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2° estágio_ASPECTOS LEI IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA

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(1)

ASPECTOS RELEVANTES DA

LEI DE IMPROBIDADE

ADMINISTRATIVA

(2)

“De tanto ver triunfar as nulidades,

de tanto ver prosperar a desonra, de tanto

agigantarem-se os poderes nas mãos dos

maus, o homem chega a desanimar-se da

virtude, a rir-se da honra e a ter vergonha

de ser honesto.”

(3)

O QUE SERÁ TRATADO SOBRE

IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA?

Contexto histórico do ano de edição da Lei

de Improbidade Administrativa;

Atos de improbidade: definição,

modalidades e condutas implicadas;

Sanções cabíveis;

Peculiaridades sobre a ação de

improbidade;

(4)

QUANDO E POR QUEM FOI EDITADA A LEI

DE IMPROBIDADE?

O art. 37, §4º da CF/88 prevê sanções

civis para os atos de improbidade na

forma e gradação previstas em lei.

Esta lei foi decretada e sancionada em

02/06/1992,

por

Fernando

Collor,

presidente que exerceu o mandato

apenas de 1990 a 1992 (Lei 8.429/92);

(5)

QUEM (OU O QUE) FOI COLLOR PARA

O BRASIL?

Collor foi eleito em 1989, após apertada

margem de votos sobre Luiz Inácio Lula

da Silva. Ele se autodenominava “caçador

de marajás”, mas, em menos de 02 anos

de governo, foi descoberto enorme

esquema de corrupção e tráfico de

influência, denunciado pelo próprio irmão

do presidente, Pedro Collor, que veio a

falecer meses depois vítima de 04 tumores

malignos no cérebro.

(6)

A REPERCUSSÃO DO ESQUEMA PC NA

IMPRENSA EM 1992

 19/02 – Revista Veja publica dossiê do irmão do presidente: as contas de Collor e de PC não entraram no confisco dos 15 primeiros dias do mandato de Collor;

 13/05 – PC Farias tem participação em pelo menos 09 empresas no exterior;

 09/07 – Os jardins nababescos da Dinda bancados pelos cofres públicos;

(7)

A REPERCUSSÃO DO ESQUEMA PC NA

IMPRENSA EM 1992

10/08 – População vai às ruas para pedir

o impeachement de Collor (jovens

caras-pintadas com dois “L” um verde e um

amarelo clamam Fora-Collor);

30/09 – Presidente renuncia, após voto da

maioria do Congresso pela abertura de

(8)

AINDA RELEMBRANDO COLLOR...

 Vale destacar que Collor acreditou em sua impunidade até o último momento, só renunciando ao cargo após a derrota no Congresso (441 deputados foram a favor da abertura de processo de impeachement, contra 38 votos, tendo havido 23 ausências e 01 abstenção.

 Atenção: como o processo foi instaurado, malgrado ele tenha renunciado, as sanções da LIA foram aplicadas e ele teve seus direitos políticos cassados por 08 anos, quando tirou férias em Miami e atualmente é Senador da República!

(9)

ENTÃO...

Os

acontecimentos

narrados,

que

marcaram o ano de 1992, indicam a

importância e a oportunidade da Lei de

Improbidade Administrativa ou Lei do

Colarinho Branco para o momento

histórico brasileiro e em prol da punição

contra a corrupção.

(10)

VAMOS CONHECER UM POUCO

SOBRE ESTA LEI?

 Ato improbo é crime? NÃO.

O art. 37, §4º in fine, da CF, + art. 12 da LIA + decisão do STF na ADI 2797 indicam isso, pois foram julgados inconstitucionais os parágrafos 1º e 2º do Código de Processo Penal, introduzidos pela Lei 10.628/02, que equiparavam a ação de improbidade administrativa à ação penal contra altas autoridades federais, como o presidente da República, o vice-presidente, ministros de Estado e congressistas, entre outros, cujo julgamento é de competência do STF. Portanto a natureza jurídica da improbidade administrativa é civil e não penal.

 Quantas e quais sanções a LIA estabelece? (art. 12 da LIA + art. 37 §4º da CF)

(11)

VAMOS CONHECER UM POUCO

SOBRE ESTA LEI?

 Quais as modalidades de atos de improbidade?

Atos que importam enriquecimento ilícito (art. 9º

da Lei 8.429/92);

Atos que importam dano ao Erário (art. 10 da

Lei 8.429/92);

Atos que importam violação de princípios (art.

11 da Lei 8.429/92).

Que condutas cada modalidade de improbidade

(12)

QUEM PODE SER VÍTIMA DE

IMPROBIDADE?

SUJEITOS PASSIVOS

 O art. 1º da Lei estabelece que podem ser vítimas: a União, os Estados, o Distrito Federal, os Municípios e as Autarquias, as empresas públicas, sociedades de economia mista, empresas incorporadas ou entidades para cuja criação ou custeio o Poder Público tenha concorrido ou concorra com mais de 50% do patrimônio ou da receita anual;

 Além disso, as entidades que recebam subvenção, benefício ou incentivo, fiscal ou creditício, de órgãos ou empresas públicas.

(13)

QUEM PODE CAUSAR

IMPROBIDADE?

SUJEITOS ATIVOS

 O art. 3º da LIA estabelece que o agente público e o particular podem vir a cometer ato de improbidade repreendido por esta lei.

 O art. 8º dispõe que os sucessores dos sujeitos ativos devem suportar as condenações patrimoniais advindas do ato de improbidade até o limite da herança, posto que se trata de sanção de natureza civil.

(14)

QUEM A LIA CONSIDERA COMO AGENTE

PÚBLICO?

 Pessoa que está vinculada ou foi investida no Poder Público por concurso público, nomeação, designação, eleição ou contratação;

 Assim, a caracterização de agente público independe do caráter do vínculo que este tiver com o Estado: podendo ser cargo permanente ou temporário, remunerado ou não.

(15)

QUEM A LIA CONSIDERA COMO

PARTICULAR?

 Aquela pessoa maior de idade, capaz, que, não sendo agente público, induziu ou concorreu para prática do ato de improbidade, ou ainda dele se beneficiou direta ou indiretamente.

(16)

QUAL A DIFERENÇA ENTRE ATO DE

IMPROBIDADE PRÓPRIO E ATO

IMPRÓPRIO?

 Ato Próprio – cometido por agente público;

(17)

SANÇÕES PREVISTAS NA CF/88

art. 37 §4º

 Suspensão de direitos políticos;

 Perda da função pública;

 Indisponibilidade de bens;

(18)

SANÇÕES PREVISTAS NA LIA

art. 12

Perda de bens;

Proibição

de

contratar

com

a

Administração Pública;

(19)

QUAIS AS CARACTERÍSTICAS DA AÇÃO

DE IMPROBIDADE?

 A ação possui rito ordinário e pode ser proposta pelo Ministério Público ou por pessoa jurídica interessada – art. 17;

 É vedada a transação ou acordo - art. 17, §1º;

 O Ministério Público se não for o autor da ação intervirá sempre como fiscal da lei, sob pena de nulidade do processo - art. 17, §4º;

 Pode resultar em 07 tipos de sanções;

 A condenação em dinheiro reverte para a pessoa jurídica lesada – art. 18.

(20)

 SANÇÕES (ART. 12):

 Perda de bens ou valores acrescidos ilicitamente ao patrimônio;

 Multa civil;

 Proibição de contratar com o Poder Publico, ou receber benefícios, incentivos fiscais ou creditícios, direta ou indiretamente;

 Suspensão dos direitos políticos;

 Perda da função publica;

 Ressarcimento ao erário;

(21)

COMO SE OPERA A PRESCRIÇÃO DO ATO

DE IMPROBIDADE?

 O ato de improbidade está sujeito à prescrição (perda do direito de ação), mas o dano ao Erário é imprescritível!

 Prescreve o direito de entrar com ação de improbidade em 05 anos após o término do exercício de mandato, de cargo em comissão ou de função de confiança - art. 23, I, da LIA.

(22)

AÇÃO JUDICIAL

COMPETENCIA – juiz de 1ª instancia

competente para ente federativo envolvido;

Incompetência dos juízes de primeira

instância para processar e julgar, com base

na Lei nº 8.429/92, autoridades que

estejam submetidas, em matéria penal, à

competência originária dos Tribunais,

inclusive do STF e do STJ. (102, I, C e

105, I , a da CF).

(23)

AÇÃO JUDICIAL

LEGITMIDADE ATIVA –

MP ou pessoa jurídica interessada

Se proposta pelo MP a PJ integrará a lide

como litisconsorte

(24)

AÇÃO JUDICIAL

O artigo 16 da Lei nº 8.429/92 prevê a

possibilidade de propositura de ação de

seqüestro dos bens do agente ou terceiro

que

tenha

enriquecido

ilicitamente,

remetendo o procedimento para os artigos

822 e 825 do Código de Processo Civil.

Embora a lei mencione o seqüestro, o

tecnicamente correto seria o arresto.

(25)

AÇÃO JUDICIAL

 Distribuída a ação cautelar ou ordinária, ficará prevento o juízo para todas as demais ações que venham a ser propostas com o mesmo objeto ou causa de pedir, como reza o § 5º do artigo 17, introduzido pelo artigo 7º da Medida Provisória nº 2.180-35, de 24.08.2001.20

Se a ação principal for precedida da cautelar,

deverá ser proposta em trinta dias da efetivação daquela (caput do artigo 17).

 É vedada expressamente a transação na ação principal (artigo 17, § 1º), por tratar-se a moralidade administrativa de princípio constitucional de direito público, e portanto indisponível.

(26)

O Superior Tribunal de Justiça, tanto na 1ª

quanto na 2ª Turmas, tem jurisprudência

firme na questão do alcance da medida que

decreta a indisponibilidade de bens em

matéria de improbidade administrativa.

Não se admite a retroatividade da lei para

alcançar bens adquiridos antes de sua

vigência,

e

tampouco

se

poderá

indisponibilizar bens adquiridos antes do ato

tido como de improbidade.21

A indisponibilidade, portanto, deve se ater

aos bens adquiridos após o ilícito, como

seu fruto, e desde que posteriormente à

vigência da própria Lei nº 8.429/92.

(27)

Por outro lado, o artigo 8º da Lei nº

8.429/92 determina que o sucessor

daquele que se enriquecer ilicitamente está

sujeito às cominações da lei, até o limite da

herança. Em primeiro lugar, esta extensão

de responsabilidade só pode se aplicar à

parte patrimonial, pois o direito brasileiro

não admite a comunicação da culpa.

O sucessor não poderá perder direitos

políticos, cargos públicos ou ter restringido

o direito de contratar com a administração.

Tais penalidades são personalíssimas e

intransmissíveis.

(28)

AÇÃO JUDICIAL

O § 7º do artigo 17 criou uma fase de

defesa prévia dos réus, com a

possibilidade de juntada de razões

escritas e documentos, após o que o juiz

poderá rejeitar a ação de plano, na forma

do § 8º.

Somente após a defesa prévia é que o juiz

receberá a ação e mandará efetivamente

citar o réu (§ 9º), decisão esta impugnável

por agravo de instrumento (§ 10).

(29)

Por ultimo importa lembrar que a norma

do artigo 20 da Lei de Improbidade

determina que a perda da função publica

ou suspensão dos direitos políticos só se

efetiva com o trânsito em julgado da

sentença condenatória.

As demais sanções podem ser objeto de

(30)

PERGUNTA-SE:

É possível aplicar todas as normas da Lei

de Ação Civil Pública (Lei nº 7.347/85) nas

ações de improbidade administrativa?

(31)

RESPOSTA:

Todas não, as normas processuais da Lei

de Improbidade prevalecem sobre as da

Lei da Ação Civil Pública em nome da

aplicação do princípio da especialidade –

art. 17.

(32)

POR FIM DESTACA-SE:

Que a LIA ampliou o rol das sanções previsto na

CF/88 e previu que a gravidade das penas deve observar a conformidade com a gravidade do ato perpetrado - art. 12, §único;

Que as sanções mais graves dizem respeito à

modalidade que envolve enriquecimento ilícito;

Que a imposição de sanções independe de

decisão do Tribunal de Contas ou da efetiva ocorrência de dano ao patrimônio público – art. 21.

(33)

CONCLUINDO...

 De fato, a Lei de Improbidade “veio a calhar”, mas é preciso muito mais do que a edição de leis ou estatutos para que se efetivem direitos e princípios, e que se combata a corrupção. É preciso que cada um nós orgulhe-se de ser honesto, comprometa-se com a ética, com a moralidade e não perca a capacidade de se indignar com a impunidade!

(34)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Princípio da Probidade Administrativa

Autor: Francisco Chaves dos Anjos Neto Editora: Del Rey

Improbidade Administrativa: 10 anos da Lei 8.429/92

Organizadores: José Adércio Lima Sampaio, Nicolau Dino de Castro, Nívio de Freitas Silva Filho, Robério Nunes dos Anjos Filho

Editora: Del Rey

O Limite da improbidade Administrativa

Autor: Mauro Roberto Gomes de Mattos Editora: América Jurídica

(35)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Lei de Improbidade Administrativa Comentada

Autor: Pazzaglini Filho Editora: Atlas

Improbidade Administrativa em Defesa do

Patrimônio Público

Autores: Pazzaglini Filho, Márcio Fernando Elias Rosa,Waldo Fazzio Júnior

Editora: Atlas

Improbidade Administrativa

Coordenadores: Cássio Scarpinella Bueno e Pedro Paulo Porto Filho

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