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São Paulo, 09 de agosto de 2013.

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São Paulo, 09 de agosto de 2013.

Discurso do Presidente Alexandre Tombini no VIII Seminário Anual sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária.

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Senhoras e senhores:

É com grande satisfação que realizamos o oitavo seminário anual do Banco Central do Brasil sobre Riscos, Estabilidade Financeira e Economia Bancária.

Esse seminário tem sido uma oportunidade excelente para divulgar estudos, debater e trocar experiências sobre vários aspectos do sistema financeiro nacional e internacional, contando com a participação de funcionários de bancos centrais, membros da academia e profissionais do sistema financeiro.

Em nome do Banco Central do Brasil, agradeço a todos os expositores que aceitaram o convite para participar deste seminário. Em especial, o Governor Stefan Ingves, que irá nos agraciar com a palestra principal do evento deste ano.

Stefan é Presidente do Banco Central da Suécia (Sveriges Riksbank). Desde 2011, é também Presidente do Comitê de Basileia para Supervisão Bancária, foro que estabelece os principais padrões internacionais de regulação do sistema financeiro - entre os quais, destaco o acordo de Basileia III.

Stefan, é uma grande honra para nós contar com a sua presença e participação no seminário de economia bancária deste ano.

Senhoras e senhores:

O Sistema Financeiro Nacional passou por profundas transformações nos últimos anos, em praticamente todas as suas dimensões, com o crescimento estrutural do crédito e da inclusão financeira. Essa transformação ocorreu graças à manutenção da estabilidade macroeconômica, ao contínuo processo de aperfeiçoamento da regulação e da supervisão e à tempestividade das ações para o fortalecimento da estabilidade financeira. Mantivemos a solidez de nosso sistema financeiro, mesmo num período complexo e turbulento por que passaram a economia e o sistema financeiro global. Esse período turbulento trouxe desafios para os reguladores e supervisores. No Brasil não foi diferente, mas soubemos nos preparar para enfrentar esses desafios.

Primeiro. Promovemos aperfeiçoamentos significativos nos sistemas de registro e de liquidação: ampliamos a central de risco de crédito (SCR); reforçamos a regulamentação dos registros privados; exigimos mais qualidade e tempestividade das informações; e incentivamos o mercado a criar outros sistemas de registro, como a Central de Exposição de Derivativos (CED) e a Central de Cessão de Crédito (C3). O Brasil tem hoje uma capacidade diferenciada de monitoramento do nosso sistema financeiro devido à obrigatoriedade de declaração e registro de todas as operações financeiras de crédito e de derivativos em sistemas de registro. Com esses

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aperfeiçoamentos, o Banco Central do Brasil ampliou ainda mais o espectro de informações a que tem acesso, permitindo, à supervisão, o monitoramento praticamente em tempo real de todas as operações, emissões, carteiras e exposições dos bancos. Além disso, aperfeiçoamos e criamos ferramentas poderosas para monitorar e detectar inconsistências nas informações prestadas ao Banco Central. Ressalte-se que, desde antes da crise financeira de 2008, o Brasil já possuía um sistema de monitoramento muito bom. Hoje posso afirmar que temos um sistema praticamente único entre os supervisores financeiros internacionais.

Segundo. Promovemos muitos aperfeiçoamentos no marco prudencial e regulatório, bem como nas práticas de supervisão dos bancos.

Reorganizamos e ampliamos o escopo de atuação da supervisão. Introduzimos diretrizes e instrumentos mais modernos e eficazes e aperfeiçoamos as práticas da supervisão.

Constituímos o Comitê de Estabilidade Financeira (Comef).

Criamos, no Banco Central, uma unidade responsável pela supervisão da conduta do sistema financeiro, cuja atuação é centrada na observância de normas e regulamentos.

Terceiro. Conduzimos um processo abrangente de supervisão para mitigar vulnerabilidades do sistema financeiro.

Partimos de um diagnóstico robusto, contemplando desde aspectos relacionados à integridade de dados e sistemas a aspectos relacionados à viabilidade dos negócios. Os focos de vulnerabilidades foram mapeados.

Formulamos um plano de ação minucioso, com o objetivo de eliminar essas vulnerabilidades. E, acima de tudo, assegurar o bom funcionamento do sistema.

Executamos o plano com serenidade, foco e objetividade.

O plano alcançou seus objetivos: vulnerabilidades foram corrigidas ou eliminadas, mantendo o funcionamento regular do sistema financeiro.

Enfim, trata-se de um processo bem sucedido, conduzido com muita tranquilidade; mas com muito rigor. As lições foram aprendidas e incorporadas às práticas da área de regimes especiais, ao anteprojeto de Lei de Resolução Bancária e ao novo regulamento para o funcionamento de comissões de inquéritos recentemente publicados.

Por fim, em quarto lugar, adotamos medidas macroprudenciais para moderar a tomada excessiva de riscos nas operações de crédito ao consumo, no ingresso intenso e vultoso de capitais internacionais voláteis e nas exposições em derivativos cambiais. Todos esses movimentos, de forma isolada ou combinada, ameaçavam a estabilidade da economia e a do próprio sistema financeiro.

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As medidas macroprudenciais contribuíram para manter o bom funcionamento dos nossos mercados em um ambiente de expansão da liquidez internacional e de intenso fluxo de capitais, principalmente para as economias emergentes. Mesmo diante de uma ampla liquidez internacional, o fluxo de capital volátil para o Brasil moderou-se; os prazos ampliaram-se e a natureza do capital melhorou de qualidade, compondo-se, já há algum tempo, majoritariamente de investimento estrangeiro direto.

Conforme tenho alertado, os atuais níveis globais de liquidez e de taxas de juros fazem parte de circunstâncias muito especiais, que tendem a desaparecer em algum momento.

Há claros sinais de que o processo de normalização das condições monetárias nos Estados Unidos já se iniciou. Com isso, a perspectiva é de redução da liquidez internacional, moderação do fluxo de capitais, principalmente para economias emergentes, e encarecimento dos financiamentos externos.

Nesse contexto, manter o sistema financeiro sólido, bem capitalizado, com elevados níveis de liquidez e de provisionamento e sem vulnerabilidades aparentes, como é o caso do Sistema Financeiro Nacional, é condição essencial para enfrentarmos volatilidades nos mercados internacionais que eventualmente surjam no curso da normalização das condições monetárias de economias avançadas.

O Brasil, com a ação do Banco Central, sabe também lidar com essa volatilidade nessa fase, como o soube na fase de adoção das políticas monetárias não convencionais.

Com o propósito de fortalecer cada vez mais o Sistema Financeiro Nacional, divulgamos, no início do ano, a regulamentação necessária para a adoção do Acordo de Basileia III. A adoção desse acordo no Brasil inicia-se efetivamente em 1º de outubro de 2013 e segue o cronograma internacional acordado até a conclusão do processo, em 1º de janeiro de 2022.

Basileia III representa a principal resposta regulatória internacional à crise financeira de 2008 e tem por objetivo central fornecer uma base de capital mais robusta para a expansão sustentável do crédito, aumentando a capacidade das instituições financeiras de absorver choques e, com isso, reduzindo o risco de contágio do setor financeiro sobre o setor real da economia. Em última análise, Basileia III visa a auxiliar a manutenção da estabilidade.

É um acordo técnico complexo, mas, no fundo, inspira-se no bom senso: qualquer banco para ser seguro para os seus clientes (famílias e empresas) precisa ter capital, provisões e liquidez suficientes para enfrentar situações de crise sem necessidade de ser resgatado pelo poder público. Para tanto, Basileia III melhora a aferição das exposições a riscos, eleva a quantidade e qualidade do capital, e busca mitigar a pró-ciclicidade e a interconectividade do sistema financeiro.

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Há muito tempo, o Brasil já dispõe de regulação e supervisão mais rigorosas que a maiorias das economias avançadas, com um quadro prudencial-regulatório, em vários aspectos, já bem próximo das exigências de Basileia III. Nesse contexto, a implantação do Basileia III no Brasil transcorrerá com tranquilidade.

O Sistema Financeiro Nacional como um todo não necessitará de capital adicional para cumprir Basileia III, e a sua adoção no Brasil terá impacto neutro sobre a expansão da oferta do crédito. Pelas nossas estimativas, o capital do Sistema será sempre superior às exigências para um cenário de crescimento e retenção de resultados baseado na média dos últimos anos. E o volume necessário para aqueles que demandarão capital entre 2017 e 2019 é relativamente baixo: cerca de 2% do capital total do Sistema. A adoção de Basileia III no nosso quadro regulatório contribui para fortalecer a solidez do Sistema Financeiro Nacional, melhorar o nosso custo de captação, além aumentar a possibilidade de expansão internacional dos nossos bancos.

Senhoras e senhores:

Basileia III, sem dúvida, representa um marco importante na regulação prudencial internacional.

Em 2008, vivenciamos a maior crise financeira dos últimos 70 anos – talvez, a maior da história do sistema financeiro internacional.

Basileia III resulta do diagnóstico amplo e minucioso das principais causas da crise financeira de 2008. Produto de profundo debate dos reguladores e supervisores das principais economias mundiais, contou também com a colaboração de acadêmicos e profissionais do sistema financeiro.

O Governor Stefan Ingves foi um protagonista do Acordo de Basileia III e, atualmente, exerce o cargo de Presidente do Comitê de Basileia para Supervisão Bancária, a quem tenho a satisfação e a honra de convidar para proferir a palestra principal deste seminário.

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