LUiSA MARGARIDA CAGICA CARVALHO
EMPREENDEDORISMO
E
INOVAQAO:
UM
MODELO PARA
O
SECTOR
SERVIQOS
Dissertagio
apresentada
drUniversidade
de
livora
para
a
obtengio
do
grau
de
Doutor
em
Gestio
UNIVERSIDADE
DE
EVORA
EMPREENDEDORISMO
EINOVAQAO: UM MODELO PARA
O SECTOR
sERVrqos
Luisa
Margarida
Cagica
Carvalho
Orientador:
Professor
Doutor
Soumodip
Sarkar
Jfiri:
Presidente:
,l
t{
,zf
6
Vice-Reitor da Universidade de Evora Prof. Doutor Carlos
Alberto Falcio
MarquesVogais:
Doutor Joaquim Jos6 Borges Gouveia
Doutor Jos6 Paulo Afonso Esperanga
Doutor Soumodip Sarkar
Doutor AdSo Ant6nio Nunes de Carvalho
Doutor Manuel Duarte Mendes Monteiro
Laranja
Doutora Palmira Celeste Semido de Lacerda
Doutor Pedro
Miguel
de Jesus Calado DominguinhosABSTRACT
The
twin
themesof
entrepreneurship and innovation are today omnipresent at various levelsinvoked and
appliedby
diverse actorsfrom firms to policy
makers.It
is
generallywell
known
that the service sector holds the biggest potentialfor growth
andconhibution
tojob
creation and
wealth
creation
in
the
developed economies.In
this
context
the
sfudy
of
entrepreneurship and
innovation
in
serviceshold
special relevance, gtventhe
difficulty in
understanding
and defining different
aspects,as
well
as
paucity
of
data
that
poses achallenge
to
researchers,which
in tum
explains therelatively
little
research outputin
thisarea.
The present study has as its
principal
focus the entrepreneurial and innovation processin
theservice sector, attempting
to
respondto
a
setof
questionsof
theoretical nature aswell
ascoming
up with
some modelsthat
try to
explain this
process.We first
study
and presentavailable literature on entrepreneurship and innovation
in
serviceswhich
then enables us toanalyze and present models that permit empirical application
of
a set of questions.The empirical
studiesuse
data
from
two
sources,first
applying the
data
baseof
theCommunity Innovation Survey (CIS
m)
for Portugal, usingmultivariate
data analyses basedon the application
of
logistical regression analyses to test a setof
hypotheseswith
regardsto
innovation, including
whether
there are any
differences between
the
service
and
theindustrial sector, entrepreneurship in terms of the age
of
firms,firm
scale and innovation and other related questions.Additionally
we also conduct a moremicro
study based onfirm
datathat
we
collectedin
the
commerce,hotels
andtourism
and business services,where
weperform multivariate
analysesto
the
dataapplying the
IntegratedInnovation Model.
Theconcluding
remarks
reveal
some
trends
and new
perspectivesabout innovation
and entrepreneurship research.RESUMO
Os temas empreendedorismo
e
inovagdo tornaram-se omnipresentes, sendo abordados porviirios
intervenientes a v6riosniveis e
emtodo
o
mundo.O
sector dos servigos tornou-se num dos sectores com maior potencial de crescimento e no que mais contribui para aciaqdo
de
emprego
e
de
iqueza nas
economias ocidentes.
Neste contexto,
o
estudo
doempreendedorismo
e
da
inovagSono
sector dos servigos assumeparticular
relev6ncia.A
juventude
do
tema
determinaa
escassezde
estudos, sobretudode
nattreza empirica
e constitui um desafioi
investigagdo.Deste modo, a presente investigagSo tern como preocupagdo o estudo e reflexfio do processo empreendedor/inovador
no
sectordos
servigos, procurando respondera um
conjunto
de questdes de natureza te6rica sobre a possibilidade deidentificar
modelos explicativos deste fen6meno.Assim, pretende-se organizar a literatura
disponivel
sobreo
assunto epartir
dessa revis6omoldar
modelos quepermitam
o
estudodo
empreendedorismoe
inovagSono
sector dosservigos, considerando
o
desenvolvimentode
estudosempiricos originais que
permitamresponder
a
quest6ese
lacunas identificadas
na
literafura
sobre
empreendedorismo einovagSo.
Os
estudos ernpiricos realizadosrecoffem
d
basede
dadosdo
Inqu6rito Comunit6rio
i
InovagSo
(CIS
m)
de Portugal, para atrav6s de uma an6lise multivariada de dados baseadana
aplicagSo
de
modelos
de
regressSologistica testar
um
conjunto
de
hip6teses,nomeadamente,
as
diferengasentre
a
indristria
e
os
servigos,o
ernpreendedorismo nasempresas jovens, a relagSo entre inovagSo e dimensdo, e a inovagSo
no
sector dos servigosatendendo
is
tipologias de inovagdo no servigo, no processoe
organizacional. Apresenta-se,ainda
um
estudoempirico
baseadonuma
amostrade
empresasrecolhida
em
Portugal, pertencentesao
com6rcio,d
hotelariae turismo
e
aos servigosde apoio
ds empresas que pretende consideraro
fen6meno aonivel
da ernpresa, eque
aplicard um modelo de an6lisemultivariada recolrendo
ao Modelo
Integrado.
As
conclus6esrevelam
um
conjunto
deNOTA
DE
AGRADECIMENTO
Face
i
impossibilidade
de
nomeartodos
os
que
de
alguma
forma
contribuiram
para a realizaqdo deste projecto de investigagdo, a todos exprimo o meu sincero agradecimento.Uma palawa
especial
de
agradecimentoao
Professor
Doutor Soumodip
Sarkar, por
gentilmente
ter
assumido
orientar esta
investigagdo,pela
sua
disponibilidade,
apoioincondicional, encorajamento e principalmente pelas suas criticas e sugest6es oportunas ao
longo desta jornada.
Desejo agradecer, ern especial, d Professora Doutora Cesaltina Pires pelas sugest6es e apoio
na parte empirica relativa
i
comparagSoentre
sectores.E,
d
Doutora
Ana
Costa pelos oportunos coment6rios e apoio na parte empirica relativa ao Modelo Integrado.Desejo agradecer aos meus colegas
de
equipa, aos meus alunose d
Escola
Superior deCi6ncias
Empresariaisdo
lnstituto
Polit6cnico
de
Setubalpelo apoio
prestado
e
peloestimulo
i
prossecugdo desta investigagSo.Fica ainda registado
o
agradecimento ao Observat6rio da Ci6ncia e do Ensino Superior, napessoa da Professora Doutora Teresa Lemos, pela disponibilizagfio da base de dados do CIS
III
para Portugal, bem como, aos elementos da equipa de preparagdo da base de dados. E,ainda,
a
todasas
associag6es empresariaise
empresasque
colaboraramna
resposta aoinqu6rito
incluido
nesta investigagdo.Desejo ainda dedicar
um
caloroso agradecimento dminha
familia,
aomeu
filho
Jo6o, aomeu marido Delmar
Soromenho,aos meus
pais
Arrr{bida
e
JoSoCarvalho
e
demaisfamiliares e amigos pela paciCncia, compreensdo, incentivo, apoio e estimulo ao longo desta
caminhada.
INDICE
Indice
deFiguras
fndice
de TabelasTNTRODUqAO
1. Enquadramento Geral e Relevdncia do Problema a Investigar
2. Objectivos da InvestigagSo
3. Organizaqdo do Documento e Gui6o de Leitura
PARTE
I.
FUNDAMENTOS TEoRICOS
SOBREEMPREENDEDORISMO
E
TNOVAqAO
cApiTULo
r.
UMA
REvrsAo
DE
LTTERATURA soBRE
rNovACAo
1.1. Nota Introdut6ria
1.2. Inovagdo: Alguns Conceitos e Definig6es
1.3. Tipologias de InovagSo
1.4. Inovagdo na Literatura Econ6mica
1.5. O Processo Inovador.
1.5.1.Evolug6o dos Modelos Explicativos do Processo Inovador
I.5.2.
ANatureza Sist6mica do Processo Inovador, o Risco e as Redes1.6. O que se entende por Diferenciagdo
x
xi
I
J 10lt
t2
t2
t2
18 26 33 33 35 39CAPITULO
II. UMA
REVISAO
DE
EMPREENDEDORISMO
2.1. Nota Introdut6ria
LITERATURA
SOBRE 4343
44 2.2. O Empreendedorismo como uma Area de Investigagdo Acad6mica
2 .3 . C onceptualizagdo do T ermo Empreend edori smo 2.4. Estudo do Fen6meno do Empreendedorismo
2.5. O Empreendedor
2.6. Empreendedorismo e Contexto
2.T.Empreendedorismo no Mundo:
A
perspectiva do GEM2.8. Empreendedorismo e Pequenas e M6dias Empresas:
A
Visdo da OCDE2.9.Empreendedorismo e o Futuro
siNTnsn
DA
PARTE
I.
FUNDAMENToS
TEoRICoS
SoBRE
EMPREENDEDORISMO
EINOVACAO
PARTE
rr.
EMPREENDEDORTSMO
E
TNOVAQAO
NO
SECTOR
DOSSERVTCOS:
CONCEPTA
ALTZAqAO
EMETRTCA
CAPiTULO
ilI.
EMPREENDEDORTSMO
E TNOVAqAO NO
SECTOR
DOSsERVrqos
3.1. Nota Introdut6ria
3.2. Servigo: Nog6es, Categorias e Enquadramento
3.3. Caracteizagdo do Sector dos Servigos
3.4. Caracteizagdo do Sector dos Servigos em Portugal
3.4.1. O Sector do Com6rcio
3.4.2. O Sector dos Transportes e Telecomunicagdes
3.4.3.
A
Hotelaria e Restaurag6o3.4.4. Os Servigos Financeiros
3.4.5. Servigos de
Apoio
ds Empresas3.5. Servigos e Com6rcio Internacional
3.6. InovagSo no Sector dos Servigos
47 55 57 62 64 68 70 73 76 77 77 78 84 89 92 94 95 97 98
t04
t07
RelagSo entre os Servigos e a Indristria
An6lise de Dois Sectores
de
Apoio
ds EmpresasPromotores e Condicionantes
cApiTULo
rv.
vmrnrcn
Do
EMPREENDEDORTSMO E
DA
rNovAeAo:
MEDIDAS
MICRO
E
MACROECONOMICAS
4.1.
Nota Introdut6ria4.2. Medidas
Micro
Econ6micas4.2.1. Fungdo de Produgdo de Conhecimento
4.2.2.
A
DimensSo da Empresa4.2.3. Estrutura de Mercado
4.2.4. O Contexto Geogr6fico
4.3. Medidas Macroecon6micas
4.3.1. Pain6is para
Medir
Inovagio4.3.1.2. Os Contributos do Manual de Oslo
4.3.1.3. O Painel Europeu de InovagSo
4.3.1.4. O fndice de Inovagdo dos
EUA
4.4. Problemas na M6trica da Inovagfio
4.5. Medigdo da Inovag6o nos Servigos
4.6.
A
AplicagSodo
Modelo
Integrado parao
Estudodo
Empreendedorismo e Inovagdo no Sector dos ServigosSiNTESE
DA
rARTE
rr.
EMrREENDEDoRTsMo
E
rNovAqAo
No
SECTOR
DOS
SERVIQOS:
c ONCEPT A
ALTZAQAO
n
VmrnrCA.
120 124
t24
t29
132 135 135 138 138 143t4s
146 147 149t49
151 154 156 r57 162 170PARTE
III
_
EMPREENDEDORISMO
SERVIQOS:
ESTUDOS
EXPLICATIVOS
E
TNOVACAO
NO
SECTOR
DOSEMPIRICOS
E
MODELOS
CAPiTULO
V.
METODOLOGIA, HIPoTESES
E
DESENHO
DA
INVESTIGAQAO
5.1. Nota Introdut6ria
5.2. Objectivos e Hip6teses
5.3. Desenho da Investigagfio
5.3.1. Abordagem baseada no CIS
ilI
5.3.2. Abordagem baseada no inqu6rito por questioniirio
5.4. Sintese da Metodologia
r75
176 176t78
180 180 181 182CAPTTULO
Vr.
TNQUERTTO COMUNTTARTO
A
TNOVAqAO
(CrS):
183EVOLUqAO,
PERSPECTTYASE COMPARAQOES
6.I . Nota
Introdut6ria
1836.2. O Inqu6rito Comunit6rio d Inovagdo
(CIS)
1836.2.1. Evolugdo Hist6rica da Aplicagdo do Inqu6rito Comunitilrio d Inovagdo
(CIS)
184 6.2.2. Levantamento dos Estudos Sobre lnovaq6o com Base noCIS
1886.2.3.Inovag5o ern Portugal: Tend€ncias reveladas pelo CIS
il,
III
eIV
lgl
6.2.4. O Inqu6rito
Comunitiirio
d Inovagdo - CISm
emPortugal
1936.3. An6lise do CIS
III
para o SectorServigos
196 6.3.1. Caracteristicas dasEmpresas
1976.3.1.1.Localizag5o
Geogr6fica
lg7
6.3.1.2. DimensSo
Empresarial
1986.3.1.3. Multinacionalidade e Pertenga a Grupo
Empresarial
l9g
CAPITULO
VII.
ESTUDO COMPARATIVO
DO
COMPORTAMENTO
214INOVADOR NA
TNDUSTRTA E NOSSERVTqOS
6.3. 1.5. Principais Mercados
6.3.2. InovagSo, Recursos e Resultados
6.3.2.1. Empresas com Actividades Inovadoras em Curso
6.3.2.1. Recursos de InovagSo
6.3.2.2. Relagdo entre os Recursos e os Resultados de Inovagdo
6.3.3. Protec96o da InovagSo
6.3 .4. Mudangas Estrat6gicas e Organizacionais
7.1. Nota Introdut6ria
7.2. O Modelo
7.3. Hip6teses e Testes
7.4. Apresentagdo dos Resultados e Discussfio
CAPITULO
VIII.
UMA ANALISE
APLICADA
AO
SECTOR
SERYIqOS
8.1. Nota Introdut6ria
8.2. Aspectos Metodol6gicos
8.3. InovagSo no Servigo, no Processo e Organizacional
8.4. lnovag6o, Dimensdo e Sector de Actividade
8.5. O Modelo
8.6. Hip6teses e Testes
8.7. Apresentagdo e Discussdo dos Resultados do Modelo
8.8. Efeitos Associados
i
Inovag6o8.9. Factores que Condicionam a Inovag6o nos Servigos
200
20t
202 202 2072tt
212 214 215 222 22s 240 240 240 243 244 245 246 250 256 2s9CAPITULO
IX:
PERCEPqAO, COMPORTAMENTO
E
RESULTADOS:
UMA
ANALISE DO
SECTOR SERVICOS
ATRAVES
DO
MODELO INTEGRADO
9.1. Nota introdut6ria
9.2. Aplicagdo Empirica do Modelo Integrado
9.3. Construgdo da Amostra
9.4. An6lise
Multivariada
de Dados9.5. As Empresas nos Arqu6tipos do Modelo Integrado
SINTESE
DA
PARTE
III.
EMPREENDEDoRISMo
E
INoVAqAo
No
SECTOR
DOS
SERVIQOS:
ESTUDOS
EMPIRICOS
EMODELOS
EXPLICATIVOS
PARTE
III.
CONCLUSOES,
REFLEXOES
ERECOMENDAq6ES FINAIS
cApiTULo
x.
REFLEXOES
FrNArs
E
pRoposrAs
DE
ACTUAqAO
10.1. Resumo e Conclus6es 10.2. Sintese 10.3 Recomendag6es
BIBLIOGRAFIA
ANEXOS
indice de Anexos 261 261 262 263 270 280 286 290 291 291 308 310 314 347 348INDICE
DE
FIGURAS
Figura
1.1. Mapa de DescontinuidadeFigura
1.2.
An6lise das teorias formais
e
outras
abordagens sobre investigagSo de inovagdo em economia da inovagdoFigura 3.l.Valor
Acrescentado a pregos constantesem
1995e
em 2005,EU-zs
(%)Figura
3.2. Evolug6o do Emprego em 1995 e em 2005, EU-25 (%)Figura
3.3.Valor
Acrescentado Bruto (quota) nos 5 paises com maior peso dos servigos e nos 5 paises com menor peso do sector servigosFigura
3.4.Nfmero
de Empresas,EU-25,2003X'igura 3.5. Repartigdo do
VAB
por
sector de actividade em Portugal e naEU-25
Figura
3.6. Estrutura doVAB
Sectorial em Portugal, em 1995 e em 2006Figura
3.7.
Servigos
de
Apoio ds
Empresas:
Emprego
e
Valor
Acrescentado
Figura
3.8.
Valor
Acrescentadopor
dimensdoda
empresaElJ-25,
2003(%)
Figura
3.9. Posicionamento do TurismoFigura
4.1. indice de InovagdoFigura
4.2. QuadranteI:
Os Principais Arqu6tipos de MercadoFigura
4.3. O Modelo Integrado de InovagdoFigura
4.4. Empreendedores no Modelo IntegradoX'igura 5.1. Dos Objectivos Gerais aos Objectivos Especificos
Figura
5.2. Dos Objectivos especificosis
Hip6tesesFigura
6.1. Distribuigdo por NUTSFigura
6.2. DimensSo EmpresarialFigura
6.3. Pertenga a Grupo EmpresarialFigura
6.4. Principal Mercado24 27 85 86 87 88 90
9t
100 101 128 154t63
167 168 178 179 197 198 199 201Figura
6.5. Empresas comI&D
Intramural por Dimensdo EmpresarialFigura
6.6. Empresas comI&D
Extramural por Dirnensdo EmpresarialFigura
6.7. Aquisig6o de M6quinas por Dimensdo ErnpresarialFigura
6.8. FormagSo por DimensSo EmpresarialFigura
6.9. Marketing por Dimensdo EmpresarialFigura
6.10. RelagSo entre os Inputs de InovagSo e o Aumento da Gama deProdutos
Figura
6.11.
Relag6o
entre
os
Inputs
de
Inovagio
e
o
Aumento
do Mercado ou da Quota de MercadoFigura
6.12.
Relagdo
entre
os
Inputs
de
Inovag6o
e
o
Aumento
da Qualidade dos ServigosFigura
6.13. Protecgdo da Inovag6oFigura
6.14. Mudangas Estrat6gicas e OrganizacionaisFigura
8.1. AutoclassificagSo das Empresas de Servigos como Inovadoras(crs
ilr)
Figura
9.1. Arqu6tipos(Y-
Marketing)Figura
9.2. Arqtdtipos(Y
-
Sustentabilidade do Produto)ixurcp
DE
TABELAS
Tabela
1.1.Defini96es de InovagSoTabela
1.1. TrCs Sec96es ou Tipos de InovagSoTabela
2.l.Cinco
Eixos Chave na Definig6o de EmpreendedorismoTabela 3.1. Crit6rios utilizados na classificagSo dos servigos
Tabela 3.2.Classificag6o dos Servigos Prestados irs Empresas
Tabela 3.3. Inovagdo nos Servigos
Tabela 3.4. Tipologias de inovagdo no Sector dos Servigos
Tabela 3.5. Formas de Inovagdo nos Servigos
203 204 205 206 207 208 209 210 212 213 244
t7
20 54 80 99 108tt7
ll9
281 282Tabela 3.6.
Valor
acrescentadopelos
servigos incorporadosnos
bensindustriais em percentagem do total dos bens manufacturados finais.
Tabela
3.7. Papel dos KIBS na InovagdoTabela
4.1. Yai|veis
do Innovation Index(EUA)
Tabela
6.1. Nrimero de Empresas do CISIII
para Portugal por dimensEo epor sector
Tabela
7.1. Descrigdo das Vari6veis do ModeloTabela
7.2. CAE por Sector e por Subsector Tipos de InovadoresTabela
7.3.Inputs
de InovagSo e Actividades Relacionadaspor Tipos
de InovadoresTabela
7.4. Testes de Hip6teses d igualdadeentre/ir,fizellsno
Modelo
I
Tabela
7.5. Testes de Hip6teses d igualdade entre/31,/32e133no Modelo 2Tabela
7.6. Testes de Hip6teses d igualdadeentre/ 1,/32e/ijno
Modelo 3Tabela 8.1. Descrigio das Vari6veis do Modelo
Tabela 8.2. Tipos de lnovag6o, Subsectores e Inputs de InovagSo
Tabela
8.3. Efeitos da lnovag6oTabela
8.4. Factores que Condicionam a InovagdoTabela
9.1. Construg6o daAmostraTabela
9.2. Caracterizagdo daAmostra por SectorTabela 9.3. Caractenzaqdo daAmostra por Dimensdo Empresarial
Tabela
9.4. Caracterizagdo da Amostra por IdadeTabela
9.5. Caracteizagdo da Amostra por RegidoTabela 9.6. Factor
1.
Posigdoda
Empresa Baseadana
Estrat6gia deMarketing
Tabela
9.7. Factor 2. Performance EmpresarialTabela
9.8. Factor 3. Sustentabilidade do ServigoTabela
9.9. Factor 4. Estrutura de Mercado131 155 195 215
2t9
226t2t
230 232 235 245 251 2s7 260 266 268 268 269 269 273 274 27s 276Tabela 9.10. Factor 5. Concorrdncia
Tabela 9.11. F'actor 6. Poder de NegociagSo
Tabela 9.12. Distribuigdo dos Sectores por Arqu6tipos
(Y-
Marketing)Tabela
9.13.
DistribuigSo
dos
Sectores
por
Arqu6tiposSustentabilidade do Produto)
(Y-277 278 284 284TNTRODUQAO
GERAL
1.
Enquadramento
Geral
eRelevincia
do
Problema
a
Investigar
Empreendedorismo
e
inovagdo
sdo
hoje
factores
considerados essenciais aocrescimento
e
desenvolvimento econ6micodas
nag6es(Acs
e
Armigton,
2003;Audretsch e Fritsch, 2002;
Birch,
1987; Carree eThurik,
2003; Schumpeter, 1934).Para al6m dos contributos te6ricos, os responsSveis
politicos
tamb6m reconhecem opapel
do
empreendedorismoe
inovagdo, tendovindo
a ser expressoo
seu interesseatrav6s
de
diversos esfudos, documentose
instrumentos, nomeadamente,o
Green Paper of Innovation (1995), Innovationfor
Growth and Employment (1997),o
GreenPaper: Entrepreneurship 'n Europe (2003) e Innovation
Policy:
Updating the (JnnionApproach in the Context of Lisbon Strategt (2003), entre outros.
Paralelamente
d
Onfase dada ao empreendedorismoe
inovagdo, constata-se que naseconomias desenvolvidas
actuais
o
sector
dos
servigos
desempenhaum
papelfundamental sendo o
tinico
sector capaz de impulsionar o crescimento nas economiasindustriais avangadas (A Report of the Expert Group on Innovation in Services,2007).
Na
Europao
sector dos servigoscontribui
para a criagdo de cerca de dois tergos doemprego
e do
PIB,
sendoo
rinico
sector capaz de gerar emprego nas duas irltimasd6cadas
(Eurostat, 1999; OECD,
200t), por outro
lado,
este sectorconstitui
umelemento
intrinseco
na
sustentagSoe
incremento
da
competitividade
do
sectorindustrial, sendo reconhecido
por
v6rios paises membros da Uni6o Europeia o papelA par do reconhecimento do sector dos servigos para o crescimento e desenvolvimento
econ6mico das sociedades actuais, constata-se que
o
estudodo
empreendedorismo einovagdo neste sector est6 ainda numa fase
inicial,
tendo sido prestada pouca atengdoao sector
o
que se reflecte nas politicas priblicas sectoriais ejustifica
a prem6ncia decompreender melhor este sector.
Os factos permitem que nos interroguemos: Porque razdo um sector t6o relevante em
termos de dimensdo
e
contributos econ6micos, sobretudona
Europae
Am6rica doNorte (A Report
of
the Expert Group on Innovationin
Services,2007; Beyers, 2002,2005)
continua
a
ser
t6o
pouco
estudado?
Muitas
quest6es acerca
do empreendedorismo e inovagSono
sector servigos pernanecem sem resposta ou comrespostas pouco consistentes.
Neste contexto formulamos
um
conjunto de questSes (ou preocupag6es), que ap6s arevisdo
de
literatura nos parecem estar escassamente estudadas perrnanecendo semresposta
ou
com
respostaspouco
clarase
que se
traduzemem
objectivos
desta dissertag6o.Numa fase
inicial
da investigagdo houveo
ensejo de encontrar um modelofnico
queservisse de base ao estudo deste tema. Contudo d medida que decorreram as diversas
etapas da investigagSo concluiu-se que a heterogeneidade do sector, a importdncia de o
comparar
com
a
indirstria
e a
naturezasist6mica
dos
fen6menosem
esfudocondicionavam a formulagdo de um modelo irnico que abarcasse toda a realidade. Por
esse
motivo
esta investigagdo recorre a v6rios modelos que se complementam para o2.
Objectivos
da InvestigagSo
eHip6teses
Nesta secgSo introduzem-se as quest6es da investigagEo que desembocam nos seus
objectivos gerais e especificos.
Quando comegamos o processo de investigagSo sobre empreendedorismo e inovagdo,
surpreendemo-nos
com
as escassas refer6nciasa
esfudos sobre empreendedorismo einovagdo
no
sector dos servigos, sendo esteum
sector relevanteno
contexto actual.Ficamos curiosos,
com
vontadede
aprofundar conhecimentose
de
investigar paratentar responder a algumas quest6es que se colocavam na parte explorat6ria do estudo:
"Porque raz6o os estudos sobre este tema eram pouco abundantes comparativamente
com
estudossimilares
aplicadosi
indtistria?";
o'Porque ser6que
um
sector t6o relevante paraa
criagdo de empregoe
de riqueza permanecia t6o pouco estudado?; o'Porquerazdo algons subsectores dos servigos considerados em expansdo, em termos,
de receitas geradas em todo o mundo como o turismo, permaneciam pouco estudados
em termos de inovag6o?"; "Quais s6o, neste contexto, as principais diferengas entre
servigos e indristria? e, "Como se processa o empreendedorismo e inovag6o no sector
dos servigos em Portugal?" Todas estas interrogagdes, usuais numa fase explorat6ria
da
investigagdo,permitiram-nos
formular
as
grandes quest6esda
investigagdoaglutinadoras
dos
aspectos enunciados.Assim
sendo,as
grandes quest6esque
secolocam s6o as
seguintes:
Poder-se-6 estudaro
empreendedorismoe
inovagdo nosector dos servigos recorrendo a um rinico modelo?; Em que difere a inovagio entre os
servigos
e
a
indfstria
?;
Em
que medida
os tipos de
inovadoresinfluenciam
aempreendedoras
numa
perspectiva Schumpeteriana?;At6
que ponto
a
dimensSoinflu6ncia
a
inovagdo empresarial?;A
inovagdodifere
entre
os
subsectores dosservigos?;
Em
que medida os inputs de inovagdo influenciam ostipos
de inovagSo(servigo, processo e organizacional)?
Este conjunto de questdes permitem formular os objectivos gerais que se sub dividem
em
objectivos
especificose
que
por
sua
vez, se
traduzemnas
hip6teses destainvestigag6o.
O
primeiro objectivo
geral desta investigagSo6
o
estudodo
empreendedorismo einovagdo
no
sector servigos atrav6sde
uma
revisio de
literatura
adequadae
daidentificagdo de modelos e de vari6veis adequadas ao estudo, e,
o
segundo objectivogeral
visa
apresentare
testar empiricamente modelos que permitam compreender eexplicar
o
empreendedorismo e inovagdono
sector dos servigos. Estes dois grandesobjectivos subdividem-se num conjunto de objectivos especificos.
O
primeiro
objectivo especifico, consolida-se atrav6s do levantamentoe
orgarizagdode bibliografia relevante sobre empreendedorismo e inovagEo no sector dos servigos e
na
apresentagSo deum
estudode
nattreza explorat6riodo
Inqu6rito Comunit6rio dlnovagSo (CIS)
II,
III
eIV
para Portugal e uma an6lise doCIS
III
parao
sector dos servigos. Este estudo de revisSo de literatura permitiu-nos identificar a concepgdo oucorrente te6rica de empreendedorismo e inovagdo adoptada por esta investigagSo. Uma
vez que esta dissertagdo se propde a estudar o empreendedorismo e a inovagdo, tornou-se fundamental tornou-seguir uma corrente que interrelacionasse os dois conceitos,
por
esseautor associa empreendedorismo a inova96o, ao assumir o papel do empreendedor no
processo de ruptura, de descontinuidade face ao passado,
por si
denominado como destruigSo criadora. Nos seus primeiros trabalhos(Mark,f
considerou o conhecimentocomo algo
ex6genoao
desenvolvimentoecon6mico, sendo
o
empreendedor oresponsivel
por
gerare gerir
esse conhecimento sendoa
sua principal motivagdo olucro.
Numa
segunda etapada
sua
obra (Mork
11) reinterpretatodo
o
processo considerando que este n6o 6 apenas levado a cabo pelo empreendedor individual, mas6 uma ac96o que tem natureza sist6mica. Estas marcas de Schumpeter acabaram por
influenciar as
teorias neocl6ssicase
muitas das
hip6teses formuladas (dimens6o, estruturade
mercado)que t6m
vindo
a
ser testadase
desenvolvidas at6hoje
pordiversos autores (Nelson,
Winter,
1982). Neste contexto, a concepgdo Schumpeterianapela
sua adequagio ao tema desta investigag5oe pela
sua relevdncia atestada pelafrequ€ncia com que 6 utilizada em trabalhos cientificos e de investigagSo sobre estes
assuntos (Hoaas
e
Madigan,
1999;McGraw,
20o7; Nicholas, 2003) ser6 adoptada.Acresce-se que esta concepgdo ser6 conciliada, na parte empirica, com a concepgdo de
Gartner (1989) que associa o tema
i
criagdo de novas organizagdes, uma vez que estadissertag6o tenta tamb6m responder ir questSo em debate na literatura de at6 que ponto
as
empresasmais
jovens
s6o
mais
empreendedoras.O
que torna
necess6ria a consideragdo do indicador criagdo de empresa.O segundo objectivo especifico, pretende analisar em que difere o empreendedorismo
e
inovagSo entreo
sector dos servigose
o
sector industrial.A
revisio
de literatura detectou que os estudos sobre este assunto s6o escassos e n6o encontramos nenhumautores avangam com teorias
parajustificar
a existencia de diferengas, por outro lado,a
constatagdo dessas diferengasfica na
maioria dos
casospor provar de
formaconsistente.
Neste
sentido,
consideramosque
esta
dissertagdopoder6
dar
umcontributo vSlido, na identificagSo e explicagdo das diferengas entre os dois sectores
alimentando o debate te6rico em curso.
O
terceiro objectivo
especificotem
por
intengdo compreenderem que
medida oscomportamentos
dos
inovadores
influenciam
a
probabilidade
de
realizar I&D
(Investigag6o&Desenvolvimento).
A
I&D 6
um
dos
indicadoresmais
utilizadosquando nos reportamos aos inputs
de inovagio
(Acs e
Audretsch, 2003; Cohen eKlepper,
1991,
1992; Schumpeter, 1942).Neste
contexto, parece-nos relevante aintegragio
desteindicador
associadoao
comportamentoinovador das
empresas etentando dar resposta d questdo levantada
por
Gartner (1939) de "Comodefinir
umaempresa como inovadora?".
0
quarto objectivo especifico pretende confirmar se as empresas maisjovens
s6o asmais
inovadoras numa perspectiva Schumpeteriana.Alguns
estudos evidenciam aimportdncia da idade. Contudo, encontramos poucos trabalhos que testem esta vari6vel
em termos sectoriais e uma escassez de estudos aplicados
i
economia portuguesa. Por conseguinte, consideramos que poderemos daro
nosso contributo paraa
an6lise doimpacto desta vari6vel na literatura sobre empreendedorismo e inovagSo, conciliando a
vari6vel
criagSo
de
empresas(Gartner, 1989) com vari6veis
de
inovagdo, na perspectiva discutidapor
Drucker (1985) de que empreendedorismo 6 mais do que aO quinto objectivo pretende perceber se a dimensEo influencia a inovagdo empresarial.
Esta evidOncia aparece provada para a indirstria (Hjalager, 2002; Jensen et
al,
2001;Scherer, 1984; Schumpeter, 1942, Soete, 1982) mas
os
resultados encontrados nabibliografia para
o
sector
dos
servigos
s6o
menos
claros.
Sendo
a
dimensdo consideradapor
diversos autores comomuito
relevante parao
estudo desta tem6tica,consideramos da maior import0ncia a sua inclus6o neste estudo.
O
sexto objectivo
especifico pretendeconfirmar se
a
inovagdodifere
entre
ossubsectores dos servigos. Considerando a divisEo efectuada
por
outros estudos, o tipode
tecnologlae
de
mercadoservido, divide-se
o
sector
servigosem:
com6rcio;transportes e telecomunicag6es; servigos financeiros; hotelaria e turismo e servigos de
apoio ds
empresas.E
recorrentea
caracteizagdo deste sectorcomo
heterog6neo(Bilderbeek
et
al,
1998; Hauknes,1998;
Sundboe
Gallouj,
1999) ser6na
nossaperspectiva relevante saber
at6 que ponto
essa heterogeneidadese
reflecte
nastipologias de inovagdo.
O
s6timo objectivo almeja compreender em que medida os inputs de inovagdo(I&D
interno,
I&D
externo e as parcerias para a inovagdo) influenciam os tipos de inovagdonos servigos (inovag6o
no
servigo, inovagdo no processo e inovagdo organizacional).Os estudos sobre este assunto revelam a importdncia de esfudar de forma esmiugada a
inovagdo
nos
servigos atendendods
suastipologias
e
frequentementereferem
arelevdncia da inovagdo organizacional (Hollenstein, 2000; Howells, 2004;
Licht
et al,1999; Sundbo e
Gallouj,
1998). Pretende-se confirmar se esta tend6ncia se verifica noPor
riltimo,
o
oitavo objectivo
especifico, ambiciona estudar este fen6meno numaperspectiva microecon6mica.
A
maioria
dos
estudos encontradosna
revisdo
deliteratura
s6ode
natureza macro,por
essemotivo
pretende-se complementar estainvestigagdo atrav6s
da
aplicag6opela primeira vez
do
Modelo
Integrado (Sarkar,2005,2007a,2007b) ao sector dos servigos.
O
conjunto de objectivos especificos baseados numa exaustiva revisdo de literatura enos modelos utilizados permitiram formularam um conjunto de hip6teses seguintes:
o
Hl
: As empresas mois jovens (estobelecidas no pertodo entre 1998-2000) sdomais inovadoras.
H2: As empresas de maior dimensdo sdo mais inovadoros.
H3:
A
inovaqdo difere entre os servigos e a indilstria.H4:
Os tr€s tipos de inovadores (pioneiros, imitadores e de processo) produzemefeitos diferentes na probabilidade da empresa realizar
I&D.
H5:
A
inovaEdo difere entre os subsectores dos servigos.H6:
Os
inputs
de
inovagdo
(I&D
interno,
I&D
externo
e
parcerias
paro
a inovagdo) produzem efeitos iguais no probabilidade da empresa inovar.o
H7:
O Modelo Integradod
uma abordagem de mercado aplicdvel ao sector dosservigos.
Em termos metodol6gicos, os estudos empiricos recoffem a uma an6lise multivariada
de dados e apoiam-se em dois tipos de recursos no tnqu6rito Comunit6rio
i
Inovaqdo(cIS IID
para Portugal (capitulosvI,
vII
evII!
e na construgdo deum
amostra decaracterizagSo mais detalhada do sector dos servigos em Portugal em tr6s subsectores
(com6rcio, hotelaria
e
turismoe
servigos de apoio irs empresas). Neste estudo paraal6m
do
inqu6rito
por
question6rioforam
realizados contactoscom
empres6rios eassociagdes representativas das empresas de cada subsector o que permitiu o acesso a
informagdo
mais
detalhada sobreos
subsectorese
sobreas
empresas estudadas(capitulo
IX).
As
abordagensque
recorremao CIS
III
aplicam
modelosde
regressio
logistica (capitulosVII
eVIII)
eo
estudo empirico baseado na amostra recolhida aplica uma an6lisede
componentesprincipais (capitulo
IX).
As
partes empiricas deste estudorecorrem
a
bases de dados que n6oincluem
servigospfblicos, por
essemotivo
sejustifica um menor desenvolvimento do quadro conceptual atendendo
is
caracteristicasparticulares desse subsector.
Em suma,
o
empreendedorismo e a inovagSo s6o reconhecidos como factores fulcraispara as sociedades contempordneas, paralelamente,
o
sector dos servigos parece ser omais dindmico nas economias ocidentais.
No
entanto,um
entendimento dos factoresque
influenciam
o
empreendedorismoe a
inovagdonos
servigosn6o
est6 hoje completamente compreendido. Acreditamos que esta investigagSo possa responder aalgumas quest6es levantadas dando um contributo te6rico para
o
debate em curso naliteratura. Tamb6m
os
decisores
politicos
respons6veis
pelas politicas
deempreendedorismo e inovagdo nos servigos podem beneficiar com
um
conhecimentomais profundo das vari6veis que afectam
o
empreendedorismo e inovagdono
sector,podendo este ser
ritil
para criar sistemas de apoio ao sector, para promover a formagdo3.
Organizaqio
do
Documento
e
Guiio
de
Leitura
Ap6s
a descrigdo do problema a investigar ea
suarelevincia
e como
objectivo decontextualizar
e
de delimitar
o
problemaa
investigar,na
parteI
desta dissertagdo efectuamos uma revisdo de literatura sobre empreendedorismo e inovagdo.A
parteII,
introduz os conceitos no contexto do sector dos servigos e discute o tema da m6trica do empreendedorismo e inovagSo, indicando algumas medidas macro e microecon6micas.
A
ParteIII,
denominadapor
empreendedorismoe
inovagdono
sector dos servigos: estudos empiricos e modelos explicativos, comega por uma abordagem metodol6gica eapresentagdo do desenho da investigagdo e apresenta todas as hip6teses testadas nos
modelos empiricos. Os dois capitulos seguintes dedicam-se a estudos empiricos, onde
se
comparamos
sectoresinduskial
e
servigos,em
termos
de
comportamentosinovadores, e se realiza um estudo desagregado do processo de inovagdo no sector dos
servigos. O riltimo capitulo da parte
III,
relata o estudo empirico desenvolvido, desde acriagSo da amostra at6 ao teste empirico do Modelo Integrado (Sarkar, 2005,2007a,
2007b).
As
partesI,
II
e
III
incluem
no
seufinal
uma
sintese dosprincipais
aspectos e conclus6es dos capitulos que integram. Esta investigagdo, termina com a apresentagdode um conjunto de conclusdes e recomendagdes que permitem compreender melhor o
sector dos servigos, mas tamb6m, entender
a
sua relagSoe
interdepend6nciacom
oPARTE
I
FUNDAMENTOS
TEORICOS
SOBRE
CAPITULO
X.UMA
RE,VISAO
DE
rNovAqAo
LITERATURA
SOBRE
1.1.
Nota
Introdut6ria
Este
capitulo tem
por
objectivo
apresentarum
conjuntode
conceitose
definigdesrelevantes para
a
compreens6oda
inovagio. Neste
contexto, s6o apresentadas astipologias de
inovagSo,6
realizadauma
revisEodo
termo
inovagdono imbito
daliteratura
econ6mica, s6o discutidosos
conceitos inerentesao
processo inovador,considerando os seus modelos explicativos, a sua nattreza sist6mica e a inter-relagdo
com
o
risco
e
com as
redes
de
cooperagdo. Terminaremoso
capitulo com
aapresentagdo de refer€ncias que ajudam a distinguir inovag6o de diferenciagdo.
1.2.
Inovagio:
Alguns
Conceitos
eDefinig6es
Inovagdo n6o 6 uma palavra nova ou um novo tema, desde sempre
o
homem tentouencontrar novas solug6es para responder ds suas necessidades ou para a resolugdo dos
seus problemas.
Actualmente a literatura sobre inovagSo 6 diversa e abundante, contudo nem sempre os
vSrios intervenientes, investigadores, empres6rios, politicos, professores, lhe atribuem
o mesmo significado, sendo esta palavrautilizada em contextos diversos e com v6rios
prop6sitos.
A
frequ6ncia com que a palavra 6 empregue e a diversidade de sin6nimosque
lhe
s6o
associadosdificultam
a
compreensiodo
fen6menoe
exigem
uma clarificaqdo do seu conterido.A
revisdo de literatura regista com destaque a definigdo de Schumpeter (1934) pelasua
ligagSo
clara
a
empreendedorismo.Para
Schumpeter,a
inovagdo
temsubjacente
uma
ruptura
ou
descontinuidadeface ao
passado, associando-a irexpressSo o'creative destruction", podendo-se afirmar que para este autor inovagdo
6 algo totalmente novo que implica um corte radical com o passado.
Por6m, dada a diversidade de estudos e frequ€ncia com que a palavra
6
lutilizadaem
diversos contextosa
maioria
dos
autoresiniciam
a
sua
abordagem peladisting6o entre inovagSo e invengSo, para que ndo se confundam os dois termos.
Invengio ser6 a primeira utilizagdo de uma ideia para um novo produto ou processo
(Fagerberg,2005), enquanto que,
a
inovagdo tem associadoo
aspecto pr6tico dacolocag6o da ideia em ac96o, ou seja, a inovagdo ser6 a primeira aplicagdo pr6tica
(Fagerberg, 2005). Claro que muitas vezes invengio e inovagdo est6o directamente
associadas
e
pode ser
dificil
separ6-lasde forma
clara.
Uma
outra
diferengaapontada
enke inovagio
e
invengdo refere-sei
entidadeque
desenvolve oprocesso, associando-se invengdo
a
universidadese
institutosde
investigagdo einovagSo irs empresas (Fagerberg,2005:5). Esta divisdo parece associar a invengdo
a
um
saber mais te6rico e a inovagdoi
aplicagdo desse saber, dirigindo-o para omercado (comercializagio) com
o
objectivo de obter ndo apenas resultados, massobretudo resultados duradouros (vantagens competitivas) o que est6 associado ao
conceito de difusdo da inovagSol.
No
dmbito
do
processoque
decorreda
invengdod
inovagdoa
empresater6
decombinar um conjunto de recursos tangiveis e intangiveis para transformar a invengio
I
em inovagio. Esta gestdo e combinagdo de recursos s6o efectuadas por uma figura que
Schumpeter
Q%$
denominoude
"entrepreneur"e
que se distingue claramente do inventor.Invengdo e inovagdo est6o evidentemente relacionadas, havendo situag6es em que uma
inovagdo surge da combinagEo de v6rias inveng6es ou da adaptagSo de algo que
j6
foi
inventado noutras circunstdncias (Roberts,
2002: 1). Em
muitos
casosn6o
h6
apossibilidade de datar ou de identificar claramente onde comega a inovagdo e acaba a
invengdo, assumindo-se a inovagdo como um processo de natureza multidimensional e
sist6mica.
A
inovagdo refere-se d conjugagdo de um conjunto de compet6ncias, conhecimentos erecursos para
p6r
em pr6ticauma ideia
no
mercadocom
um
car6cter sustent6vel,poder6 ser desencadeada pela empresa intemamente, por motivos relacionados com a
estrat6gia de mercado, pela necessidade de competir com os seus concorrentes, pelos
seus fomecedores
ou
impulsionada pelos consumidores (mercado). Utterback (1996:193) distingue invengdo de inovagdo da seguinte forma: "a invengdo refere-se a ideias
ou conceitos para novos produtos e processos"; a inovagdo dtz respeito ir'oconversdo
de uma ideia a um primeiro uso ou venda" e implica a difusdo de tecnologias "e o seu
uso generalizado
no
mercado".E
de registara
interpretagdo deste autor associandoinvengdo, inovagdo e difusdo como um
ciclo
em que se fraccionar uma das fases esteser6 quebrado, 6 de notar, ainda, nesta definigdo
o
acento na difusdo da tecnologia,acrescenta-se
que
na
nossa perspectivaa
difusdo
6
mais ampla
e
pode
implicarNo
que respeitad
difusdoda
inovagSo,"a
introdugSoda
inovagdono
mercadoconstitui a primeira etapa do processo de difusdo" (Freire, 2002:211) que seguir6
de acordo com o ciclo de vida do produto ou servigo.
Alguns
factoresdeverio
ser geridos, nomeadamente os factores de mercado quepodem condicionar a aceitagdo dos produtos
ou
servigos, como,por
exemplo, ainexist6ncia de infra-estruturas de suporte (para vender PC com acesso ir web as
pessoas t6m de ter infra-estruturas que permitam
o
acesso) e factores de car6ctertemporal,
ou
seja,a
velocidaderelativa de
adopgdoda
inovagSo quepode
serpotenciada por iniciativas comerciais.
Rogers (1995)
define
difusdoda
inovagEocomo
o
processo atrav6sdo
qual
ainovagdo
6
distribuida
atrav6sde
diversoscanais
ao longo
do
tempo
pelosmembros de um determinado sistema social.
Para
Lundvall
(1992) inovagdo
6
um
processo
cumulativo, havendo
aimpossibilidade
de
dissociar invengdo,inovagio
e
difusio.
Uma
vez
quej6
ainovagEo n6o 6
um
eventotnico,
mas sim um processo.Lundvall
(1992) assumeainda que a maioria das inovag6es reflectem conhecimento
j6
existente em diversas6reas, que posteriormente 6 recombinado. Para este autor o processo inovativo ter6
de ser alimentado por conhecimento interactivo e empreendedorismo colectivo, em
contraposigdo com Schumpeter (1934), que pelo menos, numa fase
inicial,
assumiaDrucker (1985:
20),volta
a reforgar o papel do empreendedor e define inovagEocomo
"um
instrumentodos
empreendedores, atrav6sdo
qual
estes exploram amudanga como uma nova oportunidade para um novo produto ou servigo."
Uma outra forma de
definir
inovagdo,6
a que associa inovagdo a tecnologia.A
revisdo bibliogr5fica identificou
um
conceito
denominado
por
inovagdo tecnol6gica, que se define como a primeira aplicagdo comercial ou produgio de um novo produto ou processo, assumindo-se o contributo crucial do empreendedor noprocesso de ligagdo das novas ideias com o mercado (Freeman e Soete, 1997).Esta
defini96o volta a considerar o empreendedor, neste caso como agente que promove
transformagdo da invengdo num produto ou servigo comercializ6vel.
Uma vis6o contempor0nea
do
conceito de inovagdo traduzia-a como "criag6o denovo conhecimento, uma nova recombinag6o do conhecimento existente, inovagdo
est6 essencialmente relacionada com conhecimento" (Deakins e Freel, 2003: 168)
o
que
lhe
confereuma
natrxeza sist6micae
complexae
exige
uma
an6lisemultidimensional.
No
dmbito da literatura sobre inovagdo, outras definigdes podem ser identificadas,consideramos,
por6m,
que
este conjunto
de
definig6estraduz
a
evolugdo do conceito, abarca as suas dimensdes e confere ao fen6meno inovagdo uma naturezasist6mica e complexa que exige uma an6lise multidimensional.
A
Tabela
1.1.
apresentaalgumas
das
definigdes
de
inovagdo
discutidasTabela 1.1. Definig6es de Inovagflo
Conceito de inovag6o
Autor
A
inovagio
tem
subjacente
uma
ruptura
oudescontinuidade
face
ao
passado,
associando-a dexpressdo oocreotive destruction"
o
quetem
subjacente um corte radical com o passado.Schumpeter
(1e34)
Um
instrumentodos
empreendedores, atrav6sdo
qualestes exploram a mudanga como uma nova oportunidade
para um novo produto ou servigo.
Drucker (1e8s)
Inovagio
6
um
processo cumulativo,
havendoimpossibilidade
de
dissociar
inveng6o,
inovagEo difusdo.a e
Lundvall
(tee2)
Conversio de uma ideia a um primeiro uso ou venda. Utterback
rL996\
A
primeira aplicagdo comercial ou produgdo de um novoproduto ou processo, assumindo-se
o
contributo crucialdo
empreendedorno
processode
ligagdo das
novas ideias com o mercado.Freeman e
Soete,
(tee7).
CriagSo de novo conhecimento, uma nova recombinagdo do
conhecimento
existente,
inovagSo
estS
essencialmenterelacionada com conhecimento.
Deakins e Freel, (2003)
Para
terminar,
resta-nosreferir que
existempontos
convergentesentre as
v6riasabordagens, nomeadamente, a sua associagdo com comercializagSolmercado e difusdo
da inova96o, e ainda, o papel do empreendedor nesse processo. Parece-nos relevante
discutir a evolugdo, em termos, de abordagens. Entre a primeira definigdo apresentada,
a de
Schumpeter (1934), insinuando a palavra ruptura que associa inovagdoa
algo totalmente novo e a riltima abordagem de Deakins e Freel, (2003) que prev€ para al6mdo novo conhecimento a recombinagSo de conhecimento
j6
existente.Esta
investigagdotomar6
como
marco
te6rico
a
abordagem Schumpeteriana emcapitulos seguintes discutiremos essa decisSo ir
luz
das teorias de empreendedorismo.nomeadamente
o
papeldo
empreendedor numa perspectivade
inovadore a
formacomo este
inova
(mais radicalou
mais incremental).A
inovagdo6
assumida numaperspectiva holistica,
o
que confere ao termotm
caiz
complexo associado a sistema,que envolve v6rios actores e que depende de factores diversos n6o se dissociando da
invengdo a montante e da difusEo e comercializagdo a jusante do processo.
1.3.
Tipologias
de
Inovagio
Na
secgdo anterior discutiu-seo
conceito de inovagdo.O
conjunto de definigdesidentificadas
permite
referir que
os
diferentes autores
revelam
diferentes percepg6es da inovagdo. Este fen6meno aparece associado muitas vezes a outraspalavras
para cumprir
objectivos
especificos, nomeadamentepara facilitar
oentendimento
do tipo de
inovagdo quecada
organizagdo est6 mais propensa adesenvolver. Neste contexto, podemo's encontrar vSrias tipologias de inovagdo.
Schumpeter (1934:66) distinguiu cinco tipologias de inovagSo:
"(l)
introdugEo deum novo produto (ou uma melhoria na qualidade de um produto
j6
existente); (2)A
introdugSo de um novo m6todo de produgdo (inovagSo no processo); (3)
A
aberturade um novo mercado (em particular um novo mercado para exportagdo); (4) Uma
nova fonte de fornecimento de mat6rias-primas
ou
de bens semi-facturados; (5)Uma nova forma de organizagdo industrial".
Dentro da terminologia proposta por Schumpeter, as tipologias mais usadas s6o as
de inovagdo no produto e de inovagdo no processo.
A
distingdo entre os dois tiposmodelo de autom6vel ou uma m6quina fotogr6fica digital. Estes s6o, sem drivida,
novos produtos, assim como, alteragSes no processo de fabrico dos autom6veis ou
das m6quinas fotogr6ficas reduzindo o nfmero de pegas defeituosas, s6o inovagdes
no processo. Contudo, quando nos reportamos ao sector dos servigos esta distingSo
6 menos clara, sen6o vejamos: Um novo pacote de f6rias ser6 inovagdo no produto
ou no processo? (Tidd, Bessant e Pavitt, 2001:6). Por vezes no sector dos servigos
a inovagEo no produto e a no processo sobrep6em-se.
O
Manual de Oslo (2005: 48-52) utlliza uma definigdo mais lata e indica quahotipologias de
inovagdo(1)
InovagSode
produto: o'Aproduct
innovation
is
theintroduction of a good or service that is new or significantly improved with respect
to
its
characteristicsor
intended uses. This includes significant improvements intechnicol specifications, components and materials, incorporoted software, ttser
friendliness
or
other futnctional characteristics."2;(2)
Inovagdo de processo:'Z
process innovation
is
the
implementationof
a
new
or
significontly
improvedproduction
or
delivery method. This includessignificant
changesin
techniques,equipment and/or
sofn,are."(3)
InovagSo demarketing"A
marketing innovotionis the implementation of a new marketing method involving significant changes in
product design or packaging, product placement, product promotion or
pricing."
(4)
Inovagdo organizacional"An
organisational innovationis
the implementationof a
new
organisational
methodin
thefirm's
businesspractices,
workplace organisationor
external relations."?
Ao longo desta tese aparecem algumas citagdes em ing16s. Optou-se por deixar algumas citag6es na sua
Uma outra
abordagem,ern termos
de
tipologias
de
inovagdo encontrada naliteratura 6 a que associa as tipologias ds compet6ncias para inovar. Consideramos
relevante a sua inclusdo neste capitulo por
permitir
associar otipo
de inovagdois
compet6ncias que as empresas
ou
organizag6es possuemou
devem possuir.A
Tabela 1.2.
divide
as tipologiasde
inovagdode
acordocom
competdncias parainovar.
Tabela 1.2. TrOs Sec96es ou Tipos de Inovagflo
Fonte: Hales, 1998, adaptado
Atendendo d diversidade de tipologias encontradas na revisdo de literatura e sem ser o
objectivo
desta secgdo inventariar exaustivamente todasas
referidasna
literatura, (inovagflo no produto)Caracteristicas do produto
Aptiddes e competcncias envolvidas no design e na produgdo dos produtos
(inovagiio no processo)
compet6ncias/Aptiddes dos Processos de produgiio e Distribuigiio
Aptid6es e competdncias envolvidas no design e nas operag6es de produgio e processos de
distribuigdo
(inovagiio organizacional)
1. Compet6ncias/Aptiddes do Processo Administrativo
Compet6ncias e aptiddes envolvidas no design e operacionalizaEdo da informagio e na
coordenagdo dos processos
2. Compet0ncias/Aptid6es inovadoras do neg6cio
Competdncias ou aptiddes envolvidas na gestSo estrat6gica e do conhecimento e na transformagdo competitiva das empresas (ao nivel da estrutura)
3.Gestflo de Neg6cios
elencamos
as
consideradasmais
relevantespara
esta investigagdoe
optamos consonAncia com a linha de investigagdo pela seguinte tipologia:1.
InovagSo
no Produto
refere-se
i
produgdo
e
comercializagdo
deprodutos/servigos novos ou onde foram introduzidas melhorias;
2.
InovagSono
Processo-
diz
respeitoi
produgdoou
adopgdo de novos bens deequipamento ou
i
introdugdo de novos processos de produgdo. Sendodificil,
porvezes, dissociar a inovagdo do produto da de processo, Pavitt (19S4) identifica uma
diferenga objectiva entre
os dois tipos de
inovagdo, considerando inovag6es deproduto aquelas que s6o utilizadas num sector diferente daquele que as desenvolve
e como inovagdo de processo as que s6o utilizadas no mesmo sector em que s6o
produzidas (citado por
Dantas,200l:
29);3.
lnovagSo Organizacional-
refere-se a novas formasde
organizar ou gerir que sereflectem
num
aumentodo
valor
acrescentado paraa
empresae
paraos
seustrabalhadores.
A
inovagdo organizacional englobanovas formas
de
oferecerprodutos ou servigos aos consumidores (logistica) e novas formas de marketing e
de relacionamento com o mercado.
A
escolhapor
esta divis6o, em termos de tipologias de inovagdo, argumenta-se pelasua simplicidade em termos de aplicagdo nos modelos empiricos e pela sua adequagdo
Um
outrotipo
de abordagem dualizao
conceito de acordo com onivel
de novidade,considerando
como
inovagdoradical
a
descobertade
uma nova
ideia
e
inovagSo incremental como a explorag6o de uma ideiaj6
existente.Para
Lundvall (1992:
12), importa ainda
consideraras
dimensdes econ6mica etecnol6gica da inovagdo, isto 6, algumas inovag6es podem ser incrementais do ponto
de vista tecnol6gico, mas podem ter
um
impacto econ6mico crucial(por
exemplo, am6quina de lawar na agricultura, do ponto de vista tecnol6gico
foi
incremental, por6m,do ponto de
vista
econ6mico, gerouum
aumentosignificativo
na produtividade dasexplorag6es). Por outro lado, inovagdes tecnologicamente radicais podem ter impactos
econ6micos relativamente pequenos, at6 porque podem
n6o
serbem
aceites pelomercado.
Do
ponto de vista da novidade do processo inovador,h6
ainda que esclarecer se ainovagio
6 nova paraa
empresa, parao
mercado ou parao
mundo,pois o nivel
denovidade terS impactos diferentes consoante o caso.
Ser6 relevante
a
este prop6sito comentara
posigdode
Schumpeter que considerainovador, apenas aquele
que introduziu
a
inovagSo considerandotodos os que
asadoptam, mesmo que
noutro
contexto como imitadores (Fageberg,2005:
8). Nestesentido,
Hobday (2000 citado
por
Fageberg,
2005:
8)
aponta
uma
diferengasignificativa entre (1) comercializar algo pela primeira vez, ou (2) copiar e introduzir
noutro
contexto.o
segundotipo
que podemos designarpor
"imitador"
participa activamente no processo de difusdo podendo-se denominar por"tecnologt transfef',
mudangas organizacionais. Acrescentamos que o primeiro caso se reporta ao inovador
do tipo pioneiro, que introduz o produto ou servigo no mercado pela primeira yez, e o
segundo, ao
tipo
imitador, introduz no mercado um produto ou servigo novo apenaspata a empresa.
Assume-se que inovagSo 6 mais do que criar um novo produto ou servigo, a inovagdo
pode
reportar-sea algo
globalmentenovo,
maspode
tamb6mter um
car6cter denovidade apenas para
a
empresa, ou parao
mercado onde a empresa opera, poder6ainda estar relacionado
com
melhorias continuasou
incrementaisnum
produto ouservigo
j6
existente.Na parte empirica (capitulo
VII)
e partindo desta discussdo te6rica pretende-sedividir
os
inovadores atendendoao
graude
novidadedo produto
ou
servigo colocado nomercado.
Na
senda
de
identificar
um
modelo
ou
modelos
adequadosao
estudo
doempreendedorismo e inovagdo
no
sector dos servigos, decidimos nesta secgdo sobretipologias de inovagio, integrar alguns modelos que tipificam a inovagdo.
O primeiro modelo apresentado conjuga tecnologia com mercado e
foi
apresentado porAbernathy e Clark (1985:
6l).
Estes autores, atrav6s de um diagrama denominado porMapa
de
Descontinuidade, determinam quatrotipos
deinovagio:
inovagdo regular,Figura
1.1.Mapa
de DescontinuidadeCriagio de novos mercados ou ruptura com as
ligaqdes de mercado existentes
Reforgar as compet€ncias existentes de tecnologia,/produg6o
Criar novas compet€ncias de tecnologia/produgSo
Reforgar as ligag6es de mercado existentes
Fonte: Abemathy e Clark (1985: 61).
A
inovagdo arquitectural que apareoe na parte superiori
direita na Figura 1.1,define-se pela introdugdo de uma nova tecnologia e pela criagSo de novas relag6es com o
mercado, sendo de acordo com Olofsson (2003: 6) um conceito similar ao de inovagdo
radical, o que se traduz em alteragdes na estrutura da indristria e no design b6sico do
produto e da produgdo; ser6o exemplos o primeiro r6dio ou a primeira fotocopiadora.
O
quadranteda
criagdode nicho,
refere-sea
conceitovisto
numa perspectiva demercado, inovagdes deste
tipo
representam as denominadas maximizagdes de vendas,os autores exemplificam com o Sony Walkmon,
o
que segundoolofsson
(2003:7)
setradtrz
em
inovag6esde
natureza incrementaldirigidas para nichos
de
mercadoespecificos.
A
inovag6o regular refere-se a melhoramentos em produtos existentes, ouseja,
tem
um
car6cter incremental.Por riltimo,
a
inovagSorevolucion6ria
est6sua
solugAo tecnol6gica,e,
por
outro lado,
a
produgio
e a
estrutura produtiva. Encontramos aqui exemplos, tais como, a evolugdo dos propulsores dos avi6es at6 aojacto ou a evolugdo dos r6dios ate ao transistor, isto 6, introduz uma nova tecnologia,
tornando a anterior obsoleta, e simultaneamente reforga a ligagSo com o mercado.
Este
modelo
sendo extremamente interessantepode ser
limitativo
para
classificarservigos,
dado
o
caiz
mais
tecnol6gico.Na
nossa perspectiva estemodelo foi
desenvolvido com
o
sector industrial em mente, e pode deixar de fora servigos onde atecnologia 6 menos relevante como por exemplo os servigos pessoais.
Um
outro
modelo
encontradofoi
avangadopor
Christensen(2003: 34),
o
qual distingue inovagdo continua ou sustentada de inovag6o disruptiva. Inovagdo continuaou sustentada refere-se a inovag6es que contribuem para melhorar a performance dos
produtos
e
reforgar a posigSo das empresasno
mercado, enquanto que,a
inovagdodisruptiva representa uma ruptura com o produto/servigo existente no mercado.
A
pan6plia
de
definig6esde
inovagdopermitem
seleccionara
perspectiva maisadequada a cada esfudo, ou seja, no caso desta investigagio o sector servigos implicar6
dificuldades
na
adopgEode
definig6esmais
associadasa
processos tecnol6gicoscaracteristicos
do
sector industrial, como,por
exemplo, as configuradas no mapa dedescontinuidade
de
Abernathy
e Clark
(1985)
e
mesmoa
definigdo proposta porChristensen (2003)
pelo
facto de as inovag6es de car6cter disruptivo estarem muitoassociadas
i
tecnologia.No
entanto, atendendo a este modelo pode-se discutir at6 queponto, por exemplo, as companhias a6reas de low cost ndo ter6o um car6cter disruptivo