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Integração da Análise de Vida nas Práticas de Projectos de Edifícios

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(1)

I

NTEGRAÇÃO DA ANÁLISE CICLO DE VIDA

NAS PRÁTICAS DE PROJETOS DE

EDIFÍCIOS

T

IAGO

F

ILIPE

R

ESENDE

A

NDRADE

Dissertação submetida para satisfação parcial dos requisitos do grau de

MESTRE EM ENGENHARIA CIVIL —ESPECIALIZAÇÃO EM CONSTRUÇÕES

Orientador: Professor Doutor Hipólito José Campos de Sousa

(2)

M

ESTRADO

I

NTEGRADO EM

E

NGENHARIA

C

IVIL

2012/2013

DEPARTAMENTO DE ENGENHARIA CIVIL

Tel. +351-22-508 1901 Fax +351-22-5081446  [email protected]

Editado por

FACULDADE DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE DO PORTO

Rua Dr. Roberto Frias 4200-465 PORTO Portugal Tel. +351-22-508 1400 Fax +351-22-5081440  [email protected]  http://www.fe.up.pt

Reproduções parciais deste documento serão autorizadas na condição que seja mencionado o Autor e feita referência a Mestrado Integrado em Engenharia Civil -

2012/2013 - Departamento de Engenharia Civil, Faculdade de Engenharia da Universidade do Porto, Porto, Portugal, 2013.

As opiniões e informações incluídas neste documento representam unicamente o ponto de vista do respetivo Autor, não podendo o Editor aceitar qualquer responsabilidade legal ou outra em relação a erros ou omissões que possam existir.

Este documento foi produzido a partir de versão eletrónica fornecida pelo respetivo Autor.

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Aos meus Pais

"Simple people, doing small things in unimportant places, united, can make extraordinary things happen."

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AGRADECIMENTOS

Ao meu orientador, Professor Doutor Hipólito José Campos de Sousa, um agradecimento por todo o tempo que disponibilizou, pelo interesse, ajuda e dados que me forneceu para poder efetuar este trabalho.

Ao Engenheiro Pedro Nuno Meda Magalhães, um sincero agradecimento por todo o tempo disponibilizado e por nunca se ter mostrado indisponível para discutir ideias e ouvir a minha opinião sobre o que pretendia para este trabalho, motivando-me sempre para tentar ir mais além. Aos meus amigos que sempre estiveram presentes quando foi preciso, e que me acompanharam nestes anos de curso. Ao Leandro, ao Silva, ao Rui, ao André, ao Jorge, ao Zé, ao Joca, ao Filipe, ao Pinto, e ao pessoal do ISEP, fica o meu agradecimento por todo o apoio e bons momentos passados.

Aos meus amigos do andebol, Cunha, Paulo etc., um obrigado por todos os momentos bons juntos que ajudaram a que este momento ser possível.

À Filipa, um agradecimento muito especial por todo o apoio incondicional, paciência e força que me transmitiu para ultrapassar todos os momentos mais difíceis deste percurso atribulado e sempre ter acreditado em momento onde nem eu acreditava. Um obrigado do fundo do coração. Por fim, agradeço à minha família por sempre me ter acompanhado e dado todas as condições e apoio incondicional. Um especial agradecimento à minha mãe e ao meu pai por nunca terem duvidado de mim.

(6)
(7)

RESUMO

O desenvolvimento sustentável é um dos maiores desafios que o mundo atual e futuro enfrentam para manter a sobrevivência do ser humano. Sendo a construção uma das atividades que mais prejudica a saúde planetária no consumo de recursos naturais, energia e geração de resíduos, é essencial que se desenvolvam políticas, normas e metodologias para controlar e reduzir estes fatores neste setor. A metodologia Avaliação Ciclo de Vida (ACV) é admitida mundialmente como a ferramenta mais eficaz para apoiar o desenvolvimento sustentável e melhorar o desempenho do setor construtivo na perspetiva ambiental.

Esta dissertação pretende desmistificar e explorar esta metodologia, explicando os passos necessários para a sua realização, as suas vantagens e limitações, e enquadra-la com as recentes normas europeias que utilizam esta abordagem para quantificar e avaliar a sustentabilidade dos trabalhos e produtos da construção. Neste sentido, procura-se ainda integrar e relacionar esta metodologia com os princípios propostos por diversos especialistas que se basearam nos documentos criados pelas diferentes cimeiras realizadas no âmbito da sustentabilidade. Estas referenciaram a atividade construtiva como crucial para atingir os fins previstos.

A fim de explicitar a metodologia, realizar-se-á ainda um caso prático que ilustre o procedimento da avaliação ciclo de vida e a sua utilidade na tomada de decisão relacionada com a seleção de materiais de construção ambientalmente mais eficazes. Os dados a analisar provêm das declarações ambientais de produto que é um documento referenciado pelas normas europeias como uma excelente base de obtenção de dados para realização da avaliação.

O caso de estudo vai abordar o desempenho ambiental e económico de duas soluções estruturais homólogas, constituídas por materiais diferentes, de um módulo de uma nave industrial. Pretende-se, utilizando a metodologia avaliação ciclo de vida (ACV), obter a solução teoricamente mais sustentável do ponto de vista ambiental associado à componente económica referente ao custo das soluções. PALAVRAS-CHAVE: Edifícios, Projeto, Sustentabilidade, Desenvolvimento Sustentável, construção sustentável, Avaliação Ciclo de Vida, Declarações Ambientais Produto

(8)
(9)

ABSTRACT

Sustainable development is one of the biggest challenges facing the world today and the future to maintain the survival of the human being. The construction, being one of the activities that most harms the global consumption of natural resources, energy and waste generation, it is essential to develop policies, standards and methodologies to control and reduce these factors in this industry. The Life Cycle Assessment methodology (LCA) is accepted worldwide as the most effective tool to support sustainable development and improve the performance of the construction sector in the environmental perspective. This dissertation aims to demystify this methodology, explaining the necessary steps for its implementation, its advantages and limitations, and it fits with the latest European standards that use this approach for quantifying and assessing the sustainability of construction works and building products. In this sense, we seek to further integrate and relate this approach with the principles proposed by several experts that were based on documents created by the various summits that took place in the context of sustainability. Those referred constructive activity as crucial to achieve the intended purpose. In order to explain the methodology, will make even a case study to demonstrate the procedure of assessment lifecycle and its usefulness in decision making related to the selection of building materials environmentally effective. The data come from the analysis of environmental product declarations is a document referenced by European standards as a great base for obtaining data to conduct the evaluation. The case study will address the environmental and economic performance of two homologous structural solutions consisting of different materials, a module of an industrial building and it is intended, using the life cycle assessment methodology, to obtain the solution theoretically more environmentally sustainable associated to the economic component related solutions cost.

KEYWORDS: Buildings, Design, Sustainability, Sustainable Development, Sustainable Building, Life Cycle Assessment, Environmental Product Declarations

(10)
(11)

ÍNDICE GERAL AGRADECIMENTOS ... i RESUMO ... iii ABSTRACT ... v

1

INTRODUÇÃO ... 1

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS ... 1 1.2 ÂMBITO E OBJETIVOS ... 2 1.3 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO ... 2

2

DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL ... 5

2.1 INTRODUÇÃO ... 5

2.2 APARECIMENTO DE UM PARADIGMA MUNDIAL ... 5

2.3 ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO ... 6

EVOLUÇÃO HISTÓRICA ... 6

1972-CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE OAMBIENTE HUMANO –CIMEIRA DE ESTOCOLMO ... 7

1987-COMISSÃO MUNDIAL PARA O AMBIENTE DESENVOLVIDO –RELATÓRIO BRUNDTLAND ... 8

1992-CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO –CÚPULA DA TERRA ECO-92 9

2002-CIMEIRA MUNDIAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL –CIMEIRA DE JOANESBURGO RIO +10 12

2012–CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL -RIO +20.12 2.4 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO EM PORTUGAL ... 14

2.5 INFLUÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO SETOR DA CONSTRUÇÃO E A SUA IMPORTÂNCIA ... 16

IMPACTE GLOBAL DA INDUSTRIA CONSTRUTIVA ... 16

PEGADA ECOLÓGICA ... 16

3

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL ... 19

(12)

3.2 IMPORTÂNCIA DA CONSTRUÇÃO PARA O SER HUMANO ... 19

3.3 SURGIMENTO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL... 20

OCDE–CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL ... 21

3.4 EVOLUÇÃO DO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL NA CONSTRUÇÃO ... 23

3.5 IMPACTES GERADOS PELO SETOR DA CONSTRUÇÃO ... 24

ENQUADRAMENTO ... 24

IMPACTES DECORRENTES DA CONSTRUÇÃO ... 25

IMPACTES AMBIENTAIS ... 28

3.5.3.1 Tipologia de impactes ambientais ... 28

3.5.3.2 Impactes ambientais associados a cada fase ciclo de vida dos edifícios ... 31

IMPACTES ECONÓMICOS E SOCIAIS ... 33

3.6 BARREIRAS Á CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL ... 35

3.7 SOLUÇÕES DE PROMOÇÃO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL... 38

4

INSTRUMENTOS

E

FERRAMENTAS

PARA

A

CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL ... 41

4.1 INTRODUÇÃO ... 41

4.2 TIPOLOGIA DE INSTRUMENTOS PARA PROMOVER A CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL ... 41

AVALIAÇÃO AMBIENTAL ESTRATÉGICA ... 42

ESTUDOS DE IMPACTE AMBIENTAL ... 42

AVALIAÇÃO CICLO DE VIDA DE PRODUTOS, SOLUÇÕES E EDIFÍCIOS ... 43

4.3 INSTRUMENTOS E FERRAMENTAS DE APOIO À CONCEÇÃO E AVALIAÇÃO DA SUSTENTABILIDADE DE EDIFÍCIOS ... 43

4.3.1.1 Eco-Platform ... 49

4.4 NORMALIZAÇÃO APOIANTE DA SUSTENTABILIDADE NA CONSTRUÇÃO... 52

NORMALIZAÇÃO INTERNACIONAL ... 52

NORMALIZAÇÃO EUROPEIA ... 55

4.4.2.1 Normas CEN 350 ... 56

5

AVALIAÇÃO CICLO DE VIDA ... 61

(13)

5.2 ENQUADRAMENTO GERAL ... 61

5.3 METODOLOGIA ACV(LCA) ... 64

ENQUADRAMENTO HISTÓRICO E PANORAMA NORMATIVO ... 64

NPENISO14040:2010–“PASSOS PARA REALIZAR UM ACV(LCA) GENÉRICO” ... 66

5.4 VANTAGENS DA METODOLOGIA ... 77

5.5 LIMITAÇÕES DA METODOLOGIA ... 77

5.6 TIPOLOGIAS DE AVALIAÇÃO ... 78

5.7 UTILIZAÇÃO DA ACV(LCA) NO SETOR DA CONSTRUÇÃO ... 79

PARTICULARIDADES E DIFICULDADES NA IMPLEMENTAÇÃO DA ACV(LCA) ... 79

UTILIZADORES E TIPOS DE UTILIZAÇÃO ... 79

PRINCIPAIS EVOLUÇÕES E BARREIRAS NA IMPLEMENTAÇÃO DA ACV(LCA) ... 80

TIPOLOGIA DE ESTUDOS ACV(LCA) NA CONSTRUÇÃO ... 81

ECOEFICIÊNCIA DOS MATERIAIS DE CONSTRUÇÃO ... 81

6

CASO PRÁTICO

– APLICAÇÃO METODOLOGIA ACV

(LCA) ... 85

6.1 INTRODUÇÃO ... 85

6.2 EXPLICAÇÃO PORMENORIZADA DO CASO ... 85

6.3 SOLUÇÕES E CÁLCULO DO PESO DA ESTRUTURA ... 86

SOLUÇÃO A–ESTRUTURA EM BETÃO ARMADO PRÉ-FABRICADO ... 87

SOLUÇÃO B–ESTRUTURA METÁLICA ... 88

6.4 AVALIAÇÃO CICLO DE VIDA ... 89

OBJETIVO E ÂMBITO ... 90

INVENTÁRIO ... 91

AVALIAÇÃO ... 91

6.4.3.1 Cenário 1A – “Cradle-to-Gate” ... 92

6.4.3.2 Cenário 1B – Avaliação Vertente Económica Cenário 1... 93

6.4.3.3 Cenário 2 – “Cradle – to – Grave” ... 93

6.4.3.4 Cenário 3A – “Cradle – to – Cradle” ... 97

(14)

6.4.3.6 Cenário 4 ... 99

7

CONCLUSÕES E PERSPETIVAS FUTURAS ... 103

7.1 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 103

7.2 CONSIDERAÇÕES FINAIS – CASO PRÁTICO ... 104

7.3 PERSPETIVAS FUTURAS ... 105

BIBLIOGRAFIA……… 107

ANEXOS

ANEXOI–DECLARAÇÃOAMBIENTALDEPRODUTO(DAPHABITAT) ANEXOII–TABELADEINDICADORESEXEMPLODANORMAEN15978 ANEXOIII–PLANTASEALÇADOS

ANEXOIV–DECLARAÇÕESAMBIENTAISDEPRODUTODOAÇOEDOACABAMENTODE PINTURA

(15)

ÍNDICE DE FIGURAS

Figura 2.1 - Evolução da população mundial [1] ... 6

Figura 2.2 - Cimeiras Mundiais relacionadas com o desenvolvimento sustentável [2] ... 7

Figura 2.3 - Situação Mundial ao nível do Desenvolvimento Sustentável em 1992 [5] ... 9

Figura 2.4 - Âmbito da Agenda 21 [5] ... 9

Figura 2.5 - Incentivo para adotar uma Agenda 21 Local [5] ... 11

Figura 2.6 - Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Sustentável [8] ... 12

Figura 2.7 - Conferência das Nações Unidas sobre o Desenvolvimento Sustentável [9] ... 13

Figura 2.8 - Processo Agenda 21 [12] ... 15

Figura 2.9 - Ilustração Animada da Pegada Ecológica Mundial [16] ... 17

Figura 2.10 - Evolução da Pegada Ecológica Mundial [17] ... 17

Figura 2.11 - Relação Capacidade Regenerativa da Terra e a Pegada Ecológica [17]... 18

Figura 3.1 - Âmbito Construção Sustentável para Charles Kibert [21] ... 20

Figura 3.2 - Princípios de Kibert para a Construção Sustentável [21] ... 21

Figura 3.3 - Definição Construção Sustentável para a CRISP [22] ... 21

Figura 3.4 - Definação Construção Sustentável para OCDE [20] ... 22

Figura 3.5 - Princípios Construção Sustentável OCDE [20] ... 23

Figura 3.6 - Evolução do paradigma da construção [13]... 24

Figura 3.7 - Causas Gerais de Impactes ... 25

Figura 3.8 - Definição Trabalhos de Construção [23] ... 26

Figura 3.9 - Fases e atividades principais do ciclo de vida dos edifícios ... 26

Figura 3.10 - Impactes relevantes no ciclo de atividades construtivas[13] ... 27

Figura 3.11 - Impactes e Cargas decorrentes de uma Edificação [24] ... 28

Figura 3.12 - Sistematização das Áreas de Impactes Ambientais [13] ... 29

Figura 3.13 - Atividades críticas das fases ciclo de vida que induzem impactes ambientais ... 31

Figura 4.1 - Abordagens para Construção Sustentável (Vertente Ambiental) ... 42

Figura 4.2 - Primeira definição da ACV (LCA) promovida pela SETAC [13] ... 43

Figura 4.3 - Objetivos das políticas para promoção da construção sustentável ... 44

Figura 4.4 - Indicadores para Avaliação da Sustentabilidade ... 44

Figura 4.5 - Tipos de metodologias de apoio à conceção e avaliação de edifícios [26]... 46

Figura 4.6 - Operadores que fundaram a ECO Platform ... 51

Figura 4.7 - Estrutura da Comissão e Normas realizadas ... 52

Figura 4.8 - CEN - Comissões que contribuem para a sustentabilidade na construção ... 55

Figura 4.9 - Módulos do Ciclo de Vida considerados pelas normas CEN 350. [35] ... 57

Figura 5.1 - Componentes para a Avaliação da Sustentabilidade ... 62

Figura 5.2 - Problemas Frequentes ... 63

Figura 5.3 - Estruturação da comissão responsável pela ACV (LCA) ... 65

Figura 5.4 - Etapas da ACV (LCA) [49] ... 66

Figura 5.5 - Funcionamento de um sistema de produto [51] ... 69

Figura 5.6 - Etapas Avaliação do Inventário Ciclo de Vida ... 72

Figura 5.7 - Exemplo Fatores de Caracterização do BEES [52] ... 74

Figura 5.8 - Estrutura dos métodos de avaliação de categorias de impacte [53] ... 75

Figura 5.9 - Tipologias de avaliação [20]... 78

(16)
(17)

ÍNDICE DE QUADROS

Quadro 2.1 - Objetivos propostos Agenda 21 [5] ... 10

Quadro 3.1 - Barreiras para Implementação Construção Sustentável [20] ... 35

Quadro 3.2 - Políticas de Incentivo á Construção Sustentável ... 39

Quadro 4.1 - Principais Ferramentas para avaliação da sustentabilidade de Edifícios ... 47

Quadro 4.2 - Indicadores norma ISO 21929-1:2011 [22] ... 53

Quadro 4.3 - Normalização Europeia [35] ... 56

Quadro 5.1 - Etapa ACV - Objetivos e Âmbito ... 70

Quadro 5.2 - Etapa Caraterização - Impactes Ambientais [46] ... 73

Quadro 5.3 - Aplicações e Utilizadores na metodologia ACV no setor construtivo [56] ... 80

Quadro 6.1 - Custos dos Materiais ... 87

Quadro 6.2 - Peso Estrutura Betão Armado ... 88

Quadro 6.3 - Custos associados á Solução A ... 88

Quadro 6.4 - Peso Estrutura Metálica ... 89

Quadro 6.5 - Custos associados á Solução B ... 89

Quadro 6.6 - Indicadores e Metodologias Utilizadas na Avaliação ... 90

Quadro 6.7 - Cenários ACV ... 91

Quadro 6.8 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 1 ... 92

Quadro 6.9 - Resultados da Vertente Económica no Cenário 1 ... 93

Quadro 6.10 - Áreas de Pintura de cada perfil e respetiva fonte ... 95

Quadro 6.11 - Área Total de Pintura em cada perfil ... 95

Quadro 6.12 - Quantidade necessária de Tinta e Primário ... 96

Quadro 6.13 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 2 ... 96

Quadro 6.14 - Resultados dos indicadores ambientais no Cenário 3 ... 98

Quadro 6.15 - Resultados da Vertente Económica no Cenário 3 ... 99

Quadro 6.16 - Ponderações assumidas no cenário 1 e utilizadas em softwares ... 99

Quadro 6.17 - Ponderações utilizadas no Cenário 4 ... 100

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(19)

SÍMBOLOS E ABREVIATURAS

ACV - Avaliação Ciclo de Vida ou em inglês LCA – Life Cycle Assessment AHP – Analytic Hierarchy Process

AICV – Avaliação Inventário Ciclo de Vida

BEES – Building for Environmental and Economic Sustainability CE - Comissão Europeia

CEN – European Committee for Standardization CFC’s – Clorofluorcarbonetos

CIB – Comission International Building

CNADS – Conselho Nacional para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável CNUAD – Comissão das Nações Unidas sobre o Ambiente e Desenvolvimento CV – Ciclo de Vida

DAP - Declarações Ambientais do Produto ou em inglês EPD – Environmental Product Declaration

DPC – Diretiva dos Produtos da Construção

ENDS - Estratégica Nacional de Desenvolvimento Sustentável EU – União Europeia

ICLEI – Internacional Council for Local Environmental Iniciatives ICV - Inventário Ciclo de Vida

ISO – International Organization for Standardization LCC - Life Cycle Cost

OCDE – Organização Cooperação e Desenvolvimento Económico ONU – Organização das Nações Unidas

PDM – Plano Diretor Municipal PIB – Produto Interno Bruto

PIENDS - Plano Implementação Estratégica Nacional de Desenvolvimento Sustentável PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente

RCP – Regras Categoria Produto

UNEP – United Nations Environment Protection

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1

I

NTRODUÇÃO

1.1 CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O planeta Terra, em meados do século XX, sofreu um grande aumento populacional e avanços tecnológicos que se traduziram numa explosão da qualidade da vida quotidiana do homem, mas simultaneamente, numa degradação massiva e descontrolada do meio ambiente que pode ter repercussões irreversíveis na história da humanidade.

A existência do ser humano tem sido posta em causa devido a utilização indevida de recursos naturais, ao aquecimento global e à produção de resíduos, o que induziu uma abordagem de destaque nas convenções internacionais em relação a estes assuntos ambientais, nomeadamente, encontrar formas de atenuar e se possível eliminar a pressão ambiental a que o planeta Terra está a ser sujeito.

Com a presença deste dilema na ordem do dia, foram criados e estabelecidos vários tratados e normas a fim de conter e gerir os recursos de forma a reduzir ao máximo estes impactes ambientais através de politicas de promoção da sustentabilidade, entre as quais, a utilização de diversas metodologias e ferramentas de análise do desempenho ambiental de várias atividades, dos quais de destaca neste contexto, a construção.

A construção é um setor responsável por grande parte dos impactes ambientais causados, e sendo estes uma preocupação cada vez mais vincada nas sociedades atuais, o seu controlo e gestão nesta atividade tem evoluído consideravelmente. Com este pensamento, o setor construtivo sofreu uma alteração radical ao nível de conceção e emergiu o conceito de “construção sustentável”. Paralelamente a este conceito, surgiram no mercado novos materiais e produtos considerados mais sustentáveis que os tradicionalmente utilizados mas que suscitam algumas questões. Estes materiais designados “sustentáveis” apresentam a mesma função e eficácia dos convencionais utilizados? Pois só faz sentido afirmar que são melhores em termos sustentáveis se estiver comprovado previamente que a sua eficácia funcional é equivalente aos materiais convencionais.

Neste campo a necessidade de analisar estes materiais, nomeadamente, o seu comportamento durante todo o ciclo de vida dos edifícios é imprescindível para avaliar a sua sustentabilidade. No encontro desta necessidade surge uma metodologia denominada avaliação do ciclo de vida que é considerada uma ferramenta valiosa de aferição do impacte ambiental da construção tanto dos materiais que a constituem como de todo o edifício. Esta ferramenta é reconhecida como a mais adequada para este fim e encontra-se normalizada mundialmente no âmbito da gestão ambiental.

No espaço europeu e no âmbito da sustentabilidade dos trabalhos de construção, surgiram recentemente várias normas que têm como base esta abordagem ciclo de vida e que se destinam a padronizar e facilitar

(22)

a interpretação dos resultados das avaliações da sustentabilidade dos edificados. Estas normas pretendem, a comparação de soluções construtivas, com vista uma maior sustentabilidade dos trabalhos da construção.

1.2 ÂMBITO E OBJETIVOS

Os principais objetivos do presente trabalho são:

 Sistematizar o conhecimento referente ao conceito de desenvolvimento sustentável e a importância do setor da construção nesse campo;

 Apresentar o conceito de construção sustentável, bem como, os seus princípios, impactes ambientais, barreiras e políticas para a promover na sociedade atual;

 Referenciar os diferentes instrumentos e ferramentas que apoiam a construção sustentável no âmbito da sua contribuição e dificuldade de integração nos edificados;

 Focar a normalização internacional existente e explicitar o conteúdo das recentes normas europeias para a sustentabilidade dos trabalhos da construção e o seu papel na avaliação da sustentabilidade;

 Explicar a metodologia avaliação ciclo de vida, nomeadamente, o seu procedimento, as suas vantagens e limitações, apoiadas pela normalização internacional e evidenciar as adaptações e particularidades no setor da construção;

 Aplicação da metodologia a um caso de estudo de forma a clarificar o seu procedimento e as suas potencialidades na tomada de decisão, mais especificamente, na seleção de materiais de construção.

1.3 ORGANIZAÇÃO DA DISSERTAÇÃO

A dissertação está estruturada em sete capítulos.

O capítulo 1 apresenta um enquadramento geral do tema e os objetivos que se pretendem alcançar com este trabalho.

O capítulo 2 apresenta o início do estado da arte onde se abordam as principais causas para a insustentabilidade atual e se faz um enquadramento histórico da evolução do conceito de desenvolvimento sustentável referenciando as principais cimeiras e documentos que fundaram o conceito. Foca-se o estado atual de Portugal no âmbito da sustentabilidade e as estratégias criadas para integrar os seus princípios na sua sociedade. Destaca-se ainda a importância do setor da construção no âmbito do desenvolvimento sustentável e a situação crítica da regeneração da Terra recorrendo ao conceito de Pegada Ecológica.

O capítulo 3 aborda o surgimento da construção sustentável e os seus princípios base a ter em conta nas práticas construtivas. Faz-se referência à mudança de paradigma na construção e aos impactes ambientais, económicos e sociais provocados pelo setor da construção, associando o papel que os mesmos têm em cada uma das fases do ciclo de vida de um edifício. Abordam-se ainda as barreiras existentes á implementação da construção sustentável e as soluções propostas pela Comissão Europeia a fim de extinguir as mesmas.

No capítulo 4 enunciam-se os instrumentos e ferramentas para a conceção e avaliação da sustentabilidade dos edifícios, realçando as maiores dificuldades de realização das avaliações dado as caraterísticas únicas do setor construtivo. Ainda neste seguimento, expõe-se e explica-se o conteúdo das normas europeias que apoiam este tema, realçando as partes mais importantes e relacionadas com a metodologia ACV (LCA).

(23)

No capítulo 5 realiza-se uma abrangente abordagem da metodologia ACV (LCA), nomeadamente o seu papel na avaliação da sustentabilidade. Evidencia-se o procedimento devidamente fundamentado pela norma internacional, bem como, os métodos e ferramentas que auxiliam na realização do método e ainda as vantagens e limitações inerentes.

O capítulo 6 introduz e desenvolve o caso prático, onde se vai aplicar a metodologia referida a um estudo de caso concreto constituído por diversos cenários. A análise e obtenção de diferentes resultados visa uma melhor compreensão do funcionamento do método e dos seus objetivos aplicados à atividade construtiva.

O capítulo 7 e último, pretende sistematizar em conclusões o trabalho realizado, tirando ilações sobre a qualidade dos resultados obtidos, nomeadamente, o seu enquadramento com as expectativas iniciais, conclusões significativas e adequação da metodologia ao propósito do estudo elaborado. Finalmente, enumeram-se propostas futuras de trabalho, designadamente em áreas que permitam melhorar os princípios explicitados neste trabalho, assim como outras perspetivas de abordagem á sustentabilidade dos trabalhos de construção.

(24)
(25)

2

D

ESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL

2.1 INTRODUÇÃO

O objetivo deste capítulo passa essencialmente por explicitar o cenário mundial no âmbito da sustentabilidade, explicando as razões que provocaram a instabilidade sentida, e realizar um enquadramento histórico desde o aparecimento do conceito “desenvolvimento sustentável” e percorrendo a sua evolução até aos dias de hoje. A evolução do conceito é acompanhada e fundamentada pelas principais cimeiras mundiais e documentos que a partir delas foram gerados, e que originaram e moldaram este conceito ao longo dos tempos.

No final do presente capítulo realiza-se uma atualização da situação portuguesa no âmbito da sustentabilidade, citando as estratégias que foram definidas e estipuladas para atingir o acordado nas cimeiras internacionais.

2.2 APARECIMENTO DE UM PARADIGMA MUNDIAL

Ao longo dos tempos a população mundial tem vindo a crescer. Este crescimento é mais substancial nos últimos 2 séculos, onde nasceu cerca de 80% da população que habita o nosso planeta. Como tal, o consumo de recursos naturais aumentou exponencialmente. Este facto decorre não só das sociedades serem mais numerosas, mas também pela evolução ao nível tecnológico e dos padrões de qualidade de vida e conforto empregues por essas sociedades. Estima-se que nos últimos 40 anos aproximadamente, com a duplicação da população mundial, como mostra a Figura 2.1, associada a duplicação média da qualidade de vida também, houve uma quadruplicação do consumo de recursos e como consequência, um impacte ambiental alarmante.

Nesta ideologia, na segunda metade do século passado surge uma consciencialização que as atividades destrutivas do ser humano estavam a afetar seriamente o nível de recursos inorgânicos, que não são inesgotáveis, a biodiversidade das espécies e quantidade de resíduos produzidos. Portanto, continuar a utilizar sistemas energéticos sustentados por fontes de energia não renováveis e manter o destinatário dos resíduos produzidos não podia prosseguir. Com esta consciencialização o ser humano apercebeu-se que a sobrecarga provocada ao planeta pelas suas atividades pode induzir a uma destruição massiva e irreversível do seu habitat e do meio ambiente.

(26)

Na sequência deste crescimento descontrolado e preocupante, as nações começaram a traçar e desenvolver estratégias para controlar e gerir conscientemente a utilização de recursos, a fim de estes não escassearem futuramente e comprometerem a continuidade da vida humana. Constatados com este dilema, surge o estudo e desenvolvimento de um conceito que traduz, para muitos especialistas, um dos maiores paradigmas do século XXI que se denomina DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL. Este conceito admite retificar o rumo do desenvolvimento mundial, introduzindo temáticas como, a proteção ambiental, o crescimento económico, a qualidade de vida moderada e a preocupação com as futuras gerações defendendo que estas merecem um planeta Terra e meio ambiente no mínimo tão bom como aquele que disfrutamos no presente momento. Os aspetos referidos são apenas uma ínfima parte dos objetivos propostos para o desenvolvimento sustentável. Para os atingir foi proposto um modelo que desponte e garanta a harmonização e equilíbrio das três dimensões base do conceito – AMBIENTE,

SOCIEDADE E ECONÓMICA.

2.3 ORIGEM E DESENVOLVIMENTO DO CONCEITO

EVOLUÇÃO HISTÓRICA

O conceito “sustentabilidade” desabrocha assim na segunda metade do século XX, com o objetivo de consciencializar o ser humano de que as suas ações ao nível social, económico e ambiental, estão a sacrificar a existência das gerações posteriores, na medida em que a possibilidade de poderem satisfazer as suas necessidades pode estar em risco.

Desta constatação, foram decorrendo várias cimeiras e convenções ao longo dos anos, para que os líderes mundiais debatessem esta temática e desenvolverem ações e estratégias para as conter.

(27)

De todos estes encontros merecem destaque:

 1972 - Conferência da ONU sobre O Ambiente Humano – Cimeira de Estocolmo  1987 - Comissão Mundial para o Ambiente Desenvolvido – Relatório Brundtland

 1992 - Conferência da ONU sobre o Meio Ambiente e Desenvolvimento – Cúpula da Terra ECO-92

 2002 - Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Sustentável – Cimeira de Joanesburgo Rio +10

 2012 – Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável - Rio +20

A Figura 2.2 evidencia as cimeiras que se realizaram mundialmente ao longo dos anos, assim como, os documentos mais importantes oriundos delas e que estiveram na origem histórica do conceito de desenvolvimento sustentável. De seguida menciona-se sucintamente os pontos mais importantes de cada uma delas, assim como as declarações e documentos que deram forma ao conceito.

As cinco cimeiras acima referidas foram as mais marcantes e as que mais contribuíram para o conceito de desenvolvimento sustentável.

1972-CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE OAMBIENTE HUMANO –CIMEIRA DE ESTOCOLMO

Primeira grande conferência de debate do desenvolvimento económico-ambiental mundial, realizada em Estocolmo. Desta, resultou um documento denominado PNUMA. Foi criado em torno de um conceito que viria a ser a base para a criação do conceito de desenvolvimento sustentável, designado

“ecodesenvolvimento”.

(28)

Ecodesenvolvimento, formulado por Maurice Strong e desenvolvido mais tarde por Inacy Sachs, é definido como“ um estilo de desenvolvimento que, em cada eco região, insiste nas soluções específicas

de seus problemas particulares, levando em conta os dados ecológicos da mesma forma que os culturais, as necessidades imediatas como também aquelas a longo prazo”[3]. No entanto, a veracidade

deste conceito só era considerada válida, se uma sociedade se encontra-se envolvida nas estratégias definidas, pois é ela que possui o melhor conhecimento da realidade local, nomeadamente cultura e ecossistemas.

Seguindo a ideologia de uma equilibrada correlação entre três pilares: eficiência económica, justiça social e prudência ecológica, Inacy Sachs defendia ainda que “nada justifica o otimismo

tecnológico ilimitado segundo o qual a sociedade encontra sempre uma solução técnica aos problemas económicos, sociais ou ecológicos por mais difíceis que possam parecer”, ou seja, a sociedade deve

implementar estratégias de desenvolvimento e eficiência económica, no sentido de satisfazer as suas necessidades, mas sem nunca comprometer a prudência ecológica e justiça social.[3] No entanto, o modelo de crescimento económico idealizado no relatório proporcionou diferenças abismais, pois se em certos locais a riqueza atingia proporções surreais, noutros a miséria e degradação do ambiente crescia dia após dia.

O ecodesenvolvimento foi assim, a fundação que suportou a criação do conceito de desenvolvimento sustentável.

1987-COMISSÃO MUNDIAL PARA O AMBIENTE DESENVOLVIDO –RELATÓRIO BRUNDTLAND

No ano de 1983, o Secretário-Geral das Nações Unidas apelou urgentemente à Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento que desenvolvesse um documento baseado na seguinte ideologia,

“uma agenda global para mudança”. Atendendo ao pedido, a comissão, presidida por Gro Harlem

Brundtland, publicou em 1987 um relatório denominado Relatório Brundtland, atualmente conhecido por “Nosso Futuro Comum”- NFC, que continha o conceito desenvolvimento sustentável e defendia que todos os países, independentemente do seu estado de desenvolvimento, deviam criar as suas estratégias e condições para um crescimento equilibrado.

“Há só uma Terra, mas não um só mundo. Todos nós dependemos de uma biosfera para conservarmos nossas vidas. Mesmo assim, cada comunidade, cada país luta pela sobrevivência e pela prosperidade quase sem levar em consideração o impacto que causa sobre os demais. Alguns consomem os recursos da Terra a um tal ritmo que provavelmente pouco sobrará para as gerações futuras. Outros, em número muito maior, consomem pouco demais e vivem na perspetiva da fome, da miséria, da doença e da morte prematura.”[4]

Este parágrafo transcrito do NFC traduz a realidade mundial vivida na época e a preocupação com que uma rápida mudança necessitava de ser efetuada. Foi desta forma que surgiu assim o conceito/base de todo o documento que é o desenvolvimento sustentável, e que segundo ele significa:

“O desenvolvimento sustentável é aquele que atende às necessidades do presente sem comprometer a possibilidade de as gerações futuras atenderem as suas próprias necessidades. … o desenvolvimento sustentável é um processo de transformação no qual a exploração dos recursos, a direção dos investimentos, a orientação do desenvolvimento tecnológico e a mudança institucional se harmonizam e reforçam o potencial presente e futuro, a fim de atender às necessidades e aspirações humanas”.[4]

O modelo expõe a discrepância entre o desenvolvimento sustentável e o consumo de recursos, reforçando a importância de uma relação Homem-Ambiente oposta á existente, e ainda um crescimento económico sintonizado com os aspetos sociais e ambientais.

(29)

“O necessário agora é uma nova era de crescimento económico - um crescimento convincente e ao mesmo tempo duradouro do ponto de vista social e ambiental.”[4]

1992-CONFERÊNCIA DA ONU SOBRE O MEIO AMBIENTE E DESENVOLVIMENTO –CÚPULA DA

TERRA ECO-92

O evento ambiental mais marcante do seculo XX, denominado ECO-92, aconteceu no Rio de Janeiro e agrupou membros de 178 países. Esta conferência subdividiu-se em 3 eventos: um sobre MUDANÇA

DO CLIMA, um sobre BIODIVERSIDADE e outro sobre DECLARAÇÕES SOBRE FLORESTAS.

Destas 3 convenções criou-se um documento com o objetivo claro do desenvolvimento sustentável em diversas áreas fundamentais, a fim de permitir uma nova abordagem racional de desenvolvimento ambiental. A este documento foi dada a denominação AGENDA 21.

A “Agenda 21” assume-se assim como um instrumento de planeamento para a formação de comunidades sustentáveis, que harmoniza métodos para proteção ambiental, eficiência económica e justiça social – os 3 pilares do desenvolvimento sustentável. Este documento é a base para desenvolvimento sustentado no mundo, e profere estratégicas e políticas orientadas para o equilíbrio, tendo em conta temas fundamentalmente importantes e complexos como, crescimento populacional, pobreza, saúde, violência, decadência urbana e degradação ambiental.

“A humanidade encontra-se num momento determinante da história. Confrontamo-nos com uma perpetuação das disparidades entre as nações e dentro delas, um agravamento da pobreza, da fome, da doença e da iliteracia, e a deterioração contínua dos ecossistemas de que dependemos para o nosso bem-estar. No entanto, o interesse e preocupação crescente sobre a integração do ambiente e do desenvolvimento conduzirá à satisfação das necessidades básicas, ao melhoramento dos níveis de vida para todos, a uma melhor proteção e gestão de ecossistemas e a um futuro mais seguro e próspero. Nenhuma nação conseguirá alcançar este objetivo por si só; mas juntos conseguiremos - numa parceria global para o desenvolvimento sustentável.”

“Agenda 21 está voltada para os problemas prementes de hoje e também visa preparar o mundo para os desafios do próximo século. Reflete um consenso mundial e um compromisso político ao mais alto nível para o desenvolvimento e cooperação ambiental. A sua implementação bem-sucedida é, em primeiro lugar, a responsabilidade dos governos. As estratégias nacionais, planos, políticas e processos são cruciais para alcançar este objetivo. A cooperação internacional deve apoiar e complementar tais esforços nacionais. Neste contexto, o sistema das Nações Unidas tem um papel fundamental a desempenhar. Outras organizações internacionais, regionais e sub-regionais também são chamados a contribuir para este esforço. Devem também ser encorajados a mais ampla participação pública e o envolvimento ativo das organizações não-governamentais e outros grupos.”

Figura 2.3 - Situação Mundial ao nível do Desenvolvimento Sustentável em 1992 [5]

(30)

O documento é constituído por 4 secções que contêm 40 capítulos, a serem seguidos pelos governos como linhas estratégicas e políticas para sociedades sustentáveis com os objetivos explicitados na tabela abaixo. A “Agenda 21” é composta por 2500 recomendações com responsabilidades desde curto a longo prazo, e consiste numa referência para os governos mundiais elaborarem um planeamento estratégico adequado, temporalmente e espacialmente, às particularidades da sua sociedade.

Com objetivos patentes, o conteúdo da “AGENDA 21” foi aprovado e consequentemente a formação de uma comissão com o âmbito de apoiar e cooperar com os países na execução e implementação das suas agendas nacionais chamada Comissão de Desenvolvimento Sustentável (CDS).

Combate á pobreza

Mudança dos padrões de consumo Dinâmica demográfica e sustentabilidade

Proteção e desenvolvimento das condiçoes da saúde humana Integraçao do meio ambiente nas tomadas de decisão Preservaçao dos recursos

Proteção da atmosfera

Abordagem integrada do planeamento e gestao de recursos Combate á desflorestação

Proteçao e gestão de ecossistemas frágeis (desertificação, seca, desenvolvimento de montanhas) Promoção do desenvolvimento rural e agrícola sustentável

Conservação da biodiversidade biológica

Gestão ambientalmente saudável da biotecnologia

Proteção dos oceanos, mares e uso racional dos seus recursos naturais

Proteção da qualidade e abastecimento de recursos hidrícos ( desenvolvimento, uso e gestão) Gestão saudável e segura de substancias quimicas tóxicas e resíduos radioativos e perigosos Gestão dos resíduos sólidos e sua descarga (Esgotos)

Fortalecimento do papel de grupos principais

Ação mundial pela Mulher, com vista igualdade de direitos A infância e a juventude no desenvolvimento sustentável Reconhecimento do papel das populaçoes indígenas

Fortalecimento do papel das ONG's: parceiros para desenvolvimento sustentável Iniciativas das autoridades locais em apoio á Agenda 21

Fortalecimento do papel dos trabalhadores e seus sindicatos, comércio, indústria e agricultores Recursos e mecanismos financeiros

Ciência e técnologia para o desenvolvimento sustentável Promoção do ensino, da consciencialização e treino

Arranjos institucionais internacionais

Instrumentos e mecanismos jurídicos internacionais Informação tomadas de decisão

OBJETIVOS AGENDA 21

Mecanismos nacionais e cooperação internacional para fortalecimento institucional dos países em desenvolvimento

(31)

Desta conferência resultaram ainda, para além da “Agenda 21”,os seguintes documentos importantes:  Declaração do Rio de Janeiro

 Declaração de Princípios sobre as Florestas  Convenção sobre Biodiversidade Biológica  Convenção da Mudança de Clima

Agenda 21 LOCAL

O conceito de Agenda 21 Local surgiu do pensamento: “Pensar Globalmente, Agir Localmente”, presente no Capítulo 28 da Agenda 21 como expresso na figura, e invoca às autoridades locais para intervir nas suas comunidades, tendo em vista a cooperação e colaboração na conceção de uma estratégia de desenvolvimento local integrando os princípios do desenvolvimento sustentável.

Segundo este documento, a ação local sobre as comunidades traz benefícios diretos na qualidade de vida da população nessa cidade ou município, contribuindo assim para a redução dos problemas a nível local e, como tal, dos problemas a nível global. Este princípio deve assim estimular a atuação das autoridades e agentes locais incentivando a implementação do conceito de desenvolvimento sustentável ao nível do ordenamento do território, da economia e do estilo de vida da população através de ações cívicas em empresas, escolas e outras entidades. [6]

A Agenda 21 Local pode ter a definição, segundo o International Council for Local Environmental Iniciatives (ICLEI), como apresenta a Figura. “um processo participativo, multissetorial, que visa

atingir os objetivos da Agenda 21 ao nível Local, através da preparação e implementação de Plano de Ação estratégico de longo prazo dirigido á prioridades locais para o desenvolvimento sustentável”.[7]

Com vista ao desenvolvimento sustentável, a Agenda 21 Local é uma ferramenta fundamental e com capacidade para assegurar a elaboração de um grande número de ações para minimizar o consumo de recursos e incitar mudanças a nível local, proporcionando:

1) Menor complexidade no estabelecimento de metas e monitorização dos indicadores escolhidos; 2) Maior aptidão na adoção um modelo governamental mais eficiente a nível local;

3) Substituição das políticas de impostos ambientais por iniciativas ao nível da educação e saúde, de responsabilidades ambientais locais.

Em resumo, o cenário atual do planeta intensifica o papel da implementação da “A21 Local” para atingir o desenvolvimento sustentável, visto ser o mais indicado e eficiente instrumento para o conseguir.

“Cada poder local deverá entrar em diálogo com os seus cidadãos, organizações locais e empresas privadas e deverá adotar uma “Agenda 21 Local”. Através de processos consultivos e de estabelecimento de consensos, os poderes locais deverão aprender com os cidadãos e com as organizações locais, cívicas, comunitárias, comerciais e industriais e adquirir a informação necessária para elaborar melhores estratégias. O processo de consulta deverá aumentar a consciencialização familiar em questões de desenvolvimento sustentável.”

(32)

Figura 2.6 - Cimeira Mundial para o Desenvolvimento Sustentável [8]

2002 - CIMEIRA MUNDIAL PARA O DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL – CIMEIRA DE

JOANESBURGO RIO +10

O segundo encontro das Nações Unidas, teve lugar na Africa do Sul para realizar uma avaliação das evoluções, ao fim de uma década da ECO-92, ao nível ambiental e do compromisso acordado pelos líderes mundiais nessa cimeira.

Esta conferência teve como foco principal abordar o progresso realizado na implementação das metas estabelecidas na Agenda 21 e ajustar as partes que dificultavam essa implementação, assim como adaptar novas estratégias com vista a resolução dos problemas mais críticos.

Um dos pontos destacados deste evento foi a confirmação absoluta que o desenvolvimento sustentável se baseia no equilíbrio de três pilares correlacionados e reciprocamente sustentadores – ECONOMIA, SOCIEDADE E AMBIENTE.

Na sequência destes debates, esta cimeira criou dois documentos que vieram afirmar ainda mais a importância do desenvolvimento sustentável no mundo atual, e aperfeiçoar as estratégias da sua implementação denominados:

 Johannesburg Declaration on Sustainable Development  Johannesburg Implementation Plan

2012–CONFERÊNCIA DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL -RIO

+20

A Rio+20 foi a mais recente conferência realizada em Junho de 2012 no Rio de Janeiro, com vista a fazer um ponto da situação na temática do desenvolvimento sustentável. Esta conferência ficou assim conhecida pois assinalou 20 anos da célebre conferência Rio-92, e contribuiu essencialmente para definir a agenda do desenvolvimento sustentável para as difíceis décadas que se avizinham.

Importa referir que esta cimeira fez a análise do estado atual do desenvolvimento sustentável no planeta e muitas contestações foram feitas pela falha nos compromissos assumidos nas anteriores cimeiras.

(33)

A referida conferência baseou-se em 2 temáticas principais:

 Erradicação da pobreza mundial e economia verde no âmbito do desenvolvimento sustentável;  A estruturação das instituições com vista o desenvolvimento sustentável.

Nesta ideologia, o objetivo principal consistiu na renovação do compromisso político assumido pelos líderes mundiais nas anteriores cimeiras do desenvolvimento sustentável, através da avaliação do progresso realizado e das falhas de implementação de decisões anteriormente tomadas nessas cimeiras. Também foram discutidos e abordados novos assuntos nesta temática.

Existem várias diferenças entre esta conferência e a Rio-92. Segundo declarou o porta-voz adjunto da Rio+20 Giancarlo Summa, na Rio-92, “foram assinadas convenções importantes para o meio ambiente.

Agora isso não vai acontecer. Não vamos assinar convenções, mas vamos firmar grandes acordos globais para desenvolvimentos sustentáveis”, reforçando assim a ideia de renovação de compromissos.

Este reforçou ainda que esta “É uma conferência que tem um alcance muito mais abrangente sobre o

desenvolvimento económico, social, ambiental, as cidades sustentáveis e a prevenção de desastres naturais”, sugerindo que da Rio+20 iria surgir um acordo sobre os objetivos do desenvolvimento

sustentável a implementar a partir de 2015.

Durante a conferência surgiram várias declarações importantes proferidas por diferentes organismos acerca da situação atual do mundo e que de seguida se enunciam.

Na vertente ambiental, a geógrafa Magda Lombardo afirmou que “Em relação à questão ambiental,

nesse período [de 92 a 2012] vimos pouca prática de ações efetivas em todo o planeta. Há muita desigualdade de práticas sustentáveis. Na Ásia e África, por exemplo, as práticas são quase nulas. Com exceção de algumas regiões da Ásia”. Esta afirmação explícita que muito poucas propostas da Rio-92

não passaram de ideias e os compromissos assumidos não foram cumpridos.

Nesta ideologia, o professor Alexandre Nodari também assegurou que “como não era um convênio, um

tratado, ela ficou como sugestão. Pouco foi adotado, a Agenda 21 foi esquecida quase que na íntegra”,

expondo a realidade explícita da evolução nos últimos 20 anos.

Apesar de toda a controvérsia, surgiu desta conferência sobre o desenvolvimento sustentável um documento final que tem como denominação “O FUTURO QUE QUEREMOS”.

Este documento é constituído por 53 páginas, que contêm 6 capítulos que abordam 25 temáticas das quais se realçam a erradicação da pobreza, segurança alimentar, água, energia, saúde, emprego, oceanos, mudanças climáticas, consumo e produção sustentáveis. O conteúdo consiste essencialmente

(34)

na reafirmação dos princípios estabelecidos nas cúpulas anteriores e reforça a importância “de acelerar os esforços” para aplicar os compromissos assumidos.

Nesta declaração são focados vários temas dos quais se apresentam os mais relevantes para a presente tese. No 1º capítulo, é referido o reforço dos compromissos para com o desenvolvimento sustentável.

“Nós, Chefes de Estado e de Governo, e representantes de alto nível, reunidos no Rio de Janeiro, Brasil, de 20 a 22 de Junho de 2012, com a plena participação da sociedade civil, renovamos o nosso compromisso com o desenvolvimento sustentável e com a promoção de um futuro económico, social e ambientalmente sustentável para o nosso planeta e para as atuais e futuras gerações.” [10]

“Afirmamos, portanto, a necessidade de uma melhor integração dos aspetos econômicos, sociais e ambientais do desenvolvimento sustentável em todos os níveis, e reconhecemos as relações existentes entre esses diversos aspetos para se alcançar o desenvolvimento sustentável em todas as suas dimensões.” [10]

No contexto ambiental, importa realçar o tópico 87 abaixo citado.

“Reafirmamos a necessidade de fortalecer a governança ambiental internacional no contexto do quadro institucional para o desenvolvimento sustentável, a fim de promover uma integração equilibrada da situação económica, social e ambiental, dimensões do desenvolvimento sustentável, bem como a coordenação dentro do sistema das Nações Unidas.”. [10]

Contudo, analisando friamente os resultados da Rio+20, denota-se uma preocupação crescente da humanidade em conservar o nosso planeta. No entanto, é importante realçar que muitas ideias não irão passar disso mesmo devido a vários fatores como falta de recursos financeiros, tempo ou objetividade. Em resumo, acredita-se que após tantas desavenças e obstáculos ultrapassados, o mundo se mobilizará no sentido de ajudar o planeta a sair da situação crítica onde se encontra. Para tal, o papel de cada ser humano é fundamental, na medida em que, um simples ato é uma contribuição válida para o desenvolvimento sustentável e para o futuro do planeta Terra.

2.4 ENQUADRAMENTO HISTÓRICO DESENVOLVIMENTO HISTÓRICO EM PORTUGAL

Portugal iniciou o seu trajeto rumo ao desenvolvimento sustentável após os documentos que marcaram a política ambiental, mesmo antes das vertentes económicas e sociais se integrarem no modelo de desenvolvimento. Existem vários marcos históricos importantes, como a aprovação da Lei de Bases do Ambiente (1987), o Plano Nacional de Política de Ambiente (1995) que referiu o desenvolvimento sustentável como um objetivo incontornável e a criação do Conselho Nacional para o Ambiente e Desenvolvimento Sustentável em 1997. No entanto, o marco mais notável ocorreu em Fevereiro 2002 quando o XIV Governo Constitucional iniciou o processo de elaboração da ENDS, que em Maio desse mesmo ano veria já ser aprovadas as suas linhas gerais de orientação.

Anos passaram, e em Janeiro de 2004 foi dado mais um passo importante que teve como resultado a aprovação dos objetivos, estratégias e linhas de orientação da ENDS, e ainda um encaminhamento para a elaboração de um PIENDS num futuro próximo.

O fim de todo este processo iniciado em 2002, culminou com a conclusão e aprovação da ENDS e do seu plano de implementação em Março de 2005. No entanto, só em 2006 é que se realizou uma iniciativa que resultou na publicação de uma nova versão e definitiva do documento realçando a contribuição do CNADS na metodologia para elaboração dos documentos.

Em resumo, a versão final da ENDS e PIENDS foi aprovada pelo XVII Governo Constitucional em Dezembro de 2006. [11]

(35)

A ENDS e respetivo PIENDS surgem assim da iniciativa da Conferencia das Nações Unidas sobre Ambiente e Desenvolvimento (CNUAD) do Rio de Janeiro em 92, e reforçada no Rio +5 e Rio +10, onde os líderes mundiais asseguraram o compromisso que tinham realizado para o desenvolvimento sustentável. A Agenda 21 e restantes declarações materializaram o estímulo para os governos desenvolverem estratégias nacionais rumo ao desenvolvimento sustentável, criando documentos estratégicos que fortalecessem e articulassem as políticas nacionais para o ambiente, economia e assuntos de cariz social.

Interligação Agenda 21 com Agenda 21 Local e ENDS

No contexto português, a ENDS tem como âmbito implementar um ambiente sustentado em todos os parceiros sociais, e como tal, define que um dos instrumentos fundamentais para a sua implementação são as Agendas 21 Locais. A sua adesão começa a ter significado, pois segundo um estudo da Universidade Católica Portuguesa em 2011, Portugal apresentava 167 processos de Agenda 21 Local em decurso, o que significa uma abrangência de metade da população portuguesa. Contudo, estes processos ainda não estão todos ativos.

(36)

2.5 INFLUÊNCIA NO DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL DO SETOR DA CONSTRUÇÃO E A SUA IMPORTÂNCIA

IMPACTE GLOBAL DA INDUSTRIA CONSTRUTIVA

Como mencionado, as atividades humanas acompanharam este brutal crescimento populacional, nomeadamente, uma atividade considerada como fulcral em qualquer sociedade, a construção. O ambiente construído segue o ser humano ao longo da sua história, estabelecendo a identidade e uma forma de organização das sociedades, induzindo uma sensação de intimidade de tal forma que tornam as cidades num local agradável para as pessoas habitarem. Contudo, devido às exigências crescentes de desenvolvimento social, tais como, o aumento da população e da sua qualidade de vida, a construção necessita de consumir imensos recursos naturais e produzir grandes quantidades de resíduos provocando assim um impacte ambiental muito significativo, merecendo por isso uma especial atenção.

A atividade construtiva encontra-se profundamente interligada com o conceito de desenvolvimento sustentável pois tem uma grande influência em cada um dos pilares. Estas estimulam efeitos económicos e sociais, bem como, grandes efeitos ambientais relacionados com a ocupação e o uso do solo, consumo de recursos, produção de resíduos e alteração dos ecossistemas naturais.[13]

Nesta indústria, e mais concretamente no que diz respeito ao parque edificado, de acordo com dados da união europeia e outras entidades, é responsável pelos seguintes aspetos [14,15]:

 40% do consumo de materiais produzidos e 55 % da madeira extraída;  42% da energia utilizada para aquecimento e iluminação;

 35% de emissões de gases com efeito de estufa;  10% do PIB dos países;

 7% dos postos de trabalho do planeta;

A confrontação com os presentes dados deve levar à consciencialização que é necessária uma mudança na ideologia de utilização de processos construtivos tradicionais e uma modificação das práticas de conceção, construção, manutenção e demolição dos edifícios com vista á introdução de melhorias no desempenho ambiental e económico do edificado, e como consequência, a melhoria na qualidade de vida das sociedades.[14,15] No entanto, a implementação desta ideologia tem diversos entraves e barreiras que serão abordadas com maior detalhe no capítulo 3.

PEGADA ECOLÓGICA

Constatando a informação referida, o setor construtivo é responsável por parte das marcas de degradação ambiental causada pelo Homem no planeta Terra. Neste contexto, a evolução negativa crescente dessas marcas tornou-se de tal forma significativa, que dois especialistas idealizaram um modo de quantifica-las. A esse conceito foi dada a denominação de Pegada Ecológica.

Pegada Ecológica tem como principal objetivo a determinação da superfície da Terra necessária para suportar o consumo de recursos naturais e a absorver os resíduos gerados por um indivíduo, uma sociedade, uma atividade, uma organização, um edifício ou um país, num ano. [13] Assim, ela viabiliza a avaliação dos impactes na natureza, bem como a quantificação e previsão do sucesso ou insucesso das medidas implementadas tendo em vista a melhoria da ecoeficiência.

(37)

A Pegada Ecológica foi concebida para o melhor entendimento da quantidade de recursos naturais necessária para suportar a nossa vida quotidiana, incluindo, a nossa casa, roupa, comida, transportes etc. Este conceito não pretende avaliar estes aspetos com precisão, mas sim estimar o impacto que a nossa vida tem no planeta, tendo em conta a sua capacidade de disponibilização e renovação de recursos naturais e absorção de resíduos e poluentes gerados.

Atualmente a situação revela-se crítica, pois como podemos observar na figura a capacidade regenerativa do planeta não acompanha as nossas necessidades e a tendência é para continuar a aumentar. A procura anual sobre o meio ambiente excedeu de tal forma a capacidade da Terra que esta em 2008 para se regenerar, ao nível de recursos naturais e absorção de resíduos e poluentes, necessita de 1,5 planetas. [17]

Para melhor entendimento da figura expressa em cima, realiza-se uma explicação mais pormenorizada. A capacidade regenerativa do planeta pode ser expressa num parâmetro denominado de Bio capacidade. Este quantifica a capacidade que o meio ambiente tem para produzir recursos renováveis, fornecer solo para ambientes construídos e absorção de resíduos, tanto sólidos como atmosféricos.

Figura 2.9 - Ilustração Animada da Pegada Ecológica Mundial [16]

(38)

Como tal, a Bio capacidade atuando como uma referência ambiental pode ser comparada com a Pegada Ecológica. Para esse processo ser viável ambos expressam-se na mesma unidade, mais especificamente, em hectares globais (gha). Esta unidade representa um hectare biologicamente produtivo pela produtividade média mundial.

Essa comparação é apresentada na figura. Analisando-a, retiram-se várias ilações relevantes.

Em 1970, tanto a Bio capacidade como a Pegada Ecológica possuíam o mesmo valor, o que significa que a regeneração da Terra conseguia acompanhar as necessidades das pessoas e atividades que nela ocorriam. No entanto, com o passar dos anos, as exigências humanas foram aumentando cada vez mais, como tal, o planeta deixou de ter capacidade para acompanhar tais exigências. Segundo os dados mais recentes (Figura), em 2008, a bio capacidade da Terra situava-se nos 1,8 gha por habitante enquanto a Pegada Ecológica nos 2,7 gha por habitante. Esta disparidade significa que o planeta necessita de 1,5 anos para regenerar totalmente o que as pessoas utilizam num ano. [17]

Visto isto, entende-se perfeitamente que a situação afigura-se gravosa e que é necessário uma mudança urgente desta tendência a fim de não atingir um estado irreversível. Como tal, sendo a construção uma atividade com um grande contributo para este cenário, esta requer um especial cuidado e uma evolução nesta temática.

(39)

3

C

ONSTRUÇÃO

S

USTENTÁVEL

3.1 INTRODUÇÃO

Neste capítulo pretende-se abordar as necessidades de sustentabilidade na atividade construtiva. Pretende-se ainda sintetizar o caminho evolutivo do desenvolvimento sustentável ao longo dos tempos expondo as alterações do pensamento “construção sustentável” e frisando os princípios base para a sua implementação. Expõem-se os impactes gerados durante todo o ciclo de vida edifício referenciando os impactes principais inerentes a cada um das fases que compõem esse ciclo.

Seguidamente são identificadas as barreiras normalmente encontradas ao nível global e que dificultam a implementação da construção sustentável, explicando as mais ambíguas, tendo em vista o entendimento e sensibilização das dificuldades associadas a esta matéria.

3.2 IMPORTÂNCIA DA CONSTRUÇÃO PARA O SER HUMANO

Com o surgimento da consciencialização que a preservação do ambiente era algo fulcral para a garantia da continuidade futura do ser Humano, algumas atividades começaram a ser abordadas mais cuidadosamente no âmbito da exploração de recursos e consumo energético, nomeadamente, uma das consideradas mais consumistas, a construção.

É incontornável a importância deste setor para o desenvolvimento sustentável e a ação que tem nos seus 3 pilares. Em média, 90% do tempo das pessoas é passado dentro de edifícios, tanto para trabalhar como para habitar. A influência da construção nestes pilares objetiva-se sobretudo nos seguintes aspetos:

AMBIENTAL

Os edifícios são grandes consumidores de recursos naturais e de energia durante toda a sua existência, desde a sua conceção, construção, utilização e manutenção.

ECONÓMICO

A construção é das atividades com mais impacto e que mais dinheiro movimenta na economia de um país, pois para além das infraestruturas serem bastante dispendiosas, os edifícios de serviços e indústrias albergam milhões de postos de trabalho que são, a fonte de rendimento das populações.

(40)

 SOCIAL

A qualidade de vida e conforto do ser humano é fortemente dependente do ambiente construído, da qualidade das habitações e dos equipamentos existentes e disponíveis para a utilização no quotidiano.

Face ao exposto, parece ser possível afirmar que é inquestionável a importância deste setor para o Homem.[18]

A construção civil está associada a um grande consumo de matérias-primas na fase de conceção, a um consumo muitas vezes excessivo de energia e água e a uma produção de resíduos na fase de utilização, isto originado, essencialmente, pela má gestão dos processos em estaleiro e por debilidades dos processos e soluções previstos e especificados na fase de projeto (conceção). Neste contexto, há uma necessidade e preocupação crescentes com a redução destes aspetos, diminuindo os impactes ambientais por eles gerados e tornando, naturalmente, as realizações mais sustentáveis.[19]

No entanto, um empreendimento para ser considerado como “sustentável” não pode apenas ter em conta a parte ambiental, mas sim, as 3 dimensões fundamentais do desenvolvimento sustentável – ambiente, economia e sociedade. Genericamente, construção sustentável é idealizada como a réplica da indústria da construção para alcançar os objetivos do desenvolvimento sustentável. [20]

3.3 SURGIMENTO DA CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

Embora seja uma questão central da atualidade, o conceito de construção sustentável não é de agora, surgiu á cerca de 20 anos atras, tendo sido apresentado na Primeira Conferencia Internacional sobre a Construção Sustentável pelo Prof. Charles Kibert.

Esta é a definição mais consensual do conceito e que serviu de base para outras definições posteriores. Nesta ideologia, e estabelecendo que os materiais, energia, água e solo eram os recursos mais

relevantes na prática da indústria construtiva, Charles Kibert instituiu 7 princípios, que se fossem seguidos pelos decisores na fase de conceção e tendo em conta cada uma das fases do ciclo de vida dos edifícios, encaminhavam para o considerado edifícios sustentáveis. Estes princípios, presentes na Figura 3.2, aplicam-se assim desde o projeto preliminar até à disposição final dos materiais para o meio ambiente (demolição), pois todas as fases do ciclo de vida de um edifício são importantes para a sua sustentabilidade.

Construção Sustentável é definida como “a criação e manutenção responsáveis de um ambiente construído saudável, baseado na utilização eficiente de recursos e em princípios ecológicos”.

(41)

Mais recentemente, uma equipa de trabalho denominada CRISP (Construction and city related sustainable indicators), estabeleceu uma definição para “construção sustentável” que foi adotada pela norma ISO TS 21929-1 e está expressa na Figura 3.3.

Esta definição vem assim contra a ideologia de que a construção sustentável é apenas a minoração dos impactes ambientais provocados pelas edificações, e defende que, para além da vertente ambiental, a qualidade e conforto da população global é algo relevante e a ter conta. [20]

OCDE–CONSTRUÇÃO SUSTENTÁVEL

Em 1998, o ministro Japonês do ambiente solicitou o desenvolvimento um projeto denominado “Sustainable Building” à Organização Cooperação e Desenvolvimento Económico com o objetivo de providenciar orientações para a definição de políticas de redução dos impactes ambientais da construção, mais especificamente dos edifícios.

De tal estudo surgiram várias propostas e documentos, contendo reflexões e pensamentos das políticas para a sustentabilidade do edificado, barreiras e possíveis melhorias. Na sequência das barreiras

“Com a construção sustentável pretende-se que os produtos da indústria da construção satisfaçam os necessários requisitos funcionais com o menor impacte ambiental possível, enquanto promovem melhorias a nível económico, social e cultural à escala local, regional e global”

Figura 3.2 - Princípios de Kibert para a Construção Sustentável [21]

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