LIÇÃO 5 – LIDERANÇA ESPIRITUAL
Texto Bíblico: Atos 6:1-7“Se os cristãos do mundo todo renunciarem seus planos pessoais, suas metas e aspirações, e começarem a obedecer radicalmente a tudo o que Deus lhes mostrar,
causariam uma reviravolta no mundo” (Henry & Richard Blackaby )1
INTRODUÇÃO
Segundo Jonh Edmund Haggai, “liderança é o esforço para exercer
conscientemente uma influência especial dentro de um grupo, no sentido de levá-lo a atingir metas de benefício permanente, que também supram as necessidades
reais do grupo”2
. Toda Igreja precisa se organizar para enfrentar os problemas que surgirão. É preciso foco para atingir as metas estabelecidas por Deus. Nenhuma Igreja consegue ir à frente quando se rompe a comunhão. Veremos que a liderança da “Igreja Primitiva” agiu rapidamente, através de um esforço consciente, para resolver um problema interno e preservar a comunhão. O inimigo não conseguiu seu intento que era o de desviar o foco dos cristãos. A Igreja avançou e não ouvimos mais nada a respeito do problema.
ANALISANDO OS FATOS
Lucas narrou a história do crescimento da Igreja em Jerusalém e um desentendimento que ameaçou a expansão da mesma (V.1). Os apóstolos não estavam conseguindo coordenar ao mesmo tempo a beneficência e suas atribuições básicas: oração e ensino da Palavra (V.2 e 4). Houve um ressentimento entre os crentes de fala grega, os “helenistas”, originários de outras regiões, contra os crentes “hebreus” que eram os judeus que falava aramaico e eram naturais da Judéia, porque as viúvas gregas estavam sendo discriminadas na distribuição diária de comida. Houve reclamação. O problema foi rapidamente contornado devido à espiritualidade e sabedoria da liderança, que atacou o problema e não as pessoas envolvidas. Os apóstolos humildemente reconheceram que precisavam de ajuda.
1 Henry Blackaby e Richard Blackby. Liderança Espiritual. São Paulo: Bompastor, 2007, p.45. 2
A estrutura da Igreja foi modificada com a escolha de sete homens com as credenciais necessárias para atenderem as necessidades reais do grupo. “Quando a Igreja escolhe sua liderança sob a égide dos preceitos divinos, as tensões são
resolvidas, as necessidades são supridas e a Igreja cresce com mais ousadia”3
(V.7).
1. A IGREJA DE DEUS PRECISA DE UMA LIDERANÇA ESPIRITUAL
Somente uma liderança que busca a orientação do Espírito Santo e que saiba aplicar a sua fé nos momentos de maior desafio, conseguirá focar e levar o povo de Deus para o centro de Sua vontade. A obra de Deus precisa de “líderes que buscam orientação do Espírito Santo e não da última pesquisa de opinião pública. Precisa de líderes religiosos que seguem os planos de Deus e não seus próprios. Precisa de maridos e esposas, mães e filhos que saibam como aplicar a Palavra de Deus em seus lares ao invés de simplesmente implementar os conselhos dos últimos livros de
autoajuda”4
. As atitudes dos apóstolos sugerem que líderes espirituais: 1) Reconhecem as reais necessidades da Igreja (v.1).
2) Compartilham as necessidades com os demais irmãos (V.2,3). 3) Reconhecem seus limites (V.2b).
4) Sabem quais são suas reais atribuições (v.4). 5) Agem visando à expansão da obra de Deus (V.7).
2. A IGREJA DE DEUS PRECISA DE UMA LIDERANÇA APROVADA
O renomado líder norte-americano John C. Maxwell afirmou que toda vez que a pessoa escolhe o caráter, torna-se mais forte, ainda que a escolha traga consequências negativas (...). O desenvolvimento do caráter está no centro do nosso progresso não só como líderes, mas também como seres humanos.
O que toda pessoa deve saber sobre caráter?
1. Caráter é mais do que falar – a ação é o verdadeiro indicador do caráter.
3 Hernandes Dias Lopes. Atos: a ação do Espírito Santo na vida da igreja. São Paulo: Hagnos, 2012, p.139. 4
2. Talento é um dom, mas caráter é uma escolha – à medida que você vive e faz escolhas hoje, está continuamente criando seu próprio caráter.
3. Caráter traz sucesso duradouro com as pessoas – os seguidores não
confiam em líderes cujo caráter apresenta falhas, nem os seguirão.
4. Os líderes não podem estar acima das limitações do próprio caráter –
pessoas que conquistam altas posições, mas não tem estrutura para sustentá-las durante o período de estresse, caminham para o desastre. O psicólogo Steven Berglas acredita que essas pessoas estão destinadas a passar por uma ou mais destas quatro situações: Arrogância, sentimentos
dolorosos de solidão, busca de aventuras destrutivas ou adultério.5
Paulo aconselhou ao jovem Timóteo: “Procura apresentar-te aprovado diante de Deus, como obreiro que não tem de que se envergonhar...”. (2Tm 2.15). Um líder eclesiástico aprovado diante de Deus, também será aprovado diante dos homens. Um líder integro andará seguro (Pv 10.9). Os apóstolos sabiam que os desafios da Igreja exigiriam líderes:
De boa reputação – pessoas de confiança quanto à moralidade ou honestidade. Pessoas que não iriam pôr a mão e ficarem com os donativos que deveriam ser entregues às viúvas. Pessoas sensatas e de confiança na liderança que tinha o grande desafio de restaurar a comunhão da Igreja.
Cheios do Espírito Santo – pessoas reconhecidas na comunidade como homens de Deus ativos e com o coração na obra de Deus. Gente como Estevão, “Cheio de fé e do Espírito Santo” (At 6.8). “Somos cheios do Espírito quando Deus ocupa cada parte de nossa vida, quando tem permissão para operar em nós tudo o
que se propôs a realizar.”6
Cheios de sabedoria – era mais do que mera inteligência. Pessoas que, orientadas pelo Espírito, saberiam como lidar com os desafios com amor e graça. Uma sabedoria terrena e prática com um aspecto espiritual (Tg 3.17).
5 Maxwell John C. As 21 indispensáveis qualidades de um líder. Mundo Cristão: São Paulo, 2000, p.15-16. 6
Mesmo para o desempenho dos deveres que julgamos “práticos” ou de “menor relevância” na Igreja, serão necessárias pessoas confiáveis.
3. A IGREJA DE DEUS SÃO AS PESSOAS
Que revolução os apóstolos causaram ao estabelecer os “irmãos” como parte
importante na resolução do conflito. Aos “irmãos” foi delegado a missão de observar
e escolher aqueles que seriam encarregados do ministério de auxílio às viúvas. Os apóstolos confiavam na ação de Deus em revelar aos demais irmãos o ideal para a Igreja. Mesmo a Bíblia afirmando que na multidão de conselheiros há segurança (Pv 11.14), temos observado um crescente movimento que tira da congregação o direito de participar das decisões da Igreja. Aprendemos com os apóstolos a valorizar a Igreja no processo decisório. A proposta foi feita pelos doze e submetida a uma assembleia da Igreja, sendo aprovada. Ao impor as mãos sobre os escolhidos, os apóstolos reconheceram a decisão como vinda de Deus.
A congregação tem uma grande responsabilidade que deve ser reconhecida, estimulada e cultivada. Somos responsáveis por cuidar para que tenhamos ensino correto e boa disciplina. Cada membro precisa assumir sua parte ativa na Igreja, não somente frequentando-a, orando por ela e contribuindo financeiramente, mas também, acima de tudo, conhecendo ativamente os membros de sua Igreja e os princípios que através dos anos vem caracterizando-a como uma Igreja Batista. Alguns documentos não podem ser esquecidos: A declaração doutrinária da CBB; Princípios batistas; O pacto das Igrejas Batistas; Quem são os batistas? (Veja em www.batistas.com).
PARA PENSAR E AGIR:
Toda Igreja precisará tomar decisões no curso de sua caminhada. Vimos que os irmãos do primeiro século não ficaram presos a uma estrutura que, naquele momento, ameaçava a comunhão. Foram ousados, sábios e espirituais na condução do problema. O resultado não podia ser outro. A Igreja avançou e muitas pessoas se renderam a Cristo (V.7).
Essa experiência narrada por Lucas deveria nos ensinar que para lidar com os assuntos do Reino de Deus devemos, ao invés de procurar líderes que tenham
qualificações seculares, procurar pessoas com caráter, boa reputação, habilidade de lidar com a Palavra de Deus e que manifestem o fruto do Espírito em sua vida. A esses devemos confiar a responsabilidade de liderar a Igreja de Cristo.
PERGUNTAS PARA DISCUSSÃO EM CLASSE
1. Como devemos agir hoje para evitar que possíveis reclamações atrapalhem a comunhão da Igreja?
2. Que lição extraída do texto, você pretende colocar em prática a partir de hoje?
3. Quais fatores têm influenciado uma contribuição cada vez menor das pessoas nas decisões das Igrejas?
4. Você conhece os “documentos dos batistas” citados nesta lição?
Leituras Diárias: Segunda-feira: Atos 6.1-7
Terça-feira: Tiago 1.27; 2.14-26 Quarta-feira: Mateus 25.31-46
Quinta-feira: 1Timóteo 3.1-7; Tito 1.6-9 Sexta-feira: Êxodo 18
Sábado: Provérbios 11.14 Domingo: Tiago 3.17