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Análise da gestão do uso público: turismo e lazer em duas unidades de conservação pertencentes ao Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro

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INSTITUTO NACIONAL DE PESQUISAS DA AMAZÔNIA – INPA PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM GESTÃO DE ÁREAS

PROTEGIDAS NA AMAZÔNIA – MPGAP

ANÁLISE DA GESTÃO DO USO PÚBLICO: TURISMO E LAZER EM DUAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MOSAICO DE ÁREAS PROTEGIDAS DO

BAIXO RIO NEGRO/AM

RUTH MARIA DE SOUZA NEVES

Manaus, Amazonas Agosto de 2018

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RUTH MARIA DE SOUZA NEVES

ANÁLISE DA GESTÃO DO USO PÚBLICO: TURISMO E LAZER EM DUAS UNIDADES DE CONSERVAÇÃO DO MOSAICO DE ÁREAS PROTEGIDAS DO

BAIXO RIO NEGRO/AM

Orientadora: Dra. SUSY RODRIGUES SIMONETTI

Coorientador: Dr. SÉRGIO HENRIQUE BORGES

Manaus, Amazonas Agosto, 2018

Dissertação apresentada ao Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia como parte dos requisitos para obtenção do título de Mestre em Gestão de Áreas Protegidas na Amazônia.

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F676 Neves, Ruth Maria de Souza

Análise da gestão do uso público: turismo e lazer em duas unidades de conservação pertencentes ao mosaico de áreas protegidas do baixo Rio Negro-Am / Ruth Maria de Souza Neves. ---Manaus:[sem editor], 2018. xiii, 71 f.: il.

Dissertação (Mestrado) --- INPA, Manaus, 2018. Orientador: Susy Rodrigues Simonetti.

Coorientador: Sergio Henrique Borges.

Programa : Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia.

1. Unidades de Conservação. 2. Comunidade Ribeirinhas. 3.Turismo – Rio Negro-Am.

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AGRADECIMENTOS

Acima de tudo, agradeço a Deus misericordioso por me permitir participar deste processo de aprendizado. Sou grata também a várias pessoas pela realização desta Dissertação, seja na espontânea ajuda com as leituras, materiais disponibilizados, apontando melhorias no encadeamento das ideias, ou nas sutis facilitações no trâmite necessário à materialização formal deste trabalho.

Agradeço a minha orientadora, Dra. Susy Simonetti, pelo contínuo incentivo e paciência.

Agradeço imensamente ao meu coorientador, Dr. Sérgio Borges, pelas maravilhosas dicas, críticas e apoio, e também as minhas queridas amigas, Regina e Eliana, por colaborarem com a organização do texto.

Naturalmente, aos meus entrevistados da pesquisa de campo pela extrema paciência e tempo de dedicação às entrevistas e ao preenchimento dos questionários em uma fase crucial do estudo.

Aos gestores das RDSs do Tupé e do Rio Negro pelo material disponibilizado, o qual foi essencial para o andamento da pesquisa, bem como por estarem sempre disponíveis a responder minhas solicitações.

Em suma, devo agradecimentos àqueles que, em conversas informais, contribuíram para que o problema central desta pesquisa fosse delineado por um caminho seguro a ser percorrido. Agradeço ao Programa de Pós-Graduação em Gestão de Áreas Protegidas da Amazônia (MPGA) por incorporar, como uma de suas propostas, os aspectos globais da conservação como estratégias para a gestão dos recursos naturais adaptadas aos novos paradigmas, e que possamos contribuir para o alcance destes objetivos.

E, finalmente, agradeço aos meus pais, a quem devo minha educação, todo meu respeito e amor por todos os beijos, carinhos e orações para que eu seguisse minha jornada confiante. Agradeço especialmente a minha família pela serena compreensão do meu distanciamento nos longos dias de pesquisa, análise e digitação, aceitando com paciência minhas ausências, na certeza de que o trabalho chegaria um dia a bom termo e que representaria a batalha vencida. Obrigada!

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O saber a gente aprende com os mestres e os livros. A sabedoria se aprende é com a vida e com os humildes.

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RESUMO

O uso público em áreas protegidas pode ser compreendido como atividades de educação, recreação, turismo e de interpretação ambiental, que proporcionem ao visitante o privilégio de conhecer, valorizar e entender a importância dos recursos naturais e culturais desses locais. Estudos sobre como ocorre a gestão do uso público pelas Unidades de Conservação (UCs), principalmente em Reservas de Desenvolvimento Sustentável (RDSs) ainda é incipiente. O objetivo deste estudo foi analisar comparativamente a gestão do uso público das atividades de turismo e lazer em duas RDSs: i) do Rio Negro, sob a gestão do Estado do Amazonas; e ii) do Tupé, sob a gestão do Município de Manaus. Tais UCs pertencem ao Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro (MBRN), localizado no Estado do Amazonas, e concentram grande parte das atividades de turismo e lazer nesta região há décadas. A partir dos objetivos específicos, foram caracterizadas as atividades de turismo e lazer realizadas em cada uma das UCs, avaliado o status de implementação das atividades previstas nos instrumentos de gestão para uso público e a realidade atual das UCs, bem como identificados os desafios e oportunidades para a gestão do turismo e lazer nas UCs, a partir de seus instrumentos de gestão. Para tanto, pesquisa bibliográfica e documental foram realizadas, além de pesquisa de campo com entrevistas semiestruturadas, observações e análise dos instrumentos de gestão das UCs. Os resultados demostraram que o turismo e lazer ocorrem de forma independente e intensa nas duas UCs, abrangendo um conjunto diverso de atividades com vários atores envolvidos, tais como agências de viagens e operadores, iniciativas locais, donos de embarcações particulares, cooperativas de barqueiros, Organizações Não-Governamentais (ONGs), entre outros. Esta dinâmica turística não ocorre em função da gestão dessas unidades, mas a partir de outros contextos, sem a promoção das UCs. Foi identificado insuficiente capacidade técnico-financeira para o planejamento adequado dessas atividades nas unidades. Vale destacar ainda que existe sensível desigualdade na obtenção de apoio externo entre as esferas administrativas das UCs. Enquanto relevantes e efetivos apoios ao desenvolvimento do turismo por parte de ONGs e programas governamentais no âmbito municipal são inexistente, no ambiente estadual há nítido suporte de tais organizações, tornando-se brutal a diferença na concretização das ações previstas nos Programas de Gestão das UCs.

Palavras-chave: Uso Público. Unidades de Conservação. Instrumentos de Gestão. Turismo. Lazer.

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SUMMARY

The public use in protected areas can be understood as education, recreation, tourism and environmental interpretation activities, which provides the visitor with the privilege of knowing, valuing and understanding the importance of the natural and cultural resources of these places. Studies about how management of public use by Conservation Units (UCs), mainly in Sustainable Development Reserves (RDSs), is still in its infancy. The goal of this study was to comparatively analyze the management of public use of tourism and leisure activities in two RDSs: i) Rio Negro, under the management of the State of Amazonas; and ii) Tupé, under the management of the Municipality of Manaus. These CUs belong to the Mosaic of Protected Areas of the Lower Rio Negro (MBRN), located in the State of Amazonas, and have concentrated a great part of tourism and leisure activities in this region for decades. Based on the specific goals, the tourism and leisure activities carried out in each of the UCs were characterized, the status of implementation of the activities foreseen in the management tools for public use and the current reality of the PAs were characterized, as well as the challenges and opportunities identified for the management of tourism and leisure in the UCs, from their management instruments. For this purpose, bibliographic and documentary research were carried out, as well as field research with semi-structured interviews, observations and analysis of management instruments of UCs. The results showed that tourism and leisure activities occur independently and intensely in the two UCs, covering a diverse set of activities with various actors involved, such as travel agents and operators, local initiatives, private boat owners, boaters' cooperatives, Organizations Non-governmental organizations (ONGs), among others. This tourism dynamic does not occur due to the management of these units, but from other contexts, without the promotion of PAs. Insufficient technical and financial capacity was identified for the adequate planning of these activities in the units. It is also worth mentioning that there is a significant inequality in obtaining external support among the administrative spheres of PAs. While relevant and effective support to the development of tourism by ONGs and governmental programs at the municipal level are non-existent, in the state environment there is clear support from such organizations, making the difference in the implementation of the actions foreseen in the Management Programs of the PAs is brutal.

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SUMÁRIO

INTRODUÇÃO ... 14

1.1 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE MANUTENÇÃO DO RECURSO NATURAL: PLANEJAMENTO E GESTÃO DO USO PÚBLICO ... 16

2 MATERIAL E MÉTODOS ... 21

2.1 ÁREAS DE ESTUDO ... 21

2.1.1 Reservas de Desenvolvimento Sustentável do Tupé e do Rio Negro ... 23

2.2 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS ... 28

3 RESULTADOS ... 30

3.1 REPRESENTANTES DAS INICIATIVAS LOCAIS ... 30

3.2 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS TURÍSTICOS E DE LAZER ... 31

3.3 GESTORES DAS UCs ... 32

3.4 REPRESENTANTES DE ÓRGÃOS OFICIAIS DO TURISMO ... 33

3.5 INSTITUIÇÕES PARCEIRAS DAS RDSs DO TUPÉ E DO RIO NEGRO ... 33

3.6 ATIVIDADES TURÍSTICAS DESENVOLVIDAS NAS UCSs ... 35

3.7 INSTRUMENTOS DE GESTÃO DAS UCs E O USO PÚBLICO ... 41

3.8 DESAFIOS E OPORTUNIDADES PARA A GESTÃO DO USO PÚBLICO ... 46

3.8.1 Uso público das UCs a partir da perspectiva das iniciativas e dos atores locais ... 47

3.8.2 Uso público das UCs a partir da perspectiva dos prestadores de serviços turísticos/operadores externos ... 49

3.8.3 Uso público das UCs a partir da perspectiva dos gestores ... 51

4 DISCUSSÃO ... 53

CONSIDERAÇÕES FINAIS ... 60

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ... 63

APÊNDICES ... 69

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LISTA DE TABELAS

Tabela 1: Grupos e categorias de UCs, conforme o Sistema Nacional de Unidades de

Conservação (SNUC) ... 18

Tabela 2: Grupos e categorias de UCs, conforme o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC) ... 19

Tabela 3: Número de famílias residentes na RDS do Rio Negro ... 26

Tabela 4: População da RDS do Tupé distribuídas por comunidade ... 27

Tabela 5: Atores entrevistados na pesquisa e número de entrevistas realizadas nos respectivos locais ... ... 28

Tabela 6: Atividades turísticas realizadas na RDS do Tupé e do Rio Negro ... 36

Tabela 7: Ações previstas nos instrumentos de Gestão das UCs ... 41

Tabela 8: Status das atividades previstas nos instrumentos de gestão das UCs ... 44

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LISTA DE FIGURAS

Figura 1: Mapa do Mosaico do Baixo Rio Negro (MBRN) ... 22 Figura 2: Mapa de localização das Unidades de Conservação, RDS do Tupé e do Rio Negro... ... 24 Figura 3: Número de visitantes na Praia do Tupé (RDS do Tupé) em dois anos de monitoramento. ... 38

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LISTA DE ABREVIAÇÕES E SIGLAS

- AMAZONASTUR Empresa Estadual de Turismo do Amazonas - APA Área de Proteção Ambiental

- ARPA Programa Áreas Protegidas da Amazônia

- ATUNA Associação de Operadores de Turismo de Novo Airão - CADASTUR Sistema de Cadastro de Pessoas Físicas e Jurídicas

- CADS Centro de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável Professor Roberto Vieira

- CCA Corredor Central da Amazônia

- Comdema Conselho Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente - Coop-Acamdaf Cooperativa dos Profissionais de Transporte Fluvial da

Marina do Davi

- DEAPR Departamento de Áreas Protegidas

- DEMUC Departamento de Mudanças Climáticas e Gestão de Unidades de Conservação

- EMBRATUR Instituto Brasileiro do Turismo - EUA Estados Unidos da América

- FAPEAM Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas - FAS Fundação Amazonas Sustentável

- Fopec Formação de Professores e Ensino de Ciências - FTBC Fórum de Turismo de Base Comunitária

- GTZ Agência de Cooperação Alemã (do alemão: Gesellschaft für Technische Zusammenarbeit)

- h hora

- ha hectare

- IBGE Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística

- ICMBio Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade - IN Instrução Normativa

- IPA Instituto Agronômico de Pernambuco

- INPA Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia

- IPAAM Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas - IPÊ Instituto de Pesquisas Ecológicas

- IPHAN Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional - km quilômetro

- MANAUSCULT Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos - MANAUSTUR Fundação Municipal de Turismo de Manaus

- MBRN Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro - MDA Ministério do Desenvolvimento Agrário

- min Minuto

- MMA Ministério do Meio Ambiente - MTUR Ministério do Turismo

- OMT Organização Mundial do Turismo - ONG Organização Não-Governamental - PAREST Parque Estadual

- PARNA Parque Nacional de Anavilhanas - PBF Programa Bolsa Floresta

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- PDITS Plano de Desenvolvimento Integrado do Turismo Sustentável - PG Plano de Gestão

- PIB Produto Interno Bruto - PM Plano de Manejo - PN Plano de Negócios - PUP Plano de Uso Público

- RDS Reserva de Desenvolvimento Sustentável

- Redes TAPIS Rede Turismo, Áreas Protegidas e Inclusão Social - REMAP Rede de Mosaicos de Áreas Protegidas

- SBF Secretaria da Biodiversidade e Florestas - SEMA Secretaria de Estado do Meio Ambiente - SEMED Secretaria Municipal de Educação

- SEMMAS Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade - SEUC Sistema Estadual de Unidades de Conservação

- Sipam Sistema de Proteção da Amazônia

- SNUC Sistema Nacional de Unidade de Conservação - TBC Turismo de Base Comunitária

- TCLE Termo de Consentimento Livre e Esclarecido

- TUCORIN Roteiro de Turismo Comunitário no Baixo Rio Negro - UC Unidade de Conservação

- UEA Universidade do Estado do Amazonas - UFAM Universidade Federal do Amazonas - UNINORTE Centro Universitário do Norte

- WWF-Brasil Fundo Mundial para a Natureza (do inglês: World Wide Fund for Nature

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INTRODUÇÃO

O Brasil possui um dos maiores e mais importantes sistemas de áreas protegidas do mundo, tendo a Amazônia como o bioma com maior cobertura de Unidades de Conservação (UCs) (BRASIL, 2006), e o Estado do Amazonas considerado uma das maiores unidades geopolíticas de florestas tropicais do mundo, com seus ecossistemas ainda preservados (ALMEIDA, 2014). Nesse cenário, situa-se a região do Baixo Rio Negro, abrangendo grande diversidade de espécies da fauna e flora, algumas ameaçadas de extinção. Está inserida no Corredor Central da Amazônia (CCA), como parte da Reserva da Biosfera, sendo Patrimônio Natural da Humanidade1 e Complexo de Conservação da Amazônia Central (IPA, REMAP e

WWF-Brasil, 2017).

Estudos realizados nessa região apresentam algumas experiências de turismo em UCs, em sua maioria, associadas ao Turismo de Base Comunitária (TBC) e especialmente ao turismo convencional de forma embarcada2. Ao estudar o turismo em comunidades na região

metropolitana de Manaus, Costa Novo (2011) concluiu que as atividades percebidas nos relatos dos investigados estavam principalmente ligadas ao turismo convencional, praticado por visitantes dos hotéis de selva dos arredores. Esse tipo de visitação se caracterizava pela pouca valorização do meio ambiente e desrespeito à legislação vigente. A autora notou que, das dez comunidades estudadas e envolvidas com algum roteiro turístico, apenas duas apresentaram experiências recentes com gestão do turismo.

Outro estudo realizado por Porto (2014) em duas UCs pertencentes ao Mosaico de Áreas Protegidas do Baixo Rio Negro (MBRN) revelou que, mesmo com apoio recebido dos projetos de Organizações Não-Governamentais (ONGs), não houve garantia de um programa de monitoramento e avaliação da atividade turística eficaz nessas áreas protegidas, o que destaca a importância de pesquisas sobre a atividade nesta região, tanto para a proteção das áreas quanto para o melhor desenvolvimento da prática.

Em estudo que abordou as representações sociais de turismo e lazer dos moradores da

1Patrimônio Natural Mundial da UNESCO são áreas naturais reconhecidas internacionalmente como as mais importantes do mundo.

Disponível em:

<https://cmsdata.iucn.org/downloads/brief___iucn_conservation_outlook_assessments__0812.pdf>. Acesso em: 20 abril 2017.

2Na região do Amazonas, o turismo convencional de forma embarcada é uma prática de turismo realizada em barcos com vários padrões de serviços; desde embarcações denominadas lanchas ou voadeiras, onde os turistas fazem passeios de no máximo um dia inteiro, a navios com toda estrutura tecnológica, alimentação e entretenimento. Os visitantes fazem trajetos de passeios pelos rios, no intuito de contemplar a natureza, e também interagir com as comunidades residentes nestas áreas.

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Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Rio Negro, Área de Proteção Ambiental (APA) Margem Direita do Rio Negro e APA Encontro das Águas foi concluído que essas áreas sofrem intensa pressão da atividade turística, além do desrespeito e falta de cuidado para com o patrimônio histórico-cultural existente. De acordo com Simonetti (2015), é comprovada ainda a falta de investimentos para fortalecimento do desenvolvimento sustentável do turismo que vem ocorrendo nas comunidades locais.

A atividade turística tem sido empregada como incentivo econômico junto às comunidades tradicionais do MBRN, que utilizam os recursos naturais das áreas especialmente protegidas. Contudo, pouco se tem feito para verificar que impactos essas atividades causam sobre as próprias comunidades e aos ambientes naturais (PEARCE, 1992; GIONGO et al., 1994; BADIALLI e RIBEIRO, 2003).

Diante desse contexto, o turismo e o lazer vêm ocorrendo de maneira intensa em várias UCs do Baixo Rio Negro. Embora se reconheça uma preocupação ambiental entre os grupos locais envolvidos com estas atividades, esta atenção não se traduze em práticas suficientemente sustentáveis para com o ambiente natural local (PEIXOTO, 2013). O desenvolvimento de atividades sem planejamento adequado é motivo de preocupação. Assim, ao se pensar de que maneira é possível aproveitar os benefícios gerados por meio da atividade turística para as áreas protegidas, é necessário compreender também: como está sendo realizado o planejamento das atividades de turismo e lazer pela gestão das UCs do Baixo Rio Negro?

Neste sentido, o estudo em tela teve como objetivo geral analisar a gestão do uso público do turismo e lazer nas RDSs do Tupé e do Rio Negro, por meio de um estudo comparativo. Para aprofundar esta análise, foram definidos os seguintes objetivos específicos: i) caracterizar as atividades de turismo e lazer que ocorrem em cada uma das UCs; ii) avaliar o status de implementação previsto nos instrumentos de gestão para uso público e a realidade atual das UC; e iii) identificar os desafios e oportunidades para a gestão do turismo e do lazer pelas UCs, a partir de seus instrumentos de gestão.

As duas UCs, locus do estudo, integram o MBRN, sendo este um complexo com 12 UCs provido de muitas características, tais como: esferas de gestão, categorias distintas, apelo turístico e lógicas territoriais diversas. Adiciona-se a isso o fato de que essas UCs estão muito próximas ao centro urbano de Manaus, onde esta apresenta estrutura de portos e aeroportos, bem como conectividade com turistas.

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O estudo nesta região se justifica pelas UCs constituírem o foco de grande parte das atividades turísticas realizadas do MBRN, sendo recorrentes e de maneira desordenada, concentrando maiores pressões oriundas desta atividade. Além disso, os ecossistemas existentes nessa região apresentam importância ecológica e social, abrangendo grande diversidade biológica importante à conservação.

Contudo, vale ressaltar que o turismo e o lazer são atividades capazes de contribuir significativamente para a conservação da natureza por fortalecer as UCs por meio de suas funções sociais, ambientais e econômicas, o que possibilita movimentar toda uma cadeia produtiva, que contribui para oportunizar emprego e renda, estimular o empreendedorismo, fortalecer a cultura local e, assim, auxiliar a sustentabilidade dessas áreas e das sociedades que as habitam.

Dessa forma, esta pesquisa sistematizou dados que podem contribuir no estabelecimento de estratégias para a gestão das práticas do turismo e lazer que ocorrem nestas Ucs, pois se acredita que trará melhor entendimento conceitual e instrumental para o campo de investigação das interfaces e desafios que o tema propõe para a gestão das UCs. Sendo assim, os dados coletados ocorreram por meio de levantamento de trabalhos científicos, documentos técnicos, assim como por meio de entrevistas com lideranças e iniciativas locais, gestores, operadores de turismo e instituições parceiras atuantes nas UCs.

Apresentamos este trabalho estruturado em quatro partes: i) discussão teórica que envolve os instrumentos de planejamento e a gestão de Unidades de Conservação e o uso público; ii) caracterização do local de pesquisa e todas as decisões metodológicas que nortearam o estudo, as estratégias selecionadas e as especificações dos procedimentos adotados na realização das análises; iii) resultados abordados no estudo, comparando-os as informações dos instrumentos de gestão existentes nas UCs estudadas, com a realidade trazida pelo estudo in loco, como também as dificuldades e oportunidades das atividades advindas do turismo e do lazer para as UCs, a partir dos instrumentos de gestão; e iv) discussões. Por fim, as considerações finais e sugestões são apresentadas a partir dos resultados da pesquisa.

1.1 UNIDADES DE CONSERVAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE MANUTENÇÃO DO RECURSO NATURAL: PLANEJAMENTO E GESTÃO DO USO PÚBLICO

A abundante disponibilidade de recursos naturais no Brasil encontrados no solo, água, reservas minerais e florestais é considerada por Medeiros e colaboradores (2011) como uma

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das principais responsáveis pelo crescimento da economia do País, figurando com a oitava economia do mundo em 2010. Os autores afirmam que uma boa gestão desses recursos é fundamental para garantir a capacidade de produção de riquezas a longo prazo, visto a disponibilidade ao longo do tempo que depende do manejo adequado. A principal estratégia para garantir os espaços de manejo são as áreas criadas pelo poder público, sendo especialmente protegidas para esta finalidade.

Os bens naturais protegidos, no âmbito das Unidades de Conservação, são provedores de serviços ambientais ou ecossistêmicos entendidos como todos os benefícios gerados pelos recursos ambientais. Podem ser tanto aos produtos gerados diretamente a partir das paisagens naturais, fauna e flora quanto aos serviços intangíveis, como o lazer por meio do turismo, por exemplo (MEDEIROS et al., 2011).

A contribuição do turismo, como vetor de desenvolvimento econômico para o Brasil, é amplamente evidenciada por meio de pesquisas realizadas em todo território nacional. Conforme dados publicados pelo Instituto Brasileiro do Turismo (EMBRATUR, 2015)3, o

turismo é uma atividade importante para a economia do país, apesar das incertezas do cenário econômico mundial. Ainda de acordo com a Embratur (2015), o turismo mundial movimentou mais de um trilhão de dólares em 2014, e que atualmente representa cerca de 3,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no Brasil.

Uma parte relevante das atividades de turismo vem se desenvolvendo em áreas especialmente protegidas por atrair visitantes nacionais e internacionais. A crescente procura para sua visitação ocorre em razão da diversidade de belezas naturais que o país oferece, de tal forma que surgem variadas motivações para a prática da atividade turística, bem como para o lazer. A atividade turística em ambiente natural pode funcionar como um instrumento de sensibilização da sociedade, no que se refere à importância da preservação e conservação da biodiversidade local, além de ser um instrumento que contribui para o desenvolvimento nacional (BRASIL, 2006).

Em balanço apresentado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), a visitação nas UCs federais contabilizou 10,7 milhões de visitantes em 2017, o que representa um acréscimo de 20% em relação ao ano de 20164. O

3BRASIL. Ministério do Turismo (MTUR). EMBRATUR. 2015. Disponível em:

<http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/>. Acesso em: março 2017.

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aumento é o maior em dez anos de criação do órgão, demonstrando o relevante crescimento do tursimo em áreas protegidas no Brasil.

Souza (2016) afirma que a promoção do turismo em áreas protegidas aumenta a conscientização social, promove apoio à conservação da biodiversidade e cria empregos alternativos, gerando renda para as populações locais. O autor, no estudo intitulado ‘‘Avaliação da oferta, demanda e impactos econômicos do turismo em unidades de conservação federais do Brasil’’ enfatiza a potencialidade do turismo em parques federais, promovendo a movimentação de receitas consideráveis.

Estudos voltados para avaliação das estratégias de gestão e o efeito do uso público em parques no Brasil e nos Estados Unidos da América (EUA) indicaram que, em 92% dos parques, a biodiversidade e os recursos naturais estão sendo mantidos por meio de fundos advindos das atividades turísticas praticadas. De acordo com os 75% dos gestores entrevistados nas pesquisas, o turismo é um elemento importante para a operação e manutenção dos parques nacionais. A visitação dos espaços contribuiu para a diminuição de atividades ilegais dentro das Ucs, tais como caça, desmatamento e incêndios (SEMEIA, 2015).

No Brasil, dentre as várias categorias de áreas especialmente protegidas, as UCs têm sido a principal estratégia para a proteção e conservação dos ambientes naturais e todos os seus elementos. O Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC), instituído pela Lei nº. 9.985/2000, é constituído pelo conjunto das UCs federais, estaduais e municipais e estabelece dois grupos de Unidades de Conservação: i) as de proteção integral com cinco categorias; e ii) as de uso sustentável, com sete (Tabela 1).

Tabela 1: Grupos e categorias de UCs, conforme o Sistema Nacional de Unidades de Conservação (SNUC).

Fonte: Lei nº. 9.985/2000, Arts. 8º e 14

CATEGORIAS

USO SUSTENTÁVEL PROTEÇÃO INTEGRAL

INTEGRAL Reserva Extrativista

Área de Relevante Interesse Ecológico Estação Ecológica Reserva de Desenvolvimento Sustentável Refúgio da Vida Silvestre

Reserva de Fauna Parques Nacional

Área de Preservação Ambiental Reserva Biológica

Floresta Nacional Monumento Natural

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O Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC) do Amazonas, no Art. 8º da Lei Complementar nº. 53/2007, estabelece a Reserva Particular do Patrimônio Natural como Unidade de Conservação pertencente ao grupo de proteção integral, enquanto acrescenta no grupo de uso sustentável, as Unidades de Conservação Rio Cênico, Estrada Parque e Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável (Tabela 2). Assim, as Unidades de Conservação de uso sustentável totalizam nove categorias, e aquelas de proteção integral somam seis categorias.

Tabela 2: Grupos e categorias de UCs, conforme o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC).

Fonte: Lei Complementar nº. 53/2007, Arts. 8º e 15 (SEUC)

Para o ordenamento territorial dessas áreas protegidas, é necessário o aprofundamento do conhecimento biológico e social, o que é feito por meio da elaboração dos documentos que definam o zoneamento das unidades. No Estado do Amazonas, o documento técnico norteador da gestão das unidades de conservação na esfera estadual é denominado Plano de Gestão, conforme Art. 33 da Lei Complementar nº. 53, de 04 de junho de 2007, que cria o Sistema Estadual de Unidades de Conservação (SEUC). Esse termo corresponde ao Plano de Manejo, especificado pelo SNUC, na Lei nº. 9.985/2000.

Assim como no SNUC, o SEUC prevê o prazo de cinco anos, a partir da criação da UC, para a elaboração do Plano de Gestão. As atividades a serem desenvolvidas deverão seguir as determinações contidas neste Plano e, na ausência deste, as Unidades de Uso Sustentável “devem se limitar àquelas destinadas a assegurar às comunidades tradicionais e população usuária as condições e os meios necessários para a satisfação de suas necessidades econômicas, sociais e culturais” (§ 2º, II do Art. 33).

CATEGORIAS

USO SUSTENTÁVEL PROTEÇÃO INTEGRAL

Reserva Extrativista

Área de Relevante Interesse Ecológico Estação Ecológica Reserva de Desenvolvimento Sustentável Refúgio da Vida Silvestre

Reserva de Fauna Parques Nacional

Área de Preservação Ambiental Reserva Biológica

Floresta Estadual Monumento Natural

Rio Cênico Reserva Particular do Patrimônio Natural

Estrada Parque

Reserva Particular de Desenvolvimento Sustentável

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O Plano de Gestão (PG) ou Plano de Manejo (PM) deverá ser elaborado por equipe técnica multidisciplinar. Durante suas formulações, as comunidades devem ser consultadas acerca dos programas a serem desenvolvidos na Unidade, considerando-se as características socioeconômicas e culturais locais, integrando o conhecimento das comunidades.

O instrumento de planejamento direcionado para a visitação pública é o Plano de Uso Público (PUP). Este instrumento estabelece as diretrizes para garantir maior eficiência na administração e manejo das áreas naturais protegidas, a fim de minimizar os possíveis danos associados à visitação, por meio da definição das formas sustentáveis de utilização das UCs e a otimização de atividades (LEUZINGER, 2010). As diretrizes estabelecidas no PUP devem porporcionar ao usuário a oportunidade de interagir da melhor forma possível com a natureza e sociedades nela existentes. Assim, os instrumentos de gestão, em síntese, são os pilares para o planejamento da gestão das UCs, nos quais a visitação pública deve ser fundamentada dentro dos objetivos de criação dessas áreas.

Nesse sentido, o Ministério do Meio Ambiente (MMA) e a Secretaria da Biodiversidade e Florestas (SBF) editaram diretrizes que instituem os princípios a serem observados no planejamento e gestão do turismo em Unidade de Conservação. Dentre eles, destacam-se a concordância entre os princípios contidos no PG e as diretrizes estabelecidas no PUP; a sensibilização do visitante quanto a importância da conservação dos ambientes e processos naturais, independentemente da atividade em prática na UC; e a contribuição da visitação para a promoção do desenvolvimento econômico e social das comunidades locais (BRASIL, 2006).

As UCs possuem regras e normas próprias quanto à visitação, conforme indicado no PG e PM. Porém, seu planejamento deve estar alinhado às políticas nacionais, estaduais e municipais de turismo, para que as metas não sejam traçadas em desacordo com os contextos local, regional e nacional. Desse modo, é possível avançar em direção a uma nova perspectiva em planejamento para o turismo em áreas protegidas.

Considerando a gestão participativa do Conselho Gestor da Unidade de Conservação e as consultas diretas às comunidades, o planejamento das atividades é realizado a partir do levantamento de informações que subsidiam os programas estabelecidos no Plano de Gestão, por meio de oficinas de planejamento participativo e aprovação do Conselho Gestor. No âmbito do Art. 2º, do Decreto Estadual nº. 30.873/2010, o uso público de uma UC deve ser desenvolvido com finalidade recreativa, turística, esportiva, histórico-cultural, educacional e

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de interpretação, e conscientização ambiental. Tais finalidades buscam integrar as atividades turísticas desenvolvidas atualmente nas UCs, situadas no Mosaico do Baixo Rio Negro.

2 MATERIAL E MÉTODOS

Os métodos e os materiais aplicados para a realização da pesquisa, bem como a contextualização das RDSs do Tupé e do Rio Negro são abordados a seguir. A caracterização das áreas de estudo seguiu como referência as informações contidas nos instrumentos de gestão: os Planos de Gestão das duas UCs, e o Plano de Uso Público da RDS do Tupé.

2.1 ÁREAS DE ESTUDO

Considerando as UCs dispostas na região do Baixo Rio Negro, e em obediência ao Art. 26 do SNUC, foi criado o Mosaico do Baixo Rio Negro (MBRN) por meio da Portaria nº. 483, de 14 de dezembro de 2010, do MMA, cujo objetivo é promover a gestão integrada e participativa dentro dos diferentes objetivos de conservação das diferentes unidades que o compõem (HERRERA, 2010). O MBRN é constituído por 12 UCs5, sendo oito unidades de

uso sustentável e quatro de proteção integral (Figura 1).

Em contribuição às reflexões e propostas no âmbito da cooperação franco-brasileira para a gestão de mosaicos de unidades de conservação, tem destaque o potencial de cada uma das diferentes UCs que compõem o Mosaico do Baixo Rio Negro para o desenvolvimento do ecoturismo. O planejamento de atividades voltadas para esta prática deve ser sistemático e de forma integrada entre os gestores, comunidades e empresas operadoras de turismo, visando proporcionar a interação entre a sociedade e a natureza. Sobretudo, valorizando o patrimônio ambiental e promovendo o bem-estar da população local (JESUS e TINTO, 2010).

5Em 2010, após a criação do Mosaico do Baixo Rio Negro (MBRN) com 11 UCs, foi criada a Reserva de Desenvolvimento Sustentável Puranga Conquista pelo governo do Estado do Amazonas (Lei Estadual nº. 4.015 de 24 março de 2014), totalizando 12 UCs a partir 2014.

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Figura 1: Mapa do Mosaico do Baixo Rio Negro (MBRN). Fonte: SIPAM (2018); IBGE (2018)

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2.1.1 Reservas de Desenvolvimento Sustentável do Tupé e do Rio Negro

As duas UCs aqui estudadas estão dentro da região metropolitana de Manaus, sendo que a RDS do Tupé se localiza na margem esquerda do Rio Negro, e a RDS do Rio Negro se situa na margem direita (Figura 2).

A RDS do Tupé é uma UC municipal gerida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (SEMMAS), cuja principal atribuição é formular e executar a política municipal de meio ambiente da cidade de Manaus, de acordo com as diretrizes estabelecidas pela política nacional de desenvolvimento econômico, científico, tecnológico e de meio ambiente. A UC foi criada por meio do Decreto nº. 8.044, de 25 de agosto de 20056,

regulamentada e aprovada por meio da Resolução nº. 040 do Conselho Municipal de Desenvolvimento e Meio Ambiente (COMDEMA), de 18 de abril de 2006. É constituída por um Conselho Deliberativo, instituído no ano de sua criação, com representantes de instituições governamentais, da sociedade civil e moradores da UC.

A RDS do Rio Negro é uma UC estadual gerida pela Secretaria de Estado do Meio Ambiente (SEMA) por meio do Departamento de Mudanças Climáticas e Gestão de Unidades de Conservação (DEMUC). A UC é constituída por Conselho Deliberativo, sendo presidido pelo órgão responsável por sua administração, e conta com representantes de órgãos públicos, organizações da sociedade civil e das populações tradicionais residentes na UC e no seu entorno.

6MANAUS. Prefeitura Municipal de Manaus. Decreto nº. 8.044 de 25 de agosto de 2005. Cria a Reserva de Desenvolvimento Sustentável do Tupé (REDES do Tupé), localizada na Bacia do Rio Negro e dá outras providências. In: Diário Oficial do Município, Manaus, n.1390, 24 dez. 2005.

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Figura 2: Mapa de localização das Unidades de Conservação, RDS do Tupé e do Rio Negro. Fonte: SIPAM (2018); IBGE (2018)

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Com área total de 11.973 ha, a RDS do Tupé está localizada a 25 km a oeste da cidade de Manaus, podendo ser acessada somente por via fluvial, com percurso aproximado de 20 a 30 minutos em lancha rápida. Esse espaço territorial abriga 18 distritos distribuídos em seis comunidades, a saber: Agrovila Amazonino Mendes, Colônia Central, Julião, Nossa Senhora do Livramento, São João e Tatu. Essas localidades são ocupadas por populações tradicionais, incluindo indígenas (CHATEAUBRIAND et al., 2009).

A RDS do Rio Negro foi criada pela Lei Estadual nº. 3.355, em 26 de dezembro de 2008. Possui 102.978,83 ha distribuídos entre os municípios de Manacapuru (correspondendo a 4% da área total), Iranduba (80%) e Novo Airão (16%). A UC faz limites com a APA Margem Direita do Rio Negro (Setor Puduari-Solimões), da qual foi desmembrada, PAREST do Rio Negro Setor Norte e PARNA Anavilhanas. A RDS do Rio Negro apresenta um importante cenário biológico, abrigando ecossistemas florestais tais como florestas de igapó, de terra firme, campinas e campinaranas, sendo considerada uma complexa matriz paisagística que oferta à região grande biodiversidade em vários níveis ecossistêmicos.

Essa UC é composta por 19 comunidades organizadas geograficamente em três polos, onde aproximadamente 622 famílias vivem: i) Polo I – Tiririca, Santo Antônio, Marajá e Nova Esperança; ii) Polo II – Terra Preta, Camará, Carão, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tumbira, São Sebastião do Saracá, Santa Helena do Inglês; e iii) Polo III – Terra Santa, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, São Francisco do Bujaru, São Tomé, Santo Antônio do Acajatuba, Nossa Senhora da Conceição, Nossa Senhora de Fátima, Nova Aliança e XV de Setembro. O acesso ocorre principalmente por via fluvial e, em alguns trechos, por via terrestre, partindo pela estrada AM-070 (trecho Manaus – Manacapuru) e AM-352 (trecho Manacapuru – Novo Airão). O tempo previsto para chegar nas comunidades da região Norte da UC, que estão mais afastadas de Manaus, é de 6 horas via barco de linha, e 3 horas de voadeira (motor 40 hp) ou 1h:30 min (motor 115 hp).

O número de habitantes da RDS do Rio Negro não está definido em seu Plano de Gestão. Assim, a Tabela 3 apresenta a divisão por famílias que residem em todas as comunidades da Reserva.

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Tabela 3: Número de famílias residentes na RDS do Rio Negro.

Fonte: Plano de Gestão da RDS do Rio Negro (AMAZONAS, 2016).

A RDS do Tupé possui importância estratégica dentro do mosaico (MBRN) por estar próxima ao chamado Estreito, área importante para controle da região, proteção e fiscalização efetiva da navegação (subida e baixada) do Rio Negro, como também por abrigar em seu interior uma rica diversidade biológica. Dentre as espécies de primatas encontradas, destaca-se o Sauim-de-coleira ou Sauim-de-manaus (Saguinus bicolor). Sua existência foi registrada apenas nos municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara, e encontra-se em condição de risco de extinção7, sendo este o principal motivo para o reconhecimento dessa área

protegida do município de Manaus, por efeito do Art. 32, da Lei nº. 605/2001. (MANAUS, 2008).

7Sauim-de-colera (Saguinus bicolor) é uma espécie de macaco criticamente em perigo de extinção, restrita à área compreendida entre os municípios de Manaus, Rio Preto da Eva e Itacoatiara. Alguns dos fatores de risco a sua existência são os incêndios, assentamentos rurais, expansão urbana, predação por espécie doméstica, desmatamento, desconexão e redução de habitat, poluição de ambientes e caça. Disponível em: <http://www.icmbio.gov.br/portal/faunabrasileira/estado-de-conservacao/7232-mamiferos-saguinus-bicolor-sauim-de-coleira. 399>. Acesso em: maio 2018.

Comunidades da RDS do Rio Negro Número de residências

Santa Helena dos Inglês 20

Nossa Senhora da Conceição 37

Terra Preta 58

Nossa Senhora de Fátima 51

Carão 09 Camará 34 Nova Aliança 16 XV de Setembro 42 Terra Santa 32 Nova Esperança 47 Marajá 18

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro 73

São Francisco do Bujaru 26

São Tomé 34

Tiririca 13

Santo Antônio do Acajatuba 34

Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tumbira 32

São Sebastião do Saracá 36

Santo Antônio 10

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Das UCs que compõem o MBRN, a RDS do Tupé é a mais próxima de Manaus. Diante disso, apresenta uma característica particular em relação às demais: a pressão exercida pela especulação imobiliária e pelas populações que migram de Manaus, gerando um fluxo intenso de ocupação (ARAÚJO, 2008). Essa ocupação é intensificada por visitantes movidos para o turismo de lazer, desenvolvido principalmente na comunidade de São João, onde está localizada a Praia do Tupé. Visitada constantemente por turistas brasileiros e estrangeiros, esse local é apreciado especialmente para observação de rituais indígenas que ocorrem nesta comunidade e proximidades. Além disso, os moradores da área urbana de Manaus, também utilizam essa praia para o lazer em feriados e finais de semana (MANAUS, 2011).

As atividades econômicas das comunidades da RDS do Tupé incluem agricultura, exploração de madeira, criação de pequenos animais, pesca, programas governamentais de transferência de renda por meio de bolsas, venda de alimentos preparados, comércio, funcionalismo público e turismo. A população da RDS do Tupé é estimada em um pouco mais de dois mil habitantes distribuídos nas seis comunidades (Tabela 4).

Tabela 4: População da RDS do Tupé distribuídas por comunidade.

Fonte: Plano de Gestão RDS do Tupé (MANAUS, 2017).

As atividades socioeconômicas existentes da RDS do Rio Negro são principalmente agricultura, criação de animais, pesca, extrativismo madeireiro por meio de Manejo Florestal Sustentável, extrativismo não madeireiro, artesanato e turismo. Este último ocorre principalmente em nove das dezenove comunidades da Reserva. A região conta com diversos atrativos naturais que favorecem as dezenove comunidades, dentre eles: praias, trilhas ecológicas, lagos, igapós, igarapés e cachoeiras, além de fauna e flora abundantes. A potencialidade dos recursos naturais, culturais e a infraestrutura existentes possibilita o desenvolvimento da atividade turística nas comunidades da UC.

Comunidades da RDS do Tupé nº. de habitantes fixos e eventuais

Agrovila Amazonino Mendes 218

Julião Fixos/Eventuais 771

Nossa Senhora do Livramento/Permanentes 568

Nossa Senhora do Livramento/Eventuais 76

São João 208

Tatu 120

Colônia Central 72

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2.2 COLETA E ANÁLISE DOS DADOS

A pesquisa de campo para a realização das entrevistas semiestruturadas e observações ocorreu no período de agosto de 2017 a janeiro de 2018. Foram realizadas oito (08) visitas na RDS do Tupé, com duração aproximada de dois (02) dias para cada visita; seis (06) visitas na RDS do Rio Negro, com duração aproximada de três (03) dias por visita; uma (01) viagem para o município de Novo Airão, com o objetivo de entrevistar os representantes das empresas prestadoras de serviços turísticos e o gestor da RDS do Rio Negro, compreendendo três (03) dias. O tempo de duração das entrevistas foi de aproximadamente 40 minutos. A Tabela 5 mostra o número de entrevistas e os atores da pesquisa.

Tabela 5: Atores entrevistados na pesquisa e número de entrevistas realizadas nos respectivos locais.

Atores entrevistados nº. de

entrevistas

Local das entrevistas

Gestores da RDS do Tupé 04 Manaus

Gestores da RDS do Rio Negro 02 Manaus e Novo Airão

Empresas de serviços turísticos (RDS do Tupé) 04 Manaus

Empresas de serviços turísticos (RDS do Rio Negro)

05 Novo Airão, Manaus e

RDS do Rio Negro

Iniciativas locais RDS do Tupé 06 RDS do Tupé

Iniciativas locais RDS do Rio Negro 11 RDS do Rio Negro

Representantes de órgãos oficiais de turismo municipais e estadual

02 Manaus

Instituições parceiras das RDS do Tupé e do Rio Negro

03 Manaus

A pesquisa teve caráter exploratório por meio do método qualitativo, e buscou compreender as particularidades de cada processo em que ocorreram os fenômenos do estudo (GIL, 1999). A triangulação metodológica para apresentar e discutir os resultados foi utilizada, por se fundamentar na utilização de distintas fontes de coleta de dados, além de permitir uma melhor análise das evidências (GÜNTHER et al., 2011). Essa proposta metodológica tem sido usada em estudos da pessoa-ambiente, devido à complexidade para compreensão da relação entre ambos, a qual consiste em diversidades metodológicas.

Sobre as atividades de turismo e lazer que ocorrem nas UCs aqui estudadas, as questões foram analisadas comparativamente entre os grupos das iniciativas locais, gestores e empresas operadoras. Os dados levantados foram cruzados para averiguar o maior número de concordância e divergência entre as respostas, e até onde os gestores tinham conhecimento das atividades turísticas realizadas dentro das UCs.

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Para avaliar o status de implementação das atividades de turismo e lazer propostas nos instrumentos de gestão (PG e PUP) das UCs, que foram estabelecidas nos planos e programas para uso público, foi considerada a análise dos documentos, bem como as respostas dos gestores, dos representantes dos departamentos ligados à gestão do uso público das UCs e dos representantes dos órgãos oficiais de turismo nas distintas esferas acerca de suas participações na consolidação das ações propostas nos planos e programas de gestão, além das evidências encontradas em campo. Esses dados permitiram compreender as relações entre o que acontece na prática e o que consta nos instrumentos de gestão, a fim de compreender os fatores relevantes para comparar o cenário atual das UCs, na perspectiva da gestão do turismo e lazer. Para identificar os desafios e oportunidades do turismo e lazer na gestão das UCs, a partir dos seus instrumentos de gestão, foram analisadas as respostas dos representantes dos órgãos gestores das UCs. Assim, as técnicas de abordagem e seus objetivos para o levantamento dos dados primários em campo foram assim divididos:

i. Observação direta e conversas informais possibilitaram o registro de elementos significativos nas UCs do estudo, sendo utilizadas em todo o processo de campo como subsídio para o levantamento de informações adicionais, tais como: circulação de embarcações, chegada de grupos guiados ou visitantes sem guiamento, os banhistas dos finais de semana que realizam visitas nas UCs, e locais mais visitados. Vale ressaltar que alguns comportamentos e condições ambientais ajudam a obter características mais fiéis dos pesquisados e dos cenários da pesquisa (MARCONI e LAKATOS, 2006; YIN, 2010). As conversas informais ocorreram em reuniões do Conselho das UCs, com líderes, comunitários e donos de embarcações regionais e comunitários. Todas as observações foram registradas em diário de campo.

ii. Mapeamento de atores-chave: os atores-chave desta pesquisa foram identificados como aqueles que estão associados ao turismo dentro das UCs, tais como gestores das UCs, representantes das iniciativas locais, representantes das empresas prestadoras de serviços turísticos e de lazer/operadores externos atuantes nas UCs, representantes de órgãos oficiais do turismo na escala municipal e estadual, e instituições parceiras das RDS Tupé e do Rio Negro. Para manter a integridade dos gestores, optou-se por identificá-los numericamente. Assim, para a UC municipal, foram denominados quatro representantes (1, 2, 3, 4) e, para a UC estadual, dois (1, 2).

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iii. Entrevistas semiestruturadas: um roteiro semiestruturado (Apêndices A, B, C, D e E) foi aplicado junto aos atores-chave da pesquisa, conforme indicados na Tabela 5. A pesquisa foi aprovada junto à Plataforma Brasil e ao Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (INPA) (nº. processo 2.189.035, Anexo A). O Estado também concedeu autorização por meio do DEMUC (nº. processo 65/2017, Anexo B). A autorização do município ocorreu por meio do Programa de Conhecimento sob o nº processo 06/2017 da SEMMAS (Anexo C).

Todos os indivíduos envolvidos na pesquisa proposta preencheram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), no qual estão detalhados justificativas, objetivos, procedimentos e demais informações relacionadas à pesquisa (Anexo D). Os subsídios e recursos para a pesquisa de campo e acesso às UCs foram obtidos por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (FAPEAM), com colaboração da Fundação Amazonas Sustentável (FAS).

3 RESULTADOS

Os atores associados ao turismo nas UCs foram identificados a partir do mapeamento dos atores-chave, considerados como fundamentais para o levantamento dos dados. Somente a partir desta identificação é que foi possível atender os objetivos propostos no estudo e avaliar os resultados do mesmo.

3.1 REPRESENTANTES DAS INICIATIVAS LOCAIS

As iniciativas locais correspondem aos serviços de turismo ofertados dentro das UCs. Normalmente, são moradores das comunidades que trabalham com atividades turisticas antes mesmo do reconhecimento destas UCs como áreas protegidas. Para a RDS do Tupé, o contato ocorreu com seis (06) representantes, distribuídos em cinco (05) comunidades, e 11 representantes da RDS do Rio Negro, distribuídos em nove (09) comunidades.

Na RDS do Tupé, as comunidades envolvidas foram as de São João, com representante de pousada e de iniciativa indígena que oferta apresentação de danças e rituais; Julião, cuja iniciativa oferta pernoites em casa e venda de doces e geleias para visitantes; Colônia Central conta um condutor de trilha local; Nossa Senhora do Livramento possui um grupo de artesanato; e Agrovila, com entrevista direcionada a um professor que gerencia um

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museu de arqueologia8 na antiga Escola Municipal Paulo Freire, da Secretaria Municipal de

Educação (SEMED).

Na RDS do Rio Negro, as iniciativas envolvidas foram de representantes de grupos de artesanatos das comunidades de Tiririca e Santo Antônio (Polo I); grupos de artesanato, representantes de pousadas e representantes de atividade de interação com botos da espécie Inia geoffrensis, nas comunidades de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, São Tomé, Santo Antônio do Acajatuba e XV de Setembro (Polo II); e representantes de pousadas e restaurantes nas comunidades Nossa Senhora do Perpétuo Socorro do Tumbira, Santa Helena do Inglês e São Sebastião do Saracá (Polo III).

3.2 EMPRESAS PRESTADORAS DE SERVIÇOS TURÍSTICOS E DE LAZER

Pessoas físicas ou jurídicas que atuam na prestação de serviços voltados para as atividades turísticas e de lazer. Na RDS do Rio Negro, foram mapeados dois (02) hotéis e uma (01) pousada instalados no município de Novo Airão; uma (01) pousada instalada dentro da UC e uma (01) Associação de Operadores de Turismo de Novo Airão (ATUNA). As empresas hoteleiras atuam na região da UC entre oito e 15 anos, e ofertam seus pacotes turísticos nas modalidades: lazer, aventura e experiência. Visitantes estrangeiros fazem parte da grande demanda atendida por estes atores.

Vale ressaltar que a ATUNA atua há 12 anos na região e não trabalha com pacotes de turismo, como os hotéis e as pousadas pesquisadas. Os passeios são realizados em lanchas rápidas, com abordagem ao visitante no dia do passeio. Algumas vezes são contatados previamente, realizando atividades nas comunidades residentes na UC, principalmente as mais próximas de Novo Airão, e recebem mais turistas brasileiros.

Na região do Tupé, foram mapeadas: uma (01) agência de viagens e turismo que atua na região da UC há quatro anos e trabalha com público nacional com oferta de turismo na natureza e interação com comunidades; uma (01) embarcação regional que oferta passeios para as praias e trabalha com público local há 27 anos; uma (01) lancha de passeio, tipo Expresso, que oferece principalmente passeios de um dia pelo Rio Negro há 31 anos e trabalha mais com demandas nacionais; e uma (01) Cooperativa dos Profissionais de

8Trata-se de um importante acervo arqueológico que está, desde 2004, sob a guarda da Escola Municipal Paulo Freire, localizada na sede da comunidade Agrovila, REDES do Tupé, sendo do conhecimento do IPHAN (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional).

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Transporte Fluvial da Marina do Davi (Coop-Acamdaf) que presta serviços para as demandas turísticas e realiza rotas regulares para o transporte de passageiros entre as comunidades da UC.

3.3 GESTORES DAS UCs

Na RDS do Tupé, o contato ocorreu primeiramente com o gestor da UC. Por sugestão do gestor, contatamos também dois (02) gestores que antecederam a gestão atual e representante da direção de áreas protegidas da SEMMAS. Na RDS do Rio Negro, o gestor e representante da assessoria técnica do DEMUC foram contatados.

Atualmente a RDS do Tupé possui um (01) gestor, um (01) piloteiro/agente de defesa ambiental, um (01) guarda municipal lotado em uma base de apoio dentro da reserva e seis (06) vigilantes que ficam na base flutuante da SEMMAS. A RDS do Rio Negro conta com um (01) gestor apoiado pelo corpo técnico do DEMUC para ações estratégicas, como oficina, monitoramentos, entre outros.

A RDS do Tupé está diretamente ligada ao Departamento de Áreas Protegidas (DEAPR), que administra as atividades nas UCs do município de Manaus, dentro da estrutura operacional da SEMMAS, fazendo parte da Diretoria Técnico-Operacional. Um departamento de uso público para as UCs do município é inexistente. Porém, há um Programa de Conhecimento responsável pelas autorizações para a realização de pesquisas. Na RDS do Tupé, os instrumentos existentes para uso público são o Plano de Uso Público e o regulamento de Uso Público da Praia do Tupé, que estabelece regras gerais de utilização dos espaços da praia e das instalações ali existentes. Ambos instrumentos foram elaborados e aprovados em 2008. Um Acordo de Visitação nos Núcleos Indígenas está em processo de elaboração e visa estabelecer as diretrizes e procedimentos que deverão ser observados na visitação aos grupos indígenas em UCs municipal e estadual (Puranga Conquista).

A RDS do Rio Negro está diretamente ligada ao DEMUC, que estabelece as políticas e programas de gestão das UCs do Estado. Sua principal função é administrá-las direta ou indiretamente, tendo como órgão fiscalizador o Instituto de Proteção Ambiental do Estado do Amazonas (IPAAM), cuja função é licenciar atividades potencial ou efetivamente poluidoras ou degradadoras. Na UC, existem como instrumentos de gestão para uso público, o Decreto nº. 30.873, de 28 de dezembro de 2010, que estabelece diretrizes para visitação nas UCs estaduais. Outros documentos em destaque são os procedimentos e trâmites necessários para a

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realização de pesquisa e visitação nas UCs do Estado que resultaram no Termo de Responsabilidade e Atestado de Ciência voltado para os visitantes. O mais recente instrumento que trata da visitação pública na UC estadual é o Procedimentos para Autorização de Visitas às Unidades de Conservação Estaduais para Fins Comerciais. Vale ressaltar que uma Instrução Normativa (IN) está sendo elaborada para regulamentar o uso de imagens das UCs estaduais.

Aos gestores das duas UCs, juntamente com o conselho gestor, ambos deliberativo, compete principalmente acompanhar a elaboração, implementação e revisão dos instrumentos de gestão da UC; buscar a integração da UC com os demais espaços territoriais protegidos e com o seu entorno; buscar a compatibilização dos segmentos sociais relacionados com a unidade; promover articulação com os diferentes atores do poder público local, instituições de ensino e pesquisa e demais entidades da sociedade civil organizada para articular interesses e assegurar a participação dos diversos segmentos nas decisões e estabelecimento de diretrizes das UCs, bem como avaliar o orçamento da unidade e o relatório financeiro anual elaborado pelo órgão executor em relação aos objetivos da UC.

3.4 REPRESENTANTES DE ÓRGÃOS OFICIAIS DO TURISMO

A Empresa Estadual de Turismo do Amazonas (Amazonastur) oferece assessoria técnica e apoio à capacitação, sensibilização, promoção e marketing da atividade turística, além do cadastramento das empresas prestadoras de serviços turísticos e ordenamento da atividade no âmbito do Estado. A Amazonastur participa também da gestão do uso público do turismo e lazer na UC estadual, relacionada às parcerias com a gestão, atuação no conselho gestor do Mosaico, articulação e parcerias com órgão governamentais do Estado, municípios e ONGs.

A representante do município, Manauscult (Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos), atua no Conselho Gestor da RDS do Tupé, desde 2015, e oferece apoio técnico em capacitações, bem como divulgação e marketing.

3.5 INSTITUIÇÕES PARCEIRAS DAS RDSs DO TUPÉ E DO RIO NEGRO

Na RDS do Rio Negro, foi mapeada a Fundação Amazonas Sustentável (FAS), organização brasileira não-governamental, que atua na UC, desde 2008, com apoio e incentivo ao desenvolvimento de atividades econômicas de baixo impacto ambiental, por

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meio do Programa Bolsa Floresta (PBF) que realiza o pagamento por serviços ambientais às comunidades tradicionais dentro da UC.

O apoio ao turismo ocorre por meio da promoção de cursos e capacitação de comunitários, com foco principalmente no empreendedorismo, incentivo ao artesanato, à implementação de pousadas e restaurantes e na criação de roteiros turísticos, com destaque para o Roteiro de TBC RDS do Rio Negro. Esse roteiro foi criado com apoio do Fórum de Turismo de Base Comunitária (FTBC) do Rio Negro9, como parte do Programa Passaporte

Verde10, visando atender as possíveis demandas turísticas da Copa do Mundo de Futebol de

2014, tendo o Amazonas como cidade-sede. As comunidades que fazem parte desse roteiro são: Tumbira, Santa Helena, Saracá, São Tomé, Santo Antônio do Lago do Acajatuba e Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Ainda ocorre apoio com demandas de visitantes para a UC, onde a instituição, por meio do núcleo de capacitação instalado na comunidade de Tumbira, promove vários encontros e cursos de intercâmbios com escolas e projetos de outros estados e países.

Na RDS do Tupé, foi mapeada a Universidade Federal do Amazonas (UFAM) que atua na UC desde 1997, com projeto de extensão universitária por meio do Programa Tupé/UFAM e desde 2006, a instituição faz parte conselho gestor. Colaborou na elaboração de instrumentos de regulamentos para uso público na Praia do Tupé, na criação de infraestrutura física de apoio ao uso público (banheiros públicos, sinalização e barracas de serviço ao público) e articulador do Roteiro de Turismo Comunitário no Baixo Rio Negro (Tucorin).

Iniciado em 2010, o Roteiro Tucorin é uma iniciativa de TBC subsidiado pelo projeto Talentos do Brasil Rural, uma parceria entre o Ministério do Turismo (MTUR), Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), Ministério do Meio Ambiente (MMA), Sebrae e Agência de Cooperação Alemã (GTZ). Contou com apoio das ONGs, Nymuendaju11 e IPÊ (Instituto

de Pesquisas Ecológicas), e envolveu as comunidades das RDS Tupé e Puranga Conquista. Na RDS do Tupé, envolve as comunidades de São João, Julião e Colônia Central. O Roteiro

9Representa um espaço para discursão da temática em diferentes níveis de governança, bem como para influenciar políticas públicas voltadas para o turismo em UCs, buscar apoio para capacitações, intercâmbios e consolidação da atividade turística em base comunitária no Rio Negro.

10O Programa Passaporte Verde teve como objetivo qualificar o produto turístico para a Copa do Mundo de Futebol de 2014 nas localidades receptoras, além da implantação de infraestrutura básica, ações de educação ambiental com apoio do MMA. O intuito era incentivar os visitantes a reduzir os impactos negativos das atividades nos ambientes visitados.

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Tucorin objetivou integrar as comunidades rurais e indígenas, que tinham ojeriza pelo turismo convencional e nada inclusivo, aos roteiros de visitação da cidade de Manaus, visando à geração de trabalho e renda, e o protagonismo destas comunidades na gestão da atividade.

Realizado pelo IPÊ e parceiros, o Plano de Negócios (PN) para o Roteiro Tucorin foi apresentado em 2014. O plano tinha o objetivo principal de acesso ao mercado, em vista do seu fortalecimento e viabilidade econômica, buscando parcerias para a sua comercialização. Atualmente, esse roteiro continua acontecendo nas comunidades da RDS do Tupé, mas de forma incipiente e sem apoio dessas instituições. Sua articulação vem sendo realizada de forma voluntária por um profissional do turismo que colaborou na implementação de atividades para o desenvolvimento do roteiro na RDS do Tupé.

3.6 ATIVIDADES TURÍSTICAS DESENVOLVIDAS NAS UCSs

Um rol de atividades foi identificado nas duas UCs, conforme mostrado na Tabela 6. Dentre as atividades, 15% ocorrem somente na RDS do Tupé, 30% somente na RDS do Rio Negro, e 55% são comuns nas duas unidades. Porém, alguns atrativos, como rituais indígenas e interação com botos, são exclusivos de uma ou de outra. Na RDS do Tupé, as atividades que contam com frequência significativa de visitantes é o lazer na Praia do Tupé, localizada na comunidade de São João, e apreciação de rituais indígenas, próxima à comunidade do Tatu. Na RDS do Rio Negro, as atividades mais expressivas representam a visitação à comunidades e “casa de caboclo”, interação com botos e venda de artesanato. Vale ressaltar que a visitação às comunidades envolve o passeio para conhecer a comunidade, e muita das vezes, a compra de artesanatos. Por outro lado, a visita à casa de caboclo é um atrativo ofertado pelas empresas operadoras que consiste na apresentação da casa de farinha com oferta de culinária regional, como tapioca, café ou suco, e demonstração do processo artesanal de preparo da farinha, mas sem fazer a farinha. A Tabela 6 lista as atividades turísticas realizadas nas duas UCs.

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Tabela 6: Atividades turísticas realizadas na RDS do Tupé e do Rio Negro.

(**) significam as atividades não realizadas UC; Freq.= Frequência; Ocor.= Ocorrência; Oper.= Operadores/articuladores; M= Moderada; A= Alta; B= Baixa; E= Espalhada; L= Localizada.

*1) Embarcações particulares; 2) Iniciativas locais; 3) Pousadas instaladas na UC; 4) Hotéis e agências de Manaus e Novo Airão; 5) ATUNA; 6) FAS; 7) Coop-Acamdaf; 8) Agências e hotéis de Manaus; 9) Roteiro Tucorin; 10) Embarcações regionais; e 11) Lanchas de passeios.

É importante salientar que a frequência das atividades de turismo e lazer nas duas UCs se refere ao número de vezes que o fenômeno ocorre. Portanto, alta frequência das atividades é a forma bastante frequente, ou seja, ocorrem todos os dias da semana ou de forma mais intensa nos finais de semana. Por outro lado, a moderada está relacionada à forma bem menos expressiva destas atividades, com pelo menos uma ou duas frequências por mês, enquanto a baixa ocorre poucas vezes ao ano.

Da mesma forma, a ocorrência das atividades se refere ao local ou locais onde o fenômeno ocorre. Neste caso, quando se faz referência à ocorrência localizada ou espalhada, descrevemos os locais ou comunidades situadas dentro de cada UC. Por exemplo, a interação com botos ocorre de forma bem localizada na região do Acajatuba, especificamente na comunidade de Santo Antônio do Lago do Acajatuba, já a apreciação da farinhada ocorre de forma espalhada, ou seja, dentro de várias comunidades nas duas UCs.

Atividades RDS do Rio Negro

Freq. Ocor. Oper.*

RDS do Tupé

Freq. Ocor. Oper.*

1) Apreciação da produção da farinhada M E 3,4,5 M E 1,7,9

2) Demonstração de plantas medicinais M L 3,4,5 (**) (**) —

3) Floresta Cultural (**) (**) (**) M L 2,7,8

4) Focagem de jacaré M E 3,4 (**) (**) —

5) Interação com botos A L 2,3,4, (**) (**) —

6) Lazer na praia A L 1,2,3 A L 1,7,10

7) Observação de animais M E 2,3,4, M L 1,7

8) Observação de animais noturno M L 2,4,6 (**) (**) —

9) Observação de aves M L 2,3,4, (**) (**) —

10) Passeio de canoa nos igapós A E 2,3 M L 1,2,8

11) Passeio na comunidade A E 3,4,5,6 M E 1,7,9 12) Pernoite na selva M L 3,4 M L 1,8,11 13) Pescaria artesanal M E 2,3 M L 1,7,8 14) Ritual indígena (**) (**) (**) A L 1,7,8,11 15) Trilhas interpretativas M E 2,3,4,6 M L 1,7,8,11 16) Venda de artesanato A E 2,3,4,6 M L 1,7,8,11 17) Visita à cachoeira M L 2 B L 1,7

18) Visita à casa de caboclo A L 2,3,4 (**) (**) —

19) Visita à Museu (**) (**) (**) B L 1,7

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O levantamento das atividades turísticas nas duas UCs identificou que as visitações ocorrem o ano todo, sendo mais expressivas nos meses de julho a setembro, períodos de formação de praias exuberantes. Na RDS do Rio Negro, as atividades realizadas totalizam 17, enquanto na RDS do Tupé, 14. As que são exclusivas da RDS do Rio Negro somam seis (06), e as exclusivas da RDS do Tupé são apenas três (03). As atividades comumente realizadas entre as duas somam 11. No total, 13 operadores/articuladores frequentes nas UCs foram contatados.

Os rituais indígenas são apreciados por 80% do público visitante, na sua maioria, turistas dos estados do Sul e Sudeste, mas também visitantes europeus (italianos, franceses, alemães) e americanos (20%). As visitas ocorrem praticamente todos os dias por meio de embarcações particulares, Coop-Acamdaf, agências e hotéis de Manaus e lanchas rápidas (Expressos), atracadas no centro de Manaus. O gasto médio para esta visita varia entre R$ 30,00 a R$ 50,00/pessoa, principalmente, para a compra de artesanatos (não ocorrendo sempre). Além disso, o valor para apreciação dos rituais não é pago diretamente para os grupos indígenas pelo visitante, pois já está incluso no pacote negociado com os agentes e operadores. O tempo das visitas ocorrem aproximadamente em até 50 minutos.

Outra atividade que merece destaque na RDS do Tupé é a Floresta Cultural Herisãrõ, que ocorre na comunidade São João. É um projeto idealizado pelos indígenas da etnia Dessana que visa à valorização e conservação da cultura indígena local. Consiste em uma emersão na floresta amazônica para conhecer os modos de vida, tradições, costumes e crenças indígenas. O projeto iniciou em 2015, mas, somente em 2018, conseguiu autorização da gestão da UC para sua realização. Atualmente, está em avaliação, tendo como público, especialmente europeus. Embora o fluxo de visitas seja considerado baixo, há potencial para seu desenvolvimento, pois existe forte investimento em marketing por parte dos idealizadores (Anexo G).

Conforme mencionado anteriormente, as atividades de lazer que ocorrem na RDS do Tupé são realizadas principalmente na Praia do Tupé, de maneira mais intensa nos finais de semana (público maior aos domingos). A maior demanda corresponde aos moradores da cidade de Manaus (95%) que acessam a UC por meio de embarcações regionais (recreios), embarcações particulares e por meio da Coop-Acamdaf.

Pelo fato de a Praia do Tupé ser um local de intensa visitação, foi criado, em 2008, o Regulamento de Uso da Praia do Tupé que estabelece regras gerais de utilização desse espaço e de seu entorno, bem como das instalações de uso público ali existentes. Por meio desse

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