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O papel do profissional de desporto e educação física nos programas de reabilitação cardíaca : sondagem de opinião junto de médicos cardiologistas e médicos de família

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Academic year: 2021

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(1)Uni. U n iv e rs id a d e d o P o rto. F a c u ld a d e d e C iê n c ia s d o D e p o rto e d e E d u c a ç ã o F ís ic a. O Papel do Profissional de D esport o e E du c aç ã o F í sic a nos Prog ram as de R eab ilit aç ã o C ardí ac a. S o n d a g e m d e o p in iã o ju n to d e M é d ic o s C a r d io lo g is ta s e M é d ic o s d e F a m ília. R ita Is a b e l M o ru jã o C a n o s s a D ia s D ezem b ro 2 0 0 5.

(2) U n iv e rs id a d e d o P o rto F a c u ld a d e d e C iê n c ia s d o D e p o rto e d e E d u c a ç ã o F ís ic a. O Papel do Profissional de D esport o e E du c aç ã o F í sic a nos Prog ram as de R eab ilit aç ã o C ardí ac a. S o n d a g e m d e o p in iã o ju n to d e M é d ic o s C a r d io lo g is ta s e M é d ic o s d e F a m ília. Orientador: Dr. José Alberto Silva C o – orientadora: Dou tora M aria Adí lia Silva R ita I sabel M oru j ã o C anossa Dias Dez em bro 2 0 0 5. Dissertação de Lic en c iatu ra, real iz ada n o â m b ito da disc ip l in a de S em in á rio, n a op ção de Dep orto de Reedu c ação e Reab il itação do c u rso de Desp orto e E du c ação F í sic a da F ac u l dade de C iê n c ias do Desp orto e de E du c ação F í sic a da U n iv ersidade P orto.

(3) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. A todos aqueles que, ao longo destes 5 anos: S em p r e esti v er am na m i nh a v i da, E ntr ar am na m i nh a v i da e nunc a m ai s saí r am , S aí r am da m i nh a v i da p or que esc olh em os c am i nh os di f er entes. F or am c i nc o anos i nesquec í v ei s e tudo p or que a v i da qui s que nos enc ontr á ssem os!. II.

(4) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. Agradecimentos “ S e ja m. q u a is fo r e m. o s f in s a q u e c h e g u e s,. h o u v e se m p r e a lg u é m. q u e t e a ju d o u ! ” A r t h e a G ib b o n. O. p r e s e n t e t r a b a lh o ja m a is s e r ia p o s s í v e l s e m. a a ju d a , d is p o n ib ilid a d e e p a c iê n c ia d e. m u i t a s p e s s o a s . N a s l i n h a s q u e s e s e g u e m p r e s t o -l h e s h o m e n a g e m e m e u a g r a d e c i m e n t o .. C o m e ç a r ia p o r a g r a d e c e r a to d o s o s c o n s titu in te s d a a m o s tr a , p e la s u a d is p o n ib ilid a d e e. p a c iê n c ia n a p a r t ic ip a ç ã o d e s t e e s t u d o , p o is s e m. e le s o p r e s e n t e t r a b a lh o n u n c a p o d e r ia s e r. r e a liz a d o . A s s im , a g r a d e ç o a o s m é d ic o s c a r d io lo g is t a s d o C e n t r o H o s p it a la r d e V ila N o v a d e. Ga i a , d o H o s p i t a l P e d r o – H i s p a n o , d o H o s p i t a l S ã o S e b a s t i ã o e d o H o s p i t a l d e S a n t o A n t ó n i o . A g r a d e ç o ta m b é m a o s m é d ic o s d e fa m ília d o c e n tr o d e s a ú d e d e S a n ta M a r ia d a F e ir a . U m. a g r a d e c im e n t o e s p e c ia l a o s m é d ic o s c a r d io lo g is t a s D r . ª M a d a le n a T e ix e ir a , D r .. S e v e r o T o r r e s , D r . F i l i p e M a c e d o , D r . Go n ç a l o e D r . ª F i l o m e n a , p o r t e r e m. d is t r ib u í d o o s. in q u é r ito s p e lo s s e u s c o le g a s d e tr a b a lh o e p o r to d a a d is p o n ib ilid a d e e p r o fis s io n a lis m o s a p re s e n ta d o s .. U m m u ito , m u ito o b r ig a d o a o D r . L u ís M a r tin s p o r to d o o te m p o d is p o n ib iliz a d o e p o r to d a a. p a c iê n c ia , o p in iã o s in c e r a , m a te r ia l, c o n s e lh o s e e s c la r e c im e n to s fo r n e c id o s a o lo n g o d a r e a liz a ç ã o d e s te tr a b a lh o .. A g r a d e ç o ta m b é m à D r .ª M a r ia J o s é M e n e r e s p e lo m a te r ia l c e d id o .. A o Ga b i n e t e d e Ed u c a ç ã o Es p e c i a l e d e R e a b i l i t a ç ã o t a m b é m e n v i o u m g r a n d e o b r i g a d o. p o r to d o s o s e s c la r e c im e n to s e p a c iê n c ia a p r e s e n ta d o s .. A o m e u o r ie n ta d o r D r . J o s é A lb e r to S ilv a , a g r a d e ç o p o r to d a a p a c iê n c ia , d is p o n ib ilid a d e ,. c o n s e lh o s e a ju d a a o lo n g o d a r e a liz a ç ã o d e s te tr a b a lh o . P a r a a M a fa ld a P e r e ir a e V ir g ín ia P in h e ir o , u m. m u ito o b r ig a d o , p o r to d a a a ju d a n a. p e s q u is a d e s t e t r a b a lh o e p o r t o d a a f o r ç a d a d a ( a o lo n g o d e s t e s c in c o a n o s ) n o s m o m e n t o s d e m a i o r c a n s a ç o e d e s m o t i v a ç ã o . P a r a m i m f o i u m a h o n r a t e r -v o s c o n h e c i d o !. D e to d o s o s a g r a d e c im e n to s g o s ta r ia d e r e a lç a r u m m u ito e s p e c ia l a o m e u p a i, p o r to d a a. a j u d a ( e q u e e n o r m e a j u d a !) , t o d o o a p o i o , t o d a a f o r ç a e m o t i v a ç ã o t r a n s m i t i d a s a o l o n g o d a r e a liz a ç ã o d e s te tr a b a lh o . S e m a s u a a ju d a e s te tr a b a lh o n ã o s e r ia , d e fa c to , p o s s ív e l.. III.

(5) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. A t o d a à m in h a f a m í lia e a m ig o s t a m b é m d e ix o u m g r a n d e o b r ig a d o p o r e s t a r e m s e m p r e. p o r p e r t o e p o r a c r e d it a r e m , m e s m o q u a n d o e u p r ó p r ia n ã o a c r e d it o . S e m d ú v id a q u e s o u u m a p e s s o a m e lh o r p o r q u e v o s te n h o n a m in h a v id a !. IV.

(6) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. Ín d ic e : Pa g .. 1. I n t r o d u ç ã o. 1. 2 . R e v is ã o d a L ite r a tu r a. 4 2.1. R e a b i l i t a ç ã o C a r d í a c a : D e f i n i ç ã o e H i s t ó r i a. 4. 2.2. Os Ob j e c t i v o s d e u m P r o g r a m a d e R e a b i l i t a ç ã o C a r d í a c a. 7. 2.3 . E s t r u t u r a d e u m P r o g r a m a d e R e a b i l i t a ç ã o C a r d í a c a. 8. 2.4 . P o p u l a ç ã o e l e g í v e l p a r a i n t e g r a r o s p r o g r a m a s d e r e a b i l i t a ç ã o c a r d í a c a. 12. 2.5 . B e n e f í c i o s d a p r á t i c a d e a c t i v i d a d e f í s i c a n o s p r o g r a m a s d e r e a b i l i t a ç ã o c a r d í a c a 2.6 . C u s t o – e f i c á c i a d a R e a b i l i t a ç ã o C a r d í a c a 2.7. A R e a b ilit a ç ã o C a r d í a c a n o M u n d o. 2 0 2 3. 2.9 . U m a e q u i p a m u l t i d i s c i p l i n a r. 2 5. 2.10 . B a r r e i r a s à a d e s ã o e p a r t i c i p a ç ã o n o s p r o g r a m a s d e r e a b i l i t a ç ã o c a r d í a c a. 2 9. R e h a b ilit a t io n ”. 2.12 A i m p o r t â n c i a d a s u p e r v i s ã o n o s P r o g r a m a s d e A c t i v i d a d e F í s i c a e m R e a b ilit a ç ã o C a r d í a c a. 2.13 . Q u e m d e v e s u p e r v i s i o n a r a s s e s s õ e s d e e x e r c í c i o n u m p r o g r a m a d e. r e a b ilita ç ã o c a r d ía c a ?. 2.14 . O p e s s o a l m é d i c o e o s h á b i t o s d e a c t i v i d a d e f í s i c a 3 .1. Ob j e c t i v o s G e r a i s. 3 2 3 5 3 8 3 9. 41 41. 3 .2. Ob j e c t i v o s E s p e c í f i c o s. 42. 3 .3 . H i p ó t e s e s. 4. M a t e r i a l e m é t o d o s. 19. 2.8 . A R e a b i l i t a ç ã o C a r d í a c a e m P o r t u g a l. 2.11. A r e a b i l i t a ç ã o c a r d í a c a e m a m b i e n t e e x t r a – h o s p i t a l a r : “ H o m e – B a s e d C a r d i a c. 3 . O b je c tiv o s e H ip ó te s e s. 15. 4 .1. D e s c r i ç ã o e C a r a c t e r i z a ç ã o d a A m o s t r a. 43. 4 .2 T é c n i c a s e m é t o d o s. 44. 4 .3 P r o c e d i m e n t o s E s t a t í s t i c o s .. 5 2. V.

(7) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. 5 . A p r e s e n ta ç ã o e d is c u s s ã o d o s r e s u lta d o s. Ob j e c t i v o n º 1 : S a b e r s e a d e f i n i ç ã o q u e o s M é d i c o s. C a r d io lo g is t a s e M é d ic o s d e F a m ília t ê m d o c o n c e it o. “ R e a b i l i t a ç ã o C a r d í a c a ” é i g u a l a o p r o p o s t o p e l a OM S .. 5 3. Ob j e c t i v o n º 2 : A v e r i g u a r q u a l a o p i n i ã o d o s M é d i c o s. C a r d io lo g is ta s e M é d ic o s d e F a m ília r e la tiv a m e n te a o s. p r o g r a m a s d e a c tiv id a d e f í s ic a c o m o t e r a p ê u t ic a d e R e a b ilit a ç ã o. C a rd ía c a .. 6 5. Ob j e c t i v o n º 3 : P e r c e b e r s e o P r o f i s s i o n a l d e D e s p o r t o e. E d u c a ç ã o F í s ic a t e m lu g a r n a e q u ip a d e R e a b ilit a ç ã o C a r d í a c a. e , s e s im , e m q u e fa s e s d o p r o g r a m a .. 6 9. Ob j e c t i v o n º 4 : P e r c e b e r q u a l o g r a u d e c o n h e c i m e n t o d o s. M é d ic o s C a r d io lo g is t a s e M é d ic o s d e F a m í lia r e la t iv a m e n t e à. e la b o r a ç ã o d e p r o g r a m a s d e a c tiv id a d e fís ic a , p a r a p a c ie n te s c o m d o e n ç a s c a r d io v a s c u la r e s .. 74. Ob j e c t i v o n º 5 : S a b e r s e o s c a r d i o l o g i s t a / m é d i c o s d a f a m í l i a. c o n fia m n o s P r o fis s io n a is d e D e s p o r to e E d u c a ç ã o F ís ic a , p a r a. o r ie n ta ç ã o d e u m p r o g r a m a d e e x e r c íc io n a p o p u la ç ã o c o m. d o e n ç a c a r d io v a s c u la r .. 81. Ob j e c t i v o n º 6 S a b e r a t é q u e p o n t o o s m é d i c o s d e f a m í l i a e c a r d io lo g is t a s a d e r e m à id e ia d a R e a b ilit a ç ã o C a r d í a c a. D o m ic iliá r ia , s e n d o a s s e s s õ e s d e e x e r c íc io fís ic o m in is tr a d a s. p o r p r o fis s io n a is d e e d u c a ç ã o fís ic a .. 5 .1 Op r o fis s io n a l d e d e s p o r to e e d u c a ç ã o fís ic a n a e q u ip a d e. 6 . C o n c lu s õ e s. r e a b ilita ç ã o c a r d ía c a ( a n o s s a o p in iã o … ). 7. S u g e s t õ e s. 86. 9 8 10 0 10 2. 8. B i b l i o g r a f i a. 10 3. A n e x o s. 10 6. VI.

(8) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. Resumo A p r á t ic a d e a c t iv id a d e f í s ic a , e n q u a n t o t e r a p ê u t ic a r e a b ilit a t iv a d o p a c ie n t e c a r d í a c o , t e m. s id o a lv o d e u m g r a n d e in t e r e s s e p o r p a r t e d o s in v e s t ig a d o r e s e e s p e c ia lis t a s , s e n d o g r a n d e o. n ú m e r o d e e s t u d o s q u e c o m p r o v a m o s e n o r m e s b e n e fí c io s a d v in d o s d a a d o p ç ã o d e e s t ilo s d e. v id a m a is a c t iv o s , a u m e n t a n d o a s s im a q u a lid a d e d e v id a d o s p a c ie n t e s e d im in u in d o o s í n d ic e s d e m o r ta lid a d e e m o r b ilid a d e .. M u ito e m b o r a s e ja v a s ta a lite r a tu r a q u e fa la d a im p o r tâ n c ia d a p r á tic a d e a c tiv id a d e fís ic a. n a r e a b ilita ç ã o c a r d ía c a , p o u c o s s ã o o s a u to r e s q u e s e d e b r u ç a m n o p r o fis s io n a l d e d e s p o r to e d e e d u c a ç ã o fís ic a e n q u a n to a g e n te e s p e c ia lis ta e r e s p o n s á v e l p o r e s s a p r á tic a .. S e b e m q u e te o r ic a m e n te s e r e c o n h e c e u m lu g a r a o p r o fis s io n a l d o d e s p o r to e e d u c a ç ã o. fís ic a n a s e q u ip a s d e r e a b ilita ç ã o o m e s m o n ã o a c o n te c e n a p r á tic a . E x e m p lo d is s o é o n o s s o. p r ó p r i o p a í s o n d e e m 19 9 9 , d o s 7 c e n t r o s d e r e a b i l i t a ç ã o c a r d í a c a e x i s t e n t e s , s e c o n s t a t a q u e e m a p e n a s n u m d o s c e n tr o s e n c o n tr a m o s u m p r o fe s s o r d e E d u c a ç ã o F ís ic a .. Pe r a n t e a s i t u a ç ã o d e l i n e a d a n a s c e u o p r e s e n t e e s t u d o , q u e c o n s i s t e n u m a s o n d a g e m d e. o p in iã o e te m p a p e l. e. u m a. c o m o o b j e c t i v o s a b e r s e o Pr o f i s s i o n a l d e D e s p o r t o e E d u c a ç ã o F í s i c a t e m fu n ç ã o. a. d e s e m p e n h a r. n o s. p ro g ra m a s. d e. r e a b ilita ç ã o. c a rd ía c a. c o n s e q u e n te m e n te , d e v e in te g r a r a s e q u ip a s r e s p o n s á v e is p o r e s te tip o d e p r o g r a m a s .. u m. e ,. Pa r a a l c a n ç a r o b j e c t i v o d o e s t u d o f o i a p l i c a d o u m q u e s t i o n á r i o d e q u e s t õ e s f e c h a d a s a 19. m é d i c o s c a r d i o l o g i s t a s d e v á r i o s h o s p i t a i s ( H o s p i t a l S ã o S e b a s t i ã o , H o s p i t a l Pe d r o h i s p a n o , H o s p it a l d e S a n t o A n t ó n io e C e n t r o H o s p it a la r d e V ila N o v a d e G a ia ) e a 2 7 m é d ic o s d e f a m í lia. d o c e n t r o d e s a ú d e d e S a n t a M a r ia d a F e ir a , e s p e c ia lis t a s e s t e s r e s p o n s á v e is p e la s u p e r v is ã o. d o s p r o g r a m a s d e r e a b ilita ç ã o c a r d ía c a e p e lo a c o m p a n h a m e n to d o s p a c ie n te s c a r d ía c o s e , p o r is s o o s m a io r e s e s p e c ia lis t a s n o t e m a .. D a a n á lis e d o s d a d o s e f e c t u a d a , c o n s t a t a m o s q u e a s o p in iõ e s d e m é d ic o s d e f a m í lia e. m é d ic o s. c a r d io lo g is ta s. s ã o. m u ito. s e m e lh a n te s. p r o fis s io n a is d e d e s p o r to e e d u c a ç ã o fís ic a p o d e m. e. q u e. a p e sa r d e. re c o n h e c e re m. q u e. o s. te r u m a fu n ç ã o n a r e a b ilita ç ã o d o p a c ie n te. c a r d ía c o ( n o m e a d a m e n te n a s fa s e s III e IV ) n ã o c o n s id e r a m. q u e o p r o fis s io n a l d e d e s p o r to e. e d u c a ç ã o f í s ic a s e ja u m e s p e c ia lis t a d e g r a n d e im p o r t â n c ia , n ã o s e n d o p o r is s o in d is p e n s á v e l a s u a in te g r a ç ã o n a s e q u ip a s d e r e a b ilita ç ã o c a r d ía c a s .. Pa l a v r a s -c h a v e : Pr o g r a m a s d e r e a b i l i t a ç ã o c a r d í a c a , a c t i v i d a d e f í s i c a t e r a p ê u t i c a , e q u i p a. d e r e a b ilita ç ã o c a r d ía c a , p r o fis s io n a l d e d e s p o r to e e d u c a ç ã o fís ic a , s o n d a g e m d e o p in iã o . VI I.

(9) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. 1 . In trod u çã o. Há muitos anos atrás, a possibilidade de um profissional de educação física e desporto. trabalh ar em conj unto com mé dicos, enfermeiras e terapeutas seria inimag ináv el. “ Q ue percebe aq uela g ente da g inástica de saú de? ! ” .. N o entanto, o passar dos anos; a ex tensão dos campos de actuação do desporto e a era. das doenças “ h ipociné ticas” , resultantes de um estilo de v ida cada v ez mais sedentário e com ex cessos alimentares, tornou o desporto e a activ idade física como uma das maiores armas de prev enção e manutenção da saú de.. P ara B ento ( 1 9 9 9 ) ao desporto como sinó nimo de rendimento, masculinidade, força,. j uv entude, sobrepõ em-se um nov o olh ar q ue config ura o desporto como uma pluralidade de. práticas e de praticantes, “ obj ecto de instrumentaliz ação para um larg o espectro de funçõ es e finalidades muito distintas e até , não raras v ez es contraditó rias” ( B ento 1 9 9 9 , pp. 5 2 ) .. D entro do larg o espectro das motiv açõ es para o desporto encontra-se a relação entre. DESPORTO. E. SA. Ú D E.. E mbora j á sendo antig a, a relação desporto/ saú de conh ece, h oj e, uma. notó ria subida de cotação j unto da opinião pú blica ( B ento 1 9 9 9 ) , sendo g rande a ex pectativ a q ue presentemente se tem sobre os benefícios terapê uticos e de manutenção da saú de adv indos de uma prática desportiv a responsáv el.. P resentemente são v ários os autores q ue alarg am esta relação entre D esporto e Saú de,. v endo o mesmo não só como um ex celente meio de prev enção primária, mas també m como um ex celente meio de reabilitação e prev enção secundária de inú meras doenças, nomeadamente as doenças cardiov asculares.. N as ú ltimas dé cadas, o ex ercício assumiu um papel importante na prev enção primária e. secundária das doenças cardiov asculares ( P inh o, 2 0 0 5 ) .. U m nov o campo de interv enção emerg e, no entanto, muito embora sej a v asta a literatura. q ue fala da importâ ncia da prática de activ idade física na reabilitação cardíaca, poucos são os autores q ue se debruçam no profissional de desporto e de educação física enq uanto ag ente. especialista e responsáv el por essa prática. T eremos de facto ( os profissionais de D esporto e de E ducação F ísica) um papel a desempenh ar nos prog ramas de R eabilitação C ardíaca?. M oreira ( 1 9 9 8 ) diz -nos, q ue sendo a doença cardíaca de naturez a multifactorial, faz todo o. sentido q ue o seu tratamento sej a multidisciplinar, pelo q ue esta interv enção terapê utica só pode ser posta em prática atrav é s de uma eq uipa pluridisciplinar competente e tecnicamente h abilitada para ocorrer à s necessidade deste tipo de doentes. -1 -. Introdução.

(10) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. B alady e col ( 2 0 0 3 ) , assim como B eth ell e T urner ( 1 9 9 6 ) , afirmam q ue a superv isão dos. prog ramas de reabilitação dev e estar a carg o de todos os especialistas cuj a sua área de. interv enção está incluída como terapê utica, constituindo-se uma eq uipa multidisciplinar onde. seus elementos possuem funçõ es complementares de forma a conseg uir retirar dos prog ramas o máx imo de benefícios e o mínimo de riscos.. E m nossa opinião, sendo o profissional de desporto e educação física, o especialista da. activ idade física e mov imento, faz todo o sentido q ue o mesmo integ re as eq uipas de reabilitação cardíaca, tendo uma função muito importante a desempenh ar.. N o entanto, a realidade diz -nos q ue as coisas não são bem assim e q ue se teoricamente. se reconh ece um lug ar ao profissional do desporto e educação física nas eq uipas de reabilitação. o mesmo não acontece na prática. E x emplo disso é o nosso pró prio pais onde em 1 9 9 9 , num estudo de M endes aos 7 centros de reabilitação cardíaca ex istentes, se constata q ue em 6 deles. as sessõ es de ex ercício eram ministradas por fisioterapeutas e em apenas num dos centros encontramos um professor de E ducação F ísica.. F ace a esta situação surg e a nossa perg unta de partida: “ D ev erá o profissional de. desporto e educação física integ rar as eq uipas de reabilitação? T erá o profissional de desporto e. educação física um papel importante na monitoriz ação das sessõ es de activ idade física nos prog ramas de reabilitação cardíaca?. C onsideramos q ue as pessoas q ue melh or poderiam responder a esta perg unta seriam as. responsáv eis pelos prog ramas de reabilitação cardíaca bem como pelo acompanh amento dos. doentes cardíacos, pois q uem melh or q ue um especialista para dar opinião e falar sobre o. assunto? D aí a nossa amostra ser constituída por mé dicos cardiolog istas ( mé dicos responsáv eis. por toda a superv isão dos prog ramas de reabilitação cardíaca) e mé dicos de família ( mé dicos q ue acompanh am os pacientes apó s a alta – h ospitalar e ao long o de toda a v ida do pacientes, bem como superv isores dos prog ramas de reabilitação em ambiente ex tra – h ospitalar) . O. presente estudo consiste, então, numa sondag em de opinião j unto de mé dicos. cardiolog istas e mé dicos de família relativ amente ao papel do profissional de desporto e educação física nas eq uipas de reabilitação cardíaca.. O obj ectiv o principal deste estudo é : saber, seg undo a opinião dos M é dicos de F amília e. M é dicos C ardiolog istas da amostra, se o P rofissional de D esporto e E ducação F ísica tem um. papel e uma função a desempenh ar nos prog ramas de reabilitação cardíaca e,. conseq uentemente, dev e integ rar as eq uipas responsáv eis por este tipo de prog ramas.. -2 -. Introdução.

(11) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. P ara alcançar obj ectiv o do estudo foi aplicado um q uestionário de q uestõ es fech adas a 1 9. mé dicos cardiolog istas de v ários h ospitais com serv iço de cardiolog ia ( Hospital São Sebastião, Hospital P edro h ispano, Hospital de Santo A ntó nio e C entro Hospitalar de V ila N ov a de G aia) e a 2 7 mé dicos de família do centro de saú de de Santa M aria da F eira.. A pó s uma rev isão da literatura onde tentamos conh ecer e dar a conh ecer o estado da arte. acerca do tema j á referido foram analisados os resultados atrav é s da estatística descritiv a e inferencial.. -3 -. Introdução.

(12) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. 2. R e v i s ã o d a L i t e r a t u r a 2.1 . A Reab il itaç ão C ardí ac a: D ef in iç ão e H istó ria. D ef inida, pela W orld H ealth O rg anization (W H O ) como “a soma de activ idades necessá rias. para g arantir aos pacientes cardíacos as melh ores condiç õ es f ísicas, mentais e sociais possív eis para q u e eles possam, pelos seu s pró prios esf orç os, recu perar u ma posiç ã o normal na. comu nidade e lev ar u ma v ida activ a e produ tiv a” (B eth ell e T u rner, 1 996 ; M oraes e col, 20 0 1 ;. pag . 1 7 3 ; M oraes e col, 20 0 5 ; P inh o, 20 0 5 ), a reab ilitaç ã o cardíaca (R C) apesar de v er reconh ecidos os seu s b enef ícios pela literatu ra, é u ma interv enç ã o terapê u tica relativ amente recente.. S eg u ndo M ital e M ital (20 0 2) e R ib eiro (20 0 1 ); os primeiros passos da reab ilitaç ã o. cardíaca (R C) começ aram nos inícios dos anos 3 0 , mas f oi apenas em 1 95 1 q u e L ev ine e L ow n. apresentaram u m prog rama de R C q u e inclu ía a mob ilizaç ã o do doente, no q u al o mesmo. poderia estar sentado du rante du as h oras por dia, sendo q u alq u er ou tro tipo de esf orç o proib ido. (M ital e M ital, 20 0 2; Á lv aro, 1 999; R ib eiro, 20 0 1 ; D oming u es, 20 0 1 ).. D a mesma opiniã o é B eth ell (1 999) ao af irmar q u e entre 1 94 0 e 1 95 0 os malef ícios de u m. repou so prolong ado começ aram a ser reconh ecidos, tendo a primeira proposta de mob ilizaç ã o do doente cardíaco partido de L ev ine e L ow n (em 1 97 2) com o seu “tratamento da cadeira” (“A rmch air treatment”).. L entamente, rompia-se com o tradicional prog rama de recu peraç ã o dos doentes. cardíacos, q u e consistia em 6 – 8 semanas de imob ilizaç ã o total (“até u ma activ idade f ísica mínima como tomar b anh o, v estir-se e au to alimentar-se era sev eramente restring ida”: in Á lv aro, 1 999, pag .3 1 e D oming u es, 20 0 1 , pag . 9). E q u e mais tarde, como j á f oi ref erido, se v eio a. conf irmar ser u ma terapê u tica com conseq u ê ncias deletérias para o f u ncionamento f isioló g ico. (capacidade cardiorespirató ria, v olu me sang u íneo, nú mero de h emá cias, b alanç o proteico, nív eis. de f orç a e de f lex ib ilidade mu ito diminu ídos) b em como au mentav a os riscos de tromb oemb olismo e h ipotensã o ortostá tica (B eth ell, 1 999 e Á lv aro, 1 999).. T estemu nh o conv erg ente nos dá M oreira (1 998 ) e M oraes e col (20 0 5 ) ao af irmar q u e h á 4. décadas atrá s os pacientes q u e sof riam de enf arte de miocá rdio apresentav am u ma g rande. perda da capacidade f u ncional, encontrando-se, por ocasiã o da alta h ospitalar, sem condiç õ es para retornar à s su as activ idades f amiliares, sociais e prof issionais. P ara isso, mu ito contrib u ía o. -4 -. Revisão da Literatura.

(13) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. tratamento daq u ela época q u e consistia nu m repou so ab solu to até aos 6 0 dias apó s o ev ento ag u do.. N as décadas q u e se seg u iram mu itos estu dos acerca desta prob lemá tica f oram. ef ectu ados e pau latinamente o ex ercício aeró b io começ a a dominar a reab ilitaç ã o cardíaca (M ital e M ital, 20 0 2). A ssim, e seg u ndo M oreira (1 998 ) entre 1 97 0 e 1 98 0 f oram realizados mu itos. estu dos sob re tratamentos de doentes cardíacos, b aseados em ex ercício f ísico, q u e permitiram. v erif icar q u e a activ idade f ísica nã o era nociv a, mas ef icaz na reab ilitaç ã o do paciente, trazendo a este mu itos b enef ícios.. B eth ell (1 999) ch ama-nos atenç ã o para alg u mas datas importantes, ao long o desta. b atalh a trav ada em nome da reab ilitaç ã o cardíaca.. Em 1 95 7 , H ellerstein e F ord propõ em u ma def iniç ã o de reab ilitaç ã o cardíaca mu ito. pró x ima à. actu almente aceite pela W H O , q u e inclu ía ideias importantes como a. mu ltidisciplinaridade deste tipo de prog ramas e o ob j ectiv o de proporcionar ao doente a oportu nidade de v oltar ao mu ndo do trab alh o.. Em 1 96 8 , H ellerstein descrev e u m prog rama de activ idade f ísica especialmente elab orado. para v itimas de doenç a coroná ria q u e, seg u ndo B eth ell (1 999), f oi u m dos pontos de v irag em mais importantes nesta h istó ria e q u e lev ou a q u e mu itos prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca posteriores tiv essem o ex ercício f ísico como a su a peç a central.. P or seu lado, M ota (1 995 , citado por M oreira, 1 998 ) af irma q u e o ex ercício f ísico, enq u anto. terapê u tica da doenç a coroná ria, nã o é u ma descob erta recente, tendo j á em 1 7 7 2 o médico. H erb erden, nos seu s “Comentaries on th e H istory and Cu re of D isease”, prescrito u m prog rama. de ex ercícios para esta popu laç ã o, apó s ter notado q u e u m dos seu s doentes estav a praticamente cu rado, depois de passar 6 meses a serrar madeira, du rante meia – h ora por dia.. P ara P inh o (20 0 5 ) os primeiros prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca b aseados em ex ercício. f ísico, su rg em em 1 96 0 , tendo sido especialmente criados para os indiv ídu os com síndrome coroná rio ag u do, sem complicaç õ es e aplicado mu ito tempo apó s o ev ento.. A ev olu ç ã o da reab ilitaç ã o cardíaca, ao long o do tempo, tamb ém é v isív el na literatu ra da. especialidade. F erreira e M artins (s/ d) dã o o ex emplo do liv ro “H eart D isease” de Eu g ene. B rau nw ald q u e, na su a primeira ediç ã o em 1 98 0 , atrib u ía à reab ilitaç ã o cardíaca u ma ú nica. pá g ina e q u e na su a 6 ª ediç ã o (pu b licada em 20 0 1 ) j á aparece com u m capitu lo inteiro de 1 2 pá g inas dedicado a esta prob lemá tica.. -5 -. Revisão da Literatura.

(14) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. D esde 1 97 0 (B eth ell, 1 999; Á lv aro, 1 999 e M ital e M ital, 20 0 2) q u e o nú mero de. prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca no mu ndo tem au mentado de f orma sig nif icativ a, b em como. o nú mero de prog ramas q u e inclu em a activ idade f ísica e tentam trab alh ar v á rios aspectos da v ida do doente (perspectiv a mu ltidisciplinar).. Vemos, assim, q u e ao long o do tempo, a noç ã o de reab ilitaç ã o cardíaca se v ai alterando,. e onde ontem tính amos o repou so ab solu to, no ag ora temos o realce na importâ ncia da. activ idade f ísica e lentamente v amos caminh ando para a noç ã o de reab ilitaç ã o cardíaca como u m prog rama amplo e mu ltidisciplinar q u e inclu i, nã o só. u m prog rama de ex ercício. su perv isionado, mas tamb ém a edu caç ã o e o aconselh amento para modif icaç ã o dos f actores de risco (P inh o, 20 0 5 ).. P ara P inh o (20 0 5 ), presentemente sã o q u atro os componentes essenciais na reab ilitaç ã o. cardíaca: a edu caç ã o, o aconselh amento, a alteraç ã o de comportamentos e o ex ercício f ísico. M oreira (1 998 ) concorda com P inh o ao af irmar q u e u m prog rama de reab ilitaç ã o cardíaca. comporta du as á reas f u ndamentais: a condiç ã o f ísica e edu cacional, sendo q u e nesta ú ltima se inclu em a diminu iç ã o dos f actores de risco e a modif icaç ã o de h á b itos de v ida.. R ealç ando esta ideia da mu ltidisciplinaridade deste tipo de prog ramas, D aly e col (20 0 2). af irmam q u e os prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca nã o se concentram apenas na melh oria da. capacidade f ísica e f u ncional dos indiv ídu os, ela tamb ém promov e a edu caç ã o do paciente e ses. f amiliares. D aí q u e a eq u ipa destes prog ramas sej a mu ltidisciplinar, com o intu ito de of erecer sessõ es de activ idade f ísica, edu caç ã o e aconselh amento, de toda a f amília, acerca dos f actores de risco, mu danç as de h á b itos de v ida, e f ormas de aceitar e aprender a lidar com a doenç a.. M oraes e col (20 0 5 ) tamb ém sã o da mesma opiniã o, q u ando nos dizem q u e além de dar. ê nf ase à prá tica de activ idade f ísica, os prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca tamb ém env olv em ou tras acç õ es desenv olv idas por prof issionais das á reas de enf ermag em, nu triç ã o, assistê ncia. social e psicolog ia, v isando modif icar ou tros aspectos q u e contrib u em para a diminu iç ã o do risco cardíaco de f orma g lob al.. B rammel (1 992, citado por M oreira, 1 998 ), ref orç a esta ideia, dizendo q u e a reab ilitaç ã o. cardíaca dev e se descrita como u m prog rama v oltado para o b em-estar f ísico, emocional e. social, j á q u e a meta nã o é apenas tratar e remov er sinais e sintomas de af ecç ã o coroná ria, mas tamb ém aj u dar o paciente a ating ir o mais alto nív el de b em-estar compatív el com a incapacidade ex istente e o prolong amento da v ida com q u alidade.. -6 -. Revisão da Literatura.

(15) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. B eth ell e T u rner (1 996 ) salientam u m ponto da reab ilitaç ã o cardíaca, q u e tem sido. b astante v alorizado nos ú ltimos tempos, é o env olv imento neste tipo de prog ramas nã o só do. paciente mas tamb ém de toda a su a f amília mais pró x ima, ab rang endo assim os b enef ícios deste terapê u tica a u m nú mero mais alarg ado de pessoas (B eth ell e T u rner, 1 996 ).. Vemos assim q u e, h oj e, a reab ilitaç ã o cardíaca é u ma interv enç ã o terapê u tica. mu ltidisciplinar, q u e nã o só compreende o acompanh amento/ v ig ilâ ncia médica, mas q u e tamb ém. pressu põ e u m apoio psicoterapê u tico, o ensino dietético e prog ramas de ex ercícios f ísico (F erreira e M artins s/ d).. 2.2 O s O b j ec tivos D e U m Prog ram a de Reab il itaç ão C ardí ac a. O s ob j ectiv os g erais de u m prog rama de R eab ilitaç ã o Cardíaca sã o f acilmente. depreendidos, se prestarmos u m pou co de atenç ã o à su a def iniç ã o.. F erreira e M artins (s/ d), af irmam q u e nos prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca é ef ectu ado. u m trab alh o q u e tem em v ista as seg u intes metas: o restab elecimento da condiç ã o f ísica e. psíq u ica do doente; a reinserç ã o f amiliar, social e pessoal do doente; a alteraç ã o de h á b itos de v ida e controlo dos f actores de risco.. B eth ell e T u rner (1 996 ) v ã o ao encontro de F erreira e M artins, mas alertam q u e u m dos. ob j ectiv os da reab ilitaç ã o cardíaca é, tamb ém, o de dar tempo e atenç ã o ao doente, de f orma a permitir q u e este se adapte ao f acto de ter u ma doenç a cró nica.. T h ompson (20 0 2), tamb ém repete os au tores j á ref eridos, ao af irmar q u e q u alq u er. prog rama de reab ilitaç ã o cardíaca tem trê s ob j ectiv os principais: manter e melh orar a. capacidade f u ncional do doente; melh orar a q u alidade de v ida do doente; prev enir ev entos cardíacos recorrentes.. Em A lv es (20 0 4 ) encontramos como o cerne de u m prog rama de reab ilitaç ã o cardíaca a. restau raç ã o da independê ncia f u ncional do paciente, de f orma a permitir q u e este retorne o mais rá pido possív el à v ida activ a. O au mento da q u alidade de v ida e a diminu iç ã o da mortalidade e morb ilidade sã o tamb ém ob j ectiv os, por este au tor, apontados.. P ara D aly e col (20 0 2) as metas a q u e u m prog rama de R C se dev e comprometer ating ir. sã o: melh oria da capacidade f u ncional, diminu iç ã o dos sintomas e au mento da q u alidade de v ida.. S eg u ndo P inh o (20 0 5 ), o incremento da aptidã o f ísica do doente cardíaco é u m dos. ob j ectiv os prioritá rios da reab ilitaç ã o cardíaca.. -7 -. Revisão da Literatura.

(16) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. J á para M oraes e col (20 0 5 ), os prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca f oram desenv olv idos. com o propó sito de trazer os pacientes de v olta à s su as activ idades diá rias h ab itu ais.. R ib eiro (20 0 1 ) apresenta-nos de f orma esq u emá tica, simples e resu mida os principais. ob j ectiv os, encontrados na maioria da literatu ra consu ltada pelo au tor, atrib u ídos a este tipo de prog ramas. A ssim, todos os au tores consu ltados por R ib eiro (20 0 1 ), inclu em como ob j ectiv os da. reab ilitaç ã o cardíaca as seg u intes metas: redu zir os f actores de risco e diminu ir a reincidê ncia de. u m ev ento cardíaco; au mentar a capacidade f u ncional do doente; retorno ao trab alh o e au mento. da au tonomia na realizaç ã o das activ idades diá rias; restau rar a conf ianç a e redu zir a ansiedade e depressã o.. D a leitu ra ef ectu ada, aperceb emo-nos q u e emb ora os termos e conceitos u tilizados. possam ser dif erentes, a maioria dos au tores consu ltados atrib u i à reab ilitaç ã o cardíaca u m conj u nto de ob j ectiv os mu ito semelh antes q u e v ã o ao encontro da redu ç ã o da mortalidade e. morb ilidade e ao au mento da q u alidade de v ida, atrav és da modif icaç ã o dos h á b itos do q u otidiano e do eq u ilíb rio nos v á rios domínios do comportamento h u mano.. 2.3 E strutura D e U m Prog ram a de Reab il itaç ão C ardí ac a. T h ompson (20 0 2) af irma q u e a maioria dos prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca, b aseada. em ex ercício f ísico, tem u ma estru tu ra semelh ante. E, de f acto, desde os inícios dos anos 7 0 q u e os prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca apresentam u ma estru tu ra tetraf aseada (A lv es, 20 0 4 ).. Emb ora mu itos au tores j á coloq u em reticê ncias a este tipo de prog ramas e nos dig am q u e. esta estru tu ra tetraf aseada j á se apresenta u m pou co modif icada e q u e lentamente deix ará de. ex istir, os prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca div ididos em 4 f ases ainda sã o b astante comu ns, principalmente em P ortu g al. D aí q u e tenh amos optado por nos deb ru ç ar u m pou co sob re os mesmos.. A ssim, u m prog rama de reab ilitaç ã o cardíaca tetraf aseada terá início na fase I, tamb ém. denominada de fase h o sp i t al ar (A CS M , 20 0 0 ). Esta consiste no primeiro passo da reab ilitaç ã o. cardíaca e tem início mal o doente estej a está v el e consciente, terminando no dia em q u e o. paciente tem alta h ospitalar, alg o q u e acontece em média 6 a 9 dias apó s u m ev ento ag u do, se b em q u e tu do depende do estado do doente e politicas do h ospital (B eth ell e T u rner 1 996 ).. A ctu almente o H arv ard M edical S ch ool Colleg e (20 0 4 , citado por A lv es, 20 0 4 ) recomenda. q u e o paciente nã o permaneç a acamado para além das 1 2 h oras, apó s a estab ilizaç ã o do doente, o q u e f az com q u e a f ase I se inicie o mais rapidamente possív el.. -8 -. Revisão da Literatura.

(17) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. S eg u ndo v á rios au tores (P ollock , W ilmore e F ox , 1 98 6 ; B eth ell e T u rner 1 996 ; M ital e. M ital, 20 0 2) os ob j ectiv os desta primeira f ase sã o os seg u intes: prev enir alg u mas das complicaç õ es prov enientes de u ma imob ilizaç ã o prolong ada; inf ormar o paciente e a f amília. acerca da doenç a e estadia no h ospital; começ ar av erig u ar os f actores de risco rev ersív eis; dar apoio e encoraj amento à f amília e traç ar u m plano de interv enç ã o a realizar apó s a alta h ospitalar.. N esta f ase, de acordo com A lv es (20 0 4 ), os ex ercícios principais sã o os cu idados de. h ig iene pessoal e ser capaz de andar para realizar essas activ idades. O s pacientes retornam ao repou so sempre q u e se desenv olv erem sintomas.. A caminh ada tamb ém é u m dos ex ercícios mu ito recomendados nesta f ase, tentando-se. q u e o paciente atinj a a capacidade de realizar u ma caminh ada lenta, mas contínu a, du rante 5 a 1 0 minu tos (A lv es, 20 0 4 ).. P inh o (20 0 5 ) diz q u e a f ase I de u m prog rama de R C tem as seg u intes características:. intra – h ospitalar, o trab alh o é indiv idu al, consiste nu ma peq u ena mob ilizaç ã o e edu caç ã o do doente, b em como preparar o paciente para a alta. T em a du raç ã o de menos de 2 semanas.. P ara B eth ell e T u rner (1 996 ) a f ase h ospitalar é u ma altu ra cru cial onde se podem. começ ar a trab alh ar e a preparar o paciente para as f u tu ras mu danç as q u e irã o ocorrer na su a v ida. A ssim, é importantíssimo q u e todo o pessoal tenh a u ma atitu de positiv a de f orma a ev itar os estados ansiosos e depressiv os do doente. É. tamb ém u ma b oa altu ra para f ornecer. inf ormaç õ es, q u e permitam ao paciente perceb er q u e contrariamente ao q u e pensa o ev ento ag u do cardíaco q u e sof reu nã o é o “começ o do f im”.. Esta f ase é u ma ó ptima altu ra para deix ar de f u mar, pois o paciente ainda está mu ito. assu stado com tu do o q u e se passou e como nã o é permitido f u mar nos h ospitais pode ser a altu ra ideal para trab alh ar na cessaç ã o tab á g ica (B eth ell e T u rner, 1 996 ). A. fase II, de u m prog rama de reab ilitaç ã o cardíaca, compreende o período apó s a. h ospitalizaç ã o. É u ma f ase de conv alescenç a e dev e ser iniciada imediatamente apó s a saída do. h ospital (D oming u es, 20 0 1 ), sendo os cu idados ao paciente dados sob re a f orma de reg ime amb u lató rio.. Esta f ase (de acordo com B eth ell e T u rner, 1 996 ) tem u ma du raç ã o de 2 a 4 semanas,. terminando q u ando o paciente adq u ire a capacidade de começ ar com u m prog rama de treino f ormal, o q u e normalmente ocorre q u ando o tecido cardíaco lesionado recu pera.. -9 -. Revisão da Literatura.

(18) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. P ara P inh o (20 0 5 ) esta f ase II tem as seg u intes características: passa-se em reg ime. amb u lató rio, é su perv isionado, consiste na prá tica de ex ercício aeró b io indiv idu al ou em g ru po (2 a 3 v ezes por semana) e na edu caç ã o do doente. D u ra cerca de 8 a 1 2 semanas.. A prov a de esf orç o dev e ser realizada nesta f ase, por prof issionais h ab ilitados e treinados. (P inh o, 20 0 5 ). B eth ell e T u rner (1 996 ) ref erem q u e todos os pacientes dev em f azer u ma prov a de esf orç o antes de iniciarem u ma prá tica de activ idade f ísica e q u e a mesma dev e ser f eita 4 a. 6 semanas apó s o ev ento ag u do. D izem tamb ém q u e sã o pou cos os pacientes cu j a participaç ã o nu ma prov a de esf orç o está contra – indicada. A realizaç ã o de testes ou prov as de esf orç o, nesta f ase, v isa os seg u intes ob j ectiv os:. 1 . Verif icar a ex istê ncia de isq u emia, ainda q u e residu al e sem ou com ang ina pectoris.. 2. Verif icar a presenç a ou nã o de arritmias indu zidas pela prá tica de activ idade f ísica.. 3 . A resposta da pressã o arterial ao ex ercício.. 4 . D eterminar a intensidade de ex ercício mais seg u ra e ef icaz para o paciente.. 5 . A v aliar o nív el de aptidã o f ísica do paciente. (B eth ell e T u rner, 1 996 ) O s ob j ectiv os desta f ase II sã o os seg u intes: ensinar aos pacientes ex ercícios e. prog ramas de treino q u e este dev e lev ar a cab o de f orma a restau rar a su a aptidã o f ísica; esclarecer tanto o paciente como a f amília acerca da doenç a coroná ria; continu ar a trab alh ar na. modif icaç ã o dos f actores de risco determinados na f ase anterior; conh ecer as necessidades psicossociais do paciente e da f amília; redu zir a ansiedade e estados depressiv os do mesmo e a reinteg raç ã o só cio – prof issional (D oming u es, 20 0 1 ; M ital e M ital, 20 0 2).. A fase III de u m prog rama de reab ilitaç ã o cardíaca inicia-se, em média, por v olta das 4. semanas apó s o enf arte (B eth ell e T u rner, 1 996 ) e env olv e u m prog rama de incremento da. capacidade aeró b ia e de aconselh amento psicossocial, q u e pode ir dos 6 aos 9 meses apó s a seg u nda f ase, seg u ndo M ital e M ital (20 0 2); entre os 6 – 1 2 meses (para D oming u es, 20 0 1 ) ou entre as 4 semanas e os 2 anos (seg u ndo B eth ell e T u rner, 1 996 ; B eth ell, 1 999). A. f ase III prosseg u e os esf orç os e trab alh os ef ectu ados nas f ases anteriores e. desempenh a u m papel de ref orç o nos h á b itos de v ida sau dá v el (D oming u es, 20 0 1 ).. -1 0 -. Revisão da Literatura.

(19) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. P ara P inh o (20 0 5 ) na f ase 3 os pacientes ex ercitam-se em amb iente ex tra – h ospitalar,. sendo as sessõ es su perv isionadas periodicamente. O s prog ramas de ex ercício podem ser indiv idu ais ou em g ru po e tê m u ma du raç ã o de 1 2 semanas.. P or ú ltimo, a fase IV inicia-se q u ando o paciente ating iu os ob j ectiv os da reab ilitaç ã o. cardíaca, q u er f ísicos q u er mentais e apresenta u m comportamento assintomá tico (B eth ell e. T u rner, 1 996 ). “É a reab ilitaç ã o cardíaca aplicada ao paciente q u e estab ilizou a resposta ao ex ercício relativ amente ao sistema cardiov ascu lar e f isioló g ico” (D oming u es, 20 0 1 , pag . 1 2).. A f ase IV é menos su perv isionada q u e a f ase III ou é mesmo realizada sem su perv isã o.. Visa a mu danç a do estilo de v ida e tem u ma du raç ã o indeterminada (P inh o, 20 0 5 ).. Esta f ase IV du ra para toda a v ida e por isso, mu itos au tores nã o a consideram como u ma. f ase da reab ilitaç ã o, mas sim como u m processo de prev enç ã o secu ndá ria q u e é necessá rio manter, de f orma a nã o perder os nov os h á b itos de v ida adq u iridos (P inh o, 20 0 5 ). P inh o (20 0 5 ), tamb ém af irma q u e emb ora o prog rama de reab ilitaç ã o cardíaca sej a. div idido em f ases, nã o ex iste consenso q u anto ao nú mero de f ases q u e compõ em este tipo de prog rama. A lg u ns au tores consideram 3. f ases, ou tros entendem q u e ex istem 4. considerando u ma ú ltima f ase sem su perv isã o clínica.. f ases,. B eth ell e T u rner (1 996 ) aconselh am a repetir, nesta f ase IV, o teste de esf orç o f eito na. f ase II. Este serv irá nã o só para v er as melh orias do paciente, mas tamb ém para determinar o seu nív el actu al de aptidã o f ísica e av erig u ar a ex istê ncia de alg u ns riscos.. A pesar da maioria dos prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca actu ais ainda conterem,. conf orme o q u e af irmamos em linh as anteriores, os elementos das f ases tradicionais, a ev olu ç ã o. das tecnolog ias de interv enç ã o tem lev ado a u ma redu ç ã o da du raç ã o das dif erentes f ases (principalmente das h ospitalares) b em como u ma maior ab rang ê ncia dos ob j ectiv os e dif u sã o. das f ronteiras entre as f ases, tornando estas cada v ez menos distintas. P or isso, a literatu ra mais. recente pref ere su b stitu ir a terminolog ia f ase I – IV para os termos intra – h ospitalar e ex tra – h ospitalar (A lv es, 20 0 4 ).. J á no ano 20 0 0 o A merican Colleg e of S ports M edicine (A CS M , 20 0 0 ) se ref ere aos. prog ramas para pacientes internados (f ase h ospitalar) e prog ramas para pacientes ex ternos.. A principal dif erenç a entre a f ase I e a f ase intra – h ospitalar encontra-se na du raç ã o das. mesmas. O período de internamento nos doentes cardíacos tê m v indo a diminu ir b astante nos. -1 1 -. Revisão da Literatura.

(20) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. ú ltimos anos, sendo q u e a maioria dos pacientes ob tém alta em menos de u ma semana (A lv es, 20 0 4 ). T anto os ob j ectiv os, desta f ase intra – h ospitalar, como o trab alh o ef ectu ado sã o em tu do semelh ante à f ase I. O. paciente prog ride para a f ase ex tra – h ospitalar q u ando apresenta as seg u intes. respostas à activ idade: au mento da F C de 5 a 20 b pm, relativ amente aos v alores de repou so; au mento de 1 0 – 4 0 mmH g da pressã o arterial sistó lica; nã o ter alteraç õ es no ritmo cardíaco ou. no seg mento S T ; nã o possu ir sintomas como palpitaç õ es, dispneia, f adig a ex cessiv a e ang ina de peito (A A CVP R , 1 999, citado por A lv es, 20 0 4 ).. O s prog ramas ex tra – h ospitalares eng lob am as tradicionais f ases II e III, perseg u indo os. seg u intes ob j ectiv os (A CS M , 20 0 0 ; A lv es, 20 0 4 ): a.. P roporcionar monitorizaç ã o e su perv isã o apropriadas aos pacientes, para detectar o estado clínico do doente, dando esse f eedb ack. responsá v el, possib ilitando assim u m acompanh amento mais ef ectiv o;. ao médico. b .. D esenv olv er conj u ntamente com o paciente u m prog rama de ex ercício seg u ro e. c.. P roporcionar edu caç ã o e aconselh amento ao paciente e à f amília, assim como. d.. ef ectiv o, mantendo e melh orando a capacidade f u ncional do doente coroná rio;. terapias ef icazes, q u e sej am capazes de max imizar a prev enç ã o secu ndá ria (redu ç ã o dos f actores de risco);. A j u dar o paciente no reg resso à s su as activ idades v ocacionais e recreativ as ou , se necessá rio, encontrar alternativ as à s mesmas.. D e u ma f orma g eral, as dif erenç as entre a estru tu ra tetraf aseada e os prog ramas de. reab ilitaç ã o cardíaca intra e ex tra – h ospitalar sã o ténu es. D a literatu ra consu ltada aperceb emo-. nos q u e a necessidade de mu danç a dos conceitos se prende com a importâ ncia de começ ar a. v er os prog ramas de reab ilitaç ã o como u m processo contínu o, onde todas as f ases se sob repõ em e complementam.. 2.4 Pop ul aç ão el eg í vel p ara in teg rar os p rog ram as de reab il itaç ão c ardí ac a. S eg u ndo A lv es (20 0 4 ) a R eab ilitaç ã o Cardíaca dev e ser acessív el a todas as pessoas. com doenç as cardiov ascu lares, principalmente pelos enormes b enef ícios q u e este tipo de prog ramas traz à q u alidade de v ida dos pacientes.. -1 2 -. Revisão da Literatura.

(21) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. Inicialmente dirig ido aos doentes apó s – enf arte ag u do do miocá rdio, a reab ilitaç ã o. cardíaca f oi prog ressiv amente alarg ando a su a á rea de acç ã o a ou tras patolog ias cardíacas mais sev eras (P inh o, 20 0 0 5 ).. A ctu almente e seg u ndo R ib eiro (20 0 1 ), a reab ilitaç ã o cardíaca nã o está. destinada. u nicamente para os doentes q u e sof reram enf arte ag u do do miocá rdio, mas tamb ém eng lob a (ou. dev e eng lob ar) ou tras patolog ias, nomeadamente: ang ina de peito está v el, insu f iciê ncia cardíaca cong estiv a; transplante do coraç ã o; ciru rg ia v alv u lar; h ipertensã o moderada; ciru rg ia coroná ria. de b ypass ou ang ioplastia percu tâ nea e arritmias (A des 1 998 ; M onpere, 1 999 citados por R ib eiro 20 0 1 ).. A lv es (20 0 4 ) tamb ém considera q u e a popu laç ã o alv o para a participaç ã o nos prog ramas. de reab ilitaç ã o cardíaca dev e eng lob ar mais pacientes do q u e apenas aq u eles q u e tiv eram enf arte ag u do do miocá rdio. Este au tor div ide a popu laç ã o eleg ív el para os prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca da seg u inte f orma: pessoas com d o en ç a d as ar t é r i as c o r o n á r i as (enf arte. ag u do do miocá rdio, ciru rg ia de b ypass aorto – coroná rio; ang iplastia translu minal percu tâ nea. das coroná rias e ang ina está v el); o u t r as d o en ç as c ar d í ac as (insu f iciê ncia cardíaca compensada;. disritmias controladas; implantaç ã o de desf rib ilh ador cardiov ersor; ciru rg ia de su b stitu iç ã o. v alv u lar; cardiomiopatia; ressecaç ã o de aneu risma miocardico; transplante cardíaco e anomalias cardíacas cong énitas); o u t r as d o en ç as v asc u l ar es c r ó n i c as (acidente céreb ro – v ascu lar e doenç a. v ascu lar perif érica).. O A CS M (20 0 0 ) apresenta as indicaç õ es e contra – indicaç õ es clínicas para a reab ilitaç ã o. cardíaca. Esta org anizaç ã o af irma q u e apesar de “nem todos os pacientes poderem ser. candidatos adeq u ados para a pratica de ex ercício f ísico, praticamente todos serã o b enef iciados por alg u m nív el de interv enç ã o h ospitalar, inclu indo a av aliaç ã o dos f actores de risco, o. aconselh amento acerca da activ idade e a edu caç ã o do paciente e da f amília” (A CS M ; 20 0 0 , pag . 1 0 9).. A tentemos ao q u adro em b aix o:. -1 3 -. Revisão da Literatura.

(22) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca Q u ad r o 2 . 1 : In d i c aç õ es e c o n t r a – i n d i c aç ã o c l í n i c as p ar a a i n t eg r aç ã o d o s p ac i en t es em. d e r eab i l i t aç ã o c ar d í ac a ( A C S M , 2 0 0 0 , p ag . 1 1 0 ) In d i c aç õ es C l í n i c as p ar a a R eab i l i t aç ã o C ar d í ac a ( F ases i n t r a e ex t r a h o sp i t al ar ) • Pós – e n f a r t e d o m i o c á r d i o c l i n i c a m e n t e e st á v e l . • A n g i n a e st á v e l • A p ós c i r u r g i a d e “ b y p a ss” c o r o n á r io . • A p ós a n g i o p l a st i a c o r o n á r ia t r a n sl u m i n a l p e r c u t â n e a . • I n su f i c i ê n c i a c a r d í a c a c o n g e st i v a c o m p e n sa d a • T r a n sp l a n t e d e c o r a ç ã o . • O u tr a c ir u r g ia c a r d ía c a , in c lu in d o a p r ót e se s v a l v u l a r e s e “ p a c e – m a k e r s” • D o e n ç a v a sc u l a r p e r i f é r i c a . • D o e n ç a c a r d i o v a sc u l a r d e a l t o r i sc o n ã o i l e g í v e l p a r a i n t e r v e n ç ã o c ir ú r g ic a . • A l t o r i sc o p a r a d o e n ç a a r t e r i a l c o r o n a r i a n a , c o m o d i a g n óst i c o d e d ia b e t e s m e lit o , h ip e r lip id e m ia , h i p e r t e n sã o , e t c .) .. p r o g r am as. C o n t r a - In d i c aç õ es C l í n i c as p ar a a R eab i l i t aç ã o C ar d í ac a ( F ases i n t r a e ex t r a h o sp i t al ar ) • A n g i n a i n st á v e l . • Pr e ssã o si st ól i c a d e r e p o u so m a i o r q u e 2 0 0 m m H G o u p r e ssã o d i a st ól i c a d e r e p o u so m a i o r q u e 1 1 0 m m H G ( d e v e r ã o se r a v a l i a d a s d i a r i a m e n t e ) . • Q u e d a o r t o st á t i c a d e p r e ssã o a r t e r i a l m a i o r q u e 2 0 m m H G c o m si n t o m a s. • E st e n o se a ór t i c a si g n i f i c a t i v a ( g r a d i e n t e m á x i m o d e p r e ssã o si st ól i c a m a i o r a 5 0 m m H G c o m u m o r i f í c i o d e v á l v u l a a ór t i c a m e n o r a 0 , 7 5 c m e m u m a d u lto d e ta m a n h o m é d io ). • D o e n ç a si st é m i c a a g u d a c o m f e b r e . • A r r i t m i a s a r t e r i a i s o u v e n t r i c u l a r e s d e sc o n t r o l a d a s. • T a q u i c a r d i a si n u sa l d e sc o n t r o l a d a ( m a i s d e 1 2 0 b a t i m e n t o s p o r m i n u t o ) . • I n su f i c i ê n c i a c a r d í a c a c o n g e st i v a d e sc o m p e n sa d a , • B l o q u e i o A V d e 3 º g r a u ( se m m a r c a – p a sso ) . • Pe r i c a r d i t e o u m i o c a r d i t e a c t i v a . • E m b o lia r e c e n t e . • T r o m b o fle b ite . • A l t e r a ç ã o e m r e p o u so d o se g m e n t o S T ( m a i s d e 2 m m ) . • D i a b e t e s d e sc o n t r o l a d a ( g l i c o se sa n g u í n e a e m r e p o u so m a i o r q u e 4 0 0 m g /d l). • A fe c ç õ e so r to p é d ic a sg r a v e sq u e p o d e r ia m to r n a r o e x e r c íc io p r o ib itiv o . • O u t r a s a f e c ç õ e s m e t a b ól i c a s, t a i s c o m o t i r e o i d i t e a g u d a , h i p o c a l e m i a o u h ip e r c a le m ia , h ip o v o le m ia , e tc .. F erreira e M artins (S / D ), assim como M oraes e col (20 0 5 ), ref erem q u e sã o. pref erencialmente seleccionados para participar em prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca os. doentes de b aix o e médio risco de complicaç õ es, de acordo com a estratif icaç ã o da A merican A ssociation of Cardiopu monary R eh ab ilitation:.  B ai x o r i sc o d e c o m p l i c aç õ es: capacidade f u ncional su perior a 7 M ET s; f u nç ã o v entricu lar com f racç ã o de ej ecç ã o su perior a 5 0 % ; classe I ou II de N Y H A ; au sê ncia de complicaç õ es. h ospitalares; au sê ncia de sinais de isq u emia do miocá rdio em repou so; prov a de esf orç o. su perior a 6 M ET s; au sê ncia de ectopia v entricu lar sig nif icativ a; au sê ncia de complicaç õ es. apó s enf arte ag u do do miocá rdio ou b y-pass coroná rio; su b ida apropriada da pressã o. arterial sistó lica com o esf orç o; capacidade de au to-monitorizaç ã o da intensidade de. ex ercício (h ab itu almente atrav és da determinaç ã o do pu lso radial)..  R i sc o i n t er m é d i o : F racç ã o de ej ecç ã o entre 3 5 e 4 5 % ; alteraç õ es da repolarizaç ã o v entricu lar rev ersív eis na prov a de esf orç o; h istó ria de ang ina instá v el; depressã o de S T su perior a 2. -1 4 -. Revisão da Literatura.

(23) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. mm com F C su perior a 1 3 5 b pm ou dispê ndio energ ético su perior a 5 M ET s (classif icaç ã o. prog nó stica de B rou stet, g rau I).. 2.5. B en ef í c ios da p rá tic a de ac tividade f í sic a n os p rog ram as de Reab il itaç ão C ardí ac a. O s b enef ícios da prá tica de activ idade f ísica, em prog ramas de reab ilitaç ã o cardíaca,. apontados pela maioria da literatu ra sã o os seg u intes: 1 .. R ed u ç ã o d a m o r t al i d ad e. M oraes e colab oradores (20 0 1 ) dizem q u e mu itos estu dos nã o conseg u iram detectar. q u alq u er b enef ício do ex ercício f ísico nos índices de mortalidade. R ef erem, no entanto, dois. estu dos em q u e se conclu iu q u e os pacientes coroná rios q u e participam nu m prog rama de. reab ilitaç ã o podem esperar u ma redu ç ã o de 20 a 25 % nos índices de mortalidade.. D a mesma opiniã o é B eth ell (1 999) ao af irmar q u e nos ú ltimos 1 0 anos (até à pu b licaç ã o. de seu artig o) nã o h ou v e estu dos q u e demonstrassem nú meros estatisticamente sig nif icativ os. na redu ç ã o da mortalidade, em pacientes com doenç a cardíaca, q u e f oram alv o de prog ramas. de reab ilitaç ã o.. O au tor citado diz, contu do, q u e a activ idade f ísica reg u lar redu z os sintomas de ang ina,. b em como a v ariab ilidade da f req u ê ncia cardíaca e a prob ab ilidade de arritmias, o q u e, por su a. v ez, poderá estar associado a u ma menor mortalidade apó s o enf arte ag u do do miocá rdio.. J á B ittner e col. (1 96 3 citado por Á lv aro 1 999) dizem q u e a reab ilitaç ã o cardíaca diminu i. consistentemente a mortalidade mas q u e nã o proteg e contra u m reenf arte. O reenf arte das. pessoas treinadas tem menos prob ab ilidades de ser f atal.. S ilv a (20 0 1 ) tamb ém nos diz, a partir da leitu ra de v á rias meta – aná lises, q u e ex iste u ma. redu ç ã o da mortalidade cardiov ascu lar em pacientes q u e participaram nu ma prog rama de. reab ilitaç ã o cardíaca mu ltif actorial.. T h ompson (20 0 2), tamb ém af irma q u e o ex ercício f ísico pode redu zir a repetiç ã o de. ev entos cardíacos nos pacientes, emb ora, af irme ig u almente q u e nenh u m estu do tenh a tido o. poder su f iciente para testar esta h ipó tese. S eg u ndo o mesmo au tor nenh u m estu do pode. comprov ar com seg u ranç a q u e a pratica de activ idade f ísica redu z a mortalidade. 2 .. C ap ac i d ad e fu n c i o n al. S ã o v á rios os estu dos q u e comprov am a importâ ncia do ex ercício na melh oria da. capacidade f u ncional dos su j eitos. Esses b enef ícios dev em-se essencialmente à melh or. -1 5 -. Revisão da Literatura.

(24) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. capacidade de condu zir, ex trair e u tilizar ox ig énio (atrav és de adaptaç õ es tanto centrais como. perif éricas), b em como pelo melh oramento dos sintomas.. M ota (20 0 1 ) diz - nos q u e o ob j ectiv o do treino f ísico na recu peraç ã o dos pacientes. cardíacos é o de au mentar a capacidade de esf orç o tolerá v el, de modo a q u e os esf orç os da. v ida q u otidiana se situ em aq u ém de 5 0 %. das possib ilidade má x imas. O conceito de “má x imo”. é ditado pelo aparecimento de sinais ou sintomas como ang inas, isq u émia, arritmias, etc.. H u ij b rech ts e col (1 997 ) ref erem q u e sã o mu itos os estu dos q u e indicam q u e a prá tica de. activ idade f ísica reg u lar em pacientes q u e sof reram enf arte do miocá rdio, au menta a. capacidade f u ncional dos mesmos e diminu i os índices de mortalidade.. N o estu do de Corv era e col (20 0 4 ) os au tores ob serv aram melh orias sig nif icativ as no teste. “S ix - M inu te W alk T este”, nos doentes com insu f iciê ncia cardíaca, apó s u m prog rama de. activ idade f ísica de 1 2 semanas.. H ag e e col (20 0 3 ) af irmam q u e a prá tica de ex ercício f ísico, eng lob ada nu m prog rama de. reab ilitaç ã o cardíaca, melh ora a capacidade f u ncional e a q u alidade de v ida dos su j eitos.. S eg u ndo Á lv aro (1 999) as modif icaç õ es g erais, q u e podemos esperar de u m prog rama de. activ idade f ísica, nu m doente cardiov ascu lar sã o: diminu iç ã o do trab alh o do miocá rdio e da. necessidade de ox ig énio em repou so e em ex ercício su b má x imo, au mento da capacidade de. f u ncionamento do miocá rdio e au mento da estab ilidade eléctrica do miocá rdio.. A lv es (20 0 4 ) partilh a a mesma opiniã o, ao af irmar q u e o ex ercício f ísico reg u lar, pode. desencadear no paciente u ma série de alteraç õ es adaptativ as positiv as, nomeadamente a. elev aç ã o da capacidade f u ncional. Este au tor ch ama-nos, no entanto, atenç ã o para o f acto de. q u e as adaptaç õ es cró nicas q u e decorrem da activ idade f ísica e do ex ercício, em pacientes com doenç a cardiov ascu lar, dif erirem das reportadas para indiv ídu os aparentemente sau dá v eis.. A ssim, e por ex emplo, su b metidos a u m prog rama de ex ercício f ísico, os doentes. cardiov ascu lares au mentam o déb ito cardíaco atrav és do au mento simu ltâ neo do v olu me. sistó lico e da F CMax. Esta situ aç ã o dif ere dos su j eitos normais, cu j a F CMax nã o se altera com ex ercício reg u lar (A lv es 20 0 4 ).. P or ou tro lado, o ex ercício f ísico redu z a F C su b max ima, para q u alq u er carg a, o q u e. prov oca maior tolerâ ncia ao ex ercício e retarda o aparecimento de sintomas de ang ina. A s alteraç õ es na F C sã o mu ito mais morosas q u e em indiv ídu os sau dá v eis (A lv es, 20 0 4 ).. N u m estu do citado por A lv es (20 0 4 ), em q u e se trab alh av a com doentes coroná rios, f oi. possív el ob serv ar au mentos sig nif icativ os na capacidade má x ima de trab alh o e no consu mo. -1 6 -. Revisão da Literatura.

(25) O Papel do Profissional de Desporto e Educação Física nos Programas de Reabilitação Cardíaca. má x imo de ox ig énio, independentemente da intensidade de treino, nos indiv ídu os da amostra. O s incrementos na capacidade f u ncional e no VO. artério – v enosa de O. 2. 2 m ax. dev eram-se a au mentos na dif erenç a. e, em alg u ns casos, no v olu me sistó lico, mu ito emb ora, a melh oria. nesses parâ metros sej a b astante inf erior à v erif icada em su j eitos sau dá v eis (A lv es, 20 0 4 ).. N u m ou tro estu do citado por o mesmo au tor, v erif icou - se q u e o ex ercício f ísico reg u lar é. mu ito importante nos doentes coroná rios, na medida em q u e promov e u ma diminu iç ã o na. ex ig ê ncia de O 2, a determinada carg a, tendo-se v erif icado q u e apó s 1 2 meses de treino os. pacientes da amostra ob tiv eram au mentos de 20 %. na tolerâ ncia ao ex ercício má x imo e 3 0 %. limiar isq u émico. Conclu sõ es e resu ltados semelh antes sã o encontrados em B eth ell (1 999).. no. B eth ell (1 999) ex plica as melh orias decorrentes da prá tica de ex ercício f ísico reg u lar como. resu ltado da comb inaç ã o de v á rias adaptaç õ es do org anismo, nomeadamente, do metab olismo. dos mú scu los, da redu ç ã o da resistê ncia v ascu lar nos mú scu los trab alh ados, na redu ç ã o do tó nu s simpá tico e na melh oria da perf ormance cardíaca.. T h ompson (20 0 2) def ende q u e a prá tica de ex ercício f ísico reg u lar au menta o VO. 2 Max,. ref erindo q u e, no entanto, as melh orias esperadas v ariam de indiv idu o para indiv idu o, do tipo de. treino ef ectu ado e da g rav idade da doenç a. A ssim sã o esperados incrementos menores em indiv ídu os com mais idade ou melh or condiç ã o f ísica e com u ma g rav idade e ex tensã o da doenç a maiores. O s au mentos do VO. 2 Max. sã o maiores com o au mento da du raç ã o e intensidade. do ex ercício. A f irma, ainda, q u e os au mentos médios do VO. 2 Max v. ariam entre os 1 1 % e os 5 6 % .. Vemos assim q u e o ex ercício f ísico prov oca alteraç õ es tanto a u m nív el central como. perif érico. A o nív el das adaptaç õ es perif éricas temos ainda o au mento da densidade capilar, o. au mento do tamanh o e f u nç ã o das mitocô ndrias e o au mento da f orç a mu scu lar (T h ompson, 20 0 2). 3 .. M o d i fi c aç ã o d o s fac t o r es d e r i sc o. A melh oria da aptidã o f ísica e do condicionamento do paciente cardíaco pode af ectar. positiv amente alg u ns f actores de risco da doenç a coroná ria (M oraes e col. 20 0 1 ). A ssim, o. ex ercício melh ora o perf il lipídico, aj u da na diminu iç ã o das lipoproteinas L D L e f av orece o. au mento das lipoproteinas H D L . Em pacientes ob esos estes b enef ícios sã o particu larmente. sig nif icativ os q u ando ocorre u ma perda de peso, alg o q u e, conv ê m esclarecer, nã o depende. só do ex ercício mas tamb ém de u ma alimentaç ã o cu idada e eq u ilib rada (M oraes e col 20 0 1 ).. -1 7 -. Revisão da Literatura.

Referências

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