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Alexandre Pompeu dos Santos Belo Horizonte 2007

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(1)

GOVERNANÇA CORPORATIVA E DESEMPENHO EM INSTITUIÇÕES PRIVADAS

DE ENSINO SUPERIOR NO ESTADODE MINAS GERAIS

Alexandre Pompeu dos Santos

(2)

GOVERNANÇA CORPORATIVA E DESEMPENHO EM INSTITUIÇÕES PRIVADAS DE ENSINO SUPERIOR NO ESTADO DE MINAS GERAIS

Dissertação apresentada ao Curso de Mestrado da Faculdade de Ciências Econômicas, Administrativas e Contábeis de Belo Horizonte da Universidade FUMEC, como requisito parcial à obtenção do título de Mestre em Administração.

Área de concentração: Gestão Estratégica de Organizações

Orientador: Prof. Dr. Daniel Jardim Pardini

(3)

GOVERNANÇA CORPORATIVA E DESEMPENHO EM INSTITUIÇÕES PRIVADAS DE ENSINO SUPERIOR NO ESTADO DE MINAS GERAIS

Dissertação de Mestrado apresentada por Alexandre Pompeu dos Santos, em 10 de abril de 2007, ao Mestrado da Faculdade de Ciências Empresariais da Universidade FUMEC,

aprovada pela Banca Examinadora constituída pelos Professores:

Prof. Dr. Daniel Jardim Pardini (Orientador) Universidade FUMEC

Prof. Dr. Carlos Alberto Gonçalves Universidade FUMEC

Prof. Dr. Luiz Antônio Antunes Teixeira Coordenador do Curso de Mestrado em Administração

Prof. Dra. Patrícia Bernardes

Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais

(4)

Ficha Catalográfica

S237g Santos, Alexandre Pompeu dos

Governança corporativa e desempenho em instituições privadas de ensino superior de Minas Gerais / Alexandre Pompeu dos Santos. – 2007.

181f.: il.

Orientador: Daniel Jardim Pardini.

Dissertação (Mestrado) – Universidade Fumec, Faculdade de Ciências Empresariais, 2007.

Bibliografia: f. 167 - 176.

1. Governança corporativa. 2. Administração de empresas – Estudo de casos. 3. Ensino superior – Minas Gerais. I. Pardini, Daniel Jardim. II. Título.

(5)

Para Bruna, amada e amiga.

Para minhas filhas, motivação eterna.

Para meus irmãos.

(6)

Muitos amigos e colegas merecem ser citados neste instante de agradecimento.

Entretanto, mais importante do que citá-los, um a um, é manifestar minha felicidade em poder ter

convivido e contado com cada um de vocês, nos momentos de alegria e nos momentos de

dificuldades. É garantir-lhes a reciprocidade de um ombro amigo, continuando à disposição para

quaisquer necessidades, técnicas ou pessoais. É honrá-los e respeitá-los em nossa convivência.

Vocês sabem quem são. Amigos para sempre, ausentes ou presentes, me fazem sorrir.

Aos dirigentes e funcionários das Instituições pela colaboraram com preciosas

informações para o desenvolvimento deste trabalho. Aos diretores da FACE, Prof. Dimas e

Prof. Antônio Eugênio, pela confiança e profissionalismo.

Aos meus sócios pela compreensão e apoio.

Especial agradecimento, por dever de justiça, faço a meu orientador Prof. Daniel

Pardini, pelos muitos ensinamentos, pelo exemplo e por ter, heroicamente, me apoiado a superar

os obstáculos pessoais e técnicos, e se tornado um bom amigo. Aos professores Doutora Patrícia

Bernardes, Doutor Carlos Alberto Gonçalves e Doutor Luiz Antônio Antunes Teixeira, pela

disponibilidade em participar da banca, pelos desafios propostos e pelas contribuições que

enriqueceram esta dissertação.

A Deus, pelo dom da vida e por tudo mais.

À Bruna pelo amor, companheirismo e compreensão. E por ter se dedicado a

cuidar de tantas coisas que, por falta de tempo, não pude participar.

À minha mãe pelo apoio.

Por fim, e para sempre, às minhas filhas, Amanda e Elisa, “verdadeira

(7)

Esta pesquisa se propõe a investigar as relações entre estruturas de propriedade e práticas de governança corporativa com o desempenho de Instituições de Ensino Superior privadas do Estado de Minas Gerais em instituições de distintas naturezas estruturais do segmento educacional. Para tanto, a partir de uma abordagem qualitativa, foi realizado um estudo comparativo de casos de quatro instituições mineiras. Após a apresentação individual dos casos procedeu-se uma comparação entre os indicadores financeiros e acadêmicos das instituições, relacionando-os com a estrutura de propriedade e as práticas de governança corporativa. Para obtenção dos dados foram realizadas entrevistas semi-estruturadas, junto aos principais dirigentes das instituições de ensino, e procedidas visitas aos departamentos contábil, financeiro e de ensino das instituições, para coleta de cópias de estatutos, atas, contratos sociais, demonstrações contábeis e informações estatísticas sobre número de alunos, número de professores e cursos ofertados no período de 2001 a 2005. Outros dados foram obtidos no sitio do Ministério da Educação na internet. Os resultados apontam a existência de relações entre a governança corporativa nas instituições de ensino superior e seus desempenhos, sendo possível verificar que estruturas estáveis de governança contribuem diretamente para o bom desempenho financeiro. No mesmo sentido, estruturas instáveis expõe as instituições a riscos, podendo comprometer seus desempenhos financeiros e acadêmicos. Também, a forma de atuação dos conselhos, seja como órgão normativo ou como órgão executivo, influencia no desempenho das instituições, tendo sido percebido que a atuação como órgão executivo influencia negativamente o desempenho. Outra conclusão foi a de que investimentos em governança trazem retornos às instituições. Uma das instituições pesquisadas é a única que instituiu comitês para auxiliar a administração e, em curto espaço de tempo, apresentou melhora representativa em seus resultados financeiros. A comparação dos casos ainda apontou que as instituições constituídas como empresas privadas tem mais agilidade para alterar suas estruturas e práticas de governança corporativa, em comparação com as instituições constituídas como fundações filantrópicas e comunitárias, tornando-se mais competitivas. Por outro lado, não foi possível verificar, com tanta nitidez, uma relação direta entre governança corporativa e desempenho acadêmico nas instituições pesquisadas. Como proposta para futuras pesquisas sugere-se um estudo quantitativo que aponte as correlações existentes entre atributos de governança e índices de avaliação acadêmica das IES. Entre as limitações do estudo destaco a ausência de uma instituição de ensino confessional que complementaria as análises comparativas e a falta de banco de dados para o ano de 2001 de uma das instituições que participou do estudo. O trabalho contribui para enriquecer o debate sobre as práticas de governança corporativa em instituições de ensino superior e abre espaço para descobertas sobre as relações de governança e desempenho em organizações com distintas naturezas jurídicas de um mesmo segmento de mercado.

(8)

ABSTRACT

This research proposes to investigate the relations between the proprieties structures and practices of corporative governance with the performance of the private Higher Education Institutions of the Sate of Minas Gerais within institutions which have a distinct structural nature in the educational segment. To accomplish this, starting from a qualitative approach, a comparative study of cases was carried out in four institutions in the State of Minas Gerais. After presenting individually each case, the procedure was to compare the institutions’ financial and academic indicators, relating them with the proprieties structure and the other corporative administration practices. To obtain data, semi-structured interviews were performed with the institutions’ main educational leaders, being followed by visits to the accounting, financial and educational departments of the institutions, in order to collect copies of the by-laws, minutes, social contracts, financial statements and statistic information about the number of students, number of teachers and the courses that were offered during the period of 2001 and 2005. Other data were obtained in the Education Ministry’s site by the internet. The results show the existence of relationship between corporative governance in the higher education institutions and their performance, being possible to verify that stable corporative governance structures contribute directly to a good financial performance. In the same sense, unstable structures expose the institutions to risks, which are capable of compromising the financial and academic performances. Also, the form in which the councils act, such as a normative organ or as an executive organ, influences the institutions’ performance, having being noticed that when acting as an executive organ the influences negatively the performance. Another conclusion was that the investments in governance bring positive returns to the institutions. One of the institutions that were researched is the only one that appointed committees to assist the administration and, in a short period of time, presented a representative improvement in their financial results. The comparison of cases also showed that the institutions constituted private businesses have more ability to alter their corporative governance structures and practices when compared to other institutions constituted as philanthropic or communitarian foundations, becoming more competitive. On the other hand, it was not possible to verify so clearly a direct relation between corporative governance and academic performance in the institutions that were researched. As a proposal for future researches, a quantitative study is suggested to show the existing correlation between the governance attributes and the evaluation indexes in the Higher Education Institutions. Among the limitations of this study, I point out the absence of an institution of confessional education, which would complement the comparative analyzes and the lack of data base for the year of 2001 in one of the institutions that took part in this study. This paper contributes to the enrichment of the debate about corporative governance practices in higher education institutions and opens space for more discoveries about the governance and performance relations in organizations with distinct juridical nature of the same market segment.

Key-words: corporative governance, performance, organizational ecology, statement analyzes, higher education institutions

(9)

LISTA DE FIGURAS

(10)

GRÁFICO 1 Evolução do Patrimônio Líquido de ALFA. . . 77

GRÁFICO 2 Composição do Ativo de ALFA. . . 77

GRÁFICO 3 Composição do Passivo de ALFA. . . 78

GRÁFICO 4 Receita de Anuidades Líquidas x Despesas de Pessoal – ALFA. . . 79

GRÁFICO 5 Receitas, Despesas e Resultado – ALFA. . . 79

GRÁFICO 6 Índices de Retorno de ALFA. . . 81

GRÁFICO 7 Índices de Solvência de ALFA. . . 81

GRÁFICO 8 Índices de Endividamento de ALFA . . . 82

GRÁFICO 9 Percentual de Imobilização do Patrimônio Líquido de ALFA. . . 83

GRÁFICO 10 Indicadores Internacionais de ALFA. . . 83

GRÁFICO 11 Análise Dinâmica de ALFA. . . 84

GRÁFICO 12 Conceito dos Cursos – ALFA . . . 85

GRÁFICO 13 GC x Desempenho Financeiro – ALFA. . . 88

GRÁFICO 14 GC x Desempenho Acadêmico – ALFA . . . 89

GRÁFICO 15 Evolução do Patrimônio Líquido – BETA. . . 95

GRÁFICO 16 Composição do Ativo de BETA. . . 96

GRÁFICO 17 Composição do Passivo de BETA. . . 96

GRÁFICO 18 Receita de Anuidades x Despesas de Pessoal – BETA . . . 97

GRÁFICO 19 Receitas, Despesas e Resultado - BETA . . . 97

GRÁFICO 20 Índices de Retorno de ALFA. . . 99

GRÁFICO 21 Índices de Solvência de BETA. . . 100

GRÁFICO 22 Índices de Endividamento de BETA . . . 100

GRÁFICO 23 Percentual de Imobilização do Patrimônio Lìquido de BETA. . . 101

GRÁFICO 24 Índices Internacionais de BETA . . . 102

GRÁFICO 25 Análise Dinâmica de BETA. . . 103

GRÁFICO 26 Conceito dos Cursos – BETA . . . 104

GRÁFICO 27 GC x Desempenho Financeiro – BETA. . . 108

GRÁFICO 28 BETA - GC x Desempenho Acadêmico . . . 108

(11)

GRÁFICO 32 Receita de Anuidades Líquidas x Despesas de Pessoal – GAMA. . . . 118

GRÁFICO 33 Receitas, Despesas e Resultado – GAMA. . . 118

GRÁFICO 34 Índices de Retorno de GAMA . . . 120

GRÁFICO 35 Índices de Solvência de GAMA. . . 121

GRÁFICO 36 Índices de Endividamento de GAMA . . . 121

GRÁFICO 37 Índices de Endividamento de GAMA . . . 123

GRÁFICO 38 Percentual de Imobilização do Patrimônio Líquido de GAMA . . . 123

GRÁFICO 39 Análise Dinâmica de GAMA. . . 124

GRÁFICO 40 Conceito dos Cursos – GAMA. . . 125

GRÁFICO 41 GC x Desempenho Financeiro – GAMA. . . 129

GRÁFICO 42 GC x Desempenho Acadêmico – GAMA . . . 129

GRÁFICO 43 Evolução do Patrimônio Líquido de DELTA . . . 136

GRÁFICO 44 Composição do Ativo de DELTA . . . 136

GRÁFICO 45 Composição do Passivo de DELTA. . . 137

GRÁFICO 46 Receita de Anuidades x Despesas de Pessoal – DELTA. . . 137

GRÁFICO 47 Receitas, Despesas e Resultado – DELTA. . . 138

GRÁFICO 48 Índices de Retorno de DELTA. . . 140

GRÁFICO 49 Índices de Solvência de DELTA . . . 140

GRÁFICO 50 Endividamento Total de DELTA. . . 141

GRÁFICO 51 Percentual de Imobilização do Patrimônio Lìquido de DELTA . . . 142

GRÁFICO 52 Indicadores Internacionais de DELTA. . . 142

GRÁFICO 53 Análise Dinâmica de DELTA . . . 143

GRÁFICO 54 Conceito dos Cursos – DELTA . . . 144

GRÁFICO 55 GC x Desempenho Financeiro – DELTA . . . 148

(12)
(13)

TABELA 1 Evolução do número de IES Públicas e Privadas . . . 29

TABELA 2 Crescimento do Número de IES . . . 31

TABELA 3 Crescimento do Número de Matrículas. . . 31

TABELA 4 Dados Contábeis de ALFA – 31.12.2005. . . 76

TABELA 5 Índices Financeiros de ALFA. . . 80

TABELA 6 Evolução do Número de Cursos Ofertados por ALFA. . . 86

TABELA 7 Evolução do Número de Alunos de ALFA. . . 86

TABELA 8 Evolução do Número de Professores de ALFA . . . 88

TABELA 9 Dados Contábeis de BETA – 31.12.2005. . . 94

TABELA 10 Índices Financeiros de BETA. . . 98

TABELA 11 Evolução do Número de Cursos Ofertados por BETA. . . 104

TABELA 12 Evolução do Número de Alunos de BETA. . . 105

TABELA 13 Evolução do Número de Professores de BETA . . . 106

TABELA 14 Dados Contábeis de GAMA – 31.12.2005 . . . 115

TABELA 15 Índices Financeiros de GAMA . . . 119

TABELA 16 Evolução do Número de Cursos Ofertados por GAMA. . . 126

TABELA 17 Evolução do Número de Alunos de GAMA. . . 126

TABELA 18 Evolução do Número de Professores de GAMA . . . 127

TABELA 19 Dados Contábeis de DELTA – 31.12.2005. . . 135

TABELA 20 Índices Financeiros de DELTA. . . 139

TABELA 21 Evolução do Número de Cursos Ofertados por DELTA. . . 145

TABELA 22 Evolução do Número de Alunos de DELTA . . . 146

TABELA 23 Evolução do Número de Professores de DELTA . . . 146

TABELA 24 Estruturas e Práticas de Governança nas IES . . . 149

TABELA 25 Índices de Desempenho Financeiro das IES e a GC – Média 2001 a 2005. . . 151

TABELA 26 Desempenho Acadêmico das IES. . . 153

TABELA 27 Desempenho Acadêmico no ENADE – 2004 e 2005. . . 153

(14)

ALI American Law Institute BACEN Banco Central do Brasil BOVESPA Bolsa de Valores de São Paulo

CA Conselho de Administração

CVM Comissão de Valores Mobiliários

GC Governança Corporativa

ENADE Exame Nacional de Desempenho de Estudantes FIES Programa de Financiamento Estudantil

IBGC Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IES Instituições de Ensino Superior

INEP Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

LDB Lei de Diretrizes e Bases

MEC Ministério da Educação

NACD National Association of Corporate Directors

OECG Organização Econômica de Cooperação e Desenvolvimento PROUNI Programa Universidade para Todos

(15)

1 INTRODUÇÃO. . . 18

1.1 Governança corporativa e educação . . . 18

1.2 Estudos existentes. . . 23

1.3 Contribuições do trabalho. . . 24

1.4 Organização da Dissertação . . . 25

2 PORQUE DE SE ESTUDAR GC NAS IES PRIVADAS . . . 26

2.1 Cenários e GC nas IES . . . 26

2.2 Demanda e o número de IES. . . 28

3 OBJETIVO GERAL. . . 33

3.1 Objetivos específicos. . . 33

4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA. . . 34

4.1 Ecologia Organizacional. . . 34

4.1.1 Processo demográfico. . . 35

4.1.2 Processo ecológico . . . 36

4.1.3 Processo ambiental . . . 38

4.2 Governança Corporativa. . . 40

4.2.1 Conceitos. . . 43

4.2.2 Estruturas de propriedade e controle. . . 47

4.2.2.1 Modelos de Governança e as IES . . . 49

4.2.3 Conselhos de Administração. . . 51

4.3 Desempenho . . . 55

4.3.1 Desempenho financeiro. . . 56

4.3.2 Desempenho Acadêmico. . . 59

5 METODOLOGIA. . . 61

5.1 As IES selecionadas para a pesquisa. . . 64

5.2 Estruturação dos casos . . . 65

6 ANÁLISE COMPARATIVA DA GC E DESEMPENHO NAS IES PRIVADAS. . . 70

(16)

Estrutura de Propriedade e Controle. . . 71

Práticas de Governança. . . 72

Análise de Balanços . . . 76

Análise de Indicadores Acadêmicos. . . 84

Relação entre Governança e Desempenho . . . 88

6.1.2 IES BETA. . . 89

Caracterização. . . 89

Estrutura de Propriedade e Controle. . . 89

Práticas de Governança. . . 90

Análise de Balanços . . . 94

Análise de Indicadores Acadêmicos. . . 103

Relação entre Governança e Desempenho . . . 106

6.1.3 IES GAMA . . . 109

Caracterização. . . 109

Estrutura de Propriedade e Controle. . . 109

Práticas de Governança. . . 110

Análise de Balanços . . . 115

Análise de Indicadores Acadêmicos. . . 124

Relação entre Governança e Desempenho . . . 128

6.1.4 IES DELTA. . . 130

Caracterização. . . 130

Estrutura de Propriedade e Controle. . . 130

Práticas de Governança. . . 131

Análise de Balanços . . . 135

Análise de Indicadores Acadêmicos. . . 144

Relação entre Governança e Desempenho . . . 147

6.2 Comparação dos casos . . . 149

6.2.1 Estruturas e Práticas de Governança. . . 149

6.2.2 Desempenho Financeiro . . . 151

(17)

6.3.2 Processo Ecológico. . . 157

6.3.3 Processo Ambiental. . . 159

7 CONCLUSÕES. . . 162

REFERÊNCIAS . . . 167

ANEXO A - Índices de performance . . . 177

ANEXO B – Roteiro para entrevista com Dirigentes . . . 179

(18)

1 INTRODUÇÃO

As universidades tem sido ao longo da história, veículo primordial na criação,

desenvolvimento e propagação do conhecimento. Na área da Administração, como não

poderia deixar de ser, essas contribuições tem se manifestado de forma consistente e profícua,

difundindo novos postulados, oferecendo ao país, condições e “ferramentas” que

implementem o desenvolvimento.

Este trabalho investigará as práticas de governança nas Instituições de Ensino

Superior (IES), analisando as estruturas de propriedade e controle dentro de instituições. O

impacto do aumento da demanda e o aumento da competitividade em um paralelo à teoria da

ecologia organizacional, e, verificar se as práticas de governança estão relacionadas ao

desempenho financeiro e acadêmico das IES pesquisadas.

Estudar a aplicabilidade da teoria de GC no ambiente de IES foi o desafio que

moveu o pesquisador. A ausência de estudos específicos aponta para a necessidade de debate

sobre o assunto com aprofundamento na pesquisa sobre o tema, para enriquecer o

planejamento dessas instituições nesse mercado que se apresenta, cada vez mais, competitivo.

1.1 Governança corporativa e educação

O conceito de governança corporativa (GC) vem sendo amplamente difundido e

(19)

a Comissão de Valores Mobiliários (CVM)1 e o Banco Central do Brasil (BACEN) vêm

atuando fortemente na orientação sobre práticas de GC. No mesmo sentido, a Bolsa de

Valores de São Paulo (BOVESPA)2 e o Instituto Brasileiro de Governança Corporativa

(IBGC)3 buscam divulgar sobre as boas práticas de GC e destacar as empresas que adotam

tais práticas. Como define a própria CVM, a adoção de tais práticas comumente significa a

utilização de padrões de conduta superiores aos exigidos pela lei, ou pela regulamentação da

própria CVM.

Já quanto à aplicabilidade dos conceitos e das práticas de governança, no mercado

formado por empresas de capital fechado, empresas constituídas como de responsabilidade

limitadas, cooperativas e entidades sem fins lucrativos, não se pode afirmar que estudos

suficientes foram feitos.

Andrade e Rosseti (2004, p.21), ao tratarem da abrangência da GC afirmam que

... as práticas de governança podem ser descritas a partir de diversos pontos de vista, admitindo assim várias acepções. Desde as relacionadas a questões legais, como as dos direitos societários e sucessórios, a questões financeiras, como a geração de valor, a criação de riqueza e a maximização do retorno dos investimentos, e questões estratégicas, como a definição dos propósitos empresariais e das diretrizes corporativas para os negócios e das questões operacionais, como sistemas que regem as relações entre acionistas, os conselhos de administração e a direção executiva das empresas.

No cadastro de companhias abertas da CVM (2006) não consta a existência de

registro de qualquer companhia cujo objetivo social seja a prestação de serviços educacionais

de nível superior. Segundo o MEC (2006) as IES se classificam, segundo a natureza jurídica

1 CVM – Órgão do governo, responsável por disciplinar, normatizar e fiscalizar a atuação dos diversos

integrantes do mercado acionário.

2 BOVESPA – Bolsa de Valores do Estado de São Paulo; é uma associação civil, sem fins lucrativos e

pertencentes às Corretoras de Valores, onde são negociadas as ações da companhias abertas.

3 IBGC – Órgão não governamental, criado com a meta principal de contribuir para otimizar e conceito de

(20)

de suas mantenedoras em Pública (criadas por Projeto de Lei de iniciativa do Poder Executivo e aprovado pelo Poder Legislativo) e Privada (criadas por credenciamento junto ao Ministério da Educação):

a) IES Públicas são aquelas criadas ou incorporadas, mantidas e administradas pelo Poder Público em âmbito federal, estadual ou municipal;

b) IES Privadas são mantidas e administradas por pessoas físicas ou pessoas jurídicas de direito privado, e dividem-se entre privadas com fins lucrativos ou privadas sem fins lucrativos.

As IES privadas podem se organizar como:

a) Instituições privadas com fins lucrativos ou Particulares em Sentido Estrito são instituídas e mantidas por uma ou mais pessoas físicas ou jurídicas de direito privado. Sua vocação social é exclusivamente

empresarial;

b) Instituições privadas sem fins lucrativos, podem ser, quanto a sua vocação social:

i - Comunitárias - Instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas jurídicas, inclusive cooperativas de professores e alunos que

incluam, na sua entidade mantenedora, representantes da comunidade em

seus colegiados;

ii - Confessionais - Constituídas por motivação confessional ou ideológica. Instituídas por grupos de pessoas físicas ou por uma ou mais pessoas

jurídicas que atendam à orientação confessional e ideológica específicas;

(21)

Assistência Social. São as instituições de educação ou de assistência

social que prestem os serviços para os quais foram instituídas e os

coloquem à disposição da população em geral, em caráter complementar

às atividades do Estado, sem qualquer remuneração de seus instituidores.

A FIG. 1 demonstra a forma de organização administrativa para estas IES.

FIGURA 1 - Esquema da Organização Administrativa das IES. FONTE - MEC, 2006.

À luz do Código Civil brasileiro, especificamente do Direito de Empresas, pode-se

deduzir que aquelas IES que pertencem ao grupo de instituições privadas são constituídas

societariamente sob a forma de sociedades limitadas, sociedades anônimas de capital fechado,

sociedades simples ou entidades sem fins lucrativos. Assim, exceto àquelas que gozam de

benefícios fiscais, a maioria não está sujeita a maiores regulamentações, no que se refere à

estrutura e práticas de governança, se não, a de seus próprios estatutos. As IES consideradas

sem fins lucrativos, que gozam de imunidade ou isenções fiscais, precisam cumprir uma série

de requisitos relacionados à aplicação de recursos e processos de prestação de contas.

Destaca-se a obrigatoriedade de reinvestimento integral dos resultados na própria atividade, e

(22)

Desta forma, as IES privadas podem ser divididas em dois grandes grupos; o

primeiro formado pelas Comunitárias, Confessionais e Filantrópicas que se caracterizam pela

imunidade ou isenção tributária. Neste trabalho receberão a denominação de IES sem fins lucrativos. O segundo grupo, que será denominado de IES com fins lucrativos, é formado pelas IES particulares, que se caracterizam pela similaridade a uma empresa e possui

finalidades lucrativas.

No primeiro grupo as formas de constituição geralmente são Fundações Privadas

sem fins lucrativos, Associações Comunitárias e Congregações Religiosas. Os agentes

fundadores usualmente são profissionais com visão voltada para a criação de instituições que

se mantenham com os resultados gerados, reinvestindo, até por força de lei, todo o superávit4

auferido. Da mesma forma que as entidades confessionais que destinam seus resultados à

aplicação na própria atividade, sendo estas movidas por um carisma religioso de seus

instituidores. Por outro lado, o segundo grupo caracteriza-se pelo interesse econômico.

Grupos empresariais e redes de ensino, constituídos por empresários capitalistas, preocupados

com o retorno do capital investido e a maximização de seus lucros.

Diante dessa dualidade pode-se deduzir que as estruturas de governança sejam

influenciadas pela forma de constituição das IES; para tanto é preciso que se entenda os

modelos de governança aplicáveis a essas realidades.

(23)

1.2 Estudos existentes

O conceito de GC é relativamente novo, tanto no Brasil, como no mundo.

Trabalhos publicados pela Organização Econômica de Cooperação e Desenvolvimento –

OECD apontam para a relação direta entre as práticas de governança e o desempenho das

empresas.

Muitos estudos tratam do tema governança, mas pouco foi investigado sobre as

práticas de GC nas IES. Observações empíricas apontam para uma perpetuação no poder dos

fundadores e instituidores das IES privadas, e pouca profissionalização na gestão dessas

instituições.

Os professores Carlos Henrique Rocha e Sérgio Ronaldo Granemann organizaram

o livro Gestão de Instituições Privadas de Ensino Superior, em que são apresentados sete

trabalhos de professores da Universidade Católica de Brasília, relacionados à gestão de IES,

focados em gestão do conhecimento, logística, estrutura de indicadores acadêmicos e

financeiros, preços, custos e comportamento do aluno na escolha da instituição (ROCHA e

GRANEMANN, 2003). Já o professor PhD Maurício Garcia organizou o livro Gestão

Profissional em Instituições Privadas de Ensino Superior – um guia de sobrevivência para

mantenedores, acionistas, reitores, pró-reitores, diretores, coordenadores, gerentes e outros

gestores institucionais – que reúne 20 artigos relacionados ao tema.

Muitos estudiosos pesquisam sobre governança. A base da teoria, que fundamenta

este trabalho, será debatida no referencial teórico. No Brasil, da mesma forma, diversos

trabalhos investigam sobre GC e desempenho. O Instituto Brasileiro de Governança

(24)

em seu sitio na internet diversos trabalhos científicos, destacando-se como mais recentes as

teses de doutorado: “A Influência da Estrutura de Controle e Propriedade no Valor de

Mercado, Estrutura de Capital e Política de Dividendos das Empresas Brasileiras de Capital

Aberto”, de André Luiz Carvalhal da Silva e “Governança Corporativa e Estrutura de

Propriedade: Determinantes e Relação com o Desempenho das Empresas no Brasil”, de

Alexandre Di Miceli da Silveira, e a dissertação de mestrado “Estrutura de Propriedade,

Governança Corporativa, Valor e Desempenho das Empresas no Brasil”, de Rodrigo Takashi

Okimura (IBGC, 2006).

1.3 Contribuições do trabalho

O trabalho pretende sinalizar para as possibilidades de investigação sobre GC

dentro das próprias IES, para que os pesquisadores se sintam motivados a aplicar suas teorias

e conhecimentos investigando o ambiente administrativo das IES.

Explorando o conceito ditado pela CVM, que trata a governança como práticas que

visam otimizar o desempenho de uma companhia e proteger as partes interessadas, o trabalho

pretende contribuir para trazer ao debate as práticas de governança adotadas pela IES.

A GC fala sobre a forma de administração e controle de uma instituição qualquer -

seja empresarial ou não -, com finalidade lucrativa ou filantrópica, controlados por capitais

públicos ou privados, e qualquer que seja a forma adotada, societária, associativa,

(25)

Assim, pretende-se estender e estudar a teoria de GC fora do ambiente privativo de

companhias abertas. Qualquer instituição possui uma estrutura de governança, um conjunto de

procedimentos e controles que disciplina as relações entre os diversos agentes que participam

de sua atividade operacional. Essa estrutura poderá ser eficaz ou não, mas governança existe,

esteja expressa ou resultante de comportamentos adotados ou costumeiros.

1.4 Organização da Dissertação

Após esta introdução, em que já foi apresentado o contexto macro, chamando à

atenção para a ausência de estudos sobre estruturas e práticas de governança em IES, são

apresentadas justificativas e os objetivos pretendidos para a pesquisa.

Far-se-á uso das teorias de ecologia organizacional, dos conceitos de governança e

da análise de desempenho, pela aplicação de indicadores definidos pela forma de avaliação do

MEC para os aspectos acadêmicos e da técnica de análise de balanços para os aspectos

financeiros, validada pela ciência contábil, para os aspectos financeiros.

Para a pesquisa de campo foram selecionadas quatro IES no mercado mineiro que,

numa abordagem qualitativa, serão objeto de um estudo de casos múltiplos. Os casos serão

apresentados individualmente, de forma estruturada, e, a partir da comparação das estruturas e

práticas de GC e dos desempenhos acadêmicos e financeiros de cada uma das IES, será

(26)

2 PORQUE DE SE ESTUDAR GC NAS IES PRIVADAS

Diante das perspectivas de uma reforma universitária e frente à realidade do

mercado altamente competitivo que enfrentam as IES, estratégias de gestão, desempenho

financeiro e desempenho acadêmico passam a ser temas necessários para planejamento

estratégico das instituições de ensino superior.

2.1 Cenários e GC nas IES

O mercado de IES vem passando por uma enorme expansão, tanto no número

de IES, quanto na estrutura e número de cursos ofertados por aquelas já existentes. O sitio

do Ministério da Educação (MEC) na internet, disponibiliza diversas estatísticas

preparadas pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira

(INEP), que apontam o crescimento constante no número de IES e no número de

matrículas desde 1998 (INEP, 2006).

Considerando que as IES possuem papel relevante no desenvolvimento do

conhecimento científico e tecnológico, além de ser instrumento de transmissão de cultura e da

ciência desenvolvida por toda humanidade ao longo da história, e ainda que, a implantação da

nova escola, segundo os paradigmas estabelecidos na nova Lei de Diretrizes e Bases - LDB –

nº 9.394/96, exige dos gestores da educação uma nova postura que passa necessariamente pela

autonomia do estabelecimento de ensino, nas questões que a própria lei lhe conferiu, torna-se

imperioso a investigação do tema.

(27)

Neste aspecto, a GC apresenta-se como fator a ser analisado para avaliar a sua

importância na consecução dos principais objetivos das instituições de ensino, o

desempenho acadêmico e os resultados econômicos e financeiros, essenciais para a

continuidade das mesmas.

As políticas públicas elaboradas pelo Congresso Nacional e pelo Governo para

implementar e viabilizar o processo de planejamento educacional, segundo diretrizes e metas

traçadas pela legislação, geraram também diversos mecanismos de avaliação e experiências,

de acordo com a diversidade e especificidade das condições locais ou regionais do país. Esses

mecanismos de avaliação serão utilizados neste estudo, visando avaliar a relação entre a GC

nas IES e o desempenho das mesmas.

Neste contexto, lembrando da afirmação, sobre sistema de educação apresentada

na exposição de motivos de nossa LDB, de que “a independência de um país no mundo

moderno são garantidos por um forte sistema de educação que seja capaz de exercer as

funções de ensino, pesquisa e extensão...”, busca-se trazer à discussão a aplicabilidade dos

conceitos das teorias sobre GC, no ambiente de IES, analisando as práticas atuais e o reflexo

sobre o desempenho das IES.

Pesquisas e dados estatísticos que apontam excesso de oferta, especialmente para

as classes A e B, e demanda crescente da classe C, a preocupação com a competitividade

passa a ser fator novo neste mercado que, até recentemente, não conhecia capacidade ociosa

(28)

A adoção de boas práticas de GC vem sendo apontada como fator de

competitividade, e no mercado de IES, poucos estudos exploraram as estruturas de controle e as

práticas de governança. É certo que fatores externos às instituições afetam a competitividade,

como concorrência, rupturas comportamentais do mercado, variações tecnológicas e outras

alterações ambientais. Entretanto, uma boa GC traz maior segurança aos negócios, através da

gestão dos interesses de todos que se relacionam com a entidade, seja minimizando riscos

internos, seja respondendo rapidamente aos fatores de influência externos.

Outro aspecto que justifica o estudo de governança em IES é a escassez de

pesquisas sobre as formas e práticas administrativas nestas instituições. Incentivar pesquisas

sobre os mecanismos de governança no segmento universitário e os sistemas de administração

acadêmicos, poderá muito contribuir com a forma de gestão das IES. De fato, as pesquisas em

administração também podem aprimorar o gerenciamento dessas instituições, que são

responsáveis pela geração e preservação do conhecimento científico.

2.2 Demanda e o número de IES

Estendendo a análise para o crescimento do número de IES nos últimos dez anos,

verifica-se que o fator regulamentação influenciou diretamente a expansão observada. A

política do governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso de liberação para a abertura de

novas IES influenciou diretamente este crescimento.

Assim, apresenta-se outro assunto que vem sendo discutido, talvez, mais pelas

altas administrações das IES, que é a competitividade entre as instituições. A demanda de

(29)

Artigo publicado pela Agência Estado, apresenta dados do estudo desenvolvido por três

consultorias da área educacional, intitulado “Análise Setorial do Ensino Superior Privado

no Brasil – Tendências e Perspectivas 2005-2010”. O estudo conclui que o ciclo de

crescimento acelerado do ensino superior privado no Brasil acabou, pelo menos no ritmo e

na intensidade apresentada nos últimos dez anos, apontando que várias IES,

principalmente aquelas com cerca de 500 alunos, irão falir ou serem adquiridas por outras

IES (IWASSO e CAFARDO, 2005).

Confirmando essas perspectivas, recentes artigos publicados nos jornais Estado de

Minas e Folha de S. Paulo, apontam para redução do valor médio das mensalidades (2005),

queda no lucro das universidades, demissões e redução de salários, além de redução das

mensalidades para atingir a população de menor poder aquisitivo (2006).

Em contraponto à expansão vivida pelo setor privado e às perspectivas

apresentadas, a universidade pública vivenciou nos últimos anos um período de estagnação e

até retração, como demonstra a TAB. 1. Poucos investimentos em expansão foram verificados e, constantemente, assiste-se a movimentos reivindicatórios vindos de dentro das

universidades federais.

TABELA 1

Evolução do número de IES Públicas e Privadas

Ano Públicas

%

Acumulada Privadas

%

Acumulada Total

% Acumulada

1997 211 - 689 - 900 -

1998 209 -0,9% 764 10,9% 973 8,1%

1999 192 -9,0% 905 31,3% 1.097 21,9%

2000 176 -16,6% 1.004 45,7% 1.180 31,1%

2001 183 -13,3% 1.208 75,3% 1.391 54,6%

2002 195 -7,6% 1.442 109,3% 1.637 81,9%

2003 207 -1,9% 1.652 139,8% 1.859 106,6%

2004 224 6,2% 1.789 159,7% 2.013 123,7%

(30)

Diante desta realidade, o governo trabalha pela reforma universitária. No ambiente

acadêmico predomina o debate sobre duas questões; a primeira relacionada à própria

regulamentação universitária no País, especialmente no aspecto gestão, já que a reforma

universitária prevê alterações na forma de governança das instituições, objetivando uma

participação colegiada na gestão. A outra questão é vinculada à área financeira. O ponto de

maior polêmica está relacionado aos recursos que serão utilizados para financiar as políticas

previstas. O MEC pretende destinar 75% de seu orçamento ao ensino superior (hoje são

destinados 60%), e o Ministério da Fazenda é contra o aumento da vinculação dos recursos.

No Brasil, o mercado de IES passou por forte expansão após a alteração da

legislação ocorrida no governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso, que permitiu a

expansão das IES existentes e a criação de novas instituições. De 1997 a 2004, o número

de IES cresceu de 900 instituições para 2013, um crescimento superior a 100%. Em Minas

Gerais o crescimento foi de 121 IES em 1997, para 289 em 2004. Também, existem dados

estatísticos que comprovam o aumento da demanda - crescimento do número de

matrículas (INEP, 2006).

A pesquisa intitulada “Análise Setorial do Ensino Superior Privado no Brasil:

Tendências e Perspectivas 2005/2010", demonstrando que o ciclo de crescimento das IES

particulares estaria chegando a seu fim, e que diversas delas irão falir, serve como indicador

para traçar um paralelo com a teoria da Ecologia Organizacional. O elevado número de novas

fundações e a expansão das IES existentes fez com que os recursos existentes fossem

(31)

A TAB. 2 mostra o crescimento do número de IES. Verifica-se que o crescimento do mercado mineiro nos últimos anos (26,3% em 2002, 31,2% em 2003 e 9,1% em 2004), é

superior à média de crescimento do país (17,7% em 2002, 13,6% em 2003 e 8,3% em 2004).

Percebe-se, também, que o ritmo de evolução da taxa de crescimento perde fôlego a partir de

2004, o que corrobora com as perspectivas apresentadas.

TABELA 2

Crescimento do Número de IES

IES 1.999 2.000 % 2.001 % 2.002 % 2003 % 2004 %

Brasil 1.097 1.180 7,6 1.391 17,9 1.637 17,7 1.859 13,6 2.013 8,3 Minas Gerais 135 135 0,0 160 18,5 202 26,3 265 31,2 289 9,1

Belo Horizonte 23 24 4,3 28 16,7 34 21,4 40 17,6 47 17,5

FONTE - MEC/INEP.

A TAB. 3 aponta o crescimento do número de matrículas, onde as projeções, entretanto, apontam para a saturação do mercado, especialmente aquele com poder aquisitivo.

TABELA 3

Crescimento do Número de Matrículas

Matrí-culas 2.000 2.001 % 2.002 % 2.003 % 2.004 %

Brasil 2.694.245 3.030.754 12,5 3.479.913 14,8 3.887.022 11,7 4.163.733 7,1 MG 239.456 269.019 12,3 306.895 14,1 371.752 21,1 420.955 13,2 BH 73.806 83.070 12,6 93.407 12,4 106.939 14,5 118.640 10,9

FONTE - MEC/INEP.

O Censo da Educação Superior de 2003 realizado pelo MEC concluiu que, pela

primeira vez na história, o número de vagas na educação superior foi maior que o número de

concluintes do ensino médio. Apesar disso, o número de candidatos à educação superior (4.9

milhões) é mais do que o dobro do número de vagas ofertadas (2 milhões), e bem superior ao

(32)

O mesmo censo apontou que existem 42% de vagas ociosas no setor privado. Os

indivíduos pertencentes às classes A e B, capazes de consumirem os serviços ofertados por

um preço suficiente para remunerar os recursos e as margens das IES, deparam-se com uma

oferta superior a demanda. Com isto, as vagas excedentes ficam ociosas, ou passam a ser

ocupadas por indivíduos que não possuem a mesma capacidade financeira, levando as IES a

reduzirem o preço de seus serviços, muitas vezes, a níveis insuficientes para a remuneração de

seus custos. Na mesma linha de raciocínio, pode-se enquadrar a decisão de diversas IES pela

adesão aos programas de bolsa, sejam próprios ou financiados pelo governo, como no

Programa de Financiamento Estudantil FIES e no Programa Universidade para Todos

-PROUNI.

Considerando as justificativas apresentadas, buscar-se-á elucidar se a estrutura de

governança seria um fator de competitividade no mercado mineiro privado de IES. As formas

como as IES estruturam seus mecanismos de GC, trazem conseqüências para os resultados

financeiros e acadêmicos? As diferenças nas práticas de governança se traduziriam em um

(33)

3 OBJETIVO GERAL

Analisar o quanto as estruturas e práticas de GC das instituições privadas de

ensino superior tem impactado o desempenho das mesmas.

3.1 Objetivos específicos

Outros objetivos do trabalho são:

a) identificar as estruturas e práticas de GC das IES;

b) elucidar o desempenho das IES sob os aspectos acadêmico e financeiro;

(34)

4 FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA

Diante da realidade percebida no mercado de IES, optou-se no referencial teórico

por discutir três questões diretamente relacionadas à administração dessas organizações, e que

têm contribuído para o desenvolvimento teórico sobre estratégia. Fundamentar-se-á na teoria

de ecologia organizacional, histórico e conceitos, e nos modelos de governança corporativa e

desempenho.

A opção pela teoria de ecologia organizacional decorre da relação estudada pelos

pesquisadores que tentam explicar como as condições políticas, econômicas e sociais afetam a

diversidade de organizações, suas estruturas e processos decisórios ao longo do tempo. Tais

questões, que podem ser influenciadas pelo ambiente, são campo de estudo para o desenho de

modelos de GC.

4.1 Ecologia Organizacional

O termo Ecologia pode ser definido como o estudo das relações dos seres vivos

com o ambiente em que vivem (Silveira Bueno, 2001). Segundo Little (2006 apud

BRAMWELL, 1989, p. 86),

...a palavra ‘ecologia’ foi usada pela primeira vez em 1858 pelo naturalista norte-americano Henry David Thoreau, e ganhou uma acepção propriamente científica pelo biólogo alemão Ernst Haeckel em 1866. Desde então, a ecologia experimentou um duplo e simultâneo desenvolvimento: um dentro da sociedade civil como movimento social ecologista e outro dentro da academia como disciplina científica.

A perspectiva ecológica nos estudos organizacionais surgiu nos anos 70, como

(35)

explicar como as organizações eram influenciadas pelos fatores do ambiente - condições

políticas, econômicas, sociais, ambientais e outros. Bernardes (2003, p. 33) afirma que o

macroambiente

.... não é composto apenas pelos aspectos físicos, relativos ao clima e ao solo, por exemplo, mas também por dimensões culturais, sociais, políticas, tecnológicas e econômicas. Todas essas dimensões representam limites, contingências ou oportunidades.

A teoria e a pesquisa relacionada ao tema identificam três processos que embasam

as análises sobre a fundação e o fracasso das organizações.

4.1.1 Processo demográfico

Duas variáveis explicariam o fracasso ou não da organização, a Dependência do

Tamanho Organizacional e a Dependência da Idade. Por estes parâmetros, as taxas de

fracassos estariam diretamente relacionadas à idade da organização e teria uma relação

inversamente proporcional ao tamanho da empresa. Em relação ao tamanho, as pequenas têm

maior dificuldade em levantar e manter capital de giro, selecionar e treinar mão-de-obra,

administrar custos, atender a burocracia governamental, identificar e trabalhar seu nicho de

mercado. Já as maiores, pela força do capital, são mais capazes de competir no mercado e

disponibilizar recursos para as necessidades de organização interna.

Em relação à idade, Stinchcombe (1965) define empresas novatas como aquelas que são mais vulneráveis por precisarem aprender seu papel no ambiente e criar papéis e

rotinas internas em um momento em que os recursos estão sendo exigidos até o limite. A taxa

de fracasso diminui na medida em que seu papel e suas rotinas tornam-se claras e a relação

(36)

Bruderl e Schussler (1990) e Fichman e Levinthal (1991) prevêem um modelo em

forma de “U” invertido entre a idade e o fracasso organizacional; tratam do período de

adolescência e pós-adolescência. Considerando que toda organização inicia suas atividades com um estoque inicial de ativos, decorrente do capital dos sócios, que serve como proteção

inicial, frente ao risco de fracasso, quanto maior o estoque desses ativos, maior a proteção.

Essa proteção vai sendo conquistada com a operação contínua e positiva de suas atividades;

quanto maior a capacidade da organização em gerar resultados positivos, maior período de

proteção estará sendo garantido. Nesta etapa, a fase de adolescência estará sendo vencida, e a

taxa de fracasso declina. Mas quando estes ativos acabam ou reduz, o inverso ocorre. Se a

empresa não foi capaz de identificar e solidificar seu papel no ambiente externo e interno, e

acabou por gerar operações deficitárias, maior sua taxa de fracasso. À medida que as relações

da organização com o ambiente passam a se desajustarem, sejam pelos ajustes internos

decorrentes da idade da organização, ou pela falta deles frente a mudanças externas, as

organizações tendem a tornarem-se obsoletas (BAUM, 1989; BURNS, 1961; CUNHA, 1993; HANNAN; FREEMAN, 1977). Neste ponto tornam-se mais expostas ao fracasso.

4.1.2 Processo ecológico

As variáveis identificadas por Hannan e Freeman (1977) são: a dinâmica de

amplitude do nicho, a dinâmica da população, a dependência da densidade e a

interdependência da comunidade. Os autores usam a teoria do tamanho do nicho para

formular um modelo de capacidades diferenciais de sobrevivência das organizações. Eles

classificam as empresas como especialistas e generalistas. As primeiras são aquelas que exploram uma faixa restrita de potenciais clientes, e as generalistas são aquelas que atendem a

(37)

Concluem que as empresas especialistas são favorecidas em ambientes concentrados, estáveis

e refinados, enquanto as generalistas têm maiores possibilidades de sobrevivência em

ambientes com alterações freqüentes.

Em relação à dinâmica da população, Carroll e Delacroix (1982) identificam uma

relação entre fundações anteriores e fracassos anteriores. O início do crescimento de uma

população indica um ambiente favorável, o que estimula novas fundações. Conseqüentemente

há um aumento na competição por recursos, o que gera desestímulo para novas fundações. O

crescimento dessas fundações e o desenvolvimento de cada uma das organizações sinaliza

diferenciação organizacional, diminuindo a tendência ao fracasso. Por outro lado, a ocorrência

dos fracassos proporciona a liberação de recursos, pela redução de demanda produtiva, o que

estimula novas fundações. Entretanto, o crescimento de fracassos também pode representar a

existência de um ambiente hostil, diminuindo as taxas de fundação.

Carroll e Hannan (1989) tratam da dependência da densidade, explicando a

trajetória de crescimento de uma população até o alcance do pico. A taxa de crescimento

evolui lentamente, obtém em determinado momento uma velocidade maior e, a partir

desse ponto, atinge rapidamente o ápice. Dessa forma, as chances de sobrevivência são

sensíveis aos níveis de densidade da população no momento de sua fundação. Aquelas

criadas em momentos de alta densidade terão mais riscos de fracasso pelo estreitamento

do nicho, pela escassez de recursos e pela conseqüente baixa velocidade de resposta a seu

processo produtivo.

Nesta mesma teoria, há ainda a dependência da massa, que relaciona o efeito da

(38)

maiores têm papel fundamental na ecologia organizacional. Hannan e Freeman (1977)

indicam que empresas de tamanho similares competem mais intensamente.

Brittain e Wholey (1996 apud BAUM, 1998) estudam a questão da

interdependência da comunidade. Comunidades organizacionais são formadas quando a

competição leva a criação de novas populações de organizações que desenvolvem atividades

complementares e não competitivas. São identificados como relações de competição, dentro

da mesma definição das ciências biológicas: competição plena, parcial, predatória,

neutralidade, comensalismo e simbiose. Embora estudos empíricos demonstrem a influência

das comunidades organizacionais sobre a dinâmica da população, ainda há uma série de

pontos a serem pesquisados.

4.1.3 Processo ambiental

Os teóricos identificam duas variáveis que o influenciam diretamente. A primeira

delas são os processos institucionais. As pesquisas sobre os processos institucionais, na dimensão de ecologia organizacional, buscam comparar as taxas de fundação e fracasso entre

populações organizacionais com o nível de complexidade da regulamentação governamental,

a influência da conjuntura política e a conformidade institucional. Teóricos institucionais

propõem que uma organização tem mais chances de sobreviver se ela obtém legitimidade,

suporte social e aprovação dos atores no ambiente institucional no qual está inserida

(DIMAGGIO E POWELL, 1983, MEYER E ROWAN, 1977). Isto porque, em decorrência

dessa legitimidade, a organização passa a ter maiores facilidades de obtenção de recursos,

(39)

A outra variável relacionada aos processos ambientais são os processos tecnológicos. A inovação tecnológica cria oportunidades para a fundação de novas organizações que passam a ofertar vantagens competitivas. Schumpeter (1934; 1950) reforça

a idéia de que tecnologias se desenvolvem ao longo do tempo, por meio de ciclos de longos

períodos de mudança incremental, pontuados por descontinuidades tecnológicas - processos

em que novas tecnologias substituem completamente a tecnologia atual. É certo, entretanto,

que a revolução tecnológica vivenciada nas últimas décadas, veio reduzir a temporalidade

desses ciclos de mudança.

No estudo da Ecologia Organizacional também é essencial a abordagem da

mudança organizacional. Hannan e Freeman (1977) indicam que as organizações sofrem

resistências internas e externas ao processo de mudança. A teoria da inércia das organizações

aponta que as empresas são pressionadas a se tornarem cada vez mais produtivas e rentáveis.

Para tal, precisam rever suas rotinas e processos, buscando uma padronização. Aquelas com

rotinas já estabelecidas reagem mais lentamente à mudança.

Estudos apontam que, empresas que realizam mudanças com mais freqüência

tendem a fazê-lo com maior probabilidade de acerto. Outros indicam que empresas mais velhas

e maiores também têm maior chance de sucesso para mudanças, por serem mais

descentralizadas, as maiores, e por terem experiências em processos de ajustes, as mais velhas.

Existem críticas a essas conclusões, em função da metodologia de testes das hipóteses.

Miles e Snow (1978) concluem, à luz da perspectiva do alinhamento da

organização com o ambiente, que as organizações precisam objetivar um eficaz ciclo

(40)

de ofertar e gerenciar os serviços, de modo conjunto e coerente para que a organização

sobreviva.

Apesar da influência e a capacidade da teoria da ecologia populacional para

explicar os fenômenos relacionados à existência das diversas formas de organização, e como

as políticas econômicas e sociais afetam essa diversidade e a constante mudança ao longo do

tempo dessas organizações, existem teóricos que são críticos e céticos a tal teoria. Afirmam

que isto significa determinismo ambiental e a desconsideração das ações antrópicas.

(ASTLEY E VAN DE VEM, 1983; PERROW, 1981).

4.2 Governança Corporativa

O termo GC é relativamente novo, tanto no Brasil como no mundo, muito embora,

os atos e fatos relacionados ao conceito do termo, e o interesse em regulamentar e controlar a

relação entre acionistas e empresas já exista há anos. A Inglaterra, por exemplo, definiu as

responsabilidades do Conselheiro de Administração desde os tempos vitorianos, no

Companies Act, a sua Lei das Sociedades Anônimas, que marcou o mercado de capitais

daquele país, em todo o século XX (LODI, 2000).

Andrade e Rosseti (2004) apontam como fato marcante no desenvolvimento do

tema GC, o pioneirismo do acionista norte-americano Robert Monks que, inconformado com

a omissão dos proprietários e a hegemonia dos administradores, reuniu diversos investidores

institucionais com o objetivo de questionar as práticas de direção executiva das empresas,

(41)

Os questionamentos foram focados em dois princípios de boa governança – fairness

(senso de justiça) e compliance (conformidade legal – relacionado ao direito dos minoritários).

Posteriormente, Monks publicou diversos trabalhos para difundir suas idéias sobre governança.

Outro marco para a teoria de GC foi, na década de 70, a iniciativa do American

Law Institute (ALI) de estimular uma maior discussão sobre a melhor forma de gerir negócios

societários nos Estados Unidos. No decorrer da década de 80, com o surgimento dos fundos

de pensão e fundos de investimento como grandes investidores no mercado de capitais,

aumenta a exigência de transparência na administração das companhias abertas.

Em 1992 foi publicado o relatório Cadbury, na Inglaterra, que acabou

transformando-se no documento mais conhecido e pioneiro no desenvolvimento da GC. Tal

documento priorizou em outros dois valores de governança – accountability (prestação de

contas) e disclosure (transparência). Em 1994, a ALI publicou um resultado de seus longos

estudos, denominado Principles of corporate governance.

O governo dos Estados Unidos publicou sua versão do Código das Melhores

Práticas, o NACD (National Association of Corporate Directors) Report, em 1996. Em 1997,

a Inglaterra publicou o Hempel Report, que foi uma revisão do Cadbury Report. Em 1998,

vinte CEO`S5 de grandes empresas de 16 países se reuniram em Londres. Era uma pretensão

européia de se equiparar aos Estados Unidos, formando o Conselho Consultivo Global de GC,

que traçou os quatro princípios de governança:

a) o conselho precisa ser responsável para com os acionistas;

b) o conselho precisa ser independente dos gestores;

(42)

c) Os papéis dos presidentes do conselho e presidente da empresa não podem ser

exercidos pela mesma pessoa;

d) As empresas precisam preencher certos padrões internacionais para se

qualificarem a serem listadas em uma Bolsa de Valores.

Hoje o tema já tomou dimensões mundiais, sendo que no Brasil, o

desenvolvimento do mercado de capitais ocorre de forma tardia em relação aos países

desenvolvidos. Em 1976 foi promulgada a Lei de Sociedades por Ações (Lei no 6.404/76),

que favorecia os acionistas majoritários em detrimento dos minoritários. Os anos 90

marcaram o início da fortificação do mercado de capitais no Brasil com a volta do capital

estrangeiro, as privatizações e o questionamento sobre pareceres de auditores independentes.

Em 1997 foi publicada a Lei nº 9.457, criada para proteger o governo às vésperas da

privatização. Esta lei foi considerada um retrocesso em relação aos diretos dos acionistas

minoritários, pois o governo era acionista majoritário de grandes companhias e, como queria

vender sua participação impediu, que interesses dos minoritários pudessem dificultar a venda

de suas ações. Em 1995 foi criado o IBGC, que em 1999 publicou o Código das Melhores

Práticas de GC. A partir deste momento, tanto os agentes do mercado, quanto seus órgãos

reguladores vêm percebendo a importância da boa governança para que se tenha um mercado

financeiro estável e confiável. No ano de 2000 a BOVESPA criou o Novo Mercado, uma

listagem de empresas que têm seus fundamentos fortemente inspirados na GC, como detalha o

(43)

4.2.1 Conceitos

De forma genérica, GC pode ser descrita como os mecanismos ou princípios que

governam o processo decisório dentro de uma empresa (CARVALHO, 2002). Monks e

Minow (1995) conceituam GC como a relação entre vários participantes na determinação da

direção e performance das corporações. GC no cotidiano empresarial é a expressão designada

para abranger os assuntos relativos ao poder de controle e direção de uma empresa, bem como

as diferentes formas e esferas de seu exercício e os diversos interesses que, de alguma forma,

estão ligados à vida das organizações. As boas práticas de GC têm o objetivo de aumentar o

valor da empresa, a capacidade de acesso ao capital e contribuir para o sucesso dos objetivos

da organização. Michael Rake, presidente do conselho de administração da empresa de

consultoria e auditoria KPMG International, afirma que os pilares da governança corporativa

são uma cultura organizacional firme, “que não permita excessos” política adequada de

remuneração por desempenho e equilíbrio na tomada de riscos (RAKE, 2006). Bernardes

(2003) infere que quanto maior a dependência da empresa em relação ao capital de terceiros,

maior o interesse de a empresa aplicar suas estruturas formais da governança corporativa.

Para Steinberg (2003) o exercício da boa prática de governança deve observar os

princípios fundamentais da transparência (disclosure), da eqüidade (fairness), da

responsabilidade de prestação de contas (accountability), do cumprimento das leis

(compliance) e da ética (ethics). Apesar do conceito de GC ter sido criado em função de um

maior nível de transparência em relação às empresas de capital aberto, com ações negociadas

em bolsas de valores, o conceito é hoje entendido como de fundamental importância para o

(44)

no mundo e no Brasil; como é natural na evolução de qualquer processo evolutivo, a estrutura

de conceitos e teorias de um novo campo de estudo é irregular e inconstante.

Com o objetivo de dar abrangência e visibilidade mundial ao tema, a Organização

para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), em 1999, divulgou uma lista de

Princípios de GC e promovem periodicamente, em diversos países, mesas de discussão e

avaliação do desenvolvimento da governança e fóruns de debates sobre o assunto. No

mercado, a governança eficaz é aquela que adota uma gestão empresarial que respeita o

interesse de todos que se relacionam com a empresa, sejam os investidores – shareholders,

sejam empregados, clientes, fornecedores e governo – stakeholders.

A OCDE considera que um regime de GC satisfatório representa uma forma eficaz

de utilização de recursos, sendo que as empresas devem levar em conta não só os interesses

dos acionistas, mas também dos stakeholders. A cartilha de recomendações da CVM, editada

em junho de 2002, conceitua GC como o conjunto de práticas que tem por finalidade otimizar

o desempenho de uma companhia ao proteger todas as partes interessadas, tais como

investidores, empregados e credores, facilitando o acesso ao capital. A análise das práticas de

GC aplicada ao mercado de capitais envolve, principalmente: transparência, equidade de

tratamento dos acionistas e prestação de contas. (CVM, 2005)

Na teoria, quatro principais modelos de governança são apresentados, o modelo de

procuradoria, o modelo político, o modelo de stakeholders e o modelo financeiro (stewardship).

(45)

QUADRO 1

Principais modelos de governança, suas características e alguns teóricos

MODELOS Características Marcantes Alguns Teóricos

Procuradoria

(Stewardship)

Delegação do controle pelos proprietários, forte atuação do corpo diretivo.

Davidson (1995), Donaldson e Davis (1994), Turnbull (1997)

Político

(Shareholder)

Objetivo de reversão da propriedade, busca pelo poder de controle.

Pound (1992), Hawley e Williams (1996)

Stakeholders Participação dos interesses dos stakeholders,

investimento de longo prazo.

Clarkson (1994), Porter (1980)

Financeiro Foco no retorno financeiro do investimento, proteção ao acionista, confiança nos contratos

Coase (1937), Shleifer e Vishny (1997) e Williamson (1975, 1985)

FONTE - Adaptado de Turnbull, 1997.

Na perspectiva financeira Shleifer e Vishny (1997) definem que GC consiste no

conjunto de mecanismos que asseguram, aos fornecedores de capital das empresas, o retorno

adequado sobre seus investimentos. Nelson (1999 apud SILVA, 2002, p. 7) define a

governança como “um conjunto de ações dos administradores e acionistas com intuito de

negociar e determinar como o valor da firma será distribuído”.

Donaldson e Preston (1995) investigaram sobre as diversas relações envolvendo

todos os stakeholders, como clientes, fornecedores e funcionários, e não somente o interesse

dos acionistas. Os autores classificaram os estudos até então feitos sobre o tema dividindo-os

em três dimensões: a descritivo/empírica, a instrumental e a normativa. Na primeira, o

objetivo é explicar as características corporativas e as atitudes frente aos stakeholders. Na

dimensão instrumental busca-se avaliar o impacto dos stakehorders sobre a performance da

organização, e a dimensão normativa preocupa-se com “...interpretar a função da corporação,

incluindo a identificação da moral ou da orientação filosófica para a operação e administração

(46)

Lethbridge (1997, p. 2) conceitua o sistema de GC como o “conjunto de instituições,

regulamentos e convenções culturais, que rege a relação entre as administrações das empresas e

os acionistas ou outros grupos aos quais as administrações devem prestar contas”.

Lodi (2000) afirma que a GC está relacionada com o papel que os Conselhos de

Administração passaram a exercer para melhorar o ganho dos acionistas e arbitrar os conflitos

existentes entre os acionistas, administradores, auditores externos, minoritários, conselhos

fiscais e os stakeholders: empregados, credores e clientes.

Segundo o IBGC em seu sítio na internet, a boa GC proporciona aos proprietários

(acionistas ou cotistas) a gestão estratégica de sua empresa e a efetiva monitoração da direção

executiva. As principais ferramentas que asseguram o controle da propriedade sobre a gestão

são: o Conselho de Administração, a Auditoria Independente e o Conselho Fiscal. As

definições são bem resumidas pela afirmativa de criar um ambiente de controle dentro de um

modelo balanceado de distribuição de poder (STEINBERG, 2003, p. 18).

De acordo com Steinberg (2003), são três os estágios em que as empresas podem

se encaixar no que tange a GC:

a) modelo atual - empresa gerenciada por poucos acionistas controladores com

práticas informais de governança;

b) modelo emergente – empresa liderada por poucos acionistas controladores com

governança formal e acesso ao capital para executar suas estratégias;

c) modelo de mercado – empresa com controle compartilhado e governança

formal com aspirações e capacidade financeira para competir globalmente.

Imagem

FIGURA 1 - Esquema da Organização Administrativa das IES.
GRÁFICO 1 - Evolução do Patrimônio Líquido de ALFA.
GRÁFICO 2 - Composição do Ativo de ALFA.
GRÁFICO 4 - Receita de Anuidades Líquidas x Despesas de Pessoal – ALFA.
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Referências

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