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Actores errantes de oitocentos

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Academic year: 2021

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Actores Errantes de Oitocent os

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A v ida e r r ante de c o mpanhi as a mbul ante s

U ma exi st ên cia qu e s e do cu me nta no s a rqu iv os d o Mi ni stéri o do Reino ou d o s G o ver no s Ci vis , qu e a s su me a re sp on sa bi lida de do lice ncia me nto d os e sp ectá cu lo s a pó s a re for ma a dmini stra tiv a de 1 8 69 . Com co ntor n o s liter á rio s, D . J oã o da C â ma ra fez -l he s o r etra to e m « A Fa r â ndola »2, com pin c ela da s ev oca dor a s d e El Via je En tr e te n id o , de Roja s ( 1 5 7 2 – 163 5 ) , ou do Ro m a n C o m iq ue , de Sca rron (1 6 10 – 1 680 ) ou da s pintu ra s d e Ka r el D u ja r din ( 1 6 26 – 16 78 ) . C a lcorrea ndo a s estr a da s, ca r rega n do os pert en ce s, «a tr a ns fer ên cia pa ra qu a lqu er terra er a u ma p er f eita ca r a va na co mp o sta d e de z ca rros d e boi s ou ca rroça s, ch eia s d e c ená rio, m obiliá r io, [ ...] a ca va lo, p or mo nte s e va les, de sd e Cha ve s a Br a ga nça . T oda a c om pa nhia mo nta da e m bu rro s e ca va los da va

a impressão d’uma troupe de ciganos»3

. O dese nv olvi me nto da via - férr ea a meni zou a s di fi cu lda de s de tra ns port e, ma s a mpli ou o seu ca mp o d e a ctu a çã o, de fi nid o co m ma is a cu ida de u ma rota do s pa lc os. E qu a ndo o a nima tógr a fo, e ntrou , p ela n ovi da de, n os há bit o s da s po pu la çõ es, e , p ela r ec eita , no s b ols o s do s e m pr e sá r ios do s tea tro s lo ca is, à s co m pa nhia s de pr oví ncia nã o l he s re stou ou tr a a lterna tiva se nã o ret o rna rem à con stru çã o do s seu s tea tr o s -ba rra ca , o s c h a le ts , de ma deira e tela , da tra diçã o feir a nt e , c o mo for ma s obr evi vê ncia .

Ap e sa r da i nsta bili da de so cia l pr ov oca da pela s in va s õe s fra n c esa s ou pela s gu err a s lib er a is, o ter r it ór io por tu gu ê s foi vi sita do, a o long o do sé cu lo XI X, p or gr u p os d e pr o fis si ona is , na ci ona i s e e stra ng eiro s, qu e col ma ta r a m a ne ce s sida d e da div ersã o po pu la r . C om pa nhia s d ra má tica s, lír ica s ( d e Za rzu ela ), cir ce ns e s ( gi na sta s e a cro ba ta s ) , circo s de ca va linh os co m e s pe ctá cu lo s d e pa nto mi ma , tea tro s d e ma rio neta s, e m pa lco s pú bli co s ou no s r e cint o s d e feira , e xta sia r a m ol ho s á vido s d e em oç õe s. A pa r da s c orr ida s d e tou r o s, o pú blic o entu sia s m ou - se c om a 1 Ar t i go p u bo i c a do n a R e vi s t a Si na i s d e C e na 1 2, 20 1 0. 2 D . Jo ã o d a C â ma r a , « A F a r â n d u l a », R e vi st a d o C on s e r va t ór io R ea l d e L is bo a , nº 1 , 1 9 0 2, pp . 5 -6 . 3 P e d ro C a b r a l , R e l e m bra nd o . Li sb o a : Li vr a r i a P o p ul a r , 19 2 3, pp . 35 - 3 6.

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exp o siçã o d e a ni ma is d om é stic o s e a m e stra do s, co m a s fera s e nja u la da s, em ja r di ns zo oló gic os a m bu la nte s. Pro po sta s de ou tra s rea lida de s dista nt e s, a pelo s a o ex otis m o de «r a ta s ind ia na s», nu m vis lu mbre d e se n sa çõ es pi ntu r e sca s ec onó mi ca s, a ce d end o a ba rra ca s de ilu sõe s ópti ca s – pa nora ma s, cicl ora ma s, co sm or a ma s – , fil ha s d e D a gu erre, pr op or ci ona va m via ge ns i ni ma giná v eis . A ciê nc ia do s jo go s da fí sica e qu ímica ca u sou ta nto e spa nt o p opu la r , qu a nto a s a berra çõ e s, gent e qu e exib i a pu blica m ent e a s su a s de f or mi da de s pa ra nã o t er qu e me ndi ga r o su st ento diá r io na s r u a s.

A i deia d e a cti vida d e cu ltu r a l centr a da e m Li s boa ca i por ba s e qu a ndo co nfr onta mo s os p edi do s de lic en cia m ento da s c om pa nhia s itiner a nt es. E m 1 8 6 1 , che ga a o Mini stéri o do R ei no o r equ er ime nto d e «Ma r ia Au gu sta Be s sa Lop e s, dir ect ora da d eno mi na da C om pa nhia Lop es », a p en sa do do pa r ec er d o G o ver na dor C ivil d e B eja , pe din do «lic en ça por u m a no pa r a da r r epre s enta ç õe s e m qu a lqu er T ea tro do Reino »4. Uma da s mu ita s c om pa nhia s de de cla ma çã o qu e per co rrera m a s

pr oví ncia s, via ja ra m a té à s il ha s, l eva n do o T ea tro a u ma popu la çã o r u r a l. A le gisla çã o d e 1 8 6 0 defi ne qu e a D ir ec çã o -g era l d e Instru çã o Pú blica su per i nte nd a o s tea tro s, no m eie d el ega do s pr ovi ncia i s, e ex ecu t e u m c en so t ea tr a l : ca da str a m- s e t ea tros pú bli co s e pa rticu l a res e o s a r tista s qu e n ele s r epr es en ta m; fa z e m - s e esta tí stica s, org a niza m - se ma pa s de pe ça s, de ex plora çã o t ea tra l, e d e re ndi m ent o, se m ex ce pç õe s. O exp e die nte t ea tr a l a u menta e, a inda qu e ha ja fu ga s a o lic e ncia m ent o, con sta ta m - se co mpa n hia s d e pr o vín cia co m a ctivi da de du ra do u ra : a s de An dré Au gu sto Xa vi er de Ma ce do, de Fr a n ci sc o Fer na nd es, de Ag os tinh o Mor eir a d os Sa nto s, d e J oa qu im da Silva (o s Silva s d e Év o ra ), ou de Romã o J o s é Ma rtin s, entr e mu ita s.

Pa ra doxa lm ent e, na se gu nda m eta d e d e oit oc ent o s, e m Portu ga l, «o s or ça me nto s do mé sti co s, na su a ma ior ia , s e equ ilibra va m, q u a ndo nã o fe cha va m c om s u p e r av it, enqu a nto o do E sta d o a cu sa va d e fic it »5. 4 A 2 6 d e J u nh o d e 1 86 1 . ( AN T T/ M R/ D GIP , Lº 20 , n º 5 98 ) . 5 D a mi ã o P e r e s ( di r . ) , H is tó r ia d e Po r tu g al . E di ç ã o mo n u me n t a l . Po r to , 1 9 3 5, v. 7 , p . 38 3 .

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Com pre end e - se a ra zã o da qu a ntida d e d e o ferta de div ertim ent os popu la r e s, a inda qu e Ra ma lho O r ti gã o ou Fia lh o d e Alm eida lh e s en con tr e m p ou ca qu a lida de cu ltu r a l. Ma s é o e s pa ço int ercl a ssi sta da feir a fr a nca qu e p erm ite a a flu ên cia de m ocrá tica a os e sp ect á cu los d e Ar le qu i ns ( pa nto mi ma s) d e J oa qu im da Costa O liv eira (1 85 0 ) ; de fu nâ mbu lo s c om o os D a llot ( 1 8 6 3 ) ; de pr e stidi gita dor es c o mo Ma nu el Sa nch e s La r a (1 86 6 – 68 ) ou Eliza H er r er o (1 8 68 ) ; de figu ra s de c era de Seba stiã o Ma la ga ni ga ( 1 8 62 – 68 ), de Lu ís C a va na (1 8 6 3 ), ou de An na D oysk (1 8 6 5 ) ; de tea tr os de ma rion eta s, d e Elle nb erg e Ma rc ha nd (T ea tro Me câ nic o, 1 8 58 – 5 9 ) , de Fra nci sc o da C osta (1 8 64 ), de Fru tu oso de Sou sa ou de Fra n ci sc o Ar a n da ( 1 86 8 ) ; de a berra ntes mu lher es ba rbu da s, de Ca s imir o Alsi na e a «Ca b e ça Fa la nte» (1 8 6 8 ) , de A ntoi ne G i ffra y exib ind o a fil ha «d e 4 a no s qu e [ pe sa va ] 1 4 0 qu ilograma s»6

. U m ca leid os có pio em oci ona l, cu lmi na nd o e m pirot ec nia noctu rna , a mbient e de f orte s c or e s mu si ca is, p or orqu e str a s r ou fen ha s int erpr eta n d o pol ca s, ma zu r ca s, e ou tr a s mo din ha s, co mo te st emu n ha J ú lio C ésa r M a cha do e a su a ger a çã o b oé mia .

O s Te at ro s - bar r ac a das f e ir as f r anc as

C on str u çõ es d e ma d eir a e lona , pr oprie da de de, entr e ou tros, o Ar a ú jo, o Vi la r, ou o Pa lha re s, e m qu e o ma is notá v el , op ina Ma to s Ser qu eir a , er a o d os ir mã o s D a llot. Filh o s de fu nâ m bu lo s, J o se ph, Cha r les e J u lie, vier a m a ctu a r a Por tu ga l por volta de 1 8 4 5 , escritu ra dos no Cir c o d e Ma drid , dir igi do por Pa u l La ribea u . Sã o re fer e ncia d os os «int er m édi os » de Mr. D a llot, de pa r c eria co m Mr. R a tel, e m a nú ncios pu blica do s n o D iá r io d o G ov er no , entre 1 5 de Ma rç o e 1 d e D e ze mbr o d e 1 84 5 . Pa r tir a m pa r a Espa nha e I ngla ter ra , co nqu ista n do re n om e co mo gina sta s e a cr oba ta s, e, d e r egre s so a P or tu ga l, terã o tra ba lha d o na pra ça do Sa litr e, p o ssi vel m ent e pa r a H ipól ito T ou rnou r (1 8 58 – 1 86 0 ) , se gu ida m ent e na do Ca m po d e Sa nta A na , pa ra Fra n cis co R odrigu e s Ale gria , e, a in da , n o T ea tro-C ir co de Pric e.

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AN T T, Go ve r n o C i vi l d e Li s b o a , c o p i a do r n º 75 / 67 – 8 8/ 7 2, N T 1 8 4 , r e gº n º 5 6 , 0 1 . 07 . 18 6 8.

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Enc ontr a m o -lo s d e finit iva m ent e em Portu ga l, por co nta pró pria , em 1 8 6 3 . A 9 de O u tu bro, J o se ph D a llot r equ er a pri m eira lic en ça «pa ra da r esp ectá cu los gi ná sti co s e m div er s o s thea tro s do R e ino »7. Em 1 8 68 , o lice ncia me nto a la rga - se a no va s a ct ivida d e s , «p elo t e mpo d e 6 me se s, pa r a da r espe ctá cu lo s pú bli co s d e giná stica , tea tro m ecâ ni co, fí sica r ecr ea ti va , co sm or a ma e ou tro s pró prio s d e circ o, e m di feren te s terra s d o Reino »8. Por e sta a ltu r a , os D a llot c on str u íra m o s eu pró pr io tea tro -ba r r a ca , dea mbu la nd o p or feir a s e r oma ria s, r epr es enta n do «co m édia s ingé nu a s e ntr e m ea da s co m a s ha bili da de s d o cél ebr e ca va lo el á stico [ ...]

O Mo s c a e co m a s gr a ç ola s e a s tr u a nic es d o J oa qu im C o nfei teiro, qu e

fic ou cél ebr e na per s ona g e m do Ma lhã o, n o Pr o c e s s o do Ra sg a, e qu e foi du ra nte mu ito te mp o o pa lha ç o pr e fer ido do T ea tro Infa ntil da s A mor eir a s»9. P ercorr era m o pa ís de n or te a su l, de slo ca ra m -s e à Ma deira e a os A çor e s, e for a m a gra n de a tra cçã o f eir a nte .

J os é D a llot fa l ec e u , em 1 9 0 6 , em Sa nta ré m ; ca sa ra e tivera u ma filha , E str ela D a llot , qu e, por su a vez, foi ta m bé m a ctriz em c om pa nhia s a mbu la nte s ( a de O liveira T a inha , e a C ompa n hia D ra má tica Alia n ça ) , e ca sou co m o a ctor Rob er to d e O liveira , fil ho d e J u lieta R entini , direct ora da com pa nhia do me s mo n om e. A ir mã J ú lia D a llot ca sou tamb ém co m u m p ortu gu ês; fa l ec eu e m Pe drou ç os, p or volta de 1 9 08 , e a su a de sc en dê nci a foi dona d e ba r r a ca s d e feira s. Ca rlo s D a llot , ma i s a mbici o so, t er á sido e mpr e sá rio d o t ea tr o da s C a rm elita s, do Porto . G a nhou ba sta nt e din heiro , ma s a pa ix on ou - se p ela mu lh er d e u m sa pa teiro e de cidiu fu gir co m ela . Situ a çã o roca mbol e sca ! “ Pa ra se pre ca ver c ontra a s exig ên cia s d e cr ed ore s a ntigo s, d ep o sita em n om e da tra nsitória a ma nte de z c ont o s, qu e f or ra ra . A di vin da de m orre. O ma rido v inga - s e a o a br igo da lei. Sa bor eia o lu cr a tivo ca sti go da tra içã o da ca ra -m eta de e do se du tor , r e ce be nd o, c om o le gíti m o her deir o , o s d ez co nto s d e D a llot”10. 7 AN T T, M i ni s t é ri o d o R ei n o , D i r e c ç ã o Ge r a l d e In s t r u ç ã o P ú bl i c a , Lº 2 2, n º 1 0 36 . 8 Go ve r n o C i vi l d e Li s b o a ( AN TT) , c o p i a d o r nº 7 5 /6 7 – 8 8/ 7 2, N T 1 8 4 , r e gº n º 3 9 , d e 2 8 .0 5 .1 8 68 . 9 Gu s t a vo M a t o s S e qu e i r a , D e po i s d o T e rr a mo t o. S u bs íd i os p a ra a H i s tó ri a d os B a ir r os O cid e nt a is d e Li s bo a. Li s bo a : Ac a d e mi a d a s C i ê n ci a s , 1 96 7 , v. 4 , 2 5 1. 10 E d u a rd o d e N o ro n h a, “F o lh e ti m: Te a t r o : B a r r a c a s d e F ei r a ” , D i ár io d e N ot í ci a s , 2 1 . 10 . 19 1 9: 1.

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Em 1 9 09 , mu ito ido so, ro dea d o da nu m ero sa fa mília , e xpl ora va a inda , no D a fu ndo, o T ea tro Cha let R ecr eio G lória .

A r ecordação desta família “de boa apr esenta ção, chapéu de coco e

sotaque francês”11

per ma ne ceu p or mu ito te m po na m em ória popu la r, ser vi u de m od elo de co mpa ra çã o c om ou tra s fa râ ndola s. D i fer ent e s per ió dic o s r e gio na is r ele va m o va st o r eport ório qu e exi bi a m e m es pe ctá cu lo s va r ia dos . A tra diçã o fra nc e sa dos t ea tros - b a rra ca d e a r lequ ina da s e pa r ódia s bu rle sca s , pela su a mã o, d es en vol veu u ma e s cola de a r te s d e es pe c tá cu lo pa r a a ctore s a mbu la nt es e m terra s lu sa s .

Os “Filhos” de Dallot

Mu itos no me s cita r - s e-ã o , qu a ndo s e ca ta logu em o s qu e pa s sa ra m, no s c er ca de qu a renta a no s qu e a co mpa n hia dea mbu l ou p ela s p rovín cia s. Pa r a já , fica m o s qu e a s fo nte s di sp er sa s n os mo stra m c om o s eu s se gu idor es:

J a ime V enâ n cio, a ctor, ce nó gr a fo e a u tor, de cu ja pena sa iu u ma fa m osa op er eta , O Pr o c e ss o do Ra sg a , pa ródia a o Pr o c e ss o do C a n - Ca n , qu e te ve c onti nu ida de e m O C a s a m en to do Ra sg a ; su a mu lher, Elisa Ar a go ne z, a ctr iz qu e ta mb é m fe z êxit o n os t ea tro s po pu la res de Li sb oa ; no T ea tr o da Al egria , de Fr a n cis co J a cob ett y, re pre s ent ou To r p e za , or igina l d e Ca mpo s J ú nior, e m r e sp o sta a o U ltim a tu m inglês. A su a de sc en dê ncia c onti nu ou em p o steri or e s c om pa nhia s de proví ncia : Lisb on en s e V enâ n cio ( 1 9 2 0 s), C onju nto Fa milia r Li sb on en se «O s Ve nâ nci o s» ( d e L eo nel V enâ n cio, 1 9 2 6 – 19 60 ), C ompa nhia L isb on en se Ve nâ nci o «O s Mo de st os » ( 1 9 4 3 ) , G ru po de T ea tro «O s V enâ n cio s» , Com pa nhia D ra má tica Li s bon en s e «Le s Moir on s» (1 9 30 – 1 9 60 ), Com pa nhia R enti ni , Co nju nto N u ne s Vida l , C om pa nhia Ra fa el d e O liveir a , Ar ti sta s A s so cia do s (1 9 6 0 – 1 97 5 ); G ru po Artísti co Ve nâ nci o , ( de Au r elea n o P ereira Br a ga nça J r. , 1 9 6 0 ) .

H enr iqu e d’ O li veira (1 8 65 – 19 35 ), “ filho d o tã o fa la d o J oa q u im José d’ Oliveira que organi zou a conheci da companhia de Oliveira

11

M a n u el E n vi a , Co is a s d e S et ú ba l : Pr os as r e gi on a is , [S . I. : s . n. ] (S e tú b a l: Ti p . S i mõ e s ) , 19 4 7.

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T a inha , qu e foi u m c lo wn e u m di sci plina d o dir ect or de co m p a nhia s d e circo e dramática s”. A descoberta dos “segr edos da pista e do palco” pr inci pi ou de sd e cria nça , n a c om pa nhia i nfa ntil d o s D a llot, o nd e “debutou e onde, por vontade do pai, alternava o trabalho, exibindo -se

como a crobata e como artista dramático na mesma noite”12

( DUB IN I

1 92 5 : 1 -2 ) . Com go st o, a pre nd eu mú si ca , ga n hou re cu rs os e tornou - se nu m el em ent o de gra nd e va lor e m qu a lqu er gru po. N a Compa n hia Ta inha con he c eu I sa bel, n eta do s em pre sá rio s, d e qu em t ev e de s ce nd ên cia liga da a o es pe ctá cu lo : a a ctr iz Au z en da d e O li veira , ve deta de oper eta s e za r zu ela s em 1 9 2 0 , e seu s ir mã o s e irmã s ;

Con sta ntin o d e Ma to s, qu e a o s 1 4 fu giu de ca sa , na co m pa nhia gina sta do s L ou r a dor e s, e str e ou - se na co mpa n hia d os D a llot, n a feira do Ca mpo G ra nde , no Pr o c e s so d o Ras ga . R epres ent ou a s peça s do r epor t ór io feir a nt e, d es en vol veu qu a lida de s a rtística s e fe z - se a ct or . Q u a ndo d eix ou o s D a llot, f or m ou a C o mpa n hia D ra má tica S o cietá ria , o ma is b e m orga n iza d o a gr u pa me nto d o seu te mp o , di zia - s e. P os su iu u m T ea tr o-C ha let – on de  ng ela Pinto ch eg ou a repre se nta r ( C â ma ra 1 906 : 8 1 ) – , por p ou co t e mpo . Um i n cê ndio d estru iu - o, e m E str em oz , em 1 9 13 . O temp er a m ento de lu ta dor f ê -lo c onti nu a r, com o a poi o da fa mília tea tr a l qu e con stitu íra , da s fil ha s Le onti na e A deli na de Ma tos, e do s filh o s Edu a r do e A fon so de Ma to s. O ca sa me nto da s fil ha s e a pa rtida do s filh os pa r a o s t ea tr os da ca pi ta l, le va ra m a qu e, ca n sa do, C on sta ntin o de Ma to s d eixa s se a vida itin era nte e s e tor na s se co m ercia nt e e m C a st elo Br a nco.

D omin go s Câ ndid o da Sil va , o s em pr e jo via l – «a mo cida d e nel e er a per p étu a »13 – , foi u m có mic o a pre cia do e m to da a pro vínc ia , e con si der a d o o mel hor d os es cu deir os da s má gi ca s; fora o “ Mirundela ” do

Pr o c e s so do Ra sg a , na compa n hia de J o s é D a llot, na feira do C a m po

G r a nde e m Li s boa . Ini cia lm ent e d e so cie da de co m Sa nt o s C a rva lho , for mou a Co mpa n hia d o T ea tro Li sbo ne n se, qu e du ra nte 1 2 a nos per c or r eu o pa ís, r e pr e se nta nd o no s eu própri o tea tro -ba rra ca , qu e

12

C a r lo s D u bi ni , “ Ge n t e d e Te a t r o ” , J or n al d o s T e at ro s , 0 6. 0 9. 1 92 5 : 1 - 2.

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con stru ía d e ca da v e z qu e a s se nta va a r r a ia is . As re ferê ncia s a o T ea tro Lisb on en s e r e mo nta m à ú ltima dé ca da de oit o ce nto s, a co mp a nha ndo o mo vim ent o da s feir a s .

Em 1 9 0 6 , o a ctor D omi ng o s fu nd a O Ac to r Er r an te , pequ e no e mo de sto p erió dic o, su bi ntitu la do «qu in ze ná rio co s mop olita », em qu e se a bor da m a s su nto s d iv ers os, de sti na do s a u m pú blic o e cl écti co de a ssi na nte s. Foi o «j orna l d o s er r a nte s, da qu el es qu e s e a r ra sta m d e cida d e e m ci da de, tr a ba lha n do se mpr e pa ra pod ere m vi ver mo d esta me nte e co m h onr a ! É nel e qu e nó s di stra ím os o n o s so e s pírito, é nele qu e pu blica m os a s no s sa s i mpr es s õe s e qu e d es cre ve m os a n os s a vida de tea tr o»14. U m p er iódi co própr i o d e c om pa nhia d e pr ovín cia p a rece -n o s novi da de e ca s o int ere s sa nte no pa n or a ma portu gu ê s. Co nh ec e mo s o s qu e a bor da m o es pe ctá cu lo, jor na is d e e sp ecia li da de, edi çõ es pa ra a rtista s pr o fis si ona is ou a ma dor e s, ma s es pe ci fica me nte fe ito p o r a ctores itiner a nt es, ele pr óprio ta m bé m itin era nte , e de pr ete n sõ es na ciona is a figu r a -s e -n o s ca so ú ni co.

Com a dis s olu çã o da co mpa n hia e m 1 9 1 3 , o a ctor D o min go s re cu sa ser es critu r a do e m tea tro s fix os; ne m me s mo A fon s o T a veira o de mo ve . O gost o p ela vida erra nt e fê -lo pre ferir a propo sta d e C o nst a ntino d e Ma tos, c om qu e m fica a té 1 9 18 . A mort e p ôs fim a 4 0 a nos d e glória s e contr a r ie da de s, d e feli cida d e e d e sâ nim o nu ma vida a mbu la nte ca nsa tiva e d es ga sta nt e.

Av e nt ur as e de s v e nt ur as de uma c o mpanhi a de pr o v ínc ia

G r os so m od o, a gestã o e m pre sa ria l dos itin era nte s a pre s enta ca r a cterísti ca s fa milia r es15. Em rela çã o à s c om pa nhia s de proví n cia , es sa estr u tu ra psic os s ocia l fu n da m enta a interliga çã o entr e a vida p rofi s sio na l e a so cia l d os seu s c om po ne nte s. A co esã o d o a gru pa m ent o é u m fa ctor de su c e s so pú bli co; ca da c om po ne nte co ntribu i pa ra o be m co mu m, exib i nd o o seu ta le nto e m pa l co, e coa dju va n do na s ta re fa s rot ineira s d e 14 O A c to r E r ra nt e , An o 3 º , nº 56 , Ed i ç ã o d e Gu i ma r ã e s , 0 8 .1 1 .1 9 08 : 1 . 15 Gr a n d e p a r t e d o s a c t o r e s c as a e n t r e s i , o u vi ve e m u n i õ e s d e f a c to . As e mp r e s a s a r t í st i c as a f i gu r a m- s e p r o l o n ga me n t o s d os c o ns ó r ci o s ma t r i mo n i a i s, c r i a n d o u m p a t r i mó n i o c o mu m. M a r i a M a t o s – M e n do n ç a d e C a r va l h o , R e y C o l a ço – R o bl e s M o nt e i r o, B r un il d e J úd i c e – Al ve s d a C o s t a , e n t r e t a nt a s , s ão e x e mp l o d e e s t r u tu r a s e mp r e s a r i a i s f a mi l i a r e s qu e p r at i c a r a m i t in e r â n c i a a rt ís ti c a .

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ba stid or e s: ta nto se « pa s sa m» os pa p éi s, c om o o s fa to s e o s cená rio s.

Agr u pa m ent o s u ni fa milia r e s ou plu r ifa milia re s, a s c om pa nhia s

or ga niza m -s e e m so cie da de s a rtísti ca s16. A s re ceita s pro vê m d o s es pe ctá cu lo s rea li za do s, co ndi cio na nd o o s so ci etá ri os – e sp éci e de cr u za me nto ge néti co d e ci ga rra e for mi ga la fo nta inia na – , a u ma vida «d e ju deu err a nte », pa st o d o a n ed otá rio d e a u tores e a ctor es me mo ria lista s e de ou tr a s inv enti va s r oca m bol e sca s .

A s c om pa nhia s p os su ía m c ená rio s própri os , s egu n do a s p eça s r epr e s enta da s . O en qu a dra ment o c en ográ fic o po s su ía a impo rtâ ncia da a ssi na tu ra de u m cen ógr a fo ( a inda qu e d e m od es ta extra c çã o) . G ra ça s à tipifi ca çã o da ic on ogra fia cé ni ca , a s “ vi sta s” podia m ser r eu tiliza da s em ou tr os enr edo s, co nc or da n do co m o a mbi ent e re qu erid o. Era c onv eni ent e po ssu ir vi sta s de sa la , bu rgu esa ou nobr e, d e cá rc ere , de pra ç a pú blica , de bo s qu e, de ma r , e de tu do o ma i s qu e o inv e stim ent o pu de ss e pa ga r. I gu a l pr incípi o s e a plica va a o figu rino, pr opri eda d e d e ca da a rtista , o

qu a l se co mpu n ha de p eça s ba sila r es , c on soa nt e a s tipolo gia s

inter pr eta da s. T a l per miti a u ma mu lti u tiliza çã o em e s pe ctá cu lo , se gu nd o u m pa dr ã o de b om se n so e d e b om go sto, co ns oa nte o s critério s de pr opr i eda d e, d e fini do s pel o e nsa ia dor ou dire ctor de c ena .

V estir co m gr a ça , co m na tu r a lida de e c o m bo m g ost o é qu a lida d e fu nda m en ta l do a ctor , o qu e qu er qu e r e pre se nte. Mei o ca mi n ho a nda do pa r a a vista do e sp e cta dor , «o a ctor e a a ctriz pr eci sa m torna r - s e mo del os, por qu e e stã o à lu z da riba lta , du ra nte mu ito t em po, e m exp o siçã o pera nt e u m pú bli co i nteir o, o nd e há mu ito s a rtis ta s e mu ita s

pessoas de bom gosto”17

. Q u a lqu er societá rio po s su ía gu a rda -rou pa ba se, de u so for ma l ou qu otidia no, e sa pa ta ria a condi zer. C a sa ca , s obre ca sa ca ou fa to c om ple to, equ iva l er ia a ve stir u m c o nju nt o d e p e rso na ge ns ma s cu lina s d e «a ctu a lida de», de sd e o jo ve m ga lã a o pa i de fa mília ; o gu a r da -r ou pa da s a ctr i ze s i nclu ía e sp éci e s se gu ndo o seu “ na ipe” . As pu pila s d o s en hor R eitor , co mo a s R o sa s d o Adro , e ou tra s figu ra s d e za r zu ela s im porta da s, a for mo s ea va m - se n o c olorid o da s m onda d eira s

16

“Artísticas”, por se t rat ar de associ ações de profi ssionais, ou «da art e».

17

[ An t ó n i o ] S ou s a B a st os (1 9 94 ) , Di c c io n ár io d o T h ea t ro Po rt u gu ez , Li sb o a : E d it o r i al M i n e r va , e d i ç ã o f a c - si mi l a d a ( 1ª e di ç ã o , 1 90 8 ) , 1 5 4.

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min hot a s18. B u rgu esa s em ta fetá , a r ist ocr a cia e m v elu do, e, pa ra vestir semanti cament e a “ingénua”, bastava um vapor oso vestido claro. Os a pênd ic es ca pila re s pr ov ê m d e ca bel eireir os a lu ga dor e s d e p o stiç o s, e m qu e so br e s sa i a Ca sa Vítor Ma nu el, de Lis boa . Peru ca s, ba rba s e po stiç o s sã o tr op os da p sic olo gia do s pa péi s: a sa ge za da s cã s d o a nciã o , o bigo de fa ça nhu d o do fa n fa rr ã o, a s v olu m osa s pa tilha s de re ge dor es e ou tros r u r a is, ou a fin u r a negra do big od e qu e deli neia o lá bio do cínic o , e de fin e o e sga r pr eda d or d e i ng énu a s ór fã s de s va lida s. Có di go s qu e o tem po a pa g ou .

A tr a di çã o fa milia r d e se nv olv e a tra ns mi s sã o int erpr eta tiva , her da n do o s jo ve ns a ct or e s, nã o só o s “ pa péi s” , co mo o res pe ctiv o figu r in o, qu a ndo o r ea l env elh e cim ent o do pri mitiv o i ntér pret e ob st e a o de se mp en ho d e ti po s d e se nr u ga do s. N e sta s co mpa n hia s, o v ed etis m o nã o tem ca bim ent o, ma s ma ni f est a m -s e cri se s d e p ers ona lida d e ; o es pa ço em oci ona l da vida err a nt e a u menta a su a inten sida d e. A pa ssa ge m d e test e mu nho er a a evolu çã o na tu ra l , corre spo ndia a o le ma «filh o é s, a ctor ser á s». O s jo ve ns ga lã s tr a n s for ma va m -s e e m c entra is, a té q u e a ida de lhe s c on fer i s se o e sta tu to de p a te r fa m ília s , a ssi m co m o a s ingé nu a s evolu ía m e m da ma s c entra i s e a po se nta va m - se e m v elha s ma tri a rca s.

Pa ra u m a ctor d e proví nc ia , vida s ocia l e a pr ofi s sio na l sã o u ma e a me s ma coi sa . Ant e ce de ndo a in sta la çã o da co mpa n hia , já o dir ect or esta b el ec era conta ct o s co m a s a u ta rqu ia s, pa ra licencia m ent o do rec into e co n str u çã o do tea tr o - ba rr a ca . Q ua ndo o gru po s e de sl oca va c om “ a rma s e ba gagens”, procedia -se à ocupação das ca sas alugadas, con for me a ne ce s sida d e da s fa mília s so cie tá r ia s, qu e a s mo bila va m c o m obj ect os pe s soa is, tr a ns por ta d os e m co nju nt o c om o s pert en ce s t ea tra is. E m se gu ida , o dire ctor da co mpa n hia e f ectu a va vi sita de c ortesia pela s r eda c çõ es l o ca is, su ger i nd o, a troc o d e u m lu ga r ca tiv o d e pla teia , o a poio jor na lísti co na divu lga çã o de u m r ep ortório pe nsa d o, di zia m, pa ra u m pú bli co m ere ce dor d e to da a con si der a çã o e e sti ma d e qu e m l he dedi ca va o mo de sto la bor d e divu lga d or da Art e de R e pr es enta r. A

18

A z a r z u e l a o r i gi n a l d e C a rl o s Ar n i c h es e As e n c i o M á s , Un p u ña o d e ro s as , t e ve i mi t a ç ã o d e J o ã o So ll e r , c o m o t í t ul o d e R os as d e N os sa S e n ho r a ; de a r a go n e s a a c o mo d o u - s e mi n h o t a .

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pr im eir a a borda ge m pr om oci ona l a nte c edia o c onta ct o c om e mpr esá rio s loca is ( t ea tr o s, a gr e mia ç õe s, ca sin o s, ca fé s - con c erto) , pote n cia is

contr a ta dor e s de e s pe ctá cu lo s su ple m enta re s, c om ple me nt o d o

ca len dá rio, a lé m da s t er ça s , qu inta s e sá ba d os , tra dici ona i s dia s d e r epr e s enta çã o .

Enqu a nto i s so , o ele nc o fa zia a p r o m e na de , prolo nga do pa s sei o pelo R os si o, e spa ç o de c on flu ê ncia do pú bli co -a lv o. «J á cá estã o o s có mic o s!», ou via - s e. A co mpa n hia distribu ía sorri so s, cu m prim ent os, enta bu la va con ver sa ; troca va m - se re cípr oca s sa u da de s de a nteriore s visita s, ex pr e s sa va - s e o de s ejo d e volta r a delicia r qu em se mpr e tã o be m os r ec eb er a . Fór mu la s si mp le s d e pr os pe c çã o d e pú bli co. E o co nta ct o pr olo nga va -s e na i mpre s sã o de “ pro gr a ma s” e bilh ete s e m grá fi ca s loca is , na su a coloca çã o no c o mér cio d e ma ior a flu ê ncia – ba rbea ria , mer cea ria , b ote qu im – , a nt epa ssa d o s da s con te mp orâ nea s ti c k e t line s . G a r a ntia -se a ssi m o b om a col him ent o , o su c e s so da te mpor a da , e, n o entr o sa m ent o qu oti dia no , f om enta va m- s e la ço s a fe ctiv os de sa u da de s pr o sp ecti va s d e r egre s so .

A e sta dia d ep end ia do lic en cia m ent o ca ma rá rio - perí od os de trê s me s es, c o m p o ssí vel re no va çã o - e da a flu ê ncia de pú bli co. O s u stent o de todo s a dvi nha da qu a ntida d e e qu a lida d e do r ep ortório, va ria do, e d o go sto po pu la r ; ne ce s sá r io, porta nt o, u ma ca rteira d e e s pe ctá cu los toca n do di fer ent es int elig ên cia s e mo cio na is, e va loriza n do os d ote s a r tístico s d os seu s int érpr ete s. A in da qu e hou ve s se c orte s te xt u a is, ou se de sd obr a s s em p er sona g en s, a s “ pe ça s d e gr a nd e e sp ectá cu lo” e xigia m u m ele nc o a dici ona l d e figu ra nte s e p equ en o s pa p éis , re cru ta dos e ntre os a ma dor e s lo ca is , c on he ce dor es pra tica nt es de s se rep ortóri o , leva d o à ce na na s col e ctivi da de s. Act ore s “ dileta nt e s” e “ d a a rte” criava m la ço s a r tístico s: c on stitu ía m gr u po s de a ma d or e s, di na miza va m a su a for ma çã o téc nica , e co ntr ibu ía m pa ra a litera cia do pú blic o . É ma ni fe sta a po stu ra cr ítica , t a nta s v e ze s exa c erba da , s em pre qu e u ma c om pa nhia p rofi s sio na l visita nt e nã o cu m pri s se o s r equ isit o s es s en cia is, qu a ndo o s seu s a ma dor e s s e ha via m já su pera d o. C u r iosida d e s ba irrista s torna da s pú blica s pel o s Bu r itys de pro vín cia na im pr e nsa l oca l !

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A qu a lida de da viv ên cia s ocia l d est e s fora ste iro s dra má tic os, ind o à mis sa , leva nd o o s fil ho s à es cola , a u xilia ndo a s i nstit u içõe s d e soli da r ieda d e, co n feria -lh e s, à lu z do dia , o esta tu to de a migo s qu erido s, qu e s ob a lu z da r e pr e s enta çã o so fria a tr a ns fi gu ra çã o própria da a rte de T a lma . Eis o fa scí nio de st e tea tro po pu la r! E qu a lqu er «ca bo d e co mpa n hia » c on he cia a s r egr a s d e m er ca d o , e sp eci fi ca m ent e difere nte s da s pr a tica da s p ela s c o mpa n hia s d e itinerâ n cia pontu a l de fi m de tem por a da u r ba na . As feira s e o ver a n eio , era propí cio a o report ório ligeir o , d o a gr a do do ru id os o pú bli co da g era l. Pa ra ele, s e e xibia m má gica s e op ereta s, co m édia s, fa r sa s e fi na is de es pe ctá cu lo a o estil o

Fo lie s Be r gè r e , pomp o sa de sig na çã o pa ra sim ple s va rie da de s: mo nól ogo s

chi sto so s, ca n çon eta s m elo dica m en te a tr a ctiva s, d e lírica bre jeira , co m vislu m bre s d e tor no zel o s e d e cot es ou sa do s. Ma s era c o m o fri o do I nver no, qu e a pet ec ia m o s dr a ma s pu n ge nte s e a s no vid a des , qu e entre ta nto e sta va m e nsa ia da s: con flit o s hu ma no s de fá cil id e ntifi ca çã o, u m tea tr o s enti do, de vi da s so fri da s, u m tea tro qu e co nvi da o s a ma dore s, u m es pa ço c omu nitá r io de exi biçã o do go sto a rtí stic o e do de sej o d e pr e stígi o lo ca l.

Entr e a cida d e e a s ser ra s, nu ma vi sã o pret en sa m ent e co sm op olita e elu ci da da , a críti ca la stima va qu e su bis s em à ce na dra ma s p a ssa di ço s, se m in ter es s e e du ca tivo, ma s r ec on he cia ine vita vel m ent e, qu e a

mo der n ida d e tea tr a l nã o a tra ia o se ntir da p opu la ç ã o ru ra l,

con di ciona n do a s co mpa n hia s a o s m es m os te ma s p or s obr evi vên cia . O tea tr o era u ma «indú s tr ia », leva da co m r igor e c onvi c çã o d e b om se n so, se m e st ética s d e go st o requ inta d o , u m lu xo pa ra intel e c tu a is. O s mel odr a ma s de im por ta çã o fra nc esa , e o s d e cria çã o na ci o na l , era m a colhi do s co m de sv elo; a da pta çõ e s fol het in es ca s, lida s e ou vida s , so fri a m - se na co mpa ixã o de qu em se r ec on he ce na s a gru ra s de a m ore s pr opí cio s, de ga ia to s tr a qu ina s, ór fã s e c egu in ha s, ou no s fu ne sto s, d e T eresa s d e Albu qu er qu e , d e R osa s d o Adr o ou de ou tra s so fr edora s. O jú bilo ch ega va co m a s co mé dia s de co stu m e s , c om a ma gia da s ora tória s, co m a s fe e r ies dos vel ho s te mp os da s má gi ca s do Sa litre, d o G iná sio, da s oper eta s d o T r inda de, d os v a u d ev ille s e melo dra ma s d o A pol o, e ma is a s

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ingé nu a s revi sta s de produ çã o r egi ona l. Uma litera tu ra popu la r, pu blica da por livr eiro s e e ditor es, con stitu in do « bibli ote ca s dra má tica s popu la r e s» e c ole cç õe s de «tea tr o e sc olhi do» , r ep ortóri os a ce s sív ei s pa ra «sa la s e t ea tros pa rticu la r e s», d e stina do a «a rtista s e a ma do res », co m ga r a ntia de « gera is a pla u so s» e «a gra d o c erto ».

E o pú bli co a cor ria a c om pra r o bil het e, co ns oa nt e a po s sibili da d e e o i nter e ss e p elo e nr ed o, á vi do de co mpa r tilha r o s dra ma s de honra d o s seu s pa r e s ser ra lh eiro s, ma rinh eir o s, ge nte d e la bor proletá rio, pa r a digma s de u m s on ho d e mo cr á tico d e lib erda d e, co n flu ên cia s d e a na r qu ista s, s ocia li sta s e r e pu blica n o s, u ma s oci eda d e de se nvol vida a pa r tir da regenera çã o lib e r a l, qu e a cr edita va no va lor do tr a ba lho, no dev er d e cida da nia e n o pr o gre s so p ela edu ca çã o. E, n o fi m , a pla u dia so nor a m ent e a «ingé nu a » e a pu pa va com do bra da vee mê ncia o «vilã o»: er a o d elír io da ger a l, d o s se mpr e vi br a nte s En fa n ts du Pa r a d is.

O qu e moti va va e sta s g ent e s do t ea tro ? Q u e pra zer s entia m n esta vida er r a nte , d e vi cis situ d es ób via s? A m or in con dici ona l p el a Arte d e T a lma , tr a nsmitida pela tr a di çã o gera ci ona l ? D e s ejo d e u m a vida d e liber da d e, qu e a ci da de l he s c oa rcta va , im p o ndo -l he s u ma c o ncorr ên cia me squ in ha e u ma dimi nu içã o do es pa ço d e a ctu a çã o ? A deli na Abra n ch e s con f e ssa - se: «M eti - me e m co mb oio s a bj e cto s, qu e me d ei xa va m tã o ma s ca rr a da com o qu a lqu er li mpa - cha min é s. C o nh eci o pra z er d a s gra nd e s ova çõ e s e o tra v o da s p equ e nina s in síd ia s. Ma s de i xá -lo . D iv ert i - me. Q u e de recor dações tr ouxe dessa minha pri meira “escapada” por terras das no ssa s proví ncia s! Q u e moti vo s de b ele za su rpree ndi e m mu ita s volta s d e estr a da ! Bele za , qu e eu esta va lon ge d e s on ha r qu e exis tis s e por todo es s e Por tu ga l fora ! »19.

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Ad e l i n a Ab r a n c h e s , M e m ór ia s d e Ad e li n a A br an c h e s – A p r es e n tad as p o r A ur a

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