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O esclarecimento antigo e moderno

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Academic year: 2021

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UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO NORTE CENTRO DE CIÊNCIAS HUMANAS, LETRAS E ARTES

DEPARTAMENTO DE FILOSOFIA

ULYSCLEY DE SOUSA MACEDO

O ESCLARECIMENTO ANTIGO E MODERNO: PLATÃO E KANT

NATAL/RN 2015

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Ulyscley de Sousa Macedo

O Esclarecimento Antigo e Moderno: Platão e Kant

Monografia apresentada ao Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial à obtenção do grau de bacharela em Filosofia

Orientador: Prof. Dr. Joel Thiago Klein.

Natal/RN 2015

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Ulyscley de Sousa Macedo

O Esclarecimento Antigo e Moderno: Platão e Kant

Monografia apresentada ao Departamento de Filosofia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte como requisito parcial à obtenção do grau de bacharela em Filosofia

Orientador: Prof. Dr. Joel Thiago Klein. Área de concentração: Filosofia Política;

Natal/RN, 16 de junho de 2015; Resultado: _____/___________.

BANCA EXAMINADORA

______________________________________ Prof. Dr. Joel Thiago Klein – Orientador e Presidente Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

______________________________________ Profa. Dra. Cristina Foroni Consani – Membro Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

______________________________________ Profa. Dra. Cinara Maria Leite Nahra – Membro Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

______________________________________

Prof. Dr. Antônio Basílio Novaes Thomaz de Menezes – Membro Suplente Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN)

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Aos inquietos pelo conhecimento que preservam a consciência de que não sabem de tudo e não subestimam o próximo por terem algum conhecimento.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço à referência dos ótimos professores que tive durante o curso, que representarei no nome de Jaime Biella, e que inevitavelmente serão carregados comigo a partir de agora, afinal fizeram parte de minha formação. Agradeço também aos professores que não foram bons, pois me mostraram os erros que jamais quero cometer na vida acadêmica. Sou grata a mim mesma por ter enfrentado os medo e inseguranças tão majorados por professores sem o dom do ensino.

Ao colega de curso e amigo da vida Alex Rodrigues, que já possui todos os atributos de um bom orientador. Bem como aos preciosos amigos e amigas que me ajudaram efetivamente na realização desse sonho: Alice Dantas, Raphaela Simplício, Renata, Lauro, Everson, Ricardo, à vocês minha gratidão.

As preciosas primas Ana Beatriz, de onde senti verdadeiros e sinceros reconhecimento e incentivo por eu ter escolhido o curso de Filosofia.

Por fim agradeço a minha fé, que me garante o otimismo de que tudo acontece para o bem.

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É “O MITO DA CAVERNA” Considerado hoje em dia Por estudiosos, filósofos E os artesãos da poesia Como sendo, edificante, A metáfora mais brilhante De toda a filosofia.

O diálogo põe entraves Que se dá pra perceber A mudança imprescindível Que sempre pode ocorrer, E mostra, sem verborréia, O poder que tem a idéia E a importância do saber.

Pois, “O MITO DA CAVERNA” Para muitas gerações Há dois milênios e meio Vem produzindo lições. . . Seu saber é tão fecundo Que ainda hoje no mundo Semeia reflexões. (Medeiros Braga)

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RESUMO

Propõe-se neste trabalho a análise da busca pelo conhecimento em dois momentos específicos da história e pela visão de dois filósofos de relevante importância. Primeiro a filosofia de Platão, com toda sua dialética em torno do “Mito da Caverna” no Livro VII de A República de Platão e depois as reflexões de Immanuel Kant contida no opúsculo Resposta à Pergunta: o que é Esclarecimento? Destaque para a inquietação individual na busca do conhecimento, próprio do ser humano, representado tanto com relação a saída caverna quanto na busca pelo esclarecimento, onde ambas situações remetem a necessidade de se buscar o entendimento da situação atual de cada indivíduo afim de, a partir de reflexões particulares, seja possível empreender melhorias na sociedade. Por fim, uma comparação entre as ideias dos pensadores e uma contemporização aos dias atuais. O método utilizado se baseia em uma pesquisa histórico-bibliográfica, onde por meio de análise das obras relacionadas dos referidos filósofos cuja relevância aponta para o movimento individual de se buscar a emancipação do pensamento por cada um e consequentemente constituir uma sociedade mais justa.

PALAVRAS-CHAVE: Esclarecimento. Platão. Kant. Mito da Caverna.

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ABSTRACT

It is proposed in this work the analyzing search for knowledge in two specific moments in history, by the vision of two philosophers of great importance. First, Plato’s Phylosophy, with all its dialectical around the "Myth of the Cave", in the Book VII of The Republic of Plato and then the reflections of Immanuel Kant contained in the booklet Response to the Question: What is Enlightenment? Emphasis on individual disquiet in the pursuit of knowledge, proper to the human being, represented both with respect to cave exit as in the search for enlightenment, where both situations refer to the need to seek the understanding of the current status of each individual in order to, from Personal reflections, be possible to undertake improvements in society. Finally, a comparison between the ideas of thinkers and an update to nowadays. The method used is based in a historical and bibliographical research, where by analysis of related works of such philosophers, whose relevance points to the individual movement of seeking emancipation of thought for each other and thus constitute a fairer society.

KEYWORDS: Enlightenment. Plato. Kant. Myth of the Cave.

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SUMÁRIO

1 INTRODUÇÃO ... 09

2 A INDIVIDUALIDADE NA SAÍDA DA CAVERNA ... 11

3 ESCLARECIMENTO PARA KANT ... 24

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 31

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1 INTRODUÇÃO

A partir de uma reflexão pautada na inquietação humana, será feito um breve recorte no momento onde a civilização dava os primeiros passos, na Grécia, onde Platão escreveu A República, e no livro VII dessa obra discorreu sobre alguns prisioneiros que viviam acorrentados em uma caverna, este foi o cenário onde Platão criou o famoso Mito da Caverna. Neste primeiro momento uns breves resgates do momento histórico bem como uma rápida abordagem da consagrada dialética platônica irão compor a abordagem por onde caminha a pretensão deste trabalho, qual seja destacar a inquietação individual pelo conhecimento e os reflexos sociais. Nestes termos buscou-se demonstrar que a solução para os problemas na sociedade começa em cada um.

Da mesma forma, em outro momento histórico Immanuel Kant escreveu para revista Berlinischer Monatschrifft sobre o Esclarecimento. As buscas pelo esclarecimento tratado por Immanuel Kant demonstram as atuais limitações intelectuais da sociedade, que eram a mesmas de sua época, e igualmente aponta para a busca individual pelo esclarecimento, onde da mesma forma, reservadas as devidas proporções, Platão escreveu no Mito da Caverna.

Kant, desenvolveu uma sequência de ações para o individuo que busca o esclarecimento, com o objetivo, nos limites da obra, de fazer uso público da sua própria razão. Para chegar nesse objetivo o filósofo dirá que é necessária ousadia – Sapere Aude! – para se conquistar a liberdade de raciocinar e só então fazer uso público da sua razão, que segundo Kant há de ser feita de forma escrita ao público letrado.

Em decorrência da pesquisa realizada, o problema que impulsionou as reflexões acerca do tema foi a notória relação entre as ideias as de Platão e Kant. Somado a isso temos a atualidade do tema que justifica a pesquisa. Além disso há o esforço para contribuir, na compreensão da influência da filosofia de Platão e Kant para a vida do indivíduo e consequentemente na construção de uma sociedade cada vez mais justa.

Oportuno frisar que a busca pelo conhecimento é um movimento porfioso, ou seja, é permanente, continua e continuará acontecendo por um tempo sem fim. Uma parcela da humanidade, que não arrisco quantificar, quer descobrir e

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naturalmente deseja saber como melhor usar o conhecimento através de incessante estudo. Deste modo o real interesse desta pesquisa visa incitar o pensamento sobre a realidade política individual, bem como a realidade política social refletida. Em ambos os casos é latente o apelo das duas obras selecionadas para o desenvolvimento particular de cada indivíduo com vistas ao desenvolvimento social efetivo.

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2 A INDIVIDUALIDADE NA SAÍDA DA CAVERNA

Existe facilidade em encontrar no projeto filosófico de Platão um start para desenvolver qualquer tema da filosofia, entretanto há neste filósofo a particularidade da gênese da pesquisa a que se pretende neste trabalho. Encontramos no Livro VII de A República, sua principal obra relacionada a filosofia política, o Mito da Caverna1. O trabalho apresentará uma ordem cronológica do desenvolvimento da própria história da humanidade, com vistas a incessante busca da verdade e domínio do conhecimento. Para tanto é de notável prudência compreender em linhas gerais a vida dos filósofos para uma aferição firme do pensamento proposto, e não é demasiado destacar algumas passagens da vida de Platão e posteriormente de Immanuel Kant, que justificam em certa parte o relevante conteúdo das obras deixadas para toda humanidade.

Platão e sua percepção do mundo das ideias já lançava olhares ao abstrato e se preocupava em compreender a essência mais profunda da realidade. Ele associava ao conceito de perfeição do ‘mundo das ideias’ as formas geométricas puras que jamais se transformam. Desconfiava declaradamente da percepção do mundo através dos sentidos e destacava em sua crença o fato de que os sentidos iludem e confundem a mente humana. Aferia perfeição somente ao mundo das ideias, que se estabelece em argumentos geométricos ligados a beleza cientifica irrepreensível da matemática.

Nasceu e morreu em Atenas, sua vida perdurou entre 428 a.C a 347 a.C, período de apogeu político e cultural de Atenas. Uma das cidade-Estado da Grécia que por volta de 450 a.C exerceu o domínio dos mares, vastos territórios, decidia democraticamente sobre seu próprio destino, além de impor sua moeda às outras cidades. O Parthenon erguido em homenagem a deusa Atena entre 447 a.C e 438 a.C é símbolo da pujança daquele momento e se destacou como monumento à própria cidade de Atenas (ZINGANO, 2005, p.17).

O Parthenon e toda sua ornamentação em esculturas e demais belezas declarou o notável apogeu ateniense, e os seus traços muito mais que destaque

1 Para uma melhor compreensão das ideias aqui expostas, utilizamos o termo “Mito da Caverna”

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arquitetônicos, demonstravam a vitória da razão sobre o primitivo, e evidenciava o cidadão ateniense como homem civilizado em contraste com o homem bárbaro. Platão viveu além dos tempos de glórias e esteve em Atenas durante a época dos trinta tiranos, quando a democracia sucumbiu e a oligarquia se instalou em Atenas após sucessivas derrotas. Platão foi, segundo Marco Zingano, o olhar arguto e ferino de todos esses eventos.

Ainda quando Atenas passava pelo reinado dos trinta tiranos Platão encontrou Sócrates e passou a ser seu discípulo. Após o restabelecimento da democracia e o fim do governo dos trinta tiranos, Sócrates foi julgado e condenado, fato que revolta Platão e o faz deixar Atenas. Entretanto continuou a perseguir seu sonho de reformar os homens com base em um saber infalível, manteve a ideia de que os reis deveriam ser filósofos, e os filósofos deveriam ser reis. Tempos depois, após infelizes experiências na carreira política, em seu regresso a Atenas, Platão fundou sua Academia e estabeleceu o diálogo como gênero, e pela inspiração e influência de Sócrates, deu voz a sua filosofia e materializou sua obra através do diálogo.

A ideia pesquisada começa a estabelecer uma linha de raciocínio a partir da filosofia antiga, como já anunciado. Para tanto O Mito da Caverna foi imediatamente relacionado ao objetivo da pesquisa, de evidenciar a individualidade em busca do conhecimento. Antes, porém destaca-se que Platão dividiu a realidade em mundos: de um lado, há o mundo concreto, percebido pelos sentidos, irregular, constantemente gerado e destruído, e do outro lado está o mundo das Ideias, uniformemente existente, apreendido apenas pelo pensamento (ZINGANO, 2005, p. 49-50).

Na narração do Mito da Caverna, Platão relata as condições físicas e sensíveis em que alguns prisioneiros viviam dentro de uma caverna, tal como os homens que vivem na ignorância:

– Depois disto – prosseguiu eu – imagina nossa natureza, relativamente à educação ou à sua falta, de acordo com a seguinte experiência. Suponhamos uns homens numa habitação subterrânea em forma de caverna, com uma entrada aberta para a luz, que se estende a todo comprimento dessa gruta. Estão lá dentro desde a infância, algemados de pernas e pescoços, de tal maneira que só lhes é dado permanecer no mesmo lugar e olhar em frente; são incapazes de voltar a cabeça, por causa dos

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grilhões; serve-lhes de iluminação um fogo que se queima ao longe, numa eminência, por detrás deles; entre a fogueira e o prisioneiros há um caminho ascendente, ao logo do qual se construiu um pequeno muro, no género do tapumes que os homens dos <<robertos>> colocam diante do público, para mostrarem as suas habilidades por cima deles. (PLATÃO, 514a-b).

Em linhas gerais O Mito da Caverna, descrito no livro VII da obra A República de Platão, é uma crítica à coletividade que se sujeita ao conformismo, sobretudo em uma situação precária. Platão narra no decorrer da obra a cena da peleja de um indivíduo em busca da ascensão para sair dessa situação precária. Ele chama este ambiente de mundo das aparências. Necessário se faz o destaque da condição dos homens como escravos acorrentados, que só dispõe das informações dadas pela sensibilidade da audição e visão e só enxergam sombras projetadas de coisas e pessoas que estão fora da caverna. Estes homens prisioneiros são o retrato da humanidade que se conforma com o senso comum e seguem acreditando em uma ilusão como se verdade fossem. Após o relato das condições humanas na caverna, Platão discorre sobre duas possibilidades. Uma demonstra a filosofia, que representa a saída do mundo das sombras/aparências para a contemplação das coisas reais. A outra mostra a possibilidade de continuar na caverna, dominado integralmente pela ignorância e sem outras expectativas além das já postas.

Na ocasião em que o homem sai da caverna outros dois caminhos podem ser percorridos. Um dos caminhos será contemplar a verdade, apesar das dificuldades de romper com o conformismo. Neste primeiro momento, a metáfora da saída da caverna para o mundo exterior representa a saída do que podemos chamar de senso comum, pois se baseia nas aparências dadas e não nas convicções pessoais. O individuo que sai da caverna é guiado pela luz da filosofia vai em busca da verdade e do conhecimento. A saída efetiva da caverna expõe o sujeito ao esclarecimento de algo antes era conhecido só parcialmente ou totalmente desconhecido.

Via de regra é gerado um desconforto pelo pensamento de se conhecer somente ilusões, a ponto de muitos rejeitarem a verdade do mundo das ideias, fato comum ao habitual nível de conhecimento da maioria das pessoas desde a época de Platão, especialmente quando o sujeito já tem um pré-conceito sobre

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algo. A saída da caverna proporciona o contato com a verdade em absoluta plenitude, o que para generosa parcela das pessoas é de difícil assimilação, pois a sensibilidade convence mais que a ideia.

Há outra possibilidade, que relata o caso de alguns prisioneiros que saem, mas brevemente retornam à caverna, estes representam os indivíduos que não suportam a verdade, no mito representado pela forte luz do sol. Diante da dificuldade em se habituar com o mundo externo, ou ainda a falta de coragem de enfrentar as dificuldades da realidade fora da caverna, acabam por retornar. Entretanto, os que se aprazem com a saída da caverna, persistiram e com o tempo adaptam-se a claridade e passam a contemplar a verdade, aos poucos naturalmente se servirão do conhecimento e da estabilidade do mundo das ideias. Vejamos:

– Considera pois – continuei – o que aconteceria se eles fossem soltos das cadeias e curados da sua ignorância, a ver-se, regressados à sua natureza, as coisas se passavam deste modo. Logo que alguém soltasse um deles, e o fossassem a endireita-se de repente, a voltar o pescoço, a andar e a olhar para a luz, ao fazer tudo isso, sentiria dor, e o deslumbramento impedi-lo-ia de fixar os objectos cujas sombras via outrora. Que julgas tu que ele diria, se alguém lhe afirmasse que até então ele só vira coisas vãs, ao passo que agora estava mais perto da realidade e via de verdade, voltado para objectos mais reais? E se ainda, mostrando-lhe cada um desses objectos que passavam, o forçassem com perguntas a dizer o que era? Não te paresse que eles se veria em dificuldades e suporia que os objetctos vistos outrora eram mais reais do que os que agora lhe mostravam? – Muito mais – afirmou.

– Portanto, se alguém o forçasse a olhar para a própria luz, doer-lhe-iam os olhos e voltar-se-ia, para buscar refúgio junto dos objectos para os quais podia olhar, e julgaria ainda que estes eram na verdade mais nítidos do que os que lhe mostravam? – Seria assim – disse ele.

– E se o arrancassem dali à força e o fizessem subir o caminho rude e ingrime, e não o deixassem fugir antes de o arrastarem até à luz do Sol, não seria natural que ele se doesse e agastasse, por ser assim arrastado, e, depois de chegar à luz, com os olhos deslumbrados, nem se quer pudessem ver nada daquilo que agora dizemos serem os verdadeiros objectos?

– Não poderia, de facto, pelo menos de repente. (PLATÃO, 515c-516-a).

Esses que optaram em sair da caverna e cumprir o dever moral de retornar para libertar os outros das correntes da ignorância, abrem precedente para duas

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outras situações apresentadas no Mito da Caverna. Uma mostra que alguns poucos irão buscar a liberdade e a estabilidade do mundo das ideias, contemplar a verdade e alcançar o conhecimento. E a outra mostra que o liberto que regressou para salvar os demais será agredido e desacreditado pela maioria dos outros prisioneiros.

Alguns aspectos contidos no Mito da Caverna merecem análise aprofundada, dentre estes aspectos a linguagem, condição humana, fases do conhecimento, dever moral e incompreensão dos prisioneiros serão analisados, todas com destaque para o apelo ao indivíduo de forma particular.

Durante todo o diálogo Platão se ocupa em convencer seu interlocutor individualmente e usa dos mais variados artifícios para que a ideia fosse apreendida individualmente. A linguagem usada no mito da caverna é mítica, ou seja, baseada em alegorias, que por sua vez é uma comunicação estabelecida em metáforas, e é sustentada também pelo método socrático de inquirição.

A linguagem mítica é observada desde os primeiros registros da civilização humana e é usada para explicar a realidade em que a sociedade estava. O mito vem dizer através de metáforas e analogias a vontade que o filosofo tem de se fazer entender, alcançando dessa forma inclusive aqueles que não compreenderiam um texto filosófico.

O mito é uma narrativa, demasiadamente usada pelos povos da Grécia antiga, onde o objetivo era explicar tudo o mais que fugia da compreensão humana. As simbologias, personagens sobrenaturais, heróis, deuses e deusas, explicações de cunho informativo são propriedades do mito, que misturam a esses aspectos as características humanas.

Fundamental compreender que a metáfora é uma figura de linguagem que corresponde a uma substituição de um termo por outro através de uma analogia. Entretanto o sentido literal é a base a partir da qual se criam as metáforas, que naturalmente instituem um mundo imaginário, em que as palavras funcionam com base no faz-de-conta. Por fim, a metáfora é uma ferramenta linguística importantíssima na comunicação humana, pois facilita o acesso do interlocutor a informação pretendida.

O mito da caverna é mais um exemplo da escrita no estilo filosófico de Platão, qual seja o diálogo, por meio do qual a dialética fundada na opinião de

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mais de uma pessoa (as que compõe o diálogo) encontra terreno para refletir sobre os mais variados temas. E é comum em suas obras o uso desse gênero linguístico, além de ser igualmente comum, os vários mitos que eram o meio mais difundido para compreensão da ideia que se pretendia colocar.

No mito da caverna é possível notar a união do diálogo, que é o gênero textual mais usado por Platão, com a metáfora, que é um recurso expressivo da linguagem. É sabido que a dialética platônica é influenciada pelo método de inquirição socrático e esta relação entre a inquirição socrática e a linguagem dialética de Platão possui uma relação intrínseca e de impossível dissociação. Além do caráter pedagógico, a dialética retrata especificamente no Mito da Caverna um diálogo onde a função mitológica busca organizar a realidade a partir da experiência sensível do prisioneiro que se liberta das correntes e saí da caverna – cena marcante descrita no mito da caverna –.

Dentro da linguagem dialética é natural perceber também o método maiêutico socrático, que genericamente é conhecido como “parto” intelectual, onde Sócrates conduzia o discípulo por si mesmo a produzir o conhecimento, usando amplamente a essência pedagógica. Nestes termos, Sócrates se colocava em uma posição relativamente distante do saber, e por meio deste método lançava perguntas com intenções a evidenciar o ponto de vista lógico e psicológico individual do discípulo, para a conclusão sancionada por ele próprio.

Nesse sentido, a dialética do Mito da Caverna segue a maiêutica socrática onde se busca a verdade das coisas pelas interrogações e através do diálogo se apurava a verdade pautada na compreensão da realidade pela evidencia logica e ontológica. Observado o auxílio por meio da linguagem metafórica e dialética que Platão estende ao interlocutor, que não se confunde com uma condução, posto que o filósofo usa de toda articulação a viabilizar uma conclusão individual, com respostas formadas no intimo de cada um.

Esta passagem clássica da filosofia convida a reflexão a partir da natureza humana com relação a ignorância e a instrução. A nomenclatura dada a ignorância e a instrução pode variar no vocabulário de cada época e, consequentemente, autores, porém o sentido permanece o mesmo. O termo “ignorância” usado por Platão pode sem prejuízo ser entendido por falta de “esclarecimento” ou mesmo “menoridade” usado séculos depois por Kant no

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opúsculo Resposta à pergunta: o que é o esclarecimento?. Logo, a busca pela escrita fluente permitirá sinônimos de fácil assimilação, que, entretanto, em essência remetem ao mesmo significado.

Pois bem, dentro do cenário da caverna, a realidade sensível fica a cargo, principalmente, dos sentidos. Uma realidade restrita na qual os prisioneiros viviam sob a limitada informação das sombras. Metaforicamente, a maioria dos indivíduos vivem até hoje em uma sociedade condicionada a ilusão das sombras, parafraseando Platão se diz que a condição humana dentro da caverna tem acesso somente ao mundo concreto. Em outras palavras, a realidade sensível da caverna é limitada a sensibilidade da visão e audição, onde habita o prisioneiro, que pode ser equiparado ao homem comum atual, que permanece limitado, sem qualquer reflexão cognitiva sobre mundo dos sentidos, sem questionamentos sobre a realidade em que vive.

A mera realidade sensível aprisiona e impede que o sujeito busque o inteligível. De modo que esta realidade é uma infeliz condição onde os prisioneiros estão acorrentados ao fundo de uma caverna desde a mais terna infância, sempre de frente a uma parede onde projeções de sombras são as únicas informações das quais dispõe. Esta condição limita a compreensão das informações disposta pela percepção sensível, ou seja, visão e audição de imagens fantasmagóricas da ilusão das sombras projetadas na parede, e tomavam o espectro pela realidade, de modo que a existência daqueles prisioneiros era dominada absolutamente pela ignorância.

É relevante destacar que a ignorância é difundida coletivamente, pois na caverna os prisioneiros são “acorrentados”2 desde a mais terna infância e assim permanecem, bem como na sociedade em que vivemos atualmente, onde temos elementos limitadores desde o ensino básica, de onde saem fundamentos para o preconceito, como exemplo as várias segregações até hoje instituídas por raça e credo, entre outras. Em contrapartida, não há disponibilização de chaves que abram as correntes e libertem os prisioneiros, não há um ensino isento que use a verdade honestamente em todas as etapas do ensino, infantil ao superior.

2 O termo utilizado aqui faz referência ao condicionamento intelectual pelos quais os prisioneiros

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Queremos dizer que só existe estimulo para que as pessoas sejam cada vez mais limitadas, tolhidas em sua capacidade pensante, para que fiquem cada vez mais acomodadas nas cavernas além de serem reprimidas com medo do desconhecido existente da fora da caverna. Uma justificativa cabível para o que foi discorrido é que a natural condição humana da maioria das pessoas, diante da realidade sensível é limitada e insuficiente para compreensão da realidade do mundo das ideias. Entretanto, o mundo das ideias é possível de ser alcançado, mas somente é atingido quando o indivíduo busca pelo conhecimento na área do inteligível.

O inteligível é do domínio da inteligência percebida pela razão. Dessa forma, o indivíduo inteligente é inclinado para objetividade e percebe através da razão um universo de conhecimento diante de si. A condição humana dotada de inteligência não suporta a pesarosa ignorância e busca a liberdade das correntes. Mas está natureza não é manifesta na maioria dos indivíduos, motivo pelo qual nem todos os homens desejam ou buscam sair da caverna. Conforme entendimento de Platão, a condição do filósofo torna possível o cultivo da sabedoria e a busca pela verdade. Nestes moldes o indivíduo orientado pela inteligência vive na plenitude da liberdade apto a investigar tudo ao seu redor, conhecendo formas perfeitas e alcançando consequentemente a ciência e o conhecimento.

Deste mondo a saída da caverna possibilita que a condição humana se expanda diante da realidade inteligível da verdade, da ciência e do conhecimento. Fala-se aqui das propriedades do mundo das ideias, onde a perfeição de formas geométricas e fórmulas matemáticas são a referência em busca do aperfeiçoamento do comportamento humano. Aqui se tem a saída da caverna pelo prisioneiro inquieto que busca o conhecimento para além do mundo concreto, este indivíduo que contemplará a realidade do mundo das ideias representa a inquietação do filósofo e faz uso da razão diante da condição inteligível do homem.

Bem se sabe que o conhecimento é um caminho longo e árduo, pois que não é simples sair da inércia da ignorância e se lançar ao movimentado mundo do saber, este ato segue uma ordem estabelecida em três fases disposto no Livro VII de A República.

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A inquietação é primeira fase e acontece, dentro do contexto do mito da caverna, em um primeiro momento quando o indivíduo sai da caverna e se depara com as novas e ainda imprecisas imagens do mundo externo, pois que mesmo que com a vista ofuscada pela forte luz do sol, o indivíduo já começa a trilhar os primeiros passos entre a ignorância e a sabedoria, a partir daí o indivíduo já começa a formar uma opinião, o que por si só já denota autonomia. Platão considera a opinião como algo intermediário entre o conhecimento e a ignorância, mesmo que ainda no âmbito do conhecimento sensível.

É na formação da opinião que o indivíduo faz as primeiras reflexões sobre a realidade em que vive, os questionamentos sobre sua condição e a condição dos outros pode ser o primeiro passo para o mundo das ideias. Deste modo esta fase habilita o indivíduo para próxima fase do conhecimento, pois que passa a apresentar as primeiras dúvidas.

O espírito inquiridor é o segundo momento rumo ao conhecimento. Depois de se ter uma opinião, carente de ainda de ciência, o indivíduo se coloca a questionar a realidade a fim de não mais se deixar iludir pela realidade sensível do mundo concreto. É nesta fase que as questões filosóficas se destacam, pois diante de uma nova realidade onde se contempla uma infinita gama de novas possibilidades oferecidas pelo mundo das ideias, o pensamento conduz para terceira e última fase.

Inicialmente, conhecimento se estabelece em uma relação de identidade com o objeto, em seguida, quando se conhece o objeto é possível investigar a verdade, o indivíduo a partir de então contempla o bem, o belo e a justiça, que são ideais morais que regem a sociedade e que serão os meios pelos quais o filosofo terá condições de governar a cidade, conforme dispõe o mito da caverna. Ou seja, ao sair da caverna o indivíduo forma uma opinião, passa a questionar o ambiente em que vivia e traça assim os primeiros passos rumo ao conhecimento, que sabemos bem é dinâmico e movido sempre por mais e mais questionamentos.

Sendo a República uma obra com vista, entre outras coisas, a filosofia política, o indivíduo que sai da caverna e se apropria da verdade, é imbuído pelo dever de levar a verdade aos que ainda estão aprisionados pelas correntes do

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mundo sensível. O conhecimento percebido diante da saída da caverna deve ser compartilhado com seus semelhantes.

Segundo Platão, o sábio somente tem serventia quando contribui para o fortalecimento do Estado no cumprimento do dever moral. Ao regressar caverna, o indivíduo também alcança um dever ético de tentar livrar os demais da visão do senso comum, do mundo das sombras. Nestes termos, o mito postula que somente o homem guiado pela luz da verdade, ou seja, que apenas o filósofo – aquele que saiu da caverna – teria condições e governar a cidade, pois cabe aos mais instruídos e aos que manifestamente são indiferentes ao poder o governo da cidade. Dessa forma, o desinteresse que o filósofo tem pelo poder e pelos cargos públicos, são justamente as razões de ser ele o capacitado para tais cargos, posto que é o único a perceber o bem, o belo e o justo, como já dito. Depreende-se aí teDepreende-se da busca individual pelo conhecimento, pois que somente um, entre tantos, saí efetivamente da caverna.

Os fatos narrados na alegoria, Platão discorre sobre a hostilização dos prisioneiros para com o que retornou após ter, individualmente, se livrado das correntes, contemplado a luz do sol e cumprindo com o dever moral de resgatar os demais, lhes falando da beleza que existe fora da caverna e o terror de se conhecer apensas as sombras. Ora, os demais prisioneiros, dotados apenas do conhecimento sensível e que atribuem toda a verdade somente ao mundo das sombras, colocarão certamente em dúvida a existência de outro mundo, ainda mais por ser baseado na realidade inteligível, totalmente desconhecida. Os prisioneiros não possuem discernimento para usar a razão, tanto que preferem ridicularizar os relatos do companheiro que conseguiu se libertar. Vejamos a seguir o pequeno trecho que relata a incompreensão dos prisioneiros:

– E se lhe fosse necessário julgar daquelas sombras em competição com os que tinham estado sempre prisioneiros, no período em que ainda estava ofuscado, antes de adaptar a vista – e o tempo de se habituar não seria pouco – acaso não causaria o risco, e não diriam dele que, por ter subido ao mundo superior, estragara a vista, e que não vaia a pena tentar a ascensão? E a quem tentar-se soltá-los e conduzi-los até cima, se pudessem agarrá-lo e matá-lo, não o matariam?

– Matariam, sem dúvida – confirmou ele.

– Meu caro Gláucon, este quadro – prosseguiu eu – deve agora aplicar-se a tudo quanto dissemos anteriormente, comparando o

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mundo visível através dos olhos à caverna da prisão, e a luz da fogueira que lá existia à força do Sol. Quanto à subida ao mundo superior e à visão do que lá se encontra, se a tomares como a ascensão da alma ao mundo inteligível, não iludirais a minha expectativa, já que é teu desejo conhecê-la. O Deus sabe se ela é verdadeira. Pois, segundo entendo, no limite do cognicivel é que se avista, a custo, a ideia do Bem; e, uma vez avistada, compreende-se que ela é para todos a causa de quanto a de justo e belo; que, no mundo visível, foi ela que criou a luz, da qual é senhora; e que, no mundo inteligível, é ela a senhora da verdade e da inteligência, e que é preciso vê-la para se ser senssato na vida particular e pública. (PLATÃO, 517a-c).

Com isso devemos perceber o desconforto pelo qual o indivíduo que conhece a verdade suporta quando é obrigado a conviver com os indivíduos ainda prisioneiros e que se negam a buscar ou mesmo aceitar que há um mundo (das ideias) fora caverna. O que saiu da caverna e agora conhece a verdade é incompreendido pelos demais, pois é visto apenas pelos olhos do senso comum, de uma visão limitada a sensibilidade. Deste modo, para os prisioneiros, o liberto representa um extravagante individualista, indesejado e inconveniente. Um agitador das águas calmas da ignorância.

Tudo isso confirma ainda mais ideia de que a saída da caverna é um movimento individual, pois mesmo que haja quem queira livrar a coletividade do mundo das sombras, todo esforço é inútil pois que cabe a cada um experimentar as fases da saída da caverna e construir individualmente o caminho em busca do conhecimento. Em outras palavras a saída da caverna é individual, tanto que quem retornou a caverna não consegue livrar os demais, e além disso é hostilizado.

Nos tempos atuais o Mito da Caverna nos soa contemporâneo, pois não é difícil visualizar pessoas, inclusive próximas, que se aprazem em viver na ignorância e se bastam com as sombras, que são ilusões da verdade. Entretanto, é possível visualizar outras possibilidades além das já narradas no mito, por exemplo, o prisioneiro que saí da caverna, mas não cumpre com seu dever moral de retornar para tentar livrar outros prisioneiros das sombras. Platão não visualizou este indivíduo, mas ele existe nos dias atuais. Ora, vivemos um momento de isolamento proporcionado pela tecnologia.

Pode ser que o mal-uso da tecnologia seja a caverna de hoje, que limita em outros termos a coletividade. O isolamento do indivíduo do convívio social real em

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detrimento de um convívio em redes sociais virtuais. Temos ou não novas correntes? Interessante que diante das mesmas possibilidades existem indivíduos que prosperam e outros que regridem.

Há ainda outras possibilidades de condutas dos indivíduos após a saída da caverna, que podem ser percebidos ao observar o comportamento humano na sociedade atual. Entretanto o não cumprimento moral e ético do que sai da caverna compromete o mérito da sabedoria.

Com base fiel ao que traz a obra em contento, notou-se, em meio a toda articulação da dialética platônica, onde a inquirição e metáforas foram fundamentais para assimilação da ideia trazida pelo Mito da Caverna, que a coletividade mantem o indivíduo aprisionado na caverna e ao senso comum oferecido pelo mundo sensível, onde tudo gira em um ciclo vicioso onde os prisioneiros justificam as sombras da ilusão como verdade e pautam todo conhecimento nestas justificativas limitadas.

Entretanto constitui ainda fundamento no pensamento platônico a relevância de que cada um se liberte por uma inquietação individual. Platão, por certo sabendo que a liberdade não é um anseio da maioria das pessoas, muito embora seja possível a todos se libertarem, pretende desta feita o autor que um liberto, a saber o filósofo, chegue ao governo da cidade para melhorar a vida em sociedade. O que nos leva a concluir que é a partir do indivíduo que a sociedade tem condições de melhorar, neste caso um governante livre do mundo sensível vai possibilitar, segundo Platão, um governo a construir uma sociedade justa.

Em termos semelhantes Immanuel Kant trata do esclarecimento através do opúsculo Resposta à Pergunta: O que é o Esclarecimento? e situa um aspecto semelhante diante de uma situação equivalente, qual seja o impulso individual de cada um que se percebe limitado de alguma forma e que busca sair de tal situação. Para tanto este indivíduo se utiliza de suas próprias faculdades para, em ambos os casos, dá o primeiro passo rumo a autonomia pessoal.

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3 ESCLARECIMENTO PARA KANT

Immanuel Kant, nasceu e morreu (1724-1804) em Königsberg, pequena cidade da então Prússia. Era um homem extremamente metódico e pontual, Kant não casou e nem teve filhos, dedicou sua vida inteira aos estudos, refletindo e escrevendo sobre o indivíduo com vistas a sociedade, sempre à procura de fundamentos últimos, necessários e universais. Estudou no Colégio Fridericianum e na Universidade de Konigsberg, onde mais tarde passou a ser professor. (CHAUÍ,1987,p. VII).

Mesmo sem ter saído de sua pequena cidade, Kant esteve em sintonia com os acontecimentos que marcaram a história da humanidade em sua época, tanto que poucos anos antes da Revolução Francesa, escreveu, entre outras obras, a Resposta à pergunta: o que é esclarecimento?, onde, em meio a suas considerações, teceu uma opinião sobre a revolução. Sabemos que a Revolução Francesa, pautada no lema “liberdade, igualdade e fraternidade”, colocou um fim no sistema absolutista e mudou o quadro social e político da época. Kant

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testemunhou os acontecimentos revolucionários do período e em seus escritos discorre a favor da liberdade em termos específicos propriamente kantianos, mas que não são alvo deste trabalho.

Ao escrever Resposta à pergunta: o que é Esclarecimento?, Kant abre mão de seu estilo literário acadêmico com vista ao acesso de leitores de uma revista com uma abrangência que ultrapassava os limites da academia, a Berlinischer Monatschrifft. Por tanto “[a]ntes de tudo, é importante ter em mente que ele possui um caráter muito mais publicitário do que acadêmico, [...] além de ser um texto imbuído de intenção política e com um forte apelo ao público” (KLEIN, 2009, p. 212). De fato, o texto é escrito para reverenciar um monarca, a saber o rei da Prússia Frederico II, que deu liberdade aos súditos no que tange a matéria religiosa, permitindo que fizessem uso público de sua própria razão sob aquela matéria, e argumenta o filósofo da seguinte forma sobre isso:

Pus o ponto central do Iluminismo, a saída do homem da sua menoridade culpada, sobretudo nas coisas de religião, porque em relação às artes e às ciências de nossos governantes não têm interesse algum em exercer a tutela sobre os seus súbditos; por outro lado, a tutela religiosa, além de ser, mais prejudicial, é também a mais desonrosa de todas. Mas de todo modo de pensar de um chefe de Estado, que favorece a primeira, vai ainda mais além e discerne que mesmo no tocante à sua legislação/não há perigo em permitir aos seus súbditos fazer uso público da sua própria razão e expor publicamente ao mundo as suas ideias sobre a sua melhor formulação, inclusive por meio de uma ousada crítica da legislação que já existe; um exemplo brilhante que temos é que nenhum monarca superou aquele que admiramos (KANT, 2013, p. 17, grifo do autor).

Em linhas gerais Resposta à pergunta: que é Esclarecimento? busca explicar de modo claro como Kant entende os conceitos de esclarecimento, menoridade, liberdade, uso público e privado da razão. Destas não nos interessa investigar a fundo somente o uso privado da razão, muito embora mereça ser comentada e será adiante. Acredita-se que os demais conceitos corroboram para a investigação proposta.

Possui aspectos e definições relevantes ao tema, por tanto esta obra foi escolhida para reforçar e refletir sobre o apelo pessoal que é feito ao indivíduo com vistas a melhoria da sociedade, pois Kant é um filósofo que fortemente visa

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sanar problemas da sociedade a partir do indivíduo. Deste modo, temos sobre as reflexões a construção de conceitos voltados para o entendimento, e visa compreender o movimento individual com reflexo direto no social adiante descritos.

Temos dois momentos no texto que nos remete aos conceitos que serão desenvolvidos, um está logo no primeiro parágrafo, com as seguintes informações sobre esclarecimento, menoridade e ousadia.

O Iluminismo é a saída do homem da sua menoridade de que ele próprio é culpado. A menoridade é a incapacidade

de se servir do entendimento sem orientação de outrem. Tal menoridade é por culpa própria se a sua causa não reside na falta de entendimento, mas na falta de decisão e de coragem de se servir de si mesmo sem orientação de outrem. Sapere Aude! Tem a coragem de te servires de teu próprio entendimento! Eis a palavra de ordem do Iluminosmo (KANT, 2013, p. 09, grifo do autor).

Um pouco adiante, quatro parágrafos a frente, outro está falando sobre liberdade e uso da razão:

Mas, para esta ilustração, nada mais se exige que a

liberdade; e, claro está, a mais inofensiva entre tudo o que

se pode chamar liberdade, a saber, a de fazer uso público da sua razão em todos os elementos (KANT, 2013, p. 11, grifo do autor).

Devemos, por tanto, entender primeiramente o que é ousadia, e para isso uma reflexão e investigação a cerca do texto é fundamental, pois no contexto da obra, ousadia é ter a coragem necessária para se utilizar do próprio entendimento. Ousadia que remete a iniciativa, inquietação. Quem se utiliza do próprio entendimento saí da menoridade, logo, ser menor é não ter ousadia, de modo que ser ousado significa não ser menor.

O apelo notado quando se clama ao individuo para que seja ousado é individual, pois que a ousadia é uma característica íntima e pessoal. Que quando ativa no individuo o leva, segundo o texto, ao esclarecimento. Entretanto há no opúsculo muito mais informações de como não ser menor, ou seja, de como sair da menoridade, do que informações de como de como ser ousado. A referência marcante é feita à menoridade e não à ousadia.

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A ousadia individual é colocada como a solução, o caminho, o meio único para que o indivíduo – e é importante destacar a individualidade com que atua a ousadia na vida das pessoas – consiga alcançar, ou retomar a liberdade original por meio de uma responsabilidade assumida e desejada por cada um a partir de uma iniciativa, que é a ousadia de buscar saber (Sapere Aude).

Nestes termos o esclarecimento, obtido a partir da ousadia, é tratado como a saída do indivíduo de sua menoridade. Kant dirá que tanto a permanência neste estado, quanto o movimento que lhe tira dele, é de responsabilidade individual. Ser menor, em última instancia, é ser voluntariamente dependente de outrem, sobretudo para pensar. Em outras palavras, o indivíduo que aliena sua capacidade pensante, seja em termo privado ou público, permanece na condicionado a menoridade, e consequentemente sujeito as decisões de outras pessoas.

Sobre a liberdade há uma consideração intrigante, pois Kant relata a existência de uma liberdade secundária. A liberdade original é a que nasce com o indivíduo, e a secundária remete exatamente a menoridade. A natureza secundária soa como se fosse adquirida voluntariamente pelo indivíduo e não imposta, nos termos do opúsculo, pelo governante.

É, pois, difícil a cada homem desprender-se da menoridade que para ele se tornou/quase uma natureza. Até lhe ganhou amor e é por agora realmente incapaz de se servir do seu próprio entendimento, porque nunca se lhe permitiu fazer uma tal tentativa apenas (KANT, 2013, p. 10).

Há na menoridade um comodismo que permanece mesmo em situações desfavoráveis ao indivíduo, é como se o comodismo fosse mais forte que o esclarecimento, conseguindo alcançar o esclarecimento apenas aqueles que são ousados. Kant incita a ousadia de saber, e macula a ignorância. Diz que ao que tem coragem de se servir do próprio entendimento este alcançará o esclarecimento. Por outro lado, atribui a preguiça e a covardia toda comodidade de ser menor, pois que em troca da liberdade natural, permanecem menores e outorgantes da própria reflexão, assumindo uma espécie de segunda natureza limitada e servil, que é paradoxalmente oposta a natureza originária.

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Poucos são os que conseguem se livrar dessa condição, pois que a todos os cantos, até os dias de hoje, existe um esforço do poder público para que a maioria das pessoas continuem conformadas com situações precárias. Aí nota-se que há um embate pessoal entre o indivíduo que busca o esclarecimento e a sociedade dominada pela menoridade. Isso acontece de forma tal que a menoridade é considerada como uma segunda natureza a ponto da maioria dos indivíduos não lembrar que a natureza humana é originalmente livre.

Até aqui anotamos a relação da ousadia com a menoridade e da menoridade com a liberdade; os próximos comentários serão para a relação de liberdade com o esclarecimento. Pois que o indivíduo é inclinado a conquistar a sua liberdade, que por tantos preceitos e fórmulas é como se tivesse perdido a capacidade de raciocinar. Os preconceitos sociais, são desde os tempos mais remotos, uma limitação do raciocínio. Por serem tidos como preceitos e fórmulas sociais de absoluta coerência, acabam por conduzirem o pensamento dos mais acomodados, aqueles que por preguiça ou covardia se colocam menores e permitem a tutela de outro.

Segundo Kant (2013, p. 10) “[p]receitos e fórmulas, instrumentos mecânicos do uso racional [...] são os grilhões de uma menoridade perpétua”. Desta forma, a menoridade é vinculada aos mecanismos destinados ao uso racional, estes mecanismos são os preceitos e fórmulas, ou seja, são ordens, regras e normas editadas socialmente como estatuto inquestionável. Estes entraves (preceitos e fórmulas) limita a reflexão do indivíduo pois garante através de um preceito a conduta correta. Dessa forma a sociedade enrijece a capacidade de questionar e se firma em preconceitos sem nunca conhecer a verdade. É como se os menores não se atualizassem dos fatos e permanecessem usando uma regra que não serve mais. Tanto é que os preconceitos, frutos dos preceitos e fórmulas, conduz a menoridade, e somente aos poucos, os indivíduos, tomados um a um, precisam ousar e pensar autonomamente, para então, sair da menoridade.

Percebe-se, fundado no texto, que o preconceito é o que corresponde aos preceitos e fórmulas editadas por normas sociais e é o preconceito que, em última instância funciona como uma cinta, como grilhões a impedir o livre pensamento individual. Consequentemente, a sociedade como um todo não tem liberdade para

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pensar, o que garante a permanência de todos na menoridade. É como se preceitos e fórmulas fundados em preconceitos fossem a regra que denigre o entendimento e impede o esclarecimento, pois conformam os indivíduos os perpetuando menores. Vale dizer que Kant não assente em nenhum momento que não se dever seguir as regras, aliás esta é sua principal bandeira, que precariamente reduzida diz: viva sob o imperativo categórico. E o imperativo categórico é, ressalvada a importância da filosofia kantiana, uma regra, mas uma regra usada por indivíduos livres.

Exemplos de menoridade podem ser visualizados dentre as formas de Estado a menoridade nos moldes do opúsculo acontece principalmente na Autocracia, onde ou menores outorgam sua responsabilidade pensar a uma só pessoa; e acontece também na Aristocracia, que consiste na outorga da responsabilidade a um grupo de pessoas. Em ambas as situações não há liberdade e consequentemente também não há esclarecimento aos outorgantes.

Ora, se o indivíduo cede a outra pessoa o uso da própria capacidade de refletir, necessariamente a razão deste indivíduo será manipulada, e não mais fará o uso de seu entendimento, consequentemente de sua razão. Tem-se então o sério comprometimento do esclarecimento, posto que a liberdade de refletir foi cedida, e sem liberdade não há de se falar em esclarecimento

Kant incita individualmente para que se tenha a ousadia de sair da menoridade afim de ser livre para pensar e se auto esclarecer. Tanto que o individuo precisa necessariamente estar livre da opinião dos outros para conseguir formar sua própria opinião e assim se tornar esclarecido.

A recapitulação de Keinert (2010) sobre o pensamento kantiano refletido por outros filósofos é relevante para compreensão de um projeto crítico e político com base na autonomia e esclarecimento – tema de seu artigo –, sendo possível afirmar que o pensamento kantiano e sua filosofia é sim refletido na sociedade. Em outras palavras, caso se imagine um caminho a ser percorrido rumo a uma sociedade justa – expectativa presente desde as primeiras reflexões filosóficas – o esclarecimento seria o primeiro passo.

O esclarecimento é a abertura para outras possibilidades, é o feixe de luz que os libertos dos preceitos e fórmulas alcançam, ou é ainda a característica daquele que não admitiu a segunda natureza, a da menoridade. É fácil entender

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que qualquer sujeito livre é esclarecido, segundo o pensamento kantiano o esclarecimento não exige nada a mais que a liberdade, ou seja, conforme nossa natureza original o indivíduo nasceu com nas condições de ser esclarecido e consequentemente capaz de fazer uso publico da razão. Aliás o uso público da razão é inseparável do esclarecimento. Diz Kant:

Por toda a parte se depara com a restrição de liberdade [de fato]. Mas qual é a restrição que se opõe ao iluminismo? Qual a restrição que não o impede, mas antes o fomenta? Respondo: o uso público da própria razão deve sempre ser livre e só ele pode levar a cabo a ilustração/entre os homens (KANT, 2013, p. 11-12, grifo do autor).

Por uso público da razão, conforme o pensamento kantiano, deve-se entender que é o que os indivíduos esclarecidos fazem enquanto sábios para o conjunto do público que lê, ou seja, é a manifestação do uso público se dá somente através de escritos destinados ao público letrado. Compreendido que o uso público da razão se dá ao ato da escrita dos esclarecidos sobre suas opiniões ou ainda convicções aos letrados, chama-se atenção que mais uma vez é um individuo que se destina a escrever manifestando seu raciocínio. Que é um movimento individual em favor ao esclarecimento e, por conseguinte favorece o uso público da razão. Por fim uma reflexão conclusiva.

Se, por um lado, o esclarecimento se constitui como um movimento vinculado com a noção de sabedoria e, por outro, relaciona-se estreitamente com a possibilidade do uso público da razão, então, juntando-se esses dois elementos, chega-se a conclusão de que o esclarecimento exige um uso público da razão que ao mesmo tempo garanta a possibilidade e a promoção do esclarecimento moral dos indivíduos. (KLEIN, 2009, p. 222).

Entretanto, Kant tece definições sobre o uso privado da razão, que em poucas palavras pode ser entendido como o estrito cumprimento da sua função, ou seja, ao profissional que exerce uma função é permitido que aliene seu raciocínio desde que seja em nome da profissão. Mas a este profissional é permitido, caso seja esclarecido, a escrever ao público letrado sobre seus

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conhecimentos, incluindo aí opiniões contrárias ao exercício de sua função. É como se houvesse momentos para obedecer e outros para pensar.

Por um instante, se a menoridade for ignorada, é possível perceber que os indivíduos a partir de então são capazes de ver, perceber, pensar e refletir sobre outras possibilidades, são inclusive capazes de criar novas possibilidades, pois que estão livres para pensar e agir conforme seus próprios entendimentos e mais, os difundir por meio do uso público da razão.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Por fim, temos a partir do estudo realizado a compreensão de que tanto Kant, quanto Platão falam igualmente da inquietação do indivíduo em busca o conhecimento, um pela saída da caverna, outro pela busca ao esclarecimento. Evidentemente, que necessário se faz guardar as devidas proporções no tocante ao perfil de cada filósofo, igualmente importante considerar que foram obras escritas em momentos diferentes da história. De toda sorte ambos tratam da natureza humana e concluem de forma semelhante quanto as impressões em busca do conhecimento.

Algumas reflexões são analogicamente parecidas ao se analisar no Livro VII de A República e no opúsculo Resposta à pergunta: O que é Esclarecimento?, a começar pelo aspecto que guiou a pesquisa, qual seja a inquietação individual em buscar do conhecimento e da verdade. Enquanto Platão fala em correntes individuais e prisão coletiva, Kant define menoridade cuja saída é a ousadia individual – Sapere Aude – para não se submeter a tutela de outrem. Ambos convergem para a ideia do pensamento individual, sem tutelas alheias e com o compromisso da escolha livre. Enquanto Kant estimula a ousadia, Platão foca no prisioneiro que rompe com as correntes. Em outras palavras a ousadia de Kant é o rompimento das correntes de Platão.

A contemplação da luz do sol, que ofusca por instantes a visão do então liberto das correntes – que por uma vida esteve nas sombras – é o início do

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esclarecimento. A luminosidade do sol de Platão é o esclarecimento de Kant. Sabemos que o ofuscamento pela luz do sol é inevitável, mas é natural que a visão se habitue e possa contemplar as belezas do mundo fora da caverna. Da mesma forma o esclarecimento é indispensável para que o indivíduo venha exercer o uso público da razão. Em um comparativo afim de equiparar as situações colocadas, uma em cada escrito, é possível visualizar que o ofuscamento inicial do sol para só depois ter a nítida visão, conforme o Mito da Caverna, é equivalente ao esclarecimento para só depois ser possível o uso público da razão, de acordo com o opúsculo.

Ainda refletindo sobre os aspectos equitativos das duas obras em analise, há um ponto relevante que tange com relação ao uso razão e a volta do liberto para salvar os outros prisioneiros. Platão atribui um feitio moral ao liberto que volta a caverna para tentar salvar os demais que permaneceram acorrentados, muito embora os prisioneiros optaram pela comodidade da caverna. Já Kant dignifica a o uso público da razão através da escrita sobre o assunto a que se deseja opinar desde que seja direcionado aos demais, não é forçoso pensar que que o uso público da razão em Kant é equivalente ao retorno do prisioneiro a caverna de Platão. Em ambos, o movimento remete ao resgate. O indivíduo que se livrou das correntes e o que alcançou o esclarecimento, se dispuseram a tentar resgatar os demais.

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REFERÊNCIAS

CHAUÍ, Marilena de Souza. Kant: vida e obra. In: KANT, Immanuel. Crítica da Razão Pura. Trad. Valério Rohden; Udo Baldur Moosburger. 3. ed. São Paulo: Nova Cultura, 1987 (Os Pensadores).

KANT, Immanuel. A Paz Perpétua e Outros Opúsculos. Trad. Artur Mourão. Lisboa: Edições 70, 2013.

KEINERT, Maurício Cardoso. Autonomia e esclarecimento: o projeto crítico enquanto projeto político. Dois pontos, Curitiba, São Carlos, v. 7, n. 2, p. 127-139, out. 2010.

KLEIN, Joel Thiago. A Resposta Kantiana à Pergunta: que é esclarecimento? Etic@, Florianópolis v. 8, n. 2, p. 211-227, dez. 2009.

MOURA, Heronides. Vamos pensar em metáforas? Editora Unisinos, 2012 (Coleção Aldus 36).

PLATÃO. A República. Trad. Maria Helena da Rocha Pereira. 13. ed. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 2012.

SCHIAPPA, Maria Tereza Schiappa de Azevedo. Da maiêutica socrática à maiêutica platônica. Humanitas. Coimbra. Disponível em:

<http://www.uc.pt/fluc/eclassicos/publicacoes/ficheiros/humanitas55/15_Azevedo. pdf>. Acesso em: 07 maio 2015.

ZINGANO, Marco. Platão e Aristóteles: o fascínio da filosofia. 2. ed. São Paulo: Odysseus Editora, 2005.

Referências

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