Nome: . . . . B. I.: . . . N0
de Estudante: . . . . Licenciatura: . . . . Unidade Curricular: Elementos de An´alise Infinitesimal I C´odigo: 21030 Data: . . . Ano Lectivo: 2008/09
Docente: Fernando Pestana da Costa Classifica¸c˜ao: . . . .
Para a resoluc
¸˜
ao do
e-F´
olio B, aconselha-se que:
• Preencha devidamente o cabe¸calho do exemplar.
• O e-F´olio ´e composto por seis grupos de quest˜oes, num total de 2 p´aginas e termina com a palavra FIM. As suas respostas `as quest˜oes deste e-F´olio n˜ao podem ultrapassar nove p´aginas A4; p´aginas adicionais n˜ao ser˜ao classificadas. • Escreva sempre com letra leg´ıvel ou usando um processador de texto matem´atico
conveniente.
• Depois de ter realizado o e-F´olio produza um ´unico documento digital (de pre-ferˆencia pdf) que deve incluir esta folha de rostoe insira-o na p´agina moodle da unidade curricular em “e-F´olio B” at´e ao dia 16 de Janeiro.
Crit´
erios de avaliac
¸ ˜
ao e cotac
¸˜
ao:
• A cota¸c˜ao total deste e-F´olio ´e de 4 valores.
• Para a correc¸c˜ao das quest˜oes constituem crit´erios de primordial importˆancia, al´em da ´obvia correc¸c˜ao cient´ıfica das respostas, a capacidade de escrever clara, objectiva e correctamente, de estruturar logicamente as respostas e de desenvolver e de apresentar os c´alculos e o racioc´ınio matem´atico correctos, utilizando nota¸c˜ao apropriada.
• Justifique cuidadosa e detalhadamente todos os c´alculos, racioc´ınios e afirma¸c˜oes que efectuar. N˜ao ser´a atribu´ıda classifica¸c˜ao a uma resposta n˜ao justificada.
1. Determine os dom´ınios das seguintes fun¸c˜oes reais de vari´avel real e diga, justificando cuidadosamente, se s˜ao, ou n˜ao, cont´ınuas no seu dom´ınio
f (x) = arctan(log x), g(x) = e−1+tan x1 , h(x) =√3cos x log | tan x|,
2. Mostre, recorrendo directamente `a defini¸c˜ao de continuidade de uma fun¸c˜ao num ponto, que a fun¸c˜ao u(x) = 1+x1 2 ´e cont´ınua em todos os pontos do seu dom´ınio. Investigue se esta fun¸c˜ao ´e, ou n˜ao, uniformemente cont´ınua. Calcule, recorrendo `a defini¸c˜ao, o valor de lim
x→+∞u(x), ou prove que este limite n˜ao existe.
3. Suponha que uma fun¸c˜ao ψ, cont´ınua no intervalo [0, 2], satisfaz ψ(0) = ψ(2). Mostre que existem pelo menos dois pontos x1 e x2 em [0, 2] cuja distˆancia entre si ´e a unidade e
para os quais ψ(x1) = ψ(x2).
4. Para cada uma das fun¸c˜oes reais de vari´avel real seguintes, determine (caso exista) a sua fun¸c˜ao derivada, indicando, para cada caso, tamb´em o dom´ınio de diferenciabilidade
θ(x) = log log sin x, v(x) = x|x|, w(x) = arcsin 1 |x|,
5. a) Assumindo que F e G s˜ao uma fun¸c˜oes diferenci´aveis no ponto a, determine o valor do limite
lim
x→a
G(x)F (a) − G(a)F (x) x − a
b) Mostre que a equa¸c˜ao x13+ x3− 2 = 0 tem uma ´unica solu¸c˜ao real.
c) Calcule os seguintes limites
lim x→1 arctanx2 −1 x2+1 x − 1 , x→0lim x>0
(sin x)sin x, lim
x→0
sin x x
sin2 x1 .
6. Fa¸ca um estudo anal´ıtico da fun¸c˜ao definida pela express˜ao ξ(x) = xe−|1−x2
| tendo em
aten¸c˜ao os seguintes aspectos: dom´ınio, continuidade, diferenciabilidade, intervalos de monotonia, extremos, assimptotas. Esboce o gr´afico de ξ tendo em conta a informa¸c˜ao fornecida pelo seu estudo.
resoluc¸˜ao do e-F´olio B
1. Comecemos por considerar a fun¸c˜ao f (x) = arctan(log x). O dom´ınio de f ´e o conjunto dos x reais para os quais a express˜ao que define f faz sentido, ou seja1,
Df = {x ∈ R : x ∈ Dlog∧ log x ∈ Darctan} .
Como se sabe que Dlog = R+ e Darctan= R, conclu´ımos que
Df =x ∈ R : x ∈ R+∧ log x ∈ R = R+.
Sendo as fun¸c˜oes log e arctan cont´ınuas nos respectivos dom´ınios, tem-se que f ´e tamb´em cont´ınua no seu dom´ınio, ou seja em R+.
Considere-se agora a fun¸c˜ao g(x) = e−1+tan x1 . De modo an´alogo ao anterior, o dom´ınio desta fun¸c˜ao ´e Dg = x ∈ R : x ∈ Dtan∧ 1 + tan x 6= 0 ∧ −1+tan x1 ∈ Dexp .
Relem-brando que Dtan = R \ {π2 + kπ, k ∈ Z} e Dexp = R, e tendo em aten¸c˜ao que
tan x = −1 ⇔ x = −π4+ ℓπ, ℓ ∈ Z, conclui-se que Dg = R \− π 4 + kπ,
π
2 + kπ, k ∈ Z .
Tal como no caso anterior, como todas as fun¸c˜oes envolvidas s˜ao cont´ınuas nos respec-tivos dom´ınios, a fun¸c˜ap g ´e tamb´em cont´ınua em Dg.
Finalmente, seja h(x) = √3
cos x log | tan x|. O dom´ınio desta fun¸c˜ao ser´a Dh =
n
x ∈ R : x ∈ Dcos∧ cos x ∈ D√3 ∧ x ∈ Dtan∧ tan x ∈ D|·|∧ | tan x| ∈ Dlog o
. Como Dcos = D√3 = D|·| = R, Dtan = R \ {π
2 + kπ, k ∈ Z} e Dlog = R + conclui-se que Dh =x ∈ R : x ∈ R \ {π2 + kπ, k ∈ Z} ∧ | tan x| 6= 0 ou seja, Dh = R \ {π2 + kπ, k ∈ Z} ∪ {kπ, k ∈ Z} = R \ {kπ2 , k ∈ Z}.
Como todas as fun¸c˜oes envolvidas s˜ao cont´ınuas nos respectivos dom´ınios, a fun¸c˜ao h ´e cont´ınua no seu dom´ınio.
2. Para provar, recorrendo `a defini¸c˜ao, que a fun¸c˜ao u(x) = 1
1+x2 ´e cont´ınua em qualquer ponto a do seu dom´ınio temos que provar que, se o x estiver muito pr´oximo de a, o u(x) estar´a muito pr´oximo de u(a), ou seja, um pouco mais rigorosamente, temos de conseguir satisfazer o seguinte: para cada a no dom´ınio de u (ou seja, para qualquer a em R), se nos derem um δ > 0 arbitr´ario, temos de conseguir determinar um valor de ε (que depender´a, normalmente, do δ e do a considerados) de tal modo que se x estiver a uma distˆancia de a inferior a ε, ent˜ao temos a garantia de que u(x) distar´a de u(a) menos que o tal δ dado no in´ıcio, ou seja, simbolicamente,
∀δ > 0, ∃ε > 0 : |x − a| < ε ⇒ |u(x) − u(a)| < δ. Vejamos ent˜ao: |u(x) − u(a)| = 1 1 + x2 − 1 1 + a2 = a2 − x2 (1 + x2)(1 + a2) = (a + x)(a − x) (1 + x2)(1 + a2) 6 |a + x||x − a| 6 (2|a| + ε)|x − a|, (1) 1
A express˜ao acima lˆe-se em portuguˆes do seguinte modo: “o dom´ınio de f ´e o conjunto dos x reais tais que x pertence ao dom´ınio do logaritmo e o logaritmo de x pertence ao dom´ınio do arctan”
onde a primeira desigualdade vem do facto de 1 + x2 > 1 e 1 + a2 > 1 e a segunda
resulta da desigualdade triangular |x|−|a| 6 |x−a| e do facto de x estar na vizinhan¸ca de a com semi-comprimento ε, pelo que |x| 6 |a| + |x − a| < |a| + ε. Tome-se ent˜ao x a uma distˆancia de a inferior a ε. Ent˜ao, se escolhermos x de modo a que |x − a|ε, tem-se
|u(x) − u(a)| 6 (2|a| + ε)ε
e para que esta quantidade seja menor que δ, basta que seja poss´ıvel escolher ε de modo a que
(2|a| + ε)ε < δ ⇔ ε2+ 2|a|ε − δ < 0.
Resolvendo esta inequa¸c˜ao de segundo grau em ordem a ε (e tendo em aten¸c˜ao que se tem de ter ε > 0) conclui-se que, dado δ > 0, qualquer ε que satisfa¸ca
0 < ε <√a2+ δ − |a|
est´a nas condi¸c˜oes pretendidas, ou seja, sempre que tenhamos |x − a| < ε, garantimos que tamb´em se tem |u(x)−u(a)| < δ. Ou seja: prov´amos que u ´e cont´ınua em qualquer ponto x = a de R.
Repare-se que, como √a2+ δ − |a| depende de a e tende para 0 quando |a| → +∞,
n˜ao ´e poss´ıvel, pelos c´alculos anteriores, escolher um valor de ε que sirva para todos os pontos a ∈ R, i.e., que sirva uniformemente para todos os pontos do dom´ınio de u. No entanto, isto n˜ao prova ainda que a fun¸c˜ao u n˜ao ´e uniformemente cont´ınua porque ´e poss´ıvel que tenhamos sido demasiado descuidados a fazer as majora¸c˜oes acima. Isto foi, de facto, o que aconteceu: note-se que o que sobrou na nossa estimativa (1) ´e exactamente o termo que ter´ıamos se tivessemos come¸cado com u(x) = x2(a qual n˜ao ´e
uniformemente cont´ınua em R, j´a que a sua inclina¸c˜ao vai aumentando indefinidamente quando x → +∞). Ou seja, ao estimarmos (1) deit´amos fora os termos aditivos x2 e
a2 nos denominadores, os quais nos poderiam ser agora ´uteis para controlar o que se
passa com valores de x e de a muito grandes. Vejamos um modo de reparar esta nossa exagerada simplifica¸c˜ao nas estimativas anteriores.
Atendendo `as observa¸c˜oes anteriores, tentemos, na desigualdade (1), utilizar apenas a estimativa em x, 1 + x2 > 1 (para nos livrarmos da vari´avel) e deixar o denominador
1 + a2 inalterado, obtem-se assim
|u(x) − u(a)| 6 2|a| + ε1 + a2 ε,
onde foram utilizadas tamb´em as rela¸c˜oes entre a, x e ε que j´a tinhamos assumido acima. Agora pretendemos saber se, dado δ > 0, podemos, ou n˜ao, escolher ε de modo a que
2|a| + ε
1 + a2 ε < δ ⇔ ε
2+ 2|a|ε − (1 + a2)δ < 0.
Resolvendo esta inequa¸c˜ao de segundo grau em ordem a ε conclu´ımos que, dado δ > 0, qualquer ε que satisfa¸ca
0 < ε <pa2(1 + δ) + δ − |a|
est´a nas condi¸c˜oes pretendidas. Mas agora note-se que o problema que t´ınhamos anteriormente j´a n˜ao ocorre, ou seja, a regi˜ao em que podemos tomar os ε n˜ao “encolhe”
para zero `a medida que |a| aumenta, antes pelo contr´ario: a regi˜ao fica cada vez maior quando a cresce para +∞, j´a que, com qualquer δ > 0,
pa2(1 + δ) + δ − |a| → +∞ quando |a| → +∞,
e como em qualquer intervalo limitado e fechado a fun¸c˜ao ´e uniformemente cont´ınua (pelo teorema de Cantor) conclu´ımos que u ´e uniformemente cont´ınua em R.
Vejamos agora o limite limx→+∞u(x). Como u(x) = 1
1+x2 observamos que `a medida que x aumenta, o valor de u(x) (que ´e sempre positivo) ser´a cada vez menor. Isto leva-nos a conjecturar que o limite em causa deva ser zero. Para verificarmos pela defini¸c˜ao que isto ´e, de facto, assim, tentemos ver que se verifica que
∀δ > 0, ∃K > 0 : ∀x ∈ R, x > K ⇒ |u(x)| < δ. (2) De facto, dando δ > 0 arbitr´ario, tem-se
|u(x)| = u(x) = 1
1 + x2 < δ (3)
desde que escolhamos x satisfazendo 1+x1 2 < δ, ou seja x > q
1
δ − 1 quando δ < 1;
se δ > 1 ´e claro que (3) ´e sempre satisfeito, qualquer que seja o x. Assim, basta escolher K =qmax0,1
δ − 1 para que (2) seja satisfeita, o que mostra que o limite
pretendido ´e, de facto, igual a zero.
3. Pretendemos provar que existem dois n´umeros em [0, 2], distantes de 1 unidade, onde ψ assume valores iguais. Sendo a distˆancia entre esses dois pontos de exactamente uma unidade, podemos designar um deles por x e o outro por 1 + x. ´E claro que, das condi¸c˜oes do enunciado, x ∈ [0, 1] e 1 + x ∈ [1, 2]. Pretendemos ent˜ao provar que existe um x para o qual ψ(x) = ψ(1+x), ou seja, ψ(x)−ψ(1+x) = 0. Como a ´unica informa¸c˜ao que temos sobre ψ ´e que se trata de uma fun¸c˜ao cont´ınua em [0, 2] (e portanto tamb´em em [0, 1] e em [1, 2]) ´e natural pensarmos em utilizar o corol´ario do teorema de Bolzano. Para tal, consideremos a fun¸c˜ao Ψ definida por Ψ(x) = ψ(x) − ψ(1 + x). Pelo que se viu acima sobre a continuidade de ψ, esta fun¸c˜ao ´e cont´ınua em [0, 1]. Por outro lado tem-se, atendendo `a condi¸c˜ao ψ(0) = ψ(2) dada no enunciado:
Ψ(0) = ψ(0) − ψ(1), e
Ψ(1) = ψ(1) − ψ(2) = ψ(1) − ψ(0) = −Ψ(0).
Portanto, uma das duas condi¸c˜oes tˆem de ser verificadas: ou Ψ(0) = 0 e portanto ψ(0) = ψ(1), provando-se o que pretendiamos com x = 0, ou Ψ(0) 6= 0 e ent˜ao Ψ(1) ´e tamb´em diferente de zero e tem sinal oposto ao de Ψ(0). Mas ent˜ao, o corol´ario do teorema de Bolzano aplicado a Ψ permite-nos concluir que existe (pelo menos) um valor de x entre 0 e 1, chamemos-lhe α, para o qual Ψ(α) = 0, ou seja, para o qual ψ(α) = ψ(1 + α), como pretend´ıamos.
4. Comecemos com a fun¸c˜ao θ(x) = log log sin x. Repare-se que, como sin x ∈ [−1, 1], conclui-se que quando sin x > 0 o valor de log sin x ´e sempre menor ou igual a zero e portanto n˜ao existe nenhum valor de x para o qual a express˜ao de θ fa¸ca sentido, ou seja, Dθ = ∅, pelo que n˜ao faz sentido falar em derivadas.
Para a fun¸c˜ao v observe-se que v(x) =
(
x2 se x > 0
−x2 se x < 0.
Assim, e da diferenciabilidade dos polin´omios, conclui-se imediatamente que v ´e dife-renci´avel (pelo menos) em R \ {0} e que v′(x) = 2x se x > 0 e que v′(x) = −2x se
x < 0. Para investigar o que se passa em 0 recorramos `a defini¸c˜ao: Como lim x→0 v(x) − v(0) x − 0 = limx→0 v(x) x = limx→0 x|x| x = limx→0|x| = 0
conclu´ımos que este limite existe e, portanto, a derivada v′(0) existe e ´e igual a zero.
Consequentemente, reunindo os resultados obtidos para os diferentes casos de x, pode-se escrever v′(x) = 2|x|, ∀x ∈ R. Considere-se agora a fun¸c˜ao w(x) = arcsin 1
|x|.
No-vamente aqui podemos considerar separadamente os casos x > 0 e x < 0 (ou melhor: os casos x ∈ [1, +∞[ e x ∈] − ∞, −1]; note que os pontos x ∈] − 1, 1[ n˜ao fazem parte do dom´ınio de w e, portanto, n˜ao tem sentido investigarmos a´ı a diferenciabilidade de w). Atendendo a que a fun¸c˜ao sin satisfaz sin(−a) = − sin a (i.e., ´e uma fun¸c˜ao ´ımpar) tamb´em a inversa da sua restri¸c˜ao principal, a fun¸c˜ao arcsin, ´e uma fun¸c˜ao ´ımpar e portanto arcsin(−b) = − arcsin b. Atendendo a isto, `a regra de deriva¸c˜ao da fun¸c˜ao composta e `a express˜ao da derivada do arcsin, podemos escrever
w(x) = (1 x) ′ q 1− 1 x2 se x > 1 − ( 1 x) ′ q 1− 1 x2 se x < −1 = −x2q1 1−1 x2 se x > 1 1 x2q 1−1 x2 se x < −1 = ( − 1 x√x2−1 se x > 1 −x√1 x2 −1 se x < −1 = − 1 x√x2− 1
onde a pen´ultima igualdade usa o facto de √x2 = |x|. Conclui-se tamb´em que o
dom´ınio de diferenciabilidade de w ´e ] − ∞, −1[∪]1, +∞[.
5.a) A express˜ao do enunciado faz lembrar a express˜ao do limite que fornece a derivada de uma fun¸c˜ao num ponto, mas n˜ao ´e exactamente isso, uma vez que em vez de termos, no numerador, G(x)F (x) − G(a)F (a) temos os “produtos cruzados” G(x)F (a) e G(a)F (x). Atendendo a que a informa¸c˜ao que nos ´e dada no enunciado diz respeito `a diferenciabilidade de F e de G, ´e natural tentarmos escrever a express˜ao dada de modo a que se possa aplicar a defini¸c˜ao de derivada de F e de G ao limite dado. A dificuldade prov´em da existˆencia dos termos cruzados: se, em vez de G(x)F (a) − G(a)F (x), tivessemos, por exemplo, G(x)F (x) − G(a)F (x) ent˜ao poder´ıamos por o F (x) em evidˆencia e concluir imediatamente que o limite dado seria igual a G′(a)F (a).
Mas esta observa¸c˜ao sugere-nos um procedimento a tentar: fa¸camos aparecer o termos G(x)F (x) − G(a)F (x) adicionando (e subtraindo) G(x)F (x) a G(x)F (a) − G(a)F (x). Vejamos o que resulta desta ideia:
lim x→a G(x)F (a) − G(a)F (x) x − a = limx→a G(x)F (x) − G(x)F (x) + G(x)F (a) − G(a)F (x) x − a = lim x→a (G(x) − G(a))F (x) − (F (x) − F (a))G(x) x − a = lim x→a G(x) − G(a) x − a F (x) − limx→a F (x) − F (a) x − a G(x) = G′(a)F (a) − F′(a)G(a),
e isto que resolve a quest˜ao.
Uma resolu¸c˜ao alternativa, mais curta, baseia-se na observa¸c˜ao que ambas as fun¸c˜oes x 7→ G(x)F (a)−G(a)F (x) e x 7→ x−a s˜ao diferenci´aveis e convergem para zero quando x → a. Portanto, a aplica¸c˜ao da regra de L’Hˆopital permite concluir que, como se tem
lim x→a (G(x)F (a) − G(a)F (x))′ (x − a)′ = limx→a G′(x)F (a) − G(a)F′(x) 1 = lim x→a(G ′(x)F (a) − G(a)F′(x))
= G′(a)F (a) − F′(a)G(a), ent˜ao tamb´em o limite do enunciado existe e ´e igual:
lim
x→a
G(x)F (a) − G(a)F (x)
x − a = G
′(a)F (a) − F′(a)G(a).
5.b) Seja p o polin´omio definido pela express˜ao p(x) = x13+x3−2. Comecemos por observar
que limx→−∞p(x) = −∞ e limx→+∞p(x) = +∞. Portanto, exite a negativo e b positivo, suficientemente grandes em m´odulo, tais que p(a) < 0 < p(b). Como p ´e um polin´omio, ´e uma fun¸c˜ao cont´ınua em todo o R e portanto, pelo corol´ario do teorema de Bolzano, existe pelo menos um c ∈]a, b[⊂ R tal que p(c) = 0. Para vermos que esse ponto ´e ´unico basta reparar que o polin´omio p ´e uma fun¸c˜ao estritamente crescente, pois a sua derivada satisfaz p′(x) = 13x12+ 3x2 > 0, s´o sendo nula no ponto x = 0.
Ent˜ao, sendo c tal que p(c) = 0, conclui-se daqui que se tem sempre p(x) > 0 quando x > c e p(x) < 0 sempre que x < c, e com isto concluimos o pretendido.
5.c) Consideremos o primeiro destes limites. Aplicando directamente as regras alg´ebricas sobre limites obter-se-ia o simbolo sem sentido 00. Aplicando a regra de Cauchy para o levantamento de indetermina¸c˜oes tem-se que, se o limite
lim x→1 arctanxx22−1+1 ′ (x − 1)′
existir, ent˜ao o limite do enunciado tamb´em existe e ´e igual. Vejamos: arctanxx22−1+1 ′ (x − 1)′ = “ x2−1 x2+1 ”′ 1+x2−1 x2+1 1 = 4x (x2+ 1)2+ (x2− 1)2
e como a ´ultima express˜ao converge para 1 quando x → 1 conclu´ımos que o limite dado no enunciado ´e tamb´em igual a 1.
Vejamos agora o segundo limite. Aplicando directamente as regras alg´ebricas sobre limites obter-se-ia o simbolo sem sentido 00. A ideia para resolvermos quest˜oes deste
tipo ´e, usualmente, tentar transformar a express˜ao numa que, ou n˜ao apresente um simbolo de indetermina¸c˜ao, ou, caso n˜ao consigamos tal, pelo menos que este seja do tipo 00 ou ∞∞, de modo a podermos aplicar a regra de Cauchy. No presente caso observe-se que
(sin x)sin x = elog(sin x)sin x = esin x log sin x = exp log sin x1
e a aplica¸c˜ao directa das regras alg´ebricas dos limites `a express˜ao log sin x1 sin x
resulta no simbolo de indetermina¸c˜ao ∞∞. Tentemos aplicar a regra de Cauchy a esta ´ultima express˜ao mas, primeiro, reparemos que quando x → 0 tamb´em sin x → 0. Como a express˜ao que pretendemos estudar s´o depende de x atrav´es do termo sin x ´e natural efectuar a substitui¸c˜ao y = sin x e estudarmos o limite de log y1/y quando y → 0, em vez do limite original. Como
(log y)′
(1/y)′ =
1/y
−1/y2 = −y → 0 quando y → 0
concluimos que o limite dado no enunciado ´e igual a e0 = 1.
Para o ´ultimo limite, aplicando directamente as regras alg´ebricas sobre limites2
obter-se-ia o s´ımbolo sem sentido 1∞. Tentemos, tal como no caso anterior, transformar a
express˜ao de modo a podermos aplicar a regra de Cauchy. Comecemos por notar que sin x x sin2 x1 = exp " log sin x x sin2 x1 # = exp logsin xx sin2x
Note-se que aplicando directamente as regras alg´ebricas sobre limites `a express˜ao entre parentesis rectos resulta em 00. Tentemos aplicar a regra de Cauchy `a express˜ao dentro dos parentesis rectos:
log sin x x ′ sin2x′ = x cos x−sin x x sin x 2 sin x cos x = x cos x − sin x 2x sin2x cos x
aplicando directamente o limite quando x → 0 a esta express˜ao resulta no simbolo sem significado 00 e portanto podemos tentar aplicar de novo a regra de Cauchy, j´a que as fun¸c˜oes envolvidas satisfazem as condi¸c˜oes de aplica¸c˜ao desse resultado:
(x cos x − sin x)′
(2x sin2x cos x)′ = −
x sin x
2 sin2x cos x + 4x sin x cos2x − 2x sin3x
= − 1
2sin xx cos x + 4 cos2x − 2 sin2x −−→x→0 −
1 6 e daqui se conclui que o limite pretendido ´e igual a e−1/6.
6. Comecemos por considerar o dom´ınio de ξ:
Dξ=x ∈ R : 1 − x2D|·|∧ −|1 − x2| ∈ Dexp .
Como D|·| = Dexp = R conclui-se imediatamente que Dξ = R. Como os polin´omios,
a fun¸c˜ao m´odulo e a exponencial s˜ao fun¸c˜oes cont´ınuas, a fun¸c˜ao ξ, que ´e obtida por produto e composi¸c˜oes destas fun¸c˜oes, ´e tamb´em cont´ınua no seu dom´ınio R.
O mesmo tipo de argumento ´e v´alido para a diferenciabilidade: podemos concluir que a fun¸c˜ao ξ ´e diferenci´avel excepto nos pontos onde o argumento do m´odulo ´e nulo (atendendo a que sabemos que a fun¸c˜ao s 7→ |s| n˜ao ´e diferenci´avel no ponto s = 0 (note-se que deste facto n˜ao podemos concluir que a fun¸c˜ao ξ n˜ao seja a´ı diferenci´avel:
2
pode ser, ou n˜ao. Para saber o que se passa teremos de estudar o que se passa em torno desses pontos.) Comecemos por escrever ξ na forma
ξ(x) = xe−|1−x2|= ( xex2 −1 se 1 − x2 >0 xe1−x2 se 1 − x2 < 0 = ( xex2 −1 se x ∈ [−1, 1] xe1−x2 se x 6∈ [−1, 1]. Assim, tem-se a seguinte express˜ao para ξ′:
ξ′(x) = ( (1 + 2x2)ex2 −1 se x ∈] − 1, 1[ (1 − 2x2)e1−x2 se x 6∈ [−1, 1]. Observe-se desta express˜ao que se tem
lim x→1−ξ ′(x) = lim x→1 x<1 ξ′(x) = lim x→1 x<1 (1 + 2x2)ex2−1 = 3 e tamb´em lim x→1+ξ ′(x) = lim x→1 x>1 ξ′(x) = lim x→1 x>1 (1 − 2x2)e1−x2 = −1,
e, portanto, como limx→1−ξ′(x) 6= limx→1+ξ′(x), n˜ao existe derivada de ξ no ponto 1. Exactamente o mesmo se passa em x = −1. Da express˜ao de ξ′ calculada acima
conclui-se imediatamente que ξ′(x) > 0 para ] − 1, 1[. Al´em disso, como
1 − 2x2 >0 ⇔ x2 6 1 2 ⇔ x ∈ h −√1 2, 1 √ 2 i ⊂ [−1, 1],
conclui-se que ξ′(x) < 0 se x 6∈ [−1, 1], e, portanto, obtemos os seguintes intervalos de
monotonia para ξ :
ξ ´e crescente em ] − 1, 1[
ξ ´e decrescente em ] − ∞, −1[ e em ]1, +∞[.
Destes resultados e da continuidade de ξ conclui-se que o ponto x = −1 ´e um ponto minimizante de ξ (visto que a fun¸c˜ao decresce `a esquerda e cresce `a direita desse ponto) e o ponto x = 1 ´e um ponto maximizante de ξ (visto que a fun¸c˜ao cresce `a esquerda e decresce `a direita desse ponto).
Para termos uma ideia do comportamento global da fun¸c˜ao falta-nos estudar o seu comportamento assimpt´otico quando x → +∞ e quando x → −∞ (como o dom´ınio de ξ ´e R e ξ ´e cont´ınua no seu dom´ınio, n˜ao podem existir assimptotas verticais).
lim x→+∞ξ(x) = limx→+∞xe 1−x2 = e lim x→+∞xe −x2 = e lim x→+∞ x ex2 e aplicando a regra de Cauchy obt´em-se
lim x→+∞ x′ (ex2 )′ = limx→+∞ 1 2xex2 = 0,
concluindo-se que limx→+∞ξ(x) = 0. O mesmo resultado ocorre quando x → −∞. Portanto, a recta y = 0 ´e a assimptota horizontal ao gr´afico de ξ em ambos casos x → +∞ e x → −∞.
Podemos finalmente agrupar as informa¸c˜oes obtidas pelo estudo apresentado acima e esbo¸car o gr´afico de ξ apresentado na Figura 1.
Figura 1: Esbo¸co do gr´afico da fun¸c˜ao ξ(x) = xe−|1−x2
| compat´ıvel com as informa¸c˜oes