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Informativo nº 86 de 05.07.2016

Í N D I C E

1. RECEITA FEDERAL EDITA PARECER DO COSIT EM SOLUÇÃO E DIVERGÊNCIA DA COODERNAÇÃO GERAL DE TRIBUTAÇÃO _________________________p.02

2. SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ADMITE REVISÃO DE TESE TRIBUTÁRIA EM CONTROLE DIFUSO COM BASE NO PRINCÍPIO DE SEGURANÇA JURÍDICA ISONOMIA E CONCORRÊNCIA ________________________________________p.04 3. TRF3 DA TERCEIRA REGIÃO AFASTA A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO

PREVIDENCIÁRIA SOBRE STOCK OPTION _____________________________p.05 4. TRF4 DECIDE QUE MURTUÁRIO TEM DIREITO AO RESSARCIMENTO ALÉM DOS

DÉBITOS PELO VALOR DE ADJUDICAÇÃO _____________________________p.06 5. DECISÃO DO TRF4 AUTORIZA MANDATO DE DESCRIÇÃO DOS BENS EM IMÓVEL DE EMPRESÁRIO EM EXECUÇÃO FISCAL ______________________p.07

6. NOVO PROJETO DE LEI PARA QUE SEJA VÁLIDO A QUEBRA DE SIGILO FISCAL SOMENTE ATRAVÉS DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL ______________________p.08

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Este informativo foi redigido meramente para fins de informação e debate, não devendo ser considerado opinião legal para qualquer operação ou negócio específico. Direitos autorais reservados a Micheloni

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2 RECEITA FEDERAL EDITA PARACER DO COSIT EM SOLUÇÃO E DIVERGÊNCIA DA

COORDENAÇÃO GERAL DE TRIBUTAÇÃO

Receita Federal do Brasil emitiu um entendimento que pode impactar as empresas que, para tentar escapar da crise econômica, estão vendendo ativos em reestruturações societárias ou recuperação judicial.

A interpretação do Fisco veio para pacificar as controvérsias no que tange ao aproveitando de créditos da COFINS e PIS relacionados à depreciação desses bens, onde houve a alienação de máquinas e/ou equipamentos do ativo imobilizado. Com isso, fica impedido o contribuinte de continuar aproveitando tais créditos quanto à depreciação.

É importante destacar ainda que eram utilizados esse ativo, mesmo com a venda desse bem aconteça antes mesmo do final do período pelo qual a sociedade teria direito ao uso dos créditos, segundo as regras da Leis nos. 10.833, de

2003(COFINS), e 10.637, de 2002(PIS).

Essa interpretação do Fisco, que consta da Solução e Divergência da Coordenação-Geral de Tributação nº 6, que segundo a Cosit, é proibida a apuração do crédito "dado não haver o aproveitamento econômico do bem na locação a terceiros, na produção de bens destinados à venda ou na prestação de serviços, bem como não haver possibilidade de depreciação de um bem após sua efetiva alienação".

Essa decisão vem por fim em tese quanto à divergência então da Solução de Consulta nº 172, que permitia o uso dos créditos relativos aos custos com a máquina, conforme a Instrução Normativa nº 457, de 2002, à razão de 1/48 ao mês. O desconto poderia continuar, mês a mês, como forma de

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concretizar a não cumulatividade, ainda que o bem fosse revendido antes da utilização das quarenta e oito parcelas mensais.

A matéria comporta uma defesa judicial porque essa interpretação de impedimento quando a alienação do bem, não estaria prevista em lei, e quando muito, a interpretação dada a IN nº. 457, esbarraria no princípio da não cumulatividade.

Entretanto, alguns profissionais defendem a tese que há norma expressa com esse conteúdo, quanto ao ICMS (LC 87/96), que determinado na Lei Complementar nº 102 de 2000, firmando que no momento da alienação a sociedade perde o direito ao crédito do imposto, que ainda teria direito de aproveitar1

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Art. 20, § 5º.Para efeito do disposto no caput deste artigo, relativamente aos créditos decorrentes de entrada de mercadorias no estabelecimento destinadas ao ativo permanente, deverá ser observado:

V – na hipótese de alienação dos bens do ativo permanente, antes de decorrido o prazo de quatro anos contado da data de sua aquisição, não será admitido, a partir da data da alienação, o creditamento de que trata este parágrafo em relação à fração

E a tese defendida tem como premissa que a COFINS e PIS tornaram-se não cumulativas, e as leis não mencionaram essa situação expressamente. Dessa forma, a posição administrativa do fisco pode ser debatida por essa falta de previsão das leis mencionadas perante o Judiciário.

que corresponderia ao restante do quadriênio;

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SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL ADMITE REVISÃO DE TESE TRIBUTÁRIA COM CONTROLE DIFUSO COM BASE NO PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA ISONOMIA E

CONCORRÊNCIA

A Brasken obteve decisão favorável do Tribunal Regional Federal da 1ª. Região, que referendou decisão precedente e com recurso com repercussão geral, REsp. 1.118.893/MG transitado em julgado no sentido de que possui decisão favorável, não atacada pela via rescisória quanto a não ser contribuinte da CSSL, instituída pela Lei no. 7.689/88, artigos 1º. a 8º. e por essa razão a decisão com a eficácia da coisa julgada o deixaria fora de tributação.

Irresignada com a decisão, a União interpôs Recurso Extraordinário defendendo que o limite temporal dessa decisão estaria a ferir o princípio da isonomia, bem como concorrencial, sobretudo porque não houve decisão do Supremo Tribunal Federal que suscitado a época que afastara o argumento de que somente lei complementar poderia

ter instituído a referida contribuição.

A empresa defende que pela estabilidade que a coisa julga empresta e o efeito que a segurança jurídica tem sobretudo interesse na manutenção bem como eventual decisão qual o limite temporal dessa decisão, que a exonera de pagar a referida contribuição social, sobretudo os efeitos dessa decisão, com analise sobre efeitos patrimoniais e pretéritos.

O Ministro Barroso ressalvou não ser matéria idêntica, aos que foram objeto de repercussão geral lançados pelos ministros Teori Zavascky no RE nº. 730.643/RG bem como o recente pelo Relator Edson Fachin no RE nº. 949.297.

Em verdade, tal julgamento do RE nº. 955.227/BA será um

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autêntico paradigma quanto ao limite temporal da eficácia das decisões em matéria tributária, no controle difuso, e sua manutenção ao longo do tempo, sobretudo porque a coisa julgada será apreciada não como um direito relevante mas individual, sobretudo o interesse coletivo onde

a sua preservação não seja absoluta a ponto de permitir que determinado contribuinte seja posto isoladamente numa condição privilegiada paradigmaticamente a todos os demais, contribuintes, ferindo assim a isonomia e o direito concorrencial.

TRF3 DA TERCEIRA REGIÃO AFASTA A INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE STOCK OPTION

Contrariando as decisões proferidas pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), o Tribunal Regional Federal da 3ª Região (TRF3), afastou a incidência da contribuição previdenciária sobre valores pagos aos empregados através de stock options.

O Tribunal decidiu manter a sentença e a tutela antecipada concedidas pela primeira instância, afastando o entendimento da União Federal de que as stock options seriam uma forma de remuneração indireta e, portanto,

deveriam ser oferecidas à tributação (alíquota de 20%).

Em linhas gerais, o pronunciamento do TRF3 afasta a incidência da contribuição previdenciária sob o argumento de que a compra de ações da empresa empregadora pelos empregados é uma relação jurídica que decorre de contrato diverso da relação trabalhista.

Nas palavras do Desembargador André Nekatschalow, “o valor final obtido

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6 não decorre da remuneração em

recompensa à força de trabalho do empregado, mas sim de um contrato mercantil. Assim, não é possível considerar como remuneração decorrente do trabalho e, consequentemente, não se submete à incidência da contribuição previdenciária”.

Tendo em vista que a instância administrativa não reconhece a não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores pagos por meio de stock options, sugerimos aos nossos clientes que o Poder Judiciário seja acionado de maneira preventiva.

TRF4 DECIDE QUE MUTUÁRIO TEM DIREITO AO RESSARCIMENTO ALÉM DOS DÉBITOS PELO VALOR DE ADJUDICAÇÃO ATIVA

Conforme a decisão nos Embargos Infringentes nº 5010880-76.2013.4.04.7108 do Tribunal Regional Federal da 4ª Região - TRF4, a Caixa Econômica Federal deverá repassar aos ex-mutuários de um imóvel retomado devido a inadimplência, a diferença entre o valor de avaliação e o débito. Isso porque ao retirar o imóvel do casal de São Leopoldo no Rio Grande do Sul, para a quitação da dívida de R$ 19 mil, este não poderá extirpar a quantia excedente, ao valor devido.

O banco contestou a dívida em 2006, adjudicando o imóvel por R$ 39 mil – ou seja, o valor do débito, que era de R$ 19 mil, mais os custos com o processo de leilão. Assim, os mutuários ingressaram com uma ação na 2ª Vara Federal de Novo Hamburgo (RS) pedindo que fosse feita a avaliação, pois segundo a tese jurídica, a instituição bancária estaria enriquecendo, de forma ilícita.

Na peça de defesa, a Caixa alegou que todos os procedimentos legais foram observados, já que o valor da adjudicação não

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precisaria alcançar o valor de mercado do bem, mas apenas o montante passível de “satisfação do débito”.

No primeiro grau, a Justiça negou o pedido, levando o casal a recorrer ao tribunal e a 3ª Turma decidiu reformar a sentença. O relator, Desembargador Federal

Ricardo Teixeira do Valle Pereira, disse em seu voto que, conforme precedentes do Superior Tribunal de Justiça - STJ, “excedendo o valor do imóvel o montante considerado para fins de adjudicação, tem o mutuário direito à diferença, sob pena de enriquecimento sem causa do agente financeiro”.

DECISÃO DO TRF4 AUTORIZA MANDADO DE DESCRIÇÃO DOS BENS EM IMÓVEL DE EMPRESÁRIO EM EXECUÇÃO FISCAL

De acordo com a decisão no processo nº 5016852-06.2016.4.04.0000 do Tribunal Regional Federal da 4ª Região -TRF4, foi julgado recentemente, o recurso de um empresário de Santa Catarina, que teve penhorado os bens que integram sua residência, de modo a ser possível alienação e assim quitar sua dívida fiscal, caso não existam outras bens para penhora.

O relator, desembargador Fernando Quadros da Silva havia

concedido a liminar em abril, a qual a 3ª Turma confirmou a expedição do mandado autorizando a descrição de bens existentes dentro da residência do devedor. O desembargador decidiu

“Merece acolhimento a pretensão recursal, com a respectiva determinação de expedição de mandado, pelo juízo de primeiro grau, por meio do qual o oficial de justiça atribuído deverá descrever os bens que guarnecem a residência do executado, caso as diligências pelos sistemas Bacenjud,

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8 Renajud e Infojud mostrarem-se

infrutíferas”

Cabe esclarecer, que os sistemas citados compartilham dados das pessoas físicas existentes em instituições financeiras com o Judiciário e em órgãos públicos. O Infojud, a fim de localizar pessoa, seus bens e direitos, possibilita a obtenção de dados existentes na Secretaria da Receita Federal do Brasil. E merece destaque que a

ordem judicial garante que sejam listados somente os bens, devendo a possibilidade de penhora ainda ser avaliada pela 5ª Vara Federal, esta responsável pela execução.

Com isso, o que foi decidido e importante destaque que é possível com tal diligência, se reconhecer bens móveis de maior valor econômico, para fins de penhora, sejam considerados supérfluos na rotina familiar.

NOVO PROJETO DE LEI PARA QUE SEJA VÁLIDO A QUEBRA DE SIGILO FISCAL SOMENTE ATRAVÉS DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL

Há um projeto de Lei Complementar (PLP) 239/16, de autoria do deputado Diego Garcia (PHS-PR), para alterar a Lei Complementar 105/01, que trata do Sigilo das Operações Bancárias.

Em verdade, o contexto e escopo do Deputado, é reverter decisão recente do Supremo Tribunal Federal, que alterou o

entendimento consolidado desde 2010 julgando ser possível a quebra do sigilo bancário dos contribuintes pela atuação da própria Secretaria da Receita Federal do Brasil. O julgamento do Supremo entendeu que, para haver a quebra de sigilo fiscal, basta que haja processo administrativo fiscal instaurado ou procedimento em curso e que o acesso às informações seja

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considerado, indispensável pela autoridade administrativa competente.

Dessa forma, caso aprovado será restabelecido que as autoridades e fiscais tributários da União, Estados, Municípios e Distrito Federal poderão apenas e tão somente requerer a quebra de sigilo fiscal, mediante determinação da magistratura, derivada de procedimento fiscal, constituído de elementos claros de procedimentos em curso, que preservem a inviolabilidade dos contribuintes.

Dentre outros argumentos de ordem legal há uma sustentação pelo Deputado que, defende por óbvio que: “Além de inconstitucional, é medida

extremamente temerária para o contribuinte, pois pode se transformar em instrumento de achaques e perseguições. Nosso objetivo é definir claramente que a quebra do sigilo só ocorrerá com a autorização judicial. Somente dessa forma será garantida a impessoalidade do ato de violação da intimidade do indivíduo”,

Ao decidir que seria possível a própria administração fiscal o direito a quebra de sigilo, andou mal o Supremo que renunciou a defesa dos direitos a intimidade e privacidade de agentes públicos fiscais. Assim, aguarda-se a tramitação do projeto em análise pelas comissões de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania, seguindo finalmente para o Plenário.

Advogados responsáveis pela redação e revisão:

Ricardo Micheloni da Silva Av. Churchill, 129 – Grupo 1003

Eduardo Landi De Vitto Centro – Rio de Janeiro

Rafael Ribeiro Campos (21) 2533-2613

Patrícia Van der Put Nadine Van der Put

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