige regulação dos Conselhos de Educação Física. A partir dessa decisão, o Pole dance passa, pela jurisprudência brasileira, a fazer parte da mesma categoria de atividades como balé, ioga e artes marciais. Segundo o relator, o tribunal de origem analisou as provas, incluindo vídeos de aulas, e concluiu que Pole Dance é uma modalidade de dança, sendo dispensável o registro no Conselho profissional.
O acórdão confirmou decisão monocrática do ministro Sérgio Kukina, relator do caso. Segundo ele, “não é possível extrair dos artigos 2º e 3º da Lei 9.696/98 comando normativo que obrigue a inscrição dos professores e mestres de danças, ioga e artes marciais nos Conselhos de Educação Física”.
O referido acordão está disponível no seguinte endereço eletrônico: https://stj.jusbrasil.com.br/jurisprudencia/514571531/agravo-interno-no-recurso-
especial-agint-no-resp-1602901-rs-2016-0137042-0/relatorio-e-voto-514571557?ref=serp. Objetivos Objetivo geral
Contribuir para que se reconheça a importância e seja exigida a presença de pelo menos um Profissional de Educação Física nas academias e estúdios de Pole Dance, assim como é exigido atualmente nas academias de musculação e ginástica, bem como para a legitimação da atividade como Esporte para que possa ser inserido em eventos olímpicos futuramente.
Objetivos específicos
• Apresentar o Pole Dance como esporte (conceito)
• Explicitar suas características e requisitos que caracterizam o Pole Dance como esporte.
• Explicitar a importância de um Profissional de Educação Física na prática de Pole Dance.
Hipóteses
À luz de Thomas, Nelson e Silverman (2012), a hipótese da presente pesquisa é de que o Pole dance é uma prática desportiva/esportiva e, portanto, necessita da orientação do Profissional de Educação Física para norteá-la.
A hipótese nula é de que o Pole dance é uma dança, uma atividade recreativa e não necessita dessa maneira de um profissional de Educação Física para nortear sua prática, segundo Thomas, Nelson e Silverman (2012).
Capítulo 1 – História da Dança
De acordo com Tadra (2009), a dança é uma das expressões artísticas mais antigas, na pré-história o homem dançava pela vida, pela sobrevivência. Com a evolução do homem, a dança obteve características sagradas, em que os gestos eram místicos e acompanhavam rituais. Na Grécia, a dança ajudava nas lutas e na conquista da perfeição do corpo, já na Idade Média se tornou profana, ressurgindo no Renascimento.
Desde o início da civilização, a dança, antes do desenvolvimento da fala, pode ser uma forma de expressão e comunicação compreendida por todos os povos, por mais distantes que fossem. Era a possiblidade mais simples da representação de suas paixões, angústias, emoções, sentimentos, enfim, de seus pensamentos (TADRA, 2009, p. 19)
As Danças Primitivas: A Dança na Pré-História
De acordo com Santos (2012), os primeiros registros de dança apontam o período paleolítico superior, onde se pode reconhecer, que a dança sempre esteve presente de forma expressiva e natural na declaração corporal do homem. Seja por meio do culto aos deuses, como meio de inspiração, ou sendo apenas para expressar sua cultura. Foi por meio da dança que o homem primitivo estabeleceu a comunicação, determinando assim um diálogo social, e resultando na formação de uma sociedade organizada.
Segundo Santos (2012), a dança nasceu associada às práticas mágicas do homem, com o desenvolvimento da civilização, o rito separou-se da dança.
O homem dançava pela sobrevivência, dançava para a natureza em busca de mais alimentos, água e em forma de agradecimento. A dança era quase um instinto e esses acontecimentos registrados nas paredes de cavernas em forma de desenhos, ficaram conhecidos como arte rupestre (SANTOS, 2012, p.17)
Figura 01: Dança em arte rupestre
Ainda sobre esse tema Tavares (2005) afirma:
Existem indícios de que o homem dança desde os tempos mais remotos. Todos os povos, em todas as épocas e lugares dançaram. Dançaram para expressar revolta ou amor, reverenciar ou afastar deuses, mostrar força ou arrependimento, rezar, conquistar, distrair, enfim, viver! (TAVARES, 2005, p.93)
De acordo com Mendes (1987), a existência da dança remonta aos tempos pré-históricos em algumas cavernas europeias, africanas ou asiáticas, há desenhos dos primeiros homens que praticavam essa arte.
As pinturas e desenhos encontrados nas paredes e tetos das cavernas habitadas pelos homens do Paleolítico Superior, onde não é raro ver-se a representação de figuras humanas disfarçadas de animais, numa atitude de executantes de danças mágicas. (MENDES, 1987, p.8)
Segundo Ribas (1959) a Dança;
[...] aparece registrada nos mais antigos testemunhos gráficos da pré história, documento que datam da última época glaciar, dez a quinze anos antes da nossa era e podem ser observados nas cavernas pré históricas do Levante espanhol – Alpera (Valência) e Cogull (Lérida) – e são semelhantes a outros documentos pré-históricos relativos à Dança encontrados na África do Sul (Rodésia e Orange) e na França (Solutrais e Dourdogne). Tais pinturas rupestres levam-nos a crer que o homem primitivo executava danças colectivas nas quais predominavam os movimentos convulsivos e desordenados [...] (RIBAS, 1959, p.26).]
À luz de Bertoni (1992), a expressão por meio da dança estabeleceu o elo inicial da comunicação coletiva, permitindo a união, a preservação e a cooperação entre os
povos primitivos e através dela de comunicação o homem primitivo, aprimorou seu potencial interno, numa percepção intelectual, social e cultural, adquirindo gradualmente, entendimento de organização, estruturação, divisão de trabalho, e amadurecendo o seu caminho evolutivo, dentro de um esquema coletivo.
Danças Religiosas
De acordo com Schallenberge (2010), “A dança acontece nos mais diferentes espaços de vivência humana. Em todos, ela está repleta de significações. O espaço onde existe a possibilidade de diferenciá-la, ora como sagrada ora profana, é o culto”. Aproximadamente em 4.000 a.C. que a técnica da dança começou a aparecer, danças religiosas incorporando movimentos como o espacate, as danças em casal ou torneios.
A Dança na Idade Antiga
Na concepção de Bourcier (1987):
No antigo Egito a dança era ritualística e tinha características sagradas. Nos templos se encontravam descrições de partes das coreografias [...] em Luqsor, dançarinos com clavas ou bumerangues figuram no cortejo da visita anual do deus Amon, proveniente de Karnak, No templo de Bouto, dançava-se anualmente um combate ritual para celebrar o advento da primavera. [...]. (BOURCIER, 1987, p. 14)
Segundo Almeida (2005), a dança no antigo Egito era ritualística e tinha características sagradas, dançava-se para os Deuses, em casamentos e funerais.
Para Boucier (2001), o Egito praticou amplamente a dança sagrada, a dança litúrgica - principalmente a funerária, para a celebração da primavera, e a dança de recreação.
No Egito havia as danças sacras em homenagem a “Ápis - o touro sagrado” que ocorriam diante de “Hathor - deusa da dança e da música”, e em rituais dedicados principalmente a Osíris, Ísis e Hórus. A seguir - FIGURA 3 - músicos e dançarinos egípcios - Coleção do Metropolitan Museu de Art em Londres (STEWART, 2000, p. 39)
Na Grécia, a dança era utilizada para iniciação de rituais religiosos, os gregos acreditavam no poder mágico que a música transmitia. As danças também serviam como instrumento de preparação física dos guerreiros e sempre eram feitas em grupos. Além disso, foi muito difundida na Grécia Antiga sendo importante no teatro, em que se manifestava por meio do coro. E sobre isso Bourcier (1987) diz:
Na Grécia antiga existiam muitos grupos e locais específicos para as danças, bem como diferentes tipos de danças que eram denominados “choros” - havia o”coro“ dos rapazes, o “coro” das virgens, o “coro” das mulheres, e as danças bélicas dos guerreiros. A dança e a música eram então inseparáveis (BURKERT, 1993, p. 212).
Ainda de acordo com Burkert (1993), na Grécia, a dança também se originou de rituais religiosos. Os gregos acreditavam no seu poder mágico, assim os vários deuses gregos eram cultuados de diferentes maneiras, preparavam fisicamente os guerreiros e sempre eram feitas em grupos. Os dançarinos da civilização grega praticavam Danças religiosas, Danças dramáticas, Danças líricas e Danças especiais. Ainda segundo com Burkert (1993), a dança tinha diversas funções para os antigos entre elas:
• Comunicar-se e criar amizades durante as interações sociais; • Rezar para um deus durante cerimônias oficiais e rituais religiosos; • Para curar enfermos, especialmente durante as danças macabras; • Expressar sentimentos ao sexo oposto ou à família.
Dança na Idade Média
Segundo Santos (2012), a dança, no período da Idade Média, como diversos outros movimentos artísticos, sofreu um retrocesso, foi considerada profana por se utilizar do corpo como forma expressão, sendo praticada nessa época pelos camponeses.
De acordo com Perna (2001), em 1661 foi criada a primeira escola de dança do mundo e tinha como objetivos a formação do corpo, despertar o patriotismo e com fins profissionais na formação artística. Assim como também a música passou a ser vista como uma das artes mais honesta e necessária na formação do corpo e para criar hábitos em relação à prática de exercícios físicos.
Na Idade Média, para a Igreja:
A dança na Idade Média era proibida pela Igreja, pois toda manifestação corporal, segundo o cristianismo, era pecado, assim como seus registros.
Porém, os camponeses, de forma oculta, continuavam executando suas danças que saudavam suas crenças e manifestações populares. Depois de várias tentativas de proibição, a Igreja sentiu a necessidade de tolerar essas danças e, por não conseguir extingui-las, deu um ar de misticismo nas manifestações pagãs (TADRA, 2009, p. 23)
Santos (2012) descreve que ainda no período da Idade Média, a dança passa a ser apenas divertimento A evolução dessa atividade prossegue apenas nesse contexto, sendo a dança-espetáculo, que é cultivada ates os dias atuais.
“No século XV a dança como demais artes, recomeça a florescer nessa época, adquirindo determinadas regras conforme o gosto da nobreza reinante” (HASS; GARCIA, 2003, p. 75)
Segundo Ried (2003), os ingleses viam na música um espírito esportivo contribuindo para a sistematização da Dança de Salão, deixando de ser um "hobby" e passando a ser praticada como um esporte, regido por regras e normas que permitissem o "fair play" a comparação prática da atuação dos concorrentes.
Santos (2012) acrescenta que “Essa modalidade de dança social foi se desenvolvendo como parte dos costumes e tradições de um povo expressando na integra a sua manifestação cultura” (SANTOS, 2012, p.20). Dessa forma a dança é:
Transmitida de geração a geração, é uma das formas de dança mais antigas, datando desde a época das culturas tribais evoluídas que estabeleceram ligação com as grandes civilizações da história. A principal característica dessa dança é a integração, socialização, prazer, divertimento, respeito aos costumes e tradições” (HASS; GARCIA, 2003, p.121).
Por outro lado, em 465 d.C. até 1453 - a Idade das Trevas - as danças passam a ser consideradas ritos de orgia e o “culto” ao corpo passa a ser considerado como pecado. Em razão da forte influência da autoridade eclesiástica, as danças tornam-se proibidas (MENDES, 1987).
As Principais Danças do Período Medieval, de acordo com Superprof (2017):
• Estampie: era apreciada pela corte francesa, uma espécie de sapateado acompanhado por música instrumental;
• Saltarello: popular entre as cortes medievais e renascentistas italianas. Leve e alegre, era uma “dança saltitante”;
• Carola: modalidade de maior registro de dança na Idade Média, desde os séculos XII e XIII. Praticada por um grupo de dançarinos de mãos dadas e em círculos;
• Branle: uma dança de camponeses em que os dançarinos seguiam o líder; • Tarantela: popular entre os séculos XIV e XV na região da Campania, Itália. Por isso, a origem de seu nome que deriva de Taranto, cidade no sul da Itália. Consiste na troca rápida de casais e o ritmo aumenta progressivamente.
Dança de Camponeses no século XV
Segundo Brasil, Paraná (2018), durante o período do renascimento a dança ressurge, é apreciada pela nobreza adquirindo um aspecto social e tornando-se mais complexa, passa a ter estudos específicos feitos por pessoas e grupos organizados, sendo conhecida como balé, o uso do termo balé, na época balleto, significava um conjunto de ritmos e passos e deu origem repertórios de movimentos estilizados até então a dança era algo improvisado.
De acordo com Brasil, Paraná (2018), a moda do balleto na Itália se espalhou pela França durante o século XVI (considerado o grande século do balé), saindo dos salões e transferindo-se para os palcos, provocando mudanças na maneira de se apresentar, dando origem aos espetáculos de dança.
Ainda segundo Brasil, Paraná (2018) o drama-balé-pantomima no século XVIII é executado nos palcos dos teatros por profissionais de ambos os sexos, a dança adquire todo o seu esplendor, com ricos e belos cenários e figurinos, os bailarinos começam a usar sapatilhas, completando a revolução, o balé passa a contar uma história com começo, meio e fim.
O termo Romantismo foi absorvido pelo balé que contava histórias de fadas, bruxas e feiticeiras, procurou então recuperar a harmonia entre o homem e o mundo, conforme cita Brasil, Paraná (2018).
Brasil, Paraná (2018) afirma que na segunda metade do século XIX uma mulher novamente iria revolucionar toda a dança, era Isadora Duncan, provocando uma imensa renovação com uma dança mais livre, mais solta, mais ligada à vida real.
A Dança Na Idade Moderna
De acordo com relatos de Hass e Garcia (2003), a dança moderna é um indeferimento da formalidade que existe no balé, com a realização de movimentos mais expressivos, mais livres, porém, ainda não conseguem romper completamente com a estrutura que possui os movimentos de um balé clássico.
No início do século XX, novas ideias em todas as áreas do conhecimento, foram surgindo, entre elas as artes cênicas, concentrando-se na dança em específico. Hass e Garcia (2003) relatam que “A dança não escapou à regra; transformou-se através de toda uma geração de bailarinos, coreógrafos, intelectuais que pensavam a dança para além das dimensões até então existentes” (HASS; GARCIA, 2003, p.88)
A Dança Contemporânea
Para Siqueira (2006), a arte contemporânea é a ruptura com aquilo que conhecemos como arte e na dança contemporânea isso não é diferente. A contemporaneidade fica mais evidente, pois ela deixa de ter uma estrutura clara, preocupando-se mais com a transmissão de conceitos, ideias e sentimentos do que com a estética.
Segundo Santos (2012), a Dança Contemporânea surgiu na década de 1960, como uma forma de protesto ou rompimento com a cultura clássica, foi um período de intensas inovações e experimentações, que muitas vezes beiravam a total desconstrução da arte. Finalmente - na década de 1980 - a dança contemporânea começou a se definir, desenvolvendo uma linguagem própria, os movimentos rompem com os movimentos clássicos e os movimentos da dança moderna, modificando o espaço, usando não só o palco como local de referência.
Em consonância com Santos (2012), a Dança Contemporânea pode ser definida como uma explosão de movimentos e criações, o bailarino escreve no tempo e no espaço conforme surgem e ressurgem ideias e emoções e os temas refletem a sociedade e a cultura nas quais estão inseridos, uma sociedade em mudança, são
diversificados, abertos e pressupõem o diálogo entre o dançarino e o público numa interação entre sujeitos comunicativos. O corpo é mais livre, pois é dotado de maior autonomia.
Capítulo 2 – A Evolução do Conceito de Esporte
Segundo Tubino, Garrido e Tubino (2006) o Esporte deve ser dividido em: Esporte Antigo, Esporte Moderno e Esporte Contemporâneo.
Esporte Antigo: O Esporte e As Civilizações Antigas
De acordo com Tubino (2010), na Antiguidade, as práticas esportivas não se assemelhavam com as que conhecemos hoje. Em detrimento disso foram conceituadas como práticas pré-esportivas, entre elas algumas eram úteis para a sobrevivência do homem, como a corrida e a caça. Outras eram mais uma preparação para guerras, como a esgrima e as luta, entre elas devem-se destacar:
Chinesa – lutas chinesas, tiro ao arco chinês, esgrima de sabre, T’suChu e artes marciais chinesas;
Egípcia – arco e flecha, corrida, saltos, arremessos, equitação, esgrima, luta, boxe, natação, remo, corridas de carros e jogos de pelota;
Etrusca – duelos armados;
Hitita – equitação, natação, remo, esgrima, tiro e luta; Japonesa – Artes marciais.
A maioria dessas práticas pré-esportivas do Esporte Antigo desapareceram com o tempo. Outras se transformaram em Esportes Autótonos, que podem ser considerados “esportes puros”, isto é, esportes que continuaram a ser praticados ao longo do tempo sem receber influências de outras culturas. Quando os Esportes Autótonos permanecem como prática, mas com modificações de outras culturas, geralmente de nações colonizadoras, passam a ser chamados Esportes ou Jogos Tradicionais (TUBINO, 2010, p.21).
Os Jogos Gregos como Primeiras Manifestações Esportivas: Primeira Concepção de Esporte
Os jogos gregos foram considerados como as primeiras manifestações esportivas. Eram “festas populares, religiosas, verdadeiras cerimônias pan-helênicas, cujos participantes eram as cidades gregas” (TUBINO, 2010, p. 22).
Como exemplo dos Jogos Gregos, podemos citar os Jogos Fúnebres, os Jogos Píticos, os Jogos Ístmicos, as Panatenéias, outros Jogos e principalmente os Jogos Olímpicos da Antiguidade.
Os Jogos Fúnebres, segundo os escritos de Homero, eram em homenagem a figuras de destaque nas cidades gregas que haviam morrido. Homero cita a homenagem a Pátroclo, Tleopolino e às vítimas das batalhas da Maratona (490 a.C.) e Salamina (480 a.C.).
Os Jogos Píticos eram celebrados em homenagem a Apolo e foram criados em 528 a.C., em Delfos.
Os Jogos Ístmicos tinham as mesmas competições dos Jogos Olímpicos e eram celebrados em Corinto, de dois em dois anos.
Os Jogos Nemeus eram disputados em honra a Zeus de Kleonae. Foram os últimos Jogos a desaparecer.
Os Jogos Olímpicos da Antiguidade, principal manifestação esportiva de toda a Antiguidade, eram celebrados em Olímpia, Élida, num bosque sagrado chamado “Altis”, em homenagem a Zeus Horquios, a cada quatro anos. Esses Jogos eram anunciados pelos arautos e desenvolvidos pelos helenoices. As principais provas eram: corrida de estádio, corrida do duplo estádio, corrida de fundo, luta, pentatlo, corrida das quadrigas, pancrácio, corrida de cavalos montados, corrida com armas, corrida de bigas, pugilato e outras trazendo dessa maneira a primeira concepção de Esporte.
O Esporte Moderno
Segundo Tubino, Garrido e Tubino (2006), o Esporte Moderno foi criado pelo inglês Thomas Arnold, diretor do Rugby College, que, a partir de 1820, começou a codificar os jogos existentes com regras e as competições. Rapidamente a ideia de Arnold se estendeu por toda a Europa. Com essa ideia surgiram os clubes esportivos, originados no Associacionismo inglês. Esse Associacionismo tornou-se o primeiro suporte para a Ética esportiva. O Esporte Moderno recebeu um grande estímulo com a restauração dos Jogos Olímpicos por Pierre de Coubertin, em 1896 (Atenas). O reinício do movimento olímpico consolidou o Esporte e ainda trouxe o segundo suporte da Ética esportiva: o Fair-play. A chegada do Olimpismo fixou o amadorismo como uma das referências.
Naquele contexto do século XIX, o esporte, principalmente na Inglaterra, era praticado pela aristocracia e alta burguesia, que tinham suas práticas esportivas
voluntárias e seu profissionalismo. O amadorismo era uma defesa contra o ingresso popular na prática do esporte.
O Conceito de Esporte: Da Origem à Contemporaneidade A Origem
De acordo com Tubino (1999), o conceito de esporte tem origem no século XIV quando os marinheiros usavam as expressões "fazer esporte”, desportar-se ou "sair do porto" para explicar seus passatempos que envolviam habilidades físicas.
Ainda de acordo com Tubino (1999), no Brasil, houve divergência sobre a utilização dos termos desporto ou esporte. Como os portugueses usavam desporto, o Brasil, em 1941, optou também por desporto. Essa opção teve a influência de João Lyra Filho, que redigiu o decreto- lei nº 3199 de 1941, a primeira lei de esporte no Brasil que institucionalizou o esporte nacional.
Lyra Filho escolheu o termo desporto após consultar Antenor Nascentes, e desde então essa palavra vem se mantendo nos textos legais, inclusive na Constituição de 1988 (artigo 217), em que o esporte apareceu pela primeira vez como matéria constitucional. (…)”
Tubino (1999) também aponta diferenças entre os termos desporto e esporte o desporto pode ser caracterizado como gênero, pois abrange todas as práticas, inclusive as lúdicas, sem regras formais, tendo como exemplo um jogo de futebol de meninos realizado na rua ou várzea. Já o Esporte, consagra a prática com as regras estabelecidas e respeitadas, ou seja, o mesmo jogo de futebol dos meninos, com a mesma essência, mas praticado em um campo gramado, com a metragem correta, regulamentada de acordo com todas as normas específicas dessa prática.
Conceito de Esporte na Contemporaneidade: O Esporte Contemporâneo “Na verdade, o Esporte Contemporâneo é apenas uma etapa, atual, do processo histórico esportivo, instalado na humanidade desde os tempos antigos”. (TUBINO, 2010. p.18 )
De acordo com Barbanti (2011), há ainda a possibilidade que algumas atividades possam ser classificadas como esporte sob certas circunstâncias, mas não quando essas circunstâncias mudam, nesse sentido, há três condições a considerar no desenvolvimento de uma definição de esporte:
1 – Esporte refere-se a tipos específicos de atividades;
2 – Esporte depende das condições sob as quais as atividades acontecem; 3 – Esporte depende da orientação subjetiva dos participantes envolvidos nas atividades.
A participação nessas atividades pode acontecer em situações que vão do informal e desestruturada ao formal e organizada, “Certamente, nem todas atividades que envolvem habilidades motoras complexas ou esforços físicos vigorosos seriam classificados como esporte. As atividades devem acontecer sob certas condições”. (BARBANTI, 2011, p.55)
Segundo Barbanti (2011), uma das definições afirma o mesmo é caracterizado por alguma forma de competição que ocorre sob condições formais e organizadas. Ou seja, o fenômeno esporte envolve uma atividade física competitiva que é institucionalizada. Competição neste caso é definida como um processo através do qual o sucesso é medido diretamente pela comparação das realizações daqueles que estão executando a mesma atividade física, com regras e condições padronizadas.
Nesse contexto, a Resolução de nº 046/2002 CONFEF, definiu Esporte ou Desporto/Esporte da seguinte maneira:
Esporte ou Desporto é uma atividade competitiva, institucionalizada, realizada conforme técnicas, habilidades e objetivos definidos pelas modalidades esportivas, determinada por regras preestabelecidas que lhe dá forma, significado e identidade, podendo também, ser praticado com liberdade e finalidade lúdica estabelecida por seus praticantes, realizado em ambiente diferenciado, inclusive na natureza (jogos: da natureza, radicais, orientação, aventura e outros), cuja aplicabilidade pode ser para a promoção da saúde e em âmbito educacional de acordo com diagnóstico e/ou conhecimento especializado, em complementação a interesses voluntários e/ou organização comunitária de indivíduos e grupos não especializados. (CONSELHO FEDERAL DE EDUCAÇÃO FÍSICA, 2002)
Marcos Históricos do Ordenamento Legal do Esporte no Brasil: processo de institucionalização do Esporte no Brasil
De acordo com Cunha (2013), a normatização do desporto no Brasil pode ser dividida em três períodos: o primeiro que se inicia no Brasil colônia e vai até o início do período do Estado Novo; o segundo de 1941 até a metade da década de 80 (entre 1985 e 1988); o terceiro compreende o final do segundo período até os dias atuais.
Do Brasil Colônia ao Estado Novo Brasil Colônia
Para Vincentino (1997), durante o período do Brasil Colônia nenhum tipo de normatização havia para o esporte e isso é justificado com vários livros de História do Brasil.
De acordo com Silva (2008):
“O que aconteciam de fato eram práticas corporais ou práticas esportivas utilitárias realizadas pelos índios e os colonizadores. Práticas estas, como o arco e flecha, a canoagem, equitação, pesca, corridas, relacionadas de fato a sobrevivência dos seus praticantes.” (SILVA, 2008, p.71)
Brasil império
Para Tubino (2002), no Brasil império a novidade nas práticas esportivas foi um conjunto de decretos específicos para as escolas militares, os quais estabeleceram a obrigatoriedade de algumas práticas esportivas. Como os Decretos nº 2.116, de 11/03/1858, o de nº 3.705 de 22/09/1866, o de nº 4.720, de 22/04/1871, o de nº 5.529 de 17/01/1874, o de nº 9.251 de 16/06/1884 e o de nº 1.0202 de 09/03/1889.
Também de acordo com Tubino (2002), esses decretos aumentaram a realização das práticas esportivas inclusive em colégios civis oficiais, como o Pedro II, a Educação Física essas práticas desportivas eram consideradas concomitantemente, porém, as competições esportivas já estavam acontecendo isoladamente das sessões de Educação Física.
Da República ao Início do Estado Novo
Segundo Cavalcante (2017), o que acontecia no período republicano eram práticas informais de esporte. Ruy Barbosa defendia a inclusão da Educação Física no sistema de ensino brasileiro e em 1882 é emitido um Parecer positivo da Comissão Imperial de Instrução Pública. Algumas práticas esportivas já se organizavam e as que se destacavam na imprensa do Rio de Janeiro eram o Turfe, Remo, Natação, Ciclismo e Atletismo. O futebol ainda não era praticado sistematicamente no Brasil. Somente na década de 1930 este esporte começa a ganhar notoriedade.
Segundo Pimentel (2007), da metade do século XIX até o Estado Novo, o Esporte desconheceu a interferência do poder governamental.
“Nesse período toda a organização; estruturação e funcionamento advinham das entidades organizadas pela sociedade civil, sendo atividade social e não atividade de governos”. (PIMENTEL, 2007, p.44),
E de acordo com Veronez (2005):
“Antes de o governo tutelar o esporte, vários clubes já tinham sido criados e estavam regimentalmente ordenados; diferentes entidades voltadas à gestão do esporte já se encontravam estatutariamente organizadas” ( p.169)
Estado Novo - Militarismo
Segundo Cunha (2013), a partir de 1938 o Estado passou a ter necessidade de regulamentar o esporte e surgiu então a primeira legislação nacional o decreto-lei n° 3.199/41, definindo as bases de organização do desporto e criando o Conselho Nacional de Desportos, órgão este que prosseguiria com a regulamentação esportiva no Brasil. O qual tinha obrigação de orientar, fiscalizar e incentivar. Foi a Primeira legislação esportiva oficial do Brasil, Estabeleceu também como devem ser realizadas a Criação das Confederações, Federações Estaduais, Ligas e Associações Esportivas, (BRASIL, 1941). Ou seja, a Lei 3199/41 cria, dá funções, submete as confederações esportivas à ordem esportiva nacional. Para esta orientação ou fiscalização do CND o então decreto de lei colocou as confederações, federações, ligas e associações desportivas sob a tutela do CND, assim como também os
desportos universitários e os da Juventude, bem como os da Marinha, Exército e os das forças policiais (Artigos 9º, 10º e 11º)
Em relação às competições, essa legislação deixa claro que a participação de qualquer entidade desportiva em competições internacionais tem que ser aprovada pelo CND (BRASIL, 1941, art.27).
O fato a destacar nessa legislação era que o CND, órgão regido pelo governo, tinha a intenção clara de gerenciar, de acordo com os moldes do governo todo o desporto brasileiro, mostrando, como cita Tubino (2002), a intenção do Estado em controlar e estabelecer uma tutela no esporte nacional. Evidenciando uma dependência das entidades esportivas ao Estado, lançando base de uma tutela e de um paternalismo estatal no esporte.
Melo Filho (1995, p.26) analisa esta legislação da seguinte maneira:
O Decreto-lei 3199/1941, nos seus 61 dispositivos, cuidou dos mais variados aspectos, traçando o plano de sua estruturação, regulamentando as competições desportivas, adotando medidas de proteção, consagrando o princípio de que as associações desportivas exerciam atividades de caráter cívico, dispondo sobre a adoção de regras internacionais, proibindo o emprego de capitais com o objetivo de auferir de lucros, impondo a obrigatoriedade da atenção dos desportos amadores às associações que mantivessem o profissionalismo, de modo a evitar o efeito desportivo.
Organização das Confederações dos Desportos
De acordo com Cavalcante (2017), as Confederações teriam que ser formadas com no mínimo três federações estaduais do mesmo desporto. Já as Federações, somente poderiam existir uma de cada esporte em cada estado e somente poderiam ser formadas com no mínimo três associações ou ligas desportivas que tratem do mesmo desporto.
Período de Ditadura Militar - Educação Física Esportivista
1964 – Decreto n° 53.741, Dispõe sobre a execução do Plano Diretor de Educação Física e dos Desportos. (BRASIL, 1964)
Art 1º. Fica a Divisão de Educação Física, do Ministério da Educação e Cultura, autorizada, por intermédio da Campanha Nacional de Educação Física, a promover as medidas necessárias à execução do Plano Diretor de Educação Física e dos Desportos.
Art 2º. O Plano Diretor de Educação Física e dos Desportos brasileiros objetiva:
I - Assegurar conveniente e progressivo desenvolvimento das atividades físico-recreativo-desportivas no meio escolar, universidades e na comunidade.
II - Dar maior amplitude e aprimoramento ao ensino técnico-desportivo nas escolas e cursos de formação de especializados.
O poder da ditadura militar se refletia também no esporte. Tubino (2002) destaca que a legislação esportiva teve uma modernização com esse decreto-lei, contudo, a ação tuteladora do Estado prosseguia. Isso fica evidenciado no art. 7º da referida lei, que dispunha sobre os recursos da União destinados ao esporte:
Lei nº 6.251 de 1975
Essa lei instituiu normas gerais sobre desportos, e dá outras providencias. Um fato a destacar nesta lei é que ela comenta sobre a Política Nacional de Educação Física e desporto, de acordo com Brasil (1975).
Artigo 5º O Poder Executivo definirá a Política Nacional de Educação Física e Desportos, com os seguintes objetivos básicos: I - Aprimoramento da aptidão física da população. II - Elevação do nível dos desportos em todas as áreas; III - Implantação e intensificação da prática dos desportos de massa; IV - Elevação do nível técnico-desportivo das representações nacionais; V - Difusão dos desportos como forma de utilização do tempo de lazer
Quanto aos recursos financeiros dispõe:
Art. 7º O apoio financeiro da União aos desportos, orientado para os objetivos fixados na Política Nacional de Educação Física e Desportos, será realizado à conta das dotações orçamentárias destinadas a programas, projetos e atividades desportivas e de recursos provenientes:
I– do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação; II– do Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Social;
IV– de receitas patrimoniais; V– de doações e legados; e VI– de outras fontes.
Este decreto de lei de 1975 comentou também sobre o Comitê Olímpico Brasileiro em seus artigos 23, 24 e 25. Afirma que é uma associação civil constituída, de acordo com a lei e em conformidade com as disposições estatutárias e regulamentares do Comitê Olímpico Internacional, com independência e autonomia para organizar e dirigir, com a colaboração das confederações desportivas nacionais dirigentes do desporto amador, a participação do Brasil nos Jogos Olímpicos, Pan-Americanos e em outros de igual natureza, além de promover torneios de âmbito nacional e internacional; adotar as providências cabíveis para a organização e realização dos Jogos Olímpicos, Pan-Americanos e outros de igual natureza, quando o Brasil for escolhido para sua sede dentre outras coisas (BRASIL, 1975).
O Plano Nacional de Educação Física e Desportos
Art. 6º Caberá ao Ministério da Educação e Cultura elaborar o Plano Nacional de Educação Física e Desportos (PNED), observadas as diretrizes da Política Nacional de Educação Física e Desportos. (BRASIL, 1975).
O PNED atribuirá prioridade a programas de estímulo à educação física e desporto estudantil, à prática desportiva de massa e ao desporto de alto nível (BRASIL, 1975).
O Esporte enquanto Direito Social - Marco Constitucional
De acordo com Brasil (1988), o desporto está esculpido como sendo direito inerente de cada um, cabendo ao Estado o fomento da prática desportiva.
De acordo com o Art. 217 da Constituição Brasileira de 1988 é dever do Estado fomentar práticas desportivas formais e não formais, como direito de cada um, observados
I - a autonomia das entidades desportivas dirigentes e associações, quanto a sua organização e funcionamento;
II - a destinação de recursos públicos para a promoção prioritária do desporto educacional e, em casos específicos, para a do desporto de alto rendimento;
III - o tratamento diferenciado para o desporto profissional e o não- profissional; IV - a proteção e o incentivo às manifestações desportivas de criação nacional. Lei 8.672 de 1993 (Lei Zico)
A partir de 1985, com a chegada da Nova República, um período de ruptura do status quo ocorreu na ordem jurídica esportiva nacional, abrindo-se novas oportunidades, até então inibidas pela legislação anterior (TUBINO, 2002, p.91)
A referida lei Institui normas gerais sobre desportos e dá outras providências. Art. 1º desporto brasileiro abrange práticas formais e não-formais e obedecer às normas gerais desta lei, inspirado nos fundamentos constitucionais do Estado Democrático de Direito.
§ 1º A prática desportiva formal é regulada por normas e regras nacionais e pelas regras internacionais aceitas em cada modalidade.
§ 2º A prática desportiva não formal é caracterizada pela liberdade lúdica de seus praticantes.
Art. 3º O desporto como atividade predominantemente física e intelectual pode ser reconhecido em qualquer das seguintes manifestações:
I - desporto educacional, II - desporto de participação, III - desporto de rendimento
Nesse contexto houve a Redução drástica da interferência do Estado no esporte, passando para a iniciativa privada grande parte deste poder.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – 1996
(BRASIL, 1996) A lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional sancionada originalmente em 20 de dezembro de 1996 sobre o N° 9.394, pelo então Presidente da República Fernando Henrique Cardoso.
(BRASIL, 2003) Lei das Diretrizes e Bases da Educação Nacional foi alterada pela Lei no 10.793, de 1º de dezembro de 2003 e dispõe:
Parágrafo 3o A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é
componente curricular obrigatório da educação básica.
A educação física, integrada à proposta pedagógica da escola, é componente curricular obrigatório da educação básica, sendo sua prática facultativa ao aluno:
I – que cumpra jornada de trabalho igual ou superior a seis horas; II – maior de trinta anos de idade;
III – que estiver prestando serviço militar inicial ou que, em situação similar, estiver obrigado à prática da educação física;
IV – amparado pelo Decreto-Lei no 1.044, de 21 de outubro de 1969;
V – (VETADO) VI – que tenha prole. Art. 2o (VETADO)
Lei 9.615 de 1998 Lei Pelé
Brasil (1998), institui normas gerais sobre desporto e dá outras providências. Afirma:
Art. 1o O desporto brasileiro abrange práticas formais e não-formais e obedece
às normas gerais desta Lei, inspirado nos fundamentos constitucionais do Estado Democrático de Direito.
§ 1o A prática desportiva formal é regulada por normas nacionais e
internacionais e pelas regras de prática desportiva de cada modalidade, aceitas pelas respectivas entidades nacionais de administração do desporto.
§ 2o A prática desportiva não-formal é caracterizada pela liberdade lúdica de
seus praticantes.
Brasil (1998), DA NATUREZA E DAS FINALIDADES DO DESPORTO, MERECE DESTAQUE O CAP III;
Art. 3o O desporto pode ser reconhecido em qualquer das seguintes
manifestações:
I - desporto educacional, praticado nos sistemas de ensino e em formas assistemáticas de educação, evitando-se a seletividade, a hipercompetividade de seus praticantes, com a finalidade de alcançar o desenvolvimento integral do indivíduo e a sua formação para o exercício da cidadania e a prática do lazer;
II - desporto de participação, de modo voluntário, compreendendo as modalidades desportivas praticadas com a finalidade de contribuir para a integração dos praticantes na plenitude da vida social, na promoção da saúde e educação e na preservação do meio ambiente;
III - desporto de rendimento, praticado segundo normas gerais desta Lei e regras de prática desportiva, nacionais e internacionais, com a finalidade de obter resultados e integrar pessoas e comunidades do País e estas com as de outras nações.
IV - desporto de formação, caracterizado pelo fomento e aquisição inicial dos conhecimentos desportivos que garantam competência técnica na intervenção desportiva, com o objetivo de promover o aperfeiçoamento qualitativo e quantitativo da prática desportiva em termos recreativos, competitivos ou de alta competição.
§ 1o O desporto de rendimento pode ser organizado e praticado.
I - de modo profissional, caracterizado pela remuneração pactuada em contrato formal de trabalho entre o atleta e a entidade de prática desportiva;
II - de modo não-profissional, identificado pela liberdade de prática e pela inexistência de contrato de trabalho, sendo permitido o recebimento de incentivos materiais e de patrocínio;
Tubino (2002) destaca um fato interessante que ocorreu no período entre a Lei Zico e a Lei Pelé, que foram várias discussões à cerca da tentativa de os atletas conseguirem passe livre.
De acordo com Cavalcante (2017) a Lei Pelé trouxe alguns avanços com relação a Lei Zico, são elas:
Regulação do “passe” livre dos atletas os quais devem desempenhar suas atividades atreladas ao clube até o final do seu contrato de trabalho;
Vedada a participação em competições desportivas profissionais de atletas amadores de qualquer idade e de semiprofissionais com idade superior a vinte anos;
Vedada a prática do profissionalismo, em qualquer modalidade, quando se tratar de desporto educacional, seja nos estabelecimentos escolares de 1º e 2º graus ou superiores; desporto militar; menores até a idade de dezesseis anos completos.
Contudo, as duas leis não diferiram muito, sobretudo na parte inicial que tratava dos conceitos, princípios e definições de referência. A Lei 9615, conhecida como Lei Pelé, trouxe novamente à tona o debate sobre a relação entre clubes e jogadores, determinando a extinção do passe dos atletas, norma segundo a qual esses tinham seu direito de exercer a profissão atrelada aos seus clubes, segundo aponta Silva (2008).
Ministério de Estado Extraordinário do Esporte – 1995
Segundo o MINISTÉRIO DO ESPORTE (2017), a partir de 1995, o esporte começa a ser priorizado. O então presidente Fernando Henrique Cardoso criou o Ministério De Estado Extraordinário do Esporte, nomeando o ex-jogador de futebol Edson Arantes do Nascimento - Pelé (1995 a 1998), coube à Secretaria de Desportos do Ministério da Educação, ainda sob a direção de Marcos André da Costa Berenguer, dar o apoio técnico e administrativo.
Em março do mesmo ano, a secretaria é transformada no INDESP - Instituto Nacional de Desenvolvimento do Desporto, desvinculado do MEC e subordinado ao Ministério Extraordinário do Esporte. O instituto foi dirigido, na ordem cronológica, por Joaquim Ignácio Cardoso Filho (janeiro a julho/1995), Asfilófio de Oliveira Filho (1995 a 1997), Prof. Ruthênio de Aguiar, interinamente (1997 a 1998), e Luiz Felipe Cavalcante de Albuquerque (1998 a 1999).
Ministério do Esporte e Turismo (1998)
De acordo com MINISTÉRIO DO ESPORTE (2017), no dia 31 de dezembro de 1998, foi criado o Ministério do Esporte e Turismo, pela Medida Provisória n° 1.794-8, pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso. O INDESP passa a ser vinculado a este órgão. O deputado federal da ocasião Rafael Grecca foi o primeiro a assumir a pasta (1999 e 2000), sucedido, em maio de 2000, por Carlos Carmo Melles (2000 a 2002). O instituto ficou sob a direção do Prof. Manoel Gomes Tubino (junho a outubro/1999), tendo como sucessor Augusto Carlos Garcia de Viveiros (1999).
LEI Nº 9.981 DE 14 DE JULHO DE 2000 (LEI MAGUITO VILELA).
A Lei Maguito Vilela começa realizando atualizações esportivas, cria o Ministério do Esporte e Turismo, acrescendo a função de normatização ao Conselho de Desenvolvimento do Desporto Brasileiro (CDDB), dando mais força política ao Ministério e ao Conselho (BRASIL, 2000). No seu artigo 27, deixa claro que é facultativa a entidade de prática desportiva tornar-se empresa, o que pela Lei Pelé era obrigatório, além disso atribui ao atleta mais profissionalismo, contudo, não deixa explicitar as obrigações das instituições empregadoras e pôr fim a extinção da impossibilidade da cobrança de taxas de transferência de atletas profissionais.
Ministério do Esporte (2003)
O Ministério do Esporte foi criado por meio da Medida Provisória n. 103, de 1º de janeiro de 2003. As propostas para o esporte e o lazer no interior do programa de governo de Lula, apresentado a população no decorrer do ano de 2002, foram discutidas no interior do Setorial Nacional de Esporte e Lazer do PT.
Política Nacional do Esporte
De acordo com Tubino (1999), a Política Nacional do esporte é definida como um conjunto de ações que formulam um sentido para a convivência Estado-Sociedade, congregando expectativas sociais, fundamentos axiológicos, visão de futuro e os meios existentes.
Lei de Incentivo ao Esporte n° 11.438 de 2006
Art. 1o A partir do ano-calendário de 2007 e até o ano-calendário de 2022,
inclusive, poderão ser deduzidos do imposto de renda devido, apurado na Declaração de Ajuste Anual pelas pessoas físicas ou em cada período de apuração, trimestral ou anual, pela pessoa jurídica tributada com base no lucro real os valores despendidos a título de patrocínio ou doação, no apoio direto a projetos desportivos e paradesportivos previamente aprovados pelo Ministério do Esporte. Alterada pela Lei 13.415/2017 (MP n° 746), conforme menciona Cavalcante (2017).
Capítulo 3 – A História Do Pole Dance
Entende-se por Pole Dance uma atividade física que utiliza do atrito e oposição entre o corpo e uma barra vertical para realizar movimentos, ações corporais com elementos da ginástica e acrobacias circenses, compondo danças.
A estrutura da barra vertical do pole dance é feita com aço inoxidável ou ferro, possuí espessura variante entre 42-52 milímetros, e o diâmetro varia em relação à altura do chão e o teto, onde a barra está instalada. Ainda existem outros tipos de barras: a locomóvel e as desmontáveis, estas podem ter altura variando entre 2,70- 3,10 metros e diâmetro de 20 centímetros (MUNDOPOLE, 2011).
Figura 02: barra removível com palco e barras removíveis (pressão)
Não existem conhecimentos relativos a quanto tempo a barra vertical é utilizada enquanto elemento material de valor estético, porém, há registros de culturas em que existe a prática de movimentos nesse tipo de barra. Na índia, por exemplo, o movimento em barra vertical é vivenciado através do Mallakhamb, praticado há mais de dois séculos e atualmente reconhecido como esporte em todo mundo. O Mallakhamb (Figura 03) é um combinado de arte e ginástica que explora movimentos de equilíbrio, força e flexibilidade usando de exercícios de travas e ações que utilizam a barra para realização de apoio corporal. Nesse esporte é utilizado um poste de madeira do tipo teca ou sheesam que fixa no chão e é untada com óleo de mamona para minimizar o atrito. A espessura do poste desta prática difere do pole dance, pois no esporte indiano a barra varia de espessura ao longo de sua base ao topo e neste existe uma esfera. O Mallakhamb tem predominância do sexo masculino, contudo
existe outra prática do mesmo esporte que utiliza uma corda para seu desempenho, neste, a hegemonia é de indivíduos do sexo feminino (MALLKHAMB INDIA, 2006).
Figura 03: Mallkhamb India Figura 04: Mallkhamb India Fonte: Google imagens Fonte: Google imagens
O Pole Dance enquanto dança surge na França, no cabaré parisiense Moulin Rouge fundado em 1889, é famoso por exibir em suas noites espetáculos burlescos e circenses que referenciam a dança (BARTHES, 2013), saiu dos cabarés parisienses para os espetáculos luxuosos como no Cirque de Solleil.
Na França, o cabaré parisiense Moulin Rouge fundado em 1889, é famoso por exibir em suas noites espetáculos burlescos e circenses que referenciam a dança em barra vertical (BARTHES, 2013). Durante o século XIX, o Moulin Rouge foi pioneiro ao trazer aos seus palcos o pole dance dentro da modalidade burlesca, também conhecida como pole glamour (FIGURA 05). Nessa modalidade, os movimentos dançados são de características sinuosas e malevolentes, com ênfase na movimentação do quadril, acredita-se que essas características fazem referência e apelo à exploração do erotismo e da sexualidade do corpo na prática do pole dance.
Figura 05: cartaz do espetáculo Moulin Rouge. Fonte: http://www.moulinrouge.fr
No Canadá, o Cirque du Soleil, empresa de entretenimento artístico criada em 1984, vincula aos seus espetáculos performances efetuadas na barra vertical dentro da estética do Mastro Chinês, prática que utiliza o "mastro" – uma barra vertical feita de madeira ou metal, fixa no chão e no teto, recoberta por material emborrachado, de espessura linear mais espessa que aquela utilizada no pole dance. A prática do Mastro Chinês requer do executor desenvolvimento de flexibilidade e força. A origem do Mastro Chinês remonta a china antiga e acredita-se que seja uma atividade corporal milenar. No Cirque du Soleil, esta barra é fixada geralmente no centro da tenda do circo, sendo utilizada para entretenimento dos espectadores (CIRQUE DU SOLEIL, 2014).
De acordo com POLE DANCE BRASIL (2015) a técnica do Pole Dance tal qual é conhecida atualmente teve início nos anos 20, no Tour Fair shows, nos circos itinerantes e em tendas paralelas dentro das cidades. A dança era realizada nos postes que estruturavam as tendas dos circos, era marcada por movimentos de quadril junto a giros.
Segundo POLE DANCE BRASIL (2015), foi durante as décadas de 20 e 50, o pole dance ganhou popularidade dentro do estilo burlesco, atualmente conhecidos como pole glamour ou exotic pole dance. Na década de 60, houve a introdução de acrobacias, através da dançarina e atleta Belle Jangles (figura 06).
Figura 06: Belle Jangles Fonte: Google imagens
Durante a década de 80, a prática do pole dance começou a se popularizar na Europa, Inglaterra, Austrália, Canadá e Estados Unidos. Nos anos 90, Fawnia Mondey-Dietrich (figura 07), atleta e professora de pole dance, praticante das modalidades fitness e burlesca, lança o primeiro DVD instrutivo, tratando como atividade física na modalidade Pole Fitness. Essa atitude popularizou a prática, exaltando os exercícios isométricos e isotônicos que podem ser realizados na barra vertical, com intuito de hipertrofia, definição muscular, ganho de força e a melhoria das condições físicas do praticante (POLE DANCE BRASIL, 2015).
Porém, como a Dança ao longo do tempo, o Pole Dance também foi se modificando e se ressignificando e é nesse sentido que a cultura de movimento pole dance será discutida.
Figura 07: Fawnia Mondey Dietrich Fonte: Google imagens
Figura 08: Espetáculo "Michel Jackson - ONE" do Cirque du Soleil, recorte do desempenho em Pole Dance.
Fonte: http://www.cirquedusoleil.com
Ainda durante a década de 90, surgiram as primeiras escolas de pole dance aberta ao público e à prática do pole street (CAMPEONATO BRASILEIRO DE POLE SPORTS, 2015). O Pole Street apresenta como principal característica a prática da atividade física em ambientes abertos, com circulação de pessoas e utilizando de postes, árvores e outras estruturas verticais cotidianas. Nessa prática, misturam-se movimentos acrobáticos e danças urbanas, utilizando principalmente a força e a flexibilidade, conforme podemos observar na Figura abaixo.
Figura 09 - Atletas praticando pole street. Fonte: google imagens
De acordo com CAMPEONATO BRASILEIRO DE POLE DANCE (2015), a partir dos anos 2000, a prática do pole fitness e da modalidade artística na barra vertical tornam-se popular, na modalidade artística, destaca-se o Pole Art que por sua vez apresenta características mais performáticas nas estruturas coreográficas, as acrobacias rítmicas são executadas de forma fluente, além de apresentarem o virtuosismo evidenciado na barra.
No Brasil, a primeira referência popular ao Pole Dance se deu por meio da emissora Rede Globo de comunicações, canal aberto da televisão brasileira, fundada no ano de 1965 na cidade do Rio de Janeiro. Essa emissora exibiu o pole dance durante a novela Duas Caras, em 2007, onde a atriz Flávia Alessandra interpretava uma dançarina em uma casa noturna. A partir desta noção os brasileiros se interessaram pelo Pole Dance.
A primeira Escola de Pole Dance Brasileira conhecida, foi fundada na cidade de Curitiba pela professora e bailarina desta prática Grazieli Brugner (figura 10), diretora do seu próprio estúdio e linhas de barras portáteis. Brugner foi pioneira ao criar e registrar na Biblioteca Nacional do Brasil, em dezembro do ano de 2008, sua metodologia de ensino de Pole Dance para curso de capacitação de instrutores. Também foi a primeira a introduzir o Pole Dance dentro das universidades como curso de extensão, no ano de 2013, na cidade de Curitiba no Paraná. Atualmente Brugner atua como professora do curso de extensão para instrutores de pole dance fitness, na faculdade Inspirar, que também dispõe do curso em suas filiais existentes nas cidades de São Paulo/SP, Curitiba/PR e Porto Alegre/RS. Brugner também realizou o primeiro Campeonato Brasileiro de Pole Dance, no ano de 2008, na cidade de Curitiba/PR(JUNIOR, 2013).
Figura 11: Grazieli Brugner. Fonte: instagram
Em Natal, a primeira instrutora de Pole Dance conhecida foi a paranaense Giane Crystina Correia, que fundou, em 2009, o Atitude Studio Pole Dance e lecionou até 2013. Atualmente, três escolas podem ser encontradas e, ainda, existem professoras que lecionam de forma independente aulas particulares.
Até o presente momento presente são conhecidas quatro modalidades de Pole Dance: a fitness, a burlesca (glamour), a artística e o street. De acordo com ULTRA MODERN DANCE, 2015, são elas:
O Pole dance Fitness/Pole Fitness: Entende-se por Pole Fitness aquela modalidade que foca o exercício corporal, ou seja modificação e definição, ganho de força e exercícios isométricos e isotônicos na barra vertical;
O Pole Arte apresenta enquanto característica principal a pesquisa cênica, exploração do espaço cênico, construção dramatúrgica e relação com o público;
O Pole Burlesco (Glamour) explora a sexualidade e conotações sexuais durante a dança;
O Pole Street que é realizado em meio urbano e espaços cotidianos, como exemplo de praças, parques, entre outros.
Figura11: Pole Fitness. Figura12: Pole Fitness. Fonte: google imagens Fonte: google imagens
Figura 13: Pole art Figura 14: Pole Art Fonte: google imagens Fonte: google imagens