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A MANCHA ANGULAR DO FEIJOEIRO

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635.652:632.26:632.938

FONTES DE RESISTÈNCIA EM FEIJOEIRO

(Phaseolus vulgaris L.)

A MANCHA ANGULAR DO FEIJOEIRO

(IsarEopsis griseola

Sacc.)

MAURO JORGE RIBEIRO

Mestre em Fitossanidade da UFRPE.

RILDO SARTORI BARBOSA COELHO

Pmf. Adjunto do Depto. de A g r o m i a da UFRPE.

MARIA MENEZES

Prof. Adjunto & De*. de Agronomia da UFRPE.

Vinte witivares de Feijoeim (Phas8oIlus wlgan's L). (AN 511661; AN 512582 AN 512702. AN 51 2722 AN 51 2724; AN 51 2781; AN 721070,

BZ

3875-2; CARIOCA; C0 51 1681; C6 51 1696; ESAL 563; ESAL 566; IPA 741% MA 534534; MA 534585, MA 53459%

MNIONARIO;

PF M1245-1; TY 3357-1). foram inoculadas aos quinze dias de idade

com

uma suspendo de 4.0 x 104 conldiosiml, em condi- de casa-de-vegeiaçgo. Quinze dias ap6s a inoculaçao foi realizada a avaliação do ex- perimento. Os resultados indicaram que apenas h% aiiiívares apresentaram moderada resktênda, e que as demais leram susceifveis ou aitamente susceífveis B doença. A ailthrar mais afetada foi Cario- ca. com a ocon~ncia de clorose intensa. coalescência severa das lesões e morte de plantas. enquan- to que AN 51 2722. AN 721070 e PF 721 245, apresentaram o menor ndmero de lesbes por folha

A mancha angular do feijoeiro A uma doença freqüentemente encontrada na cultura do feijão. Durante vbrios anos, a doença teve sempre import8ncia se- cundhria, justificada pela incidência maior no final do ciclo da cultura, quando a produção jb estaria assegurada. Entretanto, passou-se a admitir mais recente- mente, que a mancha angular era responsável por considerbveis perdas na pro- dução, dependendo sobretudo da suscetibilidade das cultivares e da precocidade de sua ocorrencia. Em Pernambuco,

jA

d considerada u m dos principais proble-

Cad. bmege Univ. Fed. Rural E. Sér. Agmn.. ~edle. n. 4. p 243-248.1992

CDU 635.652:632.26:632.938

FONTES DE RESISTÊNCIA EM FEIJOEIRO (Pftaseo/us vulgaris L.) A MANCHA ANGULAR DO FEIJOEIRO (Isaríopsis gríseola Sacc.)

MAURO JORGE RIBEIRO Mestre em Fitossanidade da UFRPE.

RILDO SARTORI BARBOSA COELHO Prof. Adjunto do Depto. de Agronomia da UFRPE.

MARIA MENEZES

Prof. Adjunto do Deplo. de Agronomia da UFRPE.

Vinte cultivares de Feijoeiro (Phaseolus vulgaris U). (AN 5116M; AN 512582; AN 512702; AN 512722; AN 512724; AN 512781; AN 721070; BZ 387! ?; CARIOCA; CB 511681; CB 511696; ESAL 563; ESAL 566; IPA 419; MA 534534; MA 534585; MA 534599; MILIONÁRIO: PF 7 1245-1; TY 3357-1), foram inoculadas aos quinze dias de idade com uma suspensão de 4,0 x IO

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oonidios/ml, em condições de casa-de-vegetação. Quinze dias após a inoculação foi realizada a avaliação do ex- perimento. Os resultados indicaram que apenas três cultivares apresentaram moderada resistência, e que as demais foram suscetíveis ou altamente suscetíveis d doença. A cultivar mais afetada foi Cario- ca, com a ocorrência de clorose intensa, coalescência severa das lesões e morte de plantas, enquan- to que AN 512722, AN 721070 e PF 721245, apresentaram o menor número de lesões por folha.

INTRODUÇÃO

A mancha angular do feijoeiro é uma doença freqüentemente encontrada na cultura do feijão. Durante vários anos. a doença teve sempre importância se- cundária. justificada pela incidência maior no final do ciclo da cultura, quando a produção já estaria assegurada. Entretanto, passou-se a admitir mais recente- mente, que a mancha angular era responsável por consideráveis perdas na pro- dução, dependendo sobretudo da suscetibílidade das cultivares e da precocidade de sua ocorrência. Em Pernambuco, já é considerada um dos principais proble-

Cad. õmega Univ. Fed. Rural PE. Sér. Agron., Recife, n. 4. p. 243-246,1992

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mas fitossanitBrios da cultura, especialmente no vale do Ipojuca (Costa, Miranda, Mafra, 1982) e na região do Agreste.

Neste trabalho, avaliou-se o comportamento de 20 cultivares de feij6o an- te a incidência de

I.

griseola, buscando identificar materiais genelicos promisso- res em relação doença.

MA1 ERIAL E MÉTODO

O estudo foi realizado em casa-de-vegetação utilizando-se 20 cultivares de feijoeiro das variedades CARIOCA e MULATINHO (AN 511664; AN 512582; AN 512702; AN 512722; AN 512724; AN 512781; AN 721070;

BZ

3875-2; CARIOCA;

ÇB 511681; CB 511696; ESAL 563; ESAL 566; IPA 7419; M A 534534; M A 534585;

MA 534599;

MILIONARIO;

PF 721745 e TY 3357-11, cedidas pela Empresta Per- nambucana de Pesquisa AgropecuBria-IPA.

Para as inoculações, usou-se uma suspensão de 4.0 x 104 conidios/ml, conforme Schwartz, Pastor Corrales, Sing (1982). As plantas foram mantidas em chmara Única por

48

horas, após inoculação, permanecendo posteriormente em ambiente natural de casa-de-vegetação. A avaliação foi feita quinze dias depois, adotando-se uma escala de notas baseada em Santos Filho, Ferraz, Vieira (1976), classificando-as em cinco categorias: Altamente Resistente, Resistente, Modera- damente Resistente, Suscetível, Altamente Suscetivel, com base no número de lesões/folha em dez plantas de cada cultivar

e

ainda no tamanho das lesões e desfolhagem de plantas.

RESULTADOS

E DISCUSSAO

Os resultados medios obtidos n o experimento de cultivares de feijão x mancha angular em casa-de-vegetação, estão expressos na Tabela 1.

A cultivar AN 511664 foi a que apresentou desfolhamento mais precoce, iniciado no decimo dias apbs inoculada. Ainda que AN 512781 apresentasse bai- xo número de lesões por folíolo, foi classificada como altamente suscetível devi- do

&

coalescência das lesões e desfolhamento ocorrido. As cultivares que apre- sentaram moderada resistência desenvolveram-se normalmente após o período experimental, não ocorrendo aumento de intensidade de doença. Nas plantas da cultivar Carioca, ocorreram clorose generalizada, coalesdncia severa de lesões e morte, sendo a mais afetada. As cultivares ESAL 563 e 566 tiveram comporta- mento uniforme com relação ao número de lesões, entretanto em ESAL 566, elas foram de maior tamanho e desfolhamento bastante severo. TY 3357-1 foi a cultivar com maior número de lesões, apresentando ainda clorose intensa e queda premaura de folhas.

-

Ced'bmega Univ. Fed Rual PE. SBi. Agnm.. Rede, n. 4. p 243-2461992

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mas fitossanitários da cultura, especialmente no vale do Ipojuca (Costa, Miranoa, Mafra, 1982) e na região do Agreste.

Neste trabalho, avaliou-se o comportamento de 20 cultivares de feijão an- te a incidência de /. griseola, buscando identificar materiais genéticos promisso-

res em relação à doença.

MATERIAL E MÉTODO

O estudo foi realizado em casa-de-vegetação utilizando-se 20 cultivares de feijoeiro das variedades CARIOCA e MULATINHO (AN 511664; AN 512582; AN 512702; AN 512722; AN 512724; AN 512781; AN 721070; B:'. 3875-2; CARIOCA;

ÇB 511681; CB 511696; ESAL 563; ESAL 566; IRA 7419; MA 534534; MA 534585;

MA 534599; MILIONÁRIO; PF 721745 e TY 3357-1), cedidas pela Empresa Per- nambucana de Pesquisa Agropecuária-IPA.

Para as inoculações, usou-se uma suspensão oe 4,0 x IO

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confdios/ml, conforme Schwartz, Pastor Corrales, Sing (1982). As piantas foram mantidas em câmara única por 48 horas, após inoculação, permanecendo posteriormente em ambiente natural de casa-de-vegetação. A avaliação foi feita quinze dias depois, adotando-se uma escala de notas baseada em Santos Filho, Ferraz, Vieira (1976), classificando-as em cinco categorias: Altamente Resistente, Resistente, Modera- damente Resistente, Suscetível, Altamente Suscetível, com base no número de lesões/folha em dez plantas de cada cultivar e ainda no tamanho das lesões e desfolhagem de plantas.

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Os resultados médios obtidos no experimento de cultivares de feijão x mancha angular em casa-de-vegetação, estão expressos na Tabela 1.

A cultivar AN 511664 foi a que apresentou desfolhamento mais precoce, iniciado no décimo dias após inoculada. Ainda que AN 512781 apresentasse bai- xo número de lesões por follolo, foi classificada como altamente suscetível devi- do à coalescência das lesões e desfolhamento ocorrido. As cultivares que apre- sentaram moderada resistência desenvolveram-se normalmente após o período experimental, não ocorrendo aumento de intensidade de doença. Nas plantas da cultivar Carioca, ocorreram clorose generalizada, coalescência severa de lesões e morte, sendo a mais afetada. As cultivares ESAL 563 e 566 tiveram comporta- mento uniforme com relação ao número de lesões, entretanto em ESAL 566, elas foram de maior tamanho e desfolhamento bastante severo. TY 3357-1 foi a cultivar com maior número de lesões, apresentando ainda clorose intensa e queda premaura de folhas.

Cad/âmega Univ. Fed. Rural PE. Sér. Agroa. Recife, n. 4, p. 243-246,1992

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TABELA 1

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Clasificaç50 das cultivares de feijao de acordo com a sua reaçao mancha angular

Cultivar Nível de

Resistência

AN 51 1664 AN 512582 AN 51 2702 AN 5 12722 AN 51 2724 AN 512781 AN 721070 BZ 3875-2 CARIOCA CB 51 1681 CB 51 1696 ESAL 563 ESAL 566 IPA 741 9 MA 534534 MA 534585 MA 534599 MILION~RIO PF 721 245 TY 3357-1

Os resultados obtidos foram muito favorecidos pelas condições climilticas

à

Rpoca do experimento, caracterizadas por alta umidade relativa curtos perio- dos de estiagem. Estas condições já foram apontadas por vilrios pesquisadores como muito favoráveis ao desenvolvimento da doença (Cardona-Alvarez, 1956;

Kulik, 1984). Entretanto, vale ressaltar que o número de les&es/folfolo, observado nas cultivares classificadas como altamente suscetíveis, foi muito inferior aos descritos por Santos Filho, Ferraz e Vieira (1976) cujo menor número foi 150,83 lesões. Esses resultados tambRm comprovam observações de campo jB efetua- das por tbcnicos da Empresa IPA (informação verbal). Contudo, as cultivares AN 512722, A N 721070 e PF 721245, apresentaram o menor número de lesõeslfolha, sugerindo que as plantas possam apresentar resistencia de campo.

É

oportuna a realização de trabalhos visando a obtençáo de cultivares resistentes

à

mancha angular do feijoeiro, tendo em vista a importancia da cultura e a incidencia da doença e m Pernambuco.

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TABELA 1 - Classificação das cultivares de reijâo de acordo com a sua reação ã mancha angular

Cultivar hP médio de

lesões/folfolo Nfvel de Resistência

Os resultados obtidos foram muito favorecidos pelas condições climáticas à época do experimento, caracterizadas por alta umidade relativa curtos perío- dos de estiagem. Estas condições já foram apontadas por vários pesquisadores como muito favoráveis ao desenvolvimento da doença (Cardona-Alvarez, 1956;

Kulik, 1984). Entretanto, vale ressaltar que o número de lesões/folíolo, observado nas cultivares classificadas como altamente suscetíveis, foi muito inferior aos descritos por Santos Filho, Ferraz e Vieira (1976) cujo menor número foi 150,83 lesões. Esses resultados também comprovam observações de campo já efetua- das por técnicos da Empresa IPA (informação verbal). Contudo, as cultivares AN 512722, AN 721070 e PF 721245, apresentaram o menor número de lesões/folha, sugerindo que as plantas possam apresentar resistência de campo. É oportuna a realização de trabalhos visando a obtenção de cultivares resistentes à mancha angular do feijoeiro, tendo em vista a importância da cultura e a incidência da doença em Pernambuco.

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Twenily bean cuKivars (AN 51 1664; AN 512582; AN 512702; AN 512722; AN 512724; AN 512781; AN 721070; BZ 3875-2 CARIOCA; CB 51 1681; C9 51 1696; ESAL 563; ESAL 566; IPA 7419; MA 534534; MA 534585; MA 534599;

MILIONARIO;

PF 721245 e TY 3357-1) fiíteen days old. were hwulated with a suspension of 4.0 x 104 mnidialrnl. in greenhouse conditions. Fiíteen d a p aíter hculation, was realued the evaluation of the experiment The resultç showed that three cultivas appears resistance moderate, and others were suscetible or highly suscetible. The cultivar Carioca were more suscetible at disease. while AN 512722, AN 721070 and PF 721245 showed a lower number of leaf lesions.

1 CARDONA-ALVAREZ, C. Angular leaf spot of bean. Madiin. 1956. 56 p. Tese (Doutorado em Fitopatologia) University of Wisconsin, 1956.

2 COSTA. A. F.; MIRANDA. P.; MAFRA, R. C. Levantamento e estudo das ptityipais doenças do feijoeim (Phaseolos -/garis L) no Estado de Pemambuw. IN: REUNIA0 NACIONAL DE PESQUISA DE FEUAO, I., 1982, Goiania. Anais

...

Goiania : EMBRAPA-CNPAF, 1982. p. 278-280.1982.

3 KULIK. M. M. Syrnptomatology and epidemiology of severa1 green bean diseases incited by seed-bom fungi. Seed Science aro' Technology. Zurich. v. 12, p. 841 -850,1984.

4 SANTOS FILHO, H. P.; FERRAZ. S.; VIEIRA. C. Resistt?ncia amancha angular (Isanopsis gri- seola Sacc.) no feijoeim (Phaseolus vulgans L.) Revista Ceres, Viçosa, MG, v. 23, n. 127, p.

226-230.1976.

5 SCHWARTZ, H. F.; PASTOR CORFIALES. M. A.; SINGH, P. New sources of resistance to an- thracnose angular leaf spot of beans (Phaseolus vulgaris L.) Euphytica, Wageninger. v.

321, p. 741 -754.1982.

Recebido para publicaçh em 15 de julho de 1992

Cad ânega Univ. Fed. Rural PE.

S r .

A-, Redfe, n. 4, p. 243-246.1992

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ABSTRACT

Twenty bean cult>vafs <AN 511664, AN o12582; AN 512702, AN 512722; AN 512724, AN 512781, AN 721070; BZ 3875-2; CARIOCA; CB 511681; CB 511696; ESAL 563; ESAL 566. IRA 7419; MA 534534; MA 534585; MA 534599: MILIONÁRIO; PF 721245 e TY 3357-1) fifteen days old, were rimculated with a suspension of 4,0 x IO

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conidiaml, In greenhouse condltions. Fifteen days after tr julanon, was realized lhe evaluation oi lhe experiment The results showed that three cultivars aopears resistance moderate, and others were suscetible or highly suscetible. The cultivar Carioca were mort suscetible at disease, while AN 512722, AN 721070 and PF 721245 showed a lower number of leal lesions.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 CARDONA-ALVAREZ, C. Angular leal spot of bean. Madison, 1956. 56 p. Tese (Doutorado em Fitopatologia) University of Wisconsin, 1956.

2 COSTA, A. F.; MIRANDA, P.; MAFRA, R. C. Levantamento e estudo das principais doenças do feijoeiro (Phaseolus- rulgaris L) no Estado de Pernambuco. IN: REUNIÃO NACIONAL DE I ÍSQUISA DE FEUÃO, 1., 1982, Goiânia. Anais... Goiânia : EMBRAPA-CNPAF, 1982. p. 278-280,1982.

3 KULIK, M. M. Symplomatology and epidemiology of severa) green bean diseases mciteo by seed-bom fungi StedScience and Technology, Zuncn, v. 12, p. 841-850,1984.

4 SANTOS FILHO, H. P.; FERFIAZ, S.; VIEIFtA, C. Resistência a mancha angular (Isariopsis gri- seola Sacc.) no feijoeiro (Phaseolus vulgaris L.) Revista Ceres, Viçosa, MG, v. 23, n. 127, p.

226-230,1976.

5 SCHWARTZ, H. F.; PASTOR CORRALES, M. A.; SINGH. P. New sources of resistance Io an- thracnose angular leal spot of beans (Phaseolus vulgaris L.

1

Euphytica, Wageninger, v.

321, p. 741-754,1982.

Recebido para publicação em 15 de julho de 1992

Cad. ômega Univ. Fed. Rural PE. Sér. Agron., Recife, n. 4, p. 243-246,1992

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