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ÉTICA DE VIRTUDE E DESENVOLVIMENTO MORAL DA PESSOA

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(1)

Lawrence M. Hinman, Ph.D.

Director, The Values Institute

University of San Diego

Simpósio Internacional sobre Activação do Desenvolvimento Psicológico Universidade de Aveiro, 2006

ÉTICA DE

VIRTUDE E DESENVOLVIMENTO MORAL DA PESSOA

(2)

INTRODUÇÃO

A preocupação com a educação do carácter desenvolveu-se no Ocidente desde o tempo de Platão, cujos primeiros diálogos exploraram as virtudes da coragem e da justiça.

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(c) Lawrence M. Hinman 3

RENASCIMENTO DA TEORIA ÉTICA DA VIRTUDE A PARTIR DE 1980

„ Elisabeth Anscombe (1958) e Alasdair

MacIntyre (1990)

„ Contributo de Anscombe:

- A ética deontológica, baseada no dever e obrigação,

tornou-se ininteligível

- A ética deontológica, baseada na ideia de “agir não

para satisfazer um desejo ou um querer do indivíduo, mas apenas porque é eticamente correcto fazê-lo”, deixou de ter sentido.

- A virtude só faz sentido quando preenche necessidades humanas (ética teleológica)

(4)

O CONTRIBUTO DE MACINTYRE

„ Não existe uma só tradição ética no

Ocidente, mas várias.

„ Somos perfeccionistas no desporto e nas

artes, utilitaristas na vida diária, lockianos quando se trata de respeitar o direito de propriedade, cristãos quando idealizamos a compaixão, a caridade e a igualdade e kantianos quando afirmamos o valor da autonomia da pessoa e do respeito pelos

(5)

(c) Lawrence M. Hinman 5

O CONTRIBUTO DE MACINTYRE (2)

„ Qual o significado da vida?

- O significado depende da pessoa

compreender que pertence a uma ou a várias tradições morais, as quais lhe

permitem construir uma narrativa para a sua vida, que depende da existência de “standards” de excelência e de certas práticas apropriadas.

(6)

O CONTRIBUTO DE MACINTYRE (3)

„ As virtudes só podem prosperar em

comunidades de certo tipo.

„ Ou seja, há comunidades que impedem o

florescimento das virtudes

„ O que quer dizer que a pessoa virtuosa

floresce melhor numa comunidade virtuosa.

„ Diferentes tipos de comunidade

(7)

(c) Lawrence M. Hinman 7

O CONTRIBUTO DE MACINTYRE (4)

„ Embora o carácter da pessoa tenha

condicionantes genéticas e seja, de algum modo, fixo, é possível mudá-lo.

„ Na medida em que os actos são realizados

em liberdade e o agente tem oportunidade de reflectir sobre as suas consequências, há alguma margem para a mudança do

carácter.

„ A reflexão sobre as consequências exige

(8)

Primeira Parte

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(c) Lawrence M. Hinman 9

Duas Questões Morais

„ A questão da acção:

– Como devo agir?

„ A questão do carácter

– Que espécie de pessoa devo ser?

„ A nossa preocupação é com a

(10)

Uma analogia a partir do sistema

de justiça

Como país, depositamos a nossa vontade de

justiça, na área legal, de duas maneiras:

– Leis, que proporcionam as regras necessárias – Pessoas, que aplicam a justiça

Do mesmo modo, a ética baseia-se em:

– Teorias, que proporcionam regras de conduta

– A virtude, que proporciona a sabedoria necessária

(11)

(c) Lawrence M. Hinman 11

Virtude

„ Força de carácter (hábito) „ Envolvendo o sentimento e a acção

„ Procura o meio termo

entre o excesso e a deficiência em relação a nós próprios „ Promove o desenvolvimento humano Aristoteles

(12)

Duas Concepções de moralidade

„ Podemos contrastar duas concepções de

vida moral.

– A concepção infantil:

• Tem origem externa (os pais, por exemplo). • É negativa.

• A formação de regras e do hábito é central. – A concepção adulta:

• Tem origem interna. • É positiva.

(13)

(c) Lawrence M. Hinman 13

Inteligência e Sabedoria

„ A pessoa inteligente é a que conhece

os melhores meios para qualquer finalidade possível.

„ A pessoa sabedora é a que conhece

(14)

Desejos Bem Ordenados

„ Aristóteles faz um contraste entre:

– Pessoas continentes, que conseguem controlar os desejos desordenados.

– Pessoas temperadas, cujos desejos são bem ordenados, em função do que é

bom para elas.

– Pessoas de vontade fraca (Akrasia) ou seja indivíduos que não são capazes de controlarem os seus desejos.

(15)

(c) Lawrence M. Hinman 15

Virtude como Meio Termo

„ A força de carácter exige que a

pessoa encontre o equilíbrio certo entre dois extremos.

– Excesso: ter em demasia algo.

– Deficiência: ter demasiado pouco de

algo.

„ Não significa mediocridade, mas sim

(16)

Virtude e Hábito

„ A virtude é alguma coisa que é

praticada e aprendida – é um hábito (hexis).

„ Aristóteles considera que é possível

(17)

(c) Lawrence M. Hinman 17 Segunda Parte Virtudes Particulares „ Coragem „ Compaixão „ Amor próprio „ Amizade „ Perdão

(18)

A coragem e a unidade das

virtudes

„ Para uma pessoa ter uma virtude de

carácter, em grande escala, também deve ter outras qualidades, em alguma medida.

– A coragem sem capacidade de julgamento é

cegueira.

– A coragem sem perseverança é apostar

apenas no curto prazo.

– Coragem sem um claro conhecimento das

(19)

(c) Lawrence M. Hinman 19

Compaixão e Piedade

„ A piedade significa olhar para o outro de

cima para baixo.

– Consequentemente, ninguém quer ser objecto

de piedade.

„ A compaixão olha para o sofrimento dos

outros como se fosse algo que pudesse acontecer-nos.

– Consequentemente, gostamos que os outros

(20)

Compaixão

„ Etimologia: sentir ou sofrer com o outro. „ Cognitivamente e emocionalmente.

„ Conduz à acção.

„ Excesso:o síndrome do “coração partido”. „ Deficiência: Insensibilidade ou “dureza de

coração”.

(21)

(c) Lawrence M. Hinman 21

Compaixão como emoção

„ A emoção é muitas vezes

necessária:

– Para reconhecer o sofrimento dos

outros.

• Ligação emocional.

– Para dar resposta aos que sofrem.

• Os outros precisam de saber que nos importamos com eles.

(22)

Amor

„ Envolve sentir, conhecer e agir. „ Características do amar outra

pessoa:

– Sentimentos de ternura, cuidado,

apreço e respeito.

– Conhecer essa pessoa.

– Agir de forma a promover o

(23)

(c) Lawrence M. Hinman 23

Amor Próprio:

Características

Características:

– Ter sentimentos de cuidado, apreço e

respeito por si próprio.

– Valorar-se a si próprio na justa medida. – Conhecer-se a si próprio.

– Agir de forma a promover o seu próprio

(24)

Amor Próprio:

Deficiência

Deficiência:

– Reduzida capacidade para sentir. – Reduzida capacidade para se

auto-avaliar e tendência para a autodepreciação.

– Reduzida capacidade para se

autoconhecer.

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(c) Lawrence M. Hinman 25

Amor Próprio:

Excesso

„ Pode assumir várias formas: arrogância,

egoismo, vaidade e narcisismo.

„ Excesso de centração em si próprio. „ Autoconceito exagerado e irrealista. „ Demasiada confiança em si próprio:

narcisismo.

„ Demasiada acção em proveito próprio:

(26)

Amizade

„ Para Aristóteles, não há

necessariamente uma dicotomia entre o interesse próprio e a

preocupação pelos outros.

„ Sem amigos, não podemos ser

felizes.

– “…ninguém escolhe viver sem amigos,

ainda que tenha todos os outros bens” EN, VIII, 1.

(27)

(c) Lawrence M. Hinman 27

O que é a amizade?

“O amigo é aquele que partilha o teu

prazer naquilo que é bom e a tua dor naquilo que é desagradável, pelo teu próprio valor e por mais nenhuma

razão.” --Retórica, Livro II, Cap. 4; 1380b36-1381a5

(28)

Tipos de Amizade

„ A Amizade pode ter os seguintes fins: – Utilidade: acaba quando o propósito da

utilidade cessa.

– Prazer: acaba quando a fonte de prazer cessa. – Um partilha pelo que é bom: “A amizade

perfeita é a amizade que se baseia na partilha de virtudes e em mais nenhuma razão.” EN, VIII, 3.

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(c) Lawrence M. Hinman 29

Perdão

– É uma virtude indispensável ao florescimento

humano:

– Em qualquer relação de longo prazo (amizade,

casamento,etc.),cada um pode fazer coisas que devem ser perdoadas pelo outro.

– Relações de longo prazo são essenciais para o

florescimento humano.

– Se não conseguirmos perdoar, não seremos

(30)

Perdão:

Excesso e Deficiência

„ Excesso: a pessoa que perdoa demasiado

facilmente e demasiado rapidamente.

– Pode subestimar-se a si própria. – Pode subestimar a ofensa.

„ Deficiência: a pessoa incapaz de perdoar. – Pode sobrestimar a sua importância.

– Geralmente leva uma vida amarga e

(31)

(c) Lawrence M. Hinman 31

Conclusão

„ As virtudes são os traços de carácter

que promovem o nosso

florescimento como pessoas.

„ A pessoa virtuosa tem sabedoria

prática, a habilidade para conhecer quando e como aplicar melhor as várias perspectivas morais.

(32)

Segunda Parte

„ Metodologia de promoção de

valores:

„ Os 3 Es: exortação, exemplo e

(33)

(c) Lawrence M. Hinman 33

THOMAS LICKONA: MÉTODO 3 Es

„ ESTRATÉGIAS PARA A SALA DE

AULA:

„ O professor como mentor e modelo „ Reflexão ética em torno de grandes

obras

„ Técnicas de gestão de conflitos „ Reforços

(34)

MÉTODO 3 Es: OBJECTIVOS

„ Usar os conteúdos para desenvolver o

raciocínio moral

„ Estimular a cooperação entre os alunos

„ Desenvolver a responsabilidade e o gosto

pelo trabalho e pelo esforço

„ Ensinar os alunos a superarem os

conflitos sem recurso à violência

„ Induzir os alunos a cuidarem uns dos

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(c) Lawrence M. Hinman 35

MÉTODO 3 Es

„ O conhecimento moral exige:

-reflexão

-compreensão

-formulação de juízos

-processo de escolha (cálculo racional, deliberação e acção)

(36)

MÉTODO 3 Es

„ Os valores éticos devem percorrer

todo o currículo de forma transversal

„ A escola deve entender-se acerca do

código de conduta

„ O código de conduta aplica-se em

todos os espaços escolares

„ Uma reflexão ética que não conduza

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(c) Lawrence M. Hinman 37

MÉTODO 3 Es

„ Embora os alunos e os pais devam

associar-se ao processo de tomada de conhecimento do código de

conduta, são as autoridades escolares e os professores os

responsáveis pela sua elaboração, aprovação e aplicação

(38)

MÉTODO 3 Es

„ Opção clara pelo reforço da

autoridade do professor „ Reconhecimento da importância da linguagem moral „ Reconhecimento da importância do hábito no processo de desenvolvimento moral

(39)

(c) Lawrence M. Hinman 39

BIBLIOGRAFIA BÁSICA

„ Aristotle (1985). Nicomachean Ethics. (Introd. e

notas de Terence Irwin). Cambridge: Hackett PC

„ Knight, K. (1998). The MacIntyre Reader. (1998).

Indiana: University of Notre Dame

„ MacIntyre, A. (1984). After Virtue. Indiana:

University of Notre Dame

„ MacIntyre, A. (1990). Three Rival Versions of

Moral Inquiry. Indiana: University of Notre Dame

„ Quintana, J. (1995). Pedagogia Moral. Madrid:

Dykinson

„ Singer, P. (1993) (Ed.). A Companion to Ethics.

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