INTEGRAÇÃO SENSORIAL
VERA LUCIA VIEIRA DE SOUZA Universidade Federal do Rio de Janeiro
Centro de Ciências da Saúde Faculdade de Medicina Departamento de Clínica Médica Curso de Graduação em Terapia Ocupacional
Disciplina: Terapia Ocupacional na Saúde da Criança
S
ALADEINTEGRAÇÃOSENSORIALEM ALGUNS PAÍSES É DOS MODELOS MAIS
PESQUISADOS E USADOS POR TERAPEUTAS OCUPAIONAIS DA ÁREA INFANTIL.
FOI CRIADA PO JEAN AYRES, TERAPEUTA
OCUPACIONAL, DEC. DE 1950.
TEM SE TRANSFORMADO EM FUNÇÃO DE ESTUDOS
E DA MUDANÇA DE PARADIGMA NA REABILITAÇÃO (DO ENFOQUE NEUROBIOLÓGICO PARA A FUNÇÃO).
JEAN AYRES MANTEVE-SE COMO PESQUISADORA
ATIVA ATÉ 1988, QUANDO FALECEU, SEMPRE ALIANDO TEORIA E PRÁTICA.
INTEGRAÇÃO SENSORIAL
Teoria criada para explicar a relação entre
alterações no processamento de informações sensoriais pelo cérebro e comportamentos atípicos observados na criança.
Diferencia-se de outras abordagens
sensório-motoras por associar a estimulação sensorial ao engajamento ativo da criança.
Utiliza terminologia específica INTEGRAÇÃO SENSORIAL
S
ALADETERAPIAOCUPACIONAL INTEGRAÇÃOSENSORIALSENSAÇÕES
•Aprendemos o mundo pelas sensações.
•A partir delas entendemos e respondemos ao ambiente, construindo gradualmente as respostas adaptativas.
Uma das demandas mais básicas da
nossa existência é interpretar e
responder a estímulos sensoriais.
Ayres, 1972 apud Magalhães, 2008.
S
ENSAÇÕESBem estar/
relaxamento
ALERTA
Q
UANTASSENSAÇÕESTEMOSNESTEMOMENTO
?
I
NTEGRAÇÃOSENSORIALÉ a habilidade para organizar e interpretar os
estímulos para agir de acordo com a situação.
I
NTEGRAÇÃOSENSORIALA maioria das crianças desenvolve os mecanismos
de integração sensorial naturalmente através do brincar e da interação com o meio.
Aprendizagem e comportamento são os aspectos
visíveis da integração sensorial.
Problemas de aprendizagem e comportamento
seriam resultado do mau processamento sensorial.
N
ADEFINIÇÃODEJEANAYRESIntegração sensorial é o processo neurológico que
organiza as sensações do corpo e do ambiente, que possibilita usar o corpo de forma eficaz para executarmos com sucesso todas as ações, desde as mais simples às mais complexas, que fazemos cotidianamente.
Quando a criança age, respondendo de maneira
nova, é que o cérebro atinge um estado de maior organização, que resulta em melhor integração sensorial e aprendizagem.
INTEGRAÇÃO SENSORIAL
A TERAPIA DE INTEGRAÇÃO SENSORIAL
(IS) É VOLTADA PARA TRATAMENTO DE CRIANÇAS COM: PROBLEMAS DE APRENDIZAGEM, COMPORTAMENTO E MOVIMENTO
I
NTEGRAÇÃOS
ENSORIAL Clientela: Paralisia cerebral AutismoSindrome de down e outras síndromes genéticas Cuidado neonatal
Saúde mental de adultos geriatria
Foco da intervenção: Controle dos estímulos
Monitoramento das respostas adaptativas
I
NTEGRAÇÃOSENSORIAL vestibular olfato tato propriocepção gustação visão audiçãoAyres focou na contribuição para a aprendizagem
escolar das sensações Táteis
Vestibulares Proprioceptivas
São sistemas que processam a informação do corpo (receptores proximais)
C
ARACTERÍSTICASDO
DESENVOLVIMENTOINFANTIL
Sensações:
Táteis, proprioceptivas e vestibulares:
iniciais, mais primitivas dadas pelo contato com mãe, cuidados, movimentos e pelos reflexos.
Visuais e auditivas:
se aprimoram com os estímulos e a experiência, como olhar para a mãe ao ser amamentado.
S
ISTEMAVESTIBULAR-
PROPRIOCEPTIVO“sentidos ocultos”
nos informam sobre velocidade, movimento, posição do corpo no espaço e modulação da força
Miller, terapeuta ocupacional, pesquisadora da
Universidade de Colorado
Propõe mudança de
Disfunção da Integração Sensorial para
Transtorno do Processamento Sensorial
C
LASSIFICAÇÃO– M
ILLER, 2006
Transtornos de processamento sensorial:
1. Transtorno de modulação sensorial
2. transtornos motores com base sensorial Transtornos posturais
Dispraxia
3. Transtornos de discriminação sensorial
C
LASSIFICAÇÃO– M
ILLER, 2006
Transtorno de modulação sensorial:
Refere-se ao limiar para sensações, sua variabilidade e os tipos de resposta
Hiper-resposta Hipo-resposta Procura sensorial
A modulação sensorial pode ser multidimensional
Hiper-resposta Defensividade tátil Insegurança gravitacional
Fica ansioso/incomodado com: Texturas de materiais e alimentos Andar descalço na grama ou areia Cola, barro nas mãos Barulhos, sons inesperados Balanço/escorrega
H
IPERRESPOSTAHiporesposta:
Tende a não chorar quando se machuca Não reponde quando chamado
Não nota quando tocado
HIPORESPOSTA
Procura sensorial:
Tende a:
não parar quieta (na sala de aula, precisa de
oportunidades socialmente aceitas para se movimentar e receber estímulos para se concentrar nas atividades)
Gostar de brincadeiras brutas de cair, bater Gostar de estímulos mais fortes, balançar, rodar,
música alta, vibração
Ter pouca noção de perigo, se arrisca, pula de lugares altos
Tocar pessoas e objetos
P
ROCURASENSORIALPara alguns autores a modulação sensorial pode ser
multidimensional
A criança pode variar sua resposta
Pode não perceber um estímulo normalmente tido como nocivo se estiver muito envolvida em uma atividade.
Transtorno motor de base sensorial
Transtorno da postura
Dispraxia
Transtorno do Desenvolvimento da Coordenação Motora Transtorno da postura Tônus baixoPostura pobre, ombros caídos
Baixa resistência, se cansa logo
Dificuldade de coordenação bilateral (segurar papel
com a esquerda e escrever com a direita), especialmente em atividades que exija antecipação motora (jogo de bola e esrita)
Faz tarefas rapidamente para acabar logo, sem ver o
D
ISPRAXIADificuldade para planejar e executar um ato motor
novo ou séries de ações motoras
Envolve principalmente os sistemas vestibulares e
proprioceptivo
Desajeitada, estabanada
Tropeça ou tromba nas pessoas ou obstáculos Tendem a não persistem em atividades desafiantes Passam de um brinquedo para outro, sem concluir,
por não entenderem as demandas implícitas do manejo e uso dos objetos ou por não saberem sequenciar as etapas da atividade.
É mais lento para aprender atividades motoras novas
É desorganizado, perde material escolar, carteira e
mochila são bagunçadas
Escrita lenta, letra feia, sem forma ou desorganizada
no papel.
Transtorno de discriminação sensorial Visão
Audição Tato
Gosto/cheiro Posição/movimento
Transtornos de discriminação sensorial Geralmente associado aos transtornos motores de
base sensorial
Dificuldade para abotoar blusa ou manusear objetos sem a visão
Graduar a força (escreve fraco demais, apaga com
força)
Dificuldade para se orientar espacialmente (se perde
na escola)
T
ERAPIADEI
NTEGRAÇÃOS
ENSORIAL-IS
Ayres:
é aumentar a habilidade do
cérebro de aprender como fazer
coisas novas.
T
ERAPIADEI
NTEGRAÇÃOS
ENSORIAL-IS
Bases da IS:
- Cérebro pode modificar sua estrutura e função por estímulos e experiências significativas.
- Na IS são controladas a frequência, duração e intensidade do estímulo.
- O cérebro funciona como um todo integrado.
As atividades de maior potencial terapêutico são as que estimulam maior número de sistemas sensoriais, pois uma modalidade sensorial afeta a outra.
- As interações ativas com o ambiente geram respostas adaptativas e, ao mesmo tempo, promovem integração sensorial.
- As pessoas têm motivação interna para desenvolver integração sensorial através de atividades sensoriomotoras.
Hoje no Brasil é muito aplicado e guia o
raciocínio clinico com crianças com Paralisia Cerebral.
Nas crianças com PC as dificuldades motoras
graves inviabilizam a observação do desempenho espontâneo.
Com crianças com PC é mais fácil caracterizar
problemas de modulação do que os de discriminação.
I
NTEGRAÇÃOSENSORIAL-baseada na promoção de estimulação sensorial controlada por meio de brincadeiras e atividades lúdicas com participação ativa da criança.
-ênfase em estímulos proprioceptivos, táteis e vestibulares
Pais e professores: estratégias para antecipar problemas, adaptar o ambiente e dar suporte ao desempenho ocupacional.
A
VALIAÇÃOEntrevista com os pais: história sensorial Perfil sensorial: entrevista estrutura com os pais de
crianças de 3 a 10 anos
Perfil para bebês: de 0 a 3 anos
Perfil para adolescentes e adultos: a partir de 11 anos No Brasil, os testes não estão traduzidos nem
validados,
Usa-se mais as OBSERVAÇÕES CLÍNICAS DE IS:
testes de equilíbrio e coordenação motora, provas clássicas descritas por Ayres, de extensão total em prono (pronoextensão) e flexão total em supino (supinoflexão) – força e qualidade do tônus postural.
O
BSERVAÇÕESObservar sinais sutis Observar:
Tem habilidade de se autoacalmar? Gosta de ser carregada ou se amolda ao colo do
adulto?
Antecipa brincadeiras?
Sente-se bem quando movimentada?
Explora brinquedos oralmente (no período
apropriado)
Usa brinquedos de texturas diferentes?
Participa de brincadeiras apropriadas para a idade?
Por tempo adequado?
Tem nível de atividade apropriado para a situação? Explora brinquedos e/ou equipamentos novos?
N
ATERAPIADEIS
Observar:
As respostas à interação com equipamentos ou material
sensorial
Aceita ou rejeita toque?
No balanço pede mais? Fica muito excitada ou com medo? Alterações nos sinais neurovegetativos: respiração,
sudorese, cor da pele, pupila
Mudança na expressão facial?
Observa ideação, sequenciamento, timing, organização e
nível e alerta
A coordenação visomotora, alcance, pegar e soltar de acordo
com as demandas temporoespaciais.
Observar o fluir da brincadeira, a auto-regulação, humor,
habilidade de interação social.
I
NTEGRAÇÃOSENSORIALA
PRENDIZADODENOVASHABILIDADES MOTORASBIBLIOGRAFIA
MAGALHÃES, L.C. Integração Sensorial: uma abordagem específica de Terapia Ocupacional. Em DRUMOMOND, A. F. Rezende, M.B. (orgs) Intervenções da Terapia Ocupacional. Belo Horizonte, MG: UFMG, 2008
PARHAM, L. D., LINDA S. F. A Recreação na Terapia Ocupacional Pediátrica: Santos Livraria, 2002.
MAGALHÃES, L.C.; Goodrich, H.Z.; OLIVEIRA, M.C.. Terapia de Integração Sensorial em Paralisia Cerebral. Em CURY, V.C.R.; BRANDÃO, M.B. Reabilitação em Paralisia Cerebral