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ECA AULA VIII - parte II(1)

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(1)

Os Direitos da

Os Direitos da

Criança e do

Criança e do

Adolescente

Adolescente

DAS MEDIDAS

SOCIOEDUCATIVAS

(2)

Medidas Socioeducativas:

Medidas Socioeducativas:

Art. 112. Verificada a prática de ato infracional , a

autoridade competente poderá aplicar ao

adolescente as seguintes medidas

I – advertência

II - obrigação de reparar o dano

III - prestação de serviços à comunidade

IV - liberdade assistida

V - inserção em regime de semiliberdade

VI - internação em estabelecimento educacional

VII - qualquer uma das previstas no art. 101, I a

(3)

Medidas Socioeducativas

Medidas Socioeducativas

As medidas socioeducativas são destinadas apenas a

adolescentes acusados da prática de atos infracionais,

devendo por força do art. 104, paragrafo único do ECA ser considerada a idade do agente à data do fato (a criança está sujeita APENAS a medidas de proteção - arts. 105 c/c 101 do ECA)

 É de se atentar para o fato de que não se cogita a aplicação de

medidas socioeducativas a adolescentes que não tenham praticado ato infracional, o que realça seu caráter

sancionatório

Embora pertençam ao gênero "sanção estatal" (decorrentes da não conformidade da conduta do adolescente a uma norma penal proibitiva ou impositiva), não podem ser confundidas

ou encaradas como penas, pois têm natureza jurídica e

finalidade diversas.

Enquanto as penas possuem um caráter eminentemente

retributivo/punitivo, as medidas socioeducativas têm um

caráter preponderantemente pedagógico, com preocupação

única de educar o adolescente acusado da prática de ato infracional, evitando sua reincidência.

(4)

Por se tratarem de sanções estatais, posto que se constituem na resposta à prática de ato infracional por adolescente, sendo de natureza coercitiva, as medidas socioeducativas estão sujeitas ao princípio constitucional da legalidade (art. 5º, inciso XXXIX, da CF), não podendo ser aplicadas, a este

título, outras medidas além das expressamente relacionadas neste dispositivo.

Como o ato infracional não é crime e a medida socioeducativa não é pena, incabível fazer qualquer correlação entre a

quantidade ou qualidade (se reclusão ou detenção) de pena in

abstracto prevista para o imputável que pratica o crime e a

medida socioeducativa destinada ao adolescente que pratica a mesma conduta, até porque inexiste qualquer prévia

correlação entre o ato infracional praticado e a medida a ser aplicada, nada impedindo - e sendo mesmo preferível,

na forma da Lei e da Constituição Federal - que um ato

infracional de natureza grave receba medidas socioeducativas em meio aberto.

Nada impede, e sendo em alguns casos mesmo necessário que adolescentes co-autores do mesmo ato infracional

recebam medidas socioeducativas completamente

diversas, a depender de análise criteriosa de suas condições

(5)

§ 1º A medida aplicada ao adolescente levará em

conta a sua capacidade de cumpri-la, as

circunstâncias e a gravidade da infração.

§ 2º Em hipótese alguma e sob pretexto algum, será

admitida a prestação de trabalho forçado.

§ 3º Os adolescentes portadores de doença ou

deficiência mental receberão tratamento individual e

especializado, em local adequado às suas condições.

São estes os parâmetros a serem analisados quando

da aplicação da medida socioeducativa, que deverá

levar também em conta as necessidades pedagógicas

do adolescente, conforme arts. 113 c/c 100, caput,

primeira parte, do ECA, devendo-se buscar,

invariavelmente, a solução que melhor atenda aos

interesses do adolescente da forma menos

gravosa possível

A aplicação da medida socioeducativa deverá ainda

considerar os princípios relacionados no art. 100,

par. único, do ECA

(6)

I - condição da criança e do adolescente como sujeitos de direitos: crianças e adolescentes são os titulares dos direitos previstos nesta e em outras Leis, bem como na Constituição Federal;

II - proteção integral e prioritária: a interpretação e aplicação de toda e qualquer norma contida nesta Lei deve ser voltada à proteção integral e prioritária dos direitos de que crianças e adolescentes são titulares; III - responsabilidade primária e solidária do poder público: a plena efetivação dos direitos assegurados a crianças e a adolescentes por esta Lei e pela Constituição Federal, salvo nos casos por esta

expressamente ressalvados, é de responsabilidade primária e solidária das 3 (três) esferas de governo, sem prejuízo da municipalização do atendimento e da possibilidade da execução de programas por

entidades não governamentais;

IV - interesse superior da criança e do adolescente: a intervenção deve atender prioritariamente aos interesses e direitos da criança e do

adolescente, sem prejuízo da consideração que for devida a outros interesses legítimos no âmbito da pluralidade dos interesses presentes no caso concreto;

V - privacidade: a promoção dos direitos e proteção da criança e do adolescente deve ser efetuada no respeito pela intimidade, direito à imagem e reserva da sua vida privada;

VI - intervenção precoce: a intervenção das autoridades competentes deve ser efetuada logo que a situação de perigo seja conhecida;

(7)

VII - intervenção mínima: a intervenção deve ser exercida

exclusivamente pelas autoridades e instituições cuja ação seja

indispensável à efetiva promoção dos direitos e à proteção da criança e do adolescente;

VIII - proporcionalidade e atualidade: a intervenção deve ser a

necessária e adequada à situação de perigo em que a criança ou o adolescente se encontram no momento em que a decisão é tomada; IX - responsabilidade parental: a intervenção deve ser efetuada de

modo que os pais assumam os seus deveres para com a criança e o adolescente;

X - prevalência da família: na promoção de direitos e na proteção da criança e do adolescente deve ser dada prevalência às medidas que os mantenham ou reintegrem na sua família natural ou extensa ou, se isto não for possível, que promovam a sua integração em família

substituta;

XI - obrigatoriedade da informação: a criança e o adolescente, respeitado seu estágio de desenvolvimento e capacidade de

compreensão, seus pais ou responsável devem ser informados dos seus direitos, dos motivos que determinaram a intervenção e da forma como esta se processa;

XII - oitiva obrigatória e participação: a criança e o adolescente, em separado ou na companhia dos pais, de responsável ou de pessoa por si indicada, bem como os seus pais ou responsável, têm direito a ser ouvidos e a participar nos atos e na definição da medida de promoção dos direitos e de proteção, sendo sua opinião devidamente

considerada pela autoridade judiciária competente, observado o disposto nos §§ 1o e 2o do art. 28 desta Lei.

(8)

Assim sendo, a aplicação das medidas

socioeducativas deve ocorrer

a) forma mais célere possível

b) levar sempre em conta a situação do adolescente

no momento em que a decisão é tomada

c) avaliação técnica criteriosa que contemple a

orientação do adolescente

d) leve em conta sua opinião

e) dar sempre preferência a medidas que fortaleçam

vínculos familiares e enalteçam o papel da família

no processo de socioeducação

f) procurar a solução menos traumática possível (cf.

art. 100, par. único, incisos II, IV e VII, do ECA), na

perspectiva da plena efetivação de todos os seus

direitos fundamentais

(9)

Para aferição da “capacidade de cumprimento da

medida” pelo adolescente não basta uma análise

genérica e/ou superficial do caso e seu cotejo com o

que seria de se esperar do “homo medius”, até porque

não existe um “adolescente padrão”. Ademais, por força

do disposto no art. 6º, do ECA, o adolescente deve ter

sempre respeitada sua “peculiar condição de pessoa

em desenvolvimento”, o que demanda uma análise

criteriosa da situação psicossocial de cada

adolescente, individualmente considerado e seu

efetivo preparo, inclusive sob o ponto de vista

emocional, para se submeter à medida que se lhe

pretende aplicar.

Devemos lembrar que, embora seja uma sanção

estatal, a medida socioeducativa não é uma “pena”,

devendo apresentar um benefício ao adolescente,

pelo que somente deverá ser aplicada e continuar a

ser executada se estiver surtindo resultados

positivos. Outra não é a razão de a lei prever a

possibilidade de substituição de uma medida por

outra, a qualquer tempo (arts. 113 c/c 99, ambos do

(10)

Por “circunstâncias da infração” deve-se compreender muito mais que a singela autoria e materialidade do ato

infracional, mas sim todos os fatores – endógenos e exógenos - que levaram o adolescente à prática do ato

infracional. É, em última análise, a busca do motivo e das

causas da conduta infracional, que a intervenção

socioeducativa deve procurar combater, sempre da forma

menos rigorosa possível.

 A disposição visa assegurar que haja uma

proporcionalidade entre a infração praticada e a medida

a ser aplicada, não significando, no entanto, que para todo

ato de natureza grave deverão corresponder medidas privativas de liberdade. Mesmo em tais casos, somente

deverá ocorrer a privação da liberdade quando não restar outra alternativa sociopedagógica

Adolescentes acusados da prática de ato infracional

que apresentem distúrbios de ordem psíquica que

os tornariam inimputáveis ou semi-imputáveis mesmo

se adultos fossem, conforme regra do art. 26, do

Código Penal, não devem ser submetidos a medidas

socioeducativas (notadamente as privativas de

liberdade), mas apenas a medidas específicas de

proteção, conforme art. 101, inciso V, do ECA, com

seu encaminhamento a entidades próprias onde

receberão o tratamento adequado

(11)

Art. 113. Aplica-se a este Capítulo o disposto nos arts. 99 e 100A substituição das medidas socioeducativas em

execução deve ocorrer dentro de procedimento específico instaurado pelo Juízo encarregado de acompanhar sua

execução, no qual deverão ser respeitadas as garantias do contraditório, ampla defesa e devido processo legal, não se podendo prescindir da oitiva do adolescente e seu

responsável (cf. art. 100, par. único, incisos XI e XII, do ECA), bem como da manifestação do defensor constituído ou

nomeado, além é claro do Ministério Público (cf. arts. 111, inciso III, 153 e 204, do ECA).

 Vale também o registro que, quando em razão do

descumprimento reiterado e injustificável da medida em

execução, se cogitar da “regressão” da medida em meio

aberto para internação, deve ser respeitada a disposição

específica contida no art. 122, inciso III e §1º, do ECA, sendo então de, no máximo, 03 (três) meses o prazo de duração da medida privativa de liberdade.

Na perspectiva de evitar a reincidência, importante jamais

perder de vista, portanto, que a aplicação e execução das medidas socioeducativas, em sua essência, segue os

mesmos princípios que norteiam a aplicação e execução das medidas protetivas, tendo em vista, em última análise, a

proteção integral do adolescente, a teor do contido no art.

(12)

Art. 114. A imposição das medidas previstas nos incisos II a VI do

art. 112 pressupõe a existência de provas suficientes da

autoria e da materialidade da infração, ressalvada a hipótese de remissão, nos termos do art. 127.

Parágrafo único. A advertência poderá ser aplicada sempre que

houver prova da materialidade e indícios suficientes da autoria.  A inexistência de prova inequívoca da autoria e da

materialidade da infração, tal qual ocorre no processo-crime

instaurado em relação a imputáveis, impede a imposição de

medidas socioeducativas.

 O procedimento para apuração de ato infracional, portanto,

quando da coleta de provas de autoria e materialidade, deve observar cautelas semelhantes às tomadas no processo penal, sendo que, em havendo dúvida quanto à autoria e

materialidade (assim como em relação à incidência de causa excludente de culpabilidade ou de ilicitude), deve-se aplicar o princípio do in dubio pro reo e julgar improcedente a

representação socioeducativa

Em sede de remissão, seja como forma de exclusão do

processo, seja como forma de suspensão ou extinção do processo, não poderá haver a imposição de medidas

socioeducativas, que somente poderão ser incluídas no

termo se houver a concordância expressa do adolescente, devidamente assistido por seus pais ou responsável.

(13)

Da Advertência

Art. 115. A advertência consistirá em admoestação verbal, que

será reduzida a termo e assinada

A advertência é a única das medidas socioeducativas que deve ser executada diretamente pela autoridade judiciária. O Juiz deve estar presente à audiênciaa monitória, assim

como o representante do Ministério Público e os pais ou

responsável pelo adolescente, devendo ser este alertado das

consequências da eventual reiteração na prática de atos infracionais e/ou do descumprimento de medidas que tenham sido eventualmente aplicadas cumulativamente

(conforme arts. 113 c/c 99, do ECA).

Os pais ou responsável deverão ser também orientados e, se necessário, encaminhados ao Conselho Tutelar para

receber as medidas previstas no art. 129, do ECA, que se mostrarem pertinentes.

Art. 38. As medidas de proteção, de advertência e de

reparação do dano, quando aplicadas de forma isolada, serão executadas nos próprios autos do processo de conhecimento (Lei 12594/2012)

(14)

Da Obrigação de Reparar o Dano

Art. 116. Em se tratando de ato infracional com reflexos

patrimoniais, a autoridade poderá determinar, se for o caso, que o adolescente restitua a coisa, promova o ressarcimento do dano, ou, por outra forma, compense o prejuízo da vítima.

Parágrafo único. Havendo manifesta impossibilidade, a

medida poderá servsubstituída por outra adequada

Aplicável apenas a atos infracionais com reflexos patrimoniais,

a medida não se confunde com a indenização cível (que pode ser exigida do adolescente ou de seus pais ou

responsável independentemente da solução do procedimento que, aliás, não está sujeito à regra do art. 91, inciso I, do CP),

sendo fundamental que a reparação do dano seja cumprida

pelo adolescente, e não por seus pais ou responsável,

devendo ser assim verificado, previamente, se aquele tem capacidade de cumprí-la (cf. art. 112, §1°, do ECA). Se nçao tiver, deve optar-se por outra medida.

A reparação pode se dar diretamente, através da

restituição da coisa, ou pela via indireta, através da entrega de coisa equivalente ou do seu valor correspondente em dinheiro.

(15)

Seção IV - Da Prestação de Serviços à Comunidade

Art. 117. A prestação de serviços comunitários consiste na

realização de tarefas gratuitas de interesse geral, por período não excedente a seis meses, junto a entidades assistências, hospitais, escolas e outros estabelecimentos congêneres, bem como em programas comunitários ou governamentais

Parágrafo único. As tarefas serão atribuídas conforme as

aptidões do adolescente, devendo ser cumpridas durante jornada máxima de oito horas semanais, aos sábados,

domingos e feriados ou dias úteis, de modo a não prejudicar a frequência à escola ou à jornada normal de trabalho.

Impossibilidade de que o adolescente submetido a tal medida realize atividades consideradas proibidas ao adolescente trabalhador.

O adolescente vinculado a tal medida não pode ser obrigado a realizar atividades degradantes, humilhantes e/ou que o

exponham a uma situação constrangedora.

A medida não pode se restringir à “exploração da

mão-de-obra” do adolescente, devendo ter um cunho eminentemente

pedagógico (com a devida justificativa para as atividades a

(16)

Busca-se o desenvolvimento de trabalhos

voluntários, de cunho social e humanitário.

Este meio socioeducativo é viabilizado pelas Varas

de Infância e Juventude, que, por convênio com os

estabelecimentos determinados (hospitais,

(17)

Seção V - Da Liberdade Assistida

Art. 118. A liberdade assistida será adotada sempre que se afigurar a medida mais adequada para o fim de acompanhar, auxiliar e

orientar o adolescente

§ 1º. A autoridade designará pessoa capacitada para acompanhar o caso, a qual poderá ser recomendada por entidade ou programa de atendimento

§ 2º. A liberdade assistida será fixada pelo prazo mínimo de seis meses, podendo a qualquer tempo ser prorrogada, revogada ou substituída por outra medida , ouvido o orientador, o Ministério Público e o defensor

A liberdade assistida é a medida que melhor traduz o espírito e o sentido do sistema socioeducativo e, desde que corretamente

executada, é sem dúvida a que apresenta melhores condições de surtir os resultados positivos almejados, não apenas em benefício do adolescente, mas também de sua família e, acima de tudo, da

sociedade.

Não se trata de uma mera “liberdade vigiada”, na qual o

adolescente estaria em uma espécie de “período de prova”, mas sim importa em uma intervenção efetiva e positiva na vida do

adolescente e, se necessário, em sua dinâmica familiar, por intermédio de uma pessoa capacitada para acompanhar a execução da medida, chamada de “orientador”,

(18)

Embora não seja previsto, por lei, um prazo máximo

para sua duração, o programa socioeducativo em

execução deve estabelecer metas a serem atingidas

pelo adolescente e pela entidade, de modo que

aquele permaneça vinculado à medida pelo menor

período de tempo possível, devendo ser sua família

orientada e trabalhada para assumir a

responsabilidade em relação ao adolescente a partir

de determinado momento

Embora a liberdade assistida importe em muito mais

que a simples “vigilância” do adolescente, é admissível,

por analogia, a aplicação das disposições da Lei nº

12.258/2010, de 15/06/2010, de modo que

adolescentes vinculados a este tipo de medida sejam

submetidos a monitoramento eletrônico.

Sempre que necessária a substituição desta ou de

qualquer outra medida socioeducativa, nos moldes do

arts. 113 c/c 99, do ECA, deve ser instaurado

verdadeiro “incidente de execução”, no qual se

garanta ao adolescente o contraditório e a ampla

defesa

(19)

Art. 119. Incumbe ao orientador, com o apoio e a supervisão da autoridade competente, a realização dos seguintes

encargos, entre outros :

I - promover socialmente o adolescente e sua família , fornecendo-lhes orientação e inserindo-os, se necessário, em programa oficial ou comunitário de auxílio e assistência social:

II - supervisionar a frequência e o aproveitamento escolar do adolescente, promovendo, inclusive, sua matrícula

III - diligenciar no sentido da profissionalização do adolescente e de sua inserção no mercado trabalho ; IV- apresentar relatório do caso.

A “autoridade competente” a que se refere o dispositivo poderá ser tanto o próprio Juiz da Infância e da Juventude, notadamente quando da ocorrência de algum incidente de execução, quanto o Conselho Tutelar, que poderá ser acionado para aplicar as medidas de proteção que se fizerem necessárias tanto ao adolescente quanto à sua família.

A enumeração é meramente exemplificativa.

Importante mencionar que o orientador não deve

substituir o papel que cabe à família do adolescente mas

sim orientar e apoiar esta para que assuma suas responsabilidades perante o jovem.

(20)

Seção VI - Do Regime de Semiliberdade

Art. 120. O regime de semiliberdade pode ser

determinado desde o início, ou como forma de transição

para o meio aberto , possibilitada a realização de

atividades externas, independentemente de autorização

judicial

§ 1º. É obrigatória a escolarização e a

profissionalização, devendo, semprec que possível, ser

utilizados os recursos existentes na comunidade

§ 2º. A medida não comporta prazo determinado,

aplicando-se, no que couber, as disposições relativas à

internação

A semiliberdade é das medidas de execução mais

complexa e difícil dentre todas as previstas na Lei n°

8.069/1990.

Em 1996, o Conselho Nacional dos Direitos da Criança

e do Adolescente - CONANDA, expediu a Resolução n°

47, de 06/12/1996, na tentativa de regulamentar a

matéria. Em que pese tal esforço, vários aspectos

sobre a forma como se dará o atendimento do

adolescente permanecem obscuros, o que sem dúvida

contribui para a existência de poucos programas em

(21)

Pressupõe uma adequada avaliação da sua efetiva

capacidade de cumprimento, pelo adolescente

individualmente considerado

 Talvez mais do que qualquer outra, por suas

características e particularidades, a medida de inserção em regime de semiliberdade pressupõe a elaboração

de um programa socioeducativo de excelência , que

deverá ser devidamente registrado e executado por

profissionais altamente capacitados

Irá realizar atividades externas e permanecerá

recolhido na entidade apenas durante determinados períodos, de acordo com o previsto no programa em

execução

Vale o registro que não há qualquer obrigatoriedade de o adolescente que está internado passe primeiro pela semiliberdade antes de ganhar o meio aberto.O prazo máximo para sua duração, que deverá ser de

03 (três) anos, na forma do disposto no art. 121, §3º,

com a obrigatoriedade da reavaliação da necessidade de sua manutenção, no máximo, a cada 06 (seis) meses

(22)

Seção VII - Da Internação

Art. 121. A internação constitui medida privativa da liberdade,

sujeita aos princípios de brevidade, excepcionalidade e

respeito à condição peculiar de pessoa em desenvolvimento  A internação de um jovem em uma instituição será sempre

uma medida de último recurso pelo mais breve período possível”

 Medida privativa de liberdade por excelência, a internação somente deverá ser aplicada em casos extremos, quando,

comprovadamente, não houver possibilidade da aplicação de outra medida menos gravosa (cf. art. 122, ECA)

§ 1º. Será permitida a realização de atividades externas, a

critério da equipe técnica da entidade, salvo expressa determinação judicial em contrário

 Desnecessário dizer que, mesmo que a sentença restrinja,

num primeiro momento, a realização de atividades externas, estas poderão ser autorizadas, por decisão judicial posterior, ao longo da execução da medida, inclusive como forma de preparação para progressão de regime ou para o

(23)

§ 2º. A medida não comporta prazo determinado, devendo sua

manutenção ser reavaliada, mediante decisão fundamentada, no máximo a cada seis meses

O referido prazo deve ser computado a partir do momento

em que o adolescente é privado de liberdade, incluindo-se o período de internação Provisória

Reputa-se inadmissível estabelecer, já na sentença, um

prazo mínimo ou máximo para a sua duração e/ou mesmo para reavaliação da necessidade, ou não, de continuidade da internação

A medida se constitui num verdadeiro incidente de execução,

que deve ser instaurado no momento da chegada do relatório ou laudo respectivo. Uma vez instaurado o incidente, deverá ser colhida a manifestação do Ministério Público e da defesa do adolescente acerca do teor do relatório ou laudo

Importante destacar que o prazo máximo a que se refere o dispositivo é dirigido à autoridade judiciária competente

para reavaliação, que até a data-limite do referido prazo deverá

(24)

§ 3º. Em nenhuma hipótese o período máximo de

internação excederá a três anos

Este prazo máximo de duração da medida

privativa de liberdade extrema abrange todos os

atos infracionais anteriores à sentença que a

decretou e ao início de sua execução (ainda que,

por uma razão ou por outra, não tenham sido por

ela expressamente abrangidos), vez que não há

previsão legal para o “somatório” de medidas

socioeducativas.

Para atos infracionais praticados após o início da

execução da medida ou sua extinção, por outro

lado, abre-se a possibilidade de aplicação de nova

medida da mesma natureza, mais uma vez

(25)

§ 4º. Atingido o limite estabelecido no parágrafo

anterior, o adolescente deverá ser liberado, colocado fim regime de semiliberdade ou de liberdade assistida

§ 5º. A liberação será compulsória aos vinte e um

anos de idade

 O presente dispositivo se constitui numa das exceções de aplicação do Estatuto da Criança e do Adolescente a jovens entre de 18 (dezoito) e 21 (vinte e um) anos de idade, continuando em pleno vigor apesar da

alteração na idade do advento da plena capacidade civil, promovida pelo art. 5º, do Código Civil de 2002. Uma vez atingido o limite etário de 21 (vinte e um) anos, não mais será possível a aplicação e/ou execução de qualquer medida socioeducativa,

devendo ser o jovem desinternado compulsoriamente, com o máximo de celeridade

§ 6º. Em qualquer hipótese a desinternação será

precedida de autorização judicial ouvido o Ministério Público

(26)

Art. 122. A medida de internação só

poderá ser aplicada quando :

I - tratar-se de ato infracional cometido

mediante grave ameaça ou violência a

pessoa

II - por reiteração no cometimento de

outras infrações graves

III - por descumprimento reiterado e

injustificável da medida anteriormente

Imposta

§ 1º. O prazo de internação na hipótese do

inciso III deste artigo não poderá ser

superior a três meses

§ 2º. Em nenhuma hipótese será aplicada

a internação, havendo outra medida

adequada

.

(27)

Isto não significa, no entanto, que “toda vez” que

caracterizada uma das hipóteses aqui relacionadas, o adolescente “deverá” automaticamente ser submetido a

medidas privativas de liberdade. Muito pelo contrário. Mesmo

diante da prática de atos infracionais de natureza grave, o adolescente somente deverá receber medidas privativas de liberdade se não houver outra alternativa

sociopedagógica mais adequada, consideradas suas

necessidades pedagógicas específicas

O legislador estatutário não estabeleceu previamente que “outras infrações graves” seriam estas, devendo ocorrer

ama análise individual e criteriosa, para se avaliar quando determinada infração pode ser considerada grave.

Devem ser, de plano, excluídas deste conceito aquelas

consideradas, pela Lei Penal, de “menor potencial

ofensivo”.

Importante também mencionar que “reiteração” não é sinônimo de reincidência, pelo que não se exige a

caracterização desta para tornar, em tese, admissível a aplicação de medidas privativas de liberdade.

 Superior Tribunal de Justiça considerou que, para

caracterização do requisito “reiteração”, seria necessária a

prática de, no mínimo, 03 (três) infrações consideradas

(28)

Art. 123. A internação deverá ser cumprida em entidade

exclusiva para adolescentes, em local distinto daquele destinado ao abrigo, obedecida rigorosa separação por

critérios de idade, compleição física e gravidade da infração

Parágrafo único. Durante o período de internação,

inclusive provisória, serão obrigatórias atividades pedagógicas

Não é admissível o cumprimento da medida de

internação, seja em caráter provisório ou decorrente de sentença, em estabelecimento prisional de qualquer natureza. Para o Direito da Criança e do Adolescente, a

pura e simples privação de liberdade do adolescente

acusado da prática infracional não basta, sendo necessária a contínua realização de atividades pedagógicas,

terapêuticas e profissionalizantes, em local adequado, sem qualquer contato com adultos acusados da prática de

crimes.

Além da separação por idade, compleição física e gravidade da infração, adolescentes em regime de

internação provisória devem ser separados de

adolescentes internados em virtude do

descumprimento reiterado e injustificável de medida anteriormente imposta (art. 122, inciso III, do ECA) e,

ambos os casos anteriores, devem ser separados de

adolescentes já sentenciados em razão da prática de infrações de natureza grave

(29)

Art. 16. A estrutura física da unidade deverá ser

compatível com as normas de referência do

Sinase.

§ 1o É vedada a edificação de unidades

socioeducacionais em espaços contíguos, anexos,

ou de qualquer outra forma integrados a

estabelecimentos penais. (Lei 12.594/2012)

A realização de “atividades pedagógicas”, bem

como de uma contínua avaliação/tratamento

psicossocial durante todo o período de

internação, além de obrigatórias (inclusive sob

pena de responsabilidade, valendo observar o

disposto no art. 208, inciso VIII, do ECA),

constituem-se no principal diferencial entre a

execução das medidas socioeducativas e as

“penas” cominadas a imputáveis, sem o que

haverá verdadeira violação à “norma princípio” da

inimputabilidade penal de menores de 18 (dezoito)

anos, preconizada pelo art. 228, da CF.

Devem ser contempladas propostas pedagógicas

(30)

Art. 124. São direitos do adolescente privado de liberdade, entre

outros os seguintes:

I - entrevistar-se pessoalmente com o representante do

Ministério Público

 O Promotor de Justiça da Infância e da Juventude do local onde

estiver sediada a entidade de internação ou semiliberdade deve fazer visitas periódicas à unidade, de modo a exercer sua

atividade fiscalizatória prevista no art. 95, do ECA. Nestas ocasiões, ou a qualquer momento, quando solicitado pelo adolescente, por seus pais, responsável, ou defensor, deverá ouvir suas reivindicações e eventuais reclamações

II - peticionar diretamente a qualquer autoridade III - avistar-se reservadamente com seu defensor;

IV - ser informado de sua situação processual, sempre que

solicitada

V - ser tratado com respeito e dignidade;

O respeito ao adolescente e seu tratamento com dignidade são

elementos indispensáveis ao êxito do trabalho socioeducativo realizado pela unidade, devendo ser a tônica da atuação de todos os funcionários e técnicos da entidade.

(31)

VI - permanecer internado na mesma localidade ou naquela mais próxima ao domicílio de seus pais ou responsável ;

 A medida visa facilitar o contato do adolescente interno com seus pais ou responsável, além de permitir a realização de atividades com estes, assim como junto à comunidade de origem do

adolescente, como forma de preparar a todos, gradativamente, para o desligamento da unidade

VII - receber visitas, ao menos semanalmente;

 O contato do adolescente interno com seus pais ou responsável e demais familiares não apenas deve ser facultado, mas estimulado ao máximo, sendo imperioso que o programa socioeducativo

respectivo contemple a previsão de recursos, inclusive, para

permitir que os pais ou responsável de baixa renda, residentes em municípios diversos daqueles onde se situam as unidades de

internação (ou em localidades distantes desta), se desloquem periodicamente até esta, inclusive para que sejam orientados sobre como agir em relação ao adolescente, especialmente após sua desinternação

VIII - corresponder-se com seus familiares e amigos ;

IX - ter acesso aos objetos necessários à higiene e asseio pessoal ;

X - habitar alojamento em condições adequadas de higiene e salubridade

(32)

XII - realizar atividades culturais,

esportivas e de lazer

XIII - ter acesso aos meios de

comunicação social

XIV - receber assistência religiosa,

segundo a sua crença, e desde que assim

o deseje

XV - manter a posse de seus objetos

pessoais e dispor de local seguro para

guardálos, recebendo comprovante

daqueles porventura depositados em

poder da entidade

XVI - receber, quando de sua

desinternação, os documentos pessoais

indispensáveis à vida em sociedade

.

(33)

SINASE

Art. 49.

II - ser incluído em programa de meio aberto quando inexistir vaga para o cumprimento de medida de privação da liberdade, exceto nos casos de ato infracional cometido mediante grave ameaça ou

violência à pessoa, quando o adolescente deverá ser internado em Unidade mais próxima de seu local de residência;

VIII - ter atendimento garantido em creche e pré-escola aos filhos de 0 (zero) a 5 (cinco) anos.

Art. 63.

§ 2o Serão asseguradas as condições necessárias para que a

adolescente submetida à execução de medida socioeducativa de privação de liberdade permaneça com o seu filho durante o período de amamentação.

Art. 68. É assegurado ao adolescente casado ou que viva,

comprovadamente, em união estável o direito à visita íntima. § 2o É vedada a aplicação de sanção disciplinar de isolamento a

adolescente interno, exceto seja essa imprescindível para garantia da segurança de outros internos ou do próprio adolescente a quem seja imposta a sanção, sendo necessária ainda comunicação ao defensor, ao Ministério Público e à autoridade judiciária em até 24 (vinte e quatro) horas. (Lei 12594/2012)

(34)

Do processo de apuração do ato

Do processo de apuração do ato

infracional

infracional

Art. 171. O adolescente apreendido por força de ordem judicial será,

desde logo, encaminhado à autoridade judiciária

Por força do disposto no art. 152, caput, do ECA, são aplicáveis ao procedimento para apuração de ato infracional, em caráter

subsidiário, as “normas gerais” do Código de Processo

Penal (com exceção do Sistema Recursal, por força do disposto

no art. 198, do ECA), desde que compatíveis com as normas e princípios estatutários

A tônica do procedimento para apuração de ato infracional é a

celeridade, sendo que a competência para seu processo e julgamento será invariavelmente do Juiz da Infância e Juventude do local da ação ou omissão (local da conduta

infracional), observadas as regras de conexão, continência e

prevenção previstas no CPP

O objetivo do procedimento para apuração de ato infracional atribuído a adolescente não é a pura e simples aplicação de

medidas socioeducativas (que podem mesmo deixar de ser

aplicadas quando tal solução não se mostrar necessária, mas sim a descoberta das causas da conduta infracional e sua

subsequente terapêutica, de modo que o adolescente (e

eventualmente sua família - seja vinculado aos programas e

serviços capazes de proporcionar o adequado exercício de todos os seus direitos fundamentais e a evitar sua reincidência.

(35)

A apreensão de adolescente, por força de ordem judicial, ocorrerá em razão da expedição de mandado de busca e

apreensão, ou mandado de condução coercitiva

Art. 172. O adolescente apreendido em flagrante de ato infracional será, desde logo, encaminhado a autoridade policial competente . Parágrafo único. Havendo repartição policial especializada para atendimento de adolescente e em se tratando de ato infracional praticado em co-autoria com maior, prevalecerá a atribuição de repartição especializada, que, após as providências necessárias e conforme o caso, encaminhará o adulto a repartição policial

própria.

 É o CPP que servirá de base para definição das situações em que restará caracterizado o flagrante de ato infracional, que serão

exatamente as mesmas em que um imputável seria considerado em flagrante de crime ou contravenção penal.

A criança apreendida em flagrante de ato infracional deve ser

encaminhada ao Conselho. Como no entanto o Conselho Tutelar não é órgão de investigação policial, nem tem atribuição (ou

mesmo capacidade técnica) para desenvolver qualquer atividade afeta à polícia judiciária, deverá esta investigar mesmo diante da notícia de ato infracional praticado por criança. É possível que a criança tenha agido na companhia ou sob as ordens de um adulto (ou de um adolescente), ou tenha assumido a autoria de um ato infracional praticado por um adulto (ou adolescente), situações que deverão ser devidamente apuradas pelo órgão policial competente.

(36)

Art. 173. Em caso de flagrante de ato infracional cometido mediante

violência ou grave ameaça a pessoa, a autoridade policial, sem prejuízo do disposto nos artigos 106, parágrafo único e 107, deverá:

I - lavrar auto de apreensão, ouvidos as testemunhas e o adolescente; II - apreender o produto e os instrumentos da infração ;

III - requisitar os exames ou perícias necessárias a comprovação da

materialidade e autoria da infração .

Parágrafo único. Nas demais hipóteses de flagrante, a lavratura do

auto poderá ser substituída por boletim de ocorrência circunstanciada

Art. 174. Comparecendo qualquer dos pais ou responsável, o

adolescente será prontamente liberado pela autoridade policial , sob termo de compromisso e responsabilidade de sua apresentação ao representante do Ministério Público, no mesmo dia ou, sendo

impossível, no primeiro dia útil imediato, exceto quando, pela gravidade do ato infracional e sua repercussão social, deva o adolescente permanecer sob internação para garantia de sua segurança pessoal ou manutenção da ordem pública

 A comunicação da apreensão do adolescente a seus pais ou

responsável deve ser efetuada incontinenti

Importante destacar que a liberação do adolescente aos pais

ou responsável, em tais casos, deverá ser efetuada

diretamente pela autoridade policial, independentemente da intervenção de outro órgão ou autoridade

(37)

O decreto da internação provisória, a rigor, somente

pode ocorrer nas hipóteses em que é juridicamente

admissível, em tese, a aplicação da medida socioeducativa de internação

Art. 175. Em caso de não-liberação, a autoridade policial

encaminhará, desde logo, o adolescente ao

representante do Ministério Público, juntamente com cópia do auto de apreensão ou boletim de ocorrência.

§ 1°. Sendo impossível a apresentação imediata, a

autoridade policial encaminhará o adolescente a entidade de atendimento, que fará a apresentação ao

representante do Ministério Público no prazo de 24 (vinte e quatro) horas .

§ 2°. Nas localidades onde não houver entidade de

atendimento, a apresentação farse- á pela autoridade policial . À falta de repartição policial especializada , o adolescente aguardará a apresentação em dependência separada da destinada a maiores, não podendo, em

qualquer hipótese, exceder o prazo referido no parágrafo anterior

O prazo deve ser computado hora a hora, a partir do

momento da apreensão do adolescente, visando abreviar ao máximo sua privação de liberdade.

(38)

Art. 178. O adolescente a quem se atribua autoria de ato

infracional não poderá ser conduzido ou transportado em compartimento fechado de veículo policial, em condições atentatórias a sua dignidade, ou que impliquem risco a sua integridade física ou mental, sob pena de

responsabilidade

Art. 179. Apresentado o adolescente, o representante do

Ministério Público, no mesmo dia e à vista do auto de apreensão, boletim de ocorrência ou relatório policial, devidamente autuados pelo cartório judicial e com informação sobre os antecedentes do adolescente, procederá imediata e informalmente a sua oitiva e, em sendo possível, de seus pais ou responsável, vítima e testemunhas.

Parágrafo único. Em caso de não-apresentação, o

representante do Ministério Público notificará os pais ou responsável para apresentação do adolescente ,podendo requisitar o concurso das Polícias Civil e Militar

 Caso o adolescente possua defensor constituído, este

deverá acompanhar o ato e, embora a lei ainda não o obrigue, é salutar a presença de um defensor público nomeado quando da realização do ato

(39)

Art. 180. Adotadas as providências a que alude o artigo

anterior, o representante do Ministério Público poderá:

I - promover o arquivamento dos autos ; II - conceder a remissão;

III - representar à autoridade judiciária para aplicação de

medida sócioeducativa

 O Ministério Público exerce um papel chave na definição

do que ocorrerá a seguir com o procedimento e com o adolescente, razão pela qual deve ter especial cautela quando da análise do caso e de sua proposta de solução

Art. 181. Promovido o arquivamento dos autos ou

concedida a remissão pelo representante do Ministério Público, mediante termo fundamentado, que conterá o resumo dos fatos, os autos serão conclusos à autoridade judiciária para homologação .

§ 1°. Homologado o arquivamento ou a remissão, a

autoridade judiciária determinará, conforme o caso, o cumprimento da medida .

§ 2°. Discordando, a autoridade judiciária fará remessa

dos autos ao Procurador- Geral de Justiça, mediante despacho fundamentado , e este oferecerá

representação, designará outro membro do Ministério

Público para apresentá-la, ou ratificará o arquivamento ou a remissão, que só então estará a autoridade judiciária obrigada a homologar

(40)

 Quando do oferecimento da representação, o representante do

Ministério Público não deve indicar, de antemão, qual (ou quais) a(s) medida(s) socioeducativa(s) que entenda deva(m) ser aplicada(s), até porque não existe prévia correlação entre o ato infracional praticado e a sanção socioeducativa, sendo a

aferição da solução mais adequada condicionada a inúmeros fatores, que demandam um estudo criterioso que vai muito

além da singela comprovação da autoria e da materialidade da infração, passando por uma avaliação técnica das

circunstâncias em que esta foi praticada, da capacidade do

adolescente em se submeter à medida e suas necessidades

pedagógicas específicas, dentre outros fatores.

Art. 183. O prazo máximo e improrrogável para a conclusão do

procedimento, estando o adolescente internado provisoriamente, será de quarenta e cinco dias

Art. 184. Oferecida a representação, a autoridade judiciária designará

audiência de apresentação do adolescente, decidindo, desde logo, sobre a decretação ou manutenção da internação, observado o disposto no artigo 108 e parágrafo.

§ 1°. O adolescente e seus pais ou responsável serão cientificados do

teor da representação, e notificados a comparecer a audiência, acompanhados de advogado .

§ 2°. Se os pais ou responsável não forem localizados, a autoridade

judiciária dará curador especial ao adolescente .

§ 3º. Não sendo localizado o adolescente, a autoridade judiciária

expedirá mandado de busca e apreensão, determinando o sobrestamento do feito, até efetiva apresentação .

§ 4°. Estando o adolescente internado, será requisitada a sua

(41)

Art. 185. A internação, decretada ou mantida pela autoridade judiciária,

não poderá ser cumprida em estabelecimento prisional.

§ 1°. Inexistindo na comarca entidade com as características definidas no

artigo 123, o adolescente deverá ser imediatamente transferido para a localidade mais próxima .

§ 2°. Sendo impossível a pronta transferência, o adolescente aguardará

sua remoção em repartição policial, desde que em seção isolada dos adultos e com instalações apropriadas, não podendo ultrapassar o prazo máximo de cinco dias, sob pena de responsabilidade

Art. 186. Comparecendo o adolescente, seus pais ou responsável, a

autoridade judiciária procederá a oitiva dos mesmos, podendo solicitar opinião de profissional qualificado .

§ 1°. Se a autoridade judiciária entender adequada a remissão, ouvirá o

representante do Ministério Público, proferindo decisão .

§ 2°. Sendo o fato grave, passível de aplicação de medida de internação

ou colocação em regime de semiliberdade, a autoridade judiciária,

verificando que o adolescente não possui advogado constituído, nomeará defensor , designando, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências e estudo do caso .

§ 3°. O advogado constituído ou o defensor nomeado, no prazo de três dias contando da audiência de apresentação , oferecerá defesa prévia e rol de testemunhas.

§ 4°. Na audiência em continuação, ouvidas as testemunhas arroladas na

representação e na defesa prévia, cumpridas as diligências e juntado o relatório da equipe interprofissional , será dada a palavra ao representante do Ministério Público e ao defensor, sucessivamente, pelo tempo de vinte minutos para cada um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade judiciária, que em seguida proferir decisão

(42)

 Vale notar que o dispositivo é expresso ao determinar que

a autoridade judiciária não deve se limitar a ouvir o adolescente, mas precisa ouvir também seus pais ou responsável (inclusive sob pena de nulidade do ato - e eventualmente de todo o feito - por quebra do princípio do “devido processo legal”)

Na defesa prévia o defensor deverá arrolar não apenas

testemunhas presenciais dos fatos, mas também aquelas que possam prestar informações acerca da conduta pessoal, familiar e social do adolescente, vez

que tais informações são de suma importância quando da análise da medida socioeducativa mais adequada.

A tônica de todo o procedimento é a celeridade, razão

pela qual deve-se primar pelo respeito ao princípio da

oralidade, conforme previsto no presente dispositivo,

evitando-se a usual abertura de prazo para a

apresentação de “memoriais” e/ou a sentença “em gabinete”, o que geralmente retarda a solução do caso.

Art. 187. Se o adolescente, devidamente notificado, não

comparecer, injustificadamente, à audiência de

apresentação, a autoridade judiciária designará nova data, determinando sua condução coercitiva.

Art. 188. A remissão, como forma de extinção ou

suspensão do processo, poderá ser aplicada em qualquer fase do procedimento, antes da sentença

(43)

Art. 189. A autoridade judiciária não aplicará qualquer

medida , desde que reconheça na sentença :

I - estar provada a inexistência do fato; II - não haver prova da existência do fato; III - não constituir o fato ato infracional;

IV - não existir prova de ter o adolescente concorrido para o

ato infracional .

Parágrafo único. Na hipótese deste artigo, estando o

adolescente internado, será imediatamente colocado em liberdade

Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida de

internação ou regime de semiliberdade será feita:

I - ao adolescente e ao seu defensor ;

II - quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou

responsável, sem prejuízo do defensor.

§ 1º. Sendo outra medida aplicada, a intimação far-se-á

unicamente na pessoa do defensor.

§ 2°. Recaindo a intimação na pessoa do adolescente,

deverá este manifestar se deseja ou não recorrer da sentença

(44)

 O legislador teve a nítida intenção de criar uma situação

na qual o recurso de apelação, contra decisão impositiva de medida privativa de liberdade ao adolescente, seria praticamente inevitável, haja vista que, uma vez

pessoalmente intimado de tal solução, assim como devidamente informado acerca das consequências da decisão e das alternativas disponíveis (desnecessário mencionar que não basta “intimar” o adolescente da

decisão e colher sua manifestação, mas sim prestar lhe a devida orientação - notadamente sob a ótica jurídica - acerca das implicações desta decorrentes - cf. art. 100, par. único, inciso XI, do ECA), dificilmente o adolescente deixará de manifestar intenção de recorrer.

Uma vez que o adolescente manifeste expressamente sua intenção de recorrer da decisão, disto deverá

certificar o Sr. Meirinho, considerando-se interposto o recurso neste momento, cabendo ao defensor do adolescente a apresentação das razões de recurso no prazo de 10 (dez) dias.

Antes da intimação pessoal do adolescente ou, na impossibilidade de sua localização, de seus pais Ou responsável, não deve ser considerado intempestivo o recurso apresentado pelo defensor

(45)

Recursos

Recursos

Art. 198. Nos procedimentos afetos à Justiça da Infância e da

Juventude fica adotado o sistema recursal do Código de Processo Civil,, com as seguintes vadações :

I - os recursos serão interpostos independentemente de preparo; II - em todos os recursos, salvo o de agravo de instrumento e de

embargos de declaração, o prazo para interpor e para responder será sempre de de ias;

III - os recursos terão preferência de julgamento e dispensarão

revisor;

IV - o agravado será intimado para, no prazo de cinco dias ,

oferecer resposta e indicar as peças a serem trasladadas;

V - será de quarenta e oito horas o prazo para a extração a

conferência e o conserto do traslado ;

VI - a apelação será recebida em seu efeito devolutivo. Será

também conferido efeito suspensivo quando interposta contra sentença que deferir a adoção por estrangeiro e, a juízo da

autoridade judiciária, sempre que houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação;

VII - antes de determinar a remessa dos autos a superior instância,

no caso de apelação, ou do instrumento, no caso de agravo, a autoridade judiciária proferirá despacho fundamentado, mantendo ou reformando a decisão, no prazo de cinco dias ;

VIII - mantida a decisão apelada ou agravada, o escrivão remeterá

os autos ou o instrumento a superior instância dentro de vinte e quatro horas, independentemente de novo pedido do recorrente ; se a reformar, a remessa dos autos dependerá de pedido expresso da parte interessada ou do Ministério Público, no prazo de cinco dias, contados da intimação .

(46)

Embargos de declaração – 5 dias

Embargos de declaração – 5 dias

Apelação e demais recursos (Agravo) – 10 dias

Apelação e demais recursos (Agravo) – 10 dias

 Efeito devolutivo ao apelo nos casos de adoção por Efeito devolutivo ao apelo nos casos de adoção por

brasileiro, destituição do poder familiar

brasileiro, destituição do poder familiar

 Efeito suspensivo nos casos de adoção Efeito suspensivo nos casos de adoçã por estrangeiropor estrangeiro  Efeito suspensivo à qualquer apelação: Vale dizer que Efeito suspensivo à qualquer apelação

o inciso V acabou sendo inadvertidamente revogado pela Lei nº 12.010/2009, devido a uma evidente falha de sistematização, decorrente da incorporação dos arts. 199-A a E (que dispõem especificamente sobre a destituição do poder familiar e adoção) ao texto original da Lei nº 8.069/1990. Como resultado, os recursos de apelação interpostos contra decisões proferidas pela Justiça da Infância e daJuventude nos demais

procedimentos devem passar a ser recebidos, em regra, tanto no efeito devolutivo quanto suspensivo O STJ reconheceu que a isenção de custas e

emolumentos visa beneficiar apenas crianças e

adolescentes, na qualidade de autores ou requeridos, não sendo extensível aos demais sujeitos processuais que eventualmente figurem no feito

(47)

Art. 199. Contra as decisões

proferidas com base no artigo

149 caberá recurso de apelação

Art. 199-D. O relator deverá

colocar o processo em mesa

para julgamento no prazo

máximo de 60 (sessenta) dias,

contado da sua conclusão.

Cuida-se de prazo de recurso

interposto em face de sentença

de adoção e de destituição do

poder familiar

(48)

Remissão

Remissão

Objetivo: A remissão pretende sanar os efeitos negativos e Objetivo:

prejudiciais acarretados pela deflagração ou demora na conclusão do procedimento judicial destinado à apuração do

ato infracional praticado por adolescente.

A concessão da remissão deverá ser sempre a regra

Não existe uma limitação ao número de vezes em que a

remissão pode ser concedida ao adolescente

 Os procedimentos nos quais foi concedida remissão não podem ser invocados como pretexto para imposição de medidas mais gravosas e/ou computados para fins de caracterização da “reiteração” de condutas

 Espécies de Remissão:Espécies de Remissão:

Remissão pura e simples: a remissão é concedida sem Remissão pura e simples:

cumulação com medidas socioeducativas ou apenas com advertência

 Remissão cumulada com medida socioeducativa: neste caso Remissão cumulada com medida socioeducativa:

só podem ser aplicadas com medidas socioeducativas de

regime aberto. Neste caso o adolescente deve ser ouvido para saber se concorda, e deve ser avisado das conseqüências de sua não aceitação ou não cumprimento da medida.

(49)

Remissão concedida pelo Ministério Público

Remissão concedida pelo Ministério Público

 O MP pode conceder a remissão, evitando com isto a

instauração de um processo

 Possibilidade da concessão cumulada com medida

socioeducativa

Remissão concedida pelo juiz

Remissão concedida pelo juiz

 Após o oferecimento da representação socioeducativa a

prerrogativa pela concessão da remissão passa à autoridade judiciária

Pode optar por tal solução a qualquer momento, antes de

prolatar a sentença, após ouvir o Ministério Público

 Espécies:Espécies:

A remissão como forma de suspensão do processo será,

em regra, cumulada com medida socioeducativa não privativa de liberdade cuja execução se prolongue no tempo

A remissão como forma de extinção do processo será

concedida pela autoridade judiciária, também em regra, quando desacompanhada de medidas socioeducativas ou quando cumulada unicamente com a advertência

(50)

Em sede de remissão não pode haver

imposição, mas apenas o eventual ajuste de

uma ou mais medidas socioeducativas em meio

aberto, passando o instituto a assumir os

contornos de verdadeira transação socioeducativa

Veda-se, portanto, a revisão judicial de ofício da(s)

medida(s) ajustada(s) em sede de remissão. Caso

a autoridade judiciária discorde da remissão

concedida pelo Ministério Público, lhe resta

apenas, mediante despacho fundamentado,

enviar os autos ao Procurador Geral de Justiça,

para sua revisão ou ratificação.

Caso haja o descumprimento pelo adolescente de

medida aplicada em sede de remissão não se

poderá por tal razão interná-lo, não incidindo o

disposto no art. 122, inciso III, do ECA

 Em tais casos deve haver, como conseqüência do

descumprimento das medidas ajustadas ou o

oferecimento da representação (no caso da

remissão concedida pelo Ministério Público), ou a

retomada do processo que se encontrava suspenso (no caso da remissão concedida pela

(51)

Prescrição

Prescrição

O instituto da prescrição não é incompatível com a

natureza não-penal das medidas sócio-educativas.

Jurisprudência pacífica no sentido da

prescritibilidade das medidas de segurança

Os casos de imprescritibilidade devem ser, apenas,

aqueles expressamente previstos em lei.

Se o Estatuto da Criança e do Adolescente não

estabelece a imprescritibilidade das medidas

sócio-educativas, devem elas se submeter à

regra geral, como determina o art. 12 do Código

Penal.

O parâmetro adotado pelo Superior Tribunal de

Justiça para o cálculo da prescrição foi o da pena

máxima cominada em abstrato ao tipo penal

correspondente ao ato infracional praticado pelo

adolescente, combinado com a regra do art. 115 do

Código Penal, que reduz à metade o prazo

prescricional quando o agente é menor de vinte

e um anos à época dos fatos.

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