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THESE
DE
THESE
QIE APRESENTA
IPÀIA
©lia
PERANTE
A
FACULDADE
DE
MEDICINA
DA
BAHIA
m
1T07E1ÍBK0DE
1372PARA OBTEROGRAO
DB
DOUTOR
EM
MEDICINA,---ítoírrigo
2lprigio
íijcCan)
alijai
Natural da mesma Província
BAHIA
Tjpogrnpliia
de
J, O. Touriiilio.FACULDADE DE
MEDICINA
DA
DIRECTOR
O Ex.rao Snr. Conselheiro Dr. Vicente Ferreira de Magalhães.
OSSRS.DOUTORES l.*ANNO. MATÉRIAS QCB LECCIONAM
mri«„«i»ij/1rroir9/ií.Ma<Inihnp« I Physica emgeral,eparticularmenteem suas
Con». Vicente Ferreirade Magalhães.
£ applicações áMedicina. FranciscoRodriguesdaSilva Cbimicae Mineralogia.
Barãoda Ilapoan Anatomiadescriptiva.
li.*ANNO.
AntoniodeCerqueira Pinto Chimicaorgânica.
Jeronymo SodréPereira.
...
. Physiologia.AntonioMarianodoBomfim Botânica e Zoologia.
BarãodaItapoan RepetiçãodeAnatomiadescriptiva.
5.»ANNO.
Cons.EliasJoséPedroza Anatomiageralepatbologica. Joséde GóesSequeira Pathologiageral.
JeronymoSodré Pereira Physiologia.
4.*ANNO;
Cons.ManoelLadislaoAranha Dantas . Pathologia externa.
DemétrioCyriacoTourinho Pathologia interna. ConselheiroMathiasMoreiraSampaio
j
^eraffi
Cdc men,nos
».•ANNO.
DemétrioCyriacoTourinho ContinuaçãodePathologia interna. JoséAntonio deFreitas.
....».{
Ana
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t
Sho
<srgraPbÍCa' Medicina °Pcralorla'
Luiz Alvares dos Santos
...
Matéria medica,etherapeutica.6.*ANNO,
RozendoAprigio PereiraGuimarães. . Pharmacia.
Salustiano FerreiraSouto , Medicinalegal.
DomingosRodriguesSeixas Hygiene,e HistoriadaMedicina. José AlfonsodeMoura Clinicaexternado3.*ei-° anno.
AntonioJanuáriodeFaria Clinicainternado5.*e6.*anno.
Ignacio JosédaCunha /
PedroRibeirode Araujo > Secção Accessoria. José IgnaciodeBarrosPimentel. . .1
VirgilioClymaco Damazio . . . . ./
Augusto" Gonçalves Martins /
DomingosCarlosdaSilva > Secção Cirúrgica.
AntonioPacificoPereira \
AlexandreAffonso de Carvalho . . ./
Manoel JoaquimSaraiva f
RamiroAffonso Monteiro >SecçãoMedica. EgasCarlosMonizSodré deAragão . X
Claudemiro AugustodeMoraesCaldasv
O
Sr.Dr.CincinuatoPintodaSilva.aaWKDSJlIL JD& SIQIBBttJiMA
O
Sr. Dr.Thomaz
d'Aquino Gaspar.A
MEMORIA
DOS
MEUS
PAES
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MEU
PRIMO, EAMIGOS
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Carvalhal
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Sepulveda
e Vasconcello»
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E AOS MEUS
IMOS
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MEU
PRIMO
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AMIGO
O SENHOR
DR.
ANNIBAL
ANDRÉ
RIBEIRO
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MEU
AMIGO
O SENHOR
DU.
AMÉRICO
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MOREIRA
DE
ALMEIDA
AO
ILLUSTRISS1MOSENHOR
PADRE
TDRIBIOTERTDLIANO
FIÚZA
A
CONGREGAÇÃO
BENEDICTINA
COM PARTICULARIDADE AO MEU AMICO
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AOS
JfliEUS
ILLlI§TRADO§ UIESTRES
AOS
MEUS
COLLEGAS
SECÇÃO CIRÚRGICA
«LESÕES
DE
CICATRIZES
DEFINIÇÃO,
LIMITES,DESCRIPÇÃO E
CLASSIFICAÇÃO
JBk
S anomalias resultantes do vicio de cicatrização e asaltera-JpPm
ções pathologicas das cicatrizes constituem o variado grupo Jjjj^jÊL
de lesões que faz o objecto de nossa dissertação.wÊÈÊKÊBm®
Vasto ésem
duvida o assumpto sobre que temos de es-crever;mas
restringil-o-hemos ás lesões cicatriciaes dos tecidostegu-mentares (pelle e
membranas
mucosas); porque, ainda que todos os teci-dos da economia sejão susceptíveis de regenerar-se, somente aquelles são os interessantes na pratica, e a cujo estudo setem
applicadoparticular-mente
os operadores antigos e modernos.Devem
ser essas lesões encaradas sob diversosrespeitos: taes são a sua côr, nivel e adherenciascom
os tecidos visinhos, as relações quedevem
apresentar entre sios tecidosqueas formam, as graves deformidades
pro-dusidas muitas vezespela cicatrização,
como
aobstrucção deum
canal,oua obliteração de
um
orifício natural,e finalmente algumas moléstias quepodem
ter sua sede nas cicatrizes.A
coloração, extensão, direcção, espessura, mobilidade e o aspecto das cicatrizesconstituem oestudo desuas disposições, cujadescripção conve'm fazermos antes de entrar na sua pathologia e therapeutica.—
Peloexame
feitonasuperfície deuma
cicatrizrecente, observa-sequeexiste
uma
camada
de epiderme muito delgada, lisa, destituída não só dein-o epitelium de nova formação não contém
nem
as rugas que lhe são pró-prias,nem
papillas,nem
orifíciosde glândulas muciparas.Algumas
cica-trizes,
porém
pouco espessas, quer das mucosas, querprincipalmente dapelle, deixam ver orifícios glandulares
que
escaparam ao trabalhodes-truidor.
Atravezda epidermedelgadaaprecia-se a rósea cor do tecido cicatricial,
tanto mais pronunciada, quanto mais nova é a cicatriz e maisvasculara
camada
granulosa subjacente; cor que vai lentamente desmaiandocom
a obliteração dos vasos alé se tornar inteiramentebrancacom
o andar do tempo; fornecendo-nos assim a cicatriz meios de julgal-amais oumenos
recente.
Tecidos cicatriciaes existem que ainda sendo muitoantigos conservam
a sua coloraçãopriuiitiva, tornando-sedifficil, ou impossível por esse meio
a apreciação do
tempo
de sua existência. Estão n'esse casoos que haem
indivíduos, que se
acham
debaixo da influencia deuma
diathese escro-fulosa.Em
artigo especial trataremos da coloração anormaldas cicatrizes,que
persiste as mais das vezes indefinidamente, e constitue
uma
das bases importantes nas questõesmedico-legaes para o reconhecimento daiden-tidade individual.
A
extensão da perda de substancia e a maior mobilidade dos tecidoscircumvisinhosconstituem as causas principaes da extensão
em
superfícieda cicatriz.
Nenhuma
duvidaexiste sobre apropriedade notável de retractilidadedo tecido modular,quese produz
em
consequência dareabsorpção do sue-co plásticointerposto as cellulas e fibras,e da atrophia dosnumerososva-sos de íormação nova. Essa retractilidade que é mais ou
menos
pronun-ciada conforme o grau demobilidadee de extensibilidade dos tecidos cir-cumvisinhos,
augmenta
ou diminue a extensão das cicatrizes, produzindoem
muitos casos deformidades difficilmente curáveis.A
direcção das cicatrizes estáem
geral subordinada á dasferidas, salvoo caso
em
que os tegumentos semovem
ouresvalam maisem
um
sentidodo que
em
outro.Algumas
vezes o cirurgião vê-se obrigado a daruma
forma differentea cicatriz, afim de tornal-a mais regular, e para isso faz-se preciso
que
5
A
espessura das cicatrizes c tão variada que se pode observar eava-liar as suas gradações desde a cicatriz de
uma
simples escoriação ate'a produzida por ferida profunda, que
comprehenda
toda a espessura das partes molles, as quaeschegam
a contrahiradherenciascom
os ossos.Em
muitos casosnão obstante a pouca profundidade da ferida,uma
in-flammação quedeveria ser superficial, propaga-se por causas accidentaes
pelo interior dos tecidossubjacentes e torna adherente acicatriz quedevia ser movei.
A
mobilidade do tecido inodular c tanto mais manifesta, quanto maisfrouxos são os tecidos subjacentes e quanto
menos
experimentaram ellesa acção da causa destruidora.
Além
d'essas muito contribuem outras causas para dar mobilidade ascicatrizes, sendo para notar-se principalmente a idade avançada e o
em-magrecimento dos indivíduos.
Panas cita o caso de
uma
cicatriz situada primitivamente acima daso-brancelha sobre a fronte de
um
moço, a qualcom
o correr dotempo
foipouco a pouco subindo até collocar-se na visinhiinça do couro cabelludo.
Este factoque está intimamenteligadoao desenvolvimento docorpo, visto
que a locomoção de cicatriz só pode dar-se
em
individuo que não tenhaattingido a idade adulta, não se deve attribuir senão a mobilidade do te-cido.
Um
phenomeno
inteiramente difFerente d'aquelle dá-se, quando acica-triz contrahe adherencias
com
os ossos: porque então não só nãomuda
delogar,
mas
atédistende-se, ou,como
muitobem
diz M. Nelaton, crescecom
o desenvolvimento domembro:
tal é ofacto, citado porelle, deuma
cicatriz que comprehendia toda a extensão do comprimento dafacedorsal
do ante-braço de
uma
criança, e que sempreconservou amesma
extensãodesde o
punho
até o cotovello, apesar do desenvolvimento domembro.
Em
vista do facto exposto e de outros semelhantes se tem suscitadoimportantes questões
com
o fim de saber si as cicatrizesem
um
meninoconservão sempre as
mesmas
dimensões, ou crescem semprecom
o de-senvolvimento do corpo,como
opina M. Nelaton:em
nosso entender ébem
fundada a duvida apresentada por M. Panas quando nasua these de concurso assim se exprime: «Nous
ne savons pas en effet si cetacerois-sement de la cicatrice a toujours lieu, et s'il n'a pas toujours lieu, dans
ignorons absolutement si c'est là une veritable augmentation dela plaque
cicatricielle. oubien une distension avec amincissement de celle-ci. »
O
aspecto das cicatrizesé as mais das vezes sufficiente para revelar a causa que as produzio, posto que circumstancias variadaspossam
modi-ficar a sua configuração.
Não
haquem
olhe parauma
cicatriz produzida por queimaduraque
não lhe note
um
aspecto particular, que a distingue de outra qualquerpelas diversas bridas e depressões resultantes da desigual destruição das
partes pelo agente cáustico; bridas e depressões que dão a cicatriz
um
aspecto de lavor e de lixa.Outras cicatrizes ha que patenteam a origem da sua existência, e ta&s são as que resultam de
um
estado diathesico,como
a syphiles, aescró-fula, o escorbuto, etc.
Também
as ulcerações annulares da syphilides produzemcicatrizesque
são
bem
claramente reconhecidas pela sua configuraçãoem
circulo ousemi-circulo.
São tantas e tão numerosas as lesões de cicatrizes, que convém, para facilidade de seu estudo,
uma
classificação, se nãocompleta, pelomenos
methodica, e que abranja o que ha de mais importante sobre ellas
em
relação a cirurgia.
Antes de Dupuytren
nenhuma
classificação fizeram, que merecesse otitulodescientifica, aquellesque estudarameescreveram sobreas diversas alterações das cicatrizes.
Com
effeito, Celso, cujos estudoseram
conside-rados
como
mais perfeitos daquella epocha, dividia as cicatrizesem
ne-gras, elevadas e deprimidas. Fabrice d'Aquapendente ampliou-se mais,dividindo-as
em
fundas, elevadasem
bossa, demá
cor, enrugadas,exces-sivamente grandes e de diíferentes formas.
Como
estes, muitosoutros deixaramde parteimportanteslesões, enem
mesmo
trataramcom
particularidade daquellas que por acasoclassifi-caram.
O
illustre cirurgião,em
suas lições naAcademia
de Paris, dizia— quepor mais variadas que fossem as alterações das cicatrizes, ellas
sempre
consistiam
em
cicatrizes muito estreitas, salientes, ouem
adherencias eobliterações contra a natureza: tal foi aprimeira classificação considerada
como
regular. Mr. Malgaine divide as deformidades,em
consequência decicatrizes,
em
cicatrizes salientes,em
cicatrizesmuitoestreitas,em
7
• Ainda que incompleta, tratando-se de lesões de cicatrizes, adoptamos
com
M. M. Follin e Vidal de Cassis a classificação feita por M. M. BerardeDenonvilliers sobre vicios do tecido inodular, os que dividem as
ano-malias cicatriciaes
em
duas cathegorias distinctas: cicatrizes deformes edeformidades pelas cicatrizes.
Como
complemento
d'essa divisão, ou para completal-a, addicionamosuma
3.» categoria, moléstias das cicatrizes; e assim de accordocom
M. M. Follin e Vidal de Cassis dividiremos aquellas lesõesem
trez partes:cicatrizesdeformes, deformidadespelascicatrizese moléstiasdascicatrizes.
A
primeiracomprehende
coloraçãoanormal, assaliências e as depressões;a 2.» as adherencias, obliterações e as rectracções por bridas; e a 3.a as
alterações da sensibilidade, e principalmente as de structura do próprio
tecido da cicatriz.
PRIMEIRA
PARTE
CICATRIZES
DEFORMES
Cicatrizes
coradas
—
Celso, representante da eschola deAle-xandria, muito se occupou dacoloração das cicatrizes, e dos meios
thera-peuticos próprios para cural-as.
Applicava, para fazer desapparccer a cor negra das cicatrizes,
uma
mistura de partes eguaes dechumbo
everdetecom
resina de terebentina.Paulo d'Egina, Aetius,
Guy
de Chauliacguardaramum
absolutosilencioa esse respeito, e somente Fabrice d'Aguapendente foi que tratou das
diversas cores das cicatrizes, applicando para cural-as os
mesmos
meiostherapeuticos que Celso.
Ambrósio
Pare fazia uso do linimento oleo-calcareo addicionadocom
emplastro d'alvaiade para curar ascicatrizes
que
apresentavamuma
co-loração anormal. Cicatrizes ha quesem
causa conhecida são sempredo-tadas de
uma
coloração mais oumenos
carregada,bem
que as mais das vezes esta coloração sejadevida a impregnação na ferida deuma
matéria corante ou corada.M. Quatrefages diz que as cicatrizes, que se
formam
nos brancos daAbyssinia e Madagáscar,
tem
todasuma
coloração negra;mas
ninguém
ainda se occupou de provar exuberantemente a verdade d'essa asserção,
que
tem
sido contestada por Boussingault que diz ter visto naAmerica
equatorial cicatrizes
em
pessoas brancassem
differença de cor das dosEuropeos.
As
cicatrizes nos negros muitas vezes são brancas, e issoacontece nos casosem
que toda a espessura da pelle é interessada.A
matéria corante de certos emplastros, entre outras a do tafetánegro da Inglaterra, muitas vezes é collocada accidentalmenteem
uma
ferida, que, impregando-sed'ella, ficacompletamentenegra depoisdecicatrizada: assim pois, é sempre conveniente não fazer uso de taes emplastrosem
feridasde certos pontos do corpo.
As
cicatrizes resultantes de queimadura pela pólvora apresentamuma
coloração negra ou azulada devidaa impregnaçãodos grãos de pólvora na
ferida.
M. Follin citafactos de cicatrizes coradas
em
consequência dequeima-duras pelos vesicatórios, e n'esses casos a sua coloração é sempre devida ao agente cáustico que as produzio.
M.
Quesnay
apresentaum
exemplo de cicatriz negra no rosto deuma
rapariga,
em
consequência de applicações cáusticas,com
o fim deesti-mular a ferida.
Em
todos os casos de coloração das cicatrizes determinada por corposestranhos, que
permanecem
na ferida, a ablação da cicatriz pelos meioscirúrgicos é oúnico tratamento vantajoso e capaz de a fazerdesapparecer.
Tratando de taes cicatrizes não
podemos
deixarde citar o factoimpor-tante, que se refere a barbara operação intitulada tatuagem,descripto na
Gazeta Medica da Bahia de 15 deJaneiro do corrente anno.
O
infeliz, victima d'esta barbaridade apresentava toda a superfície do corpo coberta de desenhos symetricamente feitos deambos
os ladosdocorpo, representando animaes de varias espécies, leões, elephantes,
es-phynges, serpentes, homens, casas, etc. Esta operação
que
duroutresmezes foiseguida deaccidentes tãograves queimpossibilitaram o paciente
9
Cieafrizes
salientes—
Indubitavelmente as deformidadesproce-dentes d'estas cicatrizes são as que mais frequentemente se apresentam: ellas são sempre determinadas pelo desenvolvimentoexcessivo dos botões carnudos, o que deveriatersido sufficientementereprimidopelo cirurgião.
O
género de traumatismotem
um
valorrealparao desenvolvimento detaes botões, o qual muitas vezesdá-se,
mesmo
apezar detodos os esforçosque se possa empregar.
Isso accontece, por exemplo, nas feridas queresultam de queimaduras,
que
tem
uma
tendência muito grande para fazer saliência; nas produzidaspor vesicatórios; nas ulceras e nas fistulas pelo tártaro stibiado, etc.
Outras causas, dependentes provavelmente de
uma
perturbação cons-titucional, predispõem certos indivíduos a cicatrizes salientes.Em
taescondições estam sempre os
que
são dotados deum
temperamentolym-phatico; ou que acham-se debaixo da influencia de
um
vicio scrofuloso.Gimelle apresentou na
Academia
de Medicinaum
soldado do exercito daAfrica, que recebeu quinze golpes de yatagan, cujas feridas, na maior
parte, se transformaram
em
vegetações cicatriciaes.Estas exuberancias
umas
vezes apparecemem
forma de cordão oucristas, outras
em
forma de muitos tubérculos; são sempresugeitas a es-coriações e ulcerações, e susceptíveis de desenvolvimento, quandoprinci-palmente recebem excitações ou choques que as possam inflammar;
ficando no caso contrario
em
seu volume primitivo, diminuindo oudes-apparecendoespontaneamente.
Em
taes occasiões o cirurgião deve deixarde fazer qualquer operação, e lançará
mão
de outros meios maisúteis emenos
perigosos,como
a applicação de tintura deiodo,a compressãoetc.Tratamento
—
Celso, que primeiro tratou das cicatrizes salientes,mandava
applicar ochumbo
brancocomo
meio preventivo. Fabrice esca-rificava as saliências cicatriciaes e as destruía por meio deum
corrosivo.Ambrósio
Pare cortavacom
thesoura ostubérculos resultantes davaríola, e applicavaem
certas cicatrizes salientes laminas dechumbo
untadas deazougue.
São tres os meiosprincipaes, de quedispõe a sciencia paraotratamento das cicatrizes: a cauterisação, a compressão e a excisão.
O
primeiro meio somente será applicado nos casos de saliências pe-quenas e superficiaes: o cáustico de preferencia usado é o lápis de ni-trato de prata, adoptadopor M.Velpeau, quetambém
se servia do nitratoacido de mercúrio.
Casos ha,
em
que, n'estas cicatrizes superficiaes elle aconselhaque
sedeve lançar
mão
da ablação total, quando por exemplo a cicatriz é sedede dores nevrálgicas devidas a compressão dos filetes nervosos.
São tão numerosos os casos felizes que resultam da compressão das cicatrizes, que jamais se poderia duvidar da sua efíicacia. Lisfrane só,
nos fornece
um
grandenumero
de factos, que nos levam a adoptar estemeio de cura das cicatrizes salientes, duplamentevantajoso, querpela
fa-cilidade que se encontra na sua applicação, quer pela certeza de que a cicatriz não será complicada de
nenhum
accidente grave, quando ella éconvenientemente applicada.
As
mais das vezes a compressão, que só deve ser feitaem
cicatrizesrecentes, diminue, ou faz desapparecer a sua vermelhidão: ella deve ser
mais ou
menos
enérgica conforme a sede e a resistência que apresentãoascicatrizes; e ainda depoisdodesapparecimento das exuberancias
convém
que seja continuada para evitar o seu novo desenvolvimento.
A
excisão é a operação quetem
por fim a separação da cicatriz por meio de thesouras ou bisturis deduplo corte que se faz passar por baixo d'ella e paralellamente a pelle.Dupuytren a
recommenda
somente para cicatrizesum
pouco antigascom
o fim deevitar que seabram
de novo e sejam a sede de ulceras queentão são mais rebeldes de curar-se. Este preceito é ainda muito
conve-niente pelo desapparecimento espontâneo que as vezes dá-se n'essas
deformidades, devidoacondensação e retracção dotecidomodular. Depois de feita tal operação o cirurgião deve ter o maior cuidado na cicatrização
da nova ferida, procurando o mais que for possivel reprimir o
desenvol-vimento dos botões carnudos por
menor
que elle seja.Cicatrizes
deprimidas—
Estas cicatrizes, quando constituemdeformidades são ordinariamente acompanhadas de adherencias
com
os tecidos subcutâneos, e por isso alguns authores dão-lhestambém
onome
deadherentes. Elias são sempre determinadas por causas muito diversas, entre as quaes citaremos de preferencia o desenvolvimento incompleto dos botões carnudos, a grande perda de substancia considerada na sua superfície, as suppurações abundantes queresultam dequeimaduras
gra-ves, de carie, necroze, de feridas por
arma
de fogo etc.Certas cicatrizesexistem
sem
solução de continuidade visível,asquaescomtudo
apresentam esse aspecto deprimido que é produzidoem
conse-quência de reabsorpção degommas
syphiliticas.A
pelleem
taescicatri-zes é delgada, enrugada, privada de vasos, e
tem
diversasmanchas
cara-cterísticas.
A
falta de tecido cellulo-gorduroso subcutâneo ao redor das cicatrizesconstitue ainda
uma
das causas de depressão, tanto maismanifesta,quanto maior e mais profunda ê a perda de substancia dologarem
queseachaacicatriz, e quanto maior ainda é aquantidade de tecido adiposo existente
nas partes circumvisinhas.
Uma
cicatriz deprimida pode tazer adherenciacom
uma
aponevroze,com
um
musculo,com
um
osso,oucom
órgãos internoscomo
opulmão
e os intestinos. Beiard cita o facto deum
individuo que levouum
tiro nopeito, e apresentavano ponto correspondente a primeira costella
uma
de-pressãoem
forma de dedal, que adheria a essa costella e ao vértice do pulmão.As
adherencias cicatriciaes produzem algumas vezes o desvio daspartes visinhas, e são
em
muitos casos a sede de doresmais oumenos
vivas; doresqueapresentam-seou
em
consequência de puxõesnostecidosadherentes a
um
osso subjacente, ouem
consequência dacompressão deum
filete nervoso.M. Desmarres cita o casode
uma
raparigaque soffria deuma
nevralgiafacial, contra a qual tinham sido baldados todos os esforçosda medicina: a nevralgia mais intensano ponto correspondente a sahida donervo
fron-tal,ondeexistia
uma
cicatriz,desappareceucompletamentepelaseparação d'este tecido quefaziaadherenciacom
o osso.São diversos os exemplos de dores noscotos dos
membros
amputados,devidas acompressão dos raflesnervosos; as vezes tão fortes, que os
indi-víduos
cahem
em
estado de syncope, ou experimentam verdadeiroses-pasmos, quandose applica
um
choqueaparteem
que existeuma
adheren-cia
com
o osso.A
separação da adherencia é a condição essencial para odesappare-cimento d'ella,e alguns práticos
recommendam
quese façamem
seguida continuadosmovimentos
na cicatriz, para que esta não contraia novas adherencias.Algumas
vezesporem
as adherencias das cicatrizesdesva-necem-se
somentecom
o exercício constante daspartes doentes, ou de-baixo da influencia de douches e banhos de diversa natureza.SEGUNDA PARTE
DEFORMIDADES CAUSADAS
PELAS
CICATRIZES
Vamos
agora tratar do grupo de lesões o mais importante, tanto pelasua frequência e variedades,
como
principalmente pelascomplicaçõese
accidentes de que sempre são seguidas. Estas lesões, que as mais das vezessão produzidas por vastas queimadurasreduzem osindivíduos a
um
estado deplorável, não só pelos soffrimentos continuados de quesãoacom-panhadas,
mas também
peloaspecto desfiguradoehediondo queadquirem.Frequência
—
Os
factos que as constituem são muito numerosos,para que se possa particularizar, esomente será bastante dizer
—
de refe-rencia as observações de M. Dupuytren, que as adherencias dos dedosentre si, dos braços e ante-braços
com
o tronco, das coxas entre si,das orelhas
com
a pelle da cabeça; o symblépharon, o ankyloblépharon, o ectropion e outros desvios de partesproduzidos porcicatrizesmui
cur-tas, taes
como
as bridas do pescoço, dos dedos e de outros diversos órgãos; os estreitamentos e obliteraçõescompletas do ouvido, dasventas,da bocca e do anus, são exemplos muito sufficientes para provarem a frequência das
mesmas
lesões, quetantas difficuldades e decepções trazema cirurgia, quando qualquer operação é praticada.
Variedades
—
A
classificação por nós adoptada, na parte relativa áessas deformidades, está dividida
em
tres grupos, que correspondem ástres espécies decicatrizes.
0
1.° quecomprehende
as adherencias anormaes, dá-seem
certas edeterminadas circumstanciasdependentes da disposição e da posição das
partes,
em
que se forma o tecido de cicatrização.É
de preferencia naspartes contíguas enas dispostas
em
commissuras queestas deformidades apparecem.As
dobras naturaes e as que existem nas articulações são13
também
pontos affectados, e sibem
que nestas ultimas os movimentos sejamuma
causaquese oppõe a contracção continua dotecido cicatricial,todavia a sua acção é insufficiente, principalmente quando a ferida se
extende muito para cima e para baixo da articulação.
As
commissuras dos lábios, das pálpebras, os regos auriculo-temporal, costo-mamario,genito-crural, e os ângulos dereflexão das
mucosas—
sãopontos ondege-ralmente taes adherencias
tem
sua sede.Algumas
vezes, porém, não é precizo queas partes offereçam estadis-posição de contiguidade, para que se forme
uma
adberencia; porquantofactos ha de partes muito distinctas e separadas, que por
um
contacto prolongado,em
virtude damá
posição tomada pelo doente, se soldamentre si,
mormente
quando nellas existeum
tecido inodularem
via de formação.O
2.o grupoem
queestão comprehendidos os estreitamentos e oblite-rações dos orifícios c canaesnaturaes, dá-se, quandoem
consequência deferidas desses pontosseforma
uma
cicatrização irregular, devida á granderetractilidade do tecido novamente formado.
Os
seus resultados sãoordinariamente graves, porque perturbam as funcções de certos órgãos importantes a vida: é assim que por
um
estreitamento ou obliteração dabocca e das ventas, do canal da urethra e do anus, etc, apresenta-se
difficuldadeou impossibilidade da entrada dearno pulmão,da mastigação,
da expulsão da ourina e matérias fecáes.
O
3.o grupo, quecomprehende
o desvio das partes é produzido por cicatrizes muito curtasou bridas,que fazem approximar partes assaz dis-tantes e contrabiradherencias entresi,como
se vênos casosde adherenciado
mento
com
o sterno, de approximação mais oumenos
completa dosdedos para a palma da
mão
e da cabeça para asespáduas etc. Estegrupo de lesõestem
mais a propriedade de descobrir certos órgãos, como, por exemplo, os olhos,em
consequência do ectropion; e de impossibilitar omovimento
livre de outros,como
osmembros
superiores por causa debridas formadas entre o braço e antebraço.
Causas
—
A
retractilidade do tecido das cicatrizes é a causa a maisfrequente e provavelmente a mais importante de qualquer vicio de
cica-trização.
A
proliferação, vascularisação, condensação e reunião do tecidoconjunctivo são os actos fundamentaes para a formação da cicatriz, que
uma
vez constituída está sujeita as modificações que se passão na suade consistência.
É em
consequência d'essas transformaçõesdeestructura que se produza retractilidade d'ella, propriedade tanto mais duradoura, quanto mais
profunda e extensa é a cicatriz, quanto maior é amobilidade e extensibi-lidade das partes visinhas e mais aífectada a constituição individual por
certos vicios diathesicos.
Algunsautores admittem queessa propriedade é sempre invariável, de
duração indefinida, e que a similhança das fibras musculares o tecido
contrahe-se espontaneamente.
Nenhuma
duvidaporém
existe hoje sobre a maneira, porque se produz esta retractilidade do tecido,em
vista dasexplicações dadas de accordo
com
osestudos microscópicos, pelos quaesse
tem
reconhecidoem uma
cicatriz novamente formada a existência deum
sueco plástico, no qual seacham
fibrillas de tecido cellular, núcleos embryo-plasticos de M. Ch. Robin, corpúsculos de tecido celluloso de Yirchow e vasos deformação recente. Estes elementos nucleares dacica-triz
em
epocha posterior a sua formação soífremuma
transformação cellulosa; o sueco plástico é reabsorvido e os vasos são atrophiados;em
consequência do que a cicatriz perde a sua consistência molle, torna-semais densa, diminue de volume,
em
vez de saliente que era torna-sede-primida, aspartes visinhas são repuchadas, eacorvermelha desapparece.
É
esteaugmento
de densidade, causa primordial de diminuição devolume
doinodulo, que determina aretractilidade cicatricial, propriedade notável
desenvolvendo-se muitas vezes
com
uma
força tão considerável, quepro-duz as deformidades as mais extravagantes e graves.
A
tendência dos botões carnudos a adhesão se manifestaem
todas asferidas por maioresqueellas sejam, eé
em
consequência d'essa tendênciado tecido inodular no seu período de desenvolvimento, que se dão casos
dedeformidades por adherencias eobliterações; é n'esse período,
em
queos botões carnudos se
acham
em
toda sua força denutrição, que elles seattrahem, se collam
mutuamente
ecom
rapidez, determinandoadheren-cias, quer entre o braço e o tronco, quer entre o pavilhão da orelha e a região temporal etc.
Outras causas ha dignas de ser mencionadas
como
productoras d'essasdeformidades, e que
convém
conhecer para serem devidamente evitadaspor cuidados cirúrgicos
bem
dirigidos.Quero
fallar das disposições15
a posiçãoque
tomão
asmesmas
partes no aclo dacicatrização, oua formanatural de que ellas são dotadas; quer se refiram a sua mobilidade ou
ás attitudes fixas
em
que ellas se apresentam.Na
verdade são diversos os casosdedeformidades produzidaspela collo-cação defeituosa deum
membro;
ebem
curioso é ofacto citado porCru-veillier sobre a adherencia, que apresentava
uma
menina,donarizcom
odedo
minimo
e a bridaem
forma de aza de morcego, que se estendia da mão, do ante-braçoedo
braço a face anteriordopescoço e a parte inferiorda face.
Sabemos
como
são susceptiveis de adherencias as partesnatural-mente
constituídasem
forma de commissuras.Nos
casosem
que as feri-das se apresentaremem
logares próximos, ou occupados por dobras dasarticulações, é de necessidade não só que se traga o
membro
sempre
destendido, visto
como
a mobilidade, de que são dotados esses pontos,muitofavorece a formação de
uma
brida cicatricial;mas
também
que seseparem aquellas partes que, sendo a sede de feridas, estão
em uma
attitude favorável á adherencia.Diremos finalmente que a extensibilidade da pelle e dos tecidos visi-nhos, e
uma
suppuração abundanteem
consequência deferidasprofundase extensas, são, pela retractilidade que produzem nas cicatrizes, causas
de
ordem
bem
importante das anomalias deque
tratamos.Accidentes
e
complicações
—
Variam conforme suo produzi-dos por desvios de partes, por estreitamentos ou obliterações de canaese orifícios naturaes;
porém
todos reduzem-se a perturbações mais oumenos
importantes das funcções dos órgãosem
que asdeformidades teemlogar, sendo algumas vezes tãosérios que os indivíduos inutilisam-se, ou
ficam reduzidos a
um
soffrimento crave, duradouro e de resultadosmui-tas vezes funestos.
As
funcções de relação tornam-se difficeisem
conse-quência deuma má
posição dada aos órgãos que as exercem:uma
adhe-rencia do braço ou ante-braço
com
o tronco,uma
brida formada entre acoxa e o
abdómen,
ou entre a perna e a coxa, impossibilitamcompleta-mente
o individuo dese servir d'estes órgãos; a adherencia das pálpebrasentre si ou
com
o globo ocular, a obliteração do conducto auditivo, a occlusão das ventas e dos lábios entre si, são seguidas de cegueira, sur-dez, de difficuldades e até de impossibilidade de respirar e de nutrir-se.As
bridas collocadas nas maxillas,prohibindo os seusmovimentos, trazemembaraços á mastigação, da
mesma
maneira que as collocadas na partedeglutição, a respiração e a phonação.
As
cicatrizes profundas da regiãomamaria, e as que se apresentam
em
toda parede abdominalcom
bridasmuito extensas, trazem sempre, aquellas desapparecimento da secreção
do leite, estas, no caso de prenhez, o aborto, ou complicações de outra
ordem
durante o trabalho do parto.Além
d'estes, outros accidentes resultam das deformidades pelascica-trizes
em
epochaposterior asua formação.Uns
muitocommuns
nos casosde bridas e adherencias contra a natureza dorivam-se da immobilidade
prolongada
em
que ficam os órgãos, os quaes são privadosnecessaria-mente
de seu desenvolvimento, sobre tudo quando taes deformidadesexistem nas creanças.
Os
músculos, os seus tendões, os vasos e nervosparticipantes d'essa atrophia ficam
em
um
estado de retracçãoconsiderá-vel, do que deve estar prevenido o cirurgião, para, no caso de qualquer
operação, não fazer
uma
distensão bruscacom
risco de seremdespedaça-dos.
Em
taes casos não deve-se dar a posição natural ao órgão senão deuma
maneiralenta e progressiva, o que se consegue por meio deappa-relhos expressamentefeitos para esse fim.
Outrosexistentes noscasosde estreitamentos ou obliteraçõesconsistem
ou na alteração anatómica das partes collocadas para cima da obliteração
ou na perturbação mais ou
menos
grave das funcções.Com
efteito nos canaes, que são percorridos por matérias solidas,li-quidas ou gazosas, produz-se
uma
dilatação na parte superior á estas lesões no sentido das correntes solidas, liquidas ou gazosas,em
conse-quência da accumulacâo d'essasmesmas
matérias queem uma
epocha mais remota distendem de tal sorte as suasparedes, queproduzem
com-plicações graves,como
ruptura ou perfuração ulcerosa.As
secreções são outras vezes perturbadas e diminuidas; as glândulas,queas produzem atrophiadas; as matérias segregadas
produzem
cálculos,como
os urinários e salivares que não tem por causa senão osestreita-mentos dos canaes das
mesmas
glândulas.Tratamento—
É
dever de todo cirurgião,quando
encarrega-se deum
doente quetem
uma
solução de continuidade prevenir-se, para queo seu tratamento não seja seguido de qualquer deformidade, de que elle seria de alguma maneira oresponsável.
Deve
pois tomarem
consideração toda posição desfavorávelem
quese ache a parte affectada, todadisposi-ção anatómica capaz de occlusões eadherencias, etoda retractilidade in-tensa eduradoura. Attendendo para essas circumstancias, que são
consi-17
deradas
como
as causas primordiaes dos vícios de cicatrização de que nos occupamos, preencherá o fima que se propõe usando deum
trata-mento
preventivo regular, seguido por todos os práticos.Deverá, portanto, collocar o
membro
em
uma
posição conveniente, a qual será, conforme estabeleceu Dupuytren, diametralmente opposta áquella que favorecesse a cicatrizaçãoda feridapela approximação de seus bordos: a cicatriz será d'esta maneira tanto ou mais extensa doque
a perda de substancia, resultado este que se deve sempre conseguir para contrabalançarcom
a retractilidade de que é dotado o tecido modular.Nos
casosem
que se tenha de preveniruma
adherencia entre partes dispostas, por exemplo,em
commissura, não basta queellasestejamafas-tadas;
mas
deve-setambém
collocar, cavalgando n'essas commissuras,compressas, ou melhor ainda tubos de caoutchouc, e destruir mais de
uma
vez, pormeio do stylete, ou de cauterizações pelo nitrato de prata asadherencias, quando ellas estão
em
via de formação. As mechas, tentas, sondas, tubos de marfim, ou de metal, são meios de que se lançamão
para impedir
uma
obliteração; devendo estes instrumentos ficarintrodu-zidos nos pontos onde existe a ferida até a sua completa cicatrização.
A
retractilidade do tecido inodular, causa persistente ainda depois dacicatrização, será prevenida, até que o tecido substituitivo tenha
tomado
uma
cor mais oumenos
pallida.Além
de instrumentos orthopedicosempregados
para daruma
boa posição a parte, e assim obstar queuma
deformidade se manifeste
em
consequência de retractilidade, quedesvia-ria os tecidos circumvisinhos, se deve fazer uso de eml**ocações oleosas,
douchesemolientes, e outros meios capazes de diminuir a força contractil
da cicatriz tornando esta mais flácida.
Feitas essasbreves considerações á respeito dos cuidados precisos para prevenir
uma
deformidade por cicatrizes, passamos ao seu tratamentopropriamente dito na sua accepção mais geral, por não ser-nos possivel,
nem
estar noslimites donosso ponto apresentar tratamento especial para cadaum
dos factos tão numerosos que constituem essas deformidades.De
accordocom
as divisões da classificação adoptada exporemos osmeios de que se deve lançar
mão
para cura deuma
adherencia, oblitera-ção ou estreitamento deum
orifício ou eanal natural, e de desvios por cicatrizes muito curtas ou bridas.Das
anomalias que resultam de adherencias, as queprovém
da uniãode partes constituídas
em
commissuras, são as mais frequentes nacirurgia; e desde os tempos mais remotos se
occuparam
de seutrata-mento
illustres práticos,como
Celso, Paulo d'Egina,Ambrósio
Pare, etc,Desde
então até hoje a secção constitue a base do tratamentocom
modificações e alterações precisas conforme os casos.
A
secção por instrumento cortante, ainda que tenha alguns casosfeli-zes, é as mais das vezes seguida de recahidas pertinazes, que
apparecem
com
muita rapidez: para prevenil-as Dupuytrenrecommenda
que aspar-tes, ondese pratica aincisão, sejam bastanteafastadas enos casos
em
que
houverem
commissuras, se exerça n'estas, (por ondesempre
principia a adherencia)uma
compressãoprolongada, applicando-se devezem
quando
o nitrato de prata sobre os botões carnudos, que tiverem grande
desen-volvimento.
Amussat
manda
que todos os dias se façanovasincisões sobre ascom-missuras;
mas
as dores, que soífre o doente, a inflammação que podesobrevir, e aprobabilidade deque não se conseguirá o resultado desejado
são razões
mui
sufficientes para muita reservacom
essa maneira detra-tamento.
Yelpeau, Yidal de Cassis e Boyer aperfeiçoaram o tratamento das
ad-herencias, ou unindo por primeira intensão os lábios da nova ferida
em
toda sua extensão,ou fazendouma
abertura ao nivel da commissura, ondeatravessa-se
um
fio até a sua completa cicatrização, praticando-se entãoa separação do resto da adherencia.
A
autoplastiatem
sido applicadacom
os melhores resultados na curaradical das adherencias cicatriciaes, que exigem processos especiaes
con-forme as condições
em
que se acham.A
collocação dos retalhos se faz ouem
toda a extensão da ferida pro-duzida pela incisão das adherencias, ou somente nos pontos correspon-dentes a commissura:em
qualquer dos casos haum
obstáculo á adhesãodos botões carnudos existentes entre partes contíguas, o que
sempre
seprocura evitar.
.
As
obliterações e estreitamentos dos orifícios e canaes naturaespodem
muitas vezes complicar
uma
feridaem
sua cicatrização, e para seutrata-mento
setem
feito uso da dilatação, da incisão e excisão, operações quesão applicadas nos estreitamentos e obliterações dos orifícios naturaes
como
a boca, as ventas eo anus, pontosestesem
que maiscommummente
se apresentamferidas
com
uma
cicatrização mal feita.10
somente aproveitado
como
coadjuvante da incisão.Com
effeito nos casosde
um
estreitamento do orifício anterior da boca, é sempre necessário fazer-seuma
incisão nas commissuras labiaes, paraem
seguida usar-sedeapparelhos compressivos d'ellas, osquaes
podem
bem
serconsiderados verdadeirosdilatadores.A
excisão éuma
operação usadaem
certos e determinados casoscomo
quando
ha necessidade de se subtrahiruma
cicatriz complicada de tubér-culos, de saliências hypertrophicas e de ulcerações; accidentes que nãoseriam afastados
com
a incisão ou dilatação.Nos
casosem
que se puderunir os bordos da ferida feita pela excisão, a operação
em
geral será se-guida debom
êxito; porquanto não só superfície alguma traumáticaexis-tirá do lado interior do orifício, que possa ser causa de nova coarctação,
mas também
asuppuração não se manifestará,em
virtude da ferida curar-se por primeira intensão.Boyer e Blandin nos estreitamentos de orifício bocal faziam nas
com-missuras
uma
incisão transversal, quese estendia alem dopontoem
quedevia terminar a aberlura depois de completa cicatrização, e
em
seguidaapplicavam espécies de colchetes de prata nessas commissuras que as
contivessem distendidas para fora.
Yelpeau
manda
fazer nos pontosem
quedevem
existir as commissurasuma
abertura que vacommunicar
com
a cavidade bocal, onde se intro-duziráum
tubo, que ahi permaneça até a sua cicatrização completa,epo-cha
em
que se deverá fazer o resto da abertura dos lábios por meio daincisão.
Tem-se
feitocom
os melhores resultados uso da autoplastia para a cura radical dos estreitamentos da boCa, e para isso excisa-se de cada ladoum
retalho triangular arredondadoem
seucume,
poupando-se amucosa
bocal que é revirada para fora onde vai ser unida a pelle.Quando
ha occlusão dasventas, usa-se da dilatação por meio de cânu-las dechumbo
ou de marfim, fazendo-se primitivamenteuma
aberturacom
instrumento cortante para entrada d'essas cânulas, quando a oblite-ração é completa: n'estes casos Malgaine diz, que é preferível fazer-se aabertura separando-se as azas do nariz de suas inserções
com
a face.Velpeau apresenta
um
processo no qual fazia a excisão da cicatriz ao redor da abertura da venta, e depois unia os bordos da ferida por meio de pontos de sutura, procurando por esse meio diminuir a superfícieorifício, condição
sem
a qual quasi sempre a operação é seguida de novaobliteração. Para se ter certeza do
bom
êxito d'esse processo éconve-nientequese introduza no orifício até sua completa cicatrização
um
tubodegomma
elástico, (ainda que não ojulgue essencial oautor do processo) visto não ser diíficil haveruma
adhesão entre as superfícies traumáticas,pois
podem
estas, apesar de estarem unidas pelos seus bordos exsudar por ellesuma
quantidade delympha
plástica capaz de favorecer a suaunião.
Estas applicações cirúrgicas se faz nos demais orifícios
que
apresenta-rem
taes deformidades, escolhendo-se, conforme as disposições que ellasofferecem, os processos que mais probabilidades tiverem de
bom
resul-tado.As
bridas cicatriciaes ou cicatrizes muito curtas,como chama
Dupuy-tren, são tratadas por dous methodos distinctos, que
tem
por único fimdistender aquelletecido,que
em
virtude de sua grande retractilidadetor-na-se
menos
extenso do que a ferida primitiva.Com
esta distensão aspartes tomarão as suas formas regulares e os órgãos desviados entrarão
no livre exercício de suas funeções.
O
l.omethodo
consiste na incisão da brida; o outrotem
por fim fazer a excisão d'esta.A
incisão da brida pratica-se sobreum
ou muitos pontos da suaex-tensão, tendo-se sempre o cuidado de fazel-a até além da espessura da
cicatriz, e de manter
bem
afastados os bordos danovaferida, o quecon-vém
fazer-se deuma
maneira lenta e progressiva. Alguns práticos dizemque, as incisões feitas perpendicularmente, as cicatrizes são susceptíveis
de retrahir-se de novo pela agglutinação dos ângulos deunião das
super-fíciessuppurantes,e
em
vista d'isto M.Amussat recommenda,
que sedeveromper
todos os dias estas novas adherencias.É
regeitada essa maneira de proceder, tanto pelas dores a que seria quotidianamente submettidoo doente,
como
porque a adherencia venceria sempre estesdesbrida-mentos
repetidos que não teriam outro resultado senão prolongar a mar-cha do tratamento, augmentar a inflammação oumesmo
produziruma
brida ainda maior.
Nos
casosem
que houver tendência a adherencia das incisões oci-rurgião procurará aprofundal-as e distender o mais que for possivel as
partes,
com
o que conseguirásem
inconvenientes que a operação seja2f
Conforme
Décès as incisõesdevem
ser feitas obliquamente ás bridas,de sorte que as diversas porçõesde tecidos existentes entre ellas fiquem
como
queimbricadasentre si, e constituamespécies de retalhos queper-mitiam estarem as soluções de continuidades
em
contactoumas com
as outras.Ainda que por este processo se distenda bastante abrida, ainda quese
obtenha mais a vantagem de não expor as novas feridas ao contacto do
ar,
com
tudo não cmenor
o perigodas r?cahidas, corno
bem
provou M. Panascom
os próprios factos apresentados pelo seu autor.Apesar de alguns práticos dizerem que o processo de incisões
perpen-diculares as bridas é sempre seguido de complicações graves,
como
doresmui
vivas, accidentes nervosos, escaras, gangrenaseretracções maisaug-mentadas, do que as existentes, todavia sempre fizeram uso d'elle
com
osmelhoresresultados M. M. Berard e Denonvilliers que
recommendam
con-cumitantemente a applicação de apparelhos orthopedicos, que tragam as partes a
uma
extensão conveniente, curativo das feridas por segundaintensâo, cauterisação dos botões carnudos exuberantes: observados
estes preceitos, dizem elles,
nenhuma
das complicações acima citadasacompanhará
a operação senão raras vezes.A
excisão das bridassem
duvida alguma o processo que ao praticomais probabilidade offerece, de que haverá
uma
cura definitiva,tem
por fim aextirpação dcilas e reparação da perda de substancia ou pelaunião dos lábios da ferida, ou pela autoplastia.A
excisão e união dos bordos da feridatem
suas restricções, fora dasquaes é difficil aexecuçãoda operação; poiscertamente nos casos
em
que
a brida fosse muito extensa e bastante larga, e os tecidos visinhos pouco
extensíveis, seria difíicil fazer a approximaçãodos bordos da ferida resul-tante da extirpação da cicatriz.
Delpech foi o primeiro que fez uso delia: o seu processo consiste
em
fazei? duas incisões curvas mais ou
menos
profundas, olhando-se por sua concavidade;em
seguida procede-se a extirpação da cicatriz eunem-se
por meio de pontos de sutura osbordos da solução de continuidade, cuja
cicatriz
toma
algumas vezesuma
disposição differente da primeira. Tal éjõ
exemplo
apresentado por elle deuma
cicatriz transversa da dobra daverilha,
em
que praticou a ablação, e uniu, depois da extensão domem-bro osbordos da ferida, que offereceu
uma
disposição vertical ouA
autoplastia se faz ou servindo-se do próprio tecido cicatricialque
será applicado denovo
como
retalho, ouapplicando-se na ferida feita pelaablação da cicatriz
um
retalho tirado deuma
parte mais oumenos
dis-tante d'ella.O
tecido da cicatriz somenteserá aproveitado,quando
elle for sensivel extensível e bastante espesso, porque então, estando elleem
boascon-dições de vitalidade, os resultados de sua applicação serão
sempre
favo-ráveis.
Denonvilliers apresentou a sociedade de cirurgia de Paris
um
caso deduplo ectropion curado
com
um
retalho formado a custa do tecidocica-tricial.
Yerneuil, Décès è Jobert
também
dizem ter conseguido curascomple-tas de bridas cicatriciaes por meio de retalhos feitos a custa do próprio
tecido da cicatriz.
O
processo indio, aquelleem
que se faz o retalhocom
os tecidospró-ximos a lesão, é
em
geral o mais seguido pela conveniência que haem
deixarum
pedículo n'esse retalho, o qualcomo
que serve de entreter a vitalidade d'elle até a sua uniãocom
as partes subjacentes; todaviaalgu-mas
vezes o cirurgiãotem
necessidade de recorrer a outros pontos maisdistantes para tirar
um
retalho,sem
que a operação deixe de serprovei-tosa.
Jobert de Lamballe, Teale eMulter estabelecem regras que
devem
serobservadas na autoplastia para o tratamento das bridas:
1.a
—
Fazer-seuma
excisão do tecido que exceda abridacicatricial
em
comprimento e largura.
2.a
—
Lavarcom
agua o sangue queexistir na superfície da ferida.
3.»
—
Servir-se do tecido cicatricial para retalhos, somentequando
nãotor possível conseguir
um
tecido são, que deve ser sempre preferido.4.
a—
Unir os retalhos aos bordos da ferida feita pela excisão por meio depontos de sutura; tendo-seporém
o cuidado de evitar que haja grandetensão,
embora
não se possa fazeruma
união immediata.5.
a—
Se forem precisos muitos retalhos,convém
que a operação sejafeita
em
mais deuma
secção, antes do que deuma
só vez para não ex-por o doente aaccidentes que resultamd'uma
violenta reacção orgânica.6.a
—
Não
sedevecortar o pedículo doretalho (quando elleexiste) antesque este tenha contrahido verdadeira adherencia
com
as partescom
que
23
Com
taes preceitos ébem
provável que seja real o curativo das bridas para o qual se escolherá aquelle processo autoplastico que melhores van-tagens offerecer conforme a occasião.TERCEIRA
PARTE
MOLÉSTIAS
DAS
CICATRIZES
Ainda que o tecido inodular esteja sujeito a diversos estados mórbidos semelhantes aos queseproduzem
em
qualquer outra partedocorpo,toda-via alguns ha que n'elle se apresentam de preferencia trazendo
umas
ve-zesphenomenos
graves da sensibilidade, alterando outras vezes a suaestructura intima. IVestes trataremos ornais succinta
mente
possível.ffnftamataçãíp
das
cicatrizes
—
As
causas productoras dainflam
mação
dapelle teem sua acção sobre o tecido da cicatriz, que, por sua pouca vitalidade, e,em
consequência, pela pouca resistência deque
pode disporcontra qualquer causaexterior, torna-se sedede
uma
inflam-mação
maisou
menos
intensa, vindo muitas vezes a ulcerar-se, sercom-pletamentedestruída, constituindoassimferidasmais gravesemaisdifficeis
de curar-sc do que as primitivas.
As
cicatrizescollocadasem
pontos mais frequentemente expostos a pressões, a irritações diversas são justamenteas mais sujeitas a esse trabalho mórbido, tanto mais assustador, quanto mais intensa for a causa que actuar sobre as
mesmas
cicatrizes, quanto mais extensas e profundas forem estas, e quanto mais alterado achar-seo organismo por
um
vicio diathesico.Apezar da pouca intensidade da causa e da pouca profundidade e ex-tensão da cicatriz, estados inflammatorios se patenteam
com
um
caracter tão grave que, sua acção destruidora não podendo ser detida, econti-nuando
por annos, só terminacom
uma
operação, que priva as infelizes victimas deuma
parte oumembro
asvezesbem
importante, a cuja perdaporém convém
submetterem-se, para evitar maior mal resultante da con-tinuação da inflammação.São diversos os factos d'esta
ordem
observadosem
cicatrizesprove-nientes de ulceras syphiliticas, e tivemos occasião de
bem
apreciarem
um
doente atacado de rheumatismo, que entrou para o hospital deCari-dade
em
Julho do corrente anno, a maneira rápida porqueuma
cicatrizexistente nobraço direitoinflammou-se, eformou
uma
ulceradetamanho
três vezes maior doque oda cicatriz,
sem
todavia sobre esta actuar causaalguma a não ser a sypbiles, sob cuja influencia achava-se o doente.
Cicatrizes dolor&stts
—
As cicatrizespodem
ser a sede de dores determinadas por causas conhecidas, e de outras cuja causa não seattinge. Estas são verdadeiras nevralgias que se apresentam e que são debelladaspor meio de applicações calmantes.
A
sua intensidade asvezes é tal, queo cirurgião é obrigado a praticar successivas operações para conseguir
queellas desappareçam. Follin cita o facto bastante curioso, extraindo de
um
jornal inglez, deuma
rapariga de vinte e dous annos que soffreuuma
amputação da coxa, e poucos dias depois a resecção do coto, o queviu-se forçado a praticar o cirurgião
em
consequência deuma
nevralgiaque
apresentou-se após a operação;
nenhuma
melhoraporém
apparecendo,foi praticada a secção do sciatico e
em
seguida a desarticulação da coxa, occasião únicaem
que elle conseguio resultados favoráveis.As
dores cicatriciaes mais frequentemente são produzidas poruma
compressão dos filetes nervosos, devida a retratilidade do tecido
cicatri-cial, ou por
uma
dilatação outumor
fibroso, que seforma na extremidaded'aquellesfiletes próxima acicatriz, ou por adherencias da própriacicatriz
com
um
osso subjacente, ou d'estecom
o nevroma; entãoum
attrito,uma
pressão,um
movimento
brusco, obrandocomo
causas occasionaes,levam estas dores a
um
gráo tão elevado, que nãoé rarover-seos doentes nessas occasiões cahiremem
estado de syncope.Em
muitos casos ascicatrizes são sugeitas á dores periódicas, devidas ao estado de
hygrome-tricidade
em
que se acham, e no dizer deM. Vidal de Cassis semelhantes dores servem de barómetro aos doentes, poisquebastaellasapparecerempara verificar-se na atmosphera
uma
maior quantidade de vapor d'agua.MMypertrophias—
Estas lesões, devidas ao desenvolvimentoex-cessivo do tecido das cicatrizes são produzidas, conforme a opinião de M. Broka,
em
virtude deuma
disposição mórbida do systema cutâneo,25
de diatheses que
tem
sua sede nos líquidos do organismo, amais perfeitasaúde existe
em
certos indivíduos; entretantoem
consequência deum
vicio de nutrição, tumores
homeomorphos
seformam
no systema cutâ-neo, multiplicam-se pordifferentespartesdomesmo
systema,reproduzem^sequando sào extirpados;
mas
não alteram o estado geral, que continuasempre perfeilo.
As
hypertrophias que de preferencia se apresentam notecido de
uma
cicatriz tegumentar são o keloide, ostumoresverrucosos e as producções córneas.Bieioifie
—
Este tumor determinado poruma
hypertrophia do tecido fibroso daderme
apresenta-se deuma
maneira insidiosa,com
a forma deum
pequeno tubérculo, duro, arredondado ou oval e indolente.Alibert, que foi o primeiro que fez adescripçãod'esta moléstia, deu-lhe
o
nome
de cancroide e co!locava-a na classe dos tumorescancerosos, atéque pelas observações microscópicas reconheceu-se, que
nenhuma
cellulaespecial havia que a pudesse collocar
em
tal classe. Elie distingueduas espécies de keloides ,
uma
que se produz espontaneamente, aqual dá o
nome
de verdadeiro; outra que se manifesta nas cicatrizes,que denomina keloide falso ou cicatricial.
Não
ha razão para taldistincção, não só porque os
symptomas
locaes, que elle verificousomente no keloide espontoneo,
como
sejamum
prurido ardente,pica-das, dores lancinantes que se exacerbam nas
mudanças
atmosphericas, existem igualmente no keloide cicatricial,como
temos tido occasião de verificarem
alguns casos. Esta opinião encontra apoio na de differentes práticos, entre outros M. Follin, o qualbem
fundado naanalogia da estru-ctura intima desses tumores, e por ter reconhecido que osmesmos
sym-ptomas se
acham
em
ambos, se exprime desta maneira:—
os keloides
cicatriciaes são tumores da
mesma
natureza que oskeloidesespontâneos.A
producção do keloideem uma
cicatriz não passa deum
effeito, cujacausa existia no systema cutâneo: havia
uma
disposição paraformação detaes tumores, e sua manifestação dá-se,
em
consequência deuma
causaoccasional. Assim
como
nãose explica aformaçãodostumores cancerososem uma
cicatriz senão porum
vicio especial da organisação, ou,em
outras palavras, poruma
diathese existente no organismo, damesma
maneira não se explica a formação de keloides nella, senão por
uma
disposição previa do systema cutâneo para semelhantes tumores, que
for-mar-se-hiam mais cedo ou mais tarde, independente de qualquer lesão traumática.
Até boje são completamente obscurasascausas productoras do keloide, cuja formação dá-se
em
ambos
os sexos eem
todas idades; entretantotem-se notado que elle se produz de preferencia nas pessoas do sexo feminino e na idade adulta, sendo
porém
bastante raro que se forme naidade avançada.
Os
indivíduos dotados de temperamento lymphatico, e,entre nós, os que pertencem a raça negra são osque mais
commummente
veem-se atacadosde taes tumores, quealiás não trazem alteração
alguma
ao estado geral.
Ha
para o keloide cicatricialum
certonumero
desym-ptomas pelos quaes se podefazero seu diagnostico
com
certeza.De
facto, depois da cicatrização deuma
ferida forma-se muitas vezes lentamenteum
tumor
cylindrico, oval ou quadrado, que eleva-seem
seus bordos eenvia para os lados, prolongamentos que lhe dão a forma de urn
caran-guejo. Esse tumor, que pode ficar estacionário, desenvolve-se e
toma
algumas vezes formas consideráveis
sem
que todavia tragaalgum
incom-modo
a não seruma
comichão, ou picadas que se exacerbamem
certascondições atmosphericas, ou
em
certos estados individuaes especiaes,como
a epocha menstrual, ete.A
sua epiderma é delgada, ora lisa, ora enrugada, assemelhando-se ade
uma
cicatriz de queimaduras, donde dizem alguns que lhevem
o seunome.
É
duro e resistente; apresentauma
cor mais vermelha que os teci-dos normaes; desapparece raras vezes espontaneamente e é sempresus-ceptível de reproducção.
A
parte anterior do sterno éum
ponto onde maiscommummente
estetumor
se apresenta; todavia ha muitos factos de keloides encontrados naface, nascostas, nos
membros
superiores e inferiores, etc.Wtnnores
verrucósos—
Follin considera-oscomo
o typo dasbypertrophias do corpo papillar da derma. Elles
tem
sua séde, deprefe-rencia, sobre certas regiões
como
a face dorsal das mãos, as partes ge-nitaes, a face, as orelhas e aquelles pontosem
que asmucosas
seunem
com
a pelle, apresentando-se mais vezes nas crianças do que nosindiví-duos idosos.
Tomam
a forma de pequenos tubérculos duros, cónicos,arredondados, sessis ou pediculados; sua superfície rugosa se apresenta
algumas vezes
com
grandenumero
de prolongamentos, que faz parecerque se acha cheia de fendas.
Quando
estes tumores produzem-seem
grande
numero
achatam-se uns contra os outros, e por qualquer attrito inflammam-se, ulceram-se e dão sahida aum
liquido sanioso queospode
27
Não
é raroverestes tumorestomarem
grande desenvolvimento e seremnestes casos sede de algumas dores; assim
como também
não o édesap-parecerem elles espontaneamente, reapparecerem da
mesma
maneira, oureproduzirem-se depois de extirpados.
Não
seconhecem
as causas da sua producção,porém
tem-se notadoque são mais sugeitas a elles as pessoas lymphaticas, escrofulosas e
syphiliticas, sendo estas ultimas mais
commummente
atacadasnas partes genitaes.Quando
esses tumores são susceptíveis de reproducção ébem
provável que sejam devidos a
uma
disposição própria, ou aum
vicio denutrição das papillas da derme. Produzem-se mais frequentemente nas cicatrizes resultantes de feridas de queimaduras, nas dos cáusticos ou
naquellas que são submettidas a pressões ou irritações diversas.
SProfhtcções
córneas
—
Nas cicatrizescomo
nos tecidos sãosverificam-se diversos factos de excrescências d'esta natureza, que são devidos, conforme todos os pathologistas, ao desenvolvimento exagerado dos elementos epidérmicos.
As
suas formascomo
o seutamanho
variam muito; assim apresentam-se arredondadas, achatadas, outras vezes enros-cadas,com
5, 6 e mais centímetros de comprimento.A
falta de asseio eprincipalmente as pressões continuadas são as causas que mais actuam
para a formação d'essas vegetações, que depreferencia se encontram nos
cotos dos amputados, ou
em
quaesquer outras cicatrizes sujeitas apres-sões.
Quando
produz-seuma
irritação na cicatriz que tem vegetação córneaas mais das vezes dá-se a sua queda, não sendo raro ver-se ahi
formar-se
uma
ulcera,bem
que taes producções não contraiam adherenciasin-timas
com
o tecido cicatricial.Thtmores cancerosos
—
Reconhecendo a incompleta descripçãoque aqui faríamos d'esta espécie de tumores, limitar-nos-hemos
unica-mente
a apresental-oscomo
complicações das cicatrizes, tanto porqueassim satisfaremos o que exige o nosso trabalho, pois não escrevemos
especialmente sobre cancros,
como
porque não o poderíamos fazersem
entrarmos
em
assumpto inteiramente diverso, o que nos obrigaria a darmuita extensão a este escripto.
Em
vista d'isto diremos, que éem
virtude deuma
diathese que taestumores se apresentam
em
uma
cicatriz; não sendoporém
raro quea suaformação seja devida a