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Sonho de Sonhador: O dia que a Terra Parou

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Academic year: 2021

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Sonho de Sonhador: O dia que a Terra Parou

Por: Rafhaela Aráujo Mestranda em Geografia – UERN

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P

oderia ser um sonho ou até ironia, o mês de abril ser comemorado o DIA DA

TERRA, e mais do que nunca se fazer necessário ter um olhar diferenciado para este

Planeta e participar desta data. Apesar de pontual, é uma forma de lembrar, porém essa lembrança deveria ser diária e os seres humano entender que faz parte de toda dinâmica da Terra. Entre várias racionalidades, ou não, dos humanos, uma de suas capacidades é definir termos, assim como foi definido: o meio ambiente, porém, de forma equivocada, os seres humanos acabam se excluindo do processo e deixa o meio ambiente, sob a responsabilidade da fauna e da flora, como se os humanos não fizessem parte da natureza. É comum a frase "Jogar o lixo fora", mas jogar fora de onde? Se livrar do resíduo criados pelas sociedades humanos, todavia sem responsabilidade alguma sob o mesmo, deixando para a natureza se encarregar de encontrar um destino supostamente adequado. A ação de decomposição dos resíduos no meio ambientes pode levar anos, séculos e durante o processo agredir a natureza, podendo ocasionar sérias consequências ao Planeta.

O dia da Terra teve a data sugerida por um senador e ativista ambiental

estadunidense ainda na década de 1970, com o objetivo sensibilizar as pessoas sobre suas responsabilidades quanto as questões ambientais. As manifestações superaram as expectativas, contando com universidades, escolas e comunidade, sendo necessária a criação da Agência de Proteção Ambiental, além das leis relacionadas aos cuidados com a natureza. Após essa ação, muitas foram as necessidades de se expandir as defesas elaboradas pela causa, e em 1972, ocorreu a primeira conferência, ou seja, Conferência de Estocolmo, com o intuito reunir os líderes mundiais e planejar políticas para minimizar os problemas ambientais. Para além dessa Conferência muitas outras ocorreram e todas com a mesma missão, a exemplo da Rio-92, a Rio+20, entre outros fóruns importantes de discussões sobre as questões ambiente, sociedade e desenvolvimento econômico.

Mesmo com muitas bandeiras levantadas, o planeta vem dando sinais de esgotamento, e em março de 2020, foi declarada a pandemia, causada pela Covod-19, fazendo todos guardarem seus sonhos por um tempo, e aguardar a Terra se reinventar. Pois é isso que a natureza faz, ela se reinventa diariamente para atender aos caprichos de uma sociedade soberba e egoísta.

De acordo com Meneguelli (2020), "a pandemia está relacionada à questão climática, e não podemos perder o foco disso. Embora neste momento estejamos preocupados com a nossa sobrevivência, é preciso seguir com a luta climática." Tornou-se perceptível o tamanho do problema, a partir do momento em que autoridades de vários países optaram pelo isolamento social e cancelaram diversos acontecimentos, como campeonatos esportistas e shows, assim como eventos

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culturais, como por exemplo na região Nordeste do Brasil, as festas juninas. Essa recomendação se faz necessária a fim de reduzir a propagação do vírus e impedir a superlotação dos hospitais.

Com a situação cada vez mais agravante e a necessidade de se ficar em casa cada vez mais, é necessário criatividade para lidar com o momento. Por um lado, o alto consumo de diversos itens em casa, como energia, água e alimentos, por outro, a necessidade que "os governos tiveram que abrir seus cofres e gastarem em serviços de saúde e no socorro econômico às empresas e aos trabalhadores (nessa ordem) ou ver deteriorar-se ainda mais a situação social e sanitária." (BUSS, 2020).

Em casa, algumas medidas podem ser tomadas para evitar o desperdício, seja de energia, água ou alimentos. A energia pode ser amenizada retirando todos os aparelhos que possuem o modo standby da tomada, assim como verificar o consumo de aparelhos, colocando no modo mínimo e arrumando freezers e geladeiras, por exemplo, de forma que os alimentos que precisam serem mais refrigerados fiquem mais próximo ao congelador e os demais alimentos em outras partes. Esse tipo de atitude que deveria ser constante, sabe-se que não é a realidade, a responsabilidade por esse tipo de atitude muitas vezes é atribuída a correria do dia a dia.

Nos dias de hoje, já que é preciso ficar em casa, se tem tempo suficiente, que sirva para organizar diversas coisas e para adotar hábitos ambientais mais saudáveis. Assim como, lavar roupa em horário de menor consumo, no caso após as 22h. Quanto ao consumo de água, é válido que quanto mais tempo se fica em casa, maior será esse consumo, portanto, é pensar em alternativas de reutilização da água da máquina de lavar, por exemplo, para lavar pisos, dar descargas ou no próprio modo de reutilização de água na máquina, diminuir o tempo no banho, e adaptar de acordo com a realidade vivida.

Sobre os alimentos, talvez seja a hora de trocar os industrializados por naturais e produzir uma horta caseira, além de ocupar o tempo ocioso, a comida terá ingredientes novos e naturais, e quem sabe não surge um novo chef em casa. Esse é o momento ideal! Comprar apenas o necessário, aprender a reaproveitar os alimentos e fazer uma composteira, isso contribuirá com a menor produção de lixo. Cuidar do meio ambiente é autocuidado.

Ao tratar do cancelamento de grandes eventos, e estreitando os laços entre a educação, saúde e meio ambiente, essa pandemia veio para mostrar a influência na economia, como podemos perceber nas palavras de Buss (2020), ao dizer que a pandemia tem demonstrado como um problema de saúde pode impactar profundamente a economia global. Basta se observar que se evaporaram trilhões de dólares das bolsas de valores por todo o mundo, antes que elas fechassem as portas para evitar o colapso absoluto, seja de seus operadores que cairiam doentes, seja de seus ativos financeiros; milhões de pessoas perderam empregos, pelo menos temporariamente, e outros tantos trabalhadores informais, excluídos dos esquemas de proteção social, foram jogados – por governos omissos – numa trágica escolha: ou saem de suas casas para ganhar o sustento, incerto e se expõem ao vírus, ou ficam em isolamento social e passam fome.

Ou seja, é a conhecida questão sobre mexer no bolso. Talvez com a necessidade de mudanças nas rotinas, influenciando diretamente na economia, seja ela em escala mundial ou apenas de forma individual, é certo que os seres humanos

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necessita modificar o seu jeito de viver, agindo com sensibilidade e com responsabilidade para com o Planeta. E não se pode pedir para voltar ao normal, pois foi o normal que provocou todas as alterações na Terra, hoje se paga o preço por não ter repensando em atitudes soberbas e egoístas.

Quem imaginaria em passar por um momento histórico? Como evidencia Silva e Muniz (2020), um complexo xadrez geopolítico insere a pandemia desse vírus no contexto de bruscas mudanças no cotidiano globalizado. Nas diferentes crises mundiais datadas do pós Segunda Guerra, a pandemia atual parece superar a Guerra Fria, o ataque das torres gêmeas do World Trade Center de 11 de Setembro e o crach da bolsa de 2008 que reacendeu o drama vivido pela crise da depressão dos anos 30 do século passado.

O isolamento se faz necessário, não somente para evitar a propagação do vírus, mas que serve de momento para pensar e refletir quantos vezes deixa-se isolados animais de estimação/silvestres, esposas, crianças, idosos e pessoas invisíveis. Quantas vezes se abriu um portão e o cão saiu correndo desesperado para a rua? Quantas vezes se ouviu uma ave pedir socorro de sua gaiola e romantiza-se dizendo estar a cantar? Quantas situações de casal já se foi presenciada, em que o homem impediu a mulher de fazer o que deseja? Ou o pai da amiguinha não a deixava sair de casa até x anos? Crianças abandonadas que são impedidas de frequentar escolas, pais esquecidos em lares para idosos? Sem falar nos invisíveis da sociedade, sejam os moradores de rua, ou as profissões que servem de base, porém sem um pingo de respeito, por exemplo, o gari, que passa todos os dias na chuva, no sol, na correria, com sede e fome, além de coletar resíduos sem qualquer cuidado ou tipo de separo, e em alguns caso vindo a se cortar, simplesmente por falta de empatia pelo profissional.

Diante do exposto, se faz necessária a educação como base para todos os problemas mundiais, passados, atuais e futuros. Nessa perspectiva, são momentos como a atual situação de pandemia causada pelo novo Coronavírus, em que se faz necessária a valorização aos profissionais da ciência. Em um país como o Brasil, conhecido como o país do futebol, é fácil chamar um jogador de rei, já um cientista, o que se encontra são abaixo assinados para excluir a bolsa de fomento, ou o bloqueio de verbas para financiar pesquisas. Contudo, quando o mundo se encontra em situação como a atual, se percebe a necessidade diária de se ter mais pesquisadores e se investir cada vez mais na educação, saúde, ciência e tecnologia, e investir em todas as áreas de conhecimento e não somente naqueles “consideradas prioritárias”, mas sobretudo, entender que é preciso humanidade em todos as dimensões da sociedade. Faz-se necessário, respeitar todos os profissionais.

Nessa direção, Silva e Muniz (2020) ilustram essa necessidade ao destacarem que, cientistas têm trabalhado intensamente em busca de uma vacina que venha frear a velocidade de propagação do novo Coronavírus, pesquisadores e docentes usam as redes sociais para difundir análises pertinentes quanto ao contexto atual em meio ao bombardeio de informações a cada segundo, que muitas vezes mais desinforma, incluindo aqui as chamadas fake news. Em meio a tudo que estamos vivendo, o que se ver é que muitas vezes esses estudiosos são obrigados a se enclausurem e trabalharem mais do que nunca, e ainda assim se deparam com a desinformação e a quantidade de pessoas ociosas espalhando informações sem qualquer embasamento fornecido por profissionais capacitados.

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já são mais de 2 milhões de infectados no mundo, resultando em mais 180.000 mil mortes. No maio aos números há dificuldades em se encontrar os casos de recuperação, tornando a situação cada vez mais assustadora. Por mais que a ideia seja que se permaneça em casa, disseminar apenas informações ruins pode acarretar, posteriormente, outras doenças, e quando a situação atual amenizar, será necessário cuidar de uma sociedade comedida pela a ansiedade, a depressão, o estresse, o pânico, além do sobrepeso, portanto, é fundamental compartilhar mensagens boas.

E não se precisa de muito para acolher uns aos outros e manter o distanciamento. A internet é a aliada essencial nesse processo, mesmo com tantas informações falsas sendo divulgadas, algumas pessoas estão se surpreendendo com o que estão se deparando em suas regiões e estão compartilhando em suas redes sociais, como o caso dos canais de Veneza que voltaram a ter águas cristalinas e até peixes sendo visíveis, apesar de não se haver melhora na qualidade da água, apenas os sedimentos se instalaram no fundo por conta da diminuição no tráfego, consequentemente, a qualidade do ar melhorou. No Brasil, no Estado do Pernambuco, por conta das praias vazias, aconteceu a eclosão de quase 100 ovos de tartaruga-pente. Essas e várias outras notícias boas estão sendo espalhadas, basta seguir páginas interessantes que tragam conforto para a situação, porém não esquecendo dos cuidados necessários.

Salvar a economia se tornou um sonho, mas para esse sonho se tornar realidade é necessário salvar a vida. Manter o isolamento social ainda é a única alternativa, caso não seja respeitado as chances do contágio pelo Coronavírus vai disparar. Consequentemente muitas pessoas irão ficar doentes, hospitais irão superlotar, pessoas irão morrer e o comércio e outras empresas irão fechar, gerando desemprego e a necessidade de se consumir apenas o necessário. Ou seja, não haverá giro na economia e a tendência é o caos social se expandir para todas as áreas. O governo está auxiliando as empresas através das políticas de subsídio para que os colaboradores permaneçam recebendo seus salários, por meio do Programa Renda Básica, tornando-se de extrema importância a se manterem com as necessidades básicas quitadas, impedindo que concessionárias de água e energia, por exemplo, cortem seu fornecimento. E mesmo com a queda do PIB, as pessoas irão conseguir comprar o básico para se manterem até esse pesadelo passar, e os sonhos voltarem a ser escritos em suas páginas em branco.

Referências

BUSS, P. De pandemias, desenvolvimento e multilateralismo. Acervo Online | Brasil. Edição Abril 2020. Disponível em: https://diplomatique.org.br/de-

pandemias-desenvolvimento-e-multilateralismo/. Acesso em: 22 de abril de 2020.

MENEGUELLI, G. Dia da Terra: mais do que nunca é preciso participar dessa data. Disponível em: https://www.greenme.com.br/informarse/ambiente/

44128-dia-da-terra-2020/. Acesso em: 22 de abril de 2020.

OTEMPO. Site. 2020. Disponível em: https://www.otempo.com.br/coronavirus. Acesso em: 23 de abril de 2020.

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SILVA, J. B. Da; MUNIZ, A. M. V. Pandemia do Coronavírus no Brasil: Impactos no

Território Cearense. Ano IX, número 17. Disponível em:

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