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Decisões da cidh e seus efeitos. / Decisions of the iachr and its effects

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Decisões da cidh e seus efeitos.

Decisions of the iachr and its effects

DOI:10.34117/bjdv6n11-627

Recebimento dos originais: 03/10/2020 Aceitação para publicação: 27/11/2020

Marcelo Oliveira

Mestrando, pós-graduado em Auditoria Fiscal e Tributária E-mail: [email protected]

RESUMO

No artigo demonstraremos os efeitos das decisões proferidas pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), especialmente quanto à vinculação para os países signatários, como o Brasil. O assunto é importante neste momento, pois vários são os litígios que estão em discussão no Poder Judiciário e, também, com os mesmos atores e características, na CIDH.

Palavras-Chave: Decisões internacionais, vinculação. ABSTRACT

In the article, we will demonstrate the effects of the decisions of the Inter-American Court of Human Rights (IACHR), especially regarding the linkage to the signatory countries, such as Brazil.

The matter is important at this moment, since there are several disputes that are under discussion in the Judiciary, and also with the same actors and characteristics, in the IACHR.

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1 CONFRONTO ENTRE DIREITO INTERNACIONAL E INTERNO

A relação entre Direito Internacional e Direito Interno foi conceituada pela doutrina com duas vertentes.

Para Rezek (p.026), as teorias são a Dualista e a Monista.

Ainda segundo esse nobre autor, os autores dualistas - como Carl Heinrich Triepel, na Alemanha, e Dionízio Anzilotti, na Itália – os direitos internacional e interno de cada Estado são sistemas independentes, não havendo necessidade de que normas internas se coadunem com normas internacionais, de nenhuma forma.

Já para os autores Monistas, há duas correntes. A primeira – prestigiada por Kelsen - defende que o regramento interno deve ser subordinado ao ordenamento internacional. A segunda apregoa a superioridade do ordenamento interno, mas que deve utilizar o ordenamento internacional como uma faculdade a ser respeitada, caso deseje.

O Brasil e os Estados Unidos da América, por exemplo, aplicam o monismo nacionalista, pois quando os tribunais enfrentam o problema do conflito entre normas de direito internacional e de direito interno aplicam essas últimas, justificando pela sua prevalência, como iremos verificar nos casos a seguir.

2 COMISSÃO INTERAMERICANA DE DIREITOS HUMANOS (CIDH)

A Organização dos Estados Americanos (OEA), criada em abril de 1948, instituiu, em novembro de 1969, a Convenção Americana sobre Direitos Humanos – CADH (Pacto São José de Costa Rica), ratificado por 25 países com exceção dos Estados Unidos e Canadá.

Para garantir a efetividade de suas deliberações, a CADH criou a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos é competente para avaliar as denúncias de violações, apresentadas por cidadãos, contra um Estado-membro, que dizem respeito a direitos assegurados na Convenção, desde que superados as instâncias judiciárias do Estado-membro em que está ocorrendo o litígio.

Recebida a denúncia caso a Comissão entenda que houve a violação, ela é competente para propor ação contra o referido Estado junto a Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), a quem compete julgar e determinar as sanções, que vão desde indenização das vítimas, obrigação de punir os responsáveis ou adequar a sua legislação aos preceitos estabelecidos no pacto.

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reciprocidade e para fatos posteriores, a competência “contenciosa” da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH).

Ou seja, necessário destacar que somente em dezembro de 1998 o Brasil reconheceu a competência contenciosa da CIDH, com duas condições: a) sob reserva de reciprocidade; e b) para fatos posteriores ao reconhecimento.

Verificaremos relevantes decisões da CIDH e seus efeitos no Brasil.

3 GUERRILHA DO ARAGUAIA

A Guerrilha do Araguaia, ocorreu aproximadamente no ano de 1966, onde, mais ou menos 70 militantes do Partido Comunista do Brasil (PC do B) se deslocaram para o Estado do Pará, nas proximidades do Rio Araguaia, com o fito de organizar trabalho inicial em regiões de pouca visibilidade estatal.

Nesse sentido, o movimento buscava se inserir em localidades que não houvesse assistência do poder público em questões básicas, como saúde, educação, entre outros, pois, em sua visão, seria muito mais fácil obter apoiadores.

Nessa missão expunham para a população local suas visões quanto a questões políticas, objetivando inserir o socialismo no Brasil, com a utilização da luta armada, pois os militantes espelhavam-se nas revoluções Chinesa e Cubana, e tinham como paradigma a Guerra do Vietnã.

Calcula-se que por volta de 90 pessoas, incluindo os militantes, aderiram ao movimento, que era clandestino, pois nesta mesma época, estava em vigência o Regime Militar, havendo grande perseguição aos conhecidos como rebeldes.

Por esta razão, foram executadas no local operações militares realizadas pelo Exército, Marinha e Aeronáutica, a fim de reprimir o movimento que crescia gradativamente nas proximidades do Rio Araguaia.

O movimento planejado pelos PCdoB e camponeses do Estado do Pará sequer chegou a ser posto em prática, pois houve forte intervenção do Estado.

As operações militares no local eram realizadas de forma sigilosa, havendo expressa determinação do Presidente da República da época, General Médici, que as intervenções fossem feitas sem que a imprensa e a sociedade tivessem conhecimento da existência da chamada Guerrilha.

Não bastasse isso, há rumores que o então Presidente também determinou que todos os rebeldes fossem mortos, conforme noticiou recentemente a mídia nacional.

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Coronel diz que corpos foram queimados VICTOR RAMOS

DA AGÊNCIA FOLHA – 07/03/2004

Pedro Corrêa Cabral, 62, coronel da reserva da Aeronáutica que serviu aos militares no combate aos guerrilheiros do Araguaia, diz que corpos de cerca de 40 membros da guerrilha foram queimados pelas Forças Armadas.

Segundo ele, houve "execução" de prisioneiros e de moradores da região ligados aos guerrilheiros.

É de se destacar que apenas dois corpos foram encontrados, o de Maria Lúcia Petit e de Bergson Gurjão, sendo estes os únicos a serem enterrados por seus familiares.

A guerrilha do Araguaia ficou conhecida, também, como Caso Gomes Lund devido ao desaparecimento de Guilherme Gomes Lund, que foi considerado como um dos militantes do PC do B. Guilherme era estudante de Arquitetura e Urbanismo, pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro e em 1970 integrou o grupo de guerrilheiros no Araguaia.

Em 1979, no poente do Regime Militar, foi publicada a Lei 6.683, chamada de Lei da Anistia, que, em suma, concedeu anistia a todos, militares e militantes, no período compreendido entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, que cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais, aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em Atos Institucionais e Complementares.

4 ANISTIAS E CIDH

A Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) rejeita as leis de anistia, por entender que estas normas prejudicam a investigação e punição de atos que violem direitos humanos, ferindo, ainda, o direito ao acesso à Justiça.

A partir da década de 1990 iniciou-se discussões sobre as Leis da Anistia aplicadas internamente nos Estados membros.

A Corte Interamericana de Direitos Humanos se posicionou acerca do tema, afirmando que tais leis violam as obrigações assumidas pelos Estados no cenário internacional e que, mesmo as leis sendo válidas no ordenamento jurídico dos países, estas são consideradas inválidas para o Direito Internacional.

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A Corte Interamericana averiguou graves violações de direitos humanos praticados pelos tribunais do país ao citado caso, considerando que a legislação interna afronta os direitos protegidos pela Corte e que tais normas não deveriam servir de obstáculo nas investigações e punições dos responsáveis pelo crime.

Após a manifestação da Corte Interamericana de Direitos Humanos, o Chile permaneceu inerte, não anulando a referida lei. No entanto, após este episódio, o país passou a não mais impedir a investigação e punição pelos crimes praticados na vigência do Regime Militar.

Portanto, é possível constatar que a Corte Interamericana de Direitos Humanos rejeita as leis de anistia, quando estas são utilizadas como meio hábil a impedir a investigação e punição de atos contrários à proteção de direitos humanos, independente dos motivos que ensejam a edição de tais leis internas, a Corte Internacional acredita ser incompatível com os objetivos resguardados pelo citado órgão.

Por esta razão, a Corte Interamericana afirma ser responsabilidade dos Estados, por meio do Controle de Convencionalidade, alterar a aplicação das leis de anistia, de modo a compatilizá-las com o sistema interamericano.

O controle de convencionalidade é instrumento utilizado para a análise da compatibilidade das normas internas de um país pelos Tratados de Direitos Humanos admitidos pelo Estado, funcionando como verdadeiro parâmetro de validade das normas.

André Carvalho Ramos (p.223), afirma que o Controle de Convencionalidade realizado internamente pelo magistrado nacional é preliminar ou provisório, isto porque, mesmo se for concretizado, não vincula o juiz internacional. Além disso, prevalece o entendimento de que o órgão judiciário, ainda que não exerça o Controle de Constitucionalidade, poderá realizar o Controle de Convencionalidade, devendo ser suscitado como questão preliminar, ante o caso concreto.

O fundamento deste entendimento se baseia em três elementos, conforme assegura Nestor Pedro Ságues, quais sejam:

• A boa-fé dos Estados no cumprimento de suas obrigações internacionais;

• O princípio do efeito útil dos tratados, que não pode ser diminuído pelas normas internas;

• A impossibilidade de se alegar o direito interno para evitar o cumprimento das normas internacionais, conforme o artigo 27 da Convenção de Viena sobre o Direito dos Tratados de 1969.

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Nesse sentido, conforme tema em exame, se a lei da anistia sobreviveu ao controle de constitucionalidade do Supremo, foi veementemente reprovada no controle de convencionalidade da Corte Interamericana.

Os países signatários do Sistema Interamericano de Direitos Humanos têm se voltado aos poucos ao posicionamento da Corte e afastando a aplicação da lei da anistia. Até o presente momento sete países foram declarados responsáveis por violações a direitos humanos com a aplicação da lei da anistia, sendo eles o Brasil, Chile, El Salvador, Guatemala, Peru, Uruguai e Suriname.

5 ARAGUAIA E CIDH

Em 1982 os familiares dos desparecidos na guerrilha do Araguaia ingressaram com ação civil na Justiça Federal, que buscava compelir o Estado a conceder todas as informações sobre o paradeiro das pessoas desaparecidas e as circunstâncias de sua eventual morte, mas o poder judiciário brasileiro negou-lhes o direito de conhecer a verdade, pois não houve decisão que lhes atendesse.

Já em 1995, entidades ligadas às famílias das vítimas da Guerrilha do Araguaia impetraram junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) uma representação contra o Brasil, que culminou com uma denúncia, levada ao Corte, a fim de responsabilizar o Brasil pela “detenção arbitrária, tortura e desaparecimento forçado de 70 pessoas [...] resultado de operações do Exército brasileiro empreendidas entre 1972 e 1975 com objetivo de erradicar a Guerrilha do Araguaia” (CIDH, 2010, p.4). O Estado foi acusado, também, de violar o direito à verdade e à informação.

A Corte, no entanto, limitou seu arbítrio a julgar as violações à convenção posterior ao reconhecimento de sua competência, da data em que o Brasil tornou-se signatário do Pacto, 1998, admitindo ser inequívoca a impossibilidade dela para julgar os crimes de “detenções arbitrárias, atos de tortura e execuções extrajudiciais ocorridos antes de 10 de dezembro de 1998” (CIDH, 2010, p.8).

Todavia, no que concernem as violações do direito à verdade e os danos causados às famílias das vítimas, bem como ao crime de desaparecimento forçado, cujos corpos não foram localizados até 10 de dezembro de 1998, declarou-se plenamente competente, em razão do já pacificado entendimento, que tais crimes têm caráter permanente e continuado, ou seja, a consumação do delito protraiu-se no tempo, até os dias atuais (CIDH, 2010, p.10).

Em 29/04/2010 o STF, na ADPF/153, proposta pela OAB, decidiu que a Lei 6683/1979 anistiou todos os crimes, de qualquer natureza, cometidos por agentes civis ou militares, no período entre 02 de setembro de 1961 e 15 de agosto de 1979, não podendo o Estado cogitar qualquer tipo de persecução

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Defenderam uma revisão da lei, alegando que a anistia não teve “caráter amplo, geral e irrestrito”, os ministros Ricardo Lewandowski e Ayres Britto. Para eles, certos crimes são, pela sua natureza, absolutamente incompatíveis com qualquer ideia de criminalidade política pura ou por conexão.

A decisão, ainda, não transitou em julgado, pois pendente de embargos de declaração, já que , segundo os embargantes, os Ministros não se atentaram para o caráter permanente de alguns dos crimes cometidos pelos agentes públicos contra os opositores políticos ao regime militar, especialmente, o crime de ocultação de cadáver, que é um crime permanente, continuado, fazendo com que não seja atingido pela anistia objeto da Lei 6.683, de 1979.

Portanto, a apreciação definitiva pelo Supremo Tribunal Federal da Lei de Anistia à luz da Constituição – sobretudo no que concerne aos chamados crimes permanentes – aguarda a decisão sobre duas arguições de descumprimento de preceito fundamental (ADPFs 153 e 320) – a primeira das quais foi julgada e indeferida, em abril de 2010, mas ainda está na dependência da apreciação pelo plenário em sede de embargos de declaração, já a segunda - ajuizada pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), em maio de 2014 - está parada, ambas tendo como relator o Ministro Luiz Fux.

No dia 14 de dezembro de 2011, o Brasil enviou à Corte de Direitos Humanos um relatório que demonstrava o cumprimento da sentença. No entanto, os familiares dos desaparecidos afirmaram que não ocorrera o total cumprimento da decisão, pois não houve a fiel condução das investigações, de forma a processar e punir os responsáveis pelas mortes, pois a única tentativa de instauração da ação penal foi rejeitada com base na Lei da Anistia e da prescrição da pretensão punitiva.

Por fim, os representantes da Corte Interamericana consideraram que o Estado brasileiro cumpriu parcialmente a sentença, pois inicialmente foi empregado esforços para o cumprimento das determinações, porém não houve o cumprimento total.

6 DEPOSITÁRIO INFIEL E CIDH

Em 16/12/2015, o Supremo Tribunal Federal (STF), emitiu a Súmula Vinculante 25:

“Súmula Vinculante 25:

É ilícita a prisão civil de depositário infiel, qualquer que seja a modalidade de depósito.”

...

6.1 PRECEDENTES REPRESENTATIVOS

(...) diante do inequívoco caráter especial dos tratados internacionais que cuidam da proteção dos direitos humanos, não é difícil entender que a sua internalização no ordenamento

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jurídico, por meio do procedimento de ratificação previsto na CF/1988, tem o condão de paralisar a eficácia jurídica de toda e qualquer disciplina normativa infraconstitucional com ela conflitante. Nesse sentido, é possível concluir que, diante da supremacia da CF/1988 sobre os atos normativos internacionais, a previsão constitucional da prisão civil do depositário infiel (art. 5º, LXVII) não foi revogada (...), mas deixou de ter aplicabilidade diante do efeito paralisante desses tratados em relação à legislação infraconstitucional que disciplina a matéria (...). Tendo em vista o caráter supralegal desses diplomas normativos internacionais, a legislação infraconstitucional posterior que com eles seja conflitante também tem sua eficácia paralisada. (...) Enfim, desde a adesão do Brasil, no ano de 1992, ao PIDCP (art. 11) e à CADH — Pacto de São José da Costa Rica (art. 7º, 7), não há base legal para aplicação da parte final do art. 5º, LXVII, da CF/1988, ou seja, para a prisão civil do depositário infiel. [RE 466.343, voto do rel. min. Cezar Peluso, P, j. 3-12-2008, DJE 104 de 5-6-2009, Tema 60.]

...

A matéria em julgamento neste habeas corpus envolve a temática da (in)admissibilidade da prisão civil do depositário infiel no ordenamento jurídico brasileiro no período posterior ao ingresso do Pacto de São José da Costa Rica no direito nacional. 2. Há o caráter especial do PIDCP (art. 11) e da CADH — Pacto de São José da Costa Rica (art. 7º, 7), ratificados, sem reserva, pelo Brasil, no ano de 1992. A esses diplomas internacionais sobre direitos humanos é reservado o lugar específico no ordenamento jurídico, estando abaixo da CF/1988, porém acima da legislação interna. O status normativo supralegal dos tratados internacionais de direitos humanos subscritos pelo Brasil torna inaplicável a legislação infraconstitucional com ele conflitante, seja ela anterior ou posterior ao ato de ratificação. 3. Na atualidade a única hipótese de prisão civil, no Direito brasileiro, é a do devedor de alimentos. O art. 5º, § 2º, da Carta Magna expressamente estabeleceu que os direitos e garantias expressos no caput do mesmo dispositivo não excluem outros decorrentes do regime dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte. O Pacto de São José da Costa Rica, entendido como um tratado internacional em matéria de direitos humanos, expressamente, só admite, no seu bojo, a possibilidade de prisão civil do devedor de alimentos e, consequentemente, não admite mais a possibilidade de prisão civil do depositário infiel. 4. Habeas corpus concedido.

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Essa súmula pacificou entendimento da supra legalidade dos tratados de Direitos Humanos, anteriores a emenda constitucional 45, a exemplo do Pacto São José de Costa Rica, pois neste caso o pretório excelso acolheu o entendimento que a prisão civil, mesmo aceita pela Constituição, não podia ser aplicada por contrariar normas de Direitos Humanos, cujo Brasil se obrigará a cumprir.

Esta decisão revela a tamanha contradição que há no atual entendimento do poder judiciário, que se utiliza do precedente criado pelo julgamento da ADPF/153, para negar provimento a ações criminais já propostas pelo Ministério Público Federal, a fim de não atender determinação da CIDH, mas atende à Corte para alterar interpretação da Constituição Federal.

Acaso o mesmo tratado que num momento serviu para relativizar a aplicação de um dispositivo constitucional não tem a mesma força para impedir a aplicação de lei ordinária (Lei da Anistia), que como se demonstra, conflita com a própria Constituição?

Destaca-se que ao sentenciar a CIDH cita as decisões de órgãos das Nações Unidas, da Corte Européiade direitos Humanos, do Sistema Africano de Direitos Humanos, dos Tribunais Internacionais para ex Iugoslávia e Serra Leoa, da Corte Suprema de Justiça do Chile, do Tribunal Constitucional do Peru, da Suprema Corte de Justiça do Uruguai e da Corte Constitucional da Colômbia (CIDH, 2010). Todas no sentido de confirmar a invalidade das leis de anistia e do reconhecimento da responsabilidade dos Estados em punir e prevenir violações aos Direitos Humanos. Só o Brasil pensa o contrário.

Ao assinar a Convenção Americana, os países membros aceitaram o disposto no art. 67 e 68, que torna tal sentença inapelável e definitiva, comprometendo-se os Estados parte a cumpri-la. Isto contraria o entendimento propositadamente difundido, até por membros da suprema corte, de que o teor de tal sentença nada mais representa do que uma mera recomendação política.

Se a lei da anistia sobreviveu ao controle de constitucionalidade do Supremo, foi veementemente reprovada no controle de convencionalidade da Corte Interamericana. Tendo os países da América Latina, acatado tal determinação, é no mínimo curioso o fato do Brasil relutar em efetivar as deliberações que lhe foram impostas.

Esclarecemos que quanto à sua eficácia, o Pacto de San José de Costa Rica possui eficácia em território nacional, como norma supralegal, pela forma em que foi aprovado (sem 3/5, Emenda Constitucional 45/2005).

7 CONCLUSÃO

No presente artigo buscamos demonstrar que o Brasil aplica a teoria Monista e Dualista, ao mesmo tempo.

A teoria Dualista foi aplicada no caso da guerrilha do Araguaia, em que a legislação nacional foi conceituada como superior e vinculante à decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos

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(CIDH), assim como desprezou decisões de outros Estados Membros participantes da Convenção Americana sobre Direitos Humanos (CADH).

Já quanto à questão da prisão do depositário infiel, foi aplicada a teoria Monista Internacional, pois as decisões da Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) foram citadas como precedentes para fundamentar a ilegalidade de determinação de prisão, contida na Lei Magna.

Não olvidamos que essa indefinição do órgão máximo do Poder Judiciário possui em um de seus julgados um trauma ocorrido na história brasileira, mas se espera que seja definida a teoria que prevalece no sistema jurisdicional, pois a segurança jurídica, sem sombra de dúvida, é o maior pilar para a confiança dos cidadãos nesse sistema.

REFERÊNCIAS

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