Mercados
informação global
Alemanha
Ficha de Mercado
Abril 2010
Índice
1. País em Ficha 3
2. Economia 4
2.1 Situação económica e Perspectivas 4
2.2 Comércio Internacional 9
2.3 Investimento 14
2.4 Turismo 15
3. Relações Económicas com Portugal 16
3.1 Comércio 16
3.2 Serviços 21
3.3 Investimento 22
3.4 Turismo 24
4. Relações Internacionais e Regionais 25
5. Condições Legais de Acesso ao Mercado 26
5.1 Regime Geral de Importação 26
5.2 Regime de Investimento Estrangeiro 27
5.3 Quadro Legal 28
6. Informações Úteis 29
7. Endereços Diversos 31
8. Fontes de Informação 34
8.1 Informação Online aicep Portugal Global 34
1. O País em Ficha
Área: 356.970 km2
População: 82,8 milhões de habitantes (2009)
Densidade populacional: 231,9 hab./km2 (2009)
Designação oficial: República Federal da Alemanha
Forma de Estado: República parlamentar com duas câmaras: Bundestag (câmara baixa) e
Bundesrat (câmara alta)
Chefe do Estado: Horst Köhler
Chanceler Federal: Angela Merkel
Data da actual Constituição: 23 de Maio de 1949
Principais Partidos Políticos: União Democrática Alemã (CDU); União Social Cristã (CSU); Partido Democrático Livre (FDP); Partido Social Democrata (SPD); Partido de Esquerda; Os Verdes. As últimas eleições parlamentares tiveram lugar em Setembro de 2009 e as próximas estão previstas para 2013.
Capital: Berlim – 3,4 milhões de habitantes (31 Dezembro 2007)
Outras cidades importantes: Hamburgo; Munique; Colónia; Frankfurt; Dortmund; Essen; Stuttgart; Duesseldorf, Bremen; Hannover.
Religião: Cerca de 30% da população é protestante; 31% é católica romana e 4% são
muçulmanos (na maioria turcos)
Língua: Alemão.
Unidade monetária: Euro (EUR). 1 EUR = 1,39 USD (média de 2009);
“Ranking” em negócios: Risco político: AA (AAA = risco menor; D = risco maior) Risco de estrutura económica: A
Risco país: A
“Ranking em negócios: índice 7,96 (10 = máximo)
“Ranking” geral: 14 (entre 82 países) (EIU – Abril de 2010) Risco de crédito: 1 (1 = risco menor; 7 = risco maior)
(COSEC – Abril 2010 - http://cgf.cosec.pt)
Grau da abertura e dimensão relativa do mercado (2008): Exp. + Imp. / PIB = 74,4% Imp. / PIB = 33,6%
Imp. / Imp. Mundial = 7,3% (2008) Fontes: The Economist Intelligence Unit (EIU): Country Profile (2008); Country Report (Abril 2010); ViewsWire (Abril 2010)
WTO – World Trade Organization COSEC
2. Economia
2.1
Situação Económica e Perspectivas
Em número de habitantes e volume de PIB, a Alemanha é o primeiro País da UE27 e a locomotiva principal do seu crescimento económico. Com mais de 82,8 milhões de habitantes e o quarto maior PIB do mundo, em 2009, a Alemanha respondia, em 2008, por 9,1% e 7,3% do valor das exportações e importações mundiais, respectivamente, sendo um dos mercados mais competitivos e segmentados do mundo.
Mais do que em qualquer outra economia avançada, a indústria transformadora e serviços conexos são ainda o coração da economia alemã. A participação da indústria (sem o sector da construção) no PIB elevava-se a 26% em 2008, enquanto que a nível comunitário aquela participação ascendia apenas a 20,1%, o que mostra a grande importância que os bens transaccionáveis têm ainda na economia alemã.
A nível europeu, a Alemanha era, em 2008, o maior produtor de automóveis, de máquinas e equipamentos mecânicos, semicondutores electrónicos, líder no sector da biotecnologia, o segundo maior produtor de alimentos; era, também, a nível mundial, o maior exportador de máquinas e equipamentos mecânicos, com uma quota de 28% do numero de patentes registadas no mundo neste sector, o maior exportador de produtos químicos, líder em tecnologias ambientais e em patentes registadas neste sector, o maior exportador de tecnologias de reciclagem (quota de 18%), um dos maiores exportadores de produtos de TIC, possuindo a maior indústria de software europeia neste segmento industrial; encontrava-se igualmente entre os cinco maiores produtores mundiais de produtos farmacêuticos (o segundo maior de produtos biofarmacêuticos), sendo o primeiro produtor mundial de energia fotovoltaica e eólica.
Finalmente, há que realçar, no âmbito das economias destas dimensões, o grande peso das exportações alemãs de bens e serviços no PIB (47,3%), em 2008, superando de longe este rácio nos EUA (12,7%), Japão (17,6%) ou França (26,4%), por exemplo, o que explica a importância dos bens transaccionáveis, acima mencionada, bem como a importância crescente do comércio externo na economia alemã.
Principais Indicadores Macroeconómicos
Unidade 2007 2008 2009a 2010b 2011b 2012b
População Milhões 82,6 82,7 82,8 83,0 83,0 83,1
PIB a preços de mercado 109 EUR 2.428 2.496 2.407 2.435 2.508 2.583 PIB a preços de mercado 109 USD 3.323 3.669 3.353 3.324 3.493 3.668 PIB per capita USD 40.298 44.359 40.505 40.074 42.096 44.164
Crescimento real do PIB % 2,5 1,3 -5,0 1,1 1,2 2,0
Consumo privado Var. % -0,3 0,4 0,2 0,2 0,7 1,5
Consumo público Var. % 1,7 2,0 3,0 2,7 2,2 1,0
FBCF Var. % 5,0 3,1 -8,9 -0,3 2,0 3,2
Taxa desemprego – médio % 8,4 7,3 7,5 8,5 8,5 7,9
Taxa de inflação – média % 2,3 2,8 0,2 0,4 1,2 1,6
Dívida pública % do PIB 64,9 66,0 72,0 77,1 80,1 81,6
Saldo do sector público % do PIB 0,2 0,0 -3,1 -5,6 -5,2 -3,9 Balança corrente 109 USD 263,1 243,9 140,3 94,2 84,5 66,9
Balança corrente % do PIB 7,9 6,6 4,2 2,8 2,4 1,8
Taxa de câmbio – média 1EUR=USD 1,37 1,47 1,39 1,37 1,39 1,42
Fonte: Economist Intelligence Unit (EIU) Notas: (a) Estimativa;
(b) Previsão
No período de 2005-2008, o PIB cresceu a uma taxa média de aproximadamente 2% ao ano, ficando, todavia, aquém da taxa média de crescimento de aproximadamente 2,2% ao ano da UE27. De um modo geral, pode dizer-se que as exportações e a formação bruta de capital fixo foram os factores determinantes do crescimento económico germânico, enquanto que os contributos do consumo público e privado foram indubitavelmente menos relevantes.
Todavia, há que realçar a desaceleração assinalável da taxa de crescimento do PIB de 2,5% em 2007 para 1,3% em 2008, reflectindo o impacto negativo da crise económico financeira mundial na economia alemã, a partir do 2º trimestre de 2008. Com efeito, a preços constantes e em relação a período homólogo do ano anterior, a taxa de crescimento do PIB desacelerou de 2,9% no 1º trimestre até 0,8% no 3º e -1,8% no 4º trimestre; em relação ao trimestre anterior a evolução negativa é mais evidente, tendo o PIB registado taxas de crescimento de -0,6%, -0,3% e -2,4%, no 2º, 3º e 4º trimestres de 2008. Não obstante, a economia alemã registou ainda uma taxa de crescimento superior à da média da UE27 (0,7%, em 2008).
Em relação a 2008, o PIB alemão, reflectindo o aprofundamento da crise económico-financeira mundial, registou uma taxa de crescimento de -5,0% em 2009 (-4,2% para a UE27), em consequência da contracção da procura interna (-2,1%), com realce para a formação bruta de capital fixo (-8,9%) e, em especial, da procura externa, com as exportações registando uma forte quebra (-22,7%). No cômputo
geral, a balança externa deu o maior contributo negativo de -3,3 pontos percentuais para a contracção registada do PIB, seguida da formação bruta de capital fixo (-1,8 pontos percentuais), e das existências (-0,8 pontos percentuais), enquanto que o consumo público e privado deram um contributo positivo de 0,5 e 0,1 pontos percentuais, respectivamente.
Além das medidas imediatas tomadas tendo em vista a estabilização dos mercados financeiros (pacote de 500 mil milhões de euros em capital e garantias de empréstimos, aprovado em Outubro de 2008), a acção fiscal, resoluta e abrangente, de estímulo da economia, protecção do emprego e modelo social, foi fundamental para a superação relativamente rápida da paralisia da economia alemã, surgida na sequência da insolvência do banco de investimento Lehman Brothers, em Setembro de 2008.
Embora tenha sido, no conjunto do ano, fortemente condicionada pela agravamento da recessão no último trimestre de 2008 (-2,4%) e 1º trimestre de 2009 (-3,5%), com uma quebra do PIB (-5%) como jamais fora vista em qualquer outro período da história da República Federal Alemã, a verdade é que a economia alemã arrancou logo com um movimento de recuperação a partir do 2º trimestre (+0,4%), que se continuaria até finais de 2009.
Não obstante, os principais sectores de actividade económica sofreram todos um declínio acentuado na actividade exportadora, principalmente os de bens de capital, que tradicionalmente se encontram à cabeça das exportações, bem como o sector automóvel. Verificou-se também um efeito dominó na contracção clara do investimento na economia em geral, devido à subutilização das capacidades industriais produtivas, bem como às maiores dificuldades de obtenção de empréstimos bancários pelo sector empresarial, o que tudo junto explica a quebra assinalável do PIB em 2009.
Em 2010, deverá reiniciar-se a recuperação da actividade económica, com o PIB crescendo 1,1%, em relação a período homólogo de 2009, graças principalmente à reanimação suave da procura interna (1,3%), para o que contribuirá sobretudo o consumo público (2,7%). No cômputo geral, as existências e o consumo público e, bastante aquém, o privado, serão os factores determinantes do crescimento económico em 2010, enquanto que a formação bruta de capital fixo ainda obstará ligeiramente ao crescimento ao passo que a balança externa terá um comportamento neutro.
A recuperação económica deverá continuar o seu curso em 2011 e 2012, embora a um ritmo algo lento (1,2% e 2,0%, respectivamente), devido principalmente ao contributo negativo da balança de rendimentos, cujo saldo cairá para -2,3 e -7,7 mil milhões de USD, respectivamente (o saldo da balança de rendimentos deverá cair de 64,5 mil milhões de euros em 2008 para -2,3 mil milhões de euros em 2011), e, em menor medida, da balança comercial, assumindo a procura interna o papel de motor do crescimento (1,7% e 2%, respectivamente), com o consumo (privado e público) e a formação bruta de capital fixo à cabeça.
É de realçar que, segundo as previsões da EIU, no período de 2010-2012, a taxa média de crescimento do PIB alemão deverá ascender a 1,4%, enquanto que a da UE27 se deverá ficar pelos 1,2%, do que deverá resultar uma superação mais rápida das sequelas da crise económico-financeira mundial por parte da economia alemã.
A taxa de inflação média que montou a 2,8% em 2008 (2,3% em 2007), devido principalmente à forte subida dos preços do petróleo e dos géneros alimentares no mercado internacional, e à evolução assimétrica da procura interna em expansão e do PIB em desaceleração, diminuiu para 0,2% em 2009, reflectindo a contracção acentuada da procura interna (-2,1%), as quebras mais ou menos acentuadas dos preços dos combustíveis e matérias-primas no mercado mundial e a evolução favorável dos termos de troca no comércio externo (+6,8%), o que compensou a contracção da produtividade do trabalho reflectida num aumento acentuado de 5,2% dos custos unitários do trabalho por empregado, em conjunção com a diminuição das margens de lucro das empresas.
Mesmo voltando a crescer a partir de 2010 (0,4%), em consonância com a recuperação da actividade económica e da procura interna, até 1,6% em 2012, deverá continuar baixa, ainda bastante aquém da registada em 2008. Aliás, a taxa de inflação alemã tem ficado sistematicamente aquém da taxa de inflação média da UE27.
Nos últimos anos e até 2008, os salários reais registaram sempre um crescimento negativo, invertendo-se essa tendência em 2009, com um crescimento real de 3,0%, devendo continuar a crescer, nos próximos anos, embora mais moderadamente.
A taxa média de desemprego que caíra de 10,6% em 2005, para 7,3% em 2008, subiu para 7,5% em 2009 (bastante aquém da média da Zona Euro – 9,4%), prevendo-se a continuação do seu crescimento para 8,5% em 2010 e 2011, devendo, depois, baixar para 7,9% em 2012, mesmo assim ainda superior à de 2008, o que mostra bem a persistência dos efeitos negativos da crise económico-financeira mundial na economia alemã.
Todavia, em termos absolutos quase que não houve declínio no número de empregados de 2008 para 2009 (apenas -14.000 empregados), não obstante a forte quebra na actividade económica do país, devido principalmente ao aumento do número de empregados em serviços sociais de financiamento público, de empregos a tempo parcial, à redução do horário de trabalho, tolerando as empresas uma redução assinalável da produtividade do trabalho, o que compensou, assim, a diminuição do emprego na indústria e nos sectores de prestação de serviços às empresas.
Há que realçar que, nos anos 80, a Alemanha Ocidental contava com uma das mais baixas taxas de desemprego na UE, tendo a reunificação do país realizada em Outubro de 1990, provocado, sobretudo em razão da falta de competitividade da economia da ex-Alemanha Oriental, o surto do desemprego no país reunificado. Não obstante ter vindo a diminuir rapidamente, sobretudo a partir de 2005, a taxa de desemprego continua ainda elevada, ainda que, em termos absolutos, o número total de desempregados tenha registado uma diminuição notável de 4,9 milhões para 3,3 milhões em 2008. Nos territórios da ex- -Alemanha Oriental a taxa de desemprego era significativamente mais elevada, ou seja à volta de 13% da população activa em 2008 (6,9% na ex-Alemanha Ocidental).
Graças aos esforços persistentes tendo em vista a consolidação orçamental, traduzidos principalmente nos últimos anos numa redução da carga fiscal de 47,3% do PIB em 2004, para 43,8% do PIB em 2008 e numa quase contenção das receitas de 43,5% para 43,8% do PIB, no mesmo período, a Alemanha conseguiu, após a reunificação do país em 1990, registar, pela primeira vez, um orçamento positivo em 2007 (0,2% do PIB). O financiamento dos défices orçamentais fez subir o rácio da dívida pública de 40% do PIB no início de 1990, para 68,1% do PIB em 2005, tendo, desde então, baixado até 64,9% do PIB em 2007.
Todavia, em consequência do agravamento paulatino dos efeitos negativos da crise económico-financeira mundial na economia germânica, e das medidas tomadas de carácter essencialmente fiscal no sentido de sua superação, o orçamento registou já em 2008 um saldo nulo, seguido de uma contracção abrupta para -3,1% do PIB em 2009, prevendo-se a sua aceleração para -5,6% do PIB em 2010, tendo a carga fiscal subido entretanto para 48,2% e as receitas para 45,0% do PIB, em 2009; em 2010 a carga fiscal deverá aumentar para 49,0% do PIB, enquanto as receitas deverão cair para 43,4% do PIB, o que explica o aumento do défice orçamental previsto para este ano.
O défice orçamental dever-se-á reduzir ligeiramente para -5,2% do PIB em 2011, até -3,4% do PIB em 2013. Só em 2014, segundo as previsões da EIU, a Alemanha deverá cumprir o critério de Maastricht, elevando-se, então o défice a -2,1% do PIB. Porém, há que realçar que, segundo o PEC alemão, publicado em Fevereiro de 2010, o saldo orçamental será reduzido para -3,0% do PIB até 2013, embora não seja muito claro como isso será alcançado.
Entretanto a dívida pública subiu de 64,9% do PIB em 2007 para 66,0% e 72,0% do PIB, em 2008 e 2009, respectivamente, devendo subir para 77,1% em 2010 e 82,0% do PIB em 2013, prevendo-se que recomece a baixar somente a partir de 2014 (80,9% do PIB).
Assim, no período 2007-2013, o défice orçamental, a confirmarem-se as previsões, terá aumentado mais de 17 pontos percentuais, ou seja, o rácio dívida/PIB ter-se-á agravado 26,3%, o que reflecte bem a profundidade da crise.
No período de 2005-2008, a balança corrente registou continuamente saldos positivos, à volta de 6,5% do PIB, em média anual, com um pico de 7,9% (263,1 mil milhões de USD) em 2007, tendo a balança comercial, antes de tudo e a balança de rendimentos, em menor medida, como factores determinantes daqueles resultados.
O saldo da balança corrente diminuiu significativamente de 243,9 mil milhões de USD em 2008 (6,6% do PIB), para 140,3 mil milhões de USD em 2009 (4,2% do PIB; -42,5% em relação a 2008), devido principalmente às reduções dos saldos das balanças comercial e de rendimentos, reflectindo os impactos negativos da crise económico-financeira no relacionamento da economia alemã com o estrangeiro, e, comprovando, ao mesmo tempo, a forte orientação exportadora da economia e, daí, também, a sua elevada dependência das exportações. Com efeito, o saldo da balança comercial
diminuiu de 266,3 mil milhões de USD em 2008 para 192,3 mil milhões de USD em 2009 (-27,8%), ou seja, de 7,3% do PIB para 5,3% do PIB, e o da balança de rendimentos de 64,5 para 32,5 mil milhões de USD (-49,6%), ou seja, de 1,8% do PIB para 1,0% do PIB.
As previsões do EIU, apontam para uma redução gradual, mas constante, quer em termos absolutos, quer em termos relativos, dos saldos da balança corrente nos próximos anos, devendo cair, logo em 2010, para 94,2 mil milhões de USD (2,8% do PIB), e 66,9 (1,8% do PIB) e 41,7 mil milhões de USD (1,1% do PIB), em 2012 e 2013, respectivamente. Assim, a crise económico-financeira mundial ficará como um marco indicador da inversão da evolução dos saldos da balança corrente.
2.2 Comércio Internacional
A Alemanha desempenha um papel fundamental nas relações comerciais internacionais, ocupando, em 2008, o primeiro lugar no “ranking” de exportadores (à frente da China), com 9,1% do valor das exportações mundiais, e o segundo lugar no de fornecedores, respondendo por 7,3% do valor das importações mundiais (atrás dos EUA).
Todavia, há que realçar que a participação da Alemanha no valor das exportações mundiais tem vindo a perder peso, de 9,9% em 2003 para 9,1% em 2008, contrariamente à da China que viu subir o seu peso de 5,8% para 8,9%, naquele período.
No período de 2005-2009, as exportações alemãs cresceram a uma taxa média de 5,7% ao ano, e as importações a uma taxa média de 6,6% ao ano, tendo a balança comercial registado continuamente um saldo positivo, ainda que ligeiramente aquém, em 2009 (-0,47%), do registado em 2005, e a taxa de cobertura das importações pelas exportações regredido de 124,4% para 199,9%.
Porém, há que ter em consideração que, numa análise global mais subtil dos resultados da balança comercial no período de 2005-2009, se distinguem claramente duas fases, separadas pelo agravamento indelével dos efeitos negativos da crise económico-financeira mundial na balança comercial do país, existindo, assim, a fase pré-crise (até 2008) e a de após explosão da crise (2009).
Interrompendo uma fase de crescimento dinâmico das exportações e importações (15,1% e 16,0% em média ao ano, respectivamente), em 2009 registou-se uma quebra abrupta das taxas de crescimento de ambas as variáveis (-22,7% e -21,6%, respectivamente), uma diminuição significativa do saldo comercial (-27,8%), bem como da taxa de cobertura (-1,7 pontos percentuais).
A participação das exportações no PIB caíu de 40,8% em 2008 para 34,6% em 2009 (-6,2 pontos percentuais), e a das importações de 33,6% para 28,8% (-4,8 pontos percentuais), enquanto que o coeficiente de abertura da economia ao exterior baixou de 74,4% para 63,4% (-11 pontos percentuais), reflectindo um forte retrocesso do comércio externo, em consequência da crise económico-financeira mundial.
Da forte desaceleração da actividade económica e, daí, da procura externa nos principais parceiros comerciais da Alemanha resultou uma diminuição acentuada das exportações, principalmente com os países fora da Zona Euro, sendo de realçar, em particular, a grande contracção da procura russa, em consequência da queda brusca dos preços energéticos no mercado mundial.
A EIU prevê a ultrapassagem dos valores das exportações/importações alcançados pela Alemanha em 2008 só lá para finais de 2013 ou começos de 2014, bem como uma diminuição praticamente contínua do saldo comercial, nos próximos anos, deixando bem claro o forte impacto negativo que aquela crise terá na economia do país.
Evolução da balança comercial
(109USD) 2005 2006 2007 2008 2009a
Exportação fob 983.1 1.135,8 1.349,5 1.498,3 1.158,8
Importação fob 790,0 938,0 1.078,8 1.232,0 966,5
Saldo 193,2 197,8 270,8 266,3 192,3
Coeficiente de cobertura (%) 124,4 121,1 125,1 121,6 119,9
Posição no “ranking” mundial
Como exportador 1ª 1ª 1ª 1ª n.d.
Como importador 2ª 2ª 2ª 2ª n.d.
Fontes: EIU; WTO – World Trade Organisation 2009 (a) - Estimativa
Em 2009, a UE27 representou 62,9% das exportações e 65,1% das importações do país, destacando-se a França como principal parceiro comercial do lados das exportações e a Holanda do lado das importações, com quotas de 10,1% e 12,0%, respectivamente, dos valores globais. É de realçar que no grupo dos 10 primeiros parceiros comerciais da Alemanha, 7 deles, quer na condição de clientes, quer na de fornecedores, são membros da UE.
Fora da UE, em 2009, surgiam à cabeça daquele grupo, do lado de clientes, os EUA, na 2ª posição e uma quota de 6,6%, e, do lado de fornecedores, a China, 4ª posição e uma quota de 6,8%.
É esclarecedor o facto da Alemanha realizar com os seus vizinhos cerca de 40,7% do valor global de suas exportações e de 45,4 das importações, provando, assim, como tirar partido de sua centralidade geográfica.
Em 2009, Portugal ocupava o 27º lugar no “ranking” de clientes, com uma quota de 0,76%, e o 28º lugar no de fornecedores, com uma quota de 0,53%, sendo, em relação a 2007, de realçar a perda de posição e quota como cliente, mas a manutenção de quota e o ganho de uma posição como fornecedor.
Segundo o World Trade Atlas (WTA) a balança comercial alemã contabilizou com a UE27, em 2009, um saldo positivo de cerca de 98.900 milhões de USD, tendo registado os seus maiores saldos positivos com a França e o Reino Unido (35.684 e 29.165 milhões de USD, respectivamente), e os seus maiores
saldos negativos com a Holanda e a Bélgica (38.524 e 8.475 milhões de USD, respectivamente). Fora da UE, registou os seus maiores saldos positivos com os EUA e a Suíça (34.790 e 10.294 milhões de USD, respectivamente), e os seus maiores saldos negativos com a China e o Japão (13.483 e 4.271 milhões de USD, respectivamente).
Principais Clientes
2007 2008 2009
Mercado
Quota Posição Quota Posição Quota Posição
Portugal 0,86 22ª 0,83 25ª 0,76 27ª França 9,37 1ª 9,47 1ª 10,06 1ª EUA 7,47 2ª 7,22 2ª 6,60 2ª Holanda 6,23 5ª 6,41 4ª 6,56 3ª Reino Unido 7,15 3ª 6,51 3ª 6,54 4ª Itália 6,56 4ª 6,26 5ª 6,25 5ª Áustria 5,40 6ª 5,51 6ª 5,90 6ª Bélgica 5,11 7ª 5,00 7ª 5,16 7ª China 3,06 10ª 3,46 10ª 4,50 8ª Suíça 3,58 9ª 3,84 9ª 4,23 9ª Polónia 3,70 8ª 4,12 8ª 3,86 10ª UE 62,94
Fonte: Statistik Austria
Principais Fornecedores
2007 2008 2009
Mercado
quota posição Quota posição Quota Posição
Portugal 0,53 29ª 0,50 32ª 0,53 28ª Holanda 11,34 1ª 11,63 1ª 11,99 1ª França 8,37 2ª 8,03 2ª 8,29 2ª Bélgica 7,41 3ª 7,15 3ª 7,10 3ª China 6,33 4ª 6,33 4ª 6,84 4ª Itália 5,79 5ª 5,81 5ª 5,90 5ª Reino Unido 5,45 6ª 5,15 6ª 4,75 6ª Áustria 4,33 8ª 4,27 7ª 4,56 7ª EUA 4,50 7ª 4,26 8ª 4,22 8ª Suíça 3,76 9ª 3,72 9ª 3,99 9ª República Checa 3,34 10ª 3,43 10ª 3,77 10ª UE 65,10 Fonte: WTA
Os dados mais recentes disponíveis, relativos aos principais produtos transaccionados pela Alemanha em 2009, permitem relevar os seguintes aspectos:
- Forte peso dos produtos de valor acrescentado mais elevado, de ambos os lados da balança comercial, embora com maior peso do lado das exportações. Com efeito, no conjunto dos oito primeiros capítulos pautais abaixo indicados, as máquinas, aparelhos, instrumentos e materiais, mecânicos e eléctricos, e os equipamentos de transporte e suas partes, representavam 46,9% do valor global das exportações alemãs e 35,1% do valor global das importações. Se a este grupo de produtos juntarmos os produtos farmacêuticos e os instrumentos de óptica, medida e controle, etc., a quota dos produtos de alta e média-alta tecnologia sobe para 56,8% do lado das exportações e para 42,9% do lados das importações, o que reflecte bem o grau de desenvolvimento da economia alemã, a qualidade de classe mundial dos seus produtos e o porquê de já há seis anos consecutivos (2003-2008) figurar como o maior exportador mundial;
- A segunda posição dos combustíveis/óleos minerais, etc., no valor global das importações, reflecte a escassez do subsolo alemão (com excepção de carvão) neste tipo de matérias-primas. Não obstante, apesar da Rússia ser o principal fornecedor de combustíveis à Alemanha, a balança comercial germano-russa registava um saldo positivo de 6.801 milhões de USD, em 2009.
De um modo geral, pode dizer-se que a estrutura exportadora alemã é constituída basicamente por produtos de grau de intensidade tecnológica média-alta e alta de elevado valor acrescentado, que ocupam posições importantes no mercado internacional.
Por outro lado existe uma correlação acentuada entre a participação sectorial no valor global das exportações e o seu peso sectorial no output industrial. Por exemplo, em 2008, as exportações de equipamentos de transporte representavam 61.2% do volume de negócios daquele sector, as de máquinas e equipamentos mecânicos 58,5%, as de produtos químicos 56,9%, as de máquinas e equipamentos eléctricos 48,7% do volume de negócios do sector, etc. Por outro lado, em 2007, o sector de equipamentos de transporte participava com 15% no VAB industrial, o de máquinas e equipamentos mecânicos com 14%, o de produtos químicos com 9%, o de máquinas e equipamentos eléctricos com 14% no VAB industrial, etc.
Sem dúvida que a Alemanha deve muito de sua fama de potência industrial à indústria automóvel. Com efeito, com uma produção de 5,7 milhões de carros, em 2007, 1/3 das capacidades instaladas europeias, 20% dos veículos novos registados na Europa trazendo a etiqueta “Made in Germany”, etc., a Alemanha é o maior produtor europeu de automóveis, o que explica o peso do sector em ambas as componentes da balança comercial.
Em 2008, o sector de máquinas e equipamentos mecânicos era também o maior e o mais forte de Europa, sendo também líder mundial de exportação, em resultado de sua tradição, seu desenvolvimento tecnológico de ponta, sua base industrial diversificada, 28% das patentes de engenharia mecânica
mundialmente registadas no mundo, o que explica igualmente a posição cimeira do sector na balança comercial.
Para um grande número de sectores industriais, a Alemanha encontra-se na vanguarda europeia, o que explica a estrutura de suas exportações e importações, caracterizada pelo predomínio dos produtos de elevado valor acrescentado e grau tecnológico.
Principais Produtos Transaccionados – 2009
Exportações / Sector % Importações / Sector % Máquinas, aparelhos, instrumentos mecânicos 18,6 Máquinas, aparelhos, instrumentos mecânicos 12,4 Veículos e outro material de transporte 15,1 Combustíveis/óleos minerais, etc. 11,5 Máquinas, aparelhos e materiais eléctricos 10,1 Máquinas, aparelhos e materiais eléctricos 11,1 Produtos farmacêuticos 5,5 Veículos e outro material de transporte 8,6
Plásticos e suas obras 4,6 Produtos farmacêuticos 4,8
Instrumentos de óptica, medida, controle, etc. 4,4 Plásticos e suas obras 3,3 Aeronaves, outros aparelhos aéreos, partes 3,1 Aeronaves, outros aparelhos aéreos, partes 3,0 Obras de ferro fundido, ferro ou aço 2,6 Instrumentos de óptica, medida, controle, etc. 3,0
Fonte: WTA
Tendo em vista uma percepção mais abrangente da estrutura das importações alemãs, indicam-se a seguir os 15 primeiros itens de produtos importados, em 2007 (NC, a 4 dígitos):
15 Principais Produtos Importados – 2009
NC Designação % do total
2709 Óleos brutos de petróleo ou de minerais betuminosos 4,55
8703 Automóveis de passageiros e outros veículos transporte passageiros, etc 4,16 8708 Partes e acessórios dos veículos automóveis das posições 8701 a 8705 2,39 3004 Medicamentos, em doses ou acondicionados para venda a retalho 2,19 2710 Óleos de petróleo ou minerais betuminosos, exc. óleos brutos; preparações, etc 1,91 8471 Máquinas automáticas p/ processamento dados/unidades; leitores magnéticos etc 1,81 8802 Outros veículos aéreos; veículos espaciais e seus veículos de lançamento, etc 1,63 3002 Sangue humano;anti-soro;vacinas,culturas de microorganismos e prod.semelhantes 1,29 8517 Aparelhos eléctricos para telefonia ou telegrafia, por fios etc; vídeofones 1,21 8541 Díodos, transístores etc, dispostivos fotossensíveis, semicondutores etc 1,18 8443 Máquinas e aparelhos impressão, exc pp 8471; máquinas auxiliares p/ impressão 1,17
8803 Partes dos veículos e aparelhos das posições 8801 ou 8802 1,03
3003 Medicamentos, n/ apresentados em doses nem acondicionados p/ venda a retalho 1,00
8542 Circuitos integrados e microconjuntos electrónicos 0,94
2.3 Investimento
A Alemanha registava, em 2008, uma posição relativamente elevada no “ranking” de países receptores e muito elevada no de emissores de IDE, com evoluções mais ou menos assimétricas nos últimos anos. Com efeito, no período de 2005-2008, como receptor caiu da 6ª para a 15ª posição, enquanto que como emissor subiu uma posição, da 4ª para a 3ª posição.
Em termos absolutos os fluxos de IDE entrados caíram de 47,4 mil milhões de em 2005, para 24,9 mil milhões de USD em 2008 (-47,4%), com um pico de 57,1 mil milhões de USD em 2006, enquanto que os fluxos de IDE saídos subiram de 75,9 para 156,5 mil milhões de USD (+106,1%), com um pico de 179,5 mil milhões de USD em 2007.
Em consequência do agravamento da crise económico-financeira mundial, os fluxos entrados registaram, segundo a EIU, um crescimento negativo de 6,6 mil milhões de USD, em 2009, e uma desaceleração acentuada dos fluxos saídos (-77,9% em relação a 2008).
Há que realçar que os influxos de IDE, em 2009, representavam -0,2% do PIB e -1,1% da Formação Bruta de Capital Fixo, reflectindo os efeitos negativos da crise económico-financeira mundial na economia alemã.
Todavia e de acordo com um inquérito levado a cabo pela Ernest & Young publicado em Junho de 2008, entre gestores de 800 multinacionais, a Alemanha encontrava-se no 6º lugar como um dos países mais atractivos para o investimento estrangeiro, sendo o único país da Europa Ocidental entre os dez primeiros países. Aqueles gestores apreciavam especialmente a qualidades das infra-estruturas e o elevado nível de qualificação dos trabalhadores, bem como o nível de inovação na economia (ao que não será alheio o investimento em I&D que, em 2007, representava 2,3% do PIB).
Segundo o Deutsche Bundesbank, em finais de 2007, o IDE, acumulado, na Alemanha, montava a 634.204 milhões de euros, o que correspondia a 26,1% do seu PIB, ou seja, a cerca de 7.678 euros per
capita.
A UE27, com mais de 73% do IDE acumulado, figurava, em 2007, à cabeça das entidades emissoras. Como países de origem destacavam-se a Holanda, com 24,8% do total, Luxemburgo (14,4%), EUA (11,3%), França (9,7%), Suíça (8,0%), Reino Unido (7,9%), etc. Portugal contava, em 2007, com um investimento directo acumulado na Alemanha num montante de 225 milhões de euros, o que representava 0,04% do total.
Em termos de destino sectorial, a indústria transformadora tinha absorvido 11,4% do IDE acumulado, os serviços 87,6%, outros 1,0%. No âmbito da indústria transformadora surgiam à cabeça as indústrias de produtos químicos (2,1% do IDE acumulado), máquinas, aparelhos e equipamentos eléctricos e electrónicos (2,0%), veículos e outro material de transporte (1,3%), máquinas e equipamentos mecânicos (1,2%), e de fabricação de coque, produtos petrolíferos refinados e combustível nuclear (0,8%); no
âmbito dos serviços destacavam-se os sectores do imobiliário (69,5% do IDE acumulado), intermediação financeira (8,2%), comércio e reparações (6,6%), transportes de comunicações (3,0%).
Segundo os dados disponíveis de 2007, o IDE acumulado desempenhava um papel relevante na economia alemã, contando 6.288 empresas de capital estrangeiro que empregavam 1,032 milhões de trabalhadores (2,6% do emprego) e realizavam um volume de negócios de 519 mil milhões de euros (mais ou menos o equivalente ao volume de negócios das indústrias automóvel e de máquinas e equipamentos mecânicos, as maiores do país).
Em finais de 2007, o ID alemão, acumulado, no estrangeiro, ascendia a 823.285 milhões de euros (33,9% do PIB alemão), reflectindo o imperativo de crescimento das firmas alemãs, para além dos limites do seu mercado interno.
A UE27, com mais de 64% do ID alemão acumulado no estrangeiro, figurava, em 2007, à cabeça das entidades receptoras. Como países receptores destacavam-se os EUA com 17,3% do total, Holanda (14,3%), Reino Unido (12,1%), Luxemburgo (6,9%), França (5,4%), Áustria (3,6%), Itália (3,0%), Suíça (2,6%). Portugal contava com um ID alemão acumulado num montante de 3.819 milhões de euros, o que representava 0,5% do total.
Em termos de destino sectorial, a indústria transformadora tinha absorvido 24,5% do ID alemão acumulado no estrangeiro, a electricidade, gás e água 1,7%, os serviços 73,1%, outros 1,0%. No âmbito da indústria transformadora surgiam à cabeça as indústrias de veículos e outro material de transporte (7,3% do ID acumulado), produtos químicos (5,3%), máquinas, aparelhos e equipamentos eléctricos e electrónicos (3,5%), máquinas e equipamentos mecânicos (3,3%), produtos não metálicos (1,4%); no âmbito dos serviços destacavam-se os sectores do imobiliário (53,9% do IDE acumulado), intermediação financeira (15,4%), comércio e reparações (1,8%), transportes de comunicações (1,3%).
Investimento Directo
(106 USD) 2005 2006 2007 2008 2009a
Investimento estrangeiro na Alemanha 47.440 57.147 56.407 24.939 -6.600 Investimento da Alemanha no estrangeiro 75.895 127.223 179.547 156.457 34.600 Posição no “ranking” mundial
Como receptor 6ª 7ª 8ª 15ª n.d.
Como emissor 4ª 2ª 4ª 3ª n.d.
Fonte: UNCTAD – World Investment Report 2009 (a) – EIU (estimativa)
2.4 Turismo
A Alemanha conta com um sector turístico desenvolvido, importante mesmo a nível mundial, embora, em 2008, em termos relativos, as receitas dos turistas estrangeiros representassem apenas 1,4% do PIB, 3,0% do valor das exportações de bens e serviços, e 20,8% das exportações de serviços.
No período de 2004-2008, a Alemanha registou um aumento contínuo do número de turistas estrangeiros em visita ao país, tendo, em 2008, recebido cerca de 24,9 milhões de turistas (+23,6% em relação a 2004); o número de dormidas acusou também um aumento de 23,6% e as receitas de 44,0%, em relação a 2004, o que reflectirá provavelmente uma melhoria qualitatitva assinalável da oferta e a visita de um número crescente de turistas de maior poder de compra.
A grande maioria dos turistas é originária da UE27 (61,7% do total em 2008), vindo, de longe, à cabeça a Holanda com 14,4% do número total de turistas na hotelaria global, seguida do Reino Unido (7,9%), Itália (5,7%), França (4,9%), Áustria (4,8%), Dinamarca (4,5%), Bélgica (4,1%), etc. Fora da UE destacavam-se os EUA (7,9%) e a Suíça (7,1%).
Há que realçar que a Alemanha é também um país emissor muito importante, tendo, em 2008, segundo a WTO, os gastos dos turísticos alemães no estrangeiro montado a 103.386 milhões de USD, superando, portanto, de longe o montante de receitas (+101,8%).
Indicadores do Turismo
2004 2005 2006 2007 2008
Turistas a (103) 20.137 21.500 23.569 24.421 24.884
Dormidas b (103) 38.491 40.839 44.921 46.508 47.562
Receitas (106 USD) 35.569 38.220 42.921 46.903 51.225
Fonte: WTO – World Tourism Organization
Nota: (a) Que permanecem pelo menos uma noite no país (b) Dormidas na hotelaria global
3. Relações Económicas com Portugal
3.1 Comércio
A Alemanha tem um papel da maior relevância na balança comercial portuguesa, surgindo, em 2009, em 2º lugar, logo a seguir à vizinha Espanha, quer como cliente, quer como fornecedor, de Portugal.
Enquanto que a sua quota na balança comercial subiu de 12,1% em 2005 para 13,1% em 2009, o que se reflectiu positivamente na conquista de um lugar no “ranking” de clientes, já como fornecedor regrediu de 13,8% para 12,7%, embora mantendo estável a sua posição. Em especial, é relevante o facto de, em relação a 2008, a Alemanha ter ganho peso relativo em ambas as componentes da balança comercial portuguesa, em 2009, o que significa que, no cômputo geral, o relacionamento bilateral resistiu relativamente bem à crise económico-financeira mundial.
Segundo o World Trade Atlas (WTA), em termos da balança comercial alemã, em 2009, Portugal posicionava-se como 27º cliente com 0,76% do total das exportações alemãs, e como 28º fornecedor com 0,53% das importações alemãs, assumindo, portanto, posições incomparavelmente menos relevantes do que as da Alemanha na nossa balança comercial.
Importância da Alemanha nos Fluxos Comerciais com Portugal 2005 2006 2007 2008 2009 Posição 3ª 2ª 2ª 2ª 2ª Como cliente % 12,11 13,11 13,02 12,87 13,11 Posição 2ª 2ª 2ª 2ª 2ª Como fornecedor % 13,82 13,76 13,15 12,39 12,69
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
No período de 2005-2009, a balança comercial luso-alemã foi continuamente desfavorável a Portugal, tendo, contudo, em consequência do diferencial de dinâmicas de crescimento das duas variáveis – 3,3% ao ano em média para as expedições, e -1,2% para as chegadas -, a taxa de cobertura das chegadas pelas expedições subido de 54,8% em 2005, para 64,1% em 2009, do que resultou uma diminuição assinalável do défice comercial de cerca de -3.069,7 para -2.280,6 milhões de euros (-25,7%).
No período de 2005-2009, as nossas expedições aumentaram de cerca de 3.719 para 4.075 milhões de euros (+9,6%), com um pico de 4.895 milhões de euros em 2007, enquanto que as chegadas diminuíram de cerca de 6.789 para 6.355 milhões de euros (-6,4%), com um pico de 7.582 milhões de euros em 2008.
Há que realçar, em termos relativos que, os efeitos negativos da crise económico-financeira mundial se fizeram sentir de forma praticamente idêntica em ambas as componentes da balança luso-alemã. Com efeito, enquanto em 2009, o valor expedido caiu 16,5%, a quebra das chegadas foi de 16,2%, do que resultou, em termos absolutos, uma diminuição do défice comercial (-15,5%).
Em Janeiro de 2009 e em relação a período homólogo de 2008, o valor das expedições caiu 5,4%, enquanto que o das chegadas registou uma contracção de 19,4%, resultando daí, uma melhoria notável quer do saldo quer da taxa de cobertura.
Evolução da Balança Comercial Bilateral
(106 EUR) 2005 2006 2007 2008 2009 Evol. a % Jan. 2009 Jan. 2010 Varb. % 10/09 Expedições 3.718,8 4.523,4 4.894,5 4.882,2 4.074,6 3,3 340,6 322,3 -5,4 Chegadas 6.788,5 7.309,3 7.500,3 7.581,6 6.355,2 -1,2 520,9 419,8 -19,4 Saldo -3.069,7 -2.785,9 -2.605,8 -2.699,4 -2.280,6 -- -180,3 -97,5 -- Coef. Cobertura (%) 54,8 61,9 65,3 64,4 64,1 -- 65,4 76,8 --
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período 2005 – 2009 (b) Taxa de variação homóloga.
As expedições portuguesas para a Alemanha apresentaram, em 2009, um grau de concentração elevado, uma vez que aproximadamente 53% do valor expedido diz respeito apenas a dois grupos de produtos – veículos e outro material de transporte, com 27,8% do valor total, e máquinas e aparelhos com 24,7%.
Dos restantes grupos de produtos, destacam-se ainda os plásticos e borracha (6,7% do total expedido), o vestuário (6,0%), o calçado (6,0%), os produtos químicos (5,8%), e as pastas celulósicas (5,0%).
No seu conjunto a estrutura expedidora tem-se mantido relativamente estável, com os bens de capital, os de maior valor acrescentado, representando, no último ano, 52,4% do valor global das expedições (54,1% em 2005), os bens de amplo consumo 15,9% (15,6% em 2005), e os produtos intermédios 27,5% (30,3% em 2005).
Em termos de grau de intensidade tecnológica, a estrutura das expedições era, em 2008, dominada pelos produtos de média-alta tecnologia, com 51,0% do total expedido, seguidos dos produtos de baixa tecnologia (24,1%), alta tecnologia (13,1%) e de média-baixa tecnologia (11,9%). No cômputo geral, no período de 2004-2008, registou-se uma evolução positiva no grau de intensidade tecnológica das expedições, com a quota dos produtos de alta e média-alta tecnologia subido de 56,7% para 64,1%, e a dos de baixa e média-baixa diminuído de 43,3% para 36,0%.
Numa óptica de maior desagregação (NC a 4 dígitos), a estrutura das expedições era, em 2009, caracterizada pelo domínio dos automóveis de passageiros e outros veículos de transporte de passageiros, com 22,2% do total expedido, seguidos pelos aparelhos receptores para radiotelefonia/radiotelegrafia/radiodifusão (7,0%), calçado com sola externa de borracha, plástico, couro e parte superior de couro natural (5,0%), partes e acessórios dos veículos automóveis (4,6%), pneumáticos novos de borracha (3,9%) e medicamentos, em doses ou acondicionados para venda a retalho (3,1%), etc.
Finalmente, há que realçar que as expedições portuguesas para a Alemanha mostram padrões de negócios relativamente estáveis. Com efeito, tomando como referência os dez primeiros capítulos pautais (a dois dígitos) de 2005, registava-se, em 2009, o aparecimento de apenas dois novos capítulos pautais nas expedições, ou seja, uma taxa de variabilidade de 20%, reflectindo assim nichos de mercado mais ou menos adequados à procura do mercado alemão.
Todavia, numa perspectiva de balança comercial alemã e análise mais fina, constata-se que, em 2009, segundo o WTA, do conjunto dos primeiros 20 grupos de produtos portugueses (NC a quatro dígitos) mais expedidos para a Alemanha a penas 3 se encontravam entre os primeiros 20 grupos de produtos mais importados por aquele país de todo o mundo, o que aponta para um intercâmbio intrassectorial ainda pouco complexo e diversificado.
De acordo com os dados do INE, o número de empresas portuguesas que têm vindo a expedir produtos para a Alemanha caiu de 2.558 em 2004, para 2.125 em 2008 (último ano disponível), reflectindo provavelmente o aumento da concorrência dos países da Europa Central e Oriental no mercado.
Expedições por Grupos de Produtos
(103 Euros) 2005 % 2008 % 2009 %
Veículos e outro material de transporte 654.376 17,9 1.486.042 30,9 1.101.137 27,8 Máquinas e aparelhos 1.228.686 33,6 1.215.751 25,3 977.518 24,7
Plásticos e borracha 203.571 5,6 256.474 5,3 264.029 6,7
Vestuário 229.699 6,3 224.664 4,7 238.948 6,0
Calçado 254.381 7,0 270.411 5,6 237.240 6,0
Produtos químicos 133.605 3,7 253.566 5,3 228.799 5,8
Pastas celulósicas e papel 107.323 2,9 169.061 3,5 198.868 5,0
Minerais e minérios 107.934 3,0 125.399 2,6 132.286 3,3
Matérias têxteis 172.603 4,7 151.646 3,2 124.856 3,2
Metais comuns 162.124 4,4 220.229 4,6 124.110 3,1
Madeira e cortiça 88.938 2,4 71.122 1,5 84.014 2,1
Produtos alimentares 47.305 1,3 70.213 1,5 68.570 1,7
Instrumentos de óptica e precisão 33.412 0,9 50.982 1,1 63.842 1,6
Produtos agrícolas 18.386 0,5 30.948 0,6 39.321 1,0 Peles e couros 3.523 0,1 4.661 0,1 3.663 0,1 Combustíveis minerais 8.859 0,2 214 0,0 505 0,0 Outros produtos 47.363 1,3 67.274 1,4 74.592 1,9 Valores confidenciais 155.432 4,2 141.690 2,9 0 0,0 Total 3.657.522 100,0 4.810.346 100,0 3.962.299 100,0
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
Nota: Os dados de 2006 e 2007 encontram-se corrigidos dos valores confidenciais, correspondentes às operações abrangidas pela lei do segredo estatístico. Por esta razão, poderá haver discrepância, para aqueles períodos, entre estes totais e os da balança comercial.
O grau de concentração das chegadas é da mesma grandeza que o das expedições, ou seja, bastante elevado, uma vez que quase 69% do valor global das compras, em 2009, dizia respeito apenas a três grupos de produtos – máquinas e aparelhos (28,9%), veículos e outro material de transporte (26,5%), e produtos químicos (13,4%).
Dos restantes grupos de produtos, destacavam-se ainda, em 2009, os metais comuns (6,0% do total das aquisições), os plásticos e borracha (5,4%), os produtos alimentares (3,3%), e os instrumentos de óptica e precisão (3,3%).
No seu conjunto, a estrutura das chegadas sofreu apenas ligeiras alterações no período de 2005-2009, verificando-se, em 2009, a persistência de uma quota pouco representativa de bens de amplo consumo (7,3%) no valor global das nossas compras, o predomínio dos produtos de maior valor acrescentado, os bens de capital, com uma quota de 58,7%, seguidos, bastante aquém, pelos produtos intermédios (33,4% do total).
Em termos de grau de intensidade tecnológica, a estrutura das chegadas era, em 2008, dominada também pelos produtos de média-alta tecnologia, com 47,1% do total das chegadas, seguidos dos produtos de alta tecnologia (28,4%), baixa tecnologia (12,7%) e de média-baixa tecnologia (11,7%), caracterizando-se, portanto, as aquisições por um grau tecnológico significativamente superior ao das expedições.
Numa óptica mais desagregada (NV a 4 dígitos), destacavam-se na estrutura das chegadas os automóveis de passageiros e outros veículos de transporte de passageiros, com 15,5% do total das compras, seguidos das partes e acessórios dos veículos automóveis (7,2%), os medicamentos, em doses ou acondicionados para venda a retalho (5,4%), os circuitos integrados e microconjuntos electrónicos (2,8%), etc.
Finalmente, há que referir que as chegadas mostram padrões de negócios relativamente estáveis. Com efeito, tomando como referência os dez primeiros capítulos pautais (a dois dígitos) de 2005, registava-se, em 2009, o aparecimento de apenas dois novos capítulos pautais, ou seja, uma taxa de variabilidade de 20%, reflectindo assim nichos de mercado mais ou menos adequados à procura do mercado português. Segundo os dados do INE, o número de empresas portuguesas que têm vindo a adquirir produtos na Alemanha caiu de 7.054 em 2004, para 6.913 em 2008 (último ano disponível), mesmo assim de longe superior ao número de empresas expedidoras.
Chegadas por grupos de produtos
(103 Euros) 2005 % 2008 % 2009 %
Máquinas e aparelhos 2.455.596 37,2 2.628.832 37,0 1.717.635 28,9 Veículos e outro material de transporte 1.375.526 20,8 1.533.468 21,6 1.572.791 26,5
Produtos químicos 640.887 9,7 777.027 10,9 798.059 13,4
Metais comuns 415.820 6,3 530.431 7,5 356.227 6,0
Plásticos e borracha 339.781 5,1 378.103 5,3 322.097 5,4
Produtos alimentares 164.583 2,5 197.161 2,8 195.066 3,3
Instrumentos de óptica e precisão 218.308 3,3 192.487 2,7 194.172 3,3
Produtos agrícolas 189.801 2,9 169.546 2,4 155.567 2,6
Matérias têxteis 168.809 2,6 158.260 2,2 117.122 2,0
Pastas celulósicas e papel 112.941 1,7 102.245 1,4 89.419 1,5
Combustíveis minerais 119.096 1,8 24.805 0,3 60.653 1,0 Vestuário 56.003 0,8 63.394 0,9 52.452 0,9 Minerais e minérios 55.035 0,8 40.340 0,6 34.091 0,6 Calçado 30.182 0,5 42.602 0,6 31.680 0,5 Madeira e cortiça 27.273 0,4 36.154 0,5 28.314 0,5 Peles e couros 32.784 0,5 30.549 0,4 20.789 0,4 Outros produtos 176.616 2,7 157.088 2,2 154.518 2,6 Valores confidenciais 28.038 0,4 36.360 0,5 34.170 0,6 Total 6.607.078 100,0 7.096.852 100,0 5.935.821 100,0 Fonte: INE
Notas: Os dados de 2006 e 2007 encontram-se corrigidos dos valores confidenciais, correspondentes às operações abrangidas pela lei do segredo estatístico. Por esta razão, poderá haver discrepância, para aqueles períodos, entre estes totais e os da balança comercial.
3.2 Serviços
Em 2009, a Alemanha posicionou-se como 4º mercado cliente dos serviços portugueses, tendo absorvido 6,1% das vendas totais ao exterior, e 3º fornecedor de serviços ao nosso país (7,1% das importações totais de serviços).
Balança Comercial de Serviços com a Alemanha
103 EUR 2005 2006 2007 2008 2009 Evol a % Jan. 2009 Jan. 2010 Var b 10/09 Expedições 1.325.401 1.584.891 1.777.566 1.815.435 1.646.991 6,1 111.987 110.031 -1,7 Chegadas 802.739 985.686 989.005 1.133.071 1.029.442 7,1 74.763 72.400 -3,2 Saldo 522.662 599.205 788.561 682.364 617.549 -- 37.224 37.631 --Coef. Cob.% 165,1 160,8 179,7 160,2 160,0 -- 149,8 152,0 --% Exp/Total 10,8 10,8 10,5 10,2 10,1 -- -- 9,9 --% Che/Total 9,7 10,3 9,5 10,1 10,0 -- -- 9,3
--Fonte: Banco de Portugal
Notas: (a) – Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período de 2005-2009 (b) – Taxa de variação homóloga
No período de 2005-2009, a balança comercial de serviços luso-alemã foi continuamente favorável a Portugal, tendo, em consequência, do pequeno diferencial de taxas de crescimento das duas variáveis (6,1% ao ano em média para as Expedições e 7,1% para as Chegadas), a taxa de cobertura das Chegadas pelas Expedições caído de 165,1% para 160,0%.
Todavia, há que realçar que, provavelmente como reflexo do impacto negativo da crise económico-financeira mundial no intercâmbio bilateral, o valor das Expedições registou, em 2009, uma quebra de 9,3% e o das Chegadas de 9,1%, interrompendo uma evolução continuamente ascendente até então das duas componentes da balança de serviços.
Verifica-se que os principais serviços expedidos foram, em 2009: viagens e turismo (45,7%); evidenciando o interesse do turismo alemão em Portugal; transportes (23,3%); outros serviços fornecidos por empresas (21,7%); e construção (3,3%).
Pelo lado das Chegadas, destacam-se os outros serviços fornecidos por empresas (34,0% do total), seguidos dos transportes (33,2%), viagens e turismo (17,3%) direitos de utilização (4,6%) e informação e informática (3,1%).
Em relação a período homólogo de 2009, os dados da tabela acima exposta apontam para uma quebra das taxas de crescimento das duas componentes da balança de serviços, no primeiro mês de 2010. Não obstante, em consequência de um crescimento negativo mais acentuado do lado das chegadas, tanto o saldo como a taxa de cobertura registaram uma evolução ligeiramente favorável.
3.3 Investimento
Importância da Alemanha nos Fluxos de Investimento para Portugal
2005 2006 2007 2008 2009
Posiçãoa 1ª 1ª 1ª 4ª 5ª
Portugal como receptor (IDE)
%b 16,8 15,8 19,7 15,1 13,8
Posiçãoa 16ª 11ª 14ª 9ª 6ª
Portugal como emissor (IDPE)
%b 0,5 1,2 0,8 1,9 4,1
Fonte: Banco de Portugal
Nota: (a) – Posição do mercado enquanto Origem do IDE bruto e Destino do IDPE bruto total, num conjunto de 55 mercado (b) – Com base no ID bruto
Enquanto país emissor de investimento directo estrangeiro (IDE), a Alemanha tem a máxima importância para Portugal, surgindo no 5º lugar no “ranking” de investidores em 2009. Contudo, há que realçar que, em relação a 2005, a sua posição regrediu 4 lugares, e a sua quota de mercado caiu de 16,8% para 13,8%.
Como receptor de investimento directo português (IDPE), a posição alemã testemunha um interesse crescente dos agentes económicos portugueses por este mercado, ocupando a 6ª posição no “ranking” de receptores, tendo melhorado 10 lugares o seu posicionamento em relação a 2005, e a sua quota de mercado de 0,5% em 2005 para 4,1% em 2009.
Segundo os dados disponibilizados pelo Banco de Portugal, no período de 2005-2009, o investimento bruto português na Alemanha ascendeu a 820,2 milhões de euros e, tomando em consideração o desinvestimento efectuado no montante de 361,8 milhões de euros, o investimento líquido ascendeu a 458,5 milhões de euros, o que significa que Portugal reforçou a sua posição na Alemanha no período em causa.
Há que realçar que o impacto negativo da crise económico-financeira mundial nos fluxos de investimento português em direcção da Alemanha se traduziu apenas numa desaceleração da taxa de crescimento do investimento bruto (47,2% em 2009), em relação à sua taxa média de 64,8% ao ano no período de 2005-2009, e numa aceleração da taxa de crescimento do desinvestimento (686,9% em 2009) em relação à sua taxa média de 199,3% ao ano, naquele período.
Em relação a período homólogo de 2009, os dados da tabela acima exposta apontam para uma quebra acentuada quer no investimento bruto (-98,1%), quer no desinvestimento (-62,9%) no primeiro mês de 2010, resultando daí um investimento líquido negativo, contrariando, assim, a tendência evolutiva registada no período de 2005-2009.
Investimento Directo da Alemanha em Portugal (106 EUR) 2005 2006 2007 2008 2009 Evol. a % Jan. 2009 Jan. 2010 Varb % 10/09 Investimento bruto 4.637,7 5.177,7 6.444,6 5.331,6 4.385,3 0,3 379,3 460,4 21,4 Desinvestimento 4.860,0 4.916,6 6.752,3 5.451,5 5.821,6 6,5 424,1 449,1 5,9 Investimento líquido -222,3 261,1 -307,7 -120,0 -1.436,3 -- -44,8 11,4
Fonte: Banco de Portugal
Nota: (a) – Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período de 2005-2009 (b) – Taxa de variação homóloga
Investimento Directo de Portugal na Alemanha
(103 EUR) 2005 2006 2007 2008 2009 Evol. a % Jan. 2009 Jan. 2010 Varb % 10/09 Investimento bruto 52.290 113.194 111.526 219.730 323.480 64,8 50.227 931 -98,1 Desinvestimento 36.706 16.260 44.522 28.908 235.357 199,3 17.689 6.563 -62,9 Investimento líquido 15.584 96.934 67.004 190.822 88.123 -- 32.538 -5.632
Fonte: Banco de Portugal
Nota: (a) – Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período de 2005-2009 (b) – Taxa de variação homóloga
No período de 2005-2009, o investimento bruto alemão em Portugal ascendeu a 25.977 milhões de euros, e, tomando em consideração o desinvestimento no montante de 27.802 milhões de euros, o investimento líquido elevou-se a -1.825 milhões de euros. Como resulta dos dados mencionados, a posição alemã, enquanto país emissor de IDE para Portugal, apresenta-se muito diferente se for tomado em consideração o investimento líquido em vez do investimento bruto, vindo a perder peso no mercado português.
Em relação a período homólogo de 2009, os dados da tabela acima exposta apontam para um reforço assinalável do investimento bruto (21,4%), e, face ao desinvestimento registado, um investimento líquido positivo, no primeiro mês de 2010, contrariando, assim, a tendência evolutiva registada no período de 2005-2009.
Segundo a mesma fonte, o IDE alemão, alocado em Portugal, em 2009, teve principalmente como destino os seguintes sectores de actividade: indústrias transformadoras – 67,1%; comércio por grosso e a retalho – 15,3%; imobiliário, alugueres e serviços prestados às empresas – 8,9%, etc.
Aqueles fluxos de IDE tiveram, em 2009, por suporte os seguintes tipos de operações: créditos, empréstimos e suprimentos – 92,1%; lucros reinvestidos – 4,5%, capital de empresas – 2,6%, etc.
3.4 Turismo
A Alemanha assume uma posição muito relevante enquanto país emissor de turistas para Portugal, representando, em 2009, 11,0% do número total de turistas na hotelaria global (3º lugar no “ranking” dos mercados externos), 14,2% das dormidas (2º lugar) e 10,9% do total de receitas de turistas estrangeiros (4º lugar).
No período de 2005-2009, o número de turistas alemães cresceu a uma taxa média de -0,5% ao ano e o de dormidas a uma taxa média de -3,8% ao ano, enquanto que o montante de receitas cresceu a uma taxa média de 0,2% ao ano, embora de forma acentuadamente errática, o que reflecte provavelmente uma evolução positiva da qualidade da oferta portuguesa, bem como a chegada ao nosso país de um número crescente de alemães com maior poder de compra, mas relativamente sensíveis à conjuntura económica do país de origem.
Contudo, há que realçar que a posição relativa da Alemanha, em todos os indicadores considerados, regrediu no período em análise, o que provavelmente aponta para a necessidade de uma promoção mais agressiva da oferta portuguesa naquele mercado.
Há que destacar que também no sector turístico se fizeram sentir os efeitos negativos da crise económico-financeira mundial em 2009, registando as três variáveis acima mencionadas taxas negativas de crescimento naquele ano, de 7,8%, 8,9% e 6,8%, respectivamente.
Todavia, em relação a período homólogo de 2009, as receitas aumentaram 5,3% em Janeiro de 2010, apontando, portanto, para melhores resultados no ano em curso.
Há que ter em consideração que, segundo o UNWTO Barometer, October 2009, as receitas geradas pelos turistas alemães em Portugal representavam apenas 1,3% dos gastos dos turistas alemães no estrangeiro em 2008, o que aponta para um potencial de crescimento ainda longe de esgotado.
Turismo da Alemanha em Portugal 2005 2006 2007 2008 2009 Var a % Janeiro 2009 Janeiro 2010 Turistas b 734.035 772.239 777.985 777.644 717.048 -0,5 nd nd % do total c 12,3 11,9 11,0 10,9 11,0 -- -- -- Posição d 3ª 3ª 3ª 3ª 3ª -- -- -- Dormidas b 3.898.469 3.862.780 3.851.143 3.657.516 3.333.17 5 -3,8 nd nd % do total c 16,3 15,3 14,4 14,0 14,2 -- -- -- Posição e 2ª 2ª 2ª 2ª 2ª -- -- -- Receitas b (103 EUR) 753.513 833.433 784.811 807.584 752.608 0,2 38.464 40.501 % do total c 12,2 12,5 10,6 10,9 10,9 -- 10,6 10,8 Posição e 4ª 4ª 4ª 4ª 4ª -- nd 4ª
Fonte: INE - Instituto Nacional de Estatística
Notas: (a) Média aritmética das taxas de crescimento anuais no período de 2005-2009 (b) Inclui apenas a hotelaria global
(c) Refere-se ao total de estrangeiros (d) Num conjunto de 22 mercados
(e) Num conjunto de 55 mercados seleccionados
4. Relações Internacionais e Regionais
A Alemanha é membro, entre outras, da Câmara de Comércio Internacional (CCI), do Banco Inter- -Americano de Desenvolvimento (BID), da Organização de Cooperação e de Desenvolvimento Económico (OCDE), do Banco Asiático de Desenvolvimento (BAsD), do Banco Africano de Desenvolvimento (BAfD), do Banco Europeu de Reconstrução e Desenvolvimento (BERD) e da Organização das Nações Unidas (ONU) e suas agências especializadas, de entre as quais se destaca o Banco Internacional de Reconstrução e Desenvolvimento (BIRD). Integra a Organização Mundial de Comércio (OMC) desde 1 de Janeiro de 1995.
Ao nível regional este país é membro fundador da União Europeia (UE), do Conselho da Europa e da União da Europa Ocidental (UEO).
A União Europeia é um espaço de integração económica e política que tem passado por estádios distintos de evolução. O primeiro passo foi dado com a criação da Comunidade Europeia do Carvão e do Aço (CECA), seguida da assinatura do Tratado de Roma, em 1957, que instituiu a Comunidade Europeia de Energia Atómica (CEEA) e uma área de comércio livre designada por Comunidade Económica Europeia (CEE). A aprovação, em 1987, do Acto Único Europeu formalizou a entrada em vigor a 1 de Janeiro de 1993 de um Mercado Comum Europeu, com a livre circulação de mercadorias, capitais, pessoas e serviços.
Por sua vez, o Tratado da União Europeia, ratificado em 1993, na cidade de Maastricht, aprofundou o processo de integração, ultrapassando o estádio económico para atingir o âmbito político. Os principais objectivos são: criação da União Económica e Monetária; adopção de uma Política Externa e de Segurança Comum; e cooperação nas áreas da justiça e da administração e reforço da democracia e da transparência.
Com o Tratado de Nice, assinado em 26 de Fevereiro de 2001, procurou-se enfrentar o desafio do alargamento a 12 novos países. Destes, 10 (Chipre, Eslovénia, Eslováquia, Estónia, Hungria, Letónia, Lituânia, Malta, Polónia e República Checa) aderiram à UE no dia 1 de Maio de 2004 e os restantes 2 (Bulgária e Roménia) a 1 de Janeiro de 2007.
Finalmente, a UE chegou a acordo sobre o Tratado Reformador (Tratado de Lisboa), assinado a 13 de Dezembro de 2007, que pretende melhorar a eficiência do processo de tomada de decisão, reforçar a democracia através da atribuição de um papel mais relevante ao Parlamento Europeu e aos parlamentos nacionais e aumentar a coerência a nível da política externa, com vista a dar uma resposta mais eficaz aos desafios actuais. O Tratado de Lisboa entrou em vigor a 1 de Dezembro de 2009, após a sua ratificação por todos os Estados-membros.
Actualmente a UE é composta por 27 membros, sendo que apenas 16 adoptaram a moeda única europeia (Euro) e integram a União Económica e Monetária (UEM): Alemanha; Áustria; Bélgica; Chipre; Eslovénia; Eslováquia; Espanha; Finlândia; França; Grécia; Holanda; Irlanda; Itália; Luxemburgo; Malta; e Portugal.
O Conselho da Europa, a mais antiga organização política da Europa, foi criada em 1949 com o objectivo de promover a unidade e a cooperação no espaço europeu, desempenhando um papel relevante em questões relacionadas com a defesa dos direitos do homem e a democracia parlamentar. Actualmente, o Conselho da Europa conta com 46 membros. O seu instrumento mais importante de actuação é a adopção de convenções.
A UEO tem como fim primordial promover a cooperação europeia em matéria de segurança e de defesa mútua.
5. Condições Legais de Acesso ao Mercado
5.1. Regime Geral de Importação
A Alemanha, como membro da Comunidade Europeia, faz parte integrante da União Aduaneira, caracterizada, essencialmente, pela livre circulação de mercadorias e pela adopção de uma política comercial comum relativamente a países terceiros.
O Mercado Único, instituído em 1993 entre os Estados-membros da UE, criou um grande espaço económico interno, traduzido na liberdade de circulação de bens, capitais, pessoas e serviços, tendo sido suprimidas as fronteiras internas físicas, fiscais e técnicas.
Deste modo, as mercadorias com origem na UE ou colocadas em livre prática no espaço intracomunitário, encontram-se isentas de controlos alfandegários, sem prejuízo, porém, de uma fiscalização no que respeita à respectiva qualidade e características técnicas.
A União Aduaneira implica, para além da existência de um território aduaneiro único, a adopção da mesma legislação neste domínio – Código Aduaneiro Comunitário –, bem como a aplicação de iguais imposições alfandegárias aos produtos provenientes de países terceiros – Pauta Exterior Comum (PEC).
A regra geral de livre comércio com países exteriores à UE não impede que as instâncias comunitárias determinem restrições às importações (como seja a existência de contingentes anuais), quando negociados no seio da Organização Mundial de Comércio (OMC).
A PEC baseia-se no Sistema Harmonizado de Designação e Codificação de Mercadorias, sendo os direitos de importação na sua maioria ad valorem, calculados sobre o valor CIF das mercadorias.
As importações, as vendas intracomunitárias, assim como as transacções de bens e a prestação de serviços a título oneroso, encontram-se sujeitas ao pagamento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA). A maioria dos produtos, e alguns serviços, é tributada a uma taxa de 19% (taxa normal), existindo, igualmente, uma taxa reduzida (7%) aplicável aos serviços e a bens de primeira necessidade (principalmente géneros alimentícios, produtos agrícolas e publicações).
Para além deste encargo sobre certos produtos, como o álcool, tabaco e produtos petrolíferos incidem Impostos Especiais de Consumo.
Os interessados podem consultar informação sobre os impostos e taxas no Portal da UE, na página
Taxation & Customs Union – http://ec.europa.eu/taxation_customs/taxation/gen_info/index_en.htm
5.2. Regime de Investimento Estrangeiro
O Tratado da União Europeia consagra a liberdade de circulação de capitais, de onde enforma um quadro geral do investimento estrangeiro em todo o espaço comunitário, nos limites decorrentes do princípio da subsidariedade, sem prejuízo, por isso, de instrumentos legislativos de alguns Estados-membros.
Nesta linha, o promotor externo encontra neste país um regime jurídico adaptado ao ordenamento comunitário, no sentido de uma maior liberalização do direito de estabelecimento e da livre circulação de capitais, vigorando o princípio da igualdade de tratamento, ou seja, o investidor estrangeiro e o nacional