Os Direitos da
Os Direitos da
Criança e do
Criança e do
Adolescente
Adolescente
DAS MEDIDAS
SOCIOEDUCATIVAS
Medidas Socioeducativas:
Medidas Socioeducativas:
Art. 112. Verificada a prática de ato infracional , a
autoridade competente poderá aplicar ao
adolescente as seguintes medidas
I – advertência
II - obrigação de reparar o dano
III - prestação de serviços à comunidade
IV - liberdade assistida
V - inserção em regime de semiliberdade
VI - internação em estabelecimento educacional
VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a
Medidas Socioeducativas
Medidas Socioeducativas
As medidas socioeducativas são destinadas apenas aadolescentes acusados da prática de atos infracionais,
devendo por força do art. 104, paragrafo único do ECA ser considerada a idade do agente à data do fato (a criança está sujeita APENAS a medidas de proteção - arts. 105 c/c 101 do ECA)
É de se atentar para o fato de que não se cogita a aplicação de
medidas socioeducativas a adolescentes que não tenham praticado ato infracional, o que realça seu caráter
sancionatório
Embora pertençam ao gênero "sanção estatal" (decorrentes da não conformidade da conduta do adolescente a uma norma penal proibitiva ou impositiva), não podem ser confundidas
ou encaradas como penas, pois têm natureza jurídica e
finalidade diversas.
Enquanto as penas possuem um caráter eminentemente
retributivo/punitivo, as medidas socioeducativas têm um
caráter preponderantemente pedagógico, com preocupação
única de educar o adolescente acusado da prática de ato infracional, evitando sua reincidência.
Por se tratarem de sanções estatais, posto que se constituem na resposta à prática de ato infracional por adolescente, sendo de natureza coercitiva, as medidas socioeducativas estão sujeitas ao princípio constitucional da legalidade (art. 5º, inciso XXXIX, da CF), não podendo ser aplicadas, a este
título, outras medidas além das expressamente relacionadas neste dispositivo.
Como o ato infracional não é crime e a medida socioeducativa não é pena, incabível fazer qualquer correlação entre a
quantidade ou qualidade (se reclusão ou detenção) de pena in
abstracto prevista para o imputável que pratica o crime e a
medida socioeducativa destinada ao adolescente que pratica a mesma conduta, até porque inexiste qualquer prévia
correlação entre o ato infracional praticado e a medida a ser aplicada, nada impedindo - e sendo mesmo preferível,
na forma da Lei e da Constituição Federal - que um ato
infracional de natureza grave receba medidas socioeducativas em meio aberto.
Nada impede, e sendo em alguns casos mesmo necessário que adolescentes co-autores do mesmo ato infracional
recebam medidas socioeducativas completamente
diversas, a depender de análise criteriosa de suas condições
§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em
conta a sua capacidade de cumpri-la, as
circunstâncias e a gravidade da infração.
§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será
admitida a prestação de trabalho forçado.
§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou
deficiência mental receberão tratamento individual e
especializado, em local adequado às suas condições.
São estes os parâmetros a serem analisados quando
da aplicação da medida socioeducativa, que deverá
levar também em conta as necessidades pedagógicas
do adolescente, conforme arts. 113 c/c 100, caput,
primeira parte, do ECA, devendo-se buscar,
invariavelmente, a solução que melhor atenda aos
interesses do adolescente da forma menos
gravosa possível
A aplicação da medida socioeducativa deverá ainda
considerar os princípios relacionados no art. 100,
par. único, do ECA
I - condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos: crianças e adolescentes são os titulares dos direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na Constituição Federal;
II - proteção integral e prioritária: a interpretação e aplicação de toda e qualquer norma contida nesta Lei deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos direitos de que crianças e adolescentes são titulares; III - responsabilidade primária e solidária do poder público: a plena efetivação dos direitos assegurados a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal, salvo nos casos por esta
expressamente ressalvados, é de responsabilidade primária e solidária das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização do atendimento e da possibilidade da execução de programas por
entidades não governamentais;
IV - interesse superior da criança e do adolescente: a intervenção deve atender prioritariamente aos interesses e direitos da criança e do
adolescente, sem prejuízo da consideração que for devida a outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso concreto;
V - privacidade: a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescente deve ser efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada;
VI - intervenção precoce: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetuada logo que a situação de perigo seja conhecida;
VII - intervenção mínima: a intervenção deve ser exercida
exclusivamente pelas autoridades e instituições cuja ação seja
indispensável à efetiva promoção dos direitos e à proteção da criança e do adolescente;
VIII - proporcionalidade e atualidade: a intervenção deve ser a
necessária e adequada à situação de perigo em que a criança ou o adolescente se encontram no momento em que a decisão é tomada; IX - responsabilidade parental: a intervenção deve ser efetuada de
modo que os pais assumam os seus deveres para com a criança e o adolescente;
X - prevalência da família: na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se isto não for possível, que promovam a sua integração em família
substituta;
XI - obrigatoriedade da informação: a criança e o adolescente, respeitado seu estágio de desenvolvimento e capacidade de
compreensão, seus pais ou responsável devem ser informados dos seus direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma como esta se processa;
XII - oitiva obrigatória e participação: a criança e o adolescente, em separado ou na companhia dos pais, de responsável ou de pessoa por si indicada, bem como os seus pais ou responsável, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição da medida de promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devidamente
considerada pela autoridade judiciária competente, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 desta Lei.
Assim sendo, a aplicação das medidas
socioeducativas deve ocorrer
a) forma mais célere possível
b) levar sempre em conta a situação do adolescente
no momento em que a decisão é tomada
c) avaliação técnica criteriosa que contemple a
orientação do adolescente
d) leve em conta sua opinião
e) dar sempre preferência a medidas que fortaleçam
vínculos familiares e enalteçam o papel da família
no processo de socioeducação
f) procurar a solução menos traumática possível (cf.
art. 100, par. único, incisos II, IV e VII, do ECA), na
perspectiva da plena efetivação de todos os seus
direitos fundamentais
Para aferição da “capacidade de cumprimento da
medida” pelo adolescente não basta uma análise
genérica e/ou superficial do caso e seu cotejo com o
que seria de se esperar do “homo medius”, até porque
não existe um “adolescente padrão”. Ademais, por força
do disposto no art. 6º, do ECA, o adolescente deve ter
sempre respeitada sua “peculiar condição de pessoa
em desenvolvimento”, o que demanda uma análise
criteriosa da situação psicossocial de cada
adolescente, individualmente considerado e seu
efetivo preparo, inclusive sob o ponto de vista
emocional, para se submeter à medida que se lhe
pretende aplicar.
Devemos lembrar que, embora seja uma sanção
estatal, a medida socioeducativa não é uma “pena”,
devendo apresentar um benefício ao adolescente,
pelo que somente deverá ser aplicada e continuar a
ser executada se estiver surtindo resultados
positivos. Outra não é a razão de a lei prever a
possibilidade de substituição de uma medida por
outra, a qualquer tempo (arts. 113 c/c 99, ambos do
Por “circunstâncias da infração” deve-se compreender muito mais que a singela autoria e materialidade do ato
infracional, mas sim todos os fatores – endógenos e exógenos - que levaram o adolescente à prática do ato
infracional. É, em última análise, a busca do motivo e das
causas da conduta infracional, que a intervenção
socioeducativa deve procurar combater, sempre da forma
menos rigorosa possível.
A disposição visa assegurar que haja uma
proporcionalidade entre a infração praticada e a medida
a ser aplicada, não significando, no entanto, que para todo
ato de natureza grave deverão corresponder medidas privativas de liberdade. Mesmo em tais casos, somente
deverá ocorrer a privação da liberdade quando não restar outra alternativa sociopedagógica
Adolescentes acusados da prática de ato infracional
que apresentem distúrbios de ordem psíquica que
os tornariam inimputáveis ou semi-imputáveis mesmo
se adultos fossem, conforme regra do art. 26, do
Código Penal, não devem ser submetidos a medidas
socioeducativas (notadamente as privativas de
liberdade), mas apenas a medidas específicas de
proteção, conforme art. 101, inciso V, do ECA, com
seu encaminhamento a entidades próprias onde
receberão o tratamento adequado
Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. 99 e 100 A substituição das medidas socioeducativas em
execução deve ocorrer dentro de procedimento específico instaurado pelo Juízo encarregado de acompanhar sua
execução, no qual deverão ser respeitadas as garantias do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, não se podendo prescindir da oitiva do adolescente e seu
responsável (cf. art. 100, par. único, incisos XI e XII, do ECA), bem como da manifestação do defensor constituído ou
nomeado, além é claro do Ministério Público (cf. arts. 111, inciso III, 153 e 204, do ECA).
Vale também o registro que, quando em razão do
descumprimento reiterado e injustificável da medida em
execução, se cogitar da “regressão” da medida em meio
aberto para internação, deve ser respeitada a disposição
específica contida no art. 122, inciso III e §1º, do ECA, sendo então de, no máximo, 03 (três) meses o prazo de duração da medida privativa de liberdade.
Na perspectiva de evitar a reincidência, importante jamais
perder de vista, portanto, que a aplicação e execução das medidas socioeducativas, em sua essência, segue os
mesmos princípios que norteiam a aplicação e execução das medidas protetivas, tendo em vista, em última análise, a
proteção integral do adolescente, a teor do contido no art.
Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do
art. 112 pressupõe a existência de provas suficientes da
autoria e da materialidade da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127.
Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que
houver prova da materialidade e indícios suficientes da autoria. A inexistência de prova inequívoca da autoria e da
materialidade da infração, tal qual ocorre no processo-crime
instaurado em relação a imputáveis, impede a imposição de
medidas socioeducativas.
O procedimento para apuração de ato infracional, portanto,
quando da coleta de provas de autoria e materialidade, deve observar cautelas semelhantes às tomadas no processo penal, sendo que, em havendo dúvida quanto à autoria e
materialidade (assim como em relação à incidência de causa excludente de culpabilidade ou de ilicitude), deve-se aplicar o princípio do in dubio pro reo e julgar improcedente a
representação socioeducativa
Em sede de remissão, seja como forma de exclusão do
processo, seja como forma de suspensão ou extinção do processo, não poderá haver a imposição de medidas
socioeducativas, que somente poderão ser incluídas no
termo se houver a concordância expressa do adolescente, devidamente assistido por seus pais ou responsável.
Da Advertência
Art. 115. A advertência consistirá em admoestação verbal, que
será reduzida a termo e assinada
A advertência é a única das medidas socioeducativas que deve ser executada diretamente pela autoridade judiciária. O Juiz deve estar presente à audiênciaa monitória, assim
como o representante do Ministério Público e os pais ou
responsável pelo adolescente, devendo ser este alertado das
consequências da eventual reiteração na prática de atos infracionais e/ou do descumprimento de medidas que tenham sido eventualmente aplicadas cumulativamente
(conforme arts. 113 c/c 99, do ECA).
Os pais ou responsável deverão ser também orientados e, se necessário, encaminhados ao Conselho Tutelar para
receber as medidas previstas no art. 129, do ECA, que se mostrarem pertinentes.
Art. 38. As medidas de proteção, de advertência e de
reparação do dano, quando aplicadas de forma isolada, serão executadas nos próprios autos do processo de conhecimento (Lei 12594/2012)
Da Obrigação de Reparar o Dano
Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos
patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.
Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a
medida poderá servsubstituída por outra adequada
Aplicável apenas a atos infracionais com reflexos patrimoniais,
a medida não se confunde com a indenização cível (que pode ser exigida do adolescente ou de seus pais ou
responsável independentemente da solução do procedimento que, aliás, não está sujeito à regra do art. 91, inciso I, do CP),
sendo fundamental que a reparação do dano seja cumprida
pelo adolescente, e não por seus pais ou responsável,
devendo ser assim verificado, previamente, se aquele tem capacidade de cumprí-la (cf. art. 112, §1°, do ECA). Se nçao tiver, deve optar-se por outra medida.
A reparação pode se dar diretamente, através da
restituição da coisa, ou pela via indireta, através da entrega de coisa equivalente ou do seu valor correspondente em dinheiro.
Seção IV - Da Prestação de Serviços à Comunidade
Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na
realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades assistências, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais
Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as
aptidões do adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados,
domingos e feriados ou dias úteis, de modo a não prejudicar a frequência à escola ou à jornada normal de trabalho.
Impossibilidade de que o adolescente submetido a tal medida realize atividades consideradas proibidas ao adolescente trabalhador.
O adolescente vinculado a tal medida não pode ser obrigado a realizar atividades degradantes, humilhantes e/ou que o
exponham a uma situação constrangedora.
A medida não pode se restringir à “exploração da
mão-de-obra” do adolescente, devendo ter um cunho eminentemente
pedagógico (com a devida justificativa para as atividades a
Busca-se o desenvolvimento de trabalhos
voluntários, de cunho social e humanitário.
Este meio socioeducativo é viabilizado pelas Varas
de Infância e Juventude, que, por convênio com os
estabelecimentos determinados (hospitais,
Seção V - Da Liberdade Assistida
Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e
orientar o adolescente
§ 1º. A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento
§ 2º. A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida , ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor
A liberdade assistida é a medida que melhor traduz o espírito e o sentido do sistema socioeducativo e, desde que corretamente
executada, é sem dúvida a que apresenta melhores condições de surtir os resultados positivos almejados, não apenas em benefício do adolescente, mas também de sua família e, acima de tudo, da
sociedade.
Não se trata de uma mera “liberdade vigiada”, na qual o
adolescente estaria em uma espécie de “período de prova”, mas sim importa em uma intervenção efetiva e positiva na vida do
adolescente e, se necessário, em sua dinâmica familiar, por intermédio de uma pessoa capacitada para acompanhar a execução da medida, chamada de “orientador”,
Embora não seja previsto, por lei, um prazo máximo
para sua duração, o programa socioeducativo em
execução deve estabelecer metas a serem atingidas
pelo adolescente e pela entidade, de modo que
aquele permaneça vinculado à medida pelo menor
período de tempo possível, devendo ser sua família
orientada e trabalhada para assumir a
responsabilidade em relação ao adolescente a partir
de determinado momento
Embora a liberdade assistida importe em muito mais
que a simples “vigilância” do adolescente, é admissível,
por analogia, a aplicação das disposições da Lei nº
12.258/2010, de 15/06/2010, de modo que
adolescentes vinculados a este tipo de medida sejam
submetidos a monitoramento eletrônico.
Sempre que necessária a substituição desta ou de
qualquer outra medida socioeducativa, nos moldes do
arts. 113 c/c 99, do ECA, deve ser instaurado
verdadeiro “incidente de execução”, no qual se
garanta ao adolescente o contraditório e a ampla
defesa
Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade competente, a realização dos seguintes
encargos, entre outros :
I - promover socialmente o adolescente e sua família , fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social:
II - supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula
III - diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de sua inserção no mercado trabalho ; IV- apresentar relatório do caso.
A “autoridade competente” a que se refere o dispositivo poderá ser tanto o próprio Juiz da Infância e da Juventude, notadamente quando da ocorrência de algum incidente de execução, quanto o Conselho Tutelar, que poderá ser acionado para aplicar as medidas de proteção que se fizerem necessárias tanto ao adolescente quanto à sua família.
A enumeração é meramente exemplificativa.
Importante mencionar que o orientador não deve
substituir o papel que cabe à família do adolescente mas
sim orientar e apoiar esta para que assuma suas responsabilidades perante o jovem.
Seção VI - Do Regime de Semiliberdade
Art. 120. O regime de semiliberdade pode ser
determinado desde o início, ou como forma de transição
para o meio aberto , possibilitada a realização de
atividades externas, independentemente de autorização
judicial
§ 1º. É obrigatória a escolarização e a
profissionalização, devendo, semprec que possível, ser
utilizados os recursos existentes na comunidade
§ 2º. A medida não comporta prazo determinado,
aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à
internação
A semiliberdade é das medidas de execução mais
complexa e difícil dentre todas as previstas na Lei n°
8.069/1990.
Em 1996, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança
e do Adolescente - CONANDA, expediu a Resolução n°
47, de 06/12/1996, na tentativa de regulamentar a
matéria. Em que pese tal esforço, vários aspectos
sobre a forma como se dará o atendimento do
adolescente permanecem obscuros, o que sem dúvida
contribui para a existência de poucos programas em
Pressupõe uma adequada avaliação da sua efetiva
capacidade de cumprimento, pelo adolescente
individualmente considerado
Talvez mais do que qualquer outra, por suas
características e particularidades, a medida de inserção em regime de semiliberdade pressupõe a elaboração
de um programa socioeducativo de excelência , que
deverá ser devidamente registrado e executado por
profissionais altamente capacitados
Irá realizar atividades externas e permanecerá
recolhido na entidade apenas durante determinados períodos, de acordo com o previsto no programa em
execução
Vale o registro que não há qualquer obrigatoriedade de o adolescente que está internado passe primeiro pela semiliberdade antes de ganhar o meio aberto. O prazo máximo para sua duração, que deverá ser de
03 (três) anos, na forma do disposto no art. 121, §3º,
com a obrigatoriedade da reavaliação da necessidade de sua manutenção, no máximo, a cada 06 (seis) meses
Seção VII - Da Internação
Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade,
sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e
respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento A internação de um jovem em uma instituição será sempre
uma medida de último recurso pelo mais breve período possível”
Medida privativa de liberdade por excelência, a internação somente deverá ser aplicada em casos extremos, quando,
comprovadamente, não houver possibilidade da aplicação de outra medida menos gravosa (cf. art. 122, ECA)
§ 1º. Será permitida a realização de atividades externas, a
critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário
Desnecessário dizer que, mesmo que a sentença restrinja,
num primeiro momento, a realização de atividades externas, estas poderão ser autorizadas, por decisão judicial posterior, ao longo da execução da medida, inclusive como forma de preparação para progressão de regime ou para o
§ 2º. A medida não comporta prazo determinado, devendo sua
manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses
O referido prazo deve ser computado a partir do momento
em que o adolescente é privado de liberdade, incluindo-se o período de internação Provisória
Reputa-se inadmissível estabelecer, já na sentença, um
prazo mínimo ou máximo para a sua duração e/ou mesmo para reavaliação da necessidade, ou não, de continuidade da internação
A medida se constitui num verdadeiro incidente de execução,
que deve ser instaurado no momento da chegada do relatório ou laudo respectivo. Uma vez instaurado o incidente, deverá ser colhida a manifestação do Ministério Público e da defesa do adolescente acerca do teor do relatório ou laudo
Importante destacar que o prazo máximo a que se refere o dispositivo é dirigido à autoridade judiciária competente
para reavaliação, que até a data-limite do referido prazo deverá
§ 3º. Em nenhuma hipótese o período máximo de
internação excederá a três anos
Este prazo máximo de duração da medida
privativa de liberdade extrema abrange todos os
atos infracionais anteriores à sentença que a
decretou e ao início de sua execução (ainda que,
por uma razão ou por outra, não tenham sido por
ela expressamente abrangidos), vez que não há
previsão legal para o “somatório” de medidas
socioeducativas.
Para atos infracionais praticados após o início da
execução da medida ou sua extinção, por outro
lado, abre-se a possibilidade de aplicação de nova
medida da mesma natureza, mais uma vez
§ 4º. Atingido o limite estabelecido no parágrafo
anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado fim regime de semiliberdade ou de liberdade assistida
§ 5º. A liberação será compulsória aos vinte e um
anos de idade
O presente dispositivo se constitui numa das exceções de aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente a jovens entre de 18 (dezoito) e 21 (vinte e um) anos de idade, continuando em pleno vigor apesar da
alteração na idade do advento da plena capacidade civil, promovida pelo art. 5º, do Código Civil de 2002. Uma vez atingido o limite etário de 21 (vinte e um) anos, não mais será possível a aplicação e/ou execução de qualquer medida socioeducativa,
devendo ser o jovem desinternado compulsoriamente, com o máximo de celeridade
§ 6º. Em qualquer hipótese a desinternação será
precedida de autorização judicial ouvido o Ministério Público
Art. 122. A medida de internação só
poderá ser aplicada quando :
I - tratar-se de ato infracional cometido
mediante grave ameaça ou violência a
pessoa
II - por reiteração no cometimento de
outras infrações graves
III - por descumprimento reiterado e
injustificável da medida anteriormente
Imposta
§ 1º. O prazo de internação na hipótese do
inciso III deste artigo não poderá ser
superior a três meses
§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada
a internação, havendo outra medida
adequada
.
Isto não significa, no entanto, que “toda vez” que
caracterizada uma das hipóteses aqui relacionadas, o adolescente “deverá” automaticamente ser submetido a
medidas privativas de liberdade. Muito pelo contrário. Mesmo
diante da prática de atos infracionais de natureza grave, o adolescente somente deverá receber medidas privativas de liberdade se não houver outra alternativa
sociopedagógica mais adequada, consideradas suas
necessidades pedagógicas específicas
O legislador estatutário não estabeleceu previamente que “outras infrações graves” seriam estas, devendo ocorrer
ama análise individual e criteriosa, para se avaliar quando determinada infração pode ser considerada grave.
Devem ser, de plano, excluídas deste conceito aquelas
consideradas, pela Lei Penal, de “menor potencial
ofensivo”.
Importante também mencionar que “reiteração” não é sinônimo de reincidência, pelo que não se exige a
caracterização desta para tornar, em tese, admissível a aplicação de medidas privativas de liberdade.
Superior Tribunal de Justiça considerou que, para
caracterização do requisito “reiteração”, seria necessária a
prática de, no mínimo, 03 (três) infrações consideradas
Art. 123. A internação deverá ser cumprida em entidade
exclusiva para adolescentes, em local distinto daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação por
critérios de idade, compleição física e gravidade da infração
Parágrafo único. Durante o período de internação,
inclusive provisória, serão obrigatórias atividades pedagógicas
Não é admissível o cumprimento da medida de
internação, seja em caráter provisório ou decorrente de sentença, em estabelecimento prisional de qualquer natureza. Para o Direito da Criança e do Adolescente, a
pura e simples privação de liberdade do adolescente
acusado da prática infracional não basta, sendo necessária a contínua realização de atividades pedagógicas,
terapêuticas e profissionalizantes, em local adequado, sem qualquer contato com adultos acusados da prática de
crimes.
Além da separação por idade, compleição física e gravidade da infração, adolescentes em regime de
internação provisória devem ser separados de
adolescentes internados em virtude do
descumprimento reiterado e injustificável de medida anteriormente imposta (art. 122, inciso III, do ECA) e,
ambos os casos anteriores, devem ser separados de
adolescentes já sentenciados em razão da prática de infrações de natureza grave
Art. 16. A estrutura física da unidade deverá ser
compatível com as normas de referência do
Sinase.
§ 1o É vedada a edificação de unidades
socioeducacionais em espaços contíguos, anexos,
ou de qualquer outra forma integrados a
estabelecimentos penais. (Lei 12.594/2012)
A realização de “atividades pedagógicas”, bem
como de uma contínua avaliação/tratamento
psicossocial durante todo o período de
internação, além de obrigatórias (inclusive sob
pena de responsabilidade, valendo observar o
disposto no art. 208, inciso VIII, do ECA),
constituem-se no principal diferencial entre a
execução das medidas socioeducativas e as
“penas” cominadas a imputáveis, sem o que
haverá verdadeira violação à “norma princípio” da
inimputabilidade penal de menores de 18 (dezoito)
anos, preconizada pelo art. 228, da CF.
Devem ser contempladas propostas pedagógicas
Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre
outros os seguintes:
I - entrevistar-se pessoalmente com o representante do
Ministério Público
O Promotor de Justiça da Infância e da Juventude do local onde
estiver sediada a entidade de internação ou semiliberdade deve fazer visitas periódicas à unidade, de modo a exercer sua
atividade fiscalizatória prevista no art. 95, do ECA. Nestas ocasiões, ou a qualquer momento, quando solicitado pelo adolescente, por seus pais, responsável, ou defensor, deverá ouvir suas reivindicações e eventuais reclamações
II - peticionar diretamente a qualquer autoridade III - avistar-se reservadamente com seu defensor;
IV - ser informado de sua situação processual, sempre que
solicitada
V - ser tratado com respeito e dignidade;
O respeito ao adolescente e seu tratamento com dignidade são
elementos indispensáveis ao êxito do trabalho socioeducativo realizado pela unidade, devendo ser a tônica da atuação de todos os funcionários e técnicos da entidade.
VI - permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou responsável ;
A medida visa facilitar o contato do adolescente interno com seus pais ou responsável, além de permitir a realização de atividades com estes, assim como junto à comunidade de origem do
adolescente, como forma de preparar a todos, gradativamente, para o desligamento da unidade
VII - receber visitas, ao menos semanalmente;
O contato do adolescente interno com seus pais ou responsável e demais familiares não apenas deve ser facultado, mas estimulado ao máximo, sendo imperioso que o programa socioeducativo
respectivo contemple a previsão de recursos, inclusive, para
permitir que os pais ou responsável de baixa renda, residentes em municípios diversos daqueles onde se situam as unidades de
internação (ou em localidades distantes desta), se desloquem periodicamente até esta, inclusive para que sejam orientados sobre como agir em relação ao adolescente, especialmente após sua desinternação
VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos ;
IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal ;
X - habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade
XII - realizar atividades culturais,
esportivas e de lazer
XIII - ter acesso aos meios de
comunicação social
XIV - receber assistência religiosa,
segundo a sua crença, e desde que assim
o deseje
XV - manter a posse de seus objetos
pessoais e dispor de local seguro para
guardálos, recebendo comprovante
daqueles porventura depositados em
poder da entidade
XVI - receber, quando de sua
desinternação, os documentos pessoais
indispensáveis à vida em sociedade
.
SINASE
Art. 49.
II - ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou
violência à pessoa, quando o adolescente deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de residência;
VIII - ter atendimento garantido em creche e pré-escola aos filhos de 0 (zero) a 5 (cinco) anos.
Art. 63.
§ 2o Serão asseguradas as condições necessárias para que a
adolescente submetida à execução de medida socioeducativa de privação de liberdade permaneça com o seu filho durante o período de amamentação.
Art. 68. É assegurado ao adolescente casado ou que viva,
comprovadamente, em união estável o direito à visita íntima. § 2o É vedada a aplicação de sanção disciplinar de isolamento a
adolescente interno, exceto seja essa imprescindível para garantia da segurança de outros internos ou do próprio adolescente a quem seja imposta a sanção, sendo necessária ainda comunicação ao defensor, ao Ministério Público e à autoridade judiciária em até 24 (vinte e quatro) horas. (Lei 12594/2012)
Do processo de apuração do ato
Do processo de apuração do ato
infracional
infracional
Art. 171. O adolescente apreendido por força de ordem judicial será,
desde logo, encaminhado à autoridade judiciária
Por força do disposto no art. 152, caput, do ECA, são aplicáveis ao procedimento para apuração de ato infracional, em caráter
subsidiário, as “normas gerais” do Código de Processo
Penal (com exceção do Sistema Recursal, por força do disposto
no art. 198, do ECA), desde que compatíveis com as normas e princípios estatutários
A tônica do procedimento para apuração de ato infracional é a
celeridade, sendo que a competência para seu processo e julgamento será invariavelmente do Juiz da Infância e Juventude do local da ação ou omissão (local da conduta
infracional), observadas as regras de conexão, continência e
prevenção previstas no CPP
O objetivo do procedimento para apuração de ato infracional atribuído a adolescente não é a pura e simples aplicação de
medidas socioeducativas (que podem mesmo deixar de ser
aplicadas quando tal solução não se mostrar necessária, mas sim a descoberta das causas da conduta infracional e sua
subsequente terapêutica, de modo que o adolescente (e
eventualmente sua família - seja vinculado aos programas e
serviços capazes de proporcionar o adequado exercício de todos os seus direitos fundamentais e a evitar sua reincidência.
A apreensão de adolescente, por força de ordem judicial, ocorrerá em razão da expedição de mandado de busca e
apreensão, ou mandado de condução coercitiva
Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado a autoridade policial competente . Parágrafo único. Havendo repartição policial especializada para atendimento de adolescente e em se tratando de ato infracional praticado em co-autoria com maior, prevalecerá a atribuição de repartição especializada, que, após as providências necessárias e conforme o caso, encaminhará o adulto a repartição policial
própria.
É o CPP que servirá de base para definição das situações em que restará caracterizado o flagrante de ato infracional, que serão
exatamente as mesmas em que um imputável seria considerado em flagrante de crime ou contravenção penal.
A criança apreendida em flagrante de ato infracional deve ser
encaminhada ao Conselho. Como no entanto o Conselho Tutelar não é órgão de investigação policial, nem tem atribuição (ou
mesmo capacidade técnica) para desenvolver qualquer atividade afeta à polícia judiciária, deverá esta investigar mesmo diante da notícia de ato infracional praticado por criança. É possível que a criança tenha agido na companhia ou sob as ordens de um adulto (ou de um adolescente), ou tenha assumido a autoria de um ato infracional praticado por um adulto (ou adolescente), situações que deverão ser devidamente apuradas pelo órgão policial competente.
Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante
violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos artigos 106, parágrafo único e 107, deverá:
I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente; II - apreender o produto e os instrumentos da infração ;
III - requisitar os exames ou perícias necessárias a comprovação da
materialidade e autoria da infração .
Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do
auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada
Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o
adolescente será prontamente liberado pela autoridade policial , sob termo de compromisso e responsabilidade de sua apresentação ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo
impossível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública
A comunicação da apreensão do adolescente a seus pais ou
responsável deve ser efetuada incontinenti
Importante destacar que a liberação do adolescente aos pais
ou responsável, em tais casos, deverá ser efetuada
diretamente pela autoridade policial, independentemente da intervenção de outro órgão ou autoridade
O decreto da internação provisória, a rigor, somente
pode ocorrer nas hipóteses em que é juridicamente
admissível, em tese, a aplicação da medida socioeducativa de internação
Art. 175. Em caso de não-liberação, a autoridade policial
encaminhará, desde logo, o adolescente ao
representante do Ministério Público, juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência.
§ 1°. Sendo impossível a apresentação imediata, a
autoridade policial encaminhará o adolescente a entidade de atendimento, que fará a apresentação ao
representante do Ministério Público no prazo de 24 (vinte e quatro) horas .
§ 2°. Nas localidades onde não houver entidade de
atendimento, a apresentação farse- á pela autoridade policial . À falta de repartição policial especializada , o adolescente aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em
qualquer hipótese, exceder o prazo referido no parágrafo anterior
O prazo deve ser computado hora a hora, a partir do
momento da apreensão do adolescente, visando abreviar ao máximo sua privação de liberdade.
Art. 178. O adolescente a quem se atribua autoria de ato
infracional não poderá ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial, em condições atentatórias a sua dignidade, ou que impliquem risco a sua integridade física ou mental, sob pena de
responsabilidade
Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do
Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente a sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.
Parágrafo único. Em caso de não-apresentação, o
representante do Ministério Público notificará os pais ou responsável para apresentação do adolescente ,podendo requisitar o concurso das Polícias Civil e Militar
Caso o adolescente possua defensor constituído, este
deverá acompanhar o ato e, embora a lei ainda não o obrigue, é salutar a presença de um defensor público nomeado quando da realização do ato
Art. 180. Adotadas as providências a que alude o artigo
anterior, o representante do Ministério Público poderá:
I - promover o arquivamento dos autos ; II - conceder a remissão;
III - representar à autoridade judiciária para aplicação de
medida sócioeducativa
O Ministério Público exerce um papel chave na definição
do que ocorrerá a seguir com o procedimento e com o adolescente, razão pela qual deve ter especial cautela quando da análise do caso e de sua proposta de solução
Art. 181. Promovido o arquivamento dos autos ou
concedida a remissão pelo representante do Ministério Público, mediante termo fundamentado, que conterá o resumo dos fatos, os autos serão conclusos à autoridade judiciária para homologação .
§ 1°. Homologado o arquivamento ou a remissão, a
autoridade judiciária determinará, conforme o caso, o cumprimento da medida .
§ 2°. Discordando, a autoridade judiciária fará remessa
dos autos ao Procurador- Geral de Justiça, mediante despacho fundamentado , e este oferecerá
representação, designará outro membro do Ministério
Público para apresentá-la, ou ratificará o arquivamento ou a remissão, que só então estará a autoridade judiciária obrigada a homologar
Quando do oferecimento da representação, o representante do
Ministério Público não deve indicar, de antemão, qual (ou quais) a(s) medida(s) socioeducativa(s) que entenda deva(m) ser aplicada(s), até porque não existe prévia correlação entre o ato infracional praticado e a sanção socioeducativa, sendo a
aferição da solução mais adequada condicionada a inúmeros fatores, que demandam um estudo criterioso que vai muito
além da singela comprovação da autoria e da materialidade da infração, passando por uma avaliação técnica das
circunstâncias em que esta foi praticada, da capacidade do
adolescente em se submeter à medida e suas necessidades
pedagógicas específicas, dentre outros fatores.
Art. 183. O prazo máximo e improrrogável para a conclusão do
procedimento, estando o adolescente internado provisoriamente, será de quarenta e cinco dias
Art. 184. Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará
audiência de apresentação do adolescente, decidindo, desde logo, sobre a decretação ou manutenção da internação, observado o disposto no artigo 108 e parágrafo.
§ 1°. O adolescente e seus pais ou responsável serão cientificados do
teor da representação, e notificados a comparecer a audiência, acompanhados de advogado .
§ 2°. Se os pais ou responsável não forem localizados, a autoridade
judiciária dará curador especial ao adolescente .
§ 3º. Não sendo localizado o adolescente, a autoridade judiciária
expedirá mandado de busca e apreensão, determinando o sobrestamento do feito, até efetiva apresentação .
§ 4°. Estando o adolescente internado, será requisitada a sua
Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária,
não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional.
§ 1°. Inexistindo na comarca entidade com as características definidas no
artigo 123, o adolescente deverá ser imediatamente transferido para a localidade mais próxima .
§ 2°. Sendo impossível a pronta transferência, o adolescente aguardará
sua remoção em repartição policial, desde que em seção isolada dos adultos e com instalações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo máximo de cinco dias, sob pena de responsabilidade
Art. 186. Comparecendo o adolescente, seus pais ou responsável, a
autoridade judiciária procederá a oitiva dos mesmos, podendo solicitar opinião de profissional qualificado .
§ 1°. Se a autoridade judiciária entender adequada a remissão, ouvirá o
representante do Ministério Público, proferindo decisão .
§ 2°. Sendo o fato grave, passível de aplicação de medida de internação
ou colocação em regime de semiliberdade, a autoridade judiciária,
verificando que o adolescente não possui advogado constituído, nomeará defensor , designando, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências e estudo do caso .
§ 3°. O advogado constituído ou o defensor nomeado, no prazo de três dias contando da audiência de apresentação , oferecerá defesa prévia e rol de testemunhas.
§ 4°. Na audiência em continuação, ouvidas as testemunhas arroladas na
representação e na defesa prévia, cumpridas as diligências e juntado o relatório da equipe interprofissional , será dada a palavra ao representante do Ministério Público e ao defensor, sucessivamente, pelo tempo de vinte minutos para cada um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade judiciária, que em seguida proferir decisão
Vale notar que o dispositivo é expresso ao determinar que
a autoridade judiciária não deve se limitar a ouvir o adolescente, mas precisa ouvir também seus pais ou responsável (inclusive sob pena de nulidade do ato - e eventualmente de todo o feito - por quebra do princípio do “devido processo legal”)
Na defesa prévia o defensor deverá arrolar não apenas
testemunhas presenciais dos fatos, mas também aquelas que possam prestar informações acerca da conduta pessoal, familiar e social do adolescente, vez
que tais informações são de suma importância quando da análise da medida socioeducativa mais adequada.
A tônica de todo o procedimento é a celeridade, razão
pela qual deve-se primar pelo respeito ao princípio da
oralidade, conforme previsto no presente dispositivo,
evitando-se a usual abertura de prazo para a
apresentação de “memoriais” e/ou a sentença “em gabinete”, o que geralmente retarda a solução do caso.
Art. 187. Se o adolescente, devidamente notificado, não
comparecer, injustificadamente, à audiência de
apresentação, a autoridade judiciária designará nova data, determinando sua condução coercitiva.
Art. 188. A remissão, como forma de extinção ou
suspensão do processo, poderá ser aplicada em qualquer fase do procedimento, antes da sentença
Art. 189. A autoridade judiciária não aplicará qualquer
medida , desde que reconheça na sentença :
I - estar provada a inexistência do fato; II - não haver prova da existência do fato; III - não constituir o fato ato infracional;
IV - não existir prova de ter o adolescente concorrido para o
ato infracional .
Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, estando o
adolescente internado, será imediatamente colocado em liberdade
Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida de
internação ou regime de semiliberdade será feita:
I - ao adolescente e ao seu defensor ;
II - quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou
responsável, sem prejuízo do defensor.
§ 1º. Sendo outra medida aplicada, a intimação far-se-á
unicamente na pessoa do defensor.
§ 2°. Recaindo a intimação na pessoa do adolescente,
deverá este manifestar se deseja ou não recorrer da sentença
O legislador teve a nítida intenção de criar uma situação
na qual o recurso de apelação, contra decisão impositiva de medida privativa de liberdade ao adolescente, seria praticamente inevitável, haja vista que, uma vez
pessoalmente intimado de tal solução, assim como devidamente informado acerca das consequências da decisão e das alternativas disponíveis (desnecessário mencionar que não basta “intimar” o adolescente da
decisão e colher sua manifestação, mas sim prestar lhe a devida orientação - notadamente sob a ótica jurídica - acerca das implicações desta decorrentes - cf. art. 100, par. único, inciso XI, do ECA), dificilmente o adolescente deixará de manifestar intenção de recorrer.
Uma vez que o adolescente manifeste expressamente sua intenção de recorrer da decisão, disto deverá
certificar o Sr. Meirinho, considerando-se interposto o recurso neste momento, cabendo ao defensor do adolescente a apresentação das razões de recurso no prazo de 10 (dez) dias.
Antes da intimação pessoal do adolescente ou, na impossibilidade de sua localização, de seus pais Ou responsável, não deve ser considerado intempestivo o recurso apresentado pelo defensor
Recursos
Recursos
Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da
Juventude fica adotado o sistema recursal do Código de Processo Civil,, com as seguintes vadações :
I - os recursos serão interpostos independentemente de preparo; II - em todos os recursos, salvo o de agravo de instrumento e de
embargos de declaração, o prazo para interpor e para responder será sempre de de ias;
III - os recursos terão preferência de julgamento e dispensarão
revisor;
IV - o agravado será intimado para, no prazo de cinco dias ,
oferecer resposta e indicar as peças a serem trasladadas;
V - será de quarenta e oito horas o prazo para a extração a
conferência e o conserto do traslado ;
VI - a apelação será recebida em seu efeito devolutivo. Será
também conferido efeito suspensivo quando interposta contra sentença que deferir a adoção por estrangeiro e, a juízo da
autoridade judiciária, sempre que houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação;
VII - antes de determinar a remessa dos autos a superior instância,
no caso de apelação, ou do instrumento, no caso de agravo, a autoridade judiciária proferirá despacho fundamentado, mantendo ou reformando a decisão, no prazo de cinco dias ;
VIII - mantida a decisão apelada ou agravada, o escrivão remeterá
os autos ou o instrumento a superior instância dentro de vinte e quatro horas, independentemente de novo pedido do recorrente ; se a reformar, a remessa dos autos dependerá de pedido expresso da parte interessada ou do Ministério Público, no prazo de cinco dias, contados da intimação .
Embargos de declaração – 5 dias
Embargos de declaração – 5 dias
Apelação e demais recursos (Agravo) – 10 dias
Apelação e demais recursos (Agravo) – 10 dias
Efeito devolutivo ao apelo nos casos de adoção por Efeito devolutivo ao apelo nos casos de adoção por
brasileiro, destituição do poder familiar
brasileiro, destituição do poder familiar
Efeito suspensivo nos casos de adoção Efeito suspensivo nos casos de adoçã por estrangeiropor estrangeiro Efeito suspensivo à qualquer apelação: Vale dizer que Efeito suspensivo à qualquer apelação
o inciso V acabou sendo inadvertidamente revogado pela Lei nº 12.010/2009, devido a uma evidente falha de sistematização, decorrente da incorporação dos arts. 199-A a E (que dispõem especificamente sobre a destituição do poder familiar e adoção) ao texto original da Lei nº 8.069/1990. Como resultado, os recursos de apelação interpostos contra decisões proferidas pela Justiça da Infância e daJuventude nos demais
procedimentos devem passar a ser recebidos, em regra, tanto no efeito devolutivo quanto suspensivo O STJ reconheceu que a isenção de custas e
emolumentos visa beneficiar apenas crianças e
adolescentes, na qualidade de autores ou requeridos, não sendo extensível aos demais sujeitos processuais que eventualmente figurem no feito
Art. 199. Contra as decisões
proferidas com base no artigo
149 caberá recurso de apelação
Art. 199-D. O relator deverá
colocar o processo em mesa
para julgamento no prazo
máximo de 60 (sessenta) dias,
contado da sua conclusão.
Cuida-se de prazo de recurso
interposto em face de sentença
de adoção e de destituição do
poder familiar
Remissão
Remissão
Objetivo: A remissão pretende sanar os efeitos negativos e Objetivo:
prejudiciais acarretados pela deflagração ou demora na conclusão do procedimento judicial destinado à apuração do
ato infracional praticado por adolescente.
A concessão da remissão deverá ser sempre a regra
Não existe uma limitação ao número de vezes em que a
remissão pode ser concedida ao adolescente
Os procedimentos nos quais foi concedida remissão não podem ser invocados como pretexto para imposição de medidas mais gravosas e/ou computados para fins de caracterização da “reiteração” de condutas
Espécies de Remissão:Espécies de Remissão:
Remissão pura e simples: a remissão é concedida sem Remissão pura e simples:
cumulação com medidas socioeducativas ou apenas com advertência
Remissão cumulada com medida socioeducativa: neste caso Remissão cumulada com medida socioeducativa:
só podem ser aplicadas com medidas socioeducativas de
regime aberto. Neste caso o adolescente deve ser ouvido para saber se concorda, e deve ser avisado das conseqüências de sua não aceitação ou não cumprimento da medida.
Remissão concedida pelo Ministério Público
Remissão concedida pelo Ministério Público
O MP pode conceder a remissão, evitando com isto a
instauração de um processo
Possibilidade da concessão cumulada com medida
socioeducativa
Remissão concedida pelo juiz
Remissão concedida pelo juiz
Após o oferecimento da representação socioeducativa a
prerrogativa pela concessão da remissão passa à autoridade judiciária
Pode optar por tal solução a qualquer momento, antes de
prolatar a sentença, após ouvir o Ministério Público
Espécies:Espécies:
A remissão como forma de suspensão do processo será,
em regra, cumulada com medida socioeducativa não privativa de liberdade cuja execução se prolongue no tempo
A remissão como forma de extinção do processo será
concedida pela autoridade judiciária, também em regra, quando desacompanhada de medidas socioeducativas ou quando cumulada unicamente com a advertência
Em sede de remissão não pode haver
imposição, mas apenas o eventual ajuste de
uma ou mais medidas socioeducativas em meio
aberto, passando o instituto a assumir os
contornos de verdadeira transação socioeducativa
Veda-se, portanto, a revisão judicial de ofício da(s)
medida(s) ajustada(s) em sede de remissão. Caso
a autoridade judiciária discorde da remissão
concedida pelo Ministério Público, lhe resta
apenas, mediante despacho fundamentado,
enviar os autos ao Procurador Geral de Justiça,
para sua revisão ou ratificação.
Caso haja o descumprimento pelo adolescente de
medida aplicada em sede de remissão não se
poderá por tal razão interná-lo, não incidindo o
disposto no art. 122, inciso III, do ECA
Em tais casos deve haver, como conseqüência do
descumprimento das medidas ajustadas ou o
oferecimento da representação (no caso da
remissão concedida pelo Ministério Público), ou a
retomada do processo que se encontrava suspenso (no caso da remissão concedida pela
Prescrição
Prescrição
O instituto da prescrição não é incompatível com a
natureza não-penal das medidas sócio-educativas.
Jurisprudência pacífica no sentido da
prescritibilidade das medidas de segurança
Os casos de imprescritibilidade devem ser, apenas,
aqueles expressamente previstos em lei.
Se o Estatuto da Criança e do Adolescente não
estabelece a imprescritibilidade das medidas
sócio-educativas, devem elas se submeter à
regra geral, como determina o art. 12 do Código
Penal.