INTRODUÇÃO
A missão institucional do Operador Nacional do Sistema Elétrico – ONS é assegurar aos usuários do Sistema Interligado Nacional – SIN a segurança, a continuidade, a qualidade e a economicidade do suprimento de energia elétrica por meio das instalações de transmissão integrantes do SIN com nível de tensão de operação igual ou superior a 230 kV – Rede Básica. Visando criar condições objetivas para aferir o cumprimento dessa missão, o ONS estabeleceu um processo para o cálculo de indicadores de desempenho, através do Módulo 25 dos Procedimentos de Rede, visando ao acompanhamento da operação do sistema e à avaliação do seu desempenho.
1. NÚMERO DE PERTURBAÇÕES OCORRIDAS NA REDE BÁSICA
Esse indicador contabiliza o número de perturbações ocorridas na Rede Básica por ano, associadas ao corte de carga. As perturbações com corte de carga são agrupadas em quatro patamares, a saber: “Qualquer Corte de Carga”, “≥ 100 MW”, “≥ 500 MW” e “≥1000 MW”. Para melhor percepção da representatividade dos montantes de carga envolvidos, apresenta-se a apresenta-seguir uma correlação entre os patamares de corte de carga e algumas cidades do Brasil. 100 MW valor correspondente ao consumo de cidades como Campina Grande (PB),
Petrópolis (RJ), Angra (RJ) e Resende (RJ).
500 MW valor correspondente ao consumo de cidades como Cuiabá (MT), Campinas (SP) e à região metropolitana de Natal (RN).
1.000 MW valor correspondente ao consumo de cidades como Porto Alegre (RS), Brasília (DF) e à região metropolitana de Fortaleza (CE).
Nos anos de 2015, 2016 e 2017, o total de perturbações manteve-se no mesmo patamar, porém, superior aos anos anteriores, sobretudo em função de eventos relacionados a condições meteorológicas adversas e queimadas. Destaca-se a redução do número de perturbações com corte de carga verificada em 2016 e 2017, em relação aos anos anteriores, a qual está associada, principalmente, à expansão ocorrida na Rede Básica nos últimos anos.
2. NÚMERO DE PERTURBAÇÕES POR TIPO DE EQUIPAMENTO
Esse indicador apresenta a segregação das perturbações em função do tipo de equipamento no qual tiveram origem. Foram consideradas, separadamente, as linhas de transmissão e os equipamentos de subestações (transformadores, barramentos, reatores, banco de capacitores, etc.), além das instalações fora da Rede Básica.
As linhas de transmissão são responsáveis, em média, por 68% da origem das perturbações envolvendo a Rede Básica, o que se justifica por sua maior exposição em relação aos demais componentes do sistema elétrico.
Nas subestações, o componente com maior relevância como origem de perturbações são os equipamentos para controle de reativos, como reatores e banco de capacitores em derivação.
3. PRINCIPAIS CAUSAS DE PERTURBAÇÕES EM LINHAS DE TRANSMISSÃO DA REDE BÁSICA
Esse indicador apresenta a contribuição das principais causas que provocam desligamentos de linhas de transmissão da Rede Básica.
“Condições Meteorológicas Adversas” (descarga atmosférica, chuva/temporal, vento forte, etc.) são a principal causa de desligamentos de linhas de transmissão, com 30% de participação. Em seguida, “Queimadas”, com 15%, e “Vegetação”, com 7%. Essas três causas são responsáveis por mais de 50% dos desligamentos de linhas de transmissão.
4. INCIDÊNCIA DA CAUSA “DESCARGAS ATMOSFÉRICAS” AO LONGO DO ANO
O gráfico a seguir apresenta a incidência das descargas atmosféricas como causa de perturbações, mostrando a característica sazonal em sua ocorrência.
As “Descargas Atmosféricas” têm sua maior contribuição como causa de perturbações nos 1º e 4º trimestres do ano, que correspondem ao período úmido das regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte.
5. INCIDÊNCIA DA CAUSA “QUEIMADAS” AO LONGO DO ANO
O gráfico abaixo apresenta a incidência de queimadas como causa de perturbações, mostrando a característica sazonal em sua ocorrência.
As “Queimadas” têm sua maior contribuição como causa de perturbações no 3º trimestre e no início do 4º trimestre do ano, que correspondem ao final do período seco nas regiões Sudeste/Centro-Oeste, Nordeste e Norte. Pode-se observar que o mês de agosto /2017 apresentou o início de incidência dessa causa e, em setembro, houve um recorde de perturbações originadas por queimadas.
6. ROBUSTEZ DA REDE BÁSICA - RRB (%)
O indicador de Robustez da Rede Básica tem como objetivo avaliar a capacidade da Rede Básica de suportar contingências sem interrupção de carga.
0 50 100 150
JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Descargas Atmosféricas
2012 2013 2014 2015 2016 2017 98 264 0 100 200 300JAN FEV MAR ABR MAI JUN JUL AGO SET OUT NOV DEZ
Queimadas
É obtido a partir da relação percentual entre o número de perturbações sem corte de carga e o número total de perturbações verificadas na Rede Básica, para um período considerado. Este indicador é calculado a partir da seguinte formulação:
100 . Nt Nscc RRB RB RB [%] Onde:
NsccRB = Número de perturbações sem corte de carga na Rede básica; NtRB = Número total de perturbações na Rede Básica.
83,48 82,00 82,26 82,02 87,20 90,82 92,40 86,47 89,98 90,40 92,27 93,12 89,02 90,21 89,21 89,86 92,06 94,20 91,38 91,44 94,64 94,17 94,93 95,87 89,03 88,16 89,71 89,49 92,09 93,57 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Robustez da Rede Básica - RRB [%]
O indicador Robustez da Rede Básica – RRB apresentou uma melhora em 2016 e 2017, com 92,1% e 93,6% das perturbações sem corte de carga, respectivamente. Em 2017, a região Sudeste apresentou uma Robustez de 95,9%, enquanto que a região Norte registrou 90,8%.
O desempenho apresentado pela região Norte pode ser justificado pela característica radial do sistema de transmissão. Além disso, o atendimento à demanda da região é dependente das interligações regionais, que são constituídas por longos troncos de transmissão atravessando a região amazônica.
7. DURAÇÃO EQUIVALENTE DE INTERRUPÇÃO DE CARGA - DREQ (MIN)
O indicador DREQ tem como objetivo quantificar a duração equivalente à perda total do atendimento, como resultado de desligamentos de equipamentos da Rede Básica, para que se possa avaliar a capacidade do sistema de manter a confiabilidade de atendimento, a flexibilidade operacional do sistema e a habilidade das equipes de operação em recompor o sistema.
Este indicador é calculado a partir da seguinte formulação:
n i i Int P T P DREQ 1 max int. [min] Onde:Pmax = carga de demanda máxima verificada no período [MW]. Pint = carga de demanda interrompida no evento i [MW].
Tint = tempo de interrupção do evento i [min]. i = evento de ordem i, para i = 1, 2, ..., n.
O indicador Duração Equivalente de Interrupção de Carga - DREQ (min) apresentou uma redução significativa em 2017, com valor de 12,64 min.
A região Sudeste apresentou um DREQ de 3,83 min, enquanto que a região Norte registrou um DREQ de 88,51 min no ano passado. O resultado apresentado pela região Norte deve-se principalmente à característica “radial” do sistema.
203,43 75,85 91,78 122,17 115,69 88,51 184,10 131,66 25,59 29,83 25,31 14,08 9,47 7,81 16,71 12,63 6,02 6,69 17,55 9,02 15,88 10,54 21,59 3,83 51,74 32,36 23,13 22,58 27,66 12,64 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Duração Equivalente de Interrupção de Carga - DREQ [min]
8. FREQUÊNCIA EQUIVALENTE DE INTERRUPÇÃO DE CARGA - FREQ
O indicador FREQ tem como objetivo quantificar o número equivalente de vezes em que houve perda plena do atendimento com desligamentos de equipamentos da Rede Básica, para avaliar a capacidade do sistema de manter a confiabilidade de atendimento. Este indicador é calculado a partir da seguinte formulação:
n i i P P FREQ 1 max int Onde:Pmax = carga de demanda máxima verificada no período [MW]. Pint = carga de demanda interrompida no evento i [MW].
O indicador Frequência Equivalente de Interrupção de Carga - FREQ também apresentou uma melhora significativa, registrando um valor de 0,26. A região Sul apresentou um FREQ de 0,10, enquanto que a região Norte registrou um FREQ de 1,44 no ano passado. Esses resultados indicam que a região Sul é a região em que ocorrem perturbações com menor impacto. 2,56 1,64 1,69 2,14 2,25 1,44 1,17 1,11 0,40 0,54 0,60 0,40 0,36 0,21 0,31 0,32 0,15 0,10 0,48 0,17 0,31 0,26 0,23 0,11 0,70 0,44 0,43 0,46 0,46 0,26 2012 2013 2014 2015 2016 2017
Frequência Equivalente de Interrupção de Carga - FREQ
9. ENERGIA NÃO SUPRIDA - ENS (%)
O indicador ENS quantifica o grau de continuidade no suprimento de energia aos consumidores.
Este indicador é obtido a partir da seguinte formulação:
100 E T . P ENS T n 1 i i Int int
[%] Onde:Pint = carga de demanda interrompida no evento i [MW]. Tint = tempo de interrupção do evento i [hora].
ET = energia total que seria suprida na ausência da interrupção causada pelo evento i [MWh]. i = evento de ordem i, para i = 1, 2, ..., n.
Em 2017, o desempenho do SIN foi o melhor, considerando os últimos cinco anos. A região Sudeste/Centro-Oeste foi a que apresentou a maior redução desse indicador em relação ao ano de 2016. O ano de 2017 se caracterizou por um número reduzido de perturbações com corte de carga superior a 100 MW e com um tempo de recomposição menor, sobretudo na Macro-Região S/SE/CO.
0,0441 0,0190 0,0208 0,0287 0,0268 0,0206 0,0439 0,0316 0,0060 0,0072 0,0060 0,0034 0,0027 0,0023 0,0054 0,0039 0,0019 0,0020 0,0044 0,0023 0,0042 0,0029 0,0062 0,0010 0,0128 0,0081 0,0061 0,0059 0,0070 0,0033 2012 2013 2014 2015 2016 2017