• Nenhum resultado encontrado

Ci. Inf. vol.26 número2

N/A
N/A
Protected

Academic year: 2018

Share "Ci. Inf. vol.26 número2"

Copied!
3
0
0

Texto

(1)

DOCUMENTOS

Grupo de Trabalho sobre Bibliotecas Virtuais do Comitê Gestor da Internet-Brasil

ORIENTAÇÕES ESTRATÉGICAS

O GT de Bibliotecas Virtuais do Grupo Gestor Internet Brasil foi criado em no-vembro de 1996 com o objetivo específi-co de promover a participação ativa das bibliotecas brasileiras na Internet. Este documento apresenta as orientações estratégicas elaboradas pelo GT de Bi-bliotecas Virtuais para os anos de 1997 e 1998, as quais não somente nortea-rão as atividades do GT, mas podenortea-rão também ser adotadas por organismos públicos e privados na elaboração e apli-cação de políticas e planos de desen-volvimento das bibliotecas, centros e sistemas de informação em todos os níveis.

A Internet emerge internacionalmente como o espaço mais profícuo para a opera-ção dos serviços de informaopera-ção das bi-bliotecas, em praticamente todas as áreas do conhecimento e para a maioria dos usuários atuais e potenciais.

Seu extraordinário desenvolvimento nos últimos anos se fundamenta em grande parte na comunicação, cooperação e democratização do uso e acesso à in-formação, coincidindo, assim, com os princípios clássicos de operação das bibliotecas e das redes cooperativas de bibliotecas. Entretanto, a integração e participação ativa das bibliotecas na Internet não se processa facilmente. Ao contrário, a experiência internacional tem mostrado que a prestação de servi-ços de informação na Internet requer e, ao mesmo tempo, contribui para a trans-formação profunda tanto no funciona-mento tradicional das bibliotecas, como na prática do profissional da informação. Esta situação tende a radicalizar-se à medida que o desenvolvimento da Inter-net revela-se em novos produtos e

ser-Orientações estratégicas

para a implementação de

bibliotecas virtuais no

Brasil

viços de informação inteiramente eletrô-nicos, não acessíveis às bibliotecas tra-dicionais e conformando um espaço vir-tual operado progressivamente pelas chamadas bibliotecas eletrônicas e/ou bibliotecas virtuais.

Ao mesmo tempo, o desenvolvimento mundial da Internet coincide e é parte integral do fenômeno de globalização, que se processa em todas as áreas da sociedade, promovendo mudanças pro-fundas nas relações políticas, econômi-cas, científicas e culturais entre as na-ções, assim como rearranjos internos às nações. Como as demais nações, o Brasil é partícipe deste processo em todas as suas manifestações, incluin-do, em particular, a Internet.

A Internet tem contribuído notoriamente à expansão da indústria da informação dos países desenvolvidos que tendem a dominar o espaço virtual com seus pro-dutos, serviços e metodologias. Esta tendência de dominação necessita ser contrabalançada com a participação mais ativa e agressiva dos países em desenvolvimento, como o Brasil, de modo a assegurar que as fontes de in-formação representativas de sua histó-ria, cultura e ciência usufruam dos be-nefícios e avanços da Internet e façam parte ativa do seu espaço virtual, de modo a atender às necessidades locais e específicas de informação e, ao mes-mo tempo, contribuir à demes-mocratização e diversificação das fontes, produtos e serviços de informação no processo de globalização.

As bibliotecas brasileiras, da mesma forma que suas congêneres nos países desenvolvidos, podem vir a cumprir um papel fundamental na participação do Brasil na Internet, em primeiro lugar, em

Resumo

Sintetizam-se, neste artigo, as diretrizes básicas de uma política para a

implementação de bibliotecas virtuais no Brasil, as quais devem ser conectadas à Internet, a fim de disponibilizar as fontes de informação de acordo com as normas nacionais e internacionais e as tecnologias modernas. Uma prioridade seria conectar as bibliotecas brasileiras à Internet e aperfeiçoar a capacitação de profissionais da informação, com o intuito de atualizar os conhecimentos nesta área e modernizar os mecanismos de editoração e disseminação da informação, bem como preservar a memória nacional.

Palavras-chave

(2)

virtude de sua condição de detentoras de importantes fontes de informação organizadas do país e, em segundo lu-gar, por sua vocação institucional de intermediação entre seu entorno e as fontes de informação, independentemen-te de sua localização. Assim, além de disponibilizar seus próprios produtos e serviços de informação na Internet, as bibliotecas podem constituir-se em lo-cais de acesso público à Internet em seu entorno.

Neste contexto, o GT de Bibliotecas Virtuais definiu três orientações estra-tégicas inter-relacionadas com os obje-tivos de promover, de modo eficiente e rápido, a participação ativa da maioria das bibliotecas brasileiras na Internet.

PRIORIZAR A CONEXÃO DAS BIBLIOTECAS BRASILEIRAS À INTERNET

A conexão da maioria das bibliotecas brasileiras à Internet nos próximos dois anos é condição necessária para que importantes fontes de informação bra-sileiras façam parte do espaço virtual criado pela Internet. Devem ser incluí-dos, nesta orientação, todos os tipos de bibliotecas, centros e serviços de do-cumentação e informação.

Nesse sentido, é necessário que as di-reções das bibliotecas definam a cone-xão à Internet como meta prioritária a ser atingida o mais breve possível e, em conseqüência, orientem e promovam as ações necessárias relativas ao levan-tamento de recursos, estabelecimento da infra-estrutura de tecnologia de in-formação e desenvolvimento organi-zacional.

Por outro lado, os dirigentes das insti-tuições públicas e privadas devem privi-legiar a participação das suas bibliote-cas no processo de conexão à Internet. Não somente as bibliotecas contribui-rão de forma decisiva para a disponibili-zação mais eficiente das fontes de in-formação institucionais, como também são elas, por sua própria vocação e mis-são, as entidades mais apropriados para a promoção da disseminação do acesso à Internet, especialmente aos usuários sem condições de estabele-cer suas próprias conexões. Embora este papel seja mais facilmente aceitá-vel e visíaceitá-vel no caso das bibliotecas de

instituições de ensino e bibliotecas pú-blicas, ele se aplica à maioria das ins-tituições e ambientes que possuem bi-bliotecas.

O papel de liderança que cabe às biblio-tecas na disponibilização de fontes de informação na Internet não deve ser re-legado a segundo plano sob a justifica-tiva de que elas não contam com o co-nhecimento, experiência e infra-estrutura necessários na área de tecnologias de informação. Esta postura é estrategica-mente incorreta, porque, por um lado, tende a condenar as bibliotecas à ope-ração de produtos e serviços de infor-mação tradicionais fora da Internet e, por outro lado, organizar e disponibilizar novos produtos e serviços de informa-ção na Internet, muitas vezes sem o con-curso de métodos, padrões e procedi-mentos internacionalmente aceitos. Nestes casos, a orientação é promover a transformação da biblioteca de modo que ela possa assumir seu papel de li-derança.

A participação ativa da maioria das bi-bliotecas brasileiras na Internet é con-dição necessária para assegurar a ma-nifestação e disseminação ativa de nos-sa história, cultura e ciência na forma de biblioteca virtual.

O cumprimento desta orientação estra-tégica será facilitado com a divulgação de casos e experiências bem-sucedidas e que podem constituir-se em modelo para os diferentes tipos de bibliotecas.

APERFEIÇOAR CONTINUAMENTE O PROFISSIONAL DA INFORMAÇÃO

A participação ativa das bibliotecas bra-sileiras na Internet requer recursos hu-manos capazes de promover, inicialmen-te, a transição dos processos, métodos, produtos e serviços de informação tradicio-nais para sua operação plena na Internet e, posteriormente, a criação e operação de produtos e serviços somente viáveis no espaço de bibliotecas virtuais.

Bibliotecários e profissionais da informa-ção afins formados nos currículos tradi-cionais necessitam atualização radical e continuada de seus conhecimentos para exercer um papel de liderança nes-te processo de transformação das biblio-tecas tradicionais.

Nesse sentido, as direções das biblio-tecas devem promover, de imediato, o treinamento de seus profissionais no acesso, uso, implantação e operação de produtos e serviços de informação na Internet como parte integral do pro-cesso de conexão e participação plena da Internet e sua operação progressiva como biblioteca virtual.

Durante os próximos dois anos, as uni-versidades e demais instituições públi-cas e privadas relacionadas com biblio-tecas, centros e sistemas de informa-ção deverão coordenar esforços e ini-ciativas no sentido de promover um pro-grama nacional intensivo de atualização dos profissionais de informação visan-do a capacitá-los no desenvolvimento de bibliotecas virtuais.

Entretanto, o cumprimento pleno desta orientação estratégica somente será fortalecido com a atualização dos currí-culos das faculdades de bibliotecono-mia, com vistas à visando à formação de profissionais em tecnologia da infor-mação e voltados para a operação de bibliotecas virtuais e aptos a atuar em contexto de constante transformação.

ORGANIZAÇÃO DE FONTES DE INFORMAÇÃO ELETRÔNICAS E SUA DISPONIBILIZAÇÃO

O componente central da biblioteca tra-dicional transformado em virtual é com-posto de fontes de informação organi-zadas em arquivos eletrônicos, incluin-do catálogos referenciais, livros e revis-tas eletrônicas etc. Assim, a criação e desenvolvimento da biblioteca virtual re-quer a produção e atualização contínua destes arquivos eletrônicos.

A participação ativa das bibliotecas bra-sileiras na Internet requer uma atuação orquestrada com outras bibliotecas e fontes de informação nacionais e inter-nacionais. Por um lado, as bibliotecas atuarão como usuárias e intermediárias na operação das fontes de informação disponibilizadas no espaço virtual da Internet por outras instituições e, por outro lado, promoverão a organização e disponibilização atualizada de suas pró-prias fontes de informação para atender plenamente às necessidades de infor-mação dos usuários internos e exter-nos ao seu entorno.

(3)

Nesse sentido, as bibliotecas devem implantar programas para iniciar ou in-tensificar e acelerar a transformação dos registros de seus catálogos e demais fontes de informação para meio eletrô-nico e organizá-los em produtos da In-ternet. A geração e operação destes produtos devem obedecer integralmen-te a metodologias e normas nacionais e internacionais, de modo a permitir o uso compartilhado dos registros e sua transferência através da rede.

Em particular, a formação e atualização dos catálogos eletrônicos das coleções das bibliotecas devem ser processadas de maneira cooperativa, para assegu-rar a sua compatibilidade em nível nacio-nal e internacionacio-nal, diminuindo custos e aumentando a eficiência de sua pro-dução.

Grupo de trabalho sobre Bibliotecas Virtuais do Comitê Gestor da Internet-Brasil

[email protected] Orientações estratégicas para a implementação de bibliotecas virtuais no Brasil

Além da transformação dos catálogos para formato eletrônico, a biblioteca vir-tual prevê ainda o acesso aos textos completos em forma eletrônica, as cha-madas publicações eletrônicas. Interna-cionalmente, há um avanço notável na formação de fontes de informação de publicações eletrônicas, e no Brasil existem várias iniciativas em andamen-to. Estas iniciativas devem ser estimu-ladas, e suas experiências, divulgadas e compartilhadas. Entretanto, seguindo as lições internacionais e nacional na formação e desenvolvimento de catálo-gos eletrônicos, é indispensável que a produção de publicações eletrônicas siga metodologias e normas nacionais e internacionais, com vistas a facilitar seu uso e disseminação, assim como a formação de bancos de publicações eletrônicas.

Strategic orientation to implement virtual libraries in Brazil

Abstract

The basic guidelines of a policy for implementing virtual library in Brazil are outlined in this article. Virtual libraries must be connected to Internet in order to make available information sources, according to domestic and international standards and modern technology. An urgent priority would be to connect Brazilian libraries to Internet and to improve the training of information professionals, so that knowledge in this area can be updated and the mechanisms of publishing and information dissemination modernized, as well as the national memory preserved.

Keywords

Virtual/electronic library; Internet; Electronic publishing development.

Os programas nacionais de coleta e catalogação cooperativa existentes de-vem ser apoiados, objetivando seu me-lhoramento contínuo, ao mesmo tempo em que investimentos em programas de catalogação isolados devem ser deses-timulados. A mesma estratégia deve ser seguida na produção de publicações eletrônicas.

Referências

Documentos relacionados

Kaye Gapen definiu a biblioteca vir- tual como o conceito de acesso remoto aos conteúdos e serviços de bibliotecas e outros recursos de informação, combi- nando um coleção interna

Faz-se necessário reconhecer que so- mos todos parceiros, relutantes ou en- tusiasmados, necessitando adquirir no- vas habilidades (“alfabetização” digital) para alcançar as

A norma ANSI/ NISO Z39.50 habilita uma interface única para conexão com múltiplos sistemas de informação nas redes

Em outros termos, os profissionais da informação e da documentação desejam estar mais diretamente envolvidos na determinação das condições de aplicação do direito futuro (caso

Na impossibilidade de descrever e ana- lisar, neste artigo, os muitos projetos que estão sendo desenvolvidos atual- mente na Internet, trago alguns proje- tos da Grande São Paulo

Descreve a filosofia, o histórico de implantação e as funções da biblioteca virtual da Natura Cosméticos S.A., considerado o primeiro sistema virtual de informações em empresa

– foi decidido pela conversão de banco de dados relacional para não relacional, pois a base de dados deveria estar dis- ponível em arquivo seqüencial para o SGBD (sistema gerenciador

Biblioteca electrónica; Tecnologías de información; Bibliotecas universitárias; Enseñanza y investigación; Biblioteca virtual de la universidad de Colima; Interes del usuário