O Príncipe Midas
e o toque de ouro
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André Luís Lima
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o toque de ouro
O Príncipe Midas
e o toque de ouro
o toque de ouro
O que são as lendas? Verdades de um passado muito distante ou apenas criações da imaginação de alguém? Dizem que Midas foi um rei que governou o reino da Frígia no século VIII a.C. Esse reino ficava na Grécia, onde hoje é a região da Anatólia, na Turquia. Histórias, Estórias, Lendas, Mitos... E, se você pudesse mudar a lenda?
A lenda
Quando seu pai saiu do quarto, o príncipe Midas olhou ao redor e viu brinquedos, carrinhos, miniaturas de palácios e três skates praticamente novos. Mesmo assim, ele estava muito triste...
Para entender melhor por que ele estava tão triste, vamos voltar um pouquinho no tempo.
O reino de Frígia era um lugar calmo, onde as pessoas trabalhavam, se divertiam e viviam
em paz. O rei era um homem bom, ele cuidava de todos e estava sempre disposto a ajudar qualquer pessoa que precisasse.
O reino da Frígia era um lugar calmo, onde as pessoas trabalhavam, se divertiam e viviam em paz. O rei era um homem bom, cuidava de todos e estava sempre disposto a ajudar qualquer pessoa que precisasse.
O rei e a rainha tinham dois filhos, Midas e Áurea. Áurea era uma menina que amava as flores. Se não estivesse na escola, ela certamente estaria no jardim plantando, cuidando, dançando e cantando para suas flores.
Midas era um rapazinho muito inteligente, rápido e ágil que adorava andar de skate com seus amigos. Mas tinha um péssimo hábito: não podia ver uma novidade, um lançamento, um
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brinquedo novo, sem ir imediatamente pedir para seu pai comprar.
– Papai, a loja de skates do reino lançou um modelo novo. É o Skate Supreme! Você sabe que na próxima semana é o Festival da Primavera e haverá um desafio de skates, por isso eu preciso comprar o Skate Supreme! – disse o príncipe.
– Sei sim, meu filho. O inverno está acabando, e o desafio de skates faz parte das comemorações para a chegada da primavera –
ponderou o rei. – Mas antes de falarmos sobre a compra de mais um skate, gostaria que você viesse comigo até o seu quarto.
Quando os dois entraram no quarto do príncipe, o rei perguntou:
– Diga-me, Midas, o que você vê aqui? – É meu quarto, papai!
– Sim, esse é seu quarto. Mas quero que me diga o que você vê aqui dentro.
– Vejo minha cama, meu armário, meus brinquedos...
– Está certo, mas diga quais são e quantos são os brinquedos que você vê?
– Tudo bem papai... Eu vejo uma coleção de carrinhos, uma bola de basquete, duas bolas de futebol, uma maquete do reino com a estrada de ferro e os trens de controle remoto, uma
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estante com meus jogos de tabuleiro, e ali meus skates. – explicou Midas.
– E ali seus skates, seus três skates. – o rei repetiu vagarosamente. – Você realmente acha que precisa de mais um skate novo Midas?
– Mas pai, eu preciso dele para o desafio! – retrucou o príncipe.
– Midas, acho que você precisa pensar um pouco sobre quais coisas nós realmente precisamos... – O rei falou e saiu do quarto, deixando Midas sozinho com seus três skates.
Midas ficou muito chateado com a conversa que teve com seu pai. O que custava dar um skate novo para ele? Afinal, seu pai era o rei, não tinha motivo para negar um presente tão simples quanto um skate. Como estava muito triste, o príncipe resolveu ir para um lugar onde
pudesse ficar sozinho e pensar como daria um jeito para comprar o Skate Supreme.
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2
Floresta
– O papai não me entende. Ele não entende que eu preciso daquele skate... Eu sou um príncipe! Se eu participar do desafio com meus amigos com um skate pior do que o deles, eu vou perder.
O príncipe estava tão triste que resolveu pegar seu skate velho (tinha apenas três meses que ele havia ganhado) para pensar melhor.
Midas foi para a floresta, que era um lugar onde poderia ficar sozinho e descobrir uma forma de ter moedas de ouro para comprar o Skate Supreme.
A floresta não ficava longe do castelo, mas era fora das muralhas. Enquanto atravessava a praça do mercado para chegar aos portões, ele passou mais uma vez pela loja e viu, novamente, seu tão sonhado Skate Supreme.
Midas passou pelos portões do castelo, seguiu a estrada e entrou na floresta. Nela existiam muitas árvores, e os raios de sol não chegavam a atingir o solo, por isso o ar era um pouco frio e úmido.
Enquanto pensava em como conseguir comprar o Skate Supreme sem pedir para seu pai, Midas escutou um barulho estranho.
O som que ele havia ouvido parecia um choro, mas era muito baixinho e mal dava para se escutar.
Ele foi seguindo o som que parecia vir do meio das folhagens. As folhagens eram densas e ficavam próximas ao solo, por isso ele se abaixou e seguiu engatinhando até o momento em que se deparou com uma coisa que nunca tinha visto.
– Uau! Isso parece uma minicidade! Mas quem é você, e por que está chorando? – exclamou Midas assustado, ao ver várias casinhas e uma pequena fada vestida de verde e dourado sentada no teto de uma das casas.
A fada estava chorando. Ele pensava que fadas não existiam, mas o que estava vendo não podia ser um sonho. O príncipe beliscou seu próprio braço e viu que estava acordado.
– Eu sou a Fada do Ouro. Estou chorando porque as chuvas do inverno destruíram as nossas casas e, como falta apenas uma semana para o Festival da Primavera, acredito que não vamos conseguir acabar de consertar tudo até lá. – disse a fadinha, que era do tamanho da mão do príncipe.
– Desde quando vocês estão aqui? Já pensaram em pedir ajuda para meu pai? Ele é muito bondoso e sempre ajuda todas as pessoas do reino. Mas... Vocês fazem parte do reino?
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Meu pai sabe que vocês moram no reino dele? – disse Midas, preocupado.
– Sim, nós fazemos parte do reino, sim. O rei é muito bom com o povo das fadas, ele e a rainha sempre vêm nos visitar no Festival da Primavera. E, justamente por ele ser tão bondoso, não queremos incomodá-lo ao pedir ajuda com isso. Gostaríamos de conseguir consertar e fazer uma surpresa para ele – explicou a Fada do Ouro.
– Se você é a Fada do Ouro, por que não faz mais ouro para poder consertar as casas? – perguntou o príncipe.
– Nosso problema não é o ouro, mas não ter fadas suficientes para acabar o trabalho antes do festival. Temos de ir à floresta buscar cogumelos grandes o suficiente para servirem de casas.
Também precisamos pegar madeira para construir as portas e as janelas.
Como somos pequenas, estamos
demorando muito tempo... – disse a Fada do Ouro. – Então, eu tenho a solução! Posso ajudar vocês a consertar tudo antes do Festival da Primavera. Como eu sou maior que vocês, posso fazer esse trabalho mais rápido. O que acha de vocês ficarem aqui fazendo as casinhas enquanto eu vou à floresta pegar os cogumelos e a madeira para as casinhas?
– Eu acho uma ótima ideia, Midas! Você faria isso para nos ajudar?
– Claro, Fadinha!
Após falar com a Fada do Ouro, Midas pegou seu skate e voltou para a estrada da floresta. Lá, ele conseguiria achar tudo o que o povo das fadas precisava para reconstruir sua minicidade.
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Midas achou que seria fácil encontrar cogumelos, mas não eram todos que serviam. Para funcionar como casa, eles precisavam ter o tamanho certo. Sem contar que tinha de carregá-los com muito cuidado para não se quebrarem no caminho da floresta à cidade das fadas.
O tempo passou e começou a chegar a hora de Midas voltar para o castelo. Mas ele ainda não tinha encontrado tudo o que precisava.
– Fadinha, sei que hoje não consegui achar todos os cogumelos para as casinhas. Está escurecendo, e eu preciso voltar ao castelo. Mas prometo voltar amanhã e ajudá-las a acabar tudo antes do festival.
– Muito obrigada, Midas! Você é parecido com seu pai. Também é muito generoso e gosta de ajudar. Depois desse encontro inusitado, todos os dias, o príncipe ajudava as fadas na reconstrução das casas destruídas pelas chuvas de inverno. Ao fim de seis dias, tudo estava pronto. As casas estavam todas consertadas, e as fadas já podiam começar a se preparar para o grande dia do festival.
O príncipe estava muito feliz por ter ajudado o povo das fadas. Mas todo dia, quando saia do castelo e passava pela loja, ele via o Skate Supreme na vitrine, e uma pontinha de tristeza aparecia.
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3
O Desejo
No último dia, quando Midas e as fadas acabaram de reconstruir a cidade, elas fizeram uma surpresa para o príncipe.
– Midas, você nos ajudou muito. Por isso, vamos conceder a você um desejo. – disse a Fada do Ouro.
– Eu posso escolher qualquer coisa? Qualquer coisa que eu quiser? – perguntou o príncipe, entusiasmado com a ideia inesperada de ter um desejo seu realizado.
– Sim, Midas. Escolha o que quiser.
– Você é a Fada do Ouro, eu quero que todas as coisas que eu toque virem ouro. Assim, eu sempre terei dinheiro, poderei comprar meu Skate Supreme e nunca mais precisarei pedir para meu pai comprar nada!
Quando ouviu o desejo de Midas, a Fada do Ouro ficou muito triste. Como é possível um menino tão generoso, que ajudou o povo das fadas a reconstruir a cidade, fazer um pedido tão perigoso como esse? Ela não poderia negar o desejo, mas tentou fazê-lo mudar de ideia:
– Midas, você tem certeza do que está desejando? Pense bem, o que poderia acontecer se todas as coisas que você tocasse virassem ouro?
– É exatamente isso que eu quero, Fadinha do Ouro! Eu quero, do fundo do meu coração, poder comprar todas as coisas que eu quiser, eu quero que tudo que eu toque vire ouro!
Midas estava tão empolgado com sua ideia de nunca mais precisar pedir para seu pai comprar algo, que não conseguia mais pensar em nada. Ele só queria ver seu desejo realizado.
Com muita tristeza nos olhos, a Fada do Ouro voou acima da cabeça do príncipe, balançou sua varinha, e um fino pó dourado cobriu o menino.
A fada ficou observando ele ir embora e não conseguiu resistir, começou a chorar de novo, pois já sabia o que iria acontecer.
No caminho de volta ao castelo, Midas tocou em uma folha e plim, a folha virou uma folha de ouro e caiu da árvore na sua mão.
Ele ficou tão contente com aquilo, que começou a se perguntar se aquilo funcionaria também com as pedras. Então, para testar, tocou em uma pedra e plim, a pedra também virou ouro. Juntando aquela folha, a pedra, e mais algumas pedras que ele poderia pegar no caminho, já seria possível comprar hoje mesmo o Skate Supreme. Ele pensou:
– Que bom ter ganhado esse desejo! Eu nem imaginava ter um desejo satisfeito só por ajudar as fadas.
Chegando na cidade, ele foi direto para a loja, entregou o ouro ao dono e, quando foi pegar o Skate Supreme, plim ele virou um skate de ouro.
Tudo bem, não era mais aquele Skate Supreme que ele viu na vitrine, mas certamente deveria ser ainda melhor. Afinal de contas, agora ele era de ouro!
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4
Estátuas...
Quando Midas estava passando pelos jardins com seu novo skate de ouro, Áurea
brincava com as flores no pátio, mas, quando viu seu irmão chegar, correu para ver o que era aquele objeto tão brilhante levado por ele.
– Mano, que lindo! Como você conseguiu esse skate de ouro? – disse a princesa.
– Eu ajudei umas pessoas, e elas me deram de presente. Ele não quis contar à irmã sobre as fadas, sua cidade e sobre seu desejo realizado.
– Que bom, mano. Agora você já tem um skate novo para o desafio da primavera! – ela disse isso e foi dar um grande abraço no irmão. No entanto, quando tocou no príncipe, virou uma estátua de ouro.
Midas ficou apavorado e não sabia o que fazer. Sua irmã agora era uma estátua de ouro entre as flores do jardim. Com certeza, uma
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estátua de ouro deixaria o jardim mais belo, mas ela era sua irmã! Ele não poderia deixá-la ali, transformada em uma estátua, sem poder se mexer, falar, comer ou brincar.
Midas entrou no palácio correndo e foi à sala do trono, precisava falar com seu pai. Se alguém poderia ajudar, certamente essa pessoa seria ele.
O príncipe correu pelo corredor do castelo o mais rápido que pôde. Correu tão rápido que passou por várias pessoas e não parou nem mesmo para olhar para o lado e prestar atenção nelas.
Quando estava quase chegando na sala do trono, avistou sua mãe e continuou correndo até chegar nela.
– Mamãe, eu fiz uma coisa terrível! Eu transformei a Áurea em uma... – antes mesmo de
acabar de falar a frase, o príncipe percebeu ter corrido diretamente para os braços de sua mãe, e isso significa que ela também se transformou em uma grande estátua de ouro.
Se antes o príncipe Midas estava apavorado, agora podemos dizer que estava aterrorizado. Ele se afastou da estátua da sua mãe e, por um instante, olhou para trás, nada poderia ser mais assustador: o corredor do palácio estava cheio de pessoas transformadas em estátuas de ouro.
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5
Ouro?
Quando chegou na sala do trono, Midas começou a falar para seu pai:
– Papai, não chegue perto de mim! Eu fiz uma coisa terrível. As fadas me concederam um desejo porque eu as ajudei a reconstruir suas
casas, e eu desejei que tudo que eu tocasse se transformasse em ouro.
Agora eu transformei em estátuas de ouro a mana, a mamãe e várias pessoas no corredor do palácio.
– Isso é muito grave! Precisamos falar com as fadas e ver se existe alguma forma de reverter essa situação. Mas me diga, meu filho, por que você fez esse pedido? Você já tem tudo que precisa na sua vida! Por que quer mais ouro? – disse o rei, que estava triste com o desejo de seu filho e preocupado com a situação de todas aquelas pessoas.
– Eu desejei que todas as coisas que eu tocasse virassem ouro porque eu gostaria de poder comprar tudo o que eu quisesse, sem nunca mais pedir nada para ninguém.
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Midas chorava e pensava não ter valido a pena trocar sua mãe e sua irmã por um skate novo. Afinal, ele já tinha três skates.
O rei disse para o príncipe voltar à floresta e procurar as fadas. Não poderia ir junto porque esse foi um desejo que o príncipe tivera sozinho, e ele sabia que Midas deveria resolver esse problema também sozinho. Se o rei fosse junto para a floresta, as fadas não apareceriam para os dois.
Assim, Midas saiu em direção à floresta pensando em tudo o que aconteceu e o porquê de tudo isso ter acontecido.
Quando chegou, encontrou a Fada do Ouro sentada sobre o teto da mesma casinha em que ela estava quando se conheceram.
– Fadinha do Ouro, você precisa me ajudar! O pedido que eu fiz é terrível,
transformei várias pessoas em estátuas de ouro. Você pode desfazê-lo?
– Não posso desfazer seu desejo Midas. Eu tentei fazê-lo pensar melhor, mas você desejou do fundo do seu coração, e um desejo feito do fundo do coração não pode ser negado. – respondeu a fada.
– Eu estou arrependido! Estou mesmo! É do fundo do meu coração. Percebi que não vale a pena trocar as pessoas que eu amo pelo ouro para poder comprar tudo que existe. E, querer comprar tudo também não é certo e não traz felicidade.
Midas estava realmente arrependido do seu desejo e continuou explicando à fada:
– O skate, por exemplo, eu já tenho três e não posso andar com todos eles ao mesmo tempo! Isso quer dizer que eu não preciso de um
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novo; para falar a verdade, eu não preciso de três skates. Eu poderia dar dois deles para crianças que não têm e ficar com apenas um. Um skate é o suficiente para mim!
– Agora eu entendo o que meu papai disse sobre eu pensar melhor nas coisas de que precisamos para a vida... Ele tem razão, eu sempre peço tudo que acho legal, mas isso não quer dizer que eu precise dessas coisas. Midas falou tão
sinceramente a ponto de a fada sentir que agora havia uma chance de ajudá-lo.
Mesmo vendo o arrependimento do príncipe Midas, a ela disse:
– Príncipe Midas, eu não posso desfazer um desejo feito de coração e escolhido
livremente, mas se for verdade o que você está me dizendo, existe uma chance.
Ao escutar a fada dizer que existia uma chance, o príncipe teve esperança. Ele faria qualquer coisa para salvar sua mãe, sua irmã e fazer todas aquelas pessoas voltarem ao normal.
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6
Do coração
– Diga, fadinha! Você pode dizer qualquer coisa que eu farei! Quero que tudo volte ao normal – disse o príncipe.
– Está certo. Na floresta, existe uma lugar escondido onde há uma cachoeira e um rio. Naquela cachoeira, se você desejar de verdade,
se realmente estiver arrependido e mergulhar na água corrente, seu desejo será desfeito e tudo voltará ao normal. Mas lembre-se, essa magia só vai funcionar se você entendeu de verdade que não é necessário comprar tudo que vemos para sermos felizes. Isso quer dizer que eu não posso garantir que vai dar certo, só vai funcionar se suas palavras vierem do seu coração. – disse a fada.
– Tudo bem, Fada do Ouro, obrigado por me contar sobre essa cachoeira. Eu a acharei e conseguirei desfazer a magia! Eu sei que vai funcionar porque eu entendi de verdade. Eu percebi que eu queria sempre comprar tudo e nunca pensei se realmente eu precisava daquelas coisas, mas agora será diferente.
– Prometo que agora, sempre antes de comprar algo, vou pensar se aquilo é realmente
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necessário ou se aquela compra realmente tem um objetivo importante – respondeu Midas.
O príncipe falava a verdade e estava muito arrependido do pedido que havia feito. Ele tinha aprendido algo muito importante.
O príncipe falava a verdade e estava muito arrependido do seu pedido. Ele tinha aprendido algo muito importante.
– Agora, Midas, vá e ache a cachoeira para que todos voltem ao normal. Eu fiz todo o possível para te ajudar, mas seu aprendizado é que vai decidir se tudo ficará bem ou não. Desejo-lhe sorte!
– Ah, da próxima vez, pense bem antes de decidir qualquer coisa. Nossas escolhas sempre trazem resultados, por isso é bom pensar bem sobre o que estamos escolhendo e sobre o
resultado dessa escolha.– explicou a Fada do Ouro.
O príncipe agradeceu ao povo das fadas e foi correndo para a floresta.
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7
Cachoeira
Embora conhecesse o caminho do castelo à cidade das fadas há apenas uma semana, Midas já havia passado tantas vezes por ele que já se sentia em casa.
Havia caminhado por lá não só quando chegava ou voltava para o castelo, mas também
durante todo o tempo em que ficou procurando por cogumelos, madeiras, portas e janelas.
Tentou se lembrar de alguma cachoeira em especial, mas havia muitas naquela floresta, e nenhuma delas era escondida... No entanto, no dia em que ganhou o toque de ouro, ele se lembrava de ter visto uma cachoeira diferente, mas estava tão entretido com seu novo dom que não prestou atenção ao local onde ela ficava.
Midas caminhou e caminhou pela floresta até que finalmente, atrás das árvores, achou a tal cachoeira. Ela brilhava com um toque dourado. O momento da verdade seria agora.
O príncipe pegou uma pedra na mão para transformá-la em ouro. Ele tinha certeza de que funcionaria, pois estava
mesmo arrependido e havia aprendido uma grande lição.
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Mas mesmo assim, essa pedra seria o teste para saber se mergulhar na cachoeira havia funcionado.
Midas fechou os olhos e, enquanto foi entrando vagarosamente na água, falava:
– Cachoeira, eu sei que meu pedido foi bobo. Agora sei que todo o ouro do mundo não pode substituir as pessoas. As pessoas são muito mais importantes. Até porque um mundo cheio de ouro e sem pessoas não serviria de nada, quem iria usar o ouro? Meu desejo foi bobo, eu não pensei direito e, por isso, minha mãe, minha irmã e várias outras pessoas viraram estátuas. Eu me arrependo do fundo do meu coração. Eu não quero mais tocar nas coisas e elas virarem ouro. Prometo que, de agora em diante, sempre antes de pedir para comprar algo, eu vou pensar se realmente preciso daquilo. E também, as coisas
que eu tenho demais e não uso, como por exemplo meus três skates, duas bolas e várias outras coisas, eu vou dar para crianças que não têm.
Quando acabou de falar tudo isso, Midas já estava completamente dentro da água, o medo de abrir os olhos e a pedra continuar sendo de ouro era grande, mas sabia que estava sendo sincero, então não havia motivos para ter medo. Ele respirou fundo e abriu os olhos.
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VIII Lembrança
Quando abriu os olhos, Midas estava de frente para a cachoeira e não enxergava bem a margem do rio onde havia deixado a pedra. Ele esfregou os olhos para tentar enxergar melhor e começou a caminhar para se aproximar da margem.
Não brilhava!
Se a pedra não brilhava, só poderia significar uma coisa: funcionou! A pedra voltou ao normal. Midas continuou em direção à margem do rio e, quando chegou, viu que realmente a pedra havia voltado ao normal.
Isso deixou o príncipe muito feliz, pois se a pedra havia voltado ao normal, sua mãe, sua irmã e todas aquelas pessoas também haviam voltado ao normal.
Ele se abaixou e pegou aquela pedra. O príncipe guardaria a pedra em um lugar bem visível, para nunca mais se esquecer que nem mesmo todo o ouro do mundo pode substituir o amor e as pessoas.
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IX Juntos
Quando chegou no portão do castelo, o príncipe teve uma surpresa: seu pai, sua mãe e sua irmã o esperavam no jardim. Midas estava tão emocionado de ver todos bem que foi direto abraçá-los, e quando estavam todos juntos em um grande abraço de família, falou:
– Eu nunca estive tão feliz na minha vida, nem no dia em que ganhei meu primeiro skate!
– É muito bom ouvir isso, Midas – falou o rei – Conte-me como você conseguiu trazer a rainha, sua irmã e todas as pessoas de volta ao normal?
– Papai, eu voltei à floresta e procurei a Fadinha do Ouro na vila das fadas. Quando a achei, pedi para desfazer o meu pedido, mas ela disse que não podia. Só havia uma forma de desfazê-lo.
– E qual era essa forma, mano?
– A única forma de desfazer o pedido era se entendesse de verdade que não é necessário comprarmos tudo que vemos para sermos felizes. E, depois de entender isso, eu deveria procurar uma cachoeira escondida na floresta e me banhar nela. Se eu houvesse me arrependido
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do meu desejo e entendido do fundo do coração que nem mesmo todo o ouro do mundo pode substituir as pessoas, aí sim tudo voltaria ao normal. Eu percebi que isso era verdade quando vi você e a mamãe transformadas em estátuas. Foi horrível.
– Meu filho, é muito bom você ter percebido isso. De nada adianta ter todo o ouro do mundo se não tivermos as pessoas que amamos. – falou a rainha.
O rei seguiu a conversa explicando:
– Midas e Áurea, o ouro é importante, pois com ele compramos as coisas. É uma forma que encontramos de facilitar a vida das pessoas ao trocarem as coisas. Mas nunca podemos nos esquecer de que ele só é importante porque facilita nossa vida e nos ajuda a fazer as trocas.
Midas nunca havia pensado nisso antes, mas seu pai tinha razão, o ouro não passava de um meio, uma coisa que as pessoas usam.
– Assim, meu filho – seguiu falando o rei –, o mais importante são as pessoas. Todos queremos ganhar presentes ou comprar coisas novas, mas precisamos pensar antes. O ouro deve ser cuidado e usado com atenção. Não gaste mais do que você precisa, e também guarde sempre uma parte do ouro que ganhar.
Depois de conversar com seus pais e com sua irmã, Midas tomou uma
decisão muito importante.
– Papai, mamãe e maninha, já sei o que farei de especial nesse Festival da Primavera! Vou ver no
meu quarto todos os brinquedos repetidos ou que eu já não uso mais e vou separá-los para
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doar no dia do Festival! Assim, muitas crianças poderão aproveitar e se divertir com os brinquedos que hoje estão parados no meu quarto.
E foi assim que tudo aconteceu... Midas separou os brinquedos que não usava mais para doar no dia do festival e, a
partir daquele dia, começou a agir de forma diferente. Sempre antes de pedir algo, pensava se realmente precisava do que estava pedindo.
O tempo passou, Midas cresceu e se tornou um bom, generoso e muito inteligente rei.
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Agora que você já conhece a lenda de Midas, que tal criar a sua própria lenda?
Dê nome aos capítulos, desenhe nas imagens dos pergaminhos e escreva, inventando sua própria lenda. Você é o príncipe ou a princesa nessa lenda!
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A lenda
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Dê um título, fale de você e de seu quarto no castelo.O Príncipe Midas e… 62 ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ O que você queria?
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Como você respondeu?
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Como foi a sua ida à floresta? ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________ ___________________________________________
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Desenhe o que a fada falou para você?
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O que você vai fazer?
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Desenhe como foi.
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1V
Depois do desejo, o que aconteceu?
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Aproveite as próximas páginas para criar novas
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Apavorado = (do verbo apavorar) Que causa
pavor.
Aterrorizado = (do verbo aterrorizar) Encher-se
de terror.
Banhar = Dar banho, lavar, recobrir com alguma
substância.
Deparou = (do verbo deparar) Encontrar, topar,
apresentar-se inesperadamente.
Entretido = (do verbo entreter) Prender a
atenção, distrair-se, alegrar-se, divertir-se.
Generoso = Que tem qualidades ou sentimentos
nobres, que tem grandeza de alma.
Inusitado = Que não é frequente ou costumeiro,
desusado, incomum, insólito, raro, estranho.
Margem = Faixa de terra que ladeia ou circunda
um curso de água.
Pavor = Grande e intenso medo, forte susto.
Ponderou = (do verbo ponderar) Pesar no
espírito, avaliar, examinar miudamente, pensar bastante sobre alguma coisa.
Retrucou = Responder de imediato
argumentando, replicar, retorquir.
pisamos, chão.
Vagarosamente = (do adjetivo vagaroso) Lento,
morros, lerdo.
Extraído e adaptado de:
ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Dicionário Escolar
da Língua portuguesa. São Paulo: Companhia Editora
Nacional, 2008.
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