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Decisão no Espaço de Objetivos Práticos. para o Projeto de Controladores

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Academic year: 2022

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(1)

Programa de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Engenharia El´etrica

Decis˜ ao no Espa¸co de Objetivos Pr´ aticos para o Projeto de Controladores

Multi-objetivo H

2

/ H

por

Alexandro Garro Brito

Disserta¸c˜ao submetida `a Banca Examina- dora designada pelo Colegiado do Pro- grama de P´os-Gradua¸c˜ao em Engenharia El´etrica da Universidade Federal de Minas Gerais, como requisito parcial `a obten¸c˜ao de t´ıtulo de Mestre em Engenharia El´etrica

Belo Horizonte 13 de setembro de 2004

(2)

Agradecimentos

• Aos mestres Ricardo Takahashi e F´abio Jota pela orien- ta¸c˜ao presente, ensinamentos e pensamentos valiosos.

• Aos meus pais Osvaldo e Vilma pelo suporte, compreens˜ao e carinho. Esse texto ´e para vocˆes!

• A V´ıvian, autora de muitas das p´aginas da minha vida! `

• A ´ ` Erica, companheira e inspiradora dos meus sonhos de hoje e sempre!

i

(3)

S˜ao s´o dois lados da mesma viagem

O trem que chega ´e o mesmo trem da partida A hora do encontro ´e tamb´em despedida A plataforma dessa esta¸c˜ao ´e a vida!

Mas ´e preciso ter for¸ca E preciso ter ra¸ca´

E preciso ter gana sempre!´ N˜ao precisam mais temer N˜ao precisam da solid˜ao Todo o dia ´e dia de viver!

N˜ao precisa medo, n˜ao N˜ao precisa da timidez Todo o dia ´e dia de viver!

Mas ´e preciso ter manha E preciso ter gra¸ca´

E preciso ter sonhos sempre!´

Quem traz na pele essa marca

Possui a estranha mania de ter f´e na vida!

Eu sou da Am´erica do Sul Eu sou o ouro, eu sou vocˆes

Sou o mundo. Eu sou Minas Gerais!!1

1De Milton, Brant, Lˆo e M´arcio

(4)

iii

Resumo

Neste trabalho, ser´a apresentada uma metodologia de projeto mistoH2/H que agrega crit´erios de desempenho de uso corriqueiro na pr´atica de controle de processos industriais. O projeto inicia-se com a obten¸c˜ao de um conjunto ParetoH2× H para a planta. A seguir, realiza-se uma convers˜ao do espa¸co de objetivos anterior para um novo, que possua como objetivos ´ındices de cunho pr´atico, como percentual de sobre-sinal, tempo de acomoda¸c˜ao e inte- gral do tempo vezes o erro absoluto. Naturalmente, este novo conjunto pode possuir solu¸c˜oes que n˜ao sejam eficientes e, portanto, podem ser descartadas, conduzindo a um conjunto Pareto-´otimo no espa¸co de objetivos pr´aticos. Na etapa final do projeto, realiza-se o processo de decis˜ao, que consiste na es- colha, a partir deste ´ultimo conjunto, do controlador que melhor se adapte

`as necessidades do processo. Todos os procedimentos s˜ao aplicados a mode- los simplificados de umsistema de posicionamento com m´aquina de corrente cont´ınua e de um avi˜ao monomotor de dupla asa. Finalmente, discutem-se altera¸c˜oes que podem garantir a generaliza¸c˜ao dos procedimentos ora apre- sentados.

(5)

Abstract

In this work, a new approach to the robust H2/H design is presented.

Practical performance criteria, commonly used by the industrial process con- trol personnel, are incorporated to the design methodology. The proposed procedure begins by obtaining the corresponding Pareto setH2× Hof the plant. Subsequently, it is performed a conversion of robust objective space to a new practical objective space. The latter includes indices like percent overshoot, settling time and integral of time multiplied by absolute error.

This new set may contain many inefficient solutions considering the new ob- jectives. These inefficient solutions are then discarded. Lastly, in the decision process, the choice of the controller that best fits the process requirements.

The proposed design methodology is tested in simplified models of a position system (using a DC motor) and of a bi-wing aircraft. Finally, considerations of possible modifications, which would lead to a more general approach, are then discussed.

(6)

Conte´ udo

1 Introdu¸c˜ao 1

2 Fundamentos de Controle Robusto 7

2.1 Desigualdades Matriciais Lineares (LMI’s) . . . 7

2.1.1 Defini¸c˜ao das LMI’s . . . 7

2.1.2 LMI e estabilidade de sistemas dinˆamicos incertos . . . 9

2.2 Espa¸cos Normados . . . 11

2.2.1 Espa¸cos Normados . . . 11

2.2.2 Espa¸cos normados de Hardy . . . 12

2.2.3 C´alculo das normas H2 e H . . . 14

2.3 ControleH2 . . . 15

2.4 ControleH . . . 17

2.5 Fundamentos de Otimiza¸c˜ao Vetorial . . . 19

2.5.1 Defini¸c˜ao do problema de otimiza¸c˜ao vetorial . . . 20

2.5.2 Dominˆancia e conjunto Pareto-´otimo . . . 20

2.6 Controle Misto H2/H . . . 23

3 Projeto misto H2/H multi-objetivo 29 3.1 Introdu¸c˜ao . . . 29

v

(7)

3.2 Projeto misto H2/H . . . 32

3.3 ´Indices pr´aticos de desempenho . . . 35

3.3.1 Defini¸c˜ao dos ´ındices pr´aticos . . . 37

3.3.2 Obten¸c˜ao e utiliza¸c˜ao dos ´ındices pr´aticos . . . 42

3.4 Processo de decis˜ao . . . 44

3.4.1 Decis˜ao por avalia¸c˜oes sucessivas . . . 46

3.4.2 Decis˜ao por exclus˜ao de segmentos . . . 51

3.5 Conclus˜oes do cap´ıtulo . . . 57

4 Estudo de casos 58 4.1 Controle de posi¸c˜ao com MCC . . . 58

4.2 Avi˜ao monomotor de dupla asa . . . 67

Conclus˜oes 74

(8)

Lista de Figuras

2.1 Diagrama de blocos para o sistema de controle robusto padr˜ao.

w representa as entradas de perturba¸c˜ao e z as sa´ıdas para controle robusto. . . 16 2.2 Espa¸co de parˆametros x1×x2, X. Regi˜ao interna do c´ırculo

de raio 2 centrado na origem. . . 22 2.3 Espa¸co de objetivos Y. Imagens de f1 = x21 + x22 e f2 =

(x1 −2)2 + (x2 −2)2 com x1 e x2 limitados pelo c´ırculo da Figura 2.2. . . 22 2.4 Conjunto Pareto-´otimo para o espa¸co de objetivos da Figu-

ra 2.3. N˜ao h´a solu¸c˜ao em Y que seja melhor que essas em ambos objetivos f1 ef2 . . . 23 3.1 Diagrama de blocos para a planta generalizada P, exemplo

deste cap´ıtulo. w representa a entrada de perturba¸c˜ao, z a sa´ıda para controle robusto H e z2 as sa´ıdas para controle robustoH2 . . . 31 3.2 Conjunto Pareto-sub´otimo H2 × H para o exemplo 2 com

norma||Tw,z∞|| ≤5×10−3. . . 36 vii

(9)

3.3 Simula¸c˜ao de um sistema em malha fechada com v´arios con- troladores. A redu¸c˜ao do PSS leva a um aumento do TAP. . . 40 3.4 Vista ampliada do momento em que o percentual de sobre-

sinal n˜ao ultrapassa o limite superior da faixa de defini¸c˜ao do TAP. H´a uma queda abrupta deste ´ındice. . . 41 3.5 Conjunto P SS ×IIT EA. Neste caso ocorre uma tradu¸c˜ao

do espa¸co de objetivos robustos para o espa¸co de objetivos pr´aticos. . . 43 3.6 Conjunto P SS×T AP. Aqui, algumas solu¸c˜oes consideradas

ineficientes podem ser descartadas, devido ao salto proporcio- nado pelo ´ındice TAP (tsimul= 0,5s). . . 44 3.7 Conjunto Pareto-transformado PSS ×TAP. Houve o descarte

das solu¸c˜oes consideradas ineficientes para este espa¸co. . . 45 3.8 Conjunto Pareto-´otimo de fun¸c˜oes gen´ericas f2 e f1 apresen-

tando o m´etodo de decis˜ao por avalia¸c˜oes sucessivas. A solu¸c˜ao inicial est´a demarcada com o s´ımbolo ◦. Caso um usu´ario op- te por uma melhoria de f1 ele escolhe uma nova solu¸c˜ao neste sentido, que poderia ser, por exemplo, a demarcada com o s´ımbolo 4. . . 49 3.9 A esquerda, o conjunto Pareto-transformado PSS` ×TAP do

Sistema-exemplo 2 com a quinta solu¸c˜ao destacada. `A direita, a simula¸c˜ao do sistema-exemplo com este controlador. . . 50 3.10 `A esquerda, o conjunto Pareto-transformado PSS×TAP do

Sistema-exemplo 2 com a quarta solu¸c˜ao destacada. `A direita, a simula¸c˜ao do sistema-exemplo com este controlador. . . 51

(10)

LISTA DE FIGURAS ix 3.11 M´etodo de exclus˜ao de segmentos. Supondo que inicialmente

sejam apresentadas as solu¸c˜oes demarcadas com◦e4e que o usu´ario opte pela◦, todas as solu¸c˜oes `a esquerda de4podem ser descartadas. A nova solu¸c˜ao a ser comparada com ◦ ´e obtida pelo m´etodo de se¸c˜ao ´aurea e ´e demarcada com *. . . . 53 3.12 Simula¸c˜ao da quinta (esquerda) e da vig´esima primeira solu¸c˜ao

(direita) para o Sistema-exemplo 2. O usu´ario ´e questionado sobre aquela de sua preferˆencia. De acordo com sua escolha, parte do Pareto-transformado PSS×TAP ´e descartado pela exclus˜ao por se¸c˜ao ´aurea. . . 55 3.13 Simula¸c˜ao da primeira (esquerda) e da quinta solu¸c˜ao (direita)

para o Sistema-exemplo 2. . . 56 3.14 Simula¸c˜ao da quarta (esquerda) e da quinta solu¸c˜ao (direita)

para o Sistema-exemplo 2. . . 56 4.1 Conjunto Pareto-sub´otimo H2× H para o sistema de posi-

cionamento com MCC. ||Tw,z∞|| ≤5×10−3. . . 63 4.2 ConjuntoP SS×T AP para o sistema de posicionamento com

MCC. Observe a existˆencia de pontos ineficientes. . . 64 4.3 Conjunto Pareto-transformadoP SS×T AP para o sistema de

posicionamento com MCC, obtido pelo descarte dos pontos ineficientes da Figura 3.10 . . . 65 4.4 Processo de decis˜ao por avalia¸c˜oes sucessivas. Simula¸c˜ao da

11a solu¸c˜ao da esquerda para a direita da Figura 4.3 . . . 65 4.5 Processo de decis˜ao por exclus˜ao de segmentos. Simula¸c˜ao da

3a e da 18a solu¸c˜oes da Figura 4.3 . . . 66

(11)

4.6 Processo de decis˜ao por exclus˜ao de segmentos. ´Ultimo passo da escolha entre a 11a e a 12a solu¸c˜oes. . . 66 4.7 Conjunto Pareto-sub´otimo H2/H para o avi˜ao monomotor

de dupla asa. 0,02≤ ||Tw,z∞||≤0,5. . . 70 4.8 Conjunto P SS ×T AP para o avi˜ao monomotor de dupla asa. 70 4.9 Processo de decis˜ao por avalia¸c˜oes sucessivas para o avi˜ao mo-

nomotor de dupla asa. Simula¸c˜ao da 56a solu¸c˜ao da esquerda para a direita da Figura 4.8 . . . 71 4.10 Processo de decis˜ao por exclus˜ao de segmentos para o avi˜ao

monomotor de dupla asa. Simula¸c˜ao das solu¸c˜oes 13ae 27ada Figura 4.8 . . . 72 4.11 Processo de decis˜ao por exclus˜ao de segmentos para o avi˜ao

monomotor de dupla asa. ´Ultimo passo da escolha entre a 35a e a 36a solu¸c˜oes. . . 73

(12)

Lista de Tabelas

3.1 Faixa de valores para as normas H2 e H para o conjunto Pareto-sub´otimo do Sistema-exemplo 2. . . 35 4.1 Parˆametros da m´aquina de corrente cont´ınua posicionadora . . 59 4.2 Faixas de valores para as normasH2eHdo conjunto Pareto-

sub´otimo. . . 61 4.3 Valores do ´ındice TAP com rela¸c˜ao `a normaHpara o sistema

de posicionamento com MCC. Observe que para ||Tw,z∞||>

5×10−3 h´a uma forte viola¸c˜ao da especifica¸c˜ao do TAP. Esse segmento pode ser descartado. . . 62 4.4 Faixas de valores para as normas H2 e H para o conjunto

Pareto-sub´otimo do avi˜ao monomotor de dupla asa . . . 69 4.5 ´Indices PSS e TAP para alguns valores de norma H para o

avi˜ao monomotor de dupla asa. Para ||Tw,z∞|| ≤ 0,02 h´a uma forte viola¸c˜ao do ´ındice PSS. Para ||Tw,z∞|| ≥ 0,5 h´a forte viola¸c˜ao do ´ındice TAP. . . 69

xi

(13)
(14)

Cap´ıtulo 1 Introdu¸c˜ ao

A teoria de controle robusto, desenvolvida nas ´ultimas d´ecadas, apresenta diferen¸cas marcantes com rela¸c˜ao `as metodologias at´e ent˜ao utilizadas. Seja pelos objetivos almejados, ou pelos resultados obtidos na pr´atica e dificulda- des de implementa¸c˜ao, as estrat´egias de projeto robusto e n˜ao-robusto nunca apresentaram-se em uma forma complementar, reunindo as virtudes de cada uma delas em um projeto mais completo.

A teoria cl´assica de controle, conjunto de m´etodos tendo como um dos precursores o trabalho sobre estabilidade de Nyquist [19], apresentou como grande foco inicial a busca da estabiliza¸c˜ao de um sistema de controle `a base de uma realimenta¸c˜ao negativa. Descobriu-se, mais tarde, que essa realimen- ta¸c˜ao trazia outros benef´ıcios, como atua¸c˜ao direta sobre o comportamento dinˆamico do sistema planta+controlador, rejei¸c˜ao de perturba¸c˜oes e uma certa insensibilidade a pequenas varia¸c˜oes na planta1. Assim, o projeto de controladores resumia-se `a busca progressiva dos objetivos anteriores nessa

1Observou-se que em sistemas com varia¸c˜oes moderadas a estabilidade relativa poderia ser fortemente comprometida [5]

1

(15)

exata ordem−partindo-se de um sistema que em malha fechada seja est´avel fazem-se altera¸c˜oes nos parˆametros do controlador que conduzam `a melhoria dos demais requisitos dinˆamicos. De forma a mensurar tais melhorias foram desenvolvidos os primeiros crit´erios de desempenho, como tempo de acomo- da¸c˜ao, percentual de sobre-sinal, ´ındices integrais do erro, etc., ainda hoje muito utilizados seja pela sua simplicidade, seja pelos bons resultados que eles proporcionam [7]. Apesar de ter possibilitado uma enorme melhoria da resposta temporal, essa teoria n˜ao tratou de forma eficaz a quest˜ao de plantas sujeitas a fortes incertezas ou com pontos de opera¸c˜ao distintos, a despeito de estudos de sensitividade do sistema em malha fechada elaborados por Bode [6]. Com o in´ıcio da utiliza¸c˜ao da representa¸c˜ao em espa¸co de estados dentro da teoria de controle, iniciou-se um ciclo denominadoteoria de contro- le moderno, cuja principal motiva¸c˜ao estava na facilidade com que passou a ser feito o projeto de controladores para sistemas lineares multivari´aveis. Tal projeto tamb´em era poss´ıvel utilizando adequa¸c˜oes de ferramentas cl´assicas, mas com resultados menos eficientes. O controlador b´asico dessa abordagem

´e a realimenta¸c˜ao est´atica de estados que opera na premissa de que ´e poss´ıvel alocar os p´olos de malha fechada em qualquer regi˜ao do plano complexo de Laplace, desde que a planta seja control´avel [4]. Dado ter essa aloca¸c˜ao uma rela¸c˜ao com a resposta temporal, poder-se-ia, em tese, obter um sistema com comportamento dinˆamico desej´avel. Iniciaram-se tamb´em nesse per´ıodo im- portantes estudos de otimiza¸c˜ao aplicados a controle cujo objetivo era obter sistemas realimentados com o melhor comportamento poss´ıvel segundo algum crit´erio. O resultado mais importante foi obtido com a cria¸c˜ao do controle gaussiano linear quadr´atico (do inglˆes LQG) com excelentes propriedades de

(16)

3 robustez a incertezas e varia¸c˜oes da planta [15]. Infelizmente, para uma re- alimenta¸c˜ao est´atica de estados onde nem todos eles est˜ao dispon´ıveis para medi¸c˜ao, devendo ser portanto estimados, esta robustez n˜ao se verifica, em muitos casos [6].

Devido `a crescente complexidade das plantas a serem controladas e a im- portˆancia cada vez maior de sistemas de controle com boas caracter´ısticas de robustez, iniciaram-se, nos fins dos anos 70, estudos que marcaram a era da teoria de controle robusto. O trabalho talvez mais importante dos prim´ordios dessa nova abordagem foi o trabalho de Zames [29]. Apesar de desenvolvido na d´ecada de 50, o conceito de ganho pequeno (do inglˆes small gain) retornou como base para o crit´erio de estabilidade robusta [6], ser- vindo de pano de fundo para o desenvolvimento do Controle H, discutido no cap´ıtulo seguinte. Este visa ao tratamento de plantas cujas incertezas possam ser identificadas atrav´es de um limitante superior. O controle LQG, adequadamente reestruturado, foi a base do Controle H2, tamb´em discutido no pr´oximo cap´ıtulo, desenvolvido para tratar de sistemas com perturba¸c˜oes de car´ater estoc´astico [30]. At´e aquele momento, o objetivo principal era abordar a quest˜ao da robustez de forma que o comportamento dinˆamico sempre era tratado em um segundo plano. N˜ao raro, simula¸c˜oes do sistema em malha fechada com um controlador robusto n˜ao levam em considera¸c˜ao aspectos que seriam considerados relevantes na pr´atica do controle industrial, tais como o de resposta temporal. Com o advento das desigualdades matri- ciais lineares (do inglˆes LMI) a aloca¸c˜ao dos p´olos de malha fechada e de realimenta¸c˜ao dinˆamica da sa´ıda puderam ser novamente realizadas [11]. A liga¸c˜ao entre os crit´erios de robutez e de comportamento dinˆamico torna-se

(17)

novamente poss´ıvel, embora haja ainda muito trabalho por fazer, no sentido de se desenvolver um projeto que possa contemplar sensibilidade a incertezas e resposta temporal adequadas.

Nesse sentido, algumas estrat´egias vˆem sendo desenvolvidas. Helton e Sideris [13] propuseram algoritmos de otimiza¸c˜ao H que utilizavam como restri¸c˜oes requisitos no dom´ınio do tempo. Sznaier e Benzaid [26] adotam a mesma linha utilizando restri¸c˜oes de tempo e freq¨uˆencia em um projeto de controle robusto via otimiza¸c˜ao convexa. Rotstein e Sideris [21] desenvolve- ram uma metodologia pela qual restri¸c˜oes no dom´ınio do tempo pudessem ser explicitamente incorporadas no projeto H, resultando em um contro- lador de ordem muito elevada e com in´umeros cancelamentos entre p´olos e zeros. Besson e Shenton [1] apresentaram um m´etodo gr´afico iterativo para determinar conjuntos de controladores robustos estabilizantes que satisfazem a uma combina¸c˜ao de restri¸c˜oes nas fun¸c˜oes de sensitividade complementar.

Sznaier et. al. [25] propuseram um m´etodo de projeto H2 baseado na res- tri¸c˜ao da amplitude do sinal de controle e do sinal de erro− a preocupa¸c˜ao passou a ser limitar os sinais de controle e erro e n˜ao com suas evolu¸c˜oes temporais propriamente ditas. Em todos os m´etodos citados anteriormente os requisitos de resposta temporal foram tratados apenas como restri¸c˜oes e n˜ao como objetivos adicionais de um problema de otimiza¸c˜ao. H´a que se comentar a complexidade dos algoritmos utilizados e sua lentid˜ao.

Este trabalho visa a propor uma metodologia de projeto de controlado- res mistos H2/H que contribua para o preenchimento desta lacuna. Para tanto, primeiramente, obt´em-se um conjunto de Pareto H2× H via otimi- za¸c˜ao multi-objetivo, cujas solu¸c˜oes representar˜ao os melhores controladores

(18)

5 para estes dois crit´erios2. Esse procedimento j´a est´a bastante sedimenta- do na literatura e h´a algoritmos muito eficazes para tal tarefa [11]. Dados esses controladores iniciais, calculam-se, atrav´es de simula¸c˜oes dos sistemas de malha fechada, os valores para ´ındices de cunho pr´atico, com o objeti- vo de auferir informa¸c˜oes com rela¸c˜ao `a sua resposta dinˆamica. Os ´ındices escolhidos s˜ao aqueles tradicionalmente utilizados na pr´atica de Controle de Processos Industriais, como tempo de acomoda¸c˜ao, percentual de sobre-sinal, integral do tempo vezes o erro absoluto, etc. Com este procedimento o que se busca ´e a transforma¸c˜ao do conjunto de Pareto H2/H para um novo es- pa¸co de objetivos pr´aticos. A etapa final consiste em um processo de decis˜ao junto ao usu´ario para obten¸c˜ao do controlador final partindo-se do espa¸co transformado.

Essa transforma¸c˜ao de espa¸cos entre o conjunto Pareto H2/H e o con- junto de objetivos pr´aticos ´e de suma importˆancia na condu¸c˜ao do processo de decis˜ao, sendo este totalmente guiado pelos crit´erios de tempo de aco- moda¸c˜ao, percentual de sobre-sinal, integral do tempo vezes o erro absoluto, etc. e n˜ao pelas normas H2 e H. N˜ao h´a nenhuma rela¸c˜ao aparentemente geral entre tais normas e os objetivos pr´aticos, o que impossibilitaria um processo de decis˜ao com rela¸c˜ao aos ´ultimos partindo das primeiras. A etapa de decis˜ao utiliza metodologias tradicionais do escopo de otimiza¸c˜ao multi- objetivo. Estes procedimentos s˜ao gerais, aplic´aveis a qualquer problema de otimiza¸c˜ao convexa. N˜ao se buscaram estrat´egias de controle robusto que

2Na verdade, os algoritmos dispon´ıveis s˜ao capazes de determinar aproxima¸c˜oes dos controladores ´otimos bi-crit´erio. Para os prop´ositos deste trabalho, o fato de os contro- ladores serem aproximadamente ´otimos e n˜ao exatamente ´otimos n˜ao afetar´a de maneira significativa os procedimentos propostos.

(19)

resultassem em controladores de ordem bastante elevada e com algoritmos de elevada complexidade computacional. O controlador de realimenta¸c˜ao dinˆamica da sa´ıda, obtido pela metodologia ora discutida, ´e de ordem equi- valente `a da planta, o que j´a ´e um ganho com rela¸c˜ao a outros trabalhos.

Apesar de utilizar-se apenas de modelos SISO neste texto, ´e prov´avel que este procedimento seja aplic´avel a sistemas multivari´aveis. ´E poss´ıvel tamb´em o tratamento de sistemas incertos j´a que existe uma teoria bem fun- damentada neste sentido. Al´em disso, o procedimento ´e expans´ıvel para um n´umero maior de ´ındices. O procedimento apresentou, no entanto, algumas dificuldades de utiliza¸c˜ao, conforme ser´a discutido no cap´ıtulo de conclus˜oes.

A raz˜ao principal para estes problemas vem da pr´opria formula¸c˜ao adotada para busca dos controladores robustos e nada tem a ver com a metodologia ora apresentada. Para tais plantas, apresentam-se algumas poss´ıveis solu¸c˜oes que poderiam ser experimentadas em trabalhos futuros. Acredita-se que a metodologia apresentada seja uma passo inicial importante para lidar com um problema fundamental da teoria de controle robusto: tratar de forma mais relevante a quest˜ao de comportamento temporal de suas sa´ıdas, j´a que em grande parte das aplica¸c˜oes isso ´e um requisito de opera¸c˜ao importante.

A estrutura¸c˜ao dos cap´ıtulos deste trabalho faz-se da seguinte forma: o cap´ıtulo 2 apresenta fundamentos de controle robusto e de otimiza¸c˜ao veto- rial. O cap´ıtulo 3 apresenta a metodologia em suas min´ucias, sempre com a exemplifica¸c˜ao atrav´es de uma planta fict´ıcia. O cap´ıtulo 4 apresenta a uti- liza¸c˜ao da metodologia de projeto em dois sistemas pr´aticos: o posicionador angular com MCC e oavi˜ao monomotor de dupla asa. Por fim, apresentam- se as conclus˜oes obtidas.

(20)

Cap´ıtulo 2

Fundamentos de Controle Robusto

2.1 Desigualdades Matriciais Lineares (LMI’s)

2.1.1 Defini¸c˜ ao das LMI’s

Defini¸c˜ao 1 (Desigualdade Matricial Linear) Uma LMI1 tem a forma F(x) , F0+

m

X

i=1

xiFi 0, (2.1)

onde x∈Rm ´e uma vari´avel e as matrizes sim´etricas Fi s˜ao dadas [2].

32 Muitos problemas da teoria de controle podem ser reduzidos a problemas de otimiza¸c˜ao convexa envolvendo as desigualdades matriciais lineares,

1A nota¸c˜ao P 0 indica que a matriz P ´e definida positiva. P 0 indica que P ´e semidefinida positiva. Da mesma forma,P 0 eP 0, indicam queP´e, respectivamente, definida negativa esemidefinida negativa

2Os s´ımbolos3e2marcam, respectivamente, o fim de uma defini¸c˜ao ou de um teorema.

7

(21)

conhecidas na literatura por LMI’s (do inglˆes linear matrix inequalities). Da- do que estes problemas de otimiza¸c˜ao podem ser resolvidos numericamente com muita eficiˆencia, as LMI’s vˆem tomando espa¸co importante no projeto de controladores, sobretudo robustos. Dentre as v´arias situa¸c˜oes que podem ser resolvidas utilizando esta metodologia est´a a constru¸c˜ao de fun¸c˜oes qua- dr´aticas de Lyapunov para an´alise de estabilidade e desempenho de sistemas dinˆamicos incertos. Este ser´a o t´opico desta se¸c˜ao, base para a compreens˜ao das metodologias de an´alise e projeto de controladores robustos a serem tra- tadas nas se¸c˜oes seguintes.

Teorema 1 (Complemento de Schur) Seja P uma matriz particion´avel da seguinte forma

P =

P11 P12 P12T P22

 (2.2)

P ´e uma matriz definida positiva se e somente se pode-se aplicar um dos complementos de Schur a seguir [2], [23]:

P220

P11−P12P22−1P12T 0

(2.3) ou

P11 0

P22−P12P11−1P12T 0

. (2.4)

2 O complemento de Schur ´e muito ´util para transformar desigualdades ma- triciais n˜ao-lineares em LMI’s, com resolu¸c˜ao muito facilitada. Um primeiro exemplo de sua utiliza¸c˜ao ´e em restri¸c˜oes quadr´aticas [2]:

(xT −x˜T)Q−1(x−x)˜ q ⇔

q xT −x˜T x−x˜ Q

0. (2.5)

(22)

2.1. DESIGUALDADES MATRICIAIS LINEARES (LMI’S) 9 Outro exemplo, talvez mais importante, ´e possibilitar uma representa¸c˜ao em LMI para a equa¸c˜ao de Riccati [2]:

AX +XAT −BBT +XCTCX 0 ⇔

AX+XAT −BBT XCT

CX −I

0. (2.6)

2.1.2 LMI e estabilidade de sistemas dinˆ amicos incer- tos

Apresentar-se-´a a seguir a utiliza¸c˜ao das desigualdades matriciais lineares na an´alise da estabilidade de sistemas dinˆamicos invariantes no tempo.

Teorema 2 (Lyapunov) Seja um sistema linear autˆonomo de represen- ta¸c˜ao no espa¸cos de estados

˙

x(t) =Ax(t) (2.7)

Todos os autovalores de A possuir˜ao partes reais negativas, e portanto o sistema ser´a assintoticamente est´avel, se e somente se para alguma matriz Q sim´etrica definida positiva, a desigualdade de Lyapunov

ATP +P A −Q (2.8)

tenha uma ´unica solu¸c˜ao sim´etrica e positiva definida P [2].

2 O Teorema 2 ´e uma forma especial de LMI de ampla utiliza¸c˜ao em teoria de controle.

(23)

A defini¸c˜ao a seguir apresenta a condi¸c˜ao para que um sistema dinˆamico com incertezas polit´opicas seja est´avel para qualquer condi¸c˜ao no interior do politopo [2].

Defini¸c˜ao 2 Um sistema dinˆamico autˆonomo incerto

˙

x=Ax A∈ P ,{A|A=

k

X

i=1

ξiAi, ξi ≥0

k

X

i=1

ξi = 1} (2.9)

´e dito ser quadraticamente est´avel se existe uma matriz sim´etrica definida positiva P tal que

ATP +P A≺0 ∀A∈ P. (2.10)

3 Apesar de sua utilidade para an´alise de estabilidade, a defini¸c˜ao ante- rior n˜ao provˆe ferramentas para s´ıntese de controladores estabilizantes de sistemas dinˆamicos polit´opicos. Isto ´e conseguido utilizando-se da defini¸c˜ao seguinte [2].

Defini¸c˜ao 3 Um sistema dinˆamico autˆonomo incerto

˙

x=Ax+Buu (2.11)

(A, Bu)∈ P ,{(A, Bu)|(A, Bu) =

k

X

i=1

ξi(Ai, Bui), ξi ≥0

k

X

i=1

ξi = 1}

´e dito ser quadraticamente estabiliz´avel por realimenta¸c˜ao est´atica de estados u=Kx se existe uma matriz sim´etrica definida positiva P tal que

(A+BuK)TP +P(A+BuK)≺0 ∀A∈ P. (2.12) 3

(24)

2.2. ESPAC¸ OS NORMADOS 11 Em rela¸c˜ao `a Defini¸c˜ao 2, substituiu-se a matriz A pela sua correspondente em malha fechada por realimenta¸c˜ao est´atica de estados.

Em todos os casos anteriores, a aplica¸c˜ao das LMI’s facilita enormemente os testes de factilibilidade (existˆencia de P) possibilitando a solu¸c˜ao de pro- blemas de estabilidade. Esta ´e apenas uma das utilidades desta ferramenta que ser´a muito explorada para s´ıntese de controladores robustos.

2.2 Espa¸cos Normados

2.2.1 Espa¸cos Normados

Um espa¸co normado´e um espa¸co vetorial sobre um corpo F no qual haja uma norma || · || definida. Um exemplo de espa¸co normado ´e o Rn, com qualquer norma-p vetorial, p = 1, 2, ..., ∞, definida.

Uma seq¨uˆencia{xn}em um espa¸co normado V´e chamada deseq¨uˆencia de Cauchy se ||xn−xm|| → 0 quando n, m → ∞. Ela ´e dita convergente em V, denotado xn→x, se ||xn−x|| →0.

Um espa¸co normadoV´e chamado deespa¸co de Banachse toda seq¨uˆencia de Cauchy em V converge para um elemento de V. O Rn e o Cn com uma norma-p vetorial s˜ao exemplos de espa¸cos de Banach [27].

Defini¸c˜ao 4 Seja V um espa¸co vetorial sobre C. O produto interno em V ´e uma fun¸c˜ao complexa denotada por < ·,· > tal que para x, y, z ∈ V e α, β ∈C

1. < x, αy+βz >=α < x, y >+β < x, z >;

2. < x, y >=<x¯¯,¯y >;

(25)

3. < x, x >>0 se x6= 0.

Da defini¸c˜ao acima, o produto interno induz uma norma ||x||, √< x, x >.

Assim, em V ainda s˜ao v´alidas as seguintes propriedades 1. |< x, y >| ≤ ||x|| ||y|| desigualdade de Cauchy-Schwartz;

2. ||x+y||2+||x−y||2 = 2||x||2 + 2||y||2; 3. ||x+y||=||x||2+||y||2, se x⊥y.

3 Umespa¸co de Hilbert´e um espa¸co normado no qual a norma ´e induzida pelo produto interno. ´E portanto um espa¸co de Banach. O Cn com o seu produto interno usual ´e um exemplo de espa¸co de Hilbert.

2.2.2 Espa¸cos normados de Hardy

Sejam S ⊂C um conjunto aberto e f(s) uma fun¸c˜ao complexa definida em S. Ent˜ao,f(s) ´e dita ser anal´ıtica em um ponto z0 deS se ela ´e diferenci´avel em z0 e tamb´em em sua vizinhan¸ca.

Teorema 3 (M´odulo m´aximo) Se f(s)´e definida e cont´ınua em um con- junto limitado S e ´e anal´ıtica no interior de S, ent˜ao o m´aximo de |f(s)|em S est´a na fronteira de S [30].

2 O espa¸co L2(jR) ouL2 ´e um espa¸co de Hilbert de fun¸c˜oes matriciais em jRe consiste de todas as fun¸c˜oes matriciais complexas F(s) tais que a integral

Z

−∞

T r(F(jω)F(jω))dω < ∞ (2.13)

(26)

2.2. ESPAC¸ OS NORMADOS 13 seja limitada. T r(·) denota o tra¸co de uma matriz. O produto interno para este espa¸co de Hilbert ´e definido como

< F, G >, 1 2π

Z

−∞

T r(F(jω)G(jω))dω (2.14) e a norma induzida por este produto interno ´e dada por

||F||2 =p

< F, F >. (2.15) O espa¸co H23 ´e um subespa¸co fechado do espa¸co L2 com fun¸c˜oes matri- ciais anal´ıticas emRe(s)>0 (semiplano aberto direito).

Defini¸c˜ao 5 A norma H2 ´e definida como

||F||22 , sup

σ>0{ 1 2π

Z

−∞

T r(F(σ+jω)F(σ+jω))dω}. (2.16) Pode ser mostrado, utilizando-se o teorema de Fatou [20], que

||F||22 = 1 2π

Z

−∞

T r(F(jω)F(jω))dω. (2.17) 3 O espa¸co L´e um espa¸co de Banach de fun¸c˜oes matriciais limitadas em jR com norma

||F|| , sup

ω∈R

¯

σ(F(jω)). (2.18)

O subespa¸co racional RL consiste de todas matrizes de transferˆencia ra- cionais e pr´oprias sem p´olos no eixo imagin´ario [30].

O espa¸coH´e um subespa¸co fechado doLcom fun¸c˜oes que s˜ao anal´ıticas e limitadas no semiplano aberto direito [30].

3Neste trabalho, os s´ımbolosH2 eHdenotar˜ao tanto os espa¸cos normados de Hardy quanto suas respectivas normas. A distin¸c˜ao se far´a de acordo com o contexto.

(27)

Defini¸c˜ao 6 A norma H ´e dada por

||F|| , sup

Re(s)>0

¯

σ(F(s)) = sup

ω∈R

¯

σ(F(jω)) (2.19)

3

2.2.3 C´ alculo das normas H

2

e H

Considere a matriz de transferˆencia

G(s) = C(sI −A)−1B+D com A est´avel.

A norma H2 pode ser calculada por

||G(s)||22 = T r(BTWoB) = T r(CWcCT) (2.20) onde Wo e Wc s˜ao, respectivamente, os gramianos de observabilidade e de controlabilidade deG(s) [30].

A norma H pode ser calculada por

||G|| = max

ω∈R σ(G(jω))¯ (2.21)

Numericamente, a normaHpode ser obtida da representa¸c˜ao em espa¸co de estados como o menor valorγ tal que a matriz Hamiltoniana

H =

A+BR−1DTC BR−1BT

−CT(I+DR−1DT)C −(A+BR−1DTC)T

 (2.22)

n˜ao possua autovalores no eixo imagin´ario e R = γ2I −DTD. Um proce- dimento iterativo para o c´alculo da norma H consiste em iniciar com um valor elevado paraγ e reduzindo-o at´e que H apresente valores sobre o eixo imagin´ario.

(28)

2.3. CONTROLE H2 15 De 2.21, observa-se que minimizar a norma H consiste na minimiza¸c˜ao do pico do valor singular m´aximo, o que implica a otimiza¸c˜ao do sistema em sua pior dire¸c˜ao e freq¨uˆencia. A sua principal vantagem ´e a conveniˆencia da representa¸c˜ao de incertezas n˜ao-estruturadas, j´a que essas podem ser tratadas atrav´es de um limitante superior.

J´a a normaH2 corresponde `a minimiza¸c˜ao da soma dos quadrados de to- dos os valores singulares sobre todas as freq¨uˆencias, resultando na otimiza¸c˜ao do sistema sobre a m´edia das dire¸c˜oes e freq¨uˆencias. Toma papel importante quando na presen¸ca de perturba¸c˜oes modeladas atrav´es de ru´ıdo gaussiano.

2.3 Controle H

2

Defini¸c˜ao 7 (Problema H2) Seja o sistema representado em espa¸co de es- tados por









˙

x=Ax+B1u+B2w z =C1x+D12u y =C2x+D21w

(2.23)

com diagrama de blocos como na Figura 2.1, que indica realimenta¸c˜ao est´atica de estados, u=Kx. O problema de controleH2 resume-se em encontrar um controlador estabilizante K que minimize a norma H2 da matriz de trans- ferˆencia de malha fechada de w para z [23], [30].

3

O controle H2 tem forte influˆencia sobre perturba¸c˜oes e ru´ıdos com ca- racter´ısticas estoc´asticas. Seja F a matriz de transferˆencia de malha fechada

(29)

Figura 2.1: Diagrama de blocos para o sistema de controle robusto padr˜ao.

w representa as entradas de perturba¸c˜ao e z as sa´ıdas para controle robusto.

de w para z com w contaminada por ru´ıdo branco

E{w(t)w(τ)}=Iδ(t−τ) (2.24) onde E representando aesperan¸ca matem´atica. A potˆencia esperada no sinal de erro z ´e dada por

En

limT→∞ 1 2T

RT

−Tz(t)Tz(t)dto

= Tra¸co(E{z(t)z(t)T})

= 1 R

−∞F(jω)F(jω)T

=||F||2 pelo teorema de Parseval

(2.25)

Assim, o controle H2 visa a minimizar a influˆencia de ru´ıdos estoc´asticos sobre a sa´ıda z, ou minimizar o seuvalor m´edio quadr´atico (RMS) [11], [23].

(30)

2.4. CONTROLE H 17 Defini¸c˜ao 8 (Resolu¸c˜ao do controle ´otimo H2 via LMI’s) Seja a plan- ta P(s) descrita no espa¸co de estados como na Defini¸c˜ao 7. O problema de controle H2 pode ser solucionado via LMI’s atrav´es de [11], [20]

































minimize o Tra¸co(J)

s. a





















J B2T B2 X

0

AX+XAT +B1Z+ZTBT1 XC1T +ZTD12T C1X+D12Z −I

≺0

(2.26)

com J e X sim´etricas, K =ZX−1 e ||Tzw||22 = Tra¸co(J).

3

2.4 Controle H

Defini¸c˜ao 9 (Transforma¸c˜ao Linear Fracion´aria) Seja P(s) uma plan- ta com sa´ıda y realimentada dinamicamente por um controlador estabilizante K(s). Seja ainda P(s) acometida por incertezas estruturadas de z a w e par- ticion´avel como

 Z(s) Y(s)

 =

P11 P12

P21 P22

 W(s)

U(s)

. (2.27)

A fun¸c˜ao de transferˆencia de malha fechada de w a z ´e dada pela transfor- ma¸c˜ao linear fracion´aria abaixo [11]:

F(P, K) ≡ P11+P12K(I−P22K)−1P21. (2.28)

(31)

3

Defini¸c˜ao 10 (Problema H) O problema padr˜ao de controle ´otimo H consiste em encontrar todos os controladores estabilizantes K que minimizem

||F(P, K)|| = max

ω σ(¯ F(P, K)(jω)), (2.29) ou seja a norma H de w para z [11], [30].

3

Na pr´atica, em geral, n˜ao ´e necess´ario obter um controlador ´otimo, sendo mais simples encontrar uma solu¸c˜ao sub-´otima de forma que

||F(P, K)||< γ (2.30)

com γ > γmin, onde γmin ´e o valor m´ınimo da norma anterior para todos os controladores estabilizantes K.

O controle H ´e um problema de rejei¸c˜ao de perturba¸c˜oes. Ele consiste na minimiza¸c˜ao do ganho m´aximo de malha fechada do canal de w para z j´a que

||G||= sup

kuk≤1

||y||2

||u||2 (2.31)

em que ambos u e y est˜ao contidos em um espa¸co de sinais de energia finita.

Obviamente, o sinal u n˜ao pode ser nulo. Assim, a interpreta¸c˜ao das obser- va¸c˜oes acima ´e que esta formula¸c˜ao minimiza os efeitos da pior perturba¸c˜ao u na sa´ıda y [23].

A seguir ser´a apresentada a formula¸c˜ao do problema de otimiza¸c˜ao do desempenho H baseada nas desigualdades matriciais lineares. N˜ao ser´a apresentada a dedu¸c˜ao, mas apenas o resultado final, sendo aquela obtida

(32)

2.5. FUNDAMENTOS DE OTIMIZAC¸ ˜AO VETORIAL 19 das referˆencias bibliogr´aficas indicadas. Tamb´em n˜ao se preocupou em apre- sentar a formula¸c˜ao baseada nas equa¸c˜oes de Riccati, j´a que estas n˜ao ser˜ao utilizadas neste trabalho.

Defini¸c˜ao 11 (Otimiza¸c˜ao do desempenho H via LMI’s) Seja a plan- ta P(s) dada no espa¸co de estados por









˙

x=Ax+B1w+B2u z =C1x+D11w+D12u y=C2x+D21w

(2.32)

O problema de controle H pode ser solucionado minimizando-se γ com N12 e N21 representando, respectivamente, as bases dos espa¸cos nulos de (B2T, D12T ) e (C2, D21) para matrizes R e S sim´etricas tais que [11], [20]

N12 0

0 I

T

AR+RAT RC1T B1

C1R −γI D11

B1T D11 −γI

N12 0

0 I

≺0

N21 0

0 I

T

ATS+SA SB1 C1T B1TS −γI DT11

C1 D11 −γI

N21 0

0 I

≺0

 R I

I S

0

3

2.5 Fundamentos de Otimiza¸c˜ ao Vetorial

Das se¸c˜oes anteriores, pode-se depreender que o problema de controle H2 e H ´e basicamente um procedimento de otimiza¸c˜ao escalar, ou seja, com um

(33)

´

unico objetivo de minimiza¸c˜ao. Esta se¸c˜ao apresenta os conceitos b´asicos da otimiza¸c˜ao vetorial, em que se busca a minimiza¸c˜ao conjunta de mais de um objetivo. Esta abordagem ´e fundamental para tratar o problema de controle misto H2/H discutido a seguir. A defini¸c˜ao do Conjunto Pareto-´otimo ´e vital nesta Disserta¸c˜ao, pois estar´a presente em todas as discuss˜oes futuras.

2.5.1 Defini¸c˜ ao do problema de otimiza¸c˜ ao vetorial

Seja f(·) : Rn 7→ Rm uma fun¸c˜ao vetorial real e X ∈ Rn o dom´ınio de f, denominadoespa¸co de parˆametros. Ao espa¸co que cont´em o conjunto-imagem da fun¸c˜ao vetorial anterior dar-se-´a o nome deespa¸co de objetivosY. Deseja- se com o problema de otimiza¸c˜ao vetorial determinar o conjunto X ∈ X, chamado de conjunto de solu¸c˜oes eficientes ou de Conjunto Pareto-´otimo, que minimize em algum sentido a fun¸c˜ao vetorialf.

2.5.2 Dominˆ ancia e conjunto Pareto-´ otimo

Defini¸c˜ao 12 (Sinais de ordenamento vetorial) Sejam x, y ∈ Rn. Os sinais de ordenamento ≤, <, = e 6= definem-se como

i) x≤y ⇒ {xi ≤yi, i= 1, . . . , n}; ii) x < y⇒ {xi < yi, i= 1, . . . , n}; iii) x=y⇒ {xi =yi, i= 1, . . . , n};

iv) x6=y⇒ {∃i|xi 6=yi} [27].

3

(34)

2.5. FUNDAMENTOS DE OTIMIZAC¸ ˜AO VETORIAL 21 Defini¸c˜ao 13 (Dominˆancia) Diz-se que o ponto x1 ∈ X domina o ponto x2 ∈ X se f(x1) ≤ f(x2) e f(x1) 6= f(x2). Equivalentemente, diz-se que f(x1)∈ Y domina o ponto f(x2)∈ Y, nessas mesmas condi¸c˜oes [27].

3 Defini¸c˜ao 14 (Solu¸c˜ao Pareto-´otima) Diz-se que o ponto x ∈ X ´e uma solu¸c˜ao Pareto-´otima de um problema de otimiza¸c˜ao vetorial se ele n˜ao ´e dominado por nenhum outro ponto em X, ou, equivalentemente, n˜ao h´a x∈ X tal que f(x)≤f(x) e f(x)6=f(x) [27].

3 Defini¸c˜ao 15 (Conjunto Pareto-´otimo) E o conjunto que re´´ une todas as solu¸c˜oes Pareto-´otimas de um problema de otimiza¸c˜ao vetorial [27].

3 O exemplo a seguir visa a apresentar de forma mais clara os conceitos anteriores.

Exemplo 1 Seja o problema de otimiza¸c˜ao vetorial encontrar o conjunto Pareto-´otimo para f1 = x21 +x22 e f2 = (x1 −2)2 + (x2 −2)2 com x1 e x2 limitados pelo c´ırculo centrado na origem de raio 2, ou seja, x21 +x22 ≤ 4.

O espa¸co de parˆametros X, representado pela Figura 2.2, compreende todos os valores de x1 e x2 contidos no c´ırculo acima. O espa¸co de objetivos Y, representado na Figura 2.3, compreende a imagem das fun¸c˜oes f1 e f2 sobre o espa¸co de parˆametros, apresentados em um gr´afico f2×f1. J´a o conjunto Pareto-´otimo ´e apresentado na Figura 2.4 e est´a representado pelas solu¸c˜oes destacadas da borda inferior de Y.

(35)

−2 −1.5 −1 −0.5 0 0.5 1 1.5 2

−2

−1.5

−1

−0.5 0 0.5 1 1.5 2

x1 x2

Espaço de parâmetros

Figura 2.2: Espa¸co de parˆametros x1×x2, X. Regi˜ao interna do c´ırculo de raio 2 centrado na origem.

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4 4.5

0 5 10 15 20 25

f1 f2

Espaço de objetivos

Figura 2.3: Espa¸co de objetivos Y. Imagens de f1 = x21 +x22 e f2 = (x1 − 2)2+ (x2−2)2 com x1 e x2 limitados pelo c´ırculo da Figura 2.2.

(36)

2.6. CONTROLE MISTO H2/H 23

0 0.5 1 1.5 2 2.5 3 3.5 4

0 1 2 3 4 5 6 7 8

9 Conjunto Pareto−ótimo

f1 f2

Figura 2.4: Conjunto Pareto-´otimo para o espa¸co de objetivos da Figura 2.3.

N˜ao h´a solu¸c˜ao em Y que seja melhor que essas em ambos objetivos f1 e f2

2.6 Controle Misto H

2

/ H

Em muitas aplica¸c˜oes reais, os controladoresH2eHn˜ao conseguem, indivi- dualmente, atender a todos os requisitos de desempenho. Em um projetoH, por exemplo, a atenua¸c˜ao de ru´ıdos e a regula¸c˜ao sob a a¸c˜ao de perturba¸c˜oes n˜ao seriam eficientemente abordados, j´a que estes s˜ao melhor expressos na forma de problemasH2. Mesmo utilizando-se uma formula¸c˜ao que inclua em cada uma destas metodologias um artif´ıcio de aloca¸c˜ao de p´olos de malha fechada, encontrar um controlador que atenda bem a ambos os crit´erios seria de grande valia. Da´ı surge ent˜ao o Controle Misto H2/H.

Do exposto nas se¸c˜oes anteriores, tanto o projeto H2 quanto o projeto H podem ser formulados como processos de otimiza¸c˜ao convexa. ´E natu-

(37)

ral pensar-se tamb´em que cada um desses objetivos possua valores m´ınimos diferentes no dom´ınio das solu¸c˜oes estabilizantes, j´a que s˜ao calculados com base em formula¸c˜oes diferentes. Isso levaria facilmente `a dedu¸c˜ao de que seria imposs´ıvel obter um controlador que minimize simultaneamente ambos os crit´erios. O vi´avel seria ent˜ao obter o melhor controlador que atenda bem a ambos objetivos.

Essa forma de encarar o controle misto H2/H ´e idˆentica `a apresen- tada na se¸c˜ao anterior. Se for poss´ıvel elaborar um m´etodo de otimiza¸c˜ao multi-objetivo tendo como objetivos as normas H2 e H, pode-se obter um conjunto de solu¸c˜oes eficientes composto das melhores solu¸c˜oes poss´ıveis para o projeto. Felizmente, isso ´e poss´ıvel e facilmente realiz´avel com otimiza¸c˜ao convexa via LMI’s, que possibilita ainda a inclus˜ao de restri¸c˜oes de aloca¸c˜ao de p´olos de malha fechada. Dessa forma, uma defini¸c˜ao do projeto misto H2/H teria a seguinte apresenta¸c˜ao.

Defini¸c˜ao 16 (Controle Misto H2/H) Sejam H um sistema em malha fechada, γ2 o valor da norma H do sistema em malha fechada com norma H2 ´otima e γ a norma H ´otima. Seja ainda S o conjunto dos controla- dores estabilizantes. O problema de projeto misto H2/H consiste em obter o conjunto K2∞ tal que [11]

K2∞















 K2∞ |

K2∞=arg min ||H||2

sujeito a:









||H||≤γ K ∈ S γ ≤γ ≤γ2

















(2.33)

3

(38)

2.6. CONTROLE MISTO H2/H 25 A seguir ser´a apresentada a formula¸c˜ao b´asica LMI para o projeto de con- troladores mistosH2/H para o caso de realimenta¸c˜ao dinˆamica da sa´ıda 4. Defini¸c˜ao 17 (Formula¸c˜ao LMI para controle misto H2/H) [11] Se- ja um sistema com representa¸c˜ao nos espa¸cos de estados da Equa¸c˜ao 2.34

















˙

x=Ax+B1w+B2u

z =Cx+D∞1w+D∞2u z2 =C2x+D22u

y=Cyx+Dy1w

(2.34)

cuja sa´ıda y est´a dinamicamente realimentada por um controlador K, com representa¸c˜ao em espa¸cos de estado da Equa¸c˜ao 2.35.

ζ˙ =AKζ+BKy u=CKζ+DKy

(2.35)

levando a um sistema em malha fechada com a representa¸c˜ao em espa¸cos de estado da Equa¸c˜ao 2.36









˙

xcl =Aclxcl+Bclw z =Ccl1xcl +Dcl1w z2 =Ccl2xcl+Dcl2w

. (2.36)

A estrat´egia de obten¸c˜ao do controlador mistoH2/Hvia LMI deve aten- der aos seguintes objetivos de desempenho, tamb´em descritos em LMI

• desempenho H: o ganho RMS de malha fechada entre w e z n˜ao

4Maiores informa¸c˜oes a respeito desta formula¸c˜ao e o c´alculo dos controladores podem ser encontradas emGahinet et. al.[11]

(39)

excedeγ se e somente se existe uma matrix sim´etrica X tal que

















AclX+XATcl Bcl XCcl1T BclT −I DTcl1 Ccl1X Dcl1 −γ2I

≺0

X0

(2.37)

• desempenhoH2: a normaH2 de malha fechada entre wez2 n˜ao excede ν se e somente se Dcl2 = 0 e existem duas matrizes sim´etricas X2 e Q tais que





















AclX2 +X2ATcl Bcl

BclT −I

≺0

Q Ccl2X2 X2Ccl2T X2

0 Tra¸co(Q)< ν2

. (2.38)

Desta forma, uma formula¸c˜ao multi-objetivo LMI que atende aos requisi- tos anteriores, fica como a Equa¸c˜ao 2.39

(40)

2.6. CONTROLE MISTO H2/H 27





























































Minimize αγ2+βTra¸co(Q) com

AclX +XATcl Bcl XCcl1T BTcl −I Dcl1T Ccl1X Dcl1 −γ2I

≺0

X 0

AclX +XATcl Bcl

BTcl −I

≺0

Q Ccl2X XCcl2T X

0 Tra¸co(Q)< ν02

γ2 < γ02

(2.39)

sendo X , X = X2, ν0 um limitante para a norma H2 e γ0 um limitante para a norma H.

3

A Equa¸c˜ao 2.39 ´e a base para o algoritmo hinfmix doMatLab LMI Con- trol Toolboxc. Esta fun¸c˜ao permite tamb´em a aloca¸c˜ao de p´olos de malha fechada [11]. Neste trabalho, adotar-se-´a este algoritmo para a obten¸c˜ao de cada controlador robustoH2/H componente do conjunto de Pareto.

Para esta formula¸c˜ao LMI, n˜ao se garante que a solu¸c˜ao obtida seja ´otima, j´a que os valoresγ00operam apenas como limites superiores para as norma H eH2 respectivamente. Assim, um algoritmo que a utilize iterativamente para a obten¸c˜ao de um conjunto de solu¸c˜oes eficientes, n˜ao resultar´a em um conjunto Pareto-´otimo. Dado ser essa a metodologia a ser empregada neste trabalho e para evitar incorre¸c˜ao formal, adotar-se-´a para qualquer conjun-

(41)

to de solu¸c˜oes eficientes H2 × H a denomina¸c˜ao de Conjunto Pareto- sub´otimo [28].

(42)

Cap´ıtulo 3

Projeto misto H 2 / H multi-objetivo

3.1 Introdu¸c˜ ao

No cap´ıtulo anterior, sedimentaram-se os conhecimentos b´asicos necess´arios para a compreens˜ao do texto. Descreveram-se as principais metodologias adotadas em controle robusto e os fundamentos de otimiza¸c˜ao multi-objetivo.

O objetivo deste cap´ıtulo ´e apresentar a utiliza¸c˜ao destes fundamentos no projeto de controladores mistosH2/H que reflitam restri¸c˜oes e crit´erios de desempenho comuns na pr´atica tradicional de Controle de Processos Industri- ais, como percentual de sobre-sinal, tempo de acomoda¸c˜ao, ´ındices integrais sobre o erro e sinal de controle, etc. Assim, pretende-se aproximar o projeto de controle robusto do conhecimento mais geral do controle cl´assico, tornando a obten¸c˜ao de controladores mais natural para um Engenheiro de Processos, com a vantagem de agregar robustez a incertezas e dinˆamicas n˜ao-modeladas presentes na planta em quest˜ao.

29

(43)

Este cap´ıtulo tratar´a inicialmente da obten¸c˜ao de um conjunto Pareto- sub´otimo H2 × H. Os controladores robustos assim obtidos representar˜ao as solu¸c˜oes sub´otimas que atendam aos crit´erios robustosH2eHda melhor forma poss´ıvel.

A seguir, ser´a descrita a convers˜ao dos crit´erios acima mencionados para outros que representem o desempenho do sistema por meio de ´ındices pr´aticos de desempenho mais comuns e compreens´ıveis para um operador do sistema.

Esta convers˜ao naturalmente implicar´a em um conjunto de solu¸c˜oes em que poder´a ser obtido um conjunto Pareto-transformado, conforme definido a seguir:

Defini¸c˜ao 18 (Conjunto Pareto-transformado) Seja Φ o conjunto das solu¸c˜oes Pareto-´otimas de um problema de projeto H2/H. Seja P(·) o operador que, atuando sobre um conjunto, retorna o sub-conjunto n˜ao domi- nado desse conjunto. Sejaf(·)uma fun¸c˜ao vetorial de ´ındices de desempenho pr´aticos. O conjunto Pareto-transformado do problema, Ψ, ´e dado por:

Ψ = P(f(Φ)) (3.1)

3 Ser´a mostrado que essa defini¸c˜ao, aqui proposta, poder´a possibilitar signi- ficativa redu¸c˜ao do n´umero de solu¸c˜oes de interesse e, mais importante, ir´a propiciar a ordena¸c˜ao das alternativas de projeto segundo ´ındices de desem- penho que tˆem significado claro para o projetista.

Finalmente, ser´a apresentado o processo de escolha da solu¸c˜ao que ser´a aplicada `a planta sob an´alise. Este passo, comumente chamado de processo de decis˜ao, consiste em uma apresenta¸c˜ao sistem´atica do comportamento do

(44)

3.1. INTRODUC¸ ˜AO 31 sistema com os v´arios controladores e em sucessivos questionamentos ao ope- rador de forma a chegar `aquela solu¸c˜ao que melhor atenda aos seus objetivos de desempenho.

Para que este cap´ıtulo seja suficientemente autocontido, ´e necess´ario que seja apresentado um exemplo num´erico para a execu¸c˜ao de cada passo e discuss˜ao dos resultados. Este ´e enunciado a seguir:

Exemplo 2 (Sistema-exemplo) Considere como planta para este cap´ıtulo um sistema P como o da Figura 3.1 e com representa¸c˜ao nos espa¸cos de estados

















˙

x=Ax+B1w+B2u

z =Cx+D∞1w+D∞2u z2 =C2x+D21w+D22u y=Cyx+Dy1w+Dy2u

(3.2)

com

Figura 3.1: Diagrama de blocos para a planta generalizada P, exemplo deste cap´ıtulo. w representa a entrada de perturba¸c˜ao, z a sa´ıda para controle robusto H e z2 as sa´ıdas para controle robusto H2 .

(45)

A=

0 1 0

0 −25 2

0 0 −950

, B1 =

 0 1 0

, B2 =

 0 0 950

 ,

Cy =C =h

1 0 0

i, C2 =

1 0 0 0 1 0 0 0 0

 ,

D∞1 =D∞2 =Dy1 =Dy2 = 0,

D21

 0 0 0

, D22=

 0 0 1

 .

Este sistema-exemplo ser´a utilizado ao longo deste cap´ıtulo para ilustrar os procedimentos de projeto aqui propostos.

3.2 Projeto misto H

2

/ H

Conforme descrito no cap´ıtulo anterior, os projetos H2 e H visam `a ob- ten¸c˜ao de controladores estabilizantes para todo um conjunto incerto, que minimizem o pior caso das respectivas normas da fun¸c˜ao de transferˆencia entre as entradas de perturba¸c˜oes e as sa´ıdas ou estados de interesse no conjunto incerto. Cada uma das metodologias apresenta vantagens tamb´em citadas anteriormente. Em v´arias situa¸c˜oes deseja-se uma minimiza¸c˜ao con- junta de ambas as normas. Naturalmente, esta situa¸c˜ao ´e imposs´ıvel dado serem os objetivos formulados diferentemente e, portanto, com m´ınimos dis-

(46)

3.2. PROJETO MISTOH2/H 33 tintos1. Isso descarta a possibilidade de obter-se um controlador que atenda simultaneamente a ambas minimiza¸c˜oes.

A otimiza¸c˜ao multi-objetivo ´e constitu´ıda de duas etapas: a primeira denominadaescalariza¸c˜aorefere-se `a defini¸c˜ao formal do problema e `a escolha da metodologia de resolu¸c˜ao. A segunda trata da elabora¸c˜ao de algoritmos computacionais capazes de executar as estrat´egias tra¸cadas no passo anterior.

Com rela¸c˜ao `a otimiza¸c˜ao multi-objetivo H2/H, a etapa de escalariza¸c˜ao pode ser sintetizada pelas formula¸c˜oes em 1 e 2.

Problema 1 (Otimiza¸c˜ao multi-objetivo H2/H) O projeto mistoH2/H para a planta P, Sistema-exemplo 2, consiste em obter um conjunto de con- troladores dinˆamicos estabilizantes, formando um conjunto Pareto-´otimo, tal que da realimenta¸c˜ao dinˆamica da sa´ıda de P pelos mesmos produzam-se sistemas em malha fechada capazes de minimizar, no sentido da Pareto- otimalidade, as normas H2 e H da perturba¸c˜ao w para as sa´ıdas z2 e z

respectivamente.

Problema 2 (Abordagem -Restrito aplicada ao problema H2/H) Sejam f e f2 fun¸c˜oes que representem, respectivamente, as normas H e H2 da malha fechada da planta P com um controlador dinˆamico K, como descrito no Problema 1. Seja ainda j um n´umero real com j = 1, ..., m. Se αi, i= 1, ..., n, pertencente ao espa¸co de objetivos, ´e uma solu¸c˜ao eficiente e portanto pertencente tamb´em ao conjunto Pareto-sub´otimo, ent˜ao αi resulta

1E relativamente raro o caso em que duas fun¸c˜oes-objetivo com significados diferentes´ tˆem ponto minimizante idˆentico. Esse caso n˜ao tem relevˆancia pr´atica: ele apenas indica que o problema bi-objetivo pode ser substitu´ıdo por um problema mono-objetivo em um dos objetivos apenas.

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