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O grupo escolar Elizeu Campos de Miranda-PE (1930-1990)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

TULANE SILVA DE SOUZA

O GRUPO ESCOLAR ELIZEU CAMPOS DE MIRANDIBA- PE (1930-1990)

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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO CENTRO DE EDUCAÇÃO

PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO

TULANE SILVA DE SOUZA

O GRUPO ESCOLAR ELIZEU CAMPOS DE MIRANDIBA-PE (1930-1990)

Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco para obtenção de Grau de Mestre na linha de pesquisa Teoria e História da Educação.

Orientador: Prof. Dr. José Luís Simões

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Catalogação na fonte

Bibliotecária Andréia Alcântara, CRB-4/1460

S729g Souza, Tulane Silva de.

O grupo escolar Elizeu Campos de Miranda-PE (1930-1990) / Tulane Silva de Souza. – Recife, 2017.

132 f. : il. ; 30 cm.

Orientador: José Luís Simões.

Dissertação (Mestrado em Educação) - Universidade Federal de Pernambuco, CE. Programa de Pós-graduação em Educação, 2017.

Inclui Referências e Apêndices.

1. História da educação. 2. Coronelismo. 3. UFPE - Pós-graduação. I. Simões, Luís Simões. II. Título.

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TULANE SILVA DE SOUZA

O GRUPO ESCOLAR ELIZEU CAMPOS DE MIRANDIBA – PE (1930 – 1990)

Dissertação apresentada ao

Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Pernambuco, como requisito parcial para a obtenção do título de Mestre em Educação.

Aprovada em: 30/05/2017

BANCA EXAMINADORA

__________________________________________________________________ Prof. Dr. José Luís Simões (Orientador)

Universidade Federal de Pernambuco

Prof.ª Dr.ª Olívia Morais de Medeiros Neta (Examinadora Externa) Universidade Federal do Rio Grande do Norte

Prof.ª Dr.ª Luciana Cramer (Examinadora Externa) Universidade Federal de Pernambuco

_____________________________________________________________________PProf.ª Dr.ª Aurenéa Maria de Oliveira (Examinadora Interna)

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DEDICATÓRIA

Dedico este trabalho aos mirandibenses, em especial aos entrevistados Nelson Pereira, João Batista Rodrigues dos Santos – (Pitel) e Dona Valquíria, pois sem eles não poderia entender as práticas pedagógicas aplicadas no Grupo Escolar Elizeu Campos nem tão pouco a gênese da história educacional desta cidade do sertão pernambucano.

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AGRADECIMENTOS

O que é agradecer além de render graça e manifestar gratidão? É também ato de retribuir e recompensar em favor daqueles que me incentivaram e me ajudaram ao longo desses dois anos, nessa jornada dissertativa. Mas como recompensar pessoas por algo impalpável? Como retribuir a atenção dada a mim parra a concretização deste trabalho?

Acredito que a melhor forma de retribuir toda esta atenção é reconhecendo a importância da política e sua contribuição para a educação em Mirandiba, uma vez que iniciou no município a democratização do ensino e da conscientização popular frente ao letramento e valorização do povo negro, pardo, branco e indígena.

Sendo assim, começo agradecendo primeiramente a Deus em nome de seu filho Jesus Cristo, que oportunizou a vida dos envolvidos nesta história e realização deste trabalho. Ao meu orientador Professor José Luís Simões, pela liberdade e paciência.

Agradeço a minha família, especialmente a meu pai, pelos ensinamentos e oportunidades diárias. E a minha filha Larissa, que sofreu com minha ausência. Às minhas irmãs Tatyane, Lidiane, Viviane e irmão Edilson pela compreensão. À minha madrasta Roseane, por me instruir e aconselhar.

Agradeço aos mirandibenses que informalmente me ensinaram como resistir às pressões do preconceito, e a enfrentar o racismo com paciência, uma vez que protestar é um direito que nos assiste. Agradeço aos mirandibenses que me ajudaram formalmente, concedendo entrevistas sobre a história da cidade, me fazendo entender o universo educativo do local.

Agradeço aos professores Fábio Paiva e Aurinéa Maria de Oliveira, que me aconselharam na qualificação. Me passando segurança de estar em um caminho frutífero repleto de possibilidades. A Fabiana Marinho pela primeira revisão textual.

Agradeço a todos e todas que me deram a mão quando precisei, sendo de extrema importância para iniciar e concretizar este trabalho. Obrigada. Deus os abençoe hoje e sempre. Amém.

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RESUMO

Este trabalho é resultado da pesquisa desenvolvida no Núcleo de Teoria e História da Educação referente ao Grupo Escolar Elizeu Campos, localizado no município de Mirandiba, sertão de Pernambuco, e sem a bolsa da CAPES não seria possível a sua realização. A pergunta central que norteou o estudo foi a seguinte: quais influências políticas, sociais e culturais subsidiaram a criação e funcionamento do Grupo Escolar Elizeu Campos, entre 1930-1990? Este recorte se justifica porque corresponde ao ano de fundação e início das atividades nesse espaço educativo, bem como o processo de declínio e demolição do prédio do referido objeto de pesquisa. Para responder a indagação central desta pesquisa, procedemos da seguinte forma: a) levantamento historiográfico das instituições escolares no Brasil, com o objetivo de inserir o presente estudo no rol das preocupações desse campo; b) levantamento de pesquisas sobre o município de Mirandiba, para identificar suas vocações econômicas, sociais, culturais e políticas; c) análise de fontes orais, iconográficas e documentais, para compreender as representações dos atores que de alguma maneira participaram direta ou indiretamente da experiência em se ter, oficialmente, o primeiro ambiente escolar no município de Mirandiba, então distrito de São José do Belmonte. A análise permite compreender que na periodização definhada Mirandiba ainda vivia tensões relacionadas às questões étnicos raciais, especialmente porque negros podiam estudar juntos aos brancos, mas eram impedidos de participar das festas de formatura do referido grupo escolar. Além disso, identificam-se que ações antidemocráticas, coronelistas, interferiram nas práticas pedagógicas, ora tradicionalistas, ora intuitivas, no interior do nosso objeto de investigação.

Palavras-Chaves: Instituições Escolares. Grupo Escolar Elizeu Campos. Coronelismo. História da Educação.

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ABSTRACT

This work is the result of the research developed in the core of theory and history of education concerning Elizeu Campos School, located in the municipality of Mirandiba, backwoods of Pernambuco, and without the scholarship from CAPES would not be possible to your accomplishment. The central question that has guided the study was the following: what political, social and cultural influences subsidized the creation and operation of the School Fields between 1930-1990 Chander? This cut was warranted because it matches the year of Foundation and beginning of the activities in this educational space, as well as the process of decline and demolition of the building of the search object. To answer that question, we proceed as follows: a) school institutions in the historiographical survey Brazil, aiming to enter the present study on the list of concerns; b) survey of research on the municipality of Mirandiba, to identify their vocations, social, cultural and economic policies; c) analysis of iconographic and documentary sources, oral, to understand the representations of the actors who somehow participated directly or indirectly in experience has, officially, the first school in the municipality of Mirandiba, then District of São José do Belmonte. The analysis allows to understand that on periodization weakened Mirandiba still living strains related to ethnic and racial issues, especially because blacks could study together to whites, but were prevented from participating in commemorative events in that School. In addition, they identify that undemocratic actions, coronelistas, interfered in the pedagogical practices, now traditionalists, now intuitive, inside our object of investigation.

Keywords: Educational Institutions. Elizeu Campos School. Coronelismo. History of education.

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LISTA DE IMAGENS

Imagem 1 – Do analfabetismo na República ... 59

Imagem 2 – Diminuição do quantitativo de negros na República ... 60

Imagem 3 – Bandeira de Mirandiba ... 63

Imagem 4 – Divisão Territorial Mirandiba Urbana ... 65

Imagem 5 – Localização dos Quilombos em Mirandiba ... 70

Imagem 6 – Mapa de Pernambuco destacando Mirandiba ... 78

Imagem 7 – Da representação iconográfica da relação trabalhista ... 85

Imagem 8 – O Grupo Escolar Elizeu Campos ... 92

Imagem 9 – Boletim de ex-aluno 1961 ... 95

Imagem 10 - Boletim de ex-aluno 1962 ... 96

Imagem 11 - Boletim de ex-aluno 1963 ... 96

Imagem 12 – Professoras de Mirandiba na década de 1970... 97

Imagem 13 – Desfile de 7 de setembro em Mirandiba 1960 ... 103

Imagem 14/15 – Ex- alunos Nelson Pereira e Pitel ... 105

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LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS

CAPES - Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior BA - Bahia

IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística IPERFIL- Indústria Pernambucana de Fibras Ltda INSS – Instituto Nacional do Seguro Social PE - Pernambuco

UNESP - Universidade Paulista Júlio de Mesquita Filho UNOESC – Universidade do Oeste de Santa Catarina UNISANTOS - Universidade Católica de Santos UFPE – Universidade Federal de Pernambuco UFBA – Universidade Federal da Bahia UNEB – Universidade Estadual da Bahia UFPB – Universidade Federal da Paraíba UFES – Universidade Federal do Espírito Santo UFMA – Universidade Federal do Maranhão UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro UFPI – Universidade Federal do Piauí

UFC – Universidade Federal do Ceará UFS – Universidade Federal de Sergipe

UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais

UFU – Universidade Federal de Uberlândia UFV - Universidade Federal de Viçosa USP – Universidade de São Paulo

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UNISANTOS – Universidade Católica de Santos UFSCAR – Universidade Federal de São Carlos UNESP – Universidade Estadual Paulista

UDESC – Universidade do Estado de Santa Catarina UNOESC – Universidade do Oeste de Santa Catarina UFSC – Universidade Federal de Santa Catarina UFGD – Universidade Federal de Grande Dourados UFPA – Universidade Federal do Pará

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LISTA DE QUADROS

Quadro 1 – Pesquisas do Norte ... 26

1.1 - ... 26

Quadro 2 – Pesquisas do Sul ... 27

2.1 - ... 27

Quadro 3 - Pesquisas do Centro-Oeste ... 27

3.1 - ... 27

Quadro 4 – Pesquisas do Sudeste ... 32

4.1 - ... 32

4.2 - ... 33

Quadro 5 – Pesquisas do Nordeste ... 41

5.1 - ... 41

5.2 - ... 42

5.3 - ... 43

5.4 - ... 49

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SUMÁRIO

1 - APOLOGIA E ESTRUTURA DA PESQUISA ... 13

1.1 – Metodologia ... 19

PARTE I 2 - HISTORIOGRAFIA DOS GRUPOS ESCOLARES NO BRASIL ... 22

2.1 - Historiografia dos Grupos Escolares do Norte, Sul e Centro Oeste: o mercado de trabalho, a interferência da religião e as tradições das elites ... 26

2.2 - Disciplinarização, modernização e manutenção: a historiografia dos Grupos Escolares do Sudeste e as mudanças epistemológicas ... 31

2.3 - Higienismo, racialização e tradição: historiografia dos Grupos Escolares no Nordeste e importância para História Cultural ... 40

2.3.1 - Historiografia dos Grupos Escolares em Pernambuco: cruzamento dos dados, disparidades e similaridades. ... 48

2.4 - Imprensa e modernização da educação na República: a produção da verdade para civilizar o cidadão – um acréscimo à historiografia ... 54

PARTE II 3 - MIRANDIBA NO CONTEXTO REPUBLICANO ... 63

3.1 - Demarcação territorial cultural: uma geo-história ... 64

3.2 – Biopolítica da organização social de Mirandiba ... 72

3.2.1 – Biopolítica das estratégias e táticas no contexto sertanejo ... 74

3.3 – Biopolítica da educação em Mirandiba ... 77

3.3.1 - Do poder da educação para o mirandibense ... 81

3.4 - O contexto histórico educacional e teórico dos costumes mirandibenses ... 83

4 – RECONSTRUÇÃO DA HISTÓRIA DA INSTITUCIONALIZAÇÃO ESCOLAR ... 87

4.1 – Cultura Escolar e institucionalização do saber no Brasil ... 87

4.2 - O Grupo Escolar Elizeu Campos: Reerguendo Suas Paredes Reconstruindo Sua História ... 91

5 – CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 112

REFERÊNCIAS ... 118

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1 – APOLOGIA E ESTRUTURA DA PESQUISA

“A explosão não vai acontecer hoje. Ainda é muito cedo... ou tarde demais. Não venho armado de verdades decisivas. Minha consciência não é dotada de fulgurâncias essenciais. Entretanto, com toda a serenidade, penso que é bom que certas coisas sejam ditas. Essas coisas, vou dizê-las, não gritá-las. Pois há muito tempo que o grito não faz mais parte de minha vida. Faz tanto tempo... Por que escrever esta obra? Ninguém a solicitou. E muito menos aqueles a quem ela se destina”.

Frantz Fanon (2008. p.25)

Em 2009, ao dar início aos trabalhos na Rádio Povo FM, hoje extinta, uma emissora comercial em Mirandiba - sertão pernambucano, criou-se a expectativa de levar informação para os locais mais esmos do Brasil. A referida emissora alcançava três estados e mais de 50 cidades sertanejas. Realizou-se, juntamente com uma equipe de locutores locais, diversos atributos da comunicação social, que naquele espaço era de extrema importância.

O cenário encontrado resultou em um choque com a realidade daquela cidade. Mirandiba não tinha Internet, não tinha sinal de celular e a população encontrava no meio de comunicação radiofônica a forma mais eficaz de comunicação da comunidade.

Em algumas casas havia o telefone residencial, mas a maioria das famílias se informava e se comunicava através do rádio, já que a televisão só funcionava mediante instalação de antena parabólica e, quando instalada, só retransmitia a programação do Sudeste Brasileiro.

O trabalho inicial foi de entender o comportamento daquele habitat para conseguir cativar os ouvintes da então rádio, em fase experimental, fazendo-se pesquisas informais, nos mercados, nos bares e nas ruas da cidade. Conquistados uns, decepcionados outros, em virtude do choque de costumes e realidades entre mim e o modo como as pessoas se comportavam naquele lugar, muitos desafios pessoais tiveram que ser enfrentados para prosseguir com os trabalhos.

Na convivência com os mirandibenses, pode-se observar melhor e passar a fazer parte do contexto dos moradores da cidade. Essa aproximação trouxe a experiência de vivenciar o meio político e perceber a má distribuição econômica. Com a insatisfação e

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determinação, pois “a alienação intelectual é uma criação da sociedade burguesa” (FANON, 2008. p.186), iniciou-se os questionamentos do porquê, em pleno século XXI, ainda havia uma cidade onde as pessoas negras lutvam por espaços de poder habitados apenas por brancos.

Em 2013, ao se analisar a história política de estilo provincial, publicou-se um livro que resume o estilo Republicano numa cidade sertaneja, ainda assim o questionamento continuou sem resposta. A “subserviência” dos negros dali não era apenas parte do jogo político dos currais eleitorais (LEAL, 2012), afinal, desde a década de 1990 esta condição do eleitorado mirandibense havia tomado rumos revolucionários.

O conhecido voto de cabresto havia sido de fato extinguido da região sertaneja em sua totalidade, mas mesmo assim, as amarras continuavam invisivelmente impostas sobre as ações dos negros. É evidente que o foco do comportamento social está na cultura educacional (ELIAS, 1994)1, e por isso, o primeiro equipamento público de ensino de Mirandiba despertou o nosso pensamento investigativo.

O Grupo Escolar Elizeu Campos, seus documentos, histórias e memórias de sua existência, são centro propulsor desta investigação que através do método historiográfico, busca contextualizar o desenvolvimento social dos grupos escolares e a influência dos mesmos especialmente em Mirandiba- PE, entre as décadas de 1930 a 1990.

Este recorte temporal, de 1930 a 1990, foi escolhido por representar o período no qual os mirandibenses passaram por uma mudança comportamental. Neste espaço de tempo foi instituído o coronelismo como modo administrativo de Mirandiba, ainda chamada de Vila Maniçobal e distrito de São José do Belmonte, e se instalaram no local indústrias de beneficiamento de algodão, e da folha do caroá, os Correios e a primeira escola pública, objeto desta pesquisa.

Mirandiba emancipou-se de São José do Belmonte na década de 1960, e com exceção dos Correios, tanto as indústrias quanto a escola foram abandonadas. Aconteceu décadas depois uma infestação de uma praga nas plantações de algodão, o

1 Elias (1994) descreve cultura ou Kulturell no que concerne as realizações humanas peculiares de cada indivíduo.

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conhecido bicudo, provocando um retrocesso no desenvolvimento econômico da cidade e interferindo diretamente nas relações interpessoais.

Portanto, entre o recorte escolhido os mirandibenses passaram pelo processo de ascensão agrícola tanto dos coronéis quanto dos trabalhadores rurais, assim como sofreram danos devastadores de mesma proporção por volta de 1980 (SOUZA, T., 2013).

A expansão geográfica e a crise agrícola governamental entre 1970 a 1980 só foi superada com a entrada do Partido dos Trabalhadores na organização da cidade em 1990, com a implantação de cooperativas das culturas de subsistência, sistemas de captação de energia solar e água da chuva, valorizando a agricultura familiar e os trabalhadores rurais (SOUZA, T., 2013).

É neste contexto que situamos o objeto desta investigação, e onde cabe a relevância acadêmica do estudo que abarca conteúdo sobre grupos escolares em Pernambuco, sendo este o segundo trabalho do núcleo de Teoria e História da Educação da UFPE com interesse nesta categoria institucional educativa.

O primeiro trabalho é de Souza, R. (2014), onde trata em seu título O Grupo Escolar Otaviano Basílio Heráclio do Rêgo (1968-1985), das memórias referentes à instituição e contribui para estudos futuros quanto ao cenário que recebeu os grupos escolares em Pernambuco, fazendo-se perceber diferenças regionais existentes nos contextos educacionais, culturais e políticos.

Os grupos escolares como objeto de investigação, relacionados com as palavras chaves: História da Educação, estão presentes em 61 teses e dissertações no banco de arquivos da CAPES – Coordenação de Aperfeiçoamento Pessoal de Nível Superior, BDTD – Biblioteca Digital Brasileira de Teses e Dissertações e ainda nos sites das próprias universidades, representados por 15 estados brasileiros e 23 instituições. Das quais, encontramos apenas 59 textos completos.

A maioria dos trabalhos que elencam a história e memória, assim como as práticas pedagógicas existentes nos grupos escolares está em Minas Gerais e São Paulo. Neste estudo, a ênfase sobre os grupos escolares nessas regiões decaem sobre a imponência dos grupos e a representação da qualidade de ensino e de vida ou civilidade dos estudantes desse tipo de instituição.

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Um levantamento historiográfico realizado para balizar os tópicos/objetivos abordados nas pesquisas segue no segundo capítulo desta dissertação, onde uma análise mostrará aspectos próprios das cinco regiões brasileiras, e assim extrairá um apanhado resumido das introduções, resumos e considerações científicas referentes a Grupos Escolares no Brasil a partir do ano 2000.

Sendo a história do Grupo Escolar Elizeu Campos a mola propulsora desta investigação, o terceiro capítulo deste estudo descreverá os cenários diacrônicos e sincrônicos da cidade de Mirandiba, desvendando a cidade, pontuando o caminho para o grupo escolar e como a geografia histórica deste recorte temporal, ajuda a entender mais à frente a influência da trajetória educacional de ex-alunos do Grupo Escolar Elizeu Campos.

O Grupo Escolar Elizeu Campos foi a primeira instituição pública de ensino da cidade e alfabetizou, entre as décadas de 1930 a 1970, as crianças que moravam no entorno – nas fazendas. Sendo de extrema importância para o desenvolvimento social do local que, no período estudado, colocava o grupo escolar no círculo de instituições escolares rurais, destaque no quarto capítulo desta pesquisa.

Devido às expectativas citadas, o objetivo geral desta dissertação é situar os leitores sobre a inserção dos grupos escolares no Brasil e como suas influentes características políticas se apresentaram na historiografia. Como objetivos específicos este trabalho pretende: a) analisar e delinear a historiografia brasileira e pernambucana a respeito dos Grupos Escolares; b) descrever Mirandiba, sua historiografia, cultura, e organização geopolítica na perspectiva educacional; c) analisar os documentos e memórias existentes do Grupo Escolar Elizeu Campos.

Este conjunto de objetivos apontam para resolução da pergunta balizadora desta pesquisa: Quais interesses biopolíticos 2 circundavam à construção, instituição, funcionamento e demolição do Grupo Escolar Elizeu Campos entre 1930-1990? Quais influências políticas se revelaram através das memórias dos mirandibenses entrevistados? O que levou à demolição do prédio e eliminação dos arquivos do Grupo Escolar?

2 Da epistemologia Faucoultiana que entende a política como algo orgânico, para além das práticas de gestão.

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Enquanto a maioria dos grupos escolares aparece na historiografia tradicional como símbolos de imponência que forjaram a civilização do Brasil, elevando o status dos municípios onde se instalaram de rudimentar a civilizado (VIDAL & SCHWARTZ, 2010), o Grupo Escolar Elizeu Campos foi apagado dos arquivos materiais de Mirandiba.

A hipótese é de que as ações políticas de estilo separatista e coronelista, antagônicas a modernização republicana inserida no Brasil do século XX, interferiram na inclinação para uma educação democrática. Ou seja, deletar arquivos e demolir o prédio do Grupo Escolar fez parte de uma demonstração da falta de zelo pelo patrimônio histórico do local.

No entanto, sendo o campo político o responsável pelas relações entre cidadão e educação, fica o Grupo Escolar Elizeu Campos como palco de uma ruptura na qual essa dissertação se debruça. Revelando-nos que o movimento político presente em Mirandiba apresenta medidas onde o poder, advindo dos coronéis interfere diretamente no cotidiano escolar (FAURE, 2015).

Como metodologia nos utilizamos além das análises de dissertações e teses, entrevistas com três personagens, sendo dois ex-alunos e uma ex-professora Nelson Pereira, João Batista Rodrigues dos Santos – (Pitel) e Dona Valquíria. Outros personagens foram procurados para compor o quadro de entrevistas, como Elizeu Campos Torres neto de Capitão Elizeu Campos e Mabel Solange Bezerra de Carvalho outra ex aluna do Grupo, no entanto, eles apenas doaram alguns documentos que constam na segunda parte da dissertação.

Com esses personagens realizei entrevistas abertas com a intenção de captar as memórias sobre o Grupo Escolar Elizeu Campos, neste intuito indagamos para os ex alunos: qual sua melhor lembrança do Grupo? Como eram as aulas? Como a professora passava os conteúdos? Como era o recreio, e a merenda? Outras perguntas iam aparecendo no decorrer da entrevista já que a entrevista era aberta, mas, para ex professora as perguntas foram outras.

Para Dona Valquíria focamos nos métodos pedagógicos, questionando sobre as práticas pedagógicas, porém, suas memórias sobre os métodos transpassaram as dificuldades no exercício da função magistral, o que preencheu a parte empírica desta

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dissertação com falas do local sertanejo e o modo mirandibense de lhe dar com a educação entre o período recortado.

Consideramos importante o recorte de 1930 a 1990 por entender que os quatro anos que antecederam a instalação do Grupo Escolar Elizeu Campos foram de um esforço do Capitão Elizeu que utilizou de suas influências sociais frente ao governo do Estado para abertura da escola em 1934. O ano de 1990 foi o ano da demolição do prédio, no entanto o abandono do mesmo ocorreu 20 anos antes em 1970.

Acontece que o abandono do Grupo Escolar Elizeu Campos em 1970 se deu devido a abertura de outro grupo escolar na cidade, com as características exigidas pela lei, como espaço amplo e ventilado, salas de aula de acordo com a seriação dos conteúdos entre outras características reconhecidas como modernas pelas memórias da ex professora Dona Valquíria.

Porém, em 1990 quando o prédio é demolido, legitima-se o descaso da gestão em recuperar ou tornar emblemático o prédio que abrigou a primeira instituição pública de ensino em Mirandiba. Causando nas memórias dos entrevistados uma lastimosa impressão de descuido pela história da educação local.

Os teóricos nos quais se buscou embasamento e inspiração foram Norbert Elias (1993; 1994; 2000), Michel De Certeau (1998; 1992), Peter Burke (2010), Fernand Braudel (2007) referências deste estudo juntamente com as fontes, sendo elas as 59 teses e dissertações elencadas para basilar a discussão sobre Grupos Escolares e suas especificidades.

A partir da historiografia, pode-se observar as histórias de outros locais e não apenas comparar as bibliografias, mas entender, acima de tudo, como se construiu alguns grupos sociais escolarizados, para assim contextualizar a escolarização de Mirandiba que se intensificou com a instauração do Grupo Escolar Elizeu Campos.

Dissertações e teses que têm como objeto de investigação o município de Mirandiba, também foram utilizadas para compor esta pesquisa, porém, nenhuma delas envolve a educação como o balizamento das questões. Em suma são textos que tratam da geociência e geopolítica aplicadas, ciências biológicas e ainda questões étnicas chamadas ainda de questões raciais que envolvem as etnias indígenas Atikum e

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Pankará, juntamente com os quilombos que se formaram na região do Sertão Central no fim do século XIX.

Depois de colocadas as questões introdutórias encontram-se no segundo capítulo da primeira parte desta pesquisa, análise da historiografia sobre grupos escolares no Brasil e em Pernambuco, assim como uma breve discussão sobre a mídia impressa e educação. No terceiro capítulo já da segunda parte desta pesquisa observemos a cidade de Mirandiba no contexto Republicano juntamente com as interfaces culturais locais, assim como as estratégias e táticas sertanejas.

No quarto capítulo encontraremos as características do Grupo Escolar Elizeu Campos, suas memórias, documentos e práticas pedagógicas, na tentativa de reerguer suas paredes e reconstruir sua história. O quinto capítulo tece as considerações finais desta dissertação buscando atualizar a discussão sobre instituições escolares no Brasil.

1.1 – Metodologia e procedimentos metodológicos

Como já mencionado na apologia e estrutura da pesquisa utilizamos como fontes três entrevistados e 59 estudos, dissertações e teses que carregam em seus títulos a categoria grupo escolar. Sabendo que os grupos escolares foram instituições que forneceram ensino público primário no Brasil, pesquisas que têm no título a história ou considerações da educação primária brasileira também entraram nesta análise.

Destas pesquisas foram lidos e analisados os resumos, as introduções, considerações finais e capítulos que abordavam temáticas diferenciadas, tomo aqui por temática diferenciada o ineditismo das pesquisas ou temas pouco tratados pelas mesmas, a exemplo: as caixas escolares e a presença da religião nos grupos.

Foram analisadas as pesquisas publicadas a partir do ano 2000 pela disposição em obtê-las em formato digital, uma vez que as plataformas on-line da CAPES e BDTD fornecem os trabalhos na íntegra. Como alguns trabalhos encontrados não estavam disponíveis nas plataformas supracitadas, foi necessária uma busca no Google Acadêmico e nos sites de banco de teses e dissertações das instituições de onde os trabalhos eram oriundos.

Foram selecionados estudos publicados a parir do ano 2000 por entender também que formam um nicho dos estudos que partiram das discussões dos autores Faria Filho (1996), Vidal (1995), Souza, R. F. (1998), Nagle (1974), Carvalho, M. M.

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(1998), Frago (1993), Saviani (1998), Pinheiro (2002), Carvalho, J. M. (1989), Nunes (1998), Romanelli (1988).

Os autores citados a cima por sua vez beberam das fontes de Norbert Elias (1993; 1994; 2000), Michel De Certeau (1998; 1992), Peter Burke (2010), Roger Chartier (1990;2002) entre outros, onde juntos formaram uma nova linha de estudo de história, a Nova História Cultural.

O propósito deste estudo parte, portanto, de um lugar contrário ao positivismo uma vez que a Nova História Cultural contraria tais moldes sendo marxista e diferente aos aspectos de pesquisas positivistas. Uma primeira diferença situa-se no campo do recorte temporal de longa duração, a segunda diferença parte da problematização dos discursos – análise historiografia (CERTEAU, 1982).

A análise historiográfica é a metodologia utilizada na primeira parte desta pesquisa, compreendendo que na historiografia dos grupos escolares não foi encontrada tal análise. A pesquisas encontradas se assemelham a segunda parte deste estudo, sendo portanto, pesquisas empíricas.

Nos utilizamos da história oral para realizar a segunda parte deste estudo, foram feitas entrevistas abertas referentes às memórias dos personagens sobre o Grupo Escolar Elizeu Campos. Na perspectiva da história oral como método desenvolveu-se esta pesquisa sob o olhar que menciona Freitas (2006), com a “finalidade de criar fontes históricas” (p.19).

Essas fontes subsidiaram as falas crítico-sociais da pesquisa, e além de serem fontes históricas tais personagens foram escolhidos por se tratarem de pessoas importantes para cidade, ou referências importantes no contexto sócio educacional. João Batista – Pitel, é um personagem que figura a democracia da educação em Mirandiba, pois ele apesar de viver em uma cidade onde os negros eram separados dos brancos, não foi impedido de estudar no Grupo Escolar Elizeu Campos.

Na busca por ex alunos para as entrevistas a comunidade mencionava informalmente Nelson Pereira, ele foi o melhor prefeito de Mirandiba segundo a população, foi ele que levou cooperativas de trabalho e cursos de capacitação para trabalhos manuais, despertando o interesse em suas memórias no grupo escolar.

A ex professora dona Valquíria, é a professora mais antiga que ainda mora em Mirandiba, sempre que passeava pela cidade perguntando informalmente coisas relacionadas ao Grupo Escolar Elizeu Campos mencionavam o nome dela, como professora capacitada e muito inteligente.

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Estes personagens são as fontes mais importantes deste estudo, pois, foram eles que deram o mapa dos métodos pedagógicos existentes no grupo escolar, de onde retirei o sumo para realização da segunda parte desta pesquisa.

Os procedimentos metodológicos, da divisão da dissertação em duas partes à utilização de gráficos, quadros e mapas, compõe duas pesquisas em uma só. A divisão ocorreu por uma necessidade macro de entender a historiografia que trata dos grupos escolares, principais questionamentos e anseios do objeto.

A segunda parte ficou encarregada de suprir uma necessidade fenomenológica, para não usar o reducionismo. Ou seja, encarregou-se de tratar especificamente da cidade Mirandiba e do Grupo Escolar Elizeu Campos, primeira instituição de ensino público do local.

Mirandiba por sua vez, não é uma cidade sertaneja com muitas visibilidades como suas vizinhas, Serra Talhada e Salgueiro, e torna-la visível foi primordial para este estudo. Colocando-a no mapa de Pernambuco, como cidade dos quilombos, dos indígenas, dos cabras, dos coronéis e da educação.

Já os quadros elaborados com os títulos das pesquisas se fizeram necessários para respaldar um dos objetivo da pesquisa, que foi o de analisar a historiografia dos grupos escolares e portanto, da educação primária no Brasil através deste tipo institucional.

Os gráficos que aparecem na pesquisa, no capítulo 2 no item 2.4 mais precisamente, foi utilizado para a compreensão de como o ensino primário foi inserido no Brasil, seus propósitos e expansão ao longo das décadas de 1930 a 1990, o que apontou para um forte branqueamento brasileiro através da alfabetização.

Outros documentos como boletins e fotos respaldaram a existência do Grupo Escolar Elizeu Campos, já que não foram encontrados outros registros de sua existência em arquivos públicos ou Secretarias de Educação do município ou Estado, e adquirimos os documentos através de doações de arquivos pessoais.

O Grupo Escolar Elizeu Campos foi, portanto, reconstruído através de relíquias guardadas por participantes de sua história, incentivando nosso desejo de reconstruí-lo linha a linha. Devido as disparidades entre os objetivos fez-se necessário dividir esta dissertação em duas partes, onde a parte I compreendeu em analisar e atualizar o debate acerca dos grupos escolares no Brasil e a parte II se incumbiu de tornar visível a gênese da educação em Mirandiba.

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PARTE I

2 - HISTORIOGRAFIA DOS GRUPOS ESCOLARES NO BRASIL

“Na era do practismo-positivista e da semicultura [...] continuamente reproduzida pela indústria cultural, conceitos como consciência crítica e filosofia foram completamente invertidos e consequentemente, despotencializados, pelo uso administrado, enviezado e ideológico que se fizeram deles.”

Bruno Pucci (1998. p. 24)

Este capítulo, tem por objetivo mapear a trajetória da escrita científica acerca dos grupos escolares no Brasil, revelando os subtemas explorados e as ênfases propostas pelos pesquisadores, caminhos explicados pela Nova História Cultural.

Na perspectiva da teoria da história, a Nova História Cultural foi introduzida no Brasil através dos escritos de Peter Burke (2010) e Michel de Certeau (1998), entre outros autores, que procuram examinar temas, problemas, fontes e recortes temporais dos mais diversificados, contrariando a historiografia positivista.

Os grupos escolares aparecem, muito fortemente, em trabalhos oriundos do Sudeste do país com 29 produtos finalizados e disponibilizados nos bancos de dissertações e teses da Biblioteca Nacional e na plataforma CAPES, dos 29 produtos 23 são dissertações e 6 são teses. O Nordeste aparece em segundo lugar com 17 pesquisas, sendo 13 dissertações e 4 teses.

O único estado nordestino que não apresentou pesquisa sobre grupos escolares foi Alagoas, no mais, Maranhão com um, Pernambuco, Bahia, Piauí e Ceará contabilizam dois trabalhos cada, Sergipe e Rio Grande do Norte aparecem com três e a Paraíba com o maior número de pesquisas na área, apresenta quatro trabalhos entre dissertações e teses.

O Norte do País aparece com 3 trabalhos sendo dois da Universidade Federal do Pará -UFPA, o Sul com 4 pesquisas de Santa Catarina sendo 2 da Universidade Federal- UFSC, 1 da Universidade do Oeste UNOESC- e 1 da Universidade do Estado de Santa Catarina – UDESC. O Centro Oeste aparece com 6 trabalhos, 4 oriundos do Mato

(24)

Grosso do Sul da Universidade Federal de Grande Dourados – UFGD e 2 de universidades fora da região, sendo elas UFU e USP.

Por entender que esta dissertação pretende executar um serviço não apenas quantitativo, mas, preocupado com as leituras da história educacional brasileira e a representação da mesma nos textos acadêmicos, encontrou-se disparidades na educação brasileira com poucos gritos revolucionários, o que implica uma postura mais crítica no presente estudo.

Baseada no raciocínio de Burke (2010), sobre as características geográficas da história, e tendo por foco os Grupos Escolares como tema central desta pesquisa, é justo acompanhar o percurso já seguido por outros autores relativos à historiografia de estudos sobre estas instituições. Quanto à geografia da história, balizou-se ainda no recorte no estilo territorial sertanejo, diferença crucial deste trabalho diante dos demais, sobre instituições escolares, conforme já sinalizou Souza, E. (2009) sobre a realização de pesquisas no interior de estados de Pernambuco.

Desde a última década do século XX, a temática sobre grupos escolares vem se intensificando, a origem está na Nova História Cultural e nos métodos propostos por Chartier (1990; 2002), Certeau (2010) e Burke (1992), também pelas sociologias de Foucault (1987;1979) e Elias (1993;1934). No entanto, a gênese brasileira dessa investigação está amplamente citada no levantamento historiográfico desta pesquisa.

Assim, observou-se que os 59 trabalhos, aos quais essa dissertação se debruça, são oriundos do que podemos chamar de corrente historiográfica tradicional brasileira sobre história de instituições escolares no Brasil, práticas pedagógicas entre outros assuntos, sendo os autores dessa gênese: Faria Filho (1996), Vidal (1995), Souza, R. F. (1998), Nagle (1974), Carvalho, M. M. (1998), Frago (1993), Saviani (1998), Pinheiro (2002), Carvalho, J. M. (1989), Nunes (1998), Romanelli (1988).

Esta corrente historiográfica tradicional sustenta a hipótese de que os Grupos Escolares foram os pilares mantenedores da ordem Republicana, sendo instituídos nos municípios brasileiros com propósito de padronizar, modernizar e higienizar o alunado, além de formar cidadãos aptos para mão de obra fabril. A globalização foi apontada na historiografia tradicional, como responsável pelos métodos pedagógico e modernização abordados nos Grupos Escolares (SOUZA, R. C., DEMARTINI, In: VIDAL 2010).

(25)

Nesta mesma corrente de estudos, afirma-se que os grupos escolares se inseriram no Brasil para formar professores, com características de cursos técnicos, formando a mão de obra necessária para alfabetizar os filhos dos operários imigrantes (SAVIANI, 1998).

Esta lacuna é uma abertura para se questionar o quão público e democráticos foram os grupos escolares, já que comprovadamente, tanto pela historiografia tradicional quanto pelo estado da arte aqui recortado por 59 dissertações e teses, o alunado era majoritariamente do legado coronelista.

Embebidos desta base historiográfica nota-se a necessidade de se afunilar os temas dissertativos, para esmiuçar detalhes inerentes ao espaço geográfico, cultura escolar, e organização social. Principalmente no âmbito das revistas cientificas, fonte pouco utilizada como referencial teórico-científico nos trabalhos analisados, sendo inclusive menos utilizada que as fontes jornalísticas. A partir desse fato, ocorreu uma instigação para se esboçar a que se deve essa valorização das fontes midiáticas na historiografia dos Grupos Escolares.

Vislumbrar estes aspectos valorizando os autores precursores do desenvolvimento da historiografia educacional no Brasil é imprescindível para elaboração de uma pesquisa atual na área. No entanto, esta historiografia enfatizará como referencial para análise as pesquisas que surgiram como nicho dos escritos dos autores da historiografia tradicional brasileira. Pois o movimento iniciado a partir do ano 2000 na historiografia dos grupos escolares é o foco deste estudo.

Para conhecer as diferentes características entre o presente estudo e os demais existentes sobre grupos escolares, em sua maioria oriundos de pesquisas sobre história da educação no Brasil, dividiu-se os 59 trabalhos por uma análise regional, possibilitando traçar um perfil da inserção do Republicanismo nas regiões brasileiras, através do êxito dos grupos escolares.

O conceito de República ao qual nos situamos é a forma de governo instaurada no Brasil no fim do século XIX, teoricamente, um estilo de gestão democrático que deveria eliminar as tiranias e aristocracias existentes no Brasil Império do século XVIII, mas que em suma manteve o coronelismo e o tenentismo nas regiões interioranas e pecuaristas (BARROS, 2013).

(26)

Desta forma, será esclarecedor como cada região recebeu os grupos escolares, e como são as diferenças no campo da cultura, geopolítica, práticas pedagógicas, arquitetura de Norte a Sul do Brasil, assim como facilitará a análise das fontes bibliográficas e suas contribuições para a historiografia das instituições escolares como um todo, e da representação midiática do republicanismo, semióforo da imprensa brasileira da década de 1930 (FILHO, 2014).

Têm-se aqui por semióforo, termo filosófico melhor explicado por Chauí (2000), a representação imagética ou simbólica-ideológica que naturaliza a exploração de parcelas da sociedade onde o senso comum se apoia e favorece a manutenção do poder daqueles que deliberam e portanto, incutem o ideal a ser seguido pela maioria. “Semióforo é um signo trazido a frente ou empunhado [...] cujo valor não é medido por sua materialidade e sim por sua força simbólica. Um semióforo é fecundo porque dele não cessam de brotar efeitos de significação” (Chauí, 2000, p.7).

A romantização está presente na maioria das pesquisas, ora pelo fato do autor ser parte da família e do lugar pesquisado, ora pela ausência do discurso de República como lugar miscigenado, utilizando os termos do mito da democratização racial homogênea e estável, um forte exemplo encontra-se na dissertação de Rodeline (2015) sobre a cultura escolar do Mato Grosso.

Nesse sentido, deve-se reconhecer a importância da tese de Arantes (2014), “Processos de racialização nas escolas primárias pernambucanas (1911-1945)” que desenvolveu seu trabalho historiográfico na Universidade Federal da Paraíba-UFPB, identificando as influências do lugar social, discursos ideológicos e a contribuição da psicologia para a institucionalização dos grupos escolares em Pernambuco.

A tese de Arantes (2014) tem, em suma, questões similares aos demais estudos, como a higienização, arquitetura e organização escolar compreendida nas ações sociais republicanas, o processo de racialização é o que retira Arantes (2014) do discurso comum (romantizado) das demais pesquisas. O que segue transcorre pela análise comparativa das narrativas, vivências e memórias dos personagens encontrados ao longo das interpretações. Os primeiros trabalhos aos quais se baliza esta historiografia representam achados sobre grupo escolar nas regiões Norte, Sul e Centro Oeste.

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2.1 - Historiografia dos Grupos Escolares do Norte, Sul e Centro Oeste: o mercado de trabalho, a interferência da religião e as tradições das elites.

Pretende-se, aqui, esboçar as linhas nas quais seguiram os pesquisadores das regiões Norte, Sul e Centro Oeste. Este recorte foi dado após a leitura dos respectivos trabalhos e compreensão que há uma heterogeneidade nos escritos destas regiões. Deve-se entender, no entanto, a que tipo de ideologia a nação foi imposta, e o reflexo das decisões textuais passadas na construção identitária nacional na historiografia.

Seguindo uma linha de pesquisa traçada principalmente pela autora Rosa Fátima de Souza (1998, 2009, 2012), citada em todas as pesquisas das regiões supracitadas, que tratam de: gênese das instituições do ensino primário, mercado de trabalho, subjetivação do ensino – civilização, cultura escolar e legitimidade do saber, sendo 11 dissertações e 2 teses, totalizando 13 trabalhos dos 59, que dialogam e revelam um tipo textual que mostra visões históricas patriarcais, sobretudo, pesquisas que simbolizam as consequências do positivismo nestas regiões do Brasil.

Quadro 1 – Pesquisas da região Norte

1.1 – Pesquisas do Pará

UFPA Mestrado em Educação - Instituição de Ensino/ Currículo e formação de

professores

O Grupo Escolar Lauro Sodré em face da política de expansão do sistema escolar no estado do Pará:

institucionalização, organização curricular e trabalho docente

(1968-2008).

Renato Pinheiro da Costa (2011)

UFPA Mestrado em Educação, Instituição de Ensino/ Currículo e formação de

professores

Processos de subjetivação, poder disciplinar e trabalho docente no Grupo Escolar Professor Manoel Antônio de Castro(1940-1970)

Glaybe Antônio Sousa Pimentel

(2012)

UFC Doutorado em História da Educação Templos de civilização no Pará: a institucionalização dos Grupos

Escolares 1890-1910

Ana Maria Leite Lobato

(28)

Quadro 2 - Pesquisas da região Sul

2.1 – Pesquisas de Santa Catarina

Quadro 3 - Pesquisas da Região Centro-Oeste

3.1 – Pesquisas do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás UDESC Mestrado em Educação

Instituição de Ensino

Em nome de Deus e da elite: dispositivos disciplinares para a distinção no Grupo Escolar Bom

Pastor (1947-1959)

Odimar Lorenset (2011)

UNOESC Mestrado em Educação - Instituição de Ensino

A interferência do regime militar e religiosa no processo pedagógico do Grupo Escolar Elpidio Barbosa

João Ademir Cancilier 2011 UFSC Mestrado em Educação Científica e

Tecnológica

Aproximações da Geometria e do Desenho nos programas de ensino dos Grupos Escolares Catarinenses

Thaline Thiesen Kuhn

(2015) UFSC Mestrado em Educação Científica e

Tecnológica

Entre o ensino ativo e a escola ativa : os métodos de ensino de aritmética nos Grupos Escolares

catarinenses

Thuysa Schlichting de

Souza (2016)

UFGD Mestrado em Educação - Instituição de Ensino /História da Educação,

Memória e Sociedade

Cultura escolar: institucionalização do ensino

primário no sul do antigo mato grosso: o Grupo Escolar Tenente Aviador

Antonio João no município de Caarapó (1950-1971)

Juliana Da Silva Monteiro

(2011)

UFGD Mestrado em Educação -

Instituição de Ensino História da Educação, Memória e Sociedade

Grupo Escolar Esperidião Marques: uma contribuição para

os estudos das instituições escolares em mato grosso: 1910-1947 Adriane Cristine Silva (2011)

UFGD Mestrado em Educação - Instituição de Ensino História da Educação,

Memória e Sociedade

Grupo Escolar Mendes Gonçalves: vicissitudes no processo de escolarização Republicana na fronteira Brasil-Paraguai (1889-1931) Marcio Bogaz Trevizan (2011)

UFGD Mestrado em Educação Grupo Escolar Antônio João

Ribeiro:Cultura Escolar Primária Em Itaporã – MT. Uma Contribuição para a história das instituições educativas (1953-1974) Claudiani Ferreira da Cunha Rodelini (2015) UFU

Mestrado Instituição de Ensino, História e Historiografia

Gênese e desenvolvimento do Grupo Escolar César Bastos no

cenário educacional de Rio Verde/GO (1947-1961)

Maria Aparecida Alves Silva

(2013)

USP Doutorado em História da

Educação e Historiografia

De criança a aluno: as representações da escolarização da

infância em Mato Grosso (1910- 1927)

Elizabeth Figueiredo de

Sá Poubel e Silva (2006)

(29)

As consequências do positivismo no campo educacional circulam na historiografia entre a institucionalização e desenvolvimento do cenário político na educação, pontuando questões sobre a organização curricular e dispositivos disciplinares – metodológicos militares e religiosos, assim como inovação do trabalho docente e suas configurações. Observados nos autores Costa (2011), Lorenset (2011), Pimentel (2012) e Kuhn (2015).

Para exemplificar utilizaremos Costa (2011) que abordou a expansão do sistema escolar no estado do Pará através da história do Grupo Escolar Lauro Sodré de 1968 a 2008. O recorte temporal inusitado utilizado por Costa (2011) aguçou a investigação sobre a existência dos métodos de ensino oriundo deste tipo institucional, e suas importâncias para o ensino primário no Brasil, pois, ainda segundo ele, em qualquer lugar onde se implantasse um grupo passava-se a existir sinais da influência do tipo institucional, e não seria diferente no Pará.

[Em qualquer] Grupo Escolar no Estado do Pará, [...] seria possível ser notado os sinais deixados pelas influências dessa instituição, pois pelos levantamentos realizados nos capítulos anteriores nota-se que no processo de implantação dessas unidades de ensino houve atividades políticas, trabalhistas, financeiras, comerciais, onde os Grupos Escolares marcaram a existência dos municípios nos quais foram implantados (COSTA, 2011. p.80- 81).

Observando as influências nos campos trabalhistas, comerciais e políticos deixados pelos grupos escolares chega-se as questões do poder na educação. A subjetivação do poder disciplinar, as interfaces dos dispositivos pedagógicos, os objetivos do ensino e a formação do docente, são assuntos relacionados capazes de insinuar o motivo da desvalorização do ensino no Brasil.

Esta desvalorização é observada, ao passo que se introduz na forma das leis a obrigatoriedade do ensino primário para os cidadãos brasileiros e de títulos para os professores, mas, desobriga-se o estado a arcar com as despesas educacionais como ocorreu em outrora, mantendo em mãos invisíveis, o poder da oferta e demanda educacional.

(30)

A oferta e demanda dos grupos escolares foram, portanto, termômetro do grau civilizador nacional, como comprova esta historiografia. Seja em nome de Deus ou da Elite as matrículas do alunado, e suas frequências eram espelhadas nas já existentes medições demográficas do analfabetismo. Que se fazia presente junto às medições de tipo de moradia e cor da pele (LORENSET, 2011).

As medições do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – IBGE são, em suma, a resposta cultural imposta historicamente. Grande número de pesquisas brasileiras tem apoio nos levantamentos desta instituição que passou a ser reconhecida como IBGE a partir de 19403. Devido aos avanços tecnológicos e metodológicos os recenseamentos demográficos de todo período da república, exceto da década de 1930, estão disponíveis no ambiente virtual do instituto.

E a dicotomia regional aparece integrando o discurso de dois Brasis (LAMBERT, 1967) (SILVA, MARIA, 2013), ficando parte da historiografia incumbida de dar voz ao cidadão rural/operário e a outra parte às elites (rurais, militares, religiosas, positivistas). Estando as regiões Norte, Sul e Centro Oeste, ora representada pelo rural, ora pelo urbano. Diferentemente das regiões Nordeste e Sudeste que, como veremos mais a frente, são intensamente antagônicas, inclusive epistemologicamente.

O caminho historiográfico foi, portanto, expandindo e abrindo espaço para discussões outras, que terão atenção nesta dissertação. Um assunto questionável é a participação da mídia na educação da república e sua representação textual acadêmica romantizada. Outra questão é a existência dos grupos escolares em ambientes rurais como forma de legitimar a instalação da modernização, embora as práticas civis estivessem ligadas a ruralidade.

No tocante aos métodos pedagógicos podemos evidenciar as normas militares e o que também se chamou de ensino ativo (SOUZA SCHLICHTING, 2016) nas aulas de aritmética e desenho, por exemplo, presentes nos grupos escolares para fortalecer mão de obra Industrial4. Já que havia a forçosa Industrialização na República e anseio por progresso.

3 Disponível em http://memoria.ibge.gov.br/sinteses-historicas.html acessado em 23/03/2017 4 Neste contexto a palavra Industrial vem da Revolução Industrial que eclodiu entre os séculos XVIII e XIX e que foi gradativamente mudando os estilos de produção de manufaturados e artesanais para maquinários.

(31)

O progresso é visível a partir da oferta e demanda de professores frente à expansão e institucionalização dos grupos escolares no Norte, Centro-Oeste e Sul do Brasil, podendo se afirmar de acordo com esta historiografia que a inserção da mulher no mercado de trabalho, através do magistério, é uma discussão que aparece em 53,85% das pesquisas destas regiões.

Seja sobre a imagem da professora diante do higienismo e eugenia praticada naquele contexto escolar, ou sobre a valorização do professorado sob o discipulado Republicano, ou ainda, sobre a gênese da formação docente continuada como manobra para serviços técnicos, em função de um ensino primário elitizado na transição Império-República, a discussão que trata de aspectos do professorado primário está amplamente representado.

Amplia-se também nestas regiões assuntos dos estilos comportamentais da República, modos operantes das ações pedagógicas e curriculares, histórias de vida e de famílias patriarcais na transição Império-República.

Revelando que as rédeas, sob as quais se moviam à docência na República, transitavam entre obtenção de poder da elite através do conhecimento e transmissão de valores pudicos para conter a miscigenação, positivando a nova consciência comercial Industrial e preparando os corpos para uma nação patriótica e militarizada. Assim como, valorizando o trabalho do inspetor em detrimento da mão de obra docente (PIMENTEL, 2012) (COSTA, 2011).

Assim, os grupos escolares e seus sinais civilizatórios moldaram boa parte dos cidadãos brasileiros inclusive nas regiões Norte, Sul e Centro Oeste, onde na historiografia aparece com trabalhos mais diretamente preocupados com a temática em consonância com a institucionalização dos saberes educativos. Já as regiões Nordeste e Sudeste aparecem com assuntos antagônicos e ambivalentes, fortalecendo, portanto, uma historiografia plural.

(32)

2.2 – Disciplinarização, modernização e manutenção: a historiografia dos grupos escolares do Sudeste e as mudanças epistemológicas.

Esta ordem dos trabalhos aqui expostos e a metodologia aplicada sobre esses conteúdos dissertativos são de inspiração nos escritos de Peter Burke (2010), em “A escola dos Annales 1929-1989”, quando ele destrincha o percurso dos escritos em História na França, sobre assuntos diversos, não objetivando definir o que vem a ser a Escola dos Annales, mas tentando “de um lado compreender o mundo Francês, de outro, explicar tanto quanto possível, a década de 1920 às gerações posteriores e a prática do historiador para sociólogos, antropólogos, geógrafos e outros cientistas sociais” (BURKE, 2010. p. 14).

Nesse intuito, e com base nas leituras, compreendeu-se que dividir as dissertações por estado de origem institucional não daria uma resposta sobre o que cada região tem em comum entre os demais escritos. Portanto, foram catalogadas pela origem cultural que estão representados nos textos, sendo a região Sudeste detentora de 23 dissertações e 6 teses, totalizando 29 produtos.

Traçando uma linha a qual seguiram os rumos das pesquisas do Sudeste, evidenciou-se os nichos pertencentes aos grupos escolares dessa região, que focaram seus esforços em revelar os métodos de ensino, a configuração e institucionalização dos grupos, a cultura escolar, disciplinarização dos corpos, educação e leis, linhagem e saúde docente, alunos egressos, arquitetura, história das bibliotecas nos grupos, linguagem e a forte imagem passada pela imprensa no recorte Republicano.

Na historiografia do Sudeste emerge uma intenção textual ambivalente. Já que culturalmente somos condicionados a elaborar “estereótipos imagéticos dos indivíduos, que jamais precisarão ser postos a prova, sendo a força da ambivalência combustível que valida e garante sua repetibilidade em conjunturas histórias e discursivas mutantes” (BHABHA, 1998, p, 106).

(33)

Quadro 4 – Pesquisas da região Sudeste; 4.1 – Minas Gerais: UFMG Mestrado em Educação/ Sociedade, Cultura e Educação.

O domínio das coisas: o método do intuitivo em Minas Gerais nas primeiras décadas Republicanas.

Fernanda Mendes Resende (2002) UFU Mestrado em Educação A configuração do grupo escolar

Júlio Bueno Brandão no contexto republicano (Uberabinha-MG 1911-1929) Luciana Beatriz de Oliveira Bar de Carvalho (2002) UFMG Mestrado História da

Educação e Instituição de Ensino

Grupo Escolar de Lavras: Produzindo uma instituição modelar

em Minas Gerais (1907-1918) Jardel Costa Pereira (2005) UFU Mestrado em Educação- Instituição de Ensino, História e Historiografia

O Grupo Escolar Honorato Borges em Patrocínio Minas Gerais (1912-1930): Ensaios de uma organização

do ensino público primário

Geraldo Gonçalves de Lima (2006) UFU Mestrado Instituição de Ensino, história e historiografia

Templo do bem:o Grupo Escolar de Uberaba, na escolarização republicana (1908-1918) Rosangela Maria Castro Guimarães (2007) UFU Mestrado em História da Educação

Projetos de educação e civilidade: controle social e disciplinarização dos costumes em Uberabinha- MG

(1888-1926) Hendel Carrera Ching (2010) UFU Mestrado em Educação - Instituição de Ensino, História e Historiografia

Grupo Escolar de Ibiá, MG (1932-1946 ): Uma expressão Estadual .

Sirlene Cristina de Souza

(2010) UFU Mestrado m Educação-

Instituição de Ensino, História e Historiografia

História de alfabetizadoras Uberlandenses: modos de fazer no Grupo Escolar Bom Jesus 1955

a1971

Michelle Castro Lima (2011) UFU Mestrado em Educação -

Instituição de Ensino, História e Historiografia

O Grupo Escolar Minas Gerais e a educação pública primária em Uberaba (MG) entre 1927 e 1962

Marilsa Aparecida Alberto Assis Souza (2012) UFU Mestrado em Educação -

Instituição de Ensino, História e Historiografia

Grupo Escolar em Minas Gerais: análise da legislação na primeira república 1906 – 1924 Sandra Maria De Oliveira (2012) UFU Mestrado em Educação - Instituição de Ensino, História e Historiografia

Grupo Escolar Professora Alice Paes: Trajetória dos egressos e currículo escolar (Uberlândia-

minas Gerais 1965-1971)

Angélica Pinho Martins Rocha

(34)

4.2 – São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro: UFMG Mestrado História da Educação e Instituição de Ensino O processo de legitimação do Grupo Escolar como instituição de saber (Ouro Preto, Minas Gerais,

1900-1920)

Juliana Goretti Aparecida Braga Viega

(2012) UFV Mestrado em Educação,

formação e prática docente

O processo de adoecimento do magistério público primário no início do século XX: indícios do mal-

estar docente nos Grupos Escolares mineiros (1906-1930)

Talitha Estevam Moreira Cabral

(2014) UFMG Doutorado História da

Educação e Instituição de Ensino

Cultura Escolar: práticas e produção dos Grupos Escolares em

Minas gerais (1891-1918) Irlen Antônio Gonçalves (2004) UFU Doutorado em Educação - Instituição de Ensino, história e historiografia

Trilhas e Rastros da educação primária: história do Grupo Escolar

Coronel José Teófilo Carneiro, Uberlândia-MG, 1940 -1970

Geovanna Lourdes Alves

Ramos (2014)

UFU Doutoradoem Educação História da alfabetização de Ituiutaba: vivências no Grupo Escolar Governador Clóvis Salgado

(1957-1971) Tânia Resende Silvestre Cunha (2011) USP Doutorado em História da Educação

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Por exemplo, a dissertação Ecos do progresso: a trajetória do Grupo Escolar Domício da gama na cidade de Maricá RJ na década de 1950 (SILVA, MELO, 2012), única dissertação encontrada sobre um grupo escolar do Estado do Rio de Janeiro, indo em busca do retorno material da história a autora detalhou a escolarização de crianças da zona rural e urbana em um mesmo grupo escolar na década de 1950, relação que possibilita o entendimento da heterogeneidade no espaço escolar público, tecendo uma escrita que exalta o avanço das camadas populares ou rurais como ela pontua.

A ambivalência está para Nova História Cultural como prática discursiva, já que a nação brasileira resignificou status, estéticas e histórias paralelamente, ou seja, ambivalentemente correlatas. Ao passo que no Nordeste lê-se sobre higienização, racialização e tradição, no Sudeste a leitura é sobre disciplinarização, modernização e manutenção, mudanças linguísticas referentes aos mesmos moldes e tempos Republicanos.

O que intenciona a mudança verbal não diz respeito somente a mudança regional, diz respeito ao modo operacional das políticas públicas que envolvem saneamento básico, expansão comercial e as instituições familiares, práticas inerentes ao surgimento do Estado-Nação, lócus central do surgimento da República, sendo o povo brasileiro de cultura heterogênea, principalmente pelo grande número de imigrantes participantes ativos da civilização deste tempo.

O ideal Republicano é, portanto, um empreendimento pós-colonial que representa a autoridade antagônica (do poder e/ou conhecimento) que, em um gesto duplamente inscrito, tenta simultaneamente subverter e substituir valores, fazendo das diferenças um círculo fechado para possibilidades interpretativas. Tirando das minorias históricas o poder de significar, de negar ou de iniciar seus desejos históricos de estabelecer seu próprio discurso institucional e oposicional (BHABHA, 1998).

Sendo assim, visualizou-se este antagonismo entre o Nordeste e o Sudeste e as substituições de intenções históricas, que interrogam as identidades que nada mais são que a externação psíquica e física da cultura incumbida no ser humano. De forma que a historiografia capta nos documentos dissertativos a transparente diferença entre legibilidade e a regra legítima (BHABHA, 1998).

Referências

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