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Avaliação da alteração cromática em diferentes espessuras de resina através do protocolo eLABor_aid

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA

Lucas Oliveira de Miranda

Avaliação da alteração cromática em diferentes espessuras de resina através do protocolo eLABor_aid

FLORIANÓPOLIS-SC 2019

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA CATARINA CENTRO DE CIÊNCIAS DA SAÚDE

CURSO DE GRADUAÇÃO EM ODONTOLOGIA

Lucas Oliveira de Miranda

Avaliação da alteração cromática em diferentes espessuras de resina através do protocolo eLABor_aid

Projeto de pesquisa para trabalho de conclusão de curso de Odontologia da Universidade Federal de Santa Catarina. Orientador: Prof. Dr. Sylvio Monteiro Junior. Coorientadora: Profa. Ms. Alana de Castro Pereira

FLORIANÓPOLIS-SC 2019

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Ficha de identificação da obra elaborada pelo autor,

através do Programa de Geração Automática da Biblioteca Universitária da UFSC.

Miranda, Lucas Oliveira de

Avaliação da alteração cromática em diferentes espessuras de resina através do protocolo eLABor_aid / Lucas Oliveira de Miranda ; orientador, Sylvio Monteiro Junior,

coorientador, Alana de Castro Pereira, 2019. 58 p.

Trabalho de Conclusão de Curso (graduação) -

Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Ciências da Saúde, Graduação em Odontologia, Florianópolis, 2019.

Inclui referências.

1. Odontologia. 2. Resina Composta. 3. Cor. 4. Luminosidade. 5. Técnica de estratificação. I. Monteiro Junior, Sylvio . II. Pereira, Alana de Castro . III. Universidade Federal de Santa Catarina. Graduação em Odontologia. IV. Título.

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Lucas Oliveira de Miranda

Avaliação da alteração cromática em diferentes espessuras de resina através do protocolo eLABor_aid

Este trabalho foi julgado adequado para obtenção do Título de “Cirurgião Dentista” e aprovado em sua forma final pelo curso de

graduação em Odontologia da UFSC.

Florianópolis, 23 de maio de 2019.

________________________ Prof. Dr. Rubens Rodrigues Filho

Coordenador do Curso

Banca Examinadora:

________________________ Prof. Dr. Sylvio Monteiro Junior.

Orientador

Universidade Federal de Santa Catarina

________________________ Prof.ª Dra. Analucia Philippi. Universidade Federal de Santa Catarina

________________________ Prof. Dr. Edson Medeiros de Araujo Junior.

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AGRADECIMENTOS

Aos meus pais Maurício Furtado de Miranda e Fabiana Oliveira de Miranda por se dedicarem tantos anos das suas vidas para minha para a minha educação e bem-estar, eu sou o reflexo do esforço de vocês em nunca desistir. Ver a força de vocês me faz querer evoluir mais a cada dia.

Ao meu irmão Leonardo Oliveira de Miranda por ser meu maior companheiro ao longo da minha vida e minha jornada acadêmica. Você me incentiva a querer ser melhor.

À minha irmã Lara Oliveira de Miranda por me preencher com seu amor e carinho, nunca me deixando esquecer que também somos sentimentos além da lógica. Me acalma e me torna mais humano.

À minha avó paterna Marly e à minha tia Isabella por me tratarem com tanta ternura, nunca esquecerei dos nossos almoços juntos e nossas conversas.

Aos meus avós maternos Tarcísio e Terezinha por zelarem por mim e me lembrarem como a vida pode ser simples.

A todos os meus companheiros de faculdade que acreditaram no meu potencial e que estiveram presentes quando precisei, em especial à minha dupla Matheus Corrêa por sempre estar ao meu lado em todos os momentos, seria impossível listar os inúmeros ensinamentos que aprendi com você todos esses anos.

Aos meus orientadores Sylvio Monteiro Junior, Analucia Philippi e Alana Pereira, sem vocês esse trabalho não seria possível. Muito obrigado por serem pacientes e por acreditarem neste projeto.

A todos os pacientes que passaram por mim ao longo da minha trajetória da graduação, vocês se dispuseram ao meu aprendizado e me ensinaram a ser um profissional melhor.

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RESUMO

Idealizando a maior precisão na escolha de cores de compósitos de resina composta para dentes naturais foi usado o protocolo estandardizado eLAB para tomada de cores L*a*b* e cálculo de ΔE00 entre incrementos de resina composta de diferentes espessuras. Foi utilizado resinas Essentia (GC) e Vittra APS (FGM) para confecção dos corpos de prova de 0,6mm e 1,2mm. Após a pesquisa in vitro foram realizadas comparações dos valores tabelados e discutido sobre o comportamento da resina composta e sua relevância clínica. Os resultados mostram diferenças significativas entre os compósitos de diferentes espessuras, alterando o valor de L* e ΔE00.

Palavras-chave: Técnica de estratificação, Resina composta, Cor, Luminosidade, Lab, Delta

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ABSTRACT

Idealizing the greater precision in the choice of composite resin composite colors for natural teeth was used the standardized eLAB protocol for L * a * b * color taking and the calculation of ΔE00 between composite resin increments of different thicknesses. Resin composite Essentia (GC) and Vittra APS (FGM) were used to make the samples of 0.6mm and 1.2mm. After the in vitro research, comparisons of the tabulated values were made and discussed on the behavior of the composites and their clinical relevance. The results show significant differences between the composites of different thicknesses, changing the value of L * and ΔE00.

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1 - Fonte de luz sendo emitida sobre o dente e vista por um observador ... 17

Figura 2 - Cores aditivas primárias ... 18

Figura 3 - Cores-pigmento opacas e Cores-pigmento translúcidas, na sequência. Cores do sistema substitutivo. ... 19

Figura 4 - Sistema de Cores de Munssel ... 19

Figura 5 - Escala de saturação do matiz laranja, onde o primeiro é o que possui mais croma, diminuindo progressivamente até o último. ... 20

Figura 6 - Foto de girassol colorido (A) comparada com uma foto do mesmo girassol sem as cores (B) podendo ser observada a diferença de luminosidade no objeto, simbolizando (V). . 21

Figura 7 - Fatias de morango cortadas ficando mais saturados a cada aumento de espessura. 22 Figura 8 - Sistema de Cores CIEL*a*b*. ... 25

Figura 9 - Foto tirada com protocolo fotográfico eLAB® durante a fase de aplicação da cerâmica em A. Foto tirada no consultório odontológico com sobreposição de imagens da prótese pronta em B. ... 27

Figura 10 - Comportamento Resinas Essentia. ... 33

Figura 11 - Técnica de estratificação recomendada com as resinas Essencia (GC). ... 33

Figura 12 - Luz sendo emitida sobre materiais com a mesma composição e luz sendo emitida sobre materiais de diferentes composições (Essentia). ... 34

Figura 13 - Mesa de trabalho para confecção dos corpos de prova. ... 37

Figura 14 - Matriz de resina acrílica de 0,6mm (A) Matriz metálica de 1,2mm (B)... 37

Figura 15 - Retirada única da resina do tubo. ... 37

Figura 16 - Acomodação da resina sobre a matriz de 0,6mm. ... 38

Figura 17 - Tira de poliester sendo acomodada sobre a matriz de resina acrílica. ... 38

Figura 18 - Primeira fotoativação sendo feita sobre a placa de vidro. ... 38

Figura 19 - Acomodação da resina composta sobre a matriz metálica de 1,2mm. ... 39

Figura 20 - Tira de poliéster sobre a resina composta e matriz metálica. ... 39

Figura 21 - Fotoativação primária sendo feita sobre a resina composta através do vidro. ... 39

Figura 22 - Foto artística dos materiais usados na pesquisa ... 40

Figura 23 - Foto dos corpos de prova sobre o cartão cinza. ... 41

Figura 24 - Equipamento fotográfico utilizado. ... 41

Figura 25 - Balanço de branco sendo feito sobre a parte central do cartão com o programa Adobe Lightroom Classic CC. ... 42

Figura 26 - Valor de L*=80 na parte central do cartão. Perfil da câmera calibrado para a câmera utilizada. ... 43

Figura 27 - Valores de L*a*b* sendo calculados no programa Classic Color Meter ... 43

Figura 28 - Valores de L*a*b* colocados no programa ΔE Calculator para gerar os valores de ΔE00 ... 44

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1 - Parâmetros para variação de cor ... 28

Tabela 2 - Grau de translucidez da resina Vittra APS com 1mm de espessura. ... 32

Tabela 3 - Distribuição dos corpos de prova ... 45

Tabela 4 - Valores de Lab* obtidos com a marca Vittra APS (FGM) ... 46

Tabela 5 - Valores de Lab* obtidos com a marca Essentia (GC) ... 47

Tabela 6 - Valores de ΔE da resina Vittra APS (FGM) 0,6mm/1,2mm ... 48

Tabela 7 - Valores de ΔE da resina Essentia (GC) 0,6mm/1,2mm ... 48

Tabela 8 - Valores de Referência ΔE00 ... 49

Tabela 9 – ΔE00 entre 0,6/1,2mm Vittra APS ... 49

Tabela 10 - ΔE00 entre 0,6/1,2mm Essentia ... 50

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LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 1 - Valor de L* para marca Vittra APS ... 46 Gráfico 2 - Valor de L* para marca Essentia ... 47

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CIE Comissão Internacional de Iluminação L* Parâmetro de Luminosidade CIELab a* Parâmetro do eixo verde-vermelho CIELab b* Parâmetro do eixo amarelo-azul CIELab

C Croma ou Saturação M Matiz V Valor ou Luminosidade nm Nanômetro μm Micrômetro mm Milímetro FMG Marca comercial GC Marca comercial

APS Sistema Avançado de Polimerização PT Parâmetro de Perceptibilidade AT Parâmetro de Aceitabilidade

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 13

2 REVISÃO DE LITERATURA ... 16

2.1 CONCEITOS SOBRE COR-LUZ ... 16

2.1.1 Aspectos físicos ... 16

2.1.2 Percepção de cor... 16

2.1.3 Aspectos fisiológicos e psicofísicos ... 17

2.2 ORGANIZAÇÃO DA COR ... 18

2.2.1 Cores Aditivas ou Subtrativas ... 18

2.2.1.1 Sistema Aditivo ... 18

2.2.1.2 Sistema Subtrativo ... 18

2.2.2 Dimensões da Cor dos dentes ... 19

2.2.2.1 Matiz ... ... 20 2.2.2.2 Croma ...20 2.2.2.3 Valor ... ... 20 2.2.2.4 Translucidez ... 21 2.2.2.5 Opalescência ... 22 2.2.2.6 Textura ... 22

2.2.3 Métodos de Seleção da Cor ... 22

2.2.3.1 Método Visual ... 22

2.2.3.2 Método Digital ... 23

2.2.3.3 Sistema L*a*b* ... 24

2.2.3.4 Método eLAB® ... 26

2.2.4 Parâmetros para avaliação visual ... 27

2.2.5 Características dos Dentes Naturais ... 28

2.2.6 Comportamentos da resina composta ... 29

2.2.7 Características das resinas compostas ... 31

2.2.7.1 Vittra APS (FGM) ... 31 2.2.7.2 Essentia (GC) ... 32 3 OBJETIVO ... 35 4 MATERIAIS E MÉTODOS ... 36 4.1 CORPOS DE PROVA ... 36 4.2 FOTOGRAFIAS ... 40

4.2.1 Protocolo fotográfico eLAB®... 41

4.2.2 Pós-processamento das imagens ... 42

5 RESULTADOS ... 45 5.1 ANÁLISE ESTATÍSTICA ... 50 6 DISCUSSÃO ... 51 7 CONCLUSÃO ... 54 REFERÊNCIAS ... 55 ANEXOS...58

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1 INTRODUÇÃO

Um dos maiores desafios da odontologia estética é o de conseguir uma cor ideal em procedimentos restauradores, tanto em próteses odontológicas, como nas restaurações com resina composta. Essa precisão é difícil de ser alcançada devido à alta complexidade que os dentes possuem, apresentando diferentes cores, texturas e características cromáticas, além possuírem um alto nível de exigência por parte dos pacientes (VANINI, L. 2010).

Restaurações em dentes anteriores com diferentes valores (luminosidade), matizes (a cor propriamente) e cromas (saturação), quando comparados com os dentes naturais adjacentes, sobressaltam aos olhos humanos (DIETSCHI, D. et al., 1994). Devido à grande atenção para esses casos no convívio e socialização dos nossos pacientes, tornam a correta tomada de cores uma necessidade psicológica e social além funcional, o que torna nosso trabalho ainda mais desafiador (SPROULL, 1974).

A interpretação das cores se dá através da emissão de uma fonte de luz sobre um objeto e essa mesma é refletida para os nossos olhos e interpretada pelo nosso cérebro (SPROULL, 1974). “Entretanto, é importante observar que a sensação da cor é um fenômeno muito mais complexo, pois além do elemento físico-luz-fisiológico-olho-um terceiro elemento, nossa consciência psicológica e cultural, se agrega, alterando substancialmente a qualidade e a percepção do que se vê.” (KINA; BRUGRERA, 2007).

Alguns fatores podem interferir nessa visualização e tomada de cores, como a limpeza do dente na hora da tomada de cores, tipo e cor das luzes que são emitidas sobre o dente (metamerismo), cores do meio ambiente que interagem com a luz principal como a coloração das paredes, do batom da paciente, roupas coloridas, fazendo com que a luz que vemos na hora de aferir a cor nem sempre seja a que desejamos em diferentes incidências de luz. (SHAMMAS; ALLA, 2012)

Os dentes humanos possuem forma, cor e textura inata. Quando recém erupcionados possuem características de dentes mais opacos, mamelos e halos opacos incisais bem definidos e uma cor leitosa. Com o avanço da idade, os elementos dentais possuem uma tendência natural de terem uma diminuição do seu bordo incisal, na sua espessura e textura de superfície, transformando os mesmos mais translúcidos e seu valor alterado para tons acinzentados de coloração levemente arroxeados. (BARATIERI; ARAUJO; MONTEIRO, 2007)

Outras características únicas em cada elemento dental além da cor, como a translucidez, fluorescência, opalescência, contra opalescência e a textura de superfície, fazem com que restaurações anteriores não possam ser realizadas em incrementos de cor única na maioria das

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vezes, dificultando ainda mais o desafio do cirurgião dentista que não consegue ter uma previsão exata do seu resultado final por necessitar de incrementos de tamanhos variados e cores diferentes para catecterizar o dente (VANINI, L.; MANGANI, F.) e a variação da espessura destes incrementos altera o comportamento da sua cor (MIOTTI, L. et al., 2016); (BETRISEY, E. et al.,2016) ;(VICHI, A. et al., 2007). Os métodos usuais aos cirurgiões dentistas e alunos, como a escala de cores padronizada (ex. Vita System 3D-Master, Vita Classical) nem sempre são fiéis à cor que desejamos alcançar, por isso devemos adotar novas estratégias para obter o resultado desejado (BROWNING, W. D. et al.) (GURREA, J. et al., 2006).

Outros métodos como incrementos de resina sobre os dentes ou até mesmo adivinhações, também não nos permitem ter uma perfeita previsibilidade do caso para restaurações anteriores. Para isso, novos métodos têm sido lançados para nos auxiliar, como é o caso dos espectrofotômetros (padrão ouro). Contudo, este último ainda é um mecanismo de valor muito elevado e com seu tempo de vida limitado. (STEVENSON, 1974)

Comumente temos a tendência a seguir com nossos vícios e padrões de percepção de cores. Por isso é importante lembrar que a percepção humana é diferente para cada um, fazendo com que se torne cada vez mais fácil divergir nas interpretações. Além de que nem todos os olhos são capazes de interpretar com precisão todas essas nuâncias dos dentes naturais.

O método de aferição de cor através do protocolo eLAB, idealizado por Hein et. al. 2017, tem como objetivo principal facilitar a tomada de cores de dentes e restaurações dentárias, aumentando a previsibilidade dos casos de reabilitações anteriores e isolando o fator variável humano de interpretação e transformando em valores quantitativos capazes de serem computados.

Inicialmente o protocolo procurava facilitar a comunicação do dentista com os técnicos em próteses dentárias, responsáveis por realizar a confecção de próteses cerâmicas em casos de reabilitações anteriores, cabendo a eles muitas vezes a responsabilidade de escolher a cor idealizada pelo dentista e paciente sem nunca ter visto o caso pessoalmente. (HEIN; TAPIA; BAZOS, 2017)

Para isso, bastaria uma padronização fotográfica dos dentes do paciente e do mesmo modo esse padrão seria adotado para a fotografia das restaurações protéticas, possibilitando com que não haja a distorção das cores reais dos dentes e próteses. Esta distorção normalmente ocorre porque as fotos são capturadas no consultório com uma câmera, com suas características específicas (distorção de lentes, variação da captura da luz, balanços de branco, nitidez e incidência do flash) e outra completamente diferente no laboratório.

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Algumas vezes a foto é recebida apenas com o dente natural e a escala de cores do lado, e em casos reabilitações parciais com cerâmica e preservação dos dentes naturais adjacentes, é extremamente duro reproduzir o multicromatismo similar a estrutura natural com uma escala de cor única.

Este trabalho busca o pioneirismo do protocolo eLAB com resina composta, facilitando o aprendizado dos alunos na interpretação de cores destes compósitos e após, o aprimoramento do protocolo, adotado na clínica odontológicas diárias. Para que se possa confeccionar uma restauração de qualidade, devemos pesquisar as possíveis limitações do método a ser estudado.

O principal objetivo é realizar o tabelamento das cores em diferentes incrementos. Utilizando as técnicas incrementais em restaurações anteriores dificilmente encontramos incrementos homogêneos em tamanho. Com o tabelamento de cores nas diferentes situações clínicas nos possibilitará a adoção de um protocolo que minimize os imprevistos na tomada de cores.

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2 REVISÃO DE LITERATURA

Em toda a vasta literatura, se encontram diversas causas para erros durante a tomada de cores em restaurações. Foram mostrados que existem algumas variáveis que são controláveis na hora de repor uma estrutura dental perdida, contudo, algumas vão além da percepção visual do dentista e necessitam da dedicação pelo conhecimento.

2.1 CONCEITOS SOBRE COR-LUZ

2.1.1 Aspectos físicos

Segundo Mohammed Shammas (2011) a luz é apenas uma pequena parte das ondas eletromagnéticas que estão em todo lugar, sendo que a luz branca, que é a onda percebida pelo olho humano está entre 380nm e 780nm.

Isaac Newton descreveu em 1676 que se separarmos esta luz branca em um prisma, exemplificada como a luz do sol por ele, essa luz é refratada em todas as cores do espectro. Mostrando assim que quando uma luz incide sobre um objeto, a cor visualizada é aquela de comprimento de onda não absorvida, a qual é refletida ao olho humano. Se toda a luz que incide sobre o objeto é refletida, o mesmo parece branco, mas quando ela é toda absorvida, o mesmo é definido como preto pela ausência de cor que volta ao olho humano.

2.1.2 Percepção de cor

Robert C. Sproull (1974) afirma que a percepção da cor se dá através de fenômenos objetivos e subjetivos e são resultados da resposta do olho e do cérebro a estes estímulos eletromagnéticos. Dentre os vários fatores envolvidos ele cita uma tríade: a fonte de luz, a superfície visualizada e o observador. Uma fonte incide uma luz (refletor) sobre o objeto (dente) e o mesmo reflete a luz e cor refletida a um observador.

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Figura 1 - Fonte de luz sendo emitida sobre o dente e vista por um observador

Fonte: (SPROULL, 1974)

Existem dois tipos de fotorreceptores que recebem os estímulos da luz e enviam a informação para o córtex cerebral, são eles os cones e os bastonetes. 120 milhões de bastonetes se encontram na retina, trabalhando para o ajuste de luminosidade, percepção de luz e movimento, assim como ajudam em situações de escuridão. Já os cones (em torno de 6 milhões) são as células sensíveis à cor, sendo que estes possuem 3 tipos de células, cada uma sensível a um comprimento de onda: curto, médio e longo (verde, azul e vermelho, respectivamente), Mohammed Shamas (2011).

2.1.3 Aspectos fisiológicos e psicofísicos

Sidney Kina (2007) reforça a ideia de que a cor não tem existência material e que para que possamos percebe-la necessitamos de dois elementos: a luz que é o elemento físico que age sobre um receptor: o olho, que através dos receptores fotossensíveis e toda as organizações nervosas, decodifica essa informação fisiologicamente.

Israel Pedrosa (1982) adiciona um terceiro elemento psicológico e cultural quando ele dá o exemplo de um lençol branco, que quando observado pelo olho humano sobre diferentes incidências de luz (incandescente amarela, violácea de mercúrio) continua sempre nos parecendo branco quando ele na verdade possui a mesma cor das suas fontes de luz. Reforçando a ideia que não nos atentamos a diferença de coloração do lençol por uma codificação do nosso cérebro em incorporar a cor natural a esses objetos.

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2.2 ORGANIZAÇÃO DA COR

2.2.1 Cores Aditivas ou Subtrativas

Existirem dois tipos de sistema de cores, os aditivos e os subtrativos. Estes sistemas são dependentes de como a cor é transmitida.

Sistema Aditivo

São aquelas geralmente associadas às fontes de luz, como a luz solar, as televisões e computadores. As cores primárias aditivas são: vermelho, azul e verde, enquanto as secundárias são: ciano, amarelo e magenta. Cores aditivas quando combinadas produzem branco.

Figura 2 - Cores aditivas primárias

Fonte: Elaborado pelo autor

Sistema Subtrativo

Se referem aquelas associadas com a reflexão de luz e fazem uso de pigmentos para obtenção da sua cor, como são os exemplos das tintas, tecidos, corantes. Estas podem ser empregadas como cores-pigmento opacas (usadas em pintura natural), quanto cores-pigmento translúcidas (usadas em impressões em papel, algo como tinta das canetas hidrográficas). As primeiras citadas possuem azul, vermelho e amarelo como cores primárias e destas obtidas as demais. Já os translúcidas, tem ciano, magenta e amarelo como cores primárias.

Esse sistema em questão é o mesmo que nos rege diariamente durante nossa rotina clínica diária. Resina composta, cerâmica, entre outros materiais, usam de pigmento para sua obtenção da coloração, por esse motivo, quanto mais sobreposições de incrementos ou massas, são mais misturas de pigmentos e consequentemente maior escurecimento da restauração (FONDRIEST, James, 2003). Devido a inúmeros fatores, a translucidez e os pigmentos usados

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nos materiais são alguns dos motivos de rotineiramente nos depararmos com restaurações acinzentadas, exemplificadas na figura 2.

Figura 3 - Cores-pigmento opacas e Cores-pigmento translúcidas, na sequência. Cores do sistema substitutivo.

Fonte: Elaborado pelo autor

2.2.2 Dimensões da Cor dos dentes

Para que possamos nos comunicar e descrever a cor que enxergamos precisamos estabelecer referências para que se tenha um entendimento. Ao longo do tempo foram adotados alguns métodos para descrever a cor e o que vem sido mais adotado atualmente é a teoria descrita pelo artista americano Albert Henry Munsell em 1898. O Sistema de Cores de Munssel propõe uma visualização tridimensional de um objeto onde cada eixo seria referente a uma das dimensões das cores, sendo elas: matiz, croma e valor.

Figura 4 - Sistema de Cores de Munssel

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Matiz

É a cor propriamente dita. Distingue uma família de cor para a outra. É uma ideía mais genérica, como exemplo pode-se falar: azul, verde, vermelho, rosa. Na clínica diária encontramos a distinção do matiz na escala de cores Lumin Vacuum (Vita) pela referência das letras de cada cor, como A (marrom), B (amarelo), C (cinza) e D (rosa).

Croma

Refere-se a saturação da cor. É o grau de pureza de um determinado matiz, em particular ou a quantidade de pigmento que esta possui. Em um exemplo temos o matiz laranja seguido por tons menos saturados, apresentando menos croma progressivamente.

Figura 5 - Escala de saturação do matiz laranja, onde o primeiro é o que possui mais croma, diminuindo progressivamente até o último.

Fonte: Elaborado pelo autor

Na escala de cores Lumin Vacuum (Vita) o croma está descrito nos números subsequentes das letras na escala de cores, onde A1 seria aquele com menos saturação e o A4 o mais saturado, o mesmo serve para os matizes, B, C e D.

Valor

O valor também é conhecido como o nível de brilho ou luminosidade em uma cor. Ela é uma variável acromática e definida por Munssel como a dispersão que vai do branco até o preto. É o que permite saber se a cor é clara ou escura e apesar de ser uma das dimensões mais difíceis de serem compreendidas, é uma das mais importantes. GÓMEZ‐POLO et al em 2017 mostrou que humanos são mais sensíveis ao brilho do que a mudança de croma. Por este fato, deve-se considerar a reorganização das escalas de cores de acordo com o seu valor em ordem decrescente, já que devemos priorizar o mesmo durante a tomada de cores.

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Pode-se notar a luminosidade dos corpos quando transformam uma foto do objeto em questão em preto e branco. Quando fazem isso, nos atentamos mais para os tons de cinzas que um objeto constantemente reflete aos nossos olhos.

Figura 6 - Foto de girassol colorido (A) comparada com uma foto do mesmo girassol sem as cores (B) podendo ser observada a diferença de luminosidade no objeto, simbolizando (V).

A B

Fonte: https://pt.wikipedia.org/wiki/Girassol

Translucidez

Segundo alguns autores como Kina; Bruguera, 2007, a translucidez pode simbolizar a quarta dimensão de cor importante em um dente. É descrita como a capacidade de um objeto de permitir a passagem de luz. A translucidez é um intermediário entre a passagem total de luz (transparência) e objetos com nenhuma passagem de luz (opaca). Ele se mostra presente em diversas estruturas dos dentes naturais, principalmente no esmalte dentário. Baratieri et. al cita em 2007 que pessoas mais velhas possuem essa propriedade aumentada devido a redução da camada superficial de esmalte e a maior deposição de material mineral na estrutura do dente. Assim como nosso dente natural, as resinas compostas também possuem translucidez, sendo que nas resinas destinas para a reprodução do esmalte essa propriedade é maior que nas resinas de dentina que são mais opacas. Segundo Kina; Bruguera, 2007, corpos translúcidos, como o complexo esmalte/dentina e os corpos de resina, tem sua intensidade do croma aumenta à medida que suas espessuras também. Isto ocorre, pois, corpos mais translúcidos sofrem mais modificações cromáticas com as diferentes espessuras (KAMISHIMA; IKEDA; SANO, 2005).

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Figura 7 - Fatias de morango cortadas ficando mais saturados a cada aumento de espessura.

Fonte: (KINA; BRUGRERA, 2007).

Da mesma forma na estrutura dental, na região cervical onde o dente apresenta mais estrutura, ele apresenta-se mais saturado, ao contrário da incisal, mais fina e menos saturada.

Opalescência

É a expressão violácea nos dentes naturais que se mostram presentes no terço incisal. Por ser uma região que possui uma área maior de esmalte e consequentemente mais cristais de hidroxiapatita ela expressa uma cor azulada quando recebe uma luz direta com um fundo escurecido (fundo da boca) e uma cor alaranjada sobre um fundo claro (dentina abaixo do esmalte), esta segunda também chamada de contra opalescência.

Textura

Um objeto tem sua percepção de cor alterada devido a textura superficial. Quando mais luz é incidida através de um corpo texturizado faz com que aumente a reflecção de luz e menor transmissão da luz através dele, e objetos com capacidade de transmissão de luz quando aumentam essa transmissão faz com que mais luz chegue até os olhos do observador e passe a sensação de um objeto mais luminoso.

2.2.3 Métodos de Seleção da Cor

Método Visual

Algumas medidas devem ser priorizadas antes de qual escolha do método visual deve ser adotada. Brian Stevenson (2009) cita um fluxograma que deve ser seguido para não ter erros durante a tomada de cores como: momento da tomada de cores durante a consulta, cores do ambiente, posição do paciente-observador, prioridade para o brilho (valor) na escala, canino

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como base para matiz, condições diferentes de luz e de hidratação do dente, completa visualização do dente, terços do dente e magnificação.

Nos dias atuais são diversos os métodos capazes de comunicar as cores do material restaurador. Restaurações diretas e indiretas são comumente usadas as escalas de cores Vita Classical, como citada por Brian Stevenson (2009). Esta é separada de acordo com o seu matiz (A até o D) e grupo de acordo com seu valor numérico (1 até 4). Geralmente o valor aumenta à medida que aumenta o croma. Além desta, outro sistema utilizado é o Vita 3D-Master, a qual é separada em cinco grupos de acordo com sua luminosidade (valor) e cada grupo é arranjado de acordo com a seu matiz e croma. Muito comumente, cirurgiões dentistas criam tabelas de cores de acordo com a marca que mais trabalham no consultório para diminuir a chance de variação entre a escala de cores e a cor real da resina.

Brian Stevenson (2009) ressalta o fato de que nossos receptores de luz não serem precisos em todos os casos de seleção de cores. Além da constante visualização de cores necessitar de um descanso para voltar a exercer sua função com normalidade, existem outras variáveis que dificultam o trabalho quando feito exclusivamente pelo olho humano, como as deficiências visuais, a percepção subjetiva da cor, assim como a consciência psicológica e cultural citada por Israel Pedrosa (1982), que faz com que o cirurgião-dentista adquira vícios durante a seleção de cores.

Outro fenômeno óptico muito comum de acontecer na tomada de cores é o metamerismo. Este por sua vez é um processo de reflexão de luz onde um objeto vai emitir uma certa cor sobre uma determinada luz e uma diferente sobre outra. James Fondriest (2004) descreve como a característica de uma restauração ser a escolha correta em uma luz (sobre incidência da luz do refletor por exemplo) mas possuir outra exibição sobre outra fonte de luz (luz natural). Para diminuir essa possibilidade de variação, deve-se trabalhar com materiais com curvas espectrais similares às dos dentes naturais e exibir o ensaio restaurador sob diferentes fontes de luz para diminuir a possibilidade de erros.

Como mostrado por diversos autores, a tomada de cores de forma visual possibilita diversos erros em sua seleção. Para isso, métodos computativos vem sido introduzidos para que haja uma diminuição dos erros ligadas a fatores inerentes ao ser humano.

Método Digital

Atualmente, tem aumentado significativamente a necessidade de estudos odontológicos na área de cor na odontologia. Em uma pesquisa rápida em uma das bases de dados mundiais

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Pubmed, encontramos 470 artigos publicados em 2018 relacionados à “color” e “dentistry”, ao contrário dos anos anteriores, onde tínhamos 30 artigos por ano sendo publicados nos anos de 1970, 60 nos anos de 1980, 110 em 1990s, 200 em 2000, mais de 350 artigos por ano entre 2010 até 2017, como mostra Paravina et al. em 2019. Diversos métodos tem sido empregados para descobrir qual é a melhor maneira de achar a cor perfeita para uma restauração em um dente. Cirurgiões dentistas e técnicos em próteses dentárias tentam usar diversos métodos para obter essa exatidão sobre um objetivo muito variável.

Muitas foram as tentativas de protocolar a técnica exata ou o sistema perfeito para alcançar o dente artificial mais natural possível. Como mostra Stephen J. Chu, 2010 em sua pesquisa, existem 5 programas digitais mais usados para cor em odontologia, dentre eles então espectrofotômetros, colorímetros e câmeras digitais. Apesar de serem muito precisos, nenhum deles é capaz de substituir a capacidade do olho humano em reproduzir os detalhes do dente como seu multicromatismo, translucidez, transições de cores, entre outras. Por esse motivo, além dos preços destes programas no mercado atual, eles não têm sido muito utilizados na clínica diária atual, e sim nas pesquisas onde temos cores e formas pouco variáveis, como neste presente estudo.

Espectrofotômetros e colorímetros são ambos equipamentos para medição de cor. O processamento dos dados fornecidos a esses equipamentos se dá através de uma fonte de luz refletida sobre um determinado objeto (dente) e captada por sensores que recebem esse comprimento de onda e processam a informação em coordenadas CIELAB, que são basicamente as dimensões digitais de cor que serão melhores explicadas posteriormente. Da mesma forma as câmeras digitais tem essa capacidade de captar a luz e transformar em dados digitais, contudo, eles apenas poderão fornecer os valores de L*a*b* após passarem por softwares de computadores capazes de fazer esse gerenciamento de cores.

Sistema L*a*b*

Este método foi criado em 1986 pela CIE com o intuito de criar um espaço de cores uniforme e preciso, tomando como base o sistema proposto por Munsell, que já mostramos ser divididos em 3 dimensões de aparência: matiz (M), croma (C) e valor (V). O valor de L* no sistema de cores CIELAB mensura a luz e correlaciona ao valor (V), a* e b* correlacionam o croma (C) com a distância radial entre as duas coordenadas neste mapa, onde a* é a coordenada vermelho/verde e b* amarelo/azul.

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Figura 8 - Sistema de Cores CIEL*a*b*.

Fonte: Elaborado pelo autor

Mesmo que duas cores pareçam iguais, pode ser tirada a prova real através de instrumentos de medição de cor. A diferença de cores é definida pela comparação numérica e expressadas pelo variável delta (Δ), onde ΔL* expressa a diferença entre claro e escuro, Δa* a diferença entre vermelho e verde, Δb* diferença entre amarelo e azul e ΔE a diferença total de cor. Esta última, muito importante por expressar a percepção real da diferença de cor pode ser descrita através da fórmula ∆E= ((L1*-L2*)2+(a1*-a2*)2+(b1*-b2*)2)0.5.

Tem-se estudado constantemente o conceito sobre diferença de cores na literatura, contudo, ainda existe uma dificuldade em definir qual a formula mais precisa para calcular se a diferença entre duas cores podem ser ou não percebidas e/ou aceitas. Classicamente se tinha como padrão a fórmula CIELAB (∆E*ab), mas em 2001 a Comissão Internacional de Iluminação (CIE) recomendou o uso da formula CIEDE2000 (∆E00) como parâmetro em comparação de cor. Gómez‐Polo et al. em seu estudo em 2017 com gengiva artificial mostra haver similaridade entre as fórmula CIELAB e CIEDE2000, e ainda no mesmo ano Miotti et al., 2016 recomenda a segunda formula para calcular a diferença de cores entre materiais dentários. Então apesar de a literatura ter encontrado resultados similares entre as duas formula, CIEDE2000 tem sido a recomendada pela CIE, por este motivo será a formula de escolha deste presente estudo.

O olho humano possui mais bastonetes (receptores do brilho) do que cones (receptores de cor), então os seres humanos são mais sensíveis ao brilho (coordenada L*) do que a mudança de croma (coordenada a* e b*) como mostra Gómez‐Polo et al. em 2017 e abordado anteriormente neste trabalho.

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Sampaio et al. no seu estudo no ano de 2018 em uma comparação entre 6 diferentes métodos fotográficos para obtenção do valor de ∆E mostrou que fotos tiradas com filtro polarizador e cartão de balanços de branco obtinham cores mais fiéis e consequentemente mais precisão na obtenção dos valores de L*a*b*.

Dentre os diversos estudos para calcular os valores de L*a*b*, a grande maioria utiliza fundos pretos ou brancos para tomada de cores, contudo este presente estudo deseja conhecer apenas o comportamento da resina composta individualmente, irrelevando a sua relação direta com os dentes ou cavidade oral e para isso foi adotado uma cor neutra para que a mesma não sofresse com as interferências cromáticas do meio (POWERS, John M.; DENNISON, Joseph B.; LEPEAK, Patrick J.) (LEE, Y. K.,2007). Por estes motivos, foi optado pelo uso protocolo fotográfico eLAB® para calcular a percepção e aceitação sobre a diferença de cores entre corpos de resina composta.

Método eLAB®

É um protocolo fotográfico publicado por Hein et al. 2017 com o intuito de melhorar e facilitar a comunicação entre os cirurgiões-dentistas e os técnicos em próteses dentárias na interpretação e precisão de cores de restaurações indiretas. Para isto, bastaria uma câmera fotográfica DSLR, lente macro e flashes para câmera (comumente encontrados nos consultórios), um cartão de balanço de brancos (white_balance® gray reference card for dental photography), um filtro polarizador padronizado (Polar_eyes®) e um software (Lightroom Classic CC®). Com uma foto padronizada, possibilitaria uma cor final fiel a real, além de permitir a sobreposição das imagens para criar uma previsão final do caso no laboratório sem a necessidade de levar o trabalho até o consultório. A tomada de cores não é alterada negativamente pelo uso de filtro polarizador (CLARY, J. A. et al, 2018).

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Figura 9 - Foto tirada com protocolo fotográfico eLAB® durante a fase de aplicação da cerâmica em A. Foto tirada no consultório odontológico com sobreposição de imagens da prótese pronta em B.

A B

Fonte: (HEIN; TAPIA; BAZOS, 2017)

Este protocolo é capaz de gerar como resultado o valor de L*a*b*, o que faz com que se tenha numericamente a cor exata do dente e material restaurador a ser trabalhado. Como mostrado anteriormente, após gerado o valor de L*a*b* de dois objetos e calculado matematicamente podemos gerar o valor de ΔE00 que é capaz de interpretar a diferença de coloração entre si.

2.2.4 Parâmetros para avaliação visual

Com o objetivo de encontrar o melhor parâmetro para a variação de cor em Odontologia, Paravina et al. realizou uma revisão em 2019 sobre as fórmulas usadas ao longo de 30 anos e apontou CIEDE2000 como a superior. Em seu estudo ele mostra perceptibilidade (PT) e aceitabilidade (AT) como parâmetros para interpretar se a diferença de cores entre dois objetos são ou não notadas e aponta quais os valores de ΔE00 teriam a capacidade de não serem percebidos em uma comparação (ΔE00 ≤0.8) e quais seriam uma diferença de cores aceitáveis (ΔE00 >0.8, ≤1.8). Ele interpreta os parâmetros e separa eles em 5 grupos: combinação perfeita, combinação aceitável, combinação incompatível tipo A, combinação incompatível tipo B e combinação incompatível tipo C. Para facilitar a interpretação dos resultados deste estudo foi separado em apenas 3 grupos da seguinte maneira:

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Tabela 1 - Parâmetros para variação de cor

Parâmetro Interpretação ΔE00

≤PT Combinação Perfeita ≤0.8 >PT, ≤AT Combinação Aceitável >0.8, ≤1.8 >AT Combinação Incompatível >1.8

Fonte: (PARAVINA et al., 2015)

2.2.5 Características dos Dentes Naturais

A natureza é capaz de criar um espetáculo de cores na dentição humana. O dente natural possui diversas propriedades de cores características e únicas e variáveis para cada paciente. Já citamos neste trabalho as dimensões de cores dos dentes (Capítulo 2.2.2) como opalescência, valor, croma, dentre outras que são imprescindíveis para conseguir mimetizar todos os detalhes dessa arte natural, que são os dentes humanos.

Como mostra Baratieri et al. em seu estudo em 2007, essas propriedades dos dentes mostram-se características e previsíveis de acordo com o envelhecimento dos dentes. Os pacientes possuem uma cor própria dos dentes quando recém erupcionados e a mesma vai se alterando constantemente até no final da vida do indivíduo. Durante a fase da infância os dentes nascem naturalmente mais claros (maior valor), mais opacos e menos saturados, mas com o passar do tempo por desgaste e mineralização da estrutura do esmalte, deposição de dentina secundária e redução do tamanho da câmara pulpar, essas propriedades dos dentes se invertem e encontramos dentes mais saturados, translúcidos e escurecidos. Outro fator importante a ser levado em consideração é a alteração do matiz dos dentes ao longo do tempo, dentes inicialmente a sua maturação possuem coloração azulada e com o passar do tempo começam a adquirir cores acinzentadas e arroxeadas.

Quando começamos a entender a translucidez e opacidade de toda a estrutura do dente natural, é mais fácil entender o comportamento de suas estruturas e tentar imitar essas propriedades. É importante entender que em uma visão simplificada do da arquitetura do dente,

a dentina é a cor do dente e o esmalte o modificador dessa cor. O esmalte dentário permite

passagem de luz (translucidez) de 70,1% da luz, já a dentina apenas 50,6%. (NAHSAN, F. P. S. et al., 2012).

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O esmalte dentário, por ser uma estrutura muito translúcida, tem a capacidade de modificar os aspectos cromáticos do dente através dos fenômenos de reflexão regular, absorção e dispersão da luz, transmissão/refração e reflexão difusa da luz nas diferentes espessuras e texturas de superfície. (LEE, Y. K. et al., 2007). Não somente, o esmalte dentário também tem a capacidade de atenuar as cores das estruturas subjacentes, modificando a cor final do dente em comparação a cor somente da dentina.

Estes fenômenos de dispersão de luz estão fortemente relacionados aos cristais de hidroxiapatita. Eimar H et al. (2011) mostram em seu estudo que diferentes raios e comprimentos nos cristais não influenciam grandes mudanças na dispersão de luz, mas sim pela quantidade de cristais. Nos estudos ele cita casos em que dentes com cristais de hidroxiapatita menores apresentam maiores quantidades de cristais o que resulta em uma maior luminosidade do dente. Sendo assim, os tamanhos dos cristais (matéria orgânica) pouco importam para a cor final do dente, mas sim a variação de matéria mineral e o tamanho e grau de carbonização dos cristais.

Já a dentina é uma estrutura menos mineralizada e rica em matéria orgânica como colágeno. Apresenta em sua estrutura túbulos dentinários que se estendem em todo o corpo da dentina, que por sua vez possuem um formato cilíndrico e apresentam-se mais numerosos e espessos próximos à câmara pulpar e mais delgados próximos a junção amelo-dentinária. Eles apresentam pouca translucidez e determina a cor do dente com suas variações de matiz e croma.

2.2.6 Comportamentos da resina composta

Nos dias atuais, casos estéticos em dentes anteriores podem ser solucionados de forma indireta e diretamente no dente do paciente. A confecção de restaurações diretas de resina composta tem diversas vantagens como não precisar incluir os custos gerais do laboratório no valor final para o paciente, além da praticidade e conservadorismo da estrutura dental em diversos casos e isso faz com que ela seja uma das soluções mais utilizados nas clínicas atuais. Para entender como gerar um resultado satisfatório para o cirurgião dentista e para o paciente é necessário conhecer o material que se trabalha para que aquilo que seja planejada consiga ser o executado.

As resinas compostas são materiais restauradores que são constituídos basicamente em sua estrutura de matriz orgânica, carga inorgânica, pigmentos e opacificadores, agentes de união e um sistema iniciador-acelerador. Ela possui diversas classificações, e uma delas mais relevante para este trabalho é quanto ao tamanho das suas partículas. Elas podem ser

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classificadas como macroparticuladas (>15μm), microparticuladas (0,01 a 0,1μm), híbridas (0,4 a 1μm), nanoparticuladas (0.02 e 0.07μm) e atualmente estão surgindo no mercado as nanohíbridas.

O entendimento dos fenômenos físicos e ópticos da luz são de extrema importância para entender o funcionamento das resinas compostas. A luz ao encontrar a superfície da resina composta, assim como o dente natural tem propriedades ser absorvida refletido ou refratada sendo que estas duas últimas podem ocorrer de forma regular ou difusa. A refração da luz acontece quando uma luz é incidida sobre um objeto atravessa o mesmo desviando a direção da luz entre esse objeto; o índice de refração está relacionado com a velocidade da luz no vácuo com a velocidade de propagação da luz no meio em questão. (VILLARROEL, M. et al., 2011) falam que ao trabalharmos com substâncias translúcidas o índice de refração do material está diretamente ligado à alteração da sua espessura e da mesma forma, o material mais espesso será o menos translúcido, consequentemente faz com que a luz incidida sobre o objeto desvie seu caminho e seja mais dispersada pela ação das partículas.

Buscando uma proximidade com a estrutura real do dente, as resinas de esmalte comumente apresentam mais translucidez e opalescência enquanto as de dentina são mais opacas. As marcar comerciais geralmente trabalham com quatro grupos de resinas compostas de esmalte dependendo a sua translucidez e função na restauração. Podendo ser elas: resinas de esmalte, resinas de dentina, resinas de valor e resinas de efeito.

Diversas são as técnicas utilizadas para conseguir restaurar uma estrutura dental perdida com naturalidade. Lorenzo Vanini propôs em 2010 uma técnica de estratificação de resina em que ele citava 5 dimensões de cor que deveriam ser tomadas como referência nos dentes naturais para realizar uma restauração. Estas e outras técnicas onde se usam sobreposições de camadas de resina composta de diferentes tamanhos e tipos de incrementos vem sido amplamente utilizadas na odontologia restauradora atual devido a sua capacidade de mimetizar com precisão todos os detalhes do dente natural, além de reduzir a contração volumétrica das restaurações sobre as estruturas dentárias, causando um menor estrese a estrutura dentária e melhor polimerização da resina.

Para escolher a melhor resina a ser utilizada deve-se usar em consideração fatores como a estabilidade de cor, índice de refração da luz sobre o objeto, tamanho da partícula e translucidez do material. Em nossa realidade observamos os dentes de vários ângulos e a luz que reflete sobre ele vem de diferentes fontes de iluminação, para isso necessitamos que a resina composta se comporte bem sobre essas diferentes situações como luz direta, luz refletida, luz polarizada e fluorescência.

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Diversas empresas de resina composta têm buscado melhorar sua qualidade de material para que se tenham melhores propriedades ópticas, como sua translucidez, brilho, estabilidade de cor, além das suas capacidades de resistência, polimento e manuseio. Para isso, novos produtos surgem no mercado odontológico diariamente com o intuito de diminuir as chances de haver incompatibilidade cromática. Como são os casos das resinas Vittra APS da marca comercial FGM e Essentia da GC.

2.2.7 Características das resinas compostas

Vittra APS (FGM)

É uma resina composta nanoparticulada (0,2μm) de alta estética indicada para restaurações de todas as classes em dentes anteriores e posteriores. Apresenta o sistema de fotopolimerização APS (Advanced Polymerization System) que é capaz de aumentar a profundidade de cura, grau de conversão e tempo de trabalho sob luz do refletor além da mínima alteração visual de cor antes/ após fotopolimerização.

“O conceito de cores da resina Vittra APS tem o objetivo de organizar e simplificar toda a evolução das resinas compostas. Com um número de cores reduzido, porém consistente, Vittra APS disponibiliza as cores mais utilizadas em restaurações, sejam elas simples ou complexas” (FGM®, 2017).

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Tabela 2 - Grau de translucidez da resina Vittra APS com 1mm de espessura.

Fonte: (FGM®, 2017)

Essentia (GC)

É uma resina composta micro hibrida que promete trazer um sistema simplificado e uma fácil, porém efetiva, produção de restaurações com apenas 7 seringas. Essentia é baseada no conceito “duas camadas” de emulação do dente natural, graças a combinação de uma dentina e um esmalte.

Eles propõem como espessura de resinas compostas de esmalte no mesmo tamanho do dente natural. Baseado no processo de envelhecimento natural do dente, ele separa os dentes anteriores em 4 fases (Clareado/ Criança, Jovem, Adulto, Idoso) e dependendo da idade do paciente ele escolhe uma sequência de estratificação com duas seringas apenas para reproduzir, como mostrado:

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Figura 10 - Comportamento Resinas Essentia.

Fonte: (PEUMANS, Marleen; TAPIA, Javier, 2019)

Figura 11 - Técnica de estratificação recomendada com as resinas Essencia (GC).

Fonte: (PEUMANS, Marleen; TAPIA, Javier, 2019)

A resinas de dentina e universais apresentam-se em partículas micro híbridas e um otimizado índice de refração. As resinas de esmalte apresentam uma mistura de partículas ultrafinas em sua composição além de translucidez e um pouco de opalescência.

Foi proposto uma nova linha de raciocínio para estes compósitos: a maioria das resinas compostas possuem o mesmo índice de refração para dentina e esmalte, diferentemente de como é no dente humano, onde o esmalte e a dentina natural possuem diferentes índices de refração. Isto ocorre porque usualmente a dentina e o esmalte possuem o mesmo tamanho de partículas, diferentemente da Essentia que simula o comportamento do dente natural.

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Figura 12 - Luz sendo emitida sobre materiais com a mesma composição e luz sendo emitida sobre materiais de diferentes composições (Essentia).

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3 OBJETIVO

O objetivo do presente estudo é avaliar a alteração cromática da resina composta em diferentes espessuras. Analisar através do protocolo e-LAB o “delta E” e “delta L*” de discos de resina composta em espessuras de 0,6mm e 1,2mm. Possibilitando uma previsão do comportamento dos diferentes tipos de resinas composta, além de fornecer o conhecimento necessário para atingir o resultado esperado simplificando o trabalho do cirurgião-dentista. Este trabalho apresenta como hipótese nula que não haverá diferença de cor nas diferentes espessuras de resina composta.

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4 MATERIAIS E MÉTODOS

4.1 CORPOS DE PROVA

Foram realizados corpos de prova circulares no tamanho de 10x0,6mm e 10x1,2mm com resinas da marca comercial Essentia (GC) e Vittra APS (FGM). Sendo que foram confeccionados 1 corpos de prova de 10x0,6mm e 1 corpo de 10x1,2mm de cada tipo de resina. Para confeccionar os corpos de prova foi confeccionada uma matriz de resina acrílica para as amostras de 0,6mm, feita exclusivamente para o presente estudo. Já as de 1,2mm foram confeccionadas através de uma base metálica circular fresada.

Para conseguir corpos de prova homogêneos, sem bolhas, de tamanhos iguais em toda a extensão dos mesmo e sem sujeira na resina, eles foram confeccionados da seguinte maneira: ▪ A matrizes de resina acrílica e metálica foram limpas antes de todas as

confecções com gaze e álcool etílico 70%.

▪ Estas matrizes foram colocadas sobre uma placa de vidro limpa e refeita a limpeza da mesma a cada nova amostra feita com gaze e álcool etílico 70%. ▪ Após a limpeza de cada espátula de resina, eram retirados um incremento único

de cada seringa de resina composta e colocados sobre a sua devida matriz posta sobre a placa de vidro.

▪ Após a retirada dos excessos sobre a matriz e tornando o incremento o mais uniforme possível, os mesmos foram sobrepostos com tiras de poliéster airon (Maquira) e por cima uma placa de vidro grossa sendo pressionada contra a matriz, tornando a superfície dos corpos de prova lisos e polimerizados por 10 segundos através da superfície do vidro com o Fotopolimerizador VALO Cordless (Ultradent) para uma polimerização inicial da resina.

▪ Retirou-se a placa de vidro e tira de poliéster e feita a polimerização final por 15 segundos e após, removeu-se a amostra da matriz.

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Figura 13 - Mesa de trabalho para confecção dos corpos de prova.

Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 14 - Matriz de resina acrílica de 0,6mm (A) Matriz metálica de 1,2mm (B).

A B

Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 15 - Retirada única da resina do tubo.

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Figura 16 - Acomodação da resina sobre a matriz de 0,6mm.

Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 17 - Tira de poliester sendo acomodada sobre a matriz de resina acrílica.

Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 18 - Primeira fotoativação sendo feita sobre a placa de vidro.

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Figura 19 - Acomodação da resina composta sobre a matriz metálica de 1,2mm.

Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 20 - Tira de poliéster sobre a resina composta e matriz metálica.

Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 21 - Fotoativação primária sendo feita sobre a resina composta através do vidro.

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Figura 22 - Foto artística dos materiais usados na pesquisa

Fonte: Elaborado pelo autor

Foram feitos 2 incrementos de resina composta diferentes para cada uma das diferentes cores dos Kits de resinas das marcas apresentadas, sendo que estes se encontravam-se polimerizados e sem polimento.

Sendo assim, foram confeccionados 10 corpos de prova da linha Essentia - 5 resinas do kit (LD, MD, DD, LE e DE) x 2 corpos de prova e 24 da linha Vittra APS - 12 resinas do kit (DA0, DA1, DA2, DA3, DA3,5, DA4, DA5, EA1, EA2, EA3, EB1 e E-BLEACH) x 2 corpos de prova. (n=29)

4.2 FOTOGRAFIAS

Para realizar as fotografias foram necessários: câmera DSLR, lentes macro, flash circular, filtro polar_eyes, cartão de balanço de branco usado como fundo.

Após a aquisição dos materiais, foram feitas fotos para cada cor de resina de cada kit. Foram realizadas fotos com incrementos de 0,6mm e 1,2mm um do lado do outro.

Os corpos de prova foram colocados sobre o cartão de balanço de branco com uma gota de glicerina líquida entre os dois.

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Figura 23 - Foto dos corpos de prova sobre o cartão cinza.

Fonte: Elaborado pelo autor

4.2.1 Protocolo fotográfico eLAB®

As fotos foram tiradas com uma câmera DSLR (D7200) com lentes macro com Macro Ring Flash (Sigma) acoplados a câmera. A lente e o flash tiveram suas luzes polarizadas através do filtro polarizador (polar_eyes).

Figura 24 - Equipamento fotográfico utilizado.

Fonte: Elaborado pelo autor

Após a montagem dos equipamentos, a câmera é configurada no modo manual (M) com a velocidade do obturador 1/125, diafragma f22, ISO 100 ou 200. O flash da câmera deve ser setado para o modo manual, configurando a intensidade para 1/1, sendo o ISO esta as únicas configurações passíveis de modificação, devido a possível variação da distância flash-objeto.

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Com os ajustes realizados, realizou-se as fotografias dos corpos de prova sobre o cartão de balanço de brancos com incrementos de 0,6mm e 1,2mm. Para fotografia dos casos, foi posicionado cartão white_balance® para posterior balanço de branco. Fotos tiradas em modo RAW para que não houvesse possibilidade de distorção da imagem no processamento e edição de imagem.

4.2.2 Pós-processamento das imagens

Após a confecção de 29 fotos da pesquisa, as mesmas foram enviadas para o programa de edição de imagens Adobe Photoshop Lightroom Classic CC. Primeiramente alterou-se a configuração do gráfico de cores do gráfico para CIE L*a*b*. Com as fotos colocadas no catálogo do programa, foi realizado o ajuste do perfil da câmera D7200.

As fotos foram separadamente abertas e ajustado seu balanço de branco com o conta-gotas posicionado sobre o centro do cartão white_balance®. Cada imagem teve seu brilho ajustado para que o círculo central do cartão estivesse com o valor de L*=80.

Figura 25 - Balanço de branco sendo feito sobre a parte central do cartão com o programa Adobe Lightroom Classic CC.

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Figura 26 - Valor de L*=80 na parte central do cartão. Perfil da câmera calibrado para a câmera utilizada.

Fonte: Elaborado pelo autor

Figura 27 - Valores de L*a*b* sendo calculados no programa Classic Color Meter

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Figura 28 - Valores de L*a*b* colocados no programa ΔE Calculator para gerar os valores de ΔE00

Fonte: Elaborado pelo autor

Os valores de L*a*b* foram obtidos através do programa Color Meter (https://www.ricciadams.com/projects/classic-color-meter). Foi realizado uma medição padrão no centro dos corpos de prova de resina composta, para que não houvesse possibilidade de divergência de valores e após tiveram seus valores de ΔE00 calculados através do programa ΔE Calculator. (HEIN; TAPIA; BAZOS, 2017)

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5 RESULTADOS

Os grupos foram separados de acordo com a marca comercial e do tamanho dos incrementos:

Tabela 3 - Distribuição dos corpos de prova

Vittra APS (FGM) Essentia (GC) Incrementos de 0,6mm Incrementos de 1,2mm Incrementos de 0,6mm Incrementos de 1,2mm

Fonte: Elaborado pelo autor

Para que pudesse se obter o valor de ΔE, foram feitas as fotografias, pós-processadas e gerados os valores de L*a*b* através do programa Digital Color das resinas Vittra APS e Essentia.

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Tabela 4 - Valores de Lab* obtidos com a marca Vittra APS (FGM) L* a* b* 0,6 mm 1,2 mm 0,6mm 1,2mm 0,6mm 1,2mm DA0 83,91 81,79 0,2 0,64 2,48 3,01 DA1 80,39 77,62 1,65 2,76 8,27 11,49 DA2 80,01 76,56 2,37 3,82 11,16 13,73 DA3 78,11 74,51 2,69 4,67 12,7 15,66 DA3,5 76,89 72,65 3,03 5,65 14,25 18,6 DA4 74,23 68,68 4,94 8,34 21,55 26,02 DA5 72,58 65,5 5,06 8,84 25,99 29,43 EA1 80,01 75,38 0,57 1,93 6,93 10,43 EA2 77,58 72,77 1,39 3,36 6,46 13,38 EA3 78 74 1,52 3,39 9,55 15,81 EB1 80,61 78,05 0,18 0,93 5,09 7,72 E-BLEACH 78,64 74,82 0,08 0,96 7,1 10,08

Fonte: Elaborado pelo autor

Além de calcular o ΔE foram usados os valores de L* para criar gráficos de comparação entre as diferentes espessuras de resina composta e sua luminosidade, já que esta é a mais relevante para a percepção humana e importante durante a seleção de cores. (GÓMEZ‐POLO, C. et al, 2017)

Gráfico 1 - Valor de L* para marca Vittra APS

Fonte: Elaborado pelo autor

0 10 20 30 40 50 60 70 80 90

DA0 DA1 DA2 DA3 DA3,5 DA4 DA5 EA1 EA2 EA3 EB1 E-BL

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Note que se traçarmos uma linha horizontalmente no gráfico encontramos resultados muito próximos entre diferentes tipos de resina. Mostrando que podemos atingir resultados luminosos próximos com diferentes resinas.

Tabela 5 -Valores de Lab* obtidos com a marca Essentia (GC)

L* a* b* 0.6 mm 1.2 mm 0,6mm 1,2mm 0,6mm 1,2mm LD 81,9 80,79 -0,49 -0,31 4,62 6,49 MD 78,11 75,37 2,27 3,91 14,35 19,44 DD 69,02 61,69 6,39 10,66 27,8 35,56 LE 79,82 77,82 -0,27 -0,29 2,58 3,98 DE 77,89 74,39 0,88 1,47 6,92 10,81 U 78,8 77,05 1,06 1,64 6,03 8,73

Fonte: Elaborado pelo autor

Gráfico 2 - Valor de L* para marca Essentia

Fonte: Elaborado pelo autor

Os valores de L*a*b* obtidos foram colocados no programa ΔE Calculator e obtidos os valores de ΔE entre as resinas 0,6mm/1,2mm Vittra APS (Tabela 6), 0,6mm/1,2mm Essentia (Tabela 7). 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 LD MD DD LE DE U 0,6mm 1,2mm

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Tabela 6 -Valores de ΔE da resina Vittra APS (FGM) 0,6mm/1,2mm ΔE00 DA0 1,62 DA1 3,15 DA2 3,28 DA3 3,71 DA3,5 4,61 DA4 5,31 DA5 6,34 EA1 4,44 EA2 6,19 EA3 5,17 EB1 2,88 E-BLEACH 3,66

Fonte: Elaborado pelo autor

Tabela 7 -Valores de ΔE da resina Essentia (GC) 0,6mm/1,2mm ΔE00 LD 1,71 MD 3,74 DD 7,15 LE 1,86 DE 3,8 U 2,45

Fonte: Elaborado pelo autor

Para apresentar as comparações, foram usados os parâmetros 50:50% perceptibilidade (PT) e 50:50% aceitabilidade (AT). Os quais significam a menor diferença de cor que pode ser notada por um observado onde, em comparação das cores, metade de observadores perceberiam diferença entre dois objetos, e a outra metade não (PT). O mesmo acontece para 50:50% aceitabilidade, onde em análise, metade dos observadores considerariam aceitável a diferença de cor, enquanto a outra metade não. Estes parâmetros supõem que em uma situação hipotética, não seria possível que 100% dos observadores não notassem a diferença e por este motivo

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considera 50% um número real e ideal de comparação. Os valores considerados de ΔE00 de PT foi 0,8 e 1,8 para AT (PARAVINA et al., 2015).

Tabela 8 -Valores de Referência ΔE00

Parâmetro Interpretação ΔE00

≤PT Combinação Perfeita ≤0.8

>PT, ≤AT Combinação Aceitável >0.8, ≤1.8

>AT Combinação Incompatível >1.8

Fonte: (PARAVINA et al., 2015)

Comparando os valores de ΔE00 entre os incrementos de 0,6mm e 1,2mm da marca Vittra APS (Tabela 6) foram obtidos: nenhuma combinação perfeita, 1 aceitável e 11 incompatíveis (n=12). Mostrando que a diferença de espessura nos incrementos feitos com as resinas Vittra APS (FGM) interferem na cor final da restauração. Quanto maior forem os incrementos, maior será a diferença entre a cor inicial, devendo-se levar esse fato em consideração durante o planejamento da restauração final. Os valores mais altos foram obtidos nas resinas do tipo DA5, EA2 e EA3.

Tabela 9 – ΔE00 entre 0,6/1,2mm Vittra APS

Interpretação Quantidade Tipo de Resina

Combinação Perfeita 0 - Combinação Aceitável 1 EA0 Combinação Incompatível

11 DA1, DA2, DA3, DA3,5, DA4, DA5, EA1, EA2, EA3, EB1 e E-BLEACH

Fonte: Elaborado pelo autor

Quando foram cruzados os dados Essentia de 0,6mm e 1,2mm o valor de ΔE00 mostrou que nenhuma combinação se mostrou perfeita, 1 aceitável e 5 incompatíveis (n=6). Reforçando a ideia de que diferentes espessuras de resina criam cores finais diferentes.

(50)

Tabela 10 - ΔE00 entre 0,6/1,2mm Essentia

Interpretação Quantidade Tipo de Resina

Combinação Perfeita 0 -

Combinação Aceitável 1 LD

Combinação Incompatível 5 DE, DD, MD, LE e U

Fonte: Elaborado pelo autor

5.1 ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os grupos estudados foram divididos em Vittra e Essentia.

Os valores de ΔE de cada grupo foram comparados com um valor de referência 1, por ser um valor ligeiramente acima de 0,8 que é o valor de ΔE de uma combinação perfeita de acordo com Paravina et al., 2019.

Tabela 11 - Test Value = 1

Test Value = 1 t df Sig. (2-tailed) Mean Difference 95% Confidence Interval of the Difference Lower Upper Vittra_APS_1 7,861 11 ,000 3,19758 2,3023 4,0929 Essentia_1 2,969 5 ,031 2,45167 ,3292 4,5741

Fonte: Elaborado pelo autor

Os grupos indicaram possuir distribuição normal. O valor de significância ficou em 0,05. Os dois grupos mostraram ser muito significantes diferentes em relação ao valor referência 1.

(51)

6 DISCUSSÃO

Muitos estudos têm sido feitos em torno da divergência entre as cores das escalas de cores padronizadas e as cores reais das resinas compostas. Por isso devemos conhecer as propriedades físicas e ópticas dos dentes naturais e das resinas que trabalhamos diariamente para conseguir realizar uma restauração com perfeição. (BROWNING, W. D. et al.) (GURREA, J. et al., 2006)

É importante lembrar que este trabalho usou como fundo para fotografia um fundo cinza então ele mostra a cor pura e real da resina composta por ser uma cor neutra e não interferir na interação com os corpos de prova, além de tornar o estudo reproduzível com exatidão por outros pesquisadores pela sua padronização. Diversos estudos mostraram que a cor do fundo interfere no valor de L* e consequentemente do ΔE (POWERS, John M.; DENNISON, Joseph B.; LEPEAK, Patrick J.) (LEE, Y. K.,2007) e por isso foi necessária uma abordagem diferente para conhecer o comportamento da resina composta sem estas interferências. Contudo, em uma situação real de interação com o dente natural as resinas compostas estariam relacionadas com o fundo preto da cavidade oral ou um fundo claro.

O presente estudo rejeita a hipótese nula de não haver diferença de cor nas diferentes espessuras de resina composta. Mostrou-se que nenhuma resina foi capaz de criar uma mudança de cor imperceptível quando tiveram variação da sua espessura e apenas uma resina de cada grupo teria uma diferença de cor aceitável (EA0 e LD). Mostrando assim que independente da escolha prévia de cores, a mesma terá um comportamento variado de acordo com o tamanho do incremento desta cor e do tamanho da restauração final. Para os grupos Vittra 1, e Essentia 1 a diferença foi estatisticamente significante.

As resinas compostas são materiais sintéticos que desejam imitar o que é criado na natureza. A estrutura do dente possui diversas nuances e características ópticas únicas e por mais que se tenha aumentado a tecnologia por trás destes materiais, dificilmente alcançarão a perfeição de detalhes. As resinas compostas tentam imitar o croma do dente natural através de corantes e pigmentos, sendo assim, está se trabalhando com um sistema subtrativo de cor e como vimos no Capítulo 2.2.1.2, quanto maior a quantidade de pigmentos sobrepostos tem-se no final um matiz diferente do inicial e seu valor (V) diminuído (FONDRIEST, James, 2003). Além disso, outro fenômeno que pode estar ligado a diminuição na coloração final em diferentes espessuras é o fenômeno de dispersão da luz. Quanto maior a espessura do incremento colocado em uma restauração, maiores são os fenômenos cromáticos dentro da

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superfície deste corpo, possibilitando que a luz incidida sobre ele possa sofrer mais modificações.(LEE, Y. K.,2007)

Quando comparamos os resultados de ΔE resinas EA1 e LE com valores (V) similares das marcas Vittra APS (L*=80,01) e Essentia (L*=79,82) respectivamente, notamos que a percepção na mudança de cor em diferentes espessuras foi muito maior na resina Vittra APS (ΔE=4,44) em comparação à Essentia (ΔE=1,86). Este resultado pode ter sido obtido pela menor translucidez da resina LE (esmalte claro) e comparação as resinas de esmalte Vittra APS, que possuem uma translucidez de 43-47%. Como Kamishima, N.; Ikeda, T.; Sano, H., 2005 afirmaram, quanto maior a translucidez do objeto, maior será a facilidade do corpo de prova ser afetado pela diferença de espessura, apesar do estudo citado ter sido realizado sobre um fundo preto para os corpos de prova. Corpos translúcidos tendem a sofrer mudança no seu croma com a mudança da sua espessura (KINA; BRUGRERA, 2007). Em corpos mais opacos a luminosidade percebida não vem apenas do comprimento de onda que é difundido dentro deles e retornam aos olhos, grande parte é refletido na superfície sem que seja modificada internamente, então sofre menos com a diferença de espessura. Por isso, ao trabalharmos com resinas compostas de esmalte de alta translucidez devemos optar por camadas de menores espessuras para reduzir a mudança cromática.

De pouco importa a cor selecionada na escala de cores para o resultado final da restauração, pois a cor escolhida pode transmitir uma luminosidade diferente da esperada pelo cirurgião dentista, por isso devemos saber como cada resina se comporta individualmente. Podemos aplicar peças compostas com as cores que esperamos ter um bom resultado sobre o dente e em seguida tirar fotografias polarizadas para ajudar a ter um ponto de partida. Em seguida se recomenda-se realizar o ensaio restaurador do dente antes de realizar o procedimento definitivo para que se possa reduzir as chances de erros e insatisfação do paciente. O ensaio restaurador consiste em fazer a mimetização do dente através da técnica de estratificação comum, contudo, esta não terá condicionamento ácido e aplicação de adesivo previamente, então terá uma simulação exata de como ficará o trabalho final.

Após realizar o ensaio restaurador podemos saber a espessura e forma da resina usada, ver o resultado e corrigir posteriormente na restauração definitiva. Em um exemplo prático, ao confeccionarmos o ensaio restaurador para uma restauração Classe IV e notarmos que o dente em questão ficou com um valor (V) mais alto e consequentemente uma restauração mais escura em comparação com o dente a ser restaurado, podemos retirar a restauração de posição e realizar o diagnóstico preciso do erro que causou o problema. Caso a restauração tenha ficado escurecida e com uma espessura total maior do que a desejada, podemos fazer um desgaste

Referências

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