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A incidência de fatores de risco ante ao elemento humano ao sobrexceder a jornada de trabalho

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UNIVERSIDADE DO SUL DE SANTA CATARINA MARCOS JOSÉ SCHIO DA ROCHA

A INCIDÊNCIA DE FATORES DE RISCO ANTE AO ELEMENTO HUMANO AO SOBREXCEDER A JORNADA DE TRABALHO.

Palhoça 2019

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MARCOS JOSÉ SCHIO DA ROCHA

A INCIDÊNCIA DE FATORES DE RISCO ANTE AO ELEMENTO HUMANO AO SOBREXCEDER A JORNADA DE TRABALHO.

Monografia apresentada ao Curso de graduação em Ciências Aeronáuticas, da Universidade do Sul de Santa Catarina, como requisito parcial para obtenção do título de Bacharel.

Orientador: Prof. Patrícia da Silva Meneghel

Palhoça 2019

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MARCOS JOSÉ SCHIO DA ROCHA

INCIDÊNCIA DE FATORES DE RISCO ANTE AO ELEMENTO HUMANO AO SOBREXCEDER A JORNADA DE TRABALHO.

Esta monografia foi julgada adequada à obtenção do título de Bacharel em Ciências Aeronáuticas e aprovada em sua forma final pelo Curso de Ciências Aeronáuticas, da Universidade do Sul de Santa Catarina.

Palhoça, 25 de Novembro de 2019

__________________________________________ Profª. Drª. Patricia da Silva Meneghel

__________________________________________ Prof. MSc. Joel Irineu Lohn

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Dedico este trabalho aos meus pais, que me apoiaram em todos os momentos.

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AGRADECIMENTOS

Agradeço a todos os envolvidos que me apoiaram durante toda a minha caminhada, aos meus pais por me darem todo o apoio necessário para a conclusão de mais esta etapa, a minha orientadora, a Doutora Patrícia da Silva Meneghel por todos os ensinamentos, e especialmente, a Thaís, a pessoa na qual escolhi para compartilhar todos os momentos de minha vida, cujo foi essencial para a conclusão deste trabalho.

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“All our dreams can come true - if we have the courage to pursue them.” (GARRISON, Ronald, 1997)

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RESUMO

Esta pesquisa teve como objetivo compreender os fatores humanos contribuintes para a ocorrência de acidentes e incidentes aeronáuticos levando em conta o descumprimento do que é regulamentado no tocante à jornada de trabalho aeronáutica. Caracteriza-se como uma pesquisa exploratória com procedimento bibliográfico e documental por meio de livros, artigos, reportagens, regulamentos e leis. A abordagem utilizada foi qualitativa e quantitativa. A análise dos dados foi feita por meio de gráficos e quadros, analisados de acordo com a fundamentação teórica. Ao finalizar a pesquisa, conclui-se que o desconhecimento e a não observância dos limites da jornada de trabalho fazem dos fatores humanos uma grande fonte de contribuição para a ocorrência de acidentes e incidentes aeronáuticos.

Palavras-chave: Fatores Humanos, Acidentes Aeronáuticos, Jornada de Trabalho, Segurança de Voo.

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ABSTRACT

This research aimed to understand the human factors contributing to the occurrence of aeronautical accidents and incidents considering the non-compliance with what is regulated regarding the aeronautical workday. This article is characterized as an exploratory research with bibliographic and documentary procedure through books, articles, reports, regulations and laws. The approach used was qualitative and quantitative. Data analysis was performed through graphs and charts, analyzed according to the theoretical foundation. At the end of the research, it is concluded that ignorance and non-observance of the limits of the workday make human factors a major source of contribution to the occurrence of aeronautical accidents and incidents. Keywords: Human factors, Aeronautical Accidents, Workday, Flight safety.

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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 1: O homem, o meio e a máquina, CENIPA. ... 17

Figura 2: Fatores contribuintes para acidentes de 2008 a 2017 ... 18

Figura 3: The Swiss Cheese (Queijo Suiço) ... 18

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SUMÁRIO 1INTRODUÇÃO ...11 1.1 PROBLEMA DA PESQUISA ...12 1.2 OBJETIVOS ...12 1.2.1Objetivo Geral ...12 1.2.2Objetivos Específicos ...12 1.3 JUSTIFICATIVA ...13 1.4 METODOLOGIA ...13

1.4.1Natureza da pesquisa e tipo da pesquisa ...13

1.4.2Materiais e métodos ...14

1.4.3Procedimento de coleta de dados ...15

1.4.4Procedimento de análise de dados ...15

1.5 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO ...15

2DESENVOLVIMENTO ...16

2.1 EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS ...16

2.2 DIFICULDADES ECONTRADAS EM MEIO A EVOLUÇÃO ...19

2.3 CICLO CIRCADIANO ...20

2.4 SÍNDROME DE BURNOUT ...22

2.5 FATORES DE RISCO A SAÚDE DO AERONAUTA...22

3CONSIDERAÇÕES FINAIS ...25

REFERÊNCIAS ...27

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1 INTRODUÇÃO

Alguns fatores históricos associados a segurança aeronáutica tiveram um avanço significativo juntamente com a evolução dos estudos. Através da análise técnico-científica de um acidente, segundo João Carlos Eonezava (2013), são retirados dados valiosos, os quais são transformados em recomendações e, em posse dos destinatários, são transformados em ações que aumentam a segurança do voo, prevenindo futuras situações similares.

As influências externas são tratadas na aviação como fatores humanos, compreendendo a “área de abordagem da Segurança de Voo que se refere ao complexo biológico do ser humano, nos seus aspectos fisiológico, psicológico e operacional”, de acordo com a Tenente Emilia Maria (2018).

Com o avanço tecnológico aliado à necessidade do aumento na segurança do meio aéreo de transporte, os pilotos se tornaram gestores de voo. Assim, o tripulante passou a deixar para trás algumas características que antigamente eram imprescindíveis, tal como a noção de espaço, força e agilidade para de fato pilotar o avião. O conhecimento dos sistemas da aeronave, bem como, a operação dos mesmos passou a frente das aptidões físicas do tripulante.

Atrelado ao avanço da tecnologia e da complexidade dos sistemas, alguns problemas ficaram iminentes, como a síndrome de Burnout. O Decreto n° 3.048, de 6 de Maio de 1999 descreve a sensação de estar acabado como um sinônimo da síndrome de Burnout. O início dos sintomas pode se dar pelo acúmulo de tarefas, responsabilidades, exigências e pressões sofridas pela alta demanda de trabalho (Ana Merzel, 2019), acarretando no desenvolvimento da síndrome de Burnout.

O transporte aéreo é uma atividade que ocorre nas vinte quatro horas do dia, todos os dias do ano, e cresce junto com a demanda global, atendendo às necessidades de transporte de pessoas e cargas (MELLO, NOCE TUFIK, 2009). Em virtude disso, além da complexidade dos sistemas, os aeronautas lidam com horários bastante irregulares, causando interferências no ritmo circadiano do tripulante.

Os ritmos circadianos são as mudanças regulares dos estados mentais e físicos que ocorrem em cerca de um período de 24 horas (Karl Doghramji, 2016). Alterações no ritmo circadiano podem provocar graves distúrbios do sono. Isso pode ser experimentado por viagens para regiões com diferentes fusos horários, o famoso jet lag (Sérgio Matsuura, 2017).

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A ampliação da jornada (inclusive com a prestação de horas extras) acentua, drasticamente, as possibilidades de ocorrência de doenças profissionais, ocupacionais ou acidentes do trabalho (DELGADO, 2009). A partir disso, entendeu-se a necessidade do respeito a jornada de trabalho para com os trabalhadores.

Atualmente, a Constituição Federal garante como um direito ao trabalhador a “redução dos riscos inerentes ao trabalho, por meio de normas de saúde, higiene e segurança” (art. 7º, XXII), harmonizando com vários outros artigos, como o art. 194, caput, que define a seguridade social como “um conjunto integrado de ações de iniciativa dos poderes públicos e da sociedade, destinadas a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social.” .

Os avanços da saúde e segurança do trabalho foram fatores determinantes para que assim fosse possível o conhecimento de que o tempo de exposição a alguns ambientes e atividades configurassem o efeito insalubre em potencial.

A partir do exposto, este artigo tem como problemática o aprofundamento dos estudos dos riscos iminentes ao aeronauta perante a transgressão da jornada de trabalho.

1.1 PROBLEMA DA PESQUISA

Qual a importância da jornada de trabalho para a segurança do voo e os riscos associados ao transgredi-la?

1.2 OBJETIVOS 1.2.1 Objetivo Geral

Analisar os fatores de riscos que afetam o tripulante ao exceder a jornada de trabalho e quais as consequências que isso gera no seu desempenho na aviação. 1.2.2 Objetivos Específicos

Analisar o fator humano no contexto da aviação civil.

Identificar os fatores de risco ao extrapolar a jornada de trabalho na aviação.

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Expor e analisar dados para justificar a necessidade ou não da jornada de trabalho na aviação.

1.3 JUSTIFICATIVA

Atualmente, autoridades do mundo todo têm se preocupado com o problema da fadiga humana. A ICAO (International Civil Aviation Organization) tem publicado várias recomendações relacionadas ao gerenciamento de risco de fadiga, buscando reduzir o cansaço dos tripulantes e, consequentemente, reduzindo os riscos de incidentes e acidentes que tenham a fadiga como contribuinte (CASAGRANDE, 2015).

O ser humano é a parte mais flexível do sistema da aviação, porém, é a parte que mais está vulnerável a influências externas, cujo tem impacto direto na sua performance (ICAO, 2003). Longas horas de trabalho podem causar fadiga e estresse que afetam potencialmente as suas funções segundo Shinya Kajitani, Colin McKenzie e Kei Sakata (2016).

A relevância desta pesquisa é justificada ao buscar os fatores de risco trazidos a segurança do voo e ao tripulante, quando a jornada de trabalho regulamentada é excedida, assim como as ferramentas utilizadas para afastar estes riscos dos envolvidos na atividade aérea, visto que o fator humano tem um importante papel na segurança do voo.

1.4 METODOLOGIA

1.4.1 Natureza da pesquisa e tipo da pesquisa

Esta pesquisa caracteriza-se como exploratória, com procedimento bibliográfico e documental e com abordagem tanto qualitativa, quanto quantitativa.

A pesquisa exploratória, conforme Lakatos e Marconi (2003, p.188), tem múltiplas finalidades, que é “desenvolver hipóteses, aumentar a familiaridade do pesquisador com um ambiente, fato ou fenômeno, para a realização de uma pesquisa futura mais precisa ou modificar e classificar conceitos.”.

A presente pesquisa tem como finalidade a busca e analise de dados frente ao tema da relevância da jornada de trabalho quanto a segurança do meio

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aeronáutico. O procedimento para coleta de dados caracteriza-se como bibliográfico, buscando informações relevantes em todo o acervo bibliográfico, assim facilitando a tomada de decisões nas diferentes fases da pesquisa, segundo Rauen (2002, p. 65). A partir disso, esta pesquisa visa um aprofundamento no que refere-se a jornada de trabalho e aos inúmeros problemas que ao extrapolá-la podem surgir, como bem será mencionado nesta pesquisa, a fadiga está inteiramente ligada a este fator.

O procedimento documental, conforme Gil (2002), tem o objetivo de descrever e comparar dados, características da realidade presente e do passado, neste sentido são apresentado inúmeras bibliográficas conflitantes com o tema em especifico, para que a abordagem deste e a discução esteja sempre presente ao decorrer desta pesquisa.

A abordagem da pesquisa foi qualitativa, baseando-se assim para compreender uma única finalidade. (RAUEN, 2002) e quantitativa, por buscar conhecimento por meio de raciocínio de causa e efeito, redução de variáveis específicas, hipóteses e questões, mensuração de variáveis, observação e teste de teorias. (CRESSWELL, 2007).

Por fim a presente pesquisa pretende estimular a abordagem do tema e instigar cada vez mais o estudo na aérea, uma vez que a relevância de tal é imensurável para a qualidade e segurança aeronáutica.

1.4.2 Materiais e métodos

Os materiais a serem analisados serão:

Bibliográficos: Livros e periódicos que descrevem os fatores humanos relativos a acidentes e incidentes aéreos, medicina aeroespacial, segurança de vôo e psicologia na aviação.

Documentais: Documentos diversos sobre a legislações regendo a Aviação Civil brasileira oferecem requisitos e padrões de procedimentos em relação ao tema proposto.

São eles: regulamentos Brasileiros de Homologação Aeronáutica, Código Brasileiro de Aeronáutica, Lei 7.183 – Lei do Aeronauta, Documentos da Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC), Documentos do Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (CENIPA), Reportagens de acidentes na aviação agrícola da

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região Sul em jornais locais (impressos, on-line), em revistas etc, Documentos da Organização da Aviação Civil Internacional (OACI/ICAO).

1.4.3 Procedimento de coleta de dados

O procedimento de coleta de dados utilizado nesta pesquisa tem como base a pesquisa bibliográfica e documental.

1.4.4 Procedimento de análise de dados

O procedimento de análise de dados foi tanto qualitativo quanto quantitativo.

1.5 ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO

O presente artigo está estruturado da seguinte forma:

O primeiro capítulo traz uma introdução e contextualização a evolução dos sistemas na aviação civil, bem como a importância da análise de acidentes e incidentes aeronáuticos para a segurança da aviação civil.

O segundo capítulo trata das dificuldades encontradas pelo sistema da aviação civil ao manter o mesmo ritmo da crescente evolução dos sistemas aeronáuticos.

O terceiro capítulo observa os impactos fisiológicos no ser humano ao presenciar fatores trazidos pela transgressão da jornada do trabalho e como estes afetam na segurança operacional da aeronave.

O quarto capítulo mostra uma condição que aflige a saúde bem-estar do tripulante.

No quinto capítulo é apresentada a conclusão e as disposições finais.

Completado o cronograma a cima exposto serão apresentadas as referências, concluindo o trabalho.

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2 DESENVOLVIMENTO

2.1 EVOLUÇÃO DOS SISTEMAS

Devido a rápida expansão ocorrida a nível mundial na aviação, este meio de transporte deve, para ser eficiente e seguro, ser estudado diariamente, buscando novos ensinamentos, bem como técnicas que possam ser futuramente empregadas para a manutenção da segurança na aviação.

É da análise técnico-científica de um acidente ou incidente aeronáutico que se retiram valiosos ensinamentos. Esse aprendizado, transformado em linguagem apropriada, é traduzido em recomendações de segurança específicas e objetivas ao fato, acarretando ao seu destinatário (proprietário, operador de equipamento, fabricante, piloto, oficina, órgão governamental, entidade civil, etc.), a obrigação do cumprimento de uma ação ou medida que possibilite o aumento da segurança ou a otimização de mecanismos capazes de eliminar ou diminuir a potencialidade de um desvio identificado. (EONEZAVA, 2013, p. 6)

A investigação de acidentes e incidentes aéreos no Brasil segue a regulamentação da Organização Internacional da Aviação Civil (OACI) e é feita pelo Centro Integrado de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o CENIPA. Todas as investigações são embasadas no anexo 13 da Convenção Internacional da Aviação Civil da OACI.

Através da abordagem utilizada atualmente pelo CENIPA, pilar da filosofia moderna do Serviço de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos, o SIPAER, adotada através dos estudos de acidentes e incidentes ocorridos, podemos estabelecer que, em menor ou maior grau, o ser humano tem participação nas ocorrências. Esta abordagem é conhecida pelo trinômio: O homem, o meio e a máquina. A partir deste conceito, podemos agrupar os aspectos básicos dos causadores de acidentes e incidentes aeronáuticos em fatores: Humano, Material e Operacional.

O fator humano compreende o homem sob o ponto de vista biológico, levando em consideração os aspectos psicológicos e fisiológicos deste. O fator material compreende a máquina, ou seja, a aeronave, e o fator operacional, compreende o meio onde houve a interação homem-máquina, incluindo fenômenos naturais e infraestrutura.

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Figura 1: O homem, o meio e a máquina, CENIPA.

Fonte: CENIPA (2019)

A fase do voo onde mais ocorrem acidentes aeronáuticos é durante o pouso. É como um motorista de carro quando deixa uma via interestadual e ingressa em um grande centro urbano: as tarefas aumentam significativamente e cada ação tomada requer maior precisão e atenção.

Os riscos envolvidos com o voo são bem diferentes daqueles experimentados nas atividades diárias. O gerenciamento desses riscos requer um esforço consciente e padrões estabelecidos (ou um limite máximo de risco). Os pilotos que praticam gerenciamento eficaz de riscos têm padrões pessoais pré-determinados e formaram padrões de hábitos e listas de verificação para incorporá-los. (FAA, 2009, p.5).

A partir da análise da figura 1, observa-se que dentre os 716 acidentes ocorridos e registrados no Brasil de 2008 a 2017, em aproximadamente 48% dos casos houve o erro de julgamento de pilotagem como um dos contribuintes.

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Figura 2: Fatores contribuintes para acidentes de 2008 a 2017

Fonte: CENIPA (2018)

Pesquisas como esta, além de vários fatores históricos, colocaram o ser humano no centro das atenções ante aos ocorridos, posicionando-o assim, como o principal elo da aviação. Segundo a Federal Aviation Administration, (FAA, 2009), três a cada quatro acidentes aeronáuticos são resultantes de erro humano.

James Reason desenvolveu o sistema do queijo suíço. Através da abordagem de Reason, passamos a compreender que acidentes são decorrentes de falhas ativas e condições latentes.

Figura 3: The Swiss Cheese (Queijo Suiço)

Fonte: REASON, 2000

Sistemas com alta tecnologia embarcada possuem diversas camadas de proteção. Cada fatia de queijo no modelo de Reason representa uma camada. Estas

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camadas protegem tanto os usuários deste sistema quanto o próprio sistema. Normalmente estas camadas cumprem sua função, porém, sempre há uma fraqueza.

Em um mundo ideal, cada camada defensiva estaria intacta. Na realidade, porém, são mais como fatias de queijo suíço, com muitos buracos - embora, diferentemente do queijo, esses buracos estejam continuamente abrindo, fechando e mudando de local. A presença de orifícios em qualquer “fatia” normalmente não causa um resultado ruim. Normalmente, isso pode acontecer apenas quando os orifícios em várias camadas se alinham momentaneamente para permitir uma trajetória de oportunidade de acidente - trazendo riscos para o contato prejudicial com as vítimas. (REASON, 2000).

Com base nisso, é perceptível que os erros não são aleatórios ou repentinos. Na maior parte das vezes são erros recorrentes e previsíveis, onde indivíduos diferentes cometem os mesmos erros em situações semelhantes, classificando-os como erros sistemáticos.

O conceito do queijo suíço de Reason foi publicado em 1990 no livro “Human Error” e serviu como base para que, em 1997, Shappell e Wiegmann desenvolvessem o “Human Factors Analysis and Classification System”, o HFACS. Este sistema utiliza dados históricos de milhares de acidentes aeronáuticos oriundos de fatores humanos e possibilita definir as falhas que resultaram no acidente, tanto as falhas ativas dos operadores da aeronave, quanto as falhas latentes, originadas das decisões e supervisão dos diversos níveis de gerenciamento da organização.

2.2 DIFICULDADES ECONTRADAS EM MEIO A EVOLUÇÃO

A evolução da tecnologia fez com que o processo cognitivo do ser humano se tornasse parte primordial do sistema na aviação. Tais processos evolutivos trouxeram algumas dificuldades associadas as competências do indivíduo (conhecimentos e habilidades) e o custo cognitivo (processos cognitivos requeridos para atenderem objetivos). Nomeia-se tais dificuldades como a carga de trabalho mental.

Cain (2007) afirma que a carga de trabalho mental é o reflexo da tensão mental, a qual é o resultado da realização de uma atividade em um ambiente e em condições específicas, juntamente com a capacidade do operador em corresponder com a demanda exigida para o trabalho, enumerando assim, o custo mental para determinada atividade. Ainda conforme Cain (2007)

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Também pode haver razões legais para medir a carga de trabalho. A medição da carga de trabalho durante a avaliação de novas interfaces com o usuário pode ser um requisito para obter a certificação para uso; por exemplo, certificação de novos designs de cockpit de aeronaves. O processo de certificação pode especificar o método de medição de carga de trabalho selecionado e, através de alguns critérios racionais, a interface é validada e o seu uso é justificado como substituto para o desempenho em serviço. (p. 3).

Na aviação, a máquina envolvida no sistema, no caso, o avião, é programado para corresponder as ações do ser humano. Para que o ser humano tome uma ação correta, é indispensável a utilização da consciência situacional. Ter consciência situacional é apresentar sintonia entre a situação percebida pela tripulação e a situação real (Segundo Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). A partir do momento em que o ser humano perde a consciência situacional, tem-se um risco na operação.

2.3 CICLO CIRCADIANO

Em virtude da complexidade dos sistemas aeronáuticos e a carga de trabalho empregada ao tripulante, este está suscetível a alguns fatores externos. A evolução dos sistemas vem de forma a acentuar a eficiência e segurança no meio aeronáutico, porém, acaba requerendo dos aeronautas a sua adaptação para com os novos sistemas. Esta adaptação leva um certo tempo, que pode ser maior ou menor entre os indivíduos, além de requerer uma grande carga de trabalho mental. Tal carga acompanha o tripulante em seu dia a dia, já que os sistemas embarcados na aeronave estão em constante atualizações e exigem que o profissional esteja sempre preparado para a operação da aeronave, bem como a tecnologia nela embarcada.

Para que a segurança da operação seja mantida, a jornada de trabalho tem por função, além de contribuir para a qualidade de vida ao aeronauta, garantir que o mesmo esteja apto a gerenciar os complexos sistemas de voo com o nível de atenção que a aviação moderna exige. A ampliação da jornada (inclusive com a prestação de horas extras) acentua, drasticamente, as possibilidades de ocorrência de doenças profissionais, ocupacionais ou acidentes do trabalho (Mauricio Godinho Delgado, 2009).

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Um estudo realizado por Donizeti Andrade em 2017 compara a capacidade de reação de alguém que esteja embriagado com uma pessoa cansada, conforme se pode observar na figura 2:

Figura 4: Comparação da capacidade de reação

Fonte: Adaptado de Andrade (2017, p. 5)

Analisando o gráfico, percebemos que após quinze horas acordado, o desempenho começa a se degradar de forma acentuada, atingindo, após 24 horas acordado, o mesmo nível de atenção que uma pessoa com 1% de álcool no sangue.

O sono e sua continuidade são fundamentais para que o indivíduo se recupere e, o senso comum de que o sono perdido pode ser recuperado posteriormente é uma concepção errada.

O cérebro está programado pelo ciclo circadiano, sendo este o mecanismo de adaptação do corpo para a vida em nosso planeta que possui as 24 horas do dia, assim, dormir à noite é parte deste processo fundamental do corpo. Portanto é importante esta sintonia do corpo com as fases do dia, tendo já o cérebro estabelecido o momento e duração necessária que o indivíduo necessita descansar/dormir. (ANDRADE, 2017, p.6).

O ciclo circadiano, também conhecido como relógio biológico do corpo humano é o que adapta o nosso corpo para a vida em nosso planeta. Isso significa que o nosso corpo sabe que o dia possui vinte e quatro horas e ele programa o momento ideal (a noite) e a duração ideal do sono para que o ser humano seja capaz de realizar as atividades diárias.

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Outros ritmos circadianos do corpo, incluindo temperatura e secreção de hormônios, podem se tornar dessincronizados com o ciclo luz-escuridão (dessincronização externa) e um com o outro (dessincronização interna); além da insônia e sonolência excessiva, essas alterações podem causar náusea, mal-estar, irritabilidade e depressão. Os riscos de doenças cardiovasculares e metabólicas também podem aumentar. (DOGHRAMJI, 2014).

Pessoas com o ciclo circadiano desregulado geralmente ficam com sono durante o dia, apresentando dificuldade de concentração, raciocínio, enquanto a noite não conseguem dormir.

2.4 SÍNDROME DE BURNOUT

As empresas desenvolveram algumas formas de reestruturações a fim de atingir os objetivos e resultados operacionais, como a sobreposição de cargos e a redução de colaboradores. Consequentemente, junto aos resultados operacionais, estas práticas trouxeram alguns problemas aos colaboradores, como a ansiedade e o estresse.

A recorrência da sensação de exaustão vinculado a sensação cobrança por um resultado gera o Burnout, expressão inglesa para indicar algo que parou de funcionar por excesso de uso. A Síndrome de Burnout é caracterizada pela sensação de exaustão emocional, despersonalização e reduzida realização profissional em decorrência de uma má adaptação do indivíduo a um trabalho prolongado, altamente estressante e com grande carga tensional (MASLACH e GOLDBERG, 1998).

2.5 FATORES DE RISCO A SAÚDE DO AERONAUTA

Conforme exposto anteriormente, a jornada de trabalho tem por função, além de contribuir para a qualidade de vida ao aeronauta, garantir que o mesmo esteja apto a gerenciar os complexos sistemas de voo com o nível de atenção que a aviação moderna exige.

A fadiga se apresenta no organismo como uma condição restritiva de desempenho, sofre interferências físicas e psicológicas e embora sejam apresentadas inúmeras hipóteses para explicá-la, continua sendo um tema de conclusões parciais. (ASTRAND et al., 2006 apud KUBE, 2010)

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A fadiga ocorre nos tripulantes principalmente pela constante alteração no ambiente de trabalho (a aeronave), bem como às irregularidades nas cargas de trabalho. Fatores como adversidades meteorológicas, pressão no cumprimento dos horários de voos, distanciamento social e familiar são alguns dos principais causadores desta condição, segundo Roscoe (1993).

Um estudo realizado por Boudeois-Bougrine (2003) envolvendo 739 pilotos constatou a presença da fadiga tanto em voos longos seguidos de longos períodos de descanso quanto em voos curtos, com vários dias acordando muito cedo. Dos fatores responsáveis pela fadiga, podemos considerar a privação do sono, as restrições de tempo e acúmulo de dias consecutivos de trabalho. A fadiga ameaça a segurança do voo, já que esta prejudica o funcionamento do sistema nervoso central (CALDWELL et al., 2009).

O aumento dos sintomas da fadiga no aeronauta ocasiona a redução nos níveis de alerta e percepção, o que deteriora significativamente os níveis de consciência situacional. Segundo Algieri (2016), alguns sinais são perceptíveis: uma reluta constante contra o sono, a diminuição dos reflexos, o bloqueio de percepções, canalização de uma ideia ou visão, esquecimentos repetitivos.

A consciência situacional é aplicada repetidamente no treinamento dos pilotos, podendo ser entendida como a percepção das interfaces do ambiente em que 30 se encontram, os indivíduos envolvidos no tempo e o espaço, a aeronave e seus procedimentos em uma sinergia de eficiência em situações críticas (ALGIERI, 2016).

Durante a instrução de voo, os pilotos diariamente ouvem a expressão “voar à frente do avião”, que significa justamente ter a consciência situacional apurada ao ponto de prever algumas situações cujo a aeronave possa estar sujeita e, antecipadamente, tomar uma ação para que a segurança do voo seja mantida. Um exemplo simples e bastante utilizado no nosso dia a dia é o simples fato de sairmos com o guarda-chuvas em dias nublados. Tomamos a consciência situacional que o clima estava propenso a chuvas, portanto, a ação preventiva é levar o guarda-chuvas. Henriqson, Eder et al, aponta alguns modelos teóricos no processo de tomada de decisão.

Para Endsley (1999) e Endsley e Tilbury (2004), cada ato de processamento de informação é mediado pelo sistema de categorias e conceitos, os quais constituem uma representação de mundo. Os autores identificam, então, que a execução de uma tarefa é determinada por uma decisão, a qual, por sua vez, depende da adequada compreensão da situação. Essa compreensão

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das situações ao nível de representações (ou consciência situacional) se processa cognitivamente em três níveis. Inicialmente, tem-se a percepção dos elementos da situação corrente; no segundo nível, os elementos percebidos são compreendidos pela ativação dos mecanismos de memória e associação direta ou indireta com os modelos mentais (esquemas e planos) mais próximos da situação percebida; e, no terceiro nível, ocorre a manifestação dos mecanismos de antecipação (feedforward) dos estados futuros do sistema. (2009, p.436).

Atualmente algumas ferramentas de gerenciamento de risco estão sendo utilizadas, porém algumas contrariedades ainda afetam estas ferramentas, como o ciclo circadiano de cada indivíduo. Alguns estudos da NASA, realizados por Mark R. Rosekind et al reforçam a importância do gerenciamento da fadiga em tripulação

Não existe uma “pílula mágica" para eliminar o cansaço, a perda de sono e as perturbações circadianas atualmente engendradas pelas operações de voo. Será fundamental que potenciais contramedidas sejam desenvolvidas e avaliadas em ambientes operacionais para demonstrar sua eficácia. Os indivíduos devem ter cuidado com "curas" não comprovadas. Essas "curas" podem não apenas ser ineficazes, mas também produzir uma falsa sensação de segurança, fazendo com que as pessoas pensem que estão controlando sua fadiga quando, na verdade, não estão. (2001, p. 53)

É fundamental que as decisões envolvendo o gerenciamento dos riscos da fadiga sejam tomadas seguindo apenas uma ferramenta, ou seja, deve-se analisar de vários modos para que assim o ato de mensurar o risco seja eficiente.

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3 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Advento da acelerada disseminação ocorrida em todos os contextos da aviação, para serem seguro e totalmente eficiente, este meio de transporte deve ser estudado frequentemente, buscando assim novos aprendizados, bem como técnicas que possam ser futuramente empregadas para a manutenção da segurança na aviação.

Sob a ótica biológica o fator humano compreende o elemento “homem”, levando em consideração os aspectos psicológicos e fisiológicos deste. Inúmeros momentos históricos deixaram o ser humano no centro das atenções frente aos ocorridos, e desta maneira posicionando-se o indivíduo como a principal ligação na aviação, sendo que a maior parte dos acidentes aeronáuticos são resultados de erro humano.

O processo cognitivo do ser humano, com a evolução da tecnologia, se tornou parte primordial do sistema na aviação. O desgaste do trabalho mental é o reflexo da tensão mental, e esta é o resultado da realização de uma atividade em um ambiente e com condições específicas, somadas com a capacidade do sujeito em saber lidar com a demanda exigida para o trabalho.

Na aviação, o avião é programado para corresponder a todas as ações do ser humano. Assim, para que o ser humano tome uma decisão correta, é indispensável a utilização da consciência situacional. Neste sentido ter consciência situacional para o sujeito é quando este apresentar sintonia entre a situação percebida pela tripulação e a situação real. Assim, é partir do momento em que o ser humano perde a consciência situacional, que ocorre o risco na operação.

A jornada de trabalho tem a função de segurança da operação, além de contribuir para a qualidade de vida ao aeronauta e garantir que o mesmo esteja apto a gerenciar os complexos sistemas de voo com o nível de atenção que a aviação moderna exige. Neste contexto de exaustão, a fadiga se apresenta no organismo como uma condição restritiva de desempenho, sofre interferências físicas e psicológicas e a pesar de vários estudos tentando explicá-la continua sendo tema de controvérsia.

Desde o começo da profissão, até mesmo durante a instrução de voo, os pilotos diariamente ouvem a expressão “voar à frente do avião”, o que significa por conseqüência apresentar a consciência situacional apurada ao ponto de prever

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algumas situações cujo a aeronave possa estar sujeita e, antecipadamente, tomar uma ação para que a segurança do voo seja mantida.

Assim, o regular cumprimento da jornada de trabalho é essencial para a manutenção da saúde da tripulação, entre tudo, para garantir a eficácia plena dos tripulantes à frente de situações atípicas a quais coloquem a prova seus conhecimentos e capacidades físicas e mentais. Desta forma a aplicação correta da jornada de trabalho é elemento primordial para a segurança do transporte aéreo. Cabe também aos empregadores entenderem a importância do cumprimento da jornada do trabalho para a sua própria segurança, bem como a de todos que estiverem envolvidos na operação.

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REFERÊNCIAS

ALGIERI, J. J. Consciência de risco e situacional, fadiga e o impacto na

segurança em comissários de voo. Palhoça: Universidade do Sul de Santa

Catarina – UNISUL, 2016. Disponível em:

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